WWF - BRASIL

CPS 715.2004

RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL RDS
ANÁLISE DA CATEGORIA DE MANEJO E PROPOSTA DE REGULAMENTAÇÃO

CONSULTORES Lucila Pinsard Vianna Renato Rivaben de Sales

COLABORADORES Henrique Gomes – RDS Iratapuru (AP) Raimundo Marinho – RDS Mamirauá (AM) Thelma Dias – RDS Ponta do Tubarão (RN)

Brasília, Abril de 2006

ÍNDICE 1. Apresentação 2. Aspectos metodológicos 3. Histórico da inclusão da categoria RDS no SNUC 4. A RDS segundo o SNUC 5. Estudos de caso: Os processos de criação, implantação e gestão de 3 RDS 6. Interpretações e polêmicas sobre a Categoria de Manejo RDS 7. Propostas e Recomendações para Regulamentação da categoria RDS 8. Bibliografia consultada 9. Versão Resumida 10. Anexos 10.1 Oficina 10.1.1 Estenotipia 10.2 Entrevistas
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1. APRESENTAÇÃO A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é uma das categorias de Unidade de Conservação criada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), Lei Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Esta categoria de manejo é definida como uma área natural que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica. Estas UCs têm por objetivo básico, conforme o Art. 20, parágrafo 1 da Lei 9.985 (SNUC) “preservar a natureza e. ao mesmo tempo, assegurar as condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das populações tradicionais, bem como valorizar, conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente , desenvolvido por estas populações”. Ainda segundo a Lei do SNUC, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável é de domínio público, devendo as áreas particulares incluídas em seus limites serem desapropriadas, quando necessário. A posse e os usos das áreas ocupadas pelas populações tradicionais deveriam, segundo o Art. 23 da referida lei, ser regulados por contrato, o qual, por sua vez, deveria ser regulamentado em ato normativo posterior. No entanto, a regulamentação específica da Lei do SNUC, promulgada por meio do Decreto nº 4.340, de 22 de agosto de 2002, além de não tratar da regulação da posse e usos das áreas de reservas de uso sustentável (RDS e Reservas Extrativistas), não dispôs sobre a regulamentação específica de qualquer outra categoria de manejo, fazendo com que importantes aspectos jurídicos e sócioambientais referentes às unidades de conservação ficassem a descoberto , notadamente as de uso sustentável. No caso particular de RDS, as indefinições decorrentes desta situação têm determinado que variados órgãos executores do SNUC apresentem diversas interpretações sobre esta categoria, resultando em diferentes práticas no que se refere aos processos de criação, implantação e gestão destas unidades de conservação. No mais, a falta de regulamentação específica tem acarretado também em conflitos de interesses entre populações locais, proprietários rurais e empresários que passaram a conviver em áreas sob as normas de um regime legal específico, passível de variadas interpretações jurídicas. Neste contexto, e considerando também que vários estados da Federação têm criado novas RDS em áreas onde ocorrem propriedades privadas, como forma de não onerar seus orçamentos com desapropriações de terras, torna-se urgente e necessária a proposição de princípios e diretrizes legais que subsidiem a regulamentação desta categoria de manejo, inclusive para que seu conceito e objetivos não sejam desgastados em função de interpretações e aplicações equivocadas. Entre os pontos que merecem maior atenção em uma futura regulamentação podem ser citados, a título de exemplo: - As condições sócio-ambientais mais adequadas e pertinentes à criação de uma RDS; - O papel das comunidades locais na criação, implementação e gestão das RDS; - A conveniência de se proceder à desapropriação total da área; - Os procedimentos para a legitimação da posse e dos usos da terra por seus moradores; 2

- A distinção entre as características de RDS e Reserva Extrativista; - A definição das atividades econômicas pertinentes às áreas das RDS, enquanto áreas destinadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento das poulações humanas locais em bases sustentáveis. Como forma de propor maiores esclarecimentos sobre esses pontos, ensejando à formulação de um documento que subsidie o Ministério do Meio Ambiente e demais órgãos executores do SNUC no processo de regulamentação da categoria RDS, a equipe responsável pelo presente trabalho realizou consultas a diplomas legais e documentos pertinentes e procurou entrevistar o maior número possível de técnicos e representantes de entidades com atuações relacionadas ao SNUC. Além disso, foram contemplados três estudos de caso que subsidiassem as análises: as RDS amazônicas de Mamirauá (AM) e Rio Iratapuru (AP) e a RDS costeira da Ponta do Tubarão (RN). Após a pesquisa, foi elaborada uma proposta de regulamentação para a RDS para ser discutida na Oficina Diálogos sobre Reserva de Desenvolvimento Sustentável, realizada em fevereiro de 2006, com a participação de gestores públicos, pesquisadores, Ongs e associações de classe. As colaborações advindas da oficina foram incorporadas à proposta final de regulamentação. Este relatório é composto por: descrição metodológica do trabalho realizado, resultados das pesquisas, levantamentos e entrevistas realizadas, análise da legislação, proposta de regulamentação e anexos com as entrevistas, roteiros utilizados e documentos da oficina. A seguir constam os aspectos metodológicos utilizados neste trabalho. 2. ASPECTOS METODOLÓGICOS O trabalho foi composto por 3 linhas de atuação: pesquisa bibliográfica e documentos legais pertinentes, estudo de caso de 3 RDS e entrevistas com gestores, pesquisadores e Ongs. A escolha das 3 RDS – Mamirauá, Iratapuru e Ponta Tubarão - definidas como estudo de caso teve os seguintes critérios: RDS Mamirauá - “inspiradora” da categoria RDS tal como incluída no SNUC, a RDS Mamirauá é considerada um exemplo e modelo para RDS. Sua longa história nos relata o processo de consolidação desta categoria, bem como desvenda suas lacunas e possibilidades. RDS Iratapuru - inspirado na RDS Mamirauá, o governo do estado do Amapá criou, um ano depois (1997), a RDS do Rio Iratapuru. Assim como Mamirauá, a RDS do Rio Iratapuru é pioneira, criada antes mesmo de haver discussões acerca da inclusão desta categoria no SNUC. Neste sentido, Iratapuru também pode ser considerada exemplo e modelo de RDS, pois a história de 8 anos de sua existencia revela a realidade da implantação desta categoria de manejo de unidade de conservação. RDS Ponta Tubarão – é a única unidade de conservação desta categoria existente fora da região amazônica e abriga parcelas de diversos ecossistemas da região nordeste, o que lhe confere especificidade a ser investigada. Além disso, foi criada a partir de sérios conflitos de interesses entre moradores locais e grupos empresariais, representando um exemplo de resistência à tentativa de implantação de atividades econômicas concorrentes com as tradicionalmente desenvolvidas. Além do levantamento de dados secundários, foram realizadas pesquisas expeditas em cada uma das RDS por meio da colaboração de pesquisadores locais. As entrevistas seguiram roteiros específicos, pré-estabelecidos (em anexo), e foram registradas em fitas. As informações obtidas, assim como as impressões dos pesquisadores, foram encaminhadas pela Internet e correio convencional. 3

O público alvo da pesquisa expedita foi composto por diferentes atores sociais que se relacionam direta ou indiretamente com a RDS. Para cada uma das três reservas foram realizadas entrevistas com pelo menos um representante dos seguintes segmentos: • Moradores da unidade que tenham participado ativamente de sua criação e/ou façam parte atualmente de uma organização que represente os interesses das comunidades locais. • Moradores que não tenham se envolvido diretamente com a criação da reserva e que não estejam acompanhando diretamente as atividades para sua gestão. • Proprietários de imóvel do interior da RDS, cujas atividades e interesses não necessariamente se coadunem com os objetivos da unidade. • Moradores do entorno imediato da RDS. • Responsáveis pela gestão da reserva. • ONGs envolvidas com as reservas. • Autoridades municipais locais. • Instituto de pesquisas. É necessário ressaltar que a pesquisa expedita não foi determinante na análise sobre a situação atual das reservas e sobre o entendimento ou aceitação dessa categoria de unidade de conservação por parte dos segmentos mais diretamente envolvidos. Dada a natureza desse trabalho e suas limitações de tempo e recursos, as informações coletadas tiveram caráter de checagem rápida e indicativa das análises dos dados obtidos por meio da prestação de informações de agentes locais, da consulta ao material bibliográfico e de entrevistas institucionais, os quais, em boa parte, já trataram de temas relacionados ao envolvimento dos atores locais com as reservas. Para cada um dos segmentos foi elaborado um roteiro específico, tratando das questões mais afeitas a seus interesses e objetivos (ver em anexo). Ao todo foram realizadas 42 entrevistas com segmentos envolvidos nas 3 RDs em questão : moradores do interior e entorno das ucs; proprietários de imóveis; responsáveis pela gestão da RDS; órgãos públicos; sociedade civil organizada; institutos de pesquisa. As informações locais, obtidas a partir do trabalho de pesquisador contratado, tiveram o seguinte foco: • • • • • Identificação de instituições vinculadas ao assunto e de pessoas a serem entrevistadas Levantamento de bibliografia específica Levantamento de outros documentos pertinentes Repasse de suas experiências com as reservas Apoio às análises dos dados coletados e dos documentos disponíveis

Paralelamente, foram entrevistados representantes de Órgãos Executores do SNUC, Organizações da Sociedade Civil e Instituições de Ensino e Pesquisa. O objetivo dessa atividade consistiu na obtenção de informações sobre a categoria de manejo de unidade de conservação RDS. A intenção foi registrar opiniões, entendimento e grau de conhecimento dos entrevistados sobre a categoria RDS. Foram realizadas 10 entrevistas com especialistas, representantes de órgãos públicos, institutos de pesquisa, movimentos sociais e ONGs; As entrevistas foram iniciadas excepcionalmente em novembro de 2004, em função da ocorrência da I Conferência das Populações Tradicionais do Estado do Amazonas, unidade da federação que detém a 4

maior extensão de áreas transformadas em RDS. Após estas entrevistas, os roteiros específicos passaram por um processo de aprimoramento. As analises efetuadas a partir da sistematização dos levantamentos e das entrevistas focaram os processos de criação, implantação e gestão de cada RDS, apreensão do conceito da categoria, impactos da criação da RDS e representação desta categoria. Além disso, foi realizada uma avaliação dos dispositivos legais sobre a categoria e análise dos dados à luz do SNUC e sua regulamentação. Finalmente, foi formulada uma proposta preliminar de regulamentação para a categoria RDS. Esta proposta foi apresentada na Oficina Diálogos sobre RDS, realizada em fevereiro de 2006. Finalmente, à luz da discussão realizada na Oficina, este relatório apresenta uma proposta final para subsidiar regulamentação da RDS. 3. HISTÓRICO DA INCLUSÃO DA CATEGORIA RDS NO SNUC DO PONTO DE VISTA DOS ATORES ENTREVISTADOS PARA ESSE TRABALHO A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é uma das categorias de Unidade de Conservação criada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), Lei Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Mas a categoria já existia desde 1996, quando foi criada a primeira RDS pelo governo do estado do Amazonas: RDS de Mamirauá. No ano seguinte, inspirado na RDS Mamirauá, o governo do estado do Amapá criou a RDS do Rio Iratapuru. A incorporação desta categoria ao SNUC foi um dos muitos pontos da discussão que se prolongou por dez anos para a elaboração do instrumento legal que viabilizasse o sistema. Um de seus resultados acabou sendo o reconhecimento “pelo ordenamento jurídico, da essencialidade do território para as populações tradicionais e de sua importância para a própria construção da identidade coletiva das mesmas” (Santilli, 2004, p.140). Este processo de reconhecimento iniciou-se com o movimento pela criação das Reservas Extrativistas – Resex – categoria de unidade de conservação que, em certa medida, inspirou a RDS. Santilli descreve o surgimento desta categoria de manejo: “A proposta de RESEX surgiu no contexto da luta pela reforma agrária e a partir de mobilizações sociais e políticas realizadas inicialmente pelos seringueiros do vale do rio Acre, especialmente no município de Xapuri, no Acre, sob liderança de Chico Mendes (...). O objetivo geral das Resex é conciliar a solução dos conflitos pela posse de terra com a gestão sustentável de recursos naturais, fazendo convergir políticas públicas que tendem a atuar de forma divergente: reforma agrária e meio ambiente “.(2004, p.142) Na década de 80 os seringueiros passaram a se organizar e reivindicar a criação das Resex, vista como estratégia que os possibilitaria continuar a coletar a seringa, colher a castanha, pescar, caçar e utilizar os mais variados recursos da floresta e de suas águas. Assim, como relata Santilli, “a proposta de criação de RESEX – desenvolvida pelo movimento social dos seringueiros visando promover o casamento entre conservação ambiental e reforma agrária – passou a ser considerado por cientistas e formuladores de políticas publicas como uma via de desenvolvimento sustentável e socialmente eqüitativo para a Amazônia. “ (2204. p.33). Por sua vez, a Política Nacional do Meio Ambiente, lei nº 7804/89, já contemplava as reservas extrativistas, mas sua criação e implantação foram regulamentadas pelo Decreto nº 98897/90, que 5

define as Resex como “espaços territoriais destinados à exploração auto-sustentável e conservação dos recursos naturais renováveis por população extrativista”. As primeiras reservas extrativistas foram criadas no ano de 1990. A partir de 1992, esta categoria – concebida para contemplar a realidade dos seringueiros da Amazônia – passou a ser criada para designar unidades de conservação em outros biomas, habitadas por outros tipos de populações tradicionais, como por exemplo, pescadores artesanais. HISTÓRICO das RDS À época da discussão do substitutivo de Fernando Gabeira (1995), um dos relatores do projeto de lei do SNUC, foram acrescentadas novas categorias de unidades de conservação, todas de uso sustentável. Entre elas podemos citar as Reservas de Desenvolvimento Sustentável e as Reservas Ecológico- Culturais. No entanto, para a grande maioria de especialistas em áreas protegidas entrevistados para este trabalho, a categoria RDS, tal qual está disposta no SNUC, foi diretamente inspirada no modelo de Mamirauá, sendo seus criadores e gestores (Sociedade Civil Mamirauá e, posteriormente, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá) os principais articuladores para a inclusão desta categoria no SNUC. Esta informação está presente em vários depoimentos dos entrevistados: “A principio o que havia sido previsto no SNUC sobre categoria de unidade de conservação relacionado à população eram as Resex. Em função da criação da RDS de Mamirauá, as pessoas vinculadas àquela Unidade de Conservação fizeram a proposta durante a discussão do SNUC. Mamirauá foi a primeira RDS existente. Teve muita polêmica, pois esta categoria podia ser uma repetição da Resex, mas acabou entrando no SNUC.” “Foi por causa de Mamirauá, que era estação ecológica estadual, e se tornou RDS antes do SNUC, que esta categoria entrou para o SNUC”. “Acredito que houve motivações pela experiência positiva da RDS de Mamirauá (AM)”. Por outro lado, há quem tenha chamado a atenção para a categoria Reserva Ecológico- Cultural, proposta também inspirada nas Resex, muito semelhante à proposta da RDS. A Reserva Ecológico-Cultural foi uma proposta do Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Populações Humanas e Áreas Úmidas Brasileiras (NUPAUB), da Universidade de São Paulo, coordenado pelo professor Antonio Carlos Diegues. Em 1991 a proposta de criação desta categoria foi encaminhada para as discussões no CONSEMA e aprovada para compor a proposta do estado para o SNUC. Sua definição era “área natural, que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais, e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica”. Um dos entrevistados menciona aspectos desta história: “A discussão da categoria RDS, cuja proposição é praticamente idêntica à proposta da Reserva Ecológico - Cultural, começa apenas a partir de 1993 e, de fato, acontece a partir de 1994”.

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p. Já a RDS foi formulada por iniciativa de pesquisadores.Cultural. “Este modelo foi construído adaptado às questões sociais locais de Mamirauá. que resultou na Lei nº 9985/2000. A proposta foi fruto do processo de diálogo com as comunidades locais e ribeirinhas e do estabelecimento de parceria buscando conciliar a conservação ambiental com o desenvolvimento social. Na versão final do SNUC. mas não contemplavam as populações tradicionais de outros biomas. que pretendiam conservar o hábitat de espécies da fauna ameaçada de extinção do ambiente de várzea de Mamirauá. Por exemplo..(. A formatação legal foi em função da organização das populações. descrita acima. apesar de viverem basicamente da exploração de diversos recursos naturais. principalmente. Não foi criado nada novo. a proposta pretendia contemplar outras populações tradicionais que não as extrativistas. o contexto da Mata Atlântica. a nível federal. Assim. em áreas habitadas por populações tradicionais”.). não são necessariamente extrativistas vegetais. preocupados com a conservação da área. cujas atividades não se centram no extrativismo.. (. cuja herança cultural a conservar e proteger é valiosa”. A entrevistada afirma ainda que houve a percepção do interesse de financiadores para criação da unidade de conservação e o nome foi pensado para identificar a proposta de conciliar conservação com desenvolvimento social. Mesmo assim. Enquanto a RDS foi pensada para a Amazônia.Cultural. Reserva Ecológico-Cultural. na proposta final da RDS incluída no SNUC procurou-se mesclar as propostas originais das duas categorias... Grande parte das culturas tradicionais brasileiras tem no extrativismo vegetal somente uma das atividades que compõem seu calendário de atividades econômicas”.(. a Reserva Ecológico-Cultural é uma proposta que nasceu no sudeste e pensada para contemplar. pesou para que a proposta de RDS fosse incorporada pela SNUC em detrimento da proposta de Reserva Ecológico . Considerava que as Resex atendiam plenamente as populações da Amazônia.. em parte.). no entanto. relata que a categoria foi uma resposta social às demandas locais. “E como havia pesquisadores biólogos envolvidos. estão muito centradas no extrativismo vegetal como atividade principal e até como modo de vida. foi respeitado a organização que já havia e o que queria a comunidade”.(... Sem dúvida.120).Cultural foi excluída e a RDS permaneceu. Uma das entrevistadas.) “Esta proposta abrange populações tradicionais que. A justificativa para criação da Reserva Ecológico-Cultural dispunha: “Não existe. a proposta visa reconhecer os ocupantes tradicionais como parte do ecossistema (já que desenvolvem atividades tradicionais adaptadas ao ecossistema). que aliava conservação ambiental com participação de comunidades locais com sucesso.) “A categoria de unidade de conservação proposta. à experiência da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá” (2004. que vivenciou a criação da RDS de Mamirauá.Mas as motivações para estas propostas foram diferentes. Neste sentido. com exceção das reservas extrativistas. uma categoria de unidade de conservação que contemple especificamente as populações tradicionais. a experiência já em curso em Mamirauá. o que não está contemplado na proposta da Resex”. Segundo Santilli isto ocorreu “graças.. a definição atual da RDS é a mesma definição da Reserva Ecológico . deverá ser um mecanismo para resolver situações em que há necessidade de proteção de ecossistemas importantes. que. a categoria Reserva Ecológico . Alguns entrevistados colocam este ponto de vista: 7 . foi proposta uma área de proteção integral.

porém. A categoria RDS entrou para ajustar esta unidade. Uma das entrevistadas também discorre sobre este ponto: “A categoria RDS foi incluída no SNUC para ajeitar a situação de Mamirauá. Mamirauá era uma Estação Ecológica que não poderia funcionar como tal e ele inventou um novo nome. em casos que o poder público não tem interesse ou recursos para a desapropriação de áreas privadas. RDS. em junho de 2005 . A única RDS federal foi criada recentemente. e não raro abrigando populações extrativistas. que incorpora também a sustentabilidade social”. p. a este respeito. mas não tinha uma proposta de definição muito clara. a RDS prevê a “possibilidade de só fazer a desapropriação das áreas particulares incluídas em seus limites quando necessária” (artigo 20. as Resex eram muito restritas porque só pensava no extrativismo e tinha obrigatoriedade de domínio público. por algum lobby bem feito. porque era uma população de pescadores que não se vêem como extrativistas. com população nativa. incluindo índios. Mamirauá e Piagaçu-Purus (AM). p. se conseguiu incluir essa categoria. que previa uma mescla de domínio público com pequenas propriedades dos moradores locais. Do outro lado tinha uma realidade que era uma área super conhecida. por exemplo. Há que se destacar. a RDS de ItatupãBaquiá abriga 7 comunidades de pescadores no município de Gurupá. a preocupação em atender populações tradicionais não extrativistas de outros Biomas. Enquanto a Resex é fruto da mobilização social e política iniciada pelo movimento dos seringueiros. com liderança do Márcio Ayres. provavelmente pelo Márcio Ayres ou por alguém liderado por ele. Foi uma discussão liderada pelo Diegues que dizia que. e RDS continuou. a categoria Reserva Ecológico-Cultural continuou fazendo parte do sistema e só foi retirada nos últimos meses. que desde sua criação abriga propriedades particulares e tem sido fator decisivo para criação recente de algumas RDS. Várias coisas avançaram e recuaram durante a discussão de dez anos do SNUC. naquele caso. por meio de seus objetivos gerais. Amanã. porém.149). o componente social certamente pesou mais sobre as propostas e concepções que orientaram a sua formulação inicial. porque eles teriam benefício com o projeto de Mamirauá. 2004. ainda que o nome desta categoria tenha origem numa proposta de conservação para uma área na Amazônia. a concepção das RDS nasceu de proposta de pesquisadores. Tal disposição também remete ao modelo de Mamirauá. coloca que “No caso das Resex. São as seguintes as Reservas de Desenvolvimento Sustentável estaduais já criadas até o momento: Rio Iratapuru (AP). antes de se fechar a proposta do SNUC. da Lei do SNUC). Chama atenção.148). que é idêntico. Mas pode ler o texto e comparar. parágrafo 2º. Desta maneira. ela propiciou. que diferentemente da proposta da Reserva Ecológico-Cultural. Não dava para ser RESEX. Com área de 65 mil hectares. E fizeram a proposta da Reserva Ecológico-Cultural. Cujubim. que era uma estação ecológica estadual. sobretudo para o litoral sudeste.“Na discussão do SNUC em Brasília. Alcobaça e Pucuruí-Aratão (PA) e Ponta do Tubarão (RN). e no final. Veredas do Peruaçu (MG). (2004. Santilli. e não ficou definido o que seria. Durante o processo de discussão da RDS não houve manifestação das populações indígenas. o fato de que a maioria das RDS existentes até o momento encontra-se na região amazônica. que era Mamirauá. e no caso das RDS o componente ambiental (a preocupação com a conservação da diversidade biológica) foi a mola propulsora das iniciativas para a proteção da área. Essas duas propostas acabaram sendo misturadas”.” (Santilli. “procurando conciliar as reivindicações por reforma agrária nos moldes amazônicos com a defesa do meio ambiente. A RDS 8 . arquipélago de Marajó (PA). “ “E eu acho que essa história de RDS foi uma solução de última hora para algumas pressões que até então eram separadas.

Tal posicionamento fundamenta-se. Ponta do Tubarão (RN). 9 . Relacionada a essa questão. como o zoneamento e o plano de manejo da área. como o Conselho Nacional dos Seringueiros. Mesmo autoridades estaduais. ou modelos mais aprimorados desta categoria. segundo os representantes de movimentos sociais. A categoria APA também foi descartada por ser considerada pouco eficaz para a proteção da área. atualmente argumentam que têm apoiado a criação de RDS como única forma de se proteger áreas naturais e populações humanas ameaçadas. é também interessante destacar que alguns entrevistados têm o entendimento de que as RDS são assemelhadas às APAS. tendo sido cogitadas APA. mais aberta. as RDS. com reflexos negativos à própria conservação ambiental e aos direitos das famílias locais ou tradicionais. em função. Resex e RDS. caso se optasse por outra categoria que não APA e RDS. não atrelada à idéia de extrativismo e seringueiros. por considerarem que não incentivava a mobilização e organização social. além de comprometer a auto-determinação das sociedades locais ou tradicionais. de não resolver a questão fundiária. devido à falta de vontade política e de recursos financeiros para a implantação de processos de desapropriação de imóveis nessas áreas.” A única RDS não amazônica criada até o momento. processos de desapropriação. No entanto. embora a principal ocupação dos moradores seja a pesca. conseqüentemente. alguns especialistas e representantes de movimentos sociais crêem que a inclusão da categoria RDS na lei do SNUC acarretou no enfraquecimento da importância da categoria Resex. A proposta da RDS veio ao encontro da idéia de uma categoria de manejo de uso sustentável mais flexível. Além disto. pesou também na decisão o fato de a situação fundiária ser bastante complexa. O fato da categoria RDS ter sido concebida a partir do modelo de Mamirauá. contou em seu histórico de consultas públicas com a discussão sobre a categoria que mais conviria à situação local. Por parte do órgão gestor estadual. ao contrário das Resex. no fato de que vários governos estaduais estariam preterindo a criação de Resex. segundo eles. envolvendo áreas privadas e. a qual foi criada por demandas notadamente conservacionistas de pesquisadores. constantemente ameaçada de invasão por grupos empresariais. declaram ter se posicionado contra a inclusão desta categoria no SNUC. tida como símbolo da capacidade de organização e mobilização das populações consideradas tradicionais. não garantem a resolução de conflitos entre grupos de interesse e não podem ser plenamente implementadas se os proprietários de terras não concordarem com seus objetivos ou com as normas e diretrizes de seus instrumentos operacionais. responsáveis hoje pela criação de RDS. em função da falta de interesse político em desapropriar áreas privadas e/ou incentivar o fortalecimento de organizações comunitárias localizadas nas áreas alvo de proteção ambiental. pelos atores envolvidos. Ou seja. de que o perfil sócio-econômico da população não se encaixava enquanto extrativista. atividade considerada extrativista na lei do SNUC. descaracterizaria esta categoria enquanto instrumento de resolução de conflitos sócio-econômicos e fundiários. por permitirem a ocorrência de propriedades privadas. em favor das RDS.não foi demanda da população. Transformou-se em RDS em função do entendimento.

Para compreendermos esta afirmação temos que analisar os seguintes termos: conservação. em bases sustentáveis. 10 .proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais. a restauração e a recuperação do ambiente natural. respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e promovendo-as social e economicamente. a definição e o principal objetivo desta categoria de unidade de conservação restringem sua aplicação aos casos em que populações consideradas tradicionais propiciam a conservação dos ecossistemas locais por meio da utilização de sistemas patrimoniais e sustentáveis de exploração de recursos ambientais. Estes sistemas devem ser resultado de um processo histórico de construção. às atuais gerações. por exemplo. para que possa produzir o maior benefício. mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades e aspirações das gerações futuras. o referido artigo define o objetivo básico desta categoria de unidade de conservação: preservar a natureza e. conservação da natureza constitui-se no manejo do uso humano da natureza. que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) é a proposta de contemplar a interface entre a diversidade biológica e cultural. uso sustentável é assim disposto no inciso XI do mesmo capítulo: exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos. cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração de recursos naturais. uso sustentável. Dessa forma. desenvolvido por estas populações. assim como devem estar adaptados às condições ecológicas locais. desempenhando papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da biodiversidade. entre os objetivos do SNUC. artigo 20). populações tradicionais. De acordo com o próprio SNUC. as RDS são áreas naturais que abrigam populações tradicionais. assegurar as condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das populações tradicionais. Por sua vez.4. a manutenção. 2004): O Art. compreendendo a preservação. instituiu uma nova categoria de manejo denominada Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Segundo a lei do SNUC (capítulo III. garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral. o SNUC. Podemos identificar. não só a conservação da biodiversidade. preocupado em criar categorias de manejo de unidades de conservação especificamente destinadas a abrigar as populações tradicionais .985 de 18 de julho de 2000. Em seu parágrafo primeiro. desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica. bem como valorizar. Neste contexto propício. conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente.promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais. 4º o SNUC aponta como objetivos: IV . a utilização sustentável. ao mesmo tempo. como também a conservação da sócio-diversidade (Santilli. Esses dois enunciados merecem alguns destaques iniciais: • • As RDS devem ser áreas que abrigam populações tradicionais que dependem de sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais para sua existência. A RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL SEGUNDO O SNUC Uma das inovações da lei federal nº 9. inciso II do Capítulo I. XIII .

”(p. 124) e acrescenta: “a lei do SNUC e o decreto que a regulamentou utilizam termos distintos. o direito ainda dá os primeiros passos na formulação de uma definição – jurídica – de ‘populações tradicionais’. o que implicaria uma relação com o mercado. que são comumente confundidas pela doutrina e pelos aplicadores da lei. 1 11 . ainda que a produção de mercadorias possa estar mais ou menos desenvolvida. ainda que alguns membros individuais possam ter-se deslocado para os centros urbanos e voltado para a terra de seus antepassados.161) Entre as considerações sobre este tema constam. utilização sustentável e recuperação do ambiente natural em bases socialmente justas e viáveis em longo prazo. compreendendo ações de preservação. principalmente das populações abrigadas pela unidade de conservação. contraditórias considerações sobre o conceito de populações tradicionais já foram traçadas. acarretando na ocorrência de diversas interpretações entre ambientalistas. a categoria ‘populações tradicionais’ tem sido reconhecida em sua dimensão política e estratégica. populações tradicionais residentes. que se tratam de grupos humanos residindo há algumas gerações nas áreas ou ecossistemas objetos de proteção. uma RDS tem o papel de conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo desenvolvidas pelas populações tidas como tradicionais. • pela moradia e ocupação do território por várias gerações. • pelo conhecimento aprofundado da natureza e de seus ciclos. que se reflete na elaboração de estratégias de uso e de manejo dos recursos naturais. (p. • pela noção de território ou espaço onde o grupo social se reproduz econômica e socialmente. variadas e. • pela importância das atividades de subsistência. mesmo que no escopo da lei do SNUC tenha sido vetado o inciso que ensejava conceituar populações tradicionais1. populações locais e populações residentes. as de Diegues e Arruda (2001). fazendo de sua exploração. pode-se pressupor pelos demais enunciados referentes à categoria RDS. os ciclos e os recursos naturais renováveis com os quais se constrói um modo de vida. movimentos sociais e administradores públicos. • pela importância dada à unidade familiar. não raro. Entretanto. manutenção. conforme disposto em seu objetivo principal. tem-se que as atividades permitidas em uma RDS devem contemplar os benefícios às atuais e futuras gerações. Esse conhecimento é transferido por oralidade de geração em geração. por exemplo. em bases sustentáveis. Devido à falta de consenso entre os diversos segmentos da sociedade que discutiram a lei do SNUC por mais de dez anos. Quanto ao termo populações tradicionais. Analisando conjuntamente os dois conceitos. • pela reduzida acumulação de capital. sociais e culturais. que em obra publicada pelo Ministério do Meio Ambiente.mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos de forma socialmente justa e economicamente viável. de forma que puderam obter e gerar conhecimentos sobre o meio e seus recursos. São elas: populações tradicionais. No entanto. no caso. Além disso. afirmam que tais populações podem ser caracterizadas: • pela dependência da relação de simbiose entre a natureza. com significações distintas. o principal esteio de sua economia e de sua reprodução sócio-cultural. doméstica ou comunal e às relações de parentesco ou compadrio para o exercício das atividades econômicas. Santilli (2004) coloca que “ainda que alguns antropólogos apontem as dificuldades geradas pela forte tendência a associações com concepções de imobilidade histórica e atraso econômico e consideram o conceito ‘problemático’ em face da forma diversificada e desigual com que os segmentos sociais se inserem na Amazônia sócioambiental.

2 12 .• pela importância das simbologias. os referidos autores ressalvam que há sérias limitações em tais definições já que. cujo produtor e sua família dominam todo o processo até o produto final. e • pela auto-identificação ou identificação por outros de pertencer a uma cultura distinta Dessa forma. as tipologias permitem sua utilização em determinados contextos sóciopolíticos. que em geral reside nos grupos de poder dos centros urbanos. a rigor. comerciantes. pesca e atividades extrativistas. adaptados a nichos ecológicos específicos”. de caiçaras. Se definirmos como populações que estão fora da esfera do mercado. assim gerando formas de co-gestão de território. e no que se refere mais especificamente às políticas ambientais. mitos e rituais associados à caça. Contraporiam-se a esses os fazendeiros. jangadeiros. entendidos aqui como obstáculos para a implementação plena das metas dessas unidades. relacionando a categoria “populações tradicionais” ao uso de técnicas de baixo impacto e formas eqüitativas de organização social: Quem são as populações tradicionais? O emprego do termo “populações tradicionais” é propositalmente abrangente. “Além disso. tipologias como essas. roceiros. madeireiros. que é relativamente simples. Por outro lado. Num contexto ambientalista. Sobre esta questão. de forma mais ou menos isolada. • pelo fraco poder político. sobressaindo o artesanal. aquicultores em escala industrial. Noutro contexto ambientalista. sitiantes. o conceito surgiu a partir da necessidade dos preservacionistas em lidar com todos os grupos sociais residentes ou usuários das unidades de conservação de proteção integral. tendem a apresentar rigidez simplificadora. quilombolas. Há uma reduzida divisão técnica e social do trabalho. o conceito de povos tradicionais contém tanto uma dimensão empírica quanto uma dimensão política. baseadas num conjunto de ‘traços culturais’ empíricos. sua abrangência não deve ser confundida com confusão conceitual. empresários em geral e seus empregados. grupos extrativistas em geral e indígenas. será difícil encontrá-las hoje em dia. para depois afirmar que são ecologicamente sustentáveis. ora negando ou suprimindo esses mesmos direitos. que desenvolveram modos particulares de existência. Segundo os autores citados. No mais. veranistas. Little (2002) menciona que a “sociogênese do conceito de povos tradicionais e seus subseqüentes usos políticos e sociais se deu para englobar um conjunto de grupos sociais que defendem seus respectivos territórios frente à usurpação por parte do Estado-Nação e outros grupos sociais vinculados a este. ora ensejando a reivindicação e/ou a garantia dos direitos de comunidades ditas tradicionais. Definir as populações tradicionais pela adesão à tradição seria contraditório com os conhecimentos antropológicos atuais. o conceito dos povos tradicionais serviu como forma de aproximação entre sócioambientalistas e os distintos grupos que historicamente mostraram ter formas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. de tal modo que as duas dimensões são quase inseparáveis”. Os antropólogos Manuela Carneiro da Cunha e Mauro de Almeida discorrem sobre populações tradicionais. donos de empresas de beneficiamento de recursos naturais. sertanejos. Assim. servidores públicos. dificultando a análise dessas sociedades e culturas como fluxos socioculturais dinâmicos e em permanente transformação”. as comunidades tradicionais se constituiriam. Contudo. com base na cooperação social e relações próprias com a natureza. de impacto limitado sobre o meio ambiente. Essa noção refere-se tanto a povos indígenas quanto a segmentos da população nacional2. de forma empírica. pescadores artesanais em geral. todas as culturas e sociedades têm uma ‘tradição’. • pela tecnologia utilizada. que reproduzem historicamente seu modo de vida. os autores utilizam a noção de ‘sociedades tradicionais’ para definir “grupos humanos diferenciados sob o ponto de vista cultural. ribeirinhos. . Defini-las como populações que têm baixo impacto sobre o ambiente. seria mera tautologia.

p. liderança social e. M W. comprometeram-se a prestar serviços ambientais. 2001.] Decreto Federal de 27 de dezembro de 2004. movimentos sociais e administradores de órgãos públicos das três esferas do poder. portanto. reservando-as a populações consideradas tradicionais.184-193.. traços culturais que são seletivamente reafirmados e re-elaborados. a questão. de um histórico de exclusão de populações de áreas selecionadas prioritariamente para a preservação ambiental. por sua vez. formas eqüitativas de organização social.(Cunha. Ou seja.B. Ainda sobre esta questão. volta à pauta. ao tratar de conflitos entre órgãos gestores de unidades de conservação de proteção integral e populações locais. João Paulo Ribeiro et al (orgs) Biodiversidade na Amazônia Brasileira: avaliação e ações prioritárias para a conservação. Populações tradicionais e conservação ambiental : In Capobianco.. mas já conta com alguns membros e candidatos à entrada. outro exemplo demonstra a dificuldade de enquadramento legal das populações consideradas tradicionais: a assessoria técnico-científica da recém criada Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável das Populações Tradicionais3. abrangendo outros grupos. Trata-se de uma categoria pouco habitada. um órgão do IBAMA. que vão de coletores de berbigão de Santa Catarina a babaçueiras do sul do Maranhão e quilombolas do Tocantins. No início. a categoria congregava seringueiros e castanheiros da Amazônia. por fim. uso sustentável e repartição de benefícios. acabou optando por não definir rigidamente um conceito para esses grupos humanos. a presença de instituições com legitimidade para fazer cumprir suas leis. O que todos estes grupos possuem em comum é o fato que tiveram pelo menos uma parte de história de baixo impacto ambiental e de que têm no presente interesses em manter ou em recuperar o controle sobre o território que exploram.No momento. Mesmo que a referida autora esteja tratando de unidades de proteção integral e. conclui que. estão dispostos a uma negociação: em troca do controle sobre o território. São Paulo: estação Liberdade.. Para começar. acima de tudo. Em texto preparatório (2005) para o Primeiro Encontro Nacional das Populações Tradicionais está 3 [. mesmo que ciências como a antropologia possam subsidiar o deslindamento das contradições relacionadas ao tratamento conceitual dado às comunidades tradicionais. Desde então expandiu-se.] Já podemos afirmar que as populações tradicionais são grupos que conquistam ou estão lutando para conquistar (através de meios práticos e simbólicos) uma identidade pública que inclui algumas e não necessariamente todas as seguintes características: o uso de técnicas ambientais de baixo impacto. tem existência administrativa: o Centro Nacional de Populações Tradicionais. quando o SNUC passa a contemplar as unidades de uso sustentável. a expressão “populações tradicionais” está na fase inicial de sua vida.C & Almeida. Além disso. M.. da mesma forma.) Vianna (1996). majoritariamente formada por antropólogos. [. 13 . o fulcro da questão se situa na forma ainda pouco democrática como as áreas protegidas têm sido criadas. conforme anteriormente mencionado. afirma que a cristalização de posicionamentos antagônicos entre as partes diretamente interessadas tem dificultado o entendimento sobre a necessidade das ações de proteção de ecossistemas importantes e/ou ameaçados e impedido que as populações locais sejam as principais beneficiárias dos processos de criação e implantação das unidades de conservação. colaborando para o equacionamento dos conflitos entre elas e os tomadores de decisão das políticas conservacionistas. Instituto Socioambiental. E. a falta de definição mais clara sobre populações tradicionais no quadro legal do Sistema Nacional pode determinar também que para Reservas Extrativistas (Resex) e RDS as populações locais sejam submetidas a avaliações formuladas de acordo com interesses e posicionamentos ideológicos de grupos ambientalistas.

uso dos recursos naturais e costumes (aspectos religiosos.985/2000. o grupo de assessores da Comissão estabeleceu que populações tradicionais devem ter como uma de suas características o fato de viverem em comunidades. é recorrente entre sociedades rurais do país. dispõe. face a face. Comparando-se as definições de RDS e de Resex (Reservas Extrativistas) de acordo com o que está disposto no SNUC. representam em determinadas sociedades um papel fundamental para a garantia da qualidade de vida das famílias locais. Cabe. culinária.registrado que “não cabe ao Estado a definição de quem são as Comunidades Tradicionais. da importância de cada atividade para a subsistência e reprodução sócio-cultural das comunidades. concluem que “a tradição é um processo em evolução e um laboratório coletivo: os conhecimentos são materializados em dispositivos de ação. de recursos naturais renováveis. 4 14 . e por isso mesmo menos valorizadas pelos segmentos urbanos. constituindo a autodefinição como ato de reconhecimento dessa adesão”. que dispõe que estas unidades são destinadas ao uso sustentável por populações tradicionais. dentre eles o território. destacar que a RDS estadual de Iratapuru (AP) é um exemplo desta categoria em que os usuários residem somente na área de entorno da unidade. a existência de estratégias econômicas baseadas no consórcio de variadas atividades. festas. sendo imprescindível que seus membros se manifestem coletivamente favoráveis a tal pertencimento. Por outro lado. Desta forma. que extrativismo é um sistema de exploração baseado na coleta e extração. a pesca. notadamente as localizadas em regiões onde ainda ocorrem ecossistemas em bom estado de conservação. formas de produção e de utilização de recursos. por sua vez. regras. vínculo com território. Tal situação torna difícil a valoração. sendo inicialmente listados: formas de organização social. Capítulo I da lei nº 9. mas a maneira de produzi-los e utilizá-los”. a caça e o extrativismo. sem especificar se devem ou não residir na área delimitada4 e 2) para as Resex é sublinhado que as populações têm também que ter sua subsistência baseada no extrativismo (Capítulo III. No entanto. centro responsável pela criação e administração das unidades de uso sustentável federais. não se refere apenas aos conhecimentos ou práticas em si. condição não constante no enunciado sobre RESEX. nota-se que também para essa última categoria o enunciado refere-se a populações tradicionais. artigo18). responsável pelo CNPT. apenas com duas diferenças: 1) as RDS devem obrigatoriamente abrigar em suas áreas segmentos destas populações. assessor da presidência do IBAMA. porém. como a pequena agricultura. Por fim. inclusive para os moradores locais. Nesse sentido. e conseqüentemente. sobre os quais são estabelecidos direitos coletivos. o que diferenciaria uma reserva e outra no que se refere ao perfil da população residente na área seria o fato de que para Resex a principal atividade econômica seria a exploração de recursos naturais renováveis. aquelas que assim se autodefinem e sejam consoantes com os objetivos da ação governamental. o documento afirma também que alguns critérios básicos devem ser criados para nortear o conceito. sendo conceituada comunidade “como grupo que interage diretamente. normas e formas de reconstruir a natureza”. não importando se pertencentes à fauna ou à flora. Tal diferença foi apontada por Paulo Oliveira. definir o público alvo das ações governamentais. de modo sustentável. Mesmo as atividades que não geram renda. de forma sucinta. mas a elas próprias. Há de se ter também consenso. arquitetura e outros). que é capaz de agir coletivamente a partir destas interações e que compartilha um patrimônio e um pacote de recursos. O tradicional. tanto para comercialização da produção. quanto para consumo local. O inciso XII.

portanto. está disposto que a Resex é de domínio público. com uso concedido às populações extrativistas tradicionais conforme o disposto no art. para os casos em que os moradores são identificados como extrativistas de recursos florestais. grande parte dos indivíduos definidos como extrativistas vegetais. de acordo com a conceituação do SNUC. conforme se dispuser no regulamento desta lei. extrativistas de recursos haliêuticos. 5 15 . restariam dúvidas sobre sua principal base de subsistência e. a questão que se coloca para a criação de uma RDS ou de uma Resex com habitantes em seu interior. o que não deixa de ser um dilema para as próprias comunidades. elegeram a pesca como a principal atividade econômica. conseqüentemente. que o contrato de concessão de direito real de uso e o termo de compromisso firmados com populações tradicionais das Resex e RDS devem estar de acordo com o Plano de Manejo. No capítulo III. as reservas extrativistas se baseiam no conceito de que são bens de domínio da União (de forma que evite a sua venda e lhes dê garantias de que só gozam os bens públicos) (.33). I Conferência Estadual das Populações Tradicionais do Estado do Amazonas. e a posse e o uso dos recursos naturais é coletivo e compartilhado” (p.Assim. não haveria problemas quanto ao seu enquadramento. se necessário. de acordo com o que dispõe a lei. entre elas a questão fundiária.. que regulamenta a lei. O referido artigo 23º determina que a posse e o uso das áreas ocupadas pelas populações tradicionais nas RESEX e RDS serão reguladas por contrato. como pescadores artesanais e. e se auto-identifiquem.). Levando-se em conta que a pesca pode ser considerada atividade extrativista. é que. § 1º do Artigo 18º da lei 9. há diversos casos na costa brasileira em que atividades vinculadas ao turismo são. sobre as opções para a eventual implantação de uma unidade de uso sustentável em sua área de atuação econômica. em seu artigo 13º. há anos. artesãos ou pequenos agricultores apontaram o pescado como principal recurso para a manutenção da qualidade de vida de suas comunidades.985/2000. mesmo que em boa parte dos casos a produção fosse apenas voltada para o consumo local. Porém. 23º desta lei e em regulamentação específica.340/2002. Santilli coloca que “Uma idéia chave da proposta de criação de RESEX é a titularidade coletiva e compartilhada sobre os direitos de uso dos recursos naturais nelas existentes.. devendo ser revistos. Inspiradas no modelo de terra indígenas. Portanto. Outras disposições do SNUC definem distintivamente cada categoria de reserva de uso sustentável. que congregou por volta de duzentos representantes de comunidades residentes em áreas de floresta. o decreto 4. Neste quesito. De forma similar. embora as comunidades sejam identificadas. para as situações em que os locais são definidos como agricultores. há que se julgar também se ela é predominantemente extrativista ou não. sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas. a principal ocupação dos moradores locais. além do enquadramento de determinada população como tradicional ou não. realizada em novembro de 2004. apenas menciona. Em recente encontro promovido pela Secretaria do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável do Governo do Estado do Amazonas5. Por sua vez.

é de se alertar que se as famílias residentes detiverem títulos das terras. 16 . havendo uma série de pessoas jurídicas e físicas que declaram ser proprietárias de terras na área da reserva. só desapropriadas quando necessário. Esta é uma interpretação muito comum entre especialistas. ou na sua regulamentação.Cabe aqui destacar que o mesmo decreto 4. que se dizem proprietários de imóveis no interior da RDS. conseqüentemente. sem o ônus da desapropriação de terras.340/2002 dispõe que o Plano de Manejo das unidades de uso sustentável deve ser aprovado em resolução do conselho deliberativo. conservação da biodiversidade como objetivo primordial. entraram com ações na justiça reivindicando a implantação de empreendimentos de carcinocultura na área. não concordar em acatar as regras de um futuro plano de manejo. conforme observado nas entrevistas realizadas para esse trabalho. qual seja. dado que raramente os proprietários dos grandes imóveis têm sido consultados sobre a criação das unidades ou concordem em submeter suas práticas produtivas aos objetivos das RDS. por sua vez. e/ou estejam em desacordo com seu zoneamento e plano de manejo. presume-se que será necessária a desapropriação em casos de imóveis cujas formas de uso e ocupação sejam incompatíveis às características e aos objetivos desta categoria. criada pelo Governo do Estado do Amazonas. de mais dois milhões de hectares. indicativos mais precisos para tanto. desapropriadas. sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser. cinco empresários. Neste caso. a lei do SNUC . formada por latifúndios. é a RDS da Ponta do Tubarão / RN. no caso de Resex e RDS. determina que a área da unidade é de domínio público. No entanto. quando necessário. de acordo com o que dispõe a lei. aberta pelo referido § 2º do artigo 20 da lei do SNUC. o que difere em termos fundiários as duas categorias é que para as RDS a lei pode ser interpretada como aberta à possibilidade de sua área contar com propriedades privadas. § 2º. remetendo à mesma situação descrita acima para as Resex. o termo de compromisso que subsidiaria a elaboração e a efetiva implantação do plano de manejo da unidade. sem que conste na lei. estudiosos e gestores públicos. de antemão. Para o caso das RDS. Por outro lado. em seu artigo 20º. essa ambigüidade legal. Outro exemplo. o § 3º do artigo 20 dispõe que o uso das áreas ocupadas pelas populações tradicionais será regulado de acordo com a o disposto no artigo desta lei e em regulamentação específica. Além disto. após prévia aprovação do órgão executor (Inciso I do artigo 12). Tal situação. requerido legalmente para o caso de Resex. atividade considerada impactante e inadequada pelo órgão gestor (IDEMA / RN) e pelo conselho gestor deliberativo da unidade. em que a situação fundiária é bastante complexa e polêmica. comprometendo. Pela lógica do SNUC. cujos proprietários não concordam em se submeter às normas decorrentes da implantação da RDS. estudado mais detidamente para este trabalho. não contempla o disposto na legislação. que apresenta a maior parte de sua área. a questão da concessão de direito real de uso fica comprometida. Ou seja. tem determinado que várias RDS estejam sendo criadas como forma de se contemplar áreas habitadas e utilizadas por populações humanas inseridas ou contíguas a imóveis particulares . Um exemplo desta situação é a RDS de Cujubim. e que também declaram.

podem eventualmente ser admitidas. conforme regulamento e o plano de manejo da unidade. conquanto seus resultados subsidiem a conservação da natureza. e a capacidade de articulação do órgão gestor que irão definir se as atividades da unidade irão beneficiar a população local e a plena conservação do meio natural. inclusive de espécies madeireiras. pecuária e exploração vegetal. • Deve ser considerado o equilíbrio dinâmico entre o tamanho da população e a conservação e • É admitida a exploração de componentes dos ecossistemas naturais em regime de manejo sustentável e a substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis. do que as Resex. por estas populações.885/2000. e será aprovado pelo Conselho Deliberativo”. desde que compatível com interesses locais e prevista no plano de manejo. as RDS. conferindo ao órgão gestor da unidade e. ensejando variadas interpretações: partindo mais uma vez da analogia entre RDS e RESEX. Ou seja. a competência pelas decisões sobre quais atividades serão aceitas na área. capítulo III). Para as RDS. que é deliberativo. é apenas disposto que as atividades desenvolvidas deverão obedecer a quatro condições. 6 Desde que compatível com os interesses locais e de acordo com o plano de manejo da área. o que não é previsto nas RESEX: “o plano de manejo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável definirá as zonas de proteção integral. o grau de mobilização e de organização da população residente na RDS. que mineração. complementares às demais atividades desenvolvidas na RESEX. incluindo aquelas potencialmente com maior impacto sobre o ambiente. ao contrário das atividades de exploração de recursos minerais e a caça. principalmente. tanto amadorística. inclusive com substituição da cobertura vegetal. enquanto a Resex tem o de “proteger os meios de vida e cultura dessas populações”. essencialmente. às limitações legais e ao plano de manejo da área. 20 prevê zona de proteção integral na RDS. fica subentendido neste último inciso. segundo a legislação. chama atenção o fato de que é possível interpretar que a RDS tem por objetivo privilegiar a preservação da natureza em si. conquanto submetidas à legislação vigente e às normas da própria reserva. Mas. Assim. Por outro lado. desde que sujeitas ao zoneamento. de uso sustentável e de amortecimento e corredores ecológicos. agricultura. serão. o § 6º do art.Com relação a esta questão. quanto profissional ( § 3º e 6º do artigo 18. segundo o § 5º do artigo 20 da lei do SNUC: • A visita pública é permitida e incentivada. admitem maior diversidade de atividades. se analisarmos os objetivos inscritos no SNUC destas duas categorias (artigos 18 e 20). sendo a preservação da natureza considerada apenas uma condição para assegurar o uso sustentável . o § 7º do mesmo artigo dispõe que a os recursos madeireiros só poderão ser explorados em bases sustentáveis e em situações especiais. diferente do que está disposto para RESEX. a melhor relação entre os moradores com o meio e a educação ambiental. Corroborando esta interpretação. que para essas últimas a visitação pública6 e a pesquisa são permitidas. refletido na composição e funcionamento do conselho. a legislação do SNUC é também bastante imprecisa. atividades adequadas a uma RDS. dos recursos naturais da unidade. está disposto na lei nº 9. a seu conselho gestor. aliado ao histórico de cada uma delas. Dessa forma. 17 . • A pesquisa científica é permitida e incentivada.

a referida portaria exigia que os processos para criação de Resex fossem precedidos pelo encaminhamento. dela tirando os recursos necessários para sua sobrevivência e reprodução sócio cultural em bases sustentáveis. foi o primeiro instrumento legal a detalhar os procedimentos para criação. capacidade de suporte. implantação e gestão de Resex. artigo 20). conservação – e com tantos desafios . a proteção aos ecossistemas passa. cabe principalmente ao conselho deliberativo da unidade a responsabilidade para que as zonas estabelecidas. que diferenciam uma categoria da outra. uma consideração sobre o inciso III do referido § 5º do artigo 20 da lei do SNUC. Isto é. as reservas de uso sustentável podem hoje ser criadas sem o aval dos moradores da área e 2) não há garantias formais de que seus moradores irão se comprometer com as normas estabelecidas para esta categoria de unidade de conservação após sua criação. o conhecimento dos moradores sobre as conseqüências da implantação da unidade e seu compromisso pelo seu funcionamento.como o uso sustentável e economicamente viável dos 18 . gestão da área. o qual define as regras para a regularização fundiária na unidade e eleva as pessoas diretamente interessadas na criação das Resex ao papel de principais responsáveis pela administração da área. também merecem destaque: Diferente do que disposto legalmente para as Resex. para as RDS. suas áreas e normas sejam satisfatórias para a conservação ambiental e para a manutenção ou melhoria de qualidade de vida das populações locais. condição para pertencer ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação. de abaixo-assinados dos moradores requerendo a unidade e se comprometendo pela sua administração. subentende-se que o número de moradores deve manter uma relação satisfatória com as dimensões da área.Embora toda categoria tenha por objetivo primordial a conservação da natureza.897/90. de acordo com a própria portaria 51-N e demais atos normativos vigentes. zoneamento. de 11 de maio de 1994. não constando. favorecendo a ocorrência de conflitos e de situações de desobediência à legislação e aos atos normativos específicos. Duas outras questões. quando da assinatura da lei do SNUC tal dispositivo foi suprimido. a também ser garantida pelo zoneamento da área. Esta exigência tinha a função de tornar explícito. principalmente pela obrigatoriedade de implantação de uma zona de exclusão de atividades econômicas. principalmente o decreto federal 98. que expressa preocupação com capacidade de suporte das RDS: quando é disposto que deve ser sempre considerado o equilíbrio dinâmico entre o tamanho da população e a conservação. de forma análoga. No entanto. inclusive juridicamente. o qual dispõe. reforçando o conceito de Contrato de Concessão de Direito Real de Uso. Com tantas responsabilidades – plano de manejo. de uso sustentável. aos órgãos ambientais responsáveis. Para tanto. pela primeira vez. os planos de manejo das RDS terão que definir zonas de proteção integral. conforme descrito acima. de amortecimento e corredores ecológicos. A portaria IBAMA 51-N. sobre a regulamentação de Resex. No entanto. também para esta situação. aprovadas pelo conselho gestor (§ 6º. hipoteticamente. como zoneamento e planos de manejo. de forma que eles possam efetivamente administrá-la e fiscalizá-la. ensejando duas situações: 1) paradoxalmente. Cabe ainda em relação a esse tema. esta distinção expressa nos objetivos das Resex e RDS é mais um fator a ser considerado na definição de uma categoria de manejo para uma determinada área a ser protegida.

o Ibama e ONGs ambientalistas como WWF-Brasil. inclusive entre as instâncias executoras do SNUC. Sobre esse aspecto. Tal processo seria mais eficaz se. em publicação recente. 19 . No entanto. a melhor definição sobre a categoria mais adequada para cada situação. a proposta para que a definição de categoria de cada nova unidade de conservação seja levada à discussão no processo de consulta pública. que teriam somente o papel de subsidiar as discussões (pp. Área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru – 806. a lei e o decreto que estabelecem o SNUC excluem esta possibilidade. cabendo nas consultas públicas apenas as discussões sobre a localização. IMPLANTAÇÃO E GESTÃO DE TRÊS RDS ESTADUAIS. principal articulador para implantação do SNUC. o enquadramento da área alvo de proteção em uma das categorias dispostas no SNUC fosse tema para discussão e negociação no processo de consulta pública para criação de nova unidade de conservação. Mazagão. The Nature Conservancy e Instituto Internacional de Educação do Brasil apresentaram. a Diretoria de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente. WWF Brasil. RDS DO RIO IRATAPURU – AMAPÁ DADOS GERAIS: Nome como a unidade é conhecida na região: Reserva do Iratapuru Data de criação da RDS: 11 de dezembro de 1997 Responsável pela RDS: Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Amapá Atos normativos da RDS: Lei estadual nº 0392 de 11 de dezembro de 1997 (criação da RDS).Secretaria de Educação) Natura. mesmo porque também é recorrente a falta de maior compreensão. Tal procedimento. 2004). quando menciona que a criação das unidades de conservação deve ser precedida e pautada por um processo democrático que contemple a efetiva participação de todos os segmentos interessados. Pedra Branca do Amaparí. esta consideração remete ao posicionamento de Vianna (op.184 ha Municípios abrangidos: Laranjal do Jarí. decreto estadual nº 1777 de 09 de julho de 1999 (dispõe sobre a criação do Conselho Consultivo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru).recursos naturais – sobre os ombros das populações residentes nas RDS.). 5.cit. no caso das unidades de uso sustentável. propicia também. inclusive. sobre as diferenças legais entre reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável. secretaria de Ciência e tecnologia. Conservation International. independentemente das propostas técnicas prévias. MMA. ESTUDOS DE CASO: OS PROCESSOS DE CRIAÇÃO.38 & 39 do Caderno Gestão Participativa do SNUC – Série Áreas Protegidas do Brasil. Finalmente. dimensão e limites da área a ser protegida. além de contemplar os direitos das populações locais. Fundo Brasileiro para a Biodiversidade. FFEM. Fontes principais de recursos : Governo do estado do Amapá (Secretaria do Meio Ambiente. Secretaria de Turismo. na região sul do estado do Amapá. Fundação Orsa Número de funcionários da UC: não há funcionário local. torna-se no mínimo incoerente o fato de que as mesmas não precisem ser consultadas para a decretação da área.

Na região ainda estão alojados depósitos de manganês. 2001). promovendo mudanças na cadeia produtiva da castanha a fim de possibilitar a inserção. 2001). inclusive Unidades de Conservação. embora tenha provocado o reassentamento forçado de algumas famílias para área fora dos limites da reserva no processo de sua criação. Há espécies de grande valor econômico. no seu artigo 20. (Brito. 1999 in Barbosa. definida com o resultado do equilíbrio entre os aspectos econômicos. 2001). assegurando a permanência das comunidades tradicionais nas áreas que habitam e melhorando suas condições de vida (GEA. bem como indicadores de mineralização de estanho. afluente do rio Jarí. 2000 in Barbosa. Esta preocupação está intrinsecamente ligada à conservação no estado do Amapá. dispõe sobre os critérios de 20 . prata. com a instalação de pequenas unidades de transformação dos produtos oriundos do extrativismo e o desenvolvimento sustentável (Ruellan. em escala industrial.HISTORICO DE CRIAÇÃO: A RDS Iratapuru protege predominantemente floresta tropical úmida densa de terra firme: 80% da área da RDS (6925km²) é de floresta com domínio da castanha do Brasil (bertholletia excelsa H & B lecythidaceae). o Programa de Proteção das Florestas Tropicais – PPG7. Além disso. A criação da RDS do Rio Iratapuru aconteceu no contexto do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA – instituído por meio do decreto estadual n 2453 de 14 de agosto de 1995) que “tem a sustentabilidade econômica como uma de suas principais diretrizes. como por exemplo. andiroba (caraoa guianensis aubl). chumbo. A mesma lei. Esse ambiente caracteriza-se ainda pela sua riqueza em biodiversidade. O relevo é altamente acidentado – região de depressão da Amazônia setentrional e planalto de bacia sedimentar do Amazonas. s/data). dos produtos regionais. A intenção maior do Governo do Estado do Amapá (GEA) com este programa foi a auto-suficiência na produção de alimentos. dentre outras (ZEE. Neste contexto a RDS do Rio Iratapuru foi criada. platina. s/data). a formação estrutural de alto porte. embora seja questionado o reassentamento de algumas famílias quando da delimitação da unidade. Acrescente-se ainda que a ação do governo de apoio ao extrativismo . favorecendo resultados positivos na implantação da RDS. cipó titica (heteropsis jemniane) e na área de várzea o camu-camu (myrciaria dúbia). Ao mesmo tempo PDSA objetivou preservar a natureza e respeitar a cultura local. como por exemplo: segundo o Código de Proteção Ambiental do Amapá “compete ao Poder Publico definir. nióbio e tântalo. A RDS localiza-se na bacia hidrográfica do rio Iratapuru. ouro e ferro e têm favorabilidade à mineralização de cobre. (ZEE. p.9). O PDSA tinha o foco no fortalecimento das cooperativas e na melhoria dos meios de produção. objetivando a efetiva proteção de amostras representativas de todos os ecossistemas e da diversidade biológica do estado e proteção de populações tradicionais” (artigo 19). em prol da sua valorização e da sua modernização pretendeu proteger os recursos florestais do Estado. A região sul do estado do Amapá foi priorizada para a aplicação de ações do PDSA. Possivelmente o estoque de castanha do Brasil dessa reserva transcende em muito as estimativas existentes. complexa cadeia funcional. a freqüência de essências de alto valor econômico. copaíba (copaifera reticulata ducke). o desenvolvimento industrial. sociais e ambientais das atividades produtivas” Brito (2001. Um contexto político que expressa a preocupação com o fortalecimento das populações tradicionais pelas instituições públicas do estado. etc. com impactos profundos sobre a sustentabilidade dos recursos naturais e na qualidade de vida das populações humanas residentes. em função da gravidade dos problemas ambientais predominantes na região. zinco. implantar e administrar espaços territoriais a serem especialmente protegidos. tinha por orientação priorizar também esta região na implementação de suas ações. a castanha do Brasil. com grandes desníveis.

Dentre as características ambientais que justificaram a criação da RDS está o fato de que na época haviam poucas áreas protegidas de terra firme no estado. Os critérios são: proteção de ecossistemas. o alerta da comunidade científica quanto à perda da biodiversidade principalmente nas regiões tropicais e suas conseqüências globais. já que não tem que se desapropriada. vulneráveis ou em perigo de extinção. in Barbosa. o desenvolvimento de atividades de educação ambiental. no Zoneamento Ecológico Econômico do Estado (ZEE) os castanhais são apontados como “espaços juridicamente diferenciados com implicação no processo de gerenciamento destes recursos. quer seja porque assim há maior controle sobre a área. a manutenção da diversidade biológica. A valorização dessas áreas vem sendo objeto de decisão em nível federal e estadual voltada à proteção dos recursos naturais e das populações tradicionais.classificação dos espaços territoriais especialmente protegidos. o programa de desenvolvimento sustentável do Amapá – PDSA e o capítulo VI do título III do código de proteção ao meio ambiente do estado do Amapá. a criação da RDS do Rio Iratapuru foi considerada como “uma das ações institucionais que mais incorporavam as diretrizes do PDSA. o incentivo a pesquisas cientificas e tecnológicas em matéria ambiental. Esta visão se deve ao fato de que na época a área da RDS caracterizava-se pela pressão migratória exercida sobre a exploração desorganizada da castanha e do minério. 2001). a proteção de espécies raras. Entre as justificativas para criação da unidade de conservação.” O curioso é perceber que. resumidamente. considera este uma das condições de sucesso da RDS. por estarem numa área de propriedade da Jarí celulose. as unidades de conservação do Amapá são vistas como instrumentos de valorização dos recursos naturais e humanos. Em relação à propriedade da área ser pública (a discriminatória da TERRAP apontou a área como devoluta. se por um lado as UCs de uso sustentável na Amazônia tem um caráter de garantir acesso à terra. Os considerandos arrolados no projeto de lei que justificam a criação da RDS são. apontado por praticamente todos. os seguintes: Convenção sobre Diversidade Biológica. Além disso. expedido em Macapá em 16 de maio de 1997. quer seja por viabilizar a implementação da UC. ficou fora dos limites da RDS. lazer. neste caso isto não se confirma: a comunidade de São Francisco. cultura e turismo ecológico. a principal beneficiária da unidade de conservação. além do apoio das prefeituras e das populações usuárias moradores do entorno. A área é cercada por unidades de conservação e este era o único espaço sem proteção alguma. A categoria RDS adquiriu ali o sentido de inovação em termos de proposta de ocupação e uso territorial” (segundo ofício n 047/97 – Gabinete-SEMA. a proteção de populações tradicionais. Convenção Climática. quanto a gestão da época em que foi criada a unidade de conservação. necessidade de garantir a utilização econômica sustentável dos componentes da biodiversidade interesse do GEA em sensibilizar a população para a problemática do clima (efeito estufa) 21 . tornando-a do Estado) tanto a atual da gestão da secretaria do meio ambiente. além do acesso aos recursos naturais. Capítulo 15 da Agenda 21. Estas justificativas também estão presentes na lei de criação da RDS. Assim. está o fato da área estar regularizada e ser de domínio público. No Amapá. o manejo de recursos da flora e da fauna. endêmicas.

apenas São Francisco. age como se fosse comunidade moradora do interior da RDS. envolvendo as prefeituras e as comunidades do entorno. com mais direitos que as demais. já que é a única que coleta nos castanhais. Padaria e Santo Antonio. Houve uma audiência publica. o parecer do Zoneamento Ecológico Econômica do Amapá – ZEE/AP. mas no final só ficou o Iratapurú do lado de dentro”. Retiro. a RDS não possui qualquer infra-estrutura administrativa até o presente momento). Alguns entrevistados entretanto reconhecem. dentre estas comunidades. só participam quando para resolver esse negócio da castanha. “Nós participamos da reunião para a criação.que o sul do Amapá é área prioritária para o Programa piloto para a Proteção das Florestas tropicais do Brasil – PPG7 /sub-programa política de recursos naturais que a porcentagem de 8% de proteção por unidade de conservação no Estado do domínio da Floresta Amazônica Densa é insuficiente que a situação fundiária da área esta regularizada. Cachoeira de Santo Antonio. da Cachoeira. “Como estavam os representantes do Iratapuru. Em 2001 a população total estava estimada em 150 famílias As vilas estão em área pertencente à Jarí Celulose. “a gente queria que criasse a RDS e queríamos que fosse proibido o uso dessa área por outras pessoas”. “Não participou quem não quis. só a Vila de São Francisco foi beneficiada. além d governo estadual. As reuniões foram promovidas pelo governo do estado: “Através da diretoria da cooperativa que chamava para as reuniões as vezes também vinha gente do governo. Na verdade. São Militão. discriminada e inscrita como propriedade do Estado. Primeiro começou foi o governo agora está por conta deles ai da Amapaz. 22 . mas depois . houve várias reuniões para discutir a criação da RDS.” Mas as comunidades ditas do entorno se ressentem de não terem sido beneficiadas pela criação da RDS. mas nós não assinamos nada que eu me lembre. Seis comunidades são descrita por Brito (2001) vivendo no entorno da RDS do Rio Iratapuru: São Franscisco de Iratapuru.” “Quem chamou a comunidade naquela época foi um pessoal de fora. todas localizam-se no entorno da unidade de conservação. mas as pessoas não vão. o interesse das populações tradicionais extrativistas que ocupam a área Segundo depoimentos de todos os entrevistados pelo projeto. Não há comunidades residindo no interior da RDS. pelo rio Iratapuru.”A reclamação maior é de que no processo de criação da RDS todos foram consultados e participaram. que foi no Laranjal na quadra de esportes. É unânime a percepção de que todas as comunidades foram chamadas a participar. o incentivo e apoio dos poderes publicas executivos e legislativos do município de Laranjal do Jarí. Foi articulada uma coisa que seriam todas as comunidades beneficiadas. Ai eles chamam para a reunião. apesar de terem participado do processo de criação da mesma. além de ser privilegiada com todos os recursos e iniciativas relacionadas à unidade de conservação. Entretanto a Comunidade de São Francisco de Iratapuru é a que fica mais próxima dos limites da RDS e tornou-se a guardiã da mesma ( o estado está ausente do local. SITUAÇÃO ATUAL A RDS tem apenas uma entrada de acesso. São José e Padaria. Não houve acordo formal.”. Padaria e São Militão e outros nós sugerimos que fosse criada uma reserva para todas essa comunidades fossem incluídas.

praticas produtivas. Entretanto. Agora não temos contato com o atual técnico da SEMA em Laranjal do Jarí. inclusive. “A SEMA que cuida da gestão da reserva. Então a nossa participação é muito pouca hoje em dia. em certa medida. Muitas delas. e não em função de ações efetivas de gestão. Isso é um ponto importante porque se nós soubéssemos nós poderíamos reivindicar. moradores da Vila de São Francisco de Iratapuru. os objetivos de gestão da unidade de conservação.A população usa apenas 5% da área da RDS para extrair produtos da floresta. Um dos instrumentos de gestão que mais tem sido cumprido na RDS do Rio Iratapuru é “Cooperação internacional para promover a pesquisa cientifica. educação ambiental”. embora os fiscais efetivos sejam os associados da COMARU. A COMARU – Cooperativa Mista de Produtores e Extrativistas do Rio Iratapuru – foi que demandou a criação da unidade de conservação e tem sido ela a interlocutora para todas ações e iniciativas relacionadas à RDS. estão sendo cumpridos (excetuando a recreação/ecoturismo).o pessoal vem coletar açaí nativo. A RDS tem tido. a RDS não esta totalmente demarcada. Parece que há a expectativa de que a gestão seja feita pelo governo. inclusive. “Quando nos trabalhávamos com Wilis ( antigo técnico da SEMA) nós tínhamos muita informação e o gerenciamento era mostrado para a gente. até o momento. diversos parceiros e investimentos de diferentes fontes nacionais e internacionais. as ações. nem todos os moradores de São Francisco são membros da COMARU. Ficou claro durante o mesmo seminário que a comunidade estava conhecendo os resultados de algumas ações que vinham sendo desenvolvidas há algum tempo no local apenas naquele momento.”. Se nós 23 . considera que a COMARU tem função exclusivamente relacionada às atividades produtivas e está incentivando a criação de um conselho comunitário que representaria os moradores no conselho gestor. conforme expresso no “I Seminário sobre plano de manejo da RDS do Rio Iratapuru”. A atual diretoria. Quando faz alguma prestação trabalho para a implementação da RDS existe muito pouca participação nossa. ao longo da sua existência. A comunidade já teve participação mas hoje em dia não tem mais. Chama atenção o fato de os moradores entrevistados não terem conhecimento da implementação da reserva. porque para que – e normatizar ação e atuação de cada ator presente na RDS Embora na agenda positiva do estado do Amapá (formulada na década de 90) conste como uma das prioridades se ação no tema unidades de conservação a demarcação do perímetro da RDS do Rio Iratapuru. e tampouco se pautam por alguma diretriz do órgão gestor. Um dos objetivos do seminário foi justamente o de definir o papel de cada instituição na RDS – o que. “ Nos não temos o conhecimento do que é que vai ser feito. A safra começa agora e em julho já não tem mais. Antigamente a safra do açaí era o ano todo agora a gente chega lá o pessoal já pegou estragou a maior parte. Não somos informados de nada que acontece na RDS. Entretanto. Houve reclamação de que a SEMA não informa o que está acontecendo: “Sempre o pessoal da SEMA vem mas.”. Por estes motivos. A Sema possui a responsabilidade de fiscalizar. não são integradas ou articuladas. Então os planos para a RDS já chegam prontos de lá a comunidade aceita porque sabe que é bom. O governo do Estado não tem cumprido seu papel de articulador das ações. quando a gente reivindica com relação a invasão para a pescaria . Ai a SEMA faz reuniões com relação a isso mas na verdade não acontece nada.” A ausência da SEMA na região foi comentada por vários entrevistados. As falas apontam para a pouca participação dos moradores: “Acho que gestão tem que partir do órgão do governo”. após 8 anos de criação da RDS. e muitos não se sentem representados por ela. É a única organização formal da população local. transpareceram serem iniciativas com pouca participação da população local. geralmente o trabalho já vem de lá pra cá feito e a comunidade faz acatar.

não havia nenhum representante de moradores das demais comunidades de entorno da RDS. p.soubéssemos dos projetos e se ele fosse viável aqui para a comunidade seria muito bom para incluir também o que a gente precisa. Questiona a representatividade e legitimidade das decisões. em sua pesquisa. Interessante notar que na constituição do conselho gestor. houve baixa presença da comunidade. A iniciativa do seminário também foi um avanço para a organização da gestão da RDS. A autora acrescenta ainda que os representantes municipais não tinham participação efetiva no conselho gestor. conforme colocado anteriormente. 2001. que. sendo os moradores os principais atores. O Conselho Gestor não está funcionando. talvez. As ongs apontadas não necessariamente representam esta população. Barbosa. Além disso. que declarou não saber do que se tratava” (op. Esta Vila. embora tenham sido envolvidas e consultadas na ocasião da criação da RDS.48). “Agora este pessoal de cima nunca vão e depois ficam falando por fora. descreve.” Recentemente a SEMA iniciou o processo de elaboração do plano de manejo da reserva com a realização do “I Seminário sobre plano de manejo da RDS do Rio Iratapuru”. e no entorno há algumas comunidades (o numero de comunidades varia tanto nos documentos quanto nos discursos dos entrevistados) entre elas a Vila de São Francisco do Iratapuru. depois querem do jeito deles. Pareceu haver uma confusão sobre plano de manejo da unidade de conservação e plano de uso dos recursos. 24 .cit. a lei não deixa claro quem são estes moradores.”. Os idealizadores do seminário não levaram em consideração as atividades /ritmo da comunidade. grande parte da comunidade de São Francisco não tinha conhecimento do Conselho Gestor.48) fragilizando a representatividade do conselho gestor. sequer tenham sido convidados. p. não está presente de forma explícita a participação da população local diretamente afetada pela RDS. de um técnico para ficar permanentemente na Vila de São Francisco do Iratapurú. Entretanto. e tem a perspectiva de contratação. 2001. já que o poder público se propôs ser o elo articulador das diferentes ações e parceiras em andamento na unidade de conservação. embora a intenção tenha sido discutir com a comunidade estas ações e a proposta do plano de manejo. “os poucos que participam não comunicam aos demais as decisões tomadas nas reuniões” (Barbosa. embora ele estivesse funcionando na ocasião. Esta afirmação esteve presente também em entrevista com o responsável governamental pela gestão da RDS. Eles não percebem as coisas porque não vão na reunião para saber como é e como não é. As demais comunidades estão marginalizadas deste processo. O mecanismo de gestão que viabiliza a participação dos atores e segmentos envolvidos na RDS é o conselho gestor. expresso no artigo 6º. que. tem sido a comunidade contemplada pelas ações relacionadas à RDS. “como é o caso do representante da Prefeitura Municipal de Laranjal do JARÍ. O artigo 5º (Lei estadual nº 0392/97) define que os atores sociais envolvidos direta ou indiretamente na criação e implantação da RDS como responsáveis pelo manejo e gerenciamento da RDS. A comunidade de São Francisco é representada pela COMARU. Atente-se ainda para a pouca compreensão sobre o significado do plano de manejo pelos participantes. com apoio da Conservation International. pois além deste desconhecimento. Grande parte dos moradores de São Francisco estavam puxando castanha rio acima. no interior da RDS não há moradores. Afinal. Entretanto. Também esta sendo planejado a construção de uma casa da SEMA (com recursos da Conservação Internacional do Brasil) e a instalação de aparelho de radiofonia. ainda.

e que teria assento no Conselho Gestor.” (Batista 2001. p.” Uma prioridade comum apontada pelos entrevistados é a presença efetiva da SEMA na unidade de conservação: “Acho que a Sema deveria fiscalizar melhor. Os pescadores que pescam no lago tiram um bocado de Piranha e tucunaré que aqui tem muito e deixam sempre um monte de tucunarezinho que largam na beira do rio e fazem o maior estrago. que. já que no local teriam maiores possibilidades de acesso aos serviços de saúde e à escola. “Regularizar as colocações porque isso ainda não existe. gripe.”. As vezes um pega castanha do outro e não pode abrir porque outro reclama”. tratamento de doenças. “Demarcar a reserva e incluir as nossas comunidades nos projetos. A caça e a pesca são muito comuns na comunidade. Algumas pessoas trabalhavam no garimpo. que é uma fruta que a gente vai ver se vende pra fazer remédio pra pneumonia. embarcações e confecção de instrumentos e artefatos. construção de casas. criar um posto aqui dentro pois se a reserva é do governo e ela deveria cuidar melhor. Estabeleceram-se a 300 metros do rio Jarí em busca de melhores condições de vida e trabalho. a figura deste tipo de organização não está prevista na lei de criação da RDS.55) A biodiversidade local é utilizada pela comunidade para consumo próprio: alimentação. p. na área de saúde e de favores diversos. breu branco (protium pallidum). principalmente de subsistência (roça) . 2001). localizada na região do Jarí. a pequena criação de animais. implantada ali pelo governo do estado na ocasião. inclusive. esta atividade 25 .No caso da RDS do Rio Iratapuru. os moradores apontaram as seguintes: “o escoamento da produção”. já que o mesmo tem a responsabilidade de analisar e deliberar sobre todas as matérias pertinentes à RDS.55) A formação atual da vila de São Francisco de Iratapuru iniciou-se com a concentração de 6 famílias vindas do alto Iratapuru para a foz do rio. conforme colocado acima.. os moradores estão iniciando um processo de organização de um conselho comunitário. Inicialmente esta população de ribeirinhos viviam à margem do Iratapuru e dos seus afluentes.”. Há cerca de 10 anos iniciaram seu deslocamento em direção à foz do rio. “Depois que criaram a reserva proibiram o marisco para vender e a caça. 2001. “estas famílias exerciam originalmente o extrativismo de produtos florestais.(Barbosa.) o cumaru.” (Batista 2001. Exploram também “ (. os atravessadores não forneciam a mesma assistência . é composta.”. bem como empresas privadas. como atores sociais envolvidos. para o estabelecimento da venda ou da troca de produtos do extrativismo floresta por mercadorias. e em menor escala a copaíba (copaifera spp). pelos descendentes diretos dos trabalhadores vindos do Pará e do Nordeste... a madeira porque depois da época da castanha nós não temos outra atividade”. a caça e a pesca. na sua grande maioria. Chama a atenção também o fato de que há inúmeras ongs sócio ambientalistas atuando na RDS. “Acho que o que deveria ser feito é incluir esta área à RDS desde a cachoeira das Panelas até aqui. “O que acho que falta é um projeto que trabalhe as outros produtos da mata como a seringa. “Queria regularizar a situação das propriedades do entorno da reserva porque a gente mora aqui”. o cacau.”A carne de caça é. e para comercialização: castanha do Brasil ( bertolletia excelsa). fornecida anteriormente pelos patrões. Quanto às prioridades de gestão da RDS. “ este deslocamento ocorreu devido à retirada dos patrões e o conseqüente desmantelamento do sistema de aviamento. que representaria toda a comunidade de São Francisco. poderiam fazer parte do conselho gestor. Porém. a agricultura. Mas. CARACTERÍSTICAS DA OCUPAÇÃO DA VILA DE SÃO FRANCISCO DO IRATAPURU: A comunidade de São Francisco do Iratapuru. o alimento mais apreciado e valorizado na comunidade (segundo Brito. abrindo espaço para a entrada dos marreteiros ou atravessadores ao longo do Iratapuru.

possibilitavam mais espaço disponível em volta das casas para a formação deste quintal. Esta prática era mais comum quando moravam mais afastados. A pesca supre as necessidades alimentares da comunidade (os rios Iratapuru e Jarí são muito piscosos). medicinais e ornamentais. E ainda tem a possibilidade de produzir óleo de copaíba. Com isso. controlando a produção de seus castanhais. 2001. mandioca. milho feijão. Plantam árvores frutíferas. Nas entrevistas ficou claro que há uma norma estabelecida pela comunidade para regular a apropriação do espaço de coleta da castanha. macaxeira”. As demais comunidades do entorno da RDS do Rio Iratapuru não tem qualquer tipo de organização formal . pela iniciativa de 22 moradores de São Francisco do Iratapuru . Já o breu branco foi objeto de contrato firmado entre o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) do Ministério do Meio Ambiente. a montante de onde se localizam hoje. órgão que licencia o uso de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais no país. Este termo não se refere à questão fundiária. planta mandioca . O contrato garante a repartição de benefícios pelo uso correto da biodiversidade brasileira. Também criam pequenos animais. hortaliças e condimentos ao redor das casas. apenas a castanha do Brasil é beneficiada.necessita inclusive de monitoramento). 26 . e a Comunidade do São Francisco do Iratapuru. a Secretaria de Meio Ambiente do Amapá. óleo e sabão da castanha. A principal atividade econômica da RDS é o extrativismo. Por depoimentos recolhidos por Barbosa. além do biscoito. Em comparação às demais vilas da região pode-se considerar a Vila de São Francisco como próspera: a maioria dos moradores possuem bens como embarcações motores e motoserras e devido ao preço alto da castanha . A agricultura em pequena escala complementam as necessidades de subsistência da comunidade. para uso desta matéria prima com repartição de benefícios. Apesar de coletarem outros produtos da floresta. Os proprietários têm status na comunidade e algumas vezes viram patrões. Além disso. planta banana. O termo designa uma organização espacial estabelecida pela comunidade: a família que explora a área permanentemente por alguns períodos de safra sucessivos permite ao explorador o status de proprietário. A COMARU foi fundada em 1995. localizadas nas colocações. farinha. Produzem a amêndoa desidratada. arroz. pracaxi. por meio da COMARU. o contrato também prevê a implementação de um projeto de desenvolvimento sustentável comunitário para a população de Iratapuru e a associação da imagem do estado do Amapá na venda dos perfumes. mas não para vender” .“Faz uma rocinha. como desdobramento da construção de uma pequena usina de beneficiamento da castanha do Brasil. responsável pela gestão da reserva. as moradias anteriores. ficam regularizados os trabalhos da Natura com o breu branco (Protium pallidum) fornecido pela comunidade da Reserva Estadual de Desenvolvimento Sustentável do Iratapuru. “Fazemos roça pra sustento. intencionado beneficiar 18 famílias diretamente e 15 indiretamente. planta cana. uxi e explorar o camu camu. denominado propriedade. ORGANIZAÇÃO SOCIAL A Vila de São Francisco do Iratapuru está organizada em torno da COMARU – Cooperativa Mista de Produtores e Extrativistas do Rio Iratapuru . beneficiamento e comercialização da castanha do Brasil. esta vila tornou-se o símbolo de “desenvolvimento sustentável” do sul do estado do Amapá. utilizado para desenvolver uma linha de perfumes. visto que as colocações localizam-se em terras de domínio do Estado.

A Natura financiou a reconstrução da fabrica incendiada e por ano libera 0. Ela é a organização dos castanheiros da Vila de São Francisco do Iratapuru. foi a COMARU quem demandou a criação da unidade de conservação e desde então tem sido ela a interlocutora para todas ações e iniciativas relacionadas à RDS. que deixarem de ser apenas coletores de castanhas para se transformar em fabricantes de produtos derivados das amêndoas. tornando-a a representante e interlocutora da comunidade junto ao órgão gestor da RDS e agentes externos presentes. Afora a Vila de São Francisco. Houve quem justificasse a pequena participação dos moradores no Seminário organizado pela SEMA devido ao fato de o vincularem a uma evento da cooperativa. A cooperativa há tempos recebe assistência de diversas entidades governamentais e não governamentais. a COMARU se beneficiou das ações do PDSA.” CONSEQÜÊNCIAS DA CRIAÇÃO DA RDS A criação da RDS acarretou a ampliação das atividades da COMARU e conseqüentemente ocorreu uma significativa melhora na qualidade de vida dos moradores da comunidade de São Francisco do Iratapuru. A organização interna da Vila é controversa. 27 . Entre eles. todos reconhecem que as demais comunidades não estão organizadas. com os seguintes eixos estratégicos: propriedade da terra. Foi adquirida através de projetos a quantia de um milhão de reais em um período de 10 anos para a cooperativa se estabelecesse e criasse a estrutura que possui atualmente. abrangendo várias cooperativas com atividades agroextrativistas no sul do estado. Como dito anteriormente. Atualmente recebe investimentos da empresa Natura a qual possui um contrato para a compra de óleo de castanha e todos os esforços da cooperativa estão voltados para cumprir este contrato. como o PD/A ( MMA) e FUNBIO. Citam a COMARU. Mas a COMARU além de realizar sua função empreendedora também se coloca como representação da Comunidade e seus diretores tomam para si decisões que vão além de suas atribuições. Na época do governo de Capiberipe toda produção de biscoito de castanha era comprada pelo governo por um preço acima do mercado para serem distribuídas na merenda escolar como forma de subsidio a produção.5% de seu lucro da venda dos produtos obtidos a partir das matérias primas adquiridas na RDS para a comunidade. e muitos sequer a reconhecem como representante de seus interesses. Todas as negociações com agentes externos são feitas através da cooperativa. educação. beneficiamento de produtos florestais não madeireiros. mas desavenças estão presentes em diferentes falas: “Estão organizado pela cooperativa mas tem gente que nem vende a castanha para a cooperativa e não participa das reuniões. Colaborou também na obtenção de recursos financeiros para desenvolvimento de projetos. agricultura. entre outros. embora nem todos os castanheiros moradores desta comunidade sejam associados. Inúmeros projetos para implementação de benfeitorias e oportunidades junto à comunidade de São Francisco injetaram recursos na comunidade desde a criação da COMARU e principalmente após a criação da RDS. o projeto Castanha do Brasil. Inclusive no estatuto da COMARU não consta nenhuma cláusula que se refere à RDS. Por exemplo. por meio de parcerias com instituições governamentais e não governamentais e organismos internacionais. Ações deste tipo são investimentos na melhoria das condições de trabalho e na qualidade de vida das famílias moradores da Vila de São Francisco. A criação da RDS do Rio Iratapuru trouxe investimentos para a área.A Cooperativa tem um histórico que se confunde com a própria história da RDS.

”Que a gente possa trabalhar e que nosso produto seja valorizado. que tenha trabalho e transporte.”. A RDS do Rio Iratapuru.” Os depoimentos apontam ainda a segurança e as oportunidades que a criação da RDS trouxe para a comunidade. desde sua criação. Além disso. Agora nós temos isso quase como uma ordem aqui e tem que ser cumprida. “Na região Sul encontra-se a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru com seu ecossistema rico em biodiversidade e habitado por populações tradicionais.”.”. que a cita em todos os documentos de divulgação do governo. Citaram por exemplo . As comunidades que habitam a floresta estão envolvidas com o extrativismo da castanha-do-brasil. Com o manejo da Floresta a gente tenha uma renda melhor e que além destas pessoas que nos ajudam venham outras pessoas para contribuir para o nosso crescimento.” A RDS é a presença do estado na região. transformada com a implantação da fábrica.Os depoimentos sobre as conseqüências da criação da RDS retratam a unidade de conservação como um fator de mudança para o entendimento da temática ambiental uma apropriação da população local. “Eu espero que a RDS tivesse um prédio da SEMA com um funcionário”. A RDS do Iratapuru foi criada para manter o equilíbrio ecológico e proporcionar a exploração sustentável dos recursos naturais da região.” Outros apontaram para a possibilidade de diversificar os produtos coletados: “Poder explorar outros recursos como o breu. Os informativos turísticos do Estado também citam a RDS como um atrativo. por exemplo. Novamente houve quem demonstrasse interesse na maior presença da SEMA na unidade de conservação. ai nossa vida melhora. a Copaíba. “Foi muito bom porque a gente agora tem mais segurança e a RDS proporcionou a vinda de pessoas do governo e da Natura e FFEM que nos ajudam a crescer. Hoje nós temos que zelar por essa natureza. como resultado da orientação da RDS . Hoje em dia as pessoas moram aqui na vila.Nós temos que pensar também nos nossos filhos.” Há também a consciência de garantir estoque pesqueiro: “Existem uma família que não esta preocupada com o meio ambiente e estão realmente degradando porque eles trazem pescadores lá de Laranjal para caçar e pescar com malhadeira proibida e nós que temos que pescar para o nosso sustento não usamos malhadeira. portanto o lixo é trazido de volta. teve apoio significativo do governo do estado para o fortalecimento da população usuária dos recursos da reserva. que é um projeto novo. porque não entra gente de fora para tirar a castanha e nem pescar. a RDS tem sido alvo de aportes significativos de recursos nacionais e internacionais.”. eu pretendo plantar castanheiras para a conservação da natureza e pela preservação de meu trabalho porque vivemos da natureza.”A RDS trouxe muita gente pra cá que ajudou na nossa instrução.Quando foi formada a RDS eu tive muita orientação para minha vida”.” O futuro das próximas gerações também está associado à idéia de conservação: “o que eu faço. “Espero que a situação seja regularizada. farinha e principalmente no biscoito. o cuidado com a destinação do lixo: “A criação da RDS trouxe muita orientação para nós. 28 . com aportes financeiro significativos para agregar valor à produção e fortalecimento da organização social. CONSIDERAÇÕES: O processo de implementação desta RDS não representa a realidade da criação e implementação das unidades de conservação neste país. em óleo. É tanto peixe que a gente pega!”. a pesca pra vender. senão. Antigamente não havia preocupação em não deixar lixo nos barracos para cima no rio. para o ecoturismo. A RDS é uma vitrine para o GEA. quer seja de formação quer seja de parcerias:“Bons. Antigamente era uma viagem de 3 a 4 horas para chegar na casa de alguém. estava cheio de garimpeiros ai pra dentro.

” A chegada de novos moradores também é um fator de preocupação mencionado pelos entrevistados. alguns pontos devem ser considerados: Falta de participação efetiva da comunidade na COMARU. é um elo de união de grande parte dos membros da comunidade. As famílias novas que moram na parte de cima são excluídas de algumas decisões e poucos participam das reuniões da comunidade. Um aspecto favorável à gestão participativa presente na RDS é a COMARU. O fato de que a Vila de São Francisco vem se tornando um pólo de atração migratória. Estas comunidades têm direito de se 29 . pelas condições de serviços e acesso à recursos presentes no local. Outro fato interessante. “ajudando a conservar a biodiversidade e fortalecendo as populações tradicionais locais”. a comunidade e ao segmento gestor responsável pela a área. O plano de manejo deveria estar atento às necessidades territoriais da população e definir o modelo de monitoramento das variáveis sociais e ambientais que condicionam o padrão de ocupação na área afim de responder à evolução das necessidade territoriais ao longo do tempo. Pelas entrevistas realizadas com os moradores das assim chamadas comunidades de entorno da reserva foi possível perceber uma marginalização com relação ao uso dos recursos da RDS e a falta de informação a respeito da demarcação e objetivos da reserva. Deveria também definir critérios de acesso à RDS. que foi objeto de contrato pioneiro de acesso ao recurso da biodiversidade.A RDS do Rio Iratapuru pode ser considerada uma unidade de sucesso já que cumpre os objetivos de conservação e melhoria da qualidade de vida da população local. Duvidas como essa: O que está sendo discutido com a comunidade? O que os parceiros estão desenvolvendo? Por que estão fazendo/ que mandou e/ou autorizou fazer? Parece exemplificar como vem sendo feito o controle. em parte devido ao fato de que algumas famílias desalojadas da área da RDS quando de sua criação. Falta de integração entre os diferentes setores do GEA para as ações na RDS. As comunidades de fato passaram a agregar valor nas suas atividades a partir da criação da RDS. também provocou grande visibilidade para a RDS. demonstram que é restrito a um pequeno grupo de pessoas. seja em relação à cooperativa. A inexistência do conselho gestor compromete a gestão da RDS. A Natura também fatura com o marketing de ser parceira de unidade de conservação de desenvolvimento sustentável. é a valorização do conhecimento tradicional. O relatório do “I Seminário sobre Plano de Manejo da RDS do Rio Iratapuru” aponta que “Em relação à socialização das informações produzidas e atuação na reserva. deve ser motivo de reflexão e referencia para definição da capacidade de suporte do local. do saber local. O contrato firmado com a Natura. que apesar das desavenças existentes. Ataques verbais são comuns entre os dois lados. Precisa-se buscar uma melhor transparência. Esta divisão é percebida quando se nota que os atuais diretores da COMARU pertencem às famílias antigas. e desdobramento da criação da RDS. Não há controle de entrada de novas pessoas. Ainda assim. nesse processo com a Natura. Falta uma instituição que represente a comunidade na gestão da RDS. gerando repartição de benefícios para a comunidade. o segundo no Brasil com este caráter. Os moradores entrevistados não têm conhecimento da implementação da reserva. A comunidade apresenta-se dividida entre as famílias tradicionalmente moradoras do local e aquelas que recentemente se estabeleceram. Infere-se que há pouca participação (efetiva) da comunidade e de seus representantes nas discussões e tomadas de decisão.

plano de manejo da RDS Mamirauá . entretanto. Embora tenham sido envolvidas no processo de criação da RDS. de 16 de julho de 1996 (criação da RDS Mamirauá).000 ha (1990). Localização: Situada a 600 quilômetros a oeste de Manaus. Fontes principais de orçamento: Gov. pelo Governador do Estado do Amazonas ( decreto n° 12836/90). por meio de processos participativos.411. pesquisas sobre biodiversidade e combate à pobreza pela promoção de ações de desenvolvimento sustentado. que estas comunidades não possuem organização alguma. Internacional (Grã-Bretanha). ONG’s Internacionais (WCS. tendo a cidade de Tefé com principal referência urbana. Hoje são em torno de 137 funcionários.386 de 09 março de 1990 (criação da Estação Ecológica Mamirauá). PRÓ-MANEJO. mostrava-se incompatível com o modelo de gestão participativa que se pretendia implantar. decreto estadual 12. assim como responsáveis. com uma área de 1. Esta categoria. 30 . ameaçados de extinção. o fato de ser uma reserva estadual facilitou que o desenvolvimento das propostas de trabalho fosse “tolerado” pela Secretaria de Meio Ambiente Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas.411. Em 1996 Mamirauá foi transformada em Reserva de Desenvolvimento Sustentável. de 16 de julho de 1996 Inicio de implantação da RDS: 1991/ 1992: Projeto Mamirauá.1996 Área da RDS Mamirauá: 1. A intenção foi legalizar e viabilizar a permanência e o envolvimento das comunidades locais na gestão de seus recursos naturais.000 hectares. Numero de funcionários da UC: Os Funcionários são do Instituto responsável pela Unidade. ao mesmo tempo em que promovesse a proteção de grandes áreas de florestas tropicais. entre técnicos e operacionais. Cooperação . na confluência dos rios Solimões. criado em 1999 Atos normativos da RDS: lei estadual Número 2. RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ DADOS GERAIS: Nome como a unidade é conhecida na região: Reserva Mamirauá Data de criação da RDS: Lei estadual Número 2. como proprietários dos recursos naturais.124.124. No entanto. A Comunidade de São Francisco sente-se no direito de uso da RDS. A proposta de criação da unidade de conservação foi formulada pelo biólogo José Márcio Ayres e visava proteger o hábitat dos primatas uacari-branco e macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta. É importante ressaltar. categoria de manejo que até então não existia.IDSM. Estação Ecológica. A proposta da categoria caracterizava-se pela conjugação de três dimensões: preservação do patrimônio natural.beneficiar das ações que vem ocorrendo na RDS. EU). IPAAM. Japurá e Auati-Paraná. A sociedade civil Mamirauá foi criada em 1992 Responsável pela RDS: Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá . Brasileiro. encontram-se marginalizadas do processo de implantação da unidade de conservação. como Estação Ecológica Estadual. HISTÓRICO DA CRIAÇÃO Originalmente Mamirauá foi decretada em 1990. A área em que residem pertence à empresa Jarí ( Grupo Orsa) e as atividades de extrativismo são realizadas sem nenhuma autorização ou acordo com a mesma. segundo depoimentos.

Fruto de luta de pesquisadores que consideraram a área de valor biológico e ecológico único. que define como objetivo básico desta categoria a preservação da natureza. Movimentos de Educação de Base) que propiciou um processo histórico de diálogo e participação desde a década de 70. A Sociedade Civil Mamirauá e posteriormente o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. SCM. E é esta demanda predominantemente ecológica que. propositores e incentivadores da criação da RDS Mamirauá. sistemas aquáticos (limnologia. biologia de peixes comerciais e ornamentais. Adriana (orgs) Unidades de Conservação no Brasil: aspectos gerais. fato inédito na história das unidades de conservação deste país. estudos de mercado para a espécies nativas e extensão em saúde educação ambiental). Sobre este aspecto. p. caça. 1996. p 47. Da mesma forma. ficou pronto no mesmo ano da criação da RDS. João Paulo & Ramos. que financiou atividades de pesquisa em diversas áreas: pesquisas sobre sistemas terrestres (manejo de espécies. empreendido pelos pesquisadores do Projeto Mamirauá. outro fator que contribuiu decisivamente para a organização da população foi a presença de movimentos sociais (movimento de pescadores. In Capobianco. Os recursos facilitaram também o processo de envolvimento da população moradora na proposta da RDS. 31 . embasado em 4 anos de pesquisa cientifica. Entretanto. por exemplo.Esta RDS é citada pela maioria dos entrevistados como o modelo para a criação e inclusão desta categoria de manejo no Sistema Nacional de Unidades de Conservação. acaba se refletindo nas disposições para RDS inseridas na lei do SNUC. SCM .Mamirauá: Plano de Manejo. foram também os principais articuladores para a inclusão desta categoria no SNUC. O plano de manejo. apesar da demanda para a criação da unidade ter se baseado em aspectos notadamente ecológicos. dispersão de sementes). 1006 (Documentos do ISA n 1). o processo de criação desta UC não representa a realidade da criação e implementação das Ucs neste país. “A organização de um sistema para participação comunitária foi facilitada pela existência não só do movimento de preservação de lagos mencionado anteriormente como também pelo fato das comunidades já terem uma organização política formada e terem uma prática de discussão democrática de seus problemas desenvolvida desde o final da década de 1960 pelo movimento de Educação de Base (MEB) . organização sócio-produtiva. sócio economia e participação comunitária (levantamentos sócio-econômicos. p 17). por sua vez. anfíbios e mamíferos aquáticos). São Paulo: Instituto Socioambeintal. levantamentos florestais e de fauna. experiencias inovadores e a nova legislação (SNUC). desde 1980 já havia um movimento de preservação dos lagos comunitários: “o projeto Mamirauá teve como vantagem a preexistência de um movimento ecológico local e a maturidade política das comunidades já organizadas e com prática de discussão de seus problemas comuns” in CNPQ/MCT/ IPAAM Mamirauá: Plano de Manejo. Além disso.“O envolvimento de populações humanas em unidades de conservação: a experiencia de Mamirauá. a partir de 1992 (ano de criação da Sociedade Civil Mamirauá). lei promulgada em 2000.38. a concepção original da RDS de Mamirauá é “de uma área protegida que concilie os objetivos de preservação da natureza aliada à melhoria de qualidade de vida de seus habitantes” ( in CNPQ/MCT/ IPAAM . extração de madeira. o decreto que cria Mamirauá apresenta como seu principal objetivo o desenvolvimento sustentável das populações que habitam a área. Segundo Deborah Lima. Mamirauá teve um aporte significativo de recursos nacionais e internacionais. muitas comunidades já possuíam uma liderança política eleita pelos moradores. Quando se iniciou o processo de busca da conciliação da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável das populações humanas residentes. Resultado do processo dialógico e da avançada organização comunitária.

o número de espécies que consegue sobreviver a tão dramática dinâmica. pois o envolvimento da comunidade requer um processo longo de negociações desgastante e que necessita de pessoal qualificado para mediar os conflitos. que foi firmada em 1971 e entrou em vigor em 1975. porém. também como os peixes.. Há. in CNPQ/MCT/ IPAAM . por um lado. Sua longa história nos relata o processo de consolidação desta categoria.” in Queiroz.. as áreas úmidas. expressos no Plano de Manejo. É uma região de florestas inundadas que permanecem seis meses submersas e sofrem variações anuais de até 12 metros dos níveis das águas. permanência da população habitante pode evitar gastos com desapropriações e remoções. Neste sentido.Mamirauá: Plano de Manejo. dos quais dependem para sua sobrevivência”. uma vez que os modelos desenvolvimentistas adotados geralmente estão assentados sobre o uso à exaustão destes recursos” in CNPQ/MCT/ IPAAM . SCM 3. binômio pobreza e devastação. SCM 2. a participação comunitária garante não só o apoio político local e menores custos de fiscalização da implementação de normas de conservação. Mamirauá é considerada um exemplo e modelo para outras RDS. uma fauna mais diversa que nas áreas circundantes.47 A RDS Mamirauá é a maior unidade de conservação da várzea amazônica. promover um sistema de vigilância mais barato e efetivo e evitar colapso da economia local. 2005 Realização IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil e ISA – Instituto Socioambiental . 32 . É considerada área úmida/alagada (wetland) de importância internacional pela Convenção de Ramsar. elas continuam existindo em níveis satisfatórios (com algumas poucas exceções). Em longo prazo. Helder.São Paulo: Peirópolis.” (Santilli. que são paulatinamente exportados às regiões vizinhas por meio das mais distintas formas de carreamento. A presença de importantes espécies de vertebrados ameaçados de extinção também é um fator relevante na fauna de Mamirauá”. As difíceis condições criadas pelas enchentes prolongadas a cada ano limitam. bem como desvenda suas lacunas e possibilidades.151) Queiroz descreve a biodiversidade e a diversidade cultural de Mamirauá: “A fauna encontrada em Mamirauá apresenta um alto grau de endemismo. são as seguintes|: 1.Mamirauá: Plano de Manejo. em Mamirauá. que “mostra que o subdesenvolvimento leva à pressão naturalmente maior sobre os recursos naturais. in CNPQ/MCT/ IPAAM . como assegura a manutenção do modo de vida local a partir de definição de estratégias de uso sustentado dos recursos. SCM. e se ocupa de um ecossitema específico. mas por outro lado propiciam o surgimento de adaptações únicas que podem definir especificações e endemismos neste ambiente. p. “Em curto prazo o modelo envolve custos maiores que a não consulta e que a retirada da população. As várzeas da Mamirauá funcionam também como um grande depósito de nutrientes. cortada por centenas de lagos que formam sistemas aquáticos intercomunicáveis entre si e com os rios.Mamirauá: Plano de Manejo. Boa parte dessas espécies é explorada pelas populações amazônicas em muitos locais.p.Por ser a “inspiradora” da categoria de manejo RDS tal como incluída no SNUC. Juliana: Socioambientalistmo e novos Direitos – proteção jurídica à diversidade biológica e cultural . Santilli descreve a RDS como “(. a reserva cumpre um papel de berçário para vários recursos naturais que lá nascem e amadurecem antes de partir para aqueles pontos externos onde serão captados. As justificativas para criação da RDS Mamirauá. mas.) uma grande ilha de florestas inundáveis.

implantação. posteriormente apoiada por diversas instituições de extensão rural. buscando a melhoria das condições de vida das populações locais. constante no plano de manejo da RDS. devido às articulações. SITUAÇÃO ATUAL A implantação desta RDS continua procurando conciliar a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento social. o biólogo Marcio Ayres e demais cientistas envolvidos. Rapidamente a unidade de conservação organizou sua estrutura e começou o processo de implantação do plano de manejo.br A RDS Mamirauá teve condições muito específicas no contexto de sua criação e. Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Setores: grupos de assentamentos vizinhos Os moradores do entorno são. Sítios: núcleos populacionais menores.org. De modo geral os entrevistados entendem que a RDS tem a função de conservar para garantir os recursos naturais utilizados para sobrevivência pelas populações moradores e usuárias. Existem pessoas que têm um certo tempo de moradia e que se dizem proprietários. Disponível no site do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá: www.mamiraua.Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. 33 . não são encontradas propriedades. que foi o apoio científico. sobretudo através do CNPQ. é a seguinte: Comunidades: termo adotado pela maioria dos assentamentos da região. não organizados segundo o modelo de comunidade. e o aporte de consideráveis recursos da cooperação internacional. geralmente. posteriormente. usuários dos recursos naturais da RDS. Comunidades/sitios família população n° Interior 39 Entorno 65 Total 104 Dados 1999-2002 318 833 1151 1596 4486 6082 Isolados Total família população n° família população n° 13 28 41 44 74 118 215 345 560 52 93 145 362 907 1269 1811 4831 6642 A definição destes termos. e que possuem uma liderança política eleita pelos moradores. prestígio científico e sensibilidade do principal defensor da idéia. Ocupação: Foram definidos 8 setores que reúnem o conjunto de 3 categorias de ocupações – comunidades/sítios e bairros isolados. com envolvimento da academia e um grande leque de pesquisadores. Refere-se às localidades que adotaram a proposta da Igreja.

Participação: Todo o processo de criação e implantação da RDS teve a participação da população local.. A RDS é dividida por setores. Deborah Lima menciona a cerca da participação da população que “o envolvimento da população se deu a partir de uma série de articulações muito difíceis. (.Não foi apontada a presença de grandes empreendimentos: “não temos conhecimento nesta área de proprietários que queiram fazer investimentos e modificar o local” (depoimento do pesquisador de campo). As reuniões setoriais têm a participação dos presidentes das comunidades. pelo fato da reserva ir de encontro ao movimento comunitário de preservação de lagos iniciado nos anos oitenta. “A decisão sobre as limitações da mobilidade da população e a proibição ou não de novas fundações deve levar em conta as necessidades da população.. Este modelo informal está sendo repensado para se adequar à determinação da Lei do SNUC que define como deve funcionar o conselho gestor. é que a mesma tem pequena área habitada. segundo depoimento. propõe a indicação de variáveis sociais e ambientais que condicionam o padrão de ocupação na área. 1994. texto de Deborah Lima sobre o histórico de ocupação humana e mobilidade geográfica de assentamentos na área da então estação ecológica de Mamirauá. Segundo depoimento. que se deu continuidade aos trabalhos. que a defesa dos lagos é de interesse direto dos moradores. Até o momento não obtivemos informações sobre se há mecanismos regulatórios neste sentido ou uma política de ocupação da área. em que primeiramente foi feita uma consulta à população residente. para propor sua participação na implantação da reserva. em entrevista. Já em 1994. O decreto de criação da RDS também explicita preocupação com a dinâmica de ocupação da população. A intenção é que o plano de manejo atenda adequadamente às necessidades territoriais da população local e defina o modelo de monitoramente destas variáveis a fim de responder à evolução das necessidades territoriais ao longo do tempo. Edna Ferreira – Histórico da Ocupação Humana e Mobilidade Geográfica de Assentamentos na área da Estação Ecológica Mamirauá in ANAIS – IX Encontro Nacional de estudos Populacionais – volume 2. particularmente porque estavam sofrendo pressão de invasores externos que ameaçavam o estoque dos recursos naturais. ainda não formalmente implantado na RDS. Deborah Lima depõe. interesses diferentes dos que até então estão envolvidos no processo de implantação da unidade de conservação. tipo de organização social já existente antes da criação da unidade de conservação. As terras de várzeas são freqüentadas para uso dos recursos.” in Lima Ayres. poder público. sejam estas necessidades de natureza ambiental ou social. quanto à migração. Belo Horizonte. pois exige representações diferentes. mas são desabitadas. um dos entrevistados citou que moradores que foram embora da área quando os recursos estavam escassos estão num movimento de retorno em função das dificuldades encontradas na zona urbana e das noticias de que os recursos se tornaram abundantes na região. A deliberação de todas os assuntos acontece com a participação das comunidades. ABEP – Associação Brasileira de Estudos Populacionais . Foi somente porque houve uma resposta positiva da maioria da população. como proposto pelo decreto de criação da UC e posteriormente pelo plano de manejo. Esta situação é motivo de geração de conflitos. ongs e institutos de pesquisa nas Assembléias Gerais. a formalização do conselho gestor tem dificultado a participação. Uma facilidade na implantação da RDS. tanto no que diz respeito ao seu crescimento. e os representantes dos diversos setores têm assento na assembléia geral.) A intenção de transformar um 34 . categorias diferentes. A este respeito. Deborah e Alencar. que não tinha conhecimento da demarcação da área.

