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ASTEC - WMO

TREINAMENTO EM BOBINAGEM

Capacitação para Rede de Assistentes Técnicos

Instrutor: André Ricardo Maffezzolli

2017
Leitura e Interpretação de Esquemas de Bobinagem – Astec 2017

ÍNDICE

1 GRANDEZAS ELÉTRICAS .......................................................................................... 4


1.1 RESISTÊNCIA ELÉTRICA ...................................................................................... 4
1.2 TENSÃO ELÉTRICA ............................................................................................... 6
1.3 CORRENTE ELÉTRICA .......................................................................................... 7
1.3.1 Corrente Elétrica Contínua (CC) .................................................................... 8
1.3.2 Corrente Elétrica Alternada (CA) ................................................................... 8
1.4 FREQUÊNCIA ......................................................................................................... 9
2 TERMINOLOGIA DE BOBINAGEM ........................................................................... 10

3 CARACTERÍSTICAS DO ENROLAMENTO ............................................................... 18


3.1 TIPOS DE ENROLAMENTO ................................................................................. 18
3.1.1 Enrolamento Concêntrico ............................................................................. 18
3.1.2 Enrolamento Imbricado ................................................................................ 19
3.2 POSICIONAMENTO NO ESTATOR ..................................................................... 19
3.3 TIPOS DE CAMADA ............................................................................................. 20
3.3.1 Camada Única ................................................................................................ 20
3.3.2 Camada Dupla ............................................................................................... 21
3.3.3 Camada Mista ................................................................................................ 22
3.4 ASSOCIAÇÃO DE GRUPOS DE BOBINA ............................................................ 25
3.4.1 Interligação em Série .................................................................................... 25
3.4.2. Interligação em Paralelo .............................................................................. 26
3.5 FORMAÇÃO DE PÓLOS ...................................................................................... 28
3.5.1. Interligação POR PÓLOS (PP) ..................................................................... 28
3.5.2. Interligação POR PÓLOS CONSEQUENTES (PC) ...................................... 29
4 MOTOR TRIFÁSICO ................................................................................................... 33
4.1 VELOCIDADE SÍNCRONA (NS) ............................................................................ 33
4.2 CODIFICAÇÃO DOS ESQUEMAS TRIFÁSICOS ................................................. 34
4.3 SISTEMA DE NUMERAÇÃO PARA MOTORES TRIFÁSICOS ............................ 35
4.4 SISTEMÁTICA PARA DESENHAR ESQUEMAS TRIFÁSICOS ........................... 36
4.5 TIPOS DE LIGAÇÃO PARA MOTORES TRIFÁSICOS......................................... 41
4.5.1 Ligação 12 cabos (Y / / YY / )............................................................. 41
4.5.2. Ligação 9 cabos (Y / YY) .............................................................................. 42
4.5.3. Ligação 9 cabos ( / )........................................................................... 43
4.5.4. Ligação 6 cabos (Y / ) ............................................................................... 44
4.5.5 Ligação 3 cabos (Y) ....................................................................................... 45
4.5.6 Ligação 3 cabos ( )...................................................................................... 46
4.6 MOTOR DE DUAS VELOCIDADES ...................................................................... 47
4.6.1 Motor de Enrolamentos Independentes: ..................................................... 47
4.6.2 Motor Dahlander ............................................................................................ 48
5 MOTORES MONOFÁSICOS ...................................................................................... 49
5.1 VELOCIDADE SÍNCRONA (NS) ............................................................................ 49
5.2 CODIFICAÇÃO DOS ESQUEMAS MONOFÁSICOS ............................................ 50

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5.3 SIMBOLOGIA E ESPECIALIDADES PARA ESQUEMAS MONOFÁSICOS ......... 51


5.4 SISTEMA DE NUMERAÇÃO PARA MOTORES MONOFÁSICOS ....................... 52
5.5 SISTEMÁTICA PARA DESENHAR ESQUEMAS MONOFÁSICOS ...................... 53
5.6 TIPOS DE LIGAÇÃO PARA MOTORES MONOFÁSICOS ................................... 58
5.6.1. Ligação Dupla Tensão / Duplo Sentido ...................................................... 58
5.6.2. Ligação Dupla Tensão / Sentido Horário .................................................... 58
5.6.3. Ligação Dupla Tensão / Sentido Anti-horário ............................................ 59
5.6.4. Ligação Tensão Única / Duplo Sentido ...................................................... 59
5.6.5. Ligação Tensão Única / Sentido Horário .................................................... 60
5.6.6. Ligação Tensão Única / Sentido Anti-horário ............................................ 60
5.7 LIGAÇÃO EQUILIBRADA ..................................................................................... 61
5.8 MOTORES COM ESPIRAS INVERTIDAS (SPLIT-PHASE) ................................. 62
5.9 SENTIDO DE BOBINAGEM .................................................................................. 63
5.9.1 Sentido 100 .................................................................................................... 63
5.9.1. Sentido 101 ................................................................................................... 63
6 MOTORES MONOFÁSICOS PARA ELETRODOMÉSTICOS (LINHA BRANCA) ..... 64
6.1. CODIFICAÇÃO DOS ESQUEMAS....................................................................... 64
6.2. POSICIONAMENTO DAS FASES ....................................................................... 64
6.3. POSICIONAMENTO DOS GRUPOS ................................................................... 65

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1 GRANDEZAS ELÉTRICAS

1.1 RESISTÊNCIA ELÉTRICA

Resistência é uma grandeza elétrica que reflete a força com a qual os elétrons estão
ligados ao átomo.
Em um material dito condutor, a força com que os elétrons estão ligados ao núcleo é
muito pequena, o que permite o deslocamento de muitos elétrons ao longo do material.
Como exemplo de condutores, podemos citar:

Filamento dos cabos

Vergalhão de cobre

Terminais Fio das bobinas

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Em um material dito isolante, a força com que os elétrons estão ligados ao núcleo é
muito grande, o que permite que poucos elétrons circulem ao longo do material. Como
exemplo de isolantes, podemos citar:

Proteção dos terminais


Revestimento dos cabos

Fech. de ranhura

Proteção do termostato

Plug de conexão

Placa de bornes Fundo de ranhura Termo-contrátil de proteção

Podemos concluir que:


Resistência Elétrica é a dificuldade dos elétrons passarem no material.

A unidade de medida de resistência elétrica é o Ohm (Ω) e o aparelho destinado á


medir a resistência de um material é o Ohmímetro.

