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Música em Debate

Samuel Araujo – Gaspar Paz –Vincenzo Cambria

Etnomusicologia/ Antropologia da Música – disciplinas distintas?

Antony Seeger

O autor diz que o importante é debater o que é música?


A música não é apenas som, é a intenção, a mobilização de grupos em fazer som.
Antropologicamente é um processo social através dos quais as pessoas criam e
participam dessas relações.
Outra questão é, onde se deve estudar e onde deve estar a Etnomusicologia? Ele
conclui que deveria estar nas universidades ao lado da antropologia, sociologia, filosofia
e outros, porque falar sobre música é diferente de fazer música. Ele disse que na
universidade da Califórnia a música é dividida em três departament5os: o de formação
de músicos, compositores; o de musicologia e o de etnomusicologia. Concluiu que esse
modelo facilitou o trabalho e fez crescer e melhorou os departamentos, mas também
criou certo isolamento entre eles.
Disse que essa formação institucional varia de país para país e de época para
época e que no caso do Rio de Janeiro o desafio era quebrar as barreiras burocráticas e
que os professores poderiam contribuir criando mais interação entre as instituições e as
escolas promovendo eventos e debates.

Antropologia da música/Antropologia Musical

O debate deve ser o lugar da antropologia na academia e seus atributos de


pesquisa e ensino.
Existiam duas vertentes que diziam ser a etnomusicologia o estudo de todas as
músicas através de uma perspectiva comparativa e outra que dizia ser o estudo
antropológico da música. No inicio se chamou a etnomusicologia de musicologia
comparada, o termo etnomusicologia passou a ser usado só na década de 1950.
Etnomusicologia é o estudo comparativo das músicas do mundo a partir de uma
abordagem relativista e o estudo antropológico de todas as músicas.
Embora a etnomusicologia possa ser enquadrada no campo da antropologia ela se
acha mais confortável no campo da musicologia.

Características e papéis dos acervos etnomusicológicos

Samuel Araújo

Os acervos fonográficos desempenharam papel essencial aos estudos de música


não-européia. No início não haviam sido gravadas com a intenção de um estudo do
ponto de vista musicológico.
Os acervos têm que ter controle social e não ficarem sob domínio de instituições
acadêmicas e que a digitalização de acervo é processo indispensável à preservação.

Arquivos da Música de tradição oral


Rosa Maria Zamith

No inicio do século XX o registro era somente manuscrito da música tradicional.


Roquete Pinto e Cândido Rondon fizeram os primeiros registros fonográficos dos
índios Nambiquaras e Pereci em 1912.
Em 1938 a Missão de Pesquisa Folclórica coordenada por Mário de Andrade
viajou pelo país fazendo registros.
Havia uma preocupação com as conseqüências do encontro de tradições orais com
as novidades tecnológicas da época.
O Centro de Pesquisas Folclóricas foi criado com o objetivo de documentar,
guardar, analisar e divulgar a música folclórica.
Foram pioneiros no trabalho de tradição oral e cultura popular, em São Paulo
Mario de Andrade e sua aluna Oneyda Alvarenga e no Rio de Janeiro Luis Heitor
Corrêa de Azevedo e Dulce Lamas.
Acervos Musicais: os pioneiros e a situação atual
Flávia Camargo Toni

O colecionador tenta dar sentido ao caos do mundo. No século XIX, surge um


novo projeto de coleciona, com uma classificação racional.

Música e alteridade
Vincenzo Cambria

A relação entre música/alteridade pode resumir o principal significado atribuído à


etnomusicologia como disciplina. Daí provém uma inquirição sobre a divisão
nós/outros. Cambria apresenta colocações de caráter pós-colonial, levantando a questão
das posições de dominação e periferia entre sujeitos e objetos da pesquisa, logo,
tratando das relações de poder implícitas. Ele aborda aspectos da pesquisa de campo, e
lembra “a importância que as práticas musicais podem assumir na construção, definição
e negociação das mais diversas “identidades””. Ele fala ainda sobre a “discussão da
etnomusicologia em torno das idéias de composição e de autoria”, e observa
rapidamente que o romantismo apresentava “uma visão estética em que alteridade e
irracionalidade se interpenetram”.

Musicologia: a pesquisa e a criação, sobre o que vem de longe

Antonio Jardim

O que vem de longe é o que ocupa outro espaço, outro tempo, é o que não somos.
Se questiona O que é a Música? O que é alteridade? Qual a distância entre elas? É
desejável diminuir essa distância entre elas?
Os donos da Música: música e direitos autorais

Krister Malm

A expansão dos direitos de propriedade intelectual e a música – uma área de


tensão.
Ela trata deste polêmico tema sob ótica inversa à que normalmente é veiculada nos
meios de comunicação de massa, isto é, sob a ótica do músico explorado e das
comunidades que não conseguem se fazer representar para defender seus direitos como
criadores de músicas originais. É um texto que alcança a todos, amplia o cenário dos
direitos autorais para problematizá-lo e colocá-lo na pauta necessária (não acessória) da
própria musicologia.

Perspectivas da pesquisa-ação em etnomusicologia

Michel Thiollent

Pesquisa-ação é um método de pesquisa que pode ser associada a objetos de


diagnósticos e com propósito de permitir ou de facilitar experiências e a construção de
conhecimentos compartilhados. Ela requer uma interseção e cooperação mais profunda
e duradoura para um trabalho investigativo e propositivo conjunto.

Novas estratégias na pesquisa musical: pesquisa participativa e etnomusicologia


Vincenzo Cambria

Apresenta um projeto específico, com a defasagem de 4 anos em relação ao


estágio atual da mesma pesquisa.