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IDEIA CENTRAL - ACORDAR O FOGO INTERNO DA TRANSFORMAÇÃO

“Nossa cultura infelizmente está se distanciando do corpo como fonte de sensibilidade e


espiritualidade. Nossos programas de condicionamento físico não visam aumentar a
sensibilidade do corpo mas, sim, aprimorar seu desempenho, como se ele fosse uma
máquina. Ao fazer isso, produzem pessoas que estão aptas apenas a correr a maratona da
vida. Se a meta de um indivíduo for chegar até o topo, suponho que nossos modernos
programas de condicionamento físico possam ajuda-lo. Todavia, se a sua meta for se sentir
parte deste universo pulsante e a profunda satisfação de ser uma pessoa ao mesmo tempo
amável e graciosa, ele terá de voltar-se para outra direção.” (Alexander Lowen)

Buscamos promover o fluxo do fogo da transformação.

Vivemos em um período de grandes mudanças, em todos os sentidos de nossas vidas, no


trabalho, na família, nos relacionamentos, na educação, e até na percepção que temos de nós
mesmos. A necessidade de mudança nos paradigmas de nossa sociedade é iminente. Porém,
mesmo conscientes da necessidade da mudança, muitas vezes nos

vemos puxados e impelidos a realizar atividades e padrões antigos. Por que não conseguimos mudar? O que nos impede de
executar as mudanças que queremos? O engraçado é que na maioria das vezes os padrões repetitivos são negativos para o
organismo, ou seja, o indivíduo (na maioria das vezes o faz inconscientemente) age contra ele próprio, se auto sabotando. Está
instalada a base da neurose, o conflito interno.

“Será o destino do homem moderno ser neurótico e ter medo da vida?

O neurótico está em conflito. Seu ego está tentando dominar seu corpo; sua mente racional, controlar seus sentimentos; sua
vontade, superar medos e ansiedades.

Luta no interior da pessoa, entre o que ela é e o que acredita que deva ser. Toda pessoa neurótica é uma prisioneira deste conflito.

Para entendermos a condição existencial do homem moderno e conhecermos seu destino, devemos investigar as fontes de
conflito da sua cultura.” (Alexander Lowen)
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O TRABALHO CORPORAL

E traduzindo essa ideia para o microcosmo, devemos investigar com os conflitos da cultura se expressam no indivíduo. Em nosso
trabalho partimos do contato com o corpo para fazer essa investigação.

E como as neuroses se expressam em no corpo?

Através de tensões musculares crônicas que impedem o livre fluxo da energia e dos impulsos vitais.

Pelo processo de sensibilização, podemos identificar os bloqueios energéticos no corpo, e isso nos traz uma pista de como as
neuroses se manifestam em nós.

Processo de autoconhecimento integral através do contato corporal: Ajudar o indivíduo a perceber no seu corpo as regiões
tensas, bem como os sentimentos inconscientes inerentes a sua postura corporal. A Finalidade é aliviar a pressão interna
através da expressão de sentimentos bloqueados.
Alexander Lowen, o criador da Bioenergética percebeu que determinadas posições e movimentos corporais são capazes de
relaxar musculaturas cronicamente tensionadas e provocar a liberação emocional. Assim, é possível vivenciar do prazer de uma
forma mais plena e ampla, aliviando o estresse.

Com os movimentos expressivos, visamos viabilizar fluxo de energia vital no organismo, (baseado na ideia de Wilhelm Reich de
que todas as enfermidades psíquicas tem origem na estase energética, ou seja, impedimento do fluxo) e assim, recuperar a
vitalidade e a funcionalidade e a capacidade de expressão do organismo.

“O objetivo é ajudar cada participante a fazer um maior contato com seu próprio corpo, a amplificar as sensações corporais, a
tornar-se consciente das tensões musculares e dos bloqueios existentes em seu corpo e, trabalhando com movimentos e
respiração num processo bem gradual, buscar sua liberação. O resultado ao qual esperamos chegar com este processo é um
fluxo mais livre de energia no corpo, o qual traria consigo um sentimento mais intenso de estar vivo, o qual, por sua vez,
aumentaria nos participantes a capacidade de sentir prazer.” (Carolina Papini)
Essa ideia se baseia no preceito básico da bioenergética, nas palavras de Lowen: “Quanto mais vivo for o corpo, mais vivida será
a sua percepção do mundo, mais ativa será sua resposta a ele.

