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ATUALIZAÇÕES – PROCESSO CIVIL – RECURSOS

# RECURSO EXTRAORDINÁRIO

➢ Sobrestamento dos processos no STJ quando houver reconhecimento de


Repercussão Geral no STF:

O art. 1.035, § 5º do CPC/2015 não determina a suspensão automática dos processos


cuja repercussão geral seja reconhecida, devendo esse entendimento ser aplicado aos
recursos especiais que impugnam acórdão publicado e com a repercussão geral
reconhecida na vigência do CPC/1973.

A orientação jurisprudencial consolidada na vigência do CPC/1973 (art. 543-B, § 1º, que


estabelecia a suspensão por conta da repercussão geral somente em segundo grau, não impondo
o sobrestamento dos recursos especiais, decorreu da inexistência de dispositivo que cuidasse
expressamente da obrigatoriedade ou não da suspensão devido à repercussão geral. O
CPC/2015 passou a reger a matéria no art. 1.035, § 5º, de modo que não se tem motivo para
tratar diversamente os casos de repercussão geral unicamente por conta da data da publicação
do acórdão recorrido, especialmente considerando a nova sistemática da matéria e a incidência
imediata das regras processuais, e de a repercussão geral ter sido reconhecida na vigência do
Código de Processo Civil anterior. No tocante à suspensão do processamento prevista no artigo
1.035, § 5º, do CPC/2015, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu a Questão de Ordem
no RE 966.177/RS, de relatoria do Min Luiz Fux, em 07/06/2017, destacando que não é
decorrência necessária do reconhecimento da repercussão geral, tendo o relator do recurso
extraordinário paradigma a faculdade de determinar ou não tal sobrestamento. Caso a lei quisesse
injungir a suspensão automática, bastaria prever que o reconhecimento da repercussão geral
impusesse a paralisação do trâmite de todos os processos pendentes relativos à matéria no
território nacional; ou ainda, dispor que o relator obrigatoriamente determinasse a suspensão, o
que não ocorreu. Ademais, o sobrestamento do trâmite de centenas ou de milhares de feitos por
todo o país, por tempo indefinido, não se coaduna com os princípios da eficiência e do acesso ao
Judiciário, especialmente quando há a possibilidade de o relator estipular a suspensão dos feitos
em que o andamento possa causar incerteza jurídica. (REsp 1.202.071-SP, Rel. Min. Herman
Benjamin, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 01/02/2019, DJe 03/06/2019) – Inf.
650.

# AGRAVO DE INSTRUMENTO

➢ HIPÓTESE DE CABIMENTO – AÇÃO DE EXIGIR CONTAS:

O recurso cabível contra decisão que julga procedente, na primeira fase, a ação de exigir
contas é o agravo de instrumento.

Ainda bastante controvertida tanto na doutrina como na jurisprudência a definição, à luz do Código
de Processo Civil de 2015, de qual o recurso cabível contra a decisão que julga procedente, na
primeira fase, a ação de exigir contas (arts. 550 e 551), condenando o réu a prestar as contas
exigidas. O novo Código, aprimorando a técnica do anterior, ao se referir a uma decisão, deixou
mais claro que poderá não haver sentença, como sucede quando a ação de exigir contas é
julgada procedente na primeira fase, para ter prosseguimento ainda. Na hipótese contrária, ou
seja, se a decisão der pela improcedência da ação de exigir contas, aí sim teremos uma sentença
pondo fim ao processo, inclusive com aplicação de ônus sucumbenciais. Então, na primeira
hipótese, ter-se-á uma decisão que desafia agravo de instrumento; na segunda hipótese é que a
decisão atrairia apelação. (REsp 1.680.168-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd. Min. Raul
Araújo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 09/04/2019, DJe 10/06/2019) – Inf. 650.
➢ HIPÓTESES DE CABIMENTO – CRITÉRIOS PARA IDENTIFICAÇÃO:

Em se tratando de decisão interlocutória com duplo conteúdo é possível


estabelecer como critérios para a identificação do cabimento do recurso: (i) o
exame do elemento que prepondera na decisão; (ii) o emprego da lógica do
antecedente-consequente e da ideia de questões prejudiciais e de questões
prejudicadas; (iii) o exame do conteúdo das razões recursais apresentadas pela
parte irresignada.

