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Grupo de Trabalho

B2.07
027
Recomendações Técnicas para Projeto,
Instalação e Manutenção de Estacas
Helicoidais em Linhas de Transmissão e
Distribuição

Novembro 2020
Brasil
COMITÊ DE ESTUDOS B2 - LINHAS AÉREAS

GRUPO DE TRABALHO 07 – FUNDAÇÕES

Recomendações Técnicas para Projeto,


Fabricação, Instalação e Manutenção
de Estacas Helicoidais em Linhas
de Transmissão e Distribuição

B2-20 (GT-07) 01

Março de 2020
GT- B2.07 – FUNDAÇÕES
B2-20 (GT-07) 01

GT-B2.07 – Fundações
Força-Tarefa Estacas Metálicas Helicoidais

Líder do GT-B2.07

Aureo Pinheiro Ruffier

Secretário do GT-B2.07

Crysthian Purcino Bernardes Azevedo

Líderes da Força-Tarefa
Danilo Mercadante Policastro 2016 a 2017
Daniel Canova Renosto a partir de 2017

Membros da Força-Tarefa
Alberto Pires Ordine Alex de Barros
Aureo Pinheiro Ruffier Bruno Elorde Ribeiro
Claudio Pereira Pinto Cristina da Costa Amorim
Crysthian Purcino B. Azevedo Daniel Canova Renosto
Danilo Gavasso Danilo Mercadante Policastro
Elber Vidigal Bendinelli Fernando Arthur B. Danziger
Giovani Eduardo Braga Marcelo Starling d’Assunção
Marconi Correa Marques Marcos Vinicius Gonzalez
Osmar da Cunha Garcia Rodrigo Cyrino Monteiro
Roney de Moura Gomes

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Membros do GT-B2.07 participantes das reuniões


de discussão destas recomendações

Alberto Pires Ordine Alex de Barros Alexandre C. de Azevedo


Anderson Alves Gisbert Anderson Bob Alencar Arthur Veiga S. Pinheiro
Aureo Pinheiro Ruffier Bruno Elorde Ribeiro Carim Costa da Silva
Carlos Diego V. Pedroso Carlos Ferreira Costa Carlos H. M. de Oliveira
Cescyle C. M. da Silva Claudio Pereira Pinto Cristiano Junio S. Amaral
Cristina da C. Amorim Cristine Marzullo Crysthian P. B. Azevedo
Daniel Canova Renosto Daniela A. da F. Villalta Danilo Campos Lopes
Danilo Gavasso Danilo M. Policastro Deborah Sales de Sousa
Edinaldo L. dos Santos Eduardo Batista Eduardo Yutaka Ono
Elber Vidigal Bendinelli Emmanuel Antunes Lima Emmanuel P. de Moraes
Eric Alves da Cunha Erisvaldo de L. Juvêncio Fábio H. de L. Andrade
Felipe G. Fernandes Fernanda Ayumi Araí Fernando A. B. Danziger
Francielly L. C. de Assis Franco P. Maccheroni Gabriela de S. Rodrigues
Gabriela Ferretti Costa Giovani Eduardo Braga Henrique J. F. da Silva
Hermes Carvalho Ilécio de Miranda Lima Isabelle Pedrosa Torres
Izabelle da S. Coutinho Janaina Batista Canto João B. de Carvalho Jr.
João Eduardo Fiel João Vitor Zambelli Joder S. do Nascimento
José C. de S. Stephan José da P. Morais Filho Leonardo A. de Campos
Lucas M. da S. Azeredo Luciano de M. Ramires Luis Eduardo de M. Pini
Luiz Alberto Toledo Filho Luiz Antônio G. Cardoso Luiz Henrique B. Muniz
Luiz H. C. Guimarães Marcelo S. d’Assunção Márcio W. Rodrigues
Marconi Correa Marques Marcos G. T. Couto Marcos V. Gonzalez
Maria G. D. Guimarães Murilo C. da V. Jardim Ney Aymone P. da Costa
Odair Santos Jr. Osmar da Cunha Garcia Ozalete V. de Q. Pereira
Paulo Cezar Soares Jr. Pedro Fonseca dos Reis Rafael da Costa Sarpa
Raphaella O. de Araujo Raquel Ferreira Mendes Reinaldo Plaza
Ricardo B. de Andrade Ricardo Sousa Loureiro Roberto Augusto Araujo
Roberto L. S. Nogueira Roberto Perona Rodrigo Cyrino Monteiro
Ronaldo A. Chaves Roney de Moura Gomes Ruy C. R. de Menezes
Sandra da S. B. Pimenta Stephane do N. Santos Thiago Inácio Viga
Thiago Luiz Ferreira Vanessa C. S. Martins Vinicius da S. Mauricio
Wendell P. de Oliveira William Zolcsak

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APRESENTAÇÃO

Nos últimos anos, com a grande demanda do mercado e a busca de


redução dos prazos de obras, a utilização das estacas metálicas helicoidais,
como solução em fundações de linhas de transmissão, tem crescido
consideravelmente dentro das opções das listas de construção das empresas
de projetos, também motivada pela a redução dos custos, impulsionada pelo
deságio frente à grande concorrência nos leilões de novas linhas. Apesar de
esta tecnologia ser considerada relativamente nova dentro do mercado
brasileiro, onde suas primeiras utilizações se deram ao final da década de
1990, esta solução de fundação já está consolidada nos países da América do
Norte e Europa, tais como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra.

