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Ex-Adventista: porque não guardo o Sábado


por Roberto Marques *

1. O Sábado era sombra de Cristo.


Cl 2.16,17: "Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou
dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra
das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo."
Sábado (Sabbath) significa “descanso”. Cristo nos trouxe o descanso. Jesus é o
descanso para o qual a sombra do sábado apontava (Mt 11.28-30). Jesus é uma
antecipação do descanso verdadeiro que os cristãos experimentarão no céu (Hb 4.9).
Descansar no sétimo dia é trocar Cristo (diário) por um dia (semanal). Isso é idolatria.
Hoje descansamos em Cristo e não em um dia da semana.

2. O sábado era um sinal para os judeus


O Sabbath era um sinal entre Deus e o povo de Israel (Êx 31:12-18 ; Dt 5:1-3, 12 ; Ez
20:10-12). Quando fechamos nosso comércio no sábado ou faltamos ao trabalho, por
causa do sábado, estamos declarando que somos judeus e não cristãos, ou pior:
testemunhamos de uma salvação pelas obras. O sábado não é um sinal de cristianismo
(Jo 13.35). Também não é o nosso descanso espiritual (Mt 11.28). Jesus é o descanso
para o qual a sombra do sábado apontava (Cl 2.16,17). Agora temos um descanso
“superior” (Hb 7:18-19). Hoje a igreja descansa não em um dia, mas EM CRISTO.

3. Quem desobedecesse o mandamento do sábado seria morto.


Observe os requisitos para se guardar o Sabbath: não sair de sua casa (Êx
16:29); não poderia acender fogo em casa (Êx 35:3); e não poderia fazer
ninguém trabalhar (Dt 5:14). A pessoa que quebrasse a lei do Sabbath seria colocada à
morte (Êx 31:12-17; Nm 15:32-35). Portanto, o castigo de morte está associado à
guarda do sábado. Para que haja coerência de procedimentos, quem guarda o sábado
deveria, no caso de violação, aceitar o castigo correspondente. A guarda desse dia e o
castigo pela desobediência são ordenanças de Deus e fazem parte da mesma Lei.

4. Jesus veio cumprir a lei de Moisés


Mt 5:17-18: "Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas: não vim para revogar;
vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem
um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra."
Jesus não veio para demolir ou destruir a lei. De fato, Ele era o
cumprimento da Lei. Toda a lei e os profetas haveriam de desempenhar suas funções
propostas, até o seu cumprimento em Cristo. Em Sua morte, “tudo foi cumprido” e ela
caiu.

5. “Os sábados” de Colossenses 2:16 são sábados semanais?


Sim. Esse texto se refere aos sábados semanais. Paulo depois de mencionar comida e
bebida, menciona festas (celebrações anuais), lua nova (celebrações mensais) e
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sábados (celebrações semanais). A única festa anual, para a qual a palavra sábado foi
aplicada, é o Dia da Expiação (Lv 16.31-32).

6. Não há diferença entre "lei moral" e "lei cerimonial".


Não há essa separação na Bíblia (2 Cr 34:14; Esd 7:6; Ne 8:1, 8, 14, 18). Jesus não faz
essa separação (veja Mt 5:19-43). Paulo não fala de “leis”, mas da “lei”. A Lei é uma só,
embora contemple aspectos cerimoniais, civis e morais. Toda ela foi cumprida por
Cristo. Cristo era o próprio cumprimento da lei. Cristo era também o cumprimento do
Sábado.

7. Jesus guardou o sábado?


Sim. Jesus era um judeu nascido sob a Lei (Gl 4:4). Jesus foi
circuncidado, ofereceu sacrifícios, dizimou, guardou a Páscoa etc. (Lc
2:21; 5:12-14; Mt 26:18-19).

8. Por que Jesus ficou no sepulcro no sábado e só ressuscitou no domingo?


Em respeito às tradições judaicas. Israel era um Estado que tinha leis civis específicas
sobre a transgressão do sabbath. Principalmente: Jesus era o Cordeiro Pascal e tinha
que ficar morto no sábado. Jesus era a Páscoa.

9. Paulo guardou o sábado?


Não. As Escrituras não ensinam isto. Havia um número de ocasiões em que Paulo
ensinou em sinagogas, no sábado (At 18:4 etc.). Era uma estratégia evangelística. Não
prova que ele guardou o sábado como um dia santo de descanso.

10. O sábado é mandamento "perpétuo"?


Não. Outros mandamentos do Velho Testamento foram "para sempre" ou
“perpétuos": a Páscoa (Êx 12:24); a queima do incenso (Êx 30:21), o
sacerdócio Levítico (Êx 40:15), as ofertas de paz (Lv 3:17), a parte dos
sacerdotes nos sacrifícios (Lv 6:18, 22; 7:34, 36), o sacrifício anual
de animais pela expiação dos pecados (Lv 16:29, 31,34) etc.

11. Por que em Mateus 24:20 Jesus disse para orarem para que sua fuga não fosse no
inverno, nem no sábado?
Jesus estava considerando a iminente destruição de Jerusalém. Ele
aconselhou aos discípulos a orar para que sua fuga não viesse em um tempo difícil,
como o inverno ou o sábado. As razões para não se fugir no inverno são óbvias: frio,
neve, fome. Havia também várias razões porque seria mais difícil fugir no sábado: os
judeus trancavam as portas da cidade no sábado, e seriam impedidos em sua fuga; o
sábado dificultaria a capacidade dos cristãos para fazerem preparativos ou comprar os
mantimentos necessários para a fuga.