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1.2 TENSÃO ELÉTRICA

Na natureza existe uma força que atua sobre os elétrons chamada de força
eletromotriz. Esta força é responsável pela circulação dos elétrons ao longo de um
material, reestabelecendo o equilíbrio elétrico do material.
Esta circulação de elétrons em um fio condutor, por exemplo, resultará em alguns
efeitos elétricos que já estamos habituados, como o brilho de uma lâmpada, o calor de
um ferro elétrico e o aquecimento da água no chuveiro.
No entanto, para que estes efeitos elétricos perdurem será necessário que haja um
desequilíbrio elétrico constante entre as extremidades deste condutor.
Este desequilíbrio pode ser obtido de forma constante através de fontes geradoras, tais
como pilhas, baterias, alternadores, dínamos e geradores.
As fontes geradoras produzem, sobre um material, uma força constante:

Esta força eletromotriz produz o deslocamento dos elétrons da extremidade 1 para a


extremidade 2 do material, deixando o mesmo sempre em desequilíbrio elétrico.
Podemos concluir que:
Tensão Elétrica é a força que movimenta os elétrons.

A unidade de medida de tensão elétrica é o volt (v) e o aparelho destinado á medir a


Tensão elétrica é o Voltímetro.

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1.3 CORRENTE ELÉTRICA

Como sabemos, os materiais condutores possuem elétrons que podem se deslocar com
facilidade ao longo de todo o material, porém este movimento ocorre de forma
desordenada.
Note que, no circuito 1 não há a circulação de elétrons pelo fio condutor, pois o mesmo
não está submetido a nenhuma tensão elétrica.

Circuito 1 Circuito 2
No entanto, ao conectarmos o plugue na tomada (circuito 2), a tensão existente entre as
extremidades do fio condutor fará com que os elétrons passem a se movimentar de
forma ordenada, produzindo o efeito incandescente no filamento da lâmpada.
Todo material, quando percorrido por uma corrente elétrica, provoca algum tipo de
efeito elétrico. Os efeitos mais comuns são:

Efeito Térmico Efeito Luminoso Efeito Magnético


Podemos concluir que:
Corrente Elétrica é o movimento ordenado dos elétrons.
A unidade de medida de corrente elétrica é o ampere (A) e o aparelho destinado á
medir a corrente elétrica é o Amperímetro.

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1.3.1 Corrente Elétrica Contínua (CC)

Na corrente contínua os elétrons se movimentam somente em um sentido e com


intensidade constante. Observe:

Como exemplo de fontes de corrente contínua temos a bateria de automóvel e as pilhas


de consumo em geral.

1.3.2 Corrente Elétrica Alternada (CA)

Na corrente alternada o movimento dos elétrons é oscilante, ou seja, em um instante


caminham em um sentido e, no instante seguinte caminham no sentido contrário.
Observe:

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1.4 FREQUÊNCIA

A inversão completa da corrente determina a formação de um ciclo:

Para determinarmos a frequência em uma corrente alternada, devemos considerar um


intervalo de tempo de 1 segundo. Observe:

No primeiro gráfico verificamos a existênca de dois ciclos completos no intervalo de 1s,


o que resulta em uma frequência de 2 Hz.
Já o segundo gráfico apresenta a existência de 5 ciclos completos no mesmo intervalo
de 1s, resultando em uma frequência de 5Hz.
A frequência de rede utilizada no Brasil é de 60Hz.
Podemos concluir que:
Frequência é o número de ciclos completos no intervalo de 1 segundo.

A unidade de medida da frequência é o hertz (Hz) e o aparelho destinado á medir a


frequência de rede é o Frequencímetro.

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2 TERMINOLOGIA DE BOBINAGEM

As terminologias de bobinagem são utilizadas para padronizar a interpretação e facilitar


a comunicação entre as indústrias de todo o mundo.
As terminologias usadas em bobinagem são:

• Espira: Uma volta do fio ao redor do modelo, independente do número de fios em


paralelo.

• Bobina: Várias espiras do mesmo tamanho insertadas na mesma ranhura.

Simbologia

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• Grupo: Várias bobinas ligadas em série.

Simbologia
Grupo formado por 3 bobinas

Simbologia

Grupo formado por 2 bobinas

Simbologia
Grupo formado por apenas 1 bobina

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• Fase: Vários grupos interligados.

Fase composta por 2 grupos com 3 bobinas cada.

Simbologia

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• Motor Monofásico: é o motor utilizado em linhas de eletrodomésticos e máquinas


de uso comercial (bombas, compressores, etc.). Possui duas fases diferenciadas:
principal e auxiliar

• Motor Trifásico: é o motor utilizado nas indústrias, onde a rede de alimentação é


trifásica, para aplicações onde é exigida uma maior potência. Possui três fases
diferenciadas: R – S – T ou U – V – W.

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• Passo: Distância em ranhuras entre os dois lados da mesma bobina.

Passo 1:4

Passo 1:6

Passo 1:8

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Exercícios de Fixação

1. Defina, com suas próprias palavras:


a) Resistência Elétrica:

b) Tensão Elétrica:

c) Corrente Elétrica:

2. Analise as questões abaixo e assinale “V” para as verdadeiras e “F” para as que
estiverem falsas:

a) ( ) O material condutor conduz a corrente elétrica com facilidade.


b) ( ) A unidade de medida da corrente alternada é o Hertz.
c) ( ) O fio de cobre, os terminais e os tubos isolantes são exemplos de condutores.
d) ( ) Os isolantes apresentam alta resistência á passagem da corrente elétrica.
e) ( ) A unidade de medida de tensão elétrica é o volt.
f) ( ) A presença de corrente elétrica está diretamente ligada á presença de tensão.
g) ( ) O material condutor oferece baixa resistência á passagem da corrente elétrica.
h) ( ) Corrente elétrica é o movimento corriqueiro dos elétrons.
i) ( ) A unidade de medida da resistência elétrica é o ampere.
j) ( ) Tensão elétrica é a força que movimenta os prótons.

3. Defina, com suas próprias palavras:


a) Espira:

b) Bobina:

c) Grupo:

d) Fase:

e) Passo:

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4. Analise cada simbologia e escreva seu significado:


a) b)

5. Observe os esquemas e identifique os passos correspondentes:


a)

Passo:
b)

Passo:
c)

Passo:

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6. Desenhe os grupos de bobina de acordo com o passo correspondente:


a) Passo – 1:6 (4 grupos)

b) Passo – 1:6:8 (4 grupos)

c) Passo – 1:6:8:10:12 (2 grupos)

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3 CARACTERÍSTICAS DO ENROLAMENTO

Os enrolamentos apresentam particularidades que influenciam diretamente no


desempenho do motor. Por isso, algumas características devem ser analisadas durante
o projeto do motor, de modo á obter o máximo em rendimento e versatilidade.