. p. os moradores do interior têm direito a mais zonas de uso de recursos do que os moradores do entorno. Ao contrário. que garantisse uma melhoria na qualidade de vida da população”. O plano de manejo definiu “um sistema adequado de zoneamento da área para delimitar os locais e definir normas de uso dos recursos de forma a garantir a sustentabilidade deste uso e não afetar negativamente o abastecimento de peixe dos mercados urbanos vizinhos à reserva” in CNPQ/MCT/ IPAAM . A concepção da RDS incorpora as populações indiretamente afetadas pela criação da RDS: “interferir no processo de uso desses recursos de importância econômica significa influir diretamente na economia e subsistência de uma população muito maior que aquela que reside nos limites da unidade de conservação (. existem muitas pessoas “que duvidam do restabelecimento dos recursos” por meio da conservação. pois estes. João Paulo & Ramos..Mamirauá: Plano de Manejo. 1996. As comunidades do entorno participam das reuniões e assembléias junto com as comunidades de moradores do interior da RDS. definição dos lagos de preservação. foi sendo construída ao longo do processo de interação com a população local. manutenção e comercialização dos produtos de cada comunidade. p. o projeto tem o apoio de praticamente todas as comunidades. Há também aqueles que acreditam que os recursos “não acabam e acham que preservar é mera besteira”. com a participação da comunidade na gestão dos recursos e na elaboração do plano de manejo. experiencias inovadores e a nova legislação (SNUC). In Capobianco. As populações de entorno tem direito a acesso à zona específica de uso dos recursos e participam das reuniões conjuntamente com os moradores do interior da unidade. em geral.12). SCM. Mesmo assim.38 E ainda: “A experiência com o envolvimento de populações locais desenvolvidas em Mamirauá não seguiu nenhum modelo rígido. Em algumas áreas estão bem organizadas. em outras existem muitos problemas de envolvimento e participação.” p. SCM. As pessoas isoladas são justamente aquelas que geralmente não participam de nenhuma organização. Após cinco anos de trabalhos dedicados à pesquisa e à extensão. Segundo relato do pesquisador de campo. combinado com a preservação da biodiversidade .40 in O envolvimento de populações humans em unidades de conservação: a experiência de Mamirauá. apresentam vínculos de parentesco. com fiscalização dos lagos de preservação pelos respectivos moradores (e apoio do IBAMA para atuar contra invasores). alocação de lagos destinados às sedes de município para pesca 35 . Hoje em dia as associações comunitárias estão em estágio de organização muito variado. No entanto. levou tempo. ajustando as demandas e costumes locais à intenção de construir um sistema de uso sustentado da várzea. Adriana (orgs) Unidades de Conservação no Brasil: aspectos gerais. Acordos que constam no plano de manejo e citado pelos entrevistados: fechamento dos lagos da reserva para pesca profissional destinada aos mercados mais distantes (Manaus e Manacapuru principalmente). São Paulo: Instituto Socioambeintal.)” (in CNPQ/MCT/ IPAAM . PLANO DE MANEJO O plano de manejo procurou aliar a pesquisa científica e os conhecimentos tradicionais sobre uso dos ecossistemas de várzea e manejo dos recursos naturais.projeto vertical em projeto horizontal.Mamirauá: Plano de Manejo. 1006 (Documentos do ISA n 1). os conflitos de invasão com segmentos de fora da unidade foram resolvidos mais facilmente do que os conflitos entre os moradores do interior da reserva nos casos de desrespeito aos acordos.

o projeto Mamirauá procurou trabalhar com os comunitários a idéia de que estas medidas são a garantia da sustentabilidade dos recursos que exploram. Data de criação da RDS: 18 de julho de 2003.6 km2 Localização: Norte da Região Costeira do Estado do Rio Grande do Norte. experiências inovadoras e nova legislação (SNUC) Capobianco.” Deborah de Magalhães Lima – O Envolvimento de populações Humanas em unidades de Conservação – A experiência de Mamirauá in Unidades de Conservação no Brasil: aspectos gerais. Para que o zoneamento e as normas estabelecidas pelo plano de manejo sejam respeitados. RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DE PONTA DO TUBARÃO (RN) DADOS GERAIS: Nome como é conhecida na região: “Reserva Ambiental”.Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (vinculado à Secretaria Estadual de Planejamento) Atos normativos da RDS: Lei Estadual No. totalizando quatro técnicos envolvidos. o Governo do Estado ainda não destinou recursos financeiros específicos para a gestão da RDS Ponta do Tubarão. 36 . Número de funcionários da UC: Todas as atividades/ações desenvolvidas são realizadas por voluntários das comunidades e pelos funcionários do órgão ambiental estadual (IDEMA/RN). dois funcionários (sendo um efetivo e um consultor) participam diretamente dos trabalhos da RDS. diâmetro mínimo para a extração de madeira. A fiscalização dos lagos de preservação escolhidos por cada comunidade só é feita voluntariamente porque há interesse econômico da população que reconhece que a preservação de lagos a beneficia. 39. Fontes Principais de Orçamento: até o presente. mesmo reconhecendo que o envolvimento das comunidades locais é fundamental para viabilizar a implantação de uma unidade de conservação. Início de implantação: 11 de dezembro de 2003. tamanho mínimo das principais espécies de peixe comercializadas. a sua sobrevivência. J.349 / 2003 Área da RDS: 12. não só quanto aos resultados positivos do manejo. a citada autora coloca que “as normas de manejo que resultaram das pesquisas biológicas estão sendo negociadas com os comunitários. e Ramos. Não podemos esquecer que o interesse das chamadas ‘ populações tradicionais’ pela conservação se baseia em um interesse econômico específico. 8. nº 1. A parceria que se estabelece entre conservacionistas e comunitários envolve interesses específicos que podem ou não convergir e por isso requer que os acordos sejam negociados com habilidade e os interesses de cada parte reconhecidos. não podemos ignorar as dificuldades que decorrem desse envolvimento. Dois outros funcionários da SubCoordenadoria de Gerenciamento Costeiro dão suporte aos trabalhos. As reuniões e oficinas. uma vez que a UC ainda não conta com sede própria. que possui um Núcleo de Unidades de Conservação. “Reserva Sustentável” e “Reserva de Diogo Lopes”. Sobre este aspecto.comercial. entre outras atividades.Instituto Socioambiental. como porque recebem apoio institucional para proibir a entrada de peixeiros profissionais. Desse Núcleo. (orgs) – documentos do ISA . abrangendo os municípios de Macau e Guamaré. A. Portanto. com a constituição e tomada de posse do Conselho Gestor. Responsável pela RDS: IDEMA .960 hectares ou 129. P. proibição de extração de madeira das restingas ao redor dos lagos de preservação.P. nem idealizar a natureza de seus interesses pela preservação. são realizadas em sedes de associações comunitárias.

escolas e voluntários. De qualquer forma.. armados de pedras e pedaços de madeira. IDEMA. em frente ao núcleo de habitações. como segue (ver anexos): “Crime ambiental abala Diogo Lopes” – O Vale. de origem italiana.3. só tiveram a certeza de que algo errado estava acontecendo quando um dos moradores admitiu que estava apoiando um grupo de forasteiros que tinha a intenção de implantar um projeto de carcinicultura na Ilha dos Cavalos. e decidiram chamar a atenção pública à sua causa. 7. que nunca foram informados sobre a intenção de se transformar a região em pólo turístico. Janeiro de 2001. conhecida como Ilha dos Cavalos. optando. localizadas no município de Macau / RN. notadamente a pesca artesanal.HISTÓRICO DA CRIAÇÃO7 A intenção de se criar um reserva ambiental que abrangesse as comunidades de Diogo Lopes. Natal. pela realização de eventos em prol da criação da unidade de conservação. determinando que se organizassem e. Apesar de alguns moradores terem suspeitado da presença de alguns homens estranhos na comunidade de Diogo Lopes. 11 de janeiro de 2001. para as quais foi também solicitado que tomassem providências para evitar outras agressões. empresa de capital estrangeiro sediada na cidade do Rio de Janeiro. inicialmente. dizendo que se ele continuasse. O segundo acontecimento ocorreu no final de 2000: as comunidades foram surpreendidas pela queima de quatro hectares de mangue em uma das ilhas do manguezal do rio Tubarão. em seguida. Diversos jornais divulgaram este acontecimento. a comunidade de Diogo Lopes se deu conta de que um incêndio consumia a vegetação da ilha. p. p. Os moradores ameaçaram-no. “Crime ambiental em Diogo Lopes” – Diário de Natal. “Ibama fiscalizará mangues de Diogo Lopes” – Tribuna do Norte. Natal. Sem retorno à solicitação. o pedido de aforamento foi negado. No entanto. Na seqüência. o pedido de aforamento não foi aceito e esses problemas foram superados na época. As atividades da GRPU estavam relacionadas a um pedido de aforamento da restinga solicitado pela PPE Participações e Administração LTDA. fossem ao local para controlar o fogo e expulsar os forasteiros. ranchos de palha dos pescadores localizados na restinga foram queimados e acreditou-se que os representantes da referida empresa. 37 . Macau. 12 de janeiro de 2001. o local seria destinado à construção de um hotel com grandes dimensões. “Devastação em mangue é denunciada” – Diário de Natal. a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) que englobasse as comunidades de Diogo Lopes e Barreiras. foram realizadas denúncias da situação às autoridades competentes. foi despertada diante de dois acontecimentos que foram considerados por essas comunidades como uma ameaça ao meio ambiente local e à continuidade das atividades tradicionalmente realizadas na área. Mas em 1996. ateariam fogo em seu barco. Ensejando garantir maior proteção à área. fossem os mandantes dessa agressão. Barreiras e Sertãozinho. Caso o aforamento da restinga fosse concedido. Natal. no início de 2001 os moradores solicitaram ao órgão estadual de meio ambiente. Entretanto. Este fato gerou indignação nos moradores. os moradores se uniram através de entidades comunitárias. O primeiro acontecimento se deu em 1995: moradores da comunidade de Diogo Lopes se depararam com técnicos da Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU/RN) realizando medições topográficas da restinga que separa o rio Tubarão do mar. 20 de janeiro de 2001. membro do conselho da RDS representando a Universidade Federal da Paraíba. 7 Informações prestadas pela Professora Thelma Dias.

Barreiras. Macau. O II Encontro contou com a participação de palestrantes de diversas Universidades e órgãos públicos. Foram proferidas diversas palestras acerca de temas relacionados à questão ambiental e à criação de unidades de conservação. representantes das comunidades se reuniram com um técnico do IBAMA/RN (Sr. e de um abaixo-assinado. Julho/Agosto de 2001. Entretanto. Petrobrás. “Comunidades pesqueiras discutem preservação” – Diário de Natal. com 1. 17 de maio de 2001. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “Comunidade de Diogo Lopes realiza encontro” – Diário de Natal. A finalidade da reunião foi decidir se a comunidade queria criar uma Reserva federal. IDEMA/RN. professores locais e de outros estados. IBAMA/RN. 4. No dia 22 de agosto de 2002. entre outros). estaduais e federais. a moção contou com a assinatura de 232 pessoas e o evento foi realizado por 17 entidades das comunidades (incluindo escolas municipais e estaduais) com o patrocínio da Petrobrás e o apoio da Prefeitura Municipal de Macau. Além das palestras. 11. Os componentes elaboraram e leram publicamente as recomendações tiradas deste Encontro e assinaram uma moção solicitando agilidade na criação da Reserva. pág. 13. O Encontro contou com a participação de pesquisadores. Em 2002. O I Encontro foi encerrado com a redação de uma moção. pintura e poesia) e exposição de vídeos sobre temas ambientais. a categoria de unidade mais adequada seria a RDS ao invés de APA. O Encontro foi encerrado com uma mesa redonda intitulada “Situação atual do processo para a criação da Reserva Sustentável da Ponta do Tubarão”. entre outras representações. que foram entregues ao presidente do IDEMA solicitando a criação de uma RDS na área. estadual ou municipal. as comunidades realizaram novo evento. Inclusive. Natal. como Universidade Federal da Paraíba (UFPB). foi apresentada uma palestra que mostrou a experiência da RDS Mamirauá. Foi também neste período que os moradores haviam tomado conhecimento da Lei do SNUC. “Comissão solicita ao Idema a preservação de manguezais em Diogo Lopes e Barreiras” – Jornal de Hoje. Neste Encontro. Pág. assinada por 208 pessoas. apresentações teatrais. Jean Túlio Cunha dos Anjos). Ana Maria Marcelino. Sertãozinho e da cidade de Macau. entre os dias 18 e 20 de maio. donas de casa. foram ministrados cursos para professores e moradores da comunidade (pescadores.336 adesões. desta vez denominado “II Encontro Ecológico de Diogo Lopes e Barreiras: Pela Reserva Ambiental”. Pág. 18 de maio de 2001. entre os dias 5 e 9 de junho. 19 de maio de 2001. um representante do CNPT de Brasília (Sr. além de ampla participação dos moradores das comunidades de Diogo Lopes. Natal. Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RN). Natal. onde puderam conhecer a nova categoria de manejo recém incorporada a esse documento: a Reserva de Desenvolvimento Sustentável. estudantes). 17 de maio de 2001. concursos de artes (desenho.O primeiro desses eventos aconteceu em 2001. Alexandre Zananiri Cordeiro) e representantes do IDEMA (Sra. como mostram as matérias abaixo: “A Petrobrás de volta para a região de Macau com programas sociais e de preservação do meio ambiente” – Folha de Macau. que contou com a participação de representantes das comunidades e de órgãos públicos municipais. Natal. “I Encontro de Barreiras e Diogo Lopes neste final de semana” – Tribuna do Norte. Foi a partir da Lei do SNUC que os moradores constataram que para a realidade de Diogo Lopes e Barreiras. O mesmo pedido foi feito ao IBAMA/RN. na ocasião. denominado “I Encontro Ecológico de Diogo Lopes e Barreiras: Em Defesa do Nosso Futuro”. Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU/RN). na esperança de que 38 . representantes de órgãos governamentais e não governamentais. atividades de limpeza do manguezal. O I Encontro foi registrado pela mídia em jornais e na internet. as comunidades já demonstravam o desejo de criar uma RDS federal.

que ultrapassava o limite entre os municípios de Macau e Guamaré. Dessa forma. Pensou-se também em estender a RDS para englobar os estuários dos rios Casqueira e Conceição. Chico Martins. apesar da importância desses estuários. agora na esfera estadual. como delimitação da área e elaboração da minuta do decreto de criação. uma vez que o IBAMA não dispunha de recursos humanos ou financeiros para uma empreitada como essa. O que surpreendeu os presentes foi o fato de que a “decisão” já veio pronta. a maior densidade de cavalos-marinhos entre diversas áreas estudadas no nordeste do Brasil. No sentido leste.as influências políticas fossem menores do que seriam no âmbito estadual. No que diz respeito à definição das dimensões da RDS e seus limites. Surpresos e decepcionados. Canto do Papagaio e a própria comunidade da Casqueira). árvores bastante importantes para os moradores (pela madeira. os moradores presentes apenas tiveram que acatar a decisão e aceitaram continuar batalhando pela Reserva. Entretanto. em direção ao centro de Macau. da restinga e da parte marinho-costeira. Salina Cristal. além da Salina Soledade. Soledade. foi definido para contemplar a área onde ocorre a pesca de tresmalhos (ver Dias. Nestes dois últimos estuários há uma significativa biodiversidade (Dias. Além disso. por fornecer alimento para 39 . 2005) e as atividades de lazer dos moradores. as comunidades. ocorrendo. em função da pesca e das especulações imobiliárias que ameaçavam a restinga. .Dificuldade de fiscalização por parte da comunidade. E com relação ao limite sul. exploração de petróleo e exploração de sal. como projetos de carcinicultura. a RDS estava mais voltada para a conservação da área estuarina (rio Tubarão). salinas e campos de exploração de petróleo. por meio de suas representações. constituem-se em importantes áreas de pesca para moradores das comunidades vizinhas (Diogo Lopes. Dessa forma. o limite de dois km mar adentro.Presença de segmentos econômicos que causariam muitos conflitos e resistência à criação da RDS. com a mudança de governo estadual. essa região como um todo está fortemente pressionada por englobar diversos projetos de carcinicultura. em preparação). por exemplo. A orientação do representante do CNPT foi a de que a escolha fosse por uma RDS estadual. chegaram ao consenso de não contemplar na área da futura unidade o maior número possível de atividades que pudessem gerar problemas atuais e futuros. o limite oeste só foi até a Ponta do Tubarão e proximidades da comunidade de Soledade. Barreiras. . alguns fatores foram apontados como impedimentos para que essa área fosse incorporada: . diversas reuniões foram realizadas na comunidade de Diogo Lopes com a participação de representantes de entidades envolvidas no processo de criação da RDS e dos moradores das comunidades de Diogo Lopes. a preocupação foi englobar todo o manguezal do rio Tubarão. Salina Riachão e diversos projetos de carcinicultura que estavam se instalando na época (hoje já em funcionamento e ampliação).O próprio fato de ser área de ocorrência de variadas atividades impactantes. Inicialmente. No início de 2003. por se tratar de uma área relativamente distante das comunidades mais próximas. No sentido norte (em direção ao mar). se intensificaram os trabalhos em prol da criação da Reserva. Barreiras e Sertãozinho. inicialmente as comunidades pensavam em englobar apenas uma pequena parte das dunas para contemplar os bosques de quixabeiras. deixando de fora os campos de exploração de petróleo de Macau Serra e a sonda SC-106. que funcionam na praia de Soledade. alegando que poderia demorar anos para o governo federal criar a RDS. localizados mais a oeste. À época.

sem que tivessem sido devidamente informadas sobre as conseqüências relacionadas à criação da unidade e sem que tivessem sido devidamente consultadas sobre seu interesse em terem seus espaços de habitação e de desenvolvimento de atividades econômicas transformadas em área legalmente protegida. É importante salientar que durante todo o processo de criação e durante a votação na Assembléia. assinou um projeto de Lei de sua autoria criando a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão. na ocasião. Um outro fator 40 . o projeto de Lei da Governadora foi aprovado por unanimidade pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte e em 18 de julho de 2003 foi publicada a Lei Estadual n0 8. as comunidades foram surpreendidas com a presença da Governadora do Estado do Rio Grande do Norte. declaram que não irão submeter os usos e formas de ocupação de seus imóveis às normas do futuro plano de manejo da unidade ou às deliberações de seu conselho gestor. Este Encontro foi realizado por 23 entidades da sociedade civil e do Governo municipal (incluindo escolas públicas e o Programa Criança da Petrobrás).349. que. que não participaram do processo de reivindicação da unidade de conservação. Wilma Maria de Faria. O III Encontro teve uma novidade em relação aos anteriores. os moradores ficaram convencidos da importância de englobar todo o lençol e os rios subterrâneos que alimentam o lençol freático. Mangue Seco II (já pertencentes ao município de Guamaré) e todas as virtuais propriedades particulares que abrangem praticamente todo o campo dunar e a porção de caatinga da RDS. a mesa redonda abordou o tema “Estudos para elaboração do Plano de Manejo e implantação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão”. se viram inseridas na área da RDS. shows de música popular e concursos de artes entre os alunos das escolas locais. e o lençol freático que fornece água potável a grande maioria dos moradores. Na cerimônia de abertura do III Encontro. O patrocínio foi da Petrobrás e o apoio da Prefeitura de Macau. entre os dias 5 e 8 de junho. Em função desta imposição técnica do IDEMA. artistas e voluntários diversos. criando a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão. Desta vez.animais. Da mesma forma. este contou com a participação de professores universitários. Entretanto. Mangue Seco I. Após discussões e negociações. pesquisadores de diversas áreas. Assim como os demais Encontros. apesar de concordarem com a necessidade de conservação ambiental da área. moradores das comunidades. Ainda em 2003 as comunidades inicialmente envolvidas deram mais um passo decisivo ao realizarem o “III Encontro Ecológico de Diogo Lopes e Barreiras: Pela Implantação da Reserva”. as comunidades estiveram presentes para lutar pela aprovação do projeto de Lei. Em 24 de junho de 2003. representantes de órgãos públicos das três esferas de poder. Houve a realização de cursos. O Encontro mais uma vez foi encerrado com uma mesa redonda e posteriormente com a elaboração e leitura pública das recomendações. etc). os técnicos do IDEMA alegando que seria muito importante contemplar não apenas parte do lençol freático. que foi a publicação da Revista do III Encontro Ecológico de Diogo Lopes e Barreiras. apresentações teatrais. mas também as áreas de caatinga onde ocorrem suas nascentes. impuseram o alargamento da área em direção ao sul. foi preciso abarcar a área que abrange as comunidades de Lagoa Doce. Por causa dessa justificativa. as comunidades predominantemente agrícolas de Lagoa Doce e Mangue Seco I e II. as pessoas que se identificam como proprietárias de áreas na região não foram previamente consultadas e hoje.

importante a ser considerado foi a ampla participação de representações comunitárias durante a delimitação da área da Reserva e a elaboração da minuta do projeto de Lei de criação da RDS. Entretanto. Até hoje. ligada a Igreja Católica Centro Social Pio XI – Macau Centro AMA-GOA – Macau Comissão de Justiça e Paz de Macau (CJP/Macau) – Diogo Lopes Colônia de Pescadores Z-41 – Diogo Lopes Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) – Diogo Lopes Escola Estadual Isolada de Diogo Lopes (EEIDL) – Diogo Lopes Escola Municipal Alferes Cassiano Martins (EMACM) – Barreiras Escola Municipal José Ribeiro da Costa (EMJRC) – Diogo Lopes Escola Municipal Luzia Bonifácio de Souza (EMLBS) – Diogo Lopes Escola Municipal Salete Martins (EMSM) – Sertãozinho Grupo Ecológico Gaivotas do Sal (GEGS) – Macau Grupo Ecológico Ponta do Tubarão (GEPT) – Diogo Lopes Associação Potiguar de Apoio aos Jovens do Meio Popular (ILEAÔ) – sede em Parnamirim/RN Jardim Escola Amiguinhos do Saber (JEAS) – Diogo Lopes Jovens Lutando para Vencer (JLPV) – Diogo Lopes Jovens Unidos a Serviço de Cristo (JUSC) – Diogo Lopes Paróquia de Macau – Macau Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) – Macau Programa de Criança da Petrobrás – Diogo Lopes e Barreiras 41 .A. (Petrobrás/UN-RNCE) Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Entidades não governamentais: Associação de Mulheres Luiza Gomes (AMLG) – Diogo Lopes Associação de Desenvolvimento Comunitário de Barreiras (ADECOB) – Barreiras Associação de Desenvolvimento Comunitário de Diogo Lopes (ADECODIL) – Diogo Lopes Associação de Pescadores e Pescadoras de Macau (APPM) – Macau Associação Comunitária de Mangue Seco e Lagoa Doce (ASCOMAS) – Mangue Seco I e II. 5º. Inciso I). deputados tentam alterar este artigo da Lei estadual que cria a RDS. A seguir. consta as relações de entidades governamentais e da sociedade civil envolvidas com a criação da RDS: Entidades Governamentais: Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA/RN) Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU/RN) Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA/RN) Prefeitura Municipal de Macau Câmara Municipal de Macau Petróleo Brasileiro S. mas a pronta reação dos moradores e ambientalistas tem evitado seu intento. um dos pontos mais polêmicos e que gerou forte resistência por parte do governo estadual foi o desejo das comunidades de proibir a “instalação de novos empreendimentos de carcinicultura e ampliação da área dos viveiros de camarão já instalados na área da Reserva” (Art. e Lagoa Doce Centro de Educação Integrada Monsenhor Honório (CEIMH) – Escola particular de Macau.

Após a posse. Na ocasião.Gerência Regional do Patrimônio da União – GRPU/RN .Poder Legislativo do Município de Guamaré . tendo ocorrido também reuniões em caráter extraordinário.Grupo Ecológico Ponta do Tubarão – GEPT . que resultou de um concurso de idéias realizado na comunidade. sendo considerada prioritária a capacitação dos membros do Conselho no sentido de se esclarecer qual a importância do Conselho.Associação de Mulheres Luiza Gomes – AMLG . qual o seu papel enquanto grupo e qual o papel de cada membro individualmente. e as dez mais votadas foram a escolhidas.Colônia de Pescadores Z-41 .Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA/RN .Poder Legislativo do Município de Macau . conforme 42 .Associação de Desenvolvimento Comunitário de Diogo Lopes – ADECODIL .Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte – IDEMA (presidente) .Comissão de Justiça e Paz – CJP .Petrobrás (representante do setor produtivo) . O Conselho se reúne bimensalmente em caráter ordinário. também foi escolhida a logomarca da RDS. Cabe ressaltar que o papel de cada membro do Conselho ainda não está bem claro para alguns deles.Poder Executivo do Município de Macau .Poder Executivo do Município de Guamaré .IMPLANTAÇÃO E GESTÃO DA RDS PONTA DO TUBARÃO A primeira atividade desenvolvida após a criação da Reserva foi a organização das regras para eleição das entidades não-governamentais que iriam compor o Conselho Gestor da RDS.Paróquia de Macau . Os representantes das entidades não governamentais que se inscreveram para concorrer a uma das 10 vagas no Conselho votaram entre si. Nota-se que algumas pessoas (até mesmo do próprio Conselho) ainda não fazem idéia da importância desse tipo de representação para a RDS. que foram escolhidos através de votação pelos representantes das entidades que realizaram o III Encontro Ecológico. Abaixo segue a relação de entidades com representação no conselho gestor da RDS: Representações Governamentais (9) .Centro Social Pio XI . Algumas pessoas não conseguiram assimilar o que é um Conselho Gestor e o seu caráter deliberativo. com exceção do representante do setor produtivo (Petrobrás) e da instituição de pesquisa (UFPB). o Conselho iniciou os trabalhos de elaboração de seu regimento interno que deveria ser submetido à aprovação do Conselho Estadual de Meio Ambiente do RN (CONEMA).Associação Comunitária de Mangue Seco e Lagoa Doce – ASCOMAS Os representantes governamentais do Conselho foram indicados por cada instituição.Universidade Federal da Paraíba – UFPB (instituição de pesquisa com atuação na reserva) Representações Não-Governamentais (10) .ILEAO . A eleição aconteceu no dia 25 de setembro/2003 e em 11 de dezembro de 2003 houve a cerimônia de posse do Conselho.Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP .

realização de cursos. Mesmo com seu regimento ainda em fase de elaboração. Oficina de Planejamento para Elaboração do Plano de Manejo RDS Estadual Ponta do Tubarão A 2ª. ficou acordado entre os participantes. detalhamentos sobre a Lei do SNUC. O ponto mais importante da Oficina foi a definição dos temas prioritários no tocante à implantação da Reserva. A cada ano. Oficina de Planejamento ocorreu no dia 20 de setembro de 2004 e contou com a apresentação de palestras sobre temas relevantes na Reserva. 1ª. Outras atividades visando a implantação da reserva foram: IV Encontro Ecológico da RDS Estadual Ponta do Tubarão: Comunidades e Reserva de Mãos Dadas O IV Encontro Ecológico teve seu nome alterado. em 16 de fevereiro de 2004 iniciaram-se as reuniões do Conselho. Essa decisão foi tomada em reunião entre as entidades que realizaram os encontros anteriores e o Conselho Gestor da Reserva. o número de entidades realizadoras do Encontro tem crescido. As novidades do IV Encontro foram: o lançamento do Boletim Informativo do Encontro e a participação das comunidades de Mangue Seco I e II e Lagoa Doce.especificado na Lei Estadual n0 8. desta vez. já carregando o nome da RDS. treinamentos. pertencentes ao município de Guamaré e inseridas na porção oeste da Reserva. que se formariam grupos de trabalho compostos por moradores e colaboradores externos para discutir esses temas e buscar formas de resolução de 43 . concursos de artes. Os temas apontados pelos presentes foram: (1) arranjo do turismo. O IV Encontro seguiu o modelo dos anteriores e teve a apresentação de palestras. Nesta oficina. sendo agora 27. Foi então aprovado o nome: “IV Encontro Ecológico da RDS Estadual Ponta do Tubarão: Comunidades e Reserva de Mãos Dadas”. Oficina de Planejamento do Plano de Manejo da RDS Estadual Ponta do Tubarão A 1ª. apresentações teatrais e shows de música.349 de 18 de julho de 2003. (2) arranjo da pesca e (3) uso e ocupação do solo. Os temas apontados foram: Uso e ocupação do solo Arranjo da pesca Levantamento socioeconômico Inventário da fauna e da flora Arranjos produtivos das comunidades rurais Solução para o problema da barra ZEE Mapeamento arqueológico Extração de areia Envolvimento e articulação com entidades e a sociedade Arranjo do turismo Levantamento dos recursos hídricos Demarcação e sinalização da Reserva 2ª. a importância da participação comunitária no processo de implantação da Reserva e a definição de três temas prioritários para começarem a ser trabalhados na RDS. Oficina de Planejamento ocorreu no dia 04 de setembro de 2004 e contou com a apresentação de palestras sobre temas que causam conflitos e dúvidas nos moradores das comunidades. como as implicações ambientais de uma possível abertura da barra do rio Tubarão.

como parte das estratégias de desenvolvimento sustentável a serem contempladas no plano de manejo da Reserva”. Apesar da pequena participação comunitária. Em seguida. de roupas. que contou com a participação de 50 pessoas foi financiada pelo IDEMA/RN e durou 2 dias. atividade que posteriormente ocorreu para os demais grupos de trabalho como turismo e pesca. O primeiro deles é a falta de compromisso dos representantes governamentais nas reuniões. decisões importantes estão sendo tomadas com relação ao uso e ocupação do solo e implantação do turismo. que contou a participação de palestrantes locais e de outras localidades. mangues e dunas da RDS” em Diogo Lopes. entre outros. os temas das palestras apresentadas foram: Impactos do turismo e seu monitoramento Turismo em unidades de conservação Turismo de base comunitária Turismo como alternativa de renda Fontes de financiamento para micro empreendimentos na Reserva Instituições ligadas ao turismo e os serviços oferecidos I Seminário para Organização do Espaço das Comunidades. os participantes formaram grupos para organizar propostas para o uso e ocupação do espaço das comunidades. Mangues e Dunas da RDS Em 12 de março de 2005. A visita. Uma das atividades mais relevantes foi a visita à Prainha do Canto Verde. nos dias 10 e 11 de dezembro de 2004. O segundo é a quase total falta de recursos 44 . SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS Os trabalhos visando a implantação da RDS Ponta do Tubarão vêm se sucedendo regularmente. no Ceará. O turismo convencional foi completamente rejeitado pelos moradores integrantes do grupo de trabalho deste tema. que contou com a participação de moradores das diversas comunidades da Reserva. e pessoas que demonstram interesse em trabalhar nesse ramo. deve ser de base comunitária. de melhoria para as pessoas envolvidas e formas de desenvolvimento sustentável dentro de cada uma dessas prioridades. nas formas de atuação e na tomada de decisões dentro das suas competências. Na ocasião. para conhecer a experiência dessa comunidade no turismo de base comunitária. artesanatos. de acordo com a maioria dos participantes. O público alvo deste grupo são as pessoas que tem empreendimentos relacionados ao turismo como bares. O objetivo do seminário foi: “Apresentar uma série de informações e experiências a respeito da atividade turística para subsidiar as comunidades da RDS no processo de decisão sobre a forma de turismo a ser implantada na Reserva. comércios de alimentos. mangues e dunas da RDS. entretanto com a participação de uma parcela pequena das comunidades inseridas na RDS. foi realizado o “I seminário para organização do espaço das comunidades. o grupo de turismo organizou e realizou o “I Seminário de Turismo Sustentável da RDS Estadual Ponta do Tubarão: que turismo queremos?”. de objetos. culinária. pousadas. Neste seminário. que. I Seminário de Turismo Sustentável da RDS Estadual Ponta do Tubarão: Que Turismo Queremos? O primeiro grupo a se organizar foi o grupo do turismo.problemas. Dois fatores principais podem ser destacados como entraves à implantação da RDS. que realizou diversas reuniões para agregação de participantes.

a maior parte criada e gerida pelos estados. Neste sentido. o que. embora não haja consenso. falésia e caatinga). com maior disponibilidade de recursos (humanos e financeiros) e que a demora na tomada de decisões não desestimule a parcela da comunidade que está realmente envolvida nos trabalhos. os trabalhos continuam e.(humanos e principalmente financeiros) para implantação mínima da Reserva. nenhuma placa foi colocada na Reserva indicando que a área trata-se de uma unidade de conservação. 6. De fato. o que gera dúvidas do porque escolher uma ou outra categoria para se criar uma unidade de conservação. quando não 45 . Em vários itens provoca diferentes interpretações de suas definições. Um referencial importante nas discussões foi a diferença entre RESEX e RDS. Este termo seria um elemento de marketing que potencialmente atrairia financiamentos de agências e empresas que visam o apoio. Por exemplo. abrindo possibilidade para experimentação social a fim de dar conta de situações locais específicas e contingentes. Porém. alguns pontos estão sendo delineados. como atividades prioritárias para a implantação da RDS podem ser citadas: (1) regularização fundiária. e (3) definição / implantação de estratégias para atrair e envolver o maior número de moradores no processo de gestão. aliado à falta de recursos para desapropriação. Apenas recentemente (2005) foi criada a primeira RDS federal no Arquipélago do Marajó. aos poucos. dirimindo tais polêmicas. A existência de conflitos de terra nesta região. é o que tem ocorrido. na verdade. já que todos consideram as duas categorias muito semelhantes. a regulamentação das RDS é uma maneira de estabelecer critérios para sua criação. há quem entenda que a falta de definições mais precisas desta categoria lhe confere flexibilidade para atender diferentes situações. por exemplo. ou ainda. Outra justificativa para criação de unidades de conservação nesta categoria é o termo sustentável presente no nome. mas também ao desenvolvimento de comunidades humanas. estuário / manguezal. tem sido motivos para criação de unidades de conservação desta categoria. dunas com e sem vegetação. Espera-se que estas barreiras possam ser superadas e que o processo de implantação da RDSPT ocorra de fato. Hoje a grande maioria das RDS existentes encontra-se na Amazônia. Tanto nas entrevistas realizadas. Parte dos governos dos estados amazônicos entende que RDS podem comportar propriedades privadas. não só à conservação ambiental. Finalizando. quanto nas discussões que aconteceram na Oficina Diálogos sobre Reserva de Desenvolvimento Sustentável a polêmica esteve presente. INTERPRETAÇÕES E POLÊMICAS SOBRE A CATEGORIA DE MANEJO RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO A regulamentação da categoria de manejo RDS não é precisa. Nenhum recurso foi disponibilizado pelo Governo para viabilizar a compra de material de escritório. implantação e gestão. É comum também a criação de RDS como medida urgente para proteção de ecossistemas ou grupos sociais ameaçados. estaria intimamente relacionado ao Zoneamento Ecológico-Econômico. gerando polêmica. As RDS têm sido criadas sob as mais variadas argumentações. De qualquer forma. Espera-se também que estratégias de mobilização das comunidades sejam delineadas e aplicadas para que o processo seja de fato participativo. porção urbana. (2) ordenamento do uso e ocupação do solo em todos os diferentes ecossistemas da RDS (porção marinha / restinga.

direitos. revela-se a partir da descrição dos mesmos sobre as RDS (Mamirauá – AM. As entrevistas realizadas (com os moradores das RDS estudadas. É importante ressaltar o fato de que praticamente 100% dos entrevistados não tinham conhecimento do motivo pela qual a categoria de manejo escolhida foi RDS e não Resex. PERCEPÇÃO SOBRE CATEGORIA DE MANEJO RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO PELOS MORADORES DAS RDS ESTUDADAS: A percepção do entendimento acerca desta categoria. seus gestores e entidades da sociedade civil relacionadas. expressaram. deveres e opções já definidas para as RDS nos instrumentos jurídicos. no caso dos moradores do entorno das unidades de conservação. aonde por mais de quatro anos foram realizadas discussões sobre qual categoria seria mais adequada à sua realidade. dos quais poderia se esperar conhecimento da legislação. as pessoas não têm conhecimento das determinações a respeito das RDS expressas na lei do SNUC e sua regulamentação. Mesmo os moradores de Ponta do Tubarão. Esta situação é bastante compreensível em relação aos moradores das unidades de conservação estudadas. e em outros. Por um lado aponta-se para o fato de que. Iratapuru – AP e Ponta do Tubarão – RN) na qual habitam ou têm algum tipo de relação de uso. Nestes casos. não têm segurança sobre as diferenças entre as duas categorias de unidades de conservação. considerando que esta categoria de manejo privilegia a participação da comunidade local. e com poucas experiências de unidades de conservação criadas. Mesmo assim. Praticamente todos responderam desconhecer a diferença entre RDS e Resex e a única resposta que avança um pouco mais nesse sentido. no caso dos moradores entrevistados. não exigindo iniciativas da população local para este fim. assim como com autoridades e especialistas) revelaram o entendimento destes atores sociais sobre a categoria de manejo Reserva de Desenvolvimento Sustentável. embora tais afirmações não sejam condições dispostas na lei do SNUC. Por outro lado. A análise das entrevistas permite o entendimento de que o conceito desta categoria de manejo de unidade de conservação encerra muitas ambigüidades e interpretações. bem como estudiosos e especialistas em unidades de conservação. 46 . agrupando os diversos entendimentos por itens. interpretações contraditórias dos mesmos. prevendo inclusive conselho deliberativo (enquanto na maioria das demais unidades de conservação os conselhos são consultivos) os moradores necessariamente deveriam ter maior conhecimento dos limites. desconhecimento dos diplomas legais. exemplifica as contradições e imprecisões conceituais que envolvem a categoria de manejo RDS. que mereceu especial atenção destes atores. visto que em função da realidade das ocupações – relativamente isoladas dos centros urbanos . em alguns casos. A discussão sobre a diferença entre Resex e RDS. a justificativa está embasada no entendimento de que as RDS podem ser decretadas apenas por iniciativa do poder publico. Neste item descrevemos a interpretação da categoria RDS pelos entrevistados. possibilidades. os gestores entrevistados.há organização da população local. responsabilidades. identifica RDS como uma categoria exclusivamente estadual e a diferencia da Resex por permitir o uso dos recursos por moradores do entorno (resposta de um morador de Mamirauá). por ser uma categoria muito recente.têm menos acesso a informações.

quer seja o governo estadual. é razoavelmente intensa em Ponta do Tubarão e mais estruturada em Mamirauá. pode –se inferir que a participação ficou restrita a representantes dos segmentos produtivos e sociais locais. deve-se. Na RDS Ponta do Tubarão. Tal quadro nos permite interpretar que a participação dos moradores no processo de criação e implantação das unidades de conservação não atingiu plenamente seus objetivos. embora valorize a unidade. responsável pela gestão da unidade. mas amiúde não sabem como deve se dar seu funcionamento. Além disso. Tal situação. até ouro. a um processo desenvolvido por instâncias da Igreja Católica de apoio à organização comunitária local. um aspecto ressaltado entre os depoimentos dos moradores das três reservas é a consciência de sua responsabilidade de fiscalizar o acesso e permanência de pessoas estranhas às RDS. por meio da participação formal de representantes dos segmentos locais. Na Ponta do Tubarão o processo se dá. controlando sua exploração e protegendo-os de agentes externos à comunidade: “As pessoas daqui tem permissão para tirar o que quiser. teoricamente. Vinculado a esse aspecto. a relação dos moradores com esses processos é bastante frágil em Iratapuru. quer seja o governo municipal. a freqüência de respostas relacionadas à ausência do poder público na unidade de conservação. as opiniões sobre alguns itens relacionados à categoria de manejo RDS: 47 . inclusive em situações em que a criação de uma unidade de conservação deveria. que a RDS impõe limites à exploração dos recursos naturais e das fontes de alimentação em beneficio da própria comunidade. no caso de Iratapuru. entre as populações locais. em grande parte. assim como nas atividades voluntárias de apoio à organização social e à obtenção de novos conhecimentos. nenhum morador entrevistado soube explicar os critérios para definição dos limites e desenho da RDS da qual fazem parte. Por outro lado é unânime a percepção. apesar do longo período de discussões que subsidiaram a criação da unidade. certamente em função da precariedade dos processos de consultas públicas sob responsabilidade dos órgãos executores do SNUC. No que se refere à implantação e gestão das RDS. mas só as pessoas daqui”. Nesta última os moradores enfatizam a forte participação das comunidades nas assembléias setoriais e gerais.Grande parte dos entrevistados tampouco domina plenamente o significado da categoria RDS. conforme já mencionado. iniciado antes da criação da reserva. a não ser um entrevistado que tomou parte das atividades de demarcação da unidade de conservação. No que se refere especificamente à gestão das unidades. mostra-as alheia às atividades para sua implantação e gestão. beneficiar populações locais. Já a população beneficiária de Iratapuru não citou qualquer participação no processo de implantação. mas a comunidade como um todo. reflexo da débil preocupação do poder público pela democratização de suas políticas ambientais. com baixo grau de capilaridade entre a comunidade como um todo. chama também a atenção. entretanto. Sabem que estão inseridos em reservas ou com elas estão fortemente envolvidos. que mantém seu direito de uso dos recursos da unidade. Abaixo.

“ “Porque ela é uma Reserva de desenvolvimento sustentável.” 48 . “A RDS serve ao futuro da geração porque a nova geração vai desfrutar disso e nós temos a obrigação de fiscalizar e preservar”. saúde e saneamento básico mas a outra parte da sustentabilidade da população. a seringa sem fazer desmatamento. os moradores citam a importância da reserva como instrumento de conservação por proteger recursos dos quais dependem para sua reprodução sócio-cultural e por evitar que as terras lhes sejam tomadas por grupos estranhos à comunidade. garantindo a disponibilidade e reprodução dos recursos naturais utilizados para seu consumo ou comercialização. Então é preciso algum investimento do poder publico como estrada. “A mata só está conservada por causa da RDS.”. “Então a RDS foi criada para preservar o castanhal e também a natureza.”.Objetivo principal: De modo geral. então devemos zelar por ela. “Tanto conservação ambiental quanto o desenvolvimento dos moradores. “Manter primeiramente o que existe e cuidar do que nós temos para que nunca venha a faltar”. então ela mesmo é capaz de se sustentar. então acho que ela foi criada exatamente por isso. A conservação da biodiversidade não está presente nos discursos dos moradores. os entrevistados que responderam. Houve respostas dos moradores de Mamirauá que apontaram como objetivos da RDS a organização e envolvimento da população local. Então isso aqui nós estamos passando para os nossos filhos e dos nosso filhos para outros filhos de outras gerações. financeiramente esse povo tem como trabalhar e tem como sobreviver. entendem que a RDS tem por objetivo a promoção da qualidade de vida dos moradores e usuários. nem no discurso dos agentes governamentais. Porque criar? As respostas para esta questão expressaram diversos entendimentos: A criação da RDS propiciaria investimentos na área e nas comunidades “A gente articulou isso porque sabíamos que com a criação da reserva o recurso do PPG-7 seria maior e como a fatia do bolo vinha maior isso iria beneficiar as comunidades. De maneira em geral. escola. não deixar destruir as madeiras e não fazer estrago”. “A reserva foi criada para que assegurasse isso (a natureza) porque hoje em dia a devastação está imensa”. Até hoje não precisamos desmatar”. “A reserva garante a continuidade das famílias em suas áreas tradicionais e impede a entrada de hotéis e criadores de camarão”. Para beneficiar a comunidade. para proteger.” “Dar sustento à população e extrair a castanha. Por que um depende do outro”. e em alguns casos. “Serve pra você tirar os produtos de dentro da reserva pro seu sustento de uma forma que não traga problema ambiental. “Falaram que é para conservar.

mas quem pensa no futuro dos que virão. “Acho que é porque facilita mais a divisão da área”. 49 . “ Se a gente deixar como estava estaria muito pior que hoje. “Foi para o pessoal não invadir. por isso pensaram em proteger”. “Faltava de peixes nos lagos”. Vieram com história de turismo. Para proteção de espécies endêmicas. Hoje nós temos que zelar por essa natureza”. “RDS é melhor pela forma de gerenciamento. quer seja de parcerias. “A criação da RDS trouxe muita orientação para nós. “Porque havia muita invasão de pessoas que iam mariscar e tirar castanha de nossas propriedades sem permissão.“Chegamos ao consenso de que na Amazônia tinha que se fortalecer as áreas de proteção e desenvolvimento. ser nativo.” A categoria permite moradores “Acho que é porque pode ter pessoas dentro da reserva”. Para conter invasão e depredação dos recursos naturais “A gente soube que a reserva foi criada por causa da criação de camarão. como o macaco Acari. Tipo de ocupação Os entrevistados se auto-identificam como tradicionais. Agora nós temos isso quase como uma ordem aqui e tem que ser cumprida. tem mais recursos”. continuidade (“usam as mesmas tradições”). devastação do mangue. Para propiciar aumento da disponibilidade dos recursos naturais utilizados pelas comunidades. ervas medicinais e a castanha. População tradicional é definida a partir do histórico de moradia e uso dos recursos naturais na região. E a gente sabe que o mangue é algo essencial pra nós aqui que vive dentro da reserva”. Antigamente não havia preocupação em não deixar lixo nos barracos para cima no rio. e aumentar o conhecimento. portanto o lixo é trazido de volta.Tradicional também adquire significado de antigo. “Para que as atividades do pessoal. “Foi a comunidade que quis preservar a partir do momento que conheceu como usar”. então a RDS é um modelo de desenvolvimento sustentável porque ela é muito rica em peixe. Há quem aponte para uma identidade cultural e/ou de organização para definir a tradicionalidade. no caso de Mamirauá. Já teve muita confusão por causa disso e já teve gente que saiu daqui algemada”. quer seja de formação. e se nós não tivesse inventado isso teria um monte de gente aí”. e espécies de cavalo-marinho em Ponta do Tubarão. ”Antes da criação da reserva nos foi dito que uma estrada chegaria até a área de onde nós tiramos castanha e isso iria coalhar de gente e não poderíamos mais se utilizar da floresta” “Para proteger as atividades de pesca” “Pra evitar a invasão pelo pessoal da carcinicultura” Para propiciar oportunidades. de pesca e mariscagem pudessem continuar”. viu que isso não seria bom para nossa comunidade”. “Foi por causa de forasteiros que queriam se apossar de nossa comunidade e quebrar nossas tradições.

A diferença entre a categoria RDS e Resex foi um dos destaques nas análises. GESTORES PÚBLICOS E ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR As entrevistas revelaram interpretações contraditórias e expectativas diferenciadas em relação à categoria de manejo RDS. .”. com disciplina. o que não pode. o cacau. “Sim porque sempre estiveram ai.“Regularizar as colocações porque isso ainda não existe. os avós”. conquistando mais apoio para a preservação. “Acho que o que deveria ser feito é incluir esta área à RDS desde a cachoeira das Panelas até aqui.“Eu acho que a prioridade nossa é fazer esse plano de manejo. . pois sabemos que tem forasteiros explorando nossos caranguejos de forma desordenada”. É como a gente vai saber o que pode.” “Fazem as mesmas atividades que os pais. A gente é acostumado aqui. . . Gestão As prioridades de gestão para os moradores e usuários entrevistados concentram-se em: Apoio às comunidades: .”. proporcionar conhecimento para as comunidades. indo pra lá e voltando pra cá. nosso dinheiro. o que não deve”. PERCEPÇÃO SOBRE A CATEGORIA DE MANEJO RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO PELOS ESPECIALISTAS. onde ela trabalha.“Eu acho que é a pessoa lá onde ela vive.organização das comunidades para manter os recursos naturais para o futuro. Criar conselho deliberativo. essas coisas. Se ele não sai para trabalhar na cidade. . Em relação à produção: -“ Melhorar o escoamento da produção”. de gari. a madeira porque depois da época da castanha nós não temos outra atividade”. As vezes um pega castanha do outro e não pode abrir porque outro reclama”. Basicamente os pontos principais de distinção entre as categorias são: tipo de ocupação e uso dos recursos naturais tamanho da unidade questão fundiária processo de criação 50 . temos aqui o nosso emprego. não trabalhamos em Macapá.“Essa questão dos caranguejos é muito séria. .melhorar qualidade de vida das comunidades.“O que acho que falta é um projeto que trabalhe os outros produtos da mata como a seringa. o que deve. Envolver mais a população.envolvimento das comunidades. Implantação da RDS: Demarcar a reserva. Situação fundiária: “Queria regularizar a situação das propriedades do entorno da reserva porque a gente mora aqui”. Se nós moramos aqui.

Toda vez que a comunidade pleitea. mineração. A regulamentação é mais frouxa. e animais de do ecossistema e autorização da substituição grande porte. “O SNUC igualou muito as coisas. não precisa ser extrativista. mais segura. eu achava que tinha que diferenciar. A tabela abaixo resume as diferenças apontadas pela maioria dos entrevistados e participantes da Oficina “Diálogos sobre Reserva de Desenvolvimento Sustentável” entre as categorias de manejo de unidade de conservação Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e Reserva Extrativista (RESEX) RDS Populações devem residir na área da UC. Na RESEX as populações tem mais poder sobre o território. não desapropria. O processo de demanda da RESEX envolve a organização da comunidade. pleiteam RESEX. já que a concessão para a população é de toda a área. e da RDS não necessariamente. A RESEX é proposta pela comunidade. A reserva de desenvolvimento sustentável é uma área natural que abriga populações tradicionais. A RESEX é uma solução mais definitiva. Quando a comunidade está organizada ela sempre pleiteia RESEX. mais permanente.” “A Resex é uma área utilizada por populações extrativistas locais.” “A RDS é um ordenamento para acesso aos recursos e para a ocupação. fruto da luta política dos seringueiros. do ponto de vista das comunidades. um pouco mais liberal do que eu acho que deveria ser e a RESEX um pouco menos autônoma do que deveria ser”. não retira população. sempre. A RDS não foi demanda da população. devem utilizar a área da UC Populações tradicionais não necessariamente Exclusivamente populações extrativistas extrativistas Pode ter propriedade privada Propriedade deve ser de domínio publico Sua criação pode ser iniciativa do poder Sua criação tem que ser iniciativa da publico e ONgs população Exige a demarcação de área de proteção Não exige demarcação de área para proteção integral integral Possibilidade de exploração de componentes Proibida a caça. animais de grande porte e caça Não necessidade de plano de manejo de Necessidade de plano de manejo de 51 .” “As RESEX devem ser federal e as RDS estaduais” “A RESEX brotou de lutas sociais e a RDS não. RESEX Populações podem ou não residir. mais aberta. da cobertura vegetal por espécies cultiváveis Não há autorização explicita para substituição em seu interior.” “As RDS são quase como uma APA: pode ter vários tipos de atividades sustentáveis.” “RESEX é um modelo histórico. “ “A RESEX dá maior nível de autonomia para a comunidade. implicitamente permitindo da cobertura vegetal por espécies cultiváveis mineração. A proposta da RDS veio de encontro com idéia de uma categoria de manejo de uso sustentável mais flexível.” “O que caracteriza a RDS é seu vinculo com a comunidade acadêmica. está aqui a diferença”. Pronto.prioridade para conservação histórico da categoria gestor publico – estadual/federal Alguns comentários acerca da diferença entre RDS e Resesx: “No conjunto do SNUC isso entre uma modalidade e outra as diferenças são mínimas. O quê que o SNUC fez? O SNUC deixou a RDS meio liberal. não atrelada à idéia de extrativismo e seringueiros. todo o território.

Área com significativa diversidade biológica rendimento sustentável para exploração comercial de recursos madeireiros São federais Áreas menores Concepção da categoria respondeu à demanda da luta social dos extrativistas A população deve estar organizada População tem mais poder sobre o território Área com recursos naturais passíveis de extração Abaixo. Estas comunidades usam os recursos de forma tradicional. as opiniões sobre alguns itens relacionados à categoria de manejo Reserva de Desenvolvimento Sustentado. Elas pleiteiam. Há quem a considere. mais “conservacionista” do que a RESEX “A RESEX é uma UC voltada para a extração. elas gerem a unidade de conservação.” “O objetivo principal é a conservação. “A questão principal é a garantia de Terras e as duas garantem isso. “O objetivo que as UCs de uso sustentável tem com a população tradicional é a questão fundiária”.” Todos ressaltam os objetivos de conservação desta categoria. de pesquisa de possibilidades amplas”. A conservação está associada ao estilo de vida destas comunidades. há quem a considere mais “flexível” por prever diversidade de usos dos recursos naturais. Ao meu ver o que acontece nas RDS ainda é conservação ambiental. entretanto. “A RDS tem um teor de proteção.) são mais condescendentes em relação à conservação. pois permite exploração de maior vulto”. “Mais aberta do ponto de vista ambiental. são muitos demoradas. são menos restritivas. “Preocupa-se mais em proteger o patrimônio natural que são medidas mais efetivas e mais rápidas enquanto que medidas relacionadas ao desenvolvimento sustentável. que são melhoria de vida das populações residentes. “É uma experiência singular.”. e depois conciliar com a exploração sustentável de recursos naturais”. Pode-se observar que plano de manejo poucas tem. não para conservação. “RDS é uma categoria diferente porque nela é possível viabilizar projetos de desenvolvimento e a exploração econômica dos produtos.rendimento sustentável para exploração comercial de recursos madeireiros São estaduais Grandes áreas Concepção da categoria respondeu à demanda da comunidade acadêmica Não há necessidade de organização da população População com menor poder sobre o território devida a exigência de conservação da área. A conservação ambiental é o segundo objetivo. O que se faz é demarcar a área e promover um sistema de fiscalização e monitoramento. ter o seu espaço e poder usar.” “(. como a RDS”. Garantir o acesso à recursos para população é o objetivo primordial. “ 52 . Objetivo principal: A interpretação é que a RDS deve atender. de desenvolvimento da população”.. na RESEX a comunidade é o principal objetivo da categoria. garantindo acesso à terra e aos recursos naturais. o espaço da população que está lá. “Diferente da RDS. conselhos gestores poucos estão em funcionamento. por outro lado. como um dos objetivos principais. as populações moradoras..

.. o objetivo é a conservação da natureza Na verdade a interpretação é que as duas coisas podem conviver.” “RDS é como se fossem duas coisas em uma só. “O objetivo das RDS é compatibilizar a presença da população local com a conservação da natureza” “Eu destaco que os dois objetivos estão interligados. “Conservação ambiental é importante. mas sempre com a perspectiva da comunidade. “Propiciar às pessoas que vivem naquele local.”. mas se elas não tiverem como objetivo a conservação. É uma área como se fosse Resex.) Uma área grande na Mata Atlântica é diferente da Amazônia. que destacaram que esta categoria deve atender tanto os objetivos de conservação quanto o de desenvolvimento da população local. “A tendência das RDS é de conservar grandes áreas. a questão da preservação é um foco. elas não são unidades de conservação do SNUC. sem devastar. entretanto. é uma meta que as comunidades estão sempre tentando no sentido de poder garantir os recursos naturais”. Mas para essa categoria específica tem que estar junto com o desenvolvimento das comunidades locais. determinadas pelas populações”. É uma idéia que foi. o óbvio. por isso que eu falo de usos múltiplos”. superarada como reserva de uso múltiplo pela noção de mosaico. Então o conceito como se tratava RDS pra mim é como se fosse um mosaico dentro de uma unidade só. “As duas. Para RDS você tem uma lógica de proteção independente da área de uso. mas a permanência do homem na terra é outro foco que estão aliados. com áreas restritivas para conservação.. com mais flexibilidade. “RDS e Resex têm objetivos de conservação e desenvolvimento das comunidades”. é ser uma área grande.” A conservação seria o mote. conservação como um meio para garantir os recursos naturais para as populações locais.” “A área ter condição ambiental para ser declarada uma RDS.Muitos entendem a conservação na perspectiva da sobrevivência das comunidades. Por que criar? Uma consideração comum foi de que as RDS são caracterizadas por serem unidades de conservação com grandes dimensões. 53 . Houve aqueles. o que denota que consideram como objetivo prioritário desta categoria a qualidade de vida da população afetada pela implementação da UC : “(. um estar interligado ao outro” “Como toda a UC..” Outra consideração é que as RDS protegem os moradores e a conservação da área e deve ser criada ou para viabilizar a atividade econômica da população ou para proteger a área de ameaças externas.(. Para Mata Atlântica e para o Nordeste já é mais complicado. e uma área com proteção integral também dentro da mesma reserva. viver condignamente. 400 mil hectares pra cima. A prioridade é conciliar a utilização dos recursos naturais e o desenvolvimento econômico sustentável”. sem degradar aquilo que a natureza lhe propiciou tirando o sustento para sua família.) uma RDS tem que ser pra beneficiar a população que mora lá. ou seja. “A prioridade é conciliar a utilização dos recursos naturais e o desenvolvimento econômico sustentável” “A prioridade é a possibilidade de fixação de populações tradicionais. primeiro. dentro da lógica do movimento conservacionista. Amazônia a gente pode falar em 300.

“Proteção de espaços e recursos de uma população mais complexa que os seringueiros”.” “Área de baixa ocupação populacional.” Outro motivo apontado para criação de uma RDS foi de atender populações tradicionais com ocupação diferente dos seringueiros. agricultura. (.) A diversidade tem que ser boa o suficiente pra permitir que uma família viva ali pra sempre. Ao analisar toda a biodiversidade do Amapá. que enxergam nas UCs de uso sustentável uma solução para garantir acesso às terras e aos recursos naturais. “O uso racional justifica a criação da área e se subordina ao manejo. particularmente porque as populações residentes deste bioma praticam atividades complementares.” “Nos casos em que se tem uma população que está utilizando aqueles recursos naturais e que há risco da área estar sendo utilizada para outro tipo de empreendimento potencialmente degradador. nós não podemos ter uma RDS porque lá as pessoas não teriam que sobreviver porque lá não é tão diverso assim. ligações complexas com o mercado. artesanato. “A RDS não se limita ao predomínio de atividades extrativistas e a existência de populações tradicionais. Deve ser analisada sua criação toda vez que haja motivação para experiências de uso sustentável da biodiversidade e preservação”. temos que ver que recursos podem ser utilizados pelas populações para a sua ascensão social. “A base da conservação na Amazônia é a criação de unidades de conservação.” “Quando há risco eminente de um empreendimento potencialmente degradador ser implantado em uma área em que há uma exploração supostamente sustentável sendo praticada por moradores tradicionais ou pelo menos radicados há algum tempo”. extrativismos pesqueiro. “A RDS poderia se prestar ao papel de parque com gente porque aí a gente resolveria o problema de várias unidades no Amazonas. para o seu ganho de vida. “Nos casos em que se tem uma população que esta utilizando aqueles recursos naturais e que há risco da área estar sendo utilizada para outro tipo de empreendimento potencialmente degradador. “Na mata atlântica as populações praticam atividades diversas. “Quando há potencial de conservação ambiental e atividades não impactantes”. O produto começa ficar escasso e a reserva vem favorecer isso. elas têm a precisa noção de que isso precisa ficar em equilíbrio”. Estas percepções trazem consigo a noção de que as populações que vivem da biodiversidade na floresta tem noção de capacidade de suporte e equilíbrio ambiental. O que importa é garantir um tipo de uso que esteja no perfil. como ocorre na mata atlântica – várias atividades complementares. tais como turismo.” “Primeiro ela teria que ser uma área onde tivesse uma biodiversidade capaz de fazer com que as pessoas que vivem dentro dela e no seu entorno se auto-sustentem. Num cerrado como o do norte. significativa diversidade biológica e de favorável opção comunitária pelo uso sustentável de recursos naturais”.“A criação só é possível quando a própria comunidade se sente ofendida com a sua capacidade produtiva ameaçada. É mais adequada para sistemas com maior complexidade social e econômica.” Um entrevistado apontou que a RDS é indicada para o bioma Mata Atlântica. “Aí as pessoas que vivem no interior ou entorno da unidade. 54 . a pedido das próprias comunidades. melhorando a sua qualidade de vida. caso fosse readequada para categoria em que a população tenha um impacto mínimo na área e se fosse supervisionada”. Pra mim esse é o critério básico. e nas condições para permanecer numa área de conservação”.. A RDS foi pensada para dar conta deste leque de atividades complementares.. “Quando a população residente faz uso racional dos recursos naturais”.

com áreas para proteção permanente e áreas para ocupação e uso dos recursos naturais”.” “Numa área grande. Elas definem um certo ordenamento territorial. “ “As RDS cabem bem num mosaico. podem ser futuramente transformadas em unidades de conservação mais restritivas”. “Finalmente.) uma RDS tem que ter área para utilizar os recursos naturais existentes. quando a comunidade não está organizada. com áreas de uso e de conservação. mas que ela tenha interesse e a visão de conservação da natureza”. ver item correspondente. é melhor uma área gerida como unidade política.. que prevê áreas específicas para preservação permanente e o uso dos recursos naturais. chama atenção o entendimento de alguns. ter a sua cultura de subsistência. A primeira é essa. 55 . há quem entenda que as RDS podem cumprir papel de ordenamento territorial numa situação específica de uso múltiplo. conforme zoneamento. O entendimento de todos é que as populações ocupantes não precisam ser necessariamente 8 Em relação à criação desta categoria em função da questão fundiária. como uma categoria de manejo de unidade de conservação para gestão estadual. dentro do objetivo que a conservação da natureza e desenvolvimento da comunidade andam juntos e não são contraditórios”. mas em pequena quantidade e ter a sua área de reserva permanente compatível. por um grande número de entrevistados. como por exemplo. de que as RDS são uma categoria transitória. Tipo de ocupação O entendimento unânime é que os moradores devem ser populações tradicionais.. particularmente na Amazônia. a Resex. acesso a recursos) é mais fácil criar RDS”. quando os sistemas de vida da comunidade local são mais diversos e amplos e implicam em mais uso agrícola e outros.. e a RDS é uma solução intermediária”. com muita incidência de títulos.) O segundo caso é quando a gente quiser uma reserva de uso múltiplo mesmo.” “(. “Quando a comunidade não está organizada. embora não haja clareza do significado deste termo. É melhor do que não criar nada.“(.. mas ainda assim cabe dentro do que a gente definiu antes. em harmonia.) duas situações em que RDS seria interessante hoje. incluindo a pesca.. Geralmente está relacionado a ocupações de pessoas com histórico de uso dos recursos na área e por este motivo conhecem e respeitam a natureza. Num macro ordenamento territorial elas cumprem seu papel. As RDS são vistas. Entretanto.ou quando a população não está organizada o suficiente para demandar um outro tipo de categoria. ou não há como fazer desapropriação.. “A RDS é uma solução importante. mesmo sendo de papel sempre seguram algo num ordenamento territorial”. O mosaico tem fragilidade política. o governo estadual faz a mediação. “(. “Como as RDS são unidades de conservação menos restritivas. com conflitos (fundiários. “Uma outra situação é onde exista essa comunidade que não seja exclusivamente extrativista. As unidades de conservação. Foram apontadas também como categoria de manejo de uso múltiplo. Esta transitoriedade é atribuída à questão fundiária8 – enquanto não há recursos para desapropriação . em função das circunstâncias.

principalmente baseados na agricultura”. 56 . “(. com ocupação variada. A ocupação está subordinada ao potencial de conservação da mesma. pelo menos.) Então essas populações não têm que ser pensadas só para manter as condição de tradicional e devem ter a capacidade de assimilar estes aperfeiçoamentos na sua forma de acessar o recursos natural para agregar valor e oferecer um produto melhor pois estão em um sistema capitalista. para diferenciar da Rasex”. Caracterizar população tradicional é muito difícil principalmente aqui na Amazônia pois existe uma grande mobilidade na região e uma grande ocupação e miscigenação. “Pequeno numero de moradores (caiçaras)”.. “RDS poderia ser uma alternativa para locais onde o sistema de vida das comunidades é mais diverso. A RDS seria. como os pescadores. “Qualquer tipo de ocupação”. aquela caracterizada... veranistas. onde a pequena agricultura é mais importante. uma categoria voltada para populações tradicionais não extrativistas. O termo em si não justificaria a criação de uma RDS.” Há quem considere que as RDS comportam ocupantes que não sejam populações tradicionais. a referencia é que sejam “tradicionais”. pescador. por exemplo”. “A proposta da RDS veio de encontro com idéia de uma categoria de manejo de uso sustentável mais flexível. e aproveitar a comunidade que existem nas proximidades ou deslocar alguma comunidade pra lá pra usar recursos naturais”.) Hoje em dia se formos pensar na Amazônia ou no resto do Brasil na existência de população tradicional. quem tem que solicitar a criação da RDS são os próprios moradores. que desenvolvam usos múltiplos..” “(. portanto. Extrativista é apenas uma das possibilidades”. “Tem que ter usos múltiplos e ser mais baseado na agricultura do que no extrativismo.. radicados há algum tempo”. visto que estão sujeitos a serem questionados no seu modo de ocupação caso não seja compatível com a conservação. tudo bem. O que se deve considerar é o uso sustentável e que se possa incorporar praticas mais eficazes no uso do recursos naturais.. mais aberta. isto torna a RDS menos segura para os ocupantes. “ “(. não vamos encontrar nenhuma. Acho que veranista poderia continuar. “Na RDS são ribeirinhos. para alguns. como por exemplo. “Pode ser agricultor. De qualquer maneira. gente de fora da área.) um extrativismo sustentável de baixo impacto praticado por populações que tenham um mínimo conhecimento destas práticas e tenham um histórico na região possam fazer. não atrelada à idéia de extrativismo e seringueiros”.extrativistas. mas o modo de ocupação característico atribuído a este tipo de população. “As RDS deveriam ser áreas não edificantes. Eles podem ficar nesta categoria de unidade de conservação”.) o modo de ocupação humana que leva à criação de uma RDS tem que ser baseado na ocorrência de comunidades que usam vários recursos.. Situações com mais de um tipo de ocupação. Num certo sentido. grandes propriedades que estavam lá. porque nem sempre a forma que as populações fazem o extrativismo elas tem uma rentabilidade e condições higiênicas adequada para o mercado.” “Uma área em que há uma exploração supostamente sustentável sendo praticada por moradores tradicionais ou. mesmo que sejam populações com outros modos de exploração dos recursos naturais. “Se o estado tem uma área e quer transformar aquilo em uma RDS. “(..

Neste sentido.) “estar observando algum aspecto importante e específico daquela região”. que possam ser utilizados pelas populações locais”. ou seja. Então você pode até criar uma RDS para recuperar aquele objetivo que a RDS teria. considera importantes os estudos biológicos para criação da UC: “A necessidade de conservar (. numa área com grande biodiversidade.. caso o modo de ocupação crie obstáculos para a conservação. Não necessariamente tem que ser uma área conservada.“A RDS é uma unidade para a conservação que permite a permanência das comunidades. Teoricamente poderiam até questionar a ocupação . “.. Pode também haver recuperação de áreas”. Não pode estar num estado avançado de degradação.. que área que tem que ser preservada (. “Principalmente a possibilidade de uso sustentável recursos da biodiversidade e com perspectivas que essas experiências sinalizem novas abordagens em relação a conservação e a preservação da biodiversidade. Neste caso. mas ela tem que ser monitorada em uma outra dimensão. 57 . com áreas pouco degradadas. Não tem justificativa para criar uma unidade de conservação numa área degradada”. que sustente a população. Os entrevistados interpretam que a RDS deve ser criada numa área que tenha potencial de exploração e conservação.. a questão de um recurso natural que não tenha em nenhuma outra parte” (. mas não têm uma noção de fato do que estar se querendo proteger. “A IUCN discorda de reconhecer na qualidade ambiental motivo para a criação da unidade. “Uma RDS deve ser criada num lugar com potencial de exploração e conservação. alguns admitem a criação da RDS em áreas que não estejam intactas.” Situação ambiental As respostas para esta pergunta contemplaram o estado ambiental da área que justificaria sua criação..) um bem prioritário. A área não precisa ser necessariamente intacta”. Tem que estar no meio termo.. Pode aproveitar o potencial de regeneração em benefício da população”. “ “Precisam estar presentes recursos naturais renováveis. passiveis de serem recuperadas.. acho que restaurar uma área é complicado.” Houve respostas que valorizaram a diversidade biológica. Entretanto. “A área tem que estar conservada. Ela entende que é só o objetivo da unidade é que vale. embora não deva estar totalmente degradada”.) isso vai partir muito dos estudos Biológicos”. A qualidade é uma decorrência óbvia.. tanto em termos de diversidade de produtos quanto em relação à sua disponibilidade (o que justificaria a necessidade de ser uma área grande). fica nítida a priorização pelo uso dos recursos naturais pelas populações moradores em detrimento da conservação ambiental. "Pode também ser uma área degradada com possibilidade de restauração. “Mas estar degradada não impede a criação de uma RDS. . “Muitos companheiros têm dito: vamos criar uma Unidade de Conservação aqui e tal. que é o monitoramento da efetividade da gestão.

por conta da desapropriação” “Elas não exigem regularização fundiária. garante a posseiros indesejáveis ou "grileiros" e afins as áreas "invadidas" e desonera o estado de desapropriar a área e destiná-la ao usufruto das populações extrativistas residentes e dá abertura a conflitos. “As RDS são quase como uma APA: pode ter vários tipos de atividades sustentáveis. após criada a área.” Há consenso de que a terra permanecendo particular pode ser fator de conflitos. garantiria maior segurança aos moradores. não desapropria.. visto que. portanto não tem ônus (.. tem que indenizar”. quando necessário. o que evitaria gastos para o órgão público gestor da área. “Na Resex o poder de intervenção do estado é maior. Se tiver propriedade privada. tipo quilombola. A regulamentação é mais frouxa. “Domínio público. sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser.” “Propriedade Privada: é interessante a motivação para estimular o setor privado a desenvolver ou apoiar atividades de uso sustentável da biodiversidade em RDSs.” “(. define-se seu zoneamento. Há o temor de que a propriedade particular pode vir a prejudicar os moradores. de acordo com o que dispõe a lei. Por outro lado há quem reconheça o direito de propriedade e a necessidade de ter estes proprietários como aliados da Reserva: “Permitindo propriedade particular não evita conflitos. os gestores do estado do Amapá entendem que RDS deve ser de domínio publico. A única situação que eu admito a propriedade privada é no caso de propriedade coletiva.” “Você acaba criando outra situação.. 20. sob a ótica da responsabilidade sócio-ambiental ou mesmo como medida compensatória. principalmente no momento em que... quer seja por ser de domínio público – o que. “Este se necessário é o problema. segundo depoimento. Afinal quem define quando é necessário? Esta pequena abertura na questão da propriedade privada pode comprometer bastante o uso da mesma.) e a UC acaba sendo prejudicada por essa falta de harmonia”.” Enquanto a maior parte dos entrevistados interpreta este parágrafo como não exigência de desapropriação. pois “a tendência é que o menor trabalhe para o maior”. A questão fundiária é uma das motivações para criação de unidades de conservação nesta categoria. quer seja por não necessitar de desapropriação. “GTA e CNS entendem que RDS não é para extrativistas porque não garante a terra”. você cria uma inimizade com essas pessoas (.. § 2º: A Reserva de Desenvolvimento Sustentável é de domínio público. mas você tira um outro grupo de pessoas que tem história e um bem.Questão fundiária : A interpretação do § 2º do artigo 20 (lei do SNUC) é ambígua.) não permite e não deve permitir áreas privadas no seu interior. não precisa ser extrativista.)”. Propriedade privada individual é inadequada aos modelos de gestão que a gente tem no país. beneficia um grupo de pessoas como trabalhadores ribeirinhos e para isso estamos lutando. não retira população. “Não desapropriar significa economia para o governo”. desapropriadas. “Art. 58 .

“Na RDS a concessão de uso não necessariamente abarca todo o território. como na Resex. “A Resex. terrestres). atividades de artesanato aliadas á proteção dos ecossistemas onde se encontram as matérias primas – mangues. caixeta”. já que não detém a propriedade da terra. bem feito. pois a regulação do seu uso deve ser definida pelo plano de manejo. por exemplo”. que prevê concessão de uso de toda a área. de expansão agrícola. Apenas as que não coadunam com os objetivos de conservação. “Na RDS (os moradores) não tem segurança de continuidade. Isto é uma vantagem por permitir multiplicidade de utilização de vários recursos. que. a concessão está focada na área de uso das populações. ela deve se coadunar com os objetivos de conservação da categoria. A interpretação de que a RDS não exige desapropriação traz consigo o entendimento de que esta categoria deixa as populações muito vulneráveis a pressões externas. “Não dá segurança na terra para os moradores porque não desapropria”. porque permite desapropriação. a solução está no plano de manejo. ao contrário da Resex. 59 . “Pode ter área privada sim. dá maior controle às comunidades”. “Propriedades de famílias tradicionais não precisam ser desapropriadas”. regulamenta o uso. “Não precisa desapropriar grandes propriedades. tanto na área extrativista quanto na área agrícola”. “Uso extrativista dos recursos naturais de várias origens (marinhos.É unânime a interpretação de que mesmo permitindo a propriedade particular. No caso da Mata Atlântica tem ainda o rigor da lei. imobiliza os grandes proprietários. Mas estas áreas devem estar de acordo com os objetivos da reserva. Todos entendem que a Resex está restrita ao extrativismo. em caso de conflitos. deve fazer uso da terra e dos recursos naturais sem gerar impacto ambiental significativo. e aqueles que não moram e/ou vivam da terra”. “RESEX é exclusivamente extrativista” “RDS permite desenvolvimento de sistemas agroflorestais’”. ou seja. Outro ponto importante. para além do extrativismo previsto pela Resex. Atividades/tipo de uso Todos entendem que um dos diferenciais da RDS é a possibilidade de diversidade de uso. As comunidades residentes da RDS estão mais vulneráveis às pressões locais. sem prejuízo da implantação da unidade de conservação”. “Independente da propriedade da terra. Desta maneira a comunidade não exerce controle sobre o território como um todo”. Há quem considere que não faz diferença a propriedade da terra. destacado por uma entrevistada. O fato é que não faz diferença se as áreas são privadas ou publicas” “Nas áreas costeiras as RDS são mais apropriadas. é que a concessão de uso prevista para a população é garantida apenas para a área de uso. mas não necessariamente”. “A RDS pode ter várias atividades para serem exploradas.

há quem considere que as RDS permitem atividades de médio e pequeno porte. um garimpo. desde que controlados os impactos.. “Atividades de pequena escala integradas em uma estratégia de múltipla utilização da natureza e com impactos controlados. atividades que possam gerar renda. o plano de manejo deve deixar claro quais são as atividades que devem ser desenvolvidas. ou uma mineração altamente “tecnificada” ? “Poderiam. Nem a tal terceirização que vai para o mesmo fim. pequenas roças”. O reflorestamento em larga escala para a produção de papel.. “Uma RDS é uma unidade de conservação com abertura para compatibilizar diferentes usos tradicionais dos recursos naturais pelas populações locais. não.. O plano de manejo deve definir as atividades possíveis. e que sejam oferecidas condições para se fazer uma observação da natureza mais interessante”. definido posteriormente à criação. mas estas deveriam ser realizadas pelas populações moradoras e não proprietários. o que pode e o que não pode (. “A atividade turística se houver. têm claro o que deve ser feito. por exemplo. “(. Mas há duvidas sobre a possibilidade de exploração de algumas atividades: “Não está definido se podem explorar minérios e recursos com valor comercial maior” “Mineração é uma grande dúvida. “A RDS não comporta atividades agropecuárias.) e as comunidades que estão dentro de sistema de Unidades de conservação. mas tem que ter uma grande área sem uso”.” “Na RDS. porque o preço de produto cai muito e não permite a própria sobrevivência e desenvolvimento.. e deveria incluir no plano de manejo atividades de pesquisa”. dando abertura para formas descontroladas de uso de recursos e perda significativa de cobertura florestal”. ou ainda mineração.) turismo pode ser numa parte. ter um uso econômico da água mineral”. São usos de baixo impacto”. porque o conjunto é grande. tem que ser controlada”. porque nem sempre a forma que as populações fazem o extrativismo elas têm uma rentabilidade e condições higiênicas adequada para o mercado.. mas sim agroflorestais. onde pode haver definição inclusive para substituição de áreas florestadas por cultivos ou exploração madeireira. dar sustentabilidade a própria comunidade (. Porque não uma mineração artesanal.” 60 . é como se fosse uma plantation dividida em várias propriedades”. há unanimidade no entendimento de que qualquer uso /ocupação da área e recursos da RDS não deve gerar impactos significativos e deve ser sustentável. Mas há o temor de que as atividades extrapolem seus limites. “Não aos usos com pouca capacidade de sustentabilidade”. Finalmente.. “O que se deve considerar é o uso sustentável e que se possa incorporar praticas mais eficazes no uso dos recursos naturais. “Turismo convencional sim. porque todas as discussões internacionais não fecharam a porta para mineração em categorias 5 e 6. Em princípio pode sim. Sempre com baixo impacto ambiental.“A RDS comporta ainda atividade de recuperação de áreas degradadas.) essas são conversas que devem ser tomadas com as comunidades e referendadas no plano de Manejo da UC. as restrições ficam a cargo do Plano de Manejo da área. “Mas me parece que dentro de uma UC. Quanto a empreendimentos. principalmente pela falta de controle estatal da unidade de conservação.

enquanto que para a Resex é ao contrário. contratação de pessoal. de médio ou pequeno porte.. desde que seja negociado o uso no processo de criação”. “A RESEX dá maior nível de autonomia para a comunidade. “A demanda para a criação de uma reserva atende um apelo ou uma expectativa daquela população que necessita de uma segurança ao uso da terra. “Permite o uso dos recursos por quem não vive no interior da RDS”. Há quem entenda que a RDS pode ser explorada por população não moradora. “Na Resex. mais permanente. Se você tiver um hotel lá dentro e que este hotel seja explorado por iniciativa privada e ele em contrapartida vai gerar emprego dentro da comunidade e ele irá se responsabilizar por uma serie de coisas que a aquela comunidade não tem condições para assumir enquanto empreendedores. mas não necessariamente. pois pode ser decretada sem a demanda da comunidade”.C de uso sustentável é uma boa alternativa para fixar aquela população á terra e garantir os direitos mínimos de sobrevivência. porque você tem uma legislação relativa a higiene no trabalho. “(.) acho que pode surgir uma demanda da comunidade.” Um entrevistado analisou as reais motivações para criação de uma unidade de conservação de uso sustentável afirmando que as mesmas são um mote para garantir acesso à terra e aos recursos naturais de populações usuárias. atendimento à normas ambientais que nem sempre uma organização formada por pessoas com baixa escolaridade tem condições. por exemplo. sem muito impacto. muitas vezes ameaçadas de perder seu território. (. Afirma ainda que nem sempre as populações têm claro o significado e objetivos de uma unidade de conservação.) existem algumas alternativas que podem ser destinadas à iniciativa privada como.) uma U. (. A Resex é uma solução mais definitiva. a área só pode ser explorada pela população moradora.C sendo explorada pela iniciativa privada. Tem que ser manejado de forma adequada”. Isto por um lado é visto como uma facilidade. “Tudo bem médias e grandes propriedades. e da RDS não necessariamente.” Demanda para criação de uma RDS Praticamente todos entendem que a RDS não exige demanda formal para ser criada. “(. pois estaria possibilitando a criação de unidade de conservação de uso sustentável em áreas onde a população não estivesse ainda organizada.. O processo de demanda da Resex envolve a organização da comunidade.. sendo explorada sem o controle da população que é quem tem obrigação pela guarda daquela área”.. o que traz insegurança para os moradores e disputa de recursos com população de fora”.” “Pode ser interpretado que a RDS não implica na participação. do ponto de vista das comunidades. “O que não poderia ter é uma porção de terra dentro de uma U.. Quando a comunidade está organizada ela sempre pleiteia Resex..) muitos moradores não sabem o que significa. não há problema. Deixa em aberto sobre o uso da área por população não moradora.. o turismo.“Se for um empreendimento da coletividade. “A diferença com a Resex é a ausência da necessidade de demanda da população para criação da RDS”. até mesmo condições de investimento. É visto também como vantagem no caso da necessidade de criação urgente de unidade de conservação para proteger uma área sob ameaça.. Eles querem porque é uma alternativa que dá uma 61 . mais segura.

implicitamente. Oo envolvimento do povo nessa discussão é extremamente importante (. Mas quanto é recente. três gerações”.” Recém chegados Apesar da polêmica que envolve esta questão e a relativização das respostas dos entrevistados. “Porque não? Esses ocupantes serão as futuras populações tradicionais. Quem tem que controlar é a administração.. mas muitos deles não se vê dentro de uma UC quando a expectativa é de praticar alguma exploração que eles consigam alguma condição mínima que é exploração agrícola como criar gado. Mas neste momento que estão na ameaça de perder a sua terra eles aceitam.” Houve um relato de que atualmente alguns ex-moradores estão retornando para a RDS de Mamirauá em função do aumento de disponibilidade de recursos. “(. cinco. dois anos. Tem que evitar especuladores. Se eles chegaram ontem. e/ou pelo plano de manejo. pelo conselho gestor. embora não seja necessária a demanda formal. bem como com a necessidade de adequação das pessoas ao contexto da área e à comunidade.. mas que possa garantir a sobrevivência do futuro. Porque a reserva é muito grande. garantindo a relação de equilíbrio entre a população e o uso dos recursos naturais. A entrada de novos ocupantes.segurança quanto a permanência na área. todos afirmam que não dá para impedir a entrada de novas pessoas e expressaram preocupação com o aumento populacional na RDS. é entendida como algo a ser regulado pela própria população moradora. há entendimento de que a população local é quem deve regular a entrada de novos ocupantes. “Tem que haver concordância para que a reserva dê resultados”.” Um único entrevistado considerou que para criar a RDS deve ter um pedido formal da população local.) porque se não houver um comprometimento das pessoas de manter os recursos naturais de uma forma controlada e de usar esses recursos de maneira formal. desde que não cause impacto negativo àquela população que anteriormente ocupava a região. “O que precisa garantir é uma relação de equilíbrio entre os recursos naturais e a população”. a população local deve sempre ser consultada. mas não dá para impedir. Mas deveria ter pelo menos uma triagem: se a pessoa vai trabalhar na área. não passe da capacidade suporte que o plano de manejo vai apontar. como nas RESEX. dificilmente essa Unidade vai sobreviver. Se a pessoa se enquadrar dentro dos critérios de acesso aos recursos naturais e que se dê bem com a comunidade não tem porque não aceitar desde que. mas é duro definir o que são esses recentes. se tem vocação para trabalhar com as atividades que estão sendo desenvolvidas.. “Pra ter a sustentabilidade é necessário um controle populacional”.” “Eu vejo que sim. acho que não. que deve estudar a viabilidade das pessoas morarem ali. “Eu acho que as demandas devem partir das comunidades.” “A concordância deve ser pré-requisito para criação de qualquer UCs”. fazer roça mecanizada dentro daquela área. o que potencialmente gera conflitos: 62 .) quem vai ficar dentro da RDS obviamente tem que ser consultado.” “Pode ter. órgão gestor. clara e diretamente.. “Eu acho que a população tem que ter um mecanismo próprio de regulação” “Não dá para impedir a entrada de pessoas. Todos consideram que. Além disso.

Agora isso criou outro lado: algumas unidades de Conservação têm recursos naturais que estão gerando renda. e a fiscalização é espontânea. A comunidade não pode ser apenas mais um no conselho gestor”.” Todos consideram que o Conselho Gestor é a instancia de gestão desta categoria de unidade de conservação. tem que ter mais representantes. “Conselho Gestor deve ser o principal instrumento de gestão. então as pessoas que ficaram agora dizem: quando estava ruim você foi embora. “O conselho gestor deve elaborar e executar o plano de manejo. A Associação de moradores deve ter papel privilegiado. tem olhado com mais carinho. que a população tem direitos e deveres a cumprir já que é o principal ator e beneficiário da gestão da área. nos depoimentos. É unânime também que a população esteja bem representada no conselho gestor. Com representação das comunidades. e tem que ter a representação de ambientalistas e cientistas que são quem vai representar os interesses de conservação dessa área maior. garantida a paridade público/comunidade. Há. Isso obrigou várias famílias saírem para a cidade ou para outros lugares. isso criou outra expectativa para essas pessoas que tinham saído.) e que isso seja transparente. quem defenda que as RDS. Amaná também e Catuá Ipixuna é também exemplo de que as coisas estão melhorando no local e uma vez que isso tem melhorado a qualidade de vida. saúde. da madeira e acabou esgotando os recursos naturais. “O órgão de gestão vai ter que ter uma atenção especial para esta comunidade”. Nos últimos 10 anos foram criadas UCs e quem ficou no local lutou por essas unidades. agora que está bom você retorna. considerando que a gestão deve ser compartilhada. “A própria população é gestora. e o principal instrumento de gestão é a plano de manejo.. saneamento básico. entretanto. e eventualmente a comunidade. devem ser rigidamente supervisionadas pelos órgãos gestores. isso é um trabalho de muita gente. Nossa região de Tefé foi muito explorada na questão do pescado. 63 . os estoques pesqueiros retornaram. por se constituírem em unidades de conservação que apenas toleram comunidades em seu interior. Além disso.“Ao longo de muito tempo a Amazônia foi depredada. como a educação. “Eu acho que a gestão da RDS tem que ser compartilhada (. Esse é um conflito local que as comunidades que têm que resolver“. “Conselho Gestor tem que refletir essas duas demandas. que podem ser desde uma audiência publica até o conselho gestor”. sem uso”. fica claro. E aí quando se criou as UCs. Tem que ter uma representação muito mais forte dessa comunidade local com essas características. as Políticas Públicas têm voltado o seu trabalho para as comunidades ribeirinhas que estão em UC. as madeiras de lei começaram a criar volume e houve fortalecimento da população enquanto organização comunitária.. eleição para presidência e diretoria e dotação orçamentária garantida pelo setor público para funcionamento do Conselho Gestor” “Deve seguir alguns princípios: primeiro relativo a ampla representação dos interesses da população nas instâncias em que ocorrem as decisões. tendo essa característica de vários usos. Aqui o Mamirauá é exemplo disso. Gestão Nesta questão a opinião de todos converge também. para que haja um processo de discussão aberto e o encaminhamento das questões. A população é fiscal e usuária ao mesmo tempo”.provocando retorno de famílias da cidade onde há dificuldade de emprego e escassa geração de renda.

” “Tem que ter um contrato com cada comunidade de uso. envolvendo os principais atores: estado. o que ocorre frequentemente é que a municipalidade se retira da área e não cumpre com suas responsabilidades. Exige pessoal e recursos materiais”. comunidade. a população precisa ter uma organização. educação e transporte.) planejamento para a RDS. Os funcionários de unidades de conservação usualmente têm pouco preparo para lidar com estas questões. “Que você tenha algumas área de uso da comunidade e algumas áreas sem uso”. incluindo ai os veranistas e proprietários. E o outro aspecto é o fato de você garantir que se tenha uma área grande sem uso direto”. 64 . que devem estar previstos no plano de gestão destas unidades de conservação.O plano de manejo deve contemplar os usos da área e dos recursos naturais. Todo mundo que será abrangido de alguma forma pela reserva deve ser consultado”. e influenciando na prática essa decisão. não cabe ao órgão ambiental julgar. E por consenso do setor publico. melhoria condições de vida. educação. “Para a RDS dar certo.. “Acho que a gestão deveria ser mais direta. Não cabe ao órgão ambiental decidir os produtos. Esta preocupação também está presente na fala dos moradores/usuários entrevistados.. o uso sustentável dos recursos naturais.” “A implantação das RDS requer mais investimento que a implantação de um Parque: precisa de gente capacitada para gerir conflitos. é unânime o entendimento de que a RDS deve contemplar uma área de proteção integral. (. “Duas características que eu acho importante em RDS: uma comunidade que use os recursos naturais de forma adequada. “Tem que fazer um plano de manejo participativo. das diferentes esferas. é importante considerar que a presença de populações implica necessariamente em negociações para atingir consensos e tomar de decisões. A lei não exige o envolvimento local. sociedades de amigos e moradores. e as unidades de conservação sob responsabilidade de governos estaduais e/ou federais. na terra. você não ficar dependente só de um produto. Deve ser levantado o uso sustentado dos recursos naturais.” Uma colocação importante é que por abrigar populações locais. precisa de programas de desenvolvimento sustentado.. mas cabe a ele decidir os limites da produção. na hora do plano de manejo”. no mangue. mas deve ser uma alternativa. como saúde. (. num orçamento específico que atenda os investimentos necessários neste sentido. de formação específica para este fim. necessitando. a gestão desta esta categoria de manejo deve promover o acesso a serviços básicos. Se essa comunidade quer ter uma estratégia de sustentabilidade econômica baseada em um produto só ou em cinco. para que a RDS de fato cumpra com seus objetivos. comercialização da produção. Como estes serviços estão sob responsabilidade das prefeituras municipais.) O equilíbrio entre as atividades. portanto. “Deve haver uma consulta popular com os moradores do interior da unidade de conservação. incorporação de técnicas mais compatíveis com a sustentabilidade. zoneamento e plano de manejo para usar os diferentes recursos naturais. exigem incrementos tecnológicos e assistência técnica .. investimentos em saúde. é preciso uma organização social mais vigorosa (mais vigorosa que a existente hoje). que inclui a participação efetiva da população na gestão da mesma. para serem economicamente viáveis. Além disso. cabe a ele dar os limites. para definir quais as possibilidades de atividades podem ser desempenhadas na área. Além disso. é imprescindível que haja um certo nível de organização dos beneficiários. comunidade organizada. Isto implica. Finalmente. Além disso.

1 de universidade (UFPA). 1 IEB.7. Outros basearam suas contribuições nas experiências vividas em RDS já existentes. mata atlântica. excetuando a RDS Ponta Tubarão / RN). ambos no estado de São Paulo). etc. os demais biomas deveriam. Neste sentido. na tabela de orientação da discussão (em anexo). Por este motivo. pantanal. gestão e implantação das três RDS estudadas. Estas propostas também têm como referência a análise dos processos de criação . no Parque Estadual da Serra do Mar e Estação Ecológica da Juréia. há processos recentes. 1 representante das RDS estudadas (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) . aqui apresentadas. As propostas e recomendações para regulamentação da categoria RDS apresentadas a seguir incorporam os consensos das discussões realizadas durante a oficina. caatinga. têm como principal referência o histórico da incorporação desta categoria no SNUC (ver capitulo 3): por um lado. praticantes de atividades econômicas complementares. 1 do CNS. como cerrado. Acrescente-se ainda a tendência que vem se verificando de proposição de RDS como alternativa para solucionar as questões de ocupações humanas em unidades de conservação de proteção integral. A Oficina teve participação de 21 pessoas: 9 de Ongs (6 WWF-Brasil. 65 . PROPOSTAS E RECOMENDAÇÕES PARA REGULAMENTAÇÃO DA CATEGORIA RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Estas propostas foram apresentadas na “Oficina Diálogos sobre reserva de Desenvolvimento Sustentável” realizada em Brasília. Após contextualizar a pesquisa e os resultados da análise dos dados dos estudos de caso das três RDS em foco. aliás. 1 TNC/Conservação Internacional) . Entretanto. uso e manejo dos recursos naturais e história sócio-cultural das populações habitantes dos variados biomas brasileiros. Os comentários foram registrados em fleep chart durante a plenária. 4 do MMA e 2 do IBAMA (ver lista de participantes em anexo). zonas consteiras. além da interpretação da legislação vigente. as discussões tiveram como referência o contexto amazônico (onde. ainda em andamento. se encontram todas as RDS existentes até o momento. iniciou-se a discussão sobre as propostas. em se tratando de uma categoria de manejo de unidade de conservação pertencente ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) . Alguns participantes consideram que o ponto de partida deveria ser a definição de um modelo ideal do desenho desta categoria. 2 de Secretarias Estaduais de Meio Ambiente (SDS/AM e SEMA/AP). acomodar as situações freqüentes de sobreposição de unidades de conservação de proteção integral com áreas ocupadas por populações tradicionais . particularmente na Mata Atlantica (por exemplo. campos de altitude. ser pano de fundo para a discussão. 1 ISA. em fevereiro de 2006. considerando suas biodiversidade e sóciodiversidade especificas. As propostas e diretrizes para regulamentação da RDS. também. Uma discussão que permeou a Oficina foi acerca do ponto de partida para construção de uma proposta de regulamentação para a categoria de manejo RDS. as propostas e diretrizes aqui apresentadas objetivam contemplar também as diferenças da biodiversidade e da ocupação . A totalidade dos participantes (excetuando os consultores) concentram suas experiencias sobre unidades de conservação na região amazônica. particularmente as que vivem na Mata Atlântica. abrigar populações já organizadas e que praticavam manejo sustentado (o caso de Mamirauá) e por outro. a partir do perfil de ocupação que se pretende contemplar com a criação de unidades de conservação nesta categoria.

por fim. revelam uma posição recorrente de que RDSs podem ser criadas para atendimento de demandas de grupos recém chegados à região.7. Comentário: A lei federal 9. b) dependência estreita da exploração de recursos naturais para sua reprodução sócio-cultural. como por exemplo. Quanto à expressão “formas de manejo pouco impactantes dos recursos”. distintamente de outras categorias. implicitamente. Iratapuru / AP.985/00 que institui o SNUC dispõe em seu vigésimo artigo que RDS é uma área natural que abriga populações tradicionais. embora a lei do SNUC utilize este termo. Resex. além do fato de que há variadas interpretações e posicionamentos teóricos e políticos sobre este termo. cabe destacar que nem sempre são encontradas práticas de exploração de recursos naturais ambiental e economicamente sustentáveis utilizadas por grupos que dependem desses recursos para sua sobrevivência e reprodução sócio-cultural. em vez de “formas de manejo sustentável” constante na lei do SNUC. Se essas atividades não são sustentáveis. Ocorre que a própria legislação do SNUC não conceitua “tradicional”. Assim. o mesmo artigo vinte da lei do SNUC determina que as populações residentes em uma RDS devem ter sua existência baseada “em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. em função de fatores tais como baixa densidade demográfica. b)Ocorrência. Comentário: Para os casos de populações que tenham no extrativismo de recursos naturais suas atividades predominantes no que diz respeito à geração de renda. às RDSs outros tipos de usos e ocupações econômicas. residentes na área alvo de proteção. porém.1 PROCESSO DE CRIAÇÃO Critérios: a) Ocorrência de populações locais. 66 . produção de itens para consumo local. ocorrência de ecossistemas em bom estado de conservação (que permita uma oferta significativa das espécies naturais utilizadas) e existência de traços culturais que não valorizam o excessivo acúmulo de bens e capital. destacar que no enunciado da condicionante acima. d) utilização de técnicas e práticas de exploração do meio pouco impactantes. têm sido criadas para a proteção ambiental de determinadas áreas sem que haja a ocorrência de moradores em seu interior. No entanto. contrariando a disposição legal. Por outro lado. as populações não são adjetivadas como tradicionais. que detenham conhecimentos sobre as características dos ecossistemas locais e que utilizem modalidades relativamente impactantes de utilização /exploração de seus recursos. não raro conflitantes. entre as populações residentes na área alvo de proteção. c) conhecimento prático sobre os ecossistemas locais. realizadas durante este trabalho. um grande potencial de sustentabilidade. Dessa forma. Cabe. de atividades econômicas não predominantemente extrativistas de recursos naturais. Entretanto. após a criação da unidade de conservação. para a qual o artigo dezoito da mesma lei dispõe tratar-se de área utilizada por populações tradicionais. sugere-se que a população alvo para a criação de uma RDS apresente apenas como características: a) residência na área a ser demarcada. utilização de práticas e meios de produção simples e adaptados ao ambiente. sem especificar se devem ser residentes ou não nos limites da unidade. são ainda encontrados variados grupos sociais que pouco impactam o meio com suas atividades econômicas. com apoio técnico e financeiro. entrevistas com especialistas e responsáveis pela execução do SNUC. como por exemplo. Entretanto. RDSs estaduais. está prevista na lei do SNUC a categoria Reserva Extrativista (Resex). ou até mesmo que não apresentem qualquer familiaridade com os ecossistemas locais. desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais”. podem apresentar. a proposta é a de que as RDSs devem contemplar. Embora as RDSs possam também contemplar extrativismo. que dependam diretamente da exploração de espaços e recursos naturais para sua reprodução sócio-cultural. o destaque a esta atividade expresso na definição legal das Resex destina. lato senso. tempo despendido e número de famílias envolvidas.

Sem perder de vista a dimensão de que RDSs. o artigo vinte e três da lei do SNUC. a idéia de que apenas as Resex devem contemplar. entre outros. e inversamente. assim como Resex. No entanto. é crescente a demanda para a criação de RDSs em função de ameaças a grupos sociais. devendo ser buscados outros instrumentos legais para se ensejar soluções para conflitos de interesse e concorrências de uso em áreas fortemente antropizadas. Comentário: Tem sido registrada. uma vez que se sentem desonerados em incentivar ou propiciar o apoio para que as comunidades procurem se organizar e se fazer representar com maior autonomia na defesa de seus direitos. § 4º). determina que as populações das RDSs. além de serem iniciativas das instâncias públicas ou de ONGs ambientalistas. Sobre esse aspecto. ao invés de Resex. por pressuporem que tal requisito é exclusivo às Resex. tanto para Resex. se obrigam “a participar da preservação. Ao contrário. os procedimentos para sua criação e implantação devem ser permeados por ações de apoio ao aprimoramento das formas de organização local. cabe lembrar que tais categorias de manejo constituem-se em unidades de conservação da natureza. pequena agricultura diversificada.especialmente. da indústria turístico-hoteleira e da especulação imobiliária. Além disso. determinadas áreas com predominância de populações extrativistas têm sido demandadas para se constituírem em RDS por questões políticas (falta de vínculos com esses movimentos ou mesmo contraposições a eles) e até mesmo pelo simples fato de não se localizarem na região amazônica. a lei do SNUC dispõe que a RDS deverá ser gerida por um Conselho Deliberativo. d)Ocorrência de áreas representativas de ecossistemas com relevância ecológica e/ou áreas com importância simbólica para a população beneficiária. em função de seu histórico enquanto categoria de unidade de conservação. Comentário: Assim como também tem ocorrido para as Resex. declaram que os processos de criação de RDSs em tais situações. como usualmente ocorre no caso das Resex. assim como das Resex. formal ou informal. Além disso. com potencial de sustentabilidade. a ocorrência de populações mobilizadas e organizadas. têm também o papel de garantir a diversidade cultural e de promover a justiça social. observando-se e respeitando-se suas especificidades. entre órgãos estaduais responsáveis pela execução do SNUC. ações que exigem um considerável grau de organização interna. populações que desenvolvam atividades econômicas. em casos em que ameaças ao meio ou a um determinado grupo ocorram em áreas onde seus residentes não apresentem qualquer forma de organização social. ou um consórcio de atividades geradoras de baixos impactos ambientais. como as Resex estão historicamente identificadas com alguns movimentos sociais da Amazônia. recuperação. como. artesanato. é necessário que a área 67 . ou favorecer. c)Grau mínimo de coesão social e de práticas socioculturais coletivas que permita a efetiva participação das comunidades nas práticas de gestão desta categoria de manejo de unidade de conservação. têm favorecido o quadro de desmobilização social de segmentos rurais. por exemplo. representantes de movimentos sociais. de forma subjacente. pecuária extensiva em fundos de pastos (região nordeste) e faxinais (região sul). sistemas agroflorestais. No entanto. em seu parágrafo primeiro. por representantes das populações tradicionais residentes na área (Artigo 20. não significativamente impactados pelas atividades historicamente desenvolvidas e com possibilidade de recuperação de parte das áreas que se apresentem degradadas. cabe ressaltar que tal posicionamento apresenta conotações políticas de defesa dos ideais programáticos de alguns desses movimentos e traz. constituído. entrevistados para este trabalho. aqüicultura em pequena escala. defesa e manutenção da unidade de conservação”. quanto para RDS. o Conselho Nacional dos Seringueiros (CSN). como por exemplo. No entanto. a postura de se optar pela criação de uma RDS. turismo. cujo objetivo principal é a conservação da biodiversidade. notadamente as advindas da expansão das fronteiras do agro-negócio.

Devem contar com levantamento de informações que complementem os estudos preliminares. Comentário: Reforçando o item anterior. envolvendo todos os segmentos interessados. devem ser informados sobre a necessidade de ações de inclusão social (acesso à saúde. por não estarem suficientemente preparados para um debate técnico. em muitos casos. § 6º). Sua falta de reação. principalmente nos casos em que a identificação da necessidade de proteção se dá por parte de agentes externos às comunidades locais. a serem previstas na elaboração de seu Plano de Manejo (Artigo 20.985/00).apresente condições de equilíbrio e sustentação ecológica de forma a garantir uma disponibilidade estável dos recursos naturais utilizados pelas famílias locais. e)Existência de área com importância ecológica e com ocorrência de biodiversidade significativa para preservação. As conseqüências. g) Encaminhamento de manifestação por escrito com adesão de. somente após a criação oficial da reserva é que os moradores se dão realmente conta das responsabilidades que passam a assumir e. f) Realização de consultas públicas para criação de RDSs específicas para os usuários (residentes no interior ou entorno imediato) da área a ser protegida. não se mostram dispostos a participar das formas de gestão e dos processos de elaboração dos instrumentos normativos da unidade (zoneamento e plano de manejo). educação e transporte) para a população residente da unidade de conservação. Área de Proteção Integral. assim como a diminuição de conflitos de interesses e de concorrências de usos. Reserva da Fauna e Reserva Particular do Patrimônio Natural. são o aparecimento de conflitos internos. esclarecimento sobre as causas e conseqüências da criação e implementação da reserva e estabelecimento de vias de comunicação e negociação com os representantes de todos os segmentos envolvidos. coleta lixo. Dessa forma. é geralmente considerada consentimento. A maior parte dos entrevistados para esse trabalho concorda a respeito dessa disposição legal. assim como consultas públicas mais amplas. uma vez que entre os objetivos básicos da RDS consta o de melhoria de qualidade de vida de seus moradores (§ 1º do vigésimo artigo da lei 9. Finalizando. com possibilidade de sua demarcação como zona de proteção integral. visando sua plena compreensão sobre as implicações (direitos e deveres) decorrentes desse processo. notadamente os órgãos públicos responsáveis pelas estruturas e serviços sociais. contendo: solicitação para criação da unidade. Comentário: Ainda persiste no país uma parca preocupação em se democratizar as decisões sobre a política ambiental. em linguagem técnica. quanto ao envolvimento dos órgãos públicos das três esferas do poder. nas quais os atores locais são meramente informados. distintamente do que está disposto para as demais seis categorias de unidade de conservação de uso sustentável9. 9 68 . sobre a necessidade de conservação de uma determinada área. a fragilização das práticas de gestão e o comprometimento dos próprios objetivos da categoria de manejo.985/00) não são plenamente utilizados e o que se constata é que consulta pública se restringe a uma ou duas audiências formais. ciência sobre as causas e conseqüências relacionadas à criação da reserva. Para ambos os casos as consultas públicas devem se constituir em processos. Área de Relevante Interesse Ecológico. Reserva Extrativista. a maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS. Mesmo que estas práticas sejam mais usualmente utilizadas para a criação de unidades de proteção integral. a lei do SNUC dispõe de forma explícita sobre a necessidade de delimitação de zonas de proteção integral no interior das RDSs. saneamento. Floresta Nacional. têm também se refletido nos processos de criação das de uso sustentável. além de serem agentes interessados. e alguns de seus reflexos são os procedimentos para a realização de consultas públicas para criação de novas áreas protegidas: até mesmo os vagos procedimentos dispostos no SNUC para a realização destas consultas (Artigo 22 da lei 9. notadamente os municipais. energia. pelo menos. já observadas.

não possibilitam também que os virtuais beneficiários se dêem conta das causas e conseqüências inerentes à criação de uma reserva. o marco para a criação de Mamirauá é o da conservação ambiental. os quais. mesmo que concordem que as populações locais devam ser co-responsáveis pelas demandas de criação das unidades.Esse quadro é ainda agravado em situações de ocorrência de imóveis rurais de grandes dimensões. sem onerar os cofres públicos com desapropriações de imóveis. da necessidade da adoção de medidas de proteção. No entanto. Um dos resultados de toda essa situação é a falta de garantia. têm sido criadas por meio da identificação.comprometimento preliminar em assumir responsabilidades e compromissos inerentes à gestão da área. objetam que o principal motivo para se transformar uma área em RDS é a sua importância ecológica. a possibilidade aberta pelo referido parágrafo determina que algumas áreas passem à condição de unidades de conservação. Também nesses casos não tem havido o devido envolvimento das comunidades e/ou de proprietários rurais. produto de demandas essencialmente ambientalistas. conforme mencionado no item anterior. 2) A primeira RDS criada. baseiase. uma vez que a principal motivação é a rápida criação da área protegida. cabendo aos moradores locais o ajustamento de seus modos de vida às normas específicas da RDS. Por outro lado. não raro urbana. Ou seja. de que seus usuários estarão motivados e devidamente comprometidos com os objetivos inerentes a essa categoria de unidade de conservação. no caso RDS. geralmente. a questão que se coloca é que. Assim. geralmente. na prática. Mesmo considerando o aspecto positivo dessa prestação de informações e apoio à garantia da biodiversidade e de direitos básicos da população envolvida. recuperação. No entanto. além de não permitirem a apreensão de todos os aspectos que possibilitariam maior grau de eficiência para o alcance dos objetivos inicialmente propostos. notadamente. modelo para as disposições legais do SNUC sobre esta categoria. Inicialmente enquadrada como Estação Ecológica. quanto de grupos sociais. Ou seja. 69 . em três fatos: 1) A fragilidade dos procedimentos adotados para a realização de consultas públicas. Comentário: A maioria dos entrevistados para este trabalho concorda que as RDSs devem ser criadas a partir de demandas expressas dos moradores / usuários da área alvo de proteção ambiental. têm consentido com a criação da unidade a partir de informações e sugestões de agentes públicos e da sociedade organizada. Esta situação. 3) A interpretação do § 2º do vigésimo artigo da lei do SNUC sobre a possibilidade de ocorrência de propriedades privadas no interior das RDSs tem determinado que governos estaduais estejam criando unidades dessa categoria de manejo em áreas identificadas como ameaçadas. os procedimentos que são estabelecidos desde os primeiros contatos com a população diretamente interessada até a criação da unidade. lembrando que § 1º do artigo vigésimo terceiro da lei do SNUC determina que as populações residentes “obrigam-se a participar da preservação. via de regra. ocupadas por comunidades e mesmo por grandes propriedades rurais. cujos proprietários não tenham sido consultados sobre a criação da reserva ou não concordem em submeter os usos de suas terras às normas específicas do zoneamento e do plano de manejo da RDS. não sendo dispensada maior atenção à prestação de informações às comunidades locais e às negociações com os setores envolvidos. uma parte dos entrevistados também admite que a criação de unidades desta categoria deve se dar por motivação principalmente ambiental. grande parte das iniciativas para criação de RDSs não tem partido de seus virtuais beneficiários diretos. a maior parte deles admite que as RDSs. corriqueiramente observada. após criação da reserva. tanto de ecossistemas. refletido na legislação do SNUC e reproduzido nos discursos e práticas de grande parte dos responsáveis pela execução deste sistema legal. foi Mamirauá / AM. por parte de órgãos governamentais e ONGs. foi transformada em uma nova modalidade de unidade de conservação (RDS estadual) pelo fato de seus idealizadores se depararem com comunidades locais fortemente mobilizadas e terem tido a sensibilidade de propor novos arranjos políticos e legais visando a compatibilização entre conservação ambiental e permanência / melhoria da qualidade de vida das famílias locais. defesa e manutenção da unidade de conservação”.

985/00. dar conta das obrigações legais dispostas neste último artigo citado. notadamente no que se refere à preservação ambiental e à conservação dos ecossistemas fundamentais para a continuidade de atividades econômicas sustentáveis desenvolvidas pela 70 . que aventa a possibilidade de ocorrência de áreas privadas no interior de RDSs foi previsto considerando-se tanto o modelo de Mamirauá. denominada Reserva Ecológico-cultural. pelas normas do zoneamento e do plano de manejo da unidade. que as populações residentes “obrigam-se a participar da preservação. como anteriormente mencionado. Como já comentado. são alheios aos interesses das comunidades locais. para manter ou alcançar um grau de sustentabilidade. na zona de uso antrópico. não participam do processo de consultas públicas para criação da reserva. cujas atividades econômicas pudessem ser consideradas tradicionais e resultassem em baixo nível de impacto ambiental. § 5º do artigo vigésimo da lei do SNUC dispõe que para as RDSs “deve ser sempre considerado o equilíbrio dinâmico entre o tamanho da população e a conservação” e o § 1º do artigo vigésimo terceiro desta mesma lei determina. por outro. Para as demais propriedades que não se encaixem nesse quadro. durante o processo de consulta pública. diferentemente de Resex. em detrimento de Resex. lato senso. esta situação dificulta e pode mesmo inviabilizar a implantação e a gestão das unidades. conquanto tais imóveis fossem pertencentes a famílias residentes no local. recuperação. sobre a pertinência de sua inclusão na área protegida. i) Nos casos em que as famílias residentes na área alvo de proteção apresentem as características descritas no item 1. A RDSs estaduais de Ponta do Tubarão / RN e Cujubim / AM são exemplos desta situação. defesa e manutenção da unidade de conservação. detenham documentos comprobatórios de sua área de ocupação. econômica e gerencial. sugere-se que sejam feitas avaliações. que apresenta propriedades rurais em sua área. Apesar desse quadro. que previa a possibilidade de imóveis particulares no interior da área protegida. a primeira RDS criada. uma vez que. que parte de sua área seja de domínio privado.h) Delimitação da área. fato que tem acarretado a criação de RDSs com grandes propriedades. no caso. dada a falta de recursos orçamentários e mesmo de vontade política dos governos estaduais para promover a desapropriação de imóveis. inclusive latifúndios. após a criação da unidade. são exemplos da desproporcionalidade entre número de moradores e área total da unidade. os proprietários desses imóveis não residem na região. No entanto. considerando. demandem a criação de uma reserva de uso sustentável e não queiram ter suas áreas desapropriadas. uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para sua reprodução sócio cultural e melhoria da qualidade de vida. manter ou melhorar sua qualidade de vida com o uso dos recursos dos ecossistemas abarcados pelos seus limites e. monitoramento e fiscalização da unidade de conservação. deverá prevalecer a categoria RDS. quanto a proposta de outra categoria encaminhada por ocasião das discussões deste sistema legal. representadas. sugere-se que em casos de ocorrência de propriedades de famílias locais que reivindiquem a proteção de sua área e desenvolvam atividades com potencial para alcançar uma sustentabilidade ambiental. além de não concordarem com virtuais ingerências em seus negócios. mesmo que as atividades tradicionalmente desenvolvidas sejam conceituadas como predominantemente extrativistas. em seu interior. as dimensões de uma RDS têm que propiciar que seus moradores possam. Casos como a RDS estadual de Cujubim /AM.” Dessa forma. por um lado. com mais de dois milhões de hectares reservados para pouco mais de sessenta famílias. Comentário: O item III. que acaba por inviabilizar o cumprimento das disposições legais do SNUC. no processo de consulta pública. por permitir. via de regra. podendo se aprimorar. esta interpretação não foi claramente exposta no teor da lei 9. Comentário: O § 2º do vigésimo artigo da lei do SNUC. assim como para viabilização da efetiva participação dos usuários na administração. seja criada a RDS.

