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Curso de Técnico Administrativo

UFCD 6223- Direito aplicado às Empresas

Became Extraordinary Unipessoal,Lda

Formador: Luísa Moreira


Conteúdo
OBJETIVO GERAL..........................................................................................................................4
OBJETIVO ESPECÍFICO..................................................................................................................4
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO......................................................................................................4 36

NOÇÕES INTRODUTÓRIAS...........................................................................................................4
Contrato de Agência.....................................................................................................................6
CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO DE AGÊNCIA...........................................................................7
Regime Legal do Contrato de Agência..........................................................................................8
Contrato de Concessão................................................................................................................8
Regime da Concessão...................................................................................................................9
Contrato de Franquia...................................................................................................................9
Modalidades do Contrato de Franquia.........................................................................................9
Caraterísticas do Contrato Franquia...........................................................................................10
Notas Gerais...............................................................................................................................11
Contrato de Locação Financeira (Leasing)..................................................................................13
Vantagens do Contrato de Locação Financeira..........................................................................13
Modalidades do Contrato de locação Financeira.......................................................................14
Propriedade Industrial...............................................................................................................15
Onde podemos proteger ou registar?......................................................................16
Principais entidades de proteção intelectual?.......................................................17
Organização Europeia de Patentes.............................................................................................17
BENEFÍCIOS DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL E INTELECTUAL......................................................18
O QUE SE PROTEGE NUMA EMPRESA?......................................................................................18
O que implica o Regime Geral de Proteção de Dados numa empresa?.....................................20
DIREITO DA CONCORRÊNCIA......................................................................................................20
A IMPORTÂNCIA DA CONCORRÊNCIA........................................................................................21
Definição de Insolvência.............................................................................................................21
Processo de Insolvência.............................................................................................................21
Insolvência de empresas............................................................................................................22
Consequências / efeitos da insolvência de empresas. Liquidação.............................................23
Insolvência culposa....................................................................................................................25
Reversão fiscal:...........................................................................................................................26
Insolvência dolosa......................................................................................................................27
Compensação / indemnização pelo despedimento (cessação do contrato de trabalho):..........28
Créditos laborais pagos em primeiro lugar.................................................................................28
Reclamação de créditos.............................................................................................................29
Fundo de Garantia Salarial.........................................................................................................29
Plano de recuperação.................................................................................................................30
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Processo especial de revitalização (PER)....................................................................................30
Quem pode recorrer?.................................................................................................................31
Finalidade...................................................................................................................................31
Requisitos...................................................................................................................................31
Conteúdo: reestruturação do passivo........................................................................................32
Aprovação..................................................................................................................................32
Efeitos........................................................................................................................................33
Créditos tributários:...................................................................................................................33
Prazo para conclusão.................................................................................................................34
Insolvência ou processo especial de revitalização?....................................................................34
Insolvência pessoal.....................................................................................................................34
Conclusão...................................................................................................................................36
Bibliografia.................................................................................................................................36
OBJETIVO GERAL

 Identificar Contratos Comerciais Especiais


 Reconhecer a Legislação de Propriedade Industrial
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 Identificar Processos de Recuperação e de Insolvência de Empresas

OBJETIVO ESPECÍFICO

 Contratos Comerciais
 Propriedade Industrial
 Insolvência

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

 Vários tipos de contratos comerciais especiais


(Contrato de Agência, Concessão, Franquia, Leasing)

 Propriedade Industrial
(Proteção de Empresas e Direito da Concorrência)

 Insolvência
(Processo de Recuperação e Processo de Insolvência)

NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

Os contratos são o sangue de toda a vida comercial, quanto mais das empresas,
porque estas fomentam a economia de mercado. Nos últimos anos, tem-se assistido a
uma verdadeira explosão de novas figuras contratuais, que são consagradas em leis
mercantis ou estabilizadas na prática de negócios.
No entanto, o sistema económico impõe a circulação de produtos no tráfego comercial,
realizando o fenômeno natural, que, na verdade, se sustenta pelo binômio entre a
produção/consumo. Em consequência lógica desse começo económico é, numa
primeira fase, utiliza-se o contrato de compra e venda como o instrumento jurídico
básico para o escoamento dos produtos.
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Deve, no entanto, apoiar-se para o fato de que, em uma escala mais desenvolvida, o
produtor não tem condições de explorar individualmente o seu negócio, situação na
qual se vê obrigado a recorrer a terceiros que, sob o seu comando, lhe prestem
serviços, seja na criação ou na venda dos seus produtos. É diante deste breve
raciocínio que se verifica o processo económico de distribuição mercantil que, por via
dos contratos de distribuição, tem por finalidade diminuir o distanciamento físico e
temporal habitualmente existente entre o produtor e o consumidor.
Todavia, ao falarmos em contrato de distribuição, queremos disciplinar as relações
entre o produtor e o distribuidor, e não os contratos com os consumidores, que estes
se perfazem, normalmente, como nos contratos de compra e venda.
Portanto, numa definição geral, pode-se dizer que os contratos de distribuição, são
todos aqueles que visam interligar as fases do processo de comercialização de um
bem ou serviço disponibilizado no mercado por determinada pessoa, por intermédio da
atuação, formalmente independente, de um terceiro.
Verifica-se, no plano doutrinário, uma recorrente adoção de dois modos de conceber a
organização estrutural do processo distributivo, ou seja, um sistema direto e outro
indireto. A distribuição indireta concentra-se na ideia de divisão do trabalho e na
conceção de especialização, na qual o produtor se concentra na produção,
dispensando a um terceiro – distribuidor – a responsabilidade pela distribuição de bens
ou serviços disponibilizados pelo produtor, como exemplo temos os contratos de
concessão e de franquia.
Já a distribuição direta, a contrario sensu, indica que as funções referentes à
distribuição estarão a cargo do produtor, embora ele se utilize de um terceiro, que
atuará como um intermediário. Logo, estará ele, o produtor, vinculado diretamente à
conclusão do contrato e da obrigação. Cumpre destacar que parte da doutrina entende
que os contratos de distribuição somente se perfazem através da distribuição indireta,
hipótese em que, obrigatoriamente, se transfere a propriedade do bem a ser
distribuído no mercado aos intermediários.Assim, os contratos de distribuição direta,
por permanecer a propriedade na esfera do produtor, e não na dos intermediários, são
taxados como contratos para a promoção de negócios. Todos sabemos que, a
atividade distribuidora envolve uma fase promocional e que esta, por outro lado, se faz
tendo em vista o escoamento de bens. A Promoção e distribuição surgem, como
atividades interligadas.
Importa referir que, o Contrato de Agência, bem como o Contrato de Mediação, seriam
contratos para a promoção, o Contrato de Concessão e de Franquia seriam contratos
de distribuição. é que há contratos, cuja finalidade típica e essencial é a promoção de
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negócios, ao lado de outros cuja ratio e escopo reside na distribuição de bens. No
entanto, atualmente, entende a melhor doutrina que quer os contratos de distribuição
indireta, quer os contratos de distribuição direta devem ser considerados, em sentido
amplo, como contratos de distribuição comercial, já que embora o fim, de que
compartilham, se mostre suscetível de ser prosseguido por meios diferentes.

Sendo assim, é dos contratos de distribuição que se extrai a natureza jurídica do


Contrato de Agência.

