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ÓRGÃOS DE MÁQUINAS

Aula

CHUMACEIRAS

Zdena Tavares

Licenciatura em Engenharia Mecânica, 3°ano

PRINCIPAIS TÓPICOS ABORDADOS NA AULA

• Chumaceiras
− Função, forma, construção e lubrificação
• Selecção de tipo de chumaceira
− Vantagens e desvantagens
• Lubrificação e Desgaste
− Lubrificação hidrodinâmica e lubrificação imperfeita
• Chumaceiras de escorregamento
− Parâmetros de projecto
− Casquilhos
• Chumaceiras de rolamento - Rolamentos
− Rolamentos de esferas
− Rolamentos de rolos
− Selecção de rolamentos: vida útil, carga, etc.
− Aplicações
Licenciatura em Engenharia Mecânica, 3°ano

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FUNÇÃO E CLASSIFICAÇÃO
• Chumaceiras são elementos de máquinas para o apoio de veios com movimento de
rotação, com o sem a possibilidade de absorver pequenos desvios, angulares e axiais,
do veio. Elas permitem um movimento relativo, mas impondo certos constrangimentos.
• A função principal das chumaceiras é minimizar atrito e, desta forma, aumentar
o rendimento do sistema mecânico, entre partes que se movem entre si. Além
disso, elas amortecem choques ou vibrações.
• As chumaceiras classificar-se quanto a função, forma, construção e lubrificação.

• Quanto à função, as chumaceiras podem classificar-se como:


− radiais ou cilíndricas: não suportam cargas axiais e impedem os
deslocamentos radiais (ou seja, na direcção do raio do veio), mantendo o veio
no seu eixo e absorvem esforços (solicitações) transversais;
− axiais ou de impulso: não suportam cargas radiais e impedem os
deslocamentos axiais (ou seja, na direcção do eixo do veio), absorvendo
solicitações longitudinais;
− angulares ou mistas: suportam cargas radiais e axiais e impedem
simultaneamente deslocamentos radiais e axiais, transmitindo as cargas numa
direcção oblíqua, u seja, com componentes radial e axial;
− de guia: destinam-se a controlar o deslocamento dum órgão com movimento
rectilíneo e, de modo geral, evitam o movimento de rotação.

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CLASSIFICAÇÃO

Chumaceiras radiais ou cilíndricas

Chumaceiras axiais ou de impulso Chumaceiras angulares ou mistas

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CLASSIFICAÇÃO
• Quanto à forma, as chumaceiras podem classificar-se como:
− de escorregamento (ou lisas): quando o movimento relativo entre o moente
(veio) e o apoio é de escorregamento (deslizamento), sendo o contacto entre os
2 órgãos impedido pela formação de uma película de lubrificante, ou seja, a carga
principal é transferida por meio de elementos de contacto, por escorregamento;
geralmente, são constituídas por um casquilho, fixado num suporte.
− de rolamento: quando o movimento relativo entre o moente (veio) e o apoio é de
rolamento, sendo o contacto entre os 2 órgãos através de um rolamento montado
de rolos ou de esferas; a carga principal é transferida por meio de elementos de
contacto, por rolamento. Geralmente são constituídas por 2 anéis concêntricos,
entre os quais são colocados elementos rolantes como esferas, rolos e agulhas.
− mistas: quando existem simultaneamente atrito de rolamento e de
escorregamento.

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CLASSIFICAÇÃO

• Quanto à construção, as chumaceiras podem classificar-se como:


− autocompensadoras: os veios, após a montagem e a entrada em funcionamento,
são automaticamente centrados;
− rígidas: após a montagem, mantém a posição invariável, não permitindo nenhum
desalinhamento;
− de segmentos: uma das superfícies activas é segmentada, permitindo a formação
automática de uma película lubrificante;
− elásticas: um dos apoios é elástico ou elasticamente suportado, permitindo as
deformações necessárias ao bom alinhamento e à formação da película
lubrificante.

Exemplo de um casquilho de segmentos

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CLASSIFICAÇÃO
• A lubrificação das chumaceiras pode ocorrer:
− automaticamente: a rotação do moente (veio) provoca a formação de uma
película de lubrificante que é interrompida quando deixa de haver movimento
relativo;
− intermitentemente: o lubrificante é colocado periodicamente na chumaceira, por
um sistema de gota a gota, mecha, etc., independente da velocidade de rotação. É
um sistema barato, mas de difícil controlo do modo como é feita a alimentação do
lubrificante, que, em geral, não é recuperável;

− por imersão: as superfícies em movimento relativo estão imersas num


reservatório de lubrificante (este sistema obriga ao uso de vedantes para evitar a
saída do lubrificante do cárter);
− por chapinhagem: parte do órgão móvel mergulha no lubrificante, transportando-
o para as chumaceiras. Normalmente obtém-se uma lubrificação contínua. Este
sistema é usado, por exemplo, nos motores de combustão interna.
− sob pressão: a é feita sob pressão, através de uma bomba;
− por sistema mecânico centralizado: o mesmo sistema alimenta vários postos de
lubrificação da máquina.

