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TATIANA AMÉLIA VALENTE MALEWSCHIK

O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NA POLÍTICA DE


ASSISTENCIA SOCIAL DURANTE A PANDEMIA DO
CORONAVÍRUS:
INCERTEZAS E DESAFIOS

Curitiba
2020
TATIANA AMÉLIA VALENTE MALEWSCHIK

O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NA POLÍTICA DE


ASSISTENCIA SOCIAL DURANTE A PANDEMIA DO
CORONAVÍRUS:
INCERTEZAS E DESAFIOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à faculdade Estácio de Ribeirão Preto, como
requisito parcial para a obtenção do título de
graduado em Serviço Social.

Orientadora: Taciana Lopes Betholino

Curitiba
2020
TATIANA AMÉLIA VALENTE MALEWSCHIK

O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NA POLÍTICA DE


ASSISTENCIA SOCIAL DURANTE A PANDEMIA DO
CORONAVÍRUS: INCERTEZAS E DESAFIOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à faculdade Estácio de Ribeirão Preto, como
requisito parcial para a obtenção do título de
graduado em Serviço Social.

Orientadora: Taciana Lopes Betholino.

BANCA EXAMINADORA

Prof(a). Titulação Nome do Professor(a)

Prof(a). Titulação Nome do Professor(a)

Prof(a). Titulação Nome do Professor(a)

Curitiba, dia de mês de 2020


MALEWSCHIK, Tatiana Amélia Valente. O trabalho do assistente social na
política de assistência social durante a pandemia do Coronavírus: Incertezas e
desafios. 2020. 36 folhas. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Serviço
Social) – Faculdade Estácio de Ribeirão Preto, Curitiba, Paraná.

RESUMO

As consequências da pandemia mundial do novo Coronavírus que atingiu o mundo


no ano de 2020 agravou a questão social brasileira, afetando intensamente o
Sistema Único da Assistência Social - SUAS, voltando a Política de Assistência
Social para uma dinâmica de atendimentos mais pontuais e imediatos, remetendo a
uma cultura do assistencialismo. O momento trouxe à pauta discussões a respeito
do trabalho do assistente social, sua autonomia e atuação profissional mesmo ligado
a uma política pública, numa atuação fortemente direcionada para os benefícios
eventuais e emergenciais, sem a possibilidade de planejamento necessário ao
trabalho para superação da situação de vulnerabilidade social. Pretende-se neste
discutir o trabalho do assistente social durante a pandemia e o reflexo na
operacionalização da Política de Assistência Social, tratando do agravamento da
questão social brasileira durante a pandemia do Coronavírus e como esse momento
afetou a política pública de Assistência Social e a atuação do assistente social no
SUAS. Como subsidio da análise foi utilizada uma pesquisa desenvolvida IPARDES
e SEJUF sobre a percepção dos trabalhadores do SUAS durante a pandemia do
Coronavírus no Estado do Paraná. Os resultados demonstraram que o momento da
pandemia afetou fortemente a rotina dos trabalhadores do SUAS entre as incertezas
e inseguranças e a missão de atender os usuários.

Palavras-chave: Assistência Social; Coronavírus; Questão Social; Pandemia;


Política Pública.
MALEWSCHIK, TATIANA AMÉLIA VALENTE. O TRABALHO DO ASSISTENTE
SOCIAL NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DURANTE A PANDEMIA DO
CORONAVÍRUS: INCERTEZAS E DESAFIOS. 2020. 36 folhas. Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação em Serviço Social) – Faculdade Estácio de
Ribeirão Preto, Curitiba, Paraná.

ABSTRACT

The consequences of the global pandemic of the new Coronavirus that hit the world
in the year 2020 aggravated the Brazilian social issue, intensely affecting the Unified
Social Assistance System - SUAS, turning the Social Assistance Policy to a dynamic
of more specific and immediate assistance, rout to a culture of charity. The moment
reflect to the agenda discussions about the work of the social worker, his autonomy
and professional performance even linked to public policy, in a performance strongly
directed to the eventual and emergency benefits, without the possibility of planning
necessary to work to overcome the situation of social vulnerability. The purpose of
this paper is to discuss the work of the social worker during the pandemic and the
reflection on the execution of the Social Assistance Policy, dealing with the aggravate
of the Brazilian social issue during the Coronavirus pandemic and how this moment
affected the public social assistance policy and the performance of the social worker
at SUAS. As a subsidy of the analysis, a research developed by IPARDES and
SEJUF on the perception of SUAS workers during the Coronavirus pandemic in the
State of Paraná was used. The results present that the time of the pandemic strongly
affected the routine of SUAS workers between uncertainties and insecurities and the
mission of serving users.

Key-words: Social Assistance; Coronavirus; Social Issues; Pandemic; Public Policy.


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CADÚNICO Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal


CFP Conselho Federal de Psicologia
CFESS Conselho Federal de Serviço Social
CRAS Centro de Referência da Assistência Social
CREAS Centro de Referência Especializado da Assistência Social
CRESS Conselho Regional de Serviço Social
CRP Conselho Regional de Psicologia
EPI Equipamentos de Proteção Individual
EPC Equipamentos de Proteção Individual
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IPARDES Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social
IPEA Instituto de Pesquisa Aplicada
LOAS Lei Orgânica da Assistência Social
NOB/RH Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS
NOB/SUAS Norma Operacional Básica do SUAS
ONG Organização Não Governamental
PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
PNAS Política Nacional de Assistência Social
SEJUF Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho
SUAS Sistema Único da Assistência Social
10

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 11

2. A PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS E A INFLUÊNCIA NA QUESTÃO


SOCIAL BRASILEIRA ......................................ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.

3. A POLÍTICA PÚBLICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO BRASIL E AS


CONSEQUÊNCIAS IMEDIATAS DO MOMENTO HISTÓRICO
PANDÊMICO..............................................................................................................Er
ro! Indicador não definido.

