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1.

Conceito de literatura
A palavra literatura deriva do termo latim litterae, que faz referência ao conjunto de
conhecimentos e competências para escrever e ler bem. O conceito está relacionado
com a arte da gramática, da retórica e da poética.
De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, a literatura é a arte
de compor obras em que a linguagem é usada esteticamente e em que é usada uma
língua como meio de expressão.
Também é usado este termo para definir o conjunto das produções literárias de um
país, de uma época ou de um género/sector de conhecimento (como a literatura
persa, por exemplo) e o conjunto de obras que tratam sobre uma arte ou uma ciência
(literatura desportiva, literatura jurídica, etc.).
A literatura traduz, assim, um conjunto de textos escritos (muitas vezes também
fixados na tradição oral), esteticamente elaborados a partir da linguagem comum, que
dão conta da especificidade cultural de uma comunidade.
A definição de obra literária poderá variar, mas uma análise histórica salienta os
denominados clássicos da literatura, obras que, pela sua importância social e cultural,
marcaram determinadas épocas. A obra literária a reconstituição de um
acontecimento através da comunicação escrita, sendo que fundamentalmente
atendendo a função semiótica, representa a execução do ato primário, comunicar.
Importa valorizar uma visão linguística, cultural e artística da literatura e,
particularmente, do ensino da literatura, no sentido de poder garantir conhecimentos,
experiências e hábitos fundamentais, necessários aos adolescentes que hoje
frequentam a escola, para que possam ser membros de direito de um património
comum.
Anualmente, os grandes feitos da literatura vêem-se recompensados com a atribuição
do Prémio Nobel, em que os felizes laureados recebem os respetivos prémios pelas
mãos da Academia Sueca.