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SELECÇÃO DE TIPO DE CHUMACEIRA


• As chumaceiras de escorregamento têm um grande campo de aplicação, desde
apoios de elementos altamente solicitados, tais como cambotas, bielas e outras
aplicações em que as cargas são pequenas e a sua importância relativa menor.
• Este tipo de chumaceiras tem seguintes propriedades:
− podem ser utilizadas em aplicações com altas velocidades e temperaturas,
garantindo durações muito elevadas com fiabilidade próxima dos 100%;
− servem tanto para cargas grandes como para pequenas;
− a área de lubrificação relativamente grande amortece vibrações, choques e ruído;
− são menos sensíveis aos choques e às poeiras;
− possuem folgas no apoio mais reduzidas;
− têm tolerâncias de ajustamento relativamente grandes;
− para grandes diâmetros são mais baratos do que os apoios de rolamento.
• Um dos inconvenientes das chumaceiras de escorregamento prende-se com:
− a necessidade de uma lubrificação perfeita, exigindo a existência de cárteres e
velocidades de rotação relativamente elevadas; novos materiais, polímeros e
materiais sinterizados de baixo coef. de atrito e bastante resistentes ao desgaste,
aplicados em casquilhos, aumenta aplicação.  lubrificação é reduzida ou nula.
− a baixas velocidades e no arranque problemas de lubrificação  desgaste.

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SELECÇÃO DE TIPO DE CHUMACEIRA
• As chumaceiras de rolamento (rolamentos) são elementos de apoio de veios de
grande aplicação, em especial quando as velocidades de rotação não são muito
elevadas, ou seja, para velocidades baixas e médias. Embora sejam uma solução, em
geral, mais cara do que as chumaceiras de escorregamento, a sua utilização é mais
simples, porque as condições de lubrificação são menos exigentes e é em muitos
casos suficiente usar como lubrificantes massas consistentes.
• As principais vantagens dos rolamentos em relação às chumaceiras hidrodinâmicas
(chumaceiras de escorregamento) são:
− a capacidade de suportar cargas combinadas axiais e radiais (em alguns tipos de
rolamentos),
− maior capacidade de carga por mm de largura de apoio,
− a baixa sensibilidade a interrupções na lubrificação,
− a capacidade de vedar o lubrificante no interior da vedação,
− a facilidade de arranque a baixas temperaturas,
− o baixo atrito,
− maior liberdade na escolha do material do veio e
− maior normalização.  as chumaceiras de rolamento são um dos tipos de
componentes mecânicos que o projectista não dimensiona, limitando-se a
seleccioná-lo a partir do catálogo do fabricante.
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SELECÇÃO DE TIPO DE CHUMACEIRA

• As principais desvantagens dos rolamentos são:


− possuem uma vida à fadiga finita,
− exigem maior espaço radial (mas um menor espaço axial),
− têm baixa capacidade de amortecimento e não suportam choques fortes em
repouso,
− têm maior nível de ruído,
− suportam somente pequenos desalinhamentos e
− têm aplicação limitada em grandes rolamentos radiais de baixa rotação - preço
elevado e diâmetros exteriores elevados, e em apoios axiais submetidos a
grandes cargas, por exemplo, turbinas e geradores.

• O que diz respeito à produção de calor, essa é igual para ambos os tipos de
chumaceiras, para o mesmo regime de carga.

• As vantagens e desvantagens destes tipos de chumaceiras fazem com que cada


um deles seja o mais apropriado para algumas aplicações, não se podendo
afirmar que um seja melhor que o outro.

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SELECÇÃO DE TIPO DE CHUMACEIRA

• Factores que influenciam escolha do tipo de chumaceira incluem:


− espaço disponível,
− cargas - a magnitude e a direcção (radial, axial ou mista),
− precisão,
− desalinhamento admissível,
− velocidade de rotação,
− nível do ruído,
− rigidez,
− deslocamento axial e
− frequência e facilidade de montagem/desmontagem.

• Tendo por base a boa prática de engenharia e a gama de produtos existentes no


mercado, foram estabelecidos ábacos que servem de guias práticos para a selecção
do tipo de chumaceira em função de diâmetro do veio, velocidade do veio e carga
aplicada, como o exemplo mostrado na figura.

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SELECÇÃO DE TIPO DE CHUMACEIRA

Exemplo de guia geral de selecção de chumaceiras radiais


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LUBRIFICAÇÃO E DESGASTE
• Quando duas superfícies sólidas deslizam em contacto uma com a outra ocorre atrito
e desgaste.
• O desgaste consiste na danificação ou na destruição do material na superfície.

• Na generalidade de aplicações, em particular em chumaceiras, o atrito e o desgaste


são altamente prejudiciais ao funcionamento adequado dos sistemas mecânicos:
− o atrito gera calor e perda de potência;
− o desgaste, por sua vez, conduz a uma redução da vida dos componentes e
favorece o aparecimento de vibrações e ruídos.

• A lubrificação pode ser entendida como u processo que tem em vista reduzir o atrito
e o desgaste (e consequentemente, o aquecimento) de órgãos de máquinas que
tenham movimento rotativo.
• Qualquer substância (sólida, líquida ou gasosa) que, quando introduzida entre
superfícies móveis, satisfaz este objectivo pode ser definida como lubrificante.
• Os requisitos principais são:
− viscosidade baixa (reduzida resistência ao corte);
− boa condutividade térmica, para possibilitar uma dissipação rápida do calor gerado
por atrito;
− capacidade para proteger as superfícies dos elementos contra a corrosão.