4. A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL EM MEIO AOS DESAFIOS E


INCERTEZAS DA
PANDEMIA..................................................................................Erro! Indicador não
definido.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 32

6. REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 34
11

INTRODUÇÃO

A pandemia de Coronavírus que atingiu o mundo no ano de 2020 trouxe


consigo diversas consequências sociais e econômicas. No Brasil, muitas questões
sociais se agravaram, entre elas o aumento do desemprego, perda da renda dos
trabalhadores informais, maior dificuldade de acesso à geração de renda e
qualificação profissional. Essa mudança brusca na dinâmica social afetou
intensamente o Sistema Único da Assistência Social - SUAS, voltando a Política de
Assistência Social para uma dinâmica de atendimentos mais pontuais e imediatos,
remetendo a uma cultura do assistencialismo.
Os desafios do trabalho do assistente social no Brasil são tratados em
diversas obras de grandes autores do serviço social como Yolanda Guerra, Marilda
Iamamoto, José Paulo Netto, entre outros; E foram se alterando ao longo das
décadas e diante das diferentes demandas históricas, desde a regulamentação da
profissão e criação do código de ética do assistente social, bem como suas
posteriores alterações. Entre as principais características desses desafios estão:
lidar com as questões da pauperização da população atendida, das desigualdades
sociais e da falta de acesso a direitos sociais como moradia, trabalho, acesso aos
benefícios sociais garantidos pela constituição, entre outros.
Enfrentar uma pandemia mundial trouxe à pauta discussões a respeito do
trabalho do assistente social, sua autonomia e atuação profissional mesmo ligado a
uma política pública, numa atuação fortemente direcionada para os benefícios
eventuais e emergenciais do momento enfrentado, porém sem o planejamento
necessário ao trabalho e superação da situação de vulnerabilidade social, sendo,
portanto assunto de suma relevância para discussão sobre o processo de trabalho e
o serviço social, principalmente em sua dimensão técnico-operativa.
Como objetivo geral, pretende-se discutir o trabalho do assistente social
durante a pandemia e o reflexo na operacionalização da Política de Assistência
Social – PNAS. Os objetivos específicos serão divididos conforme os três capítulos
objetivando discutir no primeiro momento como e em que medida, o momento
histórico da pandemia elevou a desigualdade social brasileira, agravando a questão
social. Em seguida, como a situação pandêmica afetou a política pública de
Assistência Social; E por fim, como este momento trouxe à pauta a discussão da
12

atuação do assistente social no SUAS e a questão contraditória entre assistência x


assistencialismo.
Como subsidio dessa análise foi utilizada uma pesquisa desenvolvida pelo
Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social - IPARDES e
Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho - SEJUF sobre a percepção dos
trabalhadores do SUAS durante a pandemia do Coronavírus no Estado do Paraná, e
aqui será tratado de um recorte específico dos profissionais assistentes sociais
atuando na política de assistência social.
Os resultados demonstraram que o momento da pandemia afetou fortemente
a rotina dos trabalhadores do SUAS, gerando incertezas e inseguranças entre a
missão de atender os usuários e as dificuldades de estar exposto ao possível
contágio da nova doença.
13

2. A PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS E A INFLUÊNCIA NA QUESTÃO


SOCIAL BRASILEIRA.

A pandemia do Coronavírus que atingiu o mundo no ano de 2020 trouxe


consigo diversas consequências sociais e econômicas (LÓPEZ, 2020). Segundo o
consórcio de veículos da imprensa brasileira1. O Brasil está entre os países mais
afetados pelo novo Coronavírus, os números de infectados e mortos mantiveram
uma crescente durante os meses após o primeiro caso, chegando ao segundo lugar
no ranking mundial em número de infectados e mortos (ESTADÃO, 2020). Isto se
deu tanto devido ao método de controle adotado pelos governos federal e de alguns
estados, tratando a economia como fator prioritário durante a pandemia, com pouca
organização na disponibilização de auxílios à população e empresas, fazendo com
que a população cada vez mais deixasse o isolamento e o distanciamento social
para buscar sua subsistência; Quanto pela forma de tratamento da pandemia,
ocultando o cenário de contaminação através da maneira de divulgação de dados, e
da postura de governantes frente à gravidade do vírus, minimizando suas
consequências e dando margem para o pensamento negacionista da situação.
Um dos auxílios disponibilizados pelo governo federal brasileiro num formato
de renda mínima, chamado de auxílio emergencial no valor de R$600,00 reais
equivalente a pouco mais de ½ salário mínimo, não atingiu de imediato toda a
população necessitada. Segundo dados do Senado Federal em maio de 2020, das
96 milhões de solicitações logo no início do lançamento do programa em março,
cerca de 50,5 milhões de pessoas foram aprovadas para recebimento do auxílio
(SENADO FEDERAL, 2020).
O auxílio emergencial foi composto inicialmente por três parcelas de
seiscentos reais, buscando atender pessoas que perderam a renda, principalmente
autônomos e pessoas desempregadas sem acesso ao seguro desemprego. Em
seguida com o prolongamento da Pandemia e suas conseqüências sociais e
econômicas, através do Decreto nº 10.316 de 07 de abril de 2020 o auxílio foi
prorrogado por mais 2 meses. Em 02 de setembro foi decretada nova medida

1
O consórcio de veículos de imprensa é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação,
que uniram forças para coletar junto às secretarias estaduais de Saúde e divulgar os números totais
de mortos e contaminados. A iniciativa inédita foi uma resposta à decisão do governo federal de
restringir o acesso a dados sobre a pandemia.
14

provisória nº 1.000/2020, regulamentadas pelo decreto 10.488 de 16 de setembro de


2020 para estender o auxílio por mais quatro meses, porém com valor reduzido para
metade do inicial, e alterando também o valor recebido por quem já havia requisitado
anteriormente.
As famílias monoparentais com mães responsáveis poderiam receber até
duas cotas do auxílio, bem como famílias compostas por dois adultos que perderam
suas rendas também poderiam receber duas cotas, uma para cada CPF. Porém
foram poucos os casos em que o benefício foi acessado de forma integral por todos
os solicitantes (PORFÍRIO, 2020).
A falta de acesso se deu principalmente devido a dificuldade dos meios
disponibilizados para tal, em que a solicitação deveria ser realizada em aplicativo
incluindo os dados familiares. O recurso foi operacionalizado pela Caixa Econômica
Federal, instituição financeira2 que geralmente operacionaliza os programas sociais
do governo federal brasileiro. O grande volume de solicitações imediatamente após
o lançamento do benefício fez com que os sistemas já ficassem indisponíveis e
muitas pessoas sequer conseguiram solicitar o auxílio em um primeiro momento. O
tempo de análise também se estendeu por até meses após a solicitação não dando
uma resposta a quem necessitava. Além disso, um grande volume de pessoas sem
direito ao benefício também realizou a solicitação, fazendo com que a análise dos
bancos de dados demorasse ainda mais para ser respondida, estendendo a espera
para recebimento por meses. (SENADO FEDERAL, 2020).
Outra questão não levada em consideração foi uma parcela da população
sem acesso sem acesso a tecnologia e internet. Segundo matéria da Folha de São
Paulo (2020), 70 milhões de brasileiros tem acesso precário á internet na pandemia
do Coronavírus. Desse modo, uma grande parcela da população teve maior
dificuldade para recorrer ao benefício, alguns buscado ir aos bancos ou Centros de
Referencia da Assistência Social – CRAS, para tentar acessar seus direitos, outros
nem mesmo tinham acesso, como algumas populações afastadas, ribeirinhas,
indígenas, entre outros.

