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Cenários de resposta

Exame-tipo “Mensagem e Os Lusíadas”

Grupo I – Parte A
1. Na concretização da epopeia marítima, foi preciso ter a ação – o “Ato” – e a sorte ou o acaso – o
“Destino”. Por um lado, há o Ato que rasga os horizontes, que realiza (“afasta o véu”); por outro lado, há
o “Destino”, que permite erguer a luz da crença, o facho trémulo e divino; se a ousadia dos Portugueses
deu corpo a esta realização, a ajuda da “Ciência” e de “Deus” permitiu que se cumprisse o destino
português. Portugal estava predestinado, necessitava apenas do “Ato”, ou seja, de rasgar o véu
ousadamente.

2. A ciência e a ousadia são elementos necessários para desvendar o que está para lá do véu que foi
rasgado. A ciência, porque garante os conhecimentos e os instrumentos necessários, é, portanto, a
alma. A ousadia, porque sem a coragem e a vontade não seria possível pôr em prática aquilo que nos
leva a rumar ao desconhecido e que transformou os Portugueses em heróis, é o corpo, pois está
relacionado com a execução dos feitos.
Como a ousadia foi fundamental, não menos importante foram os seus conhecimentos, a sua
“Ciência”. Esta contribuiu, com a ajuda divina, para a construção da intencionalidade, da “Vontade”;
com a “Ousadia”, Portugal agiu, desvendando os mares, afastando o véu e realizando a missão das
descobertas.

3. Mensagem, de Fernando Pessoa, é constituída por três partes que traduzem as etapas da evolução do
Império Português – nascimento, realização e morte.
Na segunda parte, Mar Português, há o sonho marítimo com a realização do Império português,
graças aos Descobrimentos, na qual este poema se insere, ao referir-se aos Descobrimentos, que
exigiram ousadia, ciência, vontade de Deus e o ato dos Portugueses. O próprio título pode ser entendido
como a concretização da descoberta do caminho marítimo para o Brasil. Portugal conquistou o Oriente,
chegando à Índia; agora desvenda o Ocidente, chegando ao outro lado do Atlântico, graças ao destino e
à ação dos navegantes comandados por Pedro Álvares Cabral.

Grupo I – Parte B
4. As estâncias apresentadas localizam-se no final de Os Lusíadas, Canto X, no Plano das Reflexões do
Poeta, quando, depois de relatar a chegada da armada lusitana a Lisboa, Camões reflete, pela última
vez, quer sobre a viagem dos marinheiros quer sobre a receção do seu canto, o que o leva a criticar a
falta de “ledo orgulho e geral gosto” (est. 146, v. 2) dos portugueses pelas suas realizações.

5. O poeta apela ao rei para que reconheça o valor dos seus súbditos, que, como se verificou no
passado, reúnem qualidades para o fazerem “vencedor”, isto é, para reacenderem na Pátria o orgulho e
a coragem.
Assim, o desalento do poeta justifica-se por ver que a Pátria está mergulhada “No gosto da
cobiça e na rudeza / Dhũa austera, apagada e vil tristeza” e, por isso, divorciada de uma atitude

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enérgica e otimista, por oposição àquela que os heróis cantados por Camões revelaram.
Grupo II
1. (D).
2. (D).
3. (C).
4. (A).
5. (B).
6. (B).
7. (A).
8. Dêixis pessoal e temporal.
9. Oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
10. “a Eurovisão”.

Grupo III
Se no século XVI Camões interpelou D. Sebastião para ser o guia de um povo que procurava
novas vitórias, Pessoa, no século XX, tomou este rei como mito vivificante da esperança de alcançar um
império espiritual. Material ou espiritual, em ambos latejava a veia nacionalista e a crença nas
capacidades lusitanas. Ter-se-ão esses traços para sempre perdido na voragem dos séculos?
Em primeiro lugar, a chama da ambição que alentou o povo que conquistou o caminho marítimo
para a Índia ainda arde, visto que a vontade de desbravar novos caminhos é um traço idiossincrático
português, visível na quantidade de jovens empreendedores que se lançam na criação de empresas
inovadoras – startups –, procurando não só inovar o mercado nacional como alcançar o estrangeiro,
para divulgar o know-how luso.
Em segundo lugar, o português continua a sonhar e a sua determinação faz com que “ a obra
nasça”, ainda que tenha de enfrentar Adamastores ou nevoeiros hostis. Mesmo em situações
problemáticas, a esperança move a alma portuguesa e os passos que conduzem ao sucesso. Veja-se
como a esperança nunca abandonou a seleção portuguesa nem os milhares de portugueses que
vibraram com os jogadores que, até ao fim, se recusaram a dar como perdido o título de Campeões
Europeus de Futebol. A seleção foi certamente um exemplo para tantos jovens desportistas que
acalentam o sonho de vir a jogar num grande clube.
Sendo assim, quer seja no campo económico, quer seja no desportivo, é possível verificar que a
tenacidade, a ousadia, a coragem e a determinação são traços caracterizadores inerentes ao português,
ainda que subtilmente escondidos sob uma capa de aparente laxismo. Por vezes, basta apenas que
apareça um Salvador que cante bem perto do coração e faça brotar a essência do que é ser português.

(299 palavras)

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