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23/10/2020 Instrumentos de pesquisa científica qualitativa: vantagens, limitações, fidedignidade e confiabilidade

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Trabalhos acadêmicos urgentes
Instrumentos de pesquisa científica qualitativa:
vantagens, limitações, fidedignidade e confiabilidade
Los instrumentos de investigación científica cualitativa: ventajas, limitaciones, veracidad y confiabilidad
Mestre em Ciências da Motricidade. Universidade Estadual Paulista (UNESP, Rio Claro, SP)
Especialista em Pedagogia do Esporte Escolar. Universidade Estadual
de Campinas (UNICAMP, Campinas, SP). Especialista em Ciência André Luís Ruggiero Barroso
do Esporte. UNICAMP, Campinas, SP. Professor da Faculdade de Jaguariúna, SP al.barroso@uol.com.br
Professor da Rede Municipal de Ensino de Paulínia, SP (Brasil)
Participação em Grupo de Estudo: Laboratório de Estudos
e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física (LETPEF) / UNESP, Rio Claro, SP

Resumo
No trabalho de cunho científico há necessidade da utilização do instrumento de pesquisa adequado para a realização do estudo. O objetivo deste ensaio foi
de identificar algumas das vantagens e das limitações de determinados instrumentos de pesquisa utilizados em estudos de abordagem qualitativa, como também
apontar os aspectos referentes à fidedignidade e confiabilidade dos mesmos. Para tanto, foi realizada uma breve pesquisa bibliográfica, abordando os seguintes
instrumentos: observação, questionário, entrevista, formulário, escala social e teste, com o intuito de poder contribuir para que pesquisadores façam as escolhas
mais apropriadas para os seus respectivos estudos científicos.
Unitermos: Pesquisa científica qualitativa. Instrumentos de pesquisa. Vantagens e limitações. Fidedignidade. Confiabilidade.

EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 172, Septiembre de 2012. http://www.efdeportes.com/

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Introdução
A pesquisa científica apresenta determinados norteamentos para a sua realização. Uma simples pesquisa com um
número de pessoas para identificar a sua preferência em relação a certos produtos não significa dizer que se enquadra
em um estudo de cunho científico.

Há necessidade do cumprimento de itens e procedimentos para o trabalho caracterizar-se por um estudo científico.
Inicialmente defini-se o tema e a abordagem, podendo esta se caracterizar por quantitativa, qualitativa ou quanti-
qualitativa; em seguida a elaboração do problema, a justificativa e os objetivos gerais e específicos do estudo. A partir
do que se pretende pesquisar e do que se propõe no trabalho, define-se o método, bem como as técnicas e os
instrumentos de coletas de dados, que se apresentarão como o “caminho” e as “ferramentas” para o desenvolvimento
da pesquisa.

Conforme Duarte (2002, p. 140) “a definição do objeto de pesquisa assim como a opção metodológica constituem
um processo tão importante para o pesquisador quanto ao texto que se elabora no final”. Segundo a autora, as
conclusões de um estudo são possíveis devido aos instrumentos utilizados na coleta de dados e a interpretação dos
resultados obtidos, sendo que a descrição desses procedimentos, além de apresentar uma formalidade, permite aos
outros pesquisadores percorrerem o mesmo caminho da pesquisa e confirmarem as afirmações apontadas no estudo
inicial.

No desenvolvimento deste texto, a atenção será direcionada aos instrumentos de coleta de dados, utilizados
principalmente em pesquisas de abordagem qualitativa. Segundo Rudio (1986, p. 114) “chama-se de instrumento de
pesquisa o que é utilizado para a coleta de dados”, ou seja, é estabelecido efetivamente o que será utilizado no
desenvolvimento do estudo para a obtenção das informações pertinentes ao trabalho.

Uma análise dos instrumentos de pesquisa mostra-se interessante para a escolha do instrumento que se encaixa de
maneira mais apropriada em relação ao estudo a ser executado, fazendo com que o pesquisador possa realizar a
opção correta para o desenvolvimento do seu trabalho, podendo identificar quais os possíveis fatores positivos e
negativos inerentes ao instrumento de pesquisa a ser utilizado.

