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Resenha crítica do artigo ‘’Análise da Influência de Parâmetros de Soldagem em

Características Microestruturais e Mecânicas de Juntas Soldadas de um Tubo de Aço


API X70Q para Aplicação Sour Service’’

Paula, Mariana Pessoa Medeiros de, Modenesi, Paulo José, & Trindade, Vicente Braz. (2018).
Análise da Influência de Parâmetros de Soldagem em Características Microestruturais e
Mecânicas de Juntas Soldadas de um Tubo de Aço API X70Q para Aplicação Sour Service.
Soldagem & Inspeção,​ ​23​(2), 180-190. Epub July 10, 2018.

O artigo ‘’Análise da Influência de Parâmetros de Soldagem em Características


Microestruturais e Mecânicas de Juntas Soldadas de um Tubo de Aço API X70Q para
Aplicação Sour Service’’ foi publicado em 2018 no volume 23 da revista ​Soldagem e Inspeção,
editada pela Associação Brasileira de Soldagem​. A autora é Mariana Pessoa Medeiros de
Paula, que é mestre em Engenharia Metalúrgica e de Minas pela UFMG. Tem experiência na
área de Engenharia de Materiais e Metalúrgica, com ênfase em Soldagem.
Neste trabalho, Paula e seus colaboradores realizam uma análise microestrutural e
mecânica de juntas de tubos sem costura API 5L X70Q para uso em ambientes expostos à
fragilização por H 2 S (sulfeto de hidrogênio), variando os valores de aporte térmico de
soldagem com a finalidade de avaliar os efeitos destes nas propriedades finais ao longo do
cordão de solda.
O paper é dividido em quatro elementos textuais e possui um total de 11 páginas. A
autora, primeiramente, ressalta a aplicação de tubos de aço para o transporte de óleo e gás,
destacando que estes são submetidos a altas temperaturas, altas pressões (devido às grandes
profundidades) e expostos a teores de sulfeto de hidrogênio e dióxido de carbono provenientes
do petróleo e que agem na fragilização metálica dos tubos (​ambiente sour service​). Com a
finalidade de contornar este problema, é apresentado o tubo sem costura de alta resistência e
baixa liga (ARBL) feito de aço grau X70Q que possui uma boa relação entre resistência
mecânica e tenacidade. O método de soldagem GMAW foi utilizado para a união dos tubos,
dada seu maior potencial produtivo, flexibilidade e facilidade de mecanização. Como
metodologia, foram utilizados os tubos com chanfro em ‘J’ e pré aquecidos em 150°C para
cada passe. Primeiramente, para os passes de raiz, foi utilizado o processo manual GTAW
protegido com argônio. Para os passes de enchimento e acabamento foi utilizado o GMAW de
maneira mecanizada com gás de proteção de ​82%Ar+18% C O 2 . Ambos os processos foram
realizados na posição plana (1G). Sendo assim, determinaram as condições de aporte térmico:
APT-A = Aporte térmico alto, ​APT-M = Aporte térmico intermediário e ​APT-B = Aporte térmico
baixo. Definidos os aportes, destaca-se que foram realizados 4 passes com o processo GTAW
e uma média de 20 passes para o GMAW. O número de passes de acabamento variou entre
três (APT-A) e quatro (APT-M e APT-B).
Com a finalidade de definir as propriedades finais das juntas, foram utilizados:
Espectrometria para determinação da composição química; Análise micrográfica para avaliação
estrutural; Ensaio de tração para precisar as propriedades mecânicas; Perfis de dureza
determinados pela Dureza Vickers (10 HV); e ensaios Charpy para apuração da tenacidade e
curva de transição do material. Sendo assim, chegou-se às conclusões:
● A composição química da zona fundida não foi consideravelmente influenciada pela
variação do aporte térmico;
● A influência dos aportes térmicos ocorreu no sentido do aumento das ripas de bainita,
conforme os aportes aumentavam;
● As variações dos aportes térmicos não influenciaram significativamente nos valores de
resistência mecânica, limite de escoamento e a relação LE/RT das juntas soldadas.
Todas as fraturas nos corpos de prova considerando-se a junta soldada ocorreram no
metal de base;
● Os valores encontrados para a região de topo no metal de solda estão acima do valor
de 250 HV10 exigido pela norma, fazendo com que esses materiais não poderiam ser
utilizados em ambientes sour service conforme estabelecido pela norma NACE
MR0175;
● O material apresenta boa tenacidade de modo geral, apesar de não ser conclusiva a
influência da variação de aporte térmico nos resultados.

Sendo assim, concluímos que tubos sem costura feitos de aço API 5L X70Q podem ser
soldados conforme as especificações mencionadas no artigo e utilizados para ambientes s​our
service contanto que sigam a norma DNV-OS-F101.Infelizmente, o apresentado não vale para
a norma NACE MR0175 devido aos valores de dureza na região do topo do MS ultrapassarem
o especificado por esta. Também notamos que as mudanças de aporte térmico não resultam
em grandes efeitos nas propriedades da junta soldada.
Analisando o estudo apresentado mais a fundo, podemos fazer paralelos com os dados
fornecidos pelo artigo e com o que se encontra na literatura e concluir certas ressalvas.
Sabemos que no processo GMAW, utilizando o gás inerte composto por Ar e C O 2 , soldando
aços com C < 0,07% (caso de porcentagem mínima apresentada na ‘’Tabela 1’’ do paper)
temos a tendência do teor de carbono do aço base ser aumentado e isso acarretar em futuras
corrosões. Tal fato se agrava quando se trata de um caso de aplicação em Sour Service. Além
disso podem ocorrer defeitos como porosidade e perda de elementos de liga como Cr, V, Al, Ti,
Mn e Si devido ao caráter oxidante do gás utilizado. Todavia, tal problema pode ser corrigido
utilizando arames com desoxidantes. Apesar de tudo, o estudo garante que os resultados estão
em total conformidade com as normas.
O paper tem como público-alvo todos os profissionais de engenharia interessados no
setor de petróleo e gás que se deparam com os problemas de condições ​sour service​. Este
trabalho apresenta, de maneira experimental e de fácil compreensão dos resultados, a
alternativa de material ARBL, aço API 5L X70Q, que pode resistir a tais condições de serviço
sem ser tão influenciado pelo aporte térmico utilizado na soldagem (com exceção de projetos
que seguem a norma NACE MR0175).
Victor Müller Pereira Rufino​, é estudante de Engenharia Mecânica na faculdade
CEFET/RJ unidade Maracanã.