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ESCOLA TERAPÊUTICA: POR UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

LIMA SANTOS, Marilene 1


FERREIRA, Sandro André2
DIONIZIO, Tiago Monteiro3
LIMA, Iolanda Barbosa4
SOUZA, Ingrid Correa Cardoso de5

Eixo Temático: 1. TRANSFORMACIÓN HISTÓRICA DE LA RELACIÓN ENTRE PARADIGMAS,


DISCURSOS, SABERES Y PRÁCTICAS EDUCATIVAS.

Resumo: O relato de experiência em tela apresenta a concepção de trabalho em contraturno, da Escola


Terapêutica do Instituto Edukaleidos em São Paulo/Brasil, dando ênfase aos dispositivos e saberes que
discutem o ser capaz e o não ser capaz, pautando-nos nas práticas pedagógico-terapêuticas dos
educadores e terapeutas de alunos com dificuldades escolares, quadros sindrômicos ou deficiências
desde a educação básica ao ensino superior. Destaca-se que nesse programa de inclusão social, a
preocupação e interpretação dos estudantes, leva em conta a histórica exclusão à qual a criança e o jovem
com dificuldades ou deficiência são submetidos. Desse modo, o questionamento: O que seria então uma
atenção escolar e terapêutica adequada para essas crianças e jovens? perpassa a discussão de
universalização do currículo proposta pelo DUA – Desenho Universal para Aprendizagem, referencial
este que norteia nossas práticas junto a essa população, rumo à construção de um espaço em que se
pretende acolher a criança e o jovem em sua singularidade, observando e trabalhando mais suas
possibilidades do que suas limitações. Com vistas à discussão metodológica, fizemos uso dos encontros
grupais para estabelecermos um panorama da problemática de cada educando, conhecermos seu alcance,
suas implicações e sugerirmos intervenções – de curto, médio e longo prazo – que pudessem resultar em
benefício para os mesmos, em conjunto com as famílias, instituições e escolas regulares nas quais os
mesmos são atendidos, na busca de um desenho curricular universal e, discutindo com profissionais os
quais trabalham diariamente com os agrupamentos ou indivíduos, em espaços de discussões dialógico-
formativo-reflexivos, para que possamos, em uníssono, sermos espaços que tolerem o fracasso, com
profissionais que suportem – nas diferentes acepções do termo – seu fracasso e o fracasso do outro.

1
Mestre em Educação: História, Política, Sociedade (PUC/SP), Docente no IFSP/BTV onde integra o GPEPS
(Grupo de Pesquisa: Educação, Política e Sociedade) e na Pós-Graduação da FAPSS/SCS (Brasil) Diretora Técnica
da Escola Terapêutica do Instituto Edukaleidos; e-mail: marilenel@gmail.com
2
Pós-graduando em Neuropsicopedagogia na Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS/SCS); Coordenador
de Projetos da Escola Terapêutica do Instituto Edukaleidos, onde integra o Grupo de Pesquisa Psico(Andragogia):
uma necessidade de nosso tempo; e-mail: apostolosandro@yahoo.com.br
3
Estudante de Pedagogia no IFSP/BTV, onde integra o Projeto Educação do Campo como teoria e prática arte-
educador voluntário na Escola Terapêutica do Instituto Edukaleidos; e-mail: tmdionizio@gmail.com
4
Pedagoga, pós-graduada em Neuropsicopedagogia pela Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS/SCS);
Diretora do Setor Sócio Pedagógico do Instituto Edukaleidos, onde integra o grupo de Pesquisa: Estudos
Foucaultianos: Educação, Estado & Controle e-mail: edukaleidos@gmail.com
5
Pós graduada em Gestão Hospitalar (Uniara/SP), Graduada em Turismo pela UFSCar/Sor (Universidade Federal
de São Carlos), Estudante de Pedagogia no IFSP/BTV, Bolsista Pibid (Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação à Docência) e brinquedista voluntária na Escola Terapêutica do Instituto Edukaleidos
souza.ingridc@gmail.com
Desta forma buscamos reformular conceitos político-pedagógicos, para que possamos receber e
acompanhar essas crianças e adolescentes de forma íntegra e integral.