Contrato de Agência

Caracteriza por ser um contrato de distribuição direta, o que, impõe dizer que o poder
de controle de conclusão da obrigação do contrato é do agenciado.
O Contrato de agência ou de representação comercial é a convenção pela qual uma
das partes (o agente) assume, em caráter não eventual (estável) e sem vínculos de
dependência (autônomo), a obrigação de promover à conta da outra parte (agenciado,
proponente, principal, comitente, empresário ou mandante) a celebração de contratos,
numa zona determinada (em um determinado círculo de clientes), mediante
retribuição. Com o processo de agenciamento, o produtor transfere alguns custos e
riscos para o intermediário, vendo-se ainda livre da obrigação de uma remuneração
fixa, na medida em que o agente será remunerado a partir dos resultados obtidos em
favor do industrial para o qual está trabalhando. As vantagens supracitadas
culminaram na consolidação prática deste contrato, o que não representou uma rápida
tipificação, pois a sua semelhança com outros tipos contratuais retardou a sua
configuração como um modelo jurídico-legal. Ora, tendo esta nova realidade
legislativa, o presente trabalho tem por finalidade analisar o contrato de agência
observando as suas principais características e distinguindo-as dos contratos afins,
apontando, ainda, as principais divergências doutrinárias e legislativas, para ao final
apontar as causas de extinção e denúncia do referido contrato.
CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO DE AGÊNCIA

O contrato de agência caracteriza por ser formado pela modificação de vários 36

elementos de outros contratos – contrato de comissão, mediação, entre outros, o que


implica dizer que a não concretização de um de seus elementos essenciais não dará
oportunidade ao tipo contratual estudado, mas, sim, a outra espécie contratual, seja
típica ou atípica. Portanto, os elementos essenciais do contrato de agência se justifica
não só para caracterizar o contrato em tela, mas também para o afastar do regime
jurídico de outros contratos afins. Nesse sentido, será de extremo mérito a análise dos
mais diversos regimes jurídicos os quais contemplam essa forma de convenção –
Alemanha, Portugal, Espanha, Itália, França e Brasil –, bem como o exame dos seus
precedentes judicias e obras doutrinárias, uma vez que se trata de um contrato que
demorou a ser reconhecido pelo legislador.
A delimitação subjetiva: A (in)existência da obrigatoriedade da condição de empresário
(ou comerciante) para os figurantes do contrato de agência. A delimitação subjetiva do
contrato de agência faz alusão às pessoas que desempenham o papel de agente e
agenciado. É neste tom que se indaga, preliminarmente, qual espécie de pessoa
(física ou jurídica) pode ser sujeito ativo ou passivo do supracitado contrato. Cumpre
destacar que não desprestigiada discussão e ganha relevo nos ordenamentos
jurídicos italiano, português e brasileiro.
A autonomia do agente como elemento fundamental para o fiel cumprimento da
obrigação de promover a celebração de contratos A obrigação primária do agente, em
todo contrato de agência, consiste em promover a celebração de contratos em favor
do agenciado. Trata-se de uma complexa e multifacetada atividade material, de
prospeção do mercado, de angariação de clientes, de difusão dos produtos e serviços
de negociação, etc., que antecede e prepara a conclusão dos contratos a serem
realizados pelo agenciado (principal). O contrato de agência como uma obrigação
duradoura, um outro elemento essencial do contrato de agência é a estabilidade do
vínculo. A sua importância não só permite identificar o contrato de agência, como
também diferenciá-lo de outras figuras afins. O agente realiza sua atividade de forma
estável, visando um número indefinido de operações, não se limitando à prática de
apenas um ato.
Assim, por exemplo, não se esgota a atividade do agente pelo mero fato de ter
captado uma proposta de um cliente.
Por fim, importa salientar que, o Contrato de Agência, é um contrato pelo qual uma
das partes – o agente- se obriga a promover por conta de outrem- o principal- a
celebração de contratos de modo autónomo estável e remunerado.
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Regime Legal do Contrato de Agência

 DL 178/86, de 3 de Julho

 Diretiva 86/653/CE, de 18 de Dezembro (plano comunitário): procedeu à


harmonização relativa dos direitos europeus na matéria sendo transposta entre nós
pelo DL nº 118/93, de 13 de Abril

Contrato de Concessão
É um contrato pelo qual um empresário o concedente e obriga a vender a outro–o
concessionário ficando este último, em contrapartida, obrigado a comprar ao primeiro,
certos produtos, para revenda em nome e por conta própria numa determinada zona
geográfica, bem assim como a observar determinados deveres emergentes da sua
interação na rede de distribuição do concedente.
 O produtor, fabricante ou importador (concedente) assegura o controlo da
distribuição dos seus produtos por um número limitado de revendedores
qualificados sem suportar o risco da respetiva comercialização
 Ao mesmo tempo, o distribuidor (concessionário) goza de uma posição
concorrencialmente privilegiada na venda desses produtos em
determinada zona.

 Contrato de Concessão não tem base legal direta, pelo que estamos face a
uma figura assente na autonomia privada.
 O contrato de concessão comercial constitui um contrato-quadro, uma vez
que visa criar e disciplinar uma relação jurídica de colaboração estável e
duradoura entre as partes, cuja execução se traduz na celebração futura
entre estas de sucessivos contratos de compra e venda.
 A Concessão é um contrato que estabelece relações duradouras, no
âmbito das quais o concessionário operar como promessa genérica de
aquisição e de venda de produto.

Regime da Concessão 36

O Contrato de Concessão não tem base legal direta, pelo que estamos face a uma
figura assente na autonomia privada.
À partida trata-se de um contrato que não está sujeito a forma solene, podendo ser
meramente verbal ou pode resultar de condutas decisivas.
O regime do contrato de concessão resultará da interpretação e da integração do texto
que tenha sido subscrito pelas partes.

Contrato de Franquia

Contrato pelo qual um empresário – o franquiador – concede a outro empresário – o


franquiado – o direito de exploração e fruição da sua imagem empresarial e respetivos
bens imateriais de suporte (sobretudo, a marca), no âmbito da rede de distribuição
integrada do primeiro, de forma estável e a troco de uma retribuição.
O Contrato de Franquia representa o mais relevante, heterogéneo e complexo contrato
de distribuição comercial. Resulta de uma técnica contratual nascida nos E.U.A. no
séc. XIX e que foi rapidamente adquirindo um relevo central no panorama económico
mundial, nela repousando a expansão de inúmeras empresas a nível internacional.
Normalmente dizemos que “tudo é franchisável”.
- Coca-cola;
- Benetton;
- Loja do Euro;
- McDonald;
- Burguer King;
- Hertz.

Modalidades do Contrato de Franquia


FRANQUIA DE DISTRIBUIÇÃO: o franquiado limita-se a vender na sua empresa os
produtos fabricados ou comercializados pelo franquiador sob os sinais distintivos e
controlo deste último. Exemplo: Benetton

FRANQUIA DE SERVIÇOS: o franquiado presta serviços a terceiros debaixo dos


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sinais distintivos e controlo do franquiador. Exemplo:Hertz

FRANQUIA DE PRODUÇÃO: em que o próprio franquiado fabrica produtos que vende


sob os sinais do franquiador. Exemplo: Coca-Cola e McDonald’s

O Contrato de Franquia é um contrato socialmente típico dotado de significativa


complexidade, sendo que esta decorre fundamentalmente da enorme gama de
conteúdos contratuais que resultam da referida multiplicidade das suas configurações
negociais.

Caraterísticas do Contrato Franquia


O Contrato de Franquia pode ser caracterizado como:

 Um contrato atípico (não dispõe de uma disciplina legal própria);

 Contrato-quadro (na medida em que prevê e regula a obrigação das partes


concluírem subsequentemente contratos futuros, geralmente de compra e
venda entre si, ou terceiros).

Elementos distintivos do Contrato de Franquia

1. Fruição da imagem empresarial do franqueador;


2. Transmissão do KNOW-HOW e assistência técnica;
3. Controlo de fiscalização do franquiado.

Atribuição ao Franquiado da Fruição da Imagem Empresarial do


Franquiador
Consubstancia-se num direito e dever de utilização dos respetivos elementos
estruturantes, ou seja, usualmente ao franquiado é concedido o direito de utilizar a
marca do franquiador, podendo, nos casos concretos, ser igualmente postos à sua
disposição os demais direitos privativos de propriedade industrial (logótipos,
recompensas, patentes, modelos de utilidade) ou outros elementos coletores de
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clientela (slogans publicitários). O Contrato de Franquia constitui o veículo negocial
sobre o qual assenta a criação e organização da rede distributiva do franquiador no
mercado, uma vez que a unidade da imagem empresarial externa do franquiado e
franquiador funciona, aos olhos do público, como um pressuposto da integração do
primeiro da rede.