O sentimento de identidade deriva de um sentimento de contato com o corpo.


Para se conhecer, um indivíduo deve saber-se o que se sente, o que expressa o seu rosto, como ele se contém e como se
move”.Os principais pilares de desenvolvimento desse trabalho são: (1) auto-percepção, (2) auto-expressão e (3) auto-domínio.

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OS BLOQUEIOS E O INCONSCIENTE

As nossas inseguranças se traduzem na forma como nos apresentamos para o mundo, e isso pode ser analisado na forma que
nos movimentamos, pois o medo exerce um efeito paralisante sobre o corpo, contraindo os músculos e bloqueando a nossa livre
expressão. Se o padrão de comportamento acontecer repetidamente em nossas vidas, ele se tornará crônico e enraizado no
inconsciente, ficando tão familiares para nós que nem mesmo os notamos, e vivemos de acordo com eles, e não de acordo com o
que realmente queremos, quem realmente somos.

Por exemplo, “uma pessoa quer suprimir um impulso de chorar porque tem vergonha de chorar, tensionará os músculos da
garganta para impedir que os soluços sejam expressos. Poderíamos dizer que o impulso foi sufocado ou que a pessoa engoliu as
lágrimas. Contudo, se o não chorar torna-se parte do modo de ser da pessoa, quer dizer, parte de seu caráter (só bebês e
pessoas fracas choram), então as tensões nos músculos de sua garganta ganham uma qualidade crônica e passam para o nível
da inconsciência. Uma pessoa destas pode vangloriar-se de que não chora mesmo quando é magoada, mas o fato é que não
conseguiria chorar mesmo no caso que o desejasse, porque a inibição tornou-se estruturada em seu corpo e está agora fora do
controle consciente. A incapacidade de chorar é comumente encontrada nos homens que se queixam de falta de sentimentos ou
sensações. A pessoa talvez esteja deprimida e reconheça que está infeliz, mas não consegue expressar sua tristeza.”(Lowen)

“Em termos gerais, a sensação é a percepção do movimento. Uma vez que a supressão de sensações é conquistada por tensões
musculares crônicas que imobilizam o corpo, é impossível à pessoa perceber uma sensação suprimida” (Lowen) Pode-se dizer
que se a pessoa se mantiver o tempo todo funcionando a partir desse contato superficial com os sintomas de sua neurose, ela
está distante de seu verdadeiro ser, de sua essência. Por isso, é imperativo o processo de sensibilização e auto-percepção,
desenvolvendo a capacidade de fazer esse contato interno, passando pelas barreiras de proteção que mantém o indivíduo em
padrões repetitivos e limitantes. Este contato interno pelo corpo é uma possibilidade de autoconhecimento através da própria
linguagem expressiva do organismo, dificilmente traduzida em palavras e conceitos intelectuais. Assim é possível dizer que
dialogamos com a origem das questões, fincada no inconsciente.

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AUTO-ACEITAÇÃO E LIBERAÇÃO

Neste processo, a auto aceitação é fundamental para nosso desenvolvimento, pois passamos a admitir nossas fraquezas e
trabalhar diariamente para a evolução e superação das mesmas. A auto aceitação é o que possibilita mudanças. Paradoxalmente,
através da aceitação do fracasso, nos tornamos livres de nossas neuroses. “Ser verdadeiro com nós mesmos significa conhecer e
aceitar todos os nossos sentimentos, pois a tentativa de superar um problema de personalidade negando-o internaliza o problema
e garante a sua manutenção” (Lowen).

