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0METROLOGIA-2003 – Metrologia para a Vida

Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM)


Setembro 01−05, 2003, Recife, Pernambuco - BRASIL

AVALIAÇÃO DE INCERTEZAS NA DISTRIBUIÇÃO DE PRESSÕES EM UM


CILINDRO EXPOSTO A UM ESCOAMENTO

Moraes L. F. G 1, Reis M. L. C. C 2, Truyts C. F 3,


1
Centro Técnico Aeroespacial, São José dos Campos, Brasil
2
Centro Técnico Aeroespacial, São José dos Campos, Brasil
3
Centro Técnico Aeroespacial, São José dos Campos, Brasil

Resumo: A obtenção dos valores de pressão ao redor de será realizado. Observe que a igualdade do número de
um cilindro sujeito a um escoamento é parte de um trabalho Reynolds impõe um balanço entre os termos l e V já que
visando a correções de confinamento em túnel de vento. modelos menores devem ser ensaiados a velocidades
Cilindros de diferentes diâmetros, possuindo quatro tomadas maiores. O parâmetro ν é a viscosidade cinemática do fluído
de pressão em sua superfície, são colocados individualmente e considera-se que tanto no ensaio como na condição real ela
na seção de ensaios aberta do túnel de vento subsônico TA- seja praticamente constante.
3, do Centro Técnico Aeroespacial, de São José dos Muitas vezes, o ensaio em túnel de vento, mesmo em altas
Campos. Os parâmetros medidos no ensaio são: pressão velocidades, requer modelos maiores – não apenas para
dinâmica, pressão estática e temperatura do escoamento respeitar a semelhança dinâmica mas também para
incidente, os quais permitem obter a velocidade do facilidade na fabricação do modelo. Se a seção de ensaios
escoamento e a pressão estática no cilindro. São empregados for fechada tornará a velocidade maior, o nível de
um transdutor diferencial multicanal, um sensor de pressão turbulência é menor e a influência externa é reduzida.
absoluta, um tubo estático de Pitot e um termômetro. As Porém, um modelo de grandes dimensões provocará
relações funcionais e as respectivas expressões de incerteza acentuada deflexão do escoamento ao passar em torno de si,
das grandezas medidas são apresentadas de acordo com fazendo com que haja um choque (uma grande interação)
padronização adotada pela comunidade metrológica entre o escoamento e as paredes do túnel. Isto acarretará
internacional. Os resultados obtidos nesta etapa do trabalho uma configuração de escoamento diferente daquela a que o
serão posteriormente comparados com os resultados obtidos corpo estará sujeito na condição real; implicando em
em condições de seção de ensaios fechada, para estimar a esforços aerodinâmicos diferentes nas duas condições. Este
interferência ocasionada pela presença de paredes. problema surge devido ao confinamento do escoamento.
Uma outra explicação pode ser dada comparando um
Palavras chave: incerteza, ensaio em túnel de vento, modelo de aeronave ensaiado em túnel de vento, com seção
distribuição de pressão. de ensaios fechada, e um avião voando na atmosfera. Será
necessário aplicar correções aos resultados de túnel para
1. INTRODUÇÃO aproximá-los da condição de vôo livre.
Ensaios em túneis de vento devem representar o campo A nível internacional [1], as correções normalmente
aerodinâmico que ocorre em corpos sujeitos a ação do vento. empregadas são empíricas ou numéricas; uma metodologia
Para isso, existem condições de semelhança a serem envolvendo a aplicação de medidas de pressão estática ao
satisfeitas. Estas são : a semelhança geométrica, pela qual os longo das paredes da seção de ensaios está em fase de
modelos tem de ser geometricamente iguais ao corpo real e a desenvolvimento em vários países – denominada “assinatura
semelhança dinâmica que demanda igualdade entre os de pressão” [2] e [3] – e o trabalho descrito neste artigo
números de Reynolds (Re) – vide eq. (1) - a que o corpo e o baseia-se nela. No que se refere as incertezas nos parâmetros
modelo estarão sujeitos. do escoamento, estas são avaliadas aplicando-se a lei de
propagação de incertezas, de acordo com metodologia
l.V recomendada internacionalmente [4].
Re = (1)
ν O túnel de vento TA-2, do Centro Técnico Aeroespacial
O número de Reynolds representa a relação entre a energia (CTA) [5] e [6], apresentado na fig. 1, realiza ensaios