Notas Gerais

No contrato de franquia, uma pessoa (franqueador) concede a outra (franqueado)


dentro de certa área cumulativamente ou não:
 A utilização de marcas, nomes ou insígnias comerciais;
 A utilização de patentes, técnicas empresariais ou processos de fabrico;
 Assistência, acompanhamento e determinação de serviços;
 Mercadorias e outros bens, para distribuição

A ideia de franquia anda inicialmente em torna da de privilégio ou liberdade, ou seja, o


franqueador permite ao franqueado o acesso a áreas que, em princípio lhe estariam
vedadas (utilização de marcas, nomes, insígnias, patentes e outras técnicas de que o
franqueador teria exclusivo).
O Contrato de Franchising surgiu nos E.U.A, sendo um meio privilegiado para
conseguir montar rapidamente uma rede de comercialização, sem os inerentes riscos
e investimentos. O empresário que tivesse iniciado um esquema de sucesso, a nível
local, assente em insígnias facilmente publicitáveis e em técnicas de comercialização
atraentes, poderia, pela franquia, permitir que outros interessados copiassem
precisamente o mesmo esquema, noutros locais, mediante contrapartidas. Mais tarde,
o Franchising tornou-se um esquema próprio para a expansão internacional de
empreendimentos norte americanos.

O êxito da franquia hoje é reconhecido a três fatores:


 Às possibilidades abertas pela publicidade, no que toca a marcas e estilos de
vida;
 À mobilidade crescente dos consumidores, que facilita uma oferta uniforme de
bens;
 Ao aumento dos seus rendimentos
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A franquia evoluiu no sentido de um verdadeiro contrato de distribuição:

 Inicialmente, a franquia era, antes de mais um meio de permitir o uso de


marcas, patentes e outros benefícios de que o franqueador tinha o exclusivo
 Mais tarde, a franquia implicou elementos próprios da agência e da
concessão: angariar clientes e distribuir bens e serviços, funcionando numa
base hierarquizada.

Modalidade do Contrato de Franquia e o Desenvolvimento em Portugal


O Contrato de Franquia é atípico, sendo totalmente dependente da autonomia privada,
ele pode apresentar elementos próprios da agência ou da concessão.
Franquia de serviços- o franqueado oferece um serviço sob a insígnia, o nome
comercial, ou mesmo a marca do franqueador, conformando-se com as diretrizes
deste último.
Exemplo: Hertz (está no domínio da locação financeira, permite a pequenas
empresas em todo o mundo locar automóveis em termos uniformes a um público
essencialmente móvel, aproveitando as insígnias, a publicidade a promoção e a
clientela da casa mãe).

Franquia de Produção- O próprio franqueado fabrica, segundo as indicações do


franqueador produtos que ele vende sob a marca deste.
Exemplo: Coca-Cola, faculta uma confeção por todo o mundo as conhecidas bebidas
por produtores diversos, sempre sob a mesma designação e em conformidade com
certas especificações técnicas dadas pela casa-mãe, de modo a aproveitar as
insígnias, a publicidade a imputação e a clientela por esta promovida e alcançada.

Franquia de distribuição- o franqueado limita-se a vender certos produtos num


armazém/loja que usa a insígnia do franqueador.
Exemplo: Benetton
A franquia tem uma expressão bastante marcada em Portugal designadamente a partir
da década de 80 do século XX.

Contrato de Locação Financeira (Leasing) 36

Contrato pelo qual uma das partes(Locador) se obriga, mediante remuneração, a


ceder à outra (locatário) o gozo temporário de uma coisa, móvel ou imóvel, adquirida
para o efeito pelo primeiro a um terceiro (fornecedor) ficando o último investido no
direito de a adquirir em prazo e por preço determinado.

Vantagens do Contrato de Locação Financeira

Locador- conserva a propriedade de uma coisa durante a vigência contratual,


beneficia de uma garantia superior aqueles que usufrui por regra nas demais
operações de crédito ativas.

Locatário- representa forma de financiamento integral da coisa utilizada sem


endividamento direto, tem vantagens contabilísticas e fiscais associadas.

Desvantagens do Contrato de Locação Financeira


Tem custos mais elevados face a outras modalidades alternativas de crédito e
financiamento bancário.

O contrato de Locação financeira é um contrato nominado e típico

 Encontra-se previsto e regulado no DL nº 149/95, de 24 de Junho


 DL nº 72/95, de 15 de Novembro (sociedades de locação financeira)
 Convenção de Otawa de 1988 (contratos internacionais)
O Contrato de Locação Financeira constitui uma operação que, celebrada entre um
banco ou instituição creditícia especializada (sociedade de locação financeira – art. 3º
al. g) e art. 4º/1 al. b) do RGIC) e uma pessoa singular ou coletiva é caracterizada
pelos seguintes elementos definidores fundamentais:
 Obrigação do locador adquirir ao fornecedor a coisa imóvel ou móvel indicada
pelo locatário
(mediante celebração do contrato de compra e venda),
concedendo temporariamente ao locatário o gozo da mesma

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 Obrigação do locatário pagar ao locador uma ‘’renda’’
, que funciona simultaneamente como retribuição pelo serviço financeiro e
amortização do financiamento prestados

 Direito do locatário comprar a coisa pelo respetivo prazo residual no termo do


contrato

Modalidades do Contrato de locação Financeira


 Imobiliária ou Mobiliária

Tendo por objeto bens imóveis ou móveis – aviões, navios, automóveis,


equipamentos

 Material ou Imaterial

Incidindo sobre bens corpóreos ou incorpóreos – empresas, marcas, ações, sistemas


informáticos

 Empresarial ou consumista

Consoante celebrada por empresa ou entidade em conexão com a sua actividade


profissional ou por consumidor

 Total ou Parcialmente Amortizada

Consoante a soma dos pagamentos realizados pelo locatário cobre a integralidade ou


apenas parte do preço da operação de financiamento

 Normal ou Restitutiva
Consoante o bem objeto do contrato foi adquirido a um fornecedor ou ao próprio
locatário
Regime Jurídico do Contrato de Locação Financeira

O Contrato de Locação está sujeito à forma escrita (exige-se o reconhecimento


presencial das assinaturas das partes no caso de bens imóveis, exceto se estas forem
realizadas diante de oficial de registo) e à competente publicidade registral (na locação
financeira de bens imóveis e móveis) – art. 3º do DL nº 149/95, de 24 de junho e art. 36
2ª/1 1) do Código do Registo Predial

 O prazo supletivo de duração contratual é de 18 meses ou 7anos, consoante


se trate de bens móveis ou imóveis, jamais podendo ser convencionado prazo
superior a 30anos (art. 6º)

 O conteúdo contratual abrange diversos direitos e deveres, que se encontram


exemplificativamente enunciados na lei – art. 9º e 10º.

Propriedade Industrial

As criações intelectuais podem ser objeto de um direito de propriedade – um direito de


propriedade industrial. Este direito permite:

1. Assegurar a uma pessoa singular ou coletiva o pleno exercício dos seus meios
industriais e comerciais

2. Garanti-lo contra as intromissões de terceiros através de usurpação e


comportamentos ilícitos.

A PI é composta por dois institutos jurídicos:

1. Os direitos de propriedade industrial e os direitos de autor. Enquanto a


propriedade industrial inclui a proteção de invenções (patentes e modelos de
utilidade), as criações estéticas (design) e dos sinais usados para distinguir
produtos e empresas no mercado.
2. O direito de autor e os direitos conexos incluem as obras literárias e artísticas
(incluindo as criações originais da literatura e das artes), direitos dos artistas e
intérpretes e direitos de produtores de registos. 

