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Secretaria Adjunta de Gestão Educacional - SAGE

Aprendizagem Conectada
Atividades Escolares
3° ano do Ensino Médio
Linguagem
LÍNGUA PORTUGUESA
Códigos das Habilidades Objetos de conhecimento
 Modernismo no Brasil: 1ª geração
EM13LP45  Modernismo no Brasil: 2ª geração
 O romance de 1930

Nome da Escola:
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Nome do Professor:
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Nome do Estudante:
________________________________________________________________________________
Período: ( ) matutino ( ) vespertino ( ) noturno Turma 1° ano______

1. MODERNISMO NO BRASIL
1ª GERAÇÃO

O modernismo no Brasil teve como marco inicial a Semana de Arte Moderna, em 1922, momento marcado
pela efervescência de novas ideias e modelos.
Lembre-se que o modernismo foi um movimento cultural, artístico e literário da primeira metade do
século XX. Ele situa-se entre o Simbolismo e o Pós-Modernismo - a partir dos anos 50 - havendo, ainda,
estudiosos que considerem o Pré-Modernismo uma escola literária.

Contexto histórico do Modernismo


O Modernismo surge num momento de insatisfação política no Brasil. Isso, em decorrência do aumento da
inflação que fazia aumentar a crise e propulsionava greves e protestos.

Assim, numa tentativa de reestruturar o país politicamente, também o campo das artes - estimulado pelas
Vanguardas Europeias - encontra-se a motivação para romper com o tradicionalismo.

Foi a “Semana de arte moderna” que marca a essa tentativa de mudança artística.

Características do Modernismo
 Libertação estética;
 Ruptura com o tradicionalismo;
 Experimentações artísticas;
 Liberdade formal (versos livres, abandono das formas fixas, ausência de pontuação);
 Linguagem com humor;
 Valorização do cotidiano.

1
A semana de arte moderna

A Semana de Arte Moderna foi uma manifestação artístico-cultural que ocorreu no Theatro Municipal de
São Paulo entre os dias 11 a 18 de fevereiro de 1922.
O evento reuniu diversas apresentações de dança, música, recital de poesias, exposição de obras - pintura e
escultura - e palestras.

Os artistas envolvidos propunham uma nova visão de arte, a partir de uma estética inovadora inspirada nas
vanguardas europeias.

Juntos, eles visavam uma renovação social e artística no país e que foi deflagrada pela "Semana de 22".

O evento chocou grande parte da população e trouxe à tona uma nova visão sobre os processos artísticos, bem
como a apresentação de uma arte “mais brasileira”.

Houve um rompimento com a arte acadêmica, inaugurando assim, uma revolução estética e o Movimento
Modernista no Brasil.

Mário de Andrade foi uma das figuras centrais e principal articulador da Semana de Arte Moderna de 22. Ele
esteve ao lado de outros organizadores: o escritor Oswald de Andrade e o artista plástico Di Cavalcanti.

Repercussão da Semana de 22
A crítica ao movimento foi severa, as pessoas ficaram desconfortáveis com tais apresentações e não
conseguiram compreender a nova proposta de arte. Os artistas envolvidos chegaram a ser comparados aos
doentes mentais e loucos.

Com isso, ficou claro que faltava uma preparação da população para a recepção de tais modelos artísticos.

Monteiro Lobato foi um dos escritores que atacou com veemência as ações da Semana de 22.

Autores que se destacaram no modernismo no Brasil 1ª geração.

Oswald de Andrade: sua obra reúne todas as características que marcaram a produção literária do período.
Em seus poemas afirma uma imagem de Brasil marcada pelo humor, ironia e uma critica profunda e imenso
amor pelo país.

Mario de Andrade: um dos líderes da primeira geração, foi um apaixonado por São Paulo. 2
Manuel Bandeira: apresenta um olhar terno para o cotidiano, a poesia passou a representar uma saída para o
desconsolo em que ele vivia, fala sobre suas memórias e reflete sobre a vida.

Alcântara Machado: mostra em suas obras a realidade dos italianos em São Paulo.

ATIVIDADES

1- Observe a obra a seguir para responder as questões.