cinética do escoamento e àquela perdida por efeitos aerodinâmicos para diversos segmentos da indústria. Ele é
viscosos. A semelhança dinâmica faz refletir sobre dois um túnel subsônico – com número de Mach máximo igual a
parâmetros importantes: a escala do modelo (representada 0,35 – e com circuito e seção de ensaios fechada. A seção de
por um comprimento característico l, que no caso de um ensaios possui largura de 3,0 m, altura 2,10 m e
cilindro seria seu diâmetro ) e a velocidade (V) que o ensaio comprimento 3,0 m.
A motivação deste trabalho é aplicar a esta metodologia, de Com a medição dos parâmetros temperatura (T), pressão
correção de confinamento do escoamento, ao TA-2, estática (p), pressão dinâmica (q) e empregando as equações
permitindo que ensaios realizados em seções de ensaio (3) e (4) obtém-se o valor da velocidade a ser empregada na
fechadas produzam resultados como se tivessem sido eq. (1) para cálculo do número de Reynolds.
obtidos em seção de ensaios aberta. Desta forma, em função
A pressão dinâmica nos ensaios foi obtida à partir de um
do número de Reynolds e da área de seção reta da seção de
Pitot que estava solidário ao bocal do túnel e à frente do
ensaios e do modelo será possível corrigir os esforços
modelo. A pressão estática, em valor absoluto, foi obtida
aerodinâmicos quanto ao confinamento.
conectando-se uma derivação da pressão estática do Pitot a
um sensor de pressão absoluta. O sensor de pressão absoluta
é utilizado apenas para medir, em valores absolutos, a
pressão estática adquirida pelo Pitot do túnel. O sensor
diferencial, além de medir a pressão dinâmica, também
media a diferença entre as pressões estáticas nas tomadas
sobre o cilindro e a pressão estática do túnel (valor de
referência).
É importante mencionar que todos os equipamentos
empregados estavam calibrados e o Pitot utilizado possuía
certificado de calibração.
Como esta pesquisa está relacionada ao bloqueio (relação
entre a àrea do modelo projetada no plano frontal e a àrea de
Fig. 1. Túnel de vento TA-2 seção reta do túnel), empregou-se como modelos, cilindros
com diâmetros diferentes. Estes cilindros eram de PVC e
2. METODOLOGIA DE ENSAIO possuiam quatro tomadas de pressão estática defasadas de
90 graus e na mesma seção transversal. Os cilindros
A realização desta pesquisa implicou em sua divisão por continham em seu interior um tubo de ferro galvanizado (no
etapas e na utilização do túnel de vento TA-3. O TA-3 é seu eixo longitudinal) e discos de madeira (montados
bem menor, em todos os aspectos, que o TA-2, porém tem a concêntricos ao eixo do tubo e do cilindro. O tubo era
versatilidade de ensaios com a seção de ensaios aberta ou montado sobre suportes (os quais estavam fora do
fechada e também de permitir ensaios a baixo custo . escoamento) e possuía um transferidor acoplado a sua
Entretanto, antes da realização dos ensaios, a seção de extremidade. Com isto, o tubo era girado de 5 em 5 graus de
ensaios teve sua distribuição de pressões dinâmica 0 a 90 graus permitindo a medição das pressões na
cuidadosamente medida tanto no plano horizontal como no superfície do cilindro. Vide fig. 2, seção de ensaios do TA-3
vertical utilizando o tubo estático de Pitot. Este dispositivo e dispositivo de ensaio montado, e fig. 3, detalhe da
permite adquirir, separadamente, a pressão total e estática do montagem do cilindro e transferidor.
escoamento. Empregando um sensor de pressão do tipo
diferencial e conectando-se a ele a pressão total e estática, O ensaio era realizado a uma dada pressão dinâmica e
obtém-se a pressão dinâmica - apresentada na eq. (2). girando-se o cilindro. Em média foram realizadas três
pressões dinâmicas para cada cilindro, com isso será
q = ptotal − pestática (2) possível comparar os efeitos de interferência em cilindros de
diâmetros diferentes mas ensaiados sob o mesmo número de
Lembra-se, que a pressão dinâmica (q) é a energia cinética Reynolds.
do escoamento por unidade de volume e representada,
alternativamente à eq.(2), pela eq.(3).
1
q= ρ .V 2 (3)
2
A velocidade do escoamento será obtida utilizando, além da
eq. (3), a equação dos gases perfeitos - eq. (4) - a
temperatura do escoamento e a pressão estática do
escoamento (considerada igual a pressão ambiente).