O aumento da utilização de estacas metálicas helicoidais em fundações de


linhas de transmissão no Brasil vem dando oportunidade para o avanço da
engenharia de fundações deste setor. Com a crescente demanda surgem
empresas de projeto, fabricação e instalação em diferentes regiões do país,
sendo necessário um alto nível técnico para o domínio desta solução em solos
tropicais.

Em função deste aumento de demanda, começaram a surgir discussões,


dentro do GT-B2.07 - Grupo de Fundações do CIGRÉ-Brasil, referentes à
segurança e à confiabilidade deste tipo de fundações. Dentre diversas
preocupações reportadas, poder-se-ia ressaltar certo desconhecimento acerca
do comportamento destas estacas quanto à corrosão e a inexistência de
normatização brasileira para as mesmas.

Pelo exposto, o GT-B2.07 decidiu formar uma Força-Tarefa, com dois


objetivos principais: estabelecer um programa de ensaios para verificar o
comportamento das estacas metálicas helicoidais quanto à corrosão e elaborar
recomendações para orientar o projeto, a fabricação, a instalação e a
manutenção destas estacas.

Para alcançar o primeiro objetivo, graças ao apoio de membros do GT-


B2.07 pertencentes ao grupo de corrosão do Cepel, foi estabelecido um
programa de ensaios em campo e em laboratório. Estes ensaios encontram-se
em andamento.

Para o segundo objetivo, formou-se um grupo com membros pertencentes


às principais empresas no Brasil fabricantes de estacas metálicas helicoidais,
que elaboraram um primeiro draft destas recomendações, que foi extensamente
discutido em reuniões do GT-B2.07, conforme a linha do tempo apresentada a
seguir, e resultou no documento aqui apresentado.

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Esperamos que estas recomendações possam servir de orientação ao


mercado de fundações de linhas de transmissão, bem como às
concessionárias, quanto à utilização deste tipo de solução, e servir como base
a uma futura Norma brasileira.

Gostaríamos de finalizar esta apresentação relembrando a Nota constante


do Escopo da Norma Brasileira de Projeto e Execução de Fundações

Nota da ABNT NBR 6122: Reconhecendo que a engenharia geotécnica não é


uma ciência exata e que riscos são inerentes a toda e qualquer atividade que
envolva fenômenos ou materiais da Natureza, os critérios e procedimentos
constantes desta Norma procuram traduzir o equilíbrio entre condicionantes
técnicos, econômicos e de segurança usualmente aceitos pela sociedade na
data de sua publicação. Nos projetos civis que envolvem mecânica dos solos e
mecânica das rochas, o profissional habilitado com notória competência é o
profissional capacitado a dar tratamento numérico ao equilíbrio mencionado.

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ÍNDICE
APRESENTAÇÃO .........................................................................................................4
1. Objetivo ...................................................................................................................7
2. Normas Aplicáveis ..................................................................................................7
3. Termos e Definições ............................................................................................... 8
3.1. Termos e definições gerais ..............................................................................8
3.2. Termos e definições específicos ....................................................................10
4. Requisitos para o Projeto Mecânico .....................................................................12
5. Requisitos para Fabricação ..................................................................................13
5.1. Requisitos para a inspeção da produção .......................................................14
5.2. Controle de qualidade .................................................................................... 15
6. Requisitos para Projeto Geotécnico......................................................................16
6.1. Investigações geológico-geotécnicas .............................................................16
6.2. Relação de documentação para dimensionamento .......................................17
6.3. Recomendações para dimensionamento ....................................................... 17
6.4. Recomendações contra corrosão .................................................................. 18
7. Projeto Executivo ..................................................................................................18
7.1. Informações de projeto................................................................................... 18
7.2. Documentação técnica da fundação ..............................................................19
8. Procedimento de Instalação .................................................................................19
9. Ensaios de Convalidação/Qualificação ................................................................. 20
9.1. Sistema para aplicação de carga ...................................................................21
9.2. Dispositivos para as medições .......................................................................21
9.3. Tipo de carregamento .................................................................................... 22
9.4. Execução dos ensaios ................................................................................... 22
10. Ensaios de Rotina .............................................................................................23
11. Manutenção ....................................................................................................... 25
Anexo A – Modelo de Boletim de Instalação ...............................................................27
Anexo B – Modelo de Boletim de Ensaio ....................................................................28

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1. Objetivo
Este documento tem por objetivo recomendar as condições técnicas para
projeto, fabricação, instalação e manutenção de estacas metálicas helicoidais
como solução para fundações profundas em linhas de transmissão e de
distribuição.

Os requisitos técnicos contemplados visam fornecer embasamento para


projetistas, fabricantes, instaladores, construtoras e concessionárias realizarem
seus trabalhos com maior clareza e para uma futura padronização nacional.

Palavras chave: estaca helicoidal; fundação; fundação profunda;


fundação para linhas de transmissão e de distribuição de energia.