Palavras-chave: Educação Terapêutica, Prática Pedagógica, Educação Inclusiva, Educação


Integral.

Introdução

O contexto histórico sobre educação escolar é de grande valia para se ter a dimensão
dos desafios a serem enfrentados e, no eixo ao qual estamos inscritos “Transformação histórica
da relação entre paradigmas, discursos, saberes e práticas educativas” não é diferente, senão,
de suma importância.
Desde o início da História da Humanidade os indivíduos se relacionam devido à
necessidade de trabalharem para garantir sua sobrevivência. Na História da Humanidade, nem
sempre houve uma distribuição por igual dos produtos do trabalho, tanto materiais quanto
psíquicos. Sabe-se que nas formas primitivas de relações sociais, os indivíduos tinham igual
usufruto do trabalho comum. No entanto, nos períodos seguintes da história da sociedade, cada
vez mais se acentua a distribuição desigual de tais produtos aos indivíduos (conforme sexo,
idade, condição socioeconômica, orgânica, psíquica, ocupações e modo de viver) e dos sujeitos
históricos em diferentes atividades, bem como do produto advindo destas atividades
(LIBÂNEO, 1992).
A sociedade brasileira se desenvolveu numa base rural-agrária/comercial, em torno da
fazenda com a figura do senhor dono de terras, escravos e um grupo de pessoas livres e pobres:
os mestiços (mulatos e caboclos), “livres” porque não eram escravos e “pobres” porque não
tinham terra (VITA, 1994).
A educação, onde quer que se dê, é parte integrante das relações sociais, econômicas,
políticas e culturais de uma sociedade. No panorama supracitado a educação escolar era elitista
e voltada à formação de lideranças: um luxo, por assim dizer, para quem dispunha do ócio e
poderia, através de atitudes reflexivas e questionadoras, pensar a sociedade e suas relações
(XAVIER, RIBEIRO & NORONHA, 1994).
Na década de 60 do século XX, com a industrialização e a urbanização, saberes como
ler e escrever se fizeram necessários para que uma quantidade maior de pessoas pudesse se
tornar úteis serviçais às necessidades do capitalismo. A escola passa por transformações que a
afetam como um todo: no âmbito do corpo discente e docente, dos métodos, dos conteúdos e
da construção de escolas. A educação escolar para os trabalhadores visava a preparação de
corpos dóceis (FOUCAULT, 2010) para o trabalho físico com atitudes conformistas. Estavam
excluídos, portanto, velhos, crianças e pessoas com deficiência (XAVIER, RIBEIRO &
NORONHA, 1994).
Com relação às pessoas com deficiência (MAIOR, 2015; FOUCAULT, 2010) informam
que no século IV, o Cristianismo introduziu os princípios da caridade e do cuidado e imputou
às mesmas uma vida segregada em instituições, hospitais e asilos, isolando-as da sociedade,
associando o conceito de deficiência ao de doença.
Maior (2015) destaca, ainda, que durante o século XX, na Alemanha nazista de Hitler,
pessoas com deficiência foram submetidas a experiências científicas. No Reino Unido em 1972,
o sociólogo Paul Hunt enviou uma carta ao jornal abordando o isolamento físico e mental ao
qual as pessoas com deficiência estavam submetidas e propôs a formação de um grupo que
desse voz às reivindicações dessas pessoas. Quando as pessoas com deficiência reivindicaram
a palavra, para falar delas próprias, a discussão ganhou outro sentido e seu o lema era “nada
sobre nós sem nós”. Assim, as pessoas perceberam que a questão era a opressão, em que a
maioria predominante submete um conjunto de pessoas que está desfavorecido, privando-as da
participação da vida na sociedade.
O ano de 1981 foi proclamado pela ONU como o ano Internacional das Pessoas com
Deficiência. Foi a partir desse ano que essas pessoas passaram a ser vistas como parte da
humanidade, merecedoras de investimentos e do direito de estarem presentes em todas as áreas
de desenvolvimento da sociedade.
Em 1990, a Declaração de Jomtien, na Tailândia, que preconiza a Educação para Todos,
em seu artigo art. 3, intitulado “Universalizar o acesso à Educação e Promover a Equidade”
afirma que as pessoas com deficiência requerem atenção especial. As necessidades de educação
para todos, exigem recursos, estruturas institucionais e currículos que abranjam os sistemas
convencionais. Afirma também, que todos os recursos dirigidos à educação básica é o
investimento mais importante para um povo e seu país (JOMTIEN, 1990).
A partir dessa declaração houve o movimento de Integração das pessoas com deficiência
à sociedade, contudo, com o discurso médico ainda muito arraigado. Serviam-se do dispositivo
da reabilitação que, na verdade, pretendia igualar a performance executiva das pessoas com
deficiência ao padrão típico da “normalidade”. A esse respeito MAIOR (2015) comenta:
a associação entre a deficiência e a doença fez com que as pessoas com deficiência
permanecessem no âmbito da saúde por muito tempo: no âmbito da reabilitação (...) é
lógico que é importante, muito importante, só que não é só isso, é preciso primeiro: que
durante o nascimento, o crescimento ou após uma situação se entenda a diferença entre
o aspecto biológico biomédico e o aspecto sociológico social da deficiência (...) a
deficiência é o resultado da interação entre essa pessoa e o conjunto da sociedade (...) o
mundo inclusivo é o mundo para todas as pessoas e se essas pessoas encontram barreiras
este não é o mundo ideal, é um mundo que as exclui, é um mundo que não se prepara e
que não pensa naquilo que é universal, não entende que os direitos humanos são de
todos e (...) o recurso principal é o desenho universal que considera todas as pessoas
(MAIOR, 2015).

