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PORTUGUÊS 9.O ANO – TESTE DE AVALIAÇÃO N.

O 2

ESCOLA________________________________________________ DATA ___/ ___/ 20__


NOME________________________________________________ N.O____ TURMA_____

GRUPO I

Lê o texto. Se necessário, consulta o vocabulário.

Texto A

JOSÉ LUÍS PEIXOTO

O DIREITO À INVEJA

Em Portugal, há um problema com a inveja. Em concreto, há um problema com a


grande quantidade de gente a queixar-se de ser invejada.
Ao vivo ou por email, em privado ou em programas de televisão, há sempre alguém a
lamentar-se dos invejosos: não podem ver nada, são uma praga que não descansa.
5 Quem recebe esse desabafo é sempre solidário, demonstra saber exatamente o que o
outro está a passar, também ele já foi muito invejado.
Entre outras consequências, a paranoia da inveja generalizada propiciou o
nascimento de uma modéstia entre aspas. Disfarçada de virtude, essa “modéstia” é medo
dos outros, também pode ser desinteresse pelos outros ou falta de convicção no próprio
10 valor.
A inveja só chega ao invejado se este permitir, se estiver vulnerável 1, se não estiver
preparado. Em Portugal, há demasiadas pessoas a alimentarem o equívoco2 de que
todos têm de gostar delas.
A inveja é um sentimento. Se respeitamos os outros, é elementar reconhecer-lhes
15 liberdade para sentirem. Essa, parece-me, é a primeira característica de existir, de ser
alguém e de ter um nome. Não nos compete decidir acerca daquilo que os outros devem
sentir.
Além disso, é improvável que consigamos saber com precisão aquilo que os outros
estão a sentir. A não ser que estejamos convencidos de que os outros são um reflexo
20 nosso, como um espelho que reproduz até o invisível. Nesse caso, a inveja que lhes
imaginamos é, afinal, a nossa.

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A inveja deveria ser legalizada ou, pelo menos, despenalizada3. Como as drogas
leves, faz mal apenas a quem a consome. Devidamente informado dos efeitos, o invejoso
faria um uso muito mais consciente dessa substância e, assumindo-se, não precisaria de
25 frequentar meios pouco recomendáveis que, com facilidade, agravam a sua situação e
potenciam consumos mais pesados e destrutivos.
Mas isso seria noutra realidade. Aqui, os invejosos são espectrais4. Quando alguém
apresenta uma fotografia, quando alguém garante possuir provas da existência desses
fantasmas, a imagem está sempre desfocada e fica-se sempre na dúvida se será
30 realmente um invejoso ou apenas um defeito de revelação.
Com tantos a serem invejados, sobram poucos para se dedicarem a invejar. Talvez
esse seja um ofício em vias de extinção, como os amola-tesouras.
in Notícias Magazine, 08/05/2016 –
http://www.noticiasmagazine.pt/2016/o-direito-a-inveja/ (acedido em 14/10/2020).

VOCABULÁRIO
1
vulnerável: frágil; indefeso.
2
equívoco: engano.
3
despenalizada: isenta de penalização.
4
espectrais: fantasmagóricos.

1. Seleciona, em cada item, a alínea que completa cada frase de forma adequada,
de acordo com o sentido do texto.

1.1. A expressão “são uma praga que não descansa” (linha 4) refere-se aos
(A) programas de televisão.
(B) que se lamentam dos invejosos.
(C) invejosos.
(D) que são invejados.

1.2. Na expressão “propiciou o nascimento de uma modéstia entre aspas.” (linhas 7-


-8), José Luís Peixoto pretende evidenciar
(A) o aparecimento de um novo sentimento.
(B) uma das consequências da inveja.
(C) a humildade das pessoas.
(D) a ausência de humildade das pessoas.

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1.3. De acordo com as afirmações do autor nos 5.º e 6.º parágrafos, a inveja é
(A) um sentimento desprezível.
(B) algo a que todas as pessoas têm direito.
(C) prejudicial a quem é invejoso.
(D) um sentimento que não existe.

1.4. Com a frase “Com tantos a serem invejados, sobram poucos para se
dedicarem a invejar.” (linha 31), o autor pretende dizer que
(A) não há invejosos, mas apenas vítimas de inveja.
(B) há mais pessoas a serem invejadas do que invejosos.
(C) as pessoas tendem a afirmar que são invejadas.
(D) a inveja está cada vez mais presente no dia a dia.

1.5. A frase “Talvez esse seja um ofício em vias de extinção, como os amola-
-tesouras.” (linhas 31-32) contém
(A) uma metáfora e uma comparação.
(B) uma hipérbole e uma comparação.
(C) uma metáfora e uma hipérbole.
(D) uma ironia e uma personificação.

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Texto B

Lê o texto. Se necessário, consulta o vocabulário.