Avaliação preliminar sobre o potencial de sustentabilidade econômica e ambiental das atividades de exploração de espaços e recursos naturais da área. proprietários de imóveis rurais e empreendimentos industriais. cabendo. estas deverão estar de acordo com a lei do SNUC e dos demais instrumentos da legislação ambiental e deverão ser geridas diretamente pelas famílias ou organizações locais. sendo também admitidas a exploração de componentes dos ecossistemas naturais em regime de manejo sustentável e a substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis.2 DIRETRIZES PARA IMPLANTAÇÃO & GESTÃO DA RDS a) As atividades econômicas desenvolvidas em uma RDS devem. esforços para seu aprimoramento. de uso comum e de exploração dos recursos naturais. Identificação de eventuais concorrências de usos e de conflitos de interesses entre os segmentos. em campo. desde 71 . estando apenas disposto que é permitida e incentivada a visitação pública e a pesquisa científica. Comentário: A legislação do SNUC não é precisa quanto às atividades passíveis de serem desenvolvidas nas RDSs. agregação de valor às mercadorias produzidas e detecção de formas mais rentáveis de comercialização da produção e de prestação de serviços. em campo. Identificação de outros segmentos regionais envolvidos com a área alvo de proteção. Levantamento da situação fundiária da área. Levantamento das formas e graus de organização social e produtiva. Sistematização e análise do tipo de ocupação da área. como por exemplo. Os critérios relacionados acima devem ser aferidos. de forma sistemática. se restringir àquelas já desenvolvidas historicamente pelas populações locais. Levantamento expedito. Identificação preliminar do estado dos ecossistemas abrangidos e avaliação da possibilidade de recuperação de áreas degradadas. entretanto.população local. Identificação preliminar das áreas significativas para a manutenção ou recuperação da diversidade biológica. econômicos e políticos envolvidos com a área a ser protegida. aumento de produtividade. considerando-se o equilíbrio dinâmico entre o número de habitantes e a conservação. priorizando as características sócioeconômico-culturais das famílias residentes e o mapeamento dos locais de moradia. Após os estudos que irão embasar a elaboração do plano de manejo e o zoneamento da unidade. dos diversos segmentos sócio-culturais. As propostas para resolução fundiária desses casos encontram-se no item 2 do próximo bloco (Diretrizes para Implantação e Gestão de RDS). Avaliação do interesse dos moradores em permanecer e conservar o local de acordo com a legislação vigente e as normas específicas da categoria de manejo RDS. Identificação. até a elaboração de seu plano de manejo. Identificação e sistematização de lacunas de conhecimento. notadamente no que diz respeito à sustentabilidade ambiental. Levantamento das estruturas e serviços sociais à disposição das comunidades. se surgirem indicações de novas alternativas econômicas. Levantamento do contingente de não moradores usuários dos recursos naturais da área. as quais deverão ser suas principais beneficiárias. 7. por estudos preliminares à criação da RDS que considerem: • • • • • • • • • • • • • • • Levantamento de informações sócio-ambientais (secundárias) disponíveis sobre a área. das principais características biofísicas da área.

de acordo com o artigo trigésimo nono do Capítulo IX do decreto 4. ao plano de manejo e às limitações legais (§ 5º do artigo vigésimo da lei 9. específico para tais situações. Nesses casos. há autorização para substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis em seu interior. como ocorre para Resex. Devem também ser renovados automaticamente após sua expiração. conquanto sustentáveis e geridas por grupos locais. possuírem documentos comprobatórios de dominialidade de suas áreas de moradia e/ou exploração econômica. deverá prevalecer o artigo décimo terceiro do decreto 4. no que se refere às RDS. c) melhorar os modos de exploração dos recursos naturais utilizados pelas populações residentes na reserva e d) valorizar. entretanto. suscitando a possibilidade de adoção de novas atividades.985/00 explicita que uma RDS tem como objetivos básicos: a) preservar a natureza. tempo suficiente para que os moradores tenham garantia para planejar suas atividades presentes e futuras. Capítulo IX do decreto de regulamentação do SNUC seja considerada. novas atividades econômicas. o qual prevê a assinatura de contrato de concessão de uso de terras públicas e de respectivo termo de compromisso. é usualmente argumentado que tais atividades são legalmente possíveis em uma RDS. como forma de garantir que as normas do plano de manejo e o zoneamento da unidade sejam devidamente cumpridas. embora. sobre a necessidade de implantação de planos de manejo de rendimento sustentável para a exploração comercial de recursos madeireiros.985/00). os órgãos competentes deverão firmar com seus representantes termos de compromisso. conforme o artigo quarenta e dois . por exemplo. sugere-se que a utilização do artigo trigésimo nono. os quais devem ser seus principais beneficiários. acordadas com sua criação e implantação. prevendo. este capítulo tenha sido incluído para regulamentar questões entre populações tradicionais e unidades de proteção integral. Como usualmente é feita uma analogia entre RDS e Resex. o fato de que para esta última está especificamente disposto no artigo décimo oitavo da lei do SNUC que são proibidas a criação de animais de grande porte. Capítulo VII da lei 72 . a dominialidade permanece privada e os prazos dos termos de compromisso para permanência dos proprietários na área protegida devem ser acordados entre as partes interessadas. incluindo-se aí o Conselho Gestor da unidade. Além disso.340/02. mesmo porque. No entanto.985/00). representado. Por outro lado. a mineração e a caça (amadorística e profissional). afastando. nesse caso. o § 1º do artigo vigésimo da lei 9. como acima mencionado. Dessa forma. b) Nos casos de famílias residentes no interior da RDS. originalmente. Mais recentemente. b) assegurar condições e os meios necessários para melhoria da qualidade de vida das populações.que sujeitas ao zoneamento. como não há menção. sempre que houver interesse das partes envolvidas. como. Para os casos de moradores não detentores de documentos comprobatórios de dominialidade das terras que utilizam. pela legislação ambiental. Comentário: Para as situações de comprovação da dominialidade privada de terras. o acometimento de grupos empresarias e a implementação de empreendimentos alheios aos interesses e vocações das famílias locais e da conservação ambiental. a diretriz acima reforça o conceito de aprimoramento das atividades já desenvolvidas historicamente.340/02 (que regulamenta o artigo vinte e três da lei do SNUC). como ocorre atualmente na RDS estadual da Ponta do Tubarão / RN. conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente desenvolvido por estas populações. assim. constam apenas a proibição do uso de espécies localmente ameaçadas (e as práticas que possam danificar seus habitats) e a proibição de atividades que impeçam a regeneração natural dos ecossistemas (§ 2º do artigo vigésimo terceiro da lei 9. argumenta-se também que tal atividade poderia ser factível nas reservas de desenvolvimento sustentável. a criação industrial de crustáceos também tem ensejado discussões sobre a pertinência de sua implantação em áreas de RDS. surge sempre a questão sobre a supremacia legal entre direito de propriedade e direito difuso. como restrições explícitas às atividades antrópicas. Como forma de garantir que as normas da unidade de conservação sejam cumpridas nos casos de ocorrência de domínio privado em RDSs.

340/02. tanto das formas de associações locais. Portanto.985/00). a não ser a desapropriação das terras. só terá êxito se a gama de interesses da população residente se fizer representar no conselho. abarcados pela reserva. Os setores produtivos regionais e do entorno imediato da unidade. carcinocultura. se houver interesse das partes. o apoio para que os diversos segmentos constituintes da população residente possam se organizar. comprometer poços de abastecimento e as próprias atividades pesqueiras e de coleta de mariscos desenvolvidas historicamente pelas famílias locais. originalmente. ocorrem situações em que o entorno e. o próprio interior da RDS é ocupado por imóveis ou empreendimentos produtivos cujos usos e interesses são alheios ou mesmo concorrentes com os inerentes à população local. 73 . sociais. ou ainda. até o momento em que forem disponibilizados recursos para sua desapropriação. na falta de outro dispositivo legal que contemple a situação acima exposta. apesar de tal capítulo tratar. por meio da elaboração e implantação participativa de suas normas específicas. Por outro lado. solução nem sempre viável em função da falta de recursos orçamentários governamentais. sugere-se que a regulamentação de RDSs se aproprie do disposto no artigo 39 do decreto 4. além de representantes de organizações da sociedade civil regional e de órgãos públicos competentes das três esferas de poder. sejam eles organizados em instâncias produtivas. como por exemplo. poderia comprometer as reservas d’água sub-dunares e. além da aprovação de seu plano de manejo (item II do artigo doze do decreto 4.340/02 que regulamenta o SNUC). quanto dos órgãos executores do SNUC. Comentário: Como os conselhos de RDSs têm o caráter deliberativo. É de se destacar que cabe ao conselho a gestão da reserva (§ 4º do artigo vigésimo artigo da lei 9. se instrumentalizar e se capacitar para defender seus interesses e os objetivos da RDS em seus âmbitos interno e externo. devem criar um comitê próprio para escolha de apenas um representante com direito a assento nesse fórum.340/02. d) Formação de conselho gestor deliberativo objetivando a participação do maior número de representantes dos moradores e usuários da RDS. apenas de populações tradicionais em unidades de proteção integral. o cumprimento dos objetivos da unidade. cujos interesses sejam distintos daqueles das comunidades locais. de forma satisfatória. considerando-se apenas a renovação automática dos prazos de permanência na área. é fundamental para a boa gestão da unidade a participação do maior número possível de representantes de seus moradores. caberá aos órgãos competentes a iniciativa de providenciar sua desapropriação. c) Nos casos em que os resultados dos estudos técnicos e das consultas públicas indicarem a importância de incorporação de terras privadas à área da RDS. conseqüentemente. pode ser citada Ponta do Tubarão / RN: os estudos técnicos apontaram para a importância de incluir propriedades localizadas em campos dunares e porções de caatinga contíguas à área costeira inicialmente delimitada em função da percepção de que a implantação de atividades impactantes ao meio nessas propriedades. Dessa forma. etárias ou de gênero. por poder representar. além de degradar ecossistemas importantes.9. que regulamenta o SNUC.985/00. que tenham interesses e formas de ocupação conflitantes com os objetivos ambientais da RDS. Comentário: Da mesma forma como exposto no item anterior. uma solução para tais situações. cujos proprietários tenham interesses diversos daqueles das comunidades locais ou que com estas apresentem conflitos. No entanto. não constam soluções legais para tais casos na legislação do SNUC. e dessa forma. por vezes. é incumbência. como manguezal e restinga. Sugere-se que tais termos de compromisso sejam embasados pelo disposto no artigo trigésimo nono do Capítulo IX do decreto 4. poder-se-ia utilizar o que determina a regulamentação para populações residentes em unidades de proteção integral. ou a intervenção do Ministério Público para que com seus proprietários sejam assinados termos de compromisso sobre os usos dos imóveis. Como exemplo de necessidade de inserção de áreas privadas na delimitação de uma RDS.

Deve. inclusive as de uso sustentável. em 2002. também ter um caráter dinâmico. e do monitoramento sistemático das atividades e das decisões tomadas pelas instâncias gestoras da unidade de conservação. em médio e longo prazo. das atividades de preservação e conservação ambiental e de promoção da qualidade de vida das comunidades locais. conforme previsto no decreto 4. situação justificada em função de terem suas atividades afetadas pela ocorrência da reserva. com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de conservação. da análise dos resultados de estudos expeditos realizados em campo sobre a realidade sócio-ambiental e da apreensão do conhecimento acumulado pelos moradores sobre os ecossistemas e sobre suas expressões sociais. Casos como esse têm sido identificados na formação de variados conselhos de unidades de conservação10. o plano de manejo deve indicar uma relação de pesquisas científicas que permitam a otimização ambiental das zonas de preservação. para as quais os conselhos têm o caráter deliberativo. sem considerar as especificidades das unidades de uso sustentável. observa-se uma tendência por parte desses órgãos. bem como definir um protocolo de monitoramento contínuo da unidade. sendo instituída. notadamente os estaduais. sendo a ele incorporadas.985/00 e sua posterior regulamentação. tais instrumentos de gestão e normatização foram suprimidos. que procuravam contemplar sua realidade sócio-ambiental e continham normas claras e práticas sobre os potenciais ou restrições de usos dos espaços e recursos naturais. culturais e econômicas. Ou seja. de tratar o plano de manejo. nos moldes recorrentemente utilizados para as unidades de proteção integral. novas normas e recomendações a partir do desenvolvimento de pesquisas técnicas e científicas. contavam com planos de utilização dos recursos e planos de desenvolvimento. desde sua concepção na década de 80 passada. periodicamente. se cada um dos representantes desses segmentos produtivos ou dos empreendimentos locais reivindicar uma cadeira no conselho.havendo demandas para que seus representantes participem do conselho da unidade. de forma generalizada para a totalidade das categorias de unidades de conservação. 74 . – Projeto de Consultoria ao IBAMA para Avaliação das Formas de Gestão de Unidades de Conservação Federais. a denominação plano de manejo.340/02. Dado tratar-se de uma unidade de uso sustentável. Comentário: As reservas extrativistas. suas deliberações podem passar a não atender os próprios objetivos da unidade de conservação. após a legislação do SNUC. o plano de manejo deve contemplar a elaboração de planos de manejo de rendimento sustentável para os recursos naturais mais intensamente explorados e a realização de planos de negócio para os principais produtos comercializados. tem havido uma forte preocupação com a realização de 10 Sales. Dessa forma. R. sugere-se que a totalidade dos segmentos produtivos estranhos às comunidades abrigadas pela RDS se organize e escolha entre eles apenas um representante para o conselho. seguindo o exemplo de unidades como a RDS estadual da Ponta do Tubarão / RN e a Resex federal de Arraial do Cabo / RJ.” (item XVII do segundo artigo da lei 9. Este primeiro esforço de elaboração participativa do plano pode permitir a redação de uma primeira versão formal e a identificação de lacunas de conhecimento. Por fim. R. inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade.985/00). conceituado na referida lei como “documento técnico mediante o qual. assim como a indicação de ações para preenchê-las. No entanto. 2004. quanto o planejamento. Deve ser elaborado a partir da consulta a dados secundários. portanto. se estabelece seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais. identificadas como prioritárias. Com a publicação da lei 9. e) O plano de manejo da RDS deve ser elaborado de forma participativa e se constituir em um documento prático que permita tanto a orientação dos moradores e gestores na condução das práticas cotidianas da unidade. Dado a amplitude desta conceituação e o fato de que o roteiro metodológico para elaboração do plano de manejo de RDS não foi estabelecido pelos órgãos executores do SNUC.

Para tanto. Comentário: Como já mencionado neste documento. definição do número. corredores ecológicos (§ 6° do vigésimo artigo da lei do SNUC). sua aplicação. áreas de pesca e de coleta e criação de recursos aquáticos. têm que atentar para essa disposição legal. Os órgãos devem também apoiar a formação do conselho deliberativo da RDS. assim como os resultados dos estudos de levantamento de estoques e de comportamento biológico e ecológico das espécies mais fortemente exploradas. equipamentos sociais e expansão urbana. cooperativas. mobilidade espacial dos assentamentos). sua delimitação. Criado o conselho. sempre que para isso haja consenso entre os usuários da reserva. Da mesma forma. a elaboração e distribuição de material divulgativo e a disponibilização de veículos e estruturas necessárias para visitas às localidades envolvidas. áreas de usos predominantemente extrativistas. o processo de elaboração do plano de manejo deverá contemplar a discussão e a definição das normas regulatórias de acesso às áreas de uso dos recursos naturais pela população local e do entorno.pesquisas científicas da área biofísica com prazos bastante dilatados para sua execução. a fim de se delimitar as áreas de preservação total e de se definir eventuais defesos. seu entendimento e. quando couber. Da mesma forma. áreas de usos culturais comuns. etc. a única para a qual está explicitamente disposto que deverá contar com uma zona de proteção integral é a RDS. Desta forma. áreas de ocupações predominantemente agrícolas e pecuárias. os órgãos executores do SNUC deverão responsabilizar-se pela capacitação específica de seus membros e disponibilizar estruturas e meios necessários para seu funcionamento regular. a identificação da área. de uso sustentável e de amortecimento e. o plano de manejo e. realizados para a formulação dos planos de manejo de rendimento sustentável destas espécies (os quais devem se constituir em subprodutos do plano de manejo geral da unidade). Para as zonas de uso sustentável sugere-se sua divisão em: áreas de moradias. bem como as normas para a entrada de novos ocupantes. densidade e distribuição dos assentamentos. Ainda no que se refere às estas zonas. Por outro lado. facilita a elaboração das normas para o plano de manejo. não tem sido dada a oportunidade para que os conhecimentos das comunidades locais possam compor o conjunto de informações básicas para a elaboração do documento. bem como nas negociações dos conselhos 75 . a sugestão acima de subdivisão das zonas de uso sustentável considera as especificidades de cada uma delas. devem ser consideradas as pesquisas e informações dos moradores sobre áreas significativas para a conservação da biodiversidade e de ocorrência de espécies nativas importantes ou ameaçadas. conseqüentemente. Tais ações devem privilegiar o aprimoramento das práticas e formas de atuação das organizações já existentes e facilitar a criação de associações. temporais ou espaciais. g) Os órgãos das três esferas do poder responsáveis pela execução do SNUC devem prever recursos orçamentários para ações de apoio à organização social e produtiva das comunidades residentes nas RDSs. entre as unidades de uso sustentável previstas no SNUC. não tem sido considerado o processo de seu contínuo aprimoramento e não tem havido a preocupação em se contemplar estratégias para o desenvolvimento sustentável das famílias locais. devem ser consideradas as informações sobre a dinâmica de utilização econômica e cultural dos espaços e recursos naturais da área. áreas com potencial para visitação turística. a realização de reuniões preparatórias. os órgãos responsáveis pelas RDSs devem servir como facilitadores na busca de financiamentos para aprimoramento das atividades econômicas desenvolvidas. principalmente seu zoneamento. inclusive aquelas de mais difícil acesso. propiciando a plena compreensão dos segmentos locais sobre esse fórum. dinâmica territorial da população (deslocamentos. f) O zoneamento das unidades da categoria RDS deve ser elaborado de forma participativa e contemplar zonas de proteção integral.

envolvem populações humanas. partir de atores externos à reserva. além de protegerem áreas representativas de ecossistemas e a biodiversidade. As zonas de preservação total. dado tratarem-se de áreas protegidas para a conservação da biodiversidade. 76 . respeitando-se suas especificidades. representadas pelo seu conselho gestor. por representantes da população residente na área protegida.deliberativos com outras instâncias públicas. teoricamente. e mesmo de desenvolvimento humano. Tal quadro. bem como seja responsável pela nomeação e administração do contingente de moradores voluntários envolvidos com estas atividades. formado. em seu parágrafo primeiro. tem suscitado a reação de grupos ambientalistas que ensejam denunciar a ineficácia das RDSs e Resex enquanto instrumentos de conservação ambiental. No mais. assim como das Resex. representam um interesse da sociedade como um todo. as ameaças a essas zonas devem. entre outros. Sugere-se também que a vigilância das zonas de usos sustentável seja de responsabilidade dos moradores e de agentes dos órgãos públicos. Comentário: Considerando-se que o artigo vinte e três da lei do SNUC. em seu parágrafo quarto dispõe que a Reserva de Desenvolvimento Sustentável será gerida por um conselho deliberativo. . dado que. das três esferas do poder. a capacitação dos moradores para a gestão compartilhada e a proteção da área contra agressões ambientais. para intentar prover as comunidades de equipamentos e serviços sociais importantes para a promoção da qualidade de vida local. do abandono a que estas áreas têm sido relegadas. cuja qualidade de vida deve ser assegurada e incrementada após a criação da unidade. se obrigam “a participar da preservação. Após a criação da reserva.Articulação e coordenação entre os atores envolvidos na gestão da unidade. recuperação. defesa e manutenção da unidade de conservação” e considerando-se que o artigo vinte da mesma lei. o que pode determinar o próprio comprometimento do conceito desta categoria de manejo. em grande parte. demandando a atuação de agentes treinados para a minimização de impactos e conflitos. Atualmente o que se nota é a crítica ausência de recursos e de pessoal capacitado para atendimento das demandas das unidades de conservação de uso sustentável. conforme a legislação do SNUC. Para cumprimento das diretrizes relacionadas acima é recomendável que a decisão para criação e implantação de uma unidade de conservação na categoria RDS considere: . h) A fiscalização e o monitoramento das RDS devem ser de responsabilidade compartilhada entre os órgãos administradores e as comunidades locais.Gestores públicos com bom senso e perseverança para gerir conflitos. determina que as populações das RDSs. por sua vez. pouco tem sido realizado para promover o desenvolvimento em bases sustentáveis. sem procurar entender que os resultados observados são decorrência. recaindo nesses últimos a exclusividade nas tarefas de fiscalização das zonas de preservação total. capacitados para estabelecer canais de comunicação. realizar negociações em busca de consensos e tratar com populações locais. sugere-se que esse colegiado seja formalmente co-responsável pelas funções de fiscalização e monitoramento da unidade. cabendo aos órgãos públicos zelar pela sua integridade. Sugere-se que este fórum seja co-responsável pela definição dos protocolos de monitoramento e fiscalização da unidade. Comentário: As unidades de conservação de uso sustentável demandam mais esforços e recursos para sua implantação do que as de proteção integral.

.Horizonte de longo prazo para planejamento das ações de implantação. considerando que o processo de participação comunitária é longo.Possibilidade de compensações ou subsídios para a população moradora pelos serviços ambientais prestados. considerando o interesse da sociedade como um todo na conservação da área e a contribuição da comunidade para este fim. 77 . . assim como o processo de formação da equipe de trabalho para gestão da unidade de conservação.

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WWF .2004 RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL RDS ANÁLISE DA CATEGORIA DE MANEJO E PROPOSTA DE REGULAMENTAÇÃO VERSÃO RESUMIDA CONSULTORES Lucila Pinsard Vianna Renato Rivaben de Sales COLABORADORES Henrique Gomes – RDS Iratapuru (AP) Raimundo Marinho – RDS Mamirauá (AM) Thelma Dias – RDS Ponta do Tubarão (RN) Brasília.BRASIL CPS 715. Abril de 2006 83 .

20. cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. não dispôs sobre a regulamentação específica de qualquer outra categoria de manejo. de 18 de julho de 2000. APRESENTAÇÃO A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é uma das categorias de Unidade de Conservação criada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC).985 (SNUC) “preservar a natureza e ao mesmo tempo. ensejando a formulação de um documento que subsidie o Ministério do Meio Ambiente e demais órgãos executores do SNUC no processo de regulamentação da categoria RDS.As condições socioambientais mais adequadas e pertinentes à criação de uma RDS. o qual. . segundo o Art. e considerando também que vários estados da Federação têm criado novas RDS. 23 da referida lei. a equipe responsável pelo presente trabalho realizou consultas a diplomas legais e documentos pertinentes e procurou entrevistar o maior número possível de técnicos e representantes de 84 . assegurar as condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das populações tradicionais.985.A conveniência de se proceder à desapropriação total da área.A definição dos usos e atividades econômicas pertinentes às áreas das RDS. a regulamentação específica da Lei do SNUC. além de não tratar da regulação da posse e usos das áreas das reservas de uso sustentável (RDS e Reservas Extrativistas). parágrafo 1 da Lei 9. as indefinições decorrentes desta situação têm determinado que variados órgãos executores do SNUC apresentem diversas interpretações sobre esta categoria. a falta de regulamentação específica tem acarretado também em conflitos de interesses entre populações locais. resultando em diferentes práticas no que se refere aos processos de criação. . implantação e gestão destas unidades de conservação. deveria ser regulamentado em ato normativo posterior. Ainda segundo a Lei do SNUC. como forma de não onerar seus orçamentos com desapropriações de terras. . de 22 de agosto de 2002. notadamente as de uso sustentável. quando necessário. proprietários rurais e empresários que passaram a conviver em áreas sob as normas de um regime legal específico. . inclusive para que seu conceito e objetivos não sejam desgastados em função de interpretações e aplicações equivocadas. No mais. a Reserva de Desenvolvimento Sustentável é de domínio público. Estas UCs têm por objetivo básico.340. devendo as áreas particulares incluídas em seus limites serem desapropriadas.A distinção entre as características de RDS e Reserva Extrativista. Entre os pontos que merecem maior atenção em uma futura regulamentação podem ser citados.1. a título de exemplo: .O papel das comunidades locais na criação. principalmente em áreas onde ocorrem propriedades privadas. desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica. passível de variadas interpretações jurídicas. enquanto áreas destinadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento das poulações humanas locais em bases sustentáveis. ser regulados por contrato. No caso particular de RDS. Lei Federal nº 9. Neste contexto. A posse e os usos das áreas ocupadas pelas populações tradicionais deveriam. conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente . implementação e gestão das RDS. bem como valorizar. por sua vez. conforme o Art. desenvolvido por estas populações”. Como forma de propor maiores esclarecimentos sobre esses pontos. A categoria de manejo é definida como uma área natural que abriga populações tradicionais.Os procedimentos para a legitimação da posse e dos usos da terra por seus moradores. fazendo com que importantes aspectos jurídicos e sócio-ambientais referentes às unidades de conservação ficassem a descoberto. torna-se urgente e necessária a proposição de princípios e diretrizes legais que subsidiem a regulamentação dessa categoria de manejo. . promulgada por meio do Decreto nº 4. No entanto.

As entrevistas. documentos oficiais sobre sua criação e implementação. • Moradores que não tenham se envolvido diretamente com a criação da reserva e que não estejam acompanhando diretamente as atividades para sua gestão. além de especialistas no assunto. 85 . • Autoridades municipais locais. ASPECTOS METODOLÓGICOS 2. estudos e pareceres realizados nas três reservas escolhidas para os estudos de caso. Para cada uma das três reservas foram realizadas entrevistas com pelo menos um representante dos seguintes segmentos: • Moradores da unidade que tenham participado ativamente de sua criação e/ou façam parte atualmente de uma organização que represente os interesses das comunidades locais. os quais passaram por um processo de aprimoramento a partir de sua aplicação em entrevistas realizadas em novembro de 2004. além da detecção de lacunas de informações. • ONGs envolvidas com as reservas. foi composto por moradores das reservas.2 Realização de entrevistas com técnicos e autoridades envolvidos com a elaboração e execução do SNUC O objetivo dessa atividade consistiu na obtenção de informações sobre as RDS a partir de entrevistas com representantes de órgãos públicos e organizações sociais. foram contemplados três estudos de caso que subsidiassem as análises: as RDS amazônicas de Mamirauá (AM) e Rio Iratapuru (AP) e a RDS costeira da Ponta do Tubarão (RN). As informações locais foram obtidas a partir do trabalho de colaboradores contratados tanto para a realização de entrevistas. Pretendeu-se também com a atividade a apreensão de opiniões.Realização de entrevistas com autoridades. 2. • Moradores do entorno imediato da RDS.1 Revisão Bibliográfica Para o cumprimento dessa atividade foram elencados e consultados documentos produzidos a partir de pesquisas. que totalizou quarenta e duas entrevistas. técnicos e representantes da sociedade vinculados diretamente às RDS de Mamirauá. durante um evento em Manaus (I Conferência das Populações Tradicionais). 2.3 . • Proprietários de imóvel do interior da RDS. • Responsáveis pela gestão da reserva. O público alvo dessa pesquisa expedita. Além disso. por meio de entrevistas realizadas com diversos atores envolvidos com a execução do SNUC. proprietários de imóveis em seu interior. A consulta bibliográfica e as primeiras entrevistas com representantes de instituições públicas e civis tiveram por finalidade subsidiar a elaboração de roteiros de pesquisas de campo que direcionaram entrevistas para a obtenção de informações mais precisas sobre as causas e conseqüências de transformação de uma determinada área em RDS. previamente elaborados. Iratapuru e Ponta do Tubarão. A leitura desses documentos permitiu a sistematização do conhecimento sobre o histórico e situação atual de cada reserva. quanto para a sistematização de bibliografia e o repasse de suas experiências com as reservas. cujas atividades e interesses não necessariamente se coadunem com os objetivos da unidade. moradores do entorno. autoridades locais e representantes de órgãos gestores das unidades. 2.entidades com atuações relacionadas ao SNUC. que foram satisfatoriamente preenchidas no decorrer desse trabalho. foram direcionadas por roteiros de questões específicos. dez no total. entendimento e grau de conhecimento que os entrevistados detém sobre essa categoria de unidade de conservação. assim como documentos relacionados ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC).

4 – Análise dos documentos disponíveis e dos dados das entrevistas de campo Foram realizadas análises do material bibliográfico técnico (teses. projetos em andamento e propostos. 3. • Análise dos históricos de criação das três RDS. artigos.IDSM. em especial as RDS. sendo principalmente enfocados os seguintes aspectos: razões e critérios para a escolha dessa categoria de unidades de conservação. pareceres. para que fossem submetidas à avaliação dos participantes de uma oficina técnica. de 16 de julho de 1996. Thelma Dias – doutoranda. considerando-se depoimentos de técnicos e pesquisadores. processos de consultas públicas. pesquisadora e professora da Universidade Federal da Paraíba (RDS Ponta do Tubarão).) e da relação de documentos oficiais pertinentes a cada reserva (instrumentos legais para criação das unidades.7 – Redação de relatórios e realização de oficina A redação de um relatório preliminar teve como principal função a sistematização das análises. pertinência ambiental e sócio-econômica para a criação das reservas. o qual apresenta em seu escopo os seguintes aspectos: • Análise do SNUC no que se refere às unidades de conservação de uso sustentável. criado em 1999 86 .411. envolvimento dos segmentos interessados em sua criação e gestão e grau de observância da lei do SNUC. Teve também como função a elaboração de sugestões de diretrizes para a regulamentação dos processos de criação e gestão das Reservas de Desenvolvimento Sustentável. quanto das informações colhidas em campo. Da mesma forma. etc. as informações prestadas pelos pesquisadores locais e dados dos questionários aplicados nas entrevistas foram analisados. moradores e autoridades locais. considerando-se depoimentos de técnicos e pesquisadores. A sociedade civil Mamirauá foi criada em 1992. • Avaliação da postura e entendimento de representantes de organizações da sociedade civil sobre as RDS. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS RDS ESTUDADAS 3.). técnicos e científicos. regimento de conselhos ou outras instâncias gestoras. classificando-as por reserva e grupo de interesses dos entrevistados. • Proposição de critérios e diretrizes para a criação de RDS. representantes de ONGs e dos órgãos gestores. Inicio de implantação: 1991: Projeto Mamirauá. As críticas e contribuições às análises realizadas e às sugestões formuladas para regulamentação dos processos de criação e gestão das RDS foram debatidas durante a oficina e inseridas no relatório final deste trabalho de consultoria. • Avaliação da postura e entendimento dos órgãos públicos competentes sobre essa categoria de unidade de conservação. Responsável: Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá . 2. promovida pelo WWF-Brasil e realizada em Brasília no mês de fevereiro de 2006.1 RDS Mamirauá (AM) DADOS GERAIS: • • • Data de criação: Lei estadual Número 2. moradores e autoridades locais. • Análise das formas de gestão das três RDS e do envolvimento dos moradores locais com os assuntos das unidades. tanto dos documentos legais. etc. Henrique Gomes – técnico da ONG Ollos (RDS Iratapuru) 2. representantes de ONGs e dos órgãos gestores.Foram contratados os seguintes agentes locais: Raimundo Marinho – técnico de Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDS Mamirauá). planos de manejo.

Fontes principais de orçamento: Gov. Internacional (Grã-Bretanha).• • • • • • • Atos normativos: lei estadual Número 2. pequenos agricultores.124. IPAAM. Envolvimento comunidades do interior (52) e do entorno (93) Desenvolvimento de processos de Educação Ambiental IMPACTOS DECORRENTES DA RDS: • • • • • Maior eficácia na proteção da biodiversidade – zoneamento participativo Melhoria da qualidade de vida das populações locais Aumento do número de acordos sociais de manejo dos recursos naturais Incremento das formas de organização social . na confluência dos rios Solimões. Acordos sociais de manejo dos recursos naturais OBJETIVOS DA RDS: • Preservação do patrimônio natural.642 pessoas (4831 no entorno /1811 no interior) Características da população: ribeirinhos.12. extrativistas. Área: 1. EU). Envolvimento direto de pesquisadores Disponibilidade de financiamentos.386 de 09 março de 1990 (criação da Estação Ecológica Mamirauá). SITUAÇÃO ATUAL: • • • • • • • Plano de manejo (1996) em revisão. Decreto de criação da ESEC estadual Mamirauá.regulação dos usos dos RN Maior conscientização da comunidade sobre cidadania e aspectos ambientais 87 .Conselho gestor em fase de implantação –FNMA. População organizada. prestadores de serviço. CARACTERISTICAS PRÉ-EXISTENTES: • • • • • Área de ocorrência de biodiversidade significativa/ espécies ameaçadas em extinção. Transformação da UC em nova categoria (RDS estadual) – demanda dos pesquisadores. ONG’s Internacionais (WCS. de 16 de julho de 1996 (criação da RDS Mamirauá).411. Localização: Situada a 600 quilômetros a oeste de Manaus. PRÓ-MANEJO.000 ha (1990). Cooperação . tendo a cidade de Tefé com principal referência urbana. População: 6. Japurá e Auati-Paraná. combate à pobreza. Justificativa para transformação da área em RDS: viabilização e legalização da permanência da população. Brasileiro. pescadores. Gestão participativa – modelo informal Comunidades organizadas em setores Deliberações em assembléia gerais Adaptação ao SNUC . pesquisa sobre biodiversidade.836/90. decreto estadual 12. Numero de funcionários da UC: 137 funcionários (IDSM) HISTÓRICO • • • • Identificação da necessidade de proteção da área por pesquisadores ambientalistas. participação da comunidade local na gestão e proteção de grandes áreas de floresta.

mar) Ameaça eminente à qualidade de vida das comunidades e à conservação ambiental Mobilização social significativa (por volta de 20 associações.Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (vinculado à Secretaria Estadual de Planejamento) Ato normativo da RDS: Lei Estadual No. mangue. Numero de funcionários: 2 (IDEMA). HISTÓRICO • • • • • • • Ameaça de perda de território nas comunidades de Diogo Lopes e Barreiras em função de projeto de implantação de pólo turístico (1995) Degradação do mangue e ameaça a ecossistemas utilizados e ocupados pela população em função de projetos de implantação de carcinicultura (2000) Mobilização da comunidade – proposta de criação de uma unidade de conservação Definição pela categoria RDS federal – demanda da comunidade. Responsável: IDEMA . Localização: Norte da Região Costeira do Estado do Rio Grande do Norte. após longo processo de acesso a informações. Fontes Principais de Orçamento: não há recursos específicos. restinga. 8. Um dos principais pólos de pesca artesanal do NE Ocorrência de espécies ameaçadas de extinção Bom estado de conservação de diversos ecossistemas (caatinga. discussão e consultas públicas Justificativas para criação da RDS: importância da conservação dos recursos naturais para continuidade das atividades das comunidades.000 pessoas Características da população: pescadores artesanais. duna. Início de implantação: 11 de dezembro de 2003. Área original expandida em função de argumentação técnica e científica (IDEMA). realização de encontros ecológicos anuais).PONTOS CARACTERÍSTICOS: • • • • Conquistas e resultados muito dependentes de financiamentos contínuos e significativos Conflitos fundiários pontuais entre locais. abrangendo os municípios de Macau e Guamaré. com a constituição e tomada de posse do Conselho Gestor. proprietários de terras e áreas indígenas Ocorrência de domínio público e privado Administração efetiva pela sociedade civil (IDSM) 3. marisqueiras.960 hectares ou 129.349 / 2003 Área: 12.6 km2 População: 10. permanência das famílias locais em suas áreas tradicionais Criação da RDS estadual em função do não atendimento pelo IBAMA (2003). CARACTERISTICAS PRÉ-EXISTENTES: • • • • • • Alta produtividade haliêutica. 88 . pequenos agricultores e prestadores de serviço.2 RDS da Ponta do Tubarão (RN) DADOS GERAIS: • • • • • • • • • • Data de criação: 18 de julho de 2003. praias.

IMPACTOS DECORRENTES DA RDS: • • • • • Aumento do número de organizações formais da sociedade Maior capacidade de mobilização social Diminuição da pressão por agentes externos .maior eficácia de proteção da biodiversidade Proposição de novas alternativas econômicas para os moradores Maior conscientização da comunidade sobre cidadania e aspectos ambientais PONTOS CARACTERÍSTICOS: • • • • • • • • Falta de participação de todas as comunidades no processo de criação da UC Forte participação de organizações. decreto estadual nº 1777 de 09 de julho de 1999 (dispõe sobre a criação do Conselho Consultivo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru).OBJETIVO DA RDS: • Conservar parcelas de variados ecossistemas da região nordeste. Localização: Municípios de Laranjal do Jarí.3 RDS Iratapuru DADOS GERAIS: • • • • • • • Data de criação: 11 de dezembro de 1997 Responsável: Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Amapá.184 ha População: não há população residente. mas baixa capilaridade dos assuntos de gestão entre moradores Continuidade da insegurança em relação às ameaças dos agentes produtivos externos Forte influência de empresa estatal. Envolvimento gradual das comunidades (interior e entorno) ausentes no processo de criação. Atos normativos da RDS: Lei estadual nº 0392 de 11 de dezembro de 1997 (criação da RDS). 6 comunidade no entorno / 150 famílias (2001). SITUAÇÃO ATUAL: • • • • • • • Conselho gestor (2004) – formação de GT para discussão do plano de manejo (em andamento). potencialmente impactante na gestão da RDS Indefinição da situação fundiária da área – falta de comprometimento dos virtuais proprietários com a gestão da RDS e parca participação do órgão gestor para resolução do problema Única RDS que protege mais do que um bioma Única RDS que protege o bioma Caatinga Única RDS não localizada na Amazônia 3. assegurando a permanência e a qualidade de vida das famílias locais. bem como a garantia de reprodução de suas características culturais. 89 . na região sul do estado do Amapá. Não está demarcada. Característica da população: extrativista (castanha e produtos florestais). Gestão participativa – cerca de 20 associações de moradores. Desenvolvimento de processos de Educação Ambiental. Sob ameaça de implementação de fazendas de carcinicultura. Mazagão. Comunidades do interior (9). Área: 806. Pedra Branca do Amaparí.

IMPACTOS DECORRENTES DA RDS: • • • • • • Aporte de financiamentos de projetos para comunidade de São Francisco do Iratapuru. Diminuição da pressão de agentes externos . Implantação do PDSA voltado para organização e fortalecimento dos meios de produção. 90 . Conservation International. OBJETIVO DA RDS: • Promover a conservação e o uso sustentável da biodiversidade SITUAÇÃO ATUAL: • • • • • • • • • • • Não há plano de manejo Plano de manejo de uso sustentável de recursos naturais em elaboração Não há conselho gestor Parcialmente demarcada 5 comunidades no entorno que demandam participação nos benefícios da RDS Comunidade de São Francisco do Iratapuru como guardiã. Contrato de acesso a recursos genéticos com empresa de cosméticos.• • Fontes principais de recursos: Governo do Estado do Amapá (Secretaria do Meio Ambiente. Agregação de valor por meio do beneficiamento da castanha.maior eficácia de proteção da biodiversidade. segundo ZEE. FFEM. Fundação Orsa Número de funcionários da UC: não há funcionários do governo na reserva HISTÓRICO • • • • • • • Iniciativa do Governo Estadual – fortalecimento da organização dos modos de produção – criação de cooperativa (COMARU) em 1995 Demanda da COMARU para criação de UC de uso sustentável Processo de consulta às comunidades locais Realocação de famílias do interior da reserva Aceitação das comunidades locais do entorno e prefeitura de Laranjal do Jari para criação da RDS Criação de RDS estadual. Justificativa: compatibilidade com o objetivo do Programa de Desenvolvimento Sustentável do governo do Amapá (PDSA) CARACTERISTICAS PRÉ-EXISTENTES: • • • • • • Região prioritária para o governo do estado em função de ameaças. Fortalecimento da COMARU. Interesse específico da comunidade usuária dos castanhais – organização em cooperativa. usuária e beneficiária da RDS Comunidades assentadas em área de empresa privada Uso de 5% da área da RDS para extrativismo Presença de diversos parceiros e investimentos de diferentes fontes nacionais e internacionais Iniciativas de parceiros desarticuladas COMARU – única organização formal da população local. Importância da proteção de florestas de terra firme. Alternativas de exploração comercial de novos produtos florestais. Área sem ocupação e devoluta. Secretaria de Turismo. Ocorrência de diversas espécies florestais com valor comercial. WWF Brasil. Secretaria de Ciência e Tecnologia. Secretaria de Educação) Natura.

pode ser considerado dos mais polêmicos entre os entrevistados para este trabalho.As condições sócio-ambientais mais adequadas e pertinentes à criação de uma RDS. como anteriormente mencionado.A distinção entre as características de RDS e Reserva Extrativista.• • Maior conscientização da comunidade sobre cidadania e aspectos ambientais.A definição dos usos e atividades econômicas pertinentes às áreas das RDS. Este último ponto. constando abaixo um resumo das interpretações dadas pela maioria deles e pelos participantes da oficina. .Os procedimentos para a legitimação da posse e dos usos da terra por seus moradores.340/02). e criação de animais ecossistema e autorização da substituição da de grande porte. que dispõe que os moradores são principais responsáveis pela gestão Cooperativa é a única interlocutora junto aos órgãos gestores e agentes externos Demanda de 5 comunidades do entorno pelos benefícios da RDS Única UC no Amapá protegendo floresta de terra firme RDS com características da categoria Resex – predominância de extrativismo. RESEX Populações podem ou não residir. . Entre os pontos que permitem diferentes interpretações. Melhoria da qualidade de vida dos cooperados. RDS Populações devem residir na área da UC.O papel das comunidades locais na criação. enquanto áreas destinadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento das poulações humanas locais em bases sustentáveis. mas devem utilizar a área da UC. implicitamente permitindo mineração. 4. Tais divergências se devem principalmente à falta de regulamentação específica da categoria e à falta de maior clareza das correspondentes disposições legais vigentes (Lei 9. . Não há necessidade de plano de manejo de Necessidade de plano de manejo de rendimento rendimento sustentável para exploração comercial sustentável para exploração comercial de recursos madeireiros de recursos madeireiros Devem ser preferencialmente estaduais Devem ser federais 91 . implementação e gestão das RDS. domínio publico. mineração. cobertura vegetal por espécies cultiváveis em seu Não há autorização explícita para substituição da interior.A conveniência de se proceder à desapropriação total da área.985/00 e Decreto 4. Populações tradicionais não necessariamente Exclusivamente populações extrativistas extrativistas Pode haver propriedade privada Área deve ser de domínio publico Sua criação pode ser iniciativa do poder público e Sua criação tem que ser iniciativa da população ONGs Exige a demarcação de área de proteção integral Não exige demarcação de área para proteção integral Possibilidade de exploração de componentes do Proibida a caça. PONTOS CARACTERÍSTICOS: Conquistas e resultados muito dependentes de financiamentos contínuos significativos Domínio público Sem população residente – realocamento forçado de famílias do interior e incongruência com decreto de criação. podem ser detectados: . as diferenças entre as reservas de uso sustentável. sem moradores. . . INTERPRETAÇÕES E POLÊMICAS SOBRE RDS Constam nesse item os principais pontos de divergência sobre RDS expressados pelos entrevistados e pelos participantes da oficina técnica sobre esta categoria do SNUC. cobertura vegetal por espécies cultiváveis criação de animais de grande porte e caça.

no que tange às atividades permitidas em uma RDS. que detenham conhecimentos sobre as características dos ecossistemas locais e que utilizem modalidades relativamente impactantes de utilização /exploração de seus recursos. 5. No que diz respeito à questão fundiária. mais facilmente poderá se dar a gestão da unidade. relacionadas à exploração sustentável de recursos dos biomas locais. parte dos entrevistados prevê a possibilidade de ocorrência de empreendimentos potencialmente mais impactantes. A outra metade. devendo. quanto os que consideram que esta categoria deve priorizar a proteção de grupos sócio-culturais.Deve ter grandes áreas O tamanho das áreas deve atender a cada situação encontrada Concepção da categoria respondeu à demanda da Concepção da categoria respondeu à demanda da comunidade acadêmica luta social dos extrativistas Não há necessidade de organização da população A população deve estar organizada População com menor poder sobre a gestão e o População deve deter maior poder sobre a gestão território devida às exigências de conservação e o território Área com significativa diversidade biológica Área com recursos naturais passíveis de extração Considerações sobre outros pontos polêmicos são resumidas abaixo: Com relação à ocupação. que condicionar a criação da reserva à capacidade de organização dos moradores poderá inviabilizar a criação de várias delas. Finalmente. há quem entenda que a RDS é uma unidade bastante flexível. um considerável número de entrevistados crê. e outra parte só admite a ocorrência de atividades ditas tradicionais. residentes na área alvo de proteção. PROPOSTAS E RECOMENDAÇÕES PARA REGULAMENTAÇÃO DA CATEGORIA RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 5. parte das pessoas consultada neste trabalho crê que não haja necessidade de se contar com uma demanda da população envolvida. São especialmente partidários desta posição os que interpretam RDS como uma unidade de conservação fortemente restritiva. conquanto controlados.1 PROCESSO DE CRIAÇÃO Critérios: 1. Os que defendem a segunda posição são tanto os que consideram que as RDS são prioritariamente direcionadas à conservação da biodiversidade. entre outros fatores. inclusive. considera que a possibilidade de não se ter que realizar desapropriações flexibiliza a criação de unidades de conservação. de forma mais pragmática. que dependam diretamente da exploração de espaços e recursos naturais para sua reprodução sócio-cultural. permite a supressão da cobertura vegetal. há divergência com relação à ocorrência de propriedades privadas no interior da RDS: por volta de metade dos entrevistados se manifesta contrária por considerar que a existência de imóveis particulares não garante o cumprimento dos objetivos e das normas da reserva. uso dos recursos naturais e ações de conservação. como mineração e turismo convencional. 92 . ser utilizada como solução para presença de populações em unidades de conservação de proteção integral. principalmente por não onerar cofres públicos e por não desencadear disputas políticas e judiciais com eventuais prejudicados com a criação da RDS. e há quem entenda que seu principal objetivo é a conservação ambiental. pois. Ocorrência de populações locais. Quanto à criação. potencialmente ameaçados por agentes externos. Também não há consenso quanto à capacidade de organização formal ou informal da população a ser envolvida com a RDS: embora seja admitido pela maioria que quanto maior a organização local. divergindo de outro grupo que considera imperiosa a exigência de demanda desta população. que apenas admite populações em pequenas áreas historicamente ocupadas. também de forma pragmática.

o mesmo artigo vinte da lei do SNUC determina que as populações residentes em uma RDS devem ter sua existência baseada “em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. utilização de práticas e meios de produção simples e adaptados ao ambiente. Por outro lado. ocorrência de ecossistemas em bom estado de conservação (que permita uma oferta significativa das espécies naturais utilizadas) e existência de traços culturais que não valorizam o excessivo acúmulo de bens e capital. populações que desenvolvam atividades econômicas. destacar que no enunciado da condicionante acima. Ocorre que a própria legislação do SNUC não conceitua “tradicional”. ou um consórcio de atividades geradoras de baixos impactos ambientais. podem apresentar. de atividades econômicas não predominantemente extrativistas de recursos naturais. lato senso. como por exemplo. distintamente de outras categorias. realizadas durante este trabalho. pequena agricultura diversificada. No entanto. turismo. como. o Conselho Nacional dos Seringueiros (CSN). especialmente. tempo despendido e número de famílias envolvidas. por fim. as populações não são adjetivadas como tradicionais. com potencial de sustentabilidade. determinadas áreas com predominância de populações extrativistas têm sido demandadas para se constituírem em RDS por 93 . após a criação da unidade de conservação. sugere-se que a população alvo para a criação de uma RDS apresente apenas como características: a) residência na área a ser demarcada. a proposta é a de que as RDSs devem contemplar. em vez de “formas de manejo sustentável” constante na lei do SNUC. ou até mesmo que não apresentem qualquer familiaridade com os ecossistemas locais. sistemas agroflorestais. com apoio técnico e financeiro. contrariando a disposição legal. d) utilização de técnicas e práticas de exploração do meio pouco impactantes. 2. Iratapuru / AP. Dessa forma. Quanto à expressão “formas de manejo pouco impactantes dos recursos”. não raro conflitantes. Se essas atividades não são sustentáveis. Embora as RDSs possam também contemplar extrativismo. No entanto. Cabe. revelam uma posição recorrente de que RDSs podem ser criadas para atendimento de demandas de grupos recém chegados à região. embora a lei do SNUC utilize este termo. o destaque a esta atividade expresso na definição legal das Resex destina. Entretanto. implicitamente. entrevistas com especialistas e responsáveis pela execução do SNUC. para a qual o artigo dezoito da mesma lei dispõe tratar-se de área utilizada por populações tradicionais.Comentário: A lei federal 9. artesanato. pecuária extensiva em fundos de pastos (região nordeste) e faxinais (região sul). além do fato de que há variadas interpretações e posicionamentos teóricos e políticos sobre este termo. entre as populações residentes na área alvo de proteção. por exemplo. produção de itens para consumo local. como as Resex estão historicamente identificadas com alguns movimentos sociais da Amazônia. Resex. são ainda encontrados variados grupos sociais que pouco impactam o meio com suas atividades econômicas. como por exemplo. Comentário: Para os casos de populações que tenham no extrativismo de recursos naturais suas atividades predominantes no que diz respeito à geração de renda. têm sido criadas para a proteção ambiental de determinadas áreas sem que haja a ocorrência de moradores em seu interior. aqüicultura em pequena escala. desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais”. sem especificar se devem ser residentes ou não nos limites da unidade. está prevista na lei do SNUC a categoria Reserva Extrativista (Resex). c) conhecimento prático sobre os ecossistemas locais. RDSs estaduais. porém. às RDSs outros tipos de usos e ocupações econômicas.985/00 que institui o SNUC dispõe em seu vigésimo artigo que RDS é uma área natural que abriga populações tradicionais. Entretanto. como por exemplo. Assim. em função de fatores tais como baixa densidade demográfica. um grande potencial de sustentabilidade. cabe destacar que nem sempre são encontradas práticas de exploração de recursos naturais ambiental e economicamente sustentáveis utilizadas por grupos que dependem desses recursos para sua sobrevivência e reprodução sócio-cultural. Ocorrência. b) dependência estreita da exploração de recursos naturais para sua reprodução sócio-cultural. e inversamente.

de forma subjacente. declaram que os processos de criação de RDSs em tais situações. com possibilidade de sua demarcação como zona de proteção integral. da indústria turístico-hoteleira e da especulação imobiliária. entre órgãos estaduais responsáveis pela execução do SNUC. por representantes das populações tradicionais residentes na área (Artigo 20. assim como Resex. recuperação. observando-se e respeitando-se suas especificidades. ações que exigem um considerável grau de organização interna. o artigo vinte e três da lei do SNUC. como usualmente ocorre no caso das Resex. representantes de movimentos sociais. No entanto. entrevistados para este trabalho. uma vez que se sentem desonerados em incentivar ou propiciar o apoio para que as comunidades procurem se organizar e se fazer representar com maior autonomia na defesa de seus direitos. Sobre esse aspecto. têm também o papel de garantir a diversidade cultural e de promover a justiça social. defesa e manutenção da unidade de conservação”. cabe ressaltar que tal posicionamento apresenta conotações políticas de defesa dos ideais programáticos de alguns desses movimentos e traz. formal ou informal. constituído. 5. § 4º). cujo objetivo principal é a conservação da biodiversidade. Comentário: Tem sido registrada. ou favorecer. os procedimentos para sua criação e implantação devem ser permeados por ações de apoio ao aprimoramento das formas de organização local. Comentário: Assim como também tem ocorrido para as Resex. em função de seu histórico enquanto categoria de unidade de conservação. 4. 94 . Ocorrência de áreas representativas de ecossistemas com relevância ecológica e/ou áreas com importância simbólica para a população beneficiária. a idéia de que apenas as Resex devem contemplar. ao invés de Resex. devendo ser buscados outros instrumentos legais para se ensejar soluções para conflitos de interesse e concorrências de uso em áreas fortemente antropizadas. Além disso. quanto para RDS. em seu parágrafo primeiro. em casos em que ameaças ao meio ou a um determinado grupo ocorram em áreas onde seus residentes não apresentem qualquer forma de organização social. têm favorecido o quadro de desmobilização social de segmentos rurais. Grau mínimo de coesão social e de práticas socioculturais coletivas que permita a efetiva participação das comunidades nas práticas de gestão desta categoria de manejo de unidade de conservação. Além disso. Ao contrário. notadamente as advindas da expansão das fronteiras do agro-negócio. Sem perder de vista a dimensão de que RDSs. assim como das Resex. cabe lembrar que tais categorias de manejo constituem-se em unidades de conservação da natureza. tanto para Resex. por pressuporem que tal requisito é exclusivo às Resex. a lei do SNUC dispõe que a RDS deverá ser gerida por um Conselho Deliberativo. é necessário que a área apresente condições de equilíbrio e sustentação ecológica de forma a garantir uma disponibilidade estável dos recursos naturais utilizados pelas famílias locais. não significativamente impactados pelas atividades historicamente desenvolvidas e com possibilidade de recuperação de parte das áreas que se apresentem degradadas. é crescente a demanda para a criação de RDSs em função de ameaças a grupos sociais. determina que as populações das RDSs. No entanto. entre outros.questões políticas (falta de vínculos com esses movimentos ou mesmo contraposições a eles) e até mesmo pelo simples fato de não se localizarem na região amazônica. 3. se obrigam “a participar da preservação. a ocorrência de populações mobilizadas e organizadas. a postura de se optar pela criação de uma RDS. além de serem iniciativas das instâncias públicas ou de ONGs ambientalistas. Existência de área com importância ecológica e com ocorrência de biodiversidade significativa para preservação.

6. Mesmo que estas práticas sejam mais usualmente utilizadas para a criação de unidades de proteção integral. via de regra. 95 . assim como a diminuição de conflitos de interesses e de concorrências de usos. sobre a necessidade de conservação de uma determinada área. uma vez que entre os objetivos básicos da RDS consta o de melhoria de qualidade de vida de seus moradores (§ 1º do vigésimo artigo da lei 9. As conseqüências. assim como consultas públicas mais amplas.Comentário: Reforçando o item anterior. a maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS. não se mostram dispostos a participar das formas de gestão e dos processos de elaboração dos instrumentos normativos da unidade (zoneamento e plano de manejo). Dessa forma. nas quais os atores locais são meramente informados. Sua falta de reação. Floresta Nacional. em linguagem técnica. educação e transporte) para a população residente da unidade de conservação. Realização de consultas públicas para criação de RDSs específicas para os usuários (residentes no interior ou entorno imediato) da área a ser protegida. pelo menos. Reserva Extrativista. em muitos casos. têm também se refletido nos processos de criação das de uso sustentável. A maior parte dos entrevistados para esse trabalho concorda a respeito dessa disposição legal. comprometimento preliminar em assumir responsabilidades e compromissos inerentes à gestão da área. Encaminhamento de manifestação por escrito com adesão de. § 6º). notadamente os municipais. energia. saneamento. a fragilização das práticas de gestão e o comprometimento dos próprios objetivos da categoria de manejo.985/00) não são plenamente utilizados e o que se constata é que consulta pública se restringe a uma ou duas audiências formais. ciência sobre as causas e conseqüências relacionadas à criação da reserva. quanto ao envolvimento dos órgãos públicos das três esferas do poder. já observadas. distintamente do que está disposto para as demais seis categorias de unidade de conservação de uso sustentável11. Comentário: A maioria dos entrevistados para este trabalho concorda que as RDSs devem ser criadas a partir de demandas expressas dos moradores / usuários da área alvo de proteção ambiental. contendo: solicitação para criação da unidade. Para ambos os casos as consultas públicas devem se constituir em processos. somente após a criação oficial da reserva é que os moradores se dão realmente conta das responsabilidades que passam a assumir e. envolvendo todos os segmentos interessados.985/00). por não estarem suficientemente preparados para um debate técnico. a serem previstas na elaboração de seu Plano de Manejo (Artigo 20. é geralmente considerada consentimento. e alguns de seus reflexos são os procedimentos para a realização de consultas públicas para criação de novas áreas protegidas: até mesmo os vagos procedimentos dispostos no SNUC para a realização destas consultas (Artigo 22 da lei 9. são o aparecimento de conflitos internos. principalmente nos casos em que a identificação da necessidade de proteção se dá por parte de agentes externos às comunidades locais. esclarecimento sobre as causas e conseqüências da criação e implementação da reserva e estabelecimento de vias de comunicação e negociação com os representantes de todos os segmentos envolvidos. Área de Relevante Interesse Ecológico. devem ser informados sobre a necessidade de ações de inclusão social (acesso à saúde. Finalizando. 7. coleta lixo. Comentário: Ainda persiste no país uma parca preocupação em se democratizar as decisões sobre a política ambiental. a maior parte deles admite que as RDSs. a lei do SNUC dispõe de forma explícita sobre a necessidade de delimitação de zonas de proteção integral no interior das RDSs. além de serem agentes interessados. têm sido criadas por meio da 11 Área de Proteção Integral. No entanto. Reserva da Fauna e Reserva Particular do Patrimônio Natural. Devem contar com levantamento de informações que complementem os estudos preliminares. notadamente os órgãos públicos responsáveis pelas estruturas e serviços sociais. visando sua plena compreensão sobre as implicações (direitos e deveres) decorrentes desse processo.

tanto de ecossistemas. produto de demandas essencialmente ambientalistas. mesmo que concordem que as populações locais devam ser co-responsáveis pelas demandas de criação das unidades. na prática. uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para sua reprodução sócio cultural e melhoria da qualidade de vida. no processo de consulta pública. quanto de grupos sociais. modelo para as disposições legais do SNUC sobre esta categoria. Inicialmente enquadrada como Estação Ecológica. Ou seja. não sendo dispensada maior atenção à prestação de informações às comunidades locais e às negociações com os setores envolvidos. Por outro lado. Assim.identificação. cujos proprietários não tenham sido consultados sobre a criação da reserva ou não concordem em submeter os usos de suas terras às normas específicas do zoneamento e do plano de manejo da RDS. refletido na legislação do SNUC e reproduzido nos discursos e práticas de grande parte dos responsáveis pela execução deste sistema legal. a possibilidade aberta pelo referido parágrafo determina que algumas áreas passem à condição de unidades de conservação. baseiase. Mesmo considerando o aspecto positivo dessa prestação de informações e apoio à garantia da biodiversidade e de direitos básicos da população envolvida. o marco para a criação de Mamirauá é o da conservação ambiental. cabendo aos moradores locais o ajustamento de seus modos de vida às normas específicas da RDS. por parte de órgãos governamentais e ONGs. Ou seja. notadamente. foi transformada em uma nova modalidade de unidade de conservação (RDS estadual) pelo fato de seus idealizadores se depararem com comunidades locais fortemente mobilizadas e terem tido a sensibilidade de propor novos arranjos políticos e legais visando a compatibilização entre conservação ambiental e permanência / melhoria da qualidade de vida das famílias locais. foi Mamirauá / AM. têm consentido com a criação da unidade a partir de informações e sugestões de agentes públicos e da sociedade organizada. Também nesses casos não tem havido o devido envolvimento das comunidades e/ou de proprietários rurais. após criação da reserva. considerando. Esta situação. corriqueiramente observada. No entanto. uma parte dos entrevistados também admite que a criação de unidades desta categoria deve se dar por motivação principalmente ambiental. lembrando que § 1º do artigo vigésimo terceiro da lei do SNUC determina que as populações residentes “obrigam-se a participar da preservação. os quais. além de não permitirem a apreensão de todos os aspectos que possibilitariam maior grau de eficiência para o alcance dos objetivos inicialmente propostos. uma vez que a principal motivação é a rápida criação da área protegida. conforme mencionado no item anterior. ocupadas por comunidades e mesmo por grandes propriedades rurais.Esse quadro é ainda agravado em situações de ocorrência de imóveis rurais de grandes dimensões. defesa e manutenção da unidade de conservação”. sem onerar os cofres públicos com desapropriações de imóveis. não raro urbana. objetam que o principal motivo para se transformar uma área em RDS é a sua importância ecológica. 3) A interpretação do § 2º do vigésimo artigo da lei do SNUC sobre a possibilidade de ocorrência de propriedades privadas no interior das RDSs tem determinado que governos estaduais estejam criando unidades dessa categoria de manejo em áreas identificadas como ameaçadas. 2) A primeira RDS criada. geralmente. 8. em três fatos: 1) A fragilidade dos procedimentos adotados para a realização de consultas públicas. assim como para viabilização 96 . de que seus usuários estarão motivados e devidamente comprometidos com os objetivos inerentes a essa categoria de unidade de conservação. Delimitação da área. Um dos resultados de toda essa situação é a falta de garantia. recuperação. grande parte das iniciativas para criação de RDSs não tem partido de seus virtuais beneficiários diretos. geralmente. na zona de uso antrópico. não possibilitam também que os virtuais beneficiários se dêem conta das causas e conseqüências inerentes à criação de uma reserva. da necessidade da adoção de medidas de proteção. a questão que se coloca é que. os procedimentos que são estabelecidos desde os primeiros contatos com a população diretamente interessada até a criação da unidade. no caso RDS.

que aventa a possibilidade de ocorrência de áreas privadas no interior de RDSs foi previsto considerando-se tanto o modelo de Mamirauá. não participam do processo de consultas públicas para criação da reserva. dada a falta de recursos orçamentários e mesmo de vontade política dos governos estaduais para promover a desapropriação de imóveis. 9.” Dessa forma. além de não concordarem com virtuais ingerências em seus negócios. sugere-se que sejam feitas avaliações.da efetiva participação dos usuários na administração. Os critérios relacionados acima devem ser aferidos. esta interpretação não foi claramente exposta no teor da lei 9. deverá prevalecer a categoria RDS. Casos como a RDS estadual de Cujubim /AM.985/00. os proprietários desses imóveis não residem na região. durante o processo de consulta pública. por um lado. sobre a pertinência de sua inclusão na área protegida. recuperação. detenham documentos comprobatórios de sua área de ocupação. por permitir. esta situação dificulta e pode mesmo inviabilizar a implantação e a gestão das unidades. No entanto. denominada Reserva Ecológico-cultural. sugere-se que em casos de ocorrência de propriedades de famílias locais que reivindiquem a proteção de sua área e desenvolvam atividades com potencial para alcançar uma sustentabilidade ambiental. Como já comentado. Apesar desse quadro. inclusive latifúndios. em seu interior. defesa e manutenção da unidade de conservação. fato que tem acarretado a criação de RDSs com grandes propriedades. são exemplos da desproporcionalidade entre número de moradores e área total da unidade. dar conta das obrigações legais dispostas neste último artigo citado. podendo se aprimorar. no caso. notadamente no que se refere à preservação ambiental e à conservação dos ecossistemas fundamentais para a continuidade de atividades econômicas sustentáveis desenvolvidas pela população local. via de regra. § 5º do artigo vigésimo da lei do SNUC dispõe que para as RDSs “deve ser sempre considerado o equilíbrio dinâmico entre o tamanho da população e a conservação” e o § 1º do artigo vigésimo terceiro desta mesma lei determina. após a criação da unidade. em detrimento de Resex. Nos casos em que as famílias residentes na área alvo de proteção apresentem as características descritas no item 1. quanto a proposta de outra categoria encaminhada por ocasião das discussões deste sistema legal. para manter ou alcançar um grau de sustentabilidade. As propostas para resolução fundiária desses casos encontram-se no item 2 do próximo bloco (Diretrizes para Implantação e Gestão de RDS). pelas normas do zoneamento e do plano de manejo da unidade. seja criada a RDS. lato senso. a primeira RDS criada. Comentário: O § 2º do vigésimo artigo da lei do SNUC. que parte de sua área seja de domínio privado. são alheios aos interesses das comunidades locais. cujas atividades econômicas pudessem ser consideradas tradicionais e resultassem em baixo nível de impacto ambiental. monitoramento e fiscalização da unidade de conservação. uma vez que. Comentário: O item III. que as populações residentes “obrigam-se a participar da preservação. as dimensões de uma RDS têm que propiciar que seus moradores possam. representadas. por outro. mesmo que as atividades tradicionalmente desenvolvidas sejam conceituadas como predominantemente extrativistas. de forma sistemática. demandem a criação de uma reserva de uso sustentável e não queiram ter suas áreas desapropriadas. que apresenta propriedades rurais em sua área. por estudos preliminares à criação da RDS que considerem: 97 . A RDSs estaduais de Ponta do Tubarão / RN e Cujubim / AM são exemplos desta situação. como anteriormente mencionado. com mais de dois milhões de hectares reservados para pouco mais de sessenta famílias. manter ou melhorar sua qualidade de vida com o uso dos recursos dos ecossistemas abarcados pelos seus limites e. diferentemente de Resex. conquanto tais imóveis fossem pertencentes a famílias residentes no local. econômica e gerencial. que previa a possibilidade de imóveis particulares no interior da área protegida. Para as demais propriedades que não se encaixem nesse quadro. que acaba por inviabilizar o cumprimento das disposições legais do SNUC.

7. Identificação preliminar do estado dos ecossistemas abrangidos e avaliação da possibilidade de recuperação de áreas degradadas. Levantamento da situação fundiária da área. Como usualmente é feita uma analogia entre RDS e Resex. 98 . Comentário: A legislação do SNUC não é precisa quanto às atividades passíveis de serem desenvolvidas nas RDSs. a mineração e a caça (amadorística e profissional). cabendo. sobre a necessidade de implantação de planos de manejo de rendimento sustentável para a exploração comercial de recursos madeireiros. até a elaboração de seu plano de manejo.2 DIRETRIZES PARA IMPLANTAÇÃO & GESTÃO DA RDS 1. Identificação. agregação de valor às mercadorias produzidas e detecção de formas mais rentáveis de comercialização da produção e de prestação de serviços. 2. 5. 8. 4. Além disso. se restringir àquelas já desenvolvidas historicamente pelas populações locais. 12. desde que sujeitas ao zoneamento.985/00). as quais deverão ser suas principais beneficiárias. Identificação de eventuais concorrências de usos e de conflitos de interesses entre os segmentos. se surgirem indicações de novas alternativas econômicas. em campo. Levantamento das formas e graus de organização social e produtiva. Avaliação do interesse dos moradores em permanecer e conservar o local de acordo com a legislação vigente e as normas específicas da categoria de manejo RDS. Levantamento do contingente de não moradores usuários dos recursos naturais da área. Após os estudos que irão embasar a elaboração do plano de manejo e o zoneamento da unidade. Levantamento expedito. sendo também admitidas a exploração de componentes dos ecossistemas naturais em regime de manejo sustentável e a substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis. como por exemplo. Identificação e sistematização de lacunas de conhecimento. Identificação preliminar das áreas significativas para a manutenção ou recuperação da diversidade biológica. 5. constam apenas a proibição do uso de espécies localmente ameaçadas (e as práticas que possam danificar seus habitats) e a proibição de atividades que impeçam a regeneração natural dos ecossistemas (§ 2º do artigo vigésimo terceiro da lei 9. proprietários de imóveis rurais e empreendimentos industriais. 9. como restrições explícitas às atividades antrópicas.985/00). 10. de uso comum e de exploração dos recursos naturais. como não há menção. como ocorre para Resex. entretanto. 13. As atividades econômicas desenvolvidas em uma RDS devem. Levantamento de informações sócio-ambientais (secundárias) disponíveis sobre a área. em campo. Por outro lado. considerando-se o equilíbrio dinâmico entre o número de habitantes e a conservação. é usualmente argumentado que tais atividades são legalmente possíveis em uma RDS. priorizando as características sócioeconômico-culturais das famílias residentes e o mapeamento dos locais de moradia. esforços para seu aprimoramento. 3. econômicos e políticos envolvidos com a área a ser protegida. 6. aumento de produtividade. Identificação de outros segmentos regionais envolvidos com a área alvo de proteção. estas deverão estar de acordo com a lei do SNUC e dos demais instrumentos da legislação ambiental e deverão ser geridas diretamente pelas famílias ou organizações locais. estando apenas disposto que é permitida e incentivada a visitação pública e a pesquisa científica. ao plano de manejo e às limitações legais (§ 5º do artigo vigésimo da lei 9. no que se refere às RDS. notadamente no que diz respeito à sustentabilidade ambiental. Avaliação preliminar sobre o potencial de sustentabilidade econômica e ambiental das atividades de exploração de espaços e recursos naturais da área. argumenta-se também que tal atividade poderia ser factível nas reservas de desenvolvimento sustentável. 15. 11. o fato de que para esta última está especificamente disposto no artigo décimo oitavo da lei do SNUC que são proibidas a criação de animais de grande porte. dos diversos segmentos sócio-culturais. das principais características biofísicas da área.1. Levantamento das estruturas e serviços sociais à disposição das comunidades. Sistematização e análise do tipo de ocupação da área. 14.

340/02. que regulamenta o SNUC.340/02 (que regulamenta o artigo vinte e três da lei do SNUC). Nos casos em que os resultados dos estudos técnicos e das consultas públicas indicarem a importância de incorporação de terras privadas à área da RDS. Para os casos de moradores não detentores de documentos comprobatórios de dominialidade das terras que utilizam. os órgãos competentes deverão firmar com seus representantes termos de compromisso. por exemplo. Capítulo VII da lei 9. possuírem documentos comprobatórios de dominialidade de suas áreas de moradia e/ou exploração econômica. surge sempre a questão sobre a supremacia legal entre direito de propriedade e direito difuso. Comentário: Para as situações de comprovação da dominialidade privada de terras. Mais recentemente. Como exemplo de necessidade de inserção de áreas privadas na delimitação de uma RDS. Capítulo IX do decreto de regulamentação do SNUC seja considerada. prevendo. este capítulo tenha sido incluído para regulamentar questões entre populações tradicionais e unidades de proteção integral. há autorização para substituição da cobertura vegetal por espécies cultiváveis em seu interior. solução nem sempre viável em função da falta de recursos orçamentários governamentais. nesse caso. Nesses casos. No entanto. Nos casos de famílias residentes no interior da RDS. apenas de populações tradicionais em unidades de proteção integral. No entanto. conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente desenvolvido por estas populações. uma solução para tais situações. Comentário: Da mesma forma como exposto no item anterior. deverá prevalecer o artigo décimo terceiro do decreto 4. originalmente. a diretriz acima reforça o conceito de aprimoramento das atividades já desenvolvidas historicamente. afastando. cujos proprietários tenham interesses diversos daqueles das comunidades locais ou que com estas apresentem conflitos. representado.mesmo porque. c) melhorar os modos de exploração dos recursos naturais utilizados pelas populações residentes na reserva e d) valorizar. 3. embora. conforme o artigo quarenta e dois . novas atividades econômicas. como forma de garantir que as normas do plano de manejo e o zoneamento da unidade sejam devidamente cumpridas. como. conquanto sustentáveis e geridas por grupos locais. se houver interesse das partes. a criação industrial de crustáceos também tem ensejado discussões sobre a pertinência de sua implantação em áreas de RDS. a dominialidade permanece privada e os prazos dos termos de compromisso para permanência dos proprietários na área protegida devem ser acordados entre as partes interessadas. ou a intervenção do Ministério Público para que com seus proprietários sejam assinados termos de compromisso sobre os usos dos imóveis.340/02. de forma satisfatória. assim. na falta de outro dispositivo legal que contemple a situação acima exposta. considerando-se apenas a renovação automática dos prazos de permanência na área. tempo suficiente para que os moradores tenham garantia para planejar suas atividades presentes e futuras. Dessa forma. Devem também ser renovados automaticamente após sua expiração. Como forma de garantir que as normas da unidade de conservação sejam cumpridas nos casos de ocorrência de domínio privado em RDSs. sugere-se que a utilização do artigo trigésimo nono. Dessa forma. específico para tais situações. por poder representar.340/02. os quais devem ser seus principais beneficiários. pode ser 99 . o § 1º do artigo vigésimo da lei 9. o acometimento de grupos empresarias e a implementação de empreendimentos alheios aos interesses e vocações das famílias locais e da conservação ambiental.985/00 explicita que uma RDS tem como objetivos básicos: a) preservar a natureza. entretanto. de acordo com o artigo trigésimo nono do Capítulo IX do decreto 4. incluindo-se aí o Conselho Gestor da unidade. ou ainda. pela legislação ambiental. o qual prevê a assinatura de contrato de concessão de uso de terras públicas e de respectivo termo de compromisso. como acima mencionado. acordadas com sua criação e implantação. originalmente. b) assegurar condições e os meios necessários para melhoria da qualidade de vida das populações. suscitando a possibilidade de adoção de novas atividades. a não ser a desapropriação das terras. Sugere-se que tais termos de compromisso sejam embasados pelo disposto no artigo trigésimo nono do Capítulo IX do decreto 4. não constam soluções legais para tais casos na legislação do SNUC. 2. sempre que houver interesse das partes envolvidas. sugere-se que a regulamentação de RDSs se aproprie do disposto no artigo 39 do decreto 4. até o momento em que forem disponibilizados recursos para sua desapropriação. apesar de tal capítulo tratar.985/00. como ocorre atualmente na RDS estadual da Ponta do Tubarão / RN. poder-se-ia utilizar o que determina a regulamentação para populações residentes em unidades de proteção integral. que tenham interesses e formas de ocupação conflitantes com os objetivos ambientais da RDS. caberá aos órgãos competentes a iniciativa de providenciar sua desapropriação.

sociais.340/02 que regulamenta o SNUC). é fundamental para a boa gestão da unidade a participação do maior número possível de representantes de seus moradores. inclusive as de uso sustentável. havendo demandas para que seus representantes participem do conselho da unidade. e dessa forma. por meio da elaboração e implantação participativa de suas normas específicas.985/00). o próprio interior da RDS é ocupado por imóveis ou empreendimentos produtivos cujos usos e interesses são alheios ou mesmo concorrentes com os inerentes à população local. Este primeiro esforço de elaboração participativa do plano pode permitir a redação de uma primeira versão formal e a identificação de lacunas de conhecimento. 4. Casos como esse têm sido identificados na formação de variados conselhos de unidades de conservação12. sejam eles organizados em instâncias produtivas. em médio e longo prazo. – Projeto de Consultoria ao IBAMA para Avaliação das Formas de Gestão de Unidades de Conservação Federais. identificadas como prioritárias. para as quais os conselhos têm o caráter deliberativo. só terá êxito se a gama de interesses da população residente se fizer representar no conselho. Dessa forma. além de representantes de organizações da sociedade civil regional e de órgãos públicos competentes das três esferas de poder. 100 . como manguezal e restinga. suas deliberações podem passar a não atender os próprios objetivos da unidade de conservação. É de se destacar que cabe ao conselho a gestão da reserva (§ 4º do artigo vigésimo artigo da lei 9. além de degradar ecossistemas importantes. R. se instrumentalizar e se capacitar para defender seus interesses e os objetivos da RDS em seus âmbitos interno e externo. é incumbência. cujos interesses sejam distintos daqueles das comunidades locais. das atividades de preservação e conservação ambiental e de promoção da qualidade de vida das comunidades locais. o apoio para que os diversos segmentos constituintes da população residente possam se organizar. ocorrem situações em que o entorno e. sendo a ele incorporadas. abarcados pela reserva. o cumprimento dos objetivos da unidade. da análise dos resultados de estudos expeditos realizados em campo sobre a realidade sócio-ambiental e da apreensão do conhecimento acumulado pelos moradores sobre os ecossistemas e sobre suas expressões sociais. devem criar um comitê próprio para escolha de apenas um representante com direito a assento nesse fórum. como por exemplo. situação justificada em função de terem suas atividades afetadas pela ocorrência da reserva. Formação de conselho gestor deliberativo objetivando a participação do maior número de representantes dos moradores e usuários da RDS. portanto. quanto dos órgãos executores do SNUC. 5. também ter um caráter dinâmico. o plano de manejo deve contemplar a elaboração de planos de manejo de rendimento sustentável para os recursos naturais mais intensamente explorados e a realização de planos de negócio para os 12 Sales. seguindo o exemplo de unidades como a RDS estadual da Ponta do Tubarão / RN e a Resex federal de Arraial do Cabo / RJ. carcinocultura. etárias ou de gênero. quanto o planejamento. sugere-se que a totalidade dos segmentos produtivos estranhos às comunidades abrigadas pela RDS se organize e escolha entre eles apenas um representante para o conselho. novas normas e recomendações a partir do desenvolvimento de pesquisas técnicas e científicas. O plano de manejo da RDS deve ser elaborado de forma participativa e se constituir em um documento prático que permita tanto a orientação dos moradores e gestores na condução das práticas cotidianas da unidade. se cada um dos representantes desses segmentos produtivos ou dos empreendimentos locais reivindicar uma cadeira no conselho. culturais e econômicas. tanto das formas de associações locais. Deve ser elaborado a partir da consulta a dados secundários. No entanto. Portanto. periodicamente. Por outro lado. conseqüentemente. Os setores produtivos regionais e do entorno imediato da unidade. Deve. Dado tratar-se de uma unidade de uso sustentável. poderia comprometer as reservas d’água sub-dunares e.citada Ponta do Tubarão / RN: os estudos técnicos apontaram para a importância de incluir propriedades localizadas em campos dunares e porções de caatinga contíguas à área costeira inicialmente delimitada em função da percepção de que a implantação de atividades impactantes ao meio nessas propriedades. além da aprovação de seu plano de manejo (item II do artigo doze do decreto 4. Comentário: Como os conselhos de RDSs têm o caráter deliberativo. assim como a indicação de ações para preenchêlas. por vezes. comprometer poços de abastecimento e as próprias atividades pesqueiras e de coleta de mariscos desenvolvidas historicamente pelas famílias locais. 2004. e do monitoramento sistemático das atividades e das decisões tomadas pelas instâncias gestoras da unidade de conservação. R.

dinâmica territorial da população (deslocamentos. de uso sustentável e de amortecimento e. Comentário: As reservas extrativistas. o plano de manejo e. inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade. o plano de manejo deve indicar uma relação de pesquisas científicas que permitam a otimização ambiental das zonas de preservação. a fim de se delimitar as áreas de preservação total e de se definir eventuais defesos. se estabelece seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais. Para tanto. de forma generalizada para a totalidade das categorias de unidades de conservação. não tem sido considerado o processo de seu contínuo aprimoramento e não tem havido a preocupação em se contemplar estratégias para o desenvolvimento sustentável das famílias locais. Dado a amplitude desta conceituação e o fato de que o roteiro metodológico para elaboração do plano de manejo de RDS não foi estabelecido pelos órgãos executores do SNUC. quando couber. sendo instituída. Tais ações devem privilegiar o aprimoramento das práticas e formas de atuação das organizações já existentes e facilitar a criação de associações. facilita a elaboração das normas para o plano de manejo. conseqüentemente. de tratar o plano de manejo. Por outro lado. Ou seja. Desta forma. áreas de usos predominantemente extrativistas. áreas de pesca e de coleta e criação de recursos aquáticos. desde sua concepção na década de 80 passada. densidade e distribuição dos assentamentos. têm que atentar para essa disposição legal. tais instrumentos de gestão e normatização foram suprimidos. sua delimitação. áreas de ocupações predominantemente agrícolas e pecuárias. áreas de usos culturais comuns. assim como os resultados dos estudos de levantamento de estoques e de comportamento biológico e ecológico das espécies mais fortemente exploradas. não tem sido dada a oportunidade para que os conhecimentos das comunidades locais possam compor o conjunto de informações básicas para a elaboração do documento. com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de conservação. a sugestão acima de subdivisão das zonas de uso sustentável considera as especificidades de cada uma delas. sem considerar as especificidades das unidades de uso sustentável.985/00). devem ser consideradas as informações sobre a dinâmica de utilização econômica e cultural dos espaços e recursos naturais da área. conceituado na referida lei como “documento técnico mediante o qual. temporais ou espaciais. etc. a identificação da área.principais produtos comercializados. Com a publicação da lei 9. áreas com potencial para visitação turística. Por fim. O zoneamento das unidades da categoria RDS deve ser elaborado de forma participativa e contemplar zonas de proteção integral. nos moldes recorrentemente utilizados para as unidades de proteção integral. definição do número. contavam com planos de utilização dos recursos e planos de desenvolvimento. Comentário: Como já mencionado neste documento.985/00 e sua posterior regulamentação. equipamentos sociais e expansão urbana. Ainda no que se refere às estas zonas. observa-se uma tendência por parte desses órgãos. que procuravam contemplar sua realidade sócioambiental e continham normas claras e práticas sobre os potenciais ou restrições de usos dos espaços e recursos naturais. em 2002. o processo de elaboração do plano de manejo deverá contemplar a discussão e a definição das normas regulatórias de acesso às áreas de uso dos recursos naturais pela população local e do entorno. Para as zonas de uso sustentável sugere-se sua divisão em: áreas de moradias. seu entendimento e. tem havido uma forte preocupação com a realização de pesquisas científicas da área biofísica com prazos bastante dilatados para sua execução.340/02. 6. conforme previsto no decreto 4. cooperativas. realizados para a formulação dos planos de manejo de rendimento sustentável destas espécies (os quais devem se constituir em subprodutos do plano de manejo geral da unidade). a denominação plano de manejo. mobilidade espacial dos assentamentos). após a legislação do SNUC. Da mesma forma. sua aplicação. sempre que para isso 101 . entre as unidades de uso sustentável previstas no SNUC. notadamente os estaduais. corredores ecológicos (§ 6° do vigésimo artigo da lei do SNUC). bem como as normas para a entrada de novos ocupantes. a única para a qual está explicitamente disposto que deverá contar com uma zona de proteção integral é a RDS. bem como definir um protocolo de monitoramento contínuo da unidade.” (item XVII do segundo artigo da lei 9. devem ser consideradas as pesquisas e informações dos moradores sobre áreas significativas para a conservação da biodiversidade e de ocorrência de espécies nativas importantes ou ameaçadas. 7. principalmente seu zoneamento. Os órgãos das três esferas do poder responsáveis pela execução do SNUC devem prever recursos orçamentários para ações de apoio à organização social e produtiva das comunidades residentes nas RDSs.

em grande parte. Criado o conselho. teoricamente. inclusive aquelas de mais difícil acesso. Após a criação da reserva. os órgãos executores do SNUC deverão responsabilizar-se pela capacitação específica de seus membros e disponibilizar estruturas e meios necessários para seu funcionamento regular. a capacitação dos moradores para a gestão compartilhada e a proteção da área contra agressões ambientais. bem como nas negociações dos conselhos deliberativos com outras instâncias públicas. cabendo aos órgãos públicos zelar pela sua integridade. Atualmente o que se nota é a crítica ausência de recursos e de pessoal capacitado para atendimento das demandas das unidades de conservação de uso sustentável. Comentário: As unidades de conservação de uso sustentável demandam mais esforços e recursos para sua implantação do que as de proteção integral. demandando a atuação de agentes treinados para a minimização de impactos e conflitos. 102 . se obrigam “a participar da preservação. No mais. sugere-se que esse colegiado seja formalmente co-responsável pelas funções de fiscalização e monitoramento da unidade. representadas pelo seu conselho gestor. e mesmo de desenvolvimento humano. recuperação. envolvem populações humanas. bem como seja responsável pela nomeação e administração do contingente de moradores voluntários envolvidos com estas atividades. partir de atores externos à reserva. assim como das Resex. Comentário: Considerando-se que o artigo vinte e três da lei do SNUC. em seu parágrafo quarto dispõe que a Reserva de Desenvolvimento Sustentável será gerida por um conselho deliberativo. Sugere-se também que a vigilância das zonas de usos sustentável seja de responsabilidade dos moradores e de agentes dos órgãos públicos. cuja qualidade de vida deve ser assegurada e incrementada após a criação da unidade. respeitando-se suas especificidades. as ameaças a essas zonas devem. conforme a legislação do SNUC. a elaboração e distribuição de material divulgativo e a disponibilização de veículos e estruturas necessárias para visitas às localidades envolvidas. por representantes da população residente na área protegida. 8. determina que as populações das RDSs. dado tratarem-se de áreas protegidas para a conservação da biodiversidade. o que pode determinar o próprio comprometimento do conceito desta categoria de manejo. a realização de reuniões preparatórias. em seu parágrafo primeiro. dado que. por sua vez. A fiscalização e o monitoramento das RDS devem ser de responsabilidade compartilhada entre os órgãos administradores e as comunidades locais. Os órgãos devem também apoiar a formação do conselho deliberativo da RDS.haja consenso entre os usuários da reserva. além de protegerem áreas representativas de ecossistemas e a biodiversidade. pouco tem sido realizado para promover o desenvolvimento em bases sustentáveis. Tal quadro. Da mesma forma. propiciando a plena compreensão dos segmentos locais sobre esse fórum. Sugere-se que este fórum seja co-responsável pela definição dos protocolos de monitoramento e fiscalização da unidade. tem suscitado a reação de grupos ambientalistas que ensejam denunciar a ineficácia das RDSs e Resex enquanto instrumentos de conservação ambiental. das três esferas do poder. As zonas de preservação total. entre outros. sem procurar entender que os resultados observados são decorrência. para intentar prover as comunidades de equipamentos e serviços sociais importantes para a promoção da qualidade de vida local. do abandono a que estas áreas têm sido relegadas. recaindo nesses últimos a exclusividade nas tarefas de fiscalização das zonas de preservação total. os órgãos responsáveis pelas RDSs devem servir como facilitadores na busca de financiamentos para aprimoramento das atividades econômicas desenvolvidas. defesa e manutenção da unidade de conservação” e considerando-se que o artigo vinte da mesma lei. formado. representam um interesse da sociedade como um todo.

ANEXO I OFICINA DIÁLOGOS SOBRE RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO (14 de fevereiro de 2006) LISTA DOS PARTICIPANTES TABELA ORIENTAÇÃO DA DICUSSÃO COM REGISTROS DAS CONTRIBUIÇÕES ESTENOTIPIA DO EVENTO 103 .

br isabel@mamiraua.org.br 104 .org. Maretti Fernando Vasconcelos de Araújo Francisco Ademar da Silva Henyo Barreto Isabel Sousa Jessejames Costa Ligia Simonian Lucila Pinsard Vianna Marcelo Ivan Pantoja Creão Marcos Roberto Pinheiro Marisete Ines Santin Cattapan Maurício Mercadante Paulo Oliveira Junior Raquel Carvalho de Lima Renato R.br paulo.com.br ligiasimonian@ig.gov.org.com. Sales Sônia Maria Pereira Wiedmann Ronaldo Weigand Danielle Calandino Rita Mesquita Ibama ISA Organização Correio Eletrônico alima@socioambiental.br Antonio@wwf.br rivabendesales@uol.br gatão444@hotmail.oliveira-junior@ibama.com.br ronaldo.ap.br beca@iieb.br jessejames@sema.br seae_sds@yahoo.silva@mma.gov.br WWF-Brasil CNS WWF-Brasil WWF-Brasil Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável .gov.OFICINA “DIÁLOGOS SOBRE RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: PROPOSIÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO” LISTA DOS PARTICIPANTES Nome André Rodolfo de Lima Antonio Oviedo Atanagildo Claudio C.org.br soniwied@terra.weigand@mma.br fvasconcelos@wwf.SDS/AM IEB .org.org.org.carvalho@conservation.gov.Brasília Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua Secretaria de Estado do Meio Ambiente .br mauricio.br / simonian@ufpa.org.org.mercadante@mma.br marcos@wwf.SEMA UFPA WWF-Brasil WWF-Brasil WWF-Brasil DAP-SBF-MMA Ibama CNPT TNC .com.Conservação Internacional marcelocreao@wwf.com.br Claudio@wwf.br UCP/MMA UCP/MMA SDS/MMA rita@buriti.br danielle.com.gov.br marisete@wwf.br r.com.org.br lulupv@uol.com / cnsbelem@terra.

que são de comunidade tradicional. residentes na área alvo de proteção.consenso Pontos Contrários Não é necessário que haja moradores no interior. para criar maior responsabilidade e compromisso dos beneficiários com a unidade de conservação Definição de comunidades locais para serem beneficíárias. consenso Substituir “pouco impactantes” por “relativamente impactantes” – consenso Substituir população local por população tradicional 105 . Interpretação de abrigar pode ser usada para usuários também. ou incluir a possibilidade dos residentes na zona de amortecimento – talvez isto possa ser considerado. que é polemico Acrescentar teórico relativo à conhecimento das populações tradicionais . a zona de amortecimento!!!!. Substituir “formas” por “modalidade”. Pontos Favoráveis Entendimento de que devem ser residentes a partir do termo abrigar. Flexibilizar – incluir a possibilidade de abrigar os usuários. É importante que seja definido que devem morar. que dependam diretamente da exploração de espaços e recursos naturais para sua reprodução sócio-cultural. que detenham conhecimento prático sobre as características dos ecossistemas locais e que utilizem formas pouco impactantes de utilização ou exploração de seus recursos.OFICINA "DIÁLOGOS SOBRE RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: PROPOSIÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO" Tabela Orientadora da Discussão dos Grupos Anotações Fleep Chart Processo de Criação Condicionantes Ocorrência de populações locais. com descrição de suas características. que consta na lei. mas não reafirmam o tema.

das grau mínimo de organização comunidades moradoras. o . 106 . a decretação da unidade de conservação pode ser instrumento de incentivo à organização a viabilização de unidades de conservação sustentáveis são processos em construção. Pontos Favoráveis Sugestão : acrescentar atividades de subsistência/familiar – não foi consenso Reescrever – não ser extrativista não deve ser enfatizado Pontos Contrários Dificuldade de determinar predominantemente. mesmo – substituir esta idéia pela que informal. de atividades econômicas não predominantemente extrativistas de recursos naturais. entre as populações residentes na área alvo de proteção. não dá para condicionar a organização. é preciso colaborar com a organização – não deve ser condicionante.Condicionantes Ocorrência. que faz parte deste processo.consenso qual permita sua efetiva participação nas práticas de gestão desta categoria de gestão de unidade de conservação. Não deve ser exclusivo Grau mínimo de organização Incluir idéia de consenso/coesão sócio-produtiva.

107 . para a população local consenso Pontos Contrários Existência de área com importância ecológica e com ocorrência de biodiversidade significativa para preservação. significado da natureza/paisagem.Condicionantes Ocorrência de áreas representativas de ecossistemas com satisfatória qualidade ambiental. não significativamente impactados pelas atividades historicamente desenvolvidas e com possibilidade de recuperação de parte das áreas que se apresentem degradadas. Pontos Favoráveis Juntar com a 5 Substituir áreas representativas de ecossistemas com satisfatória qualidade ambiental por relevância ecológica – consenso Considerar importância ecológica . com possibilidade de sua demarcação como zona de proteção integral.

Para ambos os casos as consultas públicas devem se constituir em processos (levantamento de informações. para criação de RDS. pelo menos. ciência sobre as causas e conseqüências relacionadas à criação da reserva.- Não dá para ser condicionante. específicas para os usuários (residentes no interior ou entorno imediato) da área a ser protegida. Pontos Favoráveis Acrescentar que deve ser feita o registro e sistematização de todo o processo. Impossível determinar maioria simples – 108 . considerando que RDS envolve população diretamente. a maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS contendo: solicitação para criação da unidade de conservação. comprometimento preliminar em assumir responsabilidades e compromissos inerentes à gestão da área. Pertinência de tratar consulta publica na regulamentação. esclarecimento sobre as causas e conseqüências. Encaminhamento de abaixoassinado com adesão de. estabelecimento de vias de comunicação e negociação. e sim de modo geral Anuência é interessante. assim como consultas públicas mais amplas. Incluir “manifestação por escrito”. mas sem tanto detalhamento. diminuição de conflitos de interesses). Pontos Contrários consulta publica não deve ser regulamentada por categoria. que se torna responsável pela área.Condicionantes Realização de consultas públicas. envolvendo todos os segmentos interessados. pode atropelar o ritmo da população. notadamente os órgãos públicos responsáveis pelas estruturas e serviços sociais.

deverá prevalecer a categoria RDS. considerando para a zona de uso antrópico (ou uso sustentável. Abre brecha para descaracterizar se houver venda das terras – mas informação do André Lima é que se a venda for feita para populações que não se enquadre nas não da para ter proprietários particulares – preocupação com as relações de poder entre proprietários e comunidade.) da unidade de conservação. TENHO DUVIDAS – TALVEZ A AREA DE USO ANTRÓPICO NÃO PRECISA SER DEFINIDA PARA A CRIAÇÃO Nos casos em que as famílias residentes na área alvo de proteção apresentem as características descritas na condicionante nº.Condicionantes Delimitação da área. assim como para viabilização da efetiva participação dos usuários na gestão (administração. controle. pois admite a propriedade privada. Propriedade pode ser vendida..consenso Acrescentar “de acordo com os objetivos da RDS” ao final da proposição. Ampliar a delimitação para além do uso antrópico Este item diferencia a RDS da RESEX. em detrimento de ResEx.para quem??? 109 . mesmo que as atividades tradicionalmente desenvolvidas sejam conceituadas como predominantemente extrativistas. ainda que em casos muito específicos. no processo de consulta pública. Substituir títulos de propriedade das terras por documentos comprobatórios. 1. Pontos Favoráveis Pontos Contrários Redação ambígua.. monitoramento. detenham títulos de propriedade das terras. conforme a Lei do Snuc) uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para sua reprodução sóciocultural e melhoria da qualidade de vida. demandem a criação de uma reserva de uso sustentável e não queiram ter suas áreas desapropriadas.

deve ser desapropriado. entretanto. notadamente no que diz respeito à sustentabilidade ambiental. O medo porém é que isto não aconteça. Pontos Contrários OFICINA "DIÁLOGOS SOBRE RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: PROPOSIÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO" TABELA ORIENTADORA DA DISCUSSÃO DOS GRUPOS Implantação & Gestão da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Diretrizes As atividades econômicas desenvolvidas em uma RDS devem. até a elaboração de seu plano de manejo.Condicionantes Pontos Favoráveis características definidas para as populações que tem permissão de manter a propriedade privada. aumento de produtividade. esforços para seu aprimoramento. se restringir àquelas já desenvolvidas historicamente pelas comunidades locais. cabendo. agregação de valor às mercadorias produzidas e detecção de formas mais rentáveis de comercialização da produção e de prestação de serviços. Após os estudos que irão embasar a elaboração do plano de Pontos Favoráveis Não discutidas durante a oficina Pontos Contrários 110 .

estas deverão estar de acordo com a lei do Snuc e dos demais instrumentos da legislação ambiental e deverão ser geridas diretamente pelas famílias ou organizações locais. como forma de garantir que as normas do plano de manejo e o zoneamento da unidade de conservação sejam devidamente cumpridas. se surgirem indicações de novas alternativas econômicas. Para os casos de moradores não detentores de documentos comprobatórios de dominialidade das terras que utilizam. os órgãos competentes deverão firmar com seus representantes termos de compromisso.340/2002.manejo e o zoneamento da unidade de conservação. de acordo com o artigo trigésimo nono do capítulo IX do Decreto 4. as quais deverão ser suas principais beneficiárias. que concordaram com sua criação e implantação e possuam documentos comprobatórios de dominialidade de suas áreas de moradia ou exploração econômica. Nos casos de famílias residentes no interior da RDS. deverá prevalecer o artigo décimo terceiro do Decreto 4.340/2002 (que regulamenta o artigo vinte 111 .

e três da lei do Snuc), o qual prevê a assinatura de contrato de concessão de uso de terras públicas e de respectivo termo de compromisso, específico para tais situações.

Nos casos em que os resultados dos estudos técnicos e das consultas públicas indicarem a importância de incorporação de terras privadas à RDS, cujos proprietários tenham interesses conflitantes com aqueles das comunidades locais ou ainda que tenham interesses e formas de ocupação conflitantes com os objetivos ambientais da RDS, caberá aos órgãos competentes providenciar sua desapropriação, ou a intervenção do Ministério Público para que com seus proprietários sejam assinados termos de compromisso sobre os usos dos imóveis. Sugerese que tais termos de compromisso sejam embasados pelo disposto no artigo trigésimo nono do capítulo IX do Decreto 4.340/2002, que regulamenta o Snuc – 112

apesar de tal capítulo tratar, originalmente, apenas de populações tradicionais em unidades de conservação de proteção integral.

Formação de conselho gestor deliberativo objetivando a participação do maior número de representantes dos moradores e usuários da RDS, além de representantes de organizações da sociedade civil regional e de órgãos públicos competentes das três esferas de poder. Os setores produtivos regionais e do entorno imediato da unidade de conservação, cujos interesses sejam distintos daqueles das comunidades locais, devem criar um comitê próprio para escolha de apenas um representante com direito a assento nesse fórum.

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O plano de manejo da RDS deve ser elaborado de forma participativa e oferecer orientação prática aos moradores e gestores, tanto na gestão da unidade de conservação, quanto no planejamento das atividades de conservação ambiental e de promoção da qualidade de vida das comunidades locais. Deve se basear em dados secundários, pesquisas ou estudos expeditos e no conhecimento acumulado pelos moradores. Este primeiro esforço já permite uma primeira versão formal e a identificação de lacunas de conhecimento. Deve, portanto, também ter caráter dinâmico, sendo incorporadas, periodicamente, novas normas e recomendações a partir de pesquisas técnicas e científicas e do monitoramento das atividades e das decisões tomadas. Sendo uma RDS, o plano de manejo deve contemplar planos de manejo de rendimento sustentável para os recursos naturais mais explorados e planos de negócio para os principais produtos. Por fim, deve indicar uma relação de pesquisas para melhoria da gestão.

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O zoneamento de RDS deve ser elaborado de forma participativa e contemplar zonas de proteção integral e de uso sustentável, além de amortecimento e corredores ecológicos (§ 6° do artigo 20 da Lei do Snuc). Devem ser consideradas as informações sobre a dinâmica de utilização econômica e cultural dos espaços e recursos naturais da área, dinâmica territorial da população, definição do número, densidade e distribuição dos assentamentos, os estudos de levantamento de estoques e de comportamento biológico das espécies mais exploradas. Devem ser consideradas as pesquisas e informações dos moradores sobre áreas significativas para a conservação da biodiversidade, a fim de se delimitar as áreas de preservação e de se definir eventuais defesos. Para as zonas de uso sustentável sugere-se sua divisão em: áreas de moradias, equipamentos sociais e expansão urbana; áreas de usos culturais comuns; áreas de ocupações agrícolas e pecuárias; áreas de usos extrativistas; áreas de pesca e de coleta e criação de recursos aquáticos; áreas para visitação turística.

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Os órgãos responsáveis pela execução do Snuc devem prever recursos orçamentários para ações de apoio à organização social e produtiva das comunidades residentes. Tais ações devem privilegiar o aprimoramento das práticas e formas de atuação das organizações já existentes e facilitar a criação de associações, cooperativas, etc. Os órgãos devem também apoiar a formação do conselho deliberativo. Criado o conselho gestor, os órgãos executores do Snuc deverão responsabilizar-se pela capacitação específica de seus membros e disponibilizar estruturas e meios necessários para seu funcionamento regular. Os órgãos responsáveis pelas RDSs devem servir como facilitadores na busca de financiamentos para aprimoramento das atividades econômicas, bem como nas negociações dos conselhos deliberativos com outras instâncias públicas, para prover as comunidades de equipamentos e serviços sociais importantes para a promoção da qualidade de vida local.

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A fiscalização e o monitoramento das RDS devem ser de responsabilidade compartilhada entre os órgãos administradores e as comunidades locais, representadas pelo seu conselho gestor. Sugere-se que este fórum seja coresponsável pela definição dos protocolos de monitoramento e fiscalização da unidade de conservação, respeitandose suas especificidades, bem como seja responsável pela nomeação e administração do contingente de moradores voluntários envolvidos com estas atividades. Sugere-se também que a vigilância das zonas de usos sustentável seja de responsabilidade dos moradores e de agentes dos órgãos públicos, recaindo nesses últimos a exclusividade nas tarefas de fiscalização das zonas de proteção integral.

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WWF BRASIL ESTINOTIPIA OFICINA: “DIÁLOGOS SOBRE RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: PROPOSIÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO” Hotel Confort Suítes Brasília-DF 14 de fevereiro de 2006

(Transcrição ipsis verbis)

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Então. Primeiro. nós compomos também a Mesa com a presença dele. Eu vou convidar aqui algumas pessoas. nós terminamos com o representante do Governo Federal. nem que os órgãos oficiais aqui presentes se obriguem a respeitar o que sai da reunião. e vai ter um registro mais detalhado sobre a reunião. O SR.. Essas atividades complementarmos incluem análises. o Ademar também. a grande preocupação nossa é sedimentar reflexões sobre a categoria RDS. Então. Na verdade. apoios para o que nós chamamos de sustentabilidade em longo prazo. Sem grandes formalidades. claro. Na verdade. Então. sobretudo. Ante. em alguns Estados da Amazônia. para compor. Então. Então. fazer um trabalho coletivo. trocar idéias preexistentes. especialistas. O que eu quero dizer basicamente é o seguinte: esse é um programa do WWF-Brasil. Obrigado. Eu. Gente. Nós podemos fazer qualquer proposta para os governos de Estados. Eu estou à disposição de vocês ao longo do dia para qualquer coisa que vocês precisarem. pelo Ministério do Meio Ambiente. que é voltado para o apoio ao ARPA. como anfitrião. mas o Maurício Mercadante confirmou a presença e ainda não chegou. bem-vindos. ela é a menos compreendida e tem sido muito usada. a idéia do evento é basicamente discutir. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Vamos dar início aos nossos trabalhos. com o apoio do Cláudio. Cláudio. para ser breve e curto para nós passarmos para os trabalhos técnicos. Nós convidamos seletivamente algumas pessoas. mas nós também temos atividades complementares. mas nós achamos que é mais interessante avançar no processo de reflexão e deixar aos órgãos competentes fazer o processo oficial depois. Se chegar. Nós terminaríamos com o Ministério. com participação fundamental do IBAMA de sete Estados da Amazônia. mas isso não implica que esta reunião obrigatoriamente vai fechar um consenso. Bom-dia a todos. E qualquer intervenção. Eu queria pedir também ao Paulo Oliveira para fazer essa pequena abertura. entre os quais o Amazonas e o Amapá. O Jesse também. além de uma doação. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Bom-dia. é com muito prazer que nós estamos recebendo vocês. para vocês usarem sempre o microfone. eu vou pedir.O SR. outras ONGs 119 . Tinha um número maior de confirmação. para nós fazermos um pequeno bate-papo inicial. Cláudio. O meu nome é Fernando. a história dela é menor. Então. representantes dos órgãos de gestão. por favor. mas nós pretendemos continuar com outros temas neste ano e no próximo ano. nós vamos pretender sair daqui hoje com diretrizes para uma regulamentação da categoria RDS. nós fazemos uma contribuição a essa parceria. só mais um esclarecimento: nós estamos gravando. O WWFBrasil não tem legitimidade para fazer uma proposta de regulamentação formal. mas a idéia sempre era de uma oficina reduzida. entre elas nós temos capacitação e atividades de apoio ao Plano Nacional de Áreas Protegidas e algumas coisas que nós achamos fundamentais. Então. Diretrizes para Consulta Pública e Conselho de Gestão. é com muito prazer que nós temos aqui colegas de universidades. esse consórcio liderado pelo Governo Brasileiro. eu vou convidar o meu chefe. diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente também deve estar se deslocando. por favor. porque ela é menos compreendida. por favor. se o Fernando puder passar o próximo diapositivo só para dizer dos objetivos deste evento. Eu falei com vários de vocês por e-mail e alguns por telefone. Essa é uma segunda iniciativa porque nós achamos que a categoria Reserva Desenvolvimento Sustentável é aquela que está mais precisando de diretrizes. Eu convido vocês a tomarem assento. que é o Cláudio Maretti. que hoje está chegando perto de 14 milhões de dólares só do WWF. que é futuro diretor do Desenvolvimento Sócio-Ambiental do IBAMA. isso para suas propostas oficiais de regulamentação. obro e vou deixar aqui os colegas do Estado. o Maurício Mercadante. até porque nós conhecemos quase todos e estamos em número pequeno aqui.. Uma primeira iniciativa desse tipo foi com o Ministério do Meio Ambiente. Nós vamos compor aqui uma pequena Mesa de abertura. nem muito menos as opiniões do WWF-Brasil. avançar nas reflexões de forma a oferecer um trabalho e que depois os órgãos competentes possam usar ou não. se preferirem. Paulo Oliveira.

políticos intervirem na RDS sem nós podermos fazer nada porque a interpretação da lei permite. Nós que estamos que na ponta. no Amapá. que eu acho que iniciativa como essa ajuda um pouco a amadurecer e consolidar aquelas lacunas que. ser um caminho para chegar até quem sabe a uma RESEX. que eu acho que vai contribuir muito numa concepção mais geral nesse modelo de Unidade de Conservação conhecido como RDS. porque eu não poderia perder esta discussão. mas essa não foi a intenção da RDS. E isso gera um conflito entre a população. que deixa várias interpretações e não tem uma definição clara da lei. ela iniciou praticamente esse processo. principalmente a questão fundiária. que é a questão fundiária. Então. inclusive estou de férias. nós sabemos da pressão que nós sofremos dentro da RDS e fora da RDS. com o Paulo. eu acredito bastante. E hoje nós estamos com quase 50% das Unidades de Conservação criadas no Estado. por exemplo. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente . O SR. Trabalho hoje no Governo do Estado do Amazonas como secretário-adjunto. na interpretação de alguns. porque a RESEX é um impacto que se dá num ambiente no geral. Então. etc. os colegas que fizeram o trabalho e. porque eles se dizem donos da propriedade. nós entendemos que a RDS deveria talvez. como o Cláudio falou.. são RDS. Na verdade.. E quando nós temos uma lei que é um pouco ambígua. eu acredito que seja um passo para que possamos ter algo mais fechado nas RDSs. às vezes. esse para mim é o principal problema que nós encontramos na RDS. talvez tenha grandes problemas. A população tradicional da região Amazônica. não ter uma proposta fundamentada. É uma satisfação muito grande poder participar deste evento. que vivemos RDS. adiei um pouco as minhas férias para estar aqui. ficam na lei e. na sua lei. Então. finalizada. É importante este evento.. da castanha. Talvez a RDS fosse um caminho para amadurecer a chegada de uma RESEX. que acham que 120 . As populações precisavam amadurecer. fazem até de propósito isso. desde o ano passado. sobretudo. se você cria uma RESEX de cara. esse processo iniciando hoje. permite a permanência de propriedade particular dentro das Unidades de Conservação . essa atitude do WWF. Eu queria parabenizar o WWF por essa iniciativa. eu acredito que hoje nós possamos. Então.SDS/AM) – Bom-dia a todos. O SR. E isso. A intenção da RDS é exatamente ser uma Unidade de Conservação também assim como as RESEX para garantir a sustentabilidade das populações que ali vivem. Então. eu passo a palavra para o Jesse e depois seguimos aqui e terminamos com a autoridade federal. os proprietários chegam e querem. do Estado do Amazonas em particular.SEMA) – Bom-dia a todos.ambientalistas. a RDS não dá essa garantia e coloca uma interrogação que “caso seja necessário”. que a RDS. E esse “caso seja necessário” muitas vezes o Governo não tem dinheiro. Então. e chegando aqui nesta oficina. Para quem não me conhece. tem alguns poréns que deixam muitas dúvidas e fica muito fácil de ter abertura para ações judiciais ou até pessoas. em particular. tem outras prioridades. os representantes governamentais. onde foi nos entrevistar. como tem acontecido. A nossa contribuição aqui nesse sentido é dizer que o Estado do Amazonas tem adotado essa Unidade de Conservação como uma das principais iniciativas para a proteção da biodiversidade e para ajudar o desenvolvimento socioeconômico das populações tradicionais da região amazônica. isso nos deixa um pouco fragilizados na ponta para mantermos a integridade da Unidade de Conservação. que nossas RDSs é muito frágil em relação ao que está escrito. muitas das vezes. são mal interpretadas por alguns. eu sou Ademar. mas que seja o início para que possamos ter uma discussão para uma nova regulamentação dessa nossa legislação. do Estado do Amazonas. Mas o grande problema que fica nessa questão é a questão da desapropriação. Não deixam a população usufruir dos produtos. e isso fica para depois. tem um conflito direto praticamente com a predominância da terra. às vezes.

mas muito mais a própria gestão dessa 121 . PAULO OLIVEIRA JUNIOR (IBAMA/CNPT) – Bom-dia a todos. eles acham que a indenização de terras para particulares não vêm ao caso agora. mas criar mecanismos e propostas para avançar. especificamente para nós hoje do CNPT. e aqui eu gostaria de registrar com o apoio da Conservation. que em nosso ver. O Governo do Estado do Amazonas está aberto para discutir. Então. pela iniciativa de trazer neste diálogo “inicial”. que foi protocolado no IBAMA. a sobreviver daquilo ali. eu acho que bom. Para nós do IBAMA. vocês sabem que tem uma história toda construída em cima das reservas extrativistas. o desafio e a pressão dos movimentos sociais eram para ter um tipo de entendimento entre RESEX e RDS de que as RESEX seriam federais e as RDS estaduais. especificamente na Ilha Grande de Gurupá. Então. eu acho que esse é um ponto que na minha avaliação esta oficina deveria trabalhar. depois de esgotadas as discussões e vistos os limites da própria gestão municipal enquanto o SISNAMA ainda não está devidamente implantado. Na verdade. Então. nós já estávamos iniciando uma discussão e já estávamos tendo uma iniciativa. um momento intermediário que nós vamos estar certamente aproveitando e ampliando esses debates. parece-me que fica ainda muito frágil essa coisa. por quê? O Estado do Amazonas avançou muito nesse aspecto de Unidades de Conservação . os próprios limites da gestão municipal de estar fazendo a gestão e a criação. Então. ela também importante para a preservação do meio ambiente. não para a preservação. quer dizer. elas trazem uma questão de amenizar. O SR. às vezes. avançar também nesse aspecto. que um Secretário do Meio Ambiente do município tem uma grande propriedade dentro da reserva. Por exemplo. Eu queria agradecer à WWF pelo convite e mais do que isso. o Governo vai criando por uma questão de que não custa muito caro para os cofres públicos porque não vai ter que desembolsar nada de imediato. o conforto daquela população que. Muito obrigado. para a população local.. eu acho que essa modalidade precisa avançar nessa leitura. você tem uma associação que começa a se reunir e isso facilita então a concepção da preservação e do desenvolvimento sustentável. em PH Supurus. as RDSs são objeto do nosso trabalho também. da CA. Eu estou trazendo aqui para vocês um primeiro debate que me surgiu e que me espantou porque de onde eu vinha. de sistematização e de pesquisa das diferentes três iniciativas e mais as entrevistas com os órgãos responsáveis pela questão da criação e gestão de RDS para essa conversa que eu tenho como ainda intermediária. Não tanto a criação. no que diz respeito a colher os produtos. ela aumenta os conflitos. mas reservas de desenvolvimento sustentável. para finalizar na questão da RDS: eu acho que uma coisa é importante. Então. você começa a ter um Conselho que começa a discutir. nós estamos tendo um problema muito sério com uma propriedade lá. no município de Gurupá. O CNPT. E quando há um ano e cinco meses atrás eu assumi essa função que hoje eu estou. eu diria.. e deixa a desejar naquele aspecto. e não permite as populações colherem a castanha.o Governo conseguiu criar uma lei para ajudar a eles a resolver um problema de sobrevivência deles na floresta. para dialogar para o amadurecimento dessa categoria. lá do Marajó. Então. apesar de que aqui nós não temos ainda a predominância jurídica de avançar nisso. ela não ameniza. Nós temos um volume de RDs muito grande no Estado. pelo contrário. por isso que muitas das vezes no Estado do Amazonas hoje nós temos poucas reservas extrativistas em relação às RDSs. Eu queria ter esse compromisso aqui colocado e firmado com vocês que estão aqui presentes e junto também com as organizações que você representa. nesse aspecto. E a outra coisa. para nós tentarmos ver o que nós podemos amenizar dessa situação desses conflitos. a RDS. mas o proprietário não permite a entrada dessas populações para colher produtos. E na medida em que você cria uma RDS.. mais para o debate a partir de um esforço que foi feito de entrevista. a RDS. seria de imediato. Essa leitura é uma leitura que está muito fragmentada nas suas interpretações. porque bom ou ruim. de uma RDS municipal.. não sabe para aonde vai. As reservas extrativistas já têm essa questão da indenização. e aí os governos param porque têm mil e uma prioridades.

que é o mangue. E um dos temas vai ser a questão da regulamentação das duas categorias que estão hoje sob a nossa responsabilidade das RESEX e das RDSs. esse proprietário seja desapropriado”. e segundo..categoria. Cláudio. do próprio exercício conceitual mesmo e a perspectiva que nós temos para as RDSs. inclusive no que diz respeito à legislação. ou seja. Eu quero também ressaltar que nós teremos um outro momento com os movimentos sociais. a legislação de 95. e se eu me recordo bem. essa propriedade privada é geradora de um conflito de implantação de um grande projeto de carcinicultura no sul da Bahia. dentro dessa lógica e dessa visão do trabalho. o material que sair aqui desta oficina. nós darmos uma amplificação nesses fóruns que nós vamos estar trabalhando. o mesmo tipo de organização familiar. nós fizemos sim. Então.. a população não mora dentro do mangue. por exemplo. Eu gostaria de anunciar também que a partir dos dias 6 a 15 de março. Uma propriedade particular que vem desde títulos paroquiais e que a família vem cumprindo à risca toda a legislação e apresentando aos órgãos públicos a partir daqueles inúmeros decretos. as populações tradicionais estão abrigadas nessa cataria de Unidade de Conservação. Então.as RDSs. absolutamente integrada àquela sociedade. o que está gerando uma série de debates e de conflitos com as autoridades municipais. E essa iniciativa da WWF junto com os demais parceiros só vem a alimentar toda a expectativa que nós temos para partir rapidamente para a regulamentação. porque não foi devidamente divulgado e tudo mais. a contribuição que nós estamos trazendo para cá é dessa única experiência em nível federal. Então.eu gostaria de deixar isso também registrado . nós estamos fazendo a opção de RESEX. com o mesmo tipo de trabalho.em cima de dois elementos centrais: o primeiro elemento de que necessariamente . E Caravela tem um outro detalhe. uma experiência que para nós está sendo extremamente interessante. Só para vocês terem uma idéia. digamos assim. por outro entendimento que nós temos. Nesse sentido também. dessa localidade da Ilha Grande de Gurupá. E por que uma RDS? Eu acho que esse é o elemento que eu gostaria de trazer como contribuição e já inclusive coloquei na entrevista que me foi feita. nesse sentido. mas até essa família cumpriu. mora fora do mangue. e queremos que esse sujeito ou essa família. a RESEX seria o mais adequado. na Bahia. por que uma RDS? E nós trouxemos isso para o nível federal e conseguimos criar a primeira RDS federal exatamente a partir dessa experiência. compadre e todo mundo. leis. àquele ambiente e compunha aquela territorialidade que o decreto manifestou no momento da sua criação. vinha apresentando todos os documentos e vem se regulando sistematicamente. mas nós estamos enfrentando esse debate. proprietários tiveram um esforço por gerações da família de estarem legalizando aquele seu pedaço de terra. absolutamente ribeirinha. Esses fóruns são preparatórios junto com o pessoal da educação 122 . portarias e tudo mais. a mesma lógica produtiva.. onde nós temos esse compromisso.. portanto. para a reserva extrativista quando há essa manifestação nas consultas que estão sendo realizadas. que o Governo do Pará baixou para a apresentação da documentação para a legitimidade do título. que foi algo que é contestado até hoje. mas que na hora que nós vamos lá fazer o debate com o pessoal. desse território. 120 técnicos e técnicas do CNPT do Brasil todo vão estar reunidos. fizemos um exercício puramente conceitual . E em consulta pública todo mundo foi favorável a não ter a desapropriação porque os legítimos. havia uma única propriedade particular dentro dessa área. Há outras demandas de RDS que nós estamos colocando para debate com a sociedade local da validade. necessariamente elas têm que estar habitando a Unidade de Conservação. é um exemplo claro de uma intenção de uma RDS. para Caravelas. Eu não quero chamar atenção aqui. o pessoal fala: “Não. quer dizer. A nossa postura está sendo de ir. é área de manguezais e que.essa daí é a nossa leitura . portanto. nós não queremos. grupos econômicos interessados naquela área. nós levaremos assim com todo ímpeto para um debate mais ampliado em nível dos técnicos. trouxemos para esse exercício conceitual e estamos hoje no desafio da gestão desse exercício conceitual. Que família que é essa? Uma família que tem 300 hectares. Eu trago aqui mesmo um compromisso com vocês de esse material que sair daqui desta oficina. portanto.