Através da liberação das tensões, e da auto-aceitação do que é, o indivíduo pode começar a caminhar no sentido da liberação dos
conflitos e das neuroses. O foco é o autoconhecimento, não a performance; o foco é o ser e não o fazer. Fazer essa prática de
forma competitiva e ambiciosa é contraproducente, pois é um movimento proveniente do egoísmo, desejo e apego às coisas que
não nos preenchem, ao contrário, criam mais sofrimento.
A abordagem competitiva pode nublar a mente, fortalecendo os muros defensores que constringem nossa expressão verdadeira e
assim nos separa de nosso potencial máximo.

Ficando consciente das neuroses e conflitos internos que bloqueiam a expressão, e o mantém distante de quem realmente é,
começa o estágio da busca. Busca do que? De quem realmente somos. E para chegar lá precisamos fazer o que? Desidentificar,
desapegar de tudo aquilo que não somos.

O diagrama abaixo, de Alexander Lowen, mostra as camadas que organizamos ao redor de quem realmente somos para nos
proteger; e que para fazer contato com o centro, é necessário fazer o trajeto de volta pelas couraças, que no final das contas, nos
mantém presos dentro do castelo que construímos para nos defender:
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O PROCESSO DO YOGA NA TRANSFORMAÇÃO DO SER:
EXPLORANDO A CONSCIÊNCIA

Podemos definir aqui o processo de Yoga enquanto tudo aquilo que fazemos para nos reconectar com aquilo que realmente
somos (self, alma), e desapegar daquilo que não somos (ego, corpo-mente).
Um processo de limpeza da consciência de suas falsas identificações, e desenvolvimento da consciência de nosso self sempre
presente.
“Yoga chita vritti nirodha” (Yoga-Sutra I.2, Patânjali):
“Yoga é a cessação da identificação com as flutuações que surgem dentro da mente subconsciente.

O processo de limpeza do subconsciente se da pela Sadhana, ou disciplina espiritual individual.


Os 3 estagios da Sadhana:
1 - Purificar, fortalecer e flexibilizar o receptáculo.
2 - Interiorizar, elevar e estabelecer a consciência.
3 - Receber, acolher e deixar-se transformar pela descida da graça.
O Desafio em direção ao centro
Que centro é esse? O lugar da integração, da União, que nos remete à origem da palavra Yoga: união do nosso ego diminuto à
consciência cósmica absoluta.

Em outras palavras, quando manifestações do ego são repetidas, elas se tornam hábitos, os samskaras e vasanas: Os hábitos de
pensar, sentir e agir. Como removê-los é parte do desafio humano.
Yoga busca a limpeza da consciência dessas impressões subconscientes, através do desapego e da atitude de viver mais
consciente no presente.
Portanto, o objetivo é a libertação espiritual do praticante.

As flutuações da mente nos mantém presos e limitados em nossos egoísmos. O Yoga tem por objetivo promover condições
internas para que a mente cesse seus movimentos, os quais impedem o Eu Superior (O self profundo dentro de cada um) de
alcançar sua verdadeira natureza.
A mente oscilante é o grande obstáculo à percepção do Eu Real. Segundo o Vedanta, este Eu é a base de tudo o que existe e
sem esse Eu, que é consciência, a mente não seria possível, mas a mente é justamente o que encobre o Eu. Por essa razão o
Yoga busca a cessação da identificação com o fluxo de pensamentos e levando à união com o Espírito, compreendendo sua
verdadeira natureza: uma manifestação vibracional de pura consciência; na busca de um estado onde o ato de conhecer (a busca
individual), o conhecedor (indivíduo) e o conhecido (Deus) se tornam um, em uma união perfeita. Esse estado é chamado de
Samadhi (união, êxtase, superconsciência).

Samadhi: estado de ser uno com o universo e todos os seres; tornar-se multidimensional; compreensão que ele e todos são um só
dentro da mente cósmica; reconhece-se como centelha viva e imortal imersa na luz imanente de Brahman, o Supremo que está
em tudo.