2
A Caixa Econômica Federal - CEF é uma instituição financeira sob a forma de empresa pública,
criada nos termos do Decreto-Lei nº 759, de 12 de agosto de 1969, vinculada ao Ministério da
Fazenda, conforme Art. 1º, decreto 7.973/2013 - estatuto da CEF.
15

A política pública de assistência social foi diretamente atingida por este


impacto econômico. Sem acesso ao auxílio emergencial as famílias buscaram
massivamente os equipamentos da assistência social para receber qualquer auxílio
ou benefício, ou para tentar sanar seu problema em acessar o auxílio emergencial.
Além do mais, muitas pessoas sem o Cadastro Único para Programas Sociais -
CADÚNICO foram em busca do mesmo, pois estar no CADÚNICO foi uma forma
mais simples de acessar o auxílio ou mesmo o programa bolsa família3. Isso gerou
uma expansão nos atendimentos e um risco de contágio elevadíssimo para os
trabalhadores da política de assistência social e descaracterizou todo um trabalho na
superação do caráter paliativo e burocratizado do exercício profissional.
Segundo IAMAMOTO (2001, P.18) a profissão do assistente social “se
configura e se recria no âmbito das relações que estabelecem limites e
possibilidades ao exercício profissional. Inscrito na divisão social e técnica do
trabalho e nas relações de propriedades que a sustenta”. Estes limites ficaram muito
claros no período de pandemia.
Uma revisão no auxílio, dois meses após o início da pandemia disponibilizou
para cerca de mais 9 milhões de brasileiros, chegando a 65,3 milhões de atendidos 4.
Os que tiveram acesso com mais facilidade ao beneficio eram os beneficiários do
programa bolsa família, que foi suspenso automaticamente e migrou para o auxílio,
beneficiando 14,28 milhões de famílias em todo o País (GOV.BR,2020).
O momento histórico desvelou ainda mais a desigualdade social brasileira e a
questão social fortemente presente no País. A ampla extensão territorial e o histórico
de grande desigualdade social e diferenças culturais também contribuiu para o
índice de um dos países mais afetados.
A população mais vulnerável não teve inicialmente o mesmo acesso ao
distanciamento ou isolamento social como as classes média e alta. A falta de acesso
as políticas sociais de renda, moradia digna, saneamento, entre outros, são fatores
que influenciaram diretamente na prevenção ao contágio com o vírus desses grupos,
quando o fator subsistência se sobrepôs a proteção da saúde.

3
O Programa Bolsa Família (PBF) é um programa de transferência condicional de renda que integrou
o programa “Fome Zero” aos antigos programas implantados no Governo FHC: O “Bolsa Escola", o
"Auxílio Gás" e o "Cartão Alimentação".
4
agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2020-07/auxilio-emergencial-653-milhoes-de-brasileiros-
recebem-4a-parcela.
16

Esse é um significativo ponto das expressões da questão social. Segundo


NETTO (2001) a questão social está intimamente vinculada ao sistema capitalista de
produção, no qual se refletem as expressões das desigualdades sociais,
provenientes da relação entre capital e trabalho. Assim, os mais pobres e
vulneráveis precisavam manter os serviços básicos e fontes de geração de renda
dos mais ricos funcionando, enquanto os detentores dos meios de produção podiam
se proteger coordenando o funcionamento do capitalismo à distância, pressionavam
a classe trabalhadora a se arriscar para manter seus salários e consequentemente o
lucro dos donos.
Apesar dos avanços das políticas sociais após a constituição de 1988, as
políticas sociais ainda são fragmentadas e insuficientes para garantia da proteção
social integral ao cidadão, como bem analisam os autores:

[...] as políticas sociais e a formatação de padrões de proteção são


desdobramentos e até mesmo respostas e formas de enfrentamento – em
geral setorializadas e fragmentadas - as expressões multifacetadas da
questão social no capitalismo, cujo fundamento se encontra nas relações de
exploração do capital sobre o trabalho. É nesse contexto que a questão
social passa a ser vista em seu aspecto econômico-político (BEHRING, e
BOSCHETTI, 2007, p. 51).

A população pobre representa 26,5% da população brasileira. Apesar da


média de 3,55 indivíduos por família, observa-se nas residências da classe baixa,
muitas famílias numerosas e em aglomerados urbanos, o que inviabiliza o
distanciamento social, única alternativa de prevenção à COVID-19, visto que não
existiam medicamentos capazes de combatê-lo.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização das


Nações Unidas (ONU) indicam que as populações mais pobres serão as
mais atingidas pelo novo Coronavírus/Covid-19. No Brasil, a maioria da
população não tem acesso a políticas sociais de qualidade. Apesar de o
sistema de saúde ser público, há desigualdade no acesso. A maioria da
população brasileira não possui acesso a condições para o confinamento e
higiene adequada, estando, assim, mais exposta à proliferação e
contaminação. (CFESS, 2020).

