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Modelagem de Circuito RC em Série

e Simulação por Diagrama de Blocos

1 Introdução
O objetivo deste trabalho é modelar um circuito RC em série como um
sistema dinâmico linear utilizando como entrada a tensão de uma fonte de
tensão e como saı́da a tensão no capacitor e simular o sistema através de
diagrama de blocos com MATLAB & Simulink. O circuito em questão é
mostrado na figura abaixo.

vR (t)
+ −

+ R +
vE (t) C vC (t)
− −

Figura 1: Circuito RC em série.

2 Modelagem Matemática
Da Lei de Kirchhoff das Tensões (LKT), tem-se

vE (t) = vR (t) + vC (t).


A corrente que atravessa o circuito pode ser escrita como

vR (t) dvC (t)


i(t) = =C .
R dt
| {z } | {z }
resistor capacitor

Logo,

dvC (t)
vR (t) = RC .
dt
E a equação inicial se torna

dvC (t)
vE (t) = RC + vC (t).
dt

1
Nomeando τ = RC e reagrupando os termos convenientemente, pode-se
escrever

dvC (t) vC (t) vE (t)


+ = .
dt τ τ
dvC (t)
A saı́da vC (t) será denotada por y(t), daı́ dt
= ẏ(t), portanto escreve-se
a seguinte equação diferencial:
1 1
ẏ(t) + y(t) = vE (t).
τ τ
Aqui será abordado o caso em que vE (t) = Eu(t), E = 10V , R = 1KΩ e
C = 2000µF com a condição inicial y(0) = vC (0) = vc0 , utilizando a função
degrau, definida como
(
0 se t < 0
u(t) = .
1 se t ≥ 0
Portanto, o problema fica modelado como

ẏ(t) + 0, 5y(t) = 5u(t), y(0) = vc0 . (1)

3 Solução Analı́tica
A equação (1) pode ser resolvida utilizando a Transformada de Laplace
(L{·}) e a Transformada Inversa de Laplace (L−1 {·}) sabendo que

L{y(t)} = Y (s) e L−1 {Y (s)} = y(t)


e ainda

1 1
L{ẏ(t)} = sY (s) − y(0), L{u(t)} = e L{eλt u(t)} = . (2)
s s+λ
Assim, aplicando a Transformada de Laplace na equação (1), obtém-se

L{ẏ(t) + 0, 5y(t)} = L{5u(t)}.


Da linearidade da Transformada e de (2), escreve-se

L{ẏ(t)} + 0, 5L{y(t)} = 5L{u(t)}


para obter

2
5
sY (s) − y(0) + 0, 5Y (s) = .
s
Ou ainda, de forma simplificada:
10 vc0 − 10
+
Y (s) = .
s s + 0, 5
Aplicando a Transformada Inversa:
   
−1 −1 1 −1 1
L {Y (s)} = 10L + (vc0 − 10)L
s s + 0, 5
chega-se à seguinte equação:

y(t) = 10u(t) + (vc0 − 10)e−0,5t u(t).


Deixando a condição inicial em destaque, obtém-se a solução analı́tica
para o problema:

y(t) = [vc0 e−0,5t + 10(1 − e−0,5t )]u(t) . (3)

4 Solução por Simulação


No ambiente do MATLAB, são inseridos os seguintes comandos na Janela
de Comandos, que inicializam o Simulink e definem a maioria dos parâmetros
do problema (adotando unidades no SI ):

1 >> simulink
2 >> E=10;
3 >> R=1000;
4 >> C= 0 . 0 0 2 ;
5 >> tau=R∗C ;
6 >> i t a u =1./ tau ;
7 >> iE=E∗ i t a u ;

Código 1: Inicialização da Simulação.

Para colocar a equação (1) de modo a ser simulada com o Simulink pela
construção do diagrama de blocos, escreve-se

ẏ(t) = −0, 5y(t) + 5u(t) ,


permitindo que se construa o diagrama da figura abaixo no ambiente do
Simulink :

3
Degrau Somador Integrador Sinal

entrada dy/dt 1 y
s

Ganho

-itau

Figura 2: Diagrama de Blocos para o problema (1).