O que pode ser protegido ou registado (PI)


 As Invenções

Os resultados da actividade inventiva em todos os domínios tecnológicos podem ser


protegidos, a título temporário, através de:

Patentes
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Modelos de Utilidade

Certificados Complementares de Proteção (CCP)

Topografias de Produtos Semicondutores

Os Sinais

Um elemento gráfico, como uma figura ou uma palavra, que sirva para identificar no
mercado produtos ou serviços, estabelecimentos ou entidades pode ser protegido
através de:

Marcas
Logótipos

Denominações de Origem

Indicações Geográficas

O Design

A aparência ou o design de um objeto (a configuração estética resultante da actividade


criativa das empresas e dos designers) pode ser protegido através de:

Desenhos ou Modelos

Onde podemos proteger ou registar?

Os direitos de propriedade industrial (as marcas, as patentes, os desenhos ou


modelos, entre outros) são direitos territoriais, sendo que o registo e a proteção obtida
em Portugal – junto do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) não
protege a marca, a patente, ou o design em nenhum outro país.

Para o efeito de proteção no estrangeiro, o pedido de registo ou de proteção em


Portugal permite beneficiar, num prazo de 6 ou 12 meses, de um direito de
prioridade para apresentar o pedido noutro território: em qualquer Estado-Membro
da Organização Mundial do Comércio (OMC.) ou da Convenção da União de Paris
para a Proteção da Propriedade Industrial (CUP).

Respeitado este prazo, o pedido que efetuar no estrangeiro beneficiará da data do


pedido que efetuou inicialmente em Portugal (o que se designa por "reivindicação de
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prioridade"), o que poderá constituir uma enorme vantagem.

Principais entidades de proteção intelectual?

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) procura assegurar a proteção e


promoção da Propriedade Industrial, quer a nível nacional, quer internacional, de
acordo com a política de modernização e fortalecimento da estrutura empresarial do
país, nomeadamente em colaboração com as organizações internacionais de que
Portugal é membro.

 Instituto Nacional da Propriedade Industrial A Organização Mundial da Propriedade


Intelectual (OMPI) dedica-se ao desenvolvimento de um sistema de propriedade
industrial equilibrado, que privilegie a criatividade, estimule a inovação e contribua
para o desenvolvimento económico, ao mesmo tempo que salvaguarde o interesse
público. A Organização Europeia de Patentes (OEP) é uma organização
intergovernamental, criada em 1977 com base na Convenção Europeia de Patentes,
assinada em Munique em 1973. Atualmente, a organização conta com 35 estados
membros.

Organização Europeia de Patentes


O Instituto de Harmonização do Mercado Interno (IHMI)é o organismo oficial para o
registo de marcas patentes da União Europeia. Assume-se como uma porta de
entrada para o Mercado Único, oferecendo proteção aos direitos de propriedade
intelectual e industrial num mercado constituído por 27 países e cerca de 500 milhões
de habitantes Instituto de Harmonização do Mercado Interno

Definição de Propriedade Industrial?

A Propriedade Intelectual abrange o conjunto de direitos intelectuais, conhecidos


normalmente como direitos de autor e direitos conexos, particularmente relacionados
com a criação de obras intelectuais, sejam elas de carater científico-literário, musical,
artístico, etc.

Os objetos que surgem da atividade intelectual do ser humano designam-se bens


intangíveis ou bens imateriais, pelo que tanto os direitos de propriedade industrial
como os de propriedade intelectual visam a proteção dos bens intangíveis,
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propriedade das empresas ou pessoas que os criam ou que ostentam a sua
titularidade.

Note-se que em muitos países, como por exemplo aquela cuja legislação é de origem
ou de fonte anglo-saxónica, a propriedade industrial e a propriedade intelectual
fundem-se em um único conceito: o da Propriedade Intelectual (Intellectual Property,
em inglês). No panorama económico atual, tem vindo a ser demonstrado que os
Estados com maior capacidade de produção de bens intangíveis são os que melhor
suportam as oscilações da economia.

BENEFÍCIOS DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL E


INTELECTUAL
A sua atividade empresarial pode beneficiar da propriedade industrial e intelectual de
várias formas:

• Protegendo a inovação e a criação de novos produtos e serviços;

• Obtendo licenças de exploração de produtos ou processos patenteados por outras


empresas;

• Concedendo licenças de exploração sobre as suas próprias patentes;

• Utilizando a inovação ou incorporando técnicas protegidas por patentes e modelos de


utilidade que tenham expirado e que são de domínio público;

• Utilizando a informação tecnológica presente nas patentes, para avaliar a inovação


da concorrência e seu o grau de proteção. A informação tecnológica também é útil
para conhecer e avaliar a inovação dos setores tecnológicos que interessem à sua
empresa;

• Utilizando a informação tecnológica para a procura de colaboradores, parceiros e


aliados, tanto do mesmo setor, como de setores complementares, que estejam
interessados em realizar ações conjuntas.
O QUE SE PROTEGE NUMA EMPRESA?
A Propriedade Industrial compreende a proteção de:

1. Invenções, desenhos industriais, marcas de fábrica (produtos) e de serviços,


bem como logótipos das empresas.
2. A Propriedade Intelectual concerne as criações artísticas e literárias, de entre 36

as quais se devem referir: obras científicas, musicais, audiovisuais e plásticas,


alocuções, conferências, projetos, desenhos,programas de computador, bases
de dados, pantomimas, fotografias, etc...

O que é uma empresa de base tecnológica?

Podemos definir Empresas de Base Tecnológica (EBTs), as empresas que centram a


sua atividade na inovação ou na investigação e no desenvolvimento tecnológico
gerando, consequentemente, novas técnicas, processos ou produtos. Estes tipos de
empresas tecnológicas são muito importantes para o desenvolvimento económico. Por
um lado, as atividades de inovação e investigação promovem a criação de emprego
qualificado; por outro lado, a criação de novos produtos e novos processos potencia o
crescimento da empresa, em particular, e, em geral, o crescimento económico do seu
contexto empresarial. De igual forma é importante referir que muitas destas empresas
provêm, em grande parte, da colaboração de universidades e de unidades públicas de
investigação, participando ativamente com estas em projetos de interesse comum. Um
tecido empresarial formado por empresas de base tecnológica sólidas é um
prognóstico de um futuro prometedor; daí a importância em que estes tipos de
empresas tenham amplos conhecimentos em matéria de propriedade industrial e
intelectual.

Papel da Propriedade Industrial e Intelectual na empresa de base


tecnológica

Tanto a propriedade industrial como intelectual servem para proteger o património


intelectual das empresas: os seus ativos intangíveis, sejam derivados do nome
comercial com que estas se identificam no mercado, do valor e reconhecimento das
suas marcas, do desenho dos produtos e sua apresentação, da inovação ou melhoria
dos produtos, técnicas ou processos, dos novos e diferentes softwares e programas
de computador criados, da produção científica, literária e, em geral, do seu know-how.
Como referido anteriormente, em Espanha e Portugal diferenciam-se a propriedade
industrial da propriedade intelectual, ainda que devamos salientar que em muitas
empresas de base tecnológica, ambos os sectores se encontram intimamente
relacionados. Os direitos referentes a uma e outra designação aplicam-se a diferentes
tipos de criações intelectuais (derivadas do intelecto humano), mas recebem,
juridicamente, um tratamento diferente. Tanto a propriedade industrial como a
36
propriedade intelectual, formam um grupo muito heterogéneo de direitos cujo principal
objetivo é recompensar o esforço inovador, criativo, inventivo e económico levado a
cabo pelo seu titular.

O que implica o Regime Geral de Proteção de Dados numa


empresa?
Todas as empresas terão de adotar os princípios da proteção de dados desde a
conceção (privacy by design) e da proteção de dados por defeito (privacy by default).
Contudo, o impacto real do novo Regulamento depende do sector de atividade das
empresas, assim como da sua dimensão e processos atuais de tratamento e
segurança de dados pessoais. A maior mudança será, sobretudo, organizacional. Ou
seja, as empresas devem rever os seus procedimentos internos, perceber que dados
pessoais de terceiros são recolhidos, para que finalidade, como é o seu
armazenamento e como são geridos os acessos, entre outros aspetos.