A falta de ações preventivas das três esferas de governo, Federal, estadual e


municipal, também foram fatores que contribuíram para o patamar caótico que o
País alcançou, ganhando destaque negativo internacionalmente. O Governo Federal
incentivou inúmeras vezes a população a romper o distanciamento social, buscando

5
IBGE, censo 2000.
17

manter abertos comércios e serviços, flexibilizando cada vez mais as medidas


recomendadas pelas autoridades internacionais de saúde. Nesse sentido muitos
trabalhadores tiveram que voltar aos seus postos de trabalho e se expor a locais
aglomerados, transporte público, entre outros (FILHO e ALGRANTI, 2020). Ainda
assim, muitos trabalhadores perderam seus empregos ou trabalhos informais.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD Contínua do IBGE
estima-se que 7,8 milhões de postos de trabalho foram encerrados.
Em pouco tempo o afrouxamento do isolamento e distanciamento social
fizeram os número aumentarem. Este afrouxamento se deu em parte pelas classes
mais baixas que não conseguiram acessar os benefícios sociais e foram em busca
de alternativas para sua subsistência, inclusive influenciados por um discurso
pernicioso de políticos e empresários pregando que era necessário arriscar “morrer
pelo contágio do Coronavírus ou pela fome” (SIC)6, numa estratégia de
necropolítica7 que levou milhares de trabalhadores formais e informais a retomarem
seus postos de trabalho; Em outra parte, pelas classes mais elevadas, que tendo
maior acesso ao tratamento de saúde, foram afrouxando seu distanciamento devido
ao prolongamento das restrições (LEMOS, 2020).
A pobreza se agravou fortemente com a alta do desemprego e queda na
renda. A estimativa do IPEA é de 6,1% de queda na renda per capta brasileira, e
5,3% do PIB, em contrapartida um aumento de 28%8 da fortuna dos 42 bilionários
mais ricos no Brasil, mostra esse aumento expressivo do fosso da desigualdade
social brasileira (SOUZA, CAVALCANTI, LEVY, 2020).
NETTO (2001) afirma que a “questão social” é constitutiva do
desenvolvimento do capitalismo em seus diferentes estágios e que em cada estágio
se produz diferentes manifestações da questão social. Sendo o pauperismo um dos
principais responsáveis pela “classificação” da pobreza como “questão social”.
A pandemia do Coronavírus fez ainda emergir a questão dos invisíveis:
usuários que passaram a procurar os equipamentos da assistência social por não

6
Palavras do pesquisador Dennis de Oliveira em entrevista para o site Ponte.Org. disponível em
ponte.org/pandemia-escancara-necropolitica-e-violencia-estrutural-no-brasil-diz-pesquisador/.
7
O conceito de necropolítica é o poder de ditar quem pode viver e quem deve morrer, com base no
biopoder e em suas tecnologias de controlar populações, o “deixar morrer” se torna aceitável.
Baseado no conceito de biopolítica de Michael Foucault, adaptado pelo pensador africano Achille
Mbembe.
8
g1.globo.com/economia/noticia/2020/07/27/patrimonio-dos-super-ricos-brasileiros-cresce-us-34-
bilhoes-durante-a-pandemia-diz-oxfam.ghtml.
18

terem documentos básicos para requisição dos benefícios disponibilizados. Para


além da população em situação de rua, segundo o Ministério da Cidadania foram
identificados mais de 13,6 milhões de cpfs regularizados após os cidadãos terem
problemas na requisição do auxílio emergencial9. Pessoas sem documentos ou com
documentos inválidos, que ao longo de anos de alguma forma não necessitam dos
mesmos, se mantendo na invisibilidade por diversos motivos, como não buscar
colocações formais no mercado de trabalho, problemas com a justiça,
desconhecimento, ou falta de acesso, conforme aborda BICHIR (2020) “Se a pessoa
não tem nenhum documento, ela está fora do radar do Estado. Literalmente, é como
se aquela pessoa não existisse”.
A situação prova que uma parcela da população brasileira que é jogada à
invisibilidade, que fica a margem inclusive do direito e existir como cidadão.
Nesse sentido,
Não é de todo estranho que uma sociedade fundada sob o primado do
trabalho, como é o Brasil, com forte tradição católica, que se assenta no
dogma bíblico de que ‘cada um deve viver do suor de seu rosto’, seja
resistente a implementação de políticas sociais dirigidas aos pobres aptos
para o trabalho que não conseguem exercê-lo. (SILVA, 2006, p.139).

Assim, as poucas políticas sociais direcionadas ao atendimento, ainda não


alcançam todos que delas necessitam. Como bem exemplifica Maria Carmelita
Yazbek:
A pobreza, no imaginário social, é muitas vezes apreendida de forma
descolada da realidade em que é gerada, em sua imediaticidade,
fragmentada, obscurecida, reificada. A pobreza é pouco conhecida e os
“pobres” muitas vezes desqualificados e marcados por clichês que reiteram
sua “inadaptação”, “marginalização” e “situação problemática” (YAZBEK,
2009, p. 135).

Essa concepção social reforça a pobreza e prova que as políticas não levam
em consideração suas necessidades, culpabilizando os cidadãos, principalmente os
pobres pelo seu desencaixe na sociedade capitalista, reforçando assim a questão
social. Conforme IAMAMOTO (1998) a questão social “explica a necessidade das
políticas sociais, no âmbito das relações entre as classes e o Estado, mas as
políticas sociais, por si, não explicam a questão social” (1998, p. 59).
Através dos dados apresentados neste capítulo, conclui-se que a pandemia
do Coronavírus, além do agravamento da desigualdade social, desvelou outras

9
oglobo.globo.com/economia/governo-regulariza-136-milhoes-de-cpfs-de-pessoas-que-tiveram-
problema-com-pedido-de-auxilio-emergencial-24378229.
19

questões sociais encobertas pela falta de acesso, expondo que o fosso de


desigualdade social brasileira é mais profundo do que é tratado pelas políticas
públicas que deveriam dar conta da diminuição dessa desigualdade.
A política pública Assistência Social é a principal responsável pela garantia
dos mínimos sociais10, considerados direitos básicos para todos os cidadãos que
dela necessitem. Sua consolidação e alcance serão tratados no próximo capítulo.

10
Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS, LEI N. 8.742 de 07 de dezembro de 1993.
20

3. A POLÍTICA PÚBLICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO BRASIL E AS


CONSEQUÊNCIAS IMEDIATAS DO MOMENTO HISTÓRICO PANDÊMICO.