Começa, então, a ser adotado o discurso sociológico de entendimento e discussão acerca


da deficiência, rechaçando o discurso clínico com binômio doença-saúde. Entretanto, houve (e
ainda há) um longo caminho a percorrer para combater a discriminação/exclusão e fazer
vigorar, de fato, a inclusão no Brasil. No último censo decenal do IBGE em 2010, mais de 45,6
milhões de brasileiros declararam ter alguma deficiência.
Em 2007 o Ministério da Educação formulou uma nova política voltada para os alunos
com deficiência com diretrizes para a inclusão e acessibilidade: na arquitetura e na
comunicação; parceria com a família e AEE – Atendimento Educacional Especializado. Já o
decreto número 6949/2009 define a obrigatoriedade de um sistema de educação inclusiva em
todos os níveis de ensino; e o decreto número 7611/2011 institui o atendimento educacional
especializado gratuito e transversal em todos níveis de ensino.
Esta luta se consolida em 2015 com a LBI – Lei Brasileira de Inclusão número
13.146/2015: o Estatuto da Pessoa com Deficiência que proíbe, por exemplo, às instituições
privadas, cobrarem taxa extra nas mensalidades e matrículas de alunos com deficiência e exigir
que os pais paguem acompanhante para cuidar da criança na escola.
É nesse panorama que o Instituto Edukaleidos, como entidade do terceiro setor, passa a
auxiliar a população com deficiência da zona sul da cidade de São Paulo, no estado de São
Paulo (Brasil) em programa de contraturno (à escola regular) intitulado Escola Terapêutica.

Fonte: Mara Gabrilli. Relatora da Lei Brasileira de Inclusão (Estatuto da Pessoa com Deficiência) na Câmara dos
Deputados, 2015.
Nesse contexto, considerando a urgência da questão do AEE – Atendimento
Educacional Especializado de pessoas com deficiência e/ou com dificuldades de aprendizagem,
atuamos em ambiente inclusivo e pautado nos princípios do DUA – Desenho Universal para
Aprendizagem (ZERBATO & MENDES, 2018) que, a nosso ver, resgatam os preceitos da
Declaração de Jomtien de 1990: Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação
das necessidades básicas de aprendizagem (UNESCO, 1998) e da LBI – Lei Brasileira de
Inclusão (2015) que, no título II: dos direitos fundamentais, reafirma o direito à habilitação e
à reabilitação no art. 14. do capítulo II:
O processo de habilitação e de reabilitação é um direito da pessoa com deficiência.
Parágrafo único. O processo de habilitação e de reabilitação tem por objetivo o
desenvolvimento de potencialidades, talentos, habilidades e aptidões físicas,
cognitivas, sensoriais, psicossociais, atitudinais, profissionais e artísticas que
contribuam para a conquista da autonomia da pessoa com deficiência e de sua
participação social em igualdade de condições e oportunidades com as demais
pessoas.
E o direito à educação nos art. 27 e art. 28 (incisos V, VI e VII) do capítulo IV:
A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema
educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de
forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades
físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e
necessidades de aprendizagem. (...) V - adoção de medidas individualizadas e coletivas
em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes
com deficiência, favorecendo o acesso, a permanência, a participação e a
aprendizagem em instituições de ensino; VI - pesquisas voltadas para o
desenvolvimento de novos métodos e técnicas pedagógicas, de materiais didáticos, de
equipamentos e de recursos de tecnologia assistiva; VII - planejamento de estudo de
caso, de elaboração de plano de atendimento educacional especializado, de
organização de recursos e serviços de acessibilidade e de disponibilização e
usabilidade pedagógica de recursos de tecnologia assistiva.