AMARAL, T. do. A Cuca. 1924, Óleo sobre tela, 73x100cm.

a- Que elementos da natureza estão presentes na tela de Tarsila do Amaral?

b- Que sensações e sentimentos tal obra desperta em você? Por que?

c- Faça uma pesquisa sobre as obras da artista e informe quais as características básicas que aparecem
nessa.

d- Em fevereiro de 1924, Tarsila escreveu para sua filha Dulce e contou:

“ Estou fazendo uns bichos bem brasileiros que tem sido muito apreciados. Agora fiz um que intitula A
CUCA. É um bicho esquisito, no mato com um sapo, um tatu e outro bicho inventado. ”

Considerando o contexto em que a Cuca oi retratada por Tarsila, podemos associar sua presença na tela
ao desejo da artista de produzir obras verdadeiramente brasileiras. Por quê?

e- Há no quadro uma árvore cujas as folhas são corações. Há alguma relação entre essa árvore e a cuca?
Qual seria? Justifique sua resposta.

3
Produção de texto dissertativo argumentativo

Nacional ou importada: qual a cara do Brasil?


Muitos jovens rejeitam certos aspectos da cultura nacional, mostrando-se avessos a músicas, filmes,
hábitos e até a comidas brasileiras. Por outro lado, existem jovens entusiastas de tudo que se refere ao
Brasil. A questão não é nova. Já se colocava na década de 1920, quando Tarsila do Amaral pintou a tela
"Abaporu" e Oswald de Andrade lançou o "Manifesto Antropofágico". O que você pensa da questão?
ELABORE UMA DISSERTAÇÃO CONSIDERANDO AS IDEIAS A SEGUIR:
Abaporu

O Abaporu, de Tarsila do Amaral

A tela "Abaporu", de Tarsila do Amaral, de 1928, inspirou o escritor Oswald de Andrade na composição do
"Manifesto Antropofágico", que propunha deglutir todas as influências estrangeiras para criar uma produção
artística e cultural única e própria.
Brasil: ame-o ou ame-o

"Eles não estão nem aí para o último hype da parada inglesa nem para a mais nova sensação de Hollywood.
Seja por uma identificação maior com os temas, seja pela facilidade de entender as mensagens ou
simplesmente por afinidade, muitos jovens não abrem mão do produto nacional quando assunto é cultura.
E não são apenas o samba ou a bossa nova, criações tipicamente brasileiras, que agradam esses
adolescentes. O rock e o cinema nacionais também são motivo de orgulho."
(Leticia de Castro, "Brasil: ame-o ou ame-o", Folhateen, 07/05/2007)
Bye bye Brasil

"Motivo de orgulho nacional para muitos, a cultura brasileira sofre na mão de alguns adolescentes, que
preferem a música, os programas de TV, as comidas e o cinema estrangeiros a qualquer coisa que seja
produzida por aqui. No último mês, o debate esquentou a seção de cartas do Folhateen, que ficou dividida
entre uma maioria que ama e uma minoria que detesta aspectos tradicionais de nossa cultura: MPB e samba,
novelas e até delícias da gastronomia, como vatapá, moqueca, bobó de camarão e feijoada. O estopim foi
uma carta do leitor Leandro Sarubo, 18. Comentando uma reportagem que listava as três piores séries em
exibição na TV dos EUA, ele dizia que 'nenhum produto nosso consegue ser menos medíocre que essas três
séries'."
(Leandro Fortino, "Bye bye Brazil", Folhateen, 21/01/2007) 4
Ser adolescente no Brasil

"Li hoje uma matéria do Folhateen sobre os jovens que não se identificam com a cultura do Brasil e
detestam MPB e feijoada, curtem rock alternativo e adoram fast-food. A reportagem traz também entrevistas
com um sociólogo e um professor que ficaram horrorizados com isso. Não vejo motivo para tanto espanto.
Numa sociedade tão desigual quanto a brasileira, nada mais óbvio do que isso. Como um jovem,
principalmente das regiões Sul e Sudeste, que cresceu já com acesso à Internet e à TV paga, vai se
identificar com barracão de escola de samba? Ou, ao contrário, como um jovem que estudou nessas cada dia
piores escolas públicas, excluído digital, vai saber o que é Arcade Fire?"