A assistência social no Brasil por muitos anos foi ligada à prática religiosa de
benesse e ajuda aos necessitados. COUTO (2015) trata que suas raízes caritativas
foram por muitas vezes usada a favor do clientelismo, perpetuando essa prática.
Segundo YASBEK (2012), o tratamento da pobreza como opção pessoal e
expressão de relações vigentes em nossa sociedade perpetuou essa característica
de auxílio aos necessitados.
O avanço da democracia no País, as conquistas de direitos sociais, as
exigências dos trabalhadores por melhores condições de salários e benefícios foram
abrindo caminhos para consolidação de direitos de seguridade social como a
previdência, saúde e assistência social, e alterando os objetivos da assistência
social conforme mostram JACCOUD et.al. “Desta forma, a Seguridade Social
articulando as políticas de seguro social, assistência social, saúde e seguro-
desemprego passa a estar fundada em um conjunto de políticas com vocação
universal.” (2009, p.17).
O marco dessa seguridade foi a Constituição Federal de 1988, visando
garantir saúde, previdência social e assistência social. Conforme LUSTOSA e
FERREIRA (2002) “Ao incluir a assistência social no sistema de seguridade
brasileiro com o status de política pública de direito ocorre um grande avanço, pois,
transforma em direito o que sempre fora tratado como um favor e reconhecer
desamparados em sujeitos de direitos”.
Os artigos 203 e 204 da constituição cidadã11 que regem:
A assistência social será prestada a quem dela necessitar,
independentemente de contribuição à seguridade social... (art. 203)
E,
As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas
com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 195,
além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes:
I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as
normas gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos
respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a
entidades beneficentes e de assistência social;

11
A constituição de 1988 ficou conhecida como "Constituição Cidadã", por ter sido concebida no
processo de redemocratização, iniciado com o fim da ditadura militar no Brasil (1964–1985).
21

II - participação da população, por meio de organizações representativas, na


formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis...
(BRASIL, 1988).

Afiançam, portanto, a consolidação de um marco legal para a assistência


social, trazendo o respaldo para definição de padrões de atendimento e cada vez
maior distanciamento de utilização de práticas clientelistas pelos seus executores,
conforme corrobora COLIN (2013) “A assistência social passou a ser política pública
de proteção social, não contributiva e destinada a quem dela necessita”. Garantindo
assim condições de cidadania e dignidade humana através de seus benefícios e
serviços.
A Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, datada do ano de 1993 é o
instrumento que regulamenta os preceitos constitucionais do direito à assistência
social, que trouxe o embasamento jurídico para sua execução em âmbito nacional.
Após a LOAS, a Política Nacional de Assistência Social - PNAS de 2004, vem
regular a execução da Política em âmbito nacional, permitindo que o acesso a essa
política pública seja igualitário em todo o País e que seu funcionamento atenda
padronizadamente todos os cidadãos que dela necessitem. Ainda as Norma
Operacional Básica do SUAS - NOB/SUAS (2005), Norma Operacional Básica de
Recursos Humanos do SUAS - NOB/RH (2006) e a Tipificação Nacional dos
Serviços Socioassistenciais (2009), trazem orientação para a execução da política.
Toda essa legislação consolidou o Sistema Único da Assistência Social - SUAS.
Dessa forma, mesmo respeitando as diferenças de condições de execução
dessa política em âmbito de um país continental como o Brasil e com tamanha
diferença de culturas internas, a legislação consolidada garante o acesso aos
mesmos benefícios, serviços, programas e projetos destinados ao enfrentamento da
exclusão social.
Segundo COLIN e JACCOUD,
Foi com a implementação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS),
ancorado nas normativas de 2004 e 2005, que efetivamente ampliaram-se
as bases operativas da política, fortalecendo-se seu fundamento federativo
e suas responsabilidades protetivas. (2013, p.43).

Construindo assim um novo modelo de proteção social brasileiro, pautado na


justiça e no exercício dos direitos humanos permitiu que famílias vulneráveis fossem
retiradas da condição de pobreza tendo a possibilidade de acessar bens e serviços
22

até então negados, estando assim inseridos na esfera dos direitos sociais e
consequentemente nos direitos humanos (MDS, 2009).
A questão social se manifesta na Política Pública de Assistência Social em
sua forma mais concreta. A população usuária da Política de Assistência Social é
composta pelos extratos mais vulneráveis da População. Essa política é destinada “a
quem dela necessita” (PNAS, 2004), portanto, não possui caráter universal como as
políticas públicas de saúde e educação. Assim os critérios para atendimento
também são baseados nas questões de renda, pessoas vítimas de violência,
questões de desproteção social e grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos,
mulheres, LGBTQI+, negros, indígenas, quilombolas, imigrantes, entre outros.
A assistência social pode, portanto, ser entendida como uma política de
defesa dos direitos no sentido social, conforme trata SPOSATI “a assistência social
se coloca no campo da defesa da vida relacional. As principais agressões à vida
relacional estão nos campos: do isolamento, da resistência à subordinação, da
resistência à exclusão social” (2009, p. 25).
Assim como a política pública de assistência social, o serviço social no Brasil
se consolidou como profissão após uma longa trajetória e construção dos seus
preceitos e da atuação do profissional assistente social. Os primórdios da profissão
ligados à igreja e a caridade foram se alterando juntamente com a consolidação da
profissão através do movimento de reconceituação,
Movimento que entre as décadas de 1960 e 1980 promoveu uma ruptura
com as bases mais conservadoras da profissão, sendo ele mesmo uma
tradução do processo de organização dos movimentos sociais que
buscaram a libertação das amarras impostas à América Latina pelo
imperialismo norte-americano. (RIBEIRO et al. 2015).

A atuação no Sistema Único de Assistência Social – SUAS, não foi diferente.


Além do código de ética e regulamentação da profissão a legislação do próprio
SUAS veio garantir formas de atuação para o assistente social dentro dessa política.
Nas diversas frentes do SUAS os assistentes sociais podem atuar no
atendimento ao público nos diferentes níveis de proteção social da política. O SUAS
está dividido em proteção social básica, e especial de média e de alta complexidade.
Em todas essas são obrigatórias à presença de assistentes sociais, além de outros
profissionais das áreas de saúde e humanas.
Conforme a LOAS (1993), na proteção social básica estão os profissionais
que atuam nos CRAS e outros serviços de atendimento contínuo ao público.
23