Enquanto as duas permitem o uso sustentável. não está bem definido. nós temos unidades que são extremamente restritivas. que é o parque com gente dentro. mas a associação poderia perder esse direito caso não fizesse um bom uso da área e não tomasse conta direito da área. Então. se é de domínio público. Então. esse é um potencial que a RDS tem. Pelo menos no ARPA. que faz um ano e cinco meses que nós estamos esperando que ela saia. este é o vazio que está faltando dentro do SNUC: essa categoria não existe. Então. Um outro potencial que a RDS tem é de ser um modelo que não tem como base o extrativismo de recursos. é mais uma vez o exercício de 123 . unidade responsável pelo programa Áreas Protegidas do Brasil . esperamos que agora seja rápido. O SR. Então. E aí o nome dá uma abertura de visão maior para você pensar em turismo. Nós não criamos isso. porque é um modelo que tem crescido muito. Eu acho que a RDS traz para nós uma série de desafios. que é uma categoria que já existe. Nós temos algumas preocupações fortes no âmbito do Ministério e do Programa ARPA. Então. não precisa de outra igual. tem a reserva extrativista. ela pode ser penalisada. uma delas está relacionada com o entendimento sobre a titularidade da terra. O Estado do Amazonas especialmente é fã dessa categoria. é onde a comunidade é responsável pela gestão do seu recurso e não só participante na gestão dos recursos. inclusive por uma má gestão dos recursos. A associação comunitária poderia perder a concessão. eu acho que vai ter bastante conversa sobre isso. Um deles é preencher uma lacuna. mas agora está na reta final. (ARPA/SBF/MMA) – Eu agradeço o convite e parabenizo o empenho dos parceiros na promoção deste evento. que ela permite a gestão. nós temos que procurar uma diferença porque senão para que adianta ter dois nomes diferentes e duas categorias diferentes? Então. Enfim. não a comunidade em si. tem o diagnóstico que foi feito. de responsabilidade da comunidade. porque as duas se parecem muito. E para mim. Convido para compor a Mesa. nós estejamos transformando ela numa ARPA. é o parque que as pessoas podem utilizar os recursos naturais com supervisão governamental.ARPA. especialmente do WWF. Ronaldo Weigand. coordenador da Unidade de Coordenação do Projeto do Ministério do Meio Ambiente. É isso que é interessante. na reserva extrativista a gestão deveria ser extremamente comunitária. o que é essa categoria e assim por diante. Esses são alguns potenciais que nós identificamos quando nós temos uma categoria que não está bem delimitada. no meio disso aí você tem todo um espectro de categorias de Unidades de Conservação e quase lá no extremo. Muito obrigado pelo convite e vamos estar aí participando do debate junto com todos. nós temos um temor de que se a RDS começa a ser tratada como uma unidade que não é necessariamente de domínio público. que são estações ecológicas. a diferença é que reserva extrativista é de gestão comunitária. mas não no extremo. você tem uma categoria que eu sou fã. que eu identifico no SNUC em espectro de Unidade de Conservação. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil ) – Eu agradeço as palavras do Doutor Paulo. não está claro em nenhum lugar. eu vejo que tem uns bons potenciais para essa categoria. reservas biológicas e unidades que permitem até mesmo a exploração por empresa e assim por diante. se não é de domínio público. mas elas desempenham suas atividades com supervisão mais próxima do órgão gestor. perder direito de manejar aquela RESEX. Então. Então. eu acho que procurar definir RDS é de certa forma procurar essa diferença. O SR. Então. que eu acho que não dá para você conversar sobre RDS sem conversar sobre reserva extrativista. Então. é uma categoria cuja aplicação cresceu muito. enquanto que a RDS poderia ser aquela área em que as pessoas podem estar lá dentro. RONALDO WEIGAND JR. E de certa forma ter tem mesmo uma indefinição do que deveria ser. que é a reserva extrativista. tem uma área muito grande de aplicação. já foi para a Casa Civil ontem.ambiental da criação da nova diretoria. Então. pensar em outras coisas e as reservas extrativistas ficariam mais restritas ao local onde se faz realmente extração tradicional de recursos.

Então. Trabalho já há uns vinte anos com planejamento regional. Meu nome é Renato Sales. Vamos ter então em nível de discussão. espero que com a criação da RESEX do Rio Unini. advogada e professora da Universidade Federal do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos. Estou coordenando o escritório em Manaus. Dois grupos de cada assunto talvez pelo número de pessoas: um para criação e outro para regulamentação. mais no final da manhã. Tenho trabalhado com Unidades de Conservação desde meados dos anos 80. MARCOS ROBERTO PINHEIRO (WWF . do ISA. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Bom-dia. com criação de Unidades de Conservação e também sua regulamentação e gestão... Eu sou formado em Ciências Sociais. O que você acha. O SR. com o perdão dos horários que estão um pouco estourados. eu acho que vai ser um debate bastante interessante e nós vamos estar acompanhando aqui com bastante interesse. nós prosseguimos agora com a apresentação dos trabalhos dos consultores Lucila e Renato. Então. O SR. Eu sou Lígia Simonian. E esse documento vai estar disponibilizado para vocês. SALES – Bom-dia. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Oi. em quatro grupos de trabalho. E em 2002. Chamo a atenção de vocês que talvez a partir das 11h30. Tenho orientado muitas teses de doutorado e dissertação de mestrado sobre Unidades de Conservação . Cláudio? Vamos fazer uma breve rodada de apresentação e ficamos todos nos conhecendo e em seguida o Renato e Lucila com a palavra. Também sou antropóloga e estou trabalhando aqui como consultora deste trabalho sobre a RDS. junto com o Márcio Aires. Eu sou Lucila Viana. após o que o André. incluindo o apoio ao Governo do Estado local na RDS do Iratapuru.. nós iniciemos uma sessão de debates e com um pequeno break para o horário de almoço. um voltado para a criação e outro para a regulamentação. nós fizemos uma primeira tentativa de regulamentação de RDS para o Estado do Amazonas. um momento de discussão e no período da tarde.. MARCELO IVAN PANTOJA CREÃO (WWF-Brasil) – Bom-dia. Nós vamos fazer inscrições para que as pessoas possam se mobilizar em cada um desses grupos com outro material de suporte que vamos estar distribuindo. Antropologia Social. vai dar algumas perspectivas para nós sobre a análise jurídica que foi feita sobre o assunto. Meu nome é Sônia Wiedmann. 124 . A SRª. O SR. Sou antropóloga. Eu pedir rapidamente para nós fazermos uma breve rodada de apresentação. Eu sou procurador do IBAMA. Tomar esses breves minutos para nós darmos uma olhada na dinâmica que nós vamos estar trabalhando durante o dia de hoje. A Srª. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil ) – Eu agradeço aos componentes da Mesa. RENATO R. no escritório de Macapá. Também trabalho no WWF.Brasil) – Bom-dia. Meu nome é Marcos Pinheiro. A SRª. O SR. Trabalho no WWF-Brasil. E lá nós desenvolvemos atividades com várias categorias de Unidades de Conservação . LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Bom-dia a todos. E eu estive envolvido com a criação. havendo e nós trabalhando em grupos.definir a RDS pela diferenciação das outras categorias que já existem. onde nós temos um doutorado em desenvolvimento do trópico úmido. Marcelo Creão. Esperemos para a COP deste ano. comecei no Acre e contínuo nessa área. Obrigado. e convido os mesmos a participarem agora aqui do auditório e também gostaria de apresentar. nós pretendemos.

é muito mais do que isso. alguns dos quais foram apresentados aí.. Eu sou especialista em áreas protegidas. na implementação da RDS Cujubim. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) – Bom-dia. o que é o mais difícil. Meu nome é Danielle Calandino. há 5 anos. Paulinho – ex-professor do Departamento de Antropologia da UNB. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – Bom-dia. A legislação sempre reduz muito os conceitos. MARISETE INES SANTIN CATAPAN (WWF-Brasil) – Meu nome é Marisete Catapan. E pelo que eu percebi.A SRª. O meu nome é Isabel Soares de Souza. O SR. do Pará e do Amapá.que foi convidado a participar do seminário. aguardando publicação da sua portaria de exoneração. Sou técnica da unidade de coordenação do Programa ARPA. Trabalho na Universidade Federal do Pará. conservação da biodiversidade com participação popular. Eu trabalho do FUNBIO . Meu nome é Luiz Carlos Pinagé. Nós temos uma experiência de RDS de 15 anos e eu acho que de RESEX também. A SRª. Uma RDS é muito mais do que Unidade de Conservação. Trabalho no WWF aqui e trabalho há alguns anos já com planejamento de Unidades de Conservação . DANIELLE CALANDINO (ARPA/SBF/MMA) – Bom-dia. e atualmente como diretor acadêmico do IEB. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – Bom-dia. uma delas é que eu represento o ISA – Instituto Sócio-Ambiental . O conceito está muito reduzido ao que está no SNUC e não é isso. Eu também sou antropóloga do Pará. Sou advogado. mas eu acredito que as pessoas que torcem por uma ou outra estão baseadas no SNUC. a uma regulamentação. no programa Áreas Protegidas da Amazônia. já existem parece que dois times. seria interessante que nós tivéssemos também estudos de casos de como é que funciona uma RESEX.eu julgo qualidade -. depois no próprio WWF com as RESEX de Rondônia e sempre na área de produção sustentável e melhoria dos padrões de vida das comunidades.. e a outra eu fui. O SR. ansiosamente. A SRª. Obrigada. como é que funciona uma RDS para podermos ver como é que pode incluir esse funcionamento na legislação. Então. E alguém falou que não dá para falar de uma sem fazer as comparações. Trabalho na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.Fundo Brasileiro para a Biodiversidade. E no Estado do Amazonas. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu sou André Lima. 125 . Sou responsável pelas unidades estaduais do Amazonas. adequar essa legislação à realidade. Eu estou aqui numa dupla qualidade . O SR. e a RDS como uma desvantagem. Como profissional da área jurídica. O meu contato principalmente é com as RESEX desde o tempo do PDA. Eu espero que nós possamos discutir isso hoje e tentar mudar um pouco a legislação. E eu acho que nós temos que partir da realidade: como é que funciona uma RDS e como é que funciona uma RESEX para poder chegar a uma definição. HENYO BARRETO (IEB . trabalho no programa Amazônia da Conservação Internacional. coordenando o programa de Bolsa de Estudos para a Conservação da Amazônia – BECA. A SRª. Meu nome é Raquel Carvalho.Brasília) – Henyo Barreto. Fiz mestrado no CDS na área de gestão em política ambiental. Também sou antropólogo – e não é serva de mercado. eu estou fazendo um trabalho para o WWF de uma análise jurídica sobre a RDS e tentar desenrolar um pouco esse imbróglio. nós temos uma parceria com a Secretaria de Extrativismo.

para a apresentação do primeiro trabalho. o que a RDS trouxe de fato para conservação da biodiversidade e para população. então. Raimundo Marinho de Mamirauá e a Telma Dias de Ponta Tubarão. As entrevistas foram feitas com diversos segmentos. justamente para gente estar aqui discutindo e dialogando com todo mundo para depois a gente fazer uma proposta final. você vai ficar ali para mim? Então bom-dia. Ela tem uma área de um milhão de hectares. ela tem muitas fontes de financiamento e isso é algo que diferencia de todas as RDS e talvez não dê para tê-la como 126 . fizemos análise dos dados à luz do SNUC e fizemos a proposta de regulamentação. enfim. o ISA. Tem uma lista de presença que está circulando. que é de uma ONG. extrativistas. tentando embarcar todos esses pontos polêmicos já levantados. Essa parte das disposições legais o André depois vai. os Órgãos Públicos Municipais e os Órgãos Gestores também. a HOLOS O Marinho. que é uma proposta preliminar. eu acho que todo mundo conhece. além dessas entrevistas em campo. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Fernando. pescadores e prestadores de serviços. que é uma outra coisa que a gente prestou bastante atenção. o FUNBIO . a idéia era exatamente ver como funciona as RDSs de Mamirauá. uma das inspiradoras da categoria para o SNUC. era uma Estação Ecológica. Eu sou Fernando. então vamos falar um pouco de Mamirauá. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Obrigado a todos. Bom. Eu vou falar a respeito dos estudos de caso. o cara que providenciou uma coluna no meio de vocês. então nós também fizemos questão da estar trabalhando com essa Unidade da Conservação por conta de ter um outro referencial que não seja a Amazônia. já que nós estamos falando de uma legislação nacional. Renato e Lucila. mas ela já estava existindo como Unidade de Conservação desde 91. Bom. a gente fez entrevistas com especialistas e com pessoal de Órgão Público responsável pelo CNPT. A localização. Ao todo foram dez entrevistas. Eu vou pedir que todos vocês assinem. E a Mamirauá também tem uma outra especificidade. a proposta de regulamentação que a gente fez para a categoria. Mamirauá foi criada em 96. E apesar de ser sido uma pesquisa muito expedita. No caso de Iratapuru foi o Henrique Gomes. a característica da população. é há 600KM (seiscentos quilômetros) a oeste de Manaus na confluência do Rio Solimões. A Srª. que aí nós vemos bem como é a interpretação do SNUC e é absolutamente dispare. não vou citar todo mundo aqui. O que nós focamos nessas entrevistas? Nós queríamos saber o que as pessoas achavam do processo de criação. Isabel. um em cada RDS. Primeiro nós fizemos um levantamento bibliográfico de dados secundários a respeito de RDS e na seqüência nós escolhemos três RDSs para ser justamente o estudo de caso. Iratapuru e Ponta Tubarão para estar subsidiando um pouco essa análise nossa a respeito da categoria. E na seqüência o que nós fizemos? A gente fez uma avaliação das disposições legais sobre a categoria. inclusive. A idéia é apresentarmos um pouco os resultados dos nossos estudos. O Iratapuru foi criada na seqüência de Mamirauá e também antes da RDS ter sido incorporada pelo SNUC. basicamente nós fomos falar com moradores que participaram. E o impacto da criação da RDS. mas essa RDS trabalha muito com a população do entorno também que é usuária dos lagos e é uma característica muito forte de Mamirauá. Ok. O Renato está aqui me lembrando que Ponta Tubarão é costeira. E ainda agora de manhã o Renato vai estar apresentando. antes mesmo de ser incorporada pelo SNUC e. abordando um pouco o histórico da inclusão da RDS na Lei. da implantação e da gestão de cada RDS e qual é a representação que se entende pelo conceito de categoria. são ribeirinhos que envolvem pequenos agricultores. inclusive. quer dizer. moradores do interior e do entorno. E atualmente o responsável de fato é o Instituto de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá. E agora eu passo a palavra então aos nossos consultores. que não participaram da criação. E Ponta Tubarão é a única RDS existente que não está na Região Amazônica. para estar fazendo um levantamento junto aos moradores e aos Órgãos Estaduais. uma população que mora de 1800 (mil e oitocentos). conforme o interlocutor. Institutos de Pesquisa e Sociedade Civil. nós contratamos três pessoas.O SR. Mamirauá porque é a primeira RDS criada.

As populações locais tiverem uma significativa melhoria de qualidade de vida. são divididos em oito setores e o processo de participação se dá pela reunião de comunidades. eles já tinham todo um trabalho com a comunidade eclesial de base de anos anteriores à chegada dos pesquisadores. E não dá também para fazer conservação ambiental se não tiver esses investimentos em pesquisa e em desenvolvimento social também. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Obrigada. por conta de garantir o uso dos recursos e diversificar os recursos naturais que estão sendo explorados. como eu tinha dito. estão mais fortalecidas. então. é que existe uma co-gestão com Instituição que não é o Governo. Mamirauá trouxe vários impactos positivos junto à comunidade. maior responsabilidade com a conservação. Então a gestão é da Sociedade Civil Mamirauá. A gestão é absolutamente participativa. uma categoria que contemplasse tanto a conservação. inclusive. A justificativa que está na Lei é viabilização e livre ação da permanência da população. quanto a possibilidade de uso dos recursos pelos moradores. tinha o envolvimento direto de pesquisadores que já traziam consigo financiamentos. Acontece que o SNUC define como tem que ser o Conselho Gestor e então agora eles estão num processo de adaptação desse processo todo de participação via Assembléia Geral para se transformar no Conselho Gestor e tem. Isabel. Então foi quando se começou a discutir junto com moradores que já tinham todo um zoneamento de uso da área. A Srª. não podem ter moradores no seu interior. que foi a RDS. que tem o convênio com o Governo do Estado do Amazonas e a Sociedade Civil Mamirauá tem um outro acordo com o Instituto Mamirauá. a população já estava organizada. estavam fazendo associações. E uma outra coisa que é bastante forte em Mamirauá é que existem bastantes trabalhos relacionados à educação ambiental para fortalecer a participação das comunidades. A Srª. ISABEL SOUZA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá) – Eu acho que o diferencial não são os recursos. ela é parte de uma demanda dos pesquisadores e que depois foi construída uma proposta junto com a comunidade. Eu sou funcionaria do Instituto Mamirauá. dos lagos e resolveu-se criar. portanto. Então. ambientalistas que perceberam a necessidade de estar conservando a área por conta de algumas espécies ameaçadas que estavam sendo pesquisadas. Primeiro. E há maior 127 . E aí são essas Organizações que buscam os recursos. em relação à proteção de biodiversidade porque o zoneamento participativo fez com que houvesse maior envolvimento das comunidades e. já tinham todo um esquema de zoneamento de uso e regulação dos recursos e já tinham acordos sociais de manejo. Foi quando se fez um movimento junto ao Governo para criar uma Estação Ecológica. depois reuniões das comunidades por setores e depois os setores se reúnem na Assembléia Geral. enfim. Isabel. como todo mundo sabe. Os acordos sociais também aumentaram envolvendo a população do entorno. pesquisa sobre a biodiversidade e combate a pobreza. que é uma OS. a RDS trabalha com oito setores. E a situação atual é a seguinte: O plano de manejo foi formalizado em 97 e agora está em revisão. mas a Estação Ecológica. participação da comunidade local na gestão e proteção de grandes áreas de florestas. financiamento do Fundo Nacional para isso. se quiser me corrigir. na verdade.modelo porque isso é algo que faz com que a implantação seja facilitada e tenha mais recursos e tenha uma série de programas de suporte a comunidade. As organizações sociais. que tem os pesquisadores. Bom. ou seja. o Governo não injeta recursos. até a notícia que tivemos. o que a gente já tinha antes de RDS que facilitou a criação dessa unidade? Já era uma área que tinha ocorrência de objeto significativo. Bom. enfim. Eu acho que esse é o diferencial. que tinham uma organização. Porque foi criada a RDS? Qual foi o histórico da criação dessa Unidade de Conservação? Havia os pesquisadores ali. o objetivo da RDS é preservação do patrimônio natural. como também para trabalhar com conceito de conservação e a importância da conservação da biodiversidade. enquanto que as outras que está só o Governo. São 52 comunidades no interior e 93 no entorno. particularmente. isso é uma conseqüência de quem está fazendo a gestão.

que é a administração pela OS. então as conquistas e os resultados são muito dependentes dos financiamentos contínuos e significativos que estão presentes desde o primeiro minuto que se pensou essa Unidade de Conservação. Tem pequenos agricultores numa área de caatinga. inclusive. por exemplo. são dez mil pessoas. no caso. É uma reserva pequena se comparada. é de 2003 e foi assinado pela Governadora Wilma Farias. E em 95 houve uma investida de um grupo empresarial para implantar um resort na região e começou haver uma mobilização da comunidade para tentar evitar que esse resort se implantasse. nós escolhemos. mas também temos comerciantes e etc. que é contígua área costeira. são pescadores artesanais e nós encontramos também um significativo número de marisqueiras que trabalham com caranguejos. assim. em julho de 2003 pelo Governo Estadual. Tem uma população bastante significativa. que é vinculado à Secretaria Estadual de Planejamento. principalmente. como é uma legislação nacional. domínio público e privado em Mamirauá. que eram ribeirinhos e que foram reconhecidos como indígenas e que por conta de serem indígenas têm uma outra legislação que os regem e isso significa que há um certo conflito com os ribeirinhos em relação às normas já estabelecidas da própria RDS. O SR. colocar fogo em mangue. novecentos e sessenta) hectares. Entretanto. é o que de relevante o que diferencia a RDS. Os conflitos fundiários existentes lá são pontuais porque o RDS tem propriedades privadas no seu interior. mais recentemente. Fica no norte da região costeira do Rio Grande do Norte e abrange dois Municípios: Maçal e Guamaré. é área de mar mesmo. das comunidades tradicionais. Inicialmente pensaram numa APA. mas conseguiram colocar. são 12960 (doze mil. como é o caso de RDS da Ponta do Tubarão que é basicamente uma unidade costeira. inicialmente Diogo Lopes e Barreiras. de prestar o apoio ao programa ARPA que tem se deparado com a criação de várias RDSs e tem apoiado essas RDSs. em 2000 a população resolveu que precisaria reagir de forma bastante contundente e começou uma mobilização envolvendo a imprensa. Fonte principal de orçamento ficaria por conta do EDEMA. Nós temos. Então têm proprietários que de alguma maneira tem conflito porque a situação fundiária não está resolvida. Boa parte dessa área é área marítima. E também temos prestadores de serviços que são vinculados a uma recente atividade turística. mas não há uma previsão orçamentária para o RDS. depois pensaram numa RESEX e tendo maior conhecimento do SNUC 128 . uma coisa muito esquisita. as da Amazônia. enfim. Bom. E o ato normativo. até por orientação do pessoal do WWF. Então. que é o Instituto de Desenvolvimento Sustentável em Mamirauá. e começaram a pensar na criação de uma Unidade de Conservação na sua área de moradia e de uso econômico. E tem essa outra especificidade que a Isabel lembrou. na vegetação da ilha. a gente achou que seria interessante pegar outra reserva fora do domínio amazônico e que. raramente a RDS conta com recurso próprio para tocar alguma atividade. Quais são os pontos de discussão? Quer dizer. RENATO SALES – Como a Lucila falou. duas RDSs Amazônicas em função. indo até o Ministério Público e etc. E a intenção nesse momento era de um grupo de carcinicultores que estavam querendo descaracterizar um pouco ambientalmente a área para facilitar a implantação dos tanques de criação de camarão. tivesse atividades econômicas bastante diferenciadas. que era manguezal. A gente estava mostrando que Mamirauá tem 137 e essa daqui tem dois e mesmo assim não trabalham em tempo integral. a televisão. Em 2000 colocaram fogo numa ilha. É uma questão recorrente em toda a costa do Brasil. mar aberto. Foi criada em 2003. Foi implantada em dezembro de 2003 com a constituição e tomada de posse do Conselho. que é a ameaça de perda dos territórios das comunidades pesqueiras. pontos de discussão não são nem positivos e nem negativos. E o responsável pela administração é o Instituto de Desenvolvimento Econômico do Meio Ambiente do Rio Grande do Norte. então. Isso se reflete também no número de funcionário. sururu e vários outros mariscos. Quer dizer.conscientização da comunidade sobre cidadania e aspectos ambientais. Como é que surge essa intenção de se criar uma RDS estadual lá no Rio Grande do Norte. E tem também algumas áreas indígenas.

eles chegam a pegar 5000 (cinco mil) toneladas de sardinha por dia em algumas épocas. no Decreto de criação é conservar parcelas de variados ecossistemas da região Nordeste. restinga. como o poços artesianos. que a área inicialmente delimitada ou proposta para delimitação era só uma área costeira que abrangia. Essa questão de características culturais é uma coisa que os moradores prezam muito e uma das razões para escolher RDS. foi questão de tentar preservar a cultura local. As características pré-existentes é uma alta produtividade de (?). ele só se forma em função de infiltração das águas subdunares. Mesmo porque é interessante que mangue ocorre em águas salobras e aqui não há um rio. inclusive. entretanto. como o IBAMA não tinha como atendê-los naquele momento. Cabe dizer que essa participação ainda tem alguns problemas. Barreiras e Sertãozinho e cuidava mais da questão pesqueira. são hoje nove comunidades do interior. foi montado rapidinho em 2004. são cerca de 30 Associações de Moradores que hoje estão envolvidas com a reserva. E nesses encontros eles começaram a ter toda uma troca de informação. que isso está muito concentrado em um ou dois membros de uma determinada Associação. eles chegaram à conclusão que se não houvesse uma proteção na região de caatinga contígua a essa área costeira e entre a caatinga e a área costeira a região de dunas. Tem uma gestão bastante participativa. três comunidades: Diogo Lopes. são conseqüências dessa mobilização. Eles já estão trabalhando com grupos de trabalho para discutir plano de manejo. as propriedades na caatinga houvesse atividades predatórias como. de criação e etc. por exemplo. os técnicos que participaram desse trabalho de delimitação. principalmente.. inclusive.. sem. como eu acabei de dizer. mas até comprometendo o mangue. qualquer comprometimento dessas águas poderia atrapalhar as atividades desenvolvidas pelos moradores. o André até esteve no último. o plano de manejo está em andamento. que o CNPT fosse responsável e eles chegaram. caso. por exemplo. uma área de dunas e foram incluídas também mais duas ou três comunidades. Então foi incluída na área uma área de catinga. Apresentam bom estado de conservação de diversos ecossistemas e aí a caatinga. Bom. e definiram pela categoria RDS federal. não está havendo muita capilaridade nas discussões e decisões. a definição pela categoria RDS. Nós estamos vendo hoje um gradual envolvimento das comunidades que ficaram ausentes no processo de criação que são dos Municípios de 129 . existem 30 associações.. é um dos maiores pólos de pesca artesanal do Nordeste. a carcinicultura e isso se daria por meio da infiltração dos despejos dos tanques de carcinicultura que iriam acabar não só salinizando mais algumas áreas. mangues. então. o que atrapalhou um pouco esse movimento para criação da unidade. intercambio com vários especialistas e etc. por exemplo. a categoria RDS fez uma serie de discussões que. assegurando a permanência e qualidade de vida das famílias locais e a garantia e produção de suas características culturais. até em função desse grau de organização que eles têm. enfim. mas quem está participando mesmo são Diretores dessas Associações sem muita participação da massa que essas Associações representam. Inicialmente eles queriam o que IBAMA fosse responsável pela categoria. E havia também uma mobilização social significativa por volta de 20 (vinte) Associações de Moradores ou então de produtores que existiam na região e isso facilitou um pouco todo esse processo de mobilização para criação da Unidade. poderia haver o comprometimento da qualidade ambiental da área. inclusive. a importância da conservação dos recursos naturais para continuidade das atividades das comunidades e a garantia da permanência das áreas de ocupação das famílias locais. o objetivo da RDS que consta. Outra condição era ameaça eminente a qualidade de vida das comunidades e a conservação ambiental. E a justificativa era isso. praias e mar. A reserva não está demarcada. entretanto. portanto.resolveram por uma RDS. O Conselho Gestor. Bom. eles começaram a criar o movimento que eles denominaram de Encontros Ecológicos e são anuais e nós já estamos no 5º. duna. foi estabelecido então que o Governo Estadual se encarregaria pela criação de unidade. que fosse feito um processo de consulta pública e esse é um problema que vamos ver depois. Então há algumas reclamações que. Aqui tem uma questão interessante. Bom. é extremamente produtiva a área.

que é a comunidade que está mais relacionada com a RDS. Também existem várias fontes de recursos ali. principalmente. 130 . até o Governo do Estado. carcinicultura. tem o FFEN que é uma outra ONG francesa. Eles continuam ainda sobre a ameaça de implantação de fazendas de carcinicultura. o Governo do Estado estava implementando um programa de desenvolvimento sustentável que era um programa do Governo Capiberibe que visava o fortalecimento da organização dos modos de produção de várias comunidades. até quando a eu estava lá. Pontos de discussão. Bom. o Jessé está dizendo que existe funcionário responsável pela Unidade de Conservação. Os impactos. isso a gente considera importante. agora que essas comunidades estão se inserindo nessas discussões. por volta de 150 famílias. mas que ressaltam: falta de participação de todas as comunidades no processo de criação da Unidade. A Srª. porque ela protege mais como bioma. então. Houve uma diminuição dessa pressão de agentes externos. Então ao todo são seis comunidades no entorno. Bom. que de alguma maneira. existem propriedades privadas. mas diminuiu um pouco essa pressão. enfim. Já foi criada. gente que se garante por usucapião e. Existe ainda uma insegurança em relação às ameaças dos agentes externos. eles estão de alguma forma tentando ter um papel mais proeminente nesse Conselho. o WWF. Mazagão e Pedra Branca que fica ao sul do Estado do Amapá. a RDS em princípio foi uma iniciativa do Governo do Estado e na verdade é o seguinte. A população se caracteriza basicamente por ser extrativista. Até o André andou vendo isso. tem o Governo do Estado do Amapá com diversas Secretarias que desenvolvem programas na Unidade de Conservação. Iratapuru foi criada em 97. vão direto a Assembléia de Deputados. É importante. por exemplo. existe uma série de possibilidades em termos de domínio das terras e existe posse. houve um aumento do número de organizações formais da sociedade. já mudou isso. Sonia? É no Marajó? Bom. Não existem funcionários especificamente designados para Unidade de Conservação. Toda vez que tem uma ameaça de implantação de um tanque de carcinicultura eles já alugam ônibus.Guamaré. embora. A área de Iratapuru é 8 mil hectares e tem uma população no entorno da RDS. a maior beneficiária da criação dessa Unidade e fica fora dos limites da RDS. é a Petrobrás que tem várias plataformas de exploração de petróleo ao longo da costa e vizinho a reserva e eles estão no Conselho Gestor e eles têm muitos recursos. um ano depois de Mamirauá pelo Governo do Estado do Amapá. Cá entre nós. principalmente. fazem a extração da castanha e mais recentemente eles estão incorporando a extração de novos produtos. o turismo comunitário e tem havido também maior conscientização da comunidade sobre cidadania e aspectos ambientais. Tem uma Lei Estadual que a rege e também tem o Decreto que dispõe sobre a criação do Conselho. é uma das poucas Unidades de Conservação que protege a caatinga no Rio Grande do Norte. como tem varias secretarias envolvidas tem várias pessoas que estão do Governo do Estado trabalhando indiretamente na RDS. E um trabalho importante que têm feito é de educação ambiental. a indefinição da situação fundiária da área. A RDS abrange três Municípios: Laranjal do Jarí. enfim. Eles trabalharam com o pessoal de São Francisco de Iratapuru e foi quando foi criada a cooperativa. está havendo uma maior capacidade de mobilização. é a população de São Francisco de Iratapuru. Conservation e a Fundação Orsa. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – A Sônia está dizendo que tem uma RDS no Rio Grande do Sul. com as escolas locais. como a lucila falou. a Natura dá um aporte de recursos para RDS por conta da compra dos produtos e também por conta do contrato de acesso a recursos genéticos que foi feito junto ao governo do Amapá e a comunidade de São Francisco do Iratapuru por exploração do Breu Branco. Jesse? Ok. há todo um movimento de políticos locais para descaracterizar a Lei e fazer com que possa ter outras atividades de carcinicultura dentro da reserva. embora ainda haja ameaça. Outras alternativas econômicas estão sendo estudadas. Forte influencia de uma estatal potencialmente impactante na gestão da RDS. É a única RDS fora da Amazônia e que protege a caatinga. também dá um aporte de recurso para RDS. são dados de 2001 esses. não se trata de questões positivas ou negativas. vamos falar de Iratapuru. em programas mais pontuais. eles estão cada vez mais ágeis para se mobilizar.

eu participei do Seminário que foi o primeiro passo do processo de realização do plano de manejo e tem um plano de manejo sustentável de uso de recursos naturais em elaboração. começou a fazer uma rodada de consulta para as comunidades do entorno. por conta dessa demanda. até o ano passado já que tudo é dinâmico e pode ter mudado. conforme eu disse anteriormente. Ela está parcialmente demarcada. também combinava com a proposta do Governo que era uma proposta de programa de desenvolvimento sustentável. Todas as comunidades estão em área de empresa privada. mas atualmente elas não estão envolvidas com a RDS. então também tinha uma maior presença do Governo na região. entretanto. estava começando. . A COMARU é a única organização formal da população local. na verdade. Quais são as características pré-existentes da criação dessa RDS? Era uma região prioritária para o Governo do Estado em função das ameaças que foram detectadas pelos estudos. sentiram falta da proteção da área de Iratapuru que é justamente de terra firme. mas basicamente foi um pouco na esteira de Mamirauá. Enfim . são desarticuladas. Tinha a implantação do PDSA. no caso específico. o objetivo da RDS é promover a conservação e uso sustentável da biodiversidade e a situação atual da RDS. Têm ocorrência de diversas espécies florestais com valor comercial. a própria participação da população do Iratapuru. que atualmente entende-se que ela é a guardiã. Bom. mas atualmente o Conselho Gestor não está funcionando. essas comunidades foram envolvidas na época da criação. embora esse investimento na RDS. ou seja. quais são os impactos decorrentes da RDS? Primeiro. Além disso. esse foi um dos motivos pelos quais se justificas as comunidades não estarem no interior da Unidade de Conservação. São Francisco de Iratapuru que já estavam organizados em Cooperativa. foi o pessoal da Natura que estava fazendo. tem comunidades no entorno que demandam participação dos benefícios da RDS. apesar de ser o grande veículo. Outra característica é que no Amapá tinham poucas unidades ou quase nenhuma que protegia terra firme e aquela região é uma região que tem várias Unidades de Conservação . nem todo mundo é cooperado.usuária e é beneficiária da RDS. então. que naquela ocasião ainda não tinha sido publicado os resultados. foram feitas várias reuniões e teve uma aceitação boa pelas comunidades locais e pelas Prefeituras e também estariam envolvidas ou seriam abarcadas pelos limites da unidade. embora ele tenha sido definido por Decreto. ou seja. que é esse programa de desenvolvimento sustentável do Amapá e voltado para organização e fortalecimento dos meios de produção. de propriedade privada. então. não tinha plano de manejo. você tem a possibilidade de estar ampliando a geração de recursos para essas comunidades. Bom. Teve o interesse especifico da comunidade usuária dos castanhais. tanto nacionais como internacionais ali. o aporte de financiamentos de projetos para a Comunidade de São Francisco 131 . então a COMARU muitas vezes representa as comunidades. então para não fazer desapropriação é mais fácil criar uma Unidade de Conservação que a implementação não envolvia recursos. O Governo do Estado. Apenas 5% da área da RDS é utilizada para o extrativismo e têm vários parceiros e investimentos em diferentes fontes. não sei que pé que isso está . então tinha uma organização que facilitou essa interlocução com o Governo do Estado. tem uma certa demanda delas de poder participar dos benefícios que a RDS está trazendo para particularmente São Francisco do Iratapuru. pelo menos. A Cooperativa é que demandou a criação de Unidade de Conservação para proteger os castanhais de invasores. A outra justificativa colocada pelo Governo para criação de Iratapuru é que ela é justamente uma área devoluta e então não haveria necessidade de desapropriação. E aí se criou. que são dos extratores de castanha. não tem um trabalho integrado entre essas ações. pelo fato delas estarem em área privada. muitas vezes. Mamirauá já tinha sido criado e foi fonte de inspiração para criação de Iratapuru. porque RDS e não RESEX? Foi algo também controverso lá entre as pessoas que a gente conversou. Não tem o Conselho Gestor. de possíveis invasores. então tinha mais afinidade o nome com a proposta do Governo.chamada COMARU. Cooperativa de São Francisco de Iratapuru. o grande interlocutor com os agentes externos e com o Governo do Estado. uma RDS estadual que. A interpretação do Governo do Estado é que RDS tem que ser de domínio público.

o contrato dela de acesso a recursos genéticos. por um lado tem facilitado as negociações e as conversas. o tal do contrato que eu já citei. As conquistas dos resultados são muito dependentes de financiamentos contínuos e significativos. Então. Então. procuram o pessoal do Governo e tal. e por outro. eu não sei se está . A SRª. que depois da RDS eles conseguiram estar de alguma maneira pressionando para que não haja agentes externos. agregação de valor por meio de beneficio da castanha. inclusive as unidades lá foram queimadas recentemente. A cooperativa é a única interlocutora junto aos órgãos gestores e agentes.. que não tinha Tumucumaque e não tinha Unidade de Conservação de terra firme. que precisaria agregar. O SR.do Iratapuru. ou seja. talvez no texto – eu recebi agora. houve problema inclusive de tortura dentro da RDS. que está errada. teve uma diminuição da pressão dos agentes externos. Nós fizemos um mapeamento agora com GPS de todas as colocações que eram habitadas. que se abriu muito com a criação da RDS. o que nós temos de conquista hoje lá é muito por conta das parcerias e financiamentos externos. que o pessoal de São Francisco citou várias vezes. que é uma diferença das demais RDSs existentes. E isso claro traz maior eficácia na proteção da biodiversidade. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Eu teria mais uma informação com relação à questão de que não existe população dentro da reserva: quando foi criada existia população dentro. o fortalecimento da Comaru que hoje em dia é uma organização bastante organizada que negociou. fizeram um deslocamento forçado da população lá para a foz. a cooperativa não é a representante de fato de toda a comunidade. Isso . Quais são os pontos relevantes da RDS Iratapuru? Na verdade. MARCELO IVAN PANTOJA CREÃO (WWF-Brasil) – As outras unidades também projetem terra firme. Ela é a única Unidade de Conservação que protege terra firme no Amapá. alternativa de exploração comercial de novos produtos florestais. Ok. pelo menos foi o que Dagnete me falou. contrato de acesso a recursos genéticos com a Natura.) Tumucumaque. E todos também consideram que eles tiveram uma melhoria de qualidade de vida porque têm mais recursos. A comunidade. Então. particularmente em relação ao lixo. atende uma comunidade permanentemente extrativista. Corrija-me. E ela tem muitas características semelhantes a RESEX. ela própria aponta que depois da RDS eles tiveram mais consciência a respeito das questões ambientais. Eu acho que isso está mais relacionado ao pessoal da COMARU. é de domínio público e não tem moradores no seu interior. A SRª. Tem essa história que eu contei para vocês da demanda de cincocomunidades do entorno que não estão diretamente beneficiadas pela RDS. correção feita. e eles simplesmente trouxeram. Não tem população residente. no caso da RDS de Iratapuru nós temos um problema porque os moradores não estão morando dentro dela.. o que de alguma maneira traz uma incongruência com o decreto. que é uma sociedade que está permeada por conflitos. Ela é de domínio público. antes o pessoal só coletava e agora está beneficiando a castanha. é Rio Iratapuru o nome da RDS. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Não. um estudo de impacto sócio-ambiental. inclusive. eu achei que tivesse sido antes da RDS. E a outra questão que eu acho que faltou. eles denunciam. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Sobre esse deslocamento. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Essa informação foi da época de criação. da comunidade. Esqueçam essa informação. é previsto numa RESEX. Todas protegem (. já que o decreto dispõe que os moradores são os principais responsáveis pela gestão.é a questão dos conflitos. A SRª. quer dizer. que é algo possível numa RESEX. O problema é que o projeto do PDSA não teve uma análise. o problema é justamente por causa dessa desagregação que o 132 . não que faltou. A SRª.

LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Obrigado. que o próprio SNUC não quis conceituar. mas muitas vezes usar o termo pode estar trazendo benefícios para a população e. A idéia é estar pontuando eles. professor alcoolizado dando aula. isso realmente foi gravíssimo. Atividades econômicas admitidas. nós fizemos uma proposta de regulamentação para a RDS. eu me lembro que eu chamei muita atenção do Capi e da Maria Alegrette. Nós temos um aluno lá que fez o doutorado dele. parece claro que a anuência seria uma maneira de você envolver e de permitir que o futuro gestor saiba exatamente quais são os impactos na vida dele. Eles não agüentam mais. primeiro a criação daquela unidade. Então.deslocamento forçado ocasionou. a legislação define que tem que ser população tradicional. Lígia. oba: “Vamos criar”. O SR. mas não foi feito nada. Esse é outro ponto bastante polêmico a RDS permite a supressão da cobertura vegetal e não deixa claramente explícito se pode ou não pode mineração como. Então. e um antropólogo. Nós conversamos com o pessoal do Amapá. um agregado e etc. Eu posso dizer de cátedra porque tenho várias pesquisas na área e está tudo documentado isso.. Então.revolução chinesa na China. pode estar trazendo prejuízo. porque é uma comunidade muito pequena e são poucas famílias que se dizem as “donas” da RESEX. SALES – Eu vou pedir um favor: quando se manifestar. O SR. Bom. no caso. Lá está que nem a situação dos Navajos. fale o nome antes para facilitar o registro. RENATO R. Eu acho que lá foi muito mais grave do que a própria hoje análise que se faz . é o seguinte: agora nós vamos levantar um pouco quais são os pontos polêmicos relacionados a essa categoria... Vamos lá.. Seria ótimo eu ter encontrado com você antes. Foi um caos.. Na época. por favor. mas nós consideramos absolutamente importante. eu acho que essa coisa mais dos conflitos internos e dos problemas precisaria ficar mais claro porque é um caos a RDS Iratapuru. por exemplo. A primeira coisa que nós levantamos aqui é o perfil da população residente usuária.. e na seqüência. para quem conhece a questão da educação. A SRª. quais são as atividades que de fato pode ser admitidas na RDS é outro ponto que nós temos que estar discutindo. quer dizer. visto que os moradores são os responsáveis pela manutenção e pela defesa da Unidade de Conservação. quer dizer. aí enche de pesquisador lá em cima. pode não estar trazendo benefícios. aquele oba.). às vezes. na verdade. e que ele tem uso político. E eu também faço pesquisa lá. porque é tudo muito esfacelado: um trabalha para cá. A SRª. mas que tem que ser levantado. e vem todo mundo para a foz. e o André depois vai falar um pouco sobre o SNUC. é terrível a situação o ponto de vista social para quem fica. Então. Então. outro trabalha para lá. Há quem entenda que não necessariamente as populações têm que estar morando no interior da Unidade de Conservação. Agora mesmo eu estou com uma pessoa de lá fazendo tratamento em Belém. Iratapuru está exatamente assim. mas todo mundo sabe que esse termo é um termo bastante controverso. Tenho mais um aluno de doutorado trabalhando agora. E é terrível a situação. NÃO IDENTIFICADO – De qualquer forma não é necessariamente conseqüências da RESEX e sim. A necessidade de anuência formal das comunidades para a criação da unidade. baseado nesses pontos polêmicos. E nós já entendemos que sim porque está dizendo na legislação que a RDS abriga populações tradicionais.) por isso é importante essa discussão sobre a criação e como fazer (. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Eu só estou colocando (. deixa na RESEX. O SNUC também não prevê essa anuência formal. ficou oito meses lá. A obrigatoriedade é abrigar populações no interior. A mesma 133 . Então. que cada família indígena é composta de um avô. que não sei nem se é o caso de estarmos aprofundando. esse é um ponto bastante polêmico. Enfim. E a outra questão que eu acho gravíssima também é que o Estado não tem conseguido... Há pouco eu até falei com o Governador do Estado. a questão da saúde que não tem. tem uso técnico também.

visto que independente de estar mais ou menos organizado. O outro ponto polêmico que todo mundo citou aqui. tem dois documentos aí. Tem pelo menos algumas diferenças também baseadas nesses pontos polêmicos aqui. se é permitido ou se não é permitido e o que é mais conveniente para essa categoria. mas você pode interpretar que são os próprios moradores. quer dizer. depois de pausa. os documentos finais podem demorar algum tempo para a difusão pública.coisa tem a ver com a capacidade de organização formal ou informal dos moradores. até motivos do tipo que RDS é um nome mais chamativo. O que está entregue para vocês são dois documentos relativos a esse estudo. na RDS tem explicitamente autorização para supressão da vegetação para trabalhar com espécies cultiváveis. há quem interprete que pode ter propriedade privada e na RESEX. Então. que todo mundo que já falou sobre RDS está apontando. para discussão. mas tem várias pessoas que têm essa visão. mas os dois documentos produzidos pela Lucila e pelo Renato são as conclusões para o debate. a RDS exige demarcação da área de proteção integral. e o último documento que nós acabamos de reproduzir e distribuir foi uma proposta de regulamentação feita já em 2002 para o Governo do Amazonas. Nós pretendemos depois ter um relatório final. E por último. a RESEX exige o plano de manejo de rendimento sustentável para a exploração dos recursos florestais. Uma outra coisa que chama atenção é a responsabilidade pela fiscalização das diversas zonas da Unidade de Conservação. tem que ser predominantemente extrativista. pode ou não residir. Isso também é bastante controvertido. quer dizer. coisa que não é prevista na RESEX. Eu vou ler aqui uma listinha rápida das diferenças entre RDS e RESEX: na RDS. Então. para aqueles que tiverem necessidade de trabalhos específicos. sua vez. Isso não foi só o Ademar colocou aqui. e por último. mineração e os animais de grande porte e não há autorização para supressão da vegetação. baseado na experiência de Mamirauá pela Sônia Wiedmann. um deles está sem nome. nós 134 . a população deve residir na área de Unidade de Conservação e na RESEX. que vai apresentar agora. os moradores são obrigatoriamente responsáveis pela área. teoricamente é o mínimo de organização exigido para que eles consigam se fortalecer e compor um conselho gestor e tal. existe desde motivo: “Porque tem propriedade privada”. coisa que também não é previsto na RDS. diferente da RESEX. visto que eles estão lá sendo responsabilizados pela manutenção. coisa que na RESEX. até atendendo à solicitação do Paulo. são as propriedades privadas no interior da Unidade de Conservação. É isso. os motivos para criar RDS são os mais variados possíveis. Então há quem justifique a criação de RDS justamente porque são áreas com propriedades privadas e por isso não podem ser RESEX.. na RDS. e o outro documento é o do André. por que é que você decreta uma área como RDS e não como RESEX. O SR. que RDS tem que ser de domínio público para estar cumprindo os seus objetivos. Então. A RDS. na RDS. na verdade. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – (. mas não tem nada explícito a respeito de mineração particularmente. quer dizer. segundo a legislação. os pontos para o debate. Mas o relatório final. mais possibilidades de financiamento do que uma RESEX. que está aqui presente. ainda relatórios de trabalho. do ponto de vista da organização. mas não deixa claro quem é o responsável pela gestão e pela administração dessa área. quando você está trabalhando com populações que não estão organizadas. Então. Há quem diga que a RDS tem que ser criada justamente quando não há nenhuma organização como um passo para a RESEX. esse estudo produziu uma série de relatórios. André.. que tem mais a ver com o que vai ser discutido depois do coffee break. na linha de todos os comentários que foram feitos. para o Estado do Amazonas. e há quem justifique o contrário. você criaria RDS em vez de criar RESEX.) rápido. que deveria ser contemplada também. já na RESEX é proibida a caça. ela exige que tenha uma zona de proteção integral. pela defesa e de toda a Unidade de Conservação. é quase impossível você pensar em RDS sem pensar em RESEX. que traz mais marketing. Como eu já disse. as populações tradicionais não são necessariamente predominantemente extrativistas. e de fato é bastante polêmico. isso é claro que tem que ser de domínio público.

. foi uma pressão a alguns grupos sociais que ainda bem eram muito bem organizados. mas daí existe comunidade dentro. Esses três casos são diferentes.. mas tinham. é porque os moradores querem”.. dos levantamentos de dados que foram feitos. pelo que deu para entender. não têm a documentação. Quando você falou da questão das listas que diferenciam e com essa lista que é a base para a tomada de decisão. quer dizer. que é a proposta que nós estamos trazendo aqui para a discussão hoje no Grupo de Trabalho. E no Estado do Amazonas. O SR. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Só para complementar: de todos esses documentos. Eles acharam que eles não se encaixavam como extrativistas. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Se nós consideramos proporcionalmente. se negocia com ela para saber como é que se poderia continuar abrigando essa população e conservar os recursos. E lá chegaram a essa conclusão. mas isso não deve levar a difusão pública desses outros documentos. “é porque tem a terra particular. Qual é que pesa mais? Ou foi ouvido. e uma RDS seria uma boa causa. O que leva as pessoas. no Rio do Grande do Norte. o produto de todo esse trabalho. O Estado. Eu não sei se você chegou a pesquisar ou ouvir as pessoas quais são dessas que são. foi conversado. essa tem sido a justificativa mais recorrente para a criação de RDS até o momento. até onde eu entendi. Eles não refletem todo o trabalho feito. Só um minutinho. Isso talvez possa ser mais tarde. Então. mas no sentido de entende o nível de. para criar uma RDS qual é o grau? Qual é que pesa mais? Eu não sei se eu estou conseguindo fazer você entender. mas o que eu estou querendo reafirmar é que os documentos aqui distribuídos para vocês são para fomentar a discussão.? Você chegou a fazer esse levantamento de informação? A SRª. Na Ponta do Tubarão. Por exemplo. O SR. antes do André. não.. Achavam que pesca não é extrativismo. o documento que se chama Recomendações para Regulamentação é. porque tem terras particulares que o grau de valor dessas decisões são. A SRª.. Obrigado.. uma vontade política para se implantar o envolvimento. Esse material poderá ser disponibilizado para vocês em caráter restrito se alguém solicitar especificamente..... RENATO R.. existe organização dessa comunidade. é porque um nome de marketing. Mamirauá é a primeira que surge como uma estação ecológica. nós estudamos três reservas. nós pretendemos colocar depois os relatórios com os documentos intermediários. 135 . Eu acho que até pela própria falta de maior definição no SNUC do que quer na RDS são várias interpretações.. quando entra em Ponta do Tubarão também concorda com RDS porque tinham propriedades privadas lá dentro. umas das justificativas é justamente por conta da existência de propriedades privadas nessas áreas.) decisão. Eles se rebelaram. não. É uma questão conceitual. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS/AM) – Eu queria. Então.. os dados das entrevistas. como nós vimos. nós não temos essa visão geral de como é que se dá essa demanda para a criação das reservas. Qual é a característica (. E Mamirauá é outro caso. por exemplo.. Então. o Estado do Amazonas é onde tem o maior número de RDS. SALES – Ademar.temos interesse em disponibilizar documentos inclusive preliminares paro não perdemos a oportunidade de aproveitamento deles. tem uma. procuraram soluções para a situação e a escolha por RDS basicamente foi em função de uma avaliação que eles fizeram muito cuidadosa do SNUC. não é isso? Então. Iratapuru havia um plano governamental que ajudou a induzir ou a fazer com que uma cooperativa solicitasse a criação de uma unidade. Quais são delas que têm maior prioridade. na verdade. o relato do evento e as conclusões tudo na Internet para quem fazer Download para baixar. são vários os debates que são feitos e as motivações para a criação dessas unidades.

porque não tinha ninguém para buscar a minha filha na escola. Só duas premissas para eu entrar um pouco na análise dos pontos. não é uma coisa abrangente e conclusiva e necessariamente. mas eu não vou me alongar aqui. Então. até porque eu tenho quinze minutos e nós já estamos razoavelmente avançados no tempo e às 15 para as 13h eu tenho que buscar a minha filha na escola. É interessante olhar inclusive o histórico disso no Congresso Nacional. no entorno. Eu tive na Ponta do Tubarão. na verdade. Ontem eu saí de uma audiência. Ele tem histórico. Então. mas você observa numa análise mais apurada que existe esse empréstimo do conceito. Não houve uma análise da legislação estadual. mas RDS não. mas isso é só às 15 para as 13h. Tive a oportunidade de conhecer outras Unidades de Conservação . uma análise jurídica. é uma análise técnicajurídica que foi feita. Isso não foi feito porque eu comecei a trabalhar 15 dias atrás e não tive como juntar esses documentos. Eu estava representando o GT Floresta junto com outras organizações: WWF. adotado o nome da RDS em função da experiência concreta já havida com Mamirauá. E vocês sabem que agora com essa última CPI da Grilagem. Greenpeace e tal. por isso que hoje também essa população está bem solta e tem problemas para serem discutidos e encaminhados. mas eu vou me esforçar. Evidentemente que isso tem que ser feito ou no caso a caso à luz das experiências concretas. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – A questão fundiária da RDS do Rio Iratapuru. Nos últimos não. E ela tem relação direta evidentemente com a discussão sobre a Reserva Ecológica Cultural que inclusive teria sido já aprovada na Comissão de Meio Ambiente e foi. Então.. Eu recebi alguns documentos. portanto. Alguns aspectos jurídicos fundamentais: primeiro.. ela tem relação direta com a solução encontrada para a Estação Ecológica de Mamirauá. Uma parte dessa população mora numa área que já era para ser agregada à anexada. Infelizmente ele não apareceu aqui. Eu vou tentar ser objetivo. não literalmente. É bem interessante fazer essa conversa com ele. Não se trata aqui de uma manifestação de uma opinião pessoal ou política em relação à melhor ou mais pertinente interpretação jurídica. Tem problemas sérios lá. da RDS. do ponto de vista fundiário. Então. bem rapidamente. o que não é uma das qualidades de advogado. E segundo que foi uma análise da legislação federal. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Bom-dia. Isso é importante e. buscando o histórico dentro do SNUC. você vai ver que inclusive alguns dispositivos da lei estadual estão quase que transcritos na regulamentação do SNUC.. Eu entrevistei o arquivo vivo do debate sobre o SNUC. que já havia um compromisso de Jarí de anexar e depois com a citação dela na CPI. não tem jeito. e a idéia é que o documento final evidentemente envolva essa análise um pouco mais abrangente de legislações estaduais. eu acho que tem um ponto aqui que precisa ser esclarecido porque foi mencionado que as populações moram fora. O SR. mais ou menos quando ela foi discutida na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. Obrigada. E aí indo direto ao ponto. Só para dizer que uma parte dessa população está nessa área.. ela está diretamente associada a duas propostas que vieram à luz bem nos últimos momentos. tanto porque atuavam à época do debate do SNUC em postos chaves como porque hoje estão também não necessariamente 136 .. é uma análise preliminar. é que é uma análise legal. que é o nosso amigo Maurício Mercadante. que já foi dito aqui. hoje vai ser o mesmo.A SRª. Então. atos de criação de Unidades de Conservação estadual que têm alguns elementos interessantes que podem merecer uma análise de contraponto com a legislação federal. A empresa Jarí reivindica o direito de propriedade dessa área. que foi a Jarí. ela retirou e disse que não vai mais anexar. é uma análise da lei e das contradições inerentes à lei com a regulamentação. Seria muito importante ter uma conversa com ele mais aprofundada sobre isso. se você olhar o ato de criação ou na verdade de conversão de transformação da RESEX em RDS.. Eu tive a oportunidade de conhecer RDS. eu tive que sair de audiência com o Presidente da República. a Jarí foi chamada depor. Eu fiz cinco entrevistas com pessoas que eu julgo chave no processo de discussão do SNUC.

esse é o desafio na regulamentação. por tanto. mas que eu acho que são centrais e que a regulamentação vai ter que enfrentar. embora contraditórias. Como não houve essa situação. válidas. à época Consultor Parlamentar na Câmara dos Deputados. ele tem uma visão mais.nos casos em que houve aprovação anterior ao SNUC com licenciamento ambiental anterior ao SNUC. Então. ela seria. teve uma categoria de Unidades de Conservação com o objetivo de proteção . E conversei também com o Doutor Sebastião Azevedo.isso tem parecer do próprio Ministério Público Federal . O que a regulamentação pode fazer e deve fazer a meu ver é estabelecer critérios especiais em função dessa categoria de Unidades de Conservação . ela uma proposta de RESEX. que 137 . Isso é uma interpretação que inclusive o próprio IBAMA também já deu em pareceres oficiais a respeito de mineração em FLONA.. hoje Procurador-Geral do IBAMA. eu não vou dizer conservacionista. Então. na verdade. Então. ele vê a RDS como uma unidade que teria. do ponto de vista da regulamentação. em tese não são compatíveis com o conceito de uso sustentável. Como a lei e os conceitos são abrangentes e admitem interpretações absolutamente contraditórias e legítimas e consistentes. que hoje é o Consultor-Chefe do Ministério do Meio Ambiente. Aparente porque os conceitos legais de preservação. Uma audiência pública é suficiente. inclusive já foram apresentadas aqui pela Lucila.nos mesmos postos. tem uma visão mais teleológica dos objetivos da lei que são inclusive técnicas de interpretação da lei. uma discussão bem anterior e antecedente com a população antes de uma oficialização e aí por diante? Se a população é beneficiária. o desejo e a vontade do suposto beneficiário. Então. na verdade. ainda tem muito a ser feito. ela seria. A flexibilidade representa uma oportunidade. mas é esta a interpretação que ele deu. O Doutor Ubiraci diz que a RDS. mineração . hoje diretor de Áreas Protegidas. que a população tem que participar da gestão. quase. por exemplo. mas ele trata a RDS. seria um parque com população dentro. tanto por uma diretriz geral do SNUC. Eu falei com o Maurício Mercadante. Então. já foi presidente do INCRA e já foi Procurador-Geral do INCRA. Questões específicas que foram apresentadas a mim pelo WWF. há uma aparente contradição de norma ao prevê preservação simultaneamente com melhoria de condições de vida e da exploração de recursos naturais por populações naturais. na verdade. Eu não estou usando aqui literalmente as palavras dele. se é possível dizer isso. mas são funções importantes de análise jurídica e de atuação na prática. Não foi só o Doutor Ubiraci Araújo que à época era Procurador-Geral do IBAMA e hoje é Assessor Jurídico do Ministério Público na Câmara de Meio Ambiente da Procuradoria-Geral da República. E um dos atributos que justifica a criação da RDS seria a proteção da população dentro da unidade. são pessoas que participaram dos debates e têm hoje funções importantes na discussão sobre a lei e na regulamentação da lei. porque tem uma visão mais técnica legal e tem uma visão mais histórica. Falei também com o Doutor Gustavo Trindade. isso são panos de fundo que eu passei aqui muito rapidamente. da criação. mas para o debate é possível. onde você pode ter novas atividades econômicas para além das extrativistas. É aquela coisa que quase foi a solução para populações dentro de parques. não tem problema. Portanto.inclusive a lei usa essa expressão “preservação da natureza” . porque eu posso levar tomatada. chegando inclusive em determinadas situações a admitir. quanto por uma disposição específica que trata da criação de Unidades de Conservação . eu destaquei isso para mostrar que. E aí eu destaco em relação à questão conceitual duas opiniões que são interessantes. mas tem a questão também de como é que é a consulta com populações supostamente não beneficiárias ou diretamente não beneficiárias. não tem que ter uma preparação. mas que demonstram que a RDS. Algumas. que participou praticamente de todos os debates do SNUC.e melhoraria da qualidade de vida das populações. uma Unidade de Conservação mais restritiva do que a RESEX. Consulta pública sim sem sombra de dúvidas. Necessidade de consulta pública. para a regulamentação.. que é a questão conceitual. não existe criação de Unidades de Conservação sem o assentimento. É uma RESEX mais flexível. que tem o objetivo fundamental de propiciar o extrativismo de recursos naturais. etc. Algumas coisas são específicas. quer dizer. a RDS. Já o Mercadante.

Eu não vou entrar no detalhe disso porque eu acho que é desnecessário. Procurador do IBAMA é: é possível que uma comunidade quilombola. E ela não está necessariamente na área onde vai ser reconhecida a sua titularidade. o que vai se discutir é o seguinte: qual é o impacto disso no cumprimento dos objetivos da unidade: a população deseja ou não deseja. por exemplo. inclusive a possibilidade indesejável em meu ver de reassentamento de populações tradicionais em Unidades de Conservação de proteção integral é você fazer o reassentamento e a criação de uma reserva de desenvolvimento para essa população. abriga quer dizer abrigará. Eu vou colocar aqui uma visão da possibilidade de interpretação da lei. Por exemplo. Se não for desejável. Aí tem uma série de características reais do caso concreto que evidentemente tem que ser consideradas. é a bacia hidrográfica. A propriedade dentro da RDS não é RDS. pelo Sebastião Azevedo. direito a usucapião.aí de repente é um outro regime. pode ser. queira uma RDS. mas abrigará e ela vai querer uma RDS ali. o que é raro. Não estou entrando no mérito da pertinência disso do ponto de vista sociológico. Evidentemente que está aí também mais um elemento para regulamentação fechar a questão. é o local. Essa é a diferença. E o verbo tem que estar sempre no presente. eu vejo duas hipóteses que são claras: a primeira é a possibilidade de populações tradicionais terem o domínio. Então. por exemplo. estão na lei desde que se utilize sistema sustentável de exploração dos recursos naturais. título por usucapião. pode não ser desejável e. local não quer dizer. mesmo que ele queira dizer alguma coisa do passado ou do futuro. nessas hipóteses não faz sentido desapropriar para conceder. E que tais usos sejam adaptados às condições ecológicas locais. A tal desapropriação no caso de existirem propriedades no interior. mas é um título de posse. não necessariamente precisa haver pré-existência da população na unidade porque a lei diz: “É uma unidade que abriga”. ela é uma ilha dentro da RDS. um exemplo que foi dado e que eu achei bem interessante. Então. “A unidade abriga”. quer dizer. vocês conhecem. E nós sabemos que na prática essas consultas têm problemas sérios tanto de ordem processual ou procedimental pelos órgãos criadores quanto até mesmo evidentemente em função da população que muitas vezes não que a Unidade de Conservação. Agora. ela não entra no cômputo da área total da RDS. e pragmático. Eu. Então. Isso que é importante. que ela vislumbra algum benefício em função disso. que seria desnecessário desapropriar. que pode ser polêmica. tanto pelas interpretações em função das entrevistas como da leitura N vezes da lei. Agora. é importante que isso fique claro. por exemplo. O que significa isso? Significa que a propriedade. Portanto. etc. mas há interpretações jurídicas de pessoas com condição e capacidade para tanto: o Doutor Guilherme Purvin e outros Procuradores de Estado. com a redação que está dada.. essa é a pergunta que eu coloquei e diz que a lei admite. Isso porque regulamentação serve exatamente paro isto: esclarecer dúvidas do texto da lei. mas acontece que existe uma lei complementar que diz como é que as leis têm que ser escritas e ela sempre diz que o verbo tem que estar sempre no presente. exclui dos limites. quando a unidade é constituída. necessariamente do local limite da unidade da conservação. na Ponta do Tubarão. é o ecossistema local. tem gente que tem lá títulos. Abrigava talvez não porque ela tem que abrigar no presente.. portanto. Hipótese mais polêmica do ponto de vista político e sócio-econômico é a hipótese de propriedades insuladas. parece e nos induz a interpretar que é possível se criar uma RDS e dentro você excluir propriedades privadas no seu interior. As condições. ela tem que ser constituída para abrigar uma população. Agora. portanto. Uma questão que foi colocada: pré-existência de população tradicional utilizando recursos naturais. Não é que você está admitindo a propriedade privada na RDS. é importante que isso fique claro na regulamentação. Então. está aí: “Abriga”. que entendem 138 . pode não ser válido. se tem benefícios. Entendam isso como puderem. mas não é impossível. A lei permite essa interpretação. não tem benefícios. existem essas possibilidades na lei. ela não é RDS. portanto.. etc. hoje ela não abriga. é que a lei. o título. mas meu ver é possível. é o entorno e assim por diante. se tem impacto direto. mas do ponto de vista legal é possível isso.

ele tem o direito a desapropriação. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . (ARPA/SBF/MMA) – André. O SR. que foi na conversa que eu tive com ele e ele disse isso. às regras de um corredor ecológico e não necessariamente precisa desapropriá-lo. Ele fica restrito às regras dispostas no Plano de Manejo em relação à sua área sem necessariamente desapropriálo. A sua apresentação 139 . mas essa discussão não foi feita na RDS.. etc. na verdade. ele vai ter que se adequar a essa regra e não tem o direito a desapropriação porque nós olharmos desapropriação como um ônus ao proprietário. 20. No debate do SNUC ele lembra claramente dessa discussão em relação a Monumento Natural e refúgio de Vida Silvestre. Tem gente que dá essa interpretação. Porque existe o seguinte: se o poder público não desapropria e a Unidade de Conservação cria uma restrição que não é de desejo do proprietário. a propriedade privada é a Unidade de Conservação e será desapropriada se o proprietário não quiser cumprir os objetivos ali dispostos. se ele não concordar com essas regras. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Parece tênue essa diferença. ele tem o direito a desapropriação. O SR. Ela é a Unidade de Conservação. se o Conselho Gestor da RDSA estabelecer que aquela propriedade insulada esteja dentro de um corredor ecológico e que as regras de uso lá não admitem mineração. A outra é explícita que diz o seguinte: “Quando o proprietário não concordar ele será desapropriado e a outra diz quando necessário. mas a diferença é a seguinte: você pode obrigar um proprietário privado dentro de uma RDS. é evidente que isso tem que ser considerado – mas eu estou dizendo que do ponto de vista jurídico. o monumento natural e o refúgio de vida silvestre. por exemplo. para você prosseguir e não para debater: por que você identifica uma diferença entre o que a leite diz para monumento e refúgio do que está sendo dito para RDS? O SR. se é desejável ter um cancro lá no meio da Unidade de Conservação. Ela conta no cálculo da Unidade de Conservação.. RONALDO WEIGAND JR. da forma como está a redação do § 1º do art.isso. Quem está lá dentro. Essa hipótese não foi prevista para RDS. É um direito dele porque é uma obrigação do Estado. O SR. Olha onde está a vírgula? Parece igual. só uma pergunta. Ela entra com uma desapropriação indireta e vai cobrar do poder público essa desapropriação porque está previsto esse direito. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – É diferente de monumento natural e refúgio de vida silvestre. Eu acho que aqui vai dar pano para manga para discussão. O SR. E um depoimento interessante que o Maurício vai poder dizer aqui. O SR. Ele pode querer a desapropriação porque ele quer um dinheiro e quer sair dali. por quê? Porque. RONALDO WEIGAND JR. (ARPA/SBF/MMA) – Eu queria entender porque uma redação leva há uma interpretação e outra leva a outra interpretação. Do ponto de vista jurídico – veja bem. NÃO IDENTIFICADO – André. O SR.. no caso da reserva de recursos naturais.SDS/AM) – Deixe-me só aproveitar aqui. se vai ser um câncer lá dentro. mas não necessariamente.. só para esclarecimento. Essa situação de estar insulada é diferente.. No caso do proprietário insulado. Eu não sei se vocês querem parar cinco minutos para. é porque você escreveu uma coisa e falou outra. No caso da reserva de recursos naturais. e que a lei permite esse tipo de interpretação. ele permite essa interpretação. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – A vírgula está aí porque um diz quando necessário e o outro não diz. no caso do monumento natural e do refúgio de vida silvestre.

flexível. 20 como em função do conceito de reserva. A Lei. na sua maioria. é evidente. Não que necessariamente esta seja a única aplicação desse dispositivo. a propriedade deve ser desapropriada. Usos possíveis. por exemplo. esse é o espaço da regulamentação porque eu estou dizendo o seguinte. a Lei é confusa. de alguma forma é ilegal? Vai contra a Lei? O SR. Vamos seguir? Bom. voltando dizer. aqui algumas hipóteses. está significando também as propriedades particulares que estão lá dentro. A começar pela questão que o SNUC diz na sua redação que a RDS é de domínio público e aí no caso nosso do Governo do Amazonas. Ficou meio em dúvida para mim e eu queria que você esclarecesse melhor esse ponto.. A população não deseja aquele uso naquela região. maleável. RENATO SALES – No memorial descritivo das áreas dessas RDSs que estão sendo criadas as propriedades contam como área da tal Unidade. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Eu acho que pode. Para nós do Governo do Estado do Amazonas. não vai resolver o problema das populações tradicionais. esse é o objetivo central dela. qual é? Que as populações tradicionais moram. Parece-me que aí surge uma polêmica e nós precisamos ficar mais esclarecidos sobre isso. em cima dessas terras particulares. na hipótese de propriedades insuladas que ainda não assinem o TAC os usos podem ser resistidos em função de Corredor Ecológico etc. então. permite essa interpretação de que o proprietário que está lá dentro dos limites da Reserva. foi o que eu já disse aqui. porque nos estudos de criação me parece que você já tem que prevê que essa propriedade deverá ser desapropriada. Embora ela possa ser submetida às restrições por força de instituição de um Corredor Ecológico. tanto do próprio dispositivo do § 1º do art. Os usos precisam ser analisados em função dos objetivos. as exceções que me parece que deveria ser o objetivo da regulamentação. O SR. bom. as áreas particulares contam e aí se você for. um milhão e oitocentos e tantos mil hectares. preservação mais qualidade de vida. ou seja. regra é uso por população tradicional. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – O que eu estou te dizendo é exatamente isso. por não ser de domínio público não é contabilizada na RDS. Então me parece que esse tipo de categoria. por não ser de domínio público. quando se cria uma Unidade de Conservação. A Lei prevê interpretações. Você acha que isso. É como o Ademar está falando. Aí é que está. E aí no caso de desapropriação ela tem que constar no período da criação no Decreto que cria. Se o uso atual prejudicar você e contrariar os seus objetivos ou for indesejável pela população. A reserva foi criada para beneficiar a população. mas ela prevê dentro propriedades privadas que não são contabilizáveis ou contabilizadas na Unidade de Conservação. assim como nas zonas de amortecimento e etc.levanta para gente várias interrogações. delega tudo para o zoneamento e para o plano de manejo. não resolve o problema da comunidade. exceção 140 . Isso é em função. em ambos os casos pode haver termo de compromisso em relação às regras do plano de manejo. aí todo mundo já disse. no interior dos limites da Reserva é uma propriedade privada e se não for não precisa ser desapropriada e ao não ser desapropriada. Ela pode prevê esta hipótese. tirar essas áreas particulares de dentro dessa unidade você vai criar um outro problema. da forma como está. essas propriedades não deveriam constar como Unidade de Conservação. O SR. essa interpretação é possível e a regulamentação pode e deve esclarecer isso. nesse sentido dessa redação. Pela sua fala agora com o que o Ronaldo perguntava. a população não deseja aquela atividade e tem que ser necessariamente desapropriada nessa hipótese. porque está lá dito que a Reserva é uma Reserva de domínio público. Agricultura e exploração sustentável de recursos florestais. usos por população não tradicional serem permitidos são exceções e como tais deveriam ser tratados como exceções. portanto. Nas hipóteses. quanto por proprietários de fora. não evidentemente que tanto pela propriedade privada da população tradicional. quando se cria Unidade de Conservação.

talvez já não possa. quaisquer outras atividades também devem ser de interesse das populações locais. é interesse da população tradicional? É uma atividade de interesse da população tradicional? E assim sucessivamente. A Lei não faz. inclusive. Então essa é uma hipótese complexa. mas a regulamentação vai poder fazer. quando a mineração. Como a Lei não veda e embora para a reserva esteja vedado é fundamental que a regulamentação trate e a regulamentação pode expressamente vedar. para quem investiu na pesquisa e etc. Agora. ele pode dizer que em algumas circunstancias não será admitida outorga e a concessão de títulos minerários. Portanto. mas que é possível é possível. o Presidente da República é o Chefe do Poder Executivo. Agricultura e exploração sustentável desde que de acordo com a legislação ambiental aplicável. O Decreto que regulamentava a flona previa expressamente essa atividade. E aqui é uma interpretação interessante. se comprometiam a aportar recursos para isso. evidentemente. ele regulamenta e ele pode regulamentar por Decreto outorga de título minerário. com previsão expressa de mineração. quer dizer. eu acho que a regulamentação tem que tratar objetivamente de mineração. porque isso? Por quê? Eu estou falando aqui o Decreto Federal. O Decreto Federal pode vedar porque o minério é um bem da União. a própria Lei do SNUC diz o seguinte: “o subsolo pode ficar de fora do ato de criação da Unidade de Conservação”. se no ato de criação da Unidade de Conservação estiver explícito que o subsolo não integra a Unidade de Conservação aí a discussão fica mais complicada porque isso está expresso na Lei. porque isso? Por que o jogo no Congresso é um e o jogo no Executivo é outro. Quer dizer. Se na RESEX é vedada expressamente porque na RDS não? E aí entra aquela primeira questão que foi colocada. O Jogo no congresso é o 141 . reserva legal nesse caso do Código Florestal se aplica na hipótese de uso para agricultura. Agora. se o Conselho Gestor ou o plano de manejo disserem que não tem jogo para mineração é possível vedar e o que vai gerar em relação à indenização para quem tem o título. A Lei diz que o subsolo e o espaço aéreo podem ser regidos por regimes diferenciados. o Decreto Estadual. o Decreto assinado pelo Presidente da República pode vedar a concessão de mineração dentro de RDS. mas plausível em função do que está na Lei. como? Aí entra mais um ponto fundamental para regulamentação. uma coisa que é evidente é o plano de manejo também pode vedar a atividade. se na visão de uns a RDS deveria ser UE. isso é uma outra questão. quer dizer. Em que hipóteses poderia haver usuário do entorno. se a visitação pública somente permitida se compatível com os interesses locais. mas a pergunta é: somente por populações locais? Essa que a pergunta que a gente tem que tratar na regulamentação. tem um detalhe aí. mas em torno de Unidade de Conservação é a questão da mineração. por exemplo. A grande polêmica hoje e não só em torno da RDS. população tradicional de fora da área e população não tradicional dentro da área. Isso significa que a mineração é permitida? Bom. exatamente no contexto de negociação com empresas que detinham concessão do DNPM e. haja o interesse da população nisso a RDS não veda o uso em atividades econômicas por populações não tradicionais. desde que haja o benefício. O que vai resultar disso do ponto de vista da indenização a quem tem um título minerário é uma outra questão. Essa é a questão. interesses locais aqui leia-se da população beneficiária. por exemplo. tenha o consentimento. uma unidade que supostamente é mais restritiva do que a RESEX porque não seria vedada a mineração? E não foi. Você vai ter gente que vai defender com consistência que pode porque não existe uma vedação expressa e você vai ter gente que pode fazer uma interpretação. embora a regulamentação possa fazê-lo. nós podemos construir uma interpretação de que em função dos objetivos da Unidade de Conservação. Aí é para complicar um pouco mais.não tradicional. embora expressamente não esteja vedado e aí você vai ter o eu costumo dizer. você põe dois advogados na mesa e você tem no mínimo três opiniões. um elemento interessante para discussão e análise disso é que várias flonas foram criadas antes do SNUC. Embora tenham tentado resolver isso na regulamentação. Porque ela pode expressamente vedar? Apesar de que isso vai criar um caos dentro do Governo que a gente sabe disso e dentro daqueles que pretendem ampliar a sua rede de Reservas de Desenvolvimento Sustentável.

não vão realmente ser interrompidas. na verdade. é fundamental isso. tanto da concessão de pesquisa e de lavra elas vão ter continuidade. Agora. É porque essa matéria ficou realmente para regulamentação. mas isso também é uma lacuna na Lei e evidentemente que era melhor até não tratar isso com profundidade na Lei. portanto. o Decreto é um instrumento jurídico mais hierarquicamente superior. mas eu concordo com você. a regulamentar abrangentemente em relação à lei do SNUC. porque o Parque Nacional e as Reservas de Proteção Integral também não tem nenhuma previsão de exclusão e. quando é que o subsolo não influi no ecossistema. Então está aí mais um pepino para regulamentação. porque não vai valer dizer que o subsolo está fora se não houver o mínimo de análise disso e. Isso é matéria regulamentar e eu acho que o Decreto é fundamental para isso. art. a legislar não. Enquanto não há uma regulamentação do SNUC no plano Federal os Órgãos Estaduais. talvez o IBAMA tenha tido um poder maior da definição disso lá e tal. Não pode deixar. Uma pergunta eu que fiz aqui. mas o Decreto sim. uma coisa que é importante. inclusive. tem um lobby forte para mineração. quer dizer. não é uma discussão jurídica. O garimpo estaria aí dentro do conceito mais genérico de mineração e aí neste caso o garimpo é de interesse da população local e é possível se discutir essa hipótese. Isso não significa que ela é permitida em hipótese alguma. mas é uma discussão técnica. realmente não foi só nas RDSs que houve essa omissão. vamos dizer assim. no caso das Reservas de Desenvolvimento Sustentável não está previsto. que é o Ministério de Minas e Energia e o IBAMA que nós estamos estabelecendo como resolver esses conflitos. 24 do SNUC fala da inserção ou não do subsolo. não querem vedar a mineração. evidentemente. mas o Decreto tenta corrigir essa abertura dizendo que “sempre que influir no ecossistema o subsolo deve ser compreendido nos limites da UC”. Agora. E. põe os pilares ali e aparentemente nada acontece. é uma discussão que tem ser feita nos estudos preliminares para criação de Reserva. é possível mineração no interesse das populações tradicionais? Essa discussão. André. e aí eu discordo de você. mesmo porque são coisas que são de interesse nacional. que o Decreto pode realmente vedar e se vedar vai ser uma coisa genérica para todas. por exemplo. tem uma série de comunidades indígenas que têm interesse em fazer garimpo.seguinte. no plano dos povos indígenas tem sido feita. que é o 23. ele pode também vedar. que no plano de manejo nas análises para definição de zoneamento e etc. o Chefe do Poder Executivo Federal pode vedar a outorga. a idéia é que elas realmente não vão poder ter mineração. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Sobre a mineração em Unidade de Conservação. No caso das Florestas Nacionais. arranca o subsolo de lá e como é que faz. por outro lado. estão autorizados a legislar. o que não for regulamentado pela legislação federal poderá ser feito pelas legislações estaduais. Então tentaram lá acochambrar e viabilizar a possibilidade de mineração. se uma Resolução do Conselho Gestor mais uma Portaria do Órgão Administrador pode vedar uma mineração por uma análise jurídica. Como é que tem sido feito? Aquelas Florestas Nacionais que têm previsão expressa no Decreto de criação da continuação. Na regulamentação. Aqui eu concluo e abro para discussão. no entanto. interesse público quase que prevalente. O plano de manejo não vai ter essa competência de decidir se pode ou não fazer mineração. para o plano de manejo não. 142 . porque como eu já disse minério e bem federal. Se a Resolução do Conselho ou Portaria. incluiu um outro artigo. Claro que têm metodologias hoje que o cara vai lá e fura um buraco. em tese. isso aqui é uma outra análise mais técnica também. Só para concluir. as novas Florestas Nacionais que não têm nenhuma mineração dentro. por exemplo. se sabe que não pode fazer. iniciar um processo de mineração dentro dessas Unidades de Conservação . A Srª. tanto que nós temos agora um grupo de trabalho mineração e meio ambiente. que foi um exemplo que você citou e esses pareceres que estão aqui foram nossos.

do CNPT. eu concordo plenamente contigo. que eu também gostaria de deixar claro também. Então eu também trabalharia com um pouco de cautela com relação à questão tão afirmativa. nós temos a opção de outras formas de oitiva. Primeiro ponto. trazer o Coffee Brake para cá para dentro para gente não parar porque eu acho que o debate está bastante interessante. e ao mesmo tempo assegurar as condições e meios necessários para reprodução. Estamos falando em Conselho Gestor. não está definido. Então esse é um outro elemento também. Maurício está como ultimo inscrito antes da proposta de regulamentação que a gente apresenta. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Aparece um detalhe. eu trabalharia também de uma forma preventiva. Seriam somente esses três pontos iniciais porque gostaria de você de dar os parabéns a sua exposição porque ela levanta os pontos que no nosso ponto de vista são centrais. explícito que a própria Lei coloca que pode reuniões públicas ou outras formas de oitiva. eu gostaria de deixar registrado que seria importante nos documentos deixar bem claro que o Conselho é Conselho Deliberativo. mas em relação há várias outras categorias. como você mesmo colocou na sua exposição. O SR. Segundo destacar a importância dessa discussão. O SR. Então sugiro que nos documentos ao invés de colocar Conselho Gestor coloque Conselho Deliberativo. O Dr. Só para informar. Maurício. como você foi tão afirmativo na questão da consulta pública e no ponto de vista nosso. por exemplo. rapidamente. PAULO OLIVEIRA JÚNIOR (IBAMA/CNPT) – Exatamente. O SR. com um certo equilíbrio com relação a essa questão da preservação e assegurar os meios de reprodução e etc. não só em relação à RDS. mas na Reserva Biológica e Estação Ecológica o pessoal estava também numa 143 . O segundo ponto e que nós estamos no meio de um forte debate sobre a questão de consulta pública. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil ) – Dr. quando você coloca a questão da RDS ter como objetivo primeiro à população tradicional. Então é uma questão que ainda não está bem definida na história. PAULO OLIVEIRA JÚNIOR (IBAMA/CNPT) – Eu só queria deixar uns três pontos registrados porque. Então eu não colocaria também com tanta ênfase. Não está definido. e tal. que isso ao é um ponto crucial no meu ponto de vista e é central no debate. então para deixar claro. como você colocou. em relação à questão da consulta pública. por exemplo. mas como você colocou também com ênfase. O SR. só aproveitar. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil ) – Passar para o Paulo antes de a gente passar para a apresentação sobre a regulamentação. Eu acho que regulamentação de categoria de UC é uma das tarefas urgentes que a gente tem aí para fazer. quer dizer. eu não tive tempo para colocar nenhuma exposição na realidade. bem como você mesmo colocou. quer dizer. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Sem querer tomar muito tempo. a gente está encaminhando para a Presidência da República a proposta de regulamentação das RPPNs que foram mais de anos sendo discutidas dentro do IBAMA.O SR. Primeiro lamentar não ter podido estar aqui desde o início. mas o Conselho de uma RDS é deliberativo. eu vou em seguida. mas aí me preocupa um pouco. André. O SR. Concordo plenamente. isso não está resolvido. que outras formas de oitiva são essas? Não necessariamente seja uma consulta pública. Aí você pega a Reserva e ela tem como objetivo básico preservar a natureza. Ao mesmo tempo não quer dizer no mesmo espaço. eu também não colocaria com tanta afirmação isso porque também há interpretações dúbias. no caso de RPPN. infelizmente. E por fim. eu não vou poder estar aqui para esse debate e que você André colocou de forma apropriada os elementos. E já que eu estou com a palavra. Não sei se a Sônia Wiedmann tem informação. depois do inicio da apresentação da Lucila.

no extrativismo. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – De FLONAS. a questão é inversa.. a história passada que gerou essa redação acaba ficando para traz. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – De FLONAS. quer dizer.discussão avançada sobre isso e eu não sei. assim como não tinha porque discutir mineração em Parque Nacional. então não tinha porque discutir mineração em RDS. O modelo era voltado mais para o foco na preservação. mas também não resolvia porque o foco era muito na população. Conversei bastante com o André sobre essa questão e eu sei que o que está escrito hoje é o que vale. a idéia da RDS era um “Parque Nacional com gente dentro”. eu acho que essa proposta que foi feita para o Estado do Amazonas. RDS pretendia ser uma categoria intermediária entre essas duas e na verdade. Então. Então eu continuo preso. “Na RDS só é admissível manejo da flora e da fauna com finalidade conservacionista 144 . Acho até que a gente podia reproduzir esse modelo aqui para outras categorias. questão de mineração nem foi discutida durante a elaboração da Lei. envolvendo todas as pessoas que estavam trabalhando com Reserva Extrativista. Mas. usando essa experiência aqui e contando com a colaboração dos parceiros que estão nesse processo. você já tinha essa questão posta se poderia ou se não fazer mineração em reserva extrativista. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Quer dizer. Então. A mineração não era uma questão em Mamirauá. era uma área cujo objetivo principal era a preservação. por exemplo. Em relação à RDS eu só queria. o modelo.. é que não era conveniente ter mineração em Reserva Extrativista. reconhecendo que a história agora é outra e eu acho que temos que partir daquilo que está escrito e ver qual é a melhor solução. Então o modelo disponível para lidar com essa situação era. a gente tem recebido uma série de demandas com relação a várias outras categorias. é uma demanda muito forte. mais próxima do Parque do que da Reserva Extrativista. O SR.. O SR. porque foi discutida na Reserva Extrativista? Porque você já tinha a Reserva Extrativista criada no País. então vamos proibir mineração na Reserva Extrativista. mas porque não foi discutida? Na verdade. não sei. O outro modelo era a Reserva Extrativista. a essa interpretação original de que não faz nem sentido discutir mineração em RDS. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Eu usei essa frase só que não pus as aspas. Em RDS essa questão nem foi levantada. regulamentação de categoria de UC é uma tarefa urgente que temos que enfrentar e acho que. Para simplificar e sendo um pouco simplista demais. Não existia nenhuma RDS. Agora eu. A categoria RDS. Então o foco primeiro era a preservação e criando um espaço para você resolver acomodar a questão das populações tradicionais. não é esse o foco. portanto. E só para concluir. a não ser Mamirauá.. avançou bastante e depois parou e não sei exatamente onde está lá dentro do IBAMA. que a Sônia Wiedmann redigiu aqui e eu tive a oportunidade de ajudar a Sônia a escrever. digamos assim. O SR. A Srª. pelo menos o modelo que estava na cabeça das pessoas que sentaram para redigir a Lei do SNUC era a Estação Ecológica da Mamirauá. Então. essa discussão foi levantada e a solução dada dentro do Congresso Nacional não. enfim. esse era o foco. daquilo que eu me lembro da história de construção dessa proposta e dizer o seguinte. em minha opinião. uma iniciativa como essa aqui é extremamente importante. enfim. a gente colocou muito claramente aquilo que traduzia esse entendimento. Então. da definição e objetivo da RDS: os objetivos da RDS são conservar a natureza. por um lado um Parque Nacional que não resolvia porque obrigava a exclusão da população. aqui. mas de qualquer forma eu só queria dar o testemunho aqui da história de construção. com relação questão marinha. A gente tem categorias que foram construídas para ecossistemas terrestres e estão sendo aplicadas em ecossistemas marinhos e aí gerando uma série de dificuldades porque a realidade em alguns casos é completamente diferente. na verdade. mas que tinha a população tradicional dentro.

de estudo bibliográfico e etc. Eu acho que essa coisa deveria também fazer parte de nossa interpretação e acho que o André coloca isso claramente.e uso sustentável dos recursos naturais pelas populações tradicionais”. mas a idéia era realmente traduzir aquilo que eu disse aqui em relação à finalidade da RDS. Então tem uma série de coisas que precisam ser vistos para criação de uma UC dessa categoria. Uacari. um pouco aliviada então não tem sido esse o nosso entendimento.CLÁUDIO C. Vamos dar continuidade na apresentação e depois abriremos para discussões. E o segundo bloco nós temos Diretrizes para Implantação e Gestão da Unidade e Conservação. Tudo bem que aí mineração é um recurso natural e não está muito claro aqui. mas na verdade você tem que analisar a questão da legalização. Cujubim. O SR. se o “cara” está com título legalizado. Há coisas que se diz de domínio público e aí você tem áreas particulares lá dentro. a começar pelas questões de áreas particulares. eu acho que é legal pensar que mineração é uma questão. que todas elas têm áreas particulares dentro e que os proprietários interferem. MARCELO IVAN PANTOJA CREÃO (WWF-Brasil ) – Ok. E à tarde a gente está propondo discutir nos grupos exatamente tema por tema para poder daí ter as contribuições desse grupo para o processo que segue posteriormente. uma RESEX ou uma APA ou então outro tipo de Unidades de Conservação .. Nem acho. Porque tem outras coisas anteriores a mineração que precisam ser discutidas. agora a gente vai focar exatamente nos temas mais polêmicos e depois dessa apresentação a gente volta ao debate público. obrigado. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . quer dizer. se foi uma posse. MARETTI (WWF-Brasil ) – Ainda do ponto de vista operacional. das entrevistas que nós realizamos. por exemplo. por exemplo. se é um título frio. se for olhar por esse lado. leva a discussão de RDS para uma RESEX por conta da questão fundiária. Eu acho que o aspecto de avaliação que se tem. O SR. Então se nós estamos interpretando de que a RDS é uma unidade de produção integral diferenciada. Acho que para nós a RDS é Reserva Extrativista diferenciada e não leva para questão a área de proteção integral. Nós dividimos em dois blocos: um. da forma que está levando a criação das Unidades de Conservação nessa categoria vai ter um problema muito grande futuramente. tipo essa questão do modo de como são interpretadas essas questões das RDSs. o que até o Mercadante fez uma menção. mas eu acho que ela é uma questão tão forte e que leva a ter outros momentos mais adequados para fazer isso. me parece. mas você tem que olhar. me parece que ela precisa de um pouco mais cuidado do que até mesmo a RESEX. a proposta feita pela Sônia para o Governo do Amazonas porque 145 . Era isso. (?). E acho que assim como o Maurício estava falando. na vida das populações tradicionais. ou seja. Condicionantes para Criação de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável. E acho que isso aqui me deixa como lição a forma que tem sido a condução do processo de estudos para criação de uma RDS. O SR. eu estou falando todas as Unidades de Conservação do Estado do Amazonas. mas precisamos trilhar melhor essas interpretações para que a gente não se complique mais na frente porque o Governo do Estado do Amazonas. são situações que conjugadas elas permitem que a Unidade de Conservação a ser criada seja uma RDS e não. Precisa ser muito claro porque no Estado do Amazonas está cheio de áreas particulares.SDS/AM) – Eu queria dar uma contribuição. por exemplo. RENATO SALES – Então. Mamirauá é um exemplo claro.. pode ser que vocês queiram considerar nesse foro aqui discutir isso. eu acho que é legal. O SR. o Estado Amazonas consegue entender. a gente vai seguir com as recomendações e essas recomendações surgem a partir da análise desse trabalho que nós fizemos em campo. Nós não consideramos nessa nossa proposta.

de financiamentos. Essa proposta que foi feita para o Estado do Amazonas que eu e o Maurício fizemos. portanto. mas uma das condições que eu acho que tem que ser levada em consideração no ato de criação é se abriga populações. no caso da condicionante e logo em seguida tem um comentário onde a gente leva em consideração as fontes e as análises que nós fizemos para chegar a esse condicionante. que eu acho que embora algumas pessoas concordem. por exemplo. que foi até mencionada agora. mesmo porque a única Unidade dessas de uso sustentável onde existe essa condição “abrigar populações” é RDS. existem casos que. sem que haja apoio de técnicos. Dificilmente nós vamos encontrar. Não vamos falar quantas gerações. mas eu acho que há como compatibilizar. Eram populações em determinadas área que necessitava de proteção e.nos chegou só ontem esse documento e seria ótimo ter consultado antes também. eu e a Lucila. vamos começar com essas condicionantes. podem ser úteis se houver concordância de uma população que está numa área que vai ser transformada numa unidade de proteção integral e se concordarem em ser removidas para uma outra área que pode se transformar. de um grupo de sitiantes do Paraná se mudar para o Amazonas e lá ser feita uma Unidade de Conservação numa RDS para abrigar esse grupo. como dá para perceber nós compramos o conceito utilizado pelo Paulo Oliveira e pelo pessoal do CNPT. Primeiro. não especificando se a população tem que ser residente ou não. tanto pelo Mercadante como pelo André. E pensando em Mamirauá e pensando naquela proposta da Reserva Ecológica Cultural. em ambos os casos a situação era essa. porque ela vai abrigar. vários dos especialistas e várias das autoridades e técnicos que nós entrevistamos admitiram a possibilidade. mas que sejam populações que conheçam praticamente o ecossistema e que tirem o seu sustento da exploração. por exemplo. Nesse enunciado. quando nós estávamos redigindo. Houve essa discussão no histórico do SNUC. RESEX fala que as áreas têm que ser utilizadas.. etc. A gente tentou ser o mais auto-regulável possível nessa Lei. apoio de institutos de pesquisa. condicionante para criar uma RDS: ocorrência de populações nos locais residentes na área alvo de proteção que dependam diretamente da exploração de espaços e recursos naturais para sua reprodução sócio cultural. atividades que sejam sustentáveis mesmo desenvolvidas por grupos locais. Alguns comentários rápidos. nós estamos também falando que essas populações têm que deter um conhecimento prático bastante significativo dos ecossistemas locais. O que está tratado nesse projeto é matéria de Lei. mas 146 . continua abrigando. que detenham conhecimento prático sobre as características dos ecossistemas locais e que utilizem formas poucos impactantes de utilização ou exploração dos recursos natural. nós achamos que para ser fiel ao SNUC e para ser fiel também a essas práticas sustentáveis que devem ser desenvolvidas numa RDS. Como o André colocou.. as comunidades têm que conhecer muito bem o ecossistema ou os ecossistemas e ter práticas de exploração de manejo já consolidadas há algumas gerações. uma das condições de RDS é que tem que ter gente morando dentro porque senão você transforma em outro tipo de Unidade ou mesmo RESEX e etc. Nesse documento que vocês todos receberam existe um enunciado da recomendação. RENATO SALES – Então. Ela ainda não é uma regulamentação. Nós estamos considerando que uma RDS deve abrigar populações. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Só a título de esclarecimento. por exemplo. Em várias entrevistas que nós fizemos. mas estamos falando do ato de criação da RDS. mas eu acho que uma condição básica é abrigar populações. formas de manejo sustentável. Ocorrência de populações nos locais. O SR. em RDS. Então a primeira seria a seguinte. Nós estamos falando de formas de manejo pouco impactantes dos recursos. Outro comentário que pode ser feito com relação a esse enunciado: nós não estamos usando. não é matéria de Decreto. o Maurício teve é uma participação fundamental nisso aí. É uma questão bastante polêmica. A Srª. Ela é uma proposta de Lei Estadual de RDS. tudo bem. como o SNUC fala.

mas é pouco impactante e tem o potencial para se transformar em sustentável sim após a criação da Unidade de Conservação no caso aqui da RDS. No fundo. mas nós não queremos ser tão rígidos porque dificilmente você vai encontrar essas atividades desenvolvidas de forma totalmente sustentável. Então. determina que “as populações das RDS assim como das RESEX se obrigam a participar da preservação. RENATO R. Por último. As reservas extrativistas são muito identificadas com alguns movimentos sociais da Amazônia e a falta de maior participação desses grupos. detendo o conhecimento sobre o ecossistema. isso é uma coisa pensada. Nós não concordamos. Então. enfim. eu acho que você não deixa muito aberto não. depender estreitamente da exploração de recursos naturais para a sua reprodução sócio-cultural. ter o conhecimento prático sobre os ecossistemas locais e utilizar técnicas e práticas de exploração de meios poucos impactantes. RDS seria reservada para áreas onde as populações não são organizadas. Então. Algumas áreas estão virando RDS em vez de RESEX. eu acho que sustentável não leva em consideração só a questão ambiental. ao Conselho Nacional de Seringueiros. mesmo porque no art. tem que ser na Amazônia. desses movimentos em determinadas regiões ou então até o fato da área alvo de proteção não ser na Amazônia. existe uma série de outras atividades que podem ser contempladas por uma RDS. defesa e manutenção 147 . técnicas. política. leva as pessoas a criarem uma RDS achando que reserva extrativista tem que estar vinculada. por exemplo. E a Lucila já até comentou isso. pecuária extensiva em fundos pastos no Nordeste. por exemplo. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . mas tem que ter um grau de organização entre os moradores e isso tem que ser avaliado no ato de criação. aqüicultura em algumas regiões costeiras. é para tentar fugir um pouco dessa questão inclusive ideológica que está permeando já há alguns anos essa questão de conceituação de população tradicional. a qual permita a sua efetiva participação nas práticas de gestão nessa categoria de manejo de Unidades de Conservação . mas a questão gerencial. embora tenham todas as características para se transformar numa RESEX até por questões políticas. O SR. você vai cair em algum tipo de conceitual de população tradicional também.conceitualmente. A Lucila também entrou nessa questão. desenvolvendo atividades adaptáveis a esse ecossistema e praticando formas de exploração pouco impactantes no meio. recuperação. SALES – Eu acho que a população morando lá.. esse enunciado é só para tentar deixar um pouco claro que para a reserva extrativista sim predomina o extrativismo e para a RDS outras atividades como..SDS/AM) – Mas não fica muito aberto? O SR. A terceira condicionante seria um grau mínimo de organização sócio-produtiva mesmo que formal das comunidades moradores. § 1º do SNUC. não precisa ser uma cooperativa ou uma associação. vocês reparam que não aparecem populações tradicionais. E nós quisemos fugir um pouco dessa questão deixando então como adjetivo para essa população ou então como atributos residir na área demarcada. É só para fugir um pouco desse termo polêmico. Populações tradicionais envolvem uma série de questões ideológicas. Isso é só para tentar fazer uma distinção mais clara entre RDS e RESEX. faxinais. Tem sido optado pela criação de RDS em casos onde não haja nenhum tipo de organização da comunidade porque as pessoas acham que organização implica a criação de RESEX e não de RDS. é uma série de questões que não necessariamente faz com que a atividade seja sustentável. 23. É claro que pode existir. Então. Nós achamos que tanto para uma quanto para outra tem que haver um grau mínimo de organização e pode ser informal. econômica. ainda comentando esse enunciado. administrativa. Então. nós tentando fugir um pouco dessa pré-existência de formas sustentáveis. E o interessante com relação a essa questão é entender que inversamente algumas RESEX estão sendo. A segunda condicionante ocorrência entre as populações residentes na área alvo de proteção de atividades econômicas não predominantemente extrativistas dos recursos naturais.

que acaba aceitando a criação de uma unidade de uso sustentável em sua área de residência ou de uso econômico e só depois quando começa a ser discutido o plano de manejo. você vai estar cometendo uma infração à legislação se não tiver essa mobilização. Então. Para ambos os casos. você tem que ter área com importância ecológica. tentativas de diminuir conflitos e concorrências. Também é outra condicionante. assim também como a realização de consultas públicas mais amplas envolvendo todos os segmentos interessados. eles devem ser permeados por ações de apoio e aprimoramento das formas de organização local observando e respeitando as suas especificidades.e não só para RDS. etc. Então. com uma tentativa de conseguir a permanência dessas comunidades ameaçadas sugerese a criação de RDS. estabelecimento de vias de comunicação e de negociação.ela é geralmente confundida com audiência pública. o que nós consideramos é que tanto para RESEX quanto para RDS os procedimentos para a sua criação e implantação. Existem hoje algumas demandas para a criação de RDS que partem de ameaças a grupos sociais em áreas fortemente antropizadas. Isso é audiência. Então. para se mobilizar. você não pode levar em consideração áreas extremamente antropizadas e só criar RDS porque existe uma demanda de um grupo social que está ameaçada. Deve haver outros meios para se resolver essas questões. eu acho que cabe sim ao órgão gestor. mesmo que seja desejável nas outras unidades. uma consulta envolve estudos. Então. e principalmente deixar muito claro para a população alvo quais são as causas e conseqüências da criação daquela Unidade de Conservação porque tem sido . 5 – “Existência de área com importância ecológica e como ocorrência de biodiversidade significativa para a preservação com possibilidades de sua demarcação como zona de proteção integração”. que o CNPT ainda está discutindo qual é a forma de se desenvolver esse tipo de contato. que eles vão começar a se dar conta da série de direitos que eles têm. E a RDS não deve servir só para isso. notadamente os órgãos públicos responsáveis por estruturas e serviços sociais”. área com importância para a biodiversidade. o apoio para que essas comunidades tenham oportunidades para se organizar. para RESEX também . não se significativamente impactados para as atividades historicamente desenvolvidas e com possibilidades de recuperação de partes de áreas que se apresentem degradadas. mesmo que na prática isso se dê em alguns casos. portanto. no nosso entendimento. na verdade. a lei do SNUC dispõe de forma explícita sobre a necessidade de delimitação de zonas de proteção integral no interior de uma RDS a serem previstas na elaboração do seu plano de manejo. Distintamente do que está disposto pelas demais seis catarias de Unidades de Conservação sustentável. não é só esse 148 . etc. com forte atuação de atividades econômicas. e tal. ela tem esse caráter ambiental. isso faz parte do processo. Isso tem um pouco a ver com o que o Paulo tinha levantado agora há pouco. 6 – “Realização de consultas públicas para a criação de RDS específicas para os usuários residentes no interior ou entorno imediato da área a ser protegida. de ecossistemas com satisfatória qualidade ambiental. ao futuro órgão gestor.da Unidade de Conservação”. e muito delas predatórias.isso até dá uma certa confusão . as pessoas acham que é uma ou duas reuniões locais que caracterizam a consulta pública. é uma unidade do SNUC e. quer dizer. Então. E uma das razões para isso é essa falta desse processo de consulta pública que nós estamos propondo. O Paulo tinha feito um comentário agora há pouco e isso tem a ver com esse comentário sim. envolve formas de negociação.tem acontecido de comunidades de que de engajam na idéia. você não consegue atender à lei. 4 – “Ocorrência de áreas representativas”. quando começa a ser discutida a implantação efetiva da reserva é que eles vão perceber onde eles se meteram. Então. um dos seus principais objetivos é a conservação da biodiversidade. E isso é muito comum. de consulta mesmo à população envolvida. Então. você não consegue isso. Só repetindo: a RDS é a única unidade que no SNUC consta essa obrigatoriedade de ter uma zona de proteção integral. mas também da série de responsabilidades que eles têm. E o que nós entendemos é que consulta pública . as consultas devem se constituir em processos. Se você não tiver um mínimo de organização. no nosso entendimento. a única que está explicitamente obrigada é a RDS. Então.

ou seja. Independente de um caso ou de outro de outro. mas esse é um instrumento importante também para que as pessoas envolvidas. RENATO R. mais adiante. ela pode ser chegar a impedir o empreendimento. etc. O SR. A SRª. mas no próprio processo de implantação e de discussão de negociação com as comunidades que vão residir em terras do entorno da Unidade de Conservação. eu acho que é extremamente importante que nesse processo. Então.. Criar uma RDS nesse caso é chegar a uma ineficácia. por exemplo. elas têm plena consciência sobre o empreendimento que elas entrando. redigindo um baixo assinado solicitando a criação de uma Unidade de Conservação.processo. nos processos de licenciamento ambiental. a audiência pública. inclusive de consulta pública. SALES – 7 – Essa é outra questão polêmica entre os entrevistados para a esse trabalho. que elas vão estar envolvidas com a implantação da unidade. a proteger a Unidade de Conservação. que essas pessoas se comprometem. seria interessante haver já um comprometimento no ato de criação das reservas. de Cujubim. Se não houver esse compromisso. como o próprio nome indica. o contrário. Existe muito ainda essa polêmica se uma RDS deve ser criada prioritariamente para conservação de uma determinada parcela de um ecossistema ou então de várias parcelas de vários ecossistemas ou se ela atender aos interesses de uma população. E as poucas pessoas que ficaram não tinham o menor compromisso com a conservação do meio. mas em todo caso é fundamental que a reserva não seja muito pequena que não dê para que seus moradores. por exemplo. etc. as pessoas detinham vontades de migrar. nós vamos fazer propostas também sobre responsabilidades para fiscalização.. são iniciativas de proteção. onde é algum empreendimento que vai causar o impacto ambiental. constando solicitação para a criação da unidade. mas ela não vai influenciar na criação. mesmo porque eu volto ao SNUC lembrando que o SNUC fala que essas populações se obrigam a defender. sobretudo. 8 – “Delimitação da área no processo de consulta pública. de propostas de criação de RDS numa área que além de não haver muita organização. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Eu posso falar uma coisa sobre isso? Eu acho importante nós distinguirmos o tempo todo a consulta pública da audiência pública porque a audiência pública. já a consulta. enfim. Então. ela usada muito aqui no caso de criação de unidades. Ademar.ou na zona de uso sustentável. ela pode re delimitar a área. com a continuidade das atividades de forma sustentável. para administração das áreas dependendo das zonas. Um dos motivos para nós termos colocado essa condicionante é o caso. que fique bastante claro as causas e conseqüências e que elas assumam formalmente esse compromisso. considerando na zona de uso antrópico . comprometimento preliminar em assumir responsabilidades e compromissos inerentes à gestão da área. quando nós falamos da implantação e gestão. as comunidades envolvidas tenham plena consciência do que elas estão assumindo na hora em que elas. como diz o SNUC – uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para a sua reprodução sócio-cultural e melhoria da qualidade de vida. já a consulta publica. Então. a preservar. Como que essas famílias. e tal. a primeira. ela não vai interferir no processo de criação. de sair para outras áreas. vão se obrigar a fiscalizar e a proteger essa área toda? Então. e tal. que seria o encaminhamento de abaixo-assinado com a adesão de pelo menos a maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS. assim como para a viabilização e definitiva participação dos usuários na administração. as comunidades não tirem sustento por meio da exploração dos recursos naturais 149 . ciência sobre as causas e conseqüências relacionadas à criação da reserva. Em Cujubim são 69 famílias para uma área de quase 2 milhões de hectares. elas vão se comprometer. monitoramento e fiscalização ou defesa da Unidade de Conservação”. Eu conheço casos. quer dizer. é fundamental que essas populações que moram na área que vai virar Unidade de Conservação. a conservar. ela tem uma aspecto consecutivo. do jeito que está disposto no SNUC.

é uma coisa complicada. Se você pensar nos casos de propostas de manejo coletivo ou comunitário de recursos naturais que você encontra ao redor do mundo. e 95% (noventa e cinco por cento) estão muito bem preservados. RONALDO WEIGAND JR. embora esteja com baixíssimo grau de organização.. 5% (cinco por cento) da aérea são utilizados para exploração de castanhas e outros produtos florestais. até áreas em que todo o suporte de controle. RENATO R. ele pode ser muito grande para que essas populações não consigam administrar. Então. Por exemplo. RENATO R. 150 . E essa condicionante. ela tenta dirimir um pouco esse problema. Quando você coloca também a necessidade da mobilização desse compromisso. SALES – Qual é a sua proposta? O SR. e eu já tenho como. mas se você for ler o SNUC hoje.. eu acho que fazer uma discussão do que é estratégico para depois nós considerarmos os detalhes de uma proposta de regulamentação. E eu tenho a impressão que tem muito chão pela frente ainda para nós caminharmos em relação a essa proposta e nós vamos ter que chegar só no final para depois tentarmos dizer: “Não é esse o modelo que nós temos em mente” ou: “Esse modelo não é estratégico para conservação”. quando você vai ponto a ponto. você também está excluindo do nosso horizonte de atuação a possibilidade de conservar áreas de interesse para a biodiversidade em que a população tem o direito de estar lá dentro.dessa área. que é um caminho ainda mais leve? Então. RONALDO WEIGAND JR. que não é o nosso caso. Então. é um modelo que preenche essa lacuna no SNUC de um parque com gente dentro ou um modelo próximo ao de RESEX com algumas outras considerações que parece que é o caminho da proposta de regulamentação de vocês ou é um modelo ainda mais próximo de uma ARPA. O SR. que seria o caso de baixíssima mobilização. deixa eu fazer só uma pergunta: em qual desses pontos que foram apresentados que você identifica uma situação que inviabiliza esse seu conceito ou o conceito utilizado de parque com gente dentro? O SR. mas ao mesmo tempo tem a responsabilidade de conservação. E o caso intermediário. Eu gostaria de fazer umas colocações sobre os pontos que foram colocados inicialmente. você pode concordar mais ou menos com esses pontos. (ARPA/SBF/MMA) – Por exemplo. quando eu estava trabalhando com reserva extrativista marinha. Eu fiz uma revisão para casos de pesca. concessão de licenças é feito pego Estado em consulta com a comunidade. RONALDO WEIGAND JR. Quando você vai com uma outra visão. a proposta de mobilização.. Então. você já está colocando um caminho que começa a inviabilizar alguns dos interesses estratégicos que eu acho que nós temos com a categoria. você pega desde as áreas comunitárias que não têm nenhum suporte estatal. você vai cobrar dessas pessoas que hoje são usuárias a responsabilidade pela fiscalização de Iratapuru. SALES – Ronaldo. na verdade. O SR. Iratapuru também é parecida.. O SR. eu compartilho com o Maurício a visão de que RDS é um parque com gente dentro e não uma RESEX e nem nada mais leve do que uma RESEX em termos de controle. (ARPA/SBF/MMA) – Eu estou com um pouco de dificuldade de progredir a acompanhando os pontos porque a discussão de RDS tem que ser feita em relação à escolha que se faz mais geral a respeito da categoria. que é o caso de RESEX em que a comunidade tem o suporte estatal do território. (ARPA/SBF/MMA) – Eu acho que nós devemos compartilhar qual é o nosso modelo: qual é o modelo que é estratégico para conservação. quando você vai segundo nos pontos é claro que você começa a ter uma série de colocações para cada um desses pontos. E essa escolha precisa ser feita senão nós vamos começar a discutir casos específicos ou refletir sobre casos específicos sem pensar no caso mais geral. organização.