A responsabilidade do cumprimento do RGPD cabe, exclusivamente, a cada empresa,


que deverá atualizar os seus processos internos ou definir novos processos para dar
resposta ao Regulamento. Deverão ainda, por exemplo, analisar e rever os impressos
e políticas de privacidade atuais (incluindo os avisos legais em formulários que peçam
dados a terceiros), atualizar os processos de transferências de dados e criar níveis de
permissão com acessos diferenciados.

DIREITO DA CONCORRÊNCIA
Concorrência na economia de mercado, significa a circunstância na qual se encontram
fornecedores de produtos ou serviços, disputando uma clientela que se disponha a
adquiri-los, e tendo por um fim objetivo empresarial, que pode ser maior lucratividade,
maior volume de vendas ou simplesmente uma maior parcela de mercado
A origem etimológica da palavra “concorrer” é o latim concurrere ( cum currere), que
significa correr juntamente. Todavia, embora o vocábulo traduza uma idéia de
cooperação, o sentido que se lhe atribuiu modernamente não é de “associação”, mas
sim de “competição”, sendo “concorrentes” aqueles que disputam entre si.
A concorrência também é compreendida como o processo de formação de opinião,
36
situação que permite a livre circulação de informações confiáveis, de acordo com a
qual os agentes econômicos vão tomar suas decisões num determinado mercado.

O mercado competitivo é aquele em que essas forças estão em equilíbrio, estendendo


sempre para o estabelecimento do chamado “preço de mercado”. Isso ocorre em
função da relação entre a quantidade de produto ou serviço disponível, oferecida pelos
fornecedores, e a quantidade que os consumidores desejam – e podem – comprar.

A IMPORTÂNCIA DA CONCORRÊNCIA
É essencial a presença da concorrência no contexto de uma economia de mercado,
posto que a mesma possibilita um aumento na variedade e na qualidade de produtos,
e ainda certifica para a diminuição dos preços dos mesmos. É a concorrência o fator
determinante para que os preços exprimam à relação de equilíbrio entre a oferta e a
procura. O papel do estado no domínio económico, tem por objetivo garantir a
competição entre empresas no mercado. Ou ainda, constitui o conjunto de regras que
disciplina a disputa travada no mercado, entre os agentes econômicos que buscam –
criar e manter clientes.

Definição de Insolvência
Impossibilidade por parte de uma pessoa singular ou empresa de pagar todas as suas
dívidas. De facto, a palavra insolvência serve para designar a situação de insolvência,
que tanto pode ser analisada sob uma perspetiva de cessação de pagamentos como
também de uma perspetiva de insuficiência patrimonial – manifesta superioridade do
passivo face ao ativo. Na verdade, quando o devedor, pessoa singular ou empresa,
se encontrar nesta situação deve requerer a insolvência pessoal ou a insolvência de
empresas.
Processo de Insolvência
O processo de insolvência é um processo de execução universal, que tem como
finalidade a satisfação dos credores pela forma prevista no plano de insolvência,
baseado, nomeadamente, na recuperação da empresa, compreendida na massa
insolvente, ou, quando tal não se represente possível, na liquidação do património do 36
devedor insolvente e a repartição do produto obtido pelos credores. Ora, esta definição
do processo de insolvência é a que está consagrada logo no art. 1.º do Código da
Insolvência e da recuperação de Empresas (CIRE). Assim, em primeiro lugar, o
processo de insolvência é um processo de execução universal uma vez que visa a
satisfação de todos os credores de um só devedor. Com este processo pretende-se
repartir o produto da liquidação do património do devedor por todos os seus credores
em igualdade de circunstâncias.

Ora, o processo de insolvência pessoal e de insolvência de empresas é também um


processo cada vez mais frequente  nos dias de hoje, sobretudo depois da grave crise
económica que o país atualmente atravessa. O processo de insolvência constitui uma
sequência encadeada de atos e formalidades que se inicia com a apresentação à
insolvência por parte do devedor ou com o pedido de insolvência por parte de um
credor e que termina com o pagamento aos credores ou com qualquer outra causa de
extinção do processo. Porém, o processo de insolvência em sentido amplo
compreende ainda todos os incidentes que surgem na pendência do processo, como
por exemplo, a oposição à insolvência, a verificação e graduação de créditos,
a exoneração do passivo restante, a resolução em benefício da massa insolvente, a
restituição e separação de bens, entre outros.

 Por outro lado, o processo de insolvência é também um processo de execução


genérica ou total, uma vez que abrange todo o património do devedor e não apenas os
bens necessários para fazer face a algum ou alguns créditos. Porém,
excecionalmente, é possível que o processo termine com a satisfação integral dos
créditos de todos os credores sem que tenha sido liquidado todo o património do
devedor. Por visar a obtenção de providências adequadas à reparação efetiva de
direitos de crédito, constitui também uma ação executiva. Todavia, é uma execução
com muitos elementos declarativos. É também um processo especial uma vez que se
afasta do regime jurídico geral das execuções estabelecido no Código de Processo
Civil.
Insolvência de empresas
Apesar da recuperação que a Economia Portuguesa atualmente atravessa o número
de processos de insolvência de empresas ainda é bastante elevado.   Com efeito, o
fraco poder de compra das famílias, as dificuldades no acesso ao crédito, os impostos
elevados, a dificuldade em aprovar planos de recuperação continuam a colocar as 36
empresas portuguesas em grandes dificuldades.

Quem pode pedir a insolvência de uma empresa?

São vários os sujeitos que podem requerer a insolvência de uma empresa, desde logo,
os respetivos credores (por exemplo, trabalhadores, bancos, fornecedores, Ministério
Público em representação das Finanças e da Segurança Social, etc.).

Dever de apresentação à insolvência:

As pessoas coletivas, em especial, as sociedades comerciais (as sociedades por


quotas, as sociedades unipessoais por quotas, e as sociedades anónimas) têm
um dever legal de se apresentar à insolvência. A iniciativa da apresentação à
insolvência cabe ao órgão social incumbido da sua administração, ao gerente nas
sociedades por quotas e sociedades unipessoais por quotas ou ao conselho de
administração nas sociedades anónimas.

   Com efeito, a partir do momento em que demonstrem não ter capacidade para
cumprir com as suas obrigações vencidas os gerentes ou administradores têm a
obrigação legal de, em 30 dias, apresentar as respetivas sociedades à insolvência.
Ora, tal não acontece se a empresa estiver apenas em situação económica difícil,
caso em que poderá recorrer ao processo especial de revitalização (PER).

Consequências / efeitos da insolvência de empresas. Liquidação: 


Sobre as consequências da insolvência de empresas para os gerentes ou
administradores. Uma vez decretada a insolvência todos os bens que integrem o
património da empresa, quer sejam bens imóveis, bens móveis, créditos passam a
integrar a massa insolvente (por ex., edifícios, máquinas, equipamentos, stocks,
veículos, marcas, patentes, créditos sobre clientes, etc…). É nomeado
um administrador de insolvência pelo Tribunal que é investido dos poderes de
administração e de disposição dos bens integrantes da massa
insolvente, representando o devedor para todos os efeitos de caráter patrimonial que
interessem ao processo. Na sentença de declaração de insolvência o Juiz decreta
a apreensão, para entrega imediata ao administrador da insolvência, de todos os bens
que integrem o património da empresa, incluindo os seus elementos de
contabilidade. Depois de apreender todos os bens da empresa, o administrador de
36
insolvência vai proceder à respetiva venda. A venda da empresa deve ser realizada
como um todo, a não ser que se reconheça vantagem na liquidação ou na alienação
separada de certas partes. Depois da venda, o administrador da insolvência vai pagar
aos credores, com o dinheiro obtido com a venda e de acordo com a respetiva
prioridade e graduação. Os gerentes ou administradores da empresa ficam vinculados
a um dever genérico de prestar toda a colaboração que for requerida
pelo administrador de insolvência para efeitos de desempenho das suas funções.

Direitos dos trabalhadores na insolvência de empresas:

 Por força dos respetivos privilégios creditórios, os trabalhadores têm direito a receber


os seus créditos resultantes de salários, subsídios de férias, de Natal, de refeição,
compensações e indemnizações com prioridade face a todos os outros credores. Se
não conseguirem obter a satisfação dos seus créditos no âmbito do processo de
insolvência os trabalhadores também podem recorrer ao Fundo de Garantia Salarial. 