Visando a prevenção ao rompimento dos vínculos e violação de direitos. Este


atendimento está no cotidiano da assistência com a oferta de atendimento para
benefícios, programas, serviços e projetos de inclusão para a população que
necessita da política de assistência social. Os programas visam acompanhar as
famílias que necessitem de maior atenção para prevenção do rompimento de
vínculos familiares. Já os benefícios ofertados no SUAS podem ser definidos de
acordo com a localidade e realidade de cada ente. Os benefícios se constituem de
caráter emergencial como provisão imediata de alimentos, vales financeiros para
compra de gás, pagamento de contas básicas, materiais de construção, entre outros.
Diferente da proteção básica o atendimento na proteção social especial é
direcionado para indivíduos e famílias que já tiveram seus direitos violados.
Os benefícios podem ser considerados um dos grandes desafios da
assistência social no rompimento das raízes assistencialistas do serviço social e o
avanço na garantia de direitos (BRASIL, 2007). Isto devido à necessidade ainda
presente destes benefícios no cotidiano de grande parte da população, e que
precisa imediatamente ser assistida, em contraponto a garantia de direitos como os
programas de transferência de renda que preveem a escolha da família na utilização
dos recursos recebidos como o Programa Bolsa Família12. Porém a falta de acesso
integral de todos que ainda necessitam participar dos programas de transferência de
renda faz com que esses benefícios no SUAS tenham continuidade ao longo do
tempo.
Além de todos os desafios apresentados para consolidação e avanço da
política de assistência social, momentos históricos específicos podem influenciar
também no desenvolvimento dessa política pública e de outras (MOTA, 1996). É o
caso do momento da Pandemia mundial do novo Coronavírus – COVID-19.
Na assistência social de todo o País a pandemia gerou uma elevação
discrepante do número de atendimentos. Muitas pessoas recorreram à política
pública ao perderem suas fontes de rendas em busca de realização de cadastros
para acesso a benefícios ou em busca de alternativas para a falta de acesso à renda
mínima. Os benefícios eventuais, entre eles as cestas básicas passaram a ser um

12
O Programa Bolsa Família foi criando em 2004 e pode ser considerando o maior programa de
transferência condicionada de renda do mundo (em número absoluto de pessoas assistidas).
24

dos principais tipos de atendimento, visto a necessidade imediata de milhares de


famílias.
MOTA (1996) já problematizava o papel distorcido da Política Assistência
Social, segundo o autor
[...] a Assistência Social passa a assumir, para uma parcela significativa da
população, a tarefa de ser a política de proteção social e não parte da
política de proteção social. Note-se que, em face do seu redimensionamento
e do agravamento da pobreza, a Assistência Social parece ter centralidade
como estratégia de enfrentamento das expressões da questão social
(MOTA, 1996, P.170).

Estratégias como o aporte de recursos para os estados e municípios foram


tomadas pelo governo federal, porém insuficientes, visto a falta de organização e
planejamento da destinação desses recursos. Segundo o Conselho Federal de
Serviço Social:
Essa proposta não contribuiu para a resolução da pandemia e da proteção
dessa população, além de violar os seus direitos humanos básicos e, ainda,
colocar em risco os/as trabalhadores/as. Tal proposta requer do/a
profissional um posicionamento crítico a favor da vida. Precisamos cobrar
das autoridades que assegurem o direito igualitário à população que é
desprovida de condições dignas de vida, bem como na defesa das
condições dignas de trabalho. Nossa atuação profissional é fundamental,
nesse momento, para que a população tenha acesso aos serviços de
saúde, assistência e previdência social, além de benefícios eventuais que
serão essenciais para a manutenção da vida da população mais
empobrecida (CFESS, 2020).

Durante a pandemia a assistência social foi decretada em âmbito federal


como serviço público essencial, semelhante à política de saúde - DECRETO Nº
10.282, de 20 de março de 2020.

Art. 3º As medidas previstas na Lei nº 13.979, de 2020, deverão resguardar


o exercício e o funcionamento dos serviços públicos e atividades essenciais
a que se refere o § 1º.
§ 1º São serviços públicos e atividades essenciais aqueles indispensáveis
ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, assim
considerados aqueles que, se não atendidos, colocam em perigo a
sobrevivência, a saúde ou a segurança da população, tais como:
I - assistência à saúde, incluídos os serviços médicos e hospitalares;
II - assistência social e atendimento à população em estado de
vulnerabilidade; [...].

Assim, os serviços tiveram continuidade mantendo as unidades e


trabalhadores atuando. MOTA (1996) reforça que

[...] em tempos de crise, a assistência social incide tanto junto aos pobres e
miseráveis, como aos desempregados, os desqualificados para o mercado
de trabalho, além dos tradicionalmente considerados inaptos para produzir.
25

Em consequência, limita o acesso, impondo critérios a exemplo da renda


[...]. Nesta linha, poder-se-ia argumentar que a assistência estaria
assumindo a condição de política estruturadora das demais políticas sociais,
como ocupação e renda, qualificação profissional, desemprego, entre
outras. (1996, P.170).

Pode-se considerar que a política de assistência social, durante a Pandemia


de COVID-19 foi tratada pelas esferas de governo como uma política direcionada ao
atendimento de situações pontuais, sem o planejamento, organização e participação
dos trabalhadores e gestores locais da política, reassumindo uma característica
assistencialista que vinha sendo combatida ao longo de muitos anos.
Foi observado até aqui, como esse cenário trouxe diversas alterações no
cotidiano do Profissional de Serviço Social no SUAS, com elevação e alteração da
demanda, mas também trouxe questões de incertezas relacionadas a segurança de
execução do trabalho em tempos de Pandemia, trazendo diversas consequências
para estes profissionais, que serão discutidas no próximo capítulo.
26

4. A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL EM MEIO AOS DESAFIOS E


INCERTEZAS DA PANDEMIA.

No País todo os profissionais trabalhadores do SUAS sofreram as


consequências do momento, em que a pandemia trouxe um cenário de desgaste
físico e emocional para os trabalhadores, entre o medo da contaminação e a
necessidade imediata da população a ser atendida.
No Estado Paraná não foi diferente. Para buscar compreender a percepção
dos trabalhadores da assistência social durante a pandemia, a Secretaria de Estado
da Justiça, Família e trabalho – SEJUF em conjunto com o Instituto Paranaense de
Desenvolvimento Econômico e Social – IPARDES, desenvolveram uma pesquisa
com este tema aplicada em todo o território estadual. A pesquisa revelou diversos
sentimentos dos trabalhadores da assistência social em meio à pandemia, inclusive
dos assistentes sociais que somaram 946 pesquisados dos 2.393 formulários
válidos. Entre as percepções e sentimentos é possível destacar a elevação da
demanda de trabalho e o medo da contaminação por COVID-19.
Devido à assistência social se tratar de serviço essencial os serviços
continuaram atuando num cenário de dúvidas e informações insuficientes para
desenvolvimento das ações, gerando um temor geral de todos que trabalham nessa
política. Em todas as unidades do SUAS, o profissional do serviço social é essencial
para o acompanhamento e avaliação dos casos, tratando o usuário do sistema de
forma individualizada, traçando as principais estratégias de acompanhamento destes
usuários.
Assistentes sociais exercem uma profissão regulamentada [...] É nosso
dever ético continuar prestando auxilio à população brasileira. Isso não quer
dizer que devamos pôr em perigo as nossas vidas, pelo contrário. Devemos
nos resguardar de todas as formas possíveis, nos protegendo. (CFESS,
2020, p.02).