A Galinha

Minha mãe e minha tia foram à feira. Minha mãe com o meu pai e minha tia com o
meu tio. Mas todos juntos. Na camioneta da carreira. Na feira compraram muitas coisas
e a certa altura minha mãe viu uma galinha e disse:
– Olha que galinha engraçada.
5 E comprou-a também. Estava agachada como se a pôr ovos ou a chocá-los. Era
castanha nas asas, menos castanha para o pescoço, e a crista e o bico tinham a cor de
um bico e de uma crista. Nas costas levara um corte a toda a volta para se formar uma
tampa e meterem coisas dentro, porque era uma galinha de barro. Minha tia, que se
tinha afastado, veio ver, estava a minha mãe a pagar depois de discutir. E perguntou
10 quanto custava. A mulher disse que vinte mil réis, minha tia começou aos berros, que
aquilo só se o fosse roubar, e a mulher vendeu-lhe uma outra igual por sete mil e
quinhentos. Minha mãe aí não se conformou, porque tinha regateado mas só
conseguira baixar para doze e duzentos. A mulher disse:
– Foi por ser a última, minha senhora.
15 Minha tia confrontou as duas galinhas, que eram iguais, achando que a de minha
mãe era diferente.
– Só se foi por ser mais cara – disse minha mãe com a ironia que pôde.
Minha tia aqui voltou a erguer a voz. Não se via que era diferente? Não se via que
tinha o bico mais perfeito? E o rabo?
20 – Isto é lá rabo que se compare?
E tais coisas disse e tantas, com gente já a chegar-se, que minha mãe pôs fim ao
sermão, por não gostar de trovoadas:
– Mas se gostas mais desta, leva-a, mulher.
Foi o que ela quis ouvir. Trocou logo as galinhas, mas ainda disse:
25 – Mas sempre te digo que a minha é de mais dura, basta bater-lhe assim (bateu)
para se ver que é mais forte.
– Então fica com ela outra vez – disse minha mãe.
– Não, não. Trafulhices, não. Está trocada, está trocada.
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Meu tio estava a assistir mas não dizia nada, porque minha tia dizia tudo por ele e,
30 se dissesse alguma coisa de sua invenção, minha tia engolia-o. Meu pai também estava
a assistir, mas também não dizia nada, por entender que aquilo era assunto de
mulheres. Acabadas as compras, minha mãe voltou logo com o meu pai na carroça do
António Capador, que tinha ido vender um porco. Mas a minha tia ficava ainda com o
meu tio, porque precisavam de ir visitar a D. Aurélia, que era uma pessoa importante e
35 merecia por isso uma visita para se ser também um pouco importante. E como ficavam
e só voltavam na camioneta da carreira, a minha tia pediu a minha mãe que ela lhe
trouxesse a galinha, para não andar com ela o dia inteiro num braçado1, que até se
podia partir. [...]
Minha mãe trouxe, pois, as duas galinhas na carroça do António Capador, e a
40 minha tia ficou.
Vergílio Ferreira, Contos, “A Galinha”, Quetzal, 2009.

VOCABULÁRIO:
1
braçado: nos braços.

2. A compra da galinha de barro provocou, desde o início, um mal-estar entre a mãe e a


tia do narrador.
2.1. Comprova a veracidade da afirmação anterior.

3. Explicita o valor expressivo das sucessivas interrogações da tia (linhas 18-20),


evidenciando dois traços do seu carácter.

4. “minha mãe pôs fim ao sermão, por não gostar de trovoadas” (linhas 21-22).
4.1. Esclarece o sentido desta afirmação, usando palavras tuas.

5. Relê o penúltimo parágrafo (linhas 29-38).


5.1. Transcreve um exemplo de ironia, explicitando o seu valor expressivo.

6. “A galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha.”


6.1. Explicita o sentido do provérbio, relacionando-o com o texto que leste.

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GRUPO II

1. Seleciona, em cada item, a alínea que completa cada frase de forma adequada .

1.1. A palavra “galinha” estabelece com a palavra “asas” a mesma relação


semântica que
(A) “feira” estabelece com “mercado”.
(B) “camioneta” estabelece com “motor”.
(C) “animal” estabelece com “ave”.
(D) “mãe” estabelece com “família”.

1.2. A palavra “galinha” estabelece com a palavra “animal” uma relação semântica
de
(A) sinonímia.
(B) antonímia.
(C) hiperonímia.
(D) holonímia.

1.3. A frase em que a palavra “a” é uma preposição é


(A) Minha mãe comprou a galinha mais cara.
(B) Minha tia também a comprou por ser engraçada.
(C) Minha tia ergueu a voz durante a discussão.
(D) Meu pai e meu tio estavam a assistir em silêncio.

1.4. Na frase “Mas sempre te digo que a minha é de mais dura” (linha 25), o pronome
pessoal “te” encontra-se antes do verbo
(A) devido à presença de um advérbio.
(B) devido a tempo verbal utilizado.
(C) por ocorrer numa oração subordinada.
(D) por se iniciar a frase por uma conjunção.