A entrada é um bloco Degrau de amplitude E que é adicionado ao Soma-


dor com sinal positivo. Também adicionado ao Somador, com sinal positivo,
é o Ganho de −itau (variável de valor − τ1 ) com entrada y. O Integrador
recebe como entrada ẏ e vc0 (valor inicial do problema) e produz a saı́da y.
Finalmente, o gráfico de y é mostrado no bloco Sinal e emitido ao ambi-
ente do MATLAB pelas matrizes (com a primeira coluna representando o
tempo e a segunda representando o valor da função) simvc0 0 (para o caso
de vc0 = 0), simvc0 5 (para o caso de vc0 = 5), simvc0 10 (para o caso de
vc0 = 10) e simvc0 15 (para o caso de vc0 = 15).
Foram realizadas quatro simulações (uma para cada valor inicial (vc0 )
conforme mencionado acima) e os erros percentuais foram calculados em
relação às respectivas soluções analı́ticas por

|y ∗ − y|
EP (%) = 100 · ,
y
em que y representa a solução analı́tica e y ∗ a solução obtida por simulação
(também chamada aqui por aproximada). As subseções seguintes mostram
os resultados das simulações (comparados aos valores das soluções analı́ticas)
e dos cálculos de forma gráfica, além dos comandos no ambiente do MATLAB
(anvc0 representa a solução analı́tica com parâmetros vc0, o valor inicial, e
x, o tempo t).

1 >> syms v c 0 x
2 >> anvc0 = symfun ( v c 0 ∗ exp(− i t a u ∗x )+E∗(1− exp(− i t a u ∗
x) ) , [ vc 0 x ] ) ;

Código 2: Definição simbólica da solução analı́tica.

4
4.1 Caso vc0 = 0
1 >> vc0 =0;
2 >> f i g u r e ( ’Name ’ , ’ S o l u ç õ e s para vc0=0 ’ , ’ NumberTitle
’ , ’ off ’) ;
3 >> p l o t ( s i m v c 0 0 ( : , 1 ) , s i m v c 0 0 ( : , 2 ) , ’ g ’ , s i m v c 0 0
( : , 1 ) , anvc0 ( 0 . , s i m v c 0 0 ( : , 1 ) ) , ’ b−−∗ ’ )
4 >> g r i d on
5 >> g r i d minor
6 >> l e g e n d ( { ’ aproximada ’ , ’ a n a l ı́ t i c a ’ } , ’ L o c a t i o n ’ , ’
east ’ )
7 >> t i t l e ( ’ S o l u ç õ e s para vc0=0 ’ )
8 >> x l a b e l ( ’ t ’ )
9 >> y l a b e l ( ’ y ’ )

Código 3: Comandos para soluções para vc0 = 0.

Soluções para vc0=0


10

aproximada
5
y

analítica

0
0 2 4 6 8 10
t

Figura 3: Soluções aproximada e analı́tica para vc0 = 0.

5
1 >> f i g u r e ( ’Name ’ , ’ Erro P e r c e n t u a l para vc0=0 ’ , ’
NumberTitle ’ , ’ o f f ’ ) ;
2 >> p l o t ( s i m v c 0 0 ( : , 1 ) , 1 0 0 . ∗ abs ( ( s i m v c 0 0 ( : , 2 )−anvc0
( 0 . , s i m v c 0 0 ( : , 1 ) ) ) . / anvc0 ( 0 . , s i m v c 0 0 ( : , 1 ) ) ) , ’ b
−∗ ’ )
3 >> g r i d on
4 >> g r i d minor
5 >> t i t l e ( ’ Erro P e r c e n t u a l para vc0=0 ’ )
6 >> x l a b e l ( ’ t ’ )
7 >> y l a b e l ( ’ e r r o (%) ’ )

Código 4: Comandos para erro percentual para vc0 = 0.

10 -7 Erro Percentual para vc0=0


2.5

1.5
erro (%)

0.5

0
0 2 4 6 8 10
t

Figura 4: Erro percentual para vc0 = 0.

6
4.2 Caso vc0 = 5
1 >> vc0 =5;
2 >> f i g u r e ( ’Name ’ , ’ S o l u ç õ e s para vc0=5 ’ , ’ NumberTitle
’ , ’ off ’) ;
3 >> p l o t ( s i m v c 0 5 ( : , 1 ) , s i m v c 0 5 ( : , 2 ) , ’ g ’ , s i m v c 0 5
( : , 1 ) , anvc0 ( 5 . , s i m v c 0 5 ( : , 1 ) ) , ’ b−−∗ ’ )
4 >> g r i d on
5 >> g r i d minor
6 >> l e g e n d ( { ’ aproximada ’ , ’ a n a l ı́ t i c a ’ } , ’ L o c a t i o n ’ , ’
east ’ )
7 >> t i t l e ( ’ S o l u ç õ e s para vc0=5 ’ )
8 >> x l a b e l ( ’ t ’ )
9 >> y l a b e l ( ’ y ’ )

Código 5: Comandos para soluções para vc0 = 5.

