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Mais Engenheiros?

Esta a circular nas redes sociais um Jovem Engenheiro de Cabinda que


decidiu divagar nas ruas da cidade de Luanda com cartaz pedindo uma
oportunidade de emprego. Este Jovem está a ser ridicularizado por
muitos apesar de se tratar de um episódio triste que devia suscitar
reflexões e acender perguntas se o país precisa mesmo de mais
engenheiros ou não.

Esta não é a primeira vez que circula imagem do género nas redes sociais, o
certo é que emprego para engenheiros é actualmente um dos maiores
clamores apocalípticos no cenário das lutas do primeiro emprego. É bem
verdade que, como engenheiro, tenho interesses pessoais. Mas, devido a
quantidade de amigos engenheiros desempregados, isso não é mais apenas
um ponto de vista. O executivo precisa fazer alguma coisa e urgente.
Formei me em Engenharia mecânica, conheço muitos engenheiros, bons
engenheiros, até aqui tudo bem, o problema é que muitos deles estão
desempregados. A frustração de bater mil portas e não abrirem nenhuma
obrigou alguns emigrarem a busca de melhores condições de vida, outros
vivem arrependidos por terem feito engenharia e como alternativa buscam uma
segunda licenciatura ou ainda pós-graduação em outra área bem distante das
engenharias.
Se formar em engenharia não é fácil, formar engenheiro constitui-se numa
inacessível empreitada, mas que vale apena uma vez que hoje, o foco está na
fabricação de produtos e tecnologias sustentáveis, actividade capaz de
estimular a recuperação econômica e consequentemente melhorar bem-estar
social. Embora algumas empresas alegam problema de lacuna de
competências para engenheiros formados no país, é paradoxo uma vez que a
falta de oportunidade de ofício também afecta aqueles que se formaram fora do
país até mesmo nas melhores universidades.
O setor petrolífero sempre empregou boa parte dos engenheiros para atuar
diretamente nos vários postos de trabalho existentes neste sector. Mas devido
as sucessivas crises económica nomeadamente a baixa de preço do barril de
petróleo no mercado internacional e agora a crise devido a pandemia Covid 19,
fechou-se as portas da oportunidade emprego para muitos engenheiros. Neste
sentido, Há necessidade urgente de se fazer alguma coisa, a Industria
petrolífera não é e nunca deve ser o único êxodo para empregar os
engenheiros.
O País precisa de mais engenheiros. Quer seja engenheiro mecânico,
engenheiro químico, engenheiro elétrico e outros se quisermos que a famosa
diversificação da economia seja uma realidade. Mas é importante que se crie
um plano nacional de emprego que funciona, com políticas estruturantes para
obtenção do primeiro emprego. Não adianta enviar angolanos para estudar nas
melhores universidades do mundo se quando retornarem não terem lugar para
desempenharem as suas funções e ajudar o país a crescer com os sólidos
conhecimentos adquiridos na formação.
Engenharia é um ofício que projeta, concebe e apresenta ideias inovadoras
que podem fazer a diferença no processo de diversificação da economia em
curso no país.

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