Texto postado no dia 22/01/2007 no blog de Thaís Gonzaga.

Antes de escrever

Ao desenvolver o tema proposto,( Nacional ou importada: qual a cara do Brasil? ) procure utilizar os
conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione
argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas, sem ferir os direitos humanos.

2. MODERNISMO NO BRASIL
2ª GERAÇÃO
A segunda geração modernista ou segunda fase do modernismo representa o segundo momento do
movimento modernista no Brasil que se estende de 1930 a 1945.
Chamada de “Geração de 30”, essa fase foi marcada pela consolidação dos ideais modernistas, apresentados
na Semana de 1922. Lembre-se que esse evento marcou o início do Modernismo rompendo com a arte
tradicional.
A publicação Alguma Poesia (1930) de Carlos Drummond de Andrade marcou o início da intensa produção
literária poética desse período.

Na prosa, temos a publicação do romance regionalista A Bagaceira (1928) do escritor José Américo de
Almeida.

Para muitos estudiosos do tema, a segunda geração modernista representou um período muito fértil e rico para
a literatura brasileira.

Também chamada de “Fase de Consolidação”, a literatura brasileira estava vivendo uma fase de maturação,
com a concretização e afirmação dos novos valores modernos.
Além da prosa, a poesia foi um grande foco dos literatos. Temas nacionais, sociais e históricos foram os
preferidos pelos escritores dessa fase.

Características da segunda fase do modernismo


As principais características dessa fase foram:

 Influência do realismo e romantismo;


 Nacionalismo, universalismo e regionalismo;
 Realidade social, cultural e econômica;
 Valorização da cultura brasileira;
 Influência da psicanálise de Freud;
 Temática cotidiana e linguagem coloquial;
 Uso de versos livres e brancos.
5
Principais autores e obras da poesia

1.Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)


Carlos Drummond de Andradefoi o precursor da poesia de 30 e, sem dúvida, um dos maiores representantes
com destaque para sua obra Alguma Poesia, publicada em 1930.

2. Cecília Meireles (1901-1964)


Com forte influência da psicanálise e da temática social, Cecília Meireles é considerada uma das maiores
poetisas brasileiras.

Desse período destacam-se as obras: Batuque, samba e Macumba (1933), A Festa das Letras (1937)
e Viagem (1939).

3. Vinícius de Moraes (1913-1980)


Vinícius de Moraes foi outro grande destaque da poesia de 30. Compositor, diplomata, dramaturgo e poeta,
publica em 1933 seu primeiro livro de poemas Caminho para a Distância e, em 1936, seu longo
poema: Ariana, a mulher.

4. Murilo Mendes (1901-1975)


Além de poeta, Murilo Mendes foi destaque na prosa de 30. Atuou como divulgador das ideias modernistas
na revista criada na primeira fase modernista Antropofagia.

De sua obra poética merece destaque: Poemas (1930), Bumba-Meu-Poeta (1930), Poesia em Pânico (1938)
e O Visionário (1941).

5. Jorge de Lima (1893-1953)


Chamado de “príncipe dos poetas”, Jorge de Lima foi escritor e artista plástico. Na poesia de 30 colaborou
com as obras Poemas (1927), Novos Poemas (1929) e O Acendedor de Lampiões (1932).

ATIVIDADES

1- Elabore um mapa mental sobre o Modernismo no Brasil segunda geração você poderá desenhar no
caderno ou usar ferramentas do seu computador fica a critério do aluno.

2- Leia o poema a seguir e responda o que se pede.

No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra


tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento


na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

https://www.culturagenial.com/poema-no-meio-do-caminho-de-carlos-drummond-de-andrade/

a- Como podem ser classificadas as pedras mencionadas nesta poesia?


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b- Os versos "nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas "
transmitem que tipo de sensação para o leitor?

c- Assim que publicado, o poema No Meio do Caminho foi profundamente criticado pela sua
simplicidade e repetição. Com o passar do tempo, os versos foram sendo compreendidos pelo público
e pela crítica. Atualmente o poema é uma espécie de cartão postal da obra de Carlos Drummond de
Andrade, por que? Pesquise sobre o assunto para elaborar sua resposta.

d- Qual a importância e contribuição de Carlos Drummond de Andrade para o modernismo no Brasil?

