Você está na página 1de 8

1.

DOS CONCEITOS: SOCIEDADE, DIREITO E DESOBEDIENCIA CIVIL

Os estudos referentes à evolução da humanidade enfatizam a idéia de que o homem, nos tempos
primitivos, sentiu necessidade de fixar sua moradia, fazer o acumulo de utensílios e instrumentos de
serviço, reunir-se em grupos e realizar a divisão de trabalho. Esta seria uma forma de escapar da Seleção
Natural, onde os animais melhor preparados e mais fortes para viverem em um determinado espaço e
tempo, sobrevivam.
Segundo Charles Darwin, naturalista inglês, reconhece-se uma origem comum na multiplicidade
dos seres organizados, a formação de novas espécies por um processo de seleção natural:

Eis em síntese a teoria Darwinista: Em virtude da reprodução, caráter essencial da vida, o número de
indivíduos vivos tende a aumentar constantemente; ora o meio terrestre é limitado, a quantidade dos
alimentos é limitada; é, pois, impossível que o número de seres cresça indefinidamente; é preciso que muitos
morram para assim restituírem ao meio às substâncias alimentares empregadas na sua formação; daí a
necessidade da luta pela existência. Os seres vivos lutam sem cessar , contra o meio ambiente. Muitos
sucumbem na luta, alguns persistem ; é evidente que estes últimos eram os mais bem preparados para o
combate, os mais perfeitamente adaptados às condições do meio. (EDIPE, 1993. Pág. 1109)¹

Baseados nas idéias da Teoria do Evolucionismo é possível entender as necessidades que levaram
à raça humana aperfeiçoarem seus modos de vida, resultando nos primeiros resquícios de organização
social. Durante a Idade Antiga, as grandes civilizações já possuíam estruturas sociais bem formadas,
baseadas em princípios religiosos, mas foi somente durante a Revolução Industrial, que emergem os
primeiros estudos a respeito da sociedade e o apse das relações sociais.
Mas o que seria a sociedade? Como poderíamos definir uma sociedade?
Sociedade é uma reunião de indivíduos que vivem em conjunto tendendo para o mesmo fim,
dividindo cenários semelhantes e vivendo sobre normas e regras comuns. Para Gonçalves (2006)¹, em um
artigo publicado sobre o assunto, “sociedade é a reunião de duas ou mais pessoas, interagindo uma com as
outras, e por isso capazes de ação conjunta, visando atingir um objetivo comum.”
A capacidade de comunicação através da oralidade e escrita possibilitaram ainda mais as relações
humanas de forma organizada, regrada e ordenada, segundo a Enciclopédia Virtual Wikipedia:

Uma sociedade é um grupo de indivíduos que formam um sistema semiaberto, no qual a maior parte das
interações é feita com outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo. Uma sociedade é uma rede de
relacionamentos entre pessoas. Uma sociedade é uma comunidade interdependente. O significado geral de
sociedade refere-se simplesmente a um grupo de pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada.

Convém salientar, que uma relação de dois ou mais indivíduos requer uma organização e uma
estruturação especial para que possa existir em uma forma harmônica e igualitária. Esse respaldo às
relações de forma organizada, objetiva e precisa se dá através do Direito numa perspectiva orientadora da
conduta humana e seus reflexos nas relações interpessoais.
Desde que nascemos, somos inseridos numa sociedade composta por inúmeros grupos sociais,
nosso primeiro contato com a sociedade é o grupo familiar, responsável pelos primeiros ensinamentos e
primeiras noções de mundo, porém a complexidade da sociedade vai muito mais além, fazendo com que
no desenvolver de toda a vida, o indivíduo participe de inúmeros grupos de convívio social. A variedade
de grupos sociais é imensa, onde quer que se estabeleçam relações entre indivíduos, há formação de
grupo social, ou seja, ações conjuntas para uma determinada realidade.
Um grupo social caracteriza-se por características próprias. Segundo Gabriele Gonçalves em seu
artigo, como já citado, aponta algumas características de um grupo social: “pluralidade de indivíduos ou
coletivismo, interação social, organização, objetividade e exterioridade, objetivo comum, consciência
grupal, e, continuidade.” (GONÇALVES, 2006.)¹.
Passamo-nos a explicar cada características, ainda baseando-nos nas idéias da autora. – O
coletivismo pode ser expresso pela existência de mais de um indivíduo no grupo, – a interação social é
observada na comunicação dos indivíduos entre si, - a organização é percebida numa ordem interna para
funcionamento do grupo, a objetividade e exterioridade demonstram-se pela permanecia do grupo com a
entrada ou saída de um membro, o objetivo comum é a união do grupo para atingir seus objetivos, a
consciência grupal é visto nos compartilhamentos de idéias e pensamentos e, por fim, a continuidade
trata-se da duração do grupo que não pode aparecer e desaparecer do nada.
Com estas idéias, fica claro que uma sociedade nasce à medida que seus grupos sociais aparecem,
nas suas mais diversas formas e mais diversos objetivos, contribuído para a formação e existência da
grande sociedade:
Desde cedo o homem percebeu que isoladamente não conseguiria realizar determinadas tarefas e que era
necessário conjugar esforços, unir-se em grupos. Da convivência permanente entre os seres humanos surge a
sociedade, resultando não só do modo de organizar as relações sociais, como também da forma de pensar e
sentir a experiência da vida coletiva. ( AGUIAR, 2000)²