3.1 TIPOS DE ENROLAMENTO

3.1.1 Enrolamento Concêntrico

O enrolamento concêntrico é composto por grupos onde as bobinas possuem passos


diferentes, acomodando-se uma por dentro da outra sem que haja cruzamento entre as
cabeças de bobina. Este tipo de enrolamento é utilizado tanto em motores trifásicos
quanto em motores monofásicos.

Enrolamento Concêntrico

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3.1.2 Enrolamento Imbricado

No enrolamento Imbricado as bobinas possuem o mesmo passo, sendo portanto


confeccionadas no mesmo tamanho. Visualmente, podemos perceber o cruzamento
das cabeças de bobina do mesmo grupo. Este tipo de enrolamento é utilizado somente
em motores trifásicos.

Enrolamento Imbricado

3.2 POSICIONAMENTO NO ESTATOR

Nos motores Monofásicos os grupos de bobina são inseridos por fases, o que facilita a
reposição da fase Auxiliar em caso de queima.
Nos motores Trifásicos os grupos de bobina podem ser inseridos por fases ou de forma
sequencial, dependendo do projeto do motor.

Enrolamento por Fases (trifásico e monofásico) Enrolamento Sequencial (somente trifásico)

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3.3 TIPOS DE CAMADA

3.3.1 Camada Única

O enrolamento é considerado camada única quando cada ranhura é ocupada por


somente um lado de bobina.

Camada Única
Nos motores monofásicos, somente a fase principal deve ser classificada, uma vez que
os cruzamentos entre principal e auxiliar na mesma ranhura não considerados.

Motor Monofásico com camada única

Nos motores Trifásicos, cada ranhura deve ser preenchida com somente um lado de
bobina, sem exceções.

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3.3.2 Camada Dupla

O enrolamento é considerado camada Dupla quando cada ranhura é ocupada por dois
lados de bobina.

Camada Dupla
Nos motores monofásicos, a ranhura deve ser preenchida por dois lados de bobina da
fase principal.

Motor Monofásico com camada Dupla

Nos motores Trifásicos, todas as ranhuras devem estar preenchidas com dois lados de
bobina.

Motor Trifásico com camada Dupla

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3.3.3 Camada Mista


O enrolamento é considerado camada mista possuir no mesmo motor ranhuras
preenchidas com camada única e com camada Dupla.

Camada Mista (camada única + camada dupla)

Este tipo de enrolamento somente é encontrado nos motores trifásicos, devido a


necessidade de defasagem elétrica entre as fases.

Motor Trifásico com camada Mista

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Exercícios de Fixação

1. Observe os esquemas e identifique o que se pede:


a)

Passo: Tipo de Camada:


b)

Passo: Tipo de Camada:


c)

Passo: Tipo de Camada:

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2. Observe os esquemas e responda as questões:

a) Tipo de Enrolamento: ( ) Concêntrico ( ) Imbricado


b) Tipo de Motor: ( ) Monofásico ( ) Trifásico
c) Tipo de Camada ( ) Única ( ) Mista ( ) Dupla

a) Tipo de Enrolamento: ( ) Concêntrico ( ) Imbricado


b) Quantidade Bobinas por grupo: _____________
c) Passo: _________________

a) Tipo de Motor: ( ) Monofásico ( ) Trifásico


b) Tipo de Camada ( ) Única ( ) Mista ( ) Dupla
c) Quantidade de Grupos por fase: _______________

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3.4 ASSOCIAÇÃO DE GRUPOS DE BOBINA

3.4.1 Interligação em Série


A interligação de grupos em série caracteriza-se por oferecer um único caminho á
passagem da corrente elétrica, ou seja, a saída de um grupo de bobinas é interligada á
entrada do grupo seguinte:

Interligação de Grupos em Série (motor 8 pólos)

Interligação de Grupos em Série (motor 4 pólos)


As características de uma interligação em série são:
• A intensidade de corrente elétrica é exatamente igual em qualquer ponto da fase;
• Interrompendo-se a corrente em qualquer grupo de bobinas, toda a fase se desligará;
• A tensão da fase fica dividida igualmente em todos os grupos de bobina;
• A resistência total é igual a soma das resistências de todos os grupos de bobina.

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3.4.2. Interligação em Paralelo


A interligação de grupos em Paralelo caracteriza-se por oferecer dois ou mais caminhos
á passagem da corrente elétrica. Neste caso, cada grupo de bobina é alimentado de
forma independente:

Interligação de Grupos em Paralelo

Interligação de Grupos em Paralelo (2x paralelo)

Interligação de Grupos em Paralelo (3x paralelo)

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Interligação de Grupos em Paralelo (4x paralelo)

Interligação de Grupos em Paralelo (4x paralelo)

Interligação de Grupos em Paralelo (6x paralelo)


As características de uma interligação em paralelo são:
• A tensão em cada grupo de bobina é exatamente igual;
• A corrente total do circuito é dividida igualmente para todos os grupos de bobina;
• A interrupção de corrente em um grupo não afeta os demais;
• A resistência total é igual à soma dos inversos das resistências de cada grupo.

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3.5 FORMAÇÃO DE PÓLOS

3.5.1. Interligação POR PÓLOS (PP)


Na interligação de grupos por pólos a quantidade de pólos é igual á quantidade de
grupos por fase (G/F), independente se estes grupos forem interligados em série ou
paralelo:

Motor 2 pólos – 2 G/F – Interligação Série

Motor 2 pólos – 2 G/F – Interligação Paralelo

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3.5.2. Interligação POR PÓLOS CONSEQUENTES (PC)


Na interligação de grupos por pólos consequentes a quantidade de pólos é o dobro da
quantidade de grupos por fase (G/F), independente se estes grupos forem interligados
em série ou paralelo:

Motor 4 pólos – 2 G/F – Interligação Série

Motor 4 pólos – 2 G/F – Interligação Paralelo

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Exercícios de Fixação

1. Explique a diferença entre enrolamento concêntrico e Imbricado:


R:

2. Defina, com suas próprias palavras:


a) Camada Única:

b) Camada Dupla:

c) Camada Mista:

3. Quais são as características de uma interligação em Série?


R:

4. Quais são as características de uma interligação em Paralelo?


R:

5. Defina, com suas próprias palavras:


a) Interligação POR PÓLOS (PP):

b) Interligação POR PÓLOS CONSEQUENTES (PC):