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LUBRIFICAÇÃO
• Os óleos minerais e sintéticos são os lubrificantes mais utilizados e os que
garantem os três requisitos básicos anteriormente referidos, além disso, apresentam
algumas características adicionais muito vantajosas, tais como:
− baixo custo e abundância;
− propriedades físicas e químicas rigorosamente controláveis na produção;
− gama de temperaturas de utilização cobrindo a grande maioria das aplicações
industriais;
− períodos de vida economicamente adequados;
− miscibilidade com aditivos, o que permite melhorar as suas propriedades;
− compatibilidade com os empanques e vedantes vulgares;
− ausência de toxicidade.
• A maioria dos lubrificantes foi desenvolvida para ser utilizada em componentes de aço.
• Com a evolução tecnológica surgem cada vez mais equipamentos e componentes
sujeitos a carregamentos mais severos e temperaturas mais elevadas.  o recurso a
materiais cerâmicos e tratamentos de endurecimento superficial dos materiais
(cementação, revestimentos superficiais, têmpera, etc., criando condições favoráveis
para o aparecimento de avarias de fadiga por micropitting), exigindo dos lubrificantes
novos requisitos que os habilitem a responder adequadamente às novas e mais
severas condições de funcionamento.
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LUBRIFICAÇÃO
• Os elementos de máquinas que exigem uma lubrificação mais cuidadosa são as
chumaceiras de escorregamento, os rolamentos, as engrenagens, os cames e as
partes móveis de motores.
• Nas chumaceiras de escorregamento, existe um veio que roda ou oscila sobre a
chumaceira (ou casquilho) originando um movimento relativo de escorregamento.

• A lubrificação hidrodinâmica ocorre quando o casquilho e o veio são separados por


uma película de lubrificante relativamente espessa que impede o contacto
intermetálico.
• A formação da película lubrificante é garantida através da pressão na película
lubrificante criada pelo movimento das partes móveis e pela convergência das
superfícies, que origina uma cunha lubrificante.  uma relação entre a viscosidade, a
pressão e a velocidade.

• Este mecanismo só se desenvolve a partir de certas


velocidades, geralmente elevadas, e é controlado pelas
leis da dinâmica de fluidos, ocorrendo tipicamente nas
chumaceiras de escorregamento radiais e de impulso.
• Esta lubrificação não depende da alimentação do
lubrificante feita sob pressão, embora possa ocorrer
também nas situações de lubrificação forçada.

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LUBRIFICAÇÃO

• A lubrificação imperfeita ocorre quando, por qualquer motivo, a espessura da


película lubrificante se torna muito reduzida, podendo, nalguns pontos da superfície de
contacto (onde as irregularidades da superfície de contacto sejam mais pronunciadas),
ocorrer a rotura da película e um consequente contacto intermetálico.
• As propriedades do lubrificante tornam-se pouco importantes neste caso, sendo os
mecanismos de lubrificação governados pelas propriedades físicas e químicas das
camadas superficiais dos elementos metálicos.

• As principais razões para que ocorra a lubrificação imperfeita são:


− uma pequena área da superfície de contacto;
− uma baixa velocidade relativa das peças;
− uma reduzida quantidade de lubrificante fornecida no regime de lubrificação;
− um aumento da carga na chumaceira e a ocorrência de um aumento da
temperatura do lubrificante.

• No caso da lubrificação hidrodinâmica, a transição da lubrificação estável para a


lubrificação imperfeita é progressiva e não súbita.
• Para a lubrificação imperfeita, a composição química do lubrificante é muito
importante, mais do que a própria viscosidade.

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LUBRIFICAÇÃO

Valores do coeficiente de atrito associado aos vários regimes de lubrificação

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CHUMACEIRAS DE ESCORREGAMENTO
• O projecto de chumaceiras de escorregamento controlam 2 conjuntos de variáveis.
• O primeiro grupo é constituído pelas variáveis (independentes) que podem ou não ser
controladas pelo projectista, e que são:
− a viscosidade (absoluta) - µ, em Pa.s
− a carga por unidade de área projectada - P, em Pa
− a velocidade de rotação - N, em rps
− as dimensões do veio: raio (exterior) do veio - r, folga radial - c, o ângulo de uma
chumaceira parcial - β (β = 360º para uma chumaceira inteira) e
− a largura - ℓ.
• A velocidade, em geral, é imposta pela máquina e a
viscosidade pode ser controlada dentro de limites.
• As restantes variáveis podem ser controladas e sobre
elas recaem as decisões do projectista.
• Um segundo grupo de variáveis dependentes e que
só podem ser controladas pelo projectista fazendo
variar uma ou mais das variáveis independentes são:
− o coeficiente de atrito - f,
− o aumento da temperatura - ∆T,
− o caudal do lubrificante - Q,
− a espessura mínima da película lubrificante - h0.