2. Normas Aplicáveis
São aplicáveis as seguintes normas:

 ABNT NBR 5426, Planos de amostragem e procedimentos na


inspeção por atributos

 ABNT NBR 5590, Tubos de aço-carbono com ou sem solda


longitudinal, pretos ou galvanizados – Requisitos

 ABNT NBR 6122, Projeto e execução de fundações

 ABNT NBR 6323, Galvanização por imersão a quente de produtos de


aço e ferro fundido – Especificação

 ABNT NBR 6484, Solo – Sondagens de simples reconhecimento com


SPT – Método de ensaio

 ABNT NBR 6502, Rochas e solos

 ABNT NBR 8800, Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas


de aço e concreto de edifícios

 ABNT NBR 12069, Solo – Ensaio de penetração de cone in situ


(CPT) – Método de ensaio

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 ABNT NBR 14842, Critérios para a qualificação e certificação de


inspetores de soldagem

 ABNT NBR 15218, Critério para qualificação e certificação de


inspetores de pintura industrial

 ABNT NBR 15877, Pintura industrial – Ensaio de aderência à tração

 ABNT NBR 16450, Ensaios não destrutivos – Liquido penetrante –


Qualificação e procedimento

 ABNT NBR 16903, Solo – Prova de carga estática em fundação


profunda

 ABNT NBR ISO/IEC 17025, Requisitos gerais para a competência de


laboratórios de ensaios e calibração

 ASTM A500/A500M, Standard specification for cold-formed welded


and seamless carbon steel structural tubing in rounds and shapes

 ASTM A513/A513M, Electric-resistance-welded carbon and alloy steel


mechanical tubing

 AWS D1.1, Structural welding code – Steel

 IEC 60826, Design criteria of overhead transmission lines

3. Termos e Definições
Para os efeitos deste documento, aplicam-se os seguintes termos e
definições, alguns deles fazendo parte da norma ABNT NBR 6122, Projeto e
execução de fundações, repetidos no presente documento para maior clareza.

3.1. Termos e definições gerais


a) Bloco de coroamento

Bloco estrutural que transfere a carga oriunda da estrutura para os


elementos da fundação profunda.

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b) Carga admissível de uma estaca ou tubulão

Máxima carga que, aplicada sobre a estaca ou sobre o tubulão


isolados, atende, com fatores de segurança predeterminados, aos
estados limites últimos (ruptura) e de serviço (recalques, vibrações,
etc.)

Nota: Esta grandeza é utlizada no projeto quando se trabalha com


valores característicos das ações.

c) Carga de trabalho de estacas

Carga efetivamente atuante na estaca, em valores característicos; a


tensão de trabalho da estaca corresponde à carga de trabalho dividida
pela área da seção transversal.

d) Carga de ruptura de uma fundação

Carga que, se aplicada à fundação, provoca perda do equilíbrio


estático ou deslocamentos que comprometem sua segurança ou
desempenho; corresponde à força resistente última (geotécnica) da
fundação.

e) Estaca

Elemento de fundação profunda executado inteiramente por


equipamentos ou ferramentas, sem que, em qualquer fase de sua
execução haja trabalho manual em profundidade. Os materiais
empregados podem ser: madeira, aço, concreto pré-moldado, concreto
moldado in loco, argamassa, calda de cimento, ou qualquer
combinação dos anteriores.

f) Estaca helicoidal

Estaca metálica constituída por hastes tubulares ou maciças, nas quais


são soldados helicoides denominados hélices, instalada no solo
através de aplicação de torque.

g) Fundação profunda

Elemento de fundação que transmite a carga ao terreno ou pela base


(resistência de ponta) ou por sua superfície lateral (resistência de
fuste) ou por uma combinação das duas, sendo sua ponta ou base
apoiada em uma profundidade superior a oito vezes a sua menor
dimensão em planta e no mínimo 3,0 m; quando não for atingido o
limite de oito vezes, a denominação é justificada. Neste tipo de
fundação incluem-se as estacas e os tubulões.

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h) Torque de instalação

Torque aplicado na estaca helicoidal para sua instalação no solo. O


valor do torque é função do tipo de solo, dimensões e geometria dos
componentes da estaca. O torque calculado é uma grandeza
diretamente proporcional à carga atuante majorada de um coeficiente
de segurança.

3.2. Termos e definições específicos


a) Haste: Perfil metálico de variadas dimensões e comprimentos (Figuras
1 e 2), interconectados entre si, responsáveis por transmitir as cargas
ao longo da estaca helicoidal. As dimensões e características desse
elemento são definidas pelo projetista das estacas.

Figura 1 – Exemplo de haste tubular de seção transversal circular

Figura 2 – Exemplo de haste maciça de seção transversal quadrada


com cantos arredondados
b) Hélice: elemento que possui o formato de um disco soldado nas
hastes das seções mais profundas da estaca, em geometrias e
características determinadas pelo projetista da estaca helicoidal
(Figura 3). Considera-se como primeira hélice a que se situa à maior
profundidade.

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Figura 3 – Exemplo de hélice soldada em haste de seção


transversal tubular circular

c) Conexão / emenda: elemento responsável por conectar cada uma das


seções da estaca (hastes) e desta maneira garantir que as cargas de
instalação (torque) e de serviço (compressão e tração) sejam
transmitidas ao longo de toda fundação, desde a parte mais profunda
onde estão as hélices, até o topo onde as cargas são recebidas
(Figura 4).

Figura 4 - Exemplos de conexão entre elementos das estacas de seção


transversal tubular circular e quadrada

d) Terminações: são acessórios utlizados em conjunto com a fundação.

 Capacete – elemento responsável pela ligação da estaca ao bloco de


coroamento (Figura 5). A verificação estrutural deste elemento será
realizada pelo projetista da fundação.

 Conector – elemento responsável pela ligação da estaca às ferragens


dos cabos dos estais (Figura 6). A verificação estrutural deste
elemento será realizada pelo fabricante da estaca, devendo ser
verificado ao cisalhamento, flexão e fadiga.