O Direito como forma de media de conduzir o comportamento humano, realiza dois papéis
fundamentais num grupo social: Sustentar o Grupo e de garantir a melhoria de vida de seus indivíduos,um
grupo social demanda alguns mecanismos de sustentação para garantir as relações nesse grupo onde todos
os seus grupos tenham deveres e garantias iguais. A partir desta idéia percebe-se a importância que o
Direito exerce sobre o desenvolvimento de uma sociedade, ele representa a ordem e estabilidade de um
grupo, garantindo comportamentos padronizados e esperados pela coletividade. Transmite aos indivíduos
de uma comunidade a seguridade de seus atos tendendo-os para um lado objetivo de positividade ou
negatividade, ou seja, bons ou maus comportamentos embasados nas leis, tornado dessa forma a
preservação do grupo social em uma necessidade evolutiva de grande avalia ao homem como ser social.
Um grande jurista, autor de diversas obras de ensino jurídico, Miguel Reale, considera o direito
como orientador da conduta humana tendendo para o que é lícito. Contribui para a harmonia e pleno
desenvolvimento social, pois está baseado em princípios de bilateralidade atributiva, coerção e
heteronomia. Onde a bilateralidade atributiva se estabelece sempre numa relação entre dois ou mais
envolvidos garantindo-lhes a pretensão a uma ação, a coercitividade expõe uma relação de obrigação e a
heteronomia traça regras independentes da opinião e vontades das partes dos envolvidos.
Acompanhemos o conceito de Reale segundo esses Princípios: “Direito é a realização ordenada e
garantida do bem comum numa estrutura tridimensional bilateral atributiva, ou, de uma forma analítica,
ou ainda, Direito é a ordenação heterônoma, coercível e bilateral atributiva das relações de convivência,
segundo uma integração normativa de fatos segundo valores.” (REALE, 2001. pág. 67)².
A estreita relação entre Direito e Sociedade existem sobre um foco bem nítido desta relação: o
Bem Comum, ou seja, um estado onde todos os membros de uma sociedade possam expressar de maneira
plena e harmônica as suas formas de vida. O enlace do direito e do bem comum é bastante discutido por
Reale, e para o autor, somente o Direito têm meios de garantir esse estado: “O Direito, por conseguinte,
tutela comportamentos humanos: para que essa garantia seja possível é que existem as regras, as normas
de direito como instrumentos de salvaguarda e amparo da convivência social.” (REALE. 2001, pág. 6)²
Quando fala-se em conduta humana, é conveniente lembrar-nos que uma sociedade está
organizada por diferentes formas de integração, desde os grupos de famílias até as grandes organizações e
empresas que formam diversos grupos de trabalho, dessa forma, as normas tornam-se primordiais por
excelência, uma vez que a convencia necessita de fatores orientadores de ação, onde todos os envolvidos
na relação em questão possam gozar de uma estrutura com funcionalidade padrão. Essa idéia é
nitidamente evidente em artigo publicado pela Revista do Curso de Direito da Universidade do Distrito
Federal: “A sociedade não se compõe apenas de pessoas, mas também pelo fruto do trabalho, pela
produção de bens, pelos diversos tipos de relações interpessoais etc. Por se tratar de um complexo de
pessoas e coisas, exige-se necessariamente uma organização que, orientando a vida coletiva, discipline a
atividade dos indivíduos e assegure a distribuição dos bens.” (AGUIAR, 2000)¹
À medida que o direito e a sociedade se complementam, surge uma retórica interessante, uma vez
que a sociedade necessita do Direito para sua plena funcionalidade, o Direito nasce a partir dessa
sociedade. Podemos fazer inferência a um antigo brocado de origem desconhecida que enquadra-se
perfeitamente nesta situação: ubi societas, ubi jus (onde está a sociedade, está o Direito) e a recíproca é
verdadeira: ubi jus, ubi societas (onde está o direito, está a sociedade), que segundo Reale “não se pode
conceber qualquer atividade social desprovida de forma e garantias jurídicas, nem qualquer regra jurídica
que não se refira à sociedade.” (REALE, 2001. Pág. 2)²
Partindo da principal contribuição do Direito para uma Sociedade, podemos citar as melhorias de
vida que trazidas pelo direito, melhorias em campos econômicos, políticos e conceituais.
A democracia como forma de governo é vista hoje como uma das maiores contribuições amparada
e legalizada no Direito para uma Sociedade que lhe adere:

A democratização oferece a todos um tipo mais extenso de informações e talvez até de oportunidades, mas o
preço é a padronização das vidas e a submissão às forças econômicas, que obrigam todos os homens a
lutarem por coisas cuja razão de ser não se questiona. Enquanto isso, o poder público se tecnocratiza, e as
funções estatais assumem sentido novo. (SALDANHA, 1980. Pág. 108)³
Nesse sentido, os Direitos políticos de um estado estão garantidos pelo Direito e posto sob forma
de regime para sua aplicação social numa perspectiva de dependência do regime e indivíduos da interação
social.
Fatores econômicos também são postulados no Direito, cuja efetividade se reflete imediatamente
ao corpo social intrinsecamente ligados à vida de todos os componentes da sociedade: “a estrutura
econômica de uma sociedade reflete-se diretamente no seu ordenamento jurídico. O sistema de
propriedade, as formas de produção, as relações entre empregados e patrões; tudo repercute na ordem
jurídica, influenciando-a.” (AGUIAR, 2000)¹
Ainda podemos citar como melhorias na vida social através do direito, casos especiais permitidos
pela justiça ou seu representante legal, como questões de heranças, contratos, benefícios garantidos, todos
vindos à favor de seus requerentes, e uma vez que ditados pelo Direito, toma caráter irrevogável:

Temos situações fortes de realidades sociais forçando a transformação da lei, como no concubinato, na
igualdade de direitos à mulher, na limitação social da prioridade imobiliária, no dirigismo do Estado nos
contratos de trabalho, nos contratos agrários, nos contratos de compra e venda de imóvel financiado, nos
contratos de locações urbanas, nos contratos de crédito, para enumerar apenas algumas situações. (BARROS,
1995. Pág. 35)²

Embasados nas idéias acima, devemos considerar a flexibilidade de acompanhamento social à