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CHUMACEIRAS DE ESCORREGAMENTO
• Ao dimensionar uma chumaceira de escorregamento com lubrificação hidrodinâmica,
é necessário escolher adequadamente o óleo lubrificante e os parâmetros do veio,
P, N, r, c e ℓ.  uma escolha inadequada destes parâmetros ou um controlo
incorrecto durante o fabrico ou no funcionamento podem originar a formação de uma
película demasiado fina com caudal reduzido que conduz a um sobreaquecimento e,
até, à falha.
• Um dos parâmetros mais difíceis de controlar é a folga, depende do material, do
acabamento superficial e da velocidade:
− a folga muito pequena  a temperatura de saída e o calor gerado são elevados e
a espessura da película é reduzida.  rotura por fadiga; a película demasiado fina
pode originar elevado desgaste na presença de impurezas que não passam entre
o casquilho e o veio sem contacto. a gripagem.
− a folga muito elevada  a chumaceira torna-se muito ruidosa e a espessura
mínima da película diminui.
Características de alguns materiais para casquilhos

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CHUMACEIRAS DE ESCORREGAMENTO
• A relação ℓ/d depende das condições de lubrificação que se pretendem:
− Uma chumaceira com ℓ/d grande reduz o coeficiente de atrito e o escoamento
lateral.  preferível quando a lubrificação é por película fina ou mesmo imperfeita.
− Pelo contrário, nas chumaceiras alimentadas sob pressão, a relação ℓ/d deve ser
pequena. Neste caso, os casquilhos permitem ainda um grande caudal pelos
topos, o que contribui para o arrefecimento.
• A prática industrial actual utiliza preferencialmente chumaceiras curtas com
relações ℓ/d entre ¼ e 1.
• O diâmetro d e o comprimento ℓ de uma chumaceira dependem do valor da pressão.
Pressões P usadas em chumaceiras de casquilhos

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CASQUILHOS
• Um casquilho pode ser simplesmente um furo maquinado no corpo duma máquina
em ferro fundido ou mais complexo, como é o caso dos casquilhos de grandes
dimensões, arrefecidos por água e lubrificados por anel nas chumaceiras de
lubrificação autónoma de maquinaria pesada.
• Nalguns casos, como por exemplo no dos casquilhos de cambotas de automóvel, são
compostos por duas peças, têm canais de lubrificação e são alimentados sob pressão.
• As vezes, casquilhos podem ser revestidos internamente com materiais de baixo
coeficiente de atrito e elevada resistência ao desgaste.

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CASQUILHOS

• Um bom material para casquilhos deve:


− compatibilizar uma resistência satisfatória à compressão e à fadiga com a
qualidade de ser macio,
− ter baixa temperatura de fusão e baixo módulo de elasticidade, para poder
desgastar-se e deformar-se de forma a absorver partículas estranhas.
• A resistência ao desgaste e o coeficiente de atrito baixo são também propriedades
importantes.  os casquilhos trabalham em regime de lubrificação imperfeita.
• Outros factores de selecção são a resistência à corrosão e o preço.
• A vida dum casquilho pode ser substancialmente aumentada depositando uma película
de uma liga antifricção ou de outro metal branco, de espessura entre 0,25 µm e 350
µm, sobre uma base de aço.
• Uma excelente combinação para casquilhos pode ser constituída por uma base de aço
para garantir resistência sobre a qual se deposita uma liga de cobre (Cu) e chumbo
(Pb) e por uma película antifricção para proporcionar características anticorrosivas e
superficiais.
• No caso dos casquilhos destinados a trabalhar com lubrificação imperfeita, os
materiais sinterizados porosos podem funcionar como “armazéns” de lubrificante.

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CASQUILHOS

Materiais para casquilhos de lubrificação imperfeita

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CHUMACEIRAS DE ROLAMENTO - ROLAMENTOS


• Chumaceiras de rolamento é uma classe de chumaceiras na qual a carga principal é
transferida entre os elementos através de contacto por rolamento.  o atrito no início
do movimento é pouco superior ao que se verifica em regime de operação, podendo-
se dizer que o coeficiente de atrito varia pouco com a carga e a velocidade.

• Os rolamentos são fabricados para suportam cargas radiais, axiais ou uma


combinação de ambas.
• Quanto aos elementos rolantes são utilizadas esferas, rolos (cilíndricos, cónicos
ou esféricos e agulhas).

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ROLAMENTOS
• As partes essenciais do rolamento são: anel externo, anel interno, corpos rolantes
e gaiola.
• A função da gaiola é manter os corpos rolantes equidistantes e evitar o seu contacto
mútuo. No caso de rolamentos separáveis, ela evita que os corpos rolantes se afastem
do rolamento.

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ROLAMENTOS
• O principal critério de classificação dos tipos de rolamentos é a forma dos corpos
rolantes, segundo o da natureza das cargas que permitem e o modo de apoio, por
exemplo, com possibilidade de dilatação axial do veio, apoio axial do veio em uma ou
ambas as extremidades, adaptabilidade angular, ou seja, compensação de erros de
alinhamento dos apoios e de ângulos de flexão do veio.
• A principal diferença entre os rolamentos de esferas e os rolamentos de rolos, reside
nas áreas de contacto dos elementos rolantes. O contacto das esferas é efectuado
num só ponto, enquanto o contacto dos rolos é efectuado numa linha.