3. O ROMANCE DE 1930

O “Romance de 30” reúne diversas obras de caráter social da segunda fase do modernismo no Brasil (1930-
1945).
Influenciados pelo movimento Neorrealista, esses romances são chamados de romances neorrealistas ou
romances regionalistas. Isso porque abordam aspectos de algumas regiões do país, como a seca do Nordeste.

O romance de 30 teve como marco inicial a publicação do romance “A Bagaceira” (1928) do escritor José
Américo de Almeida.

Os escritores dessa geração estavam preocupados em denunciar as desigualdades e injustiças sociais no país,
sobretudo na região do Nordeste.

Assim, eles criaram uma literatura ficcional crítica e revolucionária, cujo tema era a vida rural, agrária.

Contexto histórico: resumo


No Brasil, o momento era de crise econômica, política e social, reflexo da crise de 1929.

O desemprego, a miséria e a manipulação política, que acontecia pela república do café com leite, deixava a
população cada vez mais descontente.

Sob o governo do presidente Washington Luís despontava a Revolução de 1930. Ela culminaria no golpe de
Estado de 1930, na deposição do Presidente da República e a chegada de Getúlio Vargas ao poder.

Diante de tal panorama, os literatos brasileiros do momento apresentam uma nova estética, pautada nos temas
humanos, psicológicos e sociais da do país.

Vale lembrar que a linguagem do romance de 30 envolve a linguagem coloquial, popular e regionalista.

Principais características do romance de 30


 Regionalismo romântico
 Romance social
 Diversidade cultural brasileira
 Retomada do romantismo e do realismo
 Perspectiva determinista
 Narrativa linear

Autores que se destacaram

1. José Américo de Almeida (1887-1980)


Escritor, professor, político e sociólogo paraibano, José Américo de Almeida foi quem introduziu o romance
regionalista no Brasil, com a publicação de “A Bagaceira” (1928).
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2. Rachel de Queiroz (1910-2003)
Escritora, jornalista, dramaturga e militante política cearense, Rachel de Queiroz foi uma das mais
proeminentes artistas do momento.

Sua ficção social nordestina mais conhecida é “O Quinze” (1930), e o título faz referência ao ano em que a
seca assolou o Nordeste.

3. Graciliano Ramos (1892-1953)


Graciliano Ramos foi escritor, jornalista e político alagoano.

Sem dúvida, sua obra mais emblemática do período é “Vidas Secas” (1938), onde ele aborda o tema da seca
e a vida de uma família de retirantes que foge do sertão e da miséria.

4. José Lins do Rego (1901-1957)


José Lins do Rego foi um escritor paraibano que explorou temas regionalistas apontando aspectos, políticos,
sociais e econômicos do país. Sua obra mais emblemática do período é “Menino de Engenho”, publicada em
1932).

Nesse romance, ele denuncia a realidade social, ao mesmo tempo que apresenta a decadência do ciclo de
açúcar nos engenhos nordestinos.

5. Jorge Amado (1912-2001)


Jorge Amado foi um escritor baiano considerado um dos maiores nomes da literatura regionalista brasileira
do século XX.

Em suas obras explorou a diversidade étnica e social brasileira, da qual se destaca “Capitães de Areia” (1937).

Ambientado na cidade de Salvador, os protagonistas desse romance formavam um grupo de menores


abandonados chamados de “Capitães da Areia”.

ATIVIDADES

Paisagem do sertão. Esta foto de Evandro Teixeira integra o livro Vidas secas: edição especial 70 anos. São
Paulo: Record, 2008.

1. Descreva, brevemente, a imagem de abertura.

2. Que impressão o espaço retratado provoca no observador?

3. O chão gretado aparece em primeiro plano. Que leitura da foto o fotógrafo sugere com esse destaque?
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4- Os romances de 1930 revelam em toda a sua magnitude, os problemas de uma região assolada pela seca. O
principal intérprete dessa região foi Graciliano Ramos.

Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o
dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam rep ousado
bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma
sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.

Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de
folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao
cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra baleia iam atrás.

Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se.

A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo
negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas, 71.ed. Rio de Janeiro: Record,1996.p.9-10. (fragmento)

a- Observe as duas primeiras frases do texto. Nelas, o narrador introdus informações sobre o espaço e
as personagens. Que espaço é esse?
b- O que fazem as personagens nesse espaço?

5- sobre o texto a cima o uso dos adjetivos, no primeiro parágrafo, é muito importante. Quais adjetivos se
referem ao espaço nesse parágrafo?

a- Por que eles são importantes para a caracterização do espaço na narrativa?


b- Releia o ultimo parágrafo.Analise o que as novas informações sobre o espaço sugerem a respeito da
vida naquele local.

6- O fragmento abaixo integra o romance O Quinze de Raquel de Queiroz. Seus ideais estão presentes em
um dos focos de estudo deste ciclo: o romance da 2ª fase modernista. O trecho retrata a situação de miséria e
degradação por que passa a família de Chico Bento, trabalhador rural vitimado pela seca.

O Quinze

Eles tinham saído de véspera, de manhã, da canoa. Eram duas horas da tarde. Cordulina, que vinha quase
cambaleando, sentou-se numa pedra e falou, numa voz quebrada e penosa:

-Chico, eu não posso mais... Acho até que vou morrer. Dá-me aquela zoeira na cabeça!

Chico Bento olhou dolorosamente a mulher. O cabelo em falripas sujas, como que gasto, acabado, caía, por
cima do rosto, envesgando os olhos, roçando a boca. A pele, empretecida como uma casca, pregueava nos
braços e nos peitos, que o casaco e a camisa rasgada descobriam. (...)

No colo da mulher, o Duquinha, também era só osso e pele, levava, com um gemido abafado, a mãozinha
imunda, os dedos ressequidos, aos pobres olhos doentes.

E com outra tateava o peito da mãe, mas num movimento tão fraco e tão triste que era mais uma tentativa do
que um gesto.

Lentamente o vaqueiro voltou as costas; cabisbaixo, o Pedro o seguiu. E foram andando à toa, devagarinho,
costeando a margem da caatinga.

(QUEIROZ, Raquel. O Quinze. Rio de Janeiro: J. Olympio, p. 72)


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O Texto integra a segunda fase do Modernismo brasileiro e propõe uma nova maneira de fazer arte.
Retire do texto trechos que comprovem as seguintes características desse período:

a) Visão crítica das temáticas sociais:

b) Linguagem mais brasileira:

c) Valorização a diversidade natural do Brasil:

d) Apresenta camadas mais populares como à “cara” do Brasil:

7- Observe a figura a seguir:

A tela de Portinari “A criança Morta” tematiza aspectos marcantes da vida no sertão nordestino,
frequentemente castigado pelas secas, pela miséria e pela fome. Relacione a imagem de Cândido Portinari ao
texto O Quinze.

PARA AMPLIAR O CONHECIMENTO

https://www.youtube.com/watch?v=WmOICqpg4Rg

https://www.youtube.com/watch?v=YlqUollEjyo

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Secretaria Adjunta de Gestão Educacional - SAGE
ATIVIDADES COMPLEMENTARES - 3º Ano do Ensino Médio

Nome da Escola:
Nome do Professor:
Nome do Estudante:
Período: ( ) vespertino ( ) matutino Turma 3° ano

1. (ENEM 2010) Após estudar na Europa, Anita Malfatti retornou ao Brasil com uma mostra que abalou a cultura nacional
do início do século XX. Elogiada por seus mestres na Europa, Anita se considerava pronta para mostrar seu trabalho no Brasil,
mas enfrentou as duras críticas de Monteiro Lobato. Com a intenção de criar uma arte que valorizasse a cultura brasileira,
Anita Malfatti e outros modernistas
a) buscaram libertar a arte brasileira das normas acadêmicas europeias, valorizando as cores, a originalidade e os temas
nacionais.
b) defenderam a liberdade limitada de uso da cor, até então utilizada de forma irrestrita, afetando a criação artística nacional.
c) representavam a ideia de que a arte deveria copiar fielmente a natureza, tendo como finalidade a prática educativa.
d) mantiveram de forma fiel a realidade nas figuras retratadas, defendendo uma liberdade artística ligada à tradição acadêmica.
e) buscaram a liberdade na composição de suas figuras, respeitando limites de temas abordados.