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Figura 5 – Exemplo de Capacete Figura 6 – Exemplo de Conector

As 4 partes acima definidas (haste, hélice, conexão e terminações)


compõem uma estaca helicoidal. Cada estaca é conceituada por basicamente 2
tipos de seção:

 Seção guia: primeira seção a ser instalada, a mais profunda e


também onde são soldadas as primeiras hélices.

 Extensões: seções que são conectadas à seção guia ou entre elas,


que podem possuir ou não hélices soldadas na haste, de forma que
adicionam comprimento à estaca.

4. Requisitos para o Projeto Mecânico


A capacidade de carga estrutural das estacas helicoidais deve ser
dimensionada de acordo com a norma ABNT NBR 8800, Projeto de estruturas
de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios, devendo constar
em projeto as informações mínimas a seguir:

a) Dimensão e características das soldas, assim como as classes de


resistência do metal a ser depositado;

b) Geometria das hastes e hélices, assim como suas características


mecânicas (deve-se discriminar as proteções superficiais à corrosão,
quando aplicáveis);

c) Tipo e dimensionamento das terminações e conexões e suas


características mecânicas (deve-se discriminar as proteções
superficiais, quando aplicáveis).

O dimensionamento estrutural deverá contemplar as verificações para


todas as solicitações previstas, incluindo flexão, flambagem, cisalhamento,

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tração e compressão da haste, bem como as combinações possíveis destas


solicitações. Deverá ser também considerada verificação quanto à corrosão, em
função da agressividade do meio em que a estaca será instalada.

5. Requisitos para Fabricação


A fabricação das estacas deverá seguir as definições do projeto mecânico
e das normas citadas no item 2 deste documento.

Os fabricantes devem utilizar no processo de produção instrumentos,


dispositivos e/ou gabaritos para medição e verificação dimensional das peças,
calibrados de acordo com a norma ABNT NBR ISO/IEC 17025, Requisitos
gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração, e acreditados
pela RBC (Rede Brasileira de Calibração).

Para peças revestidas (por exemplo: galvanizadas ou pintadas), os


fabricantes devem possuir instrumentos que permitam a medição da camada ou
espessura de proteção (Figura 7), devendo constar no plano de inspeção
regular dos lotes produzidos. Da mesma maneira, esses instrumentos devem
sempre estar calibrados, de acordo com as recomendações do fabricante.

Figura 7 - Exemplo do aparelho medidor da espessura de zinco


para materiais galvanizados

No caso da adoção de galvanização como meio de proteção do material,


devem-se seguir as recomendações da norma ABNT NBR 6323, Galvanização
por imersão a quente de produtos de aço e ferro fundido - Especificação, e as
peças metálicas devem ser galvanizadas somente após finalização total do
processo de produção, ou seja, após sua forma final estar pronta. Esta
galvanização deve ser executada por fornecedor previamente homologado pelo
fabricante das estacas. Quando adotada pintura, o fabricante da estaca deverá

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disponibilizar ao cliente e inspetores a rastreabilidade dos insumos, tais como


certificados, notas fiscais de compra e outros, atendendo à norma especificada.

Para a operação nas linhas de produção, deve-se apresentar habilitação


ou certificação dos soldadores para a execução dos trabalhos. Esta certificação
deve ser emitida ou validada por órgão, empresa ou entidade de classe
reconhecido e deve atender à norma de soldagem estrutural AWS D1.1,
Structural welding code – Steel, ou similar. Os inspetores devem ter
qualificação segundo a ABNT NBR 14842, Critérios para qualificação e
certificação de inspetores de soldagem.

5.1. Requisitos para a inspeção da produção


O fabricante/fornecedor deve providenciar todas as facilidades para
permitir ao inspetor do cliente verificar a completa conformidade do
fornecimento com estas recomendações e o plano de inspeção. Os níveis de
amostragem, aceitação e rejeição deverão ser firmados em comum acordo
entre fabricante/fornecedor e cliente, devendo constar no PICQ (Plano de
Inspeção e Controle da Qualidade).

Sendo assim, exigem-se como requisitos mínimos:

 Disponibilizar previamente o PICQ (Plano de Inspeção e Controle da


Qualidade) a ser aprovado anteriormente à inspeção;

 Certificação da matéria-prima e dos consumíveis: composição


química e propriedades mecânicas;

 Verificação da geometria e dimensões de acordo com o projeto de


produção;

 Inspeção visual do acabamento: integridade das peças;

 Registros de rastreabilidade dos materiais empregados;

 Registros e evidências dos ensaios especificados nestas


recomendações;

 Certificados de calibração/aferição válidos de todos os instrumentos


de medição utilizados.

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5.2. Controle de qualidade


No controle de qualidade para a produção das estacas helicoidais é
recomendada a execução dos ensaios listados a seguir.

a) Ensaio de torção para as hastes e conexões. Este procedimento visa


verificar e especificar qual o torque máximo suportado pelas peças que
compõem a estaca helicoidal e suas deformações aceitáveis. Esse
ensaio deve ser refeito sempre que as características ou propriedades
mecânicas forem alteradas;

b) Ensaio de verificação da solda por torção. Este ensaio visa avaliar a


interação haste-hélice, aplicando-se torção na haste e bloqueando a
hélice. Esta verificação também pode ser garantida através de
apresentação de memória de cálculo da solda feita juntamente com o
projeto;

c) Ensaio de líquido penetrante confome a norma ABNT NBR 16450,


Ensaios não destrutivos – Líquido penetrante – Qualificação de
procedimento, para verificação das soldas. Este ensaio deve ser feito
obrigatoriamente antes de qualquer aplicação de proteção contra
corrosão (pintura e galvanização) e também antes dos ensaios
descritos nos itens a e b;

d) Ensaio de compressão na hélice (Figura 8), que consiste em avaliar a


ruptura da solda e flexão da hélice de forma simultânea gerando um
esforço a compressão na haste mantendo a hélice apoiada por um
sistema rígido em sua extremidade.

