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Onze Versos Sobre a Autoinvestigação - Sadhu Om

Templo Arunachaleswara, Tiruvannamalai

Jnana é uma palavra sânscrita que significa conhecimento, e Jnani com o "i" no fim, significa
aquele que tem Jnana, que é conhecimento. Não é o conhecimento comum de coisas, objetos,
fenómenos, é o conhecimento de quem ou o que nós realmente somos. Na Índia, quem esteja nesse
estado é reverenciado como sendo alguém que chegou ao objetivo último da vida, e que de uma
certa maneira tornou-se um com Deus. Ele transcendeu o seu sentido individual de identidade e
tornou-se um com o Substrato que subjaz a tudo." - David Godman

Sri Sadhu Om, às vezes chamado Sri Sadhu Om Swamigal pelos seus amigos e admiradores, foi um
poeta, autor e discípulo direto de Ramana Maharshi. Outros discípulos diretos de Ramana
consideravam-no uma autoridade genuína em relação aos ensinamentos de Ramana, e o seu livro
sobre a Autoinvestigação é frequentemente tomado como o livro-texto definitivo sobre essa prática
ensinada por Ramana Maharshi. Ele foi o executor literário de Muruganar e traduziu e editou
vários trabalhos em colaboração com Michael James.

Os livros mais conhecidos de Sri Sadhu Om são: A Light on the Teaching of Bhagavan Sri Ramana
Maharshi (Sādhanai Sāram - Essence of Spiritual Practice) e The Path of Sri Ramana

Atma Vichara Patikam


(Onze Versos Sobre A Autoinvestigação)
por Sri Sadhu Om

1. Pensar é uma modificação mental (Vritti). Ser não é nenhuma modificação mental! Se você
investigar "Quem pensa?", todo o processo de pensamento chegará ao fim! Quando os
pensamentos não existem, você deixa de existir? Permanecer assim, na Fonte de todos os
pensamentos é o estado de Autorrealização (Nishtha)! Seja!

2. Aquele que pensa é a alma individual (Jiva); aquele que (simplesmente) é, é o Supremo
(Brahman)! Se o pensador pensar com grande amor Naquele que é, este mesmo pensamento, este
amor de Ser, tornar-se-á o pensamento liberto de todos os restantes pensamentos, e aquele
pensamento que matará todo o processo de pensamento. Quando o pensador morre, assim como
todos os seus pensamentos, aquilo que sobrevive é a união com o Supremo (Shiva-sayujyam)!

3. Aquele que pensa "Eu sou o fulano tal e tal", é ele mesmo apenas mais um pensamento. De
entre todos os pensamentos, o pensamento "Eu sou fulano tal e tal" é o primeiro. O Jiva (alma
individual) que pensa "Eu sou o fulano tal e tal" é apenas o nosso reflexo. Porque nós nunca
pensamos "eu sou o fulano tal e tal" quando brilhamos como Aquilo (o Supremo).

4. Este pensamento: "Eu sou o corpo", não existe durante o sono profundo. Este pensamento:"Eu
sou o corpo", também não existe no verdadeiro estado de Jnana. Já que ele surge e
posteriormente desaparece esse "Eu" (ego) é irreal. Portanto, este "Eu" é apenas um pensamento.

5. O aperfeiçoamento deste eu-pensamento, é de facto, a causa da miséria! Esse eu-pensamento é


o que nós chamamos de ego. É somente devido à não-investigação que este "Eu" (ego) surge e se
desenvolve! Se, em vez de ser creditado, ele for investigado assim: "O que realmente é este eu?",
ele desaparecerá, perdendo toda a sua existência.

6. A segunda e terceira pessoas (os objetos) apenas existem (como entidades separadas) por
causa da sua raiz, a primeira pessoa (o sujeito ou ego). Se a mente volúvel voltar a sua atenção
dos objetos para a primeira pessoa, a primeira pessoa acabará por tornar-se inexistente, e Aquilo
que realmente existe irá brilhar. Este indestrutível e verdadeiro Ser é Jnana.

7. Pensar na segunda e terceira pessoas (como entidades separadas) é pura tolice, pois é devido a
esses pensamentos de segunda e terceira pessoas que as atividades mentais (mano-vrittis) se
aperfeiçoam. Por outro lado, atender à primeira pessoa é igual a cometer-se suicídio, pois é
somente pela investigação sobre a primeira pessoa que o próprio ego vai morrer.

* Em alternativa: o ego vai morrer automaticamente.


8. Atender à segunda e terceira pessoas em vez de voltar a atenção para a primeira pessoa, é
uma atenção baseada na ignorância (Ajnana). Se você perguntar: "Mas não é a atenção voltada
para o ego uma atenção também baseada na ignorância? Então, por que devemos dar atenção a
este 'Eu' (a primeira pessoa, o ego)?", então escute:

9. A razão pela qual este "Eu" morre, quando investigado como: "Quem sou eu?" é a seguinte:
este eu-pensamento (ego) é um raio refletido do próprio Jnana (Ser), e somente ele (o eu-
pensamento) está diretamente conectado com o Ser (devido à consciência refletida que obtém do
Ser), enquanto todos os outros pensamentos não estão (diretamente conectados). Assim, quando
a atenção se aprofunda cada vez mais para dentro e ao longo deste raio "Eu", a sua dimensão
diminui cada vez mais, e quando o raio "Eu" morre, Aquilo que brilha como "Eu" é Jnana (Ser).

10. Não realize nenhuma ação pensando: "Isto deve ser feito por mim". Nada é realmente feito
por você, porque você é simplesmente nada! Portanto, ao saber disto, se você evitar o surgimento
do fazedor, tudo continuará sendo feito por Ele e a sua paz permanecerá imperturbável!

11. Ao examinar "O que é real?", nada no mundo será encontrado como sendo real. Somente o Ser
é real. Portanto, renunciemos a tudo e permaneçamos eterna e inabalavelmente como a
Realidade (Sat). Este é o único serviço entregue a nós por Sri Ramana, nosso eterno Senhor!

Sri Sadhu Om ॐ

The Path of Sri Ramana

Part One

The Jñana aspect of the teaching

By Sri Sadhu Om.

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