qual se submete o Direito, já que uma das características de uma sociedade é necessariamente a tendência
à evolução para um estágio superior de desenvolvimento: “ [...] as sociedades estão evoluindo e com elas
surgem novos conflitos [...]. A lei deve acompanhar de perto as alterações da sociedade, para sempre estar
de acordo com a realidade daqueles a que se destina. Caso contrário, não atingirá seu fim: segurança nas
relações entre os homens, justiça e paz social.” ( AGUIAR, 2000)¹
A Sociedade do século XXI vive um dominante regime de consumo desenfreado e de relações
interpessoais cada vez mais distantes e superficiais. O Direito, nesta nova era, assume um papel
fiscalizador em constante mudança e diferentes formas de atuação social:
“Cada vez mais a vida de todos nós é afetada por eventos globalizados, mas os instrumentos de
participação ou mesmo de deliberação no plano global ainda são insuficientes, para não dizer inexistentes.
Esse descompasso cria a percepção de que, na globalização o mercado é tudo e o cidadão é nada.”
(MACHADO, 2003. Pág.119)³
As mudanças sociais e conceituais que há algum tempo aconteciam de forma lenta hoje
transformam-se numa velocidade constante, tornando muitas vezes, bastante difícil o seu
acompanhamento não só em questões jurídicas, mas em todos os aspectos conseqüentes dessas mudanças.
É conveniente saleintar baseado nos supostos supra acima que o direito, e mais específicamente as
normas emanadas do Estado que detém o poder dominante à população, que por diversas vezes a ordem
emanada desta instituição surge dotada de conceitos que frente à sociedade são considerados injustos e
inaplicáveis à realidade do grupo, com isto surge um fenômeno que motivará o disposto deste estudo: a
Desobediência Civil.
Podemos definir desobediência civil como o mecanismo pelo qual a sociedade manifesta sua
contrariedade a uma norma a qual considera injusta ou não cabível o seu cumprimento no dado momento
civilizatório, este evento acontece de forma pacífica diferenciando-se das revoluções ou revoltas.
Segundo Thoureau (1984), “a desobediência civil é um método de oposição e resitência pacífica a
um poder político, geralmente visto como opressor pelos desobedientes.” Já o teórico Rawls define
desobediência civil como um público, não violento, consciente e não obstante a um ato político, contrário
a lei, geralmente praticado com o objetivo de provocar uma mudança na lei e nas políticas de governo.
O aprimoramento da democracia como forma de expressão das minorias sociais e em caráter de
opressão tenha força para atuação no sistema político como um todo e expressem sua cidadania, uma vez
que o poder do estado deve ser exercido em nome do povo, são ideiais defendidos pela desobediência
civil, quando a sociedade depara-se à uma lei injusta.
Esta forma de manifestação deve se dar de maneira particular, já que mesmo pacífica, trata-se de
ilegalidade, porém ao atingir sua legitimidade máxima, reflete, ou deve refletir no setor político a vontade
dos manifestantes.
As principais características da desobediência civil são a pacificidade ou não violência, dotada de
uma ato valorativo da sociedade, por mais que a lei se mostre injusta, deve-se reconhecer também que p
legislador, buscou a justiça na feitura de suas leis.
2) DA DESOBEDIÊNCIA CIVIL COMO DIREITO FUNDAMENTAL