Você não imagina o que é chegar lá em Novo Aripuanã... O SR. é um custo altíssimo que a população não tem como. sugerindo a definição de quem toma conta do que. mas depois nós passaríamos para implantação e gestão.. residir na área. Então. por exemplo. conhecer o ecossistema. Ronaldo. RENATO R. vamos em frente. 23. o que nós achamos que deve ser feito para se fazer uma avaliação dessas condicionantes. SALES – Então. O SR.. seria perigoso realmente uma observação desse tipo eu acho. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Questão de ordem.. SALES – Teria depois uma relação de estudos ou de suscitações que nós consideramos importantes para que esses condicionantes sejam aferidos. eu não digo formalmente só. mas porque ela não tem condições objetivas de se organizar. que as organizações tenham oportunidades de se organizar. mas são coisas ainda para nós discutirmos . nas propostas para implantação e gestão. (ARPA/SBF/MMA) – Mas não precisa ser a área inteira (. de se mobilizar e de se fazer ouvir e defender os seus direitos. que fala que eles são obrigados a defender e a preservar a área. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – A proposta é prosseguir. RENATO R. isso no meu ponto de vista.. deverá então prevalecer a categoria RDS em detrimento de RESEX mesmo que as atividades tradicionalmente desenvolvidas sejam conceituadas como predominantemente extrativistas”.. mas eu não vejo nenhum problema em se desejar ou se querer que haja uma organização da população.. cooperativa formalizadas. “aquelas características como. por exemplo. em qualquer situação. nós vamos extrapolar em muito o tempo. Só falando rapidamente. Então. Mas eu acho que os comunitários para cada uma dessas condicionantes constam aqui também. detendo títulos de propriedades da terra demanda a criação de uma reserva de uso sustentável e não queiram ter as suas áreas desapropriadas. Renato. ela não é organizada não por que ela não queira.. inclusive possam cumprir o que dispõe o art. se nós formos parar em cada uma delas. nós estamos entrando nessa questão. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Com relação a essa questão de ser prioridade para poder definir uma área. Então. O SR. Diretrizes. E vamos ter um espaço à tarde justamente para dar foco nesses aspectos que estão agora já polêmicos. desenvolver atividades não impactantes. porque vai atender algumas ansiedades.). O SR.? Ou precisa mudar. SALES – Mais adiante. O SR. RENATO R. Então. etc.. E quando eu falo em comunidades organizadas. precisa mudar. Como é que eles vão fazer isso sem. Eu consulto o Renato se esse é o último slide ou se teriam outras. do combatível para uma voadeira para mobilizar a população. têm que ter uma certa coesão sim social ou então produtiva entre esses moradores para que eles. SALES – Eu acho que são duas questões que devem ser colocadas mesmo: uma dela é a seguinte: é desejável sim. nos casos em que as famílias residentes na área alvo de proteção apresente características descritas no Item I. O SR.. isto é. E aqui entra uma questão também de uma discussão do que foi historicamente aquela contraposição entre Mamirauá e a proposta da Reserva Ecológica Cultural. O SR. eu não quero dizer que são associações.. RONALDO WEIGAND JR. em Manicoré e ver o custo da gasolina. se tu pegas a Amazônia – eu vou só exemplificar mais ou menos o que ele disse – na prática é muito difícil para as comunidades e as populações locais se organizarem porque isso tem um custo altíssimo. RENATO R.. seria: “Levantamento das 151 . etc.A SRª.. § 1º.

Então. RONALDO WEIGAND JR. alguma coisa assim. sistematização e análise do tipo de ocupação na área (. os últimos dois. etc. o que nós identificamos foram os elementos a partir dos quais o modelo se define. mas o resultado não é um modelo. e a idéia é formar Grupos de Trabalho conforme os dois temas. A minha proposta é que se prossiga e dê elemento para esses grupos também. Eu pergunto a vocês e Fernando. mas se nós não soubermos do que nós estamos falando fica difícil. Então. ou de um modelo francês de parque. identificação de outros seguimentos regionais envolvidos com a área alvo de proteção. que seriam os dois grupos para o primeiro item – condicionantes para a criação . estrutura de serviços sociais.e outros dois grupos para diretrizes. levantamento da situação fundiária e levantamento das formas de graus de organização sócioprodutiva. levantamento de contingentes não-moradores usuários dos recursos naturais. avaliação do interesse dos moradores em permanecerem e conservar o local de acordo com a legislação vigente. O resultado deste evento não é um modelo porque nós vamos levantar inclusive as divergências e apresentar para os órgãos que aí sim vão interpretar.. os outros dois grupos..) as características sócio-econômica culturais das famílias residentes e o mapeamento dos locais de moradia de uso comum de exploração dos recursos naturais. tem que fazer escolha. Nós não podemos definir um modelo para depois debater porque nós não temos nem legitimidade para isso e não tem esse acúmulo já feito. Então. levantamento em campo das principais características da área. porque depois nós detalhamos o modelo. (ARPA/SBF/MMA) – A minha questão é quando é que nós fazemos a escolha estratégica de qual modelo nós estamos falando. na seguinte questão: este evento não tem condições de definir qual é o modelo. tem que se discutir isto aí: o que é estratégico para o Brasil em termos de detalhamento dessa categoria? O SR. Ir para Grupo de Trabalho. do que nós estamos falando? Daí nós podemos olhar. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Eu queria discordar do Ronaldo. O SR.. é uma RESEX com um nome diferente ou é uma coisa mais liberal. identificação preliminar do estado de ecossistemas abrangidos e a avaliação de possibilidade de recuperação de áreas degradadas.. a um passo disso. identificação preliminar das áreas significativas para manutenção ou recuperação da diversidade biológica.. detalhar e tudo. essa parte de diretrizes é o que viria agora alimentar uma outra parte do debate. identificação de eventuais ocorrências de uso e de conflitos e interesses entre os segmentos”. econômicos e políticos envolvidos. que é o parque com gente dentro. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Em atenção à estrutura que nós fizemos para o debate de hoje e ao que está previsto para hoje à tarde. E o que nós vamos fazer à tarde é discutir se nós concordamos ou não se a comunidade tem que ser organizada. essa possibilidade de decisão. Com base nesta discussão talvez possa haver um debate. adotar o modelo para a regulamentação de fato. E ao definir esses pontos. mas nós entendemos que eles estão apresentando a proposta deles. mas tem uma escolha estratégica a ser feita antes. avaliação preliminar sobre o potencial de sustentabilidade econômica e ambiental das atividades de exploração dos espaços de recursos. na verdade. identificação em campo dos diversos segmentos sócio-culturais.informações sócio-ambientais disponíveis sobre a área. seriam beneficiados agora com a explanação do Renato sobre esse assunto. nós vamos estar discutindo o modelo de cada um. Então. eu continuo com as diretrizes para implantação e gestão ou não? O SR. O que eu acho é que eu acho que a 152 . Então. dos elementos. se nós concordamos ou não que tem que se morar dentro da área.. Voltando aqui um pouquinho: os dois temas são estes dois: condicionantes para a criação e diretrizes para implantação. nós vamos distribuir esse condicionantes para a criação. com respeito. eu acho que nós estamos. Pode ter sido errada essa escolha dos elementos. mais próxima da APA.

SALES – Na seqüência nós vamos tratar disso. não necessariamente serão aqueles que nós vamos concluir. Então. O SR. são pontos que foram levantados e a opinião de quem fez o estudo. É discutível. essa é a questão. Agora. não precisa ser formal. Então. O SR. RENATO R. o que pode ter sido uma escolha equivocada. RENATO R. E depois. RENATO R. porque senão nem precisa fazer uma RDS. Tudo isso são questões que a discussão desse modelo reflete. Se a opinião está sendo apresentada é ponto para debate. O SR. já que o debate já está ocorrendo. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Só talvez defendendo um pouco o ponto de vista do Ronaldo. Então. quais pontos são que não se encaixam nesse modelo que vocês defendem? Tem essa questão da mobilização. mas a forma como nós recebemos a proposta que vocês estão colocando muda conforme nós estamos convencidos de um modelo ou de outro. porque nós achamos que não dá para definir um modelo aqui. Não é preciso adota essa opinião. do modo como foi apresentado. onde pode se discutir modelos. O SR. Então. O modelo vai ser definido pelos seus elementos. E quando eu falo em organização. Então.discussão do modelo cabe aqui hoje. a posição nossa não é concordância com o que está sendo apresentado. O SR. RENATO R. SALES – Mas Maurício.. Isso não vai ao resultado do evento. RONALDO WEIGAND JR. o tipo de população que está lá. não precisa ser. Eu tenho inclusive alguns pontos para criticar. nós vamos discutir sobre eles. mas tem que ter uma coesão social para que aquele pessoal queira continuar na área. Se você não definir o modelo. São duas coisas que estão juntas e talvez isso esteja gerando confusão. questionamentos. criticar. a partir do momento em que encerre. analisar ponto por ponto.. O SR. Não é que eu esteja discordando dos pontos. quer dizer. O SR. (ARPA/SBF/MMA) – Tem a questão da população residente. o que foi apresentado pressupõe já um modelo. (ARPA/SBF/MMA) – Eu sei que os pontos são os mesmos.. mas essa foi a opção. os pontos. Essa é a previsão do horário da tarde. à tarde. um espaço de discussão geral. tem várias coisas que estão sendo colocadas aí: a questão da desapropriação. A questão da população residente é uma outra questão para nós estarmos discutindo em relação a isso. Então. O SR. é difícil detalhar. SALES – Eu entendi. o tipo de atividade que pode ser feita. não há essa 153 . mas eu gostaria de ter como pano de fundo um pouco dessa discussão estratégica a respeito do modelo para poder receber a proposta de um jeito ou de outro. os pontos que estão sendo levantados. existem alguns indicativos. SALES – Mas essa é a única questão ou tem outros pontos desses que foram apresentados que comprometem esse modelo? O SR. da inclusão ou não. eu acho que essa é a questão que ele está colocando. um modelo com o qual o Ronaldo e eu em particular também não concordamos. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Antes de você entrar na discussão do conteúdo. vamos numa questão de forma aqui. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Mas nós não estamos concordando muito com isso que você está afirmando.. RONALDO WEIGAND JR. é porque se eu entendi bem eu concordo com o Ronaldo. mas não a definição. Eu falei de organização. nós teríamos previsto.

Na verdade. fazer o debate geral e voltar nisso no começo da tarde para daí discutir ponto por ponto. mas há possibilidade de levantar as opiniões próprias.. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Na verdade. eu não sei como é que nós programamos o interromper para o almoço porque o que nós podemos eventualmente fazer. O SR. A qualidade do trabalho que foi feito é que está inclusive tocando em alguns pontos fundamentais e está sucitando a discussão.suposição de que nós vamos discutir só a posição de quem apresentou. A segunda proposta é a gente interromper as 154 . Nós convidamos vocês todos a almoçarem e continuar na parte da tarde por volta das 13h. O SR. Porque nós estamos fazendo o debate no meio. RONALDO WEIGAND JR. Eu acho que esse é o exercício que o Ronaldo fez: “Nós temos o modelo A e nós temos o modelo B”. RENATO R. os pontos que foram colocados são excelentes eu acho. Se o modelo A é esse. vamos a uma questão de forma aqui. pelo menos nós temos que deixar definido claramente quais são os modelos. questionar e tal. O SR. Eu acho que está super posto.. as características de uma regulamentação.. a nossa dificuldade aqui é que me parece que não se trata de partir dos elementos para se chegar ao modelo. do jeito que vai. por volta das 13h. talvez nós devamos. mas tendo claro que existem modelos aqui em discussão que não são coincidentes. está nos ajudando a ir ao âmago da questão. já são 12h40. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Por volta das 13h. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Antes de entrar na discussão. Essa é a proposta. tem que ser essas e essas. super-bem colocado. onde a discussão dos modelos caberia. Vamos em frente e vemos no que dá. Estava previsto nós termos uma hora ou uma hora e meia de debate. porque estava prevista uma hora. se o modelo é o B.. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Aqui no hotel. Se nós aqui não temos condições de definir o modelo. por exemplo. Então. Quais são as opiniões: vamos fazer uma votação rápida só para consultar ou não? Alguém acha que é melhor adiar o almoço? Alguém acha que é melhor adiar o almoço? São duas questões. (ARPA/SBF/MMA) – É discutir: “O meu modelo é tal”. Eu não sei nem se o caso. nós temos cerca de meia hora. mas ter claro quais são os modelos e não ir para a discussão dos itens sem ter claro do que nós estamos falando. que horas que nós paramos para almoçar? Nós temos almoço combinado para todo mundo? O SR. Qual que a gente coloca primeiro? O adiamento do almoço ou o que a gente faz agora? Então antes de discutir adiamento ou não tem a proposta de continuar apresentando as diretrizes e aí depois ir para o debate geral e isso pode ser que já dê a hora do almoço e daí a gente vai para tarde e depois tem o trabalho dos grupos para discutir ponto por ponto. eu acho que é assado”. ou seja. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Temos almoço aqui no hotel? O SR. Eu acho que essa é a questão que o Ronaldo está colocando.. Então. SALES – E nem temos a pretensão também.são diferentes. O SR. Agora. se essa for a opinião da maioria. O SR. para ele apresentar as outras oito diretrizes vai mais 15 ou 20 minutos.. nós temos almoço disponível para vocês aqui no hotel. O SR. porque fica: “Eu acho que é assim. Então. a sugestão é que nós. uma hora e pouco e do jeito que vai nós vamos até. CLÁUDIO MARETTI (WWF-Brasil) – Então. é interromper agora. mas qual é o modelo que está na sua cabeça? “O meu modelo é esse”. têm que ser essas e essas.

Essa seria a idéia principal desse enunciado. A partir dos pontos que ele levantou uma geral e aí vai para os grupos com esse aquecimento do geral. ANDRÉ RODOLFO DE LIMA (ISA) – Sem prejuízo da anarquia geral e sem ter feito uma reflexão vertical sobre isso daí. qualquer coisa. desde que geral relativo à RDS. cabendo. Ele iniciou uma apresentação. mas eu acho que é bom deixar para os debates. RENATO SALES – Então. se surgirem indicações de novas alternativas econômicas. como outras pessoas estejam pensando. entretanto esforços para seu aprimoramento notadamente no que diz respeito a sustentabilidade ambiental. seria geral: modelos. O enunciado ficou como “atividades econômicas desenvolvidas de uma RDS deve ter a elaboração do seu plano de manejo. não pode ser uma empresa. agregação de valor as mercadorias produzidas e detecção de formas mais rentáveis de comercialização da produção de prestação de serviço. com esse enunciado é fazer com que atividades prioritariamente a serem desenvolvidas são aquelas já historicamente desenvolvidas pelos moradores. Quem que acha que a gente deve fazer o debate geral já agora e interromper isso? Então.diretrizes agora e fazer meia hora ou um pouco mais de debate geral e depois voltar para as diretrizes para encaminhar o trabalho dos grupos. é isso? Agora seria somente sobre criação. Debate geral. aliás? O SR. A primeira trata daquela questão das atividades econômicas. esse enunciado tenta fugir um pouco daquela questão se tem que ter mineração ou não. voltamos e abrimos uma hora de conversa geral sobre a análise. se tem que ter exploração de petróleo ou não e etc. se tiver uma vocação da área que permita alguma outra coisa. Se surgir alguma outra indicação. O SR. MARETTI (WWF-Brasil ) – Mas então essa é a discussão que eu estou querendo para sentir o plenário. dentro de uma RDS”. ela já suscitou debates pertinentes e imagino que não só você esteja pensando sobre isso. em meia hora ele conclui isso. Eu acho que ele poderia concluir essa parte e vamos almoçar às 13h. dúvidas. eu acho o seguinte. possuírem documentos comprobatórios de dominialidade de suas áreas de moradia e ou exploração econômica. O SR. O comentário que eu posso fazer a respeito disso é para tentar. a Lucila e tudo. Há outros comentários. Quer dizer. que já entraram em acordo com a sua criação e implantação. isso aqui se encaixa no meu modelo e não se encaixa no outro. MARETTI (WWF-Brasil ) – Não. O SR. a gente continua com as diretrizes e quando ele acabar a gente avalia o horário do almoço. o Renato. Nós continuamos com essas diretrizes ou vamos para o debate geral agora? Só para gente sentir a manifestação. os Órgãos competentes deverão firmar com seus 155 . os beneficiários. O SR. Então você não pode imaginar que alguma empresa vá lucrar dentro de uma RDS. os principais beneficiários tem que ser os moradores locais. quer dizer. as quais deverão ser suas principais beneficiárias. 2 – “Nos casos de famílias residentes no interior da RDS que concordam. E mais. idéias. manifestações de opiniões. se restringir aquelas já desenvolvidas historicamente pelas populações locais. são Diretrizes para Implantação e Gestão da Reserva. O que nós pretendemos com essa redação. essas deverão estar de acordo com a Lei do SNUC e dos demais instrumentos de legislação ambiental e deverão ser geridas diretamente pelas famílias ou organizações locais. CLÁUDIO C. Após os estudos que irão embasar a elaboração dos planos de manejo e zoneamento da Unidade. NÃO IDENTIFICADO – O debate sobre gestão no primeiro bloco. críticas sobre o que o André falou.CLÁUDIO C. aumento de produtividade. essa atividade tem que ser geridas por famílias ou organizações locais. cabendo o aprimoramento. Quem quer continuar a apresentação das diretrizes e depois nós continuamos o resto? Seis pessoas. vamos almoçar.

mas propriedades essas de famílias tradicionais que queiram Reserva e que aceite o plano de manejo. Isso que nós estamos tratando aqui é exatamente os impactos da zona de amortecimento. e tal. mas se não fosse tomada uma medida similar seria um grande problema e nenhuma mais votação beneficiaria os pescadores. como forma de garantir que as normas do plano de manejo e o zoneamento das Unidades sejam devidamente cumpridas. a Petrobrás. por exemplo. mais empresariais ou então conflitantes com os interesses da Reserva não tenha assento garantido para cada um deles no Conselho Deliberativo. etc. inclusive. o que se pretende com isso é. acho. Existem alguns casos. apesar de tal capítulo tratar originalmente apenas de populações tradicionais em Unidades de Proteção Integral”. mas sim os agentes de turismo. do Ministério Público para que com seus proprietários sejam assinados Termos de Compromisso sob os usos do imóveis até o momento que for disponibilizado o recurso para sua desapropriação. Nesses casos. caberá aos Órgãos competentes a iniciativa de providenciar a sua desapropriação ou intervenção. entretanto. cujos proprietários tenham interesse diversos daqueles das comunidades locais ou que com estas apresente conflitos ou ainda que tenham interesse de forma de ocupação conflitantes com os objetivos ambientais da RDS. de acordo com o artigo 39º do capítulo 9º do Decreto 4340. se organizar de qualquer forma e eleger um representante do setor produtivo para o Conselho. 3 – “Nos casos em que os resultados dos estudos técnicos e das consultas públicas indicarem a importância de incorporação de terras privadas a área RDS. por exemplo. etc. o prazo de inspiração é sempre que houver interesse das partes. Os setores produtivos regionais em torno imediato da Unidade. prevendo. Mas é claro que cabe aos juristas uma opinião mais balizada sobre isso. essa é uma RESEX. que esses representantes desses setores produtivos. a Marinha. enfim. porque existem tantos interesses envolvidos que se cada um estivesse representado no Conselho o próprio objetivo da Reserva iria para o brejo porque nenhuma dessas pessoas querem a Reserva. além de representantes de Organizações da Sociedade Civil Regional e de Órgão Públicos competentes das três esferas de poder. fazendas. a dominialidade permanece privada e os prazos dos Termos de Compromisso para permanência dos proprietários na área protegida devem ser acordos entre as parte interessadas. e tal. o que está querendo se fazer com isso é comprometer um pouco mais as propriedades existentes dentro da área. onde a RDS seja rodeada por vários empreendimentos. Na verdade. A Srª. em alguns casos. mas sim eles devem se reunir. Arraial do Cabo. não é? 156 . Para os casos de moradores não detentores de documentos de documentos comprobatórios de dominialidade das terras que utilizam. estatais ou particulares. Não existe um instrumento no SNUC que trate desses assuntos. então a sugestão é que se use esse instrumento que trata de populações tradicionais em Unidades de Proteção Integral que teria. Devem também ser renovados automaticamente esses prazos de Termos de Compromisso. o mesmo efeito. cujos interesses sejam distintos daqueles das comunidades locais devem criar um Comitê próprio para escolha de apenas um representante com direito a assento nesse Fórum”. na verdade. tempo suficiente para que os moradores tenham garantia para planejar as suas atividades presentes e futuras.representantes Termos de Compromisso. 4 – “Formação de Conselho Gestor objetivando a participação de maior número de representantes dos moradores e usuários da RDS. entre as partes do Conselho Gestor. a Prefeitura. daí deverá prevalecer o artigo 10º do Decreto do SNUC o qual prevê a assinatura de contrato de concessão de uso de terras públicas e de respectivo Termo de Compromisso específico para tais situações”. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – você vai falar ainda da zona de amortecimento. Sugere-se que tais Termos de Compromisso sejam embasados pelo disposto no artigo 30º do capítulo 9º do Decreto do SNUC que regulamenta. Na verdade.

principalmente. carcinicultura. essas pessoas estarem lá e vai se julgar e até com um certo direito de participar de um Conselho porque as suas atividades estão sendo de alguma forma prejudicadas ou. culturais e econômicas. afetadas pela existência da Reserva. etc. E o que a gente tem reparado é que em vários Estados. também ter um caráter dinâmico. RENATO SALES – Não só. vocês se reúnem e escolham o representante de vocês e foi isso que foi feito e está funcionando.E também da realização de plano de negócios para os principais produtos comercializados pelas comunidades da Unidade”. Então. na verdade. quer dizer. plano de desenvolvimento e tudo é tratado como plano de manejo. a partir do desenvolvimento de pesquisas técnicas e científicas identificadas como prioritárias e do monitoramento sistemático das atividades e das decisões tomadas pelas Instâncias Gestoras da Unidade de Conservação. muitos deles com uma longa duração. Quando é lançado o SNUC some essa figura do plano de utilização. A mesma coisa acontece n reserva da ponta do tubarão e eles tiveram essa solução. mas tecnicamente é usado plano de manejo de rendimento sustentável de espécie . normas muito claras e muito fácies para que as comunidades e as famílias saibam o que pode e o que não pode se fazer.que isso confunde um pouco o nome. bem como definir um protocolo de monitoramento contínuo da Unidade”. quando as pessoas começam a se preparar para elaborar o plano de manejo elas levam em consideração aquela receita da DIREC do IBAMA para montar plano de manejo para proteção integral.O SR. de um empreendimento tenha assentou ou voto. Então. na verdade. Vocês se reúnem e reúne desde o pequeno comerciante. padeiro até a Petrobrás. decidam e saibam claramente o que pode e o que não pode fazer e quais são as penalidades inerentes a qualquer tipo de infração. tanto a orientação dos moradores gestores na condução das práticas cotidianas da Unidade. e tal. anteriormente o que se preconizava era que as RESEX teriam planos de utilização e plano de desenvolvimento que têm. Então enquanto não fizer. tenha um uso antrópico é fundamental que o plano de manejo leve em consideração também essas atividades desenvolvidas e que ele sirva de uma constituição bastante prática para Unidade de Conservação. para que as pessoas saibam. Como tem uma área dentro de uma RDS que é uma área de uso antrópico. existem em vários Estados e hoje nós temos fazendas dentro das RDSs. em qual área pode se fazer e em qual não pode. 5 – “O plano de manejo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável deve ser elaborado de forma participativa e se constituir em documento prático que permita. Deve ser elaborado. portanto. como foi dito. 6 – “O zoneamento das Unidades de categoria RDS deve ser elaborado de forma participativa e contemplar zonas de 157 . Esse primeiro esforço de elaboração participativo do plano pode permitir a redação de uma primeira versão formal e a identificação de lacunas de conhecimento. sendo a ele incorporadas periodicamente novas normas e recomendações. cinco a seis anos para ficar pronto e pouca participação da comunidade. Então é uma série de estudos biofísicos. Por fim. dados secundários. “o plano de manejo deve indicar uma relação de pesquisas científicas que permitem a otimização ambiental da zona de preservação. dos moradores. enfim. primeiro: que discutam. No caso de RDS. ser for cumprido esse roteiro. a partir da consulta. não quero saber. Deve tratar-se de um Unidade de Uso Sustentável e o plano de vê contemplar a elaboração de planos de manejo de rendimento sustentável de espécies . a idéia é fazer com que não cada representante de uma fazenda. Essa diretriz está bastante relacionada ao sumiço na versão do SNUC do plano de utilização e o plano de desenvolvimento das Reservas Extrativistas que eram planos diferenciados dos planos de outras Unidades de Conservação . de Proteção Integral. mesmo eu seja sustentável. Deve. assim como indicação de ações para preenchê-las. mas enquanto não fizer a desapropriação. mas se fazer com que os vários empreendimentos do setor produtivo se unam e elejam apenas um porque senão pode comprometer o objetivo da reserva sim. quanto o planejamento em médio e longo prazo das atividades de preservação e conservação ambiental e de promoção da qualidade de vida das comunidades locais. análises dos resultados de estudos expeditos realizados em campo sobre a realidade sócio-ambiental e da apreensão do conhecimento acumulado pelos moradores sobre os ecossistemas e suas expressões sociais. enfim.

assim como os resultados dos estudos e levantamento de estoques de comportamento biológico e ecológico das espécies mais fortemente exploradas realizadas para formulação dos planos de manejo de rendimento sustentável.. a realização de reuniões preparatórias. áreas de pesca. enfim. para uma RDS funcionar é bom sim que tenha organização das comunidades.isso está no § 6º do 20º artigo do SNUC – para tanto deve ser consideradas as informações sobre a dinâmica de utilização econômica e cultural dos espaços e recursos naturais da área. elaboração e distribuição de material de divulgação. Da mesma forma. tanto no zoneamento como no plano de manejo a discussão e definição de normas regulatórias de acesso às áreas de uso dos recursos naturais pela população local e do entorno. facilitar a de associações. Da mesma forma devem ser consideradas as pesquisas e informações dos moradores sobre áreas significativas para conservação de biodiversidade e de ocorrência de espécies nativas importantes ou ameaçadas. dinâmica territorial da população. recaindo nesses últimos. cooperativas e etc. definição do número. de considerações que podem ser feitas. áreas de ocupações predominantemente extrativistas. disponibilização de estruturas necessárias para o seu funcionamento. quer dizer. sempre que para isso haja consenso entre os usuários da Reserva. propiciando a plena compreensão dos segmentos locais sobre esse fórum. áreas de usos predominantemente agrícolas e pecuários. já que a RDS. Sugere-se também que a vigilância das zonas de uso sustentável seja de responsabilidade dos moradores e de Agentes dos Órgãos Públicos. por exemplo. E cabe também. afim de se definir as áreas de preservação total ou de proteção total e de definir eventuais defesos temporais ou espaciais. bem como nas negociações dos Conselhos Deliberativos com outras Instâncias Públicas das três esferas do poder para gente tentar prover as comunidades de equipamentos e serviço sociais importantes para promoção da qualidade de vida local”. e quando couber. densidade e distribuição dos assentamentos humanos. bem como as normas para entrada de novos ocupantes ou novos usuários”. No que refere as essas zonas de uso sustentável deve-se também levar em consideração. 8 – “A fiscalização e o monitoramento das RDSs devem ser de responsabilidade compartilhada entre os Órgãos Administradores e as comunidades locais representadas pelo seu Conselho Gestor. bem como sejam responsáveis pela nomeação e administração do contingente de moradores voluntários envolvidos com essas atividades. os Agentes dos Órgãos Públicos. Os Órgãos devem também apoiar a formação do Conselho Deliberativo da Reserva. a exclusividade nas tarefas de fiscalização da zona de preservação total”. mas acho que ficaria depois para o debate e a gente já passaria para sete. Corredores Ecológicos .proteção integral de uso sustentável e de amortecimento. de facilitador na busca de financiamentos ou então da implantação de infra-estrutura básica para melhoraria de qualidade de vida. não recairia nas costas dos moradores a responsabilidade por fiscalizar dois milhões de hectares. Esses planos de rendimentos sustentáveis devem compor. que esse papel de intermediário. Isso tem a ver com aquilo que nós consideramos importante. áreas de uso culturais. como o Rio Iratapuru. devem ser subprodutos dos planos de manejo de forma geral. Sugere-se que esse fórum seja co-responsável pela definição dos protocolos de monitoramento e fiscalização da Unidade. até mesmo o Cujubim do jeito que ela está. Para zona de uso sustentável sugere-se sua divisão em áreas de moradia e equipamentos. Tentando prever casos. respeitando suas especificidades. 7 – “Os Órgãos responsáveis das três esferas de poder devem prevê recursos orçamentários para ações de apoio a organização social e produtiva das comunidades residentes nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável. Enfim. no SNUC está dito que um dos seus principais objetivos é melhorar a qualidade de vida das populações locais. Existe também uma série de. então eu acho que cabe sim ao Estado ou então ao Órgão Gestor o apoio para que elas se organizem. Tais ações devem privilegiar o aprimoramento das práticas e forma de atuação das organizações já existentes. coleta. os Órgãos responsáveis pela RDS devem servir como facilitadores na busca de financiamentos para aprimoramento das atividades econômicas desenvolvidas. áreas com potencial para visitação turística e etc. e daí para o 158 . eu acho.

melhoravam as possibilidades de conseguir recursos e financiamentos. Volto a dizer. no desenho da RDS. inclusive. É necessário sempre ter em conta um horizonte de longo prazo para o planejamento das ações de implantação considerando que o processo de participação comunitário é longo. considerando o interesse da sociedade como um todo na conservação de área e a contribuição das comunidades locais para este fim. então. mas politicamente era oportuno fazer isso porque viabilizava. um modelo ideal.. Em geral são comunidades ribeirinhas. muito pelo contrário. MAURÍCIO MERCADANTE (DAP/SBF/MMA) – Quando o SNUC foi elaborado existia. Gestores públicos capacitados para estabelecer canais de negociação. Passa pelo que o Ronaldo e o Mercadante falaram que tem uma questão de modelo a ser discutida. Mas em todo caso isso vai ficar para o debate e é claro para os grupos de trabalho que vão ocorrer à tarde. eu não acho que esse modelo defendido por vocês possa estar muito comprometido com o que foi colocado aqui. como vocês. essa era a idéia original. mas eu acho que. se você tem grandes propriedades e então não seria o caso de. Então qual é a idéia? A idéia é que você tem uma grande área protegida. Então nós estamos discutindo. Então essas são as condicionantes e as diretrizes. Então botou-se o nome e a gente incorporou esse nome dentro do SNUC para aproveitar a experiência de Mamirauá e eu acho que nós criamos um problema 159 . Então o que está me parecendo do que foi apresentado aqui. digamos assim. é um assunto polêmico e delicado. não é nem no conteúdo da Lei porque você tinha a Estação Ecológica de Mamirauá e você tinha a proposta de Reserva Ecológica Cultural.cumprimento dessas diretrizes a gente acha que tem algumas pré-condições. A gente já falou que a RDS em princípio seria um parque com gente dentro. Na verdade. a gente não tinha a pretensão que isso fosse chegar facilmente ao consenso.. Parece-me que algumas das experiências concretas de RDS estão fugindo do modelo original. Condicionantes para implantação e diretrizes pra implantação e gestão. A proposta original do SNUC era a Reserva Ecológica Cultural. que poderia haver uma possibilidade de compensação de se subsidiar as populações moradoras pelos serviços ambientais prestados. Eu acho que essa é a discussão que nós temos que fazer. esse era o modelo original. E também a última consideração. excluir essas propriedades? Não incluir dentro delas? Quando a gente pensa nessa discussão sobre RDS. realizar negociações em busca de consenso e saber tratar com populações locais. Tem alguns outros elementos aqui nessa discussão que eu acho interessante. senão você descaracteriza o desenho da Unidade. colocam aqui. não seria o caso da gente. a minha pergunta é: o que essas propriedades estão fazendo aí dentro da RDS? Porque essa não era a idéia original.. o problema do RDS já começa no nome. por exemplo. foi necessário mudar a categoria e aí se optou por esse nome de Reserva de Desenvolvimento Sustentável que politicamente. teórico para RDS ou não teórico porque a gente tinha a experiência Mamirauá. quando a gente fala em grandes propriedades privadas dentro de uma RDS e que não são propriedades de comunidades tradicionais.. No meio do caminho. me corrijam. preservada ainda onde você tem comunidades que estão lá dentro daquela área que você não tem como excluir daquela área no desenho da Unidade. eu acho. Sinceramente. Agora. o que está acontecendo? E aí a gente fica numa situação complicada porque nós estamos discutindo um modelo teórico e o regulamento vai ser construído tendo em vista esse modelo ou nós vamos fazer uma regulamentação em cima de algumas práticas que já existem. politicamente era melhor e etc. assim como o processo de formação da equipe de trabalho para gestão das Unidades de Conservação . Então você cria a RDS e você mantém aquelas comunidades lá dentro e faz a gestão da área sem excluir as comunidades. O SR. é que hoje nós temos o modelo teórico que é aquele que inspirou o SNUC e nós temos algumas experiências concretas. como Estação Ecológica não admitia presença de comunidade tradicional dentro. não sei por que não conheço toda história. por exemplo. É necessário também que haja articulação e coordenação entre os atores envolvidos na gestão da Unidade.

na hora de redigir uma série de dispositivos fica mais fácil fazer referência. na verdade. Quando você pensa em regulamentar eu acho que você tem que levar em consideração essa realidade já estabelecida. e tal. quer dizer. Eu acho que outra questão complicada pra mim dentro do SNUC é o corte que a gente faz entre UC de Proteção Integral e UC de Uso Sustentável. que não é só nesse dia de hoje que vai ser possível a gente chegar a um consenso. não nos serve. o que nos interessa? Eu acho que essa é a pergunta e por isso que nós estamos patinando aqui no mesmo modelo porque eu acho que nós estamos com uma visão estratégica comum do que nós queremos lá para frente em relação ao SNUC. sem dúvida nenhuma. Estrategicamente. mas tem lá Monumento Natural que pode propriedade privada e pode atividade econômica e nós temos Refúgio de Vida Silvestre que pode propriedade privada e pode atividade econômica. a Reserva Extrativista. tudo bem não pode gente dentro. O SR. isso daria uma idéia mais clara do que é. Reserva Biológica e Estação Ecológica. E algumas coisas que estão sendo discutidas em relação as RDSs que estão propostas compromete essa visão estratégica. eu acho que atrapalha. Devia ser Reserva Ecológica Cultural. Na verdade. Era essa a grande preocupação. O nome também atrapalha. mas cria também uma serão de dificuldades e induz a idéia de que RDS é Uso Sustentável e Uso Sustentável é a Floresta Nacional. abstraindo essa discussão de Proteção Integral ou Uso Sustentável. eu acho que a RDS está mais próxima de Proteção Integral do que de uma Floresta Nacional ou de uma Reserva Extrativista. o que está sendo levado em consideração? Se é o conceito original de RDS. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . talvez. Eu acho que por isso que nós estamos com essa sintonia aqui. no entanto. esse corte na verdade é arbitrário. RENATO SALES – Deixa só eu responder uma questão só que é quando você fala assim. mas tem que correr atrás do prejudico também. me parece. Se a gente pegar as UCs de Proteção Integral a gente tem lá Parque. pra mim. a gente pensava muito na Mata Atlântica e no Cerrado. eu acho que a gente devia pensar a RDS sim. Quando a gente prepara esse material a gente está levando em conta as duas coisas. mas que estava presente quando a gente escreveu a Reserva Ecológica e Cultural. LUCILA PINSARD VIANNA (Consultora) – Eu só queria falar uma coisa sobre o conceito original. Afinal. eu senti falta 160 . me ajuda a organizar o pensamento. E aí depois a gente pula para RDS que na verdade. Podemos ter atividade econômica intensa naquela área e tal. O SR. que não foi colocado aqui. não ajuda. Uso Sustentável de outro lado.para nós depois porque Reserva de Desenvolvimento Sustentável. enfim. Porque você sabe que hoje existe uma série de RDSs Estaduais com grandes latifúndios dentro e é uma realidade. mas tinha uma preocupação maior de conservação e. quer dizer. o nome sinaliza numa direção que é a direção. não ajuda e eu acho que nós temos que pensar também a questão do que nós estamos discutindo? Nós estamos discutindo o modelo e eu acho que para mim a palavra chave é aquela que o Ronaldo usou.SDS/AM) – Acho que as discussões para a gente trabalhar sobre esses pontos polêmicos que levantaram aí nesses estudos. está no outro grupo e está no outro grupo por quê? Por que esse corte é um corte é arbitrário e tem razões práticas para gente fazer esse corte na Lei. A Srª. ela era voltada para populações não extrativistas. a situação atual? Porque houve é claro um certo desvirtuamento dos objetivos e etc. não nos ajuda. Então a Reserva Ecológica Cultural como originalmente foi pensada era muito parecida com a RESEX. E é claro que bom manter viva a idéia original. do que foi desvirtuado. resgatar o conceito original. A idéia era poder abarcar populações que não são extrativistas. Proteção Integral em geral. Eu acho que é outro problema que complica a gente pensar a RDS. são populações que não se encaixavam na RESEX. que esteja sendo explorada e adotada nessas experiências práticas.

Reserva Extrativista é uma questão de muito estudo. Então eu acho que nessa questão eu queria que a gente fizesse uma discussão mais ampliada nessa questão de geração de renda. eu diria assim. no Estado é uma questão de curto prazo. às vezes. Fala-se em Mamirauá. Aí eu fico meio em dúvida. A outra coisa que eu acho que ficou no item oito da sua fala aí da implementação é a questão da fiscalização. A questão de não está numa Reserva Extrativista é por uma questão muito simples. possa considerar o processo histórico dessa categoria. muito debate e isso acaba deixando a comunidade. mas só fala a palavra Mamirauá. o que eu quero falar? Como as populações locais. disso e não sei se vocês conseguiram levantar isso. cerca de nove a doze milhões de hectares e estão preservadas nessas categorias.de alguns elementos que. O SR. Ronaldo.. Eu acho que a Unidade de Conservação na categoria RDS. tem que saber de quem é o papel da fiscalização da Unidade. Então ela parte do princípio de quê? A primeira coisa que se tem é a solicitação. Então ali me parece que já mostra um sinal de organização. Eu acho que falta um pouco. no caso. a questão de adotar a geração de renda como pecuária dentro do seu âmbito da reserva. eu acho que isso cria um problema muito grande e cria por quê? Por que as populações locais não têm financeiramente condições de ter. talvez. Eu acho que a geração de renda também nas Unidades de Conservação de Desenvolvimento Sustentável. Quando nós estamos falando de uma organização. A minha avaliação é que as Unidades de Conservação categoria RDS tem que estar mais próximas da Reserva Extrativista do que do Parque. eles vão ficar responsáveis pela fiscalização? Ou não? É o papel do Gestor da Unidade. Essa seria a minha fala. pelo menos. É dos moradores e do co-gestor ou do gestor? Porque no caso da RDS a gente adota essa questão da co-gestão: PH Sul. estou falando parecido. Pelo menos. precisa um pouco trabalhar isso. Eu acho que isso facilita a vida dos moradores lá dentro. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Estão inscrito agora Cláudio. meio desprotegida das suas atividades e dos seus direitos. eles são co-gestores da RDS lá. MARETTI (WWF-Brasil ) – Eu não tenho questões não. Eu acho que aí é que eu vou trabalhar no meu conceito de que as populações para eles é uma Reserva Extrativista com a diferença de que tal coisas possam ser resolvidas. Nesse aspecto eu acho que a questão. muito demorada. eu discordo nessa questão da pecuária. eu senti falta. faz uma Assembléia e ela mesma já manda pedir ao Governo do Estado. chama-se o Estado em si ter dinheiro para indenizar os títulos. colocam ali uma RDS. Eu me aproximo da RESEX. Então eles optam pela questão da RDS porque é uma coisa.. ao Governo Federal para que se crie uma Unidade de Conservação e normalmente eles. deverá ser muito parecida com as das Reservas Extrativistas. por exemplo. você está falando de co-gestão ou falando do gestor? Porque se eu digo assim: Mamirauá.. O processo de produção eu acho que discordo. as propriedades particulares lá dentro.. Um ou dois lá dentro que vai ter e quem é esse um ou dois? É o “cara” que tem o terreno lá dentro e eles vão começar a induzir a população a começar a usar a Reserva para fazer pecuária. para o Estado do Amazonas em particular. Henyo e Isabel.. há uma manifestação das comunidades locais para que seja criado isso. RDS. não estou dizendo que é igual. Na verdade. eu senti falta disso. Para mim não está muito claro. talvez. a compreensão dos moradores. eu estou dizendo que a comunidade em si já começa a se organizar porque ela já faz um abaixo-assinado. Mamirauá e aí nesse caso.. eu não sei. é pena que o André não esteja 161 . eu tenho concordância e discordâncias. mas para as populações eles consideram viver como Unidade de Conservação da categoria de reserva Extrativista. O SR. eu queria registrar. Hoje o Estado do Amazonas tem na gestão do Estado doze a treze RDSs.CLÁUDIO C. Eu não sei. mas tem que falar as origens dessa categoria. no nosso caso do Estado tenho visto isso. Renato. Não quero dizer que a pesca e essas coisas entram também. Então. no caso. é uma coisa que acontece dentro de um prazo menor se levar em consideração as RESEX.

.claro que normalmente elas são pequenas . essas dimensões. Ele fala que pode estabelecer o limite. mas na propriedade privada ou geridas por comunidades. etc. por objetivos confusos. Eu acho que “a propriedade” que eu estou entendendo. quando eu vi a primeira vez uma RDS. e acho que como eles definiram está bastante adequado. Uma outra dimensão é a dimensão é dimensão da gestão. para mim esse é o meu raciocínio de apenar. Ou seja. ilhadas no meio da RDS é confundir tudo. eu acho que o meu problema maior é que o modelo brasileiro do SNUC é baseado em múltiplas questões. Estou baseado na discussão de UCN que tem décadas. não cabe trazer e modificar o SNUC. de estudo e de ciência. Eu queria defender essa visão como comunidades locais. Eu acho que o estudo do Renato e Lucila dão uma luz boa nisso aí e eu passo a aceitar a lógica de que é possível ter. complicada na questão do subsolo. É claro que tem de alguma forma implícita. Agora. ela pode ser muitas vezes uma zona intangível gerida por comunidade. eu acho que ele fez uma interpretação limitada. mas mesmo assim é um pouco mais claro. o modelo que eu via era a antiga reserva de uso múltiplo. porque não fica na questão de se é dez ou quinze anos. quarto sistema de classificação que não é para ser implantado nos países. então dá a abertura para o limite ser mínimo. chegando à idéia do modelo. porque pela classificação internacional parque pode ter gente. no meu entender. que está associado à gestão. coisas que se equivalem a reservas biológicas. que é parecido com o que vocês falam. o que não for de comunidade local não deve caber dento de uma RDS. O subsolo é parte da Unidade. E a discussão que se faz hoje é se mantém as categorias em seis. Afinal o que é tradicional? É do ponto de vista preconceituoso. para mim isso foi uma solução. isso mais ainda porque em vez de misturar tudo.aqui. às vezes. gestão sub-nacional. mas a Lei fala que o subsolo e o espaço aéreo integram. é possível ter propriedade privada. O terceiro é a questão da titularidade. Então. E isso para mim confunde. E aí você abre a possibilidade. etc. o que não tiver. na verdade. a parques. o Decreto. a discussão do Congresso Mundial de Parques separa a lógica de que gestão de comunidade é sempre uso sustentável e gestão do Governo Nacional é sempre proteção integral. pensando até na diretriz estratégica do que a gente quer.. o que é histórico. e aí gestão compartilhada. O que é afinal uma área . no meu entendimento. ou desapropria ou faz outro desenho. Por isso que eu acho que. nós temos que pensar em algumas dimensões diferentes. aquilo que só se repete? Do ponto de vista legal todos temos a nossa tradição? Então. do modelo de gestão e de quem faz a gestão. inclusive para coisas que. Também acho que essa história que não é dele. é só para nós pensarmos que no SNUC. é um processo complicado. O objetivo de um parque é ter turismo e é proteger e é ser local de pesquisa. múltiplos critérios. Em 2006. gestão comunitária. dessa forma. não é ou tradicional. que é confuso. o modelo. o entendimento técnico. não é isso. mas é um mecanismo de conversa internacional. UCN tem um compromisso perante a CBB de fazer uma discussão sobre o Sistema de Classificação Internacional. nós termos dez anos de trabalho para chegarmos à conclusão que tinha que se restringir aos objetivos.) melhorou. mas que ele traduziu aqui de que pode ter áreas privadas. quem tem o direito à gestão da área. desde que dos locais. para mim. e tal. ou seja.. etc. A lógica é você ter. uma geração já é histórica. E aí o fato é que a discussão de (. Então. em vez de melhorar piorou. justamente fugindo da polêmica. A questão é do objetivo com a área de proteção. e o André falou nisso e muita gente que pronunciou. Eu acho que isso resolve em parte a questão. quem tem o direito do acesso aos recursos nem sempre é uma coisa clara.. Aqui é o vício de obrigação. o que normalmente ocorre. no último congresso de impactos. dede que para os locais.de interesse místico. Eu acho que isso. depois de décadas se reformulou terceiro. por exemplo. mas nem o nível de restrição está explícito.. o Paulo e etc.. e aí não é legal não. deixou separado com dimensões diferentes. só que não é parque com gente.. Nem o nível de restrição está explícito na classificação internacional da UCN. Agora. só vai atrapalhar. como é que se repassa e tal. não é 162 . Eu tinha como um dos conflitos principais a questão da propriedade privada ou não. gestão do Estado. parque com gente. quer dizer. desde que tenham vínculo ecológico. É essa separação. Então.

como você mencionou. Por isso eu acho muito importante que RDS não seja definida como uma RESEX. reservas biológicas 163 . O SR. porque era um monstro aquilo. relacionando com as comunidades locais. E essas RDSs que deveriam ser RESEX também sejam definidas como RESEX a partir de agora. se nós definirmos essa categoria como parque com gente dentro.. porque tinha áreas de pesca. (ARPA/SBF/MMA) – Obrigado. Eu acho que está mal escrita. o Henyo. Eu concordo plenamente. Então.. nós não fizemos isso no prazo dado pelo SNUC.. Por que eu acho que isso é estratégico? Porque existe uma infinidade de parques no Brasil com gente dentro que precisam ter a sua situação resolvida. desapropria quando é necessário. mas que ela seja definida de uma forma mais restritiva do que uma RESEX. oficialmente eu diria. Então. da classificação internacional. que eu até fui contra o uso desse termo.se tem gente ou não.ela foi considerada legalmente. para terminar.. e depois à lei e a lei diz: “Zona de proteção integral”. Agora.. E para mim. nós vamos poder realmente tirar essas populações de dentro. Eu acho que a separação em dois grupos de uso sustentável e proteção integral só atrapalha.. para que ter reserva de uso múltiplo? Inclusive tem um caso mais importante internacionalmente. a questão principal para mim é da propriedade privada e eu acho que aqui tem uma luz de como resolver isso. (ARPA/SBF/MMA) – Eu acho que – já adiantei algumas coisas antes .a questão para mim é realmente estratégica nós trabalharmos com modelo de parque com gente dentro. e quando há necessidade por algum motivo se associar essa lógica de uma área de preservação ou de proteção integral. Porque várias unidades que sugiram como um propósito passaram a ser muito mais restringidas. eu acho.. De certa forma. aquela Unidade de Conservação para classificar em. e depois nós passamos a palavra para a consideração final do Renato e paramos para o almoço. Estão inscritos agora o Ronaldo. nós temos que trabalhar com o escrito. e a RESEX seja. que ela foi definida . E. se nós trazemos de volta a lógica de reserva de uso múltiplo de novo nós associamos com mosaico. além dessa questão da propriedade privada para a população local a situação de não predominantemente extrativista ou que permite isso.. fica como critérios principais. quer dizer. as RDSs trazem essa idéia de novo. Isso foi um debate que levou dez anos e aí o governo da Austrália resolveu redividir. se aproxima desse modelo que vocês falam. que equivale a reserva extrativista. Agora. é uma unidade que é um mosaico.. e eu não sei como é que isso vai ser resolvido. do ponto de vista internacional. Porque eu acho que a lei está mal escrita. na verdade. Então. Eu acho que existe um certo estelionato conservacionista nesse processo de várias unidades. RONALDO WEIGAND JR.. para mim é uma contradição na redação. Então. a exemplo de estações ecológicas. mas a questão é séria. eu acho que para mim à luz. E eu não acredito que considerando que as garantias que as populações tradicionais têm diante da Constituição. O SR. Se aceitar propriedade. que é a barreira de recifes de corais da Austrália. De qualquer forma. confunde. mas seria muito mais honesto.não sei nem o nome. algo desse tipo. reserva de uso múltiplo se confunde hoje com o que nós chamamos de mosaico. E nem sei se é desejável que elas saiam de dentro. Então. a Isabel. RONALDO WEIGAND JR.. mas quando houver necessidade dessa coisa múltipla entre a proteção e uso sustentável. a evolução está mostrando que tem outras coisas muito diferentes que é interessante atentar. a florestas nacionais e a RDS. Tudo isso é muito complicado de se fazer. o problema é esse. mas. mas de qualquer forma tinha antigamente essa lógica que era reserva de uso múltiplo. para fins de relacionamento internacional como Categoria 6. O SNUC fala em reavaliar as categorias das Unidades de Conservação criadas anteriormente. a forma de resolver para mim isso é reclassificando boa parte desses parques como RDS. Eu sempre pensei que uma RDS deveria ser uma RESEX mais um REBIO ou uma estação ecológica. acho que é parque . Obrigado. Essa história de que é de domínio público. Então. Na verdade. na verdade.. Continua mantendo uma unidade única. não é isso que define. Pinagé.

desejável ter organização crescente. nem todo abrigo é residência.. Volto a ressalta a questão da organização mínima. que um modelo em evolução de gestão comunitária. RESEX surgiu dentro de uma luta pela posse da terra. porque sempre tem que comparar uma com a outra. Colocação são os roçados. e aí pode ser RESEX. à proposta dos consultores. Em RDS.. seringueiro. basicamente porque o modelo de assentamento do INCRA não é era apropriado para modelo extrativista.. Então. que não permitiam habitação durante o ano todo. as seringueiras. que eu acho que não era para ser restrito do jeito que hoje a legislação coloca. que são alagadas durante uma época do ano. como castanhais. Outra questão é que o SNUC prevê desapropriação e indenização para populações tradicionais residentes nas áreas. em que casos que eu posso citar como estratégico para nós não colocarmos o requerimento de residência: a questão dos fundos de pasto. principalmente a Estação Ecológica. onde sim eu entendo que a comunidade tem que ter a responsabilidade de gerir os recursos e ser cobrada por isso e tudo mais. Como o Henyo falou aqui do meu lado. Então. os castanhais abrangidos. Mas voltando aqui para o caso de RDS. questões de seringais de várzea. Então. ela estar mais relacionada. Eu acho que é importante. vários desses casos que podem ser do nosso interesse em ter um controle mais estrito com parque com gente dentro ou com RESEX. E ela foi proposta como esse modelo. no caso mais liberal ou no caso mais restritivo. que é o problema de posse da terra. nós resgatemos de alguma forma um plano de utilização e um plano de desenvolvimento. primeiro que nós passamos a falar 164 . do cara que não reside. Colocação não é a área. Anavilhanas. Então. nós deveríamos criar categorias. ou seja. Só mais uma. Eu acho que aí é a minha discordância em relação ao modelo proposto. Eu acho que a solução do Cláudio é uma solução inteligente. um caça no castanhal do outro. onde a posse dos recursos naturais não é baseada na terra. E isso não é possível. ele não tem direito a indenização. toda residência é um abrigo.que foram criadas. que permitam que populações não residentes na área. A estrada seringa de um passa dentro da estrada seringa do outro. E se nós não fizermos o dever de casa. eu acho que seria mais ou menos essas as colocações que eu tinha para fazer. questão de comunidades pesqueiras. eu acho que é um caso desses. onde as comunidades residem em pequenas cidades. mas eu acho que até um certo limite. mas ela tem que ser trabalhada. As regras que afetam a comunidade têm que ser trabalhadas de forma simples e entendíveis para a comunidade.. é baseada nos próprios recursos. mas não necessariamente em RDS. Por isso que eu acho que é importante que em RESEX. Quando o pessoal fala colocação é a área composta por seringais. o plano pode ser mais complexo. um plano simples de responsabilidade da comunidade. nós tínhamos recortado e dado lotes individuais para esse povo. questão de locais de caça ou mesmo de coleta sazonal. Então. está errado. ele está perdendo sem receber nenhuma indenização para a perda dele. é que residentes não é a mesma coisa que se abrigar. que é sobre a questão da propriedade dentro da RDS. que também não são do interesse das populações tradicionais ficarem lá o ano inteiro. e ter ata oportunidade de fazer alguns erros de sustentabilidades para ser cobrada depois. Se você vai lá e cria uma RDS ou vai criar uma Unidade de Conservação que exclui o uso do cara numa determinada área. onde as pessoas residem em propriedades demarcadas.. já que o Estado pode ser mais um supervisor mais próximo nesse caso do que na RESEX. não dermos um jeito nessa situação. eu acho que é importante também nós consideramos um pouco o objetivo de RESEX.. se o cara não reside. O problema é que não é possível. roçados e tal. RDS. algumas formas de regulamentação de terra estão tentando resolver esse problema. mais uma vez: se ele tem direito de alguma forma àquele uso tradicional. Então. seria importante abrir a possibilidade das populações não terem que necessariamente estar dentro dessa área. Se fosse possível abranger uma área.. Não é a área abrangida por isso. nós vamos ficar provocando danos ao longo de muitas décadas nessas regiões que têm essas Unidades de Conservação . Se for um parque com gente dentro.. Então. mas eu acho para que o caso de RESEX não deveria ser um requerimento. eu acho que é isso é importante nós termos em mente quando nós começamos a definir RDS parecida com RESEX e assim por diante.

etc. Segundo: o que torna um grande fazendeiro que mora no local não local. Mas o que aconteceu? Nós tivemos uma clara situação em que você tem – a Débora diz isso muito claramente . por que ele não tem o direito de desapropriação? Então. o termo Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Então. a legislação foi formulada para se adequar a uma realidade social inovadora. Enviei um e-mail para a Débora perguntando se ela tinha sido convidada porque eu acho que tem dimensões do processo histórico que levaram a conversão de Mamirauá de uma estação ecológica estadual para uma RDS que precisam ser ressaltadas. enorme..uma solução legal pós-fato para legitimar uma determinada situação. nós temos que ter cautela. ligando Mamirauá a Jaú. não porque Mamirauá. nós estamos tentando fazer com que a legislação diga o que deve ser com riscos tremendos para limitação do espaço de experimentação social na gestão dos recursos naturais em várias dessas áreas. expressarmos as nossas opiniões. ou seja. Fala que faz uso dos recursos naturais.. HENYO BARRETO (IEB-Brasília) – Eu fiz uma série de anotações. quando nós falamos no modelo Mamirauá. em minha cabeça funcione como um modelo. Agora. e dando crédito. portanto. o André disse que ia fazer uma apresentação técnica. cabe a nós agora interpretarmos algumas coisas. Então. a paternidade dele é do finado professor de Direito. paradoxal. Roberto dos Santos Vieira. tradicional. Isso já vai fazer dez anos. Mas de todo modo.. olhando para o que aconteceu em Mamirauá a partir inclusive de alguns dados que a Débora me mandou por e-mail. E no caso do cara mesmo pequeno que tem título de propriedade dentro de uma reserva. o conceito. define bem claramente o que população é essa. no Hotel Tropical. Ela é muito específica para dizermos que ela é um modelo. eu imediatamente perguntei. foi uma canetada do Amazonino e de repente tinha aquele abacaxi para administrar. um ano depois se criava a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Anamã durante uma plenária final da reunião dos doadores do PPG7. a interpretação do André realmente nos coloca com um problemão com relação ao ARPa. deveria poder fazer a opção. com todas as contradições e complexidades. O SNUC fala claramente tradicional e define inclusive nesse artigo o que é tradicional nesse caso da RDS. por que nós podemos ir lá e limitar o direito de utilização dele. desenvolvimento dele sem dar nenhuma compensação como limitaria um grande proprietário. salvo melhor juízo. usando a Débora de novo: a legislação tentou legitimar o que estava se propondo do ponto de vista de gestão e de manejo e do ponto de vista de processo de mobilização social numa circunstância com a característica muito singular. Outro termo dela: a legislação tentou dizer o que estava sendo feito na prática. onde você já tinha o GPD. O SR.. Ou ainda. legal. mas que Mamirauá é uma situação singular. não é porque ele é pequeno ou local. pelo Amazonino. onde você tinha uma presença histórica da Igreja no processo de organização de base daquilo. se ele tiver título. eu até uma pequena com a Débora com relação a isso. na minha interpretação. Mamirauá é uma situação singular. que nós estamos tentando regulamentar. ele pode querer ser desapropriado pelo menos. nós estamos numa situação oposta. a nossa meta de uso sustentável cai para caramba as nossas realizações com a ajuda do Estado do Amazonas. Quando o Fernando me enviou o convite. Se nós excluirmos da área das RDSs do Amazonas todas as propriedades privadas que estão lá dentro. do ponto de vista sociológico. Então. Então. e não modelo. ele tem direito de desapropriação ou exclusão da sua área de dentro da área da RDS. ou seja. Mamirauá não é um modelo. Então.em local em vez de tradicional. o que isso realmente diferencia dizer local ou não local. mas o que eu queria dizer era uma coisa bem geral e ao mesmo tempo bem precisa. que depois foi assinado. quer dizer. é tradicional. Agora. E uma das coisas que me toca muito é nessa situação pela qual nós estamos caminhando e que nós estamos pensando como o decreto que regulamenta a lei vai determinar o que deve ser feito.. que ele ia dá uma interpretação. no processo de discussão e articulação política de bastidor que levou à elaboração do Projeto de Lei. dando crédito inclusive do nome. a disciplinar processos sociais extremamente 165 . nós estamos nos propondo.

tradições. onde você tem lá as prioridades de conservação da biodiversidade. que é uma dimensão disso. você agora transforma isso num instrumento de controle social? A rigor é isso.. novas categorias. 1) para conservar a biodiversidade em cito. Eu fico me perguntando se hoje nós não estamos querendo construir as muralhas da biodiversidade. E mais ainda. já há vários estudos para Cerrado. Houve um tempo em que se pensava nos povos indígenas como muralhas do sertão. mas o que o SNUC não deixou aberto para nós foi a possibilidade de experimentação social. Então. como é que de uma solução histórica contingente num contexto determinado. Aliás. sobre a definição dos objetivos da RESEX diz o seguinte. mas daqui para frente vai ter baixo impacto. Então. por força da nossa tradição cartorial. porque é isto que interessa do ponto de vista da conservação da biodiversidade: é manter uma distribuição desigual no acesso aos recursos”. você tem o risco de desconstituir a autoridade dos conhecimentos locais.. tem acesso ao seu recurso natural. não falta documentos para orientar e dizer: “Olha. gente de diferentes extratos. Então. então corro o risco de tirar isso do contexto: “O manejo conservacionista e uso dos recursos naturais devem estar fundamentados em pesquisa científica”. para Mata Atlântica. embora ele seja uma pessoa que ocupa uma determinada área e alguma solução vai ter que ser gerada. você fica aí. mas nós temos que discutir também quais são os princípios que estão nos norteando quando nós olhamos para uma área e dizemos: “Essa área é interessante do ponto de vista de prioridade para a conservação”. além de cercear as possibilidades de experimentação social. que é o seguinte. que era o contexto de abertura. que inclusive foram recentemente rediscutidas. nem um grande exercício de regulamentação produziu efetivamente os efeitos que se queria. uma primeira conclusão que se tira do que eu estou dizendo é que fico muito desconfortável na discussão sobre regulamentação no sentido estrito como nós entendemos. Então. se estamos discutindo um modelo estratégico.. qual é o modelo estratégico interessante. e o Maurício entenda isso não como uma crítica. novos termos que conseguissem dar conta de situações locais que são sempre muito específicas e muito contingentes. etc. será que as estratégias de controle social são as mais interessantes. 5º. eu li muito (. a segurança alimentar. Quer dizer. Pensava-se em integrar alguns povos indígenas com funções precípuas de ocupação de espaço. quais são os princípios que nos devem guiar mais do que qual é o conjunto de normas e critérios aos quais nós devemos obedecer? Então. para usar a sua expressão. Então. Esse foi um termo utilizado. ou seja. Os conhecimentos e locais tradicionais vão para o saco numa situação dessas. Então. botar a discussão da norma logicamente à frente da discussão sobre princípios. perfis. 2) para assegurar a justiça social. o exercício de esclarecer aquilo que a lei não esclarece ou aquilo que está contraditório ou aquilo que está em dúvida. eu gosto muito deste cruz maltino aqui. eu recebi agora. o que nós temos que olhar é como é que se adequa. a minha preocupação é com o tipo de enquadramento que nós vamos dar aos grupos sociais locais sim independente deles serem ou não “modernos” ou tradicionais. Disso tudo. em que ele e a doutora Sônia trabalharam. na minuta do Projeto de Lei para regulamentação das RDSs do Estado do Amazonas.. E via de regra ali tem gente. essa é uma preocupação. essa é uma questão que me preocupa.. ou seja. que forma de definição de titularidade de acesso a recursos naturais que nós podemos 166 . por exemplo: na proposta do Projeto de Lei. de democratização. A rigor. no baixo estado nutricional. de papel e função geopolítica. dizer: “Tudo bem. Aquela situação se adequa a qual categoria e não que modelo de gestão. status nutricional adequado para algumas dessas populações? Porque certamente o fazendeiro grande não sofre esse risco. a possibilidade de nós criarmos novos conceitos. vai continuar vivendo na insegurança alimentar.dinâmicos. o § único do art. a conclusão é a seguinte: nós temos. E aí eu vou citar um dispositivo. etc.). Por isso que eu achei esse levantamento da discussão sobre o que é estratégico. qual é a categoria que. para Amazônia. Olhem para o regulamento dos parques nacionais de 79 ou olhem mais atrás ou um pouco mais adiante para os distintos decretos que regulamentaram as categorias jurídicas antes da consolidação propiciada pelo SNUC.. ali é uma área importante para a conservação da biodiversidade”.

se é uma área que tem fazendeiros. de uma região do Médio Solimões e leva e joga bem aqui. submeter. onde você tem os interesses do desmatamento representados. eventualmente brecar a possibilidade de avanços sociais. Então. E eu gostaria também de enfatizar uma coisa: nós trabalhamos com três elementos na RDS Mamirauá: conservação da biodiversidade. onde originalmente a associação comunitária lá que tinha o contrato de concessão de uso com o Governo. ao contrário dos Henyo. Uma diferença muito clara do que é uma RESEX. ver o que pode ser feito ali: é uma RDS. Então. que é para mim uma coisa complicada. não do modelo como uma coisa que é acabada. Quais são as condições que estão lá estabelecidas? Então. quando nós falamos de propriedades dentro. Você tem que partir dali do contexto da área. que eu acho que são objetivos que caminham para par e passo. que são da conservação da biodiversidade e da promoção da justiça social. A SRª. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá) – Eu também queria reforçar um pouco a questão do contexto. melhoria da qualidade de vida da população e pesquisa para embasar todo esse processo e garantir um manejo dos recursos naturais de forma sustentável. Você bota um representante do setor madeireiro. era um pouco isso para tentar levantar essas questões. Salvo melhor juízo. e quanto você pode tirar de castanha? Não está definido. que você pega daqui. Ademar. Eu poderia dar um último exemplo só de como essas coisas no processo de formalização. eu. portanto. que é uma coisa que há muito. você precisa analisar o contexto. que é mais fácil. não sei o quê. é mais rápido do que uma RESEX. que é a elaboração de um dispositivo legal produz. que foi a história dos tais Conselhos Gestores Deliberativos. é um parque? Não dá para pegar lá de cima e jogar o modelo na área. você nunca vai pensar numa RDS 167 . e o Maretti e o Mercadante e todas as pessoas que estiveram envolvidas tanto no debate do SNUC quanto na regulamentação podem recuperar isso. em que contexto foi construído.. agora vai ter que discutir a aprovação dele num Conselho Deliberativo. porque o contexto em que a RDS Mamirauá foi criada e daí a elaboração de uma legislação para explicar. de autodeterminação dos grupos sociais locais. esse instrumento é transferido. por exemplo. para tentar conceituar o que era uma RDS. um dos objetivos centrais. um representante do agropecuário. hoje esse mente de RDSs que o Governo está criando e achando que é a melhor solução. Se tirar tudo. Assusta-me muito. E a associação que originalmente era a quem cabia elaborar o plano de gestão. só que não tem a pesquisa e nem o monitoramento. replicar modelo é mais complicado. fazendas. um dos princípios da discussão do Conselho Gestor Deliberativo era porque havia um passivo autoritário enorme na implementação das UCs de proteção integral e queria se assegurar aos grupos sociais afetados pela sua criação espaços para dizer coisas na gestão dessa áreas. mas reaplicar a metodologia.. Então. a ela se bastava. Nós temos lá um trabalho com manejo de Pirarucu que é interessante: você tem a pesquisa e tem o monitoramento depois para saber se essa população está se reproduzindo de forma que não vá prejudicar a reprodução dessa espécie. não só sobre modelo e estratégia. pactuar e gerir a área. ou seja. o que vai acontecer no futuro? Enquanto que numa RDS.construir para assegurar esses dois objetivos não necessariamente excludentes. por exemplo. quais os atores sociais que foram envolvidos nesse processo. que foge um pouco do controle das pessoas individualmente envolvidas. E aí já tem outros casos que estão fazendo também manejo de Pirarucu. mas sobre princípios também. é complicado. negociar com o IBAMA. e ainda dizendo que está reaplicando o modelo de Mamirauá. mineração. como isso foi construído. Então. Você faz extrativismo. a pesquisa para embasar o manejo sustentável tem que ser fundamental. Beleza! Aí o que pega? No processo de discussão. Agora. para a RESEX. é uma reserva extrativista. E você hoje dá uma brecha complicada para a representação dos demais interesses e setores regionais de se ter assento no Conselho Deliberativo e aprovar plano de gestão da RESEX e. Não dá para você fazer extração ou pesca se você não tiver um plano de manejo específico para isso. Eu acho que cada situação você tem que analisar e você pode reaplicar a metodologia. acredito na reaplicação.

se juntaram e pronto! Pronto. É injusto falar que essas populações não têm organização. por que é preservação? Se nós consideramos que numa RDS tem que ter uma zona de preservação. Se elas não tivessem. A comunidade precisa estar engajada também com esse compromisso. então a RDS é conservação também da biodiversidade.... Nós precisamos reconhecer o nível que elas têm.para aquela área. Eu não sei se eu estou sendo muito pessimista.. a melhoria da qualidade de vida da população. com a conservação. estava naquela situação. da extração ilegal de madeira. Então. Aí você está indo contra a reprodução dos valores culturais. Outra coisa: a história da organização comunitária. fazendo as suas pesquisas e foi teve esta interface: um grupo de pesquisadores ambientalistas junto com a população que estava querendo também e passando por todos esses problemas. E o compromisso também é muito importante. E aí é claro que a legislação não consegue dar conta da realidade. e aí você vai estar criando reserva por criar. Qual era o contexto daquela época? As populações já estavam com o movimento de preservação de lagos apoiado pela igreja católica. O sentido do “abriga” é que nessa área essas populações já existiam. que é essa promoção da igualdade social. eu acho que era isso. ou que nós nos inserimos lá com uma outra visão. mas eu acho que é por isso que nós estamos aqui hoje. não é pensar que você vai trazer alguém de algum lugar para cá que você está promovendo reprodução sócio-cultural dessa população. por que o que vai adiantar criar uma reserva onde a comunidade com a fazer a conservação porque o que vai adiantar criar uma reserva onde a comunidade não quer isso. mas como o SNUC diz que abriga. você vai pensar que aquela área pode ser uma Unidade de Conservação? Eu acho que não tem condições. não é porque “não tem. não tinham sobrevivido até hoje. Alguém falava assim: “Tem que ter compromisso com a conservação?” Se não tiver isso não vai adiantar criar uma RDS se a população não tiver também esse compromisso e não tiver essa vontade de fazer a conservação. da melhoria da qualidade de vida das populações. não é trazer de outro canto. A população tem que estar lá. Então. E nesse momento também o Márcio Aires estava por lá. precisa sim ter um certo nível de organização. E um dos objetivos mais importantes que eu acredito. o “abriga”. que tem uma área de uso. onde se criaram. tem atividade de mineração.. umas coisas assim. e a partir do momento em que elas são inseridas num processo de uma outra sociedade. que dá para ser melhorada e explicar o que é uma RDS. não! Não foi tão simples. do compromisso das comunidades. E aí eu volto lá para o que o Henyo estava falando do histórico da RDS Mamirauá. se tem uma área de uso sustentável. a Débora Lima. já tinha que estar lá. Não é isso. Então. mas existem níveis de organização. essa demanda de organização cresce. e ela estava sentindo na pele essas dificuldades. em outro momento fala que é conservação da biodiversidade com a melhoria de qualidade de vida da população local.. onde estão se reproduzindo. E aí tentar fazer isso de uma forma mais próxima da realidade possível. Então. porque essas populações têm toda uma relação com o ambiente onde nasceram. não é pensar numa área onde não tem população: “Ah. Então. E aí tiveram essa idéia de como fazer. Nós temos muito assim: lá no SNUC está: uma RDS é para preservação. que eu acredito que. Ainda bem que nós podemos mudar essa redação. eu vou criar uma RDS aqui e vou trazer gente não sei de onde porque o SNUC diz que abriga população”. então a RDS é preservação. enfim. É garantir mesmo uma conservação. E com relação aos conceitos. E por que isso surgiu? Porque ela já estava sentindo os efeitos da pesca predatória. Aí eu acredito que existe uma confusão na redação. mas tem fazendeiro. precisa ter. aliar uma conservação da biodiversidade. com inclusão social. também tem que ter. eu vou trazer não sei quem não se de onde para cá”. os recursos ficando escassos e muitas pessoas de fora na sua área. E essa população principalmente participando de todos os 168 . foi criado justamente para preservar a reprodução sócio-cultural dessas populações. Eu acredito que não é esse o objetivo das reservas. Eu acho que não dá nem para pensar naquela área como uma Unidade de Conservação. que elas começam a participar de um outro processo diferente do que elas estão acostumadas. Então. em que nível elas devem chegar para atender os objetivos da lei. Então.

gente. Não precisamos deixar para o final esse modelo. Então. Então eu acho que a gente devia discutir os princípios. quer dizer. Eu vou dar só dois pontos. elaborar plano de manejo. já começa essa conclusão. Não é o caso da 169 . Então sobre o Anteprojeto que nós apresentamos. Agora. o próprio ARPA. que eu acho que não adianta criar um parque ou uma RDS em áreas de fazendeiros. você tem RESEX sem chefe.processos de tomadas de decisão. Então. não vamos confundir Unidade de Conservação Públicas com Unidades de Conservação de Domínio Público. a população gera renda”. E as populações estão com esse encargo do órgão gestor. são duas coisas diferentes. vou repetir isso. eu quero que ele seja olhado com uma certa condescendência porque ele foi disponibilizado para contribuir e não para criar mais polêmica e criar problemas para o grupo. porque senão os Estado vai se eximindo e programas. você não tem equipamento. que é uma coisa que eu trabalho há 30 anos nisso. enfim. APA com restrição. Então. O SR. eu só gostaria de chamar atenção para isso.. o problema fundiário. Então. quando nós sabemos que as atividades extrativistas estão completamente inviável: “Mas a unidade gera renda. para nós não enfatizarmos e não reforçarmos muito isso. Então. Pontos mais gerais eu deixo para discussão. Depois que nós fizemos esse Anteprojeto veio a Lei do Recurso do Patrimônio Genético. que elas geram renda. Ou seja. com relação às Unidades de Conservação . as unidade de uso sustentável são como segunda categoria porque se pressupõe que as populações estão lá dentro. tendo em vista essa realidade que nós vemos em campo. mas hoje se nós formos falar que a proposta é parque com gente. sem dúvida nenhuma. fazer com que a unidade cumpra os seus objetivos. dentro da dinâmica de legislação ambiental que nós temos hoje em dia. esgotar os seus prós e seus contras. dentro do parco orçamento público para as Unidades de Conservação . elas são Unidades de Conservação geridas pelo Poder Público. Quando tem se falado na questão da solicitação do engajamento das populações na criação e na gestão. como foi colocado. E outra coisa. o contexto é fundamental para você definir qual é a categoria que vai se enquadrar lá. que essa minuta que nós disponibilizamos para vocês do Anteprojeto de Lei para o Estado da Amazonas não pretendeu ser. mas eu acho que colocar agora a gente já afunila e já orienta demais a discussão. eu gostaria de chamar atenção para isso para nós não enfatizar demais essa questão. como é o caso da APA. As Unidades de Conservação Pública elas admitem. eu acho que o SNUC e nós também perigosamente estamos dando muita ênfase porque quando você vê na prática hoje as RESEX e RDSs. A Srª. não tem nada. eu posso lançar aqui mesmo que eu acho que não é. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Primeiro eu só queria esclarecer. não tem plano de manejo. o modelo típico. porque não exime o órgão gestor de proteger. então. ele está. tendo em vista a realidade que hoje você vê em campo. do acesso ao conhecimento tradicional. eu acho isso muito prejudicial para as populações. você tem ela criada no papel. Eu acho que essa discussão ainda é um pouquinho prematura agora. se for assim eu coloco outra. elas são as que menos recebem ainda. ele já está defasado. que é uma APA com sérias restrições. Isso foi um Projeto de Lei de criação de RDS que tentou ser auto-regulável. já fazendo uma conclusão de sustentabilidade da população e da UC. eu vou deixar os pontos gerais para depois dos Grupos de Trabalho. tudo isso foram legislações posteriores que realmente vão ter agora uma grande influência em qualquer projeto que a gente vai propor de regulamentação. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – Como me deixaram na ingrata situação de o último a falar. você tem RESEX sem nenhuma estrutura de fiscalização. E mais recentemente o projeto das concessões florestais que também vai interferir de alguma forma nessas regulamentações que nós vamos propor. E outro ponto geral é em relação aos modelos: eu acordo que em algum momento nós temos que chegar a um modelo. Se a gente tiver agora como modelo Parque com gente. mas que podem ter propriedades privadas no seu interior. da repartição desses benefícios. Obrigada. uma regulamentação de RDS..

A posse. Então. Então. isso pode interferir na mudança de comportamento das populações em relação àquela espécie para benefício das populações. São totalmente diferentes na minha cabeça. ele não vai ser desapropriado. inúmeras conversas que eu tive com a pessoa que escreveu esse artigo aqui que foi o Márcio Aires. mas ele não tem o domínio. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Esse é o problema fundiário de todas as Unidades de Conservação . Quer dizer. O SR. mas a origem é essa e o que está na Lei é essa origem dessa e nós não podemos fugir dessa fonte do Direito. Aí sim. estou repetindo para vocês conversas.. mas a diferença da Reserva Extrativistas para Reserva de desenvolvimento na minha cabeça é tão clara como a diferença da Reserva Biológica para APA. a gente precisa resolver esse impasse agora na regulamentação. é realmente a mola mestra a era isso e eu estou dizendo aqui. inclusive. quando necessária à desapropriação presume-se que foi uma análise do título de domínio e que a pessoa é realmente proprietária e aí sim cabe o Instituto da desapropriação por utilidade pública ou por interesse social e aqui vai uma outra grande discussão. no caso das Reservas Extrativistas. Quer dizer. por exemplo.RPPN. A história de Reserva Extrativista é o PAE – Projeto de Assentamento Extrativista do INCRA. gente. Então a pesquisa cientifica para mim. O Parque Nacional da Serra da Canastra agora é o modelo típico do problema fundiário que permanece durante décadas. A Srª. mas basicamente na pesquisa que muda. a RDS é de domínio público. ele vai. isso desde 1990. Lembrar sempre que o Projeto de Assentamento 170 . da população extrativista. se desenvolveram Cidades. a premissa básica. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . mas não é bem por aí. o Governo não desapropriou e as propriedades continuam lá. “quando necessária à desapropriação”. Já aquelas que são de domínio público.. muitas vezes o comportamento tradicional. continuam sendo. a partir do momento que se conhece cientificamente uma espécie e todo o seu desenvolvimento. Agora que ela é de domínio público isso está escrito na Lei e nós não podemos fugir disso. É evidente que os contornos hoje podem ser outros. ou seja. é uma área onde as populações tradicionais é o ponto focal da Unidade de Conservação. por exemplo. por exemplo. da Reserva Extrativista é o modelo mais adequado para atender todos os anseios da população tradicional. é porque muitas vezes uma área está com particulares. como foi o caso típico do manejo do Pirarucu. os projetos de assentamentos extrativistas que estavam sob o INCRA foram realmente transferidos para o IBAMA na forma de Reserva Extrativista e depois passaram a integrar o SNUC. elas têm que estar no domínio público e aí se incluiu a RDS está claríssimo no artigo que ela é uma Unidade de Conservação de domínio público. E esse problema que todo mundo está achando que é problemático dizer ali no artigo 24. que ela não é uma Unidade de Conservação Pública. ele vai ser indenizado. o patrimônio histórico tombou patrimônio lá dentro que é incompatível com Proteção Integral e. no entanto. são duas categorias de Unidade de Conservação que são bem diferentes e os contornos são bem precisos e eu queria deixar isso bem claro. Então eu acho que no caso. você só vai indenizar as benfeitorias. no caso da Reserva de Desenvolvimento sustentável. foi um Decreto de 1990 que criou as primeiras Reservas Extrativistas. a premissa básica é essa. é a mola mestra. É a sustentabilidade baseada na pesquisa e de repente no conhecimento tradicional também. É fundamental que isso seja resolvido nesse momento da regulamentação da categoria. ela é uma Unidade de Conservação do SNUC.SDS/AM) – Tem uma propriedade e um “cara” lá dentro e ele diz: eu não quero que ninguém ponha castanha aqui. mas privada. tem várias formas apossamentos de terras particulares que não implicam em desapropriação. A não ser que a gente mude a Lei. Mas é de domínio. enfim. Outro detalhe que eu queria comentar com vocês ainda. mas o modelo eu entendo ser totalmente diferenciado e eu concordo plenamente com ela porque no caso da Reserva de Desenvolvimento Sustentável o grande enfoque é realmente isso.

Como é domínio publico? A Srª. sempre ganhei. Agora nós estamos com problema lá no (?) em que uma pessoa lá que se diz dona das terras está lá perturbando. aonde a preservação. mas é só um segundo. A mesma coisa no Amazonas e aí por todos os Estados. Com pesquisa em arquivo. por exemplo. mas às 7h eu fiz uma massagem linfática a aí na hora que se inscreveram eu tive que irão banheiro porque eu estava inchada e tive que fazer. A Senhora está falando de domínio público. O Governo do Pará sabe exatamente que os títulos. estudos aprofundados. Então isso é que falta. como é que eu dei ganho de causa? Com muita pesquisa. Quer dizer. Não adianta ficar falando que tem problema fundiário. não está tomando essa posição. seja título de domínio. felizmente. dei ganho de causa.SDS/AM) – Eu estou com dificuldade para compreender o raciocínio dela e eu queria que ela me ajudasse. E tem mais. Há pouco tempo eu estive com uma das Advogadas que mais conhece o INTERPA lá no Pará e ela me confirmou isso. ou quando for o caso desapropriado e a desapropriação é um instituto que é específico para tem título. Eu tenho experiência disso porque já dei vários laudos jurídicos para Juízes federais e. seja arrendamento. Eu queria só voltar essa questão fundiária porque ela está aparecendo aqui sempre e o que nós temos que ter clareza é que na Amazônia a maioria dos títulos é complicada. Então se ele tem lá uma área incompatível com os objetivos de manejo da Unidade de Conservação. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . nem sempre extrativistas. eu não vou tomar o tempo de vocês. Eu acho isso é fundamental para entender o modelo. retirando a possibilidade de utilização. O SR. não foi o mesmo caso da Reserva de Desenvolvimento Sustentável aonde a pesquisa científica. no caso Amazônico um título comprovado de domínio porque lá os títulos não são válidos. O Governo. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . infelizmente. mas o “cara” tem o título de alguma terra que está lá dentro e ele não permite que o Governo legisle sobre aquela área. a (?) também e não foi feita uma auditoria para saber disso. O necessário aí é porque ele não é posseiro. gente. o 171 . não são válidos. seja posse. No caso da Jarí que tem esse problema com a RDS Iratapuru. ele vai ter que ser ou indenizado. Título legal. a maioria. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Foi o que eu tentei explicar. aonde os espaços onde se procurou criar essa Unidade de Conservação são espaços que realmente têm populações tradicionais. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Ele tem que ser desapropriado. É um problema grave. Agora. se ele fosse posseira ele teria que sair também porque ele não é da população extrativista ou tradicional. nem os Estaduais e nem o Federal. infelizmente. tradicionais vivendo dentro desse modelo e que realmente podem ter as suas atividades alteradas em função de resultados científicos que são benéficos para elas. eu já comuniquei isso para o IBAMA lá em Manaus. não só indo no local ouvir as pessoas. A Srª. A Srª. a CPI aqui não tomou um posicionamento que deveria ter tomado. O SR. quer dizer. agredindo a população. Sem título de propriedade dele. E coloquei na cadeia um fazendeiro com um laudo que eu fiz lá para Unidade de Marabá porque provei que ele mentiu em juízo.SDS/AM) – Caso seja necessário. mas por um problema de que o Município de Almeirim depende daquela renda ele não quer mexer na questão dos títulos e.Extrativista é que deu origem a Reserva Extrativista e esse modelo deve ser perpetuado. LIGIA SIMONIAN (UFPA) – Desculpe. Agora.

engessar. Lucila. só que não enfrenta a questão porque se enfrentar Almeirim acaba. Eu estou favorável com a 172 . Pinagé está inscrito. Mas também o material vai ficar impresso para consulta de vocês e aí a gente vai trabalhar com os dois aspectos para cada condicionantes. já com um novo número de participantes. Esses aqui foram pensados por grupos.Governo sabe exatamente quais os títulos que são válidos e quais os que não são. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . Pontos favoráveis. numa situação específica. chegou nada. agora à tarde é um pouco menor. Vamos lá. diminuir as possibilidades para uma criação. Se vocês se sentirem prejudicados pela coluna. Vamos retomando nossos lugares para a gente poder dar início aí ao trabalho da tarde. Está aberto o tema. A SRª. residentes na área alvo”. porque aí vai depender da interpretação. Já venceu a Plenária Geral. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – Você acha que não tem que ser residente? O SR. por favor. em homenagem à Rita que chegou do Amazonas. (Intervalo para o almoço) O SR. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – Eu acho que restringe as possibilidades de uma solução via RDS. Está eleito. Os de acordo. os pontos favoráveis e os pontos desfavoráveis. que estará aqui no flip chart anotando. Eu tenho também um material impresso que pode ajudá-los. O SR. O que vocês acham? Divide por dois grupos. em determinadas situações. essa interpretação de abrigar que vocês traduziram por ser residente. O SR. sendo que isso pode. Temos a nossa sub-sub-relatora. como melhor tratar isso. A idéia que a gente está colocando é a que gente pudesse trabalhar tanto para cada tema que foi colocado. por unanimidade e aclamação. Tínhamos então uma idéia inicial que a gente pode colocar em discussão. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – A minha dúvida é quanto a essa interpretação de abrigar populações. Vamos para a Plenária Geral. o grupo. os condicionantes de discussão. de acordo com a afinidade. a gente raptou ela desde a semana passada. até porque eu gosto como está porque você consegue amarrar as coisas. as referências. de uma população que poderia ser a mais recomendável a criação de uma RDS. um para tratar de condicionantes para criação e o outro para diretriz para implantação e gestão. Como metodologia de trabalho para esse pós-almoço. o primeiro condicionante está aqui para a nossa avaliação. enfim. A gente pode trabalhar isso por grupos ou na Plenária Geral para cada subtema. Eu tenho muito medo quando se deixa as coisas muito incerta. Então. permaneçam como estão. Então. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF Brasil) – Obrigado. Abrigar é mais amplo. nós temos então a proposta de discussão em dois grupos. “Ocorrência de populações locais. temos 17 condicionantes e a gente pode ir um por um no grupo geral. eu vou anotar as inscrições e vou precisar de um sub-relator e. a gente vai nomear o Marcelo Creão como relator. talvez eu pudesse distribuir por mesas. O SR. para a gente trabalhar com os temas de condicionantes ou diretrizes para implantação e gestão ou Plenária Geral? Quem vota na Plenária Geral. tem lugares aqui. vamos retomando nossos trabalhos da tarde. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Bom. Convido vocês agora para o almoço que vai ser servido no térreo ao lado da recepção e a gente volta em 30 minutos. No total vão dar uns 17 condicionantes. principalmente desse lado.SDS/AM)) – Eu gosto da redação como está. que aqui nós estamos tratando como residentes.

O SR. naquele ambiente. como que a gente vai definir o que é uma forma pouco impactante? Qual é o parâmetro para dizer que aquela forma é pouco impactante ou muito impactante? Porque às vezes uma ação isolada pode ser pouco impactante. ela sairia com essa rede ação. fosse eu o ditador máximo que legislasse. aí pode “e” aí fica definido. com o desafio dela de comentar o “relativamente” proposto pelo Henyo. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . O SR. Então. E. “na zona de amortecimento”. como uma pessoa que cuida de regulamentação de lei. Então. onde tem “formas pouco impactantes”. lá do Paraná. Então. mas “ou”. que a gente tire o “prático”. Você pode imaginar situações onde as pessoas desejem estabelecer uma RDS. digamos assim. expressões simbólicas a respeito do que esses recursos são. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Próxima inscrita é a Sônia. É a proposta que eu tenho. O que é o “significativo impacto ambiental”? É a mesma coisa que forma o pouco impactante. e depois entra de bonzinho e depois começa a fazer problema lá dentro. para a gente seguir bem a linguagem. “que detenha conhecimento sobre as características dos ecossistemas”.SDS/AM)) – Eu acho que é de atividade regional. como predicado do conhecimento dessas populações porque essas populações também têm conhecidos teóricos sobre os recursos.Brasília) – Eu diria não só residentes. Bom. em relação você ter comunidades dentro e fora do torno. Eu acho que nós não deveríamos nos preocupar em relação à redação mais adequada. depois o Cláudio. dentro do caráter subjetivo que isso pode dar. Que reside no local. “formas pouco impactantes de utilização ou exploração desses recursos”. é que “abrigar” é 173 . nós estamos pensando. vamos usar a mesma terminologia da lei que fala em “populações tradicionais”. eu acho que é possível dar uma flexibilizada naquela linha de “residente ou que utilizem em modo permanente ou sazonal recursos da área foco de proteção”. ao invés de “populações locais”. A SRª. “residentes na área alvo de proteção e na zona de amortecimento”. mas não vamos ficar discutindo se é A ou B porque senão nós vamos parar aí e não vamos andar adelante. eu acho difícil esse “pouco impactante”. Então. aqui estou falando como advogada mesmo. ou. Já passo a palavra para a Sônia. E a minha opinião. onde do entorno utilizam. “residentes na área alvo de proteção e na zona de amortecimento”. O SR. Eu diria. não faço disso um cavalo de batalha. já entrando no mérito. ele tem que residir no local. Segunda. agora. uma alternativa. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Primeiro. Eu acho muito pouco. Estivesse eu numa posição de poder. ou “e/ou que utilizem os recursos naturais da área” porque tem essa situação do Iratapuru. HENYO BARRETO (IEB . Então. com vínculos sociais de diferentes ordens. mas são os três comentários que eu tenho a esse condicionante que eu acho importante. reside ali. o editor das Medidas Provisórias.redação como está aí. eu proponho um advérbio aí “relativamente pouco impactantes”. Eu acho que fica o registro da preocupação. para dar um limite porque senão vai vir alguém. Eu acho que é trabalhar nisso. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – O Cláudio até chegou a falar isso antes de começar essa sessão que tinha um certo receio que a gente entrasse numa coisa de redação. eu acho complicado. porque não só um fazendeiro que vem lá do Paraná para entrando na reserva. e aí eu concordo que a eliminação do termo “prático”. mas a ação de uma comunidade inteira já pode ser bastante impactante. “Residente”. Se você disser que tem que ser residente. a terceira sugestão concreta é. para a gente trabalhar com isso como você vai definir o que é pouco ou muito impactante? O SR. como ele disse. pouco impactante sempre é em relação a alguma coisa que é muito impactante. Me lembra lá a legislação de Licenciamento Ambiental que fala “significativo impacto ambiental”.

Aí tem que ver a questão da legislação se pensa ficar mais próximo do que já existe no corpus legislativo ou se se distancia e questiona. já algo mais de estaticidade. são modalidades porque a utilização é um processo. é bem mais amplo. enfatizar a questão de uso e aí tem um problema que é semântico. mas ele não tem compromisso nenhum. mas que eu acho que é importante. Então.. E aqui fala em “baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais”. Eu acho que essa redação é muito boa se deixasse assim porque você tem que entender que muitas vezes o usuário é relativo.. 174 . Obrigado. Então. A questão do tradicional. porque uma coisa é um cara que mora em Tefé e usa os lagos do Mamiraua para pescar. a forma sempre dá um indicativo de uma estaticidade. a experiência de várias Unidades de Conservação. depois. e você pode abrigar uma população em uma determinada reserva quando lhe convém por “N” fatores. uma série de condicionantes. Na verdade não são formas de utilização. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . Você pode ter um abrigo contra fogo que só usa quando pega fogo. não está definido. realmente é um problema conceitual dentro das ciências sociais e já se fala. mas são contraditórios. quem trata bem e quem trata mal. conhecimento. Eu acho que é importante uma forma de procurar explicitar melhor o que está definido no caput desse artigo da lei.SDS/AM)) – Eu só queria colocar uma coisa assim. Se a gente der 10 minutos para cada. O SR. científicos de ciências humanas que definem isso. agora aí tem que se pensar se realmente vai se minimamente aproximar da legislação ou não. Eu acho que é uma modalidade de utilização. Populações locais também é utilizado. a lógica de que abrigar pode ser residente ou que usa a área e acho que embora esteja aqui usado o termo “população tradicional”. Então. Então. são 170 minutos. o Gertz utiliza muito essa expressão. “Comunidade” dá um sentido de ter um mínimo de consistência de relações sociais. não pela redação. na medida do possível. Eu defenderia o termo. tendo em vista os impactos rápidos e abrangentes que estão sendo produzidos pela globalização e a questão do acesso a aviões. eu vou propor para vocês a gente tentar ser bem objetivos. eu acho que caberia a gente pensar em expressar isso.uma coisa mais abrangente mesmo. A SRª. É uma decisão que tem que ser tomada. e tirar o “prático” talvez. porque forma. já foi mencionado aqui anteriormente. O SR.. nesse sentido eu acho que eu defendo também. Então. eu acho que se a gente entender que essa redação é justa para quem mora no lugar. porque ele não quer que deixe acabar o recurso. mas pelo conceito de “comunidade local”. não vou ficar repetindo. ele não tem compromisso com a reserva. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Antes do Ademar. CLÁUDIO C. tem vários documentos técnicos. Quem tem trazido os maiores problemas para dentro da reserva são quem só faz usar. eu acho que essa história de ter um conhecimento sobre o ecossistema e o uso. inclusive hoje já tem uma tendência que está discutindo a questão da destradicionalização. que está vindo à tona em vários momentos. ele não quer que alguém vá lá fazer o estrago do recurso. Então. para cada fim você pode usar um ou usar outro. mas é um ponto nevrálgico dentro das próprias ciências sociais. Quem mora lá se compromete. eu acho que é o conhecimento sobre os ecossistemas e sobre o uso dos ecossistemas. O SR. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – A questão justamente era essa última que o CLÁUDIO colocou. MARETTI (WWF-Brasil) – Na verdade. A gente tem 17 condicionantes. sem entrar no detalhe do conceito. for elaborar essa regulamentação. eu tenho uma consideração aqui que o André me lembrou bem. evitar polêmica e seis minutos para cada um. só lembrar que o resultado desse evento não pretende definir o texto da regulamentação e sim os pontos conceituais que vão ser oferecidos para quem. ele não tem aquele compromisso com quem mora lá. “abrigar” não é um conceito permanente e onipotente ou onipresente. o transporte hoje está muito mais rápido e etc.

mas para ter essa categoria. Iratapuru. SALES – Tudo bem. para os órgãos de Governo é muito mais fácil controlar. A SRª. Mercadante colocou isso também. Se você deixa essa questão do usuário. eu acho que não cabe. sobre o que as pessoas consideram que seria RDS. não estou falando da história. deixa. Essa é uma condição. O que está falando assim é que é uma condicionante para criar uma reserva que tenha gente morando dentro. enfim. por exemplo. isso é uma outra coisa a ser vista no Plano de Manejo. por exemplo.Se você deixar a redação em aberto. tanto trabalhando só com o que foi disposto no SNUC. que detenha conhecimento sobre as características dos ecossistemas e que utilizem modos pouco impactantes de utilização e exploração dos recursos naturais. você ter uma Unidade de Conservação para abrigar pessoas que seja. Se veio gente depois. falava de áreas que devem contemplar populações residentes e que merecem essas áreas ou a proteção. Eu acho que se você deixa esse compromisso. Essa é a minha recomendação na questão de mudar essa primeira parte da redação. “Mas está dizendo que eu posso fazer parte também”. mora lá em Tefé. ou só com a realidade atual. gente que resida. isso significa que as populações já estão incluídas dentro desse limite. Em todas aquelas situações que a gente até conversou hoje pela manhã sobre o que é RDS. é uma questão de moradores dentro da área. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Vai punir agora a população por um erro histórico de um Governo que não teve. RDS. você consegue. Eu acho que Iratapuru escapa um pouco. de estar cuidando. RDS. nisso eu concordo com o Paulo Oliveira. foram as políticas públicas que tiraram eles de lá. Se você está definido por um limite. do jeito que está hoje. ele vai lá e pega.. O SR. me parece que abre uma abrangência e isso acaba comprometendo os recursos que estão ali dentro e os conflitos com as populações que estão lá. A SRª. 175 . mora lá em Santarém. de estar olhando a reserva. Se deixa assim. é complicado porque quem são os usuários? Mora em Manaus. de estar de estar trabalhando as questões políticas. quem sofre as conseqüências que está lá. Nesse caso também não está sendo tratado a questão das pessoas da zona de amortecimento. tudo bem. SALES – Só para dizer que concordo com o Ademar. RENATO R. porque existem acordos locais que garantem que os usuários precisam tirar.. mora em Tabatinga. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Mas eles eram residentes. tem que ter gente morando dentro. ela já tem uma territorialidade definida. que dependa da exploração dos espaços e recursos naturais. se você pegar aquela conceituação de “parque com gente” que o Ronaldo Mercadante estava usando hoje. muito mais fácil estar dialogando. No que a gente vai se basear? Vai se basear só no que foi estipulado pelo SNUC e na interpretação do SNUC ou a gente vai também trabalhar com a realidade que existe hoje? Mas eu acho que em qualquer caso. eu acho que não deveria ser encaixado como RDS. O SR. que também foi um dos grandes inspiradores do que consta. da zona de entorno que podem trabalhar dentro ou ser beneficiárias de alguma forma. Por isso que eu acho que como nós estamos definindo uma área. Nós temos alguns princípios que nortearam a elaboração da lei e temos hoje uma série de realidades que caracterizam o que são as RDSs hoje. mas são populações residentes. se você pegar a concepção encaminhada pela Universidade de São Paulo quando estava sendo discutido o SNUC. que não se encaixe nesse conceito de RDS. RENATO R. do que está disposto hoje no SNUC. “usuário”. para mim. Eu concordo que tem que ser só residente mesmo. de estar trabalhando dentro dela. é ter gente morando. é complicado. Se você pegar o caso de Mamiraua. até porque o próprio Conselho Deliberativo. uma das condições básicas.

No caso da sugestão que eu fiz. mas não residam permanentemente nela sejam eventualmente beneficiados. Então. eu acho que a professora Ligia. mas. acho que é importante preservar. a possibilidade de que grupos que ocupem produtivamente a área. A SRª. você até iniciar um processo para trazer essas pessoas para dentro outra vez. por exemplo.O SR. HENYO BARRETO (IEB . mas é possível imaginar essas situações. Então. pode ser até um ponto a favor dessas comunidades. é para justificar apenas as sugestões que eu tinha feito naquela hora. Se vai um pouquinho mais para oeste de Altamira. você imagina uma fronteira florestada de 100 mil hectares ao norte da Altamira. Ao sul de Caxiuanã. de fato existe e se estabelece ali uma forma de relação com esses grupos quando da implementação de áreas protegidas. porque como acho que o André salientou. então. A gente imagina sempre o campesinato como vinculado a uma área rural. ou vai se fazer. RENATO R. apenas para registro. historicamente. ainda que não esteja lá nos incisos das definições. não necessariamente essas pessoas residem permanentemente nas áreas que elas ocupam produtivamente. por exemplo. já começam a imaginar a possibilidade de transformar um projeto de licenciamento numa RDS. Então. Claro que Iratapuru. A gente foi lá ministrar um curso de manejo básico florestal comunitário. as madeireiras estão lá. mas você tem as articulações núcleo/urbano/sítio. Acho que essa é uma direção salutar. Só isso. você vê os pátios cheios quando você aterrisa. uma delas é que. alguns assentados da Reforma Agrária que ainda não foram listados como beneficiários em relação ao INCRA e satisfeitos com o atraso. assim como a biodiversidade in sito da área foco e era isso. outras coisas. insatisfeitos com a lerdeza do INCRA. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – Essa população que você está exemplificando agora é extrativista ou qual é o tipo de atividade dela? O SR. você consegue mapear.Brasília) – Obedecendo à sugestão do Maretti de discutir os conceitos e não a redação. eu caminho para uma outra opção. preservada dos madeireiros na forma de RDS e eles não residem permanentemente na RDS. 176 . eles começam a discutir. parágrafos que mencionam populações tradicionais. Isso é uma discussão clássica no campesinato. nós estamos falando do centro. SALES – Mas não se trata de punir essas comunidades. como diz o André. mas a gente pode interpretar. A hora que você fala que pode ter sim. Essa dinâmica de experimentação social que preserva cobertura florestal em áreas de fronteira e de pressão. através das suas associações. quer dizer. Só para justificar conceitualmente as sugestões que eu fiz aquela hora. uma opção pela manutenção da uniformidade conceitual e aí se trabalhar com a noção de populações tradicionais. Existem formas de articulação núcleo/urbano/sítio. discutir manejo de açaí. já embutido dentro dele você pode dizer que você tem o Estatuto das Sociedades ou das populações tradicionais. concordo com a direção que Lucila e que Renato deram de omitir a referência a população tradicionais. Eles querem manter os 80% dos lotes florestados. só para dar um exemplo concreto. não se encaixa. e aí a questão que eu botei. mas a discussão é de definição conceitual. do ponto de vista conceitual. O que. não foi isso que ele disse. HENYO BARRETO (IEB . de arco do desmatamento quase. fundado nas seguintes considerações. A grande maioria deles tem residência permanente na cidade de Altamira.Brasília) – Eles são agro a caminho de serem extrativistas. Se você pega todos os artigos. além de residentes. O SR. em algum momento nessa trajetória da regulamentação. para fazer inventário florestal. quer dizer. que tem que ter gente morando. dentro do SNUC. sejam elas de proteção integral ou de Unidades de Conservação. ao fazer um comentário sobre uma manifestação da Doutora Sônia. pelas razões que a professora Lígia salientou. contempla essas situações. já sinalizou uma coisa muito clara. a possibilidade de uma outra forma de regulamentação. Essa é uma opção. das quais elas se apropriam.

Por isso que eu acho que as Unidade de Conservação. me desculpe eu insistir nisso. o que considera nas florestas das áreas rurais? Pecuária cabe dentro de uma Unidade de Conservação? Eu imagino que não. Eu tenho sugestões específicas sobre essas condicionantes. Na minha sugestão está embutida também uma preocupação entre uma coerência entre o condicionante um. como criação de grande porte. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – A gente pode passar para o dois. de agente ambiental comunitário que é exatamente para fortalecer eles com a RDS. eles falam de recursos naturais.SDS/AM)) – Só perguntar. entre as populações residentes na área alvo de proteção de atividades econômicas não predominantemente extrativistas de recursos naturais”. predominantemente não extrativistas e a questão da organização sócio-produtiva. SALES – É o seguinte. até se considere como produto extrativista. Com relação a esse condicionante. poderia ter no seu (. permitir atividade econômica como pecuária. ”Ocorrências. por exemplo. é bastante abrangente a conceituação de extrativismo. o sete e o nove vão falar sobre isso. Depois. digamos assim. ao fazer essa sugestão. como uma pesca também. RENATO R. pode seguir para a segunda para relacionar todas as inquietudes que a gente tem sobre o segundo condicionante. mas não quero me antecipar. uma pequena criação de peixes. ele fala que o maior problema hoje nas ResEx é a ocorrência de gado bovino. Então. o dois e o três. eu esqueci de dizer isso. uma coisa pequena. seria jogar um processo histórico todo.. O que para mim não está claro. Inclusive há uma associação que já está colocando os lotes deles lá. Eles estão tão próximos que nós estamos trabalhando em cima de capacitação deles. eu considero também extrativista. Várias dessas atividades realizadas pelos povos da floresta. Eu ainda considero. com a diferença que nós acabamos de ler de manhã essas diferenças. O CNPT está cada vez mais considerando a importância de você reforçar o conceito de ResEx e deixar a RDS para aqueles casos onde haja uma questão fundiária diferenciada. O SR. ou considerando pesca e madeira nessa questão de manejo comunitário como uma unidade extrativista. que seja uma pequena agricultura. mas a característica das populações residentes na área alvo. onde você não tenha o domínio público da área total e onde tenham atividades que sejam bastante diferentes mesmo de extrativismo. ele pensa até em alterar porque ele acha totalmente 177 . eu acho que a gente entende que o manejo comunitário madeireiro. Conversando com o Paulo Oliveira. da Mata Amazônica e tal são caracterizadas como extrativismo sim. desde que seja uma pesca manejada. na verdade isso também obedece uma orientação que o CNPT está procurando dar. mas como as três estão ligadas. no SNUC. Então.. essa categoria. Para ele. O SR.Brasília) – Só para complementar. formando seus lotes dentro da RDS. a caracterização do tecido social.O SR.) geração de renda produção extrativista. como o professor disse. dentro da RDS. eu acho que desqualificar RDS nessa altura. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – E a tendência daquela comunidade do lado leste é habitar a RDS. é bastante amplo. e isso tem sido discutido muito com os técnicos e tal. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . não em larga escala. não importa se seja de fauna ou flora. da Mata Atlântica. mas acho que isso não caberia dentro dessa categoria. HENYO BARRETO (IEB . O SR. quando chegar no dois e três. acho que até discordo da primeira fala de manhã. se você for ver na conceituação de extrativismo. mas em escala familiar onde você tenha até pecuária. é essa questão. eu considero que a RDS é uma unidade muito aproximada da Reserva Extrativista. E a tendência é habitar. O SR. quer dizer. eu anotei aqui.

por exemplo. desde que ele não seja exclusivo. que não é extrativismo. Agora. como é que você vai. no caso da ResEx. a opção ser pela RDS. ele tem uma seleção de produtos e não é tão impactante. O SR. como é talvez na floresta. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – É a dificuldade em você determinar até o que é “predominantemente”. Queria só fazer um comentário em relação à história de não pensar só a Amazônia. a gente está pensando em geral. tem alguns casos no sul onde essa questão do gado não é tão assim complicada. desde que não seja talvez nem o principal. vai muito na linha do que o CLÁUDIO falou. A SRª. senão talvez você perde opções. Eu não acho que ele possa ser obrigatório. na Amazônia e fora dela. eu acho que depois de RDS nós temos que discutir ResEx mesmo porque gado e ResEx hoje é o problema. é uma coisa que a gente tem que ver depois. Uma sugestão. que só faz roça. que não é extrativismo. porque na verdade. para aquele exemplo que você colocou do cerrado. no nordeste. Então. o gado. mas uma coisa que tem que ser consensuada. que ele não assuma uma importância maior do que deve ter. discutida na região e ver. RITA – Tem uma série de coisas. logo depois de “ predominantemente extrativista e recursos naturais”. corta seringa em julho. na época da castanha. ainda assim. no jogo dos critérios ou das condicionantes. Então. CLÁUDIO C. “atividades de subsistência”.Brasil) – A minha sugestão. RITA – A minha única preocupação é qual vai ser a implicação desse condicionante no caso que você tenha populações. é meio irreal falar que pecuária não cabe dentro de uma Unidade de Uso Sustentável e você tem caso. Inaudível) A SRª. Ele é um dos critérios. de alguma forma. Mas não deixa brecha para uma coisa de atividade de grande escala. são simpáticas e apóiam a 178 . Nós temos que. O SR. me preocupou por ser uma condicionante. O SR.. isso é fundamental. onde elas entram no processo um pouco mais tarde. que coleta castanha. claro. Então. mas talvez. É uma pecuária extensiva que causa impacto? Claro. cria gado. (Intervenção fora do microfone. mas não é a solução. que tem uma pecuária de cabra. em locais onde há uma diversidade bastante grande de espécies vegetais que eles se alimentam. nessa perspectiva de estar pensando o Brasil todo. dentro da RDS estaria trabalhando com essa dimensão de atividade econômica. O que eu queria frisar é que eu concordo com esse condicionante. O que precisaria haver é um controle do número de cabeças por família. que somos um programa de trabalho com a Amazônia. coleta castanha em janeiro. incluímos uma zona costeira. Então. a demanda precisa partir das populações tradicionais. ele funciona quase como um extrativista animal. tem alguns casos na catinga. MARETTI (WWF-Brasil) – A bem do tempo não vou repetir o que eu defendo ou não defendo dos demais. por isso que nós. Comentar só a dificuldade em determinar o que é “predominantemente extrativista”. mas. Então. você não tem uma pessoa que só pesca. a gente não está pensando só em RDS na Amazônia.. você pode ter situações onde você tem as populações predominantemente extrativistas e. como está sendo chamado. que só tem três cabecinhas de gado. Ao longo do ano as populações fazem de roça. não estou discutindo o conceito de extrativismo não. Você pode ter casos que não partiu das populações tradicionais. aí você tem que parar de pensar só na Amazônia. de quatro patas. os impactos que isso poderia causar. mas tem casos no cerrado. exclusivo. Em primeiro lugar. desde que não seja o único. porque hoje você vê.impossível que essas populações vivam sem as cabeças de gado. pensando nessa escala do Brasil. MARCOS ROBERTO PINHEIRO (WWF . acrescentar. “as atividades de subsistência” porque aí caracteriza o esforço da atividade familiar e não em grandes escalas.

é predominantemente agrícola essa comunidade. Eu acho que a conjugação de todas elas que começa a direcionar para você criar uma RDS. essa é uma redação que eu fiz aqui agora pensando em como traduzir esse entendimento. o principal produto. do cipoal onde a gente está metido. um fraseamento a esse condicionante de forma negativa. para mim. Se tiver gente extrativista. Não enfatizar ou não superdimensionar o extrativismo. não se pode rotular antes. não existe esse perfil.criação. era o pescado. começou a trabalhar com búfalo e que quer continuar trabalhando com búfalo. uma agricultura que toma muito mais tempo e demanda muito mais esforço das famílias e é ela que gera os alimentos ou então a renda de forma primordial e faz algum extrativismo. na área alvo de proteção. como a gente está vendo. existe toda uma outra esfera de tomada de decisão. se a gente não poderia frasear. vamos dizer assim. estereotipado. ao invés de ser assim. mas não se inicia ali. não vamos promover a exclusão só porque hoje é uma atividade menos impactante ao meio ambiente. porque eu concordo plenamente com o Pinagé. A questão fundiária é um assunto concreto que tem sido discutido e de fato talvez a presença de comunidades com perfis um pouco distintos do extrativista. ao considerar o estabelecimento da UC. todas são extrativistas. quando existe. não enfatizar o extrativismo como sistema produtivo na área alvo de proteção. MARETTI (WWF-Brasil) – Eu só queria reforçar que eu também considero que subsistência não devia ser o critério. final do ano passado teve uma reunião em Porto de Mós com lideranças do movimento social organizado. historicamente. eu fico me perguntando se não seria interessante frasear esse condicionante de um modo negativo e fiz uma redação aqui que é absolutamente provisória. RENATO R. de forma conceitual. por exemplo. na verdade. então. é isso. O SR. onde.Brasília) – Partilhando dessa preocupação que o CLÁUDIO expressou e dependendo de como se define esse condicionante. é predominantemente extrativista sim. pequena escala e familiar sejam descartados. Eu acho que talvez a lógica lá da muralha. você fecha opções. Então. E é claro que caso a caso que tem que ser visto. as populações estão usando ciclos produtivos que vão mudando ao longo do ano. necessariamente. Não se pode pensar nelas de forma isolada. para manter opções abertas. ou como sistema produtivo ou como característica definidora das atividades econômicas. o tradicional. O SR. essa é uma atividade socialmente invisível? Acho difícil. numa época do ano são todos pescadores. a definição negativa não impede que se crie a RDS. é a conjugação da maior parte delas que leva à possibilidade de se criar uma RDS. não existe. em momento nenhum eu acho que existe o extrativista exclusivo. mas hoje é uma reivindicação e certamente é uma reivindicação de outros grupos sociais que se vêm enquadrados dentro de certas categorias. Nessa perspectiva eu daria. “ocorrência de atividades não predominantemente extrativistas”. não ter o extrativismo como ênfase. Naquela conferência lá de Manaus. como o CLÁUDIO falou. noutra época são garimpeiros. E aí queria voltar o tema.. depende da questão conceitual. é uma reivindicação do movimento social local. outra coisa. seguindo a dinâmica do lugar aonde estão. O que eles queriam dizer com isso? Que havia um grupo lá dentro que. ao considerar a criação do estabelecimento da Unidade de Conservação. The Grass Roads Organization do Porto de Mós e uma das reivindicações que eles colocaram para o Conselho de Desenvolvimento Sustentável e CNPT é o seguinte: “Respeito à diversidade sociocultural dentro da ResEx”. E aí sugiro que subsistência. O SR. Eu pergunto onde estavam os auditores e as formas de oitiva na criação da ResEx ao ter simplesmente. A gente tem alguns casos assim. CLÁUDIO C. embora tivesse extrativistas e etc. digo. de novo. E. mas todas essas atividades lá discutidas. essas condicionante não foram pensadas como absolutas. produtivo das populações dos grupos sociais. 179 . ecologicamente certamente ela não é. o peixe. SALES – Só um esclarecimento. HENYO BARRETO (IEB . Agora. só para dar um exemplo. Quer dizer.