Dissolução da empresa insolvente:

A declaração de insolvência da empresa (sociedade por quotas, unipessoal ou


sociedade anónima) tem como consequência a dissolução e extinção da
sociedade (com o encerramento definitivo do processo), sendo esses factos sujeitos
ao Registo Comercial e ao Registo Nacional de Pessoas Coletivas.

Plano de insolvência / plano de recuperação:

 No âmbito do processo de insolvência de empresas, o administrador de


insolvência ou qualquer credor ou grupo de credores que representem pelo menos 1/5
dos créditos podem apresentar um plano de insolvência. O plano de insolvência pode
prever a recuperação da empresa, se esta ainda tiver viabilidade económica, caso em
que tem a designação de plano de recuperação. Em alternativa, o plano de insolvência
também pode prever a liquidação da empresa e o pagamento aos credores em termos
diferentes dos estabelecidos no Código da Insolvência e da Recuperação de
Empresas (CIRE).

Suspensão das penhoras: 36

 Outro dos efeitos da declaração de insolvência é a suspensão com efeito imediato de


todas as ações executivas e penhoras pendentes contra o devedor insolvente que
visem executar bens compreendidos na massa insolvente. Assim, por exemplo, se o
devedor estiver a ser alvo de uma penhora de vencimento a declaração de insolvência
tem como consequência, por força da Lei, o seu levantamento imediato.  Por outro
lado, deixa de ser permitido aos credores a instauração de novas ações
judiciais (declarativas ou executivas) para a cobrança coerciva dos respetivos créditos.

Fixação de residência do insolvente:

Outro dos efeitos da declaração de insolvência é a definição da morada do devedor. O


insolvente fica assim sujeito a uma espécie de “Termo de identidade e residência”.

Insolvência culposa
Uma das consequências da insolvência de uma empresa para os gerentes ou
administradores é a possibilidade de ser aberto o incidente de qualificação da
insolvência como culposa ou ocasional.  A insolvência é considerada culposa se tiver
sido criada ou agravada em consequência da atuação, dolosa ou com culpa grave,
dos seus gerentes ou administradores, de direito ou de facto, nos três anos anteriores
ao início do processo de insolvência. Por outro lado, será considerada
como insolvência ocasional sempre que tal não se verifique. Contudo, o incidente de
qualificação de insolvência apenas é declarado aberto, se o juiz dispor de elementos
que justifiquem a sua abertura, nomeadamente se tiver sido requerido por algum
credor ou pelo administrador de insolvência.

Se a insolvência da empresa for considerada culposa pelo Tribunal as consequências


da insolvência para os gerentes ou administradores podem ser, consoante o caso:

- Inibição para administrar patrimónios de terceiros por um período de 2 a 10 anos;


- Inibição para o exercício do comércio durante um período de 2 a 10 anos, bem como
a inibição para a ocupação de qualquer cargo de titular de órgão de sociedade
comercial ou civil (por ex. gerente, administrador, etc.…), associação ou fundação
privada de atividade económica, empresa pública ou cooperativa;

- Condenação na indemnização aos credores do devedor declarado insolvente no


36
montante dos créditos não satisfeitos até às forças dos respetivos patrimónios, sendo
solidária tal responsabilidade entre todos os afetados; entre outras.

Violação do dever de apresentação à insolvência:

 Se o dever de apresentação à insolvência não for cumprido dentro do prazo previsto


na Lei, estabelece-se uma presunção ilidível (admite prova em contrário) de culpa
grave sobre os gerentes ou administradores na criação ou agravamento da situação
de insolvência da empresa. Ora, se os gerentes ou administradores não conseguirem
ilidir esta presunção de culpa grave que sobre eles recai a insolvência será
considerada culposa.

Reversão fiscal:
Outra das consequências da insolvência da empresa para os gerentes ou
administradores, nos casos em que há incumprimento de dívidas fiscais, é a reversão
fiscal. Tratam-se de casos, muito frequentes, em que há incumprimento das dívidas
por parte da empresa às Finanças e à Segurança Social e os bens que integram o
património da empresa não são suficientes para satisfazer esses créditos; nesses
casos, o processo de execução fiscal que foi intentado contra a empresa segue contra
os respetivos gerentes ou administradores, executando-se e penhorando-se o seu
património pessoal.

A reversão fiscal não é necessariamente uma consequência da insolvência da


empresa, mas sim uma consequência do incumprimento de dívidas fiscais e à
Segurança Social. Contudo, como muitas vezes o incumprimento de dívidas fiscais e à
Segurança Social conduz a empresa para uma situação de insolvência, a reversão
fiscal das dívidas da empresa para os respetivos gerentes acaba muitas vezes por ser
indiretamente uma consequência da insolvência para o gerente.
Responsabilidade civil

A Lei permite também que, na pendência do processo de insolvência, o administrador


da insolvência possa intentar uma ação de responsabilidade civil, nos termos gerais,
em favor da massa insolvente da empresa, contra os respetivos gerentes ou
administradores, de Direito ou de facto, sócios e membros do órgão de fiscalização (se 36
houver),esta ação de responsabilidade civil tem procedência se se demonstrar que
ocorreram danos ou prejuízos causados à sociedade por atos ou omissões dos
respetivos gerentes ou administradores se estes tiverem violado os seus deveres de
cuidado, diligência e de lealdade. Contudo, a responsabilidade dos gerentes ou
administradores é excluída se estes provarem que atuaram em termos informados,
livres de qualquer interesse pessoal e segundo critérios de racionalidade económica
(business judgement rule). Se a ação tiver procedência os gerentes ou
administradores terão que indemnizar com o seu património pessoal a massa
insolvente da empresa pelos danos causados.

Insolvência dolosa:
A insolvência dolosa é um crime previsto e punido no art. 227.º do Código Penal. Se
for aberto o respetivo procedimento criminal, se se verificarem os pressupostos do
crime e se houver condenação, o gerente incorre numa pena de prisão até 5 anos ou
multa até 600 dias.

Direitos dos trabalhadores na insolvência de empresa

Um aspeto essencial no domínio da insolvência de empresas são os direitos dos


trabalhadores. De facto, com o número ainda elevado de processos de insolvência de
empresas torna-se pertinente a proteção dos direitos daquela que é, em princípio, a
parte contratual mais fraca da relação jurídica laboral: os trabalhadores.

Direito de pedir a insolvência da empresa:

 Os trabalhadores são credores da empresa em relação aos seus salários


(eventualmente já em falta), subsídios de férias, subsídios de Natal, subsídios de
alimentação, compensações ou indemnizações por violação ou cessação do respetivo
contrato de trabalho, etc.  Ora, se existir, entre outros, incumprimento generalizado,
nos últimos seis meses, de dívidas emergentes de contrato de trabalho, da violação ou
cessação deste, pode ser requerida a insolvência da empresa por qualquer credor, e,
por isso, também pelos próprios trabalhadores.

36
Compensação / indemnização pelo despedimento (cessação do
contrato de trabalho):
 Nos termos da Lei, o trabalhador tem direito a uma compensação/indemnização pelo
despedimento (cessação do seu contrato de trabalho), decorrente do encerramento
definitivo do estabelecimento onde realiza a sua atividade, após a declaração de
insolvência da respetiva empresa.

 Essa compensação/indemnização corresponde a 12 dias de retribuição base (salário)


por cada ano (ou meses) de antiguidade. Por exemplo, um trabalhador que tenha um
salário base de 800 Euros e esteja na empresa há 5 anos e 9 meses tem direito a uma
compensação/indemnização de1842,30 €. (800,00 € : 30 dias = 26,70 € por dia; 26,70
€ x 12 dias = 320,40 € por cada ano de antiguidade; 320,40 € x 5 anos = 1602,00 € por
5 anos de antiguidade; 9 x 320,40 € : 12 = 240,30 € por 9 meses de antiguidade;
1602,00 € + 240,3 = 1842,30 Euros de compensação por 5 anos e 9 meses de
antiguidade).