Figura 8 – Esquema e exemplo de ensaio de compressão na hélice

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e) Ensaio de inspeção visual/dimensional, que consiste em medir as


dimensões e acabamento conforme projeto.

Notas:

O fabricante/fornecedor deverá apresentar os certificados, registros e


evidências dos materiais utilizados para fabricação das hastes, hélices,
conexões e soldas, discriminando a composição química, processo de
fabricação (inclusive tratamentos térmicos e/ou termoquímicos, caso aplicados),
características microestruturais (tipos de grãos, fases constituintes, etc.) e
propriedades mecânicas (limite de escoamento, módulo de elasticidade). O
cliente poderá exigir a realização de ensaios de rotina que comprovem as
informações.
Os ensaios descritos neste tópico devem ser executados sob supervisão
de profissional qualificado e capacitado.
O material somente poderá ser despachado e/ou aceito em obra após
parecer de aprovação pelo inspetor do cliente. Todos os dados devem ser
armazenados e disponíveis para consulta.

6. Requisitos para Projeto Geotécnico

6.1. Investigações geológico-geotécnicas


Os dados para o projeto geotécnico das fundações serão obtidos por meio
de investigações de campo e laboratório, cuja definição decorrerá do porte da
obra e de condicionantes específicos que o projeto possa apresentar. A
programação de investigações será precedida de um reconhecimento do
traçado, com o mapeamento das feições pedológicas e geológico-geotécnicas
do terreno, bem como outras particularidades que possam impactar o projeto
das fundações.

O programa básico de investigações compreenderá sondagens à


percussão, programadas em função do reconhecimento do traçado e
executadas conforme a norma ABNT NBR 6484, Sondagens de simples
reconhecimento com SPT - Método e ensaio, sendo recomendado no mínimo
uma sondagem por torre. Outros tipos de investigações de campo, assim como
ensaios de laboratório para a caracterização dos solos e definição dos
parâmetros de resistência, poderão integrar uma campanha de investigações
complementar às sondagens, objetivando a definição confiável dos parâmetros
para o dimensionamento geotécnico das fundações.

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As investigações deverão ser realizadas conforme as normas da ABNT e,


na ausência dessas, de normas que tenham reconhecida aceitação na prática
de investigações geotécnicas.

Dependendo das características da região, poderão ser solicitados, pelo


projetista da fundação, ensaios para determinação da agressividade do terreno:

 Resistividade do terreno;

 Ph do solo;

 Teor de matéria orgânica;

 Presença de cloretos, sulfetos e sulfatos;

 Potencial redox.

O bom desempenho do projeto está diretamente relacionado à qualidade e


à representatividade destes ensaios.

6.2. Relação de documentação para dimensionamento


Para que se faça uma avaliação da utilização das estacas helicoidais em
uma determinada localidade, é necessária a relação de documentos a seguir
para envio ao projetista:

 Resultados da investigação geotécnica do terreno (sondagens em


profundidade compatível com o comprimento previsto das estacas) e
demais ensaios citados no item 6.1;

 Memória de cálculo com as cargas atuantes nas fundações;

 Projeto do stub, estai e base dos mastros, conforme o caso;

 Ensaios prévios de convalidação/qualificação ao longo da linha;

6.3. Recomendações para dimensionamento


O dimensionamento geotécnico se dará com emprego de métodos a
serem escolhidos pelo projetista. Deverão ser analisados os modelos de
rupturas localizadas em torno das hélices, ou seja, do comportamento isolado
das hélices, bem como destas atuando conjuntamente. Para as estruturas onde
ocorrer carga de tração e compressão na fundação, deverá ser adotada

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verificação para ambos os sentidos de carregamento. Quando houver cargas


horizontais, estas também deverão ser verificadas. Deverá ser considerada
uma distância mínima entre as estacas levando em consideração a forma de
transferência de carga ao solo e o efeito do processo executivo.

No caso de cargas de compressão recomenda-se a verificação da


flambagem para os solos de baixa resistência.

6.4. Recomendações contra corrosão


Recomenda-se que as estacas helicoidais e seus acessórios sejam
projetados considerando possíveis situações de perda de massa por corrosão.
Deverá ser considerado, no cálculo estrutural, uma espessura de sacrifico,
sendo adotada conforme investigações geológico-geotécnicas previstas e na
avaliação do ambiente a serem instaladas as fundações. Poderá também ser
adotada cobertura de zinco por galvanização, cobertura por pintura epóxi ou
ambas, conforme as normas ABNT NBR 6323, Produto de aço ou ferro fundido
revestido de zinco por imersão a quente, e/ou ABNT NBR 15877, Pintura
industrial – Ensaio de aderência à tração.

As perdas de corrosão devem ser consideradas, no cálculo estrutural,


independente das estacas estarem embutidas no concreto, enterradas ou
acima da cota do terreno e sem recobrimento lateral.