A pesquisa estadual mostrou que 21,8% não tiveram possibilidade de


alteração do trabalho para remoto, escalas, revezamento, etc. além desses, a
orientação recebida por 49,7% dos trabalhadores foi que as pessoas do grupo de
risco tirassem licença, férias e atestados médicos, sem teletrabalho, conforme
gráfico do IPARDES,
27

As áreas de Serviço Social e Psicologia que tem seus próprios órgãos de


classe como os CRESS, CFESS, CFP e CRPs13, se manifestaram em defesa dos
trabalhadores, visando garantir segurança e estratégias para realização do trabalho.

Pela natureza da nossa atuação profissional e pelo reconhecimento de que


somos profissionais de saúde, assim como médicos/as, enfermeiros/as,
psicólogos/as, farmacêuticos/as, dentre outras categorias profissionais,
precisamos atender diretamente à população. Isto implica que precisamos
ter maior rigor no processo de higienização e na utilização dos
equipamentos de proteção individual (EPI) e equipamentos de proteção
coletiva (EPC). (CFESS, 2020,p.02).

Apesar das orientações do CFESS muitas secretarias estaduais e municipais


permaneceram com decretos locais realizando o atendimento integral e expondo os
profissionais aos riscos de contaminação, mesmo em situações em que poderia ser
realizado revezamento de equipe ou atendimento remoto. A pesquisa do
IPARDES/SEJUF mostrou que 61,4% responderam que realizaram o trabalho
completamente presencial e sem redução da jornada, enquanto apenas 3,9%
respondeu que puderam realizar trabalho completamente em teletrabalho de casa
(IPARDES, 2020 p.26).
A pesquisa demonstrou ainda que 95,2% dos trabalhadores do SUAS
apontaram um aumento da demanda do trabalho, principalmente na busca por

13
CRESS – Conselho Regional de Serviço Social, CFESS – Conselho Federal de Serviço Social,
CFP – Conselho Federal de Psicologia, CRP – Conselho Regional de Psicologia.
28

informações a respeito do auxílio emergencial somando 83,9%, e 76,6% indicaram


aumento da solicitação de cestas básicas, itens de higiene, máscaras e outros
benefícios eventuais. Assim, além de manter os serviços integralmente, houve
aumento da demanda durante a pandemia, conforme parte do quadro abaixo:

FONTE: IPARDES/SEJUF, Percepção dos trabalhadores do SUAS do Paraná durante a


pandemia, 2020, p.54,55.

Segundo o CFESS, a estratégia de manter o ritmo visando atender toda a


população pode ser mais prejudicial do que benéfica,

A intensificação do trabalho dos/as profissionais da saúde, incluindo os/as


assistentes sociais, não ajudará a controlar a pandemia, pelo contrário,
colocará esses/as profissionais em grande risco. [...] Vale lembrar que a
maioria dos países têm enfrentado esse momento de forma diferente, com
investimentos na saúde e ampliando a proteção dos/as trabalhadores/as e
sua condição de vida, o que não está ocorrendo no Brasil. (CFESS, 2020, p.
02).

Este cenário de incerteza e medo colocou os profissionais em situações de


grande estresse e desgaste, muitos se comparavam aos profissionais atuando na
área da saúde e apontavam as discrepância entre os cuidados em cada área.
29

São direitos dos/as assistentes sociais, conforme artigo 7º: “a – dispor de


condições de trabalho condignas seja em entidade pública ou privada, de
forma a garantir a qualidade do exercício profissional”. As indicações
contidas no Código de Ética são princípios e valores fundamentais, que
balizam nossa atuação profissional, principalmente em situações de
exceção. É exatamente nesses momentos críticos que precisamos reafirmar
nossos compromissos éticos e políticos, na defesa da vida, da liberdade e
da emancipação humana como valores fundamentais. (CFESS, 2020,p.02).

O panorama trouxe ainda o volume de atendimento que se elevou muito em


busca de quaisquer benefícios. Os profissionais, principalmente os assistentes
sociais se depararam com uma nova realidade, entre o atendimento pontual das
necessidades imediatas e a garantia de direitos.
Por se tratar de uma política pública, a assistência social não utiliza apenas
de instrumentos, mas de toda uma instrumentalidade para garantir seus objetos
como ressalta GUERRA (2005), “a instrumentalidade é uma propriedade e/ou
capacidade que a profissão vai adquirindo na medida em que concretiza seus
objetivos”. O momento da pandemia, com atendimentos pontuais rompeu com a
lógica de construção da instrumentalidade e retrocede em direção aos atendimentos
pontuais. Sem condições de planejamento em meio a Pandemia a mesma autora
reafirma que a “ausência ou a insuficiência da tematização desta dimensão da
profissão produz, por um lado, o discurso que a nega; por outro, intervenções que se
reduzem a ações finalísticas, repetitivas, modelares”. (GUERRA, 2007, p.38).
O objetivo da assistência social em garantir direitos foi sendo sobreposto pela
necessidade imediata das famílias que perderam suas fontes de rendas e que
buscavam se precaver de todas as maneiras. A falta de acesso ao programa de
renda emergencial, fez com que essa população mais vulnerável buscasse apoio
nos centros de referência - CRAS e demais serviços da assistência social.
A difícil dicotomia entre assistência social e o assistencialismo voltou à pauta
neste momento histórico, mesmo com os benefícios sociais fazendo parte das
previsões da assistência social, seu objetivo final não é ser pontual, mas ser
concedido às famílias em acompanhamento e que haja possibilidade de criação de
um plano de superação da situação de vulnerabilidade da família, o que se tornou
inviável diante de um cenário desordenado de busca por benefícios principalmente
no se refere a alimentação. Segundo a Frente em defesa do SUAS, os benefícios
prestados de modo isolado não se traduzem como direito para o cidadão porque não
asseguram o seu referenciamento e nem a sua relação com o Sistema Público. Na
verdade, podem até ser considerados como doações, distribuição de bens ou
30

