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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL

“DR. RAUL BAUAB” COLÉGIO DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL “DR. RAUL BAUAB”


JAHU
REDAÇÃO – ENSINO MÉDIO – PROFA. ISABELLA

TEMA: CAMINHOS PARA COMBATER A LGBTFOBIA NO BRASIL

ORIENTAÇÕES: REDIJA SUA REDAÇÃO À MÃO, À CANETA AZUL OU PRETA EM ATÉ 30


LINHAS, NOS MOLDES DO ENEM. ANTES DE ENTREGAR SUA REDAÇÃO, REVISE
ASPECTOS DE LINGUAGEM (ACENTUAÇÃO, PONTUAÇÃO E SEPARAÇÃO SILÁBICA) E
GRIFE, EM CADA PARÁGRAFO, OS CONTECTIVOS QUE VOCÊ UTILIZOU. LEMBRE-SE DE
COLOCAR 3 CONECTIVOS NA INTRODUÇÃO E NA CONCLUSÃO E 4 CONECTIVOS EM
CADA PARÁGRAFO DE DESENVOLVIMENTO.

O QUE É LGBTFOBIA?

O termo LGBTfobia não é tão conhecido, já que outro é normalmente usado como sinônimo para
se referir ao ódio à população LGBT: a homofobia. 
Tecnicamente, essa expressão refere-se apenas à hostilidade direcionada a homossexuais –
lésbicas e gays –, mas o termo se popularizou e é utilizado amplamente. Nesse sentido, Maria
Berenice Dias – presidente da Comissão da Diversidade Sexual do Conselho Federal da OAB –,
define a homofobia como o “ato ou manifestação de ódio ou rejeição a homossexuais, lésbicas,
bissexuais, travestis e transexuais”.
Mas e em relação aos outros termos que vem surgindo?
O Politize! já te explicou a importância de minorias LGBT conquistarem maior visibilidade.
É justamente por isso que grupos muitas vezes invisibilizados têm criado termos particulares para
designar as intolerâncias “específicas” que sofrem. 

A LGBTFOBIA É CRIME?

Não é de hoje que essa discussão existe no Brasil. O primeiro projeto sobre o tema foi
apresentado no Congresso em 2001 como PL 5003/01 e tinha como objetivo determinar “sanções
às práticas discriminatórias em razão da orientação sexual das pessoas”.
Em 2006, esse projeto acabou se transformando no PLC 122/2006, apresentado pela então
deputada Iara Bernardi. O projeto buscava alterar a “Lei do Racismo” (Lei 7716/89) incluindo nela
a discriminação por “gênero”, “sexo”, “orientação sexual” e “identidade de gênero”.
Note que ao tratar sobretudo dos dois últimos pontos, a PLC 122/2006 não abrange apenas 
homossexuais, mas também a outros grupos da comunidade LGBT. Com isso, o mais “correto”
seria tratá-lo como um projeto que criminaliza a LGBTfobia.

LGBTFOBIA NO BRASIL: DADOS DA VIOLÊNCIA

Ao falar de LGBTfobia, uma das dificuldades encontradas é a falta de estatísticas oficiais.


Enquanto governos de vários países, como dos Estados Unidos, preocupam-se em levantar
dados que ajudem a entender a realidade da comunidade LGBT local, o Brasil toma poucas
atitudes nesse quesito.
Luiz Mott, antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), afirmou que a ex-presidente
Dilma prometeu aprovar a lei de criminalização da LGBTfobia, mas foi durante seu mandato que o
PLC 122/2006 foi arquivado. Michel Temer, por sua vez, nem mesmo concordou em realizar
uma audiência com representantes do movimento LGBT.
Alguns estados, como o Rio de Janeiro, produzem relatórios sobre violência motivada por
LGBTfobia, mas essa não é uma prática comum e não existe em níveis federais. Sendo assim, é
necessário recorrer ao trabalho de organizações não-governamentais para obter dados sobre
LGBTfobia no Brasil. O mencionado Grupo Gay da Bahia, fundado em 1980, é uma das principais
instituições que levantam tais informações no país.

Segundo pesquisa feita pela ONG, a cada 20 horas, um(a) LGBT morre no Brasil por serem
LGBTs – ou seja, por conta da LGBTfobia. O grupo também registrou um aumento de 30% nas
mortes de LGBTs em 2017, quando 445 pessoas foram mortas, em relação a 2016, ano em que
343 mortes foram motivadas por LGBTfobia. Já em 2018 esse número caiu, mas ainda se
manteve alto, com 420 mortes.