12. O papa mudou o sábado?


Esta afirmação pode ser desmentida historicamente. Tanto Inácio como
Justino Mártir se referem aos cristãos adorando (não guardando) no
primeiro dia da semana, e eles escreveram no segundo século, muito antes de haver
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um papa ou uma igreja católica. No ano de 57/58, em Trôade, na Ásia Menor, os


cristãos se reuniam no primeiro dia da semana (At 20:7) e Paulo aproveitou para lhes
falar.

13. O sábado lembra a escravidão


A instituição do sábado está associada à lembrança da libertação da
escravidão egípcia (Ex 20:2;Dt 5:15;Ez 20:10). A intenção de Deus em dar
o Sabbath a Israel não foi que se “lembrassem da criação”, mas que se
lembrassem de sua escravidão egípcia e o livramento do Senhor. Ele apontava para
Cristo que libertaria da escravidão do pecado. Hoje, Cristo substitui o sábado.

14. O sábado em Gênesis 2.1-3


Moisés escreveu o livro de Genesis no deserto, milhares de anos depois da criação.
Havia um PROPÓSITO DIVINO em incluir o sábado de descanso no relato da criação:
“enfatizar” o Sabbath como SOMBRA de Cristo (Cl 2.16). Não há registro bíblico do
Sabbath antes dos filhos de Israel ter deixado a terra do Egito. Em nenhum lugar das
Escrituras há qualquer indício de que guardar o Sabbath tenha sido praticado de Adão
à Moisés. De fato, a primeira vez que lemos sobre homens guardando o sábado, ou um
mandamento para os homens guardarem o sábado, é em Êxodo 16, depois que Moisés
tinha guiado os israelitas para fora do Egito.

15. Por que Deus escreveu os dez mandamentos com o seu dedo (Ex 31.18)?
A intenção do autor do Êxodo, Moisés, era “enfatizar” a importância do que fora
escrito. Enquanto durasse a Aliança a Lei não cairia (Hb 7:12). A mesma linguagem
figurada é utilizada em Jeremias 17.1, sem, contudo corresponder a uma realidade
material. Deus não tem dedos. Deus não é humano, mas um Espírito (Jo 4.24).

16. O Sinal da Besta de Apocalipse 13.17 é o Domingo e o Selo de Deus é o Sábado?


O texto bíblico não fala de um “selo de Deus”. Só fala da “marca da besta”, e tão pouco
diz que ela é o Domingo. A Marca da Besta é um “nome” ou “número” e não um “dia”.
No Velho Testamento, o Sábado era um “sinal” entre Deus e os “filhos de Israel” (Ex
31.17) e não entre Cristo e a Igreja. O sinal que identifica o verdadeiro cristão é o
ESPÍRITO SANTO (Ef 1.13; 2Tm2.19) refletindo em obras de amor (Jo 13.35). O
“anticristo” de Apocalipse não é “anti-sábado”, nem “anti-adventismo”, mas um poder
que combaterá “contra Cristo”, contra Sua morte redentora, contra Sua igreja na terra.

17. A que “mandamentos” Jesus se refere em João 14.15?


Quando Jesus fala de "mandamentos", Ele não está se referindo aos DEZ
MANDAMENTOS. Esse é um acréscimo adventista (colocar "dez" antes de
“mandamentos"). Mandamento é toda ordenança, ou ordem, ou ensinamento, do
próprio Jesus ou de Deus expressos na Bíblia para Israel ou para a Igreja (veja 1Jo 3.22-
24; 4.21). A justiça na Nova aliança deve exceder as leis prescritas por Deus a Moisés,
isto é, vai além dos Dez Mandamentos.
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18. Como conviver com aqueles que desejam guardar o sábado?


Com tolerância. Não julgar. A Bíblia chama-os de “enfermos na fé e “fracos na fé” (Rm
14. 1-6); “ministério da morte”, “ministério da condenação” (2Co 3.7,9). Paulo diz que
“os seu sentidos foram endurecidos;... Mas quando se converterem ao Senhor, então,
o véu se tirará” (2Co 3.14-16). Sigamos a recomendação paulina: “Um faz diferença entre
dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua
própria mente” (Rm 14.5).

CONCLUSÃO
Sábado (do hebraico sabbath) significa descanso. No Antigo Testamento, os
israelitas deveriam descansar no sétimo dia em memória a libertação da escravidão
egípcia (Ex 20.1; Dt 5.15). Mas o sábado tinha um significado maior: apontava para o
futuro descanso de redenção que Deus realizaria em favor do Seu povo.
O sábado judaico era apenas uma “sombra”, uma profecia da redenção que
ocorreria através de Jesus Cristo (Cl 2.16,17). Mas agora a redenção já se realizou.
Jesus veio e cumpriu a profecia (Mt 5.17-18;11.28).
Jesus é o descanso para o qual a sombra do sábado apontava. Jesus é também
uma antecipação do verdadeiro descanso que os cristãos experimentarão no céu (Hb
4.9).
O Sabbath foi estabelecido para Israel, não para a igreja. O Sabbath ainda é
sábado, não domingo, e nunca foi mudado. Mas o Sabbath é parte da Lei do Velho
Testamento, e os cristãos são livres da servidão da Lei (Gl 4:1-26; Rm 6:14).
Guardar o Sabbath não é algo cobrado dos cristãos, seja um sábado ou
domingo.

FIM
*Roberto Marques foi adventista do sétimo dia por 21 anos. Há quatro anos vive na Nova Aliança de
Cristo. Congrega em uma comunidade cristã batista renovada. É Teólogo, mestre em Missiologia e
doutor em Teologia.
contato@ministeriopescar.com
Rondônia – Brasil
Publicado em: 19/01/2011

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