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6. Desenhe os grupos de bobina e efetue a ligação solicitada:


a) Motor 2 pólos
3 B/G – 2 G/F
Interligação Série

b) Motor 6 pólos
2 B/G – 3 G/F
Interligação Série

c) Motor 8 pólos
1 B/G – 8 G/F
Interligação Série

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d) Motor 4 pólos
3 B/G – 2 G/F
Interligação Paralela

e) Motor 2 pólos
4 B/G – 2 G/F
Interligação Paralela

f) Motor 6 pólos
2 B/G – 3 G/F
Interligação 3xParalela

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4 MOTOR TRIFÁSICO

O motor elétrico é uma máquina de construção simples e robusta destinada á


transformação de energia elétrica da rede de distribuição em energia mecânica de
rotação na ponta do eixo.
O motor trifásico é composto por três fases (R, S e T) com grupos de bobinas
exatamente iguais, distribuídos simetricamente no estator. Cada fase é defasada em
120° em relação á outra, promovendo um fenômeno conhecido como campo elétrico
girante.

4.1 VELOCIDADE SÍNCRONA (NS)

A velocidade síncrona do motor é definida como a velocidade de rotação alcançada


pelo campo elétrico girante, a qual varia em função da polaridade do motor e da
frequência da rede:

F . 120
RPM =
N° pólos
Rotações por minuto (RPM)
Polaridade 50 Hz 60 Hz
Em vazio Com carga Em vazio Com carga
2 3.000 2.950 3.600 3.560
4 1.500 1.440 1.800 1.730
6 1.000 960 1.200 1.150
8 750 700 900 860

Nos motores assíncronos de corrente alternada, que são os mais utilizados atualmente,
percebe-se uma sensível queda na rotação quando o mesmo está submetido á uma
carga de trabalho. No entanto, para a maioria das aplicações esta perda de rotação não
influencia no funcionamento da máquina ou equipamento.

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4.2 CODIFICAÇÃO DOS ESQUEMAS TRIFÁSICOS

O código dos esquemas trifásicos e composto por informações referentes ás


características do motor, que podem ser facilmente interpretados de acordo com os
critérios abaixo:
Esquema: 36-004-10/111-NA

36 – 004 – 10 / 1 1 1 – N A
1° 2° 3° 4° 5° 6° 7° 8°
1° = Número de ranhuras do estator;
2° = Polaridade do motor;
3° = Passo médio do enrolamento;

4° = Tipo de interligação:
1 - Interligação Série;
2 - Interligação Paralela;
3 - Interligação 3xParalela;
4 - Interligação 4xParalela;

5° = Tipo de Camada:
1 - Camada Única;
2 - Camada Dupla;
3 - Camada Mista;

6° = Tipo de Enrolamento:
1 - Concêntrico;
2 - Imbricado;

7° = Sentido de Rotação:
N - Horário;
A - Anti-horário;

8° = Quantidade de Cabos:
A - 12 cabos (Y / YY / / )
B - 9 cabos (YY);
C - 9 cabos ( )
D - 6 cabos (Y / )
E - 3 cabos (Y)
F - 3 cabos ( )

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4.3 SISTEMA DE NUMERAÇÃO PARA MOTORES TRIFÁSICOS

O sistema de numeração para motores trifásicos varia principalmente de acordo com a


tensão e segue um padrão de 3, 6, 9 ou 12 cabos. Por exigência de alguns clientes, a
WEG vem comercializando alguns motores com cabos coloridos.
O padrão adotado pela WEG é descrito na tabela abaixo:

TABELA DE EQUIVALÊNCIA

NORMA

Vermelho
Amarelo
Laranja
Branco

Tijolo

Cinza
Preto

Rosa
Azul

NEMA T1 T2 T3 T4 T5 T6 T7 T8 T9 T10 T11 T12

IEC U1 V1 W1 U2 V2 W2 U3 V3 W3 U4 V4 W4

JIS U1 V1 W1 U2 V2 W2 U5 V5 W5 U6 V6 W6

Onde:
NEMA (National Electrical Manufacturers Association) – Norma Americana
IEC (International Electrothecnical Commission) – Norma Européia
JIS (Japanese International Standarts) – Norma Japonesa
A numeração dos cabos é distribuída para as fases de forma sequencial, de acordo
com a tabela abaixo:

Fases R S T

Início T1 T2 T3
1°metade
Final T4 T5 T6

Início T7 T8 T9
2°metade
Final T10 T11 T12

Note que, cada numeração de cabo é correspondente á uma fase, facilitando a


identificação e a interligação das fases do motor.

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4.4 SISTEMÁTICA PARA DESENHAR ESQUEMAS TRIFÁSICOS

Para obtermos o máximo de desempenho no motor é necessário posicionarmos


corretamente cada grupo de bobina, de modo que os mesmos fiquem simetricamente
distribuídos.
• Cálculo de Distribuição: Utilizado para o posicionamento dos grupos de bobina no
estator, de modo que fiquem simetricamente distribuídos pela fase.

N° R (número de ranhuras)
D =
N° G/F (número de grupos por fase)

• Cálculo de Defasagem: Utilizado para estabelecer a distância (em ranhuras) em


que deve ser iniciada a fase seguinte.

2. N° R (número de ranhuras)
θ =
3. N° P (número de pólos)

Exemplo: Desenhar o esquema de um motor trifásico com as seguintes características:


• 36 ranhuras – 4 pólos
• Passo: 1:8:10:12
• 3 B/G – 2 G/F
1° parte: desenhar o primeiro grupo de bobina da fase R, de preferência, iniciando na
ranhura n° 1.

2° parte: para posicionar o segundo grupo da fase R é necessário calcularmos a


distribuição:
N° R 36
D = = = 18 (18 ranhuras apartir do início do grupo anterior)
N° G/F 2

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3° parte: para iniciar a fase S é necessário calcularmos a defasagem:


2. N° R 2. 36 72
θ = = = = 6 (6 ranhuras apartir do início da fase R)
3. N° P 3. 4 12

4° parte: desenhar o restante dos grupos da fase S (considerar a mesma distribuição).

5° parte: desenhar o primeiro grupo da fase T (considerar o mesma defasagem)

6° parte: desenhar o restante dos grupos da fase T (considerar a mesma distribuição).

