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FACULDADE DE INTEGRAÇÃO DO SERTÃO - FIS

Bacharelado em Direito
Autorizado pela Portaria MEC nº 698 de 03.08.2007 publicada no D.O.U. em 06.08.2007

Curso: Bacharelado em Direito


Professor: Renato Godoy Inácio de
Disciplina: Direito Civil IV
Oliveira

Direito Das Coisas

Conceito: De acordo com Clóvis Beviláqua, direito das coisas é o complexo


das normas reguladoras das relações jurídicas referentes às coisas suscetíveis de
apropriação pelo homem.

Na teoria moderna, Direito das Coisas seria o Ramo do Direito que rege a
relação entre o homem e a coisa, regendo toda a relação jurídica concernentes aos
bens materiais ou imateriais, tudo, o que for suscetível de apropriação.

Importante citar que na Constituição Federal art. 5 XXII é previsto o Direito


de Propriedade, senão vejamos:

“XXII - é garantido o direito de propriedade;”(g.n)

Demais dispositivos Constitucionais Pertinentes:

“XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;

XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para


desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou
por interesse social, mediante justa e prévia indenização
em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta
Constituição;

XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade


competente poderá usar de propriedade particular,
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver
dano;

R. João Luiz de Melo nº 2110, Bairro: Tancredo Neves, CEP:56.909 – 205, Serra Talhada – Pernambuco – Brasil – Fone/Fax: (87) 3831-1472
Coordenação: Prof. Msc. Magno Antonio Leite: e-m ai l :l ei te.m a gn o @gm ai l .com : Si te: http://www.fis.edu.br
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XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei,


desde que trabalhada pela família, não será objeto de
penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de
financiar o seu desenvolvimento;” (g.n)

O direito das coisas tem sido assim classificado pela nossa Doutrina:

a) Direito das Coisas Clássico - Oriundo do Direito Romano, tendo por


objetivo estudar a propriedade, as servidões, a superfície, a enfiteuse, o
penhor e a hipoteca.

b) Direito das Coisas Científico - Compreende a mesma matéria do


clássico, porém com o âmbito bem mais amplo, graças ao trabalho da
doutrina e jurisprudência.

c) Direito das Coisas Legal – Aquele regulado pela legislação, que se


preocupa com a situação jurídica da propriedade numa dada época e
lugar.

Distinção entre Direitos Reais e Direitos Pessoais

Modernamente, as ações de Direito se dividiram em duas grande


categorias: actio in rem e actio in pernonam, que seriam direitos reais e direitos
pessoais.

Essa distinção foi objeto de várias teses, entre elas as teses unitárias, que
possuem dois prismas:

a) A Personalista – Tem como principais defensores, Ferrara, Ortolan,


Ripert, Plainol e Windsheid, argumentam que o direito é uma “proportio
hominis ad hominem” e não uma relação jurídica entre pessoa e coisa,
tendo por ideia basilar os ensinamentos de Kant, de que
obrigatoriamente o direito nasceria de uma relação entre pessoas.

Ou seja, o direito real pressupõe a existência de um sujeito ativo, sujeito


passivo e de um objeto.

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Tal teoria não é muito distinta da Teoria de Demogue, que atenta que os
direitos reais são oponíveis contra todos, enquanto os pessoais, apenas
contra uma ou algumas pessoas determinadas.

b) A Impersonalista – Tem como principais teóricos Gaudemet e Saleilles,


tal teoria busca fazer com que os direito pessoais sejam absorvidos
pelos Direitos Reais. De acordo com os teóricos, a obrigação contém em
si um valor econômico que independe da pessoa do devedor, sendo que
o Direito Real extrairia seu valor patrimonial dos bens materiais e o
direito pessoal, da subordinação de uma vontade que se obriga a agir ou
abster-se.

Obs. Tais teorias monistas não encontraram esteio em nosso ordenamento


jurídico, que já consagraram a distinção entre Direitos Reais e Direitos Pessoais,
realizada pela teoria Clássica ou realista, caracterizada como uma relação entre a
pessoa e a coisa, sem intermediário, contendo, portanto, três elementos: sujeito ativo, a
coisa e a inflexão imediata do sujeito ativo sobre a coisa e o direito pessoal.

Para Bonnecase, o direito real traduz apropriação de riquezas, tendo


por objeto um bem material, enquanto que o direito pessoal tem por objeto uma
prestação de serviço(ato ou abstenção)vinculando sujeito ativo e passivo.

Via de regra identificamos as principais diferenças entre os direitos reais e


pessoais:

1) Quanto ao sujeito de Direito: Para os Direitos Pessoais existem dois


sujeitos o ativo e o passivo, porém para os Direito Reais existe apenas
um direito, onde a escola clássica defende que seria o sujeito ativo.