7. Projeto Executivo

7.1. Informações de projeto


Devem constar no Projeto Executivo para instalação das estacas helicoidais
as seguintes informações:

 Limites de torque mínimo (instalação) e torque máximo (estrutural);

 Comprimentos mínimos de instalação das estacas;

 Ângulos de instalação das estacas;

 Posicionamento das estacas no bloco de coroamento, caso exista


(geometria do bloco de coroamento);

 Afloramento mínimo e máximo das estacas de estais;

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 Geometria e característica das partes da estaca incluindo


nomenclatura e identificação das peças no catálogo do fabricante;

 Memória de cálculo do projeto das estacas;

 Memória de cálculo do estaqueamento (cargas atuantes nas estacas),


no caso de mais de uma estaca.

7.2. Documentação técnica da fundação


Deverão ser entregues ao cliente a documentação referente a:

 Ensaios de convalidação/qualificação;

 Projeto Executivo;

 Procedimento de Instalação;

 Procedimento para ensaios de rotina.

A elaboração do Procedimento de Instalação é de responsabilidade do


projetista.

A elaboração do projeto dos sistemas para aplicação da carga e medições


dos ensaios de convalidação/qualificação e de rotina, bem como o
preenchimento dos boletins de resultados é de responsabilidade do
instalador/executor dos ensaios.

Ao projetista cabe também a elaboração de relatório sobre os resultados


obtidos nos ensaios de convalidação/qualificação e parâmetros a serem
utilizados no Projeto Executivo.

8. Procedimento de Instalação
No Procedimento de Instalação, deve obrigatoriamente constar:

a) Orientação quanto aos parâmetros geométricos, ou seja, como as


equipes devem verificar posicionamento e inclinação das estacas e
qual a frequência de medição.

b) Orientação quanto à leitura e registro dos valores de torque, ou seja,


com que frequência os torques aplicados devem ser medidos através
dos torquímetros e registrados. Recomenda-se que as leituras e
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registros devem ser realizados, pelo menos, a partir de 1,0 metro de


estaca instalada, e serem feitos posteriormente a cada metro. No
Procedimento de Instalação deve constar uma planilha padrão para ser
preenchida, usualmente denominda Boletim de Instalação. No entanto
cada equipe de instalação poderá readequar a planilha, mas sempre
mantendo os requisitos básicos indicados neste procedimento. No
Anexo A apresenta-se uma sugestão de Boletim de Instalação.

c) Orientação quanto à utilização de cada configuração de estaca, caso


existam diferentes configurações no projeto.

d) Informações de como proceder caso uma estaca não consiga atingir a


profundidade mínima prevista em projeto, orientando a equipe de
maneira a recuperar a estaca para posterior análise e também para
não interromper o cronograma de instalação.

Para a instalação, deverão também ser atendidos os seguintes itens:

e) Preenchimento do Boletim de Instalação indicado no item b anterior.

f) A locação dos pontos de aplicação das estacas deve ser realizada por
topógrafo e o ângulo deve ser conferido a cada metro de estaca
instalada utilizando-se um inclinômetro com resolução mínima de 1
grau.

g) O equipamento de instalação das estacas (rotor hidráulico), bem como


o equipamento medidor de torque aplicado (torquímetro), devem
possuir capacidade superior a 20% do torque estrutural da estaca.

h) Recomenda-se que a velocidade de instalação seja de 5 a 20 rpm.

i) Deverão ser apresentados todos os certificados de calibração dos


equipamentos de instalação.

Todo o trabalho de instalação deve ser fiscalizado pelo cliente, verificando


os protocolos preenchidos.

9. Ensaios de Convalidação/Qualificação
Ensaios de convalidação/qualificação são ensaios estáticos de campo,
executados com base em uma concepção da solução em estaca helicoidal,
anteriormente à emissão do projeto executivo, a fim de verificar as
condicionantes técnicas do dimensionamento da fundação. Estes ensaios são

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de extrema importância para que o projetista possa ajustar a concepção do


projeto executivo à realidade das condições encontradas na aplicação.

Devem ser realizados ensaios de compressão e tração, em função das


solicitações atuantes nas fundações conforme projeto. Os ensaios de
compressão devem ser realizados em estacas distintas das utilizadas nos
ensaios de tração, ou seja, deverão ser instaladas estacas específicas para
cada finalidade.

Deverão ser realizados tantos ensaios quantas forem as unidades


geotécnicas existentes ao longo do empreendimento, obedecendo-se a, no
mínimo, um ensaio por solicitação (compressão ou tração) a cada 50 km.

Recomenda-se que, durante os ensaios, as equipes de engenharia (do


proprietário, do projetista e do fabricante) estejam presentes para que todas as
dúvidas e questionamentos sejam resolvidos com rapidez.

O instalador/executor dos ensaios deverá apresentar os certificados de


aferição de todos os equipamentos e dispositivos utilizados nos mesmos, bem
como executar o preenchimento do Boletim de Instalação (ver item 8) e do
Boletim de Ensaio (ver item 9.4).

9.1. Sistema para aplicação de carga


O sistema para aplicação da carga na estaca é composto, principalmente,
por uma estrutura de reação, cilindro hidráulico, bomba e manômetro. O projeto
deve ser concebido de forma a não produzir choques ou vibrações no sistema
durante a aplicação da carga. Deverá estar dimensionado, no mínimo, para
cargas 1,5 vez maiores que as máximas previstas para os ensaios. Os apoios
ou ancoragens da estrutura de reação não poderão ter interferências com a
estaca ensaiada, não influenciando assim a medição dos deslocamentos.