Soluções para vc0=5


10

9.5

8.5

8
aproximada
7.5
y

analítica

6.5

5.5

5
0 2 4 6 8 10
t

Figura 5: Soluções aproximada e analı́tica para vc0 = 5.

7
1 >> f i g u r e ( ’Name ’ , ’ Erro P e r c e n t u a l para vc0=5 ’ , ’
NumberTitle ’ , ’ o f f ’ ) ;
2 >> p l o t ( s i m v c 0 5 ( : , 1 ) , 1 0 0 . ∗ abs ( ( s i m v c 0 5 ( : , 2 )−anvc0
( 5 . , s i m v c 0 5 ( : , 1 ) ) ) . / anvc0 ( 5 . , s i m v c 0 5 ( : , 1 ) ) ) , ’ b
−∗ ’ )
3 >> g r i d on
4 >> g r i d minor
5 >> t i t l e ( ’ Erro P e r c e n t u a l para vc0=5 ’ )
6 >> x l a b e l ( ’ t ’ )
7 >> y l a b e l ( ’ e r r o (%) ’ )

Código 6: Comandos para erro percentual para vc0 = 5.

10 -8 Erro Percentual para vc0=5


8

5
erro (%)

0
0 2 4 6 8 10
t

Figura 6: Erro percentual para vc0 = 5.

8
4.3 Caso vc0 = 10
1 >> vc0 =10;
2 >> f i g u r e ( ’Name ’ , ’ S o l u ç õ e s para vc0=10 ’ , ’
NumberTitle ’ , ’ o f f ’ ) ;
3 >> p l o t ( s i m v c 0 1 0 ( : , 1 ) , s i m v c 0 1 0 ( : , 2 ) , ’ g ’ , s i m v c 0 1 0
( : , 1 ) , anvc0 ( 1 0 . , s i m v c 0 1 0 ( : , 1 ) ) , ’ b−−∗ ’ )
4 >> g r i d on
5 >> g r i d minor
6 >> l e g e n d ( { ’ aproximada ’ , ’ a n a l ı́ t i c a ’ } , ’ L o c a t i o n ’ , ’
northeast ’ )
7 >> t i t l e ( ’ S o l u ç õ e s para vc0=10 ’ )
8 >> x l a b e l ( ’ t ’ )
9 >> y l a b e l ( ’ y ’ )

Código 7: Comandos para soluções para vc0 = 10.

Soluções para vc0=10


11
aproximada
10.8 analítica

10.6

10.4

10.2

10
y

9.8

9.6

9.4

9.2

9
0 2 4 6 8 10
t

Figura 7: Soluções aproximada e analı́tica para vc0 = 10.

9
1 >> f i g u r e ( ’Name ’ , ’ Erro P e r c e n t u a l para vc0=10 ’ , ’
NumberTitle ’ , ’ o f f ’ ) ;
2 >> p l o t ( s i m v c 0 1 0 ( : , 1 ) , 1 0 0 . ∗ abs ( ( s i m v c 0 1 0 ( : , 2 )−
anvc0 ( 1 0 . , s i m v c 0 1 0 ( : , 1 ) ) ) . / anvc0 ( 1 0 . , s i m v c 0 1 0
( : , 1 ) ) ) , ’ b−∗ ’ )
3 >> g r i d on
4 >> g r i d minor
5 >> t i t l e ( ’ Erro P e r c e n t u a l para vc0=10 ’ )
6 >> x l a b e l ( ’ t ’ )
7 >> y l a b e l ( ’ e r r o (%) ’ )

Código 8: Comandos para erro percentual para vc0 = 10.

Erro Percentual para vc0=10


1

0.8

0.6

0.4

0.2
erro (%)

-0.2

-0.4

-0.6

-0.8

-1
0 2 4 6 8 10
t

Figura 8: Erro percentual para vc0 = 10.