Dentre as 445 vítimas de 2017, 387 foram assassinadas e 58 cometeram suicídio. A maior parte
dos assassinatos aconteceu em via pública (56%), mas uma grande parte (37%) ocorreu na casa
das vítimas, detalhe que indica que o crime teria sido realizado por conhecidos.

Das 445 vítimas de LGBTfobia registradas em 2017, 194 eram gays (43,6%), 191 trans (42,9%),
43 lésbicas (9,7%), 5 bissexuais (1,1%) e 12 heterossexuais (2,7%).

LGBTfobia: muito além da violência física


O lema do mencionado relatório emitido pela Transgender Europe é de que os assassinatos
motivados por LGBTfobia são apenas a “ponta do iceberg”, a qual é uma comparação válida para
o Brasil.
Com base nos dados obtidos pelas denúncias recebidas por meio do Disque 100, iniciativa
do Ministério dos Direitos Humanos, em 2017, identificou-se que a maior parte das denúncias da
comunidade LGBT diz respeito à violência psicológica. Essa categoria inclui atos de ameaça,
humilhação e bullying.
Vale lembrar que LGBTfobia é a terceira maior causa para bullying, como apontado por esta
pesquisa. Além disso, a Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil de 2016
apontou que 73% dos e das estudantes LGBTs já relataram terem sido agredidos verbalmente e
outros 36% fisicamente. A intolerância sobre a sexualidade levou 58,9% dos alunos que sofrem
agressão verbal constantemente a faltarem às aulas pelo menos uma vez ao mês.
Essas questões, que impactam diretamente no desempenho de tais estudantes, são agravadas
pela falta de preparo dos professores. A formação de tais profissionais é essencial para combate
à LGBTfobia e outros tipos de preconceito dentro das salas de aula, como apontado pela
representante do Fórum Nacional de Educação, Olgamir Amância.
Em segundo lugar nas denúncias de LGBTs ao Disque 100 estão os crimes de discriminação –
por conta do gênero e/ou sexualidade de um indivíduo em diversas esferas, como na da saúde e
do trabalho. Já em terceiro lugar está a violência física – que inclui desde a lesão corporal até o
homicídio.

COMO COMBATER A LGBTFOBIA?

O fato de a questão LGBT aparecer cada vez mais nas mídias, por exemplo, aumenta a
visibilidade desse grupo e permite que diálogos sobre a LGBTfobia sejam iniciados. Com isso,
questionamentos sobre como combater a intolerância contra LGBTs tornaram-se  mais comuns.
Uma das maneiras de combate à LGBTfobia é por meio de políticas públicas – instrumento que
possibilita aos governantes promover ações em busca da garantia de direitos de diversos grupos
da população. Entretanto, para que tais políticas públicas sejam efetivas, é necessário que o
Estado realmente compreenda o problema da LGBTfobia e tal compreensão só pode ser obtida
por meio de dados.
Como já foi mencionado, o Brasil falha em recolher informações sobre a realidade da sua
comunidade LGBT e isso resulta na impossibilidade de pensar políticas públicas para combater a
violência contra esse grupo.
Mesmo com essa deficiência na obtenção de dados, o Governo Federal tem buscado realizar
ações contra a LGBTfobia. Um exemplo famoso, e polêmico, foi o programa Brasil sem
Homofobia, lançado em 2004, que gerou a iniciativa Escola sem Homofobia. A ação constituía na
distribuição de um material didático que orientaria os professores na tarefa de educar alunos
sobre “valores de respeito à paz e à não-discriminação por orientação sexual”. Em 2011, quando
tal material estava prestes a ser lançado, a pressão de setores conservadores da sociedade
aumentou e o governo acabou desistindo de distribuir o que ficara conhecido como “kit gay”.
O principal argumento daqueles que eram contra a iniciativa era de que tal material incentivava a
homossexualidade, a promiscuidade e a sexualização de crianças. Já as pessoas que apoiavam
a distribuição do kit Escola sem Homofobia defendem que a educação é o caminho mais rápido
para o combate à LGBTfobia. O pedagogo Ricardo Desidério, por exemplo, afirma que “esse
material faz um recorte prático no que precisa ser trabalhado na escola hoje”.
Como já dito, a ideia do kit Escola sem Homofobia acabou sendo abandonada, mas isso não
significa que todas as formas de combate à LGBTfobia devem ter o mesmo fim.

https://www.politize.com.br/lgbtfobia-brasil-fatos-numeros-polemicas/

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