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Nome : Alex Jose Rambewa

Universidade Pungue
Licenciatura em ensino de inglês
Cadeira de literatura Africana em língua portuguesa
Esboce de Conjecturas críticas :reivindicação política como primeira intenção textual.

A literatura foi, nos países coloniais, um meio muito importante de alcançar a independência.
E através dele surgiram movimentos políticos com a intenção de negar o sistema colonial.
Pretendemos avaliar criticamente a obra de José Carlos Venancio, Literatura e Poder na África
Lucifera, publicada em 1992. Portanto, a obra contém várias abordagens para influenciar a
literatura na presença de movimentos políticos em países de língua portuguesa que passaram
por um difícil processo de colonização. O tema a ser analisado é a reivindicação política como
primeira intenção textual.

Na literatura angolana, a primeira produção literária teve lugar em Luanda. Nesse sentido,
muitos escritores têm publicado na revista mensagem, como Agostinho Neto, Luandino Vieira e
tantos outros. Portanto, houve fatores que impulsionaram essas aparições. Dois fatores
explicam esse espírito empreendedor de uma maneira particular: a intensificação da repressão
colonial e a consequente necessidade de se engajar na luta armada resultante, bem como a
existência de um potencial público leitor na comunidade crioula.

Focando neste contexto, Antonio Cardoso foi um dos poetas que foi dando ao seu discurso
um tom político anticolonial tangível. Talvez tenha sido o poeta angolano que acompanhou de
perto os passos de Agustinho Neto no tom didáctico e messiânico, característica do seu
discurso poético e, como vimos, do que hoje se denomina realismo africano. Neto pediu
"criatividade com olhos secos"; Em seu poema "Não adianta chorar", Cardoso exortou que, se
não chorarmos, "se chorarmos diante de nós, não aceitaremos". Ambos os autores apresentam
uma visão que desautoriza o sistema colonial, por meio deste apelo de não aceitar o
colonizador que será a causa do choro e optar por não aceitar e lutar contra ele.

De salientar que a reivindicação política angolana foi agravada pela repressão colonial e
a necessidade de resgatar os seus valores usando a via armada. Nesta luta, Agostinho
Neto e António Cardoso nos seus poemas exortam a necessidade de manter os olhos
secos porque chorar seria inútil e significaria aceitar derrota. Em 1958 começa em Lisboa
a publicação do Boletim da Casa dos Estudantes do Império. Este processo, iniciado em
Luanda, foi protagonizado por intelectuais angolanos da chamada “Geração de 50”, cujas
obras demonstravam o carácter modernista que se começava a criar na literatura
angolana. Percebe-se que Lisboa por ser capital do império, concentravam-se estudantes
oriundos das diferentes colónias portuguesas daí que houve a necessidade de tomar
decisões políticas que seriam vitais para todas colónias. Ainda apresenta-se a questão de
que os estudante

De um ponto de vista mais crítico e com base no que foi investido no trabalho do Ministério
Público, teria sido possível afirmar que os alunos que estiveram em Portugal e realizaram os
seus estudos tiveram um papel muito importante na produção literária. Porém, em Lisboa, em
1958, foi retomada a publicação do boletim Casa do Aluno do Império, com o qual colaborarão
muitos dos que deram vida às revistas Mensagem e Cultura II que, a partir de agora, para
melhor compreensão, chamarei de 'A Cinquenta Geração'. Eles foram orientados por três
princípios básicos. Em primeiro lugar, porque em Lisboa, capital do “Império”, estavam
concentrados estudantes de diferentes colónias (por isso não faria sentido ocupar
determinados cargos políticos em alguma das colónias); Em segundo lugar, porque esses
alunos, como homens de cor, continuaram a enfrentar uma sociedade diferente. Terceiro,
porque no caso de alunos interessados na explicação teórica dos fenômenos sociais que os
afetam mais diretamente, como o colonialismo, a supremacia da civilização ocidental e assim
por diante, eles encontram em suas teses negativas, facilidade de acesso, a resposta para o que
procuravam.

Em analise, as produções literárias iam de Luanda para Benguela. Escritores em Benguela


também começaram a aparecer na literatura e na reivindicação do sistema colonial. Muitos
escritores estavam a manifestar-se, pelo que Pepetela não mediu esforços para dar
continuidade ao cristianismo de Agostinho Neto, António Cardoso e Luandino Vieira. Esta é
uma dimensão muito distinta da literatura angolana, e que a dedica no contexto da literatura
africana em língua portuguesa. Essa dimensão extrai muito de sua criatividade. Podemos dizer
grosso modo que a literatura angolana, dessas literaturas, é a mais africana.

Refira-se que o desenvolvimento deliberado do texto político na literatura angolana antes da


independência, tendo como modelo toda a literatura africana, foi em Agostino Neto, Luandino
Vieira e Pipitella os motivos mais marcantes. Como denominador comum neste
desenvolvimento surge o cristianismo, a defesa da cidade utópica, por onde deve passar a
reivindicação do angolanismo, e por onde passa a literatura original angolana, investigando o
contexto do realismo africano.

A emergência dos textos intencionalmente políticos surge na literatura cabo-verdiana,


pelo menos, uma década depois do que acontecera em Angola. Enquanto em Angola tal
emergência antecede a luta armada, estabelecendo se uma relação de causalidade entre
literatura e luta armada, em Cabo Verde tal não acontece. Onésimo Silveira, Ovídio
Martins, Gabriel Mariano, Oswaldo Osório e Luís Romano acompanharam com a pena a
luta que outros, seus conterrâneos e guineenses, encetavam na Guiné-Bissau contra o
colonialismo português sob os auspícios do PAIGC. No caso de Alda (do) Espírito Santo foi
o massacre de Batepá, em Fevereiro de 1953, que a inspirou a escrever «Onde estão os
homens caçados neste vento de loucura».

Portanto, após o estudo deste trabalho, nomeadamente sobre o tema analisado, foi necessário
perceber que é de extrema importância no estudo das literaturas africanas, especialmente
angolana e cabo-verdiana, pois descreve o papel que a literatura desempenhou na
reivindicação do colonialismo.

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