10
4.4 Caso vc0 = 15
1 >> vc0 =15;
2 >> f i g u r e ( ’Name ’ , ’ S o l u ç õ e s para vc0=15 ’ , ’
NumberTitle ’ , ’ o f f ’ ) ;
3 >> p l o t ( s i m v c 0 1 5 ( : , 1 ) , s i m v c 0 1 5 ( : , 2 ) , ’ g ’ , s i m v c 0 1 5
( : , 1 ) , anvc0 ( 1 5 . , s i m v c 0 1 5 ( : , 1 ) ) , ’ b−−∗ ’ )
4 >> g r i d on
5 >> g r i d minor
6 >> l e g e n d ( { ’ aproximada ’ , ’ a n a l ı́ t i c a ’ } , ’ L o c a t i o n ’ , ’
east ’ )
7 >> t i t l e ( ’ S o l u ç õ e s para vc0=15 ’ )
8 >> x l a b e l ( ’ t ’ )
9 >> y l a b e l ( ’ y ’ )

Código 9: Comandos para soluções para vc0 = 15.

Soluções para vc0=15


15

14.5

14

13.5

13
aproximada
12.5
y

analítica

12

11.5

11

10.5

10
0 2 4 6 8 10
t

Figura 9: Soluções aproximada e analı́tica para vc0 = 15.

11
1 >> f i g u r e ( ’Name ’ , ’ Erro P e r c e n t u a l para vc0=15 ’ , ’
NumberTitle ’ , ’ o f f ’ ) ;
2 >> p l o t ( s i m v c 0 1 5 ( : , 1 ) , 1 0 0 . ∗ abs ( ( s i m v c 0 1 5 ( : , 2 )−
anvc0 ( 1 5 . , s i m v c 0 1 5 ( : , 1 ) ) ) . / anvc0 ( 1 5 . , s i m v c 0 1 5
( : , 1 ) ) ) , ’ b−∗ ’ )
3 >> g r i d on
4 >> g r i d minor
5 >> t i t l e ( ’ Erro P e r c e n t u a l para vc0=15 ’ )
6 >> x l a b e l ( ’ t ’ )
7 >> y l a b e l ( ’ e r r o (%) ’ )

Código 10: Comandos para erro percentual para vc0 = 15.

10 -8 Erro Percentual para vc0=15


6

4
erro (%)

0
0 2 4 6 8 10
t

Figura 10: Erro percentual para vc0 = 15.

5 Conclusão
É possı́vel verificar pelos gráficos comparativos de soluções aproximadas
e analı́ticas que todos os pontos dos gráficos coincidem visualmente, além
disso, a ordem de grandeza dos valores dos gráficos de erros percentuais é
muito pequena quando comparada à ordem do menor parâmetro do pro-
blema. Logo, pode-se concluir que a simulação para os casos estudados foi
bem sucedida, levando em conta a solução analı́tica.

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O gráfico (juntamente com o código) abaixo mostra as soluções aproxi-
madas com diferentes condições iniciais em uma mesma escala.

1 >> f i g u r e ( ’Name ’ , ’ S o l u ç õ e s Aproximadas ’ , ’


NumberTitle ’ , ’ o f f ’ ) ;
2 >> p l o t ( s i m v c 0 0 ( : , 1 ) , s i m v c 0 0 ( : , 2 ) , s i m v c 0 5 ( : , 1 ) ,
simvc0 5 ( : , 2 ) , simvc0 10 ( : , 1 ) , simvc0 10 ( : , 2 ) ,
simvc0 15 ( : , 1 ) , simvc0 15 ( : , 2 ) )
3 >> g r i d on
4 >> g r i d minor
5 >> l e g e n d ( { ’ vc0=0 ’ , ’ vc0=5 ’ , ’ vc0=10 ’ , ’ vc0=15 ’ } , ’
Location ’ , ’ northeast ’ )
6 >> t i t l e ( ’ S o l u ç õ e s Aproximadas ’ )
7 >> x l a b e l ( ’ t ’ )
8 >> y l a b e l ( ’ y ’ )

Código 11: Comandos para as soluções aproximadas.

Soluções Aproximadas
15
vc0=0
vc0=5
vc0=10
vc0=15

10
y

0
0 2 4 6 8 10
t

Figura 11: Soluções obtidas por simulação.

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Referências
[1] B. P. Lathi. Sinais e sistemas lineares / B.P. Lathi ; tradução Gustavo
Guimarães Parma. Bookman, Porto Alegre, 2nd edition, 2007.

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