A distância mínima entre a estrutura de reação e a estaca a ser ensaiada


deve obedecer ao especificado na norma ABNT NBR 16903, Solo – Prova de
carga estática em fundação profunda.

9.2. Dispositivos para as medições


As cargas aplicadas no topo da estaca devem ser medidas através de
manômetro instalado no sistema de alimentação do macaco hidráulico.
Adicionalmente podem ser empregadas células de carga.

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Os deslocamentos verticais no topo da estaca devem ser medidos


simultaneamente através de, no mínimo, dois deflectômetros (relógios
comparadores) instalados em um plano ortogonal à direção da aplicação da
carga e no mesmo nível. Estes deflectômetros devem possuir êmbolo ou haste
de no mínimo 100 mm e resolução de 0,01 mm. Os deflectômetros devem ser
posicionados em lados opostos da estaca que estiver sendo ensaiada, sendo
que, desta maneira, o deslocamento a ser considerado será a média entre as
suas medições.

9.3. Tipo de carregamento


As provas de carga serão do tipo rápido, com estágios iguais e sucessivos
não superiores a 10% da carga máxima prevista para o ensaio.

9.4. Execução dos ensaios


Para execução dos ensaios devem ser obedecidos os procedimentos a
seguir e os dados apontados no Boletim de Ensaio elaborado pelo projetista.
No Anexo B apresenta-se uma sugestão de Boletim de Ensaio.
a) Carga de acomodação: É a carga inicial necessária para retirar as
folgas do sistema de reação antes dos ciclos de carregamento.

Recomenda-se que essa carga de acomodação não seja maior que


20% da carga máxima de ensaio, no entanto, este percentual pode ser
diferente conforme acordo entre as partes interessadas. Este
procedimento deve ser feito apenas anteriormente ao primeiro ciclo de
carga. Deve-se efetuar, nesta etapa, a respectiva leitura e anotação do
deslocamento, a fim de se compreender melhor o comportamento da
fundação.

Observa-se que entre a carga de acomodação e o primeiro ciclo de


carregamento deverá ser feito o descarregamento total do sistema. Os
deflectômetros devem ser “zerados” após o descarregamento total.

b) Estágios de carregamento e descarregamento: São os acréscimos


e decréscimos de cargas, dentro de cada ciclo de ensaio.

Os estágios de carregamento devem ser iguais e sucessivos, com


carga não superior a 10% da carga máxima prevista para o ensaio. No
entanto, este percentual poderá ser diferente conforme acordo entre as
partes interessadas.

O descarregamento deverá ser feito em, no mínimo, quatro estágios.


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c) Tempo de aplicação de carga: Em cada estágio, a carga deverá


permanecer aplicada por 1 minuto, com exceção do estágio de carga
máxima, cujo tempo deverá ser de 5 minutos. As leituras de
deslocamentos, através dos deflectômetros, deverão acontecer no
início e no final de cada minuto de aplicação.

d) Ciclos de carregamento: Devem ser realizados dois ciclos


consecutivos de carregamento. O descarregamento após o primeiro
ciclo não deve ser total, indo apenas até o nível do primeiro estágio de
carga. No segundo ciclo haverá o descarregamento total.

e) Deslocamento residual: Deve ser registrado após o último ciclo, no


descarregamento completo.

Quando forem executados ensaios que requeram a instalação de estacas


de reação (usualmente para ensaios de compressão) deverão ser atendidos os
critérios da norma ABNT NBR 16903, Solo – Prova de carga estática em
fundação profunda.

Após a realização dos ensaios o projetista da fundação deve emitir um


relatório sobre os resultados obtidos e quais os parâmetros que serão utilizados
no projeto executivo, tais como o valor de correlação torque x capacidade de
carga. Neste relatório também devem constar o comprimento mínimo enterrado
e qual a configuração válida para cada estaca. Em caso de falha nos ensaios,
este relatório deve apontar as causas e a possível solução adotada.

Para todos os equipamentos e dispositivos utilizados, devem ser


apresentados certificados de calibração/aferição válidos.

Outros critérios de ensaio para estruturas do tipo Cross-hope poderão ser


adotados pelo projetista, em função de sua alta carga permanente.

10. Ensaios de Rotina


Os ensaios de rotina são aqueles realizados durante o período de
instalação das estacas helicoidais. Devem seguir estritamente as orientações
do procedimento feito pelo projetista das fundações.

Para os ensaios das estacas dos estais deverá ser realizado ensaio à
tração. Para as estacas dos blocos dos mastros recomenda-se que sejam feitos
ensaios à compressão. Para as estacas dos blocos das torres autoportantes
poderá ser adotado ensaio à tração ou compressão, desde que obedecidos os
critérios de carregamento estabelecidos em projeto. Recomenda-se adotar o
prescrito na Tabela 1.

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Tabela 1 – Ensaios de rotina por torre

Tipo Ensaio Quantidade

Estais Tração 100% das estacas

Mastros Compressão 1% das estacas

Tração 1 ensaio por bloco


Autoportantes
Compressão 1% das estacas

Assim como nos ensaios de convalidação/qualificação, os ensaios de


rotina devem ser realizados por equipes treinadas e qualificadas.

As etapas de ensaio são as mesmas adotadas nos ensaios de


convalidação/qualificação dispostas no item anterior. No entanto, os parâmetros
podem ser alterados da seguinte forma:

 Os incrementos máximos de carga não podem exceder a 20% da


carga de trabalho da estaca.

 A carga de acomodação deve ser a necessária para se retirar as


folgas do sistema, com base no ensaio de convalidação/qualificação.