No caso, a controvérsia se dá no cabimento de agravo de instrumento decorrente de


pronunciamento jurisdicional que admite ou inadmite a intervenção de terceiro e que, em
virtude disso, modifica ou não a competência, em virtude da natureza complexa, pois
reúne, na mesma decisão judicial, dois conteúdos que, a despeito de sua conexão, são
ontologicamente distintos e suscetíveis de inserção em compartimentos estanques. Para a
solução, o primeiro critério que se pode fixar diz respeito a preponderância de carga
decisória, ou seja, qual dos elementos que compõem o pronunciamento judicial é mais
relevante. A partir desse critério, conclui-se que a intervenção de terceiro exerce relação de
dominância sobre a competência, sobretudo porque, na hipótese, somente se pode cogitar
de uma alteração de competência do órgão julgador se – e apenas se – houver a admissão
ou inadmissão do terceiro apto a provocar essa modificação. Daí decorre, inclusive, o
segundo critério que se pode estabelecer para solver a controvérsia, calcado na lógica do
antecedente-consequente e na ideia das questões prejudiciais e das questões prejudicadas
que se pode emprestar da própria ciência processual, em que se verifica se a primeira
matéria – intervenção de terceiro – influencia o modo de se decidir a segunda matéria –
competência. No ponto, conclui-se que a intervenção de terceiro é o antecedente que leva,
consequentemente, ao exame da competência, induzindo a um determinado resultado – se
deferido o ingresso do terceiro sujeito à competência prevista no art. 109, I, da Constituição
Federal, haverá alteração da competência para a Justiça Federal; se indeferido o ingresso
do terceiro sujeito à competência prevista no referido artigo, haverá manutenção da
competência na Justiça Estadual. É também relevante examinar o foco da irresignação da
parte agravante em suas razões recursais para que se conclua pela incidência do art. 1.015,
IX, do CPC/2015, ou seja, se a impugnação se dirige precipuamente para a questão da
intervenção de terceiro ou para a questão da competência. Por qualquer ângulo que se
examine a controvérsia, conclui-se que a decisão que versa sobre a admissão ou
inadmissão de terceiro é recorrível de imediato por agravo de instrumento fundado no art.
1.015, IX, do CPC/2015, ainda que da intervenção resulte modificação ou não da
competência, que, nesse contexto, é uma decorrência lógica, evidente e automática do
exame da questão principal. (REsp 1.797.991-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma,
por unanimidade, julgado em 18/06/2019, DJe 21/06/2019) Inf. 651.

➢ HIPÓTESES DE CABIMENTO – LIQUIDAÇÃO, EXECUÇÃO E CUMP. DE SENTENÇA:

Cabe agravo de instrumento contra todas as decisões interlocutórias proferidas na liquidação e no


cumprimento de sentença, no processo executivo e na ação de inventário.

As decisões interlocutórias proferidas na fase de conhecimento se submetem ao regime


recursal disciplinado pelo art. 1.015, caput e incisos do CPC/2015, segundo o qual apenas
os conteúdos elencados na referida lista se tornarão indiscutíveis pela preclusão se não
interposto, de imediato, o recurso de agravo de instrumento. Dessa forma, todas as demais
interlocutórias deverão aguardar a prolação da sentença, para que possam ser impugnadas
na apelação ou nas contrarrazões de apelação, observado, quanto ao ponto, a tese da
taxatividade mitigada fixada pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça por
ocasião do julgamento dos recursos especiais repetitivos nº 1.696.396/MT e 1.704.520/MT.
Para as decisões interlocutórias proferidas em fases subsequentes à cognitiva – liquidação
e cumprimento de sentença –, no processo de execução e na ação de inventário, o
legislador optou conscientemente por um regime recursal distinto. O art. 1.015, parágrafo
único, do CPC/2015 prevê que haverá ampla e irrestrita recorribilidade de todas as decisões
interlocutórias, quer seja porque a maioria dessas fases ou processos não se findam por
sentença e, consequentemente, não haverá a interposição de futura apelação, quer seja em
razão de as decisões interlocutórias proferidas nessas fases ou processos possuírem
aptidão para atingir, imediata e severamente, a esfera jurídica das partes. Tem-se, portanto,
que é absolutamente irrelevante investigar, nessas hipóteses, se o conteúdo da decisão
interlocutória se amolda ou não às hipóteses previstas no caput e incisos do art. 1.015 do
CPC/2015. REsp 1.803.925-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Corte Especial, por unanimidade,
julgado em 01/08/2019, DJe 06/08/2019 – Inf. 653.