2. (ENEM 2010)

(Tarsila do Amaral. “O mamoeiro”, 1925. Óleo s/ tela; 65 x 70 cm. IEB-USP.)

O modernismo brasileiro teve forte influência das vanguardas europeias. A partir da Semana de Arte Moderna, esses

conceitos passaram a fazer parte da arte brasileira definitivamente. Tomando como referência o quadro “O mamoeiro”,

identifica-se que, nas artes plásticas, a

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a) imagem passa a valer mais que as formas vanguardistas.

b) forma estética ganha linhas retas e valoriza o cotidiano.

c) natureza passa a ser admirada como um espaço utópico.

d) imagem privilegia uma ação moderna e industrializada.

e) forma apresenta contornos e detalhes humanos.

3. (ENEM 2012)

O trovador

Sentimentos em mim do asperamente

dos homens das primeiras eras…


As primaveras do sarcasmo

intermitentemente no meu coração arlequinal…

Intermitentemente…

Outras vezes é um doente, um frio

na minha alma doente como um longo som redondo…

Cantabona! Cantabona!

Dlorom…

Sou um tupi tangendo um alaúde!

_ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de Andrade.

Cara ao Modernismo, a questão da identidade nacional é recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em O

trovador, esse aspecto é

a) abordado subliminarmente, por meio de expressões como “coração arlequinal” que, evocando o carnaval, remete à

brasilidade.

b) verificado já no título, que remete aos repentistas nordestinos, estudados por Mário de Andrade em suas viagens e

pesquisas folclóricas.
c) lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões como “Sentimentos em mim do asperamente” (v. 1), “frio” (v. 6),

“alma doente” (v. 7), como pelo som triste do alaúde “Dlorom” (v. 9).

d) problematizado na oposição tupi (selvagem) x alaúde (civilizado), apontando a síntese nacional que seria proposta no
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Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.

e) exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho brasileiro por

suas raízes indígenas.

4- Sabe-se que a semana de arte moderna foi o divisor de águas em nossa cultura. Sobre o momento histórico
da primeira fase desse período literário, é correto afirmar:
a) ( ) A Revolução de 1930, a vinda de imigrantes para a substituição da mão de obra escrava no Brasil e a
criação do Partido Comunista Brasileiro foram alguns fatos históricos que marcaram o primeiro período
modernista no país.
b) ( ) A publicação da obra Memórias Póstomas de Brás Cubas durante a Semana de Arte Moderna foi um
marco do primeiro período modernista.
c) ( ) Nesse primeiro período modernista, certas mudanças proporcionaram o surgimento de novas ideias,
sendo duas destas: o Centenário da Indepêndencia e a Guerra mundial (1914-1918).
d) ( ) Essa primeira fase é marcada também pelo Golpe Militar em 1964.

5- No ano de 1929 vários burgueses foram à falência devido a queda da bolsa de valores de Nova Iorque.
Havia, também nesse período, um movimento no Rio Grande do Sul que tinha como objetivo lutar em prol
dos ideais comunistas e ir contra as oligarquias rurais brasileiras. Como ficou conhecido esse movimento?
a) Semana de Arte Moderna
b) Movimento Pau-Brasil
c) Antropofagia
d) Verde-amarelismo
e) Coluna Prestes

6- Sobre a segunda geração do modernismo brasileiro é correto afirmar:

a) a cultura indígena e africana foram os principais temas explorados pelos escritores desse período.
b) chamada de fase de construção, a produção literária desse momento esteve voltada para a denúncia da
realidade brasileira.
c) o índio foi eleito como o herói nacional, reforçando ainda mais a identidade brasileira.
d) desprovida de engajamento político, nesse momento a preocupação era acerca do aprimoramento da
linguagem.
e) com forte teor indianista, a poesia dessa fase esteve voltada para temas cotidianos.

BOA AULA!

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