2) Quanto à Ação: Nos direitos pessoais, atribuem ao seu titular o direito


de ação, contra quem figura na relação jurídica, enquanto os direito
reais a ação se dará contra quem indistintamente detiver a coisa.

3) Quanto ao objeto: Nos direitos pessoais é sempre uma prestação


positiva ou negativa(dar, fazer, não dar, não fazer), os direitos reais, não
geram obrigação entre terceiros, sendo considerados os direitos de
vizinhança, como uma categoria intermediária entre o direito real e
pessoal.

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4) Quanto ao limite: O direito Pessoal é ilimitado, sensível à autonomia de


Vontade, pelo princípio do numerus apertus. O direio Real não pode ser
objeto de livre convenção; está limitado e regulado expressamente pela
norma jurídica. constituindo essa especificação da lei um numerus
clausus.(art. 1225, I a XII):

“Art. 1.225. São direitos reais:

I - a propriedade;

II - a superfície;

III - as servidões;

IV - o usufruto;

V - o uso;

VI - a habitação;

VII - o direito do promitente comprador do imóvel;

VIII - o penhor;

IX - a hipoteca;

X - a anticrese.

XI - a concessão de uso especial para fins de moradia; 

XII - a concessão de direito real de uso; e 

XIII - a laje. “(g.n)

5) Quando ao modo de gozar os direitos: O direito pessoal exige sempre


um intermediário, que é aquele que está obrigado à prestação. O real
não requer intermediáro para cumprir com a obrigação.

6) Em relação ao abandono: O abandono é característica do direito real,


podendo o seu titular abandonar a coisa, nos casos em que não queira
arcar com o ônus. (art. 1382 e 1380):

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“Art. 1.380. O dono de uma servidão pode fazer todas as


obras necessárias à sua conservação e uso, e, se a
servidão pertencer a mais de um prédio, serão as
despesas rateadas entre os respectivos donos.

Art. 1.382. Quando a obrigação incumbir ao dono do


prédio serviente, este poderá exonerar-se, abandonando,
total ou parcialmente, a propriedade ao dono do
dominante.”(g.n)

7) Quanto à Extinção: Os direitos Creditórios se extinguem com a inércia


do Sujeito, enquanto que os reais até que se constitua situação contrária
em proveito de outro titular.

8) Em relação à sequela: O direito real persegue seu objeto onde se


encontre(jus persequendi), é prerrogativa concedida apenas a direito
real.

9) Quanto ao usucapião: É modo de aquisição de direito real e não de


direito pessoal.

10) Em relação à posse: Só direito real lhe é suscetível, por ser a posse
a exterioridade d domínio; embora haja direitos reais que não
comportam posse.

11) Quanto ao direito de preferência: Esse é restrito aos Direitos reais


de garantia, ou seja, a responsabilidade da obrigação concentra-se
sobre determinado bem do patrimônio do devedor.

Características importantes dos Direitos Reais:

a) Adere imediatamente à coisa


b) Segue seu objeto onde quer que este se encontre
c) É exclusivo, não sendo possível instalar-se direito real onde
este já exista.

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d) É provido de Ação Real, que prevalece contra qualquer


detentor da coisa, razão pela qual preferem muitos dominá-lo
absoluto.

e) Seu numero é limitado mas outros poderão ser criados.

f) Só os direitos reais são passiveis de posse, tese, que


comporta divergências doutrinárias.

Princípios atinentes aos Direitos das Coisas –

a)Princípio da coisificação - direito real deve versar sobre coisas e não sobre
pessoas ou outros bens não coisificáveis;

b)Princípio da especialidade ou individualização - o objecto dos direitos reais


deve ser uma coisa certa e determinada;

c)Princípio da totalidade da coisa - o objecto de um direito real é a coisa na sua


totalidade;

d)Princípio da compatibilidade - só pode existir um direito real sobre


determinada coisa, na medida em que seja compativel com outro direito real que
a tenha por objecto;

e)Princípio da elasticidade - o direito sobre uma coisa tende a abranger o


máximo de utilidades que proporciona;

f)Princípio da transmissibilidade - os direitos reais podem mudar de titular quer


inter vivos, quando vivos, quer mortis causa, quando mortos;

g)Princípio da consensualidade - segundo o código civil Português, basta um


contrato para que se transmita um direito real, não é necessária a tradição da
coisa (eficácia real do contrato);

h)Princípio da tipicidade - não é possível constituir direitos reais diferentes dos


previstos na lei;

DA POSSE
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Conforme aduz Clovis Beviláqua, posse é


a) Classificação – (CC art.1.196 a 1203)
b) Aquisição – (CC art. 1.204 a 1.209)
c) Efeitos – (CC art. 1210 a 1222)
d) Perda – (CC art. 1223 e 1224)
e) Proteção – (CC art. 920 a 933)

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