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CENTRO UNIVERSITÁRIO CAMPO REAL

Aluna: Heloisa Buco Moretto


Professor: Victor Leão
Matéria: Ética
Data: 10/11/2020

ASPECTOS ÉTICOS DA ADVOCACIA (LEI 8906/1994, ARTS. 31 A 33)

O Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (EOAB), está


disposto na Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994, e, o capítulo VIII, desta lei, disciplina
sobre a Ética do Advogado, propriamente nos artigos 31 a 33.
Este capítulo, indica preceitos gerais de ética para o Advogado, e teve grande
influência para o afeiçoamento do Código e Ética e Disciplina (CED), salientando
que, estas normas estabelecidas nos artigos 31 a 33, são guarnecidos de
obrigatoriedade, e caso descumpridos esses preceitos, ao advogado será imputado
algumas sanções.
Inicialmente, a previsão do art. 31, determina:
Art. 31 O advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de
respeito e que contribua para o prestígio da classe e da advocacia.
§ 1º O advogado, no exercício da profissão, deve manter independência em
qualquer circunstância.
§ 2º Nenhum receio de desagradar a magistrado ou a qualquer autoridade,
nem de incorrer em impopularidade, deve deter o advogado no exercício da
profissão

Para Andrade1, o advogado tem o dever de atuar com ética, ou seja, pautar
sua conduta de forma a merecer o respeito e a gerar prestígio para todos os demais
colegas. Cita ainda, Aristóteles, o qual dizia que o caráter é o resultado de nossa
conduta, a forma de atuação na advocacia acabará por gerar o conceito individual
do profissional, além de influenciar a ideia que as pessoas virão a ter sobre a própria
categoria como um todo, considerando isso, a ética para os advogados exige uma
conduta relacionada diretamente à probidade, ao respeito ao ordenamento jurídico e
ao padrão geral de honestidade.
1
ANDRADE, Renato Cardoso de Almeida; PASCOAL, Lauro Fernando. Estatuto da Advocacia e da
OAB Comentado. Curitiba. OAB/PR. 2015. Disponível em:
http://www2.oabpr.org.br/downloads/ESTATUTO_OAB_COMENTADO.pdf. Acesso em: 09 nov 2020.
p. 246-247.
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Em uma análise mais profunda do tipo legislativo do art. 31, Andrade 2 cita
que, é dever do advogado não recuar diante de pressões populares ou do receio de
desagradar autoridades, pois é requisito para ser um bom advogado ter coragem,
visto que a advocacia muitas vezes divaga pelos caminhos da impopularidade, seja
pela ignorância das massas populares, e até mesmo pelo desejo de vingança diante
de alguns crimes violentos.
Ainda sobre o referido artigo, é importante ressaltar a importância da
independência do advogado, conforme relata Mendonça 3,o art. 31, p. 1º apresenta o
principal norte da ética profissional, a independência. No exercício das suas
atividades, o advogado deve estar comprometido apenas com a busca da justiça
para o seu cliente. Nada mais pode delinear a sua atuação, nenhum interesse que
não seja a busca pela realização dos interesses do seu cliente através dos
parâmetros estabelecidos pela lei e pelo o que é justo.
Doravante, analisa-se o art. 32 do EOAB:
Art. 32. O advogado é responsável pelos atos que, no exercício profissional,
praticar com dolo ou culpa.
Parágrafo único. Em caso de lide temerária, o advogado será solidariamente
responsável com seu cliente, desde que coligado com este para lesar a
parte contrária, o que será apurado em ação própria.

O advogado é responsável por todos os atos em que praticar, durante o


exercício da profissão, conforme prevê expressamente o art. 32 do Estatuto, e
responderá pelos atos que praticar, com dolo ou culpa. Nas palavras de Andrade 4:
Percebe-se uma diferença entre responsabilização dos advogados e dos demais
operadores do Direito, como por exemplo os magistrados e membros do Ministério
Público. Estes, somente arcarão com os efeitos da responsabilidade civil se agirem
com dolo ou fraude, não respondendo pelos danos decorrentes da culpa. É o que
dispõem expressamente o art. 143 do CPC/2015231, o art. 49, I da LOMAN (Lei
Complementar nº 35, de 14 de março de 1979)232 e ainda o art. 181 do
CPC/2015233. Já os advogados, responderão pelos atos danosos, ainda que
tenham agido apenas sob a modalidade da culpa.

2
Ibidem. p. 249.
3
MENDONÇA. Rafael da Mota Mendonça. O novo Código de Ética e Disciplina da OAB.
Disponível em: http://revistaeletronica.oabrj.org.br/wp-content/uploads/2016/08/O-novo-Codigo-de-
Etica-e-Disicplina-da-OAB-AUTOR-Rafael-de-Mota-Mendonca.pdf. Acesso em: 09 nov 2020.
4
ANDRADE, Renato Cardoso de Almeida; PASCOAL, Lauro Fernando. Op. Cit. p. 250.
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Corroborando com o exposto, é o entendimento do Supremo Tribunal Federal