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Exercícios de Fixação

1. Observe os códigos abaixo e responda as questões:


a) 24-002-11/121-ND

• N° de ranhuras:
• Polaridade:
• Tipo de Interligação:
• Tipo de Camada:
• Tipo de Enrolamento:
• Sentido de Rotação:
• Qtde de cabos:
b) 48-004-15/211-AF

• N° de ranhuras:
• Polaridade:
• Tipo de Interligação:
• Tipo de Camada:
• Tipo de Enrolamento:
• Sentido de Rotação:
• Qtde de cabos:
c) 36-006-07/122-NA

• N° de ranhuras:
• Polaridade:
• Tipo de Interligação:
• Tipo de Camada:
• Tipo de Enrolamento:
• Sentido de Rotação:
• Qtde de cabos:
2. Quais os fatores que influenciam na rotação do motor?
R:

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3. Desenhar os esquemas de acordo com as características de cada


motor:
a) • 24 ranhuras – 2 pólos
• Passo: 1:10:12
• 2 B/G – 2G/F

b) • 24 ranhuras – 4 pólos
• Passo: 1:6:8
• 2 B/G – 2G/F

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c) • 36 ranhuras – 6 pólos
• Passo: 1:6
• 1 B/G – 6G/F

d) • 36 ranhuras – 6 pólos
• Passo: 1:6:8
• 2 B/G – 3G/F

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4.5 TIPOS DE LIGAÇÃO PARA MOTORES TRIFÁSICOS

4.5.1 Ligação 12 cabos (Y / / YY / )


A aplicação da numeração no esquema de ligação deve obedecer a sequência definida
na tabela (pág.34), sempre observando a ranhura onde a fase foi iniciada.
Observe o esquema abaixo e compare a numeração correspondente á cada fase, de
acordo com as características do motor:
• 36 ranhuras – 4 pólos D = ranhuras
• Passo: 1:8:10:12 θ = ranhuras
• 3 B/G – 2G/F
• 12 cabos (Y / Δ / YY / ΔΔ)

Um motor com 12 cabos pode ser ligado em 4 tensões diferentes, adequando-se a rede
de distribuição local.
Para facilitar o entendimento podemos observar os diagramas de ligação abaixo,
considerando que cada resistência equivale á um grupo de bobinas: (motor
220/380/440/760v)

Ligação Y – 760v Ligação Δ – 440v

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Ligação YY – 380v Ligação ΔΔ – 220v

4.5.2. Ligação 9 cabos (Y / YY)


Observe o esquema abaixo e compare a numeração correspondente á cada fase. Note
que, com a eliminação dos cabos T10, T11 e T12 os finais de cada fase foram
interligados entre si:

Um motor com 9 cabos (Y/YY) pode ser ligado em 2 tensões diferentes, de acordo com os diagramas abaixo:

Ligação YY – Menor Tensão Ligação Y – Maior Tensão

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4.5.3. Ligação 9 cabos ( / )


Observe o esquema abaixo e compare a numeração correspondente á cada fase. Note
que, com a eliminação dos cabos T10, T11 e T12 os finais de cada fase foram
interligados no início da fase seguinte:

Um motor com 9 cabos ( / ) pode ser ligado em 2 tensões diferentes, de acordo


com os diagramas abaixo:

Ligação ΔΔ – Menor Tensão Ligação Δ – Maior Tensão

Os motores com ligação ( / ) normalmente são utilizados em tensões menores do


que os motores com ligação (Y/YY), no entanto nos grupos de bobina a tensão recebida
é mesma em ambas as ligações.

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4.5.4. Ligação 6 cabos (Y / )


Observe os esquemas abaixo e compare a numeração correspondente á cada fase.
Note que, com a eliminação dos cabos T7 á T12, os grupos de bobinas tiveram que ser
interligados entre si:

Interligação em Série

Interligação em Paralelo

Um motor com 6 cabos (Y/ ) pode ser ligado em 2 tensões diferentes, de acordo com
os diagramas abaixo:

Ligação – Menor Tensão Ligação Y – Maior Tensão

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4.5.5 Ligação 3 cabos (Y)


Observe os esquemas abaixo e compare a numeração correspondente á cada fase.
Note que, com a eliminação dos cabos T4 á T12, os grupos de bobinas tiveram que ser
interligados entre si:

Interligação em Série

Interligação em Paralelo

Um motor com 3 cabos (Y) pode ser ligado em apenas 1 tensão, de acordo com o
diagrama abaixo:

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4.5.6 Ligação 3 cabos ( )


Observe os esquemas abaixo e compare a numeração correspondente á cada fase.
Note que, com a eliminação dos cabos T4 á T12, os grupos de bobinas tiveram que ser
interligados entre si:

Interligação em Série

Interligação em Paralelo

Um motor com 3 cabos ( ) pode ser ligado em apenas 1 tensão, de acordo com o
diagrama abaixo:

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4.6 MOTOR DE DUAS VELOCIDADES

Existem dois tipos de motores de duas velocidades:


4.6.1 Motor de Enrolamentos Independentes:
No mesmo estator são bobinados dois enrolamentos independentes (ou três no caso de motor
de três velocidades). Não existe nenhuma interligação elétrica entre eles. Quando um
enrolamento está ligado, o outro necessariamente deve estar desligado.
Observação: é importante destacar que para motores com duplo enrolamento a
numeração de cabos será especial, 1U, 1V e 1W para o primeiro enrolamento e 2U, 2V e
2W. Se fossem três enrolamentos, a numeração do terceiro seria 3U, 3V e 3W)

1U 1V 1W

Motor Trifásico com dois enrolamentos 4/6 pólos


2U 2V 2W

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4.6.2 Motor Dahlander


Com apenas um enrolamento podemos formar polaridades diferentes, através da ligação PP
(por pólos) e da ligação PC (por pólos conseqüentes)
Assim, os motores dahlander poderão ser ligados em duas polaridades, mas sempre uma será
o dobro da outra.

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5 MOTORES MONOFÁSICOS

O motor monofásico é composto por uma fase principal e uma auxiliar, defasadas em
90° uma em relação á outra.
A fase principal possui grupos de bobinas exatamente iguais e distribuídos
simetricamente no estator, sendo responsáveis pelo torque e desempenho do motor.
A fase auxiliar também possui grupos de bobinas iguais e simetricamente distribuídos,
no entanto é responsável por aumentar o conjugado de partida e definir o sentido de
rotação, podendo ser desligada após o motor atingir a rotação nominal.