Assim, o objetivo deste ensaio foi de identificar algumas das vantagens e das limitações de determinados
instrumentos de pesquisa utilizados em estudos de abordagem qualitativa, como também apontar os aspectos

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referentes à fidedignidade e confiabilidade dos mesmos. Para tanto, foi realizada uma breve pesquisa bibliográfica,
abordando os seguintes instrumentos: observação, questionário, entrevista, formulário, escala social e teste.

Vantagens e limitações dos instrumentos de pesquisa

Marconi e Lakatos (2003, p. 190) definem observação como “uma técnica de coleta de dados para conseguir
informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e
ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se desejam estudar”.

Gil (1999) destaca que na observação os fatos são percebidos de forma direta, sem que haja qualquer tipo de
intermediação, sendo considerada uma vantagem, em comparação aos demais instrumentos.

Segundo Gil (1999, p. 111) e Marconi e Lakatos (2003, p. 191-192) a observação apresenta as seguintes vantagens
e limitações:

a. Vantagens – possibilita meios diretos e satisfatórios para estudar uma ampla variedade de fenômenos; propicia
a coleta de dados sobre um conjunto de atitudes comportamentais; permite obter dados não contemplados em
questionários e entrevistas.

b. Limitações – a presença do pesquisador pode provocar alterações no comportamento dos observados; os


acontecimentos podem ocorrer simultaneamente, dificultando a coleta dos dados; fatores imprevistos podem
interferir na tarefa do pesquisador; algumas informações podem não ser acessíveis ao pesquisador.

Gil (2002) apresenta uma definição de questionário, entrevista e formulário, facilitando a distinção entre os
mesmos:

Por questionário entende-se um conjunto de questões que são respondidas por escrito pelo
pesquisado. Entrevista, por sua vez, pode ser entendida como a técnica que envolve duas pessoas numa
situação “face a face” e em que uma delas formula questões e a outra responde. Formulário, por fim,
pode ser definido como a técnica de coleta de dados em que o pesquisador formula questões
previamente elaboradas e anota as respostas (GIL, 2002, p. 115).

Marconi e Lakatos (2003, p. 201) definem questionário como sendo “um instrumento de coleta de dados,
constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do
entrevistador”.

Conforme Marconi e Lakatos (2003, p. 201-202) e Gil (1999, p. 128-129) pode-se apontar vantagens e limitações
no uso de questionários:

a. Vantagens – atinge grande número de pessoas simultaneamente; abrange uma extensa área geográfica;
economiza tempo e dinheiro; não exige o treinamento de aplicadores; garante o anonimato dos entrevistados,
com isso maior liberdade e segurança nas respostas; permite que as pessoas o respondam no momento em
que entenderem mais conveniente; não expõe o entrevistado à influência do pesquisador; obtém respostas
mais rápidas e mais precisas; possibilita mais uniformidade na avaliação, em virtude da natureza impessoal do
instrumento; obtém respostas que materialmente seriam inacessíveis.

b. Limitações – pequena quantidade de questionários respondidos; perguntas sem respostas; exclui pessoas
analfabetas; impossibilita o auxílio quando não é entendida a questão; dificuldade de compreensão pode levar
a uma uniformidade aparente; o desconhecimento das circunstâncias em que foi respondido pode ser
importante na avaliação da qualidade das respostas; durante a leitura de todas as questões, antes de
respondê-las, uma questão pode influenciar a outra; proporciona resultados críticos em relação à objetividade,
pois os itens podem ter significados diferentes para cada sujeito.

Gil (1999, p. 117) conceitua a entrevista como “uma forma de interação social. Mais especificamente, é uma
forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de
informação”.