O cara bota um roçado para mandioca hoje. Volto a dizer. depois abre outra clareira. mas se criar Unidade de Conservação atrapalha a vida dele. Por isso é que eu acho que a gente tem que considerar. A SRª. Eu acho que a gente tem que pensar nisso porque senão você acaba fugindo do princípio que é a Unidade de Conservação porque se você deixar esse negócio aberto. sul do Amazonas como Mato Grosso. alguma coisa assim. na questão da seringa. isso acaba trazendo preocupação para aquilo que a gente chama que é princípio. mas se deixar a gente deixar aberto como está. Eu acho que é isso que nós temos que nos preocupar porque tem gente que cria búfalo. ou da população tradicional. mas criar uma RDS aqui e ele vai ficar dentro”. Não estou falando de todas as áreas do Brasil. também é fazendo com que essas populações que estão lá dentro se sintam agasalhadas. Mesmo falando do bioma Amazônia. “Ah. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) – Eu só queria fazer uma sugestão porque eu acho que a gente está falando de realidades bem diversas. não resolve tudo como o caso da ResEx Chico Mendes que está gerando impacto com a ampliação da pecuária pela comunidade local. “nego” vai botar roçado na Amazônia. que é o papel mais importante que nós estamos defendendo aqui. Nós estamos pensando no passo seguinte. eu sou contra essa questão de engessar a população para não sobreviver. a partir de usar os recursos que tem lá dentro. as novas reservas que vão ser criadas têm que preencher esses critérios que estão aí. Isso que você tem que ver porque senão você acaba pensando que tem muita gente que mora lá na região amazônica. na questão do manejo comunitário.SDS/AM)) – Nós estamos ainda falando do processo de criação. Eu queria que a gente separasse um pouco isso. ou seja. E aí eu acho que essa palavra “condicionante” torna a coisa muito estanque. tem que abrir outra clareira. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . particularmente. você vai ter que cada situação é bem particular. a minha preocupação está na região amazônica. desde que tenha pesquisa. foge do critério de Unidade de Conservação. eu não preciso estar lá dentro como colocaram ”predominantemente agricultura”. Nós vamos ter que tentar melhorar isso. Eu acho que isso. eu sei como é que funciona. que é a preservação da floresta. Você vai ter que atender todas essas condições para você poder criar a área? Será que é exatamente isso? Não sei. eu acho que nós estamos preocupados: “Ah. uma palavra bem caipira. já dá um monstro de desmatamento dentro da floresta. queria deixar a sugestão de talvez pensar em substituir essa palavra por “critérios” ou “características” que definem uma área potencial para criação de uma RDS. O SR. mas acho que esse tem que ser o foco e não mera subsistência.Então. como vier a ser definido. exclui essa família e bota lá dentro as pessoas que comungam com essas idéias. deixa ele fora e vai com outra população. exclui. na questão da castanha. “predominantemente a pecuária”. eu acho que já tem uma cesta de produtos que dá muito bem para as populações locais se desenvolverem. Então. está feito. na questão da pesca. Não estou querendo. tecnologia. tudo isso agregado. na questão do açaí. se você somar o quanto de hectares que ele derruba por ano. da biodiversidade. para mim. além de preservar o meio ambiente. mas eu acho que a questão de se nós olharmos a questão das Unidades de Conservação. Pará. porque tal situação”. a lógica do local volta a ser importante e acho que a essa condicionante de ser do interesse da comunidade local. Rondônia e Acre porque se a gente não entender que as Unidades de Conservação têm um papel fundamental de. não conheço outras regiões do Brasil. Se ver que a atividade que ele desenvolve é contrária aos princípios da RDS. depois abre outra clareira e aí quando você pensa que é uma agricultura familiar. eu acho que elimina ou retira o principal. porque se você for 180 . abrigadas e se sintam bem morando lá. nós estamos discutindo uma coisa que vai ser para toda a região. e aí a minha preocupação é. amanhã aquela terra não serve para nada. O que já está feito. A gente está muito apegado às que já foram criadas.

tentar abarcar todas essas realidades e aí o Renato falou, não tem as áreas costeiras, você vai realmente passar uma semana aqui e fica difícil você chegar num consenso porque é uma coisa bem diversificada. O SR. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu senti, posso estar equivocado, até porque a leitura minha foi rápida do texto todo, mas que essa condicionante ou referência que é a palavra que, eu acho, seria a mais adequada para evitar essa coisa estanque, ela está muito presa a uma necessidade que todos nós temos de fazer a separação clara da RDS com a ResEx. E eu acho que a separação clara entre RDS e ResEx não é, necessariamente, pela prática, pela atividade que a população residente faz. Eu vejo que tem uma questão que está muito clara que é a questão fundiária que vai bater, lá na frente, na oportunidade de criação da reserva, é uma delas, mas tem uma outra que é interessante que vocês colocam no texto que é a seguinte, a RDS tem um componente de preservação na natureza que é ao mesmo tempo, mas não é no mesmo lugar onde a população ocupa. Então, você, necessariamente, terá que ter zonas de proteção integral. E numa outra região, desde que os impactos sejam aceitáveis e tal, você pode ter populações com determinadas atividades predominantemente extrativistas. A diferença está em que esta Unidade de Conservação, em alguns casos, não vai ser necessária a desapropriação, em outros você vai ter a história da zona de proteção integral, quer dizer, você tem uma distinção em relação à ResEx que não é, necessariamente, em função do sujeito nem de sua prática, mas questões objetivas. Então, eu acho, sinceramente, que isso é uma referência, mas não deve ser uma condicionante. O SR. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) - Vamos passar para o critério terceiro, referência. “Referências para criação. Grau mínimo de organização sócio-produtiva, mesmo que informal, das comunidades moradoras, o qual permita sua efetiva participação nas práticas de gestão desta categoria de gestão de Unidade de Conservação”. O SR. MARCOS ROBERTO PINHEIRO (WWF -BRASIL) – Olha, não sou sociólogo, mas pelo pouco que eu entendi na Amazônia, qualquer grupo tem um nível de organização, mesmo que informal, mesmo que não tenha um presidente. Eu a acho essa referência é meio chover no molhado. O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS/AM)) – Desculpa aqui a expressão grosseira, mas não fede nem cheira. Deixa isso aí como está, mas esse negócio não vai atrapalhar em nada porque quando o grupo se organiza para criar Unidade de Conservação, as comunidades, os caras não têm juridicamente um estatuto, uma coisa assim, mas se reúnem, defendem o interesse deles. Para mim isso não... O SR. RENATO R. SALES – Deixa eu tentar defender o indefensável. (Risos) Existe sim comunidades que moram em áreas que são definidas até por gestores ambientais, órgãos executores do SNUC para virar uma Unidade de Conservação e que realmente não têm nenhum tipo de organização. Existem conflitos seríssimos entre as famílias, não se consegue fazer nenhum trabalho coletivo. Existem algumas comunidades caiçaras dessa forma. Enfim, eu já participei de trabalhos de negociação com algumas comunidades, às vezes é um chefe de família que quer a Unidade de Conservação e fala em nome de toda a comunidade, quando você chega lá todo mundo está desunido, ninguém quer saber daquela história, existe uma vontade já bastante clara de grande parte das famílias de ir embora, de sair daquela região. Enfim, quer dizer, nesses casos, para mim, existe, claro, uma organização interna deles que permite até que eles briguem entre eles, mas, para mim, não é um grau de organização, mesmo que informal,

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que permita uma gestão das Unidades de Conservação. Às vezes é só porque ouviu falar que parece que é bom ter uma RDS, “vamos ver se dá certo”, mas as pessoas já estão desistindo da região. Não foi um ou dois casos, já vi vários casos assim. O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS/AM)) – Estava entendendo outra coisa, desculpa Renato, mas o que você falou agora, o que está escrito ali para criar teria que ter uma associação e não um consenso, não uma... O SR. RENATO R. SALES – Quando eu coloco “mesmo que informal”, não precisa ter uma associação... O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS/AM)) – Um é pescador, outro não é pescador, aí começa a ter essa briga. Eu sei que isso existe em qualquer reserva, você não tem 100% de acerto entre eles, toda reserva criada você tem 10 família, 15 que discordam e vão ficar discordando o resto da vida, se nós colocarmos essas condicionantes, não vamos criar Unidades de Conservação. Agora, acho que você pode até colocar como “maioria”, “organização que tenha controle da maioria. O SR. RENATO R. SALES – Só quero dizer que existem situações bastante críticas que levam a uma total situação de conflito. Quando eu falo organização é uma certa coesão interna que permita desenvolver trabalhos coletivos, que permita tomar decisões olhando na cara do outro. A SRª. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Só que isso muda, Renato. Você condicionar isso é que minha preocupação porque isso é um processo, tu pode mudar para melhor. Eu acredito, eu sou educadora, então eu acredito no potencial do ser humano, o grande problema é que não tem havido educação. A RDS foi criada por Iratapuru não tinha uma pessoa, realmente alfabetizada lá dentro, como é que tu discute sustentabilidade, políticas públicas, conservação da biodiversidade com uma pessoa que não sabe escrever o nome? Aí fica difícil. Isso eu me lembro que eu batia, até lá em Merlim num seminário com o Capi eu digo: “Enquanto não tiver educação lá não tem jeito”. Eu acredito no potencial. Então, eu não gostaria de obstar, a priori, mas tudo bem, é uma questão de entendimento. Eu gostaria de ter recebido esses documentos antes, até porque o Henyo ali “professora Lígia”, não precisa me chamar de professora. Eu estou aqui como uma colega, como uma companheira que está querendo ajudar dentro do possível. Eu, de fato, mencionei a questão do tradicional, eu disse: “Pode ficar, tem que fazer a opção”. Eu não disse que era para ser. A gente tem que ter o cuidado. Então, aqui é mais uma questão de um cuidado porque você não pode prever que vai ser sempre para o mal, pode ser para o bem, depende das condições que se oferecem. Agora, às vezes, concordo contigo, tem esses conflitos, mas mesmo esses conflitos não quer dizer que não possa fazer, até porque, lá na ResEx do Chapuri ficou claro, no início havia o acordo, havia o consenso e depois o que aconteceu lá? Eu tenho acompanhado bem o processo, é difícil. Então, antes havia e depois não houve, bom, e daí? Desmancha agora a ResEx ou tenta rediscutir a proposta e reencaminhar? É uma questão, não é uma solução. É só questionamento. O SR. CLÁUDIO C. MARETTI (WWF-Brasil) – Eu acho que exatamente esse espcao de trabalhar com uma comunidade que não está super-bem-organizada, mas que é importante fortalecer e cuja área é importante proteger do ponto de vista da natureza, é que eu acho que

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devia deixar como um aberto. Essa diferença de ResEx eu acho que devia manter nesse caso. Acho que é preciso organizar, mas não como pré-condição. A SRª. RITA – Eu só queria comentar que acho que no processo da criação esses conflitos onde parte das comunidades residentes estão favoráveis e contra, ficam evidentes nas consultas públicas. Então, eu acho que a consulta pública seria o local, o momento para estar identificando até que ponto esses conflitos podem inviabilizar a reserva. A gente tem alguns casos, eu sou uma otimista por natureza. Então, eu acho que as Unidades de Conservação podem ser um instrumento de fortalecimento dessas organizações. Nós temos tido alguns casos lá no Amazonas que não existe nenhum nível de organização, Ademar mesmo e Raquel estão trabalhando numa unidade que cada família morava a meio dia de viagem da próxima família. E, no entanto, no processo de implementação dessa reserva, eles estão encontrando os meios para discutir uma nova forma de organização. Se vai ser para o bem ou se vai ser para o mal, nós vamos ver para frente, mas a verdade é que no momento da criação essa organização não havia. E a outra coisa que eu acho importante, porque acho que toda essa discussão é construída em cima de conceitos que são conceitos complexos que muitas vezes as pessoas vão começar a entender os conceitos no processo da implementação. E aí eles podem estar mudando seus posicionamentos porque na hora acharam que ia ser uma coisa e depois descobre que é outra, que, na verdade, é a tragédia da nossa falha de conseguir passar esses conceitos para a sociedade e a gente, nem nós aqui a gente tem o mesmo conceito. Então, eu acho que nós temos que ter esse olhar de que são processos que estão sendo construídos e que eles têm que ser adaptativos às condições. Então, eu tenho um pouquinho de medo desse grau mínimo de organização sócio-produtiva porque acho que a unidade pode ser o elemento catalisador da existência dessa organização. O SR. HENYO BARRETO (IEB - Brasília) – Eu proponho, fraternalmente, viu Renato e Lucila, a exclusão dessa referência, é a proposição fraterna, amistosa. Porque o que a gente tem, muitas vezes, é essa projeção do modelo do associativismo para todas essas situações onde a gente gostaria de atuar, nessa área de proteção da natureza, mas teve uma coisa que o Renato falou que eu queria fazer referência a um debate relativamente contemporâneo, não é o meu caso, não sou estudioso disso, a literatura contemporânea que está discutindo o campesinato histórico amazônico, as chamadas sociedades caboclas, que tem chamado a atenção, o Renato falou em conflito entre famílias e alguns autores, e isso é desafiador do ponto de vista do planejamento para qualquer coisa, não é só para conservação não, têm chamado a atenção para o fato de que não necessariamente são as comunidades, tal como nós a concebemos de fora, mas as famílias, e aí família no sentido lato do termo, tanto do ponto de vista de memória genealógica como de extensão de laços os mais variados, que são as famílias que são as unidades não apenas de produção, mas de mobilização política e articulação. Então, é natural haver conflitos entre famílias, na medida em que elas projetam futuros e horizontes diferentes para si. Então, em virtude disso e considerando que, num certo sentido, esse condicionante pode ser interpretado, como interpretou o colega Ademar, como um truísmo, todo e qualquer grupo tem um nível básico e mínimo de organização sócio-produtiva, ainda que informal, é que eu gostaria que ficasse registrado apenas, não faço disso um cavalo de batalha, a sugestão da supressão da referência, fraternalmente. O SR. RENATO R. SALES – Uma das razões para a gente ter colocado esse critério, seja lá o que for, é o seguinte, alguns estados estão criando RDS ao invés de ResEx e a justificativa é essa: “Ah, são populações não organizadas, são populações que não têm um grau de organicidade para desenvolver as atividades, não tem um senso do coletivo”. Então, isso, na

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cabeça desses gestores, desses executores do SNUC, não caracterizaria uma ResEx. ResEx tem que ser uma coisa de populações organizadas, associações, cooperativas, etc. e tal. Então, se não cabe como ResEx, vamos criar uma RDS, achando que é mais fácil. E no nosso comentário desse ponto, desse critério a gente deixa claro que a gente acha que tanto para uma quanto para outra tem que haver um espaço, um apoio, seja de parceiros, seja dos órgãos executores para propiciar, dar oportunidade para que melhore as formas de organização da produção. Só vou dar um exemplo bastante claro desse tipo de conflitos, você fala de conflito de famílias. É fundamental, para mim, numa RDS que exista Planos de Manejo de Rendimentos Sustentável de Espécies. Isso depende do que? De acordos de cavalheiros, acordos entre famílias, acordos entre produtores. Eu participei de um caso de uma comunidade aonde eles queriam fazer um manejo sustentável de ervas medicinais e daí houve todo o envolvimento de universidades, pesquisadores e etc. e tal e foi discutido com eles como é que seria esse manejo. Todo mundo concordou que seria tirar, de cada indivíduo da espécie, três galhos a cada semana porque senão comprometeria a reprodução daquela espécie, etc. e tal. Para isso funcionar, todo mundo tem que concordar. E o que aconteceu foi o seguinte, 10 famílias estavam fazendo o plano de acordo com o que foi estabelecido, e era suficiente para conseguir um rendimento bastante favorável, mas as outras famílias acharam que isso era uma idiotice muito grande. Iam lá e raspavam tudo. Como é que você vai ter um plano de manejo num caso como esse? São essas situações que a gente levou em consideração para colocar esse tipo de coisa. Mas também não é nada fundamental. Só quero lembrar... O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS/AM)) – Eu acho que está bom, está preocupado com isso. Precisa mudar a redação. Para mim, a forma que está colocada aí caracteriza outra informação, e o que você coloca eu acho legal, quer dizer, você criar uma RDS não é porque o prefeito lá do município quer, não é porque o vereador quer, porque tem a família dele lá dentro, mas é porque as populações estão de acordo. Eu acho que o que tem que melhorar aí é a redação, dar entendimento. Eu estou de acordo, com a sua preocupação, eu comecei a entender. Agora, eu acho que olhando assim a redação, ela não diz isso que nós estamos discutindo aqui, me desculpa, mas parece que não diz isso. Aí você coloca uma questão clara que às vezes cria porque alguém quer, mas a maioria do pessoal não quer. Acho que podia pensar numa redação, eu não sou bom, mas alguém podia pensar uma redação para que contemplasse a sua preocupação que acho que deve ser uma preocupação de todos nós, que, para criar uma RDS, tem que ter uma concordância da maioria, não pode ser tudo, mas a maioria que concorde que seja ali estabelecido uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Acho que isso também, para deixar solto, fica meio complicado porque aí cria, como você está dizendo, o prefeito quer criar porque tem um amigo dele lá. A população fica sacrificada porque tem outros critérios que vão estragar um pouco a pretensão de alguns que estão ali explorando aquela área. O SR. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Fechamos nesse e passamos para o item quatro. “Ocorrência de áreas representativas de ecossistemas com satisfatória qualidade ambiental, não significativamente impactados pelas atividades historicamente desenvolvidas e com possibilidade de recuperação de parte das áreas que se apresentem degradadas”. O SR. CLÁUDIO C. MARETTI (WWF-Brasil) – Isso tem uma questão conceitual que não tem nada a ver com comunidade. Uma questão conceitual da área ecológica e eu não sou dessa área, mas eu trabalho com proteção da natureza há mais de 20 anos. Eu acho que o que tem que presidir a definição de áreas para proteção da natureza não pode ser exclusiva e, às vezes,

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nem prioritariamente o grau de conservação dessa área. Quer dizer, uma área que está intocada protege, a área que já foi degradada, não protege. O que tem que presidir são critérios ecológicos que passam hoje pela discussão de representatividade da biodiversidade, mas que devem passar também pela funcionalidade ecológica e outros valores, inclusive sociais que é mais complicado discutir. Então, eu não me lembro de que isso está claramente explícito no SNUC, mas é uma discussão recorrente pelos técnicos da área, é uma tradição que pelo menos nos meus 25 anos de profissão eu tenho enfrentado sistematicamente em todo lugar que eu trabalho, no Brasil, na América Latina, em Galápagos, na África, fora, em lugares que eu já visitei no mundo afora, e não tem consistência científica do ponto de vista ecológico, das ciências biológicas. É uma coisa simplesmente reativa, “a gente tem que segurar o que tem” e aí não se faz. Essa coisa reativa é importante, nós temos que segurar o que tem, mas ela não é o único critério, não se faz uma análise da importância de cada área. Na Amazônia, cada vez mais a gente tem que fazer isso. O programa APA passou por uma revisão de meio termo agora e esse é um dos critérios que nós estamos colocando como principais. Nós não vamos conseguir proteger tudo. Como é que a gente escolhe, inclusive tem que proteger áreas que já estão mais degradadas, como as regiões de Mato Grosso e até, eventualmente, do Maranhão, para não falar no sul do Pará, com certeza. Então, os critérios de importância ecológica são fundamentais, senão você não cria. Uma Unidade de Conservação não pode ter um objetivo meramente social, pode ser, ao mesmo tempo de, embora não entendo muito essa separação especial que você fala, mas tem que ser proteção da natureza ao mesmo tempo que desenvolvimento das comunidades e etc. Mas o principal, não pode existir uma Unidade de Conservação sem a área ter uma importância ecológica. Agora, não dá para definir importância ecológica só ou exclusivamente como grau de conservação, menor degradação. A SRª. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – Ao invés de grau de conservação, colocar alguma coisa como importância ecológica. A SRª. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Só para reforçar isso que o CLÁUDIO Maretti acabou de dizer, na discussão da Medida Provisória do Código Florestal, Área de Preservação Permanente, a grande discussão foi isso, era uma área vegetada ou uma área sem vegetação? A simples localização dela já caracterizava como APP, não é isso? Agora, o que eu queria comentar é o seguinte, acho que não podemos perder de vista o diferencial da RDS para Reserva Extrativista. Eu estou tentando fazer uma comparação, até agora a gente ainda não viu um requisito, uma condicionante que realmente fizesse a diferenciação. Talvez fosse aqui a hora da gente pensar nisso, ocorrência de áreas, como é que ficou agora? Representativas de ecossistemas, alguma coisa que desse para a gente o diferencial da Reserva Extrativista porque eu acho que a gente vai ter que fazer isso em determinado momento. Era só isso que eu queria lembrar. O SR. RENATO R. SALES – Só tentando, não é justificar, mas tentando contextualizar um pouco esse critério. Tem existido, eu morei dois anos no Rio Grande do Norte e deu para perceber assim, tem existido algumas demandas para criação de RDS única e exclusivamente para proteção de grupos sociais em áreas altamente degradadas, antropizadas. Então, o que eu e Lucila estávamos querendo dizer com isso é que a área tem que ter uma justificativa ecológica para virar uma RDS. Você não pode transformar um bairro urbano, mesmo que seja de pescadores, numa RDS porque é um bairro com rua, com todos os problemas urbanos e etc. Então, era só um lembrete que é uma Unidade de Conservação, tem como principal objetivo a conservação, a manutenção da biodiversidade e, portanto, tem que ter, enfim, uma relevância, como o CLÁUDIO está colocando agora, ecológica, inclusive a gente fala que as áreas podem ser recuperadas, mas existe algum caso que é irreversível. Então, é para tentar tirar um pouco

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dessa idéia de uma grande pastagem pode virar uma RDS, que um bairro urbano ou da periferia pode virar uma RDS. E outra coisa que está embutido nesse critério é o seguinte, o que se fala é que as populações locais ou tradicionais têm que viver da exploração do espaço e dos recursos naturais. Se essa área estiver muito degradada, ela não vai conseguir viver desses espaços e dos recursos naturais. Então, tem que ter uma qualidade ambiental que inclusive garanta a manutenção dessas famílias que vão explorar os recursos. Enfim, o contexto foi esse. O SR. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – Só um encaminhamento. O item cinco contempla muita coisa do que está sendo falado. Podia até fundir os dois, o quatro e o cinco. O SR. HENYO BARRETO (IEB - Brasília) – Eu já fui contemplado parcialmente nas intervenções, principalmente essa última do Pinagé, acho que falar em termos de representatividade da biodiversidade, funções ecossistêmicas relativamente mantidas é interessante. Agora, eu queria levantar um pequeno tom dissonante com relação ao comentário e é claro com a leitura que cada um fazemos sobre a história dessas categorias de áreas protegidas, de como, por exemplo, no caso das reservas extrativistas, o que, no meu entendimento, era uma categoria para viabilizar um certo modelo de Reforma Agrária para uma situação muito específica, foi convertido numa Unidade de Conservação. Então, a minha polêmica é quando, no comentário ao condicionante quatro e também no comentário ao condicionante cinco se enfatiza como objetivo principal. Quando o André, se eu entendo bem a colocação dele, ao mesmo tempo ou simultaneamente, eu diria que existem objetivos principais, no plural, simultâneos que são esses aqui, que os itens quatro e cinco discutem, mas também sim as situações referidas à reprodução social desses grupos. Quando a gente está falando em importância ecológica, a primeira pergunta que a gente faz é: “É importante para quem?” E, uma segunda pergunta que é importante: “A que escala bioespacial?” Porque um ambiente, ao nossos olhos, degradado e a escala da representatividade ecossistêmica do País pouco significativa, pode ter um enorme valor histórico, cultural e simbólico para uma população específica e aí você entra numa discussão. Então, claro que os exemplos que o Renato levantou são limites, um bairro urbano, uma fazenda, mas você pode imaginar áreas ambientalmente comprometidas que, para um determinado grupo social, tem um valor ecológico no sentido denso, ou seja, da sua integração, do seu acoplamento estrutural com aquela parcela da biosfera que eles ocupam que, não necessariamente, tem as virtudes que nós gostaríamos que ela tivesse, mas que, para aquele grupo, tem sim, e ele pode, através do tal abaixo assinado, se comprometendo com uma série de coisas, reivindicar uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável, se comprometendo inclusive com recuperação de parcelas das áreas que ele reconhece que estejam degradadas. Então, eu queria chamar a atenção para isso para que ao definir esse referente, integrando o referente quatro com o cinco, nós não percamos de vista que esses, para mim, são objetivos principais, no plural, e simultâneos, ou seja, coetâneos e que vão junto. Essa é a minha leitura dessa categoria. O SR. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS/AM)) – Acho que, olhando por esse lado, eu discordo até determinado ponto. Eu acho que Renato fez uma leitura que está um pouco na minha visão. Eu acho que a Reserva de Desenvolvimento Sustentável, nós estamos discutindo aqui o que vai caber dentro desse pote, nesse saco. Estamos jogando tudo na conta do pessoal que defende a Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Então, é para diferenciar da RESEX ou do parque. Eu acho que o papel e a diferenciação já estão bem definidos no próprio SNUC, para mim está bem definido, o que acho que Renato fez uma leitura que é interessante olhar e prestar muito bem a atenção. Quando você tem uma população vivendo num determinado ambiente e essa população, a gente cria uma reserva que eles caçam em todo lugar, não tem lugar para os

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bichos se esconderem, eles pescam em todos os lados, não tem um lugar onde o bicho possa se reproduzir. Então, é uma reserva que praticamente não se desenvolve, não é sustentável. Então, pensar também o tamanho dessa questão. E a outra coisa é com relação à questão da significância dessa área. Ela tem que ter uma significância para quem mora lá, para quem tem alguma serventia dentro dessa área. Então, aí entrou na questão legal. Por que eu tenho que entender dessa forma? Então, eu pego e imagino que nós, fazendo essa leitura de Reserva de Desenvolvimento Sustentável e respondendo essas perguntas que foram feitas para nós mesmos, a gente já começa a ver a diferença. Aí nós vamos colocar: “área de amortecimento”, cabia aí, talvez, que “a Reserva de Desenvolvimento Sustentável, obrigatoriamente, terá que ter uma área de “X”% com proteção integral” e já está dito. Pode ser, será que é essa a diferenciação? Não sei, essas coisas que a gente está procurando para diferenciar, mas eu acho que é interessante que a gente compreenda que a Reserva de Desenvolvimento Sustentável está dentro de uma caixa que está entre parque e entre Reserva Extrativista e acho que o que nós estamos queremos botar para ela, tipo assim, uma pastagem. Quando é que uma pastagem vai ser sustentável? Vai demorar anos e anos. Imagine que nós vamos ter que plantar um monte de planta para poder voltar a ser uma área de uso sustentável nessa região. Então, eu acho que o Renato falou essa questão que eu estou de acordo, e ele faz um monte de interrogação para nós mesmos responder. Vamos ver até que ponto isso é condicionante para a criação de uma reserva. O SR. CLÁUDIO C. MARETTI (WWF-Brasil) - Vou me permitir fazer um debatezinho aqui, rápido. Eu não sou estudioso do assunto das origens, mas sou estudioso pós-processo inicial, inclusive ainda na época da gente tentar colocar em evidência Chico Mendes e salvá-lo do assassinato. Óbvio que a coisa veio de uma origem basicamente do conflito social e com raízes trabalhistas, tanto que era expressão do PT na região e etc., naquela época, aquele lado mais sindical do PT e tal. Mas se propôs uma aliança. Esse movimento social que tinha bases sindicais e que se confrontava e que usava inclusive instrumento da luta sindical para se confrontar com os fazendeiros ou com os que derrubavam a mata, propôs uma aliança com o movimento ecológico. Essa aliança que leva, por fim, à transformação de ResEx numa Unidade de Conservação. E essa aliança foi proposta por eles não de forma inocente, mas de forma muito bem calculada porque havia o interesse próprio e a aliança permitia projetar essa luta num nível maior, como de fato aconteceu. Tanto aconteceu que do ponto de vista de cá, olhando de quem estava do lado de cá, foi em função dessa luta e da infeliz morte dele, que, por exemplo, os movimentos de Unidades de Conservação mundial começou a considerar a possibilidade de ter uma sexta categoria na classificação internacional e essa consideração se deu exatamente em Caracas, em 1992, com o Congresso Mundial na época chamava Parques Nacionais e Outras Áreas Protegidas. E depois isso se oficializou numa assembléia da UCN em Buenos Aires, ou seja, a influência de tudo acontecendo na América do Sul. Então, esse contexto da aliança também é histórico. E acho que o que está acontecendo hoje é que eu acho RDS uma coisa fundamental da gente discutir, mas RESEX muito mais importante. A RDS é estratégica no seguinte sentido, é uma coisa mal definida, mas RESEX tem história, RESEX tem movimento social e hoje nós estamos no risco de justamente perder esse conceito que foi gerado na medida que a gente vai, às vezes, para o embate político que leva a coisa do: “Não, eu sou seringueiro, eu sei o que faço”; “Eu sou movimento organizado, ninguém aqui tasca”. Então, essa aliança está correndo o risco de dançar e aí acho que dança a lógica justamente dessa linda fusão de que não é preciso separar sociedade de natureza. E, aproveitando esse ensejo, queria concordar integralmente com a outra parte que você falou, o que a gente tinha que proteger nas Unidades de Conservação, o que a gente tem que proteger, e não tinha, é a natureza e a natureza não somente vista do ponto de vista da ciência biológica. Então, me corrijo, me penitencio e concordo plenamente com você. O que a gente tem que proteger como objetivo do

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dependendo das alianças.. acho que é uma aliança. que aa ciência acompanhe esse processo para que não ocorra o que está ocorrendo no baixo Amazonas. os pescadores. tem áreas de campinas grandes lá dentro que era de criação de gado dos primeiros ocupantes da região. se repactuam. Tem alguns aspectos aqui sobre ocorrência de biodiversidade que foram tratados aqui. ou está esgotado? O que vocês acham? O cinco diz o seguinte: “Existência de área com importância ecológica e ocorrência de biodiversidade significativa para preservação. as áreas de ocupação são significativas dentro da reserva. Nesse sentido. porque são históricas. levou. uma falsa visão de que ali é tudo floresta. e elas se ampliam. Então. está tendo uma parcela de responsabilidade muito importante e pode vir a ter mais. O SR. mas hoje aparece mais na RESEX de Soure que é um caso seríssimo aparte que também o IBAMA não tem enfrentado a questão fundiária lá e da destruição dos recursos naturais. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Passamos para o cinco agora. viabilizar isso. mas outras unidades e eu acho que Iratapuru é um pouco aparte porque está relativamente bem conservada e. levou até para RESEX lá de Rondônia. Então. Está aberto o debate. alianças se renovam. Acabo de vir do Parque da Serra das Andorinhas e da APA. está completamente queimada. No baixo Amazonas. se contrapuseram à EMBRAPA. que é uma questão urgente de se repensar. rapidamente. principalmente o pessoal das áreas de reserva de lago. A SRª. potencial de manutenção da biodiversidade. Então. Diferentes formas de ver a natureza e valorar é que têm que estar incorporadas porque se eu acho que aquele monte é importante ou aquele rio tem uma função na minha reprodução sociocultural. eu acho que essa é uma questão. Obrigado. Esse que é o problema. sejam as duas primeiras referências. quase não se pode utilizar. Eu queria juntar. O SR. temos uma disputa grande com a EMBRAPA. não é a criação em si. Nós conseguimos algumas fotos do RADAN ainda que deixam bem claras. o que fazer nessa área. que é um problema sério. mesmo assim. que é o INCRA. com manutenção de cobertura florestal e. esse foi um ponto que foi levantado. tem mais coisa. para nossa surpresa. sem estudo prévio nenhum. Não sou contra se alguém quiser criar. concordo. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Só queria enfatizar essa questão das áreas degradadas porque grande parte das Unidades de Conservação estão com problemas sérios nesse sentido e não só RDSs. O búfalo também tem uma história de lutas na Amazônia. ele tem tanto valor quanto uma análise de que a ictiofarma dali é diferenciada ou endêmica. há pouco tempo. porque a EMBRAPA defende. HENYO BARRETO (IEB . como cachoeiras e etc. nós na Adunaia com a EMBrAPA. se for o caso. já é histórico. Bom. portanto. 188 . a imagem de satélite naquela região é pura nuvem. E também pelos conflitos que o búfalo está criando. a segunda sentença não. Eu acho que a gente tem que começar a pensar em novos aliados. mas depois a gente vai retomando.Brasília) – Era só para dizer o seguinte. mas o fato de você não ter um acompanhamento de pesquisas científicas e tudo para. inclusive chamaram as autoridades federais lá e pediram para que sustasse o processo de expansão porque o búfalo é um destruidor dos criatórios de peixe. eu acho que a gente tem que olhar para um outro órgão federal que vai ter uma parcela. O SR. oficialmente. MARCOS ROBERTO PINHEIRO (WWF-Brasil) – A minha sugestão é que o ponto quatro e cinco sejam os primeiros e não estar no meio. mas que tenha um estudo.Sistema de Unidades de Conservação é a natureza vista inclusive sob ótica da diversidade cultural. com a questão do búfalo. são questões que têm sítios arqueológicos e paisagísticos. Agora. Hoje. às vezes cria problema. com possibilidade de sua demarcação como zona de proteção integral”. claro.

começa a conversar com a comunidade. E quando é chamado todo mundo. acho que foi MMA. e que tem se pensado. Então. ela fez uma distinção entre consulta e audiência. mas a gente fecha esse procedimento para fazer a publicação com a reunião. Na verdade. Convoca todas as partes interessadas 30. ao passo que como em tese a criação de uma RDS é uma iniciativa do bem. se abre uma conversa de um dia ou dois dias. Eu acho que o que é importante talvez não definir aqui. O SR. consulta que é uma discussão que perpassa toda a questão ligada a acesso a conhecimento tradicional associado à biodiversidade. fazendo a diferenciação em termos de que as audiências estão previstas como parte do processo de licenciamento. O SR. tem uma discussão. inclusive fizemos uma reunião em Brasília. explica para o prefeito que vai haver uma criação de uma reserva. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) . FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . de proteção. esse levantamento de informações. estabelecimento de vias de comunicação e negociação. dependendo do assunto que se vai rolar e 189 . A SRª. CLÁUDIO Maretti acho que participou daquela primeira reunião. consentimento. notadamente os órgãos públicos responsáveis pelas estruturas e serviços sociais.O SR. foi publicado até um material e tal.Brasília) – Porque a Doutora Sônia levantou uma questão. Mas o que a gente tem adotado. acho que 2 dias. 40 dias antes.Vou atualizar a senhora das coisas. e etc. se ele está de acordo e aí as reuniões e mais reuniões que vão construindo esse processo que eu acho que é isso que eu o Renato e o pessoal construíram aí. etc. ligadas à avaliação de impacto ambiental. Então. o aspecto consultivo não implicava uma interferência no processo de criação. MARETTI (WWF-Brasil) . Na medida que você vai conversando com as comunidades. vai se construindo um processo de consulta. Eu acho que todo o debate que a gente fez sobre a importância ecológica vale aí. que aquela outra é tal. explica para ela que aquela categoria é assim. “Realização de consultas públicas para a criação de RDS específicas para os usuários residentes no interior ou entorno imediato. Para ambos os casos as consultas públicas devem se constituir em processos (levantamento de informações. não sei se o André vai querer levantar essas filigranas conceituais entre anuência. a comunidade pede uma criação. diminuição de conflitos de interesses)”. não sei se no decreto de regulamentação. esclarecimentos. aonde se discutia sobre consultas públicas. mas se essas consultas são consultas só. e comunica que tal lugar vai ter uma reunião para discutir a criação dessa unidade. Há muita interpretação. eu acho que na verdade. da área a ser protegida.SDS/AM)) . não tem opção. envolvendo todos os segmentos interessados. mas que vai rebater nesse tipo de questão.Zona de produção integral faz parte da lei. os procedimentos. porque o que acontece? Nós fazemos uma reunião. eu entendo que é um processo anterior à consulta que é a formatação do estudo de criação. da lei. a formatação do estudo de criação é uma coisa e a consulta seria outra. assim como consultas públicas mais amplas. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Item seis. Eu acho que aí tem um nó importante. O que acho que a senhora poderia nos ajudar aqui é na questão de separar o que é consulta e audiência. na hora que estava no debate que é importante. mas fica mais para o pessoal que entende da questão jurídica. do Estado do Amazonas. você chega lá. HENYO BARRETO (IEB . Depois. disposições normativas. Aí estou de acordo. faz reuniões com as prefeituras que o município está envolvido. O SR. Então. CLÁUDIO C. no caso nós. esclarecimento sobre as causas e conseqüências. nós fazemos todo esse procedimento. de análise. A leitura que a gente fez.Só porque ali as consultas públicas devem se constituir em processos.

mas não quer dizer que não seja controversa. porque existe a tática do dividir para governar e eu acho que audiência é importante até para evitar esse tipo de coisa. está sendo criada para beneficiar essa população. Esta unidade. pelos motivos colocados aqui pelo Renato e pela Lucila. se prever a idéia de consulta pública e 190 . se é nome em homenagem a um ou a outro. Quer dizer. levando muita trombada. Não sei se esse procedimento precisa ser feita uma correção. concordo perfeitamente com o que está escrito aí. O que eu quero dizer com isso? Eu quero dizer. mas a presença física da equipe que está fazendo os estudos. ponto e vírgula. a construção de um processo. E onde eu quero chegar? Eu quero chegar na seguinte questão. mas ela pode acontecer. A SRª. ficou claro? O SR. uma regra. está perfeito. inclusive debatendo entre si junto com o órgão.Eu acho que está perfeitamente correto. veja bem. ela é consultiva e está dentro exatamente disso que está aí. Aí é uma questão de entendimento pessoal meu. a apresentação. estou apenas fazendo um relato do que vocês fizeram aí é o que a gente está construindo no Estado do Amazonas. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Ficou claro. uma delas é audiência e eu acho que audiência é importante para a criação de uma RDS. limite. não é audiência. Audiência no âmbito do processo de consulta pública para a criação de uma Unidade de Conservação não é a audiência de processo de licenciamento ambiental. para mim esse é um dos maiores absurdos da lei do SNUC. da construção de um procedimento que também não é um evento. a audiência de licenciamento ambiental não é deliberativa também. se vai se discutir qual é a categoria e tal. não é obrigatória a consulta”. Vou chegar na questão da controvérsia jurídica em relação ao nome “audiência”. com objetivo consultivo. eu queria ouvir melhor os argumentos dele para dizer o porquê isso não foi resolvido no âmbito do CNPT. Então. qual é o nome da reserva. o rito. é uma espécie do gênero consulta. eu acho que é importante isso. mas as populações vão se obrigar com o compromisso em relação a essa unidade. é consulta pública. Audiência de licenciamento ambiental é audiência de licenciamento ambiental e está regulada pela resolução do CONAMA. mas eu acho que a audiência pública é importante para a criação de RDS. não vejo nenhum problema em relação a isso e. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) . Eu não estou nem discordando. tem que ser 45 dias de antecedência e tal. a lei do SNUC diz o seguinte. Bom. portanto. São os procedimentos que se fazem no Estado da Amazonas e eu acho que está um pouco dentro disso que vocês colocaram aí. que é possível que a regulamentação preveja outros elementos que não necessariamente estão explícitos na lei para a questão da consulta. mas até agora nós temos feito isso. com as ressalvas que foram colocadas pelo Paulo Oliveira de manhã. ainda que fosse. que se pense num outro nome. teoricamente. e a senhora podia nos ajudar porque nós vamos ter uma consulta semana que vem lá no Juruá. se é para evitar o problema. Não é uma questão de filigrana. o procedimento. mas é porque audiência na verdade. formalidades que não necessariamente têm que acontecer para a criação de uma Unidade de Conservação. um ritual da comunidade. “na criação de estação ecológica e reserva biológica. É para todo mundo tirar dúvida.ali é apenas para esclarecer aonde está. Você faz consulta por diferentes formas. como o próprio nome indica. Então. Não é o caso da consulta pública. E a diferença é que na audiência pública ela se dá para empreendimentos que têm significativo impacto ambiental e essa audiência pode inclusive invalidar o empreendimento. é feito isso. essa é uma questão e eu queria ir além. um processo. é um procedimento. aprendendo muito. O que eu tinha falado de manhã é para a gente tomar cuidado porque muita gente fala que na criação de Unidade de Conservação tem audiência pública. a única diferença é que tem uma regulamento. eu não entendo que audiência seja uma prerrogativa do processo de licenciamento ambiental. não é isso? Isso significa que inclusive o decreto que as regulamenta pode dizer que poderá haver consultas públicas. eu acho que a audiência é uma das formalidades que têm que acontecer.

mas só para explicar melhor. RENATO R. esse levantamento de informações é um detalhamento sobre a questão fundiária que você só vai conseguir na hora que se estiver discutindo de maneira um pouco mais efetiva com a população. o assunto talvez seja qual é a categoria pertinente. A SRª. é uma visão um pouco mais radical do Henyo. documentos que embasem e que direcionem. E nesse intervalo de tempo entre você coletar essas informações e fazer essa consulta pública. que é a coisa do abaixo assinado com adesão de maioria simples dos moradores maiores de idade e tal. beneficiada e etc. embora esteja sendo usado mais recorrentemente para proteção integral. como parte desse processo? A SRª. isso inclui não só a parte dos inventários rápidos. é um estudo sobre determinada espécie que se começou a perceber que está mais ameaçada porque teve a informação dos moradores.. e não é deliberação. 191 . você falou que os estudos são realizados no processo de criação. mas concordo que deveria haver isso sim. HENYO BARRETO (IEB . O motivo para ir isso. esse procedimento de você fazer uma reunião pública. SALES – Raquel. O que acontece? Como. principalmente se há uma categoria que envolve populações. É isso que a gente está querendo colocar aqui. um mapeamento institucional. da população diretamente envolvida.Brasília) – Pedido de esclarecimento. mas também. a consulta pública seria um momento mais amplo. Não existe uma audiência pública. é que se vai se criar ou não. tem sido feito o processo no Estado do Amazonas. você tem a realização dos estudos. não só o momento da reunião. O SR. nós estamos chamando consulta pública todo esse processo de levantamento dos dados. você tem um processo que chama de sensibilização que é divulgar essas informações junto às comunidades e aí. esses estudos são complementares aos estudos de criação. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) – Faz parte. no caso. a parte de diagnóstico fundiário. ou uma consulta pública que se faça acerca de criação de Unidade de Conservação que não se entre na discussão de qual a categoria mais pertinente. de sensibilização. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – Na verdade. para a gente tentar fazer de maneira tão detalhada esse critério é porque. eu acho. até trocando informações com a comunidade. evidentemente que haverá coro contrário. se vocês entendem também o item sete. já entra naquela história de acirrar o conflito aos limites. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) . afetada. enfim. SALES – Entendo. por exemplo. não no processo de consulta pública.não se fala que um dos assuntos. essa definição do que poderia ser a categoria e etc. Então. sem dúvida nenhuma. inclusive pegando um pouco. O SR. no que tem sido feito. RENATO R. Quer dizer. enfim.Sim. que fique claro. que vão surgir lacunas de conhecimento que você vai ter que complementar os estudos. duas reuniões públicas como se fosse a consulta pública está se dando também no caso de ResEx e RDS. mas que aqui nós temos que ousar e sugerir que as consultas públicas sobre RDS envolvam a informação mais ampla possível sobre categorias similares e que isso possa ser submetido à apreciação. Só encerrando. Você tem aí o processo de apresentação desses resultados que. O SR. concordo plenamente com o André que eu acho um absurdo mesmo que não se discuta a categoria e até mesmo o fato de se criar ou não a unidade. volto a dizer. A SRª. Eu acho que consulta pública faz parte do processo de criação.. Então. seria no momento da consulta pública. e é nesse momento que você tem esse contato mais direto. em geral. como geralmente é encarado. Mas veja bem.

mas o que a gente tem que discutir aqui é se a gente acha que no caso da RDS também tem que ter uma manifestação formal. até numa APA. se a consulta pública vai discutir criação ou não e qual é a categoria. que não está aqui presente. num monumento nacional. pode ser um processo de consulta pública como é esperado que ocorra no Parque Nacional. colocou oficialmente que os processos de criação de ResEx na Terra do Meio. a Área de Limitação Administrativa Provisória. ponderou. através de registros. esse é um ponto. 192 . Do ponto de vista prático. muitas vezes a gente tem que ser rápido. do ponto de vista político. Bom. pelo que nós estamos falando. os mais fiéis possíveis. Eu acho que isso aí seria interessante de colocar já que nós estamos falando num processo que vai ter uma legalidade. Bom. CLÁUDIO. o Atanagildo reclamando que estava muito açodado e sem base o processo de criação. você tem tempo de fazer. oficialmente. se isso ficar em aberto. Esse debate diminuiu com a alteração do SNUC que incluiu a ALAP. SALES – Não só as comunidades. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Só para dizer que não sei se seria conveniente acrescentar aqui.Nesse caso eu acho que é briga política entre grupos. O SR. CLÁUDIO C. Um é que teoricamente. o outro ponto é o seguinte. Veja bem. principalmente. diretrizes para conselhos de gestão. LUIZ CARLOS PINAGÉ (FUNBIO) – É só um testemunho de uma situação esdrúxula que eu vi numa reunião do ARPA em Belém. sobretudo. Então. a gente pode criar esse tipo de situação. as lideranças estavam sendo postas em cheque e criaria problemas. a gente está próximo da gestão. mas também os órgãos executores. RENATO R. MARETTI (WWF-Brasil) . O SR. O que vai ser obrigatório fazer eu acho que é uma outra questão porque aí tem os riscos também. escrita. a discussão mais de conselho de gestão e consulta pública. pelo menos o que a gente tem feito é isso. se o Estado vier e propor sem uma aprovação formal. essa história de obrigatoriedade de abaixo assinado da RESEX caiu no SNUC. Segundo ponto é o seguinte. CLÁUDIO estava lá. Então. O CNES. o processo de construção. mas não devia ser obrigatório o abaixo assinado. as atas. nem para RDS nem para RESEX tem essa obrigatoriedade. por exemplo. ali tem um monte de diretrizes que podem ser aproveitadas como diretrizes. E essa materialização dele. A SRª. a negociação. O SR. O SR. O que diferencia claramente é o caso da ResEx. as gravações. Eu acho que é interessante. eu acho que. Então. nesse instrumentos todos que talvez. a gente pode discutir as diretrizes todas. liderado pelo Ministério e está publicado pelo Ministério. estavam atropelando os interesses das comunidades. mas. não estavam sendo consultadas. e tal. que obriga a manifestação prévia. você tem o tempo de fazer a negociação e não se submeter a haver o processo de degradação enquanto está negociando. Não sei. eu acho que entre o ideal e acho que aquele evento que o Ademar se referiu. é bem interessante. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – No item sete a gente discute exatamente isso. porque senão o dano pode ser significativo para os grupos sociais. o registro fotográfico. legalmente. Mas isso fazia parte de uma portaria do IBAMA que não foi contemplado no SNUC. foi muito importante. Você congela antes da criação. porque você teoricamente tem um instrumento legal para interditar temporariamente a área enquanto você faz um processo de negociação. foram três dias de debate. procurar materializar ao máximo as consultas. Por exemplo. comunicação no duplo sentido etc. a memória dessas consultas porque isso é que dá a legalidade para elas. consulta pública não deve ser regulamentado para cada categoria. teoricamente. em que o Gatão. na verdade. MARETTI (WWF-Brasil) – Dois comentários completamente distintos.A SRª. CLÁUDIO C. eu sempre defendi consulta mais ampla. prévia à criação ou se na RDS.

ainda é mais complicado porque tem ResEx e RDS. das volições. o Ademar não está. com a participação de outras organizações não governamentais sobre a consulta pública porque não existe uma lei específica. nesse sentido. só concordando com o André. A SRª. mas poderia até confirmar. a maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS contendo: solicitação para a criação da Unidade de Conservação. Tem essas interfaces todas. para a população beneficiária. me desculpe. especificamente. Seria interessante ter essa cartilha para a gente trabalhar melhor depois na regulamentação disso. HENYO BARRETO (IEB .Brasília) – Pegando esse gancho que o André deu. você tem a RDS aqui e você tem o nada aqui. RENATO R. Encaminhamento de abaixo assinado com a adesão de. O SR. essa discussão tem que ser feita. ciência sobre as causas e conseqüências relacionadas à criação da reserva. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Com isso a gente está encerrando o item seis e passando para o item sete. Henyo. O SR. a oportunidade de consulta para categoria de Unidade de Conservação deveria se ampliar para outras. o gestor tem que analisar o ônus político e é muito importante para ele ter essa sinalização. por ter um envolvimento direto maior da população. Quer dizer. que é um direito que ele tem. até amigável. 193 . eu endosso e não só endosso. mas essa cartilha dá um norte para como a gente fazer da melhor forma e isso tudo que está sendo falado aqui são procedimentos que são contidos nessa cartilha.. você pode pensar no modelo polar. tá?” “Como assim. inclusive obrigatório. eu acho que é isso que o André está querendo preservar na sugestão dele e. é muito importante ele ter uma sinalização clara dos ânimos. em alguns estados existe uma disputa. inclusive do quadro. Ainda que ele decida atropelar. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Número sete. O SR. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu entendo essa preocupação em relação à oportunidade e agilidade de criação de Unidade de Conservação e concordo com você que de fato a referência. “Como assim? Não tem outra alternativa? Quais são as outras alternativas viáveis?” “É nada”.O SR. Eu acho que é por isso que no caso da RDS. mas eu acho que se houver oportunidade no âmbito de uma discussão para RDS é importante que isso se explicite na regulamentação porque isso coloca para o interessado. como gestor. nada? Nós só queremos criar RDS”.. eu fico imaginando aqui o seguinte: “Ou é RDS ou é nada. Quer dizer. a consulta pública não é tão fechada. por isso eu acho que o nada tem que estar lá. não é tão autocrática assim. um direito de que o Estado lhe forneça uma informação completa. “Ou é RDS ou é nada”. comprometimento preliminar em assumir responsabilidades e compromissos inerentes à gestão da área. Ou seja. nesse caso. entre Governo e movimentos sociais para ver se cria uma ResEx ou uma RDS porque um puxa. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Foi elaborado uma cartilha do IMAFLORA com o IBAMA. pelo menos. o Governo. pela avaliação que ele tem. entre o nada e a RDS. Entre Governo Federal e estadual e a população fica no meio dessa disputa política entre os grupos e é fundamental que ela tenha conhecimento inclusive desses interesses de cada uma das partes envolvidas. Então. você pode construir possibilidades. Em alguns casos. SALES – Só concordando. O SR. ou é RDS ou é nada. ou é isso ou aquilo. por quê? Porque se houver uma sinalização clara. dos interesses dos grupos que podem ser afetados por essa decisão. ou você pode pensar no modelo do contínuo.

é importante. e possam dar uma resposta sim ao órgão gestor. quais as conseqüências da criação. quer dizer. de criar a Unidade de Conservação. é o que o Henyo colocou. o Estado pode criar e. você criou. se não está escrito. Você chegou a ler o comentário? A gente tem que pedir desculpas por não ter sido mandado antes para vocês. se não houver uma sinalização positiva. Nós não podemos criar num decreto uma coisa que não tem lei nem Constituição que prevê isso aí. foi a maior confusão porque quando se dão conta do que se trata. também como tem gente morando dentro e como vai afetar. Eu respeito. de alguma forma. Então. um obstáculo para a criação de uma Unidade de Conservação. ou vai ser criada. na verdade. E acho que esse tipo de requisito passa a ser até uma condicionante. eu acho que RDS. que em termos sociais isso não tem validade. por força de decreto e não por força de lei a necessidade do tal abaixo assinado. o problema não seria esse. constitucional. Isso quer dizer que de alguma forma esse processo de consulta foi realizado. Não é porque você não pode 194 . dizendo: “A gente está afim mesmo. a conservar. foi o maior reboliço entre a população.. pela lei. Se ela disser que não. mas que já haja.. não tem uma previsão dessa obrigatoriedade em lugar nenhum da legislação. agora. a princípio. por decreto. inclusive se a população não quiser. O Estado tem o direito de saber e a população tem o direito de ser ouvida. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu estou entendendo perfeitamente a preocupação do Renato e concordo com a sua preocupação. como a lei do SNUC fala que essas populações se obrigam a defender. o que eu acho é que esse critério não é que não dá para estabelecer por decreto. tem sim. é fundamental que essas populações se manifestem formalmente que estão interessadas na criação da Unidade de Conservação. esse critério é um critério que contraria a estrutura jurídica de criação de Unidade de Conservação tanto porque o Estado pode sim criar. porque a população local pode até não querer. preliminar. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Eu realmente acho que isso aí.. inclusive RESEX. para que elas sejam cumpridas. O SR. não está dada à população o direito de vetar a criação de Unidade de Conservação porque se fosse dado. o sete. quais são as responsabilidades que têm. se obrigam. a RDS não vai operar como supostamente foi prevista. SALES – Eu acho que não se trata de ler o comentário. esse tipo de requisito prévio à criação da RESEX. mas eu acho que isso está na lei. não está criado. para melhor ou para pior a vida dessas pessoas. de alguma forma. acho que não tem porque manter isso aí. Então. contrariando a lei e até mesmo a Constituição. as pessoas estão inteiradas do que se trata. O problema é que você vincular a criação de uma RDS a essa formalidade você está. eles se acham ludibriados. a preservar a área. que vão constar no Zoneamento. porque foi criada. eu não gosto disso. Existem vários exemplos de unidades que foram criadas ou porque o processo de consulta pública foi feito de maneira muito rápida ou então porque as pessoas não chegaram a entender mesmo do que se tratava e quando foi criada a unidade. quer dizer. para que as normas específicas que vão constar no Pano de Manejo. fazendo parte do processo. quais são as conseqüências. não vejo. Mas é isso. E não acho. não sou favorável à criação contra a população neste caso. não é o que eu quero ou não. até porque na prática. mas entendo diferente até porque na RESEX também foi instituído por força de instrução normativa. Então. formal ou não. em todo caso. basta perguntar ou não.. fazendo parte do processo. que já haja um comprometimento anterior. a gente quer”. ao fazer isso. com todo respeito aos consultores. Eu acho que ter uma função. mas isso aí podia ser excluído porque não tem nenhum amparo legal. É uma maneira diferente de você. RENATO R.A SRª. mas. Isso está baseado nos procedimentos utilizados pelo CNPT antes do SNUC. Não precisa de abaixo assinado. começa até a haver uma revolta. O SR. a consulta seria deliberativa. nem social. dando o poder de decidir pela criação ou não à população plenamente e você retirou do Estado o direito que ele tem. não foi dada à população. como ele colocou. eu sei que a Doutora Sônia já se antecipou dizendo que não poderia ser.

RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) . Eu acho que a gente foi chamado para fazer várias sugestões. SALES – Então André. porque aí depende de quem é o voto de minerva na história. Então. mas se as pessoas não querem morar numa Unidade de Conservação. As pessoas que têm muita experiência. você deu o poder deliberativo à comunidade. a gente é contra”. O SR. então cria uma outra Unidade de Conservação. cabe ao Estado desapropriar. que interessa continuar na área e melhorar a qualidade de vida. seria desejável. porque se você for imaginar. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu entendo que o Poder Público só poderia criar uma Unidade de Conservação com a anuência da comunidade. como o Marcos. elas não sabem o que você está falando. O aceitar ou não aceitar a criação de uma Unidade de Conservação por uma população que está num lugar depende muito do grau de informação que ela tem a respeito dessa. e isso. e sim porque elas têm uma experiência negativa e isso ficou gravado e a gente tem vários exemplos desse tipo de situação. isso aí é questionável. o mais óbvio deles é esse. troca de informações. a primeira é a seguinte. CNS sim. A SRª. eu já fiz estudos de criação e trabalhei com criação de Unidades de Conservação com pouco de tempo e até o primeiro contato com que vocês têm com as pessoas. negociações e etc. pelo menos eu encaro como uma coisa normal. do ponto de vista jurídico.É porque na verdade eu acho que a gente está discutindo os temas e acho que os comentários não devem ser encarados como uma crítica ao documento. você está contrariando a lei e a constituição. quando você já tem um histórico de trabalho. 195 . é porque. sabem que você pode chegar depois de cinco anos numa área e ter que começar o processo basicamente do zero. Então. retirando do Estado. com essa legislação. Pode acontecer. questionado juridicamente. Mas é complicado porque se é de uso sustentável. Então. você está partindo daquele pressuposto de “parque com gente” que você não resolve muito bem as coisas e deixa lá a população e acabou. com esse universo. pressupõe que tem população morando. RENATO R. O SR. seja lá como você quiser chamar. realmente você pode chegar num momento e submeter as pessoas a uma consulta. se você não tem esse trabalho de informar as pessoas. Ele estaria bastante relacionado a essa prestação de informação. A outra coisa que eu queria falar é que esse envolvimento e esse comprometimento realmente são um processo que ocorre dentro de uma escala de tempo. não é em um ano. do que vem a ser Unidade de Conservação. elas nem te conhecem. na verdade. eu concordo com isso. no mínimo. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) – Eu só queria falar duas coisas. por exemplo CPT. só acho que. onde você não tem essas entidades atuando mais de perto. O SR. do ponto de vista da estrutura. a consulta não é deliberativa e. Como Isabel falou. RENATO R. esse envolvimento só vai acontecer com o passar do tempo mesmo. dois anos. de dizer o que é uma Unidade de Conservação. SALES – Para responder rapidinho. aquele modelo. Mas daí. no caso das ResEx. O Henyo perguntou e eu respondi que esse procedimento faria parte do processo de consulta pública. sensibilizar. mas para a maioria das pessoas não é. Para nós que convivemos com esses termos. de informar. Não sei se maioria simples. mas não necessariamente porque as pessoas têm uma opinião formada. que já trabalham há anos. mas.estabelecer isso por decreto. que tem população que se interessa pela conservação. por decreto. esse comprometimento e envolvimento com certeza não vai acontecer no momento que se cria a reserva. você quebrou esse princípio. é tudo muito simples. a um abaixo assinado e as pessoas falarem: “Não. por vários fatores. A SRª. o fazer isso. mas na maior parte das áreas.

A gente sabe. me corrija se eu estiver errado. com o FUNBIO. nas atas. acho que todos aquela solicitação para criação. de alguma forma. acho extremamente relevante tudo o que foi escrito aqui. está me parecendo. sabe da minha opinião a respeito disso. Então. digamos assim. na obrigatoriedade do abaixo assinado. Eu volto a defender que existem diretrizes já sugeridas nesses dois documentos que foram aqui referidos. MARETTI (WWF-Brasil) . O SR. em algum lugar. É disputa entre grupos políticos? Certamente é disputa entre grupos políticos. eu acho que diretrizes para a consulta pública qualquer categoria deveria ter consulta pública. nós podemos interpretar que estamos vivendo um momento bastante inusitado de criação de ResEx top down. como os rios da Amazônia. O SR. mas não como uma condicionante separada para a criação. mas não necessariamente se confunde com.Parte do que eu ia dizer está aí. ResEx com gente dentro. mas uma manifestação escrita. inclusive as que não são obrigatório por lei. primeiro de tudo eu li rapidinho. expressamente manifestada dos usuários com relação a isso. nas gravações. Pode parecer.Brasília) – Queria começar com o exemplo que o Pinagé deu e polemizar fraternalmente com o Maretti. Mas. WWF-Brasil. interessante e acho muito difícil. de todo modo. imaginar que a gente vai ter condições de calcular o que seria uma maioria simples dos moradores maiores de idade da área do interior da futura RDS. como realmente a lei do SNUC. Se o cara diz que você pode fazer pesquisa. poderia não ser um abaixado assinado. até porque você tem. detalhes dessa história. movimento social. eu acho que no que concerne à observação do Gatão e a rebatimentos de modo como as coisas chegam ao conhecimento de outras coisas. o companheiro Tarcísio está até em Brasília hoje. aos nossos olhos. as disposições do CONEP. considerando a complexidade dos cenários locais. CLÁUDIO C. como uma condicionante para a criação. Agora. ela enseja esse comprometimento da população. Se a gente conseguisse traduzir isso em termos mais 196 . mas isso tem a ver exatamente com essa questão aqui. ela não é movimento social. Então. você tem chefes de família com filhos que “não são maiores de idade”. só para fazer uma brincadeira porque mesmo no contexto de criação de algumas dessas ResEx. manifestação expressa por escrito. HENYO BARRETO (IEB . se for esse o entendimento. tem esse do IBAMA com o IMAZON e IMAFLORA. pelos critérios formais. e tal. o processo foi. no registro fotográfico e tudo. etc. sinuoso. para usar de um eufemismo. do ponto de vista etário. Porque realmente eu acho que isso aí é uma parte da consulta pública e nessa cartilha fala muito disso. isso vai estar escrito lá nos registros. ciência das causa e conseqüências. do ponto de vista legal. A CPT é uma pastoral social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. enfim.. tem uma série de questões que eu acho. eu estava entendendo que esse “abaixo assinado” seria a tradução de uma manifestação escrita. não tenho dúvida. tem o Ministério do Meio Ambiente. mas eu não vejo isso. eu acho que se a gente pudesse dizer que é uma manifestação escrita. daí eu enfatizar a importância do registro da consulta pública onde. André. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) . mas ela é um instituto de promoção humana e social. são diretrizes como o processo deve ser feito. aí é onde eu acho que essa formalização fecharia esse espaço. Nós não podemos inventar isso porque não está na lei. que tem conseqüência dos riscos a que ele está submetido com o desenvolvimento da pesquisa. tudo bem. ainda que de forma geral. Quando eu tinha lido isso aqui. Conselho Nacional de Ética de Pesquisa. meândricos. eu continuo insistindo naquilo que eu falei. ela pode recrutar pessoas do movimento social para os seus quadros.A SRª. por isso que eu te perguntei aquilo. TNC e outros. sobre consentimento prévio e informado.Eu só queria dizer. enfatizar a importância do registro. quando o Pinagé falou sobre a posição do Gatão lá naquela reunião. Agora. Na medida que eu considero que tem que deixar o espaço aberto para a RDS poder ser criada numa situação onde a comunidade não está superorganizada. Eu não sei se chegar a esse nível de detalhamento..

(conforme a lei do SNUC) uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para a sua reprodução sociocultural e melhoria da qualidade de vida. ou uso sustentável. pelo menos no modo como está redigido aqui. monitoramento. não só a comunidade.gerais. se. ela pode. No Pará isso é um caos. desse processo de produção de informação para constituir o processo e que oportunamente a gente pode até discutir. essa zona de uso antrópico estaria previamente definida. Quer dizer. resultante do processo de audiência pública como diretriz pro órgão gestor. administração.Passamos para o item oito. depois houve também a questão dos outros órgãos. Eu acho que a qualidade da informação. utilizando várias experiências com relação à produção desse material. Então. mas eu acho que a gente avançou em muitos pontos para como fazer esse processo todo andar e não aceitando as orientações dos alemães. uma manifestação expressa por escrito. por último. ela pode. não sei como isso se daria. por exemplo. No caso dessa ResEx. O Governo do Estado contra. E para dizer que a gente desenvolveu uma metodologia. O primeiro tem a ver com aquele primeiro termo. os vereadores todos são contra. tenho uma idéia aproximada porque do modo como está fraseado lembra muito a definição de uma terra tradicionalmente ocupada pelos índios no procedimento de identificação. eu acho que isso aí é uma questão séria para a gente levar em consideração. qual é a contraposição? Se a comunidade está bem informada. daquela coisa rápida. E. E a outra questão é. tudo bem. aí vou ler integral: “uma estimativa preliminar da proporção entre o número de famílias usuárias e o espaço necessário para a sua reprodução sociocultural e melhoria da qualidade de e viabilização da efetiva participação e tal”. para o meu entendimento. no processo de consulta pública. a própria comunidade pode tomar essa decisão. não preciso dizer. mas o que se cobra num processo de identificação de terra indígena é o que? É que o grupo técnico que vai lá identificar a área estime o que seria uma base territorial de recursos naturais que assegurasse a reprodução física e 197 . A SRª. ecológica para subsidiar de modo mais concreto. decidiu que quem tinha título de eleitor. a gente fez pesquisa básica na área socioeconômica. participativa que realmente aquilo ali. “delimitação da área”. A gente fala muito que a população tem que ter a informação. HENYO BARRETO (IEB . tem que ter uma contraposição. O que se cobra em termos muito gerais e truculentos. e mais. Bom. a prefeitura contra. assim como para viabilização da efetiva participação dos usuários na gestão. O segundo. que ela teria sido precedida de uma estimativa que é muito similar. juntos. Tudo isso tem influência no processo. quem é que repassa essa informação. O SR. controle da Unidade de Conservação. mas os demais envolvidos no processo. os jovens também podiam assinar porque a prefeitura é contra. como é que você vai fazer uma definição da área no processo de consulta pública. Terceiro. Eu não aceito aquilo. aquela discussão anterior. ela considera. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) . Delimitação da área. governo do Estado e etc. considerando para a zona de uso antrópico. fazem dela um baita de um desafio. a comunidade decidiu fazer o abaixo assinado. não vou dizer que ela é muito similar nos seus desdobramentos. Agora. eles dizem: “Nós temos que dizer que nós queremos”. O SR. vocês sabem disso.Brasília) – Eu queria ressaltar quatro pontos dessa referência aqui que. que ao se dar no processo de consulta pública. que isso se limita à zona de uso antrópico. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – É mais ou menos nesse sentido e pensando um pouco o que foi uma experiência que eu coordenei um processo de criação de uma ResEx e a questão da qualidade da informação. em tese. que essa delimitação se dá no processo de consulta pública. certamente não é perfeita. a deputada estadual da região é irmã do prefeito e é contra. se ela está relativamente bem informada. é conversa para boi dormir. com esse nível de detalhamento eu acho complexo. estou simplificando.

para fazer estimativa de proporção entre usuários e espaço para reprodução sociocultural. A SRª. mas que está falando também da área de extrativismo eventual. a FUNAI devolve para p antropólogo coordenador do GT. e tal. são duas unidades. os engenheiros agrimensores. pesquisas que demoram um tempo. mas eu queria expressar isso.. mas eu fiz questão de falar. Então. E eu acho que um modo. juridicamente tem o Benati defendendo a chamada “posse agroecológica”. tem um enorme mercado de trabalho aberto aqui para os antropólogos. na verdade. Se a gente parte daquela história de que é uma espécie de reserva de uso múltiplo. aí a preocupação de que na área de uso sustentável também esteja garantida a sustentabilidade ecológica. requer estudos antropológicos. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – A minha preocupação é a mesma do Henyo que delimitar essa área nesse processo de consulta pública eu acho que não dá para fazer isso. mesmo que todos nós estejamos de acordo porque não é isso que normalmente acontece. não o único. acho que é essa lógica da reprodução social. não sei muito como traduzir. do modo que está fraseado. CLÁUDIO C. o Governo decretou uma área bem maior e começaram os trabalhos de mapeamento do uso tradicional e daí é que saiu qual é a área de uso sustentável e qual é a área de preservação. isso fica minimizado pelas próprias considerações que o Henyo já fez. por quê? Porque você pode imaginar que a tal da zona de proteção integral resulte desse processo. do grupo social que acho que isso tem que ser registrado. Agora. Não há como você dizer que vai. primeiro. socioeconômicos. a gente tem que registrar e dar como de barato. delimitar a área. coisa do tipo. Então. Qual é o modelo de RDS que a gente está discutindo? Que foi o debate do fim da manhã. que ali reside. assim como a zona de uso antrópico. Então. que nesse processo de consulta pública não vai dar para fazer isso. que não é só área de moradia. é muito importante para o futuro. Eu queria puxar uma discussão que. da área de importância para a reprodução sociocultural. e que é preliminar inclusive porque vai para a FUNAI. que essa identificação está limitada a uma zona que não se sabe ainda qual é. que a gente está falando de uma área de uso mais amplo das comunidades locais. mas acho que vale a pena registrar que nem sempre se considera. porque a área não foi delimitada. no processo de consulta pública. etc. mas o fundamental. que é mais do que a sustentabilidade do uso. Bom. MARETTI (WWF-Brasil) – Então. por isso que vale a pena registrar. a partir do debate que a gente teve antes. daquele povo específico que ali habita. considerando a estimativa feita numa zona de uso antrópico que. ao mesmo tempo que melhoria de qualidade de vida e etc. não é só área de uso visível. Se você vai incluir dentro de uma Unidade de Conservação que o objetivo é proteção da natureza. Tenho experiência lá de Mamiraua que a área foi pensada e quando foi decretada. você ainda não sabe qual é. segundo. mas nem sei se é esse o caso. mas um modo possível de começar a fazer uma adequação dessa ambigüidade é não considerar apenas a zona de uso antrópico. é considerar a área potencial da RDS como um todo. tem ida e volta e etc. Eu acho que tem uma coisa interessante. essa lógica tem que estar registrada aí. mas a turma do geoprocessamento também. O SR. De certa forma. indefinidamente no tempo. para mim. é uma etapa posterior que não dá para ser feita nesse processo de consulta pública.cultural. apresenta algumas ambigüidades. que tem trabalhado em parceria com gente. para registrar o primeiro ponto e. colocar a zona de uso antrópico e a perspectiva quase de uma identificação de um território cultural nesse contexto complexifica bastante o processo. que é agricultura. dá a entender que vai haver um procedimento prévio de identificação de um espaço de vida qualquer. como você também não sabe qual é a de proteção integral. vai ser no processo de consulta pública. a conseqüência disso que é o debate da 198 . a rigor. primeiro. eu queria salientar isso. definida de várias formas. um mosaico dentro de uma unidade só. Então. desse povo. mas acho interessante a idéia da delimitação da área surgir do processo de consulta pública. que é o espaço desse grupo aqui.

Então. só fazendo mais um comentário.ResEx de novo. aí é da Unidade de Conservação como um todo. a aliança tem que ser repactuada. Eu participei do processo de criação de uma Reserva Extrativista. aliando essas informações. mas a sustentabilidade ecológica daquela área. às famílias. com dados de densidade demográfica e você pode. eu acho que o que está criando talvez um pouco de confusão é que. “que áreas que vocês usam hoje?” É claro que isso demora um mês. SALES – Henyo e Isabel. mas essa área de proteção total. alguma ajuda de mapas. A área de uso antrópico pode até ser uma co-gestão na fiscalização. dos agentes públicos e não dos moradores. acho que não é o momento. Com os Cujubins são 2 milhões de hectares para 67 famílias. ou seja. você pode aliar a essas informações de mapeamento de uso dos recursos. são informações que você tira desta negociação. Então. Então. mapeamento de áreas de uso. perdendo a lógica do conceito proveniente da aliança. a sustentabilidade ecológica de uma área não é igual à sustentabilidade do uso. E a principal preocupação desse critério é porque o Estado do Amazonas. mas eu sei que existem modelos onde você.. porque não adianta colocar a esteira de criação de ostras num lugar se vocês não fiscalizam”. administração. no sentido de que dentro da ResEx tem que estar entendido não só a sustentabilidade da atividade econômica. Obrigado. você tem o mapeamento de uso dos recursos. RENATO R. Agora. na informação das populações. fiscalização. não vejo nenhum tipo de drama nisso. ou se a zona de proteção integral da RDS supriria isso. Eu temo pelo futuro das ResEx. eu não trabalho com isso. Mas é no processo de consulta pública. se isso tem que estar na área de uso sustentável. eu volto a 199 . mas essa discussão é importante. A SRª. Então. nem nada disso. monitoramento. Para mim é um absurdo. trinta anos. que áreas vocês vão precisar?” “Que áreas vocês acham que dá para fiscalizar. etc. Hoje está definido no SNUC que são essas famílias as responsáveis pela proteção. de cartas que possam ser utilizados. esse critério aqui quer levar um pouco em consideração isso. você trabalha com os Cujubins. de uma área que considere essa relação. O SR. nem de geoprocessamento. envolve pesquisas muito aprofundadas. isso não é nada dramático. e tal. tem condição de estimar qual seria a área daqui a vinte. e aquela história das alianças porque as ResEx estão se transformando cada vez mais e mais somente num instrumento de resolução do problema fundiário. Eu entendo consulta pública. na verdade. Daí em seguida nós estamos sugerindo que essa fiscalização seja dos órgãos competentes. Como é que você pode imputar essa responsabilidade para 67 famílias para cuidar de 2 milhões de hectares? Então. pela defesa dessa área. existem sim ferramentas que podem ser usadas dentro de um tempo relativamente curto de atividades de campo para se delimitar áreas de usos de comunidades. nós estamos falando de algo mais e acho que isso aí vale a pena usar o caso desse debate. com outros parâmetros que não da sustentabilidade ecológica de uma área intocada. Posteriormente você vai delimitar com mais calma. não se trata de fazer estudo como a FUNAI faz. principalmente para RDS. Raquel.. Enfim. mas pode ser feito nesse processo de consulta pública. Então. projetar isso para o futuro. essa questão de participação dos usuários. “que áreas vocês acham que vocês vão precisar futuramente. que essa delimitação de área foi feita assim mesmo. RAQUEL CARVALHO DE LIMA (Conservação Internacional) – Sobre os Cujubim. é outra situação. E quando foi colocada essa questão da delimitação da área. essa delimitação é pura informação dos moradores com algum apoio. se aumentar o número de famílias?” “Se forem fazer a criação de ostras ou outro recurso. com relação à essa delimitação preliminar no processo de consulta pública. como um fórum onde as informações das populações têm que ser levadas em consideração de maneira bastante efetiva. mas isso eu estou confiando na declaração. você não pode imputar essa responsabilidade aos moradores. como você disse. nem antropólogo. é uma coisa rápida. por exemplo. não é só da zona de amortecimento. dessa troca de informações com a população. mas o que eu queria dizer é o seguinte.

a doutora Sônia falou de procedimento.. longo. mesmo que as atividades tradicionalmente desenvolvidas sejam conceituadas como predominantemente extrativistas”. que foi todo o debate que a gente vem fazendo. Mas o estudo de criação. e tal. Então. você pode ter um tempo longo.. é a RDS e APA. muito menos operador. o estudo de criação é uma coisa. SALES – Então. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Acredito que. a partir de uma estimativa preliminar. releio. CLÁUDIO C. ponto. falta definir quem são os sujeitos dessa estimativa e desse zoneamento que vão estar em jogo no processo da consulta. as pessoas que confundem consulta pública como audiências. no SNUC o que é essa consulta pública. Realmente. em detrimento de RESEX. qualquer que seja. HENYO BARRETO (IEB . O próprio André. se você usa o termo “consulta pública”. O SR. passamos para o último item desse bloco que é o item nove. que infelizmente não está aqui de novo. etc. E o CLÁUDIO estava citando uma publicação do Ministério do Meio Ambiente com apoio do WWF. etc. deverá prevalecer a categoria RDS. leio. quando a gente discutiu consulta pública a gente reforçou muito esse conceito que consulta é um processo. inclusive se for necessário de ser longo. e trileio. mas.Brasília) – Acolhendo o teu esclarecimento. fica claro que vocês tinham em mente quando redigiram. o processo de consulta é outra. mas quando a gente lê. “Nos casos em que as famílias residentes na área alvo de proteção apresentem as características descritas na condicionante número 1. Quando você explica. como se fala de delimitação do processo considerando uma zona. etc. ainda mais nesses casos onde você tem possíveis beneficiários diretos. assustadoras porque isso não serve para 200 . quem efetivamente é o sujeito desses dois movimentos que estão sinalizados aí o zoneamento e a estimativa preliminar de área necessária para reprodução sociocultural. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Ao contrário da consulta pública. mas de todo modo. reuniões públicas e outras formas de oitiva. etc. Fala que as populações têm que ser consultadas. etc. isso que vale”. que é a RESEX. deveria precisar quem é o sujeito desse zoneamento e dessa estimativa preliminar que vai ser feita aí dentro porque eu concordo com a ponderação que a Raquel falou. pela falta de inscrições. O SR. Na verdade. a respeito de alguns aspectos. na cabeça da maior parte das pessoas vai vir uma atividade de três dias. demandem a criação de uma Reserva de Uso Sustentável e não queiram ter suas áreas desapropriadas. detenham títulos de propriedade das terras. Eu não sou especialista do Direito. Mas eu leio aquilo. 30 dias. que dirá jurista. MARETTI (WWF-Brasil) – Acho que aí é o momento da gente expressar o debate todo da questão fundiária. e tal. talvez fosse interessante para ficar um pouco mais claro. não é exatamente o enunciado que está aí. que foi resultado de uma oficina. etc. Você pode imaginar que uma consulta pública seja o permanente processo de criação até que se chegue a um acordo entre as partes envolvidas e etc. olho e fal: “É de domínio público. informadas. não está definido. o próprio André trouxe várias hipóteses de interpretação.. qualquer que venha a ser. etc. Que na RDS Ponta do Tubarão. que eu acompanhei esse processo. quer dizer. conceitualmente. acho que a redação.. e a conclusão que se chegou nessa oficina que consulta pública é o processo. O SR. mas só. um tempo de campo de 20 dias. O SR. a audiência pública está regulamentada pelo CONAMA. RENATO R.. Aí é que está. é um tempo. FUNBIO. Raquel. foram cinco anos que eles consideram de consulta pública. enfim.lembrar. uma delas. O SR. A gente viu que tem várias interpretações divergentes. inclusive a possibilidade mais assustadora de todas que é ter áreas de propriedades privada ilhadas no meio de uma Unidade de Conservação. mas o que está expresso aí é a questão domínio público ou não.

aí já não sei se posso ter tão fático. não está aqui agora de novo. Por isso é que eu defendi. ou seja. por conta do horário. Reserva Biológica e etc. ele ficaria excluído desse processo. não é isso que você está falando. essa são as considerações que eu faria em relação à questão da titularidade do qual decorre esse condicionante. não está enchendo o saco. de outro jeito. Está a propriedade privada lá dentro. não é tão explícito como Parque Nacional. Então. uma fazenda. Então. Esse ponto para mim tem uma importância muito maior. Eu acho. mas eu acho que precisa arrumar ali e aí eu queria ver o pessoal que é da área arrumar. eu acho que tem que estar na teia do interesse daquele grupo social local que não é só subsistência. é necessário desapropriar. não tenho nenhuma contestação a isso. a gente tem o poder da observação técnica do especialista. a lei não manda só para gente. 15 famílias que moram isoladas na beira do rio. de que é domínio público e ponto. na questão conceitual. por exemplo. Então. do ponto de vista dos especialistas de conservação. Esse é o entendimento que eu tenho. protegido. Então. mas a minha contestação é anterior. na proposta de conservação. de novo.SDS/AM)) – Eu vou ter que sair agora. você está falando de outra coisa. Eu sei que você está colocando isso. Se ele é diferente. ele fica lá dentro porque não está apurrinhando a paciência do cara. ilhada no meio de uma RDS. vamos dizer que o indivíduo não mora em comunidade. a gente tem que influenciar e aí tem aquelas palavras mágicas. Refúgio de Vida Silvestre e tal. a gente tem que construir as leis. mas eu acho que tem que ser de domínio público e parece que quando eu fui almoçar a Sônia defendeu isso também e ela também. quem não está de acordo. o termo “comunidade” porque não é o cara local. ribeirinhos. Então. mas vocês ouviram. Só poderia permanecer no caso de ser comunidade local e não a interpretação que tem sido dada que você pode ter lá dentro fazendas e etc. se você pegar a história das reservas. mas num outro sentido. Então eu acho que se você achar que é só a comunidade. Quando diz “quando necessário”. a lei vai ter que olhar também por isso. O SR. que não é só extrativismo. Agora. com Monumento Nacional e outros. tem amparo no documento legal e tem amparo na política. com os outros. Para mim eu comparo o texto da lei. tem amparo no documento legal. porque se deixar da forma que está o SNUC. lá atrás. ia ter muito mais gente especialista aqui que eu para me contestar sobre isso. nem para o objetivo de proteção. que são pessoas que estão lá. mas é o cara que vive numa comunidade.. no caso da RDS. Aí todo mundo vai ter um cara que tem uma área grande. mas se você coloca. André apontou. 7. eu não. você vai ver que tem 6. ele também é diferente e não é nada comparável. sem que a gente imponha barreiras rígidas a isso. Com relação a essa questão de domínio público. eu acho que do pouco que eu consigo entender dos processos. infelizmente. Mas. esses indivíduos. nas ciências sociais. que os outros. Eu acho que o CLÁUDIO estava falando uma coisa que precisamos um pouco entender. nunca. nem para a comunidade. Agora. inclusive. se a minha interpretação legal não vale. imagino. seja em grupos sociais. eu acho que a gente tem que negar categoricamente a possibilidade apontada de ter uma área privada. nunca vai ser obedecido. nem para quem vai ficar ilhado. de qualquer forma. estão numa situação completamente diferente. cria uma unidade e ele fica lá dentro. quase. aí abre toda uma discussão. Tem muitas. na proposta técnica de conservação da área. para mim que não sou da lei.ninguém. eu entendo que é quando necessário se uma propriedade privada estiver lá dentro. com relação ao fato de quem está de acordo faz assim. Por isso que eu fico meio preocupado em concordar com essa idéia sua. eu concordo que seja domínio público. é a restrição para a comunidade local. seja nas ciências ecológicas ou na gestão da conservação. com você apontou. é um indivíduo. “só é permitida a propriedade particular se for morador ou se for 201 . aí eu acho que a saída e aí é uma visão estratégica e aí eu acho que também. pela minha leitura técnica. pela leitura técnica. mas ele fica lá dentro. mas eu acho que tem essas características de relativa pequena produção e etc. eu acho que deveria melhorar essa redação e fazer como as outras categorias. FRANCISCO ADEMAR DA SILVA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável .

O SR. HENYO BARRETO (IEB .. essa era a proposta número 1. Então. muita gente. porque não precisa desapropriar ninguém. eu gosto da idéia de famílias residentes ou usuárias da área alvo da proteção. como é que a gente interpreta. pelo horário de vôo e necessidade de ausência das pessoas.. Tem muita discordância internamente entre nós. a gente tem duas opções. Espero que a gente consiga ter outros momentos para a gente definir isso porque é legal a gente poder participar. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Henyo. das famílias que ocupam essas áreas. de novo. contribuir nesse aspecto. e aí. nem que a gente fale: “Quem tem comentário sobre alguma diretriz?” Eu pelo menos posso ficar aqui mais umas seis horas. Foi sintomático que o último item que o Renato e a Lucila apresentaram ele vai recuperando elementos de outros. Henyo. pelos acenos de cabeça eu não vou falar a número um. MARETTI (WWF-Brasil) – Eu acho que vale a pena mandar para todo mundo. quem tiver contribuição eu acho que é bem-vinda e a gente tenta fazer o processo de respeitar isso aí. Eu acho que a tem que era gente tem que ter mais responsabilidade. Vou falar a segunda que é mandar por e-mail esse bloco para que a gente possa agregar os comentários. que é um outro negócio interessante porque essa. acumula em cima de uma caracterização. Então. tem demanda social pela criação da reserva e não querem ter suas áreas desapropriadas. Ademar.Brasília) – Esse foi o que eu mais gostei de todos. E a proposta número um. Tem um bom sentido e aí é que os governadores. aí vocês recuperam aquelas características que estão lá no item um. só uma questão de ordem. detém o título de propriedade de terra. CLÁUDIO C. deixa como está”. Então. cria aí.comunitário”. continue no debate. eu crio. a gente prossegue e finaliza pelo menos esse bloco. eu quero criar 1 milhão de hectares a 4 milhões. mas parece que é essa a interpretação. Eu acho que a gente tem que chamar mais uma responsabilidade porque RDS é uma categoria que precisa ter um pouco de consideração nesse aspecto fundiário. porque falou em famílias residentes. ou seja. O SR. HENYO BARRETO (IEB . e é o que está acontecendo hoje nas RDSs. vem a tal da famosa distinção em relação a ResEx. estão no dois e no três. mas acho que não impede que quem estiver. eu consulto também Lucila e CLÁUDIO. nós temos um bloco de 8 condicionantes no próximo bloco e. nós que eu digo é o governo que tem que ter mais responsabilidade a optar pela RDS porque a RDS. ainda que geral. a gente não vai conseguir esgotar isso. O SR. O SR. RDS. me parece tem que criar numa condição assim: “Ah..Brasília) – Sem problema. eu acho que esse é um. mas não estão só no item um. mas com um monte de propriedade lá dentro. a vivência e experiência de vocês que é o que a gente está procurando aqui oficina. O SR. pelo menos o entendimento do Renato e da Lucila sobre essa distinção se caracteriza exatamente nesse último quando recupera alguns elementos anteriores.. Se alguém tinha alguma preocupação com a distinção entre ResEx e RDS. não sei em outros biomas e 202 . É muito interessante. Ao invés de melhorar a situação vai complicando.. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – Pó chefe. arranjar um termo que diga que só é permitido com essas condições e não com as condições que estão lá porque aí você deixa uma abertura muito grande e vai caber interpretação de várias e várias pessoas e aí não dá em lugar nenhum. mas só por criar. desculpando os apartes de encaminhamento. viu Maretti? Me desculpa. Era essa a minha contribuição e eu queria aproveitar para agradecer e pedir desculpas por não ir até o final do debate que eu achei super-interessante a nossa discussão até aqui. os prefeitos estão apitando para criar essas reservas porque fica de paz e amor com todo mundo e fez a parte dele.

lá na margem em esquerda do Nini. mas em vários lugares da Amazônia é isso que ocorre. O SR. porque isso é uma limitação. o novo modelo de RDS. no título definitivo. ele estava falando: “O que nós vamos fazer? A gente vai recuperar o conceito original que foi discutido no SNUC ou nós vamos levar em consideração o que está sendo efetivamente praticado com relação a RDS pelos órgãos executores? A gente vai juntar as duas coisas? O que a gente vai fazer?” É uma tentativa de chegar nesse modelo novamente. de potenciais proprietários. Não vejo em que medida isso é necessariamente excludente com a situação de domínio público porque o uso que se faz daquele espaço específico do lote. e tal. O que importa é que. O SR. eventualmente. de fato o detentor da posse está efetivamente colaborando com os objetivos da RDS. a títulos de propriedade de terra porque títulos de propriedade de terra poucos vão ter. está usando esse critério. havia quando eu fiz pesquisa lá há uns seis. Retomando o que o Mercadante falou hoje de manhã. que eu seria mais elástico. Nesse sentido. Essa RDS criada em Marajó foi em função disso. o CLÁUDIO fez aquele comentário. de gente que tem licença de ocupação e. No Estado do Amazonas as reservas estão sendo criadas justamente em situações onde se encontra propriedades privadas porque o Estado ou não tem recurso para fazer a desapropriação ou não tem vontade política.tal. sete anos atrás. pagavam ITR regularmente e tinham expectativa de um dia ver essa situação traduzida numa LDO. entrevistando por volta de 52 pessoas. Eu acho que isso contempla situações interessantes. e você perde a oportunidade de criar uma Unidade de Conservação. em contextos onde você tem exatamente essas situações híbridas de apossamento. para considerações posteriores. dizendo “quando forem necessárias as desapropriações”. sem reconhecimento. ele pagar ITR. RENATO R. condizente. enfim. Eu acho que se tem uma coisa que é esse elemento de distinção da RDS tem a ver exatamente com essa questão. elas desenvolvem atividades não muito impactantes. onde haja uma reivindicação para a criação de Unidade de Conservação pelas próprias famílias. a título de sugestão. é uma realidade. numa Licença de Ocupação e. mas ele tem a expectativa de um dia ter. é uma coisa potencial. Eu até tinha uma pergunta depois para fazer para o Pool sobre essa história da RESEX. etc. no meu entendimento. elas tenham como comprovar essa dominialidade. não limitaria a título de propriedade. O que nos leva a fazer uma proposta dessa é o seguinte. mas eu acho que. depois. Na prática está acontecendo isso. harmonizado e adequado com os objetivos gerais da RDS que o Poder Público não precisa se onerar em fazer a desapropriação. Ainda não tem LDO nem tem titulação. é como a Lucila fala. na prática. se vai ter ou não isso é uma outra discussão porque o processo de titulação em algumas áreas da Amazônia é complicado. No Rio Grande do Norte aconteceu a mesma coisa. nesses casos. porque o Estado vai desapropriar para depois dar concessão real de uso? Sendo que em alguns desses casos eles brigaram tanto. eu falaria também em imóveis registrados no Cadastro de Imóvel Rural do INCRA. porque há. a gente sabe que o capital é muito forte e quem garante que essas famílias vão suportar o peso do 203 . de apossamento com registro do lote e pagamento do ITR. mas ele tem o lote dele registrado. que eles não vão querer isso. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – Eu vejo com ressalva essa questão de titularidade e domínio de terra porque isso. O CNPT que de alguma forma vai participar desse processo de regulamentação e é o órgão responsável pelas RESEX e RDSs federais. vai render muito pano para manga. foi essa questão do domínio nas RDS. É claro que essa interpretação do artigo. ela se dá ou ela pode se dar. uma das questões mais polêmicas. se eu tivesse uma proposta para fazer aí é que a gente não limitasse. mas muitos vão ter o que? Seus lotes cadastrados no INCRA e pagam ITR. da posse. de apossamento puro e simples. SALES – Então. a vida inteira para conseguir um documento comprovando a posse. Eu gostei bastante desse e fique registrado. pode ser tão coerente. pessoas que tinham.

Bom. pode ser de alto impacto local. Quer dizer. O que se deve avaliar. não é uma aparente. eu acho uma brecha muito grande essa questão de propriedade numa RDS. é uma contradição.. Considerando isso. pelo menos nesse momento. isso pode ser.. um grande obstáculo efetivo para a criação de Unidades de Conservação. agora. naquele local restrito. ecológico. para a preservação do ecossistema abrangido pela RDS não é impactante. na leitura da lei. vou dizer porque. não estou segura ainda. interpretação sistêmica. claro que não quer mexer com os fazendeiros e por isso todos esses arranjos. do ponto de vista sistêmico. Teoricamente é muito simples resolver. seguindo o raciocínio aqui. mas eu acho um problema essa questão da presença de propriedade dentro das RDS. na verdade. por uma impropriedade da lei. e aí não sou eu que vou fazer. evidentemente. é possível você compatibilizar preservação de grandes áreas com pequenas ocupações que não necessariamente são de baixo impacto local. Eu continuo indo a campo. É uma questão muito de disparidade quanto à questão do poder e eu não vejo. ponto. Então. Então. O Presidente da República assina o decreto e está resolvida a questão. depende muito do que a gente vai discutir ao conceito efetivo de Reserva de Desenvolvimento Sustentável que vai nortear a estrutura como um todo. Não conheço nenhum caso em que haja esse tipo de conflito ou no entorno ou mesmo dentro que tenha havido parceria. A gente sabe que a lei não permite. é possível. ou quando necessário. isso se resolve de uma maneira muito simples. a gente diz: “Só não será necessária a desapropriação na seguinte hipótese. é a seguinte. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Eu acho que essa questão está. só não será necessária aí lista de quais são as hipóteses. Então. então. B. a gente não sabe. se fala que. ponto. basta dizer no decreto que só não será necessária a desapropriação nas seguintes hipóteses. Está resolvido. O que leva uma redação da lei. no Pará vocês sabem de toda a questão da escravidão 204 . O SR. Um governador. me diga porque eu quero ir lá ver.capital? Nós já temos propostas lá de deputados e outras pessoas lá no estado de extrair madeira lá da RDS. A verdade é que a lei permite esse tipo de interpretação. Não sei se é o pior dos mundos. é de alto impacto. eu acredito que mais por uma impropriedade. e é assim. ele participa de processos legislativos. não é necessariamente o que vai ser determinante e a implementação dela no futuro. tem um caso lá na RESEX de Soure que chegou a fazer. Agora. E vou de norte a sul e conheço quase de palmo a palmo a Amazônia. Amazônia não é um vazio populacional. É possível se admitir essa hipótese? Não estou avaliando o mérito dela. a lei permite esse tipo de interpretação. colocou até uma escada para a população subir porque ela não permite porteira. quando a população beneficiária detiver título ou documentos análogos referentes ao domínio”. O que o legislador quis dizer com “quando necessário”? Bom. Ela. posso até estudar casos e oferecer o leque de análise e tal. eventualmente. por exemplo. mas no contexto da RDS como um todo. se interpretar que você tem a possibilidade de ter propriedade dentro da reserva que não sejam contabilizadas como Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Então. e D. Essa contradição da lei se resolve assim. aquilo que o Maurício disse aqui. uma atividade de mineração. tem que abranger outras hipóteses que não apenas a hipótese de população diretamente beneficiária a ser titular de domínio da área e a lei. C. essa é a primeira questão. A SRª. isso pode ser uma oportunidade? Se positivo. mas se alguém tem um título e o capital vai e compra aquele título lá dentro daquela área. Se esse foi a motivação. não sei. a própria lei de criação não permite. LÍGIA SIMONIAN (UFPA) – Bom. A. eu conheço a realidade de lá. ela negou o acesso e está dentro da reserva. se é positivo ou não do ponto de vista econômico. estou dizendo: é possível se pensar isso. Os conflitos são sistemáticos. Então. muito menos um mar homogêneo fundiário. olha. eu acho um problema. se alguém souber aonde tem uma situação que isso é viável e está sendo viável. quem impede que ele pode vender ou não? E essa pessoa que entra lá começa a fazer coisas que não está condizente com a preservação. relacionada com essa referência aí.

O SR. imediatamente caiu por terra o único pressuposto de manutenção da propriedade que é a propriedade ser pertencente ao beneficiário direto da Unidade de Conservação. veja bem. Agora. CLÁUDIO C. Não trata-se de latifúndio. mas legalmente eu posso delimitar limites que tem buracos dentro. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) . todo mês estou viajando para uma área e o que eu vejo lá é feio. isso aí vai ser outro problema porque na FLONA de Tapajós que diz manejo sustentável. O que me impede de fazer um parque. de qualquer área que seja de domínio público pode ter buracos.. Então. mas no quintal não está. O SR. O SR. enquanto que o próprio IBAMA.. nos escritórios. 205 . excluir um monte de áreas privadas dentro dele. Eu posso fazer isso independente de texto. é muito diferente. teoricamente pela lei. O condicionante número um define aquelas coisas de população tradicional. dessas mudanças que estão havendo na lei florestal. isso aí é APA. já estou na Amazônia há um bocado de tempo. sem poder nenhum. já expressei tudo. mas com relação à exclusão. não é uma RDS. Portanto. essa coisa das relações de poder em âmbito local. O SR.. Eu vejo isso aí como uma ameaça grande.. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – Depois que a lei descobre. já que me deram a oportunidade. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Consta do livro Direito Ambiental de Áreas Protegidas do Antônio Herman Benjamim. tem na fachada. quem vive. que é um queijo suíço? Posso fazer um parque desse tamanho. RENATO R. Se ela vendeu. Ela explicita.. O SR. a partir da definição clara dos casos. MARETTI (WWF-Brasil) – Na verdade. através do Pró-Várzea está financiando. tem que ser muito explícito e tem que ser claramente definido. não é interpretação do André Lima. não quero ficar voltando. só para concluir. não tem porque eu já fui no quintal dele. também com relação à essa questão da própria. Você devassa a madeira branca e a comunidade está assim. cai a exceção e volta a ser a regra de desapropriação. se é para fazer isso. É claro que isso pode abrir um precedente. que no decreto se consegue segurar isso. os procuradores do Estado um deles é José Eduardo Campos Rodrigues e o outro é o Guilherme José de Figueiredo que é doutor em Direito Público. O SR. De repente o cara lá diz que vai se integrar na RDS. essa relação do proprietário é muito dramática na Amazônia.) mas a lei permite que eu faça isso e ponto. me digam se não é uma APA? E toda a jurisprudência. SALES – São família residentes. SALES – Mas ele não se encaixa na. é alguém de fora da comunidade. aqui não são grandes proprietários fazendeiros. se é isso porque a lei efetivamente permite a interpretação de que a propriedade privada é compatível com a figura da RDS. RENATO R.. a área.Mas num argumento técnico com você eu posso dizer que não tem fundamento técnico. Então. SÔNIA MARIA PEREIRA WIEDMANN (IBAMA) – Eu acho que vivemos para ficar abrindo precedente. isso aqui é uma APA. o dano já está feito. Do ponto de vista da gestão pode ser errado. Eu acho que esse é um problema sério. Mas eu (. não é a nossa relação de poder aqui. A SRª. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – Se quem adquire a propriedade não é a população beneficiária. O SR. que contradição é essa.ainda presente.

A gente está discutindo isso com as comunidades e as famílias que têm títulos de áreas principalmente dentro da reserva maná e as família têm documento expedido pelo INCRA que paga o imposto tal e a gente está discutindo com elas o seguinte. pelo menos nos itens 2. Se entra em conflito com os objetivos da reserva. você pode ficar renovando o prazo desse termo de compromisso. se necessário. agora. de um planejamento você preveja isso.Brasília) – Era um comentário.) de RDS você faz um contrato de concessão de uso e assina um Termo de Compromisso específico para essa questão. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – Eu queria falar um pouquinho de como é que a gente está interpretando essa coisa que deve ser desapropriada.O SR. ali está no condicionante. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) . não vou defender não. CLÁUDIO C. eu acho que não percebo que ela abre um precedente que ela lastreia todos os elementos que já se encontram ali. O SR. achei simpática. Você vê. sobre os TAC que interpelam diretamente essa questão da existência de titulação. não sei se isso tem valor legal e as outras você tem o instrumento específico no SNUC que fala que quem mora em domínio público e tiver o compromisso (. você tem essa situação. seja pela questão do Conselho Deliberativo. aí é uma pergunta para o Renato e para a Lucila porque vem as diretrizes e nas diretrizes para implantação. O SR. seja pelos esquemas de mitigação de impactos tem a área da CVRD cercada de terras indígenas.. ANDRÉ RODOLFO LIMA (ISA) – E esses dois doutrinadores e práticos da lei interpretam dessa forma. Seja por intermédio dos esquemas de compensação ambiental. é interessante perceber como o processo histórico produz isso. RENATO R. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – Não. só família que estão lá há bastante tempo. pelo menos.Independente da titularidade? A SRª. E insustentáveis estarem literalmente encravadas em áreas de grande favor ecológico. 3 e 4. na implantação é que entra essa questão de desapropriar as propriedades e estabelecer os Termos de Compromisso com as famílias locais. é domínio público e ponto final. na hora de estabelecer unidade. 206 .Brasília) – Eu gostei. que é um estrupício sob qualquer ponto de vista fornecimento de energia. é quando o uso daquela área está indo contra os objetivos da reserva. Só para polemizar um pouquinho.. você tem toda a razão. ambiental e de grupos humanos tradicionais. se necessário. O SR. Balbina. seja pela forma de Termo de Compromisso. incapaz de fornecer energia para Manaus não enfrentar blackout e aí você tem estação ecológica. as que têm documentos comprobatórios você faz um tipo de compromisso específico para isso. dois ou três itens.. O SR. como corolários das referências para a criação há.. O SR. A SRª. que tem a ver com os desenhos. SALES .. É muito interessante. eu acho que isso precisa colocar na legislação porque o “se necessário” está muito. MARETTI (WWF-Brasil) – Ele terminou. mas. O outro. se por um lado. aí será desapropriado porque está indo de encontro ao objetivo da reserva. nem sempre isso é levado em consideração. Só peguei a Vale e Balbina para exemplificar. Então. HENYO BARRETO (IEB .Isso é critério para criação. seja pela forma de manifestação expressa de desapropriação. HENYO BARRETO (IEB . que é o item dois. tem a terra indígena tal. o processo histórico leva em. que desenvolve atividade..

esses títulos de propriedade de terra. O SR. Vamos estar mandando os documentos que estão contidos nas pastas para todos os participantes da oficina e também esse quadro que vocês viram para que vocês possam. MARETTI (WWF-Brasil) – Se a idéia é a gente encerrar por aqui.O SR. CLÁUDIO C. A SRª. não faz. isso aí é levar com a barriga. nessa situação de nova. Só para vocês terem uma idéia. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – E até hoje. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – O encaminhamento é o seguinte. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – E a gente sabe que não resolve. ISABEL SOUSA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamiraua) – Acho que falta acrescentar ali. préencerrando. foi furando uma pessoa depois da outra.. mas foi perguntado assim. dado os horários de deslocamento das pessoas. à guisa de encerramento. o que gerou problema de integração dos dois trabalhos. a gente chegou à finalização do primeiro bloco e o segundo bloco. Se tu estiver de acordo com os objetivos da área. O SR. estava ali agradecendo ao André pelo parecer dele urgente. foi pouquíssimo tempo. eu queria. porque se fechar a federal a gente não pode nem mexer na estadual. Agradecendo o André pelo parecer que ele expediu a jato. sinceramente. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – CLÁUDIO. O SR. A SRª. a distribuição pelos tipos de atores sociais. A gente tem que ver o cenário político. esse mês a gente vai fazer um levantamento fundiário com o INCRA porque tem muito essa coisa. A gente tem problemas não só com essas pessoas. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – Depois de criada uma reserva. mas têm que obedecer as normas do Plano de Manejo da unidade porque senão o cara começa a fazer tudo o que ele quer e aí o vizinho acha que também pode. O SR. a jato. mas a documentação toda é bastante. exatamente. o número de entrevistas.. Mas voltando ao que eu tinha falado antes. talvez de uma forma. Consulto também o CLÁUDIO. às vezes nem se elabora o Plano de Manejo. a ONG está envolvida no processo de criação ou não? A comunidade que está dentro. o volume de cada entrevista que foi produzido diretamente ou sob coordenação do Renato e da Lucila é significativo e é um material rico para registro para quem quiser se aprofundar no tema ou para gestão ambiental ou para atividades outras de conhecer os processos. então. eu já queria aproveitar. O SR. a próxima parte já seria a gestão e a criação a gente encerrou. como a gente tinha levantamento colocado aqui. a gente poderia estar mandando a tabela e os demais materiais por e-mail para a gente receber consultas sobre isso. sobre futuro. que está fora? A comunidade que é 207 . mandarem contribuições principalmente para o segundo bloco para que a gente possa agregar isso e ter aí um encaminhamento do cenário geral de pensamentos e ansiedades sobre o assunto. mas os títulos são grilados mesmo e aí para a gente ver a validade disso porque muitas vezes não tem nem validade. eu sou dono. parabenizar o Renato e a Lucila pelo trabalho que foi feito. deve ser criada uma reserva. JESSEJAMES COSTA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA) – Ou faz é complicado demais. Antes de passar para isso. E cada cenário político complica mais ainda. para você desapropriar é muito complicado. Deixava bem genérico e nós estamos trabalhando no Estado o sistema estadual e lá a gente poderia fechar e não teria terra titular de terra. como também com vizinhos que está sendo criada um bocado de área indígena. de algumas idéias. acham que pode fazer tudo. acha que pode fazer também tudo o que o outro está fazendo.

vai ter tendências maiores que as outras. quais são os pontos que têm que ser enfrentados? Vai ter soluções ou idéias que foram dadas aqui. SALES – E a gente se compromete a.Brasília) – Alguma coisa vai estar pronta para a reunião de dia 6? O SR. a gente vai disponibilizar. isso é um outro tempo. CLÁUDIO C. O que a gente pode fazer.. a decisão do que vai sair da esfera federal não cabe a nós. HENYO BARRETO (IEB . a partir do estudo que eu chamaria ainda técnico. mesmo em versão preliminar. em função do que foi debatido e ponto. a gente tem um acordo formal já firmado com Amazonas. Nós vamos levantar. Mandar para colher mais opiniões. MARETTI (WWF-Brasil) – O pessoal espera para última hora se coloca muito tempo. o que a gente faz. Agora. mas o que eles vão fazer é a questão do conteúdo. Mas aí tem que caçar as coisas entre centenas de páginas. e a qualidade normalmente é boa. Passa por uma semana. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) – A gente passa o e-mail já orientando as pessoas que a gente gostaria de receber até a data tal. Então. uma revisão do documento dele. o trabalho dele termina. embora eu tenha considerações da área legal. a gente pode pensar em como formular uma proposta de legislação. O SR. RENATO R. estamos fechando um acordo com o Pará. ou seja.. relatórios e tal. O que a gente com certeza vai ter é o material que foi oferecido hoje. mas o relatório deles não é uma proposta de regulamentação no sentido legal. MARETTI (WWF-Brasil) – Eu prometi mandar do jeito que estivesse. O SR. se o pessoal do IBAMA (. estamos à disposição para continuar conversando. expressar o que sai do evento. nós vamos entregar para os órgãos estaduais e para o os órgãos federais.a favor. basicamente o que a gente está esperando é basicamente algo como a gente discutiu no final da manhã e agora à tarde. sem revisão. decreto para o caso do Amapá. eu não estou pensando que a gente deva dar mais passo depois disso. Amazonas está. Especificamente com vocês. uma publicação mais simples porque é uma coisa para ser rápida. inclusive a gente poderia distribuir para os convidados e não só para os presentes. No caso específico que você pergunta. O acordo que a gente tem aqui agora. Agora. mas um monte de coisa a gente saiu com divergência inclusive essa da propriedade privada. ou uma semana. e dizer. Esse prazo a gente podia definir em 15 dias. inclusive alguma possibilidade de polêmica. a comunidade que é fora? Nossa intenção é produzir para disponibilizar isso tudo.. CLÁUDIO C. Ministério e IBAMA. não cabe à essa reunião e provavelmente não vai seguir as recomendação dessa reunião. já no começo da próxima semana. qualquer uma das partes para qualquer um que interessar e daí. inclusive a Sônia ficou de me passar o material dela e a gente vai ter. 208 . provavelmente a gente vai colocar isso pouco a pouco à disposição. das apresentações. nós podemos pensar em que nós vamos assinar especificamente isso aí. não adianta fazer luxo que perde o momento histórico. a transcrição. O SR. A Lucila e o Renato vão fazer uma síntese interpretada a transcrição do debate feito. O SR. já tem um acordo.) e daí pensar num outro passo. de divulgação. Jessé.) mais ampla possível.. quem quiser contribuir (. além do Governo Federal. estão querendo discutir. é ter um outro documento sintético que revise os temas que eles colocaram ou que aponte outros ou que reescreva as propostas intermediárias da gente distribuir essa tabela por e-mail. Isso posto. mas eu não posso garantir que o relatório vai estar pronto. mas é claro que ele vai ter diferentes níveis de acabamento.. Isso pronto.. Não posso me comprometer com o que vai sair na área federal porque isso aqui é uma reunião de especialistas para oferecer esse produto técnico para os órgãos tomarem as decisões.

obviamente. independente da gente continuar esse debate de RDS. 209 . parcerias. dito isso. mas vai levar um tempo. volto a insistir. um debate sobre categorias. começa a fazer antes de estar pronto. nada de um livro luxuoso. O SR. mas sob uma conversa específica. volto a abrir. para o UCN com a qual eu tenho trabalhado como voluntário. mas o programa que eu coordeno é o Programa de Áreas Protegidas para a área de Amazônia. os dois documentos. A gente queria avançar pouco a pouco para tentar ter uma visão geral. um deles que apareceu sem o nome. é muito mais perigoso fazer com menos gente. leva pelo menos uns três meses. edição gráfica. mas seguramente a gente estará levando essas discussões. Algo mais. Algumas não receberam porque não checaram o e-mail. gente? Bom. mas a idéia depois é ter uma publicação simples. Também. Senão. e passar o material que foi oferecido nessa reunião. a partir de uma visão brasileira. ela é considerada assessora do Secretariado e ela pretende fazer. do tipo caderno. mas o WWF-Brasil já está trabalhando e está trabalhando com o Governo de Rondônia para as RESEX estaduais. quando tiver o relatório no mínimo para vocês em versão digital. Então. receberam parte do material. Então. a gente vai procurar fortalecer do que a gente chama de categoria seis. eu represento a WWF-Brasil aqui. porque foi enviado só ontem. FERNANDO VASCONCELOS DE ARAÚJO (WWF-Brasil) . Em poucos meses. a UCN da qual o IBAMA é membro e várias ONGs brasileiras são membros.Esperamos vê-los em breve. quase todas. mas a gente faz essa visão extra para poder dar sustentabilidade e também. mas algumas não receberam o completo. dessa forma. A SRª. pelo menos de RESEX e RDS. talvez na mensagem a gente pode comentar materiais preliminares para interessados.O SR. aí já pensando nos quatro documentos. no final de 2006. E aí. eu queria renovar o agradecimento à presença de vocês. CLÁUDIO C. mas eu quero dizer o seguinte. a gente pretende continuar a discussão sobre RESEX. vale a pena enviar de novo. os relatórios. então. Talvez não complete porque é muito mais complicado. encerro. A gente vai tentar fazer um debate. A partir daí. se tem mais alguma palavra. LUCILA PINSARD VINNA (Consultora) – A gente gostaria de agradecer o comentário de todo mundo e a participação. O do André e a Sônia Mercadante e aí a tabela e dar um prazo de 10 dias para respostas. trabalho todo de fazer o relatório. nós estamos abertos para discussões. MARETTI (WWF-Brasil) – Algumas pessoas. se for possível. volto a dizer. mas nada de FLONA.