2. A mulher vendeu-lhe uma outra igual.


2.1. Reescreve a frase anterior, iniciando-a pela palavra “Talvez”. Faz as alterações
necessárias.

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3. “Minha tia confrontou as duas galinhas, que eram iguais, achando que a de minha
mãe era diferente.” (linhas 15-16)
3.1. Transcreve apenas a oração subordinada substantiva completiva presente na
frase anterior.

4. Identifica a única frase que contém uma oração subordinada adverbial condicional.
(A) A galinha estava agachada como se a pôr ovos.
(B) Dado a galinha ter sido mais cara, minha mãe reclamou.
(C) Minha mãe não se conformou por ter pago mais dinheiro.
(D) Os homens apenas interviriam caso fosse necessário.

GRUPO III

Ainda que possa haver pessoas como a tia do narrador, há também


aquelas que nos marcam pela sua generosidade ou de qualquer outra maneira
positiva.

Escreve um texto de opinião bem estruturado, com um mínimo de 160 e um


máximo de 260 palavras, em que:
 apresentes uma pessoa que te tenha marcado positivamente;
 fundamentes a tua escolha em, pelo menos, três razões;
 indiques algo que pudesses fazer para demonstrar a tua gratidão.

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COTAÇÃO DO TESTE
Item
Grupo
Cotação (em pontos)
1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 1.5. 2.1. 3. 4.1. 5.1. 6.1.
I
4 4 4 4 4 6 6 6 6 6 50

1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 2.1. 3.1. 4.


II
3 3 3 3 3 2 3 20
Item único
III
30
TOTAL 100

CENÁRIOS DE RESPOSTA DO TESTE

ITENS DE RESPOSTA

Grupo I – Textos A e B COTAÇÕES

1.1. (C)
1.2. (D)
1.3. (B) 4 x 5 = 20
1.4. (C)
1.5. (A)
…………………………………………………………………………………….................. ……….…
2.1. A tia cobiçou a galinha de barro da mãe e comprou uma idêntica por um valor
mais baixo, motivo pelo qual a mãe do narrador se sentiu defraudada,
chamando a atenção da feirante do seu desagrado. Por sua vez, a tia justificou
essa diferença de preço afirmando que as galinhas não eram iguais, que a da 4+ 2 = 6
mãe era mais perfeita, o que acabou por gerar uma discussão em torno deste
assunto, levando a mãe a trocar as galinhas, para evitar (eventuais) conflitos.
…………………………………………………………………………………….................. ……….…
3. Perante a ironia da mãe, a tia exaltou-se e, sob a forma de interrogações
sucessivas, numa atitude conflituosa, procurou chamar a atenção para a
qualidade dos acabamentos de uma galinha em relação à outra, revelando o 4+2=6
seu carácter cobiçoso, cujo intuito era o de ficar com a galinha da mãe, pois
parecia-lhe ser mais perfeita.
…………………………………………………………………………………….................. ……….…
4.1. Uma vez que a mãe não gostava de conflitos, resolveu acabar com a
discussão em torno das galinhas. 4+2=6
…………………………………………………………………………………….................. ……….….
5.1. Exemplos de ironia: “se dissesse alguma coisa de sua invenção, minha tia
engolia-o” (linha 30) – o narrador evidencia o carácter conflituoso da tia mesmo
com o marido; “por entender que aquilo era assunto de mulheres” (linhas 31-32) 4+2=6
– o narrador salienta a passividade do pai perante a esposa e/ou a
mentalidade conservadora de certos homens; “merecia por isso uma visita
para se ser também um pouco importante” (linha 35) – o narrador denuncia o
carácter superficial de algumas pessoas pelos valores que defendem.
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…………………………………………………………………………………….................. ……….…
6.1. O provérbio “A galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha” transmite
a ideia de que, tal como a tia do narrador, há pessoas que nunca estão 4+2=6
satisfeitas com as coisas que possuem e acreditam que as dos outros são
sempre melhores. Por isso cobiçam constantemente as coisas dos outros.

Grupo II – Gramática

1.1. (B)
1.2. (C)
1.3. (D) 3 x 4 = 12
1.4. (A)
…………………………………………………………………………………….................. …….....…
2.1. Talvez a mulher lhe vendesse uma outra igual. 3
…………………………………………………………………………………….................. …….….…
3.1. “que a de minha mãe era diferente” 2
…………………………………………………………………………………….................. ….…….…
4. (D) 3

Grupo III – Escrita

Na redação do texto, o aluno deverá:


– escrever um texto de opinião;
– cumprir as instruções fornecidas relativamente ao género textual e à extensão
do texto;
– produzir um discurso coerente do ponto de vista da informação fornecida e da
progressão textual; 30
– usar adequadamente parágrafos, marcadores do discurso e pontuação;
– utilizar vocabulário adequado, pertinente e variado;
– escrever com correção ortográfica e morfossintática.

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