5.1 VELOCIDADE SÍNCRONA (NS)

A velocidade síncrona do motor é definida como a velocidade de rotação alcançada


pelo campo elétrico girante, a qual varia em função da polaridade do motor e da
frequência da rede:

F . 120
RPM =
N° pólos
Rotações por minuto (RPM)
Polaridade 50 Hz 60 Hz
Em vazio Com carga Em vazio Com carga
2 3.000 2.950 3.600 3.560
4 1.500 1.440 1.800 1.730
6 1.000 960 1.200 1.150
8 750 700 900 860

Nos motores assíncronos de corrente alternada, que são os mais utilizados atualmente,
percebe-se uma sensível queda na rotação quando o mesmo está submetido á uma
carga de trabalho. No entanto, para a maioria das aplicações esta perda de rotação não
influencia no funcionamento da máquina ou equipamento.

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5.2 CODIFICAÇÃO DOS ESQUEMAS MONOFÁSICOS

O código dos esquemas monofásicos e composto por informações referentes ás


características do motor, que podem ser facilmente interpretados de acordo com os
critérios abaixo:
Esquema: 24-02-09-09/11-1A

24 – 02 – 09 – 09 / 1 1 – 1 A
1° 2° 3° 4° 5° 6° 7° 8° 9°
• Critérios Utilizados:
1° = Número de ranhuras do estator;
2° = Polaridade do motor;
3° = Passo médio da Principal;
9°=Especialidades:
4° = Passo médio da Auxiliar;
T - Protetor térmico bimetálico; (bobinagem)
5° = Tipo de interligação: Q - Ligação equilibrada;
1 - Interligação Série; P - Prot. térmico com divisão de corrente; (montagem)
2 - Interligação Paralela; S - Prot. térmico sem divisão de corrente; (montagem)
V - Chave eletrônica tipo V;
6° = Tipo de Camada: R - Chave eletrônica tipo VR;
1 - Camada Única; Z - Chave eletrônica tipo C;
2 - Camada Dupla; M - Auxiliar ligada na metade;
I - Espiras invertidas; (1 passo)
H - Espiras invertidas; (2 passos)
7° = Tipo de motor: L - Capacitor paralelo (2 partida + 2 permanentes)
1 - Capacitor de Partida; Y - Reversão Instantânea;
2 - Split Phase; G - Capacitor ligado no lado oposto aos cabos de ligação.
3 - Capacitor Permanente;
4 - Capacitor dois valores (Partida + Permanente).

8° = Tensão e Sentido de Rotação:


A - Dupla Tensão / Duplo Sentido;
B - Dupla Tensão / Sentido Horário;
C - Dupla Tensão / Sentido Anti-Horário;
D - Tensão Única / Duplo Sentido;
E - Tensão Única / Sentido Horário;
F - Tensão Única / Sentido Anti-Horário.

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5.3 SIMBOLOGIA E ESPECIALIDADES PARA ESQUEMAS MONOFÁSICOS


As simbologias são adotadas com o objetivo de facilitar a visualização de detalhes do
motor, de modo á facilitar a interpretação do operador.
Os símbolos mais utilizados em esquemas monofásicos são:

Símbolo Denominação Descrição


Capacitor Equipamento que armazena tensão elétrica. Ligado
em série com a bobina auxiliar com o objetivo de
causar uma defasagem elétrica que ajuda na partida
do motor. Quando o motor tem dois capacitores
geralmente um deles é utilizado para partida e o outro
é permanente.

Platinado É um contato elétrico destinado a desligar a bobina


auxiliar após o motor ter atingido a rotação nominal. O
platinado é montado em conjunto com o centrífugo,
que é um componente que através da força centrífuga
muda sua posição e abre o contato elétrico do
platinado. Quando o motor é desligado o centrífugo
volta a posição original, fechando o contato do
platinado e dando condições para uma nova partida.
Protetor Térmico Também conhecido como termostato, é um dispositivo
de proteção do motor, que desliga o motor em caso de
Bimetálico
sobreaquecimento. Ele funciona através de um
contato bimetálico que se curva a certa temperatura
interrompendo o contato elétrico. Ele deve ser ligado
em série com a bobina principal (ou auxiliar no caso
de capacitor permanente) para fazer o desligamento
do motor. Deve ser posicionado em contato com a
cabeça de bobina.
Chave Eletrônica Tem a função de substituir o platinado em algumas
aplicações de motores, como cortadores de grama,
pois devido o acúmulo de sujeira no platinado pode
acabar queimando a bobina auxiliar.

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5.4 SISTEMA DE NUMERAÇÃO PARA MOTORES MONOFÁSICOS

O sistema de numeração para motores monofásicos varia principalmente em função da


tensão e do sentido de rotação. Para os motores da linha comercial são utilizados
cabos coloridos, de modo a facilitar a identificação e a conexão dos cabos.
O padrão adotado pela WEG é descrito na tabela abaixo:

Cor Numeração
Azul T1
Branco T2
Laranja T3
Amarelo T4
Preto T5
Vermelho T8
--- P1
Marron P2

Obs.: Os cabos P1 e P2 são ligados ao protetor térmico bimetálico.

Esta numeração é distribuída para as fases de forma que a principal seja diferenciada
da auxiliar, de acordo com a tabela abaixo:

Principal Auxiliar


Início T1
metade Final
Início T5
T2

2° Início T3
metade Final
Final T8
T4

A bobina auxiliar geralmente é insertada do lado de dentro, exceto nos motores da


fábrica V.
Geralmente é bobinado com um fio mais fino, menos espiras, e em alguns casos é
fabricada com um fio de coloração verde.

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5.5 SISTEMÁTICA PARA DESENHAR ESQUEMAS MONOFÁSICOS


Para obtermos o máximo de desempenho no motor é necessário posicionarmos
corretamente cada grupo de bobina, de modo que os mesmos fiquem simetricamente
distribuídos.
• Cálculo de Distribuição: Utilizado para o posicionamento dos grupos de bobina no
estator, de modo que fiquem simetricamente distribuídos pela fase.

N° R (número de ranhuras)
D =
N° G/F (número de grupos por fase)
• Cálculo de Defasagem: Utilizado para estabelecer a distância (em ranhuras) em
que deve ser iniciada a fase auxiliar.

2. N° R (número de ranhuras)
θ =
4. N° P (número de pólos)
Exemplo:
Desenhar o esquema de um motor monofásico com as seguintes características:
32 ranhuras – 4 pólos
Passo: 1:4:6:8
3 B/G – 4 G/F
1° parte: desenhar o primeiro grupo da fase Principal, de preferência, iniciando na ranhura n° 1.