pestática = ρ .(287,17).T (4)

Com estas, a equação da velocidade será :


Fig. 2. Cilindro no TA-3
2.q.287,17.T
V = (5)
pestática
3. DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS
EMPREGADOS NA AQUISIÇÃO DE DADOS
Como “hardware”, foi utilizado o sistema de aquisição de
dados MGCplus , de fabricação da empresa alemã HBM, e
também um acessório, desenvolvido no túnel de vento, para
interface de controle [7] entre o MGCplus e o sensor de
pressão, do fabricante Pressure System Inc. (PSI). Para
alimentação de todo sistema de medição, empregou-se as
fontes da Hewllet Packard e Analog Devices.
Como “software”, o desenvolvimento foi feito em
Fig. 3 Cilindro, transferidor e suporte linguagem catman (linguagem da própria HBM - para
utilização com o equipamento MGCplus), que possibilita a
seleção da freqüência de aquisição entre 1 Hz e 2400 Hz, e
Tabela 1. Diâmetros dos cilindros e respectivas pressões efetua básicamente a aquisição de 500 amostras de cada um
dinâmicas dos ensaios. dos seis canais do sensor PSI, (conectados aos pontos
A,B,C,D, pressão total e pressão estática do pitot do túnel,
Cilindros C1 C2 C3 C4 C5 C6 conforme a figura 5), de forma seqüencial a cada 100
Diâmetro amostras.
150 20 100 50 30 75
(mm) Através do software cilindro.scp desenvolvido [8], os
resultados são armazenados em arquivos texto, cada arquivo
q1 (mmH2O) 20 35 10 30 45 35 relaciona-se à um dos ensaios realizados, e contém todos os
q2 (mmH2O) 40 55 45 45 55 50 valores das 500 amostras de cada um dos canais do sensor
PSI, (pontos A,B,C,D, pressão total e estática do Pitot do
q3 (mmH2O) 65 70 70 60 75 65 túnel), e ainda todos os valores das 3000 amostras das
grandezas pressão absoluta e temperatura. A fig. 5 apresenta
o esquema da instrumentação empregada.
Os valores de pressão – obtidos pelas quatro tomadas de
pressão estática na superfície do cilindro - são
adimensionalizados, adquirindo a forma habitual,
denominada coeficiente de pressão (Cpθi ) como apresentada
na eq. (6).

