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Valentim (gnóstico)

filósofo egípcio

Valentim ou Valentino (em latim:


Valentinus; c. 100 - c. 160) foi por algum
tempo o teólogo gnóstico do período do
cristianismo primitivo de maior sucesso.
De acordo com Tertuliano, Valentim foi
candidato a bispo e iniciou o seu grupo
quando outro candidato foi eleito.[1]

Foi muito influente na comunidade


Cristã, apesar de seus trabalhos e ideias
terem sido considerados como
apostasia por volta de 175, mas nunca
foi considerado herético. Foi, até à sua
morte, um membro respeitado na sua
comunidade.

Valentim produziu uma grande variedade


de obras literárias, mas apenas
fragmentos sobreviveram, a maioria na
forma de citações nas obras de seus
oponentes, mas não o suficiente para
reconstruir seu sistema exceto em
grandes linhas.[2] Além destes relatos, o
pouco que se conhece da sua doutrina é
conhecida de forma modificada e já
desenvolvida nos trabalhos por seus
discípulos.[2] Ele ensinou que existem
três tipos de pessoas: as espirituais, as
físicas e as materiais; e que apenas
aquelas com a natureza espiritual (seus
próprios seguidores) receberiam a
gnosis (conhecimento) que os permitiria
retornar ao divino Pleroma, enquanto
aqueles com a natureza psíquica (os
demais cristãos) obteriam uma forma
inferior de salvação, enquanto os de
natureza material (pagãos e judeus)
estavam condenados a perecer.[2][3] O
texto Tratado tripartite é um dos textos
atribuídos aos seguidores de Valentim e
que expõe essa divisão da
humanidade.[4]

Valentim tinha um grande grupo de


seguidores, os Valentianos.[2]
Posteriormente, eles se dividiram em
dois ramos: um oriental e outro
ocidental (ou italiano). Os marcosianos
pertencem ao ramo ocidental.[2]

Biografia
Segundo Epifânio, Valentim nasceu em
Frebonis, no delta do Nilo e foi educado
em Alexandria, uma metrópole
importante no início do cristianismo.[5] É
possível que lá ele tenha ouvido o
filósofo cristão Basilides e certamente
se tornou fluente na filosofia helenista
médio platônica e na cultura dos judeus
helenizados, como o grande alegorista e
filósofo judeu de Alexandria Fílon.
Clemente de Alexandria relata que os
seguidores de Valentim alegavam que
ele fora aluno de Teudas, um pupilo de
Paulo.[6] Valentim dizia que Teudas o
havia contado a sabedoria secreta que
Paulo ensinara apenas ao seu círculo
interno, referido publicamente quando
ele falava sobre o seu encontro
visionário com o Cristo ressuscitado
(veja Romanos 16:25, I Coríntios 2:7, II
Coríntios 12:2-4 e Atos 9:9-10) em que
ele teria recebido este conhecimento
secreto diretamente Dele. Estes
ensinamentos esotéricos estavam em
declínio em Roma após a segunda
metade do século II[carece de fontes
?
].

Valentim ensinou primeiro em


Alexandria e foi para Roma por volta de
136, durante o pontificado do Papa
Higino e lá permaneceu até o pontificado
do Papa Aniceto. Em sua obra Contra os
Valentianos, Tertuliano diz:
“ Valentim esperava se tornar Bispo, ”
pois ele era um homem
habilidoso, tanto no intelecto
quanto na eloquência. Indignado,
porém, que um outro obteve a
honra por causa de uma
reivindicação que um confessor
havia lhe feito, ele deixou a igreja
da fé verdadeira. Assim como
outros espíritos (incansáveis) que,
quando atribulados pela ambição,
são finalmente inflamados pelo
desejo de vingança, ele se aplicou
com todas as suas forças em
exterminar a verdade; e
encontrando a pista de uma certa
opinião antiga, ele trilhou um
caminho para si com a sutileza de
uma serpente
— Tertuliano, Contra os
 
Valentianos]][1].