Nosso objetivo é fazer parcerias com as famílias; estimular estudantes universitários à


investigação e estabelecer um centro de formação continuada e documentação, informação e
divulgação; investindo continuamente em formação/informação de pais e educadores, com a
finalidade de construir uma rede de atendimento especializado e desenvolvimento de materiais
didáticos universais.

Proposta Transformadora da Experiência

A Escola Terapêutica do Instituto Edukaleidos trabalha com o acompanhamento


pedagógico de crianças e jovens com deficiência ou dificuldades de aprendizagem realizando
as lições de casa, trabalhos escolares, estudo para provas, plantão de dúvidas e prepara
atividades específicas para evolução da aprendizagem através do Programa de Hábitos de
Estudos Saudáveis, pautado em GARCÍA-HUIDOBRO BARROS, M. C. et. all. (2013).
Pensando no desenvolvimento de forma ampla e significativa o espaço tem como
recursos: aulas de música, oficinas de arteterapia, sessões de psicomotricidade,
acompanhamento psicopedagógico, psicanalítico, fonoaudiológico e psicológico. O período de
permanência é de quatro horas diárias, no período da manhã das 8h às 12h e no período da tarde
das 13h às 17h.
O propósito é desenvolver ou construir estratégias individuais e coletivas para que
alcancem sua evolução escolar, numa perspectiva que considera o DUA – Desenho Universal
para Aprendizagem (2011, 2018) com propostas de intervenção e avaliação que possam incluir
todos os sujeitos dos agrupamentos, que não são estruturados em termos de ano escolar, mas de
acordo com suas possibilidades e competências.

Local

Nossa experiência foi/é realizada no Instituto Edukaleidos, na Escola Terapêutica, um


projeto de educação terapêutica oferecido em contraturno à escola regular. A sede do instituto
está situada em um bairro na zona sul da cidade de São Paulo, no Estado de São Paulo (Brasil)
e atende uma população de nível socioeconômico baixo.
O espaço disponibiliza sala para estudos coletivos e individuais, refeitório, área de livre
expressão e salas de atendimentos terapêuticos.

Participantes

Os participantes da Escola Terapêutica são selecionados a partir de um levantamento


feito através de ficha socioeconômica e outra de Triagem (anexos 1 e 2, respectivamente),
aplicados individualmente em entrevista agendada, cerca de 22 atendidos por semana, sendo 12
(58%) do sexo masculino (idade média de 12,5 anos) e 10 (48%) do sexo feminino (idade média
de 16 anos), cursando desde o ensino fundamental I ao Ensino Superior (uma das atendidas
com 22 anos cursa Pedagogia). Após a análise dos dados obtidos nas fichas e documentos
acessórios, como relatórios escolares e de outros profissionais que acompanham os educandos
(como os PIAS – Plano Individual de Acompanhamento Social; quando são oriundos do
SAICA- Serviço de Acolhimento Institucional Para Crianças e Adolescentes6), entre outros,