A Desobediência Civil como forma de manifestação popular pode ser considerada como um
mecanismo de atuação do indivíduo no exercício de sua cidadania na limitação do poder Estatal. A nova
ordem democrática dos estados atuais propiciam ou devem propiciar o envolvimento da população às
formas de atuação dentro do poder político.
O constitucionalismo moderno, que permeiam os ordenamentos jurídicos estatais nos dias de hoje
apontam esta concepção desde a sua originação. Como sabemos, desde a revolução francesa, o monge
Sayes, ao apontar sua teoria a respeito da titularidade do poder constituinte originário - poder este que tem
a prerrogativa de criar a carta magna de um povo instaurando neste um estado – deve ser exercido em
nome do povo, dando-nos a idéia que cabe ao povo dentro de sua formação históriaca e social intervir
diretamente num Estado Democrático de direito.
Em nosso país, a constituição de 1988, que vige até nossos dias manifesta que todo o poder
exercido no Brasil emana do povo e estabelece as formas de atuação deste no poder político apontando o
referendo, o pleibscito e a iniciativa popular como formas da população exercer o direito de opinar na
elaboração das leis.
Mas discute-se neste relato a posição do povo diante das leis prontas e postas à sociedade pelo
poder estatal de forma coercitiva, onde, tratando-se de uma lei injusta ao olhos desta sociedade, surge a
desobediência civil como uma manifestação pacífica como contrariedade à estas leis.
Acredita-se que a p´ropria constituição se analizada sob uma ótica extensiva, fazendo-se uma
analogia além do texto constitucional, percebendo o real espírito deste texto, que ela conbcede direitos à
população de intervir no processo jurídico como um todo. O próprio artigo 5º da constituição que trata
doa direitos e garantias fundamentais, tutelando interesses coletivos e difusos, zelam contra o injustiça e
autoritarismo do poder opressor ao indivíduo.
O referido artigo além de tutelar os os bens jurídicos máximos para o direito como a vida, a honra
e o patrimônio aponta ainda a tutela a cerca da igualdade, liberdade e expressão, transmitindo-nos a idéia
de que a desobediência civil, se encarada na forma de que a lei em debate privilegia somente os interesses
de poucos ou os interesses estatais, estariam contrapondo-se à própria contituição, com isto observaria-se
a licitude da desobediência civil.
Por outro lado, o nosso direito é positivo possuindo caracteres subjetivos e com poder de império,
se levarmos a interpretação do texto constitucional à latra fria da lei, estaríamos apontando a forma ilegal
da desobediência civil, como simples descumprimento da lei, e que a própria constituição prevê formas de
se manifestar a contrariedade à esta noram que não a simples inobservância da mesma, diz-se que deve-se
obedece-la até que se consiga derruba-la.
Por hora, pode-se voltar a idéia de que o poder emana do povo, e por este deve ser exercido, assim
se este resolve desobedecer uma lei embasado no seu quotidiano, esta atitude ganha legitimidade, e desta
forma acaba por pressionar os poderes do estado a agirem em conformidade da população manifestante
editando leis mais justas e de aceitação maciça.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
O homem por necessidade aprendeu a viver em grupo, e passou a interagir com seus semelhantes
dando origem a convivência grupal, estrutura da sociedade.
A partir desta convivência, surge a necessidade de um sistema que oriente e conduza essas
relações numa forma linear e padronizada. À medida que as relações vão se tornando mais complexas,
vão surgindo normas e regras de convívio que reunidas num sistema baseado na coerção formam o
Direito.
É quase impossível pensarmos em relação social ou em desenvolvimento de uma sociedade se
estes não contarem com a força do Direito. Uma terra sem leis, onde cada indivíduo manifeste somente a
sua vontade sem levar em conta a vontade do seu semelhante, seria baseada num espectro de relações
caóticas e que poderia trazer sérios prejuízos e desastres sociais a esse grupo.
Um estado de anomia, onde não há prevalência de leis, não dá garantia à seus integrantes, a
imperatividade social padroniza comportamentos e garante conseqüências àqueles que fogem da
normalidade de forma a prejudicar o grupo através de seu comportamento.
O direito, embasado nestes pressupostos, garante a melhoria de vida dos integrantes de uma
sociedade atribuindo a cada membro direitos e deveres, tendo-os refletidos como ações no quotidiano
social.
Atualmente, a sociedade sofre uma descaracterização ou evolução para uma relação baseada na
mudança rápida e repentina atendente ao poder do alto consumo. O Direito passa a ser uma instituição
flexível para atender essa demanda no que diz respeito a observar e legalizar ações novas práticas até hoje
desconhecidas, mas que tornam-se comuns a partir de que são criadas.
Cabe aos profissionais do direito, atualizarem-se, e adquirirem um novo perfil de atuação
baseados na criatividade, pro ação, espírito investigativo e principalmente bom senso de interpretação.
Uma vez que o Direito surge na sociedade e que a sociedade para se manter em funcionamento
depende do Direito, cabe a nós, envolvidos no processo, sermos conhecedor dos meios e objetivos
propostos e estudados para que se consiga atuar da maneira que a sociedade exige dentro de seus
processos de avanço e evolução.
Com os dispostos mencionados até este ponto, podemos dizer que a desobediência civil pode ser
comparada como um direito fundamental, pois apartir dela é concretizada a cidadania, buscada e
garantida pelo próprio texto constitucional, uma vez que o homem deixa de ser súdito de um estado
manipuladore para ser um membro atuante de uma sociedade ativa e consciente de sua realidade.]
A desobediência civil visa proteger e garantir direitos ameaçados, possuindo função reguladora
pois não se poide esquecer que as leis são editadas para que a sociedade as cumpra, e pode partir desta a
opinião a cerca da legislação que se submeterá.
Podemos dizer que dentro de um Estado democrático de direito a desobediência civil seja a fonte
de leis mais justas e que desta forma controle as ações estatais para que não fujam de seu real
compromisso: a manutenção da democracia e a não opressão da população.
Por fim vale mencionar o próprio §2º da constituição de 1988 quando revela que os direitos e
garantia fundamentais não excluem outras decorrentes do regime e dos princípios por ele adotados, onde
mais uma vez, recorrendo-se ao uso da analogia progressiva admite-se a desobediência civil como uma
manifestação lícita e livre onde o povo assume posição frente ao poder estatal, questionando a ordem
imposta, fazendo uma análise valorativa desta e faça uso da ação ou omissão frete a lei em questão, nunca
fugindo aos princípios da cidadania, com intenção de expressar através da opinião pública o seu parecer a
respeito da reforma ou revogação total da mesma.