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KRIYA YOGA: AUTO-REALIZAÇÃO ATRAVÉS


DA AÇÃO COM CONSCIÊNCIA

“Kriya Yoga deriva das palavras sânscritas kri, que significa “ação”, e ya que significa “consciência”. Portanto uma kriya é uma
técnica prática de yoga que se realiza conscientemente. Os siddhas (iogues perfeitos) desenvolveram muitas dessas kriyas, e
entre elas, Babaji selecionou algumas para transmitir àqueles que buscam sinceramente a Verdade. O objetivo dessas kriyas é
ativas os chakras, purificar os nadis (canais de energia) e, finalmente, despertar a Kundalini Shakti, que leva a Deus e à Auto-
Realização As kriyas foram concebidas para despertar a Kundalini gradualmente e não de forma abrupta Se ela for despertada
Realização. As kriyas foram concebidas para despertar a Kundalini gradualmente e não de forma abrupta. Se ela for despertada
de repente, o sistema de nadis pode fica sobrecarregado por sua enorme força inconsciente, resultando daí grande desconforto,
desorientação e até um risco de colapso mental completo (vazamento). A Kriya Yoga é um método seguro para desenvolver
gradualmente a consciência e despertar as faculdades latentes” – Marshall Govidan

O caminho quíntuplo de Kriya Yoga de Babaji foi elaborado para trazer consciência para cada um dos cinco planos da existência
humana, os cinco corpos, revestimentos, ou koshas.

Annamaya kosha – envoltura ou corpo feito de alimento ->CORPO FÍSICO


Pranamaya kosha – envoltura ou corpo feito de prána ou energia vital-> CORPO ENERGÉTICO OU PRANICO.
Manomaya kosha – envoltura mental ou corpo feito de pensamentos-> CORPO MENTAL
Vijñanamaya kosha – envoltura psíquica ou corpo feito de conhecimento-> CORPO PSÍQUICO OU INTUITIVO
Anandamaya kosha – envoltura ou corpo feito de felicidade ou bem-aventurança-> CORPO CAUSAL OU ESPIRITUAL

A prática visa um desenvolvimento integral,


que contempla todas as partes e atividades do
ser. O caminho é do mais grosseiro
(percepção do corpo físico), passando pelo
vital, mental, intelectual e chegando ao mais
sutil (percepção do corpo espiritual).

Seguindo o fluxo da energia, penetrando pelas


camadas do ser, chegamos aos aspectos mais
sutis, a serem explorados pela prática da Kriya
Hatha Yoga, que é o ramo físico da ciência da
Kriya Yoga: “nos permite sentir e entender
exatamente quem é que move o corpo. Quem
move o corpo é o Self Uno, a Consciência
Suprema”.(Durga Ahlund)

O corpo é como uma ponte mística entre os


componentes físicos e espirituais de um ser.
Através do Hatha Yoga pode-se alcançar
poder, luz, pureza e liberdade quando a alma se une ao corpo físico. Hatha Yoga fortalece o corpo e o deixa pronto para uma
conexão mais profunda com a alma.

Kriya Hatha Yoga inclui a prática de asanas (posturas físicas), mudras (gestos psicofísicos) e bandhams (travas energéticas).

Estes foram organizados para “fortalecerem os centros psico-físicos (chakras) e os nadis (canais de energia) para eliminar os
bloqueios energéticos, para permitir o aumento gradual e um movimento mais suave da energia pranica. Foco no desenvolvimento
da consciência e das potencialidades latentes. O propósito das técnicas ou kriyas é em última instância o acordar de Kundalini
Shakti." (Durga Ahlund)

Kundalini é o poder do macrocosmo no microcosmo, o corpo. Kundalini é energia atômica potencial dentro do corpo. Enrolada nos
centros (chakras) mais baixos, kundalini pode ser ativada através da atividade pranica vibracional. Esta atividade pode ser
estimulada por pranayama, mantra, asana ou estados devocionais intensos (Durga Ahlund).