2° parte: para posicionar o segundo grupo da fase Principal é necessário calcularmos a


distribuição:
N° R 32
D = = = 8 (8 ranhuras a partir do início do grupo anterior)
N° G/F 4

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3° parte: posicionar os demais grupos da principal, utilizando a mesma distribuição:

4° parte: para iniciar a fase Auxiliar é necessário calcularmos a defasagem:


2. N° R 2. 32 64
θ = = = = 4 (4 ranhuras a partir do início da Principal)
4. N° P 4. 4 16

5° parte: desenhar o restante dos grupos da fase auxiliar (considerar a mesma distribuição).

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Exercícios de Fixação

1. Observe os códigos abaixo e responda as questões:


a) 24-02-09-09/11-3CT

• N° de ranhuras:
• Polaridade:
• Tipo de Interligação:
• Tipo de Camada:
• Tipo de motor:
• Sentido de Rotação:
• Especialidades:
b) 32-04-06-06/12-1DQT

• N° de ranhuras:
• Polaridade:
• Tipo de Interligação:
• Tipo de Camada:
• Tipo de motor:
• Sentido de Rotação:
• Especialidades:
c) 36-06-05-05/22-2BPI

• N° de ranhuras:
• Polaridade:
• Tipo de Interligação:
• Tipo de Camada:
• Tipo de motor:
• Sentido de Rotação:
• Especialidades:

2. Quais são as fases que constituem o motor monofásico?


R:

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3. Desenhar os esquemas de acordo com as características de cada motor:


a) • 24 ranhuras – 2 pólos
• Passo da Principal: 1:6:8:10:12 / Passo da Auxiliar: 1:8:10:12
• 4 B/G – 2G/F / 3B/G – 2G/F

b) • 24 ranhuras – 4 pólos
• Passo da Principal: 1:4:6 / Passo da Auxiliar: 1:4:6
• 2B/G – 4G/F / 2B/G – 4G/F

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c) • 32 ranhuras – 4 pólos
• Passo da Principal: 1:4:6:8 / Passo da Auxiliar: 1:4:6:8
• 3B/G – 4G/F / 3B/G – 4G/F

d) • 36 ranhuras – 6 pólos
• Passo da Principal: 1:3:5:7 / Passo da Auxiliar: 1:3:5:7
• 3B/G – 6G/F / 3B/G – 6G/F

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5.6 TIPOS DE LIGAÇÃO PARA MOTORES MONOFÁSICOS

5.6.1. Ligação Dupla Tensão / Duplo Sentido


Observe o esquema abaixo e compare a numeração correspondente á cada fase, de
acordo com as características do motor:
• 24 ranhuras – 2 pólos D = ranhuras
• Passo: 1:6:8:10:12 θ = ranhuras
• 4 B/G – 2G/F

Note que, a interligação entre os grupos da Fase Auxiliar normalmente é efetuada em


série, exceto para os motores Split-Phase.

5.6.2. Ligação Dupla Tensão / Sentido Horário


Para se obter um sentido de rotação horário é necessário interligarmos o final da
auxiliar com o início da principal (1°metade):

Note que, para a bobinagem os cabos T5 e T8 continuam presentes. No entanto, o


cabo T8 é ligado junto com o cabo T2, permitindo a ligação interna do platinado.

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5.6.3. Ligação Dupla Tensão / Sentido Anti-horário


Para se obter um sentido de rotação anti-horário é necessário interligarmos o final da
auxiliar com o final da principal (1°metade):

Note que, para a bobinagem os cabos T5 e T8 continuam presentes. No entanto, desta


vez o cabo T8 é ligado junto com o cabo T1, permitindo a ligação interna do platinado.

5.6.4. Ligação Tensão Única / Duplo Sentido


O motor monofásico pode ser fornecido em apenas uma tensão, dependendo da
necessidade de cada cliente:

Interligação Série – Maior Tensão

Interligação Paralela – Menor Tensão

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5.6.5. Ligação Tensão Única / Sentido Horário


Para se obter um sentido de rotação horário é necessário interligarmos o final da
auxiliar com o início da principal:

Interligação Série – Maior Tensão

Note que, desta vez o cabo T8 foi interligado com o cabo T4, permitindo a ligação interna do platinado.

5.6.6. Ligação Tensão Única / Sentido Anti-horário


Para se obter um sentido de rotação anti-horário é necessário interligarmos o final da
auxiliar com o final da principal:

Interligação Paralela – Menor Tensão

Note que, desta vez o cabo T8 foi interligado com o cabo T1, permitindo a ligação
interna do platinado.

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Leitura e Interpretação de Esquemas de Bobinagem – Astec 2017

5.7 LIGAÇÃO EQUILIBRADA


A ligação equilibrada é um recurso utilizado para equilibrar a corrente elétrica na fase, aumento
o desempenho na partida e reduzindo-se a vibração e o ruído do motor.
A ligação equilibrada é obtida alternando-se a ligação dos grupos, sendo mais comum em
casos de aplicações mais severas, como trituradores e moedores de carne.
Nos esquemas abaixo podemos visualizar a diferença entre um esquema convencional e um
esquema equilibrado:

Esquema 32-04-06-06/11-1A

Esquema 32-04-06-06/11-1AQ

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Leitura e Interpretação de Esquemas de Bobinagem – Astec 2017

5.8 MOTORES COM ESPIRAS INVERTIDAS (SPLIT-PHASE)


Os motores com espiras invertidas tem como objetivo reduzir a corrente de partida do motor e
eliminar a utilização do capacitor.
As espiras invertidas são aplicadas na fase auxiliar, podendo ser utilizadas em um ou mais
passos dependendo da necessidade.
Nos esquemas abaixo podemos visualizar a aplicação de espiras invertidas nos passos da fase
auxiliar:

Split-Phase em uma bobina da auxiliar

Split-Phase em duas bobinas da auxiliar

62
Leitura e Interpretação de Esquemas de Bobinagem – Astec 2017

5.9 SENTIDO DE BOBINAGEM

5.9.1 Sentido 100


No sentido de bobinagem 100, também conhecido como sentido CLP, todas as bobinas
são inseridas na mesma posição e as pontas ficam dispostas de forma uniforme:

5.9.1. Sentido 101


No sentido de bobinagem 101, as bobinas são inseridas de forma alternada, umas em
um sentido e outras no sentido oposto. Desta forma, as pontas ficam mais próximas e
as interligações mais curtas:

63
Leitura e Interpretação de Esquemas de Bobinagem – Astec 2017

6 MOTORES MONOFÁSICOS PARA ELETRODOMÉSTICOS (LINHA BRANCA)


6.1. CODIFICAÇÃO DOS ESQUEMAS

O código dos esquemas para motores eletrodomésticos são simplificados e


diferenciados dos esquemas convencionais, conforme abaixo:
Esquema: 24-04-05-05/001ED-Q

24 – 04 – 05 – 05 / 001 ED – Q
1° 2° 3° 4° 5° 6° 7°
Critérios Utilizados:
1° = Número de ranhuras do estator;
2° = Polaridade do motor;
3° = Passo médio da Principal;
4° = Passo médio da Auxiliar;
5° = Número Sequencial criado pela Engenharia de Monofásicos;
6° = Código específico para eletrodomésticos;
7° = Especialidades.