6
SAICA é um programa Proteção Social Especial da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de São Paulo
que visa oferecer acolhimento provisório e excepcional para crianças e adolescentes de ambos os sexos, inclusive
crianças e adolescentes com deficiência, em situação de medida de proteção4 e em situação de risco pessoal, social
e de abandono, cujas famílias ou responsáveis encontrem-se temporariamente impossibilitados de cumprir sua
função de cuidado e proteção. As unidades devem oferecer ambiente acolhedor, estar inseridas na comunidade e
ter aspecto semelhante ao de uma residência, sem distanciar-se excessivamente, do ponto de vista geográfico e
socioeconômico, da comunidade de origem das crianças e adolescentes acolhidos. O atendimento prestado deve
ser personalizado, em pequenos grupos e favorecer o convívio familiar e comunitário, bem como a utilização dos
estruturamos com/para cada educando um plano pedagógico-terapêutico tendo em vista sua
demanda. Também, a partir do que é levantado promovemos encontros com pais e educadores,
bem como com equipes pedagógica e de profissionais da saúde externos ao Instituto
Edukaleidos que, de alguma forma, tenham contato com os usuários.

Material e Método

1) Atendimento Educacional Especializado (com os educandos): Pautados em GARCÍA-


HUIDOBRO BARROS et. all. (2013), cujos fundamentos educacionais e
neuropsicológicos são destinados a pais, educadores e adolescentes que necessitam
adquirir maneira autônoma de estudo, desenvolvemos uma metodologia que, quando
aplicada, leva à possibilidade de aumento no rendimento acadêmico. Analisamos os
fatores que intervém na aprendizagem escolar como operações de pensamento,
concentração, memória, pensamento lógico-matemático, organização do lugar e
material de estudo, distribuição do tempo, compreensão, entendimento de textos,
perguntas de mediação, tipos de inteligência, analogias e pensamento criativo. Bem
como, desenvolvemos estratégias para compreender, resumir, tomar notas, fazer
esquemas, mapas mentais e conceituais e, de maneira geral, técnicas para melhorar os
aspectos logísticos, afetivos e sociais que intervém na aprendizagem. Outrossim,
abordamos temas como autoestima do educando/usuário, atitudes e procedimentos para
o trabalho em casa, assim como, tarefas e trabalhos de investigação autônoma.
2) Encontros com pais para discutir o papel dos mesmos no processo de formação e
educação das crianças e adolescentes
Escola de Pais: o que aprisiona a inteligência? São encontros semanais aos quais os
pais são convidados a participar resgatando suas demandas escolares e suas posturas
frente ao processo de aprendizagem de seus filhos, encorajados por FERNANDEZ
(1991) nesses encontros se desenvolve uma abordagem clínica da criança e sua família,
discutindo a dinâmica dos aspectos institucionais, familiares e subjetivos que permeiam
o processo de desenvolvimento de todos os envolvidos.
3) Grupo de Estudos para Educadores intitulado “Psicopedagogia em Psicodrama:
Morando no Brincar”: esse grupo, cujo nome é o mesmo da obra de Fernández (2002)

equipamentos e serviços disponíveis na comunidade local. Grupos de crianças e adolescentes com vínculos de
parentesco devem ser atendidos na mesma unidade. O acolhimento será feito até que seja possível o retorno à
família de origem ou extensa ou colocação em família substituta.
tem o objetivo de encontrar a potência do psicodrama que resgata a potência de cada
educador “a potência que dá ao fazer pensável aquilo que estava fora do pensável”, nele
se encontra a riqueza do espaço grupal: na mobilidade de papéis e na possibilidade de
poder tornar ativo o passivamente sofrido na infância, refletindo sobre o que se pede e
espera dos educandos. Nesses encontros se abre espaço para a autoria: o grupo continua
a cena que alguém trouxe. O que se encena se reconstrói, se transforma, não é
exatamente a cena da infância daquele que o protagonizou. O que se dá é uma criação
grupal de uma “obra em aberto”.
4) Grupo de Pesquisa Dispositivos inclusivos x excludentes existentes no interior da
escola: de acordo com considerações de STAINBACK & STAINBACK (1999) e
FOUCAULT (2010), sobretudo, acerca do currículo, esse grupo coloca em discussão a
organização curricular: o que ensinar, como ensinar, estratégias de ensino, na sua
relação com a inclusão. Ao refletir as diferenças, a proposta reafirma a desigualdade na
forma de se relacionar com conteúdos e atividades escolares e busca ultrapassar tal
estado de coisas pensando um desenho universal para a aprendizagem através do
dispositivo curricular.