Créditos laborais pagos em primeiro lugar


Os créditos laborais, ou seja, os créditos que resultem de salários, subsídios de férias
e de Natal, da compensação/indemnização por cessação do contrato de trabalho e
eventualmente outras compensações ou indemnizações gozam de um privilégio
creditório especial imobiliário que incide sobre o imóvel da entidade empregadora
onde o trabalhador realiza a sua atividade, que prevalece sobre qualquer outro crédito.
Os créditos laborais que beneficiarem deste privilégio creditório especial imobiliário
são considerados, para todos os efeitos, como créditos garantidos. Isto significa que,
após pagas as dívidas da massa insolvente (custas do processo, honorários
do administrador judicial, etc…) os trabalhadores são pagos em primeiro lugar face a
todos os outros credores, incluindo as Finanças, a Segurança Social e os
credores titulares de direitos reais de garantia emergentes de hipoteca sobre o imóvel
onde for realizada a atividade laboral.
Por outro lado, os trabalhadores beneficiam também de um privilégio creditório
mobiliário geral, que prevalece inclusive, sobre os privilégios creditórios gerais das
Finanças e da Segurança Social. Neste caso, os créditos laborais serão qualificados e
graduados como créditos privilegiados.

  36

Reclamação de créditos
Porém, para que os créditos laborais possam ser pagos é necessário que os
trabalhadores apresentem no processo de insolvência a sua reclamação de créditos.

Fundo de Garantia Salarial


No caso de os créditos laborais não conseguirem ser pagos no âmbito do processo de
insolvência após liquidação de todo o património da empresa os trabalhadores podem
recorrer ao Fundo de Garantia Salarial (para mais desenvolvimentos consultar: Fundo
de Garantia Salarial).

Direito ao(s) salário(s) após a declaração de insolvência da empresa:

   Ora, nos termos da Lei a declaração de insolvência da empresa não faz cessar os
contratos de trabalho, devendo o administrador de insolvência continuar a pagar
integralmente os salários e outros complementos, enquanto o estabelecimento não for
permanentemente encerrado. Os trabalhadores continuam, portanto, a ter um vínculo
jurídico-laboral com a empresa, mesmo após esta ser declarada insolvente, mas que
cessa com o encerramento definitivo do estabelecimento onde o trabalhador realiza a
sua atividade. Porém, entre a sentença de insolvência e o encerramento definitivo do
estabelecimento o administrador de insolvência pode rescindir o contrato de trabalho
dos trabalhadores que não sejam imprescindíveis à atividade da empresa.

Exploração da empresa após a declaração de insolvência:

 Declarada a insolvência da empresa pelo Tribunal, se o administrador de insolvência


optar por continuar a explorar a empresa, os créditos laborais resultantes de salários,
subsídios de férias e de Natal bem como outros complementos dos trabalhadores,
após a sentença que declarar insolvência constituem verdadeiras dívidas da massa
insolvente, sendo pagas imediatamente com prevalência sobre qualquer outro crédito,
juntamente com as custas do processo e com os honorários do administrador de
insolvência.

36
Plano de recuperação
 O plano de recuperação prevê o modo de pagamento aos credores através da
revitalização do devedor.  O plano de recuperação é aplicável não só no âmbito
do Processo Especial de Revitalização como também no âmbito do processo de
insolvência. Com efeito, tanto num processo como noutro é possível iniciar
conversações com os credores com vista à aceitação de um plano de recuperação
que preveja a recuperação económica do devedor. O plano de recuperação pode
conter providências com implicação na estrutura do passivo do devedor,
designadamente: o perdão ou diminuição do montante dos créditos, quer quanto
ao capital, quer quanto aos juros; moratórias (alargamento dos prazos de
pagamento); o condicionamento do pagamento de todos os créditos às capacidades
do devedor; a alteração das taxas de juro; alteração dos prazos de vencimento, etc...

Contudo, o plano de recuperação não produz efeitos em relação aos créditos


tributários. Com efeito, a Lei Fiscal que, neste caso, prevalece sobre o CIRE determina
que os créditos fiscais são indisponíveis, não podendo, por isso, ser afetados pela
aprovação de planos de reestruturação do passivo do devedor.

O plano de recuperação deve descrever as modificações que dele decorrem para a


esfera jurídica dos credores. Deve também indicar expressamente que se trata de um
plano de recuperação, descrever as medidas adequadas à sua implementação e
integrar todos os elementos importantes para a sua aprovação pelos credores e
homologação pelo Juiz.

Entre esses elementos, terá de constar uma descrição da situação económica,


financeira e patrimonial do devedor (nomeadamente, através do resultado líquido, o
volume de negócios, o ativo (fixo e circulante), o passivo e os capitais próprios). No
caso de se optar pela manutenção da atividade da empresa exige-se ainda que sejam
fornecidos aos credores os elementos que permitam confirmar a sua viabilidade
económico-financeira.

Processo especial de revitalização (PER)


 
O que é?
 
O processo especial de revitalização (PER) é um processo dirigido a empresas que se
encontrem em situação económica difícil ou em situação de insolvência meramente
iminente, mas que ainda sejam suscetíveis de recuperação por terem viabilidade
económica, e que se destina a promover negociações com os respetivos credores com 36
vista à aprovação de um plano de recuperação, conferindo-lhe a possibilidade de
continuar a exercer a sua atividade económica, e assim, evitar a insolvência.

Quem pode recorrer?


 
O processo especial de revitalização (PER) destina-se a empresas (sociedades por
quotas, sociedades unipessoais por quotas, sociedades anónimas, empresários em
nome individual, etc…) que se encontrem em situação económica difícil ou em
situação de insolvência meramente iminente. As pessoas singulares que não sejam
empresárias em nome individual (e as pessoas coletivas sem finalidades lucrativas,
como por ex. associações, fundações, misericórdias, etc) que se encontrem em
situação económica difícil podem recorrer ao processo especial para acordo de
pagamento (PEAP), que é um processo destinado a permitir a sua recuperação e
reestruturação e, assim, evitar a insolvência pessoal.

Finalidade
 
O processo especial de revitalização (PER) destina-se a reestruturar o passivo das
empresas que se encontrem em situação económica difícil ou em situação de
insolvência iminente; funciona, pois, como um mecanismo alternativo à insolvência de
empresas, que visa proteger a empresa e os postos de trabalho, mantendo a atividade
e suspendendo as penhoras e outras diligências executivas.O processo especial de
revitalização (PER) entrou em vigor em Maio de 2012, através da Lei n.º 16/2012, de
20 de Abril, que veio ajustar o Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas
(CIRE) às dificuldades económicas acentuadas da Economia Portuguesa, permitindo a
revitalização das empresas em situação económica difícil, quando estas tenham
viabilidade económica, evitando-se, por essa via, a deterioração da respetiva situação
financeira, patrimonial e contabilística.
Requisitos
Como se inicia?
 O processo especial de revitalização (PER) é um processo judicial, uma vez que corre
os seus termos no Tribunal. Por conseguinte, nos termos da Lei, só os Advogados,
devidamente mandatados pelos seus clientes, é que podem dar início a estes
36
processos.
  Para iniciar um processo especial de revitalização (PER) é necessário entregar no
Tribunal, nomeadamente:
- um requerimento subscrito e assinado pela empresa (respetivos administradores) e
por um credor ou credores que, não sendo especialmente relacionados com a
empresa, sejam titulares de, pelo menos, 10% de créditos não subordinados (sobre
quais é que são os créditos subordinados e respetivo regime consultar o nosso
artigo: créditos subordinados), a manifestar a vontade em iniciar o processo especial
de revitalização (PER) e de iniciar negociações com todos os credores com vista à
aprovação de um plano de recuperação.
- uma declaração escrita e assinada, há não mais de 30 dias, por um contabilista
certificado ou por um revisor oficial de contas, sempre que a revisão de contas for
legalmente exigida, a atestar que a empresa não se encontra em situação de
insolvência atual.
- uma proposta de plano de recuperação;
- a descrição da situação patrimonial, financeira e reditícia da empresa; entre outros
documentos.
 