• Uma reduzida área de contacto significa que o rolamento de esferas não pode
suportar uma carga elevada. Mas, uma pequena área de contacto traduz-se também
em menos atrito.  os rolamentos de esferas, são particularmente indicados para
cargas ligeiras e velocidades elevadas.
• Como o atrito aumenta com a área de contacto, os rolamentos de rolos são utilizados
em aplicações com velocidades reduzidas. A maior área de contacto, torna também os
rolamentos de rolos, especialmente indicados para suportar cargas elevadas.

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ROLAMENTOS DE ESFERAS
• Rolamentos rígidos de uma carreira de esferas - representam maior aplicação,
entre os vários tipos de rolamentos de esferas, em parte devido ao seu baixo preço:
− uma boa capacidade de suportar cargas radiais e axiais e é apropriado para
rotações mais elevadas;
− uma adaptabilidade (ajuste) angular reduzida o que necessita um alinhamento
perfeito (por isso é designado rígido).
• Rolamentos rígidos de duas carreiras de esferas (com duas pistas em cada anel)
apresentam uma capacidade de suportar carga radial superior à dos de uma carreira
de esferas e uma reduzida capacidade de carga axial.

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ROLAMENTOS DE ESFERAS

• Rolamentos compensadores são rolamentos de duas carreiras de esferas com uma


pista esférica côncava no anel externo, o que lhe confere a propriedade de ajustagem
angular, ou seja, compensar possíveis desalinhamentos decorrentes da flexão do veio
e desalinhamentos dos apoios (erros de montagem).
• São recomendados para situações em que se exige uma boa adaptabilidade angular,
com cargas radiais e axiais reduzidas.

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ROLAMENTOS DE ESFERAS
• Rolamentos de contacto angular - a normal à área de contacto faz um determinado
ângulo com o plano da face do rolamento (por exemplo, 40º):
− suportam elevadas cargas axiais apenas num sentido e apresentam uma boa
capacidade de carga radial.
− comummente usados em pares opostos, sendo indicados para aplicações em que
se exige grande precisão dos apoios através do pré-carregamento dos
rolamentos.
• Rolamentos de contacto angular de duas carreiras de esferas têm a função
equivalente à de dois rolamentos de uma carreira dispostos em “O” suportam cargas
axiais em ambos os sentidos.

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ROLAMENTOS DE ESFERAS
• Rolamentos axiais de esferas podem ser fabricados em execução de escora
simples ou dupla, com anéis de base plana ou de base esférica.
– São constituídos por anéis em configurações de anilhas com canais e gaiolas
embebidas.
– Os tipos de rolamento axial de esfera, de escora simples e de escora dupla,
admitem elevadas cargas axiais e as rotações médias, porém, não podem ser
submetidos a cargas radiais.
• Rolamentos axiais de esferas de contacto angular, além das cargas axiais,
admitem também cargas radiais, embora reduzidas.

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ROLAMENTOS DE ESFERAS
• Os polímeros têm propriedades significativamente diferentes do aço. Os rolamentos
de esferas de polímero consistem em anéis de polímero, bolas de aço inoxidável,
vidro, polímero ou outros materiais e uma gaiola de polímero.

• Características e benefícios podem ser resumidos de seguinte forma:


− a resistência à corrosão e a produtos químicos;
− um baixo coeficiente de atrito e uma alta resistência ao desgaste e fadiga;
− autolubrificante (sem necessidade de lubrificante, ou seja, podem funcionar a
seco e não requerem relubrificação);
− peso leve (80% menor que o aço);
− alguns têm uso de alta temperatura;
− baixo ruído;
− boas propriedades de amortecimento;
− isolador eléctrico;
− funções integradas para rolamentos especiais;
− baixos custos do ciclo de vida

• No entanto, as cargas e velocidades máximas que


um rolamento de polímero pode acomodar são
muito mais baixas do que as de aço convencional
rolamentos.

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ROLAMENTOS DE ROLOS
• Rolamentos de rolos cilíndricos são rolamentos de construção simples em que os
rolos de forma cilíndrica estão em contacto linear com a pista:
− possuem uma maior capacidade de carga radial do que os rolamentos de esferas
de igual dimensão, em virtude da sua maior área de contacto, e são adequados
para altas rotações;
− apenas alguns tipos de construção permitem absorver esforços axiais;
− têm a desvantagem de requer uma quase perfeita geometria dos rolos e das
pistas  exige um perfeito alinhamento dos apoios e uma elevada rigidez dos
veios.

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ROLAMENTOS DE ROLOS
• Rolamentos compensadores de rolos possuem a superfície de rolamento com uma
forma esférica convexa, enquanto a pista externa tem também uma forma esférica,
mas côncava:
− são particularmente indicados quando se exige uma grande capacidade de
suportar carga radial e a compensar erros de alinhamento ou de flexão dos veios;
− a capacidade de carga axial é reduzida nos rolamentos com uma carreira de rolos
e é boa nos de duas carreiras de rolos;
− o ajuste angular é melhor nos rolamentos de uma carreira do que nos de duas.

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ROLAMENTOS DE ROLOS
• Rolamentos de rolos cónicos combinam as vantagens dos rolamentos de esferas
com as dos de rolos cilíndricos.  podem admitir cargas radias ou cargas axiais ou
qualquer combinação de ambas, e têm uma elevada capacidade de carga, tal como os
rolamentos de rolos cilíndricos.
• Suportam elevadas cargas axiais apenas num sentido.  de modo geral torna-se
necessário monta-los em pares, ou um contra o outro para permitir um contra-apoio.