6.2. POSICIONAMENTO DAS FASES

Nos motores da linha branca, em alguns casos a fase auxiliar é inserida antes da
principal. Neste caso, esta informação deve constar no esquema físico além de constar
nas informações adicionais.

Fase Auxiliar inserida antes da principal. Inserção normal

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Leitura e Interpretação de Esquemas de Bobinagem – Astec 2017

6.3. POSICIONAMENTO DOS GRUPOS

De modo geral, os grupos podem ser posicionados de maneira normal ou


deslocados para melhor aproveitamento da área da chapa, melhorando assim a
distribuição do campo magnético:

Inserção deslocada Inserção deslocada


Auxiliar por fora Auxiliar por fora

Inserção deslocada
Auxiliar por dentro
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Leitura e Interpretação de Esquemas de Bobinagem – Astec 2017

Relacionando esquema físico com planificado:

Esquema Planificado

TERMOSTATO
VERMELHO AZUL PRETO

Esquema Físico

17 16 15 14
18 13
19 12
20 11
21 10
22 9
23 8
24 7
1 6
2 3 4 5
E TO
PR
VERMELHO

AZUL

Nesta figura se faz um comparativo entre a numeração das ranhuras do esquema planificado com as ranhuras do
esquema físico. Pode-se observar que todas as saídas de pontas e também as bobinas devem coincidir com o
esquema planificado.

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Leitura e Interpretação de Esquemas de Bobinagem – Astec 2017

CÁLCULO PARA MUDANÇA DE TENSÃO

OBJETIVO: Este Informativo tem como objetivo orientar a Rede de Assistência Técnica Autorizada WEG
a realizar o cálculo de mudança de tensão em motores trifásicos.

PROCEDIMENTO: Para fazer o cálculo de mudança de tensão, orientamos utilizar a tensão, de


preferência, em triângulo (∆), por exemplo:
- 220/380V, usar 220V;
- 380/660V, usar 380V;
- 220/380/440/760V, usar 440V.

OBS.: As mudanças só ocorrem no número de espiras e na seção do fio (mm2), o restante dos dados
continuam os mesmos, como ligação, camada, passo, etc.

EQUAÇÕES PARA O CÁLCULO:

1-) NE= TN . NEA


TA

2-) SF= TA . SFA(mm2)


TN
Onde:
TA: Tensão Atual do Motor (V)
TN: Nova Tensão (V)
NEA: Número de Espiras Atual
NE: Número de Espiras para a Nova Tensão
SFA: Seção do Fio Atual (mm2)
SF: Seção do Fio para Nova Tensão (mm2)

EXEMPLO
Seqüência de cálculo para modificação de tensão de 220/380V para 380/660V.

Dados do Motor Atual


Tensão: 220/380V

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Leitura e Interpretação de Esquemas de Bobinagem – Astec 2017

Espiras: 50
Fio: 2 x 20 (AWG)
Seção total: 1,006 mm2

1-) Cálculo da quantidade de espiras para a nova tensão (NE)

NE= TN . NEA NE= 380 . 50 = 86,3 espiras


TA 220

NE=86 espiras *

* IMPORTANTE: Para se obter o número de espiras da nova tensão, o NE calculado deverá ser
arredondado para um número inteiro. O critério de arredondamento é o seguinte: se o número após a
vírgula for menor que 5, o número de espiras será o próprio valor calculado conforme feito em nosso
exemplo acima. Porém se o número for igual ou maior que 5, deve-se acrescentar uma espira ao valor
calculado.
Por exemplo, supondo que o motor atual tivesse 52 espiras, o cálculo seria:

NE= TN . NEA NE= 380 . 52 = 89,8 espiras


TA 220

NE=90 espiras

Neste caso, o motor deveria ser rebobinado com 90 espiras.

2-) Cálculo da seção de fio para a nova tensão (SF)

Inicialmente calcula-se a seção de cobre para a tensão atual:


SFA= 2 x 0,503 mm2
SFA= 1,006 mm2

Posteriormente calcula-se a seção do fio para a nova tensão:


SF= TA . SFA(mm2) SF= 220 . 1,006 = 0,582 mm2
TN 380
Definição dos fios para a nova tensão:
A seção total dos fios a serem utilizados na nova tensão não poderá diferir em mais que 1,5% em relação
ao SF calculado no item anterior.

68
Leitura e Interpretação de Esquemas de Bobinagem – Astec 2017

Se em nosso exemplo fôssemos usar 1 fio 23 AWG e 1 fio 22 AWG, a seção total seria:
0,246 mm2 +0,312 mm2= 0,558 mm2
0,558 = 0,96 96% (4% de diferença)
0,582

Então a combinação de fios escolhida não serve, pois a diferença ficou maior que 1,5%.
Vamos tentar uma nova combinação:
3 fios 24 AWG
3 X 0,196 mm2 = 0,588 mm2
0,588 = 1,01 101% (1% de diferença)
0,582

Significa que a combinação de fios escolhida ficou dentro da tolerância permitida (1,5%).
Sugerimos que sejam usadas no máximo 2 bitolas diferentes e “vizinhas” para a combinação de fios.
Exemplo: 1x24+1x25 (AWG) – Combinação CORRETA
1x24+1x25+1x26 (AWG) – Combinação INCORRETA
1x26+1x22 (AWG) – Combinação INCORRETA

ENTÃO PARA A NOVA TENSÃO, 380/660V, O MOTOR SERIA REBOBINADO COM


86 ESPIRAS E 3 FIOS 24 AWG.

OBSERVAÇÃO:

Quando a mudança de tensão é de 440V para 220V, deve-se verificar qual é ligação das
bobinas. Se for série, basta abrir as ligações e passar para paralela. Se for paralela deve-se rebobinar
o motor utilizando o cálculo acima.
Quando a mudança de tensão for de 220V para 440V e a ligação for paralela, basta passar
para ligação série, se for série deve-se rebobinar o motor utilizando o cálculo acima.

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