pi − pestática
Cpθ i = (6)
q
onde θ representa o ângulo do qual o cilindro está girado
(vide fig. 4), i o número da tomada (variando de 1 a 4) e
pestática representa o valor da pressão estática obtida no pitot
solidário ao bocal do túnel.
Por estar sendo usado um sensor diferencial, o valor do
termo, na eq.(6), pi - pestática é medido diretamente.
Fig. 5. Esquema da instrumentação empregada
O software também gera um segundo arquivo no formato
2 texto, contendo a média aritmética para todos os valores das
grandezas amostradas.
Os diversos sensores utilizados no ensaio, foram
θ
V previamente calibrados em laboratório, possibilitando dessa
1 3 forma determinar as constantes de calibração necessárias no
momento de se fazer a redução de dados. As constantes dos
sensores, são dependentes das tensões de alimentação de
cada um, e devido a esse fato, as tensões elétricas
4 requisitadas pelos sensores, fornecidas pelas fontes de
Fig. 4. Rotação do cilindro (os números representam as alimentação, HP ou Analog Devices, foram verificadas antes
tomadas de pressão) da execução de cada ensaio através de um multímetro de 4
½ dígitos da Fluke.
Como parte na manutenção da confiabilidade da metrologia 2 2 2 2
Vl ρl ρV − ρVl
do departamento de instrumentação, está a verificação dos u 2
= uρ +
2
uV2 + u +
2
uυ2
valores das constantes de cada um dos sensores que serão
Re
υ υ υ l
υ
utilizados nos diversos ensaios. Descreve-se a seguir o (10)
procedimento utilizado para o sensor de pressão ESP-32716
A. A incerteza da dimensão característica, ul, é a incerteza na
medição do diâmetro do cilindro. A incerteza no coeficiente
Na calibração, com temperatura e umidade controladas, de viscosidade, uv, é considerada desprezível.
utilizou-se uma bomba de pressão e uma coluna d’água,
graduada milimetricamente, para obtenção do valor exato
das pressões injetadas nos canais do sensor (0, 125 mmH2O 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
e 250 mmH2O) e para obtenção dos valores em volts
relacionados com as pressões injetadas. Obteve-se, para os Os valores obtidos foram colocados em um gráfico Cpθi
trinta e dois canais do sensor de pressão, três valores de versus ângulo do cilindro, conforme apresentado na fig. 6,
tensões elétricas correspondentes a 0 mmH2O, três valores revelando que o regime de escoamento é subcrítico e ocorre
de tensões elétricas correspondentes a 125 mmH2O e três na região 40 < Re < 105. O escoamento subcrítico
valores de tensões elétricas correspondentes a 250 mmH2O. caracteriza-se pelo descolamento ocorrer a 80 e 280 graus,
Note-se que esses valores são médias de 500 aquisições de fazendo com que os valores de Cpθi permaneçam constantes
dados, numa freqüência de aquisição de 400 Hz. nesta região. Este regime também caracteriza-se pela
Através da média desses três valores obteve-se as constantes dimensão vertical da esteira ser superior ao diâmetro do
de cada canal do sensor, e comparando-as com os dados cilindro.
fornecidos pela tabela do fabricante obteve-se uma desvio da O esquema das linhas de corrente, esteira com escoamento
ordem de 1 %. re-circulante e o ponto de descolamento podem ser
Em razão das constantes se aproximarem das constantes
observados na figura 7. Será estabelecida uma comparação
fornecidas pelo fabricante, foram utilizadas as constantes de
entre os valores do coeficiente de pressão para a seção de
calibração fornecidas pelo fabricante para os ensaios. ensaios aberta e a fechada, quantificando a influência do
confinamento sobre os valores do coeficiente de pressão
(Cpθi ).
4. ANÁLISE DE INCERTEZA
Aplicação da lei de propagação de incertezas [4, 9, 10] às Cilindro 5 q = 45 mmH2O Re =55.000
1,5
relações funcionais (equações 1, 4, 5 e 6) que descrevem o
escoamento, resulta em:
1

2 2 2

2 −1/ 2 −1 / 2 2 1 / 2 −3 / 2 1

u =
2
V q ρ u +
2
q q ρ 2
u ρ (7) 0,5
4

2 2 3
confirma
Cp

A incerteza na pressão dinâmica q é fornecida através do


certificado de calibração do sensor PSI. A incerteza padrão -0,5

combinada da massa específica do ar, uρ, é dada pela raiz


quadrada positiva da equação: -1

2 2 2
1 −p −p -1,5

u ρ2 = u 2p + u R2 + uT2 (8) 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 260 280 300 320 340 360

RT R 2T RT 2 Ângulo (graus)

Fig. 6: Distribuição de Cp ao redor do cilindro.