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ROLAMENTOS DE ROLOS
• Rolamentos de agulhas são rolamentos de rolos cilíndricos relativamente longos,
algumas vezes destinados a trabalhar na superfície endurecida de um veio:
− têm elevada capacidade de carga, combinada com uma igualmente elevada
capacidade radial.  satisfazem as exigências de construção ligeira de transmitir
potências elevadas em espaço reduzido.
− uma das principais aplicações é nas uniões universais, onde a velocidade angular
é muito reduzida e as agulhas contactam entre si, não existindo, portanto, gaiola.

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ROLAMENTOS DE ROLOS
• Rolamentos axiais de rolos cilíndricos e de agulhas admitem somente cargas
axiais, elevadas, os de rolos cilíndricos mais elevadas do que os de agulhas:
− os rolamentos axiais de rolos cilíndricos são aplicados sempre que a capacidade
de carga dos rolamentos axiais de esferas ou de agulhas não seja suficiente.
− estes rolamentos devem ser rigidamente apoiados, ficando as superfícies de apoio
para os anéis rigorosamente paralelas ou então, uma das pistas pode ser
suportada por uma sede esférica para garantir a autocompensação.

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ROLAMENTOS DE ROLOS
• Rolamentos axiais de rolos esféricos autocompensadores são apropriados para
situações em que ocorrem elevadas cargas axiais e deslizamentos:
− os elementos esféricos têm a vantagem de aumentar a sua área de contacto à
medida que é aumentada a carga.
− devido à inclinação das pistas em relação ao eixo geométrico do rolamento,
também permitem cargas radiais.
− em situações de elevadas rotações, é necessário que a carga ultrapasse um valor
mínimo para que as condições de giro dos rolos não sejam perturbadas pela
acção das forças centrífugas.

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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS
Espaço - o espaço disponível pode ser importante para a selecção de um rolamento.
• Se o espaço radial for limitado, pode ser utilizado um rolamento com elementos
rolantes finos, como os rolamentos de agulhas.
• Caso o espaço axial for limitado, podem ser utilizados rolamentos axiais que suportam
cargas combinadas (ou seja, tanto axiais como radiais).

Velocidade - a velocidade máxima de um rolamento é limitada pela temperatura de


operação máxima do material do rolamento, ou do lubrificante utilizado no rolamento.
• Os rolamentos de maiores dimensões apresentam menores limitações à sua
velocidade de operação.
• Para aplicações de alta velocidade, são necessários rolamentos de baixo atrito, sendo
normalmente utilizados rolamentos de esferas:
− para cargas somente radiais - rolamentos rígidos e compensadores.
− para cargas combinadas - os rolamentos de contacto angular.
• Rolamentos axiais não suportam velocidades tão altas quanto rolamentos radiais.

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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS
Deslocamento axial - algumas aplicações exigem que os rolamentos permitam
o movimento axial do veio relativamente ao rolamento.
• Frequentemente, um veio é suportado por um rolamento bloqueado axialmente e um
rolamento livre.
• O rolamento bloqueado axialmente não permite deslocamento axial e mantém o veio
fixo, no sentido axial.
• O rolamento livre efectua o suporte do veio, mas permite o deslocamento axial, de
modo a não introduzir tensões nos rolamentos.
• Os rolamentos de rolos cilíndricos e os rolamentos de rolos esféricos permitem o
deslocamento axial interno.

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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS

Desalinhamento - o veio poderá deflectir devido às cargas impostas pela operação ou


aos erros de alinhamento durante a montagem.
• Se um veio estiver sujeito a desalinhamentos, os rolamentos devem ser de tipo
adequado a estas condições.
• Os rolamentos autocompensadores, radias e axiais (de esferas ou de rolos esféricos),
permitem algum desalinhamento durante o funcionamento e podem também
compensar os erros de alinhamento durante a montagem.
• Os rolamentos rígidos (de esferas ou de rolos) não conseguem, de uma forma
adequada, suportar desalinhamento.

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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS
Rigidez - a resistência à deformação elástica.
• Quando carregados, os rolamentos estão sujeitos a uma dada deformação elástica.
• Os rolamentos de rolos apresentam uma maior rigidez do que os rolamentos de
esferas, devido ao seu contacto linear entre o elemento rolante e a pista.
• Nos rolamentos de esferas de contacto angular e os de rolos cónicos, é possível
diminuir a rigidez, a montagem em “X”, ou aumentar a rigidez, a montagem em “O”.

Folgas - a folga radial inicial necessária num rolamento depende principalmente dos
ajustamentos da instalação e da temperatura atingida durante a operação.
• A folga operacional radial é quase sempre inferior à folga inicial devido às cargas
aplicadas durante serviço e ao aquecimento que provoca dilatação (expensão).