“O objetivo das 18 posturas da Kriya Hatha Yoga de Babaji, coordenadas com a respiração, é fornecer um meio de equilibrar os
ritmos internos nos corpos físico e sutil. A palavra ‘Hatha’ é derivada de duas palavras raízes, ‘há’ o sol e ‘tha’ a lua. Estes
correspondem às partes masculina (pingala nadi) e feminina (ida nadi), de nossa natureza. Somos uma combinação destas
energias solar e lunar. Equilibrar estes dois pólos de nosso ser é a integração de nosso ser, de Shiva (consciência) e Shakti
(poder/energia). Hatha Yoga equilibra o prana que corre através desses dois canais e integra estes dois grandes aspectos de
nossa personalidade, o aspecto masculino, quente, solar, de fogo, assertivo e racional, com o refrescante aspecto feminino, lunar,
receptivo, intuitivo, de água, pois ela equilibra o prana que corre através destes nadis. Uma vez equilibrado entre os canais ida e
pingala, o canal central, Sushumna Nadi se abre e o prana se funde dentro deste nadi, que controla e ativa as funções dos
chrakras, iluminando nossas potencialidades latentes enquanto seres humanos (Durga Ahlund).

Além disso, Hatha Yoga ensina ao corpo físico como ser saudável. Os asanas melhoram a circulação em áreas mal nutridas e
doentes do corpo. Liberam tensões em níveis profundos ao massagear os tecidos, órgãos, glândulas e articulações. As posturas
fortalecem e alongam a musculatura para que libere as toxinas e nutra as células com oxigênio, sangue e energia ou prana, para
promover a cura. Elas estimulam e equilibram o sistema endócrino efetivamente para que este nutra os tecidos. Também
equilibram e estabilizam o corpo, fortalecem e purificam o sistema nervoso.

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APROFUNDANDO A EXPERIÊNCIA INTERNA


COM A PRÁTICA DOS ASANAS
O foco dos Asanas é o despertar da Consciência, em um processo dinâmico e transformador.
Asana na tradição iogue significa “Sentar com o que é eterno. Respirar com aquilo que é imortal”.
O Corpo é o veículo para a expansão da alma; um centro místico, uma senda sagrada para a realidade máxima, e a libertação
está disponível apenas dentro dele" (Mirra Alfassa).
O Asana portanto é uma possibilidade intensa de tocar o infinito (Estados elevados de consciência, onde a consciência do ego
diminuto se dissolve na consciência Cósmica).

Quanto mais profundo nos permitirmos ir para dentro das experiências de ascensão, leveza, luz e expansão corpórea, mais perto
estaremos do infinito.
Ao permanecer numa pose, numa quietude absoluta, numa calma mental profunda, poderemos nos abrir para uma experiência de
sentir, de ver e ouvir a pulsação do universo ao nos abandonarmos para as profundezas de quem somos. Kundalini está desperta,
prana e apana se aquietam, pois estão regulados eequilibrados nos nadis ida e pingala. Sushumna nadi se abre e o prana passa a
fluir por esse canal, ativando nossas potencialidades latentes.
E assim chegar ao estado de equilíbrio integral do ser. Energizado e calmo. Calmamente ativo, e ativamente calmo. Esse é o
caminho do iogue.

Chegando ao “Esforço sem esforço”. Ideia paradoxal, que demanda afinação da percepção interna, e essa é desenvolvida
somente através da prática com concentração.
A performance perfeita dos asanas não garante os benefícios. Devemos abordar a prática de forma sensível e intuitiva, produzindo
um caminho para a energia fluir.
O Mestre é Sempre o Prana. Fazemos a postura para o Prana circular.

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PURIFICAÇÃO PELA PRÁTICA DOS ASANAS:

Trabalhar com os limites:Identificar, aceitar e vencer resistências. Transcender nossas aversões, atrações e limitações (abordagem
psicológica).
Todos temos crenças e conceitos sobre todas as coisas. Nossas preferências e aversões; e inclusive temos conceitos sobre nossa
própria natureza “A minha natureza é assim e não posso fazer nada a respeito”.
Em Yoga, acreditamos que o que nos restringe, o que nos limita são apenas nossos conceitos e crenças. Quando se abandona
um conceito, a perspectiva se expande e pode-se transformar uma vida.
“A vida é apenas um fluxo muito longo em uma postura”.
Tudo que entra na sua consciência entra na sua vida, tudo que vem como parte de seu karma torna-se parte da sua sadhana
(pratica pessoal), ou seja, sua prática de desapego de quem você não é e a realização de quem você realmente é. Você pode usar
a sua prática de hatha yoga como um lugar seguro para desenvolver seu desapego, e abandonar conceitos e crenças limitantes
sobre você e o mundo.
É uma ótima ferramenta para mudar aquilo que não serve mais para você.