Resultados e Discussão
Os resultados dos instrumentais empregados (anexos 1 e 2) indicam que os participantes,
em sua grande maioria, pertencem a uma comunidade de nível socioeconômico baixo e moram
em condições simples, precárias ou em abrigo, dispondo de poucos cômodos e eletrodomésticos
em suas moradias (geralmente geladeira e televisão).
Observa-se, também, que a maioria dos casais parentais são separados (78%), as líderes
das famílias são mães e exercem profissões informais ou são MEI – Micro Empresário
Individual (manicures, empregadas domésticas, cozinheiras, faxineiras, do lar, professoras de
reforço, costureiras, entre outras) sendo que apenas 22% estão empregados e registrados
(notadamente os pais e estes nem sempre cumprem com seu papel de provedor).
Quanto à escolarização 45% são analfabetos, 15% não concluíram o 5º ano/9 escolar,
20% não concluíram o 9º ano/9 escolar, 18% não concluíram o ensino médio e 2% não concluiu
o ensino superior. De modo geral, as mães relatam nenhum ou pouco contato dos filhos com os
pais e os abrigados, em sua maioria, não são órfãos, mas filhos de casais disfuncionais e com
algum tipo de vício ou pendência com a justiça.
O carro-chefe das ações de apoio aos usuários, seus pais e educadores (internos e
externos) são os encontros grupais. A cada bimestre são avaliadas as intervenções e os
resultados qualitativos obtidos até o momento mostram que os esforços da equipe estão no
caminho certo.
É importante salientar que temos observado sensível melhora no desempenho
acadêmico dos usuários, bem como nas relações estabelecidas no interior das famílias e da sala
de aula. O que ainda está um tanto longe do objetivo esperado é a cultura escolar no que tange
à inclusão apartada do discurso médico. Muitos são os atores sociais que ainda concebem a
deficiência como doença e, como tal, subjugada às teorias e práticas médicas numa expectativa
limitada e limitante, em que o fazer pedagógico teria pouco a contribuir para mudar o status
quo em que se encontra a inclusão da pessoa com deficiência.
No que tange às famílias observa-se um retorno dos adultos à escola e nos professores
notou-se uma tendência às especializações diversas, tais como matricular-se em cursos de pós-
graduação tais como: Neuropsicopedagogia (15), Psicopedagogia (10), Psicanálise (7) e
Arteterapia (5).

Conclusões

A maioria da população, inclusive profissionais da educação escolar, ainda tem dúvidas


sobre educação especial e educação inclusiva para todos (universalização). O desconhecimento
entre os profissionais da educação escolar, sobre as características das deficiências existentes
entre as pessoas com deficiência é gritante e isso os assusta quanto à assunção do papel
inclusivo que têm de empreender em seu ofício de educadores.
Agradecemos à equipe Edukaleidos, tanto a aqui representada, quanto aos demais que,
de uma forma ou de outra, tem levado um questionamento inclusivo a mais a cada encontro,
em cada fazer e com quem quer que esteja atuando.