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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS
Vida útil
• Quando um rolamento é carregado, ocorrem na zona de contacto entre os corpos
rolantes e as pistas tensões de magnitudes elevadas.
• Como ocorrem várias repetições destas tensões em cada uma das pistas, durante
uma rotação do veio, os rolamentos têm uma vida limitada pelo número destas
repetições, até ocorre uma falha por fadiga.
• Esta será a única causa de falha dos rolamentos se estiverem asseguradas as
condições de funcionamento com ausência de contaminantes (pó ou outras
partículas), uma lubrificação adequada e temperaturas dentro de determinados limites.
• A vida um rolamento individual é definida como o número de rotações, ou o
número de horas a uma dada velocidade angular constante, ou distância
percorrida (em aplicações automóveis), em serviço requerido para que se atinja o
limite de fadiga.
• Em condições idênticas de operação, testes de fadiga realizados em rolamentos
comercialmente idênticos mostram uma variação de vida muito grande.  a vida de
um rolamento tem de ser expressa em termos da probabilidade de ocorrência de
um determinado dano de fadiga (o aparecimento dos primeiros sinais de fadiga num
elemento rolante, numa das pistas ou qualquer outro elemento).
• A caracterização deste dano de fadiga é estabelecida, por alguns fabricantes, através
de valor da área das pistas que apresentam “picadas” (por exemplo, 6 mm2).

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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS
Vida útil
• O termo L10 (em milhões de rotações), a vida útil nominal básica, foi estabelecido
pela ISO para definir o número de rotações, ou horas a uma velocidade constante,
que 90% de um grupo de rolamentos aparentemente idênticos atinge ou excede
antes de se desenvolver o critério de falha (a 90% de fiabilidade).

• Outra, frequentemente utilizada na caracterização da longevidade dos rolamentos, é a


vida média, que se obtém fazendo a média das vidas dos rolamentos de um grupo
e corresponde a um valor entre 4 a 5 vezes superior à vida L10.

• A vida útil é a vida real atingida por um rolamento, antes de ser necessária a sua
substituição e depende de diversos factores, incluindo a lubrificação, o grau de
contaminação, os desalinhamentos, a correcção da instalação e as condições
ambientais.
• A vida útil de serviço é geralmente maior do que a vida útil nominal básica.
• Para um cálculo mais rigoroso da vida útil de serviço de um rolamento foi introduzido
um factor de modificação, para tomar em consideração as condições de operação.
• Também é importante reconhecer a forte dependência da vida em relação à
carga aplicada.

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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS
Capacidade da carga
• Quando se selecciona um rolamento, é importante considerar o sentido de aplicação
da carga (radial, axial ou combinada) e a intensidade desta aplicada no rolamento.
• Quanto mais elevada é a tensão cíclica aplicada, menor é a vida do componente.
• É necessário conhecer a carga suportável para uma determinada vida requerida.
• Define-se capacidade de carga dinâmica, como uma carga constante, a que o
rolamento está submetido em rotação, e que suporta para uma vida nominal L10.
Uma vida de um milhão de rotações é excessivamente pequena para a maioria das
aplicações (correspondendo a um tempo de aprox. 12 horas de funcionamento de um
motor eléctrico com a velocidade de 1.430 rpm), devendo-se a sua escolha para o
estabelecimento das capacidades de carga dinâmica (representando a facilidade de
cálculo que proporciona na selecção de rolamentos).
• As cargas correspondentes são altas e causariam deformação permanente das
superfícies de contacto.  a capacidade de carga é somente um valor de referência.
• Os valores da carga dinâmica baseiam-se em materiais e técnicas de fabrico em
condições standard e são válidos para cargas constantes, tanto em grandeza como
em direcção, radiais para rolamentos radiais e axiais para rolamentos axiais. As
condições de trabalho de referência em que se baseiam as capacidades de carga
estão também estabelecidas nas normas ISO, nomeadamente a temperatura de
funcionamento e a viscosidade do lubrificante.
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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS

Capacidade da carga
• Quando a velocidade de rotação é muito pequena (< 10 rpm), é pouco provável que a
falha do rolamento ocorra por fadiga. Em vez disso, verifica-se deformação
permanente nos pontos de contacto entre os corpos rolantes e as pistas de rolamento.

• Assim, há casos onde a selecção do rolamento deverá ser efectuada com base na
capacidade de carga estática, em vez da sua duração:
− quando o rolamento é estacionário e está submetido a cargas contínuas ou
intermitentes (choques);
− quando o rolamento efectua movimentos muito lentos de oscilação ou alinhamento
debaixo de carga;
− quando a vida requerida é muito pequena devido ao facto de a velocidade de
rotação ser muito baixa (neste caso, a carga dinâmica admissível ultrapassa a
capacidade de carga estática);
− quando existem, numa fracção de rotação, elevadas cargas de choque
sobrepostas à carga normal de serviço.

• As cargas utilizadas na definição da capacidade de carga estática são puramente


radiais para rolamentos radiais e puramente axiais para rolamentos axiais.

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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS

Carga dinâmica equivalente


• Excepto num número muito limitado de casos, os rolamentos são geralmente
solicitados com uma combinação de carga radial e axial.
• Uma vez que a capacidade de carga dinâmica é baseada numa carga puramente
radial para rolamentos radiais e puramente axial para rolamentos axiais, torna-se
necessário definir uma carga dinâmica equivalente - uma carga hipotética, constante
em grandeza e direcção, que actua radialmente sobre um rolamento radial ou
axialmente e se encontra centrada sobre um rolamento axial, tendo mesmo efeito na
duração do rolamento que as cargas reais a que o rolamento está efectivamente
submetido.