utilidades não se identificando como direito, certeza, garantia e continuidade. (2020,


p.03).
A condução dos governos contribuiu para esse retorno do viés assistencialista
em contraponto à construção da política pública de assistência social. O governo
federal estimulou a concessão dos benefícios através de repasse de recursos
específicos que poderiam ser utilizados em alimentação para distribuição. Até este
momento, desde a criação do SUAS os recursos destinados a concessão de
benefícios eventuais eram exclusivamente dos governos municipais e em algumas
situações específicas dos governos estaduais.
Segundo BOVOLENTA,
Em relação aos benefícios socioassistenciais a “horizontalidade” trazida
pela CF/88, no que tange a divisão de tarefas e responsabilidades, atribuiu-
se à União a regulamentação dos benefícios continuados e aos estados,
municípios e Distrito Federal, a regulação dos benefícios eventuais.
Portanto, a regulação destes (BE) não é possível ocorrer em âmbito federal.
Esta deve ser fomentada nos municípios, nos estados e no Distrito Federal
por meio de seus respectivos Conselhos de Assistência Social.
(BOVOLENTA, 2013 p. 275).

Governos Estaduais lançaram programas de distribuição de benefícios14,


contando muitas vezes com ONGs e igrejas para este atendimento, remetendo à
prática caritativa, porém muito mais, desconstruindo um longo trabalho de política
pública, repassando o recurso público para que estes terceiros fizessem a execução.
Estas ações pontuais e pouco resolutivas para o real problema presente dos
usuários: necessidade de garantia de renda mínima e ferramentas de proteção para
as famílias e apoio ao distanciamento e isolamento social, reafirmaram fortemente o
assistencialismo, trazendo novamente elementos já superados, antes enraizados no
coronelismo, pois se tratando de usuários cadastrados do SUAS podiam gerar
repasses diretos em conta como alternativas ao atendimento necessário.
Em decorrência, não é casual que a prática da concessão dos benefícios
eventuais venha apresentando as seguintes tendências: cada governo
municipal os concebem, denominam, provêem e administram, de acordo
com o seu entendimento, valendo-se quase sempre, do senso comum para,
dentro de suas possibilidades financeiras gerenciais, atender contingências
sociais prementes. Tem-se, assim, num espaço não desprezível de

14
Alguns exemplos são o programa Cartão Comida Boa, no valor de R$ 50,00 durante três meses
para compra de produtos alimentícios durante a pandemia do novo Coronavírus, instituído pelo
decreto 4570/2020 do governo do Estado do Paraná; E programa social de distribuição de gás em
botijão para as famílias em situação de maior vulnerabilidade social do Estado do Ceará, durante o
estado de calamidade pública ocasionado pela pandemia do novo Coronavírus, decreto nº 33.546, de
21 de abril de 2020.
31

participação da Assistência Social como política pública e direito de


cidadania a condenável prática do assistencialismo que, além de desafiar os
recentes avanços no campo assistencial, vem se afirmando como um não
direito social. (PEREIRA, 2002, p.20).

Observa-se que a atuação de todos os profissionais no SUAS foi fortemente


afetadas pelo momento da Pandemia, gerando grande desgaste físico e mental para
os trabalhadores, principalmente os assistentes sociais que tem em suas funções
primordiais realizar o atendimento ao público mais vulnerabilizado Além disso, o
momento apresentou indícios de retrocesso na política pública de assistência social,
retomando elementos da prática caritativa, mostrando a fragilidade do processo de
consolidação e manutenção da política pública.
32

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho da Assistência Social e dos Assistentes sociais é indiscutível


quando se trata de superar os agravantes da questão social em todas as esferas de
atuação, seja publica, privada ou terceiro setor. Ao longo da discussão, observa-se
que o momento pandêmico elevou a desigualdade social brasileira, com a perda da
renda das famílias, além de restringir acesso dos cidadãos mais vulneráveis aos
seus direitos, agravando ainda mais a questão social brasileira.
A situação afetou diretamente a política de Assistência Social que avançou ao
longo dos anos como política pública, sendo construída e aprimorada a partir de
legislações sólidas visando garantia de direitos aos cidadãos que dela necessitam.
Porém no momento da pandemia, a necessidade imediata e aumento de volume de
usuários alterou a organização presente na política pública, retrocedendo na forma
do atendimento que prevê atendimento integral as famílias e cidadão, através de
acompanhamento e planejamento para superação das situações de vulnerabilidade,
mas que diante da Pandemia retrocedeu para vários atendimentos pontuais como
fornecimento de benefícios eventuais.
Assim, O trabalho do assistente social e sua instrumentalidade no SUAS
construída ao longo dos anos e respaldada no código de ética, foi afetado
diretamente, através das condições de trabalho que os profissionais foram
submetidos, para além da proteção contra a contaminação da COVID-19, mas
situações de aumento nos números de atendimentos e desgaste que não
proporcionaram condições para garantir a qualidade do exercício profissional.
Algumas dessas dificuldades da atuação foram apresentadas na pesquisa
desenvolvida pelo IPARDES, mostrando a percepção dos trabalhadores do SUAS
durante a pandemia. Nela foi obervado que o momento trouxe diversas
inseguranças para os profissionais, como medo da contaminação, medo de
contaminar a outras pessoas e dificuldades no atendimento. Mas demonstrou
também o compromisso dos profissionais na compreensão do seu papel enquanto
trabalhador de um serviço essencial e no interesse em contribuir para superação das
mazelas sociais.
33

Pode-se concluir que o momento da pandemia, atingiu muito fortemente a


assistência social, seja no cotidiano do trabalho, seja na alteração do atendimento.
Mais grave que isso, o atendimento técnico dos assistentes sociais, incluindo as
dimensões teórico-metodológica, ético-político e técnico-operativa do serviço social
no SUAS foram fortemente afetadas pelas condições físicas e psicológicas que os
trabalhadores foram expostos, bem como a dificuldade de manter a
instrumentalidade já conquistada ao longo de vários anos no serviço social no
SUAS.
34

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