REFERÊNCIAS BIBIOGRÁFICAS

Antunes, Celso. As inteligências múltiplas e seus estímulos. Campinas, SP: Papirus, 1998.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. 38 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
IBGE. Censo Demográfico, 2010.
FERNANDEZ, Alicia. A Inteligência Aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da
criança e sua família. 3.ª ed. Porto Alegre: Artmed, 1991.
FERNÁNDEZ, Alícia. Psicopedagogia Em Psicodrama: Morando no Brincar. 3ª ed.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
UNESCO. Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação das necessidades
básicas de aprendizagem, 1998. Disponível em:
http://unesdoc.unesco.org/images/0008/000862/086291por.pdf Acesso em 07/08/2018.
LIBÂNEO, José Carlos. A Didática e a formação profissional do professor. São Paulo:
Cortez, 1992.
MAIOR, Izabel Maria. Deficiências e Diferenças. Série: O valor das diferenças em um mundo
compartilhado. Curadoria de Benilton Bezerra Jr. CPFL: Café Filosófico. 1 set. 2015, 1h52min,
Disponível em: http://www.institutocpfl.org.br/2015/09/01/deficiencias-e-diferencas-com-
izabel-maria-maior-versao-na-integra-legendada/
STAINBACK, Susan & STAINBACK, William. Inclusão: um guia para educadores.
Tradução: Magda França Lopes. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
VITA, Álvaro. Sociologia da sociedade brasileira. São Paulo: Ática, 1994.
XAVIER, Maria Elizabete, RIBEIRO, Maria Luísa e NORONHA, Olinda Maria (org.)
História da Educação: A escola no Brasil. São Paulo: FTD, 1994.
ZERBATO, Ana Paula & MENDES, Enicéia Gonçalves. Desenho universal para a
aprendizagem como estratégia de inclusão escolar. Educação UNISINOS. v. 22 (2): 147-155,
abr-jun, 2018.
ANEXO 1

Ficha Socioeconômica Instituto Edukaleidos


Rua Santo Alberto, 608 – Vila São Pedro – São Paulo – SP/Brasil
Fones: 55(11) 3805-6509/93016-4184

Nome Completo: _________________________________________________________

1. Quantas pessoas moram com você? (pais, filhos, irmãos, parentes e amigos)
( ) Moro sozinho
( ) Uma a três pessoas
( ) Quatro a sete pessoas
( ) Oito a dez pessoas
( ) Mais de dez pessoas

2. A casa onde você mora é:


( ) Própria
( ) Alugada
( ) Cedida

3. Sua casa está localizada em:


( ) Zona rural
( ) Zona urbana
( ) Comunidade Indígena
( ) Comunidade Quilombola

4. Qual é o nível de escolaridade da(o) líder da família?


( ) 1º a 4º (ensino fundamental I, antigo primário)
( ) 5º a 9º (ensino fundamental II, antigo ginásio)
( ) Ensino médio
( ) Ensino superior
( ) Especialização
( ) Não estudou
( ) Não sei

5. Qual é o nível de escolaridade de um outro adulto responsável pela família?


( ) 1º a 4º (ensino fundamental I, antigo primário)
( ) 5º a 9º (ensino fundamental II, antigo ginásio)
( ) Ensino médio
( ) Ensino superior
( ) Especialização
( ) Não estudou
( ) Não sei

6. Qual é o nível de escolaridade da pessoa a beneficiada com a ET?


( ) 1º a 4º (ensino fundamental I, antigo primário)
( ) 5º a 9º (ensino fundamental II, antigo ginásio)
( ) Ensino médio
( ) Ensino superior
( ) Especialização
( ) Não estudou
( ) Não sei

7. Somando a renda da(o) líder com a renda das demais pessoas empregadas que moram
na casa, qual é a renda bruta da família?
( ) Nenhuma renda
( ) Até um salário mínimo (até R$ 678,00)
( ) De 1 a 3 salários mínimos (de R$ 678,00 até 2.034,00)
( ) De 3 a 6 salários mínimos (de R$ 2.034,00 até 4.068,00)
( ) Mais que 6 salários mínimos

8. Qual é a sua renda mensal, aproximadamente:


( ) Nenhuma renda
( ) Até um salário mínimo (até R$ 954,00)
( ) De 1 a 3 salários mínimos (de R$ 954,00 até 2.862,00)
( ) De 3 a 6 salários mínimos (de R$ 2.682,00 até 5.724,00)
( ) Mais que 6 salários mínimos

9. Você trabalha ou já trabalhou?


( ) Sim
( ) Não

10. Em que você trabalha atualmente?


( ) Na agricultura ou no campo
( ) Na indústria
( ) Na Construção civil
( ) No comércio, banco, etc.
( ) Funcionário público
( ) Como profissional liberal, professora ou técnica de nível superior
( ) Trabalho fora de casa em atividades informais ou como MEI (pintor, eletricista, encanador,
etc.)
( ) Trabalho em minha casa informalmente ou como MEI (costura, cozinha, aulas particulares,
etc.)
( ) Faço tralho doméstico em casa de outras pessoas (cozinheiro(a), babá, faxineiro(a)/zelador(a),
empregada(o) doméstico(o)etc.)
( ) No lar (sem remuneração)
( ) Não trabalho / ( ) Outro _________________

