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municípios com a integração ao SNC.

Com a institucionalização plena do SNC, é


de se esperar que tal aderência não mais seja facultativa, mas obrigatória, sendo
inclusive impostas sanções administrativas àqueles municípios que não atenderem
às recomendações emanadas pela legislação específica.
Assim, além de justificada pelos benefícios concretos trazidos aos entes
da administração pública participantes, a aderência ao SNC pode ser vista tam-
bém – e principalmente – como uma medida preventiva e democrática. Por essa
razão, são merecedoras de atenção as ações a serem adotadas pelas cidades para
integrarem tal sistema, o que é tratado abaixo, na forma de um roteiro passo a
passo simplificado:
a Assinar um Acordo de Cooperação com o Ministério da Cultura.
O guia do Ministério da Cultura intitulado “Estruturação,
Institucionalização e Implementação do Sistema Nacional de
Cultura”, de 2009 (disponível em: <http://blogs.cultura.gov.
br/snc/>), prevê um modelo básico de tal documento;

b Instituir um Sistema Municipal de Cultura, por meio de uma lei


específica, a ser encaminhada à Câmara dos Vereadores pelo
prefeito do município. O “Guia de Orientações para os Municípios:
Sistema Nacional de Cultura”, publicado pelo Ministério da Cultura
(disponível em: <http://blogs.cultura.gov.br/snc/2011/01/19/guia-
de-orientacoes-para-os-municipios/>), apresenta um modelo de
projeto de lei de criação de um Sistema Municipal. Mesmo aqueles
municípios que já tenham constituído os elementos mencionados
pelo SNC (Conselho de Cultura e Plano Municipal, por exemplo),
devem editar uma lei específica criando o Sistema Municipal;

c Instituir um órgão gestor do Sistema Municipal de Cultura. Normalmente,


tal órgão é constituído sob a forma de uma Secretaria Municipal de
Cultura ou, em alguns casos, sob a forma de uma Fundação Pública (é
o que ocorre em Belo Horizonte, com a Fundação Municipal de Cultura).
Quanto mais específico for tal órgão gestor, melhor. Ou seja, quanto
mais diversificadas forem as suas áreas de atenção e maior o número
de suas pastas (Cultura, Turismo, Esporte, Lazer, etc.), menor é a
chance de a cultura ser encarada como assunto prioritário. A instituição

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de uma secretaria ligada à prefeitura e de uma Fundação Pública
se dá por meio de lei específica aprovada na Câmara Municipal;

d Instituir um Conselho Municipal de Políticas Culturais. Tal órgão deve


ser paritário (conter no mínimo 50% de participação da sociedade
civil) e os representantes da sociedade devem ser eleitos de forma
democrática. Recomenda-se a realização de tais eleições em fóruns
municipais habituais que versem sobre a cultura. Municípios que
já possuam um conselho devem atentar para esses dois requisitos
básicos, sob pena de não poderem aderir ao SNC, caso não
venham a modificar a estrutura de tais órgãos. A regulação de tal
conselho também deve ser objeto de lei municipal específica;

e Instituir e realizar Conferências Municipais de Cultura. Uma


vez criado o conselho, devem ser organizadas conferências
no município, com a especial incumbência de sugerir e
deliberar a respeito do Plano Municipal de Cultura;

f Instituir um Plano Municipal de Cultura. Consequência direta e


primeira das Conferências Municipais de Cultura, o plano deve
conter as diretrizes e metas a serem cumpridas pelos municípios
no trato da cultura (é a institucionalização efetiva das políticas
públicas para a área). O Ministério da Cultura determina a vigência
de, no mínimo, 10 anos para cada plano, alcançando assim até três
gestões diferentes de Governo. O Plano Municipal de Cultura deve
ser objeto de uma lei específica, a qual pode conter na forma de um
anexo o plano propriamente dito, determinado pelas conferências
(assim como acontece em relação ao Governo Federal, por meio
da Lei 12.323/2010, que pode servir de referência aos municípios);

g Instituir um Sistema de Financiamento à Cultura, prevendo no


mínimo e obrigatoriamente um Fundo Municipal. Vários são os
municípios que já possuem leis de incentivo à cultura. Contudo,
nem todos preveem a figura do fundo, responsável pelo repasse
direto de dinheiro público a projetos estratégicos. Muitos criam

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unicamente a figura do mecenato, que, no caso dos municípios,
permite a renúncia fiscal por parte dos patrocinadores que sejam
contribuintes de impostos municipais (normalmente Imposto sobre
Serviços de Qualquer Natureza – ISSQN e/ou Imposto Predial
e Territorial Urbano – IPTU)38. Mas, para aderir ao SNC, deve o
município necessariamente adotar um fundo, sendo dispensável
(embora altamente recomendável) a figura do mecenato municipal.

As medidas acima indicadas são consideradas as ações básicas para par-


ticipação de um município no SNC, popularmente conhecidas como “CPF da Cul-
tura” (fazendo-se referência às figuras principais do Conselho, Plano e Fundo).
Desse modo, a inexistência em dado Município das demais figuras acima referidas
– Sistemas Setoriais de Cultura, Sistemas de Informações e Indicadores Culturais e
Programa Nacional de Formação na Área da Cultura – não o impossibilita de par-
ticipar do SNC, no atual contorno dado pelo Ministério da Cultura.

O papel da sociedade civil e os


mecanismos de fomento das políticas públicas
Indubitavelmente, a sociedade civil organizada possui papel de fundamental im-
portância – senão central – no desenvolvimento da cultura e das políticas públicas
nas diversas regiões do País.
Além de apresentar seus projetos particulares perante as instâncias de
incentivo, o que é fundamental à garantia da diversidade cultural, cabe à socie-
dade civil participar ativamente das políticas culturais e envolver-se com a gestão
pública da cultura nos municípios. Um dos principais papéis que lhe competem é,
portanto, pressionar os representantes locais (prefeituras, câmaras de vereadores,
secretarias) para que os municípios façam a adesão ao SNC e, em um segundo mo-
mento, adotem as medidas previstas em tal sistema.
Em seguida, cumpre à sociedade civil participar dos Conselhos Munici-
pais de Políticas Culturais, órgão paritário e eleito democraticamente (é recomen-
dável a realização de fóruns locais tendo por uma das atribuições a eleição dos

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O mecenato via renúncia de ISSQN é, contudo, o mais comum. E variam os municípios no
estabelecimento dos patamares de isenção: alguns permitem a renúncia fiscal da totalidade
do investimento, outros estabelecem limites menores de isenção.

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