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O RELAXAMENTO PROFUNDO

Terminando a curva do Ser, chegamos ao relaxamento profundo, relaxamento integral do ser.


Quando começamos a abandonar fortes hábitos que estabelecemos para defender nossas fraquezas e vulnerabilidades, nos
tornamos mais relaxados em nossos corpos e em nossas relações com os outros. Ao mesmo tempo em que aprendemos a
manter o estado de relaxamento, aprendemos a responder ao mundo de maneira muito mais espontânea, natural e a partir de um
estado mais elevado de ser que é o da verdade, da paz e do amor (Durga Ahlund)
Ao soltar as tensões em todos os níveis, realizamos o Self sempre presente.

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A ESPIRITUALIDADE DA AÇÃO.
CONEXÃO BIOENERGÉTICA E KRIYA YOGA

“Ter os pés no chão e a cabeça no topo do universo, tudo ao mesmo tempo. Será que vocês conseguem manter essa imagem?
Vocês são imensos e capazes de se conectarem com o cosmo mais profundo e ancorá-lo na Terra” (Os Pleiadianos)

“Tem que entrar na finitude última se quiserem chegar à infinitude última.


O céu, em seu êxtase, sonha com uma Terra perfeita
A Terra, em sua dor, sonha com um Céu perfeito.
Temores encantados os impedem de unir-se” (Aurobindo)
Ao mesmo tempo que buscamos a expansão da consciência, mantemos os pés firmes no chão, no contato com a Terra, o finito. O
conceito de grounding em linguagem bioenergética é a conexão energética entre os pés da pessoa e a terra ou chão. Se a pessoa
viver com a cabeça no ar, perderá esse contato.

Buscamos aqui desenvolver os dois, dando a sensação de segurança, estabilidade e independência que o trabalho de grounding
traz, e ao mesmo tempo, conectar com a poderosa energia cósmica pelas práticas da Kriya Yoga.
Primeiro trabalhamos para liberar os bloqueios, fazendo a energia descer da cabeça (padrão do indivíduo moderno preso nas suas
neuroses, projeções e fantasias) para o contato com o chão, com a realidade (trabalho bioenergético).
Com o fluxo livre reestabelecido, podemos direcionar a energia pranica (usando o poder da mente concentrada) pelo corpo sutil de
volta á cabeça, mais especificamente no ponto entre as sobrancelhas, no centro (Ajna chakra) da concentração e do olho
espiritual, da percepção divina. E Quando expandimos a percepção em direção ao Centro, o Eu Superior, voltamos pelo mesmo
percurso, só que agora mais conscientes e plenos daquilo que somos de fato, podendo (e devendo) levar para o dia-a-dia essa
consciência.

Como diz Sri Aurobindo, a consciência de cima é a consciência de baixo, e o nosso trabalho é na integração das duas. “A cada
nível que conquistamos, temos que voltar para trazer seu poder e sua iluminação ao movimento mortal inferior. Para a Divindade
descer até nós, transformando nossa natureza humana, seu progresso não consiste tanto em nos elevarmos, e sim em nos
livrarmos de tudo quanto nos detém, de tudo quanto nos obscurece. Limpar o subconsciente, com todos os seus medos, desejos,
sofrimentos e distorções, passa a ser da maior importância. No nível mais baixo da consciência humana encontra-se o
subconsciente, que é o resultado da evolução da vida na matéria”.

E como essa conexão céu e terra se expressa na vida diária?