(STF)5
Advogado de empresa estatal que, chamado a opinar, oferece parecer
sugerindo contratação direta, sem licitação, mediante interpretação da lei
das licitações. Pretensão do Tribunal de Contas da União em
responsabilizar o advogado solidariamente com o administrador que decidiu
pela contratação direta: impossibilidade, dado que o parecer não é ato
administrativo, sendo, quando muito, ato de administração consultiva, que
visa a informar, elucidar, sugerir providências administrativas a serem
estabelecidas nos atos de administração ativa. (...) O advogado somente
será civilmente responsável pelos danos causados a seus clientes ou a
terceiros, se decorrentes de erro grave, inescusável, ou de ato ou omissão
praticado com culpa, em sentido largo: Cód. Civil, art. 159; Lei 8.906/94, art.
32." (MS 24.073, rel. min. Carlos Velloso, julgamento em 6-11-2002,
Plenário, DJ de 31-10-2003.) No mesmo sentido: MS 24.631, rel.
min. Joaquim Barbosa, julgamento em 9-8-2007, Plenário, DJE de 1º-2-
2008.
No que se refere ao parágrafo único do art. 32, é importante destacar o
entendimento sobre as lides temerárias e a responsabilidade solidária, conforme o
entendimento jurisprudencial6
LIDE TEMERÁRIA - ADVOGADO E CLIENTE - RESPONSABILIDADE
SOLIDÁRIA - PREVISÃO LEGAL.
O parágrafo único do art. 32, do EAOAB, prevê expressamente que em
caso de lide temerária o advogado será solidariamente responsável com
seu cliente pelos danos causados à parte contrária, dizendo, ainda, que isto
será apurado em ação própria. Assim, por expressa previsão legal, é
possível que advogado e cliente sejam corréus em ação civil ou até mesmo,
conforme o caso, em ação criminal, em caso de lide temerária.
Proc. E-4.599/2016 - v.m., em 25/02/2016, do parecer e ementa do
julgador Dr. ZANON DE PAULA BARROS vencida a Rel. Dra. MARCIA
DUTRA LOPES MATRONE - Rev. Dr. FABIO KALIL VILELA LEITE -
Presidente Dr. PEDRO PAULO WENDEL GASPARINI.

Portanto, destaca-se que, o advogado responde pelos seus atos, em que agir
com culpa ou dolo, devendo reparar os danos aos seus clientes, com o fundamento
no referido art.32, bem como nos artigos 186 e 927 do Código Civil Brasileiro.
Por fim, o art. 33 do EOAB, positiva:
Art. 33. O advogado obriga-se a cumprir rigorosamente os deveres
consignados no Código de Ética e Disciplina.
Parágrafo único. O Código de Ética e Disciplina regula os deveres do
advogado para com a comunidade, o cliente, o outro profissional e, ainda, a
publicidade, a recusa do patrocínio, o dever de assistência jurídica, o dever
geral de urbanidade e os respectivos procedimentos disciplinares.

5
BRASIL. Legislação Anotada - Leis Infraconstitucionais - Versão Integral. Disponível em:
http://www.stf.jus.br/portal/legislacaoAnotadaAdiAdcAdpf/verLegislacao.asp?lei=375. Acesso em: 09
nov 2020.
6
SÃO PAULO, OAB. Tribunal de ética e disciplina. 2016. Disponível em:
https://www.oabsp.org.br/tribunal-de-etica-e-disciplina/ementario/2016/E-4.599.2016. Acesso em: 10
nov 2020.
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Este artigo, foi um dos fundamentos jurídicos utilizados para a edição do


Código de Ética e Disciplina (CED), possuindo grande relevância jurídica para
diversos institutos.
Segundo MENDONÇA7, o artigo 33 determina que o advogado deve cumprir
todos os deveres consignados no Código de Ética e Disciplina – CED, e o seu
parágrafo único afirma que esse Código deve regular os deveres do advogado para
com a comunidade, o cliente, o outro profissional e, ainda, a publicidade, a recusa
do patrocínio, o dever de assistência jurídica, o dever geral de urbanidade e os
respectivos procedimentos disciplinares.
No mesmo sentido, é entendimento de ANDRADE 8, Conforme o parágrafo
único do art. 33 do EOAB, os deveres éticos devem ser cumpridos na relação do
advogado com a comunidade, com seus clientes e demais profissionais, bem como
com relação à recusa do patrocínio, o dever de assistência jurídica, o dever geral de
urbanidade e os respectivos procedimentos disciplinares. Os preceitos de ética
também devem ser respeitados nas questões vinculadas à publicidade, conforme o
art. 1º do Provimento nº 94/2000 do Conselho Federal.
Portanto, conclui-se que, dada a importância dos preceitos éticos para o
advogado, os artigos 31 a 33 do Estatuto da OAB, principalmente o art. 33, são
considerados preceitos gerais da Ética do Advogado, sendo a base para o Código
de Ética e Disciplina, também, destaca-se para a obrigatoriedade de seu
cumprimento, haja vista que, caso descumpridos ou desrespeitados esses artigos,
ficaram sujeitos a sanções estabelecidas no referido estatuto.

7
MENDONÇA. Rafael da Mota Mendonça. Op. Cit.
8
ANDRADE, Renato Cardoso de Almeida; PASCOAL, Lauro Fernando. Op. Cit. p. 253.