Para Marconi e Lakatos (2003, p. 198) e Gil (1999, p. 118-119) as vantagens e limitações da entrevista baseiam-se
em:

a. Vantagens – não exige que a pessoa entrevistada saiba ler e escrever; oferece flexibilidade, pois o
entrevistador pode esclarecer o significado das perguntas e adaptar-se mais facilmente às pessoas e às
circunstâncias em que se desenvolve a entrevista; possibilita captar a expressão corporal do entrevistado, bem
como a tonalidade de voz e ênfase nas respostas; há possibilidades de conseguir informações mais precisas,

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podendo ser comprovadas, de imediato, as discordâncias; possibilita a obtenção de dados referentes aos mais
diversos aspectos da vida social, como também a obtenção de dados em profundidade acerca do
comportamento humano; os dados obtidos são suscetíveis de classificação e de quantificação.

b. Limitações – os custos com o treinamento de pessoal e para aplicação das entrevistas; pequeno grau de
controle referente a uma situação de coleta de dados; geralmente ocupa muito tempo; incompreensão do
entrevistador sobre o significado das perguntas; a falta de motivação do entrevistado para responder as
perguntas; inadequada compreensão do entrevistado do significado das perguntas; inabilidade ou mesmo
incapacidade do entrevistado para responder adequadamente; disposição do entrevistado em fornecer as
informações necessárias; influência exercida, consciente ou inconscientemente, pelo pesquisador, devido ao
seu aspecto físico, suas atitudes, idéias, opiniões, etc.; fornecimento de repostas falsas ou retenção de dados
importantes receando que a identidade do entrevistado seja revelada.

Duarte (2002), em seu estudo acerca de algumas dificuldades encontradas pelos pesquisadores no trabalho de
campo em pesquisas qualitativas, apresenta também os tópicos referentes à entrevista:

a necessidade de estipular critérios para a delimitação dos sujeitos da pesquisa;

a definição do número de entrevistados;

a falta de familiaridade do entrevistador com o instrumento de pesquisa;

ter o cuidado de não induzir, na pergunta, a resposta do entrevistado;

a explicação demasiada da pergunta pode acabar dizendo o que se espera na resposta;

dificuldade de se obter respostas condizentes com os objetivos da pergunta;

ocorre o risco de a pesquisa perder o foco central, voltando-se para divagações, reclamações e/ou troca de
experiências entre o entrevistado e o pesquisador;

o volume do material coletado, dificultando o processo de análise.

Em relação ao formulário, segundo Marconi e Lakatos (2003, p. 212) “é o contato face a face entre pesquisador e
informante, sendo o roteiro de perguntas preenchido pelo pesquisador no momento da entrevista”. Segundo Gil
(2002) o formulário, como instrumento de pesquisa, encontra-se entre o questionário e a entrevista, sendo indicado
para pesquisas de opinião pública e de mercado.

Marconi e Lakatos (2003, p. 212-213) apontam as vantagens e as limitações em relação ao formulário:

a. Vantagens – pode ser utilizado em todos os segmentos da população; a presença do pesquisador favorece o
esclarecimento de eventuais dúvidas; flexibilidade para ajustar as necessidades da situação; consegue extrair
dados complexos; facilita a aquisição de um número representativo de participantes; possibilidade de uma
uniformidade nos símbolos utilizados no momento do preenchimento.

b. Limitações – oferece menos liberdade nas respostas, devido ao contato com o entrevistador; oferece risco de
distorções por parte do entrevistador; pouco tempo para os entrevistados pensarem na resposta; pode haver
insegurança nas respostas devido à identificação do informante; os participantes podem estar em localidades
distantes, gerando dificuldade quanto ao tempo e ao gasto financeiro.

Ainda apresentam-se outros instrumentos, como as escalas sociais e o teste como possibilidades de utilização para
estudos científicos. Conforme Gil (1999, p. 139) “escalas sociais são instrumentos construídos com o objetivo de medir
a intensidade das opiniões e as atitudes da maneira mais objetiva possível”. Para o autor, a principal dificuldade desse
tipo de instrumento é a necessidade de transformação de fatos vistos como qualitativos em fatos quantitativos. São
exemplos de escalas sociais: escalas de graduação, escalas de distância social, escala de Likert, diferencial semântico.