Carga estática equivalente


• No caso de cargas estáticas que tenham componentes radial e axial, estas devem ser
convertidas numa carga estática equivalente - a carga (radial para rolamentos
radiais e axial para rolamentos axiais) que, a ser aplicada produzia a mesma
deformação permanente no rolamento que as cargas reais.

• O tamanho de um rolamento a ser usado em uma determinada aplicação é


escolhido primeiramente pela sua capacidade de carga relativamente as cargas
aplicadas e a sua vida útil.

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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS

Lubrificação
• As superfícies de contacto em rolamentos têm um movimento relativo entre si que é
um misto de rolamento e de escorregamento em que predomina o primeiro.
• Quando o movimento de contacto é de rolamento puro, a lubrificação é elasto-
hidrodinâmica. Esta baseia-se fundamentalmente no grande aumento da viscosidade
que ocorre num lubrificante quando este é submetido a pressões elevadas, o que
acontece no ponto/área de contacto.
• É indispensável que o rolamento seja adequadamente lubrificado para que funcione
com fiabilidade. Entre os principais objectivos da utilização de lubrificantes podem ser:
− evitar o contacto intermetálico directo ente as superfícies dos elementos rolantes e
as pistas;
− proteger as superfícies do rolamento contra a corrosão;
− ajudar a distribuir e dissipar o calor gerado;
− proteger o rolamento da contaminação por partículas estranhas.
• Alguns tipos de rolamentos podem vir já lubrificados de fábrica e com vedantes
integrados. Em todos os outros casos, a película lubrificante com que se apresentam
destina-se a protegê-los da corrosão durante o período de tempo que decorre até à
sua aplicação.
• São usados como lubrificantes de rolamento tanto óleos como massas minerais.

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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS
Massas lubrificantes
• Na maioria das aplicações, em condições normais de funcionamento, é possível
utilizar massa lubrificante, o que deve ser feito em detrimento do óleo, por exemplo:
− quando se utilizam eixos inclinados ou verticais, em virtude de a massa ser de
mais fácil retenção;
− a massa contribui para evitar a contaminação do rolamento por partículas
estranhas, humidade e água;
− quando se utilizam apoios simples num veio;
− podem operar durante longos períodos de tempo sem necessidade de
manutenção.
• Limitações à aplicação das massas lubrificantes é o limite de temperatura de
funcionamento (< 100ºC) e a velocidade de rotação não muito elevada, devido ao
consequente aumento de temperatura.
• A quantidade da massa não deve ser excessiva para não causar um aumento
desfavorável da temperatura, sobretudo a altas velocidades - regra geral, apenas o
rolamento deve ficar cheio de massa, mantendo-se os espaços envolventes livres
(caixas); no caso de velocidades muito baixas, pode-se encher completamente as
caixas, obtendo-se assim uma melhor protecção contra à corrosão e à entrada de
contaminantes.
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SELECÇÃO DE ROLAMENTOS
Óleos lubrificantes
• A utilização do óleo como lubrificante de rolamentos deve ser feita somente nas
seguintes condições:
− quando a elevada velocidade de rotação ou as altas temperaturas de
funcionamento não permitem o uso da massa;

− quando é necessário dissipar calor gerado pelo próprio rolamento ou de origem


externa;

− quando outros órgãos adjacentes da máquina (por exemplo, engrenagens) estão


lubrificando com óleo.

• Os principais modos de lubrificação com óleo são:


− por banho - o nível de óleo não deve exceder o centro do elemento rolante que se
encontra na posição inferior;

− por injecção - para velocidades elevadas;

− gota a gota.

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APLICAÇÕES DE ROLAMENTOS

Motor eléctrico - rolamentos que apoiam o veio que acciona o rotor.

Rolamento rígido
de esferas

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APLICAÇÕES DE ROLAMENTOS
Separador - o equipamento para o processamento rigoroso de óleos. O processo de
separação cria um desequilíbrio devido à presença das lamas, as quais se encontram
irregularmente distribuídas no interior do separador, provocando a flexão do veio.
• Além disso, o rolamento tem de suportar uma força rotativa radial e a um
desalinhamento rotativo. Os níveis de vibração são também elevados.  Rolamentos
autocompensadores de esferas.

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APLICAÇÕES DE ROLAMENTOS
Refinador - o equipamento utilizado na produção de pasta de papel por processos
mecânicos e outras pastas de alto rendimento. As aparas de madeira são moídas através
de uma elevada pressão mecânica. Os refinadores funcionam a altas velocidades e o
processo de moagem gera cargas de impulso (i.e., axiais) muito elevadas.
• Os rolamentos devem assegurar uma elevada estabilidade, operar a altas
velocidades, suportar elevadas cargas axiais e permitir as deflexões do veio. o tipo
mais adequado é o rolamento axial autocompensador de rolos.

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APLICAÇÕES DE ROLAMENTOS
Rodas dianteiras de veículos comerciais
• Os rolamentos devem suportar uma grande parte do peso do veículo e as forças
induzidas pelo movimento, o que significa que devem suportar cargas muito elevadas,
tanto radiais como axiais.  o rolamento que satisfaz os esses requisitos é o
rolamento de rolos cónicos.
• São especialmente indicados para suportar cargas combinadas elevadas, mas apenas
suportam cargas axiais num dos sentidos, sendo normalmente montados em pares.

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