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Capítulo II – A língua Portuguesa

1. A língua Portuguesa no mundo e sua coabitação com outras línguas

Na acepção de Cristóvão (2005: 653), o primeiro projecto de expansão da língua


portuguesa surge com António Vieira e Fernando Pessoa, no Brasil em 1902 quando o
jurista, historiador e filósofo Sílvio Romero propôs para os falantes da língua
portuguesa um modelo de união que pode ser considerado uma ponte de passagem dos
sonhos do 5º Império para as realidades da lusofonia. O que significa que no passado já
se tinha assistido o 1º e 4º impérios material, este 5º seria o espiritual. Sílvio (1902), em
memorável conferência proferida no Rio de Janeiro, propôs que se organizasse um
bloco linguístico formado pelo Brasil, Portugal e suas colónias, à semelhança do que se
fazia no domínio Inglês.

Na continuidade deste pensamento linguístico mas já actualizado, o linguista brasileiro


Silvio Elia, em 1989, tendo em conta os novos países, antigas colónias, que adoptaram o
português como língua oficial, construiu um modelo lusófono assim mapeado como
uma unidade diversificada na geografia e na história: Lusitânia Antiga (Portugal),
Lusitânia Nova (Brasil); Lusitânia novíssima (países africanos lusófonos a que
acrescenta-se Timor Leste), Lusitânia Perdida (antigas colónias ou territórios como Goa,
Macau- China) e lusitana dispersa (comunidades migrantes espalhadas pelo mundo).

No dizer de Cristóvão, a língua portuguesa, ou melhor, o português é uma das melhores


coisas que os “tugas” nos deixaram de 500 anos de dominação. Pelo que Agostinho
Neto, Samora Machel no seu projecto preconizavam uma só língua, versos, uma só
nação, e os outros chefes de estado lusófonos, logo a seguir à independência, optaram,
livremente pelo português como língua oficial dos seus países, sem prejuízo das suas
línguas maternas, pois nem a língua oficial pretende substituir as línguas nacionais
maternas, nem estas aquela. Neste sentido pode-se bem reafirmar que o Português
coabita com outras línguas.

Mia Couto (1989), na sua locução, afirma que “o português vai se deslocando da
oficialidade para as zonas mais íntimas”. Em Moçambique, ou melhor, na Lusitânia
novíssima, excluindo Timor Leste, existe uma relação descomplexada, isto é, uma forte
relação, com a língua portuguesa. Os povos das ex-colónias apoderaram-se do
português e fizeram dele algo que vai sendo cada vez mais da sua propriedade. Na
mesma esteira, Cristóvão advoga que para os cinco países africanos, o português é a
língua que melhor os aproxima e os laços históricos que os acompanham levaram já à
constituição de um grupo africano de países diferentes dos outros – os chamados “países
da linha da frente”.

É importante ressaltar que a lusofonia não se esgota no comum uso da língua, mas de
tudo o que o diálogo por ela possibilitado e facilitado proporciona: na aproximação dos
países, na economia, na religião, na ciência, no desporto, em todos os alinhamentos,
também políticos. Pode-se inferir, corroborando com Cristóvão (2005), que a lusofonia
reúne três círculos concêntricos de valores, reunidos pela mesma língua, a saber:

1º Círculo da lusofonia – pertence aos oito países que têm o Português como sua
língua materna, oficial ou de património (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau,
Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) e regiões que pertencem a
outros países e cultura, mas com as quais se partilha ou se partilhou no passado a língua
e a história. É importante notar que existe inúmeros lugares da diáspora que em
situações diversas falam ou falaram português, suas variantes ou crioulos. Aponta-se os
casos de Galiza; Casamansa (no Senegal), Ilha do Ano Bom, Ajudá (no Benim), Goa,
Damão, Diu, Mangaler, Mahé Fort, Cochim (na Índia).

2º Círculo concêntrico que envolve o primeiro é constituído pelas outras línguas e


culturas de cada um dos oito países e das regiões lusófonas, que se encontram em
contacto entre si e com a língua comum. Contacto esse que através do diálogo e do
intercâmbio, promove e enriquece cada uma dessas línguas e culturas, tornando-as
conhecidas e estudadas em âmbito mais vasto que o regional ou sectorial.

3º Círculo concêntrico ainda mais vasto porque formado pelas instituições, grupos e
pessoas não pertencentes a países e regiões lusófonas, mas que mantém com a língua
comum e as línguas e culturas dos oito países um diálogo de amizade, simpatia e
interesses vários. Cita-se o caso dos professores, religiosos, empresários e outros.

2. A língua Portuguesa no contexto mundial

Do portal de Lusofonia refere-se que a língua portuguesa levada para os quatro cantos
do mundo a partir do século XV com a expansão comercial, no Oriente e as descobertas
marítimas, hoje ocupa a 3ª posição das sete línguas mais faladas no mundo Ocidental, a
5ª do mundo, a 2ª entre as línguas latinas e a 1ª na América do Sul.

Em África, o Português é a língua oficial de e ou a primeira língua materna de cinco


países. Na Europa, Portugal é um país importante, quer pela sua história, quer pela sua
participação no presente, e pelos laços que mantém com seus ex-territórios. Na Ásia, a
língua portuguesa continua presente em muitas regiões como língua materna de muitas
comunidades, embora sem status da língua oficial de nenhum país desse continente. No
Japão (existe uma comunidade brasileira com cerca de 300 mil pessoas que mantém
viva sua língua materna no seio da comunidade). Na Oceânia, Timor Leste que sofreu a
dominação portuguesa durante quatro séculos, obteve a independência política em 1975
mas foi alvo de invasão da Indonésia logo a seguir e esta promoveu massacres dos
timorenses em cerca de um terço da população e proibiu o uso da língua portuguesa
durante 25 anos de dominação. Com a ajuda de Portugal e da ONU, Timor Leste
reconquistou a sua independência e escolheu a língua oficial o português.

Na acepção de Costa, João (coord) (2010:25), a língua Portuguesa é a quinta nativa mais
falada a nível mundial, sendo utilizada não só em Portugal e no Brasil (onde é língua
nacional), como também em vários países de África, como Angola, Cabo Verde, Guiné-
Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe (onde é língua oficial). Na Ásia apenas se
conservou como língua oficial em Macau, sendo certo, contudo que é amplamente
utilizada em Timor Leste e em alguns territórios na Índia onde grassou o domínio
lusitano. Assim, no total, estima-se que o número de falantes da língua portuguesa se
cifre em aproximadamente 250 milhões. A este número, há também que averbar as
muitas comunidades portuguesas de emigrantes um pouco por todo o globo.

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