11. Quantas horas semanais você trabalha?


( ) Sem jornada fixa, até 10 horas semanais.
( ) De 11 a 20 horas semanais.
( ) De 21 a 30 horas semanais.
( ) De 31 a 40 horas semanais.
( ) Mais de 40 horas semanais.
ANEXO 2

FICHA DE TRIAGEM

Nome

sexo cor Data de Nascimento Idade


M F

Nome da mãe / responsável

Deficiência/dificuldade: ( ) Física ( ) Mental ( ) Auditiva ( ) Visual ( ) Outras


1. Comente resumidamente a(s) dificuldade/deficiência(s) apresentada(s):
__________________________________________________________________________
____________________________________________________________

2. Tem mais alguém na família que apresenta algum tipo de deficiência? Qual o grau de
parentesco e deficiência apresentada?
__________________________________________________________________________
____________________________________________________________

3. Com que idade começou a freqüentar escola?____________________________

4. Teve dificuldade em ingressar ou freqüentar a escola? ( ) Não ( ) Sim. Qual?


__________________________________________________________________________
____________________________________________________________

5. Que tipo de transporte utiliza para chegar à escola?


__________________________________________________________________________
____________________________________________________________

6. Em relação à deficiência apresentada, necessita alguma atenção/cuidado especial?


( ) Não ( ) Sim. Qual?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

7. Como o educando / a educanda se comunica? Apresenta alguma dificuldade?


Explique.
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

8. Existe alguma preocupação referente ao comportamento? Explique. Cite


características do educando / da educanda que você considera importante:
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
_____________________________________________________

9. Necessita de recursos de tecnologia assistiva (órteses, próteses, equipamentos,


adaptações ou outras ajudas técnicas) para realizar suas atividades?
( ) Não ( ) Sim Assinale-o(s):
( ) Recursos para mobilidade e adequação postural (cadeira de rodas, muletas,
andador, bengala, órteses, próteses...) Quais?_________________________
( ) Recursos ópticos ( lupa, lentes, ...) Quais? ____________________________

( ) Recursos de comunicação (aparelho auditivo, sistemas de comunicação


alternativo e/ou suplementar, LIBRAS, BRAILLE...)Quais? ________________
( ) Acessibilidade do espaço físico e mobiliário escolar? O quê? _____________
__________________________________________________________________
( ) Outros:________________________________________________________

10. Caso necessite de algum tipo de equipamento/adaptação:


( ) Possui o equipamento próprio e usa freqüentemente
( ) Possui, mas não usa ou usa pouco. Motivo: ____________________________

( )Tem indicação, mas não possui.


Se não possui, fez solicitação e está aguardando para adquirir o equipamento em
algum local? ( ) Não ( ) Sim Onde?___________________________________

11. Está em atendimento de:

Início Local Nome Tel. Freqüência


Profissional Contato atendimento

Fisioterapia ___/____

Fonoaudiologia ___/____

Ter. Ocupacional ___/____

Psicologia ___/____

Neurologia ___/____

Psiquiatria ___/____

Psicopedagogia ___/____
_____________ ___/____

12. Se atualmente não está em nenhum desses atendimentos, alguma vez passou por
avaliação ou tratamento?
( ) Não Porquê? ___________________________________________________
( ) Sim Onde? _____________________________________________________
Nome profissional para contato_______________ Telefone___________________
Por que parou o atendimento?( )Alta ( ) Abandono ( ) Outro_________________

13. Relacionamento Familiar: Quem mora na casa? Como é o relacionamento do educando/


da educanda com os familiares?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
____________________________________________________________

14. Quando não está na escola, onde e com quem costuma ficar? O que costuma e
gosta de fazer? O que a família acha que o educando/ a educanda faz bem, com maior
facilidade?_____________________________________________________
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15. Existe mais alguma observação que você gostaria de fazer com relação ao educando / à
educanda?
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Resp. pelo preenchimento__________________________Data: ___/___/___