Em relação aos testes, são instrumentos muito requisitados em pesquisas com abordagem quantitativa, entretanto,
também têm sido utilizados em pesquisas de cunho social, assim conceitua-se o teste psicológico “como uma situação
experimental que serve de estímulo a um comportamento” (GIL, 1999, p. 150). Segundo o autor, os testes mais
adotados na pesquisa social são de dois tipos: projetivo (visual, verbal, gráfico, lúdico) e sociométrico.

Fidedignidade e confiabilidade dos instrumentos de pesquisa

Para qualquer instrumento de pesquisa utilizado no estudo há necessidade de um pré-teste ou teste piloto,
procurando verificar se ele apresenta os elementos: fidedignidade – obter os mesmos resultados, independente de

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quem o aplica; validade – analisar se todos os dados recolhidos são necessários à pesquisa ou se nenhum dado
importante tenha ficado de fora durante a coleta; operatividade – verificar se o vocabulário apresenta-se acessível e
se está claro o significado de cada questão (MARCONI e LAKATOS, 2003).

Gil (2002) corrobora com a ideia da importância de testar cada instrumento, com o intuito de: “(a) desenvolver os
procedimentos de aplicação; (b) testar o vocabulário empregado nas questões; e (c) assegurar-se de que as questões
ou as observações a serem feitas possibilitem medir as variáveis que se pretende medir” (p. 132).

Para Marconi e Lakatos (2003), por meio do teste piloto, pode ocorrer: estimativa dos resultados, alteração das
hipóteses, modificação das variáveis, como também a relação entre as mesmas; desta forma, oferecendo maior
segurança e precisão para o desenvolvimento da pesquisa.

Após a elaboração das questões, uma possibilidade para verificar se as mesmas estão condizentes com o que se
pretende coletar de dados, trata-se do encaminhamento destas questões por parte do pesquisador aos seus pares,
solicitando que estes a avaliem.

Marconi e Lakatos (2003) ressaltam que o pré-teste é aplicado em uma amostra reduzida e esses participantes não
deverão fazer parte da amostra final, quando efetivamente serão analisados os resultados coletados para a realização
do estudo. Gil (2002) corrobora com essa questão, indicando que o teste piloto deve ter a participação da população o
mais similar possível daquela que efetivamente constará na pesquisa.

Ainda nesta linha de raciocínio, Gil (1999) ressalta que, no instrumento da entrevista, os participantes deverão
dispor de um tempo maior, pois após a aplicação das questões, o pesquisador deverá conversar com o informante
sobre as perguntas de forma geral, por exemplo: se está claro o enunciado, se o entendimento está facilitado, se há
perguntas muito parecidas, se há algum tipo de indução na pergunta direcionando para determinada resposta, como
também obter informações referente à postura do próprio entrevistador.

Duarte (2002), também tratando especificamente de entrevista, aponta a necessidade de o pesquisador avaliar a
aplicação das questões, ao ouvir as gravações realizadas no teste piloto. Conforme a autora esse é um tipo de
aprendizado que somente é adquirido por meio da repetição e da autocorreção.

Duarte (2002) ao citar Armstrong et al. (1997) também destaca que o “material bruto”, ou seja, tudo que foi
coletado nas gravações e transcrito, bem como os procedimentos para colhê-los, deva ficar disponível a outros
pesquisadores que não participaram do estudo, possibilitando uma validação dos resultados apresentados no trabalho.

Considerações finais

Para a realização de qualquer tipo de estudo científico é determinante identificar qual(is) o(s) instrumento(s) de
pesquisa adequado(s) para o desenvolvimento do trabalho. Este ensaio se propôs a apontar determinadas
características de alguns instrumentos utilizados em pesquisas de abordagem qualitativa, mais especificamente
identificando vantagens e limitações, fidedignidade e confiabilidade dos instrumentos de observação, questionário,
entrevista, formulário, escala social e teste, com o intuito de poder contribuir para que pesquisadores façam as
escolhas mais apropriadas para os seus respectivos estudos científicos.

Referências

DUARTE, R. Pesquisa qualitativa: reflexões sobre o trabalho de campo. Caderno de Pesquisa, n. 115, p. 139-
154, março/2002.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

______. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa científica. Petrópolis: Vozes, 1986.

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