 A carga de ensaio corresponde a, pelo menos, 100% da carga de


projeto.

 Podem ser realizados mais ciclos de carga, conforme análise do


projetista, para garantir a interação das hélices com o solo,
considerando que o deslocamento nos últimos ciclos analisados não
seja superior ao do limite indicado no procedimento.

As estacas helicoidais podem ser consideradas aprovadas ou liberadas


para receber a carga de trabalho, se as leituras de deslocamentos durante os
ensaios de rotina forem inferiores ao critério de aceitação descrito no
procedimento. Este valor deve ser definido em conjunto entre as equipes de
engenharia do proprietário e projetista.

Assim como nos ensaios de convalidação/qualificação, outros critérios de


ensaio, para estrutura do tipo Cross-hope, poderão ser avaliados pelo
projetista.

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11. Manutenção
Neste tópico são indicadas diretrizes para monitorar as estacas helicoidais
ao longo de sua vida útil.

a) Manual de monitoramento: Ao término de cada obra deve ser


encaminhado ao proprietário o manual de monitoramento das estacas,
constando providências e recomendações básicas, em termos de
inspeções periódicas e de manutenção a serem seguidas.

b) Instalação de estacas testemunho: Deverão ser instaladas estacas


testemunho com as mesmas características das estacas em uso. A
Tabela 2 referencia a quantidade mínima de estacas testemunho:

Tabela 2 – Estacas testemunho


Quantidade
Extensão do
Meio mínima de
empreendimento
estacas
Não agressivo 2
< 100 km
Agressivo 4
Não agressivo 3
< 250 km
Agressivo 6
Não agressivo 4
< 350 km
Agressivo 8
Não agressivo 5
< 500 km
Agressivo 10

Nota: São considerados solos agressivos aqueles que apresentam


uma ou mais das características a seguir:
 pH menor que 5,0;
 Resistividade menor que 1000 Ωcm;
 Potencial Redox menor que 50 mV;
 Solos com concentração de sulfatos maior que 1000 ppm;
 Solos com alto teor de matéria orgânica;
 Solos em aterros sanitários;
 Solos contendo resíduos de mineradoras.

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Estas estacas poderão ser retiradas para análise e reinstaladas no


mesmo lugar de acordo com a programação de manutenção do
manual de monitoramento. Sempre que uma estaca for verificada, um
relatório fotográfico deve ser feito, constando as perdas de massa e
espessura, sendo arquivado para posterior consulta.

Quando constatadas patologias, podem ser especificadas


metodologias e procedimentos adicionais de controle, instalação de
instrumentação, verificação de carga, bem como redução da
periodicidade de acompanhamentos. Os reparos necessários deverão
ser objetos de relatório ou projeto específico.

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Anexo A – Modelo de Boletim de Instalação


Empresa Instaladora Boletim de instalação Cliente
Dados da obra

LT: Circuito:

Torre: Tipo de torre: Estaiada Autoportante Nº da torre:

Dados dos equipamentos especificos


Torque máximo (lbf.ft) Rotação máxima (rpm) Torque máximo (lbf.ft) Certificado calibração
Rotor
Torquímetro
hidráulico Nº

Dados da Estaca

Fabricante: Haste tipo: Tubular circular Maciça quadrada

Torque estrutural (lbf.ft): Torque mínimo de instalação (lbft.ft):

Apontamento da instalação

Data: ___/___/___ ___/___/___ ___/___/___ ___/___/___ Posição da estaca na torre


Início: Início: Início: Início:

Hora: Término: Término: Término: Término:

Ocorreu
Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não
chuva ?
Comprimento Estaca E1 Estaca E2 Estaca E3 Estaca E4
(m) Torque (lbf.ft) Torque (lbf.ft) Torque (lbf.ft) Torque (lbf.ft)

1 Ocorrências durante a instalação

2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
Afloramento
(m)
Inclinação (°`)

Data: Visto:
Prenchido por:
Data: Visto:
Fiscalização:

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Anexo B – Modelo de Boletim de Ensaio


Empresa ensaio Boletim de ensaio Cliente

Dados da Obra

LT: Circuito:

Torre: Tipo de torre: Estaiada Autoportante Nº da torre: Tipo do ensaio: Tração Compressão

Dados dos equipamentos específicos

Área do cilindro (cm²) Código Código


Carga máxima (tf) Calibração
Conjunto hidráulico Deflectômetro
Calibração Calibração

Apontamento do ensaio

Data do Ensaio: _____/_____/_____ _____/_____/_____ _____/_____/_____ _____/_____/_____


Início : : : :
Hora do ensaio
Término : : : :

Ocorreu chuva durante o ensaio? Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não

Pressão Tempo ESTACA E1 ESTACA E2 ESTACA E3 ESTACA E4


Ciclo Carga (tf) % Carga
(kgf/cm²) (min.) L1 (mm) L2 (mm) Média L1 (mm) L2 (mm) Média L1 (mm) L2 (mm) Média L1 (mm) L2 (mm) Média
Ajuste XX% 0

0% 0
0
20%
1
0
40%
1

0
60%
1
0
80%
1
1 0
100%
5
0
80%
1

0
60%
1
0
40%
1
0
20%
1
0
40%
1

0
60%
1

0
80%
1
0
100%
5
0
2 80%
1

0
60%
5

0
40%
1
0
20%
1
0
0%
1
Observações:

Data: Visto:
Preenchido por:

Data: Visto:
Fiscalização:

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