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“Os portugueses podem ficar tranquilos com o estado do país. Flutua!

Sempre estivemos habituados a ver Portugal de certa forma, rodeado pelo mar, pela água. Fazemos
parte de uma península que, por definição, requer a existência de uma extensão de terra cercada por água por
quase todos os lados, com a exceção de uma parte que a liga, no caso concreto da Península ibérica, ao resto
do continente europeu.
O facto de dividirmos esta situação com a nossa vizinha Espanha, deixa-nos descansados pois
sentimo-nos protegidos e amparados. Mas a situação muda e de repente achamo-nos sozinhos, à deriva, sem
nada onde nos agarrar e sem ninguém para nos proteger.
O colchão de ar, com a forma e as cores da nossa nação, apenas flutua, vai com a corrente sem
qualquer vontade própria, é arrastado sem nunca conseguir tomar as rédeas da situação.
E quando tudo parece estar perdido temos o nosso kit de sobrevivência que é nem mais nem menos
uma bola de praia e uns óculos de mergulho. Não fosse Portugal a estância balnear dos nossos amigos
ingleses, nem eu chegaria ao significado desta bola, tão fundamental nos serões dos nossos turistas nas belas
praias que tanto caracterizam este país. Vamos sobrevivendo com o turismo balnear que todos os anos nos
dá aquela força e aquela energia extra para soprarmos com o objetivo de encher o colchão que já estava a
vazar ou então para taparmos uns quantos buracos deixados pelos nossos políticos que dizem saber governar
o nosso país da forma devida. Porém os óculos, estes sim, estes são o mais importante, estes permitem-nos
sonhar porque enquanto há vida há esperança e nada melhor que um mergulho para nos aclarar a mente. Este
objeto mostra-nos para além daquilo a que estamos condenados e traz-nos a ilusão de que tudo irá correr
bem.
O nosso repórter pós-moderno dá-nos notícias sobre o estado da nossa nação e, neste momento, já me
estou a teletransportar, de forma nostálgica, para os jantares em família em que todos assistimos às últimas
novidades sobre o país. E isto deixa-nos seguros pois é impensável concluir que os repórteres e os jornalistas
nos mentem. As notícias em Portugal movem a população que acredita piamente em tudo o que é
transmitido sem nunca duvidar por um instante.
A mudança é urgente. Vivemos num país envelhecido, em que a maior parte da população se
acomodou ao facto de a nossa nação ser um país “pequenino” e com “pouca influência”, mas a verdade é
que depende de cada um de nós o futuro deste país.
A importância e a contribuição dos jovens para este futuro é cada vez maior e, quando o nosso
jornalista nos diz que o país “ainda flutua”, mostra-nos que ainda nos podemos agarrar a algo, ainda
podemos ter esperança. E neste caso, a juventude terá um papel crucial no resgate da nossa nação. Isto
acontece porque, são estes que demonstram uma enorme vontade de mudar a sociedade, deixá-la à sua
imagem. O espírito inovador e a capacidade crítica desta juventude não lhes permite ignorar a decadência da
sociedade que os rodeia e desta forma, através da influência que estes podem exercer sobre o
comportamento das gerações que lhes antecedem, deverão contribuir para a reforma da sociedade que
sempre foi condenada pela sua falta de iniciativa e ousadia.
Algumas das áreas de possível transformação teriam sempre de se focar na mudança de mentalidades
e esta mudança teria de se contemplar em vários momentos na vida da população, nos diversos grupos na
sociedade e ainda no contexto escolar onde se formam e aperfeiçoam as mentalidades e o pensamento crítico
do amanhã da uma sociedade.