A incerteza na temperatura é estimada pela combinação da
incerteza declarada no certificado de calibração do Na figura 6, os números na legenda correspondem
termômetro e da repetitividade dos dados observados ao número das tomadas de pressão no cilindro e o termo “
durante o ensaio. A incerteza da constante R (=287,17 confirma ” representa uma nova leitura das pressões com o
J/kgK) do gás, uR, considerado como ar normal, é cilindro a zero graus.
negligenciada.
A incerteza padrão combinada do coeficiente de pressão é a
raiz quadrada positiva de:
2 2
1 − ∆p
u 2
CP = u 2
∆p + u q2 (9)
q q2
A incerteza no número de Reynolds é a raiz quadrada
positiva de:
Fig. 7: Esquema do escoamento ao redor do cilindro
As tabelas 2 e 3 apresentam os valores do coeficiente de Os autores agradecem o apoio recebido dos técnicos do
pressão, massa específica, velocidade e número de Túnel de Vento da sub divisão de aerodinâmica (ASA-L) do
Reynolds, bem como suas respectivas incertezas. Os valores Centro Técnico Aeroespacial (CTA).
apresentados foram levantados apenas para uma pressão
dinâmica ( q = 45 mmH2O ) pois o objetivo é verificar como
variam as incertezas no coeficiente de pressão por tomada e REFERÊNCIAS
em função do ângulo do cilindro. [1] Pope, Allan; Rae Jr. W. H.; Harper, J. J. – "Low Speed Wind
Tunnel Testing" – John Wiley & Sons, 3 rd edition, 1999,
USA.
6. CONCLUSÃO [2] Cockrell, D. J. et al., "Blockage corrections for bluff bodies
in confined flows", ESDU editions, number
Em um programa de pesquisa que evoluirá para comparação
80024,1998,USA.
de resultados entre a seção de ensaios aberta e fechada, a
determinação das incertezas permitirá conhecer até que [3] Cockrell, D. J. et al., "Lift interference and blockage
ponto os valores do coeficiente de pressão podem ser corrections for two dimensional subsonic flow in ventiled
comparados. Com isto, será possível separar erros de and closed wind tunnels", ESDU editions, number
76028,1995,USA.
medições com o real efeito do confinamento.
[4] BIPM / IEC / IFCC / ISO / IUPAP / OIML, “Guide to the
Em relação à tabela 3– próxima página -, observou-se que Expression of Uncertainty in Measurements”, 1995.
não há modificação nas incertezas em relação ao
posicionamento do cilindro durante o transcorrer do ensaio e [5] Moraes, L. F. G.; Chisaki, M. – "Problemas Encontrados na
mesmo as variações no Reynolds foram consideradas Realização de Ensaios Bidimensionais em Túnel de Vento" –
desprezíveis (pois sempre o escoamento ao redor do cilindro Anais do XVI Congresso Brasileiro de Engenharia Mecânica
(COBEM), 2001, Uberlândia MG.
manteve-se no regime subcrítico).
[6] Moraes, L. F. G.; Chisaki, M. – "Ensaios Bidimensionais em
Relativamente aos valores do coeficiente de pressão, na Túnel de Vento" – Anais do 1o Congresso Nacional de
tabela 2 situada na próxima página, nota-se que as tomadas Engenharia Mecânica (CONEM), 2000, Natal RN.
2 e 3, as quais permanecem sempre na região posterior do
cilindro (região da esteira), não apresentam variações [7] C.F.Truyts, "Manual de Operação da Interface entre HBM e
PSI”, CTA – Centro Técnico da Aeronáutica – ASA L , São
significativas nos valores do coeficiente de pressão e nas
José dos Campos, SP, Brasil, Outubro 2002.