Através da ação.
A espiritualidade que estamos falando aqui não é a do isolamento e fuga da vida material. Pelo contrário, é em estar pleno e
consciente de si mesmo no meio de todas essas forças que puxam para o lado contrário. Essa é uma tarefa árdua, que demanda
esforço e vontade interna.
“Quero praticar yoga para o trabalho e a ação, não para sannyasa (renúncia do mundo) e Nirvana” (Aurobindo). Esse é o Yoga que
Yoga que buscamos comunicar, o Yoga integral.
Um Yoga integral é aquele que contempla todas as partes e atividades do ser.

O questionamento interno sobre os motivos e impulsos que os levam à ação é de grande importância. Esteja consciente da origem
de suas ações, busque no inconsciente o porque você faz o que faz, o porque você faz as coisas da forma que você faz. E
ninguém pode responder a esses questionamentos além de você mesmo.
Uma vez observada a origem da manifestação comportamental, fica muito mais fácil aceitar e transformar aquele traço. Como dito
no Evangelho de Felipe:
“Assim, enquanto a raiz da maldade está escondida, ela permanece forte.
Mas quando é reconhecida, é dissolvida.
Quando é revelada, perece...”
Quanto a nós, que cada um cave em sua busca da raiz do mal que está dentro de si, e que ele seja arrancado do coração de cada
um pela raiz. O mal será arrancado se nós o reconhecermos. Mas se o ignorarmos, ele se enraizará em nós e produzirá seus
frutos em nossos corações”.

Para desenvolver essa percepção desapegada, cultivamos a postura do Observador consciente, que testemunha tudo que ocorre
no complexo corpo-mente, mas sem envolvimento. A desidentificação do fluxo dos pensamentos é uma liberdade enorme, que
nos permite permanecer aterrado no corpo e no momento presente, flutuando no ponto zero da consciência não-reativa.
Nessa posição, podemos nos levar a pensar e agir sob uma nova perspectiva, mais consciente, e menos apegada ao passado.

E como é possível levar essa perspectiva desapegada para a ação no mundo?


Através do autodomínio e da ação com consciência.
Como citado no Bhagavad Gita:
“Vendo o Eu em todos os seres e em si próprio, o iogue permanecendo unido à sua essência pensa ‘eu não faço nada’”. Ou
seja, o iogue está fixado no observador em meio à ação. União; intimidade. Suas ações simplesmente fluem.

A Bhagavad Gita, “Canção Divina” canta um Hino Inspirador e nos abençoa com o entendimento do ideal da Perfeição na Ação.
Arjuna, o discípulo, representação da Devoção Pura, na noite em que antecedeu a Batalha com seus próprios professores e
parentes, cai num estado de dor e auto piedade, gritando para Krishna, o professor, o Senhor Supremo de toda a ação, que ele
não iria lutar, levantando a questão do significado de Deus no mundo e do objetivo da vida e da conduta humana.

Dentre os muitos ensinamentos de Krishna à Arjuna, o capítulo 3 da Gita se refere ao Karma Yoga, ou o Método de Trabalho (O
Trabalho Dharmico de yoga) e traz luz à ação desapegada no mundo.
Isso é muito difícil para nós por causa do desejo, paixão, ódio e apego ao mundo externo.

Karma Yoga: Controlar os sentidos pela mente e agir sem apego.


Nós temos o direito à ação, mas não aos seus frutos.
“Você tem direito à ação, mas nunca aos seus frutos. Não permita que os frutos da ação sejam o seu motivo. Nem se prenda
jamais à inação” (Sri Krishna)
Não focar nas consequências de suas ações, agir sem expectativas, o que permite a ação com intensidade no momento
presente.
Equanimidade. Agir sem apego no sucesso ou no fracasso.
Pense diferente. Pense na ação; pense no presente. Ação é no presente, não no futuro.
A pessoa comum é controlada pelos cinco sentidos, em vez de ter domínio consciente sobre eles. “A pessoa que dominou o Yoga
é a que se purificou, que se controla, que não é mais controlada pelo que vem pelos seus sentidos e que vê o Self, Deus em todos
os seres, em todas as coisas”. “O verdadeiro iogue faz a ação que deve ser feita, sem procurar seu fruto”.
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