NUPAUB/USP 4) 3 Órgãos Públicos Federais: Paulo Oliveira – CNPT / IBAMA Ronaldo Weigand – Programa Arpa / MMA Leonardo Marques Pacheco – Coordenador do Centro Nacional de Desenvolvimento de Populações Tradicionais (CNPT) – Gerência Executiva do IBAMA de Manaus / AM. Abaixo. 3) 2 Pesquisadores: Mary Allegreti .ANEXO II ENTREVISTAS REALIZADAS Relação das entrevistas com especialistas. pesquisadores e gestores: 1) 10 entrevistas com especialistas e gestores: 3 ONGs Nacionais: Adriana Ramos – Instituto Sócio Ambiental Claudio Maretti – WWF . Ongs.Brasil Luis Carlos Pinagé – FUNBIO 2) 1 Organizaçâo de classe: Atanagildo de Deus Matos – Secretário Executivo da Diretoria do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS).Universidade da Florida Antonio Carlos Diegues .Núcleo de Pesquisa sobre áreas Úmidas Brasileiras . as entrevistas na integra. 210 .

para não haver conflito. São uso de baixo impacto. 211 . consultivo. Quando há potencial de conservação ambiental e atividades não impactantes.ENTREVISTAS COM ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS E DA SOCIEDADE CIVIL: ONGS NACIONAIS Entrevistado: Adriana Ramos Data da entrevista: 8 de março de 2005 Local da entrevista: Brasília / Instituto Sócio Ambiental Entrevistador: Lucila Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? A categoria RDS foi incluída no SNUC para ajeitar a situação de Mamirauá. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? Seria bom que houvesse um processo em que todos os interessados entrem em acordo. A RDS não foi demanda da população. A proposta da RDS veio de encontro com idéia de uma categoria de manejo de uso sustentável mais flexível. deve haver um processo deliberativo. A consulta publica é o instrumento básico de decisão e negociação do governo para gerencia conflitos. Que tipo de consulta pública deve ser feita antes da criação de uma RDS? Para os moradores do interior da unidade de conservação. Os dois. incluindo índios. no limite a criação pode ser do poder publico. A diferença com a RESEX é a ausência da necessidade de demanda da população para criação da RDS. Pode aproveitar o potencial de regeneração em benefício da população. sob ameaça. Em áreas críticas. A categoria RDS entrou para ajustar esta unidade. que era uma estação ecológica estadual. que deve estabelecer mecanismos para adequar os diferentes interesses. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? Sou socioambientalista. O objetivo das RDS é compatibilizar a presença da população local com a conservação da natureza Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Quando a população residente faz uso racional dos recursos naturais. não atrelada à idéia de extrativismo e seringueiros. porque eles teriam benefício com o projeto de Mamirauá. Pode também ser uma área degradada com possibilidade de restauração. naquele caso. e deve haver um acordo formal estabelecendo isto. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? Uma RDS é uma unidade de conservação com abertura para compatibilizar diferentes usos tradicionais dos recursos naturais pelas populações locais. numa área com perspectivas positivas. por exemplo. mais aberta. porque era uma população de pescadores que não se vêem como extrativistas. Para os de fora. Durante o processo de discussão da RDS não houve manifestação das populações indígenas. Os moradores tem direito ao uso sustentável da área.Não dava para ser RESEX. com população nativa . Não necessariamente tem que ser uma área conservada.

Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. enquadrada em outra categoria do SNUC. pecuária extensiva. As pessoas à frente do CNPT eram ligadas com estes movimentos. A RDS não comporta atividades agropecuárias. A formulação da idéia de RESEX foi uma questão política. sem prejuízo da implantação da unidade de conservação. flexibilizar. A CI apóia a criação de UCs estaduais. O que importa é garantir um tipo de uso que esteja no perfil. por que as RDS são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Por conta da relação histórica do CNPT com o GTA e Conselho Nacional de seringueiros. seringueiros e a luta do Chico Mendes. Mas estas áreas devem estar de acordo com os objetivos da reserva. È o tipo de uso. As RDS podem também ser soluções nos casos de presença de populações em Parques Nacionais. ou qualquer área restritiva criada com população residente. A atual direção do CNPT tem a perspectiva de ampliar o foco. como a Flona Tapajós. Uma RDS comporta atividades de turismo. mas sim agroflorestais. e trabalhar não só com as RESEX. 16. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? O uso racional justifica a criação da área e se subordina ao manejo. a Conservation International apoiou o governo do estado em estratégias de criação de unidades de conservação. que é o instrumento de planejamento da área. mineração. pequenas roças. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? Tradicionalidade não é temporal. agrofloresta. O governo do estado aproveitou para criar RDS. ou o contrário? Algumas situações no Amazonas.As RDSs permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. A RDS concilia a ocupação humana e as atividades 212 . A presença de propriedade privada deve se submeter às regras de manejo da unidade. No Amazonas. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. e nas condições para permanecer numa área de conservação Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Gestão colegiada. E deve estar de acordo com o plano de manejo. quais vantagens ou desvantagens dessa situação? Pode ter área privada sim. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDS? Mamirauá não pode ser considerado um bom exemplo. Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? O problema não é o tamanho da propriedade. Na sua opinião. Como deve ser composto seu conselho gestor? O conselho gestor deve ser composto por populações moradores do interior da unidade de conservação. pois teve aporte de recursos materiais e humanos fora do padrão. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. por exemplo Flonas com populações tradicionais. pelos órgãos públicos e populações de entorno que tenham relação com a área.

Esta é a visão do governo do estado. conservação ambiental ou fixação ou desenvolvimento de moradores na área? Maretti: Eu acho que como toda a UC. e no final. Mas a verdade é que Mamirauá tinha uma condição muito específica. e muita grana internacional por causa das conexões que ele tinha e de outros cientistas. Porque não criam APA? O aumento da agropecuária desvirtua o objetivo primordial da unidade de conservação para atender o interesse produtivo. por exemplo faço parte de um grupo que discute as categorias de gestão internacionais. Não há clareza sobre as RDS e a regulamentação é ambigua. com liderança do Márcio Ayres. e até o texto é relativamente extenso de comparado ao de outras categorias. Entrevistado: Cláudio Maretti (coordenador do Programa de Áreas Protegidas da WWF) Data da entrevista: março de 2005 Local da entrevista: Brasília / WWF Entrevistador: Renato Renato: Qual é o seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? Como você acompanhou e qual é a sua opinião a respeito? Maretti: Eu acho que acompanhei. e não ficou definido o que seria. Então eu tenho a impressão que a categoria tem um interesse de fazer algo mais flexível que Resex. com diferentes possibilidades de unidades de conservação. não 100%.Essa é a minha informação. Foi uma discussão liderada pelo Diegues que dizia que. Mas como eu milito muito ligado à IUCN e trabalhei e ajudei com algumas dessas coisas. No workshop de definição de prioridades de conservação para o estado da Amazônia. provavelmente pelo Márcio Ayres ou por alguém liderado por ele. O governo do estado do Amazonas está cacifado como criador de unidade de conservação sem conflito com setor produtivo. precisa ter regulamentação. as Resex eram muito restritas porque só pensava no extrativismo e tinha obrigatoriedade de domínio público. E eu acho que essa história de RDS foi uma solução de última hora para algumas pressões que até então eram separadas. em 2004. porque na cabeça das pessoas está mais claro. Do outro lado tinha uma realidade que era uma área super conhecida. pode ser criada uma RDS agropecuária. Misturou essas duas propostas e. onde há demanda de fronteira agrícola. que era Mamirauá. Resex e Florestas e APAs o objetivo tem que ser conjunto. por algum lobby bem feito.. e são RDS que eles estão criando. o secretario estadual de meio ambiente declarou que eles avançaram com outras visões na área de conservação.produtivas . Então se o objetivo de qualquer UC é a conservação da natureza. eu defendo a posição de que só um grupo de objetivos é que define uma categoria. Conservação da natureza é 213 . E fizeram a proposta da Reserva Ecológico-Cultural. Renato: Qual é a prioridade na RDS. Por exemplo. mais abertas . Pra ser UC esse tem que ser o objetivo principal. mais ousadas.. porque compatibiliza diferentes tipos de uso. internacionalmente conhecido. e porque como pra qualquer outra categoria. sobretudo através do Cnpq. Várias coisas avançaram e recuaram durante a discussão de dez anos com o SNUC. o objetivo é a conservação da natureza. RDS. mas acabou ficando mal definido pois não era uma categoria que tinha um acúmulo de discussão prévio. A visão é de que elas provocam menos conflito. sobretudo para o litoral sudeste. mas não tinha uma proposta de definição muito clara. Então eu acho que foi um acordo de última hora que precisa ser mais bem discutido. eu acho que tanto RDS. se conseguiu incluir essa categoria. eu até fui parte de um grupo que recomendou alguns prêmios internacionais pra ele. E daí era uma Estação Ecológica que não poderia funcionar como tal e ele inventou um novo nome. que era o apoio científico.

por um mosaico. é que essa lógica de sustentabilidade da área de uso de interesse direto das comunidades. É uma área como se fosse Resex. e não num mosaico ou em uma lógica de zoneamento maior que garanta a sustentabilidade ecológica. eu acho que a lógica que liderou eles na gestão prática era a lógica das reservas de uso múltiplo. fixação e etc. elas não são UCs do SNUC. Maretti: No caso da RDS. agroflorestais ou reforma agrária ecológica. Pra ser UC o objetivo de conservação da natureza tem que estar no primeiro nível. Renato: E Mamirauá era muito mais preservacionista nesse ponto. acho importante dizer que a prática de RDS baseada em Mamirauá ela não é igual ao conceito de Resex. um interesse em proteger aquela área dentro do seu sistema de uso. superarada como reserva de uso múltiplo pela noção de mosaico. mas se elas não tiverem como objetivo a conservação. E eu sou coerente com a minha fala de que cada categoria só é definida por um conjunto de objetivos. e estão garantindo a sustentabilidade ecológica por uma área de proteção integral ao lado. não está sendo bem trabalhada de forma que eles só estão pensando na área de uso direto. tudo isso podem ser objetivos para outras atividades como planos de assentamento rural. mas eu acho que está no conceito de Resex a idéia de que você tem que ter uma área que garanta a sustentabilidade ecológica da sua área de uso. só é do interesse da comunidade se é área de uso direto. Na RDS não. E aí o objetivo de conservação da natureza é claramente secundário. agrícolas. Eu acho que o conceito original de Resex.feita através de. Isso é um mosaico dentro de uma unidade só. Você 214 . RDS é como se fossem duas coisas em uma só. onde dentro do SNUC é mencionada alguma coisa a respeito da necessidade de se ter uma área de proteção integral dentro de uma RDS? Eu acho que não há. é a Reserva de Uso Múltiplo. Não só ter uso sustentável de uma área. Então no conceito de Resex. com dois conjuntos de objetivos diferentes. se não for do interesse da comunidade. ou por meio de. etc. Ou seja. Por outro lado. mas isso não é uma UC. Pra RDS não. A prática de Mamirauá é a de que você protege uma área que não tem nada a ver com aquela área de uso. desenvolvimento de comunidades. Renato: Agora. É uma idéia que foi. E onde diz que a Resex não pode ter uma área de proteção integral? Maretti: Também acho que não diz. A Resex. Na verdade a interpretação é que as duas coisas podem conviver. mas ter uma espécie de área de retaguarda dentro da Resex. pelo menos como ele foi aceito pelos ambientalistas e pelos representantes das comunidades locais embora não necessariamente como ele foi reivindicado pelos sindicalistas. Então eu acho que a separação em duas coisas é uma dicotomia artificial. Porque a sustentabilidade ecológica faz parte da lógica de uma unidade. Então o conceito como se tratava RDS pra mim é como se fosse um mosaico dentro de uma unidade só. mas o que eu estou dizendo é a prática que está sendo aplicada hoje. ou se é área que garante esse uso ou se a comunidade tem. onde você tem mais que um objetivo. um mosaico. e uma área com proteção integral também dentro da mesma reserva. ou em conjugação com. dentro da lógica do movimento conservacionista. Não faz sentido ter dentro de uma Resex uma área de proteção pela proteção. ainda que a proteção geral só seja conseguida por um sistema. ele implica que você tem que resolver a questão social como uma importância primeira da área. O que está acontecendo nas Resex. Pra RDS você tem uma lógica de proteção independente da área de uso. por isso que eu falo de usos múltiplos. no caso da RDS pra mim é diferente. Importante como qualquer atividade econômica. Mas para essa categoria específica tem que estar junto com o desenvolvimento das comunidades locais. a área de proteção teria que estar diretamente relacionada a sustentabilidade da área de uso. E para fazer isso você faz o uso sustentável. mas é pra proteção. isso faz parte de uma unidade. Se o conceito que eu entendo é correto. com mais flexibilidade. e se RDS e Resex têm objetivos de conservação e desenvolvimento das comunidades. por alguma razão cultural ou qualquer que seja. baseado na prática de Mamirauá. Você pode até ter algum uso na área de proteção. melhoria de qualidade de vida.

que é uma tendência. Se a gente continuar abrindo Resex para incluir essa condição. onde a pequena agricultura é mais importante. a gente ainda não tem bem claro e tal. acho que sim. Maretti: Mas aí a interpretação do SNUC tem que ser vista de várias formas. mas ainda assim cabe dentro do que a gente definiu antes... Renato: Por exemplo. mas. mas muito restrita. quando os sistemas de vida da comunidade local é mais diverso e amplo e implica em mais uso agrícola e outros. O objetivo de conservação da natureza tem que estar no primeiro plano. diferenciaria de Resex.. incluindo a possibilidade de coleta de recursos. Essa definição vem sendo aberta. para a reserva da Ponta do Tubarão não era prevista nenhuma área de não uso. 215 . Maretti: E o terceiro nível é esse. ligado ao interesse de uso.. Acho que isso é possível.. mas é pra uso. Renato: Por que e em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? Isso de alguma forma está repetindo a questão anterior. E acho que você tem que entender esses três níveis. O segundo é a descrição de cada categoria.O primeiro é quais são os objetivos gerais do SNUC.. em que você não pode entender RDS só pelo que está no artigo RDS.. Renato: Você considera pesca uma atividade extrativista? Maretti: Nessa definição sim. mas. O segundo caso é quando a gente quiser uma reserva de uso múltiplo mesmo. de proteção integral. Seria como se fosse uma Resex junto com uma Estação Ecológica ou Reserva Biológica.Inclusive não pensando só nessa contraposição com Resex. Por qualquer motivo a gente não quer um mosaico. Você compararia a agricultura. Renato: Não há nada que deixe descaracterizar. mas em uma visão mais específica. E também diferenciaria uma APA de uma área não APA. E não em uma visão de equilíbrio ecológico macro. onde você tem que ter o mínimo de gestão coletiva pra ter mais qualidade e proteção do que você teria no interesse geral. Resex e etc de uma área de assentamento agroflorestal ou agraoextrativista.pode até ter alguma proteção na área de uso. porque a gente quer uma unidade político-administrativa para aquela área. Então nesse caso. mas a situação em que ela poderia caber é se a gente voltar pra definição de Resex mais restrita ao extrativismo. a regulamentação. Pela lei talvez não.. criação de peixes e pesca ao extrativismo florestal. Então eu vejo duas situações em que RDS seria interessante hoje. Renato: Mesmo porque está prevista a regulamentação posterior.. então fica muito parecido. A primeira é essa. Você acha que descaracterizaria essa reserva como RDS? Maretti: Pela imagem que faz a prática de Mamirauá. e que o mosaico ainda não se consolidou como alternativa. em que casos uma RDS seria uma alternativa mais viável para conservação? Maretti: Na minha opinião é difícil pensar RDS de forma abstrata. Pra que serve UC? Acho que o objetivo é conservação da natureza. ainda que com alguma coisa. se a gente voltasse pra essa definição original de Resex mais extrativista.. Acho que aí que eu diferencio entre uma RDS. uma RDS poderia ser uma alternativa para locais onde o sistema de vida das comunidades é mais diverso. mas é possível. dentro do objetivo que a conservação da natureza e desenvolvimento da comunidade andam juntos e não são contraditórios. Devia ter uma área de não uso.. e não por si só. Nessa condição. que faz parte da estratégia de sustentabilidade econômica das comunidades tradicionais que são extrativistas ou que são agrícola-extrativistas. incluindo aí o mínimo de agricultura de subsistência. mas ligada a esse fim direto do uso. Acho que há pelo menos três níveis que você tem que levar em conta. E eu acho até que Resex deveria ter proteção integral para esse fim. que eu não sou contra.

onde seria uma reserva de uso múltiplo. É isso? Maretti: É. se a gente voltar lá pro conceito. entender outras potencialidades de uso para essa categoria. não condicionava a criação de uma Resex à existência de população tradicional. mas eu acho que na prática está se consolidando o termo da seguinte forma: tradicional é uma categoria que algumas comunidades passaram a usar e que outros passaram a aplicar às comunidades pra legitimar alguns direitos das comunidades na medida em que eles são menos agressivos ao ambiente. Agora eu queria mencionar duas coisas aqui. mais tradicional é? 216 . já tem um uso adaptado e isso deve ser protegido para o bem da comunidade e para a conservação da natureza. eu acho que nesse momento seria politicamente arriscado. Mas eu só vejo essas duas. Não é tanto relacionado à história deles. mas uma área gerida como uma unidade política que não tenha a fragilidade que o mosaico tem hoje. chamada pela maioria de tradicional. Eu diria que tem que ter usos múltiplos e ser mais baseado na agricultura do que no extrativismo. Renato: Mas são variados os conceitos. Renato: Só um parêntese: o Rueda. estou aberto a perceber. eu tenho dificuldade com esse termo por dois motivos. porque eu não consigo abstrair essa relação. A Terra do Meio. e isso está em escritos inclusive de Manuela Carneiro da Cunha. Então você fazer um mosaico de unidades que teriam uma fragilidade no meio. Como o termo tradicional está ficando super rígido ou está ficando consolidado e ele é condição para uma Resex.Eu vou dar o exemplo do caso da Terra do Meio. que desenvolvam usos múltiplos. O grande objetivo de proteger a Terra do Meio era criar um enorme corredor que unisse as terras indígenas do sul com as do norte e uma área de proteção da natureza no meio. Eu não uso o termo tradicional. estava sendo ameaçada inclusive pelo rompimento da sua área em duas. principalmente baseados na agricultura. tem mais de duzentos conceitos. É assim que eu vejo. Se essa estrada acontecesse.. Eu acho que essa postura intermediária está se consolidando como uma categoria sócio-política. Maretti: Mas essa amarração está existindo. por uma rodovia que vinha de São Félix do Xingu e pretendia se ligar à BR 163. né? Renato: Existe. Renato: O modo de ocupação humana que leva à criação de uma RDS tem que ser baseado na ocorrência de comunidades que usam vários recursos. mas não há conceituação consensual do que é tradicional. Maretti: Mas já tem várias publicações acadêmicas ou feitas por intelectuais da área da antropologia justificando a legitimação político e social do termo tradicional. e sim ao dano ambiental que eles possam gerar. nesses últimos tempos. Renato: Então você acha que quanto menos impactante ao meio. É que nem desenvolvimento sustentável. pra diferenciar da Resex. o que dá uma legitimidade acadêmica para isso. Agora. grande parte desses objetivos cairia por terra. Ele não concordava com essa amarração. Maretti: É verdade. do CNPT. com grandes áreas de proteção e algumas áreas de uso.. uma Resex seria criada numa área em que a população. Então é uma espécie de meio termo entre posturas radicais que reconhecem direitos de comunidade e posturas radicais ambientalistas que só reconhecem o direito quando eles são ambientalmente bem-comportados. Essas comunidades estão buscando nesse movimento ambientalista uma legitimação pra defender os seus direitos de comunidade. Então essa é uma estação ecológica que pra mim poderia ter sido claramente uma RDS se o termo já fosse uma coisa bem consolidada.

Então eles não teriam mais o direito de ter uma área só pra eles. por exemplo. Existe um grupo que defende isso. que usa técnicas e apetrechos de agricultura ou extrativismo sem a capacidade de gerar grandes transformações. Mas eu repito. não dá mais pra fugir. melhoria dos meios de produção. isso não é a minha opinião.. né? Mas o que eu quero dizer é que aquelas que são muito impactantes ao meio não podem ser consideradas tradicionais. por exemplo usar o trato pra tirar o óleo da copaíba.. certificação do manejo. mas que é admissível um limite de alteração. Não é uma relação direta de quanto mais harmônico. Não só o respeito ao conhecimento tradicional. Dentro desse grupo. mais tradicional. mas ela é legitimada na medida em que a relação dela com o ambiente não é muito impactante. sem grandes coisas. muita energia ou símbolos que claramente não são tradicionais como o Ray-ban. tem grupos que já acham que não é mais tradicional. E daí esse grupo diz o seguinte: se eles fazem isso. Porque os termos estão lá. Existe um outro grupo que defende o direito à evolução e modernização deles. Manejo florestal comunitário. camponês que usa Ray-ban e moto-serra não tem. e começa a fazer corte de madeira com moto-serra. Ou seja. a do índio e da moto-serra. humano. que ela pense nesse sentido. Senão uma definição de tradicional. sim. Eu acho que esse último aspecto que você falou ainda não está consolidado. se alguém faz um trato com uma indústria de cosméticos ou empreendimento similar. eles têm direitos igual aos outros brasileiros.. Renato: Só pra não perder a oportunidade. entrada de novos conhecimentos. porque ela está defendendo a construção dessa categoria sócio-política. mas a suposição do tradicional está lá porque está nos objetivos gerais do SNUC.. ela está nesse grupo daqui que defende uma modernização sem grande impacto. servindo a pólos madeireiros no Acre. Esse grupo deixa de ser tradicional? O grupo pode deixar de ser tradicional de uma hora para outra? Um índio de Ray-ban não é mais índio? Maretti: Eu acho que sim. ainda que em algumas situações o termo tradicional não está explícito. Por que eles têm direito de ter 50 milhões de hectares pra 10 pessoas quando o pobre. Na verdade acho que a gente também vai ter que ter pra Flona e RDS e tal porque. Agora. está em outros momentos do texto que fala das comunidades. Mas acho que nas duas caricaturas que você fez. Então tem que ter alguma coisa que fale sobre o tempo de residência na área. mas . Eu acho que a definição vai ser necessária porque já está na lei. mas a entrada de conhecimento científico para a melhoria da gestão. manejo pesqueiro comunitário. melhoria do manejo. mas essa definição pode ser direta ou indireta. você acha que na regulamentação de Resex. mas ela. a minha opinião. Renato: Mas eu acho difícil acreditar (eu não conheço essa definição da Manuela). Eu usei isso justamente pra dar a minha opinião que é diferente. 217 . uma definição de qual comunidade é aceita dentro do que está definido como Resex. Mas na hora que você colocar coisas com muita máquina. Aí é uma definição indireta. inclusive com exploração madeireira em Resex. vai ter que ter uma definição mais clara de tradicional? Maretti: Eu acho que vai ter. Renato: Uma comunidade mais ou menos isolada que apresenta uma densidade demográfica baixa. mas que está trabalhando algo que ainda não é muito ofensivo.Maretti:Isso seria uma conseqüência do que eu falei e que eu não posso concordar. então essa seria considerada tradicional. mas procurando fugir um pouco da questão do Ray-ban e da moto-serra. Não é o bom selvagem. então esse grupo do outro lado defende a entrada de conhecimento. É algo que moderniza e que tem conhecimento.Então o Luis Menezes é uma pessoa interessante pra você conversar sobre isso. é o que eu estou vendo acontecer. Maretti: Eu também acho. Às vezes a moto-serra é o mais indicado pra conseguir o manejo.. porque ele trabalha exatamente com isso. só que esta postura ainda não está consolidada. pra não criar polêmica desnecessária.

Mas essas condições não seriam tão restritas a esse uso do termo tradicional e à construção dessa definição por essa categoria sócio-política definida por alguns. O livro que o ISA lançou a semana passada tem alguma coisa que eu escrevi sobre isso.. pra gente que está menos tempo. que disputa terras com elas.. Do como usar pra RDS. Renato: Situação ambiental pra criar uma RDS. onde uma estrada poderia dividir uma área. Renato: Do tradicional você citou a Manuela. primeiro.. Maretti: Eu acho que essa definição mais claramente defendida está naquele livro do ISA sobre a Amazônia. Maretti: E de certa forma essa discussão aconteceu na definição da comunidade quilombola.Renato: Então na RDS haveria a possibilidade de se contemplar comunidades que não são essas que hoje são conceituadas como tradicionais? Maretti: Na minha opinião.. Renato: Cujubim com 2. era um grupo de cultura afro-brasileira. está resistindo a uma discussão que já foi feita . Renato: O que é uma área grande pra você? Maretti: Depende de onde você está trabalhando. enfim. Eu teria que verificar isso. Renato: Porque hoje em dia Diegues.. depois da constituição foi definido que uma comunidade quilombola não era só um grupo de foragidos. sim. não.. eles falam que são comunidades negras. o óbvio. o que eu entendo que para uma área ter condição ambiental para ser declarada uma RDS..O que está acontecendo hoje em Rondônia e Mato Grosso é que as unidades estão sendo diminuídas.. Renato: Na Bahia tem uma série de comunidades que hoje são consideradas quilombolas e a Aracruz. não admite a utilização do termo quilombola. pra gente que usa os recursos. E é uma vertente também. 400 mil hectares pra cima. Então eu aproveitaria o fato de que isso está restringindo. as estradas estão cruzando e há o risco de perder unidades por causa das ameaças.. por exemplo. é ser uma área grande. Mas eu tenho alguma coisa escrita sobre isso de um ano e meio atrás. Pra Mata Atlântica e pro Nordeste já é mais complicado. John Cordell e vários outros se recusam a querer definir tradicional. E aí eu acho que tem que ter algumas condições que a regulamentação de RDS vai ter que tratar. pra RDS ampliar um pouco. Uma área grande na Mata Atlântica é diferente da Amazônia. relacionado ao workshop do Probio. Maretti: Acho que sim. dando mais flexibilidade. mas é mais sobre a questão indígena. Maretti: Se fosse um mosaico. porque se for usar o termo quilombola. Renato: Você já tem esquematizado essas conceituações? Maretti: A minha opinião sobre o que é tradicional eu já tenho escrito.. fiz isso numa consultoria de uns dois anos atrás para comunidades tradicionais de Mata Atlântica. Você citou Terra do Meio.. Essa empresa está negando algo que já aconteceu. A mesma coisa eles faziam com os índios. que eram chamados de caboclos. Eu usaria RDS pra fugir dessa coisa que está crescendo que é o uso do termo tradicional e o entendimento do tradicional dessa forma que nós discutimos há pouco. Amazônia a gente pode falar em 300. você tem um. tem que assumir os direitos que essas comunidades têm perante a lei.5 milhões de hectares é uma área razoável pra uma RDS? 218 .. Então.

Na prática. mas de uma forma enviesada isso não é explícito hoje e as pessoas esquecem. é onde exista essa comunidade que não seja exclusivamente extrativista. mas o problema é o seguinte. mas ele é culturalmente definido. porque define isso até no novo mundo pra conquistar e demarcar território. e que não se pode ficar muito baseado nas especialidades acadêmicas ocidentais. por mais que você fala a definição das categorias é só por objetivo. ou. Então não é só pela qualidade da natureza. em comparação com o restante. Isso mais a área relacionada ao uso direto da reserva. Então você pode até criar uma RDS para recuperar aquele objetivo que a RDS teria. uma RDS. Mas aí se aproximaria do conceito de Resex. na prática e no SNUC é óbvio que é grau de restrição ao uso. além da área de uso direto. mas ela tem que ser monitorada em uma outra dimensão.Maretti: Eu acho enorme. mas não é biodiversidade definida por biólogo formado em faculdade tipicamente ocidental. com a diferença de que ela não seria tão estritamente extrativista. desde que o objetivo de conservação da natureza esteja diretamente associado. A importância pra conservação da natureza. Então pra mim um tamanho de área para a Amazônia seria entre 300. Qualquer interesse. Portanto se ela se aplica a áreas de importância da natureza para uma Resex. por exemplo. Combinando área de uso direto. inclusive cultural como. eu falei o que define a sua unidade é o interesse da comunidade. você perguntou qual é a qualidade ambiental pra uma área ser considerada RDS. pra todas. E daí ela seria uma unidade. O que eu queria comentar e que é o menos óbvio pra você é que a definição de áreas para a criação de UCs não pode só seguir critérios científicos. Sendo lógico o que eu falei antes. incluindo a pesca. até diria. E se isso cai dentro do grau de restrição. quando você fala que tem que haver uma pluralidade cultural. Mas um Parque Nacional pra mim é muito mais culturalmente definido do que uma Resex. ela tem que ser definida por uma matriz cultural múltipla. em Mamirauá. com toda visão colonialista. Então a importância da proteção da natureza é biodiversidade. essa importância não é só pra biodiversidade ocidentalmente definida. de uma montanha mítica poderia ser motivo suficiente pra criar uma UC. Acho que não é errado ser tão grande. área de não uso e outras áreas que eles tenham algum interesse. e eu falei isso e mais uma área de proteção de não uso com qualidade de conservação.. que o monitoramento da efetividade da gestão. 219 . mas que ela tenha interesse e a visão de conservação da natureza. é locais de interesse sagrado. Se a gente for pra questão da IUCN. acho que é mais do que devia. etc. dentro de uma lógica que permita que ela seja definida como uma unidade só. é água. Eu acho que a definição da importância da conservação da natureza tem que passar pela diversidade cultural. é um marco da nacionalidade. A qualidade é uma decorrência óbvia. Nesses dois casos. Renato: Então deixa eu só entender. Eu acho que é a proteção da natureza. onde a área de não uso seria para a sustentação ecológica da área de uso. Estação Ecológica e Parque Nacional. então ele também merece. Isso remete às duas justificativas que eu dei. áreas de referência histórica.. teria que ter uma área com uma área de uso e uma área sem uso. Um Parque Nacional foi definido pra ser uma referência nacional. ela também se aplica pra uma Reserva Biológica. Se isso cai dentro dos objetivos e do grau de gestão de RDS. ou é uma espécie de Resex com mais liberdade de usos não extrativistas. Uma outra situação. e etc. Claro. Teoricamente o Parque Nacional é o único que reconhece isso desde o início. ela discorda de reconhecer na qualidade ambiental motivo para a criação da unidade. Quando eu mencionei Resex. 400 mil hectares a 1 milhão e 300 mil. ocidentais. ou é uma reserva de uso múltiplo. incluindo aí a pesca. Ela entende que é só o objetivo da unidade é que vale. biológicos.. E pros outros casos não é tão claro assim. Mas na verdade todos deveriam ser. E aí o caso de Terra do Meio foi um exemplo de ameaça. Que você tenha algumas área de uso da comunidade e algumas áreas sem uso. porque não pode ser só a área de uso senão vai ser um assentamento agroextrativista. isso é só para as de uso sustentável ou para as de proteção integral também? Maretti: Não. Quando você define a importância daquela área para a conservação.

pois seria a única no país. Vão no sentido de que eles querem ver reconhecida “a nossa área porque a gente é mais fraco. essa burocracia da demanda vir deles. . o Parque Nacional propicia também uma exclusão cultural. Obviamente se a gente defende uma consulta pública para criação de qualquer unidade de forma mais conseqüente e ampla. os povos que estariam morando lá teriam que sair porque é necessário conservar essas araucárias. O que eu não sei é se a gente tem que ficar preso a uma definição formal. que é o caso da Resex. onde a comunidade tem que fazer a demanda primeiro. Maretti: E você identificou a postura de um grupo de Manjacos do norte da Guiné-Bissau que dizia que eles protegiam algumas áreas tidas como sagradas e não admitiam que o governo impusesse qualquer tipo de proteção oficial a essas áreas. e eles também não tinham claro se isso não iria descaracterizar uma coisa que foi legítima para eles durante séculos. Dessa forma. Parque Nacional você pode considerar como de interesse difuso para a conservação. mas isso tem a ver primeiro com o mau uso e também com a seguinte questão: criar unidade de conservação na prática é muitas vezes ampliar os conflitos. Eu acho que quem vai ficar dentro da RDS obviamente tem que ser consultado. Renato: Mas eu tenho dúvidas também sobre isso. as demandas que eu recebo vão no outro sentido. coberta com araucárias. A história mostra que aconteceu muito mais do jeito que você falou. Considerando a lógica atual dos gestores do SNUC.. Tenho dúvidas se o mecanismo é similar ao da Resex por esse motivo que eu falei antes. portanto. por outro lado. em muitas das áreas. haveria a necessidade de se conservar uma área. nacional.. Na prática o que a gente faz é estimular a comunidade da Resex a fazer a demanda. Quando as pessoas reconhecerem. não irá enfraquecer o ordenamento territorial tradicional. o governo dá apoio e vai ser uma área de conservação indígena. mas que. Você conhece muito bem a Reserva da Biosfera do Arquipélago dos Bijagós. te obriga a fazer um movimento que é positivo. Também esse conflito pode existir nas áreas de uso sustentável. Ou tira essa área de dentro da RDS ou alguma outra coisa. gente pode continuar usando do jeito que a gente usa”. tem que criar uma solução pra isso. não é ruim porque você se obriga a passar por eles. Se a comunidade não concorda com a criação de um parque. isso também teria que ser considerado até para uma de proteção integral que ficasse na vizinhança.Renato: Agora. E a gente deveria usar pra diminuir os conflitos. mas no caso da Austrália o que está acontecendo é que eles estão conversando com os aborígines e perguntando se eles querem criar um equivalente ao parque nacional dentro da terra deles.Eu concordo com você. Se eles quiserem. clara e diretamente. esse reconhecimento está fortalecendo a sua questão cultural. social local em nome de uma coisa mais ampla. rompe com essa formalidade. não necessariamente a conseqüência tem que ser a não criação de um 220 .. E o que está acontecendo é que. mas a maioria das informações que eu recebo. Renato: Quem cria a demanda de uma RDS? Você acha que tem que haver concordância formal dos moradores? Maretti: Sem dúvida nenhuma sim. Mas no caso da RDS. teria que ter cláusulas parecidas com as da Resex. porque nós não estamos conseguindo mais”. Então eu posso dar um exemplo hipotético: para o bem do patrimônio natural de uma nação. E alguns dizem que tem que ser reconhecido porque “vocês precisam nos ajudar a proteger. você está privilegiando aqueles que já moram e eu que preciso retirar o meu recurso e que estou longe tenho o direito tolhido. Eu tenho dúvidas se o reconhecimento por parte do estado e da UNESCO das áreas sagradas . por exemplo. e se eles não concordarem.. Então também tem gente que diz que quando você cria uma Resex. Isso era uma coisa que eu conversava com os agentes da Casa de Cultura da Reserva. O que. Maretti: Eu concordo plenamente com você.

quais eram as conseqüências positivas e negativas. formas de gestão. se não tem uma assinatura dele dizendo que ele concordava com RDS e tinha conhecimento das conseqüências da criação dessa unidade. porque foi feita toda a discussão da BR 163 na região em várias reuniões. Renato: Porque na reserva do Mandira o processo de consulta pública começou com reuniões pra explicar o que é uma Resex. 221 . Mesmo que. Renato: Quando você fala que tem que haver uma consulta pública. isso não queira dizer que essas pessoas vão concordar com o plano de manejo e etc. Na verdade a gente ficou dois anos defendendo Terra do Meio. discutindo e detalhando todos os aspectos necessários segundo a portaria que existia para a criação de uma unidade como essa. Eu acho que o Parque Nacional tem que ter expresso o seu processo de criação e seus conflitos de interesse nacional (difuso ou não) e outros conflitos também. por exemplo? Maretti: Isso é que eu não sei. na RDS eu acho que não. Por outro lado a consulta feita só com uma reunião local. Por outro lado você fica muito na mão se não tem esse compromisso inicial. porque afinal são vários interesses conflituosos que a conclusão do processo pode não ser a demanda de todos. as áreas comuns. inclusive com consultas públicas. Renato: De alguma forma você acha que depois desse incentivo dos órgãos executores do SNUC. Renato: Enveredando por esse lado mais formal. O plano de manejo. mas era informação básica para que os moradores entendessem melhor e tomassem as decisões. O caso da Terra do Meio é um que eu defendi algum nível de logística. Então eu não tenho opinião formada sobre isso. áreas de não uso etc. Se você considerar se abaixo-assinado é consulta pública ou não. Tem que haver um processo de consulta pública. E essa consulta pública continuou. na prática. Maretti: Uma Resex depois de um abaixo-assinado precisa de consulta pública ou não? Se eu estou na dúvida se precisa de um abaixo-assinado pra RDS. e também um interesse mais geral. Eu acho que esse é o ideal. e você tem que ter esse espaço. que foi até exagerado. não é só a opinião local que conta. você acha que tem que haver um processo de encaminhamento formal da solicitação. tem que haver uma consulta pública. e não uma consulta pública. É isto mesmo. apenas uma audiência pública? Maretti: Talvez eu tenha feito isso inconscientemente e você tenha pego. Há necessidade de se amarrar. mas acho que nessa realidade que a gente está discutindo hoje esse é um bom exemplo de consulta pública. para que os moradores encaminhem uma demanda. como um abaixo-assinado. mesmo que tiver um abaixo-assinado. nas Resex você tem um documento que comprova que as pessoas estão interessadas.parque. e de outro te obriga a fazer um movimento. o compromisso dos moradores de uma RDS também. você está repetindo esse viés que os órgãos públicos adotam. Maretti: Eu conheço pouco o processo. Como eu vou retirar a concessão de uso de um cara por ele não obedecer ao plano de manejo. eu disse que tem que haver algum tipo de consulta pública. e não só a reunião formal que aconteceu no final. Então acho que isso também tem que ser considerado no processo.. de alguma forma. mas não é essa a minha intenção. não conheço todos os detalhes. eu digo que se na Resex eu não estou tratando. que acabou acarretando um encaminhamento formal de solicitação. direitos e deveres. porque não havia a premência para a criação da Resex. depois desse encaminhamento formal das assinaturas. Porque de um lado burocrático e formal é bobo porque é burocrático. Na situação atual. Esse pra mim também é um processo de consulta pública.. o plano de utilização.

Em algumas situações ideais acho que a gente deveria chegar com as diretrizes mínimas. outros órgãos governamentais não diretamente relacionados. parecem mais zoneamentos preliminares que vão sendo detalhados depois. A região de Manicoré estava um pouco fora desse pressão imobiliária. comercial. dentro de uma comunidade nem todo mundo concorda. se você vai dividi-la em zonas urbana. O que você define é se a sua cidade quer se desenvolver como industrial. mas não de que tipo ela seria. Maretti: Ele não é só um zoneamento porque ele tem diretrizes. O caso da Terra do Meio é típico onde algum grau de emergência tinha. mas é uma questão de sempre usar a prestação de contas ou verificação das coisas como critério na administração pública. mas é uma responsabilidade pública verificar se aquilo tem sentido ou não. etc. O plano diretor de uma cidade tem diretrizes pra onde a cidade quer crescer. Mas a consulta pública ideal tem que ser um processo que dê pra comunidade entender o que é uma UC. Renato: Os planos de manejo. O ponto que a gente discutia antes traz uma outra questão. pelo que você fala. Mas se o órgão não acompanhou porque o processo foi feito pela Comissão Pastoral da Terra. acho que o interesse de criação de uma UC tem que respeitar o nível administrativo a que ela está ligada. mas desde que não seja a emergência colocada aí.. em relação a Manicoré. então eu acho que é possível aceitar o abaixo-assinado e daí você faz uma reunião pró-forma pra dizer que estamos de acordo. Eu diria que isso seria lógico se e gente entendesse plano de manejo como plano diretor. Você até pode.Renato: Que tipo de consulta pública deve ser feita para a criação de uma RDS? Maretti: Acho que a consulta pública tem que ter o roteiro ideal. residencial ou mistura-las. eu acho que tem que haver o processo de consulta mínima para verificar a quantas anda a comunidade. Esse tipo de diretrizes Têm que estar dadas. porque teoricamente elas são um detalhamento da diretriz da categoria. acho que isso deve ser considerado. discutir com a comunidade quais são as categorias mais adequadas e dar tempo deles fazerem o processo interno de discussão e darem a resposta. se você faz isso com ou sem o plano diretor. Não é diminuir o papel de uma Resex ou RDS a 222 . mas isso é papel de um zoneamento mais detalhado de cada bairro. e o órgão acompanhou isso e entende que esse processo foi cumprido. No plano diretor de uma cidade você não define se essa casa aqui. ou sindicato. teria essa primeira parte da elaboração do plano de manejo não de forma muito desenvolvida. Vários países do mundo adotam a política de que você tem que ter quase um plano de manejo definido antes de criar a unidade. E ele faz isso ou acompanhando o processo ou faz algumas reuniões para verificar se aquilo tem consistência ou não. melhorias e detalhamentos. não é uma postura tecnocrática. Então do que você deu do histórico da Resex Mandira. Então os cientistas. mas tem que dar espaço para as emergências. aberto para a possibilidade de você atender emergências. ou CNS. mas que deixe espaço para modificações. mas com algum espaço para melhoria e modificações destas zonas. Tinha uma situação relativamente urgente. ambientalistas. que era a especulação imobiliária subindo do Mato Grosso para o sul do AM. Se for o IBAMA. tem que ter algum espaço de discussão maior. mas tinha uma pressão específica de conflitos de terra. porque daí fica claro o que você vai fazer na área. o MMA.. Porque só receber o abaixo-assinado sem ninguém saber o que aconteceu. pra que lado ela vai crescer. e houve uma unanimidade em relação à criação de uma unidade. Isso significa que de alguma forma há outros interesses mais ou menos difusos que devem ser considerados na escala correspondente. é porque a área tem interesse nacional. Mas que não consulte só o nível local. com definições do que a UC tem que ser dentro da região e da categoria e alguma idéia de zoneamento. Eu acho que se você faz um processo desse todo e acaba em um abaixo-assinado. o que a cidade quer ser. Isso eu concordaria. O IBAMA tem obrigação de verificar o processo se ele vai adotar aquilo. Eu vi um caso deste numa consulta pública no sul do Amazonas. onde você dá as grandes diretrizes e definições das zonas. Acho que não se resolve só fazendo essa explicação para a comunidade. Por outro lado. Não é uma questão de desconfiar de quem liderou o processo.

E outra alternativa utilizada ainda hoje é a expulsão branca. Maretti: Consenso não é maioria. esse elemento novo. não deixa plantar. e consenso supõe que se pode chegar em um meio termo. Renato: O problema que eu vejo é um problema cultural dos órgãos executores do SNUC de não considerarem a desapropriação. o termo de compromisso. mas isso não tem sido considerado. às vezes é só uma negociação pra realocação. É inadmissível. Essa expulsão não seria mais permitida se os órgãos seguissem a lei.. Em outras situações é complicado porque o cara que discorda está no meio. você tem que trabalhar com a maioria ou com um consenso. desde que a gente não desvie as conseqüências. E naquele caso tinha uma comunidade organizada que reivindicava uma RDS. A gente acabou de ver um retrocesso do IBAMA. não realoca. mas eles teriam que seguir as regras de gestão coletiva da comunidade. 223 . mas admitir que os conflitos nem sempre serão resolvidos. Agora.gente reconhecer que hoje na Amazônia conflito de terra é um dos principais vetores para que isso seja feito. Mas às vezes não se chega. que é essa coisa de termo de compromisso. A comunidade então disse que se eles quisessem entrar na RDS. Aparados da Serra. voltou pra coisas mais rígidas. termo de compromisso e outras medidas de conservação ambiental vão continuar precárias. não desapropria. a assinatura de termos de compromisso com esses moradores que não concordam com a criação da unidade. porque você pode alterar um pouco os limites. mas não deixa pescar. Buscar consenso. Itatiaia. Eu prefiro trabalhar pra melhorar os conselhos e etc. etc. Maretti: Essa solução teoricamente foi resolvida pelo SNUC. Maretti: Um parênteses aí. e é difícil ir pela maioria quando se tem um interesse nacional contra um interesse local. E uma coisa que eu acho importante. Renato: Mas antes de termo de compromisso. por alguém que decide. respeitando todas as suas necessidades. a gente está numa campanha pra fazer um dos próximos termos do trabalho dos nossos grupos. é necessário se repensar os planos de manejo. O que é maioria? Mas esse julgamento tem que ser feito de alguma forma. É claro que você vai encontrar pessoas ou famílias que não querem se adequar a um novo tipo de trato ou norma. Maretti: Eu estou com a estratégia contrária. e algumas pessoas do lado dizendo que também tinham problemas. mas se há um grande interesse na área ou a maioria das famílias querem. Serra Geral. depois voltar a discutir plano de manejo. Renato: Há os casos da Chapada Diamantina. Então eu acho que em algumas situações isso é fácil. Maretti: As vezes não é só dinheiro. Eu acho que plano de manejo é conseqüência dessa outras. que são parques que tem quarenta anos ou mais e ainda hoje há problemas com pequenos agricultores ou pecuaristas dentro da unidade. Renato: Mas não ocorre. Eu não acho estratégico vincular uma coisa a outra. né? Renato: Não. Você não indeniza. Então nesse caso a situação imposta foi a seguinte: ou você se adapta. ou então conselho. e por conseqüência. mas não foi implementada. em que você apenas não permite qualquer uso. tem o direito a ser indenizado. Mas as pessoas do lado eram diferenciadas na comunidade. eles aceitariam e aumentariam a área da RDS. aplicação e implementação de plano de manejo. e você não pode fazer um desenho que exclua ele. Ou você começa a rever a conceituação. E se ele não concorda. ou está fora.. você tem que ter mecanismos muito claros pra assinar um termo de compromisso e estipular um prazo para desapropriação ou realocação das famílias contrárias à unidade.

. os objetivos são iguais. E isso poderia ser definido de outra forma. Tem uma coisa que eu defendo que são as recentes modificações no sistema de classificação das categorias de manejo internacionais. A única vantagem do termo nesse caso é que você tem um acordo formal. e não enfrentar..Renato: Se você não tem um plano de manejo que pressupõe um zoneamento. Maretti: Não é o ideal. Mas hoje. quais seriam as vantagens e desvantagens dessa situação? Maretti: Não sou operador do direito. é uma forma de escapar do problema. é no caso de propriedade coletiva. esse dinheiro vai para os grandes latifundiários. é mais do que abrir essa lógica. ele é unidirecional. Renato: Você acha que as RDS permitem áreas privadas no seu interior? Em caso afirmativo. A classificação hoje define categorias. Renato: Você acha que se uma determinada área apresentar todas as condições para se transformar em uma RDS. lato sensu. No Brasil hoje não é isso. com base em grupos de objetivos. Então hoje você tem que trabalhar para ter outras reservas privadas de uso sustentável. porque senão a gente vai criar situações a longo prazo insustentáveis. A solução que talvez eu esteja fechando a porta é se essa comunidade estiver 224 . A outra coisa é a questão da dominialidade das terras. ele considera essas opções. Um parque nacional teoricamente não precisa ser público. como no caso dos quilombolas. mas um é público e o outro privado. não dá.. você não precisa nem de termo de compromisso às vezes. A única situação que eu admito a propriedade privada. Tem fazenda.. Maretti: Mas se tem fazenda e cria uma RDS. então vamos criar uma RDS. Como aquela comunidade vai sair da área? Ele não deixa aberta as outras possibilidades. Se a gente passar a entender que eu tenho a RPPN como uma categoria equivalente ao Parque Nacional. Mas tem outras duas dimensões que precisam ser trabalhadas. aí eu aceito. e. porque a lei deixa. inclusive o papel do ARPA . dos direitos. você não consegue fazer um termo de compromisso com bases razoáveis. Então eu concordo com isso em teoria. monitoramento da efetividade de gestão. Mas hoje são categorias diferentes no SNUC. uma definição clara. inclusive essa categoria é utilizada justamente por causa disso. Propriedade privada individual é inadequada aos modelos de gestão que a gente tem no país.. mas eu acho que não permite e não deve permitir. teria que ser revisado e tal. O meu problema com termo de compromisso é que na forma que ele está escrito no SNUC. Maretti: Porque se o plano de manejo é bem feito. Uma delas é a avaliação. eu acho que pode ser um instrumento razoável se você trabalhar com períodos mais amplos de tempo. Renato: Mas a idéia é justamente parar de considerar plano de manejo como pesquisa e .. tipo quilombola. então eu não concordo na prática. Implicitamente está o nível de restrição ao uso. Mas a situação é que se você leva antes o plano de manejo. você faz o termo de compromisso já. na visão da WWF é cutucar essas coisas. devem ser redefinidos os seus limites? Maretti: Eu acho em situações ideais a gente poderia trabalhar com a lógica de propriedades coletivas. mas tiver uma propriedade privada e não tiver recurso para desapropriar. Renato: Mesmo assim.Todas têm propriedades privadas. Então na medida em que a gente caminhar para isso. Maretti: Eu concordo com você. mas isso não é o caso do Brasil. quando chega um recurso para desapropriação dentro do IBAMA. E fazer acordos jurídicos nesse sentido. liderado pela IUCN. Renato: Então você é contra todas as RDSs no território nacional. de acesso às áreas e recursos e da titularidade do gestor. portanto. Se o plano de manejo é perfeito. o Brasil trabalha assim.

é uma forma de tapar o sol com a peneira. reflorestamento com exóticas. três gerações? Renato: E se eles chegam a uma região porque eles querem conservar determinada área a partir de um modo de vida que eles acreditam que pode conservar? Maretti: Eu acho que permite que pessoas não originárias do local sejam reconhecidas como uma comunidade adequada. Isso pode ser chamado de ecoturismo. Renato: Eu pergunto isso porque Cujubim. senão não é uma UC. Por outro lado. Reflorestamento. cabe dentro do que eu defini antes. Sou contra isso. só são áreas protegidas por algum instrumento privado. Renato: Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados na região? Maretti: Pode ter. mas gente que não é originária. uma APA dentro de propriedade privada. turismo de fazer alguma coisa na natureza. tirando raríssimas exceções. Eu não vou a ponto de dizer que esse modo de vida tem que ser rústico. mas é duro definir o que são esses recentes. Renato: O ecoturismo. aventuras. Pelo jeito que está definido hoje no SNUC. eu acho que APA deveria ser adequada a esse tipo de coisa.. Mas quanto é recente. se você pegar as possibilidades de fazer acordos e colocar no seu documento de posse condições pra isso. O desenvolvimento sustentado deles tem que ser voltado à conservação. N verdade a maior parte das reservas privadas do mundo não são reconhecidas publicamente.. criação de peixe e etc. São atividades de pequena escala 225 . cinco. Maretti: O ecoturismo existe muito como turismo de aventura. e ele pode até em um Parque Nacional. Eu acho que pode ser recente. Pode ter turismo convencional desde que controlados os impactos. Eu não tenho nada contra eles serem recentes. mas do jeito que está na lei.algumas pessoas com propriedade privada dentro. esportes. que foi vetado. E daí você tem os mecanismos públicos que seriam. Isso não é educação ambiental. associada a mecanismos de restrição privada. Se a comunidade e aqueles proprietários querem fazer isso. entra naquela outra discussão que tem que ter um tipo de vida adequada. então não interessa. mas adequado à conservação ambiental. eles teriam que ter alguma atividade relacionada. Ou seja. Maretti: Eu acho que não comporta. tem como. e que sejam oferecidas condições para se fazer uma observação da natureza mais interessante. turismo convencional. como um documento. Se tiver grandes produções lá dentro. Renato: Que tipo de uso pode ocorrer em uma RDS? Pode ter atividades como mineração.. acho que não. por exemplo. não seria. Qualquer parque tem que propiciar uma visitação adequada e maximizar a possibilidade da pessoa admirar a natureza. Se fosse um condomínio que protege. dois anos. Educação ambiental tem uma intervenção que depende da vontade da pessoa. Eu não concordo que o turismo em UC só poderia ter fins de Educação Ambiental. não existe nesse país. O ecoturismo. eu acho que pode ser supermoderno. criação de peixes exóticos? Maretti: Turismo convencional sim. Renato: Isso pra mim é mais próximo do turismo convencional. Portanto não enquadraria dentro do que o artigo. tem três imensos latifúndios dentro.. só comportaria se eles tivessem algum tipo de atividade relacionada aos recursos naturais... Maretti: É o turismo especializado. definia como o que era tradicional. Se eles chegaram ontem. carcinocultura. E a RDS igual. mas os moradores trabalham na cidade. carcinocultura. mas o que eu não admito é que você tenha que obrigar alguém que está visitando uma área natural a passar por um processo de aprendizado e tal. por exemplo.

. Então. Isso em pequena escala. Se elas fossem admitidas. mais sustentada. Maretti: Eu acho uma discussão extremamente perigosa. E uma coisa que nos enganamos foi que a gente poderia reformular um decreto por um outro decreto. Na verdade a posição jurídica mais rígida diz que ou o decreto é inválido porque está errado e não é parque. mas é necessária porque a Amazônia fatalmente vai passar por isso. e tem que por isso pra uma discussão maior. é uma área que vai se desenvolver e a gente prefere que se desenvolva de uma forma melhor. e inclusive a agricultura é quase toda exótica. inclusive.. Mas porque não uma mineração artesanal.. Renato: Você acha que há alguma particularidade para a gestão de uma RDS? Tem algo específico que tem que ser levada em consideração? Maretti: Consenso.. E se mostrou que isso pode ter sido uma coisa exagerada. Se eu não admito grandes áreas de reflorestamento.. também não pode ter uma mineração que faz uma cava a céu aberto de grande extensão ou que gera um efluente muito prejudicial. O reflorestamento em larga escala para a produção de papel. Renato: A diretoria do CNS está querendo iniciar uma discussão nesse sentido porque tem algumas reservas na Amazônia que tem potencial mineral bastante razoável e ela prega. Assim como a agricultura. eu não consigo não consigo dizer mineração não pode. Então eu também admitiria isso feito na água. Mineração é uma grande dúvida. porque o conjunto é grande. Renato: Você participou de um caso parecido. é como se fosse uma plantation dividida em várias propriedades. com a minha galinha e com a minha vaca. e portanto tem que ter uma 226 . A idéia é a de que é tão perigoso. Nem a tal terceirização que vai pro mesmo fim. não. Renato: Você acha que o estabelecimento de um mosaico onde havia só uma categoria de UC.. Se falar que não pode essas atividades. São as duas características que eu acho importante em RDS. Mineração não é proibida em território indígena. Tem recursos minerais. depende de como ela é feita. E os segundo motivo é porque a mineração não é necessariamente mais prejudicial do que outras atividades como agricultura e turismo. É o mesmo caso de fazer uma redefinição de limites via Congresso Nacional. Pode ter tudo isso. porque todas as discussões internacionais não fecharam a porta para mineração em categorias 5 e 6. Você tem uma comunidade que use os recursos naturais de forma adequada. ou então o decreto foi válido mais foi parcial e tinha que fazer uma reformulação. até pela minha formação de geólogo. A mineração tem uma imagem de vilã que nem sempre é verdade. o que eu faço com a minha laranjeira. Renato: Mas você acha que vai mudar? Maretti: Seria necessário para a ReBio Trombetas. ou uma mineração altamente “tecnificada”. dentro de uma estratégia de utilização múltipla e com impactos controlados. Intervales em São Paulo. Isso não pode. sempre. Maretti: Mas a gente foi esperto o suficiente pra pegar uma facilidade que era a criação de um parque depois.integradas em uma estratégia de múltipla utilização da natureza. no congresso nacional. um garimpo. a mineração também é necessária.. passa por revisão de limites? Maretti: Passa por revisão de limites. Em princípio pode sim. Aí a gente fez um acordo social e hoje eu sou supercondenado pelos ambientalistas de São Paulo. que não pode proibir. Na medida que eu mudar a ReBio Trombetas por causa dos quilombolas. Eu acho que admitir ela dentro de Resex seria muito perigoso. a concessão de áreas para empresas. teria que ser feita até uma negociação múltipla e se mirar até no que a gente tem que fazer em território indígena. ninguém mais segura.

e tem que ter a representação de ambientalistas e cientistas que são quem vai representar os interesses de conservação dessa área maior. quantidade de conhecimento externo e grau de organização da comunidade préunidade de conservação. eu acho que Mamirauá é um bom exemplo. além disso. Inclusive aí. Tem pelo menos três condições que são muito difíceis de reproduzir em todas as áreas em que há RDS. apesar de estar cheio de defeitos. Tem que ter uma representação muito mais forte dessa comunidade local com essas características. Ele só não é replicável. e depois a gente vê o que faz com ela. Poderia até ser a unidade maior. Isto é. pra trazer gente pra ocupar. inclusive não é só pela atividade de manejo da comunidade. só com turismo ele jamais daria dinheiro pra se sustentar. Quantidade de dinheiro. você não ficar dependente só de um produto. e influenciando na prática essa decisão. e eventualmente a comunidade. É um bom exemplo porque a comunidade melhorou de fato de qualidade de vida e a proteção é relativamente efetiva. Cujubim é o caso típico onde caberia um mosaico.. Renato: Conselhos gestores numa RDS têm alguma característica específica? Maretti: Eu acho que ele tem que refletir essas duas demandas.. inclusive particulares. Mas. as RDS do Amazonas são inspiradas em Mamirauá.atenção especial pra isso. mas tem que ter uma grande área sem uso. segundo eles. Renato: E um mau exemplo? Maretti: Cujubim. porque eles não têm recursos para desapropriar. e não porque tem uma vigilância efetiva. Se essa comunidade quer ter uma estratégia de sustentabilidade econômica baseada em um produto só ou em cinco. ela não é replicável porque nós nunca vamos ter o dinheiro e a quantidade de pesquisa e gente que trabalhou com as comunidades pra fazer isso em todas as áreas. e a RDS seria uma parte dele. para vários casos as RDSs têm como objetivo inicial a suspensão de práticas consideradas impactantes ao meio e às comunidades e depois. dentro das possibilidades do governo. cabe a ele dar os limites. todas as minhas discussões sobre turismo convencional e mineração. Inclusive no discurso se dizia. mais pelo zoneamento natural do que pela vigilância. mas cabe a ele decidir os limites da produção.. que é o principal exemplo desse tipo de unidade com propriedade privada em seu interior. Renato: O discurso do pessoal da Secretaria de Estado do Amazonas está amadurecendo nesse sentido. O órgão de gestão vai ter que ter uma atenção especial para a comunidade. Eles dizem que hoje as RDS são criadas em função da necessidade de congelar determinadas situações para conservar algumas áreas. sem uso. Há algumas espécies em risco nas áreas de uso. 227 . não cabe ao órgão ambiental julgar. a definição de outras categorias para a área. mas o ideal era Cujubim ser um mosaico. não oficialmente. Mas você tem problemas. Renato: O turismo pode ser feito nessa área ? Maretti: O turismo pode ser numa parte. tendo essa característica de vários usos ela tem que ter mais representantes. Por exemplo. Porque Cujubim foi criada com a seguinte lógica: vamos proteger uma área enorme. que era uma área para assentamento posterior. então não é viável economicamente. Tem uma grande área que só é protegida porque ela é remota. O equilíbrio entre as atividades. Renato: Você tem um bom exemplo de funcionamento de RDS? Maretti: Do que eu conheço de longe. Agora. O turismo só se sustenta porque existe uma grande estrutura econômica por baixo. Mas acho que é o melhor exemplo. Não cabe ao órgão ambiental decidir os produtos. as áreas de mata perto de várzea estão muito predadas. E o outro aspecto é o fato de você garantir que se tenha uma área grande sem uso direto.

é defender que tem. Então se eu criar como RDS. Agora. um pouco o coronel da região. é errado. E parece que Mamirauá faz isso.. Aquilo foi feito pra proteger a área de uma praia que o pessoal vai passar fim de semana. Por causa dessa dificuldade de entendimento. é uma outra história. mas assentar gente numa agrovila ali. porque para o mosaico você dá uma destinação clara. com objetivos mal definidos e múltiplos. mas você tem que criar condições específicas ali. eu acho que RDS tem um grande risco. Aquilo foi feito para um tipo de turismo que não é adequado a UCs. nessa mesma época. e não só na área dele. depois nós vamos fazer através do zoneamento isso e aquilo”. parte dessa Estação Ecológica. que isso e aquilo era criar uma área de proteção integral aqui. eu dei o exemplo de uma parte da Terra do Meio.. Mas daí é válido. sem decretos. que é piorada quando esses dois extremos ganham a briga sócio-política e formam a opinião pública. Renato: Existe alguma outra área protegida do seu conhecimento que seria melhor enquadrada na categoria RDS? Maretti: Se RDS estivesse regulamentada e definida como eu tento. Renato: O próprio funcionamento por meio do conselho gestor: se há dois ou três latifúndios dentro da reserva. depois de Manaus. é contra a lei e inadequado tecnicamente. Mas não é o que eles diziam quando criaram. o que significa que não tem uso pra eles. APA é um meio termo porque você não pode ultrapassar os limites admissíveis da propriedade. E resolver isso através do zoneamento interno e com negociação com propriedade privada e assentamento de agrovilas. mas já é superada porque com a alteração do SNUC você agora faz uma interdição temporária. E os que seguem o direito com predomínio da propriedade privada. Ele dizia: “Eu não consigo convencer o meu governador a criar esse tanto de terra pública e de proteção integral. então. A questão da RDS no Amazonas. então não tem nada de comunidade ali.Maretti: O problema não é só ter. vai haver ao menos um representante dos latifundiários no Conselho. Mas 228 . Se eles tiverem pensando em transformar em parte Resex e parte área de proteção integral. Renato: Você acha positivo se isto for feito por meio de decreto? Maretti: É uma estratégia política. E além de tudo é muito pequena para Amazônia. E por que RDS? Pra evitar desapropriação. ele vai influenciar muito sobre o que vai ser feito na área toda. Mas ele também dizia. mas com a Resex. transformar a RDS num mosaico de categorias. É complicado. Na verdade. Agora o zoneamento é uma medida de administração interna. que pode mudar aquele zoneamento quando quiser. Tem um outro mau exemplo em uma área pequena que é a RDS de Manaus que se chama Irapé ou alguma coisa assim. Agora. sem comunidades locais. antes de Anavilhanas. Como geralmente ele é um dos principais empregadores. por meio de decreto. é uma estratégica política e o tempo vai me dizer se eu estava errado. com plano de manejo e zoneamento. Porque os preservacionistas entendem que APA não presta porque você não pode proteger a biodiversidade. É uma RDS municipal que fica subindo o Rio Negro. Maretti: Mas Cujubim é um mau exemplo justamente por causa disso. Então isso não traduz uma estratégia suficientemente convincente de ter justificado criar Cujubim. Mas como definição técnica. dizem que você não pode fazer nada que as condições gerais da propriedade restringem. Ele pega uma área enorme. mas talvez por ser municipal poderia justificar. eu acho que é uma evolução positiva. Ele queria resolver isso no nível administrativo. Não faz o menor sentido. eu fico contente que isso esteja evoluindo porque eu já discuti muito com o Virgílio quando ele dizia que RDS é uma categoria quase temporária por causa da questão da desapropriação e da oportunidade política. para a questão da propriedade privada o meu medo é que passe a ficar parecido com a parte negativa da APA. Então se for uma estratégia pra depois ter um mosaico definido por decreto. na prática.

Eu defenderia isso. As RDS cabem bem num mosaico. por que criar? Tem que primeiro regulamentar. Na RDS são ribeirinhos. O motivo é que eles não fazem nada que não tenham criado ou que não estejam acostumados. Por causa de Mamirauá esta categoria entrou para o SNUC. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? Qualquer tipo de ocupação. corporativista e tecnocrática de grupos que estão no governo federal que não entendem ou aceitam qualquer coisa que já não tenha sido experimentada. acho que é uma atividade de precaução correta. Eu já vejo um movimento no Ministério de ter mais abertura pra isso. pelo menos. a solução de hoje é criar uma Resex do lado. com áreas de uso e de conservação. As unidades de conservação. mesmo sendo “de papel” sempre seguram algo num ordenamento territorial. e precisa da aprovação do conselho para explorar a área. mas isso não vai resolver tudo.numa lógica de um outro mosaico com parte da Estação Ecológica e parte da futura Resex do Rio Iriri. com conflitos (fundiários. Num macro ordenamento territorial elas cumprem seu papel. Garantir o acesso à recursos para população é o objetivo primordial. Talvez parte do Parque Nacional do Jaú. È melhor do que não criar nada. Entrevistado: Luis Carlos Pinagé Data da entrevista: 09/03 /2005 Local da entrevista: FUNBIO / DF Entrevistador: Lucila Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? Foi Mamirauá. que era estação ecológica estadual. acesso à recursos) é mais fácil criar RDS. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? A conservação ambiental é o segundo objetivo. Então Resex passou a ser aceita muito tempo depois e mesmo assim até hoje tem problemas e foi enfiado goela abaixo. por que as RDS estão sendo criadas pelos governos estaduais e não o federal? Maretti: Por uma visão tradicional. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? 229 . Nas RESEX a atividade é de extrativismo. caberia uma Reserva Biológica ou Parque Nacional e uma RDS. As restrições seriam definidas pelo plano de manejo. com muita incidência de títulos. Resex não porque eles tem uma agricultura forte e porque caberia a inclusão de áreas maiores que as da necessidade da comunidade. grandes propriedades que estavam lá. se você não sabe claramente o que é RDS. Eles podem ficar nesta categoria de unidade de conservação. mas acho que não é esse de fato o motivo. e se tornou RDS antes do SNUC. Renato: Na sua opinião. então nunca foi considerada IBAMA no início. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? Numa área grande . mas no IBAMA não. Por tudo que eu falei antes. gente de fora da área. Renato: Para o parque do Jaú você pensa numa composição de mosaico? Maretti: É. Elas definem um certo ordenamento territorial.

Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. cooperativa funciona. apoio do governo do estado. que tem ligação histórica com esta categoria. O CNPT tem atuado sem demanda. O INCRA repassou áreas para o IBAMA. políticos. grande capital. só quando a arrecadação é grande. recursos abundantes. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? RESEX exige desapropriação e tem concessão de uso para a população. enquadrada em outra categoria do SNUC. A cooperativa é o motor da RDS. apoio do PD/A. Eu prefiro RESEX. A RDA não precisa desapropriar. ou o contrário? 230 . As RDS são quase como uma APA: pode ter vários tipos de atividades sustentáveis. A tendência das RDS é de conservar grandes áreas. comercializam recursos. Usos das populações tudo bem. pecuária extensiva. Atualmente o CNPT induz demandas de RESEX. Na RESEX o poder de intervenção do estado é maior. O ICMS ecológico não se aplica a todos os municípios. Os municípios precisam de compensação pela perda de receita.. Que tipo de consulta pública deve ser feita antes da criação de uma RDS? A consulta publica é obrigatória. por conta da desapropriação. Deve participar todo mundo: morador de dentro. A RESEX garante maior proteção às comunidades.e deve haver ampla divulgação. não desapropria. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDS? Mamirauá não é um bom exemplo. Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? Não precisa de solicitação da comunidade para criar uma RDS. portanto não acarreta ônus com regularização fundiária. inserção na política publico estadual (o governo do estado compra a produção). mineração.A área tem que estar conservada. A RDS é um ordenamento para acesso aos recursos e para a ocupação.. Desenvolvimento sustentado implica em ter atributos naturais.pois teve grande aporte de recursos. e ser anunciada. por conta do controle pelas comunidades. Não mecanismos de compensação pela imobilização das áreas. mas tem que garantir renda. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? Tem que ser uma ocupação com uso sustentável. órgãos públicos terceiro setor. A regulamentação é mais frouxa. A área não tem conflito. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. não retira população. agentes externos. Não dá para ter grandes empresas. não precisa ser extrativista. Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Como deve ser composto seu conselho gestor? Pelo conselho deliberativo. Os municípios precisam participar da gestão das RDS. todos os setores – acadêmicos. As RDS foram inventadas pelo Amazonas. Iratapuru é um bom exemplo: área conservada. O uso deve ser em pequena escala. praticam atividades sustentadas. morador de fora. e não sofre pressão de invasores ou grandes proprietários. Tem que ter convoação previa. O conselho deve ter representação do pessoal que mora no interior da reserva mais sociedade local. Não tem justificativa para criar uma unidade de conservação numa área degradada..

ENTREVISTA COM ORGANIZAÇÃO DE CLASSE Entrevistado: Atanagildo de Deus Matos / Gatão – Secretário Executivo do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). para dizer que conserva. tem população quilombola no interior. mas principalmente porque ela não resolve duas questões básicas. A restrição simplesmente não funciona na prática. os recursos são abundantes. a lei não obriga que essas pessoas com títulos dentro da área sejam desapropriadas. eles vão ter direito à terra pra sempre e vão receber isso na forma de concessão de uso. Data da entrevista: 09/11/2004 Local da entrevista: Manaus Entrevistador: Renato Renato: Qual função você está exercendo atualmente no CNS? Gatão: Eu estou na secretaria executiva do CNS. cada estado está fazendo uma interpretação diferente. O primeiro ponto da reserva extrativista pra nós é garantir o direito à terra para os moradores extrativistas. portanto não tem ônus. por que as RDSs são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Os governos estaduais ( Amazonas) estão criando grandes áreas de RDS. qual a posição do CNS sobre as RDSs? Gatão: O CNS tem como definição do conselho deliberativo não priorizar a criação de RDSs. o governo não pode fazer o contrato de concessão de uso com a comunidade porque ele não pode passar para o outro o 231 . Nós achamos que a RDS é uma categoria paliativa. Isso significa que. Toda a área com muito conflito (atores internos e externos). a respeito das RDSs e por ser uma categoria nova. Primeiro. quando a comunidade reivindica a sua criação. a área é de várzea. Na sua opinião. são menos restritivas. pescam e fazem extrativismo. Então. Eu faço esse processo de articulação ajudando os cinco dirigentes que são da executiva nacional.Parque estadual Nhamundá: está cheio de gente. Como não existe muita clareza no SNUC. Mas o CNS não propõe ou encaminha por natureza própria a solicitação da criação de RDS. e são mais condescendentes em relação à conservação. fazendo o papel de suporte da secretaria executiva. Recuperando o que está degradado. Outra Unidade de conservação é a RESBIO Trombetas. Queremos então entender a visão das autoridades para criar diretrizes para tornar essas UCs viáveis. Deveria ser transformada em RDS ou em APA. uma vez criada a RESEX. uma vez não desapropriando os moradores que tem dentro do seu perímetro. e para reservar grandes áreas para exploração florestal posterior. a RDS não indeniza os proprietários com terras dentro do perímetro criado. Poderá aceitar a sua criação em um processo de negociação. ou não. Renato: Os governos federais mal dão atenção às RDSs que estão sendo implementadas pelos governos estaduais. não só porque ela não tem suas funções muito definidas. Elas não exigem regularização fundiária. a “titularidade” da terra continua na mão de pessoas com que temos divergências. Para salvar o que tem pode ser criando uma RDS. com muita população. Por essa razão. que foi o princípio da luta dos seringueiros e da elaboração do processo de criação das reservas extrativistas ainda na época do Chico Mendes. Já a RDS. Eles coletam castanha. Deveria ser desafetada a área deles para se tornar RDS. 70% está desmatado.

uma unidade chamada de RDS. quando é liberado. Prova disso é que os grandes investimentos lá foram na área de pesquisa. dentre outros. Então na época os cientistas que trabalhavam em Mamirauá conseguiram durante a discussão do SNUC que fosse incluída a RDS. Essa unidade foi criada pela iniciativa não da comunidade. È mais a exploração dos recursos existentes e associada a isso eles procuram criar RDS porque. mas pode continuar explorando aquele produto. Hoje as áreas que têm sido criadas pelo governo do Amazonas têm uma outra conotação. cooperativa ou sindicato. Renato: No seu entendimento. Aliás. podendo aceitar a discussão como aqui no estado do Amazonas. Mas eu não acredito que eles venham fazer desapropriação em relação a isso. mas precisamente pelo povo ligado ao Inpa e ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Isso significa que. Porque para fazer uma desapropriação quando já consta na lei é difícil. Isso são os dois pontos principais que nós temos divergências. mas não nos opusemos à sua inclusão no SNUC porque achamos que a visão da sociedade brasileira é muito ampla. por mais democrata e social que ele seja. Renato: Está dito no SNUC que se. Naquele momento nós não defendemos a RDS. por que foi criada essa categoria? Qual foi o motivo? Gatão: Ela entrou no SNUC não por uma apresentação do grosso do movimento social. com a função de testar conhecimento científico e pesquisa. mas pela sociedade científica. diversificada em relação às UCs. como não exige desapropriação de terra. No entanto. e fica uma unidade que parece de “faz-de-conta” ou uma APA melhorada. e acaba sendo uma UC que a comunidade não pode gerir porque tem propriedade lá dentro. Não nos opusemos porque pra nós era mais ganho que a Resex fosse incluída. a organização da comunidade. Segundo ponto. principalmente encaminhada pelo Inpa. achamos que se tivesse que fazer uma revisão no SNUC. e na propriedade manda o dono. Renato: Você acha que a RDS serve mais para conservação ambiental ou desenvolvimento das comunidades? Gatão: Engraçado. isso diverge da nossa questão de fundo. mas ao criar. se o cara tiver uma fazenda de gado que for incluída dentro da RDS ele não pode ampliar o seu espaço.que não é dele. a essência do processo fica dúbia. se a comunidade optar por isso. chamada Mamirauá. Na RDS isso não está definido. Cria uma coisa pra deixar como está. Na Resex está bem definido que quem “gestiona” a Resex é a comunidade através de sua associação. Então a bandeira do CNS não tem como mérito a criação de RDS. que é particular. ela tem que ser desapropriada. Eu acho que o grave é a questão da propriedade. o governo não tem custo para criar uma RDS. principalmente quando se trata da comunidade científica. tínhamos que aperfeiçoar melhor a Resex. a RDS de Mamirauá foi criada mais por interesse da pesquisa. Isso não estando definido. Havia sido criado no Amazonas. pelo governo do estado. e a participação da comunidade é mais consultiva do que deliberativa. diz que ele pode continuar exercendo as suas atividades que já costumava a fazer dentro da unidade. Então do ponto de vista da “titularidade” e do domínio da terra não muda nada. imagina quando não consta. Isso resolveria alguma coisa? Gatão: Eu sei que isso está na lei. essa propriedade dentro da área da reserva tiver usos que não estejam compatíveis com o plano de manejo ou com o que a população quer pra aquela área. E como princípio da comunidade é a questão coletiva. 232 . as pessoas que se opões hoje à Resex propõe a RDS como um meio mais flexível para a comunidade morar. Primeiro eles tinham uma fundação que geria Mamirauá. por acaso. é a gestão. que agora é o instituto. também de princípio e fundamental. Aí tinha o Márcio Ayres. que conseguiram encaixar a questão da RDS. sem que venha causar maiores danos.

Esse tratado que a gente tem avançou o processo de discussão no estado do Amazonas.. Gatão: Instrumento de maldade. Se o gestor público quiser usar isso. E mais ainda. longínqua. Aí eu quero salientar uma coisa importante. não participei do processo. E a comunidade com certeza não terá condições de gerir.. com milhões de hectares e com pouca gente. O que mais me preocupa agora é porque nessa nova gestão do governo federal.. E isso é muito ruim. numa área extremamente difícil.. 233 .. Gatão: E depois fazer uma contra a outra. se o governo for pedir a criação de RDS em lugares em que não foi discutido pela comunidade e que ela não solicitou. pelos governos que não querem atender as necessidades da comunidade. não tive informação. então eles têm mais meios de chegar à comunidade e propor ou induzir a comunidade a aceitar a RDS. tem uma estrutura maior que a do CNS. e isso tem sido usado como mecanismo de manobra pra fingir que está fazendo o que não faz. Renato: Isso pode servir como instrumento de. Isso é feito pelo voto. Gatão: Eu não sei. é interessante salientar que no caso específico do estado do Amazonas nós temos um tratado entre o CNS e o governo do estado de que quando se propõe a criação de uma UC de Uso Sustentável em terra que é de gestão do governo do estado. Isso me preocupa. que está criando alguma coisa. o governo estadual se antecipa à criação de algum parque e cria uma RDS? Gatão: Pode ser isso. como no Pará na região de Terra do Meio. ele usa. Agora. de forma maldosa inclusive. independente de quem propõe.. o pedido de criação de RDS em áreas completamente problemáticas.. foi encaminhada pelo MMA. Quem pede a criação de uma Resex é a comunidade. Renato: Então. Isso que é o grave. dizer que uma é melhor do que a outra. Desorganizada. que chegou no CNPT. Renato: E qual foi o motivo da criação. e essa aqui que foi criada no Amazonas com 2. essa categoria de UC foi colocada no SNUC e ficou calado por um período muito grande. Isso é ruim porque os governos que quiserem usar isso podem usar porque eles têm um poder maior de convencimento. no caso da RDS.. Não tem como. de alguma forma tiram essa importância simbólica da luta dos seringueiros? Gatão: Eu acho que tira. de enganação. Se a gente não fizer um esforço muito grande a gente pode desvirtuar o papel da Resex em função da criação da RDS.Renato: Você acha que de alguma forma as RDSs competem com as Resex. só o governo do estado estava fazendo. Renato: As pessoas costumam até a confundir. mas pode ser também para aparecer para fora do estado e do Brasil. isso é complicado. Era interessante que as pessoas que propõem a RDS discutissem com os moradores essa questão de fundo para ver se eles aceitam ou não. Renato: Você acha que pode ser algum tipo de reação à intervenção federal. sem abrir uma grande processo de discussão dos seus princípios. e só será aberto o processo da criação a partir da demanda da comunidade. nós temos que discutir se ela vai ser federal ou estadual ou se vai ser RDS ou Resex. Cujubim. Podem ser várias vertentes que eu não posso definir exatamente.5 milhões de hectares pra 69 famílias? Gatão: Tenho certeza que não foi a comunidade que pediu. Porque tem meios pra fazer isso. Criam um negócio para fazer-de-conta. Eu acho que isso é uma questão grave. naquela distância e com o tamanho que tem. A RDS não é assim. E cria RDS sem gente. e acho que pode ser usada como contraponto.

E chegou agora recentemente uma demanda de RDS. não tem mostrado interesse em trabalhar o fortalecimento da comunidade porque ela se ocupa com a área da pesquisa. A demanda que existe hoje no CNPT. e nem é prioridade. O Lago do Catuá Ipixuna (município de Coari e Tefé) é uma Resex criada pelo governo do estado do Amazonas. no histórico de criação das RDS. Baixo Juruá. Os pedidos que chegam lá no CNPT para a criação de Reserva de Uso Sustentável é Resex. A Resex surgiu para buscar uma solução para a terra. e a comunidade aceitou que quem criasse fosse o estado. muito desgastante. era de 69 pedidos para a criação de Resex. o governo acabou criando a RDS que está lá abandonada do ponto de vista estrutural. consulta pública. Lago do Capanã Grande) nós votamos e discutimos com a comunidade e eles optaram que fosse uma reserva extrativista. de melhoria da qualidade de vida dos moradores. a RDS do Ararão (estadual) que fica dentro do lago e a RDS de Caraipé que foi uma disputa muito grande para o governo do estado pois o governo federal queria criar essa reserva. O governo federal só trabalha na pressão. do licenciamento. Uma vez resolvida a questão da titularidade individual. E nesse processo de discussão houve uma negociação para que o governo do estado criasse. E eu próprio falei em uma entrevista. principalmente na Mata Atlântica. Então as RDSs viriam contemplar casos como esse. Gatão: Por isso que eu digo que a situação é dúbia. não tem? Gatão: Tem. mas teve uma outra vertente. Isso foi negociado em uma consulta pública. que se cria Resex para resolver problemas. e federal. Renato: No meu entendimento. Fonte Boa. é o pedido da comunidade. são extrativistas e etc. “saneia” o resto do processo. querem criar uma reserva. tem havido casos de comunidades serem trabalhadas para pedirem Resex. em que existem pequenos produtores que conseguiram com muito custo a escritura do terreno deles. Nesse caso o governo do estado queria RDS. depois desse pedido a gente inicia a discussão e esclarecimento. quando eu saí de lá. Renato: Você sabe por que as RDSs estão sendo mais criadas pelo governo estadual e não federal? Por que não houve a aprovação das RDSs pelo governo federal? Gatão: Eu acho que a questão principal é quem demanda. Renato: Você conhece alguma RDS que possa ser considerada um mau exemplo desse tipo de unidade? Gatão: Não porque é uma unidade nova. Primeiro é o pedido de abertura de processo. Todas as reservas no estado do Amazonas (Jutaí. Não tem recursos nem gente pra fazer isso. seminário. Mas sempre as pessoas que questionam são aquelas que querem ter a titularidade individual da terra. E eles trabalham de forma coletiva. é para fazer o que já está. Existem algumas comunidades. em um artigo. E de RDS nenhum. mas pedida pelo MMA. Renato: Agora. Não foi feito nada porque a Sectan não tem experiência. Renato: Hoje as Resex estão cumprindo o seu papel? 234 . não adianta criar onde já está tudo bem. mas o CNPT diz que se for criada uma reserva ali eles terão que ser desapropriados. A mais difícil é a RDS do Lago do Tucuruí no Pará. houve o caso de Mamirauá onde houve interesse pela conservação e por isso foi criada uma nova categoria que permitia pessoas morando em seu interior. e não é induzida não. mas queriam Resex. Tem que ficar claro que a RDS não é para resolver problemas. e não pela comunidade. Foi pensada para pequenos proprietários e agora extrapolou para latifundiários aqui na Amazônia. Depois de uma luta longa.Renato: Houve já algum caso concreto? Gatão: Houve.

ou vai buscar uma indenização. ENTREVISTAS COM PESQUISADORES Entrevistado: Mary Allegretti Data da entrevista: 05 de julho de 2005 Local da entrevista: entrevista por telefone Entrevistador: Lucila Pinsard Vianna Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? A principio o que havia previsto no SNUC de categoria de unidade de conservação relacionado à população eram as RESEX. O Patrimônio da União forneceu a área para esse grupo. Soure. Mas nenhuma das pessoas das áreas em que foram criadas perderam suas terras. Mamirauá foi a primeira RDS existente. Renato: Posso dar um exemplo de uma RDS que eu acompanhei um pouco e que foi escolha da população. 235 .. Siriaco e Rio Cajari. porque abrem as RESEX para a região e para o estado. Rio Grande do Norte? Sabe por que? Eles são pescadores há 400 anos. sem consultar a comunidade. Por exemplo. já equaciona parte dos problemas porque os caras não vão mais brigar para expulsar o morador. Teve muita polemica. e ele procura resolver os problemas com o setor público. Gatão: Duas.Tapajós-Arapiuns. Por mais abandonadas que elas estejam. Os conselhos podem ser considerados um avanço. Uma das razões é a falha do SNUC. E nesse caso resolveu o problema. que diz que o plano tem que ser aprovado pelo órgão gestor e não pelo conselho da reserva. são 1000 famílias em três grandes bairros. Eles se revoltaram e conseguiram transformar a área em RDS. Quando você cria uma Resex. Acabou entrando no SNUC. em Macau. pois esta categoria podia ser uma repetição da RESEX. Gatão: O CNS não vai discutir RDS. mas sem brigar com morador da reserva.. De um tempo pra cá tinha um grupo de europeus que queriam fazer resorts na área. Hoje cinco RESEX já têm conselhos de acordo com o que o SNUC dispõe: Chico Mendes. o primeiro ponto é equacionar a questão da terra. Quando sai o decreto que criou. mas vai aprimorar as RESEX. os problemas não acabaram. Em função da criação da RDS de Mamirauá. nós criamos a Chico Mendes tudo em cima de área privada. inclusive se a exploração for feita por meio de concessões a empresas. Se as técnicas para exploração do minério forem saudáveis são bem-vindas. as pessoas vinculadas àquela Unidade de Conservação fizeram a proposta durante a discussão do SNUC. certo? De alguma forma isso também não seria uma visão meio paliativa da situação? Gatão: Não porque ela é um processo. e depois do período de desapropriação de mais ou menos cinco anos. Renato: Em quantas hoje já existe a concessão real de uso. o povo que está lá está mais seguro que o que está fora. então se cria a reserva e depois se vê o que faz com ela. mesmo sem a concessão de uso. tratando de assuntos como manejo de fauna e até mesmo exploração de minérios. Renato: Algumas reservas foram criadas em função de uma ameaça. que é o maior interessado. Mas é fundamental que haja o plano de manejo da reserva e até hoje nenhuma RESEX tem esse plano. Mas boa parte deles vai sendo equacionada. Com morador não adianta mais brigar.Gatão: Sim.

quando a comunidade não está organizada. que também é prevista na RDS. acabam até aceitando a RDS. quer seja porque não sabem a diferença. ou não há como fazer desapropriação. Estas comunidades usam os recursos de forma tradicional.Teoricamente poderiam até questionar a ocupação . Em áreas degradas deveriam ser criadas projetos de desenvolvimento sustentado. e realizar bons projetos. elas gerem a unidade de conservação. A RDS é uma unidade para a conservação que permite a permanência das comunidades. A RDS de Iratapuru. Quando não está organizada. A categoria RDS dá mais visibilidade. do INCRA. e a RDS é uma solução intermediária. Na definição das duas categorias. de expansão agrícola. a unidade dá certo. A RESEX dá maior nível de autonomia para a comunidade. O governo do estado viu na criação da RDS de Iratapuru uma oportunidade para cumprir compromissos políticos assumidos com aquela população. Só depois da concessão de uso. No processo de negociação com o órgão gestor. No nível local não existe muita diferença.Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? A RDS tem objetivo de conservação. A conservação está associada ao estilo de vida desta comunidades. em função das circunstancias. o governo estadual faz a mediação. que são projetos de colonização. a não ser quando ela não tem condições para se tornar uma RESEX. sempre. E é uma área muito grande e de iniciativa estadual. Na RESEX a comunidade é o principal objetivo da categoria. a diferença é muito sutil. quer seja porque não tem escolha. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Área degradada não poderia se tornar RDS. como na RESEX. e projetos de assentamento extrativista. não é diferente da RESEX Cajari ou do Assentamento Extrativista de Maracá. e a comunidade se organiza. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? RESEX é um modelo histórico. fruto da luta política dos seringueiros. por exemplo. O nível de organização das comunidades determina o tipo de categoria de unidade de conservação que será criada. pois já havia criado várias. No caso da RESEX isto nunca poderia acontecer. È uma unidade para a conservação que permite a permanência das comunidades.Quando a comunidade está organizada ela sempre pleiteia RESEX. Se o governo de fato quer implementar a área. Mas as concessões demoram muito a sair. caso o modo de ocupação crie obstáculos para a conservação. não tem noção. A RESEX é proposta pela comunidade. O processo de demanda da RESEX envolve a organização da 236 . pleiteam RESEX. Eu não vejo vantagem de uma área ser RDS. Elas pleiteam. com população dentro. fortalecendo o marketing político O governo federal não criaria mais nenhuma unidade de conservação naquela região. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? A RDS é uma solução importante. As comunidades residentes da RDS estão mais vulneráveis às pressões locais. Na RDS não tem segurança de continuidade. por exemplo. Toda vez que a comunidade pleitea.

se não causarem impacto. mais segura. a comunidade acadêmica está vinculada diretamente com a RDS. RDS: grandes territórios.. As RDSs permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. O que precisa haver são regras muitas bem definidas e claras de acesso. não está separada. não precisam ser retiradas. Existem algumas situações: 1. não há grandes diferenças do que pode ou não pode acontecer na área. Em Mamirauá . sou contra área privada na RDS. as comunidades estão fora da RDS.comunidade. NA RESEX a concessão para a população é de toda a área. e da RS não necessariamente. E não há regras de acesso. O que não é compatível na RESEX é obrigatório a indenização. Não conheço nenhuma RESEX que tenha este vinculo com a comunidade acadêmica. A RESEX é uma solução mais definitiva. à estas categorias de unidades de conservação. mas as RESEX também podem caminhar nesta direção.pessoas que vem trabalhar e que ficam no local. Em Iratapuru. Os projetos de desenvolvimento sustentável e projetos de assentamentos extrativistas do INCRA também são semelhantes. biodiversidade importante. Conserva recursos fundamentais para a preservação e para o uso das comunidades. regras de uso e de acesso. Desta maneira a comunidade não exerce controle sobre o território como um todo. Neste aspecto a RDS se assemelha às APAS. foi ela quem deu origem à categoria. e isto é importante. 2 – parentes de moradores que nunca moraram e que entram na área em função das oportunidades que a reserva oferece. É estabelecido regras para toda a área. mas fazem parte do campo da reforma agrária. pois isto representa um contradição. As propriedades privadas. do ponto de vista das comunidades. quais vantagens ou desvantagens dessa situação?Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? Apesar de entender que a legislação não dispõe desta maneira. Na RESEX a população define e controla estas regras. A comunidade está muito vulnerável. O que distingue é a concessão de uso. Se as regras de 237 . Resumindo as diferenças: a questão fundiária – RDS pode ter propriedade privada as alianças para gestão – RDS tem apresentado alianças com setor acadêmico. do ponto de vista da gestão – na RESEX as populações tem mais poder sobre o território. 3. E cumprem papel muito importante de aliar a reforma agrária à conservação. A questão sempre é – quem é o gestor da área? O que é utilizado como meio de vida pela população? Estas questões definem o destino da área. que tem identidade com a área. Na RESEX a comunidade é parte essencial da unidade. a concessão está focada na área de uso das populações. Tem inclusive colocações fora da área protegida. Na RDS não necessariamente. em ultima instancia. Todas são estratégias importantes do ponto de vista das comunidades.antigos moradores ou filhos de moradores que retornam à área. do ponto de vista ambiental. e também pode abarcar propriedades. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? Depende. mais permanente. que abarca comunidades esparsas. Esta é uma das questões críticas. que pode dar abertura para grandes propriedades. Isto foi um erro na hora da criação. por exemplo. todo o território.

O riscos para a comunidade é muito alto: tem que enfrentar gestão política. Os estados querem controle sobre o território. econômica.02. Os Conselhos gestores não funcionam. por que as RDS são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Na RDS pode ter propriedade privada.2005 Local da entrevista: São Paulo .NUPAUB Entrevistador: Lucila Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? Na ocasião em que a RDS foi pensada – originalmente com o nome de Reserva Ecológica Cultural. que viabilizasse a gestão. Isto é injusto. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. Pela complexidade das tarefas. pois eles prestam serviço ambiental . Elas acabam por não desempenhar seu papel na gestão da reserva. As comunidades não querem este tipo de ocupação na área. enquadrada em outra categoria do SNUC. querem ter sua própria identidade. È claro que tem que prever um nível de expansão possível para atender a demanda. Depois delegam para a comunidade. Elas comportam. Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Todas as unidades de conservação de uso sustentável enfrentam um ponto frágil que são os modelos de gestão como estão elaborados. e ter mais controle do próprio território. O modelo de gestão é muito frágil. conservação. envolvendo organização social. sem compensação. Dificilmente acontecem. que é algo no mínimo novo para a comunidade. ou o contrário? Não. A responsabilidade de gestão tem que ser partilhada. conservando a área. social. uso sustentado. O conselho gestor não é suficiente. As comunidades de fato passaram a agregar valor nas usas atividades a partir da criação da RDS.acesso não estiverem muito bem definidas o impacto será muito grande. Elas. Entrevistado: Antonio Carlos Diegues Data da entrevista: 15. A intersecção com os órgãos competentes é artificial. precisaríamos entender se estão na categoria correta. Na Amazônia. As prefeituras são um bom exemplo. Como fazer a gestão compartilhada? Não por meio do plano de manejo. vários atores estão envolvidos e defendem a criação. divulgar suas ações. as comunidades acabam assumindo uma responsabilidade muito grande. em geral. fazendas e as RESEX não. Não é a criação da reserva que vai mudar esta postura. por exemplo. A gestão acaba se tornando um peso grande nos ombros das comunidades. Na sua opinião. que tem que se virar diante destas responsabilidades. proposta do NUPAUB para o Sistema Nacional de Unidades de Conservação 238 . quando estão organizadas. As RDS conferem maior flexibilidade à questão fundiária. numa disputa com o governo federal. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. Além disso. hotéis. No ato de criação. econômica e ainda dar conta da sustentabilidade. Por isto os governos estaduais têm preferido criar esta categoria de unidade de conservação. Deveria ter uma parceira mais forte na implantação. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDSs? Iratapuru hoje é um bom exemplo de RDS. onde há diversas RDS. não atendem estas populações com serviços . nem nas RESEX nem nas RDS.

com áreas restritivas para conservação. ligações complexas com o mercado. fazendo uso de um ou dois produtos da floresta no máximo. protege apenas mangue. Elas só protegem o corpo d’agua. agricultura.encampada pelo governo do estado de São Paulo – haviam as reservas extrativistas – RESEX. Atualmente há muitas propostas de transformação de áreas de Mata Atlântica em RDS : na Juréia (estação Ecológica Juréia-Itatins. Na mata atlântica as populações praticam atividades diversas. portanto. A Reserva do Mandira. pensada por São Paulo com outro nome. nasceu em São Paulo. Na discussão em Brasilia do SNUC a categoria Reserva Ecológica Cultural continuou fazendo parte do sistema e só foi retirada nos últimos meses antes fechar a proposta do SNUC. agricultura. 239 . determinadas pelas populações. A proposta deste tipo de categoria. As RESEX marinhas existentes estão mais pra RDS do que para RESEX. A RDS foi pensada para dar conta deste leque de atividades complementares. As RDS são próprias para este bioma. As populações acabam saindo de suas terras.SP). para evitar conflitos fundiários. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? Pelo raciocínio da proposta das Reservas Ecológico Culturais. Mas pode ler o texto e comparar. As Resex foram pensadas para a Amazônia. E para a RDS dar certo. que é idêntico. extrativismos pesqueiro. uso extrativista dos recursos naturais de várias origens (marinhos. Este é o cenário da mata atlântica. encaminhada para as discussões no CONSEMA para compor a proposta do estado para o SNUC. terrestres). foi pensada para a Amazônia. artesanato. núcleo Picinguaba. caixeta. É mais adequada para sistemas com maior complexidade social e econômica . SP). e RDS continuou. no Mamanguá (Reserva Ecológica da Juatinga-RJ). a população precisa ter organização. para atender um problema particular que é o da extração da borracha. Eu não sou contra parques. a prioridade é a possibilidade de fixação de populações tradicionais. mas com populações o cenário muda. A RDS não brotou de lutas sociais. não protegem a terra. artesanato. Mas a RDS . Os seringueiros vivem numa sociedade mais simples. A briga por esta categoria. no Cambury ( Parque Estadual da serra do Mar. e ficam longe da RESEX. a partir de Mamirauá. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? As RDS são mais adequadas para a Mata Atlântica. A discussão da categoria RDS – cuja proposição é praticamente idêntica à proposta da reserva ecológica cultural começa apenas a partir de 1993 e de fato acontece a partir de 1994. enquanto categoria de manejo . como a RESEX. Nelas a pesca extrativista não é a única atividade econômica. brotou da necessidade de proteção de espaços/recursos de uma população mais complexa que os seringueiros. atividades de artesanato aliadas à proteção dos ecossistemas onde se encontram as matérias primas – mangues. como ocorre na mata atlântica – várias atividades complementares. A proposta de Reserva Ecológica Cultural feita pelo NUPAUB data de 1991. por exemplo. tem também turismo. As RESEX marinhas foram criadas neste bioma porque foram iniciativa do CNPT. tais como turismo. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? Ocupação como nas RESEX: pequeno numero de moradores (caiçaras).

aí sim cabe a RDS. enfraquecendo as RESEX. tudo bem. sempre tem gente querendo sair. A lei não exige o envolvimento local. que. na terra. só pode ser extrativista. que possam ser utilizados pelas populações locais. As RDS permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. Precisam estar presentes recursos naturais renováveis. As RDS podem significar um avanço maior para as populações tradicionais. porque não? Tem prós e contras. porque pode ter competição com a RESEX.Quem deve mandar na unidade de conservação são as populações residentes. para criar a RDS deve ter um pedido formal da população local. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Não é necessária uma grande quantidade de recursos naturais para ser implementada uma RDS. a solução está no plano de manejo. A RDS comporta ainda atividade de recuperação de áreas degradadas. como nas RESEX. podem ser futuramente transformadas em unidades de conservação mais restritivas. O fato é que não faz diferença se as áreas são privadas ou publicas. bem feito. no mangue. Deve ser levantado o uso sustentado dos recursos naturais. Talvez para transformar posteriormente em parques ou estações ecológicas. Os proprietários devem aceitar plano de manejo.Depende do poder e da organização das populações tradicionais residentes/usuárias. O problema de afirmar que tem que ser de domínio publico é que o custo para o Estado nesta situação é elevado. Situações com mais de um tipo de ocupação. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? A RDS não deveria ser aberta à recém chegados. mas tem uma migração rural-urbana muito forte. Acho que veranista poderia continuar. Deveria prever expansão demográfica. e deveria incluir no plano de manejo atividades de pesquisa. Não tenho uma posição clara. quem tem que solicitar a criação da RDS são os próprios moradores. No caso da Mata Atlântica tem ainda o rigor da lei. Que tipo de consulta pública deve ser feita antes da criação de uma RDS? Deve haver uma consulta popular com os moradores do interior da unidade de conservação. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? O CNPT está querendo assumir as RDS. quais vantagens ou desvantagens dessa situação? Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? Sim. Independente da propriedade da terra. com espaços mais amplos do que as populações necessitam. é necessário desapropriar os especuladores – que são inimigos dentro da própria unidade de conservação.As RDS deveriam ser áreas não edificantes. O que precisa 240 . para barrar o desmatamento. Porém. mas deve ser uma alternativa. Para o cerrado sim. imobiliza os grandes proprietários. No Pará tem diversidade de uso. mas as RESEX são seu quintal. com ocupação variada. Estão sendo criadas imensas RDS na Amazônia. Como as RDS são unidades de conservação menos restritivas. regulamenta o uso. Você acha que RDS não se aplica para a Amazônia? Não. que deveria diminuir a capacidade de intervenção deles. por exemplo. O pessoal que defende as RESEX tem medo que as RDS enfraqueçam o poder de força das RESEX. A RESEX congela. Todo mundo que será abrangido de alguma forma pela reserva deve ser consultado. melhor que a RESEX. Eles podem boicotar. Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? Sim.

Ficaram os velhos que não são economicamente ativos. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. no caso do Mandira. A área delimitada como RESEX do Mandira é respeitada pelos moradores da região. envolvendo os principais atores: estado. sem população. sociedades de amigos e moradores. Foram 2 anos investindo na organização deles. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDS? Nunca vi funcionar uma RDS. A Associação de moradores deve ter papel privilegiado . fosse uma RDS poderia ser melhor porque protegeria a terra. Se o estado não faz. Acho que os novos poderiam voltar sim. O Estado não é o melhor executor. educação. são 116 famílias. A implantação das RDS requerem mais investimento que a implantação de um Parque: precisa de gente capacitada para gerir conflitos. investimentos em saúde. Foi escolha da comunidade. Então. sem uso. 10% da área está ocupadas e poderia se tornar RDs. Não conhecemos esta dinâmica direito. é preciso uma organização social mais vigorosa (mais vigorosa que a existente hoje). reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? Não. Nas áreas costeiras as RDS são mais apropriadas. Se. melhoria condições de vida. Não dá para cultivar camarão na RDS. desde então. está fadado a dar errado? As Ongs precisam ter apoio do estado. incorporação técnicas mais compatíveis com a sustentabilidade. Ninguém sabe se há desejo de se inserir numa RDS. A EEJuréia itatins é um exemplo. pecuária extensiva. ou o contrário? As de proteção integral com população moradora. O problema é o impacto no meio ambiente. A presença do estado. por exemplo. tem que ser controlada. A liderança é firme. comunidade organizada. apesar de ser o responsável. No Mamanguá. é um espaço tradicional dos mandira que pertence a eles. porque permite desapropriação.garantir é uma relação de equilíbrio entre os recursos naturais e a população. A comunidade não pode ser apenas mais um no conselho gestor. Estas áreas deveriam se tornar RDS ou RESEX. O NUPAUB não podia manter o investimento (embarcação. são as executoras. estruturas de metal) e o estado arca com isto. mas isto é só especulação. mineração. precisa de programas de desenvolvimento sustentado. Como deve ser composto seu conselho gestor? O conselho gestor deve elaborar e executar o plano de manejo. comercialização da produção. 241 . parecem moradores isolados mas não são. Mas a ocupação caiçara não é densa. A RESEX do Mandira é a que melhor funciona.Muitos migraram. A atividade turística se houver. Como a carcinicultura é feita no Ceará causa um grande impacto Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Tem que fazer um plano de manejo participativo. incluindo ai os veranistas e proprietários. a comunidade é coesa e são aguerridos. Não adianta criar RDS e deixar o pessoal na miséria. E a unidade de conservação original deveria ser mantida com áreas de conservação mais restritiva. mas não necessariamente. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. as casas são distantes uma das outras. São caiçaras e quilombolas. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. é constante. Quem faz a coisa acontecer? As ongs. implementando manejo de ostras. lá. Exige pessoal e recursos materiais. enquadrada em outra categoria do SNUC.

Leonardo: Imagina você que as consultas públicas estão chegando no lugar. e concentra suas atividades nas RESEX ENTREVISTA COM ÓRGÃOS PÚBLICOS FEDERAIS Entrevistado: Leonardo Marques Pacheco . Eu tenho uma simpatia muito grande pela Resex. Mas eu sei que chegou a receber pedidos. Na sua opinião. A conservação também implica em usos alternativos da área. em que a comunidade realmente participe e decida as coisas. e você espera que eles decidam na hora qual eles querem. passa uma tarde explicando o que é Resex e o que é RDS. queimada das casas. Renato: O CNPT até agora não criou nenhuma RDS. Não simplesmente cumprir a lei. Eu acho que onde é possível criar RDS. quanto mais a população. mas está discutindo isso. Mesmo com o SNUC. ou criar alguma coisa rapidamente pra resolver a situação que eles estão vivendo. Na Terra do Meio houve solicitação para a criação de duas ou três RDS e o pessoal está discutindo isso. por que as RDS são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? O CNPT nunca assumiu a RDS. Mas uma coisa que tem acontecido com o modelo RDS e que eu acho complicado. Renato: Qual é a situação ideal para se criar uma RDS? O que você entende por RDS e em que situação ela se encaixaria melhor? Leonardo: Tem uma discussão que eu acho que surgiu aqui e que é muito interessante que está voltada para a diferenciação entre RDS e Resex. Renato: Eu acho que nem os gestores sabem o que é uma RDS. é que muitas vezes a sua criação é feita sem que as comunidades que moram na área tenham uma clareza do que ela é e o que representa em termos de benefícios e responsabilidades. Aí como gestor você tem que decidir entre um processo em longo prazo. há muita discordância do que cada modelo desses representa. é possível criar Resex. Leonardo: Nenhuma. 242 . para negociar. eu acho que o CNPT tem priorizado a criação desse tipo de reserva. como hoje no Sudeste do Amazonas por conta da grilagem. ameaças de morte. A gente sabe que tem situações em que a comunidade vive em uma situação difícil.responsável pelo CNPT/IBAMA do Amazonas Data da entrevista: 11/11/2004 Local da entrevista: Manaus. Talvez a situação ideal seja uma área que tenha comunidades vivendo dentro.Quem trabalha com conservação deveria ter preparo político. onde você não tenha conflitos fundiários. você pode colocar todo mundo numa sala e dizer que é participação.A participação se faz em vários níveis.. Aí a gente fala que foi um processo participativo.. cada categoria. para empoderar a populações. Entrevistador: Renato Renato: Qual a sua formação? Leonardo: Biólogo. expulsão dos moradores.

Você acompanhou o histórico de inclusão dessa categoria no SNUC? Leonardo: Não. mas chegar querendo impor o que a gente acha que é o correto. e o pessoal de lá fala que num local chamado Cachoeira do Maracanã que eles acham que deve ser preservado e que ninguém deve entrar pra caçar.. a gente que não aproveita isso. Renato: Em todo caso. Renato: Esse tempo pode até ser obedecido. Porque a gente acha que essas comunidades vão sempre tender a criar RDS ou Resex. Em uma reunião que a gente teve com o pessoal do ministério aqui. desde que haja uma forte mobilização e organização anteriores. de zoneamento. Então eles conseguem perceber muito bem essa questão de categorias. tem muito animal silvestre. todas aquelas normas que eles criam pra regular o acesso aos recursos e ao espaço de uso comum. pois eles foram mais rigorosos que eu. A Zita colocou isso. Acho que tem um caráter muito mais conservacionista do que de desenvolvimento propriamente dito. Isso eu já vi. Renato: Você acha que uma RDS prioriza mais conservação ou desenvolvimento das comunidades? Leonardo: Acho que conservação. sentando e discutindo. Eu me surpreendi.. Leonardo: É. Eu acho que também tem uma idéia muito grande dos cientistas apontarem quais seriam os caminhos corretos para as comunidades que moram ali dentro buscarem o seu desenvolvimento. É difícil entender isso. eles acham o local bonito.. 243 . você acha então que as RDS como um todo estão priorizando a conservação? Leonardo: Com certeza. eles chegaram a colocar que um tempo bom para a criação de uma UC pra eles era de três ou quatro meses. Eu penso muito no modelo que gerou o que hoje está no SNUC. Renato: Eles têm um conhecimento próprio. o plano ficou muito mais rigoroso com as questões ambientais por sugestão das pessoas. Eu acho que as Resex priorizam o desenvolvimento das comunidades. Eu não vejo como organizar nesse tempo e sair “arrotando” que foi um processo participativo. Renato: Quando eu trabalhava com os planos de utilização lá do Mandira. Renato: Quem diz isso? Leonardo: O pessoal do Ministério. o fato de Mamirauá ter tido esse caráter conservacionista e em função de ter encontrado uma população dentro e ter virado uma RDS.. A gente teve uma reunião do GT para a criação de UCs e o pessoal colocou isso. Unidades de Uso Sustentável.. Leonardo: Eu acho que dá pra criar uma RDS ou Resex em um ano ou um ano e meio. Leonardo: Eu estive agora no Rio Aripuanã em Apuí e a gente viu uma situação bem interessante.Renato: Eu concordo que há alguns casos em que você tem que agir de forma um pouco mais imediata. de renda. explicando e empoderando eles para que eles possam tomar as decisões. Eu não vejo como fazer isso. Mamirauá foi um processo que foi iniciado por um pesquisador que veio do sul e resolveu estabelecer uma unidade que a princípio seria estação ecológica ou reserva biológica e pelo fato de ter pessoas morando ali virou uma RDS.. tudo isso. por mais organizado que sejam as comunidades dessa área em que a UC está sendo estabelecida.. embora a gente saiba que algumas comunidades que moram na área focal de Mamirauá têm um bom grau de organização.

então elas têm que ser convencidas. Esse processo foi repassado ao estado que resolveu criar RDS. o SNUC não exige nada. Acho que essa é a principal diferença. Isso eu tenho muito claro. Renato: Você sabe que tipo de consulta pública o governo do Amazonas está fazendo pra criar RDS? Leonardo: Eu acompanhei três consultas públicas que o estado realizou. O que eu vejo muito também é a questão do modelo que gerou a RDS é Mamirauá e a Resex foram aquelas quatro primeiras que foram criadas a partir do “pau”. Renato: Quais as diferenças mais marcantes entre RDS e Resex? O que determina a escolha de uma das duas? Tanto na cabeça das comunidades. Renato: O histórico foi diferente. e a gente não sabe pra quem é necessário. Seja governo municipal ou estadual. por exemplo. foi feita uma solicitação ao governo federal pra criação de Resex. quanto na dos tomadores de decisão. uma RDS.. sobre o que é uma consulta pública. o prefeito quer preservar uma área e solicitar a criação de uma RDS. então cria uma RDS. de uso de recursos. os empates. Eu acho que isso dá um diferencial grande se você está criando uma unidade pela necessidade de conservar uma área ou pra resolver um conflito fundiário. Eu acho que a participação é feita em vários níveis. Acho que nesse processo de informar as pessoas para que elas possam decidir o estado tem pecado um pouco. Em Resex isso não costuma acontecer. Na RDS do Atumã que a princípio seria uma Resex. Ou o governo estadual vê uma área interessante pra conservação e vê que mora gente dentro. e a outra de uma questão mais científica. uma unidade de conservação. Leonardo: Eu acho que essas são as principais diferenças.Eu já ouvi uma frase de uma funcionária do governo do estado daqui que disse que as comunidades não têm condição de decidir o que elas querem. Nesse caso acho que uma RDS não se aplica. Leonardo: Não. se pras comunidades ou se pra o gestor. eu acho que as comunidades têm ido muito a reboque. 244 . Eu estava lá e foi uma consulta pública bem intensa.. Isso aconteceu em Mamirauá naquela área de Ponte Boa.Renato: Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Leonardo: O governo. A gente tem hoje situações em RDSs daqui onde alguém que se achava dono de uma área entrou e resolveu expulsar os pescadores que estavam dentro da RDS mas pescando em um lago que a pessoa julgava ser dela. É uma área interessante para conservação. Eu sinto que as consultas têm acontecido e que as pessoas que vão para as consultas não estão muito informadas sobre o que está acontecendo. há um mês atrás aproximadamente. O que eu tenho acompanhado muito é. Renato: Eles estão exigindo alguma manifestação formal dos moradores pra criação da RDS. Leonardo: Eu acho que tem a questão fundiária porque na RDS você desapropria se necessário e na Resex você precisa desapropriar. e o que o governo do estado tem feito é mais buscar cumprir um rito do que respeitar o processo em si. uma Resex. o governo então resolve criar. mesmo que eles identifiquem as áreas? Porque diferente de Resex. Renato: Mas a primeira coisa que eles olham é que a área é boa pra conservação? Leonardo: Sim. porque ela é desapropriada se necessário. vai lá. uma veio de uma questão mais histórica.