De acordo com a tradição relatada no


final do século IV por Epifânio, ele se
retirou para Chipre, onde continuou a
ensinar e atrair seguidores. Ele morreu
provavelmente por volta de 160 ou 161.[5]

Enquanto estava vivo, Valentim tinha


muitos discípulos e seu sistema era o
mais difundido entre todas as formas de
Gnosticismo, embora, como Tertuliano
indicou, ele se desenvolveu em diversas
versões, nem todas reconhecendo a
dependência dele ("eles fazem questão
de repudiar seu nome"). Entre os mais
proeminentes discípulos de Valentim,
que, porém, não seguia cegamente
todas as visões do mestre, estava
Bardesanes, invariavelmente ligado à
Valentim nas referências mais recentes,
assim como Heracleon, Ptolomeu e
Marcus.[5] Muitos dos escritos destes
gnósticos e um grande número de
trechos das obras de Valentim existiam
apenas em citações nas obras de seus
detratores, até que em 1945, um grande
conjunto de obras descobertas na
Biblioteca de Nag Hammadi revelaram
uma versão copta do Evangelho da
Verdade, que é o título do texto que,
segundo Ireneu,[7] era o mesmo que o
"Evangelho de Valentim" mencionado por
Tertuliano em Contra Todas as
Heresias.[8]

As ideias de Valentim
A essência do pensamento Valentim é: A
salvação está no autoconhecimento (a
gnose). Com influências, nitidamente,
neoplatônicas, desenvolveu uma
complexa cosmogonia onde Deus, neste
caso, Pai Inefável, está acima do Deus
inferior, chamado de Demiurgo, o Pai
invisível.

Este Inefável, segundo os Gnósticos, é


apresentado como um ente amórfico
sendo a combinação andrógina da
Mente (ou Nous) e pensamento (ou
Ennoia ou Epinoia) A Mente é o princípio
masculino e o pensamento é o princípio
feminino. Na versão Valentiana, o
princípio masculino é chamado de
Demiurgo e o feminino de Sophia.

O Inefável delegou ao Demiurgo o poder


criador para que pudesse separar a Luz
das Trevas. Já Sophia tem a Gnosis, que
o Demiurgo não possui. Em resumo,
Demiurgo criou a matéria e Sophia o
espírito.

O Pleroma seria o grande palco desse


jogo cósmico. O Demiurgo, com ciúme
de Sophia, tenta subjugá-la e toma-lhe a
Gnosis, mas Sophia cria o Pleroma e
foge para lá. Na esperança de salvar os
seus filhos (os espíritos) do julgo da
matéria, envia uma parte da Gnosis,
chamada Cristo.

Jesus Cristo, na visão gnóstica, é um


ente que guia os seres para o abrigo da
Pleroma, fugindo da escravidão da
matéria através da reencarnação.
Lembra um pouco a visão budista da
libertação da matéria.

Principais obras
O Evangelho da Verdade

Referências
1. «4». Contra os Valentianos . The
Heresy Traceable to Valentinus, an
Able But Restless Man. Many
Schismatical Leaders of the School
Mentioned. Only One of Them Shows
Respect to the Man Whose Name
Designates the Entire School (em
inglês). I. [S.l.: s.n.] |nome1= sem
|sobrenome1= em Authors list
(ajuda)
2. Cross, F. L., ed. (2005). The Oxford
Dictionary of the Christian Church.
Artigo Valentinus. Nova Iorque:
Oxford University Press
3. Para uma fonte de um opositor, veja
«6». Adversus Haereses . The
threefold kind of man feigned by
these heretics: good works needless
for them, though necessary to
others: their abandoned morals. (em
inglês). I. [S.l.: s.n.] |nome1= sem
|sobrenome1= em Authors list
(ajuda)
4. Robinson, James M. (1990). The
Nag Hammadi Library, revised
edition . The Tripartition of Mankind
(em inglês). São Francisco: Harper
Collins. ISBN 0-06-066929-2
5. "Valentinus and Valentinians" na
edição de 1913 da Enciclopédia
Católica (em inglês). Em domínio
público..
6. «17». Stromata . The Tradition of the
Church Prior to that of the Heresies
(em inglês). VII. [S.l.: s.n.] |nome1=
sem |sobrenome1= em Authors
list (ajuda)
7. «11». Adversus Haereses . Proofs in
continuation, extracted from St.
John's Gospel. The Gospels are four
in number, neither more nor less.
Mystic reasons for this. (em inglês).
III. [S.l.: s.n.] |nome1= sem
|sobrenome1= em Authors list
(ajuda)
8. «4». Contra Todas as Heresias .
Valentinus, Ptolemy and Secundus,
Heracleon (em inglês). I. [S.l.: s.n.]
|nome1= sem |sobrenome1= em
Authors list (ajuda)

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