Conteúdo: reestruturação do passivo


 
 O plano de recuperação contemplará uma proposta de reestruturação do passivo da
empresa, podendo nomeadamente prever: um alargamento dos prazos de pagamento,
uma redução de juros, um perdão de parte do capital das dívidas, a conversão de
créditos em participações sociais (quotas ou ações), bem como a apresentação de um
novo modelo de negócio. Para além de prever um programa calendarizado de
pagamentos, o plano de recuperação deve descrever as modificações que dele
decorrem para a esfera jurídica dos credores, as medidas adequadas à sua
implementação e integrar todos os elementos importantes para a sua aprovação pelos
credores e homologação pelo juiz.
 
Aprovação:
 Para que o plano de recuperação possa ser aprovado é necessário que seja votado
favoravelmente pelos credores. A regra na contagem dos votos é 1 Euro, 1 voto, ou
seja, é atribuído um voto por cada Euro de crédito.
Para que o plano de recuperação possa ter aprovação é necessário que: 36
- estejam presentes ou representados na votação credores que representem, pelo
menos, 1/3 dos votos (quórum constitutivo); e
- que o plano obtenha o voto favorável de, pelo menos, 2/3 da totalidade dos votos
efetivamente emitidos (quórum deliberativo), sendo que, pelo menos, ½ (metade)
desses votos efetivamente emitidos devem corresponder a créditos não
subordinados.   Em alternativa, o plano também pode ser aprovado sem a verificação
de qualquer quórum constitutivo (percentagem de credores cuja presença é
necessária para que o plano de recuperação possa ser admitido à votação), desde
que, recolha o voto favorável de credores que representem mais de ½ (metade) dos
votos, sendo que, mais de metade destes votos favoráveis devem corresponder a
créditos não subordinados.
 

Efeitos
 
O início do processo especial de revitalização (PER) tem os seguintes efeitos:
- são suspensas todas as penhoras e diligências executivas que corram contra a
empresa; por outro lado, deixa de poder ser possível aos credores intentar novas
ações para cobrança coerciva de dívidas (declarativas e executivas);
- os prestadores de serviços essenciais tais como eletricidade, gás natural, água,
telecomunicações, ficam impossibilitados de suspender o respetivo fornecimento por
não pagamento, durante todo o tempo em que decorrerem as negociações.
 

Créditos tributários:
 
 O plano de recuperação não produz efeitos em relação aos créditos tributários. Com
efeito, a Lei Geral Tributária (LGT) que, neste caso, prevalece sobre o CIRE determina
que os créditos fiscais são indisponíveis, não podendo, por isso, ser afetados ou
reestruturados pela aprovação de planos de reestruturação do passivo da empresa,
judiciais ou extrajudiciais.
 

Prazo para conclusão


 
As negociações para a aprovação do plano de recuperação no âmbito do processo
especial de revitalização (PER) têm de estar concluídas no prazo de 2 meses; esse 36
prazo pode ser prorrogado por uma só vez e por 1 mês.

 Insolvência ou processo especial de revitalização?


 
Situação económica difícil vs situação de insolvência:
    Se o devedor se encontrar em situação económica difícil, mas ainda for suscetível
de recuperação, por ter viabilidade económica o caminho mais adequado é o recurso
ao:
- processo especial de revitalização (PER), para as empresas; ou ao,
- processo especial para acordo de pagamento (PEAP), para as pessoas singulares;
 Se, ao invés, o devedor, pessoa singular ou coletiva, se encontrar em situação de
insolvência o caminho mais adequado é o processo de insolvência.
 Situação económica difícil: processo especial de revitalização (PER) ou processo
especial para acordo de pagamento (PEAP).
 Encontra-se em situação económica difícil o devedor que estiver com grandes
dificuldades para pagar assiduamente as suas dívidas, nomeadamente por ter falta de
liquidez ou por ter dificuldade de acesso ao crédito.
Nesse caso, e se ainda for suscetível de recuperação, por ter viabilidade económica
pode recorrer ao:
- processo especial de revitalização (PER), para as empresas; ou ao,
- processo especial para acordo de pagamento (PEAP), para as pessoas singulares-

Insolvência pessoal
 A grave crise económica que o País atravessa está a colocar as pessoas singulares e
as famílias portuguesas em grandes dificuldades. Na verdade, em situações de
impossibilidade para cumprir todas as suas obrigações vencidas o melhor caminho a
seguir é o processo de insolvência. Efetivamente, a declaração de insolvência
pessoal suspende todas as penhoras e outras diligências executivas que corram
contra o devedor e obsta à instauração ou ao prosseguimento de qualquer ação
executiva intentada pelos respetivos credores.
Ora, no âmbito da insolvência pessoal há dois caminhos possíveis: ou a insolvência
com a exoneração do passivo restante ou a insolvência com plano de pagamentos.

 Na insolvência pessoal com a exoneração do passivo restante, o devedor pode obter
um perdão das dívidas que não forem integralmente pagas no processo ou nos 5 anos
seguintes ao seu encerramento. O legislador português adotou assim, o princípio do
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fresh start, que já vigorava na legislação Norte-Americana e na legislação Alemã.

Pretende-se, pois, conceder ao devedor pessoa singular uma verdadeira segunda


oportunidade de recomeçar a sua vida económica.Por outro lado, o princípio do fresh
start surge conciliado com o Princípio do ressarcimento dos credores. Com efeito, na
insolvência pessoal apesar de a exoneração do passivo restante implicar a extinção
dos créditos do devedor, a verdade é que esses créditos já representavam um valor
reduzido dada a manifesta incapacidade do devedor em pagá-los.

 Na verdade, a exoneração do passivo restante implica já uma dupla oportunidade de


os credores obterem a satisfação dos seus créditos, uma vez que, para além de, com
o encerramento do processo de insolvência, se proceder à liquidação de todo o
património do devedor (casa, carro, etc) e à subsequente repartição do saldo líquido
aos credores, ainda se vai efetuar a cessão do rendimento disponível do devedor a um
fiduciário (administrador judicial) durante cinco anos, com a função de o repartir pelos
credores.

 Deste modo, após o encerramento do processo de insolvência pessoal, o devedor


fica, durante um período de 5 anos que é designado por período de cessão, obrigado
a ceder o seu rendimento disponível a um fiduciário (administrador de insolvência) que
irá destiná-lo ao pagamento dos créditos. No final desse período, se o devedor cumprir
todos os seus deveres o Juiz profere despacho de exoneração (perdão) dos créditos
que ainda subsistam. Após o despacho de exoneração ou despacho final, o devedor
fica totalmente liberto das dívidas da insolvência.

Em alternativa, na insolvência pessoal, a Lei admite que o devedor possa também


pedir a insolvência com a apresentação de um plano de pagamentos aos credores.
Ora, o plano de pagamentos terá de ser negociado com os credores de modo a
salvaguardar os seus interesses, uma vez que está sujeito à sua aprovação e à
homologação pelo juiz.

Quanto ao conteúdo, o plano de pagamentos trata-se substancialmente de uma


proposta de reestruturação do passivo do devedor. Assim, pode nomeadamente,
prever um alargamento dos prazos de cumprimento, redução das taxas de juro,
perdão de parte do capital, constituição de garantias, etc.

Conclusão
Nesta UFCD foram apresentados os diferentes tipos de contratos especiais, assim 36

como todas as suas características, abordamos também os temas da Propriedade


Industrial e Insolvências.

Está assim, explicito cada objetivo específico proposto para esta UFCD, devemos
aplicar todos estes conceitos na nossa vida profissional, enquanto técnicos
administrativos, bem como extrair ao máximo todos os conteúdos ministrados.

Bibliografia

 Legislação Comercial;
 Código da Sociedades Comerciais;
 Instituto Nacional da Propriedade Industrial;
 Portal CITIUS;
 Portal das Insolvências;
 Código das Insolvências e Processo de Recuperação.

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