Se existe uma propriedade privada dentro de uma RDS você não precisa desapropriar e indenizar. era para abarcar as duas margens. Então eles têm se mobilizado “pesadamente” pra que a reserva não seja criada. e não precisa ser para a comunidade obrigatoriamente. extratoras. onde tem comunidades morando dentro. Renato: RDS e RESEX são voltadas só para população tradicional? Leonardo: Eu acho que Resex é. Isso é mais importante do que o tamanho delas. ecoturismo. que é de lá.. os pescadores. quando foi criado. ou comporta populações recém. caça. o Ademar. agricultura de pequeno porte. E agora o Ademar resolveu criar. mas por uma pressão de um outro grupo extrativista organizado. Acho que população tradicional é muita coisa e ao mesmo tempo não é nada. Inclusive foi uma definição que ficou de fora do SNUC. O que eu acho complicado é essa desapropriação “se necessária”. manejo de fauna para geração de renda e pesca. Isso é uma vantagem. ou é só desvantagem? Leonardo: A vantagem que eu vejo é pro governo. por um lado. Renato: Idealmente que tipo de uso você acha que pode ocorrer dentro de uma RDS? Leonardo: Acho que extrativismo. Mas também acho que isso vai depender das intenções de quem tem essas propriedades. Renato: Quais vantagens ou desvantagens de haver propriedade privada dentro de RDS? Tem vantagem. Você pode criar uma RDS para os paranaenses que chegaram antes de ontem? E você acha conveniente uma RDS ter latifúndio e também médias propriedades? Leonardo: A questão da propriedade eu acho que não. E a questão dos paranaenses a gente cai naquela questão do que é população tradicional. porque tem que ser necessária para alguém. Então isso tem atrasado bastante a consulta pública lá. a área de uso deles vai ficar muito restrita. Por outro lado é uma desvantagem pras comunidades se nessa área tem algum conflito por uso de recurso ou por uso de espaço. você tem abaixo assinado da comunidade que mora na área pedindo para que a reserva seja criada. Renato: Você acha que idealmente uma RDS comporta grandes e médias propriedades. e havia de fato essa solicitação das comunidades. Leonardo: Aqui tem uma situação interessante que eu acho que vale a pena discutir que é a do município de Carauari. Carauari tem a Resex do Médio Juruá e o governo de estado na pessoa do secretário de agroextrativismo. Ademar morou lá muito tempo. acho que é muito complicado você ter grandes ou médias propriedades. por território..chegadas? Por exemplo. 245 . para subsistência e com comercialização de excedentes. por outro você tem um outro documento assinado por mais de duzentos pescadores pedindo que a unidade não seja criada. Eles já tentaram fazer a consulta pública duas vezes. resolveu criar uma RDS ou Resex na margem oposta do Rio. chega um pessoal do Paraná através de uma empresa de colonização e se fixa em uma área desocupada.. Leonardo: Eu prefiro chamar de comunidades locais ou extrativistas. Renato: Você se lembra do Rafael Rueda? Ele falava que não queria entrar nessa discussão para não prejudicar. Se o uso for compatível com a UC..Renato: Eu tenho dito que essa reação.. pois você tem um grupo organizado e com uma clareza muito grande se opondo à criação. O médio Juruá. mas os pescadores sabem que ser for criada uma reserva do outro lado. representado por uma perplexidade e até uma mudez das pessoas nessas audiências públicas tem sido encarados como concordância da sociedade. isso não ocorreu. Se.

está querendo mineração em Resex? Leonardo: Não sabia. o outro a comunidade. quem deve ser o principal responsável. vai ter um representante de cada propriedade e um da associação de moradores? Leonardo: Não. Então tem alguns conflitos lá dentro. Mas às vezes você têm mais do que uma associação.. Tem havido casos em que a intenção de criar a Resex é mais de uma ONG ou do governo e a população é meio que levada a reboque. Acho que o mais importante é que as decisões sejam tomadas em comum acordo com o órgão gestor e as comunidades que residem na área. Renato: Mas tem acontecido por aí. Com os recursos que ela recebe não é difícil você ter uma experiência de sucesso. 246 .. As comunidades entraram muito mais pra legitimar a criação das unidades do que para decidir de fato como vai ser gerido. quais vão ser os limites. E quanto ao processo de criação. de mulheres. e as comunidades sabem de fato o que é melhor pra elas. não fizeram desapropriação. o que vai ser criado. Como fica esse conselho. Renato: Você acha que uma RDS pode ter múltiplos usos? Leonardo: Pode sim. tem todas essas RDSs que tem sido criadas pelo estado e nas quais a participação não se fez de forma efetiva. E daí quando o pessoal do CNPT vai lá pra começar a discutir a implementação. Eu acho que isso tem acontecido nas Resex. do CNS. mas nas RDSs acho que tem sido mais complicado. Renato: A gestão de uma RDS. A gente tem uma tendência de sempre achar o que é melhor pras comunidades. Leonardo: Eu acho que tanto a concessão florestal quanto a mineração em uma UC muito complicado. eles percebem que ninguém sabe o que é. Renato: Como deve ser formado esse conselho gestor? Se você pega o caso de uma RDS que tenha várias propriedades e só uma associação de moradores. cooperativas. Renato: Você sabe que o Gatão. acho muito complicado. como deve ser feita essa gestão? Leonardo: Acho que deve haver um equilíbrio entre as comunidades que residem na área e a instituição que é responsável pela gestão. de extrativistas. acho que isso tem que ser feito por representação mesmo. Agora eu acho que a gente também deve considerar o suporte financeiro que ela tem. com apoio do estado e os caras não conseguiram até hoje implementar a reserva. mas já que é uma unidade mais voltada para a conservação. com certeza. seja governo diretamente. Por outro lado. seja instituto. Renato: É que acharam bauxita em uma reserva aqui.Renato: Mineração? Leonardo: Não. pelo menos aqui no estado não. Renato: Você tem bom exemplo e um mau exemplo do funcionamento de uma RDS? Leonardo: Mamirauá é um bom exemplo em relação às outras. Renato: Isso também tem acontecido com Resex? Leonardo: Não. você tem outras RDS como a RDS de Urariá em Maués que foi criada pela prefeitura. Um representa os latifundiários. como deve ser feita? O SNUC fala de conselho deliberativo. Ou então cada comunidade é representada por uma associação.

Dentro do governo federal não tem uma diretoria. Renato: O CNS acha que as RDSs podem diminuir a importância simbólica da luta dos extrativistas. Agora. pro CNPT que vai lá ver se é uma solicitação de fato legítima da comunidade.. Renato: Por outro lado. tem uma solicitação de Resex do município de Irunepé. precisa ser decidido o que fazer com essa categoria porque ele tem sido utilizada para tantos objetivos diferentes.. Porque eu acho que tem muita gente morando dentro. Então acontece isso. o que eu não tenho visto é um processo desse tipo ser finalizado. Na verdade o que eu acho que falta para as Flonas daqui é elas serem implementadas. que tem uma solicitação de Resex que foi feita em 2000 por uma pessoa que na verdade é o patrão dos “piabeiros” de lá.Leonardo: Acho que isso é importante pra quem vai lá criar essa unidade. Renato: Mas isso não seria responsabilidade do CNPT? Leonardo: É. A gente já percebeu isso e está segurando a onda e esperando pra ir lá discutir isso com as comunidades. implantado. eu acho que falta definir de fato o que é uma RDS. está previsto no SNUC.. para definição melhor de RDS.. mas acho que o CNPT tem uma postura muito política de criar Resexs. De repente.Mas é uma área interessante. pra saber como o processo foi construído. Eu fui lá e os caras não são extrativistas de fato. onde se aplica uma RDS. conduzir os processos de decisão.. pra saber o que eles acham disso. Leonardo: A gente.. Com a exceção da Flona Tefé que vem sendo feito um trabalho mais intenso e constante com as comunidades que moram lá. não tem uma questão de exploração mesmo do recurso madeireiro.. Eu soube de duas últimas que chegaram lá e o pessoal ficou meio sem saber o que fazer. um núcleo que tenha assumido a questão das RDSs.. O pessoal fala que no zoneamento isso pode ser feito. Leonardo: É isso.. uma RDS que poderia ser um outro tipo de unidade? Leonardo: Eu acho que a RDS Cujubim poderia ser dividida em uma RDS e uma outra unidade de uso mais restrito. E o estado tem criado muito mais RDS pela questão de você não precisar desapropriar e portanto não precisar indenizar. Acho que o CNPT vai receber algumas pressões pra criar RDS. E uma questão relacionada à autonomia das comunidades que moram lá dentro.A gente tem uma situação no município de Barcelos. por exemplo. Acho que tem uma postura mais do governador de não gastar com indenização em UCs. Renato: Existe alguma outra área protegida que está enquadrada em outra categoria e que deveria ser RDS? Ou o contrário. Renato: Por que você acha que as RDSs estão sendo muito mais criadas pelos governos estaduais e municipais e não o federal? Leonardo: Eu acho que tem duas coisas. A Resex também vai passar por isso. mas eu acho que ali seria o caso de dividir a área. pois tem uma série de questões que não estão muito claras. Leonardo: É a questão do histórico. a partir desse trabalho de vocês. do modelo. Renato: Até porque essa regulamentação vai ter que ser feita para todas as unidades. talvez o CNPT possa se apropriar disso. 247 . Talvez a Flona Mapiá-Inauini poderia ser uma RDS. um centro.

nós vamos passar pela consulta agora. Renato : Nesse caso de Marajó foi assim? Paulo Oliveira: Foi. tem mais um elemento que eu acho que lá também contou é que está de fronte à RESEX do Cajarí. Você pode observar que nós temos um único caso federal. E eu ouvi uma série de questões de gestão na época de discussão da RDS. Renato : Qual é a prioridade para RDS. quem usa? Quer dizer.. Nós aqui do CNPT estamos operando nessa RDS.então é conceitual. Renato : Em qual situação RDS é uma boa alternativa? Paulo Oliveira: Quando você tem especialmente situações onde o registro imobiliário favorece a famílias ou grupo de famílias identificadas como populações tradicionais. é tudo parente. igual aos outros e a própria avaliação das pessoas é que. Aí depois a gente avalia qual vai ser a categoria. e várias pessoas dessas que estão nessa RDS têm parentes no Cajarí. E a discussão foi a seguinte: “-Vamos criar uma RESEX aqui e desapropriá-los? Tem algum problema de vizinhança. e a outra é a da conservação. ta definido que aquele açaizal é essa família que explora? Tranqüilo. inclusive a única e não vamos estar em outra discussão. que vai ocorrer no mês de dezembro. você acompanhou a inclusão do sistema de RDS no processo de discussão do SNUC? Paulo Oliveira: Não. preservação ambiental ou desenvolvimento? Paulo Oliveira: Tanto para RDS como RESEX você tem 2 pernas. Renato : Eles queriam um tipo de proteção da área. É uma família normal que nem os outros. Ponto dois é a questão 248 . o nosso exercício é conceitual mesmo. que é o caso dos manguezais. lá no Cajarí. De qualquer forma. Uma que é promoção social.E outra. populações estão dentro. Uma RDS criada esse ano. Porque você tinha verificado lá uma situação de títulos de propriedade de uma família.Entrevistado: Paulo Oliveira.Que diferença tem entre RDS e RESEX? Paulo Oliveira: RDS obrigatoriamente abriga populações. Renato : A principal razão de ter tido uma repercussão relativamente negativa em relação a RESEX foi a questão dominial? Paulo Oliveira: Foi a questão dominial. quanto noutra está implícito uma das questões. Tanto numa. ou seja. é uma área em que eu especialmente conheço bem. foi discutido se era RESEX ou RDS. e que. uma família que tem desde lá do título paroquial.. Ponto um. Renato : Quem cria demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de demanda formal dos moradores? Paulo Oliveira: Nós só abrimos o processo aqui quando vem o abaixo assinado. E aí fizeram uma audiência. são parentes. e a RESEX permite o uso... O pessoal ficou um pouco com o pé atrás. de limite mal definido entre a propriedade.. e isso repercutiu na imagem de RESEX para esse povo de RDS... uma conversa. que foi na Ilha Grande de Gurupá. Lá a opção foi pro RDS mesmo. O processo se inicia por demanda dos moradores. pra solicitação. o que é. Tiveram esses dois elementos. Quer dizer. assessor da presidência do IBAMA e responsável pelo CNPT Data da entrevista: novembro 2005 Local da entrevista: Brasília / IBAMA Entrevistador: Renato Renato : Paulo..Exatamente.

As pessoas moram no entorno e usam. É igualzinho a RESEX. Renato : Iratapuru no Amapá. O que acontece é que é dúbio. está ocupado. Quando nós operamos a partir da demanda da comunidade. 249 . e é isso que tá acontecendo. Renato : E tem que ser morador? Paulo Oliveira: Morador! Tem que morar lá. No amazonas estão criando várias RDS. porque era manguezal e as pessoas não moram no mangue.. Renato : Que tipo de consulta pública você acha que deve ser feito na criação de uma RDS? Existe alguma especificidade pra RDS? Paulo Oliveira: Não. a gente ta falando aqui numa faixa entre 300 a 500 ha. Renato : Por exemplo. Renato : Essa discussão é mesmo com os moradores... Até esse limite é razoável.. ta? A minha orientação é que se faça uma audiência pública e lá decide.. algum jurista já tem o entendimento de que isso já se configura como uma consulta. Tem outros que não. entendeu? Renato : As RDS permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo quais são as vantagens e desvantagens disso? Paulo Oliveira: Sim. Renato : A RDS comporta médias e pequenas propriedades? Paulo Oliveira: Não.. no qual a gente convida também o governo do estado. ou seja você legitima a ocupação tradicional do aviamento. eu vou levo os processos. Na RESEX não necessariamente haveria populações. Paulo Oliveira: Abarca o latifúndio. Paulo Oliveira: E vai ocorrendo que nem você colocou. que foi uma discussão inicial de RDS e no debate lá ficou claro como não poderia ser RDS. Nós estamos com a discussão sobre Caravelas na Bahia. isso morreu. Renato : Se não for tradicional ou não for morador desapropria. Se não for população tradicional eu sou totalmente favorável à desapropriação. Nós estamos estabelecendo o caminho agora. por exemplo. Não é um uso. Mas um debate final muito mais pra ficar discutindo limite. a situação é complexa. pegam todo mundo de surpresa. Fazem uma ou duas audiências. sees tiver a fim de ir lá. abriga. em cima de latifúndios porque não há dinheiro pra desapropriar... Renato : Consulta pública está sendo confundindo com audiência pública. tem pessoal. de uma única família tradicional? Paulo Oliveira: Depende da consulta. Abriga populações tradicionais. Paulo Oliveira: O fato é que nos estamos utilizando agora uma espécie de envolvimento das autoridades municipais no debate final. Com todas as secretarias de estado e de meio ambiente. Mas nós estamos trabalhando com elementos conceituais agora. Mas certamente é uma RDS porque não queriam que fosse uma RESEX por alguma questão política.abriga significa moradia. Se a gente falar em população tradicional na Amazônia.. É explicito.. discutimos antes. Se a gente chegar numa situação dessa que a gente nunca chegou. Nós ainda estamos meio no limbo dessa história.. A vantagem é o reconhecimento da dominialidade para as populações tradicionais.. Paulo Oliveira: E é uma RDS! Mas o abrigar na lei quer dizer que tem estar dentro. Existem várias interpretações.latifundiária.

. Só água mineral. existe a mineração. Você vai botar escala? Eu vejo qualquer mineração que seja impactante..água.. Renato : Qual seria a dúvida com relação à concessão real de uso? Paulo Oliveira: É porque tem a coisa da omissão. Renato : Existe alguma RESEX que tenha alguma concessão do direito de uso? Paulo Oliveira: Tem! Duas com certeza. . a gente remete pro INCRA. 11 unidades. Mas na minha opinião pessoal. Paulo Oliveira: Eu ainda prefiro que não. não terem desenvolvido tecnologias para exploração do meio.. os laudos. Agora. pode. Renato : E porque na RESEX fica claro que não pode ter mineração. Nós temos situações aqui hoje. pode ser ocupada por recém chegados na região? Paulo Oliveira: Pode. enfim. E teve um programa que era um plano de valorização das terras públicas do Estado. você também vai revolver camada de solo. Paulo Oliveira: Na RDS é omisso. Renato : Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Paulo Oliveira: É igualzinho a RESEX.. mas aí é realmente uma dúvida que nós temos também que diz respeito a direito real de uso. Renato : O próprio fato das pessoas não terem conhecimento. Se não se enquadrar. tem outras coisa. Renato : Então que tipo de uso pode ocorrer numa RDS? Mineração? Paulo Oliveira: Mineração pela lei não é permitida. Tem conselho deliberativo.mas na RDS.. Mas a gente ta fazendo uma boa análise crítica em cima das vistorias para ver se as características se enquadram numa ou noutra categoria. Paulo Oliveira: Pode! Se os moradores estiverem de acordo. que tem mármore. A gente ta fazendo uma boa olhada crítica em cima... 250 .. Renato : Por exemplo. Que não tem nem característica de RDS ou RESEX. debate macro de conservação das fontes. A gente fez um inventário de todas as terras públicas do Estado de SP. por exemplo. Desse passivo. na discussão da água.Tem umas duas unidades.. E a gente vai fazer uma discussão com as comunidades. Só uma coisa que não está claro.ou alguma coisa que seja de subsolo. E tem umas 3.. era recém formado.Renato : Uma RDS. e a nossa primeira missão era fazer a vistoria.não. não. Eles estão recebendo lá e estão focando o processo. um pessoal do Paraná que chega na Amazônia. Renato : O problema é que tão querendo mudar o SNUC e incluir mineração em RESEX. 3 ou 4 nós já remetemos ao INCRA.. Eu estava acompanhado do pessoal de pastoral... Isso é uma dúvida ainda que paira. água mineral. Mas isso é uma atividade de mineração. Eu me recordo que eu trabalhei em SP e fui parar na assessoria de revisão agrária. mais geral. que agora originou a criação do instituto de assuntos familiares. Eu fazia parte dessa equipe. O passivo estava maior. com um passivo de 74 novas unidades para criação. E eu me recordo de uma área que eu fui. a gente já criou em um ano na frente do CNPT. por exemplo. super montanhosa e quando eu cheguei estava assim de mina. 4 solicitando RDS. não seria problema? Paulo Oliveira: Aí também vai depender dos laudos.. essas unidades prestariam um grande serviço e aí poderiam ter um uso econômico da água mineral. E isso ficou na minha memória porque eu acho que a questão da água. Ele só tem que seguir as normas.

A expressão foi um pouquinho mais forte. é o próprio caso de Arraial do Cabo. sabe por quê? Pode até se falar em co-gestão.Renato : Tá.. Eu me recordo de um debate que eu peguei e que falei “não cabe”. há uma descaracterização dessa co-gestão entre a população e o órgão gestor. então o que nós estamos discutindo agora é o conselho deliberativo. usuários. é dividido em cinco. 50% governamental.. se não me engano é essa expressão.. no conselho deliberativo do Porto? Ou a gente faz uma aliança de classe aqui. inclusive com o sindicato dos portuários. Porque nós estamos trabalhando e já fizemos dois seminários: o conselho deliberativo para essas duas unidades tem que ter 50% de moradores. entendeu? Porque aí tem uma questão. pode-se também ter posições contrárias à reserva. filiado a CUT: os caras vieram com uma discussão de que são quatro sindicatos. eu acho que era mais correto. Bota uma ONG suplente da sociedade civil. O sindicato dos portuários são quatro categorias. Mesmo porque o SNUC só sugere que tenha uma paridade. Renato : As RESEX antes do SNUC. um sindicato histórico. Sabe como é? Um sindicato do RJ. aí a gente negocia. Se você usar os critérios de 50% de sociedade civil. que já entram em desvantagem no debate. auxiliando a prefeitura a estar construindo dentro do estado do Pará um debate ecológico. Nós estamos numa discussão agora na Verde para sempre com a prefeitura. que inclusive receberia a concessão de direito real de uso.. Eu virei para eles e falei: “Tudo bem. Todos eles são contra. O setor de turismo. o conselho deliberativo vai ser conduzido por essas entidades contrárias. aliás. Não era. mas é um representante. o único problema que eu vejo é quando tem propriedade. Se você levar ao pé da letra o SNUC.. mais cabia ao órgão gestor uma série de decisões. da sociedade civil mesmo.. Com a implantação do SNUC. se possível. que tem que ter o envolvimento com o poder público municipal sim. Entendeu? Aí as ONGs vão chiar. nós fizemos um seminário este ano. Renato : Mesmo se contemplando organizações. Marinha. considerando as entidades de apoio para a sociedade civil aí você quebra. Renato : Pelo menos as portarias que saíram para regulamentar Resex. se tiver. “Quando couber”. Como é que fica? Retira a área da propriedade na concessão. Renato : Isso tem respaldo jurídico? Paulo Oliveira: Tem! Sabe por quê? Porque você joga 50% de moradores. O que nós estamos trabalhando é que tenha 50% de morador. Então quem mandava era a associações de moradores. Tem que estar nessa luta. mas a prevalência era da associação dos moradores. Paulo Oliveira: Num era. moradores. mas é um representante para turismo. mais o IBAMA e os outros 50% de governamental.. tinha uma co-gestão entre a associação da área e o órgão gestor. Paulo Oliveira: Não. com um longo debate. concordo plenamente com vocês. tem a prefeitura. excluindo a propriedade privada? Respeita a propriedade? Paulo Oliveira: Respeita sim. que delibera literalmente. de luta. Tem a Petrobrás. Renato : É. Eu dou um exemplo bem radical: Arraial do Cabo.. e o arranjo foi o seguinte: os outros se entendam com a associação de moradores do entorno.. por exemplo. tem os guias turísticos. ou então ta rompido!”. E junto da concessão você faz o memorial descritivo da área concedida. Mas quantos pescadores fazem parte.. Paulo Oliveira: Mas então. 251 . eu acho que até discordo um pouco dessa sua visão de que antes era uma coisa só. no primeiro semestre. Paulo Oliveira: Não necessariamente. Isso tinha de certa forma uma legitimidade e certa agilidade para tomar as decisões.

vamos lá e vamos reunir e vamos discutir e vamos efetivar. os conselheiros não iriam participar da reunião. Então eu acho que. Aí com o representante do IBAMA a co-gestão. Estou falando de 4. Tudo mundo vai participar dessa reunião. Mas tem quinhentas famílias de pomeranos. 252 . só sei que a demanda está aumentando aqui. perdeu-se comparado ao que era o antigo SNUC. Inclusive no estado do Amazonas. do povo da RDS que está pedindo “help” para o CNPT ajudar eles. Tem mais aí uns 5 exemplos.. e tal. em outra categoria do SNUC que poderia ser transformada em RDS. Hoje você vê a fragilidade dessas associações.. hoje. teve muita freqüência. Acho que assim se está perdendo o conceito de conselho. Então o que acontece. ter cursos de formação de conselheiro etc. Então está uma miscelânea. como é que então as associações deveriam estar fazendo a gestão das reservas? E a pior situação. Paulo Oliveira: Estou falando de 44 unidades que tem 4 conselhos.Renato : E eles acabaram concordando? Paulo Oliveira: Concordando plenamente. estamos retomando os conselhos deliberativos e as suas associações. Nunca teve uma discussão assim da categoria propriamente dita. uma população que não tem país. Paulo Oliveira: Não. Não necessariamente. eu vejo da seguinte forma. na primeira reunião efetiva de implementação do conselho. nem na Suíça os caras têm. em função do que antes você tinha a associação de moradores gestora da unidade. e aí você tem razão da fragilidade dos conselhos. Renato : Existe alguma outra área protegida. muito mais RESEX do que RDS.. e essa também é uma preocupação nossa. Então. As pessoas estão indo às reuniões e estão se sentindo manipuladas porque os conselhos são muito mal vistos por grande parte dos chefes de unidades. Pedaços de APA.. mas amarrar constitucionalmente algumas normas. guardadas as devidas proporções. Renato : O Ronaldo Weigand do ARPA tem uma idéia de que uma RDS poderia se encaixar em um casos de unidades de proteção integral que abriguem comunidades. que tem que virar um assentamento do INCRA. Aliás. que tenham que ser seguidas. Como é que você cria um parque em cima de um povo desses? O único lugar onde os caras têm terra é no ES.. e cada chefe tem uma interpretação do que é o conselho. por exemplo pela DIREC. a RESEX do Delta do Parnaíba foi criada em cima de uma área de APA.. Você tem bons ou maus exemplos de funcionamento de RDS? Paulo Oliveira: Não tenho nem conhecimento. e também todas orientações. deixar não só um legado. resultado de diáspora. Tem uma situação do delta do Parnaíba. regulamentações. Mas por outro lado. Renato : E a fragilidade dos próprios conselhos.porquê? Porque a gente tem corpo técnico. muitas vezes a toque de caixa. você tem que assegurar que os trabalhadores garantam seu 50%. Renato : Porque não tem valor ecológico? Paulo Oliveira: Tem. Renato : Minha preocupação é que os conselhos estão sendo criados. tem uma situação no ES. A da Chico Mendes. Tem que sair da Unidade de Conservação. do seu conhecimento.aí eu não conheço. que é um conceito importante para a democratização. Mas acho que é muito mais um movimento propriamente de APA. com pomeranos. Então não tem como escapar. a integração da gestão da coisa pública. só par cumprir a lei. ou o contrário? Paulo Oliveira: Tá um movimento agora em cima de algumas áreas de APA para criar RESEX. Alguma coisa como “Parque com gente deve virar RDS”. Por que se a gente não tivesse bancado. é que você tem que ser próativo.

Fui só um expectador longínquo. Aí a gente vai começar a trabalhar isso daí. Paulo Oliveira: Então vale mais a pena a criação da RESEX. Artigo 18.. não pode animal de grande porte em Resex.. Cada situação é uma situação.Então fechamos o acordo. que foi lá que surgiu o conceito. É meio complicada a gestão. existe essa categoria. Nós estamos operando em cima da lógica conceitual.000 mil habitantes. a categoria que se enquadra e que permite o uso. um caso emblemático que veio como demanda de RDS. no período eu estava estudando nos EUA. atividade tradicional.. Pronto. uma categoria.Não há muito interesse de vocês em apoiar a idéia? Porque está mais com os estados? Paulo Oliveira: Eu estou em um órgão público que está seguindo a lei.. Mas que há outras modalidades de assentamentos de moradores que são geridas no âmbito do INCRA e dos órgãos que tratam de assentamentos populares. isso vale também pra atividade extrativista na minha visão. Renato: Prioridade de uma RDS: Conservação ambiental ou fixação de desenvolvimento de uma população? Ronaldo Weigan: Assim. Renato : Na sua opinião porque as RDS estão sendo criadas pelos governos estaduais e não estão sendo criadas pelo governo federal. ou então um outro tipo de assentamento. A reserva de desenvolvimento sustentável é uma área natural que abriga populações tradicionais. entre quem mora e quem usa.. A lei existe.. “Vocês topam moçada. tá aqui a diferença. . Mas há casos de búfalos em Resex e nós estamos fazendo a maior ginástica jurídica para mostrar que a tradicionalidade é mais forte do que a lei no caso de animal de grande porte.. Assim. Mas eu sei da proposta da RDS da Mamirauá. Vamos discutir e ver como está. “Vão botar área de moradia? Não.então pra mim trata de 253 . Paulo Oliveira: Mas é explícito: um abriga e o outro é o uso. como faz parte do Sistema de Unidade de Conservação.. Entrevistado: Ronaldo Weigan. Renato : Na Ponta do Tubarão (RN). Renato : A primeira vez que eu ouvi essa diferenciação entre RESEX e RDS. a RESEX extrativista é uma área utilizada por populações extrativistas locais”. Que é o caso de Caravelas. é um exercício conceitual. O debate é o seguinte. esse tipo de coisa assim. há uma RDS em um distrito que abriga por volta de 10. Renato : É essa a diferença? O tipo de exploração econômica tradicional não define isso? Paulo Oliveira: Não. População tradicional.” O que vamos fazer? Eles estão com esse debate. se vier a demanda da comunidade nós vamos avaliar. eu estava fora do Brasil. eu não acompanhei de perto a elaboração do SNUC.A idéia é de que não pode ser válvula de escape. é conservação ambiental... coordenador do programa ARPA Data da entrevista: novembro 2005 Local da entrevista: Brasília / MMA Entrevistador: Renato Renato: Você participou do histórico de elaboração do SNUC ou de inclusão da categoria RDS? Ronaldo Weigan: Não. tirar esse gado e criar só cabra e ovelha?” O pessoal: “Topamos”.

e pra mim faltava uma coisa aí no meio. quanto à utilização dos recursos. extraem seringa e tal. Só a conservação não cumpre o papel da RDS. mais até do que realmente de proteger a biodiversidade. extrativismo. se esse sistema inclui a prioridade de corte e a 254 . a indicação seria de regularizar a posse por meio de um tipo de posse comunal da terra. Quando você trata de recursos extrativistas. você deve criar uma reserva de desenvolvimento sustentável quando você tem uma população que faz a utilização do ambiente natural. E aí. a seringueira se entrelaça no espaço. ela é privada. pra mim o SNUC perdeu a oportunidade histórica de preencher esse vazio no espectro e transformou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável numa coisa muito parecida com uma reserva extrativista. Tem essa coisa mais restritiva.conservação ambiental. Ou seja. não através da categoria de unidade de conservação. isso dá incentivo suficiente ao proprietário de conservar o solo. tem uma outra coisa que vale tanto pra RDS quanto pra RESEX. E aí nesse meio do caminho. até categorias bem pouco restritivas. com alguma utilização dos recursos naturais. acho que tem que ter uma pergunta aí. que são móveis e é o caso de árvores de diversas espécies incluindo coqueiros de zona costeira. estação ecológica. Aí. e categorias que o domínio é privado e tende a coincidir com categorias menos restritivas. que prevê uma área comunitária. esses recursos que são distribuídos de forma misturadas no espaço. pra falar disso tinha que falar um pouco do como eu vejo o SNUC. Deveria ser regularizada via projetos de assentamento. Numa RESEX eu acho que a população deveria ter o direito de errar. Ou seja. é uma área onde há presença de populações tradicionais e ao mesmo tempo essa população é mais supervisionada do que numa RESEX. projetos de desenvolvimento sustentável. então é o caso de peixes. para conservação de uma determinada área. e aí.não é a categoria certa de regularização fundiária. categorias em que as posse e o domínio é do governo e tende a coincidir com as categorias mais restritivas. eles vendem. Aí. a posse mais eficiente desses recursos nem sempre coincide com o mesmo espaço de ocupação. que ele sabe que o solo é dele e ninguém mais vai entrar ali e usar aquele solo que é dele. ou seja. Então. esse é o regime de propriedade dos recursos que recomenda a de sistema de posse e de acesso aos recursos. Renato: Qual a situação leva à criação de uma RDS? Ronaldo Weigan: Bom. embora seja bastante complexo. os sistemas de gestão deveriam ser realmente tradicionais. então assim. por que criou uma para seguir a outra? Mas antes de entrar nesta pergunta. até seringueiras lá no Acre. embora não seja sempre o caso. a posse deles. esses recursos muitas vezes se entrelaçam no espaço ou são móveis. quando você tem uma propriedade privada. que seria de promover uma gestão de desenvolvimento sustentável do território. mas a conservação é um elemento fundamental. nesse meio há estação biológica e reserva biológica. Então é muito próximo de uma RESEX. Se não tem conservação ambiental. mas que não exclui a posse individual dos recursos. Mas isso não quer dizer que é independente. eu acho que o SNUC. não altere a característica básica deste ambiente natural e a população tem direito deste uso. Numa outra ponta você tem a APA e RESEX. de tal forma que essa utilização é sustentável. Entre a RESEX e o Parque. os vários regimes de propriedade da terra deveriam proporcionar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. eu acho que o SNUC observa várias categorias. Então. então ele tem o incentivo da propriedade pra o uso sustentável dos seus recursos naturais. ele apresenta um espectro bastante interessante de soluções. uma área coletiva de uso. reserva biológica. é uma coisa junto com a outra.. Uma reserva extrativista de seringueira não é comunitária. então nós temos um espectro de categorias muito restritivas. é o caso de animais de caça. fica muito difícil de você fazer uma demarcação do usos desses recursos através da posse individual. que seria uma APA. não é assim que está no SNUC. compram. até uma coisa mais liberal. A propriedade da terra. aí a RDS.. mas ela é uma terra. enquanto que numa reserva de desenvolvimento sustentável seria uma possibilidade realmente ter um parque com gente dentro. em termos de utilização dos recursos. Parque. Mas não foi assim que foi regulamentado.

o quê que acontece? Hoje. mas não como atividade principal. mas que não tenha a ver com a manutenção do ambiente natural. de uma APA mais restritiva. a equipe de gestão. não teria que necessariamente dar concessão de uso para comunidade. um pouco mais liberal do que eu acho que deveria ser e a RESEX um pouco menos autônoma do que deveria ser. não é própria comunidade que faz. eu acho que na medida em que eles não alteram a vegetação natural. Então. Então pra mim. não seriam adequados? Ronaldo Weigan: Nem pra uma nem pra outra. que teria mais o papel de supervisor. Daí tem algum terreno meio cinza no caso de utilização de pastagens nativas. a comunidade pegaria uma autorização de uso pra cada um dos moradores e aí os moradores estão sujeitos a uma supervisão do órgão e teriam instrumentos de participação da mesma 255 .. As equipes de uma RESEX.manutenção do ambiente natural com as suas características básicas. Já existe categoria para fazer isso que eles querem. com composição local. tem uma comissão de extrativismo que dá uma posição final. Aí quem faz o extrativismo pra eles é a boca do boi. a boca do búfalo. fundo de pasto. Renato: Tem alguns “fundos de pasto” no Nordeste. Então. porque essa responsabilidade ficaria muito mais a cabo da comunidade do que do órgão gestor. da autonomia da comunidade e do papel fundamental da associação de moradores. Que é o caso da RESEX Verde para Sempre. mas é sempre dentro desse limite da sustentabilidade e sem a introdução de espécies exóticas. agricultura. na minha visão. e parece que se esqueceu dessa assembléia. pra mim a RESEX tinha que ser mais liberal e tinha que dar mais autonomia aos usuários. Renato: Sobre a RDS.. O quê que o SNUC fez? O SNUC deixou a RDS meio liberal. Renato: Então vamos complementar: a diferença entre RDS e RESEX. eles têm potencial para se tornarem unidade de conservação. né? Isso. associação de usuários que recebe a concessão de uso. é mais no sentido da utilização dos recursos de ocorrência natural. então RDS podem ter essas atividades como forma complementar. O extrativista vem completarmente por outros recursos. que deveriam ser supervisionados e cobrados de estarem fazendo uso sustentável. pra mim isso vai mais na direção de uma APA e não de uma RDS. tem o sistema de como criar posse comunitária no sul do país. são unidade de conservação. etc. deveria então outras formas de regularização fundiária e posse da terra. no modelo antigo de RESEX você tinha sempre a assembléia da comunidade decidindo as coisas e encaminhando essas coisas por meio da associação ao IBAMA e que tinha área.cuja principal função é conservação da biodiversidade. No caso da RDS. que tem os búfalos que utilizam as várzeas e tal. Que o objetivo da unidade de conservação mesmo é a biodiversidade. Com o SNUC. RESEX como RDS. pastagem. não vejo muito aquela história de se falar da RDS de soja. cada uma dessa RESEX passa a ter um conselho deliberativo.. e então. Então. qual seria fundamental pra você? Ronaldo Weigan: O SNUC igualou muito as coisas. de fiscalização seria mais reduzida. um outro tipo de uso coletivo. quando se faz isso. eu achava que tinha que diferenciar. Então. que traz reserva extrativista RDS e se ele não tem necessariamente ele não está amarrado com a manutenção da característica básica do ecossistema.. é essa a situação que recomenda a criação de uma RESEX ou de uma RDS. como por exemplo. onde uma pastagem comunitária. transforma a RESEX numa coisa meio parecida com o que deveria ser uma RDS. Quer dizer. que talvez pudesse também ser regularizada dessa forma. teria que se levar em consideração só recursos extrativistas? Outros tipos de ocupação. ele tem indicações pra unidade de conservação. basta que a carga seja dentro de um limite sustentável.. Ronaldo Weigan: “Fundo de pasto no Nordeste. acho que não precisa daquela. o órgão gestor ficaria mesmo como gestor.

de quem deve ser demanda pra se criar uma RESEX? São as populações? Ronaldo Weigan: Não. Pescadores regionais estão sendo prejudicados por pescadores industriais. Então elas devem alguma coisa para o setor ambiental. Renato: O que existe são comunidades. as pessoas não conseguem dizer se querem uma reserva extrativista ou uma APA. então por isso que a RESEX está muito associada com a comunidade que demanda. para a conservação e então o objetivo de 256 .. Isso vem muito de negociações posteriores etc. né? Eu acho que também até mesmo no caso que várias solicitações são falsas solicitações autônomas da comunidade. são lugarejos. em inglês o encroutmant. ou entram numa posição muito inferior dentro de uma economia de turismo e que a posse do território por meio de uma RESEX poderia colocá-los numa posição melhor em relação ao turismo. que muitas vezes é ameaçado por outros tipos de ocupação da terra. no caso do extrativismo florestal. é muito complexo. Quando você olha para o que está sendo feito na RESEX e na RDS.. participariam do conselho deliberativo. Então eles acabam criando o RDS. que realmente não dá pra correr o risco de decisões erradas. Renato: Relacionado a isso. Do ponto de vista do órgão ambiental ele quer proteger a área e daí ele vai pra área e encontra um monte de gente lá dentro. a diferença entre uma categoria e outro. não é assim que está sendo empregado.Bom. Então pra mim essas seriam as duas diferenças. no caso elas surgem de técnicos ou de certos ativistas ambientalistas. povoados que muitas vezes querem se proteger de algum tipo de ameaça externa e querem criar um tipo de unidade de conservação que possa se adequar à situação. Porque várias dessas comunidades diferenciaram muito da bandeira ambiental e criaram uma intenção de terra sob essa jurisdição ou algo assim. Ronaldo Weigan: Eu acho que na verdade tem que ver do ponto de vista de quem está começando o processo. E essa é a origem da RESEX. porque normalmente é uma comunidade que está afetada pela competição. ou uma RDS. ou de nenhuma. Então parece que é uma utilização meio casuística. Na RESEX tem certa amarração na solicitação vinda da comunidade. elas tem que aprender muito com. mas que começa a não suportar a competição. o assédio.forma. dos outros setores que utilizam as vezes os mesmo recursos ou querem substituir aquela superfície natural por uma outra domesticável e que vai contra a comunidade. Renato: Que saiu do SNUC. por isso que a história de RESEX está muito ligada a isso. ao invés da gente realmente dar uma identidade própria pra cada uma dessas categorias. Por exemplo.. Ronaldo Weigan: Saiu né? Mas tem uma tradição disso. que é desproporcional à concepção do ambiente e que só foi conseguido com as suas alianças com o setor ambiental.. o que é que eu faço agora?” De outro lado você tem a comunidade que utiliza recurso extrativista. e a RDS parece ser a declaração de independência de certos ativistas ambientais que querem trabalhar com populações e trabalhar sem a tutela do Conselho Nacional dos Seringueiros.. dos movimentos sociais. e tudo. daí ele fala: “. ou são ameaçados pelo turismo. Então. O que se observa.. Agora. Ou então. de uma forma. E aí a gente utilizaria essa maior supervisão pra permitir a permanência de pessoas onde a gente acha que o ambiente é frágil. mas os fluxos de decisão seriam um pouco menos autônomos e com menor responsabilização da comunidade do que numa RESEX. todos solicitar. sabe. A diferença entre uma e outra. mas onde as pessoas têm o direto de estar lá. poucas tem utilizado esse conceito em si mesmo. é que a RESEX está sendo empregada aonde existe uma ligação com o conselho nacional dos seringueiros. assim. das categorias. Eles têm interesse na conservação e eles utilizam a conservação como bandeira.

os índios também utilizam a bandeira ambiental pra conseguir essa simpatia e então tem que dar um retorno para a sociedade. Na RDS. Renato: Você está falando de RESEX. e não só naquelas populações como toda sociedade. não só da terra. O importante é que eles estejam de acordo. não existe a visão de que o morador tradicional que não quiser fazer parte do regime também terá direito a indenização como ele teria se estivesse no parque.. mas da qualidade de vida. Ronaldo Weigan: Eu acho que sim. que condiz com a categoria da unidade.. a conservação é o objetivo básico. Renato: Agora. que 257 . Eu acho que o pessoal não está pensando muito no manejo das áreas. o que na verdade a gente ta tentando fazer é acomodar uma coisa com a outra. Seria o caso de olhar bem essa questão da. Então. E aí. Porque na RESEX você tem um caso da tradição da demanda. essa obrigação. É um plano de manejo de uso múltiplo. Se ele quisesse sair do regime. Renato: Porque não existe concessão real de uso implantada e planos de manejo adequados. não uma solicitação só. porque está preocupado mais com o desafio da sustentabilidade social. mas acho mais grave do que o SNUC deixar essa parte descoberta é que existe a presunção de que o morador tradicional que não quiser fazer parte daquele regime. eu acho que tem que ter consulta pública.. mas no caso da RDS quem deve o desenvolvimento pras comunidades é o setor ambiental.. a RDS seria um caso mais complexo. não é um plano de manejo da unidade de conservação. não é só da tua população. né? Não adianta querer envolver. o SNUC deixa essa parte descoberta. Você acha que RDS vai para o mesmo caminho? Ronaldo Weigan: Acho! Acho que pelo mesmo caminho. você acha que tem que ter uma solicitação formal pra se tornar RDS? Dos moradores.. Então assim. então também é meio complicado. “Não quero ficar aqui. que é o plano de manejo que deveria ser estabelecido pelo SNUC. Então. Tem que ter uma consulta elaborada. né? Assim. ninguém pensa nunca e eu acho que isso é o mais grave até. É um plano de manejo florestal. Porque as comunidades que aceitaram esse arranjo que era de interesse de fora. Ou seja. Ela é uma coisa pra RDS. eu não gosto de RESEX e você tem que me indenizar pra eu ir pra outro lugar”. da grande maioria. Uma concordância total você não tem nem nas RESEX. Uma concordância com a maioria da população. O pessoal não vai se comportar de uma forma que é. que coloca assim. Uma concordância que você tem mais ou menos no mesmo nível de uma RESEX.. Mas como não é de todos.. você vai ver que elas conseguem muito menos hectares por pessoa. enquanto que na RESEX quem deve a conservação é a própria população. pra esses moradores terem o direito legítimo a esses interesses. Ronaldo Weigan: É. só que depende um pouco também.. acho que faz sentido isso. e que os sem terras conseguem em termos de território em relação a sua população. Mas aí esses interesses precisam ser compensados pelo setor público. Os índios tem um caso parecido.não uma concordância total. porque se você for ver. Porque você tem que pensar que a RESEX ela é criada pelo interesse público. Mesmo porque o abaixo assinado nunca é assinado por todos e muitas vezes ele tem que ter assinatura de fora da tua população. O plano de manejo das RESEX enfatiza muito mais a questão da extração do recurso. mas agora quem deve para o desenvolvimento das comunidades são os ambientalistas. eu pensei isso agora. Se você for olhar proporcionalmente o que os seringueiros conseguiram em termos de território em relação a sua população. eu concordo com você. relacionado a isso.. Tem que ter uma consulta e uma concordância. os interesses particulares de alguns moradores podem ser superados pelo interesse da sociedade e da população local como um todo. a obrigação eu acho que é oposta. nas formas de gerar receita.conservação já está amarrado. né.

. Assim.. mas um plano de manejo que venha do setor florestal. Então acho que isso é grave. são os recursos que não são explorados de forma tradicional. eu acho que o que permite unidade privada no interior é água. se for área de domínio público. que toda essa discussão que foi colocada aqui. Eu acho que a RDS deve ser uma área de domínio público como a que está defendendo no SNUC. reflete justamente essa coisa que se perderam no caminho.. quer dizer.na minha visão não é um plano que o SNUC faz referência. E aí. Entendi que... o próprio CNPT estava seguindo essa receita que o IBAMA estava usando para as unidades de proteção integral. Acho que já tem a unidade de conservação e acho que não deveria ser a RDS. Acho que existe uma certa malandragem na interpretação daquelas vírgulas que tem lá. É pegar o plano de manejo de que vem lá do setor florestal e jogar para Reserva extrativista. as comunidades estão sendo colocadas em um modelo que.. O pessoal do uso sustentável se perdeu no caminho e eles não sabem mais direito com o quê eles estão trabalhando. Renato: Qual que seria a especificidade para uma consulta pública pra RDS? Ronaldo Weigan: É essa daí. com as apropriações que forem necessárias. que tenha a presunção de uso sustentável é que deveriam ir pra esses plano de manejo específicos. que eu acho que o SNUC. Tanto para RDS quanto pra RESEX. antes do SNUC. Não é um plano de manejo que venha do setor de unidades de conservação... além da consulta normal. que você chama pra todos os setores da sociedade e pega também representantes dessa população. Ronaldo Weigan: Não. pelo mesmo pela experiência verificada. de forma econômica. Mas é um modelo que as comunidades vão ser tuteladas por um órgão ambiental ou fazer uso sustentável. Renato: Você acha que RDS permite áreas privadas em seu interior? Ronaldo Weigan: Bom. eles falam explicitamente. então isso daí realmente ou é um erro forte ou é uma malandragem de quem redigiu. Quando você tem que licenciar uma exploração florestal. Em relação a esses planos de manejo e ao próprio modelo que tinha antes do SNUC. uma construção maior da unidade com a população local... não é um modelo que gera o uso sustentável. qual plano de manejo você tem que ter?.. ter plano de manejo específico pros recursos que decidirem explorar de forma não tradicional. Quando você fala de outras categorias de unidades de conservação que permite tanto domínio publico quanto privado. o pessoal se perdeu no caminho. pelo menos a proposta deles é o contrário. a especificidade de uma consulta pública pra uma RDS em relação a uma unidade de proteção integral é que você já sabe que existe uma população no interior dessa área e assa população precisa ser consultada de forma independente da consulta geral. enfim.. Mas esse é um outro modelo que deveria ser um modelo com maior autonomia. Ou seja. eles são bem mais explícitos a respeito do caso do proprietário que não concordar em ficar lá dentro. Eu acho que tem que ter um envolvimento maior. embora eu tenha falado que para RDS talvez fosse o caso mesmo dessa tutela. é complicado. Então porque só esses que seriam necessários pra exploração de recursos. Aí depois você vai pra consulta formal. que era o Plano de desenvolvimento das RESEX. 258 ..Eu critico.Acho que não. Existia. Mas. mas aí se for aí pode até botar área privada. O SNUC faz referência ao plano de gestão. De alguma forma. acho que eles deveriam ter é um plano de manejo composto pelo plano de utilização e pelo plano de desenvolvimento. É isso que eles deveriam ter. numa área privada a desapropriação é necessária quando? Quanto mais se valoriza. Renato: Não existe uma diferenciação clara entre plano de manejo para unidades de proteção integral e para as de uso sustentável. Ela precisa ser esclarecida sobre qual é o modelo que ela está entrando e qual a disposição dessa população de estar entrando nesse modelo..

Porque essa terra é dele e isso pode excluir qualquer pessoa do uso. Ele pode até vir a criar a RPPN. aí é totalmente compatível. você estabelece um arranjo. Ou seja. aí é complicado. de uma vontade explicita do proprietário da terra. Não importa quanto limitado que esteja. como é um mecanismo da reserva legal. mas a RPPN que tem que partir de uma decisão. 259 . mas que não quiseram deixar de forma muito explicita. ele quer explorar a propriedade dele normalmente. Então nesse sentido ele poderia estar lá. e aí o proprietário daqui a 15 anos ou 10 anos ou 5 anos. Então. acho que precisava ter uma averbação em cartório. Por isso que eu acho que eu não sei bem se seria o ideal mesmo ter um proprietário no interior. Você tem a categoria de gestão individual que é a RPPN. E aí também tem sua categoria própria. resolveria.” OK! Mas o que ta na hora da gente começar a amadurecer em termos de direito ambiental e de direito coletivo é que lá dentro ele não manda sozinho. Então o quê que é? Bom.. ou da RPPN. Ronaldo Weigan: Agora. pra deixar mais claro. Tem que pensar bem como em que caso o proprietário pode ficar dentro da área. Renato: É. ele é um negócio dúbio mesmo. Porque você tem a categoria de gestão conjunta. Renato: No Brasil conceito de propriedade exacerba os direitos do dono. estabelecimento de um termo de compromisso. no fundo. Porque o direito dele é o direito de excluir e não o de fazer. que é a APA. ou da certidão florestal. o quê que é a propriedade? O sistema de propriedade da terra. Ronaldo Weigan: É em algum momento ele tem que decidir. Mas que garantia que ele dá pra gente? Então. Ninguém entra. mas ele não faz o que quiser. Ronaldo Weigan: Pode ser essa origem. tem um conceito de propriedade que eu não sei se no Brasil está se aplicando esse conceito. então eu vou dizer que a gente não perde nada em deixar uma propriedade privada lá dentro. Bom. e eu falo dele até pra advogados e os advogados arregalam o olho. quer dizer. O direito de propriedade é esse. Assim. “-Aqui dentro ninguém se mete. eles até de alguma forma se orgulham de serem unidade de conservação que tem propriedade dentro. Se ele quer ficar lá porque ele não vai mudar a cobertura vegetal. em que caso ele não pode. Renato: Qual a desvantagem? Ronaldo Weigan: A desvantagem é a não segurança de que isso vai persistir no futuro. Que no fundo. se a gente for por esse lado do contexto de propriedade privada. ele tem que seguir o plano de manejo e a única coisa que acontece é que a comunidade não pode usar a terra dele. E aí é necessário desapropriar a área. não quer mais fazer parte desse arranjo. ele ta lá dentro. tem uma tradição feudal da propriedade. A propriedade é o direito de exclusividade daquilo. o que você começa a ter é uma RPPN dentro da unidade de conservação. propriedade é o direito de impedir qualquer outra pessoa possa fazer qualquer coisa com aquela unidade. porque não está muito explicito. Renato: E o que tem ocorrido na prática é que os proprietários não têm sido consultados. Mas acho que uma averbação. o que é isso? Propriedade é o direito de fazer o que quiser com o recurso? Não. nem é isso.. Ele criou. Renato: De responsabilidade social da propriedade? Ronaldo Weigan: Não. Eu acho que precisa de regulamentação pra dizer isso. dizem que é uma unidade que tem propriedade e isso não causa problema. quando você começa o trabalho de criação de uma RDS. tá claro que não é. qual o estímulo que ele deve ter pra permanecer dentro do regime e qual não é se você for permitir a propriedade dele. Ronaldo Weigan: É. ele entra onde você cria ao redor dele e fica totalmente limitado. E aí.Renato: Mamirauá.

RDS por exemplo. Eu acho que isso tira um pouco da identidade da RDS como unidade de conservação. por exemplo. E a questão da sustentabilidade não vem da 260 . O tradicional do SNUC é muito malandro também.Até acho que era estratégico se a RDS assumisse esse papel no espectro de unidade de conservação. ela poderia se prestar a esse papel. Renato: E você acha que a RDS poderia ser esta unidade? Ronaldo Weigan: Poderia ser. E essas normas vão se constituir no plano de manejo ou no zoneamento e esse tipo de instrumento é muito pouco reconhecido pelos proprietários rurais. E colocar essa que seria o parque com gente dentro e ter a RDS que seria uma APA um pouco mais restritiva. Não é. acha que a RESEX é uma categoria 6. existem normas para uso e ocupação que são definidas pelo conselho gestor. Elas poderiam ficar indefinidamente nesses lugares. Renato: Você acha que possível criar uma RDS para populações recém chegadas a uma região? Ronaldo Weigan: Acho. Uma outra questão também. Renato: O que complica um pouco mais na pratica é que no caso de reserva de uso sustentável.. aí que ela vai ser sustentável. Ronaldo Weigan: Quais são os pontos positivos de ter a propriedade privada no interior? Você gasta menos dinheiro com desapropriação e você pode desenvolver algumas propriedades mais amigáveis no processo voluntário de criar uma área bem maior do que criar uma RPPN gerida individualmente.. O que o estado ta falando é que a propriedade é o direito dela de excluir outras pessoas do que aquela terra pode lhes dá. Você pode dizer que o estado ta tirando os direitos de propriedade? Não. Não existe ainda um instrumento definido pra gerar segurança em longo prazo. Para ter aderência do proprietário. é que eu vejo que o Cláudio Maretti. Ao contrario do que muitos ambientalistas pensam. Porque aí a gente resolveria o problema de várias unidades no Amazonas se fosse readequado pra categoria em que a população tenha um impacto mínimo na área e se fosse supervisionada. Mas o que é o tradicional para os ambientalistas? O tradicional é aquele cara que não estraga a natureza. Na medida em que se começar a ter grandes pastagens. O tradicional estraga a natureza tanto quanto o não tradicional. Se ela achar que ela vai ser expulsa daqui a 5 anos ela detona. Por outro lado. Na hora que ele começar a estragar ele não é mais tradicional. marginalidade. Ela é 4 ou 3. Ronaldo Weigan: Então. Com grande supervisão governamental. o estado limita o direito dele em vários aspectos. De poder realmente chegar nessa solução e resolver o nosso problema em uma série de unidades. coisa desse tipo. né? Tem prós e contras aí. certo? Isso é mentira. você não pode. O que compromete grandemente a característica da unidade. uma plantação de soja lá dentro.Renato: Se você tem uma propriedade e dentro dela tem uma área de preservação permanente. Tem que dar uma olhada. e que hoje elas estão numa situação de insegurança. inclusive essa marginalidade gera o comportamento mais predatório do que se elas estivessem seguras.. Mas eu acho que seria muito importante que a gente tivesse uma categoria que fosse um parque com gente dentro. E essa parte do interesse dele pode envolver usos que não têm nada a ver com a conservação. Se ela tiver visão de longo prazo na área. precisa garantir uma parte dos interesses dele dentro da área. E não o direito de fazer o que quiser com a terra. você descaracteriza o que eu acho que deveria ser RDS que é um parque com gente dentro.. Acho que isso é uma coisa que a gente tinha que ir trabalhando com o tempo. quais são os pontos negativos? È não ter uma segurança em longo prazo. A não ser que a gente tenha que criar mais uma categoria.

que vieram de outro lugar. você não sabe se o pessoal vai ficar só naquele uso. Mas o que eu acho problemático seria você falar assim: “Vamos”.tradicionalidade. através de que fique garantida a concessão real etc. Isso são coisas interessantes. tinha uns que passavam o fim de semana lá dentro. Mas nos anos 80 era uma boa parte. mas assim.. Mas o que acontece? Tinham algumas reservas extrativistas um pouco maiores.” Mas aí eu também já vi lá em Rondônia o pessoal do Paraná que tinha lá no entorno. e complementavam uma coisa com a outra. lá no projeto de assentamento do INCRA que foi construído de uma forma bem diferente. ele é arriscado. se for demonstrado que o recurso natural sobre o qual eles fazem a sua utilização é um recurso de utilização que não substitui a cobertura vegetal nativa. podem aí sim favorecer. Quando o Estado não promove mais de uma audiência no lugar não sabe qual é o uso que vai se dar lá. por exemplo. Você pode incorporar os colonos. eles ficaram. é mais complicado. essa questão de realocação de populações dentro de unidades de proteção natural. Então eles entram dentro da área. ou o pessoal que tenha essa característica de recém chegado. naquele mesmo ecossistema que ele sabem. mas tem alguns colonos entre a população que estão ocupando o lugar. que tinha todos os colonos morando na periferia dessas áreas.000 ha. É esse o caso arriscado: você não sabe as relações que vão se estabelecer. Acho que é como eu falei. mas de sistemas de instituições de extrações coletiva que controlam o uso dos atores que estão tentando no seu máximo viverem disso. ao mesmo tempo em que o IBAMA não estava aceitando as reservas condominiais como comprovação de reserva legal. É bem diferente o pessoal ter uma cultura que já se consolidou ao longo do tempo e que sem intervenção do Estado eles já fazem esse uso. E o que aconteceu? Essas reservas condominiais foram refúgios dos extrativistas que correram lá pra dentro e ficaram lá e tomaram posse individual daquela reserva. Se o uso é compatível e o tipo de posse dos recursos é um tipo de posse que é favorável ao sistema de posse comunitário da terra. à gestão e eles vão estar sujeitos às mesmas sanções.. aí eu acho que poderia. aí eu acho que vale a pena.. entendeu. Renato: Exclusivamente os recém chegados? Ronaldo Weigan: Exclusivamente os recém chegados se eles tiverem. Essa distinção de tradicional é complicada. fazem extrativismo e do lado de fora eles fazem a implantação de colonos convencional. Você pode conseguir uma área fora para a população. E várias vezes esses colonos começaram a ter colocações de seringa dentro da área. a utilizar os recursos extrativistas e se integrar com a comunidade mais tradicional. O que é que você vai falar?Que os caras são tradicionais? “Não.. Então os proprietários rurais perderam 50% da propriedade. não substitui o ecossistema original. no Acre a maior parte dessas pessoas mais velhas são os Raimundos do Ceará. Com dez anos começaram a cortar seringa. soldados da borracha. em torno de 18. Eles agruparam todas as reservas legais em reservas condominiais. Nós temos no Ceará.Então tem que ser analisado caso a caso.O que eu estou querendo dizer é o seguinte: você vai criar um UC. você não precisa tirar os colonos e manter só a população tradicional. foram tradicionalizados pelo ambiente. se eles vão ser honestos de que eles querem usar só aqueles recursos ou não. aprenderam a cortar seringa. para ver se as pessoas nesse lugar. não é tão problemático. outros a semana l fora e assim eles completavam uma estratégia com a outra. 261 . Agora os caras estão começando a morrer. se aposentar. reservas condominiais. Tem que ver se o uso que eles fazem é compatível com a conservação da biodiversidade como unidade de conservação. E vários desses caras do sul começaram a virar extrativistas. Daí o governo de Rondônia veio e criou reservas extrativistas. É mais arriscado. ele é problemático.

De forma complementar e desde que não causasse muito dano. mas de uma maneira mais taxativa. Acho que estudar qual o impacto ambiental sobre o objetivo principal da unidade que é a qualidade de vida e conservação da biodiversidade. RDS Mamirauá: Relação dos entrevistados: 1 Sociedade civil organizada -coordenador do Conselho Indigenista Missionário a Região do Médio Solimões e Pastoral da Criança 2 órgão gestor responsável pela RDS . continuidade (“usam as mesmas tradições”). nativo s Atividades econômicas – base é plantação de mandioca para fabricação de farinha. mas também plantam outros cultivares e a praticam a pesca 262 .Renato: Que tipo de uso pode ocorrer numa RDS? Você já falou um pouco sobre isso. Que dependa da atividade de conservação. Renato: E mineração? Ronaldo Weigan: A mineração é um caso específico que não teria como base a conservação.3 do interior da RDS que não participaram da criação/gestão da RDS. E a biodiversidade e forma sustentável. Se você faz mineração de um jeito que causa impacto na biodiversidade você não deveria fazer. né? Eu colocaria fora dessa minha classificação. ENTREVISTAS ESPECÍFICAS RELACIONADAS AOS ESTUDOS DE CASO: I. Renato: Mas poderia? Ronaldo Weigan: Acho que sim. Tradicional adquire significado de antigo. 4 do entorno e 5 moradores que participaram da criação/gestão da RDS. Acho que todos os usos que tenham como base a conservação. Renato: Turismo convencional? Ronaldo Weigan: Turismo que tenha como base a conservação. Ronaldo Weigan. Sistematização dos Questionários Aplicados MORADORES DO ENTORNO: Numero comunidades – todos os entrevistas não responderam esta questão Descrição comunidades – representação/auto definição como população tradicional – consideram que são tradicionais.Marcelo Marchesini – Diretor Técnico da Autarquia Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Estado do Amazonas e Francisco Ademar da Silva Cruz – Secretário de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas 1 Órgão municipal – Secretário de Produção do Município de Uaruni 12 Moradores .

Impacto da RDS no futuro – melhorar a situação dos moradores. Parece que já houve conflitos Criação Participação – nenhum participou da criação da RDS. pois no inicio do processo não havia organização comunitária e hoje há. Objetivos da RDS – as respostas para esta questão apontam como objetivos da RDS a melhoria da qualidade de vida das populações sua organização e envolvimento. para ajudar na organização da comunidade. Organização das comunidades – há comunidades organizadas e não organizadas. e também o temor de que a UC fosse desalojar os moradores. Critério para definição do tamanho e o desenho –ninguém sabe responder esta questão Porque RDS – a única resposta para esta questão identifica RDS como uma categoria estadual e diferencia da RESEX por permitir o uso das recursos por moradores do entorno. O entendimento é que a conservação faz com que os recursos naturais não escasseie. Apontam como condição para o apoio o entendimento e aceitação dos objetivos da RDS Implementação Participação – todos participam. melhorar qualidade de vida das comunidades. Titulo de propriedade – dois citaram proprietários das terras onde moram. o impacto citado ao longo das entrevistas foi o aumento da disponibilidade dos recursos naturais utilizados pelas comunidades. Dizem que foi um longo processo para criar a UC. com a sede dos municípios. Os espaços de participação são os mesmos para os moradores do entorno e do interior da RDS. Há entendimento de que a participação pode levar a união dos moradores. Relação comunidades entorno e interior – atualmente o conflito é menor. durante oportunidades como assembléias e reuniões. IBAMA . exceto um . quando tem proprietário. governos municipais. que fazem o que querem. que entrou na área quando o processo já havia se iniciado O que sabe sobre o processo – motivos. MORADORES DO INTERIOR QUE PARTICIPARAM DA CRIAÇÃO DA RDS: 263 . para adquirir conhecimento Quem participa – as comunidades. demanda : A demanda partiu da prelazia e do “Mamirauá” (Sociedade Civil).Regulação uso e posse das áreas – dizem . E há ainda associações que existem mas não funcionam. Conflitos – Houve conflitos com invasores. Grupos sociais que não apóiam/apóiam – não apoiadores: igreja evangélica. Foi citado regras da comunidade. dar mais confiança no trabalho. Citaram problemas de representatividade. Prioridades de gestão – organização das comunidades para manter os recursos naturais para o futuro. comunidades com mais conhecimento. Apoio das comunidades – nem todas apóiam. outro disse que a falta de alimento motivou a criação da reserva Como foi o processo participativo – houve convite do “projeto” e da paróquia para participar. definidas de acordo com o comportamento do sócio. Citam que a comunidade tem que estar junto para conservar. Apoiadores – igreja católica. proporcionar conhecimento para as comunidades. IPAAM Impactos da RDS na vida – em geral. câmaras de vereadores. Há citação de que a RDS possibilitou aumento do conhecimento para quem assim o desejar. Entendimento sobre conservação/ações para – todos citam que a conservação pode melhorar a vida deles.

Descrição comunidades – representação/auto definição como população tradicional – quem reconhece que são tradicionais argumentam que tem uma identidade cultural ou que “são organizados”.” Critério para definição do tamanho e o desenho – ninguém sabe responder esta pergunta Porque RDS – aqueles que responderam justificam a categoria porque ela permite moradores “ acho que é porque pode ter pessoas dentro da reserva”. As causas deste conflito são identificadas como “falta de entendimento” por parte de alguns moradores. e um deles citou a Igreja “ a paróquia já trabalhava com a preservação antes de ser reserva”. mas não pensavam em criar reserva”.A associação é citada como quem regula os trabalhos na área. reunião. Há citação de que hoje há menos conflitos. Regulação uso e posse das áreas – Exceto um entrevistado. mas com certeza ficaria mais aliviada”. Mas existem comunidades que são contra. Relação comunidades entorno e interior – em geral consideram que o relacionamento é bom. “ as comunidades já existiam. pesca. 264 . como se fosse “dona”. A pesca é a atividade principal. Como foi o processo participativo – todos comentam que no inicio foi difícil “muitos não entendiam”. Aqueles que responderam apontaram como objetivo a promoção da qualidade de vida dos moradores. tem mais recursos.” Citaram o trabalho de educação do projeto e também ações relacionada ao lixo Organização das comunidades – a informação mais recorrente é que existe a organização em muitas das comunidades mas nem todas funcionam. “ RDS é melhor pela forma de gerenciamento. Quando há organização o relacionamento é bom e há respeito pelo zoneamento. Houve uma resposta que identifica a RDS com o Instituto Mamirauá: “ são os trabalhos feitos pelo IDSM e apoiando os trabalhos desenvolvidos pelos moradores”. assembléia . “ falta de peixes nos lagos”. apesar das comunidades de “fora” não terem acesso tão amplo aos recursos. Houve uma resposta que reconheceu que foi a comunidade que quis preservar a partir do momento que “conheceu como usar”. Titulo de propriedade não há documentação . Conflitos – o conflito citado à época de criação da RDS foi quanto à aceitação e apoio à mesma.“ a proteção do macaco Acari”. que define áreas de uso e de proteção. “ acho que é porque facilita mais a divisão da área”. Inclusive um entrevistado citou o estatuto da associação numa comparação implícita com o titulo. manejo florestal.” Objetivos da RDS – A maioria dos entrevistados não sabem responder esta questão. “ se todas as pessoas se empenhassem as coisas poderiam até não melhorar . criação. Criação De quem partiu a demanda – aqueles que responderam citaram o pesquisador Marcio Ayres ou o “Mamirauá”.plantio. e incentivado por “pessoas que vieram e procuraram conhecer os problemas daqui” (equipe do projeto mamirauá). O processo participativo foi vagaroso. Atividades econômicas. onde conquistaram apoio das comunidades. “ se a gente deixar como estava estaria muito pior que hoje por isso pensaram em proteger”. Os que dizem donos é por usufruto. Entendimento sobre conservação/ações para –a conservação é entendida como um instrumento para que os recursos se “multipliquem” “não podemos desmatar a mata para que os animais possam sobreviver”.Há quem se identifique como tradicional pela identidade cultural. É freqüente o reconhecimento de que atualmente as comunidades participam mais e que houve muita consulta. “houve. Há colocações a cerca de mudanças e portanto não podem ser tradicionais. “é bom porque podemos aproveitar o que temos. Apoio das comunidades – em geral as comunidades apóiam “pois esta aumentando os recursos”. todos citaram o zoneamento. mas as pessoas que não queriam era porque não entendiam. Motivação para criação.

Alguns não se sentem representados. APAAM. mais conhecimento. mas é porque não participam. mas que ainda falta muita coisa. “cada grupo organizado tem direito a participar”. mas não participamos. Quem participa – participam as comunidades organizadas. dizendo que é bom Organização das comunidades – nem todas Relação comunidades entorno e interior –convívio bom Criação Porque não participou . IBAMA . maior consciência. Regulação uso e posse das áreas – não sabem falar sobre o Zoneamento. sem disponibilidade.não sabem responder Processo participação . Um dos entrevistados disse que “passou um pessoal dizendo que ia ser reserva. A favor – Igreja católica. reuniões. encontros.não sabem responder Objetivos da RDS .” Conflitos – apenas duvidas Critério para definição do tamanho e o desenho . Impacto da RDS no futuro – melhoria da vida das pessoas. Demanda para criação– não sabem responder Motivo para criação . Os mecanismos utilizados são reuniões . grupos e comunidades de base. Plano de manejo – todos afirmaram que o plano de manejo existente foi realizado com muita consulta e participação das comunidades Prioridades de gestão – envolvimento das comunidades / criar conselho deliberativo / conquistar mais apoio das comunidades para a preservação/ melhorar a vida das comunidades Grupos sociais que não apóiam / apóiam: contra – prefeituras.não sabem responder Porque RDS .” Impactos da RDS na vida – tornar a atividade econômica legal “pescar de forma ilegal e depois fazer a coisa legalmente”.nem todos apóiam Implementação Participação – não participam freqüentemente 265 . Entendimento sobre conservação/ações para – respostas vagas. Citam o “Mamirauá” como regulador do uso e posse das áreas Titulo de propriedade – ninguém conhece titulo de propriedade na área. MORADORES DO INTERIOR QUE NÃO PARTICIPARAM DA CRIAÇÃO DA RDS: Numero comunidades – sem respostas Descrição comunidades – representação/auto definição como população tradicional – não sabem dizer porque sim Atividades econômicas – pesca . assembléias. sem conhecimento. acesso á mais recursos materiais. De um modo geral consideram que esta num estágio avançado de implantação. Conselho gestor – as respostas à esta pergunta apontam para um processo de criação em curso ddo Conselho gestor. “ tinha muita gente que não apoiava e agora apóia. formação.não sabem responder.Implementação Participação – todos participam de uma forma ou de outra: trabalhos voluntários. caça e plantação.sem interesse. Fase de implementação: as respostas foram todas diferente.não sabem responder Apoio das comunidades .

Modo de ocupação humana que justifique criação de uma RDS – quem respondeu descreveu como é a ocupação na região – ribeirinha. a questão da preservação é um foco. o que justificaria a criação da unidade de conservação– “a criação só é possível quando a própria comunidade se sente ofendida com a sua capacidade produtiva ameaçada. Marcio Ayres. devido sua longa experiência de campo ajudado pela sua equipe técnica. casas isoladas. terá futuro”.Quem participa – não sabem responder Prioridades de gestão – a única resposta referiu-se à importância da RDS porque “os recursos alimentam” Impactos da RDS na vida – as respostas não se referiram á impactos. “propiciar as pessoas que vivem naquele local. um estar interligado ao outro” 3. assim como a concepção de desenvolvimento sustentado: “porque é com este desenvolvimento Sustentável que vai trazer melhoria para as comunidades e para o Município. “principalmente na Zona Rural nas comunidades ribeirinhas os ribeirinhos e os povos indígenas.” 266 .não sabem responder ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS E DA SOCIEDADE CIVIL LOCAL: 1. “podemos dizer que é uma sugestão de Dr. estão interligados. a fixação do homem. Mas a conservação é entendida como um meio para garantir os recursos naturais o que denota que consideram como prioridade/objetivo desta categoria a qualidade de vida da população afetada pela implementação da UC : “ conservação ambiental ela é importante é uma meta que as comunidades estão sempre tentando no sentido de poder garantir os recursos naturais” .” Entende que esta categoria “respalda o desejo das comunidades que justamente é a questão do uso dos recursos naturais de forma sustentável (. dificilmente essa questão da qualidade de vida. O produto começa ficar escasso e a reserva vem favorecer isso. proposta pelo Dr. se não tiver uma quantidade de recursos naturais que possa garantir a sobrevivência desses povos. comunidades. “eu destaco que os dois objetivos. viver condignamente. Qual a prioridade de uma RDS – tanto a conservação ambiental quanto a melhoria da qualidade de vida da população foram apontadas como prioridades. Grupos sociais que não apóiam/apóiam .. Marcio. Outra resposta relaciona a criação da RDS com a demanda da população em função da escassez de recursos.) “ 2. Histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC – A única resposta relata que a categoria é fruto da RDSM. mas a permanência da homem na terra é outro foco que estão aliados. Porque ou em qual situação criar uma RDS . mas que representa um trabalho das comunidades ribeirinhas que estão incluídas na Reserva Mamirauá e Amaná para criar essa nova modalidade. exceto um entrevistado que reclamou da agressividade da fiscalização Impacto da RDS no futuro – respostas conflitantes: sim/ não/pode ser. E que acaba se espalhando por vários cantos dessa região e do País. A sigla RDS é originada de Mamirauá.” 4. Novamente as respostas retratam a concepção de conservação relacionada à disponibilidade de recursos naturais para as populações. com ênfase na “disponibilidade (a população) em participar desse processo de construção de decretação e de implementação de Políticas”.”. sem degradar aquilo que a natureza lhe propiciou tirando o sustento para sua família. sem devastar..a afirmação é que a RDS deve ser criada em situação de presença de “ser humano” e “onde tem ainda recursos que devem ser mantidos para população futuras”.

por outro há quem reconheça o direito de propriedade e a necessidade de ter estes proprietários como aliados da Reserva: você acaba criando outra situação. 7. (... estaduais que estão na região e representantes do povo das várias associações” Concordam também que deve haver um trabalho de mobilização anterior à consulta publica: “Eu acho que a consulta pública é essencial e esta deve partir de uma mobilização anterior.) isso vai partir muito dos estudos Biológicos”. os municipais. já chegava com uma proposta formada e o pessoal repassava isso na audiência publica. mas não tem uma noção de fato do que estar se querendo proteger.) porque se não houver um comprometimento das pessoas de manter os recursos naturais de uma forma controlada e de usar esses recurso de maneira formal. o povo foi contrário a criação de algumas unidades de conservação por falta de mobilização local. dificilmente essa Unidade vai sobreviver.. Se por um lado há o temor de que a propriedade particular pode vir a prejudicar os moradores. “ um dos bens que eu digo que é importante é a questão do pescado. buscando consenso.. Mas houve resposta que valorizou a diversidade biológica – “a necessidade de conservar (. a própria água e animais e outras coisas.) em anos anteriores o Governo perdeu algumas discussões.5... (.) “ estar observando algum aspecto importante e específica daquela região. Isso é importante num primeiro momento. esse pescado gera recursos para as comunidades e que podem sobreviver disso. que envolve as comunidades assim como a discussão dos representantes na audiência pública” 9..” 6.(.” E a demanda da população nasce escassez dos recursos naturais. Situação ambiental que justifique criação de uma RDS – novamente a ênfase é nas necessidades de recursos naturais disponíveis para a comunidade : “quando a comunidade sente que seus recursos estão sendo ameaçados por alguma atividade. Áreas privadas em seu interior/ vantagens ou desvantagens dessa situação – A propriedade particular é identificada como interesse particular e com pessoas com mais posses e poder econômico: “ esse pessoal são os que tem recursos financeiros. O governo tem trabalhado na região e nós temos criticado. considera importantes os estudos biológicos para criação da UC: “muitos companheiros tem dito: vamos criar uma Unidade de Conservação Aqui e tal. Demanda para criação de uma RDS/ concordância formal dos moradores . Consulta pública para criação de uma RDS – Concordam que a consulta publica é fundamental para o envolvimento da população (moradoras e entorno).) . pois “ tem que haver concordância para que a reserva dê resultados”. Ela só é um ato público de referencia a uma proposição de UC e eu vejo que é extremamente importante as discussões preliminares. De modo geral concordam que ambas tem por objetivo beneficiar as populações. Diferenças entre RDSs e RESEXs – ver tabela.” Neste sentido. que área que tem que ser preservada (. pois “a tendência é que o menor trabalhe para o maior”. mas que possa garantir a sobrevivência do futuro. “Eu acho que as demandas devem partir das comunidades o envolvimento do povo nessa discussão é extremamente importante (. uma discussão prévia dos assuntos.) me parece ser o item final de uma grande mobilização. levado criticas sérias ao governo tanto estadual como federal: é que muitas vezes as audiências públicas estavam com data marcadas. “. mas não teve uma mobilização anterior... a questão de um recurso natural que não tenha em nenhuma outra parte” (. pois ela deve envolver as instituições locais.) um bem prioritário.. tem a grande mídia ou são aliados de alguns políticos”..beneficia um grupo de pessoas como 267 . ou abandonados”.todos afirmam que a demanda deve ser da população.. 8. de um grande envolvimento comunitário.. ela também é uma falha que estamos acompanhando. os grandes lagos.. é claro que tem outros aspectos a floresta.. bem como das autoridades municipais.

11..) essas são conversas que devem ser tomadas com as comunidades e referendadas no plano de Manejo da UC.” 268 . o que potencialmente gera conflitos: “ ao longo de muito tempo a Amazônia foi depredada. tem olhado com mais carinho. Houve relato de que atualmente alguns ex-moradores estão retornando em função do aumento de disponibilidade de recursos. desde que sejam usos sustentáveis e não sejam impactantes. atividades que possam gerar renda dar sustentabilidade a própria comunidade (. “ 12.você cria uma inimizade com essas pessoas (. Tipos de uso / atividades com maior potencial – Concordam que pode existir . “ O plano de manejo foi citado como instrumento para definir permanência ou não de proprietários privados no interior da RDS.) e a UC acaba sendo prejudicada por essa falta de harmoniosidade. O grande colegiado é o essencial hoje para que as coisas funcione. Gestão da RDS. as Políticas Publicas tem voltado o seu trabalho para as comunidades ribeirinhas que estão em UC. isso cria um teor como a dificuldade de emprego e geração de renda escassa na cidade..Concordam que a gestão deve ser com a participação dos moradores. da madeira e acabou esgotando os recursos naturais. saúde. Mas a tendência é pela não presença destes proprietários. Ocupantes recém-chegados à área – Há quem discorde e quem considera que os habitantes locais decidem a este respeito. o que pode e o que não pode (. Médias e grandes propriedades são consideradas sempre particulares. e portanto as respostas a esta questão são semelhantes à anterior: “ mas a lógica inicial é que as terras devem ser coletivas daquelas comunidades.) e as comunidades que estão dentro de sistema de Unidades de conservação. então as pessoas que ficaram agora dizem: quando tava ruim você foi embora. isso é um trabalho de muita gente.. Amaná também e Catuá Ipixuna é também exemplo de que as coisas estão melhorando no local e uma vez que isso tem melhorado a qualidade de vida.. Não há base legal para esta definição e o plano de manejo pode ser um instrumento. O plano de manejo deve definir isto: “ mas me parece que dentro de uma UC. se isso não acontecer é uma instituição que vai acabar dominando. Houve proposta de que o órgão gestor. mas você tira um outro grupo de pessoas que tem história e um bem. agora que ta bom você retorna. o plano de manejo deve deixar claro quais são as atividades que devem ser desenvolvidas. Nossa região de Tefé foi muito explorada na questão do pescado. E aí quando se criou as UCs. os estoques pesqueiros retornaram. Isso obrigou várias famílias saírem para a cidade ou para outros lugares.” 13. e manter assim um teor de discussão participativa.) eu diria que garantir a participação paritária de quem ta lá na UC e de quem vai trabalhar com essas unidades.. Médias e grandes propriedades – Não há base legal para esta definição. ta levando o retorno daquelas famílias para as UC.conselho deliberativo – deve ser paritário : “ (. que devem ocorrer no órgão gestor. 10. isso criou outra expectativa para essas pessoas que tinham saído.. Nos últimos 10 anos foram criadas UCs e quem ficou no local lutou por essas unidades. as madeiras de lei começaram a criar volume e houve fortalecimento da população enquanto organização comunitária. saneamento básico.trabalhadores ribeirinhos e para isso estamos lutando. que haja discussões exaustivas e decisões consensuadas. como a educação. a concessão de uso deve ser para as pessoas que vivem lá” . Aqui o Mamirauá é exemplo disso.. Agora isso criou outro lado: algumas unidades de Conservação têm recursos naturais que estão gerando renda.. têm claro o que deve ser feito. Esse é um conflito local que as comunidades é que tem que resolver isso.

de amizade e de proposição de políticas. a categoria. só para referendar o que a lei pede e acaba não gerando nenhuma discussão nem da comunidade nem do próprio governo 15. vai acabar se criando um “OBLOGO”. 269 . e portanto não há como questionar . sejam eles dos moradores da UC.14. mas com numero limitado de pessoas: se o Governo tem um representante que a população local tenha outro. 17.. isso é um bom exemplo a se destacar. encaminhar e assumir compromissos... também tenha um acento e assim sucessivamente. propor.. assim como as prefeituras municipais também não as apóiam.) um bom exemplo me parece que as Assembléias das comunidades que tive a oportunidade de participar em Mamirauá e Amaná é um negócio belíssimo de discussão.) o comitê gestor tem que ser enxuto e com pessoas que possam representar os vários anseios. houve sugestão de que os conselhos gestores devam ser paritários. mas as comunidades fazem as suas. Reclassificação – Quem respondeu considerou que as unidades de conservação da região foram fruto de anos de discussão. Bons e maus exemplos de RDS – Quem respondeu à esta questão citou a RDS Mamirauá e RDS Amanã como um bom exemplo.. Me parece este um bom exemplo que temos na região onde a população local da UC pode sentar discutir.). tem muitas coisas que as comunidades aqui assumem e o estado assume as dele. O governo federal criar RESEX por que é o “que tem conhecimento”. Apesar de não haver definição legal. “ (.. se o poder Municipal vai entrar com representante que uma ONG que esteja mais próxima. (. Houve comentários de que o governo estadual cria unidades mas não as assume como deveria. Conselho gestor – Concordam que conselho gestor deve ser composto principalmente pelos moradores e pessoas beneficiadas pela Reserva. Governos estaduais/ governo federal – O que se relatou é que o governo do Amazonas foi quem assumiu esta categoria. Também. monstro que se cria. depois deste esforço. Sem essa questão participativa nem o conselho nem a UC vai funcionar. de convivência. sejam eles dos poderes públicos que vai implementar políticas públicas. pois há muita discussão e envolvimento da população moradora.. enquanto quem sabe sobre RDS é o governo dao Amazonas. inclusive para que ela fosse incorporada no SNUC. para sua criação e implementação. Muitas vezes o Estado acaba não fazendo sua parte. que um não leve vantagem sobre o outro mesmo na questão do conhecimento (. Agora tem que ser uma coisa que garanta a paridade. 16.

Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? Na verdade ainda não parei para formar uma opinião. Que tipos de consulta pública devem ser feitos antes da criação de uma RDS? Torno a frisar que é necessário que toda a sociedade esteja consciente seja envolvida para que saia um consenso. 11. 3. 12. Local da entrevista: Cidade de Uarini Entrevistador: Raimundo Marinho da Silva 1. Tem que haver concordância para que uma reserva der resultados. 270 . Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? É necessário que antes de criar que as comunidades estejam não só preparadas. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Quando a comunidade sente que seus recursos estão sendo ameaçados por alguma atividade. ou abandonados. mas desde que venha a beneficiar a população residente. começasse a preocupar os menores. Quando o comunitário se sente ofendido cria-se essa necessidade imediata. 4. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? Desde que tenha um consenso das pessoas que já vivem lá e decidam que isso pode acontecer. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? A criação só é possível quando a própria comunidade se sente ofendida com a sua capacidade produtiva ameaçada. 10. viver condignamente. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? Propiciar as pessoas que vivem naquele local. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. pecuária extensiva. quais vantagens ou desvantagens dessa situação? Eu diria que não. e não é interessante. Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? A demanda é criada pela escassez ou pela retirada predatória daquilo que a natureza criou. sem degradar aquilo que a natureza lhe propiciou tirando o sustento para sua família. Pode até incluir o turismo desde que não venha a trazer impacto com este empreendimento. ambas são importantes.Entrevistas ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS E DA SOCIEDADE CIVIL: Entrevistado: Adevaldo Antônio Campinas Santos: Secretário de Produção do Município de Uarini. essa deve prever a sustentabilidade das pessoas que vivem lá. 5. 6. Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? Não por questão que já comentei na resposta anterior. a tendência é que o menor trabalhe para o maior. mineração. sem devastar. Data da entrevista: 18 de fevereiro de 2005. O produto começa ficar escasso e a reserva vem favorecer isso. mas conscientes de sua importância de se criar uma reserva. 7. 9. 2. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? Em se tratando de reserva. porque quando se trata de por em uma área de reserva interesses particular. As RDSs permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? Pediu para não responder a primeira questão por não ter conhecimento sobre a mesma. 8.

9. 14. 4. pecuária extensiva. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDSs? Na verdade eu tenho pouco conhecimento sobre a reserva que é dentro deste Município. mineração. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. Deve ter um órgão gestor maior. Entrevistado: Darlene Araújo pereira ( coordenadora da Pastoral da Criança do Município de Uarini) Data da entrevista: 19 de fevereiro de 2005. 13. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? Porque a reserva extrativista é diferente por ser federal. 16. com pequenas coisas para melhorar. enquadrada em outra categoria do SNUC. 12. devido a visita do Presidente . este dá pouca importância para as reservas que cria e não tem interesse por parte dos prefeitos desses Municípios em apoiar. Local da entrevista: Cidade de Uarini Entrevistador: Raimundo Marinho da Silva 1. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? Pode. 5. que seja discutido exaustivamente com a comunidade. quais vantagens ou desvantagens dessa situação?. que veio mais vezes visitar a reserva que mesmo o Governo estadual .13. Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Com a consulta e a participação das pessoas que vivem nela. 2. Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? Não tenho conhecimento sobre isso. 8. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Pode ser a vontade de preservar o meio ambiente. 3. Como deve ser composto seu conselho gestor? Com membros da comunidade que estar sendo beneficiada. eu vejo que o pequeno conhecimento que eu tenho não me permite comentar sobre a reserva. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. 17. Tenho pouco conhecimento. 6. por que as RDSs são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Na verdade eu achava que esta reserva ( Mamirauá) fosse do Governo Federal. 15. Que tipo de consulta pública deve ser feita antes da criação de uma RDS? Pelos moradores e autoridades dos Municípios. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? Não Sabe. Na sua opinião. Não 10. 11. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? Porque é com este desenvolvimento Sustentável que vai trazer melhoria para as comunidades e para o Município. para que se chegue ao consenso. Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Com o povo da reserva 271 . ou o contrário? Não eu acho que o próprio Mamirauá é um grande exemplo. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? Não. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? Na minha opinião a conservação ambiental. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. 7. Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? Não. mas que não seja autoritário. Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? Das comunidades com suas necessidades. As RDSs permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo.

sem os recursos Naturais principalmente na Zona Rural nas comunidades ribeirinhas os ribeirinhos e os povos indígenas. 15. mas a permanência do homem na terra é outro foco que estão aliados. terá futuro. foi a partir da experiência da RDSM é que se constituiu essa proposição para o sistema de Unidade de Conservação. ou obriga a vinda desses povos para a cidade. 17. Como deve ser composto seu conselho gestor? Dever ser composto com as pessoas que moram na reserva. Em determinados cantos do nosso país e Estado. devem ser criadas com dois patamares. mas. digamos. 2. Na sua opinião. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. 16. na verdade é uma categoria nova. a fixação do homem. são os dois objetivos. e tem os dois teor. de vamos criar uma unidade de 272 . Uma das primeiras experiências. pois obriga . Marcio Ayres. e a outra é de fato os recursos naturais. Qual seu conhecimento sobre o histórico de inclusão da categoria RDS no SNUC? A informação que temos discutido no movimento Social na Região de Tefé é que a RDS foi uma proposição do Dr. Data da entrevista: 05 de Março de 2005 Local da entrevista: Cidade de Tefé Entrevistador: Raimundo Marinho da Silva 1. eu destaco que os dois objetivos. a questão da preservação é um foco. ou os povos Indígenas ou ribeirinhos irem para outros lugares. Marcio. mas que representa um trabalho das comunidades ribeirinhas que estão incluídas na Reserva Mamirauá e Amaná para criar essa nova modalidade. para cabeceiras dos grandes rios ou grandes lagos. ou seja. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. Entrevistado: Francisco Aginaldo Queiroz Silva ( Coordenador do Conselho Indigenista Missionário da Região do Médio Solimões). essa história de Qualidade de Vida. das várias modalidades que tem. E que acaba se espalhando por vários cantos dessa região e do País. dos vários tipos que estar se falando. podemos dizer que é uma sugestão de Dr. a questão da presença humana na área que possa garantir a sustentabilidade dos trabalhos. A gente tem acompanhado algumas discussões ao longo desses dois anos aqui na região. Essa Sigla RDS parte dessa região. uma RDS. estão interligados. Uma é a presença do ser Humano. se não tiver uma quantidade de recursos naturais que possa garantir a sobrevivência desses povos. devido sua longa experiência de campo ajudado pela sua equipe técnica. Qual a prioridade de uma RDS: conservação ambiental ou fixação e desenvolvimento dos moradores da área? Eu imagino que sejam as duas coisas. por que as RDSs são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Porque o Governo Estadual tem mais conhecimento da situação do Interior. Porque ou em qual situação criar uma RDS é uma boa alternativa? Eu diria que não estou qualificado tanto para falar disso. que deu origem a RDSM. enquadrada em outra categoria do SNUC. assim como outras modalidades de conservação elas podem ser criadas. a sua disponibilidade em participar desse processo de construção de decretação e de implementação de Políticas.14. e á a partir desse preservação dos recursos Naturais é que as populações ribeirinhas. um estar interligado ao outro. é claro que a conservação ambiental ela é importante é uma meta que as comunidades estão sempre tentando no sentido de poder garantir os recursos naturais. dificilmente essa questão da qualidade de vida. Aí nós chamamos de êxodo rural. ou o contrário? Nessa região eu não conheço. mas que respalda o desejo das comunidades que justamente é a questão do uso dos recursos naturais de forma sustentável. essa questão. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDSs? Não sei explicar. 3.

a própria água e animais e outras coisas. O caso da Amazônia é um pouco diferente. 5. a questão de um recurso natural que não tenha em nenhuma outra parte.unidades e que podem sobreviver disso. dificilmente essa Unidade vai sobreviver. Amaná. esta modalidade estar observando algum aspecto importante e específica daquela região. 6. Isso é importante num primeiro momento. é promover isso. é um pouco diferente. Esse é o modelo que temos aqui. e lá em cima no Jutaí a gente tem Lá as famílias ribeirinhas isoladas. então tem essas duas populações tradicionais é claro que as aldeias indígenas têm uma outra documentação que respalda. os grandes lagos. Qual modo de ocupação humana leva à criação de uma RDS? Aqui eu só tenho experiência visível das populações ribeirinhas e povos indígenas. E me parece que esse compromisso eles são importantes em todas as comunidades. é claro que tem outros aspectos a floresta. a questão de audiências públicas para referendar o 273 . Então eu acho que as prioridades da conservação são aquelas áreas onde tem a população e onde tem ainda recursos que devem ser mantidos para população futuras. que área que tem que ser preservada. eu acho meio contraditório. espalhadas de forma isoladas. técnicos que envolve gente com capacidade Técnica de poder. mas que possa garantir a sobrevivência do futuro. no sistema do SNUC. mas em algumas regiões da Amazônia Brasileira. isso serve também para o movimento social. 4. que também ao longo desses anos tem surgido tem tentado. Porque se não houver um comprometimento das pessoas de manter os recursos naturais de uma forma controlada e de usar esses recursos de maneira formal. se uma ou outra não tiver em consenso o diálogo tem que ser importante. mas algumas estão dentro dessas unidades de RDS. uma é a presença do homem para garantir a implementação de políticas públicas a execução de trabalhos e a questão de conservar aquela área como prioritária para gerações futuras e para as populações que estão no entorno. sem audiências públicas até porque as coisas não eram previstas em Lei. que é a homologação Nacional de reconhecimento Federal. Nós já tivemos momentos duros aqui na região de Tefé onde o Governo do estado criou Unidades de Conservação sem uma discussão. mas não tem mais nada pra conservar. Mamirauá. não tem mais como criar unidades de conservação as pessoas que moravam ali e outras que vieram acabaram de outros cantos destruíram tudo e obrigaram muitas pessoas a sair do seu local de origem e agora querem retornar com as Unidades de Conservação. é claro que cada unidade de Conservação que estar sendo criada. até porque se não tiver o envolvimento da população local dificilmente uma UC na Amazônia brasileira ou em qualquer parte desse país vai sobreviver. Qual situação ambiental leva à criação de uma RDS? Eu poderia repetir que a necessidade de conservar uma área prioritária um bem prioritário. tem uma comunidade dentre e as famílias estão ao longo dos rios. esse pescado gera recursos para as com. Quem cria a demanda para criação de uma RDS? Há necessidade de concordância formal dos moradores / produtores da área? Eu acho que as demandas devem partir das comunidades o envolvimento do povo nessa discussão é extremamente importante. Vivem da pesca de sobrevivência e isso gera recursos no sentido de poder estar proporcionando alimentação para população em torno e para outros Municípios próximos. mas não tem uma noção de fato do que estar se querendo proteger. Os Militares hoje já sobrevivem com outras discussões. e deve servir também para os governos que querem criar UC.conservação. essa história de criar as coisas de cima para baixo é coisa de militar até hoje é coisa de ditadura melhor dizendo. mas a proposta que eu tenho é que se vai criar que se crie com duas concepções lógicas. que são as mais próximas de Tefé que a gente tem conhecimentos mais distintos com as comunidades e as comunidades indígenas. As várias UC aqui da região um dos bens que eu digo que é importante é a questão do pescado. Isso vai partir muito dos estudos Biológicos. muitos companheiros tem dito: vamos criar uma Unidade de Conservação Aqui e tal. Aqui nós temos do meu conhecimento três unidades nesse tipo de modalidade. a questão do diálogo da convivência para definir determinadas estratégias. de outras regiões nós não tenho conhecimento.

Poderíamos perguntar o que tem haver uma Associação de Moradores de Bairro com a criação de uma UC. a modalidade fica sendo de quem impõe. Já chegava com uma proposta formada e o pessoal repassava isso na audiência publica> Me parece ser o item final de uma grande mobilização de um grande envolvimento comunitário. pelo menos a experiência da nossa região são de Unidades Muito grandes. quem se beneficia é a população daquela cidade e os representantes daqueles bairros deve saber o que estar se discutindo. e tem essa particularidade de cada Unidades. mas é o que o pessoal prega. É que muitas vezes as audiências públicas estavam com data marcadas. O governo tem trabalhado na região e nós temos criticado. não são envolvidas. isso atinge quando se cria uma coisa de cima para baixo. na extração de óleos. das de outros lugares onde as Unidades são menores e já as RESEX ela são menores. ter o seu espaço e poder usar. Ela só é um ato público de referencia a uma proposição de UC e eu vejo que é extremamente importante as discussões preliminares. mas devem ser feitas com muita gente e se for necessário mais de uma deve ser feita. em anos anteriores o Governo perdeu algumas discussões. estaduais que estão na região e representantes do povo das várias associações. que envolve as comunidades assim como a discussão dos representantes na audiência pública. como os órgãos municipais e Estaduais e até Federal. tem uns que não querem nem saber de preservação. porque se vier uma posição de cima para baixo. pois ela deve envolver as instituições locais.não sei se é uma diferença. a diferença entre as duas é a questão do uso sustentável. A demanda para sempre partiu do povo. Parece-me que no conjunto do SNUC isso entre uma modalidade e outra as diferenças são mínimas. as experiências com RDS são proposições de pessoas ou de instituições. que ta até muitas vezes fora de seu Município? Eu digo que tem tudo a ver. nós somos bons nisso. mas não teve uma mobilização anterior. levado criticas sérias ao governo tanto estadual como federal. que era adepto de uma ou de outra e se digladiavam e eu fazia parte de um deles desse grupo que havia posições contrárias no processo de RDS por não haver essa participação do povo. querem é destruir. O povo que começa a participar ele tem uma opção. Eu diria que a questão da mobilização deve ser envolvida nessa questão da decretação. Ela também é uma falha que estamos acompanhando.trabalho que possa envolver tanto as comunidades ribeirinhas como as populações tradicionais que não sobrevivem na área como as instituições de entorno. porque uma UC que tem uma área de grande potencial pesqueiro e que abastece muitas vezes num processo de manejo o Município. Agora a RDS eu acredito que ela tenha um teor de proteção. pelo menos é essa experiência que temos por aqui. Quais as diferenças entre RDSs e RESEXs que determinam a escolha para criação de uma ou outra? Eu diria que vai muito da opção da população local se for realmente envolvida. o povo foi contrário a criação de algumas unidades de conservação por falta de mobilização local. o envolvimento a responsabilidade do povo de dar a condição e a participação do Governo propondo e organizando políticas a partir da visão dos comunitários. do próprio governo e as Resex foram proposições das associações comunitárias. outros estão envolvidos e esses que querem saber são colocados de lado. Só que muitas organizações que fazem a consciência que tem opinião. que prever o uso sustentado a participação coletiva os conselhos deliberativos. A questão principal é a garantia de Terras e as duas garantem isso. acaba ninguém participando. essas audiências tem um teor de referendar. exemplo disso as próprias prefeituras. as municipais. o espaço da população que está lá. na Borracha. mais isso já foi minimizado com a questão do SNUC. Que tipos de consulta pública devem ser feitos antes da criação de uma RDS? Eu acho que a consulta pública é essencial e esta deve partir de uma mobilização anterior. 7. de pesquisa de possibilidade ampla e são Unidades grandes. 274 . parece que isso criou no grupo que tinha alguma diferença. são tomadores de decisão. 8. mas tem outras que não. tem também o caso dos trabalhadores locais. uma discussão prévia dos assuntos.

a concessão de uso deve ser para as pessoas que vivem lá. Essa é uma questão que tem que ser discutida no movimento social. Amaná também e Catuá Ipixuna é também exemplo de que as coisas estão melhorando no local e uma vez que isso tem melhorado a qualidade de vida. agora que ta bom você retorna. quais vantagens ou desvantagens dessa situação?. O que esta acontecendo na região ao longo de muito tempo a Amazônia foi depredada.você cria uma inimizade com essas pessoas e esse pessoal são os que tem recursos financeiros. então as pessoas que ficaram agora dizem: quando tava ruim você foi embora. que as pessoas que estão vindo estão descobrindo o que é RDS o que é Preservar. mas essa indenização é quando. embora que a pessoa possa ter sua área resguardada com seus direitos de uso ele tem que respeitar a PM da UC. E ainda tem a história que o Governo vai indenizar. me parece que as populações que estão dentro dessas UCs. com relação a grandes e médias propriedades. Esse é um conflito local que as comunidades é que tem que resolver isso. Nos últimos 10 anos foram criadas UC. Legalmente eu não sei falar sobre isso. o plano de manejo deve deixar claro quais são as atividades que devem 275 . saúde. as madeiras de lei começaram a criar volume e houve fortalecimento da população enquanto organização comunitária. essas sabem o que querem fazer. mas me parece que dentro de uma UC. reflorestamento com exóticas ou turismo convencional? São grandes atividades. E aí quando se criou as UCs e os estoques pesqueiros retornaram.beneficia um grupo de pessoas como trabalhadores ribeirinhos e para isso estamos lutando. 10. aí é outra questão que deve estar no plano de Manejo.9. 12. se há possibilidade ela deve garantir a implementação do plano de manejo da Reserva. Isso obrigou várias famílias saírem para a cidade ou para outros lugares. Aqui o Mamirauá é exemplo disso. e a UC acaba sendo prejudicada por essa falta de harmoniosidade. 11. isso é um trabalho de muita gente. o que ´e Meio Ambiente. Isso eu acho que tem que estar previsto no plano de manejo de cada UC e o governo tem que regulamentar isso.M. Em outras localidades tem gerado um grande esforço coletivo de gerar forças. e que alguns governos estão observando em suas políticas a partir é claro das sugestões das comunidades. essa é uma discussão que deve ser travada até ter base legal para estar resolvendo essas questões. Tem políticas públicas que querem desenvolver por exemplo. como a educação. as Políticas Publicas tem voltado o seu trabalho para as comunidades ribeirinhas que estão em UC. educação ambiental. a questão do manejo Florestal também. da madeira e acabou esgotando os recursos naturais. tem a grande mídia ou são aliados de alguns políticos. Uma RDS comporta médias e grandes propriedades? Isso estar relacionado a questão que a gente estava falando não tenho conhecimento jurídico sobre essa parte fundiária mas a lógica inicial é que as terras devem ser coletivas daquelas comunidades. O manejo de pesca é um projeto grande. Nossa região de Tefé foi muito explorada na questão do pescado. ele quer deixar sua propriedade que construiu ou que herdou. quem ficou no local lutou por essas unidades.você acaba criando outra situação. isso criou outra expectativa para essas pessoas que tinham saído. que vai ser representado pelas comunidades e pelo governo. tem o ponto positivo e o negativo. isso é bom também. pecuária extensiva. tem olhado com mais carinho. ta levando o retorno daquelas famílias para as UC. também tem algumas intenções. Se isso é possível eu não sei. mineração. serve não só para RDS como para outras UC. Será que a pessoa quer sair da área. As RDSs permitem áreas privadas em seu interior? Em caso afirmativo. saneamento básico. Uma RDS pode ter ocupantes recém-chegados à região? Essa é uma outra história que tem que haver uma regulamentação para isso e me parece que o plano de utilização é um dos caminhos que pode colocar isso. mas você tira um outro grupo de pessoas que tem história e um bem. isso cria um teor como a dificuldade de emprego e a geração de renda escassa na cidade. Que tipos de uso podem ocorrer em uma RDS? Pode haver atividades com maior potencial impactante como carcinocultura. Agora isso criou outro lado: algumas unidades de Conservação têm recursos naturais que estão gerando renda. é claro que o Governo como gestor dessas UC. tem que respeitar o P. sobre as propriedades privadas.

de convivência. 14. Agora tem que ser uma coisa que garanta a paridade. o que podemos referendar é os Conselhos Deliberativos para esse modelo sustentável. 13. vai acabar se criando um “OBLOGO”. se o poder Municipal vai entrar com representante que uma ONG que esteja mais próxima. sejam eles dos poderes públicos que vão implementar políticas públicas. Muitas vezes o Estado acaba não fazendo sua parte. a participação da Sociedade principalmente Local é importante que aconteça. ou o contrário? Eu acho que a região de Tefé é a que tem mais UC. sejam ele dos moradores da UC. umas participam mais. ele vai prever isso é a questão da paridade. e existe três Unidades bem distintas e que 276 . não pode colocar. que um não leve vantagem sobre o outro mesmo na questão do conhecimento. isso é um bom exemplo a se destacar. propor. É claro que tem um certo desvio de participação. há essa oscilação e a gente tem que observar. se isso não acontecer é uma instituição que vai acabar dominando propondo tanto para que a U funcione. pois eu não vivo muito nas áreas da RDS. Agora assim citando. comunidades pequenas. Aqui na região alguns grupos como GTA. e as comunidades que estão dentro de sistema de Unidades de conservação. isso é a vida de quem estar dentro da UC e é uma coisa totalmente diferente da outra. isso tem que ficar claro. que cada modalidade estar previsto legalmente. algumas pessoas acham que há brecha no SNUC.tem outros interesses é claro. atividades que possam gerar renda dar sustentabilidade a própria comunidade. 15. O grande colegiado é o essencial hoje para que as coisas funcione. É claro que deve obedecer a um número de pessoas. eu diria que garantir a participação paritária de quem ta lá na UC e de quem vai trabalhar com essas unidades. Existe alguma outra área protegida de seu conhecimento. enquadrada em outra categoria do SNUC. CPT. também tenha um acento e assim sucessivamente. E serve para outros tipos de modalidades. mas as comunidades fazem as suas. outras menos. vamos botar aí os quatro ribeirinhos e indígenas e o resto a gente põe o que a gente queria. O comitê gestor tem que ser enxuto e com pessoas que possam representar os vários anseios. Eu acredito que seja um mal exemplo. de amizade e de proposição de políticas. Agora tem uma outra discussão que a gente poderia ta falando de negatividade por exemplo as grandes invasões de lagos que são patrocinadas por gente de fora. e manter assim um teor de discussão participativa.ser desenvolvidas. encaminhar e assumir compromissos. tem muitas coisas que as comunidades aqui assumem e o estado assume as dele. têm claro o que deve ser feito. que não é preciso ter paridade. Se isso não tiver claro fica difícil para fazer um trabalho e garantir a continuação da implementação. um bom exemplo me parece que as Assembléias das comunidades que tive a oportunidade de participar em Mamirauá e Amaná é um negócio belíssimo de discussão. Quais os bons e maus exemplos de funcionamento de RDSs? Eu não tenho uma coisa bem clara para dizer. milhões de pessoas porque não tem condições de se reunir. 16. Me parece este um bom exemplo que temos na região onde a população local da UC pode sentar discutir. o desejo de que seja paritária. a própria Prelazia tem um discurso meio que afinado. monstro que se cria. tem a questão da água que quando vem leva tudo e as pessoa tem que deixar de participar para cuidar do que restou. Também. essas não são ocasionadas por quem estar dentro da UC. o que é Isso: se o Governo tem um representante que a população local tenha outro. mas essas são conversas que devem ser tomadas com as comunidades e referendadas no plano de Manejo da UC. a gente tem até tido algumas discussões a esse respeito que a região estar recortada por UC. poderia dizer de RESEX. que poderia ser mais eficaz se fosse transformada em RDS. Como deve ser composto seu conselho gestor? O conselho Gestor acho que já estar claro no SNUC. Sem essa questão participativa nem o conselho nem a UC vai funcionar. onde tenho mais convivência. CNS. Como deve ser feita a gestão de uma RDS? Isso ta previsto já no SNUC. só para referendar o que a lei pede e acaba não gerando nenhuma discussão nem da comunidade nem do próprio governo. pois tem comunidades grandes. o que pode e o que não pode.

Mas olhando a participação do governo não foi clara. a questão da RDS e as RESEX. que é uma autarquia da SDS. Se a gente tem essa modalidade no SNUC tem que se referendar que o Governo do Estado assumiu essa responsabilidade. os governos Municipais têm buscado criar essa modalidade de RDS. E no estado do Amazonas.acabam sendo de uso sustentado: que é a FLONA. 17. anteriormente discutidas. Estamos discutindo se isso é bom. a população sabe porque quer. mas que envolveu os municípios as autoridades institucionais. Temos a menor UC. por que as RDSs são mais criadas pelos governos estaduais do que pelo governo federal? Isso vai muito de quem optou. Marcio. da própria SCM hoje IDSM. Você está lá há quanto tempo? 277 .ético da parte de quem esta propondo fazer isso. mas quando foi para referendar essa modalidade. Na sua opinião. se pode ter outras áreas. a gente dizer a vamos trocar fulano de Tal por uma RDS é fugir de uma realidade local e é também anti. Então toda uma discussão acadêmica e científica foi feita e é claro que o governo do estado do Amazonas assumiu essa responsabilidade. os governadores e outros mostraram seu interesse político de que fosse considerado na questão do SNUC e eu diria que isso serve de embasamento teórico para outros Estados. tem duas discussões bem feitas que é a de CUJUBIM-JUTAÍ e a do PURUZ que foi outra UC criada. nenhuma unidade aqui da região demorou menos de três anos para ser criada. mas é um modelo de ocupação de terra de preservação da Natureza. os Municipais e é claro os Estaduais. Isso da um teor de discussão que foi travada durante este ano. São coisas que o Governo do Estado tem proposto. não é bem assim o GF tem sua especificidade tem um pessoal certo. Isso é novo na região. e a própria infra-estrutura que essas UC não tem e que deveriam ter e estão se constituindo ao longo dos anos. mas é claro que o Estado é que assumiu a responsabilidade. A população local antes de partir para uma modalidade de UC que quer. demorou muito tempo. que foi criada com menor espaço de tempo foi a RESEX de Catuá que demorou seis anos para ser criada. O que ta se vendo em outras regiões é que há uma discussão bem forte para que o estado assuma sua responsabilidade e o Governo Federal ele já tem uma modalidade que gosta de assumir que tem experiência na área. pois as discussões já foram travadas. A questão da RDS foi assumida pelo Governo do Estado. Existe agora uma modalidade chamada assentamento que é patrocinado pelo INCRA e é outro modelo que eu não sei se o SNUC regulamenta. e tem certas críticas sobre o que vai ser implementado. Entrevistado: Marcelo Marchesini – Diretor Técnico da Autarquia Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Estado do Amazonas Data da entrevista: 10/11/2004 Local da entrevista: Manaus Entrevistador: Renato Sales Renato: Você é diretor técnico da Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis. mas o INCRA tem sua regulamentação. dizendo olha no Estado do Amazonas nós temos essa experiência e queremos que seja colocada no SNUC. é claro que teve uma proposição do Dr. dizendo vocês vão assumir por que a gente ta querendo. pois a população já fez grandes discussões a esse respeito.. nós temos acompanhado e tem menos de um ano. convidados. mas isso é que referenda toda uma discussão a nível de Governo. também não vamos criar assim . Eu não teria nenhuma condição de dizer vamos trocar uma RESEX por uma RDS porque essa é melhor. Foram discussões que envolveram Governos. Isso foi uma discussão que demorou muito e em uma ou outra na elaboração do SNUC nós fomos consultados mas sobre RESEX que era a que a gente tinha como experiência local. Por outro lado tem as pessoas que são boas naquilo que sabem fazer então não vai se meter em outras coisas em outras tarefas.

. depende do caso. Esse tipo é mais agricultor pescador ou pecuarista e pescador do que propriamente extrator. normalmente se chega com a proposta de RDS. eu não tenho esse quadro com detalhes. mesmo assim o governo do Amazonas está agindo assim. eles optam por qualquer uma das duas. Renato: Você acha que o modo de ocupação é determinante para a criação de uma RDS? O tipo de população. eu acho que deva ser. desde que se crie. Eu acredito que tenha outras regiões do próprio estado em que o estado levou a proposta. áreas principalmente como a várzea do Amazonas em que você tem búfalos em 100 ou 200 hectares. está solicitando uma manifestação formal dos moradores. Eu fui um dos que ajudou a 278 . não há um trabalho anterior de esclarecimento desses dois tipos de reserva. No caso do Amazonas. Mas na situação de ter agricultura. o tipo de atividades que eles desenvolvem é determinante para que você escolha que seja uma RDS? Marcelo: Essa pergunta é muito geral. as pessoas que estão no estado se sentem mais confortáveis de propor RDS. Renato: Chegam propondo RDS sem discutir muito? Marcelo: Sem discutir muito. ele não está muito bem capacitado para também propor Resex. Então varia muito. Em alguns casos sim. Renato: Para você qual é a situação que leva à criação de uma RDS? Marcelo: A primeira situação é a demanda da própria população. em Manicoré onde o estado vai criar uma série de UCs. porque vai ser menos conflituoso na hora de elaborar o plano de gestão e discutir o zoneamento da reserva. para outros não porque você tem situações em que eles são extrativistas mas por n razões acham que RDS é melhor para eles do que a Resex. Têm algumas pessoas.Marcelo: Seis meses. acho que tinha que pender pra RDS e não pra Resex. nenhuma. Marcelo: O estado em algumas situações que eu conheço tem partido a partir da demanda. Na minha opinião a RDS deveria ter seu zoneamento e sua zona intangível. Agora. foi verbalmente: “Façam a solicitação”. Como tem o modelo e uma grande experiência histórica com Mamirauá. Renato: O estado quando está criando as RDSs. Como a gestão das RDSs não está a cargo da agência. Renato: A situação ambiental de uma área pode ser determinante para criar uma RDS? Marcelo: Também. como é o caso para as Resexs? Marcelo: Alguns casos eu vi que não foi solicitado formalmente. pequenos produtores. diferente da Resex. como as Resex e todas as outras UCs. Acabei de voltar de Apuí. isso acontece tanto no Pará como no Amazonas. E normalmente o estado se antecipa. Renato: Você conhece um pouco o histórico de inclusão dessa categoria no SNUC? Você tem alguma avaliação? Marcelo: Não.. O governo tem a preocupação de propor a reserva. Inclusive estamos com algumas delas na secretaria. Como a comunidade quer uma reserva e sabe que tanto a RDS quanto a Resex é para comunidades. Então eu acho que para alguns casos sim. já chegando com a proposta de RDS. houve uma audiência pública e isso ficou claro. onde você tem pequenos agricultores ou pecuaristas. Renato: O SNUC não fala que uma RDS precisa ser criada a partir da demanda da população. menos de 10% deles que tem o mínimo de conhecimento e que optam por uma das duas categorias. o que eu tenho notado é que a população não diferencia RDS de Resex. Mas.

Renato: Você vê alguma vantagem. que é com quem eles têm relação. porque boa parte deles é quem está envolvido com a grilagem. Eles querem uma reserva.. Aí o proprietário decide que o madeireiro é o cara que vai cortar na terra dele. onde foi apresentada a proposta. e pra maioria tanto faz se é RDS ou Resex. você pode chegar à conclusão de que aquilo não é um título verdadeiro. Se for fazer uma investigação pesada. o IBAMA vai criar Resex. A outra coisa são os títulos. No entanto. eles foram divididos em grupos por calha de rios para que cada um dissesse como está a sua relação com a área. então vai ter área