2. Conceito de texto literário
Conceito
A literatura pode ser entendida como uma imitação pela palavra assente na
ficcionalidade, que apresenta dois valores nucleares: o valor de significado (semântico)
e o valor formal (de expressão linguística). Há manifestamente uma intenção estética,
artística, altamente polissémica.
Aquilo que define o texto literário é, “mais do que a vontade de comunicação, a sua
capacidade de significar”. Este texto vive “do que a mensagem contém e não do que
ela simplesmente diz”. O texto literário emprega as palavras da língua com liberdade,
recorrendo ao seu sentido conotativo ou metafórico.
O texto literário é o instrumento essencial no ensino/aprendizagem da língua
portuguesa, inserido num programa educativo que valorize a interpretação, a
capacidade imaginativa e o poder de análise.
Indubitavelmente, o texto literário projeta ao máximo a multifuncionalidade da língua,
conciliando o prazer da leitura ao desenvolvimento da compreensão/expressão
escrita. Essa leitura deverá ser atenta, reflexiva, capaz de esmiuçar sentidos, de ensinar
a descobrir as potencialidades do português.
Um texto transporta sempre informação nova, novos questionamentos, novos
estímulos à reflexão. Essa novidade interage com os conhecimentos, conceitos, ideias
pré-existentes e, dessa interação, resulta uma representação única, individual,
composta pelos saberes particulares do sujeito, originando a interpretação.
Esta interpretação é subjetiva e motiva uma discussão produtiva e uma troca de ideias
que partem de uma base comum, o texto, mas cuja significação difere de indivíduo
para indivíduo já que, cada um, de acordo com os seus esquemas conceptuais, constrói
as suas próprias representações.
Ao ler um texto, o leitor apropria-se da sua informação básica e elabora, sobre este,
uma representação individual que se distinguirá de qualquer outra porque é moldada
pelo seu conhecimento do mundo. Ao elaborar a sua própria representação individual
do texto, o leitor está a construir um modelo interpretativo, ou seja, um modelo
situacional.
A interpretação de um texto exige a sua compreensão prévia, isto é, o sujeito tem de
estar habilitado a compreender a língua escrita, possuindo conhecimentos específicos
acerca do domínio cognitivo no qual se insere a temática do texto, uma vez que o
conhecimento do mundo que a leitura proporciona, aumenta a sua competência para
a compreensão de novos textos.
Assim, espera-se de quem ensina que seja capaz de conduzir os alunos nesse processo
de descoberta, que vai da palavra à frase e da frase ao texto, abrindo trajetos,
navegando pelas linhas que desenham o texto escrito. E, da parte de quem quer
aprender a gostar de ler, que se interesse, que se deixe surpreender pelas escolhas
efetuadas.
Saber ler é, hoje e sempre, mais do que uma condição de sucesso pessoal, escolar,
profissional e social. É o fator de sucesso coletivo de uma nação. Por isso, o direito à
leitura tornou-se uma questão de justiça social, o que implica que uma das grandes
prioridades de qualquer sistema educativo seja o desenvolvimento da competência de
leitura para todos os alunos.
Saber ler e gostar de ler são os passos para o desenvolvimento. E quanto mais se
gostar de ler, mais se lê e se sabe fazê-lo. Porém, só quem sabe ler, gosta de ler. Para
isso a literatura é a mais do que a melhor opção. A literatura é a solução.
Géneros literários
Texto narrativo (Romance)
No romance há uma regra uma ação central relativamente extensa, eventualmente
complicada por ações secundárias dela derivadas. As personagens, normalmente em
quantidade e complexidade mais elevadas do que nos restantes géneros narrativos,
são atravessadas por conflitos íntimos, traumas e obsessões.
Género por natureza propenso à representação do real, o romance tem no espaço
uma categoria com funções particularmente relevantes: o espaço do romance, pela
sua amplidão e pormenor de caracterização, revela potencialidades consideráveis de
representação económico-social, em conexão estreita com as personagens que o
povoam e com o tempo histórico em que vivem.
A este tempo histórico não é estranho, naturalmente, o tempo como fundamental
categoria narrativa, com incidências na história e no discurso narrativo do romance (o
tempo da história pode ser objetivamente calculado, mas é reelaborado pelo modo
como é representado na narrativa), e com aspetos muito diversificados:
enquadramento histórico propriamente dito, implicações psicológicas (tempo filtrado
por vivências das personagens), alusões sociais.
Texto Dramático (Teatro)
Entender-se-á por drama toda a representação direta de uma ação consumada num
tempo relativamente concentrado.
O facto de essa representação ser direta implica não só a sua concretização perante
um público, mas também a ausência de narrador; por outro lado, o facto de o drama
ser sobretudo ação faz com que os acontecimentos sejam apresentados quase sempre
de forma muito viva, processando-se os avanços bruscos no tempo com o auxílio de
artifícios específicos (por exemplo a mudança de ato ou cenário).
Isto significa que a representação dramática afirma -se como resultado da interação de
recursos de três naturezas: literários, humanos e técnicos.
Assim, os recursos literários são constituídos, como se disse, pelo discurso das
personagens e, de um modo geral, pela articulação da ação e das figuras que lhe dão
vida enquanto componentes de um universo de ficção particular.
Por sua vez, os recursos humanos serão sobretudo os autores que dão vida e
interpretação à fala das personagens, sem os quais o texto dramático não pode ser
ativado.
Finalmente, aos recursos técnicos correspondem todos os instrumentos que
participam direta ou indiretamente na constituição da ilusão dramática: iluminação,
guarda-roupa, efeitos sonoros, cenários, etc.
Texto Lírico (poesia)
A poesia lírica não se enraíza no anseio ou na necessidade de descrever a realidade
empírica, física e social, nem no desejo de representar sujeitos independentes do Eu,
ou de contar uma ação. A poesia lírica enraíza-se sim, na revelação e no
aprofundamento do Eu lírico, tendendo sempre esta manifestação a interrogar e a
revelar a identidade do homem e do ser.
O mundo exterior, as coisas, os seres, a sociedade e os eventos históricos não
constituem um domínio alheio ao poeta lírico. No entanto, o acontecimento exterior,
quando está presente num texto lírico, tem sempre como função predominante evocar
ou contextualizar uma atitude e um estado íntimo, suscitados por tal episódio ou tal
circunstância na subjetividade do poeta.
O texto lírico não comporta descrições semelhantes às de um texto narrativo; através
dos elementos descritivos projetam -se simbolicamente as emoções, os estados
íntimos do Eu. Assim, no texto lírico, quer os elementos narrativos, quer os elementos
descritivos, revelam a interioridade do Eu.
O texto lírico é alheio ao fluir do tempo - Nos textos líricos, a temporalidade, quando é
representada, é como um elemento do mundo interior do Eu, concorrendo para a
representação do que é central no universo lírico: uma ideia, uma emoção, uma
sensação, etc.
O texto lírico é marcado pela concentração emotiva e expressiva - A grande maioria
dos textos líricos tem uma extensão relativamente reduzida.
O texto lírico realiza, de modo singular, a simbiose da língua falada e da língua escrita -
Se as características do texto lírico referidas pressupõem a performance oral do poema
- mesmo que processada apenas interiormente através de uma leitura silenciosa - os
aspetos relativos à forma impressa do texto pressupõem a compreensão e a fruição do
poema como texto escrito, como objeto espacial de natureza visual.
Atividade:
Resuma os conceitos de literatura, texto literário e defina os 3 géneros literários aqui
enunciados.

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