incertezas. Observa-se, no entanto, que estes valores são
consideravelmente maiores que os obtidos na tomada 1 a 0 e [8] C.F.Truyts, CDROM n. 01-2003 – Programas desenvolvidos
30 graus e na tomada 4 a 60 e 90 graus. Isto ocorre, pois a para o sistema de aquisição de dados HBM, CTA – Centro
região de esteira – que no regime subcrítico está Técnico da Aeronáutica – ASA L , São José dos Campos, SP,
Brasil, Jun 2003.
compreendida entre 80 e 280 graus – sofre muita flutuação
de pressão devido ao escoamento ser turbulento, veja fig. 7. [9] M. L. C. C. Reis, 2000, “Expressão da Incerteza da Medição
Associada a um Ensaio Aeronáutico em Túnel de Vento
As incertezas calculadas para as tomadas 1 e 4, nos ângulos Subsônico”, Tese de Doutorado, Universidade Estadual de
mencionados acima, foram da ordem de 0,0002. Entretanto, Campinas, out. de 2000, 103 p.
para a tomada 1 a 60 e 90 graus e para a tomada 4 a 0 e 30
graus este valor apresentou-se superior a 0,001. Como estas [10] M. L. C. C. Reis., O. Novaski, O. A. F. Mello, O. S.
tomadas estão sempre na região anterior do cilindro – de Sampaio, “Evaluacion de la Incertidumbre de la Medicion
frente para o vento – o que provavelmente pode estar en Tunel de Viento”, [Evaluation of the Uncertainty in
ocorrendo é uma influência do escoamento, no ponto em Measurement in a Wind Tunnel] Información Tecnológica,
La Serena, Chile, Vol. 11, No. 6, 2000, pp. 151-160.
que descola do cilindro (que ocorre a 80 e 280 graus), sobre
as tomadas 1 e 4 na posição a 60 graus.
Quando o cilindro está a 90 graus, para a tomada 1 e 0 graus
para a tomada 4, estas tomadas já encontram-se na esteira, Autores:
por este motivo a incerteza é maior.
M. Sc. Luís Fernando Gouveia de Moraes
Os valores de coeficiente de pressão obtidos mostraram-se lgmores@netscape.net.
coerentes com outros autores, o que já era esperado, mas não
foi encontrada uma análise de incerteza por parte deles. De Dra. Maria Luísa Collucci da Costa Reis
qualquer maneira, este trabalho permitiu determinar o nível mluisareis@yahoo.com.br.
de flutuação esperado nos valores do coeficiente de pressão
exclusivamente devido ao escoamento e equipamentos Eng.º Cláudio Fogaça Truyts
cláudio@iae.cta.br.
empregados, devendo-se agora prosseguir a pesquisa.
Centro Técnico Aeroespacial, Praça Mal. Eduardo Gomes, n.º 50,
AGRADECIMENTOS São José dos Campos, São Paulo, Brasil, CEP 12228-904, Fone: 55
12 3947-3665.
Tabela 2. Valores de Cp e incertezas para q = 45 mmH2O e segundo ângulo do cilindro.
Tomadas 1 2 3 4
Ângulo Cp uCp Cp uCp Cp uCp Cp uCp
0º 0,9923 0,0002 -0,8149 0,0024 -0,8597 0,0029 -0,7941 0,0016
30º 0,4816 0,0002 -0,8110 0,0030 -0,8558 0,0020 -0,8833 0,0021
60º -0,7623 0,0010 -0,8751 0,0028 -0,8499 0,0023 0,2878 0,0005
90º -0,8006 0,0015 -0,8610 0,0026 0,9894 0,0017 0,9894 0,0002

Tabela 3. Valores e incertezas das grandezas segundo o ângulo do cilindro e para q = 45 mmH2O.
Ângulos 0º 30º 60º 90º
Grandezas valor incerteza valor incerteza valor incerteza valor incerteza
3
ρ (kg/m ) 1,1204 0,0002 1,1888 0,0002 1,1177 0,0002 1,1166 0,0002
V (m/s) 28,1618 0,0036 28,1494 0,0042 28,1277 0,0033 28,1186 0,0034
Re 53200 52 53030 52 52885 51 52766 51

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