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Comentário de abertura: houve boa discussão sobre se pode ou se não pode solicitar a eutanásia.

Há paises que se
permite aqui no Brasil ainda não se é permitido. Alem da ética sobre tal assunto devemos nos aprofundar sobre como a
religiosidade dentro desse mesmo assunto a “eutanásia”. Vai ser doloroso estudar sobre o morrer.

Objetivos
1-Discutir ética e eutanásia.
Na moral de Kant1, verifica-se uma concepção de ética sob a forma de um procedimento prático, isto é, uma
universalização da ética, baseada na definição de que uma ação moralmente boa é aquela que pode ser universalizável,
ou seja, aquela cujos princípios podem valer para todos ou, ao menos, seria desejável que valessem para todos.
Tal dogma poderia ser aplicado, por exemplo, à eutanásia, desde que, evidentemente, ela valesse para todos, isto é,
pudesse ser moralmente justificável.
Nos dias atuais, encara-se a morte como algo natural. No passado, procuravam-se explicações para a morte no meio
sobrenatural. Hoje, recorre-se à medicina para tratar das questões relativas a esse assunto.
Porém, permanece o questionamento: é ético, é válido estender a vida, prolongando o sofrimento e a agonia?
O homem é o único ser sobre a Terra que tem consciência da sua finitude, o único a saber que sua passagem neste
mundo é transitória e que deve terminar um dia. Sob o prisma da humanidade, trata-se da extinção biológica de um ser
de relação, ser corpóreo que interage com seu meio.
o estudo da morte e do morrer deu ensejo à criação de um novo ramo do conhecimento científico, a tanatologia
(ciência do estudo da morte), que mergulha na pesquisa filosófica e
antropológica das diversas formas de representação ritualística da extinção da vida entre diferentes povos e culturas.
Até o século XVII, o homem somente sentia-se senhor de sua vida na medida em que se sentisse, também, senhor de
sua morte. Com o desenvolvimento científico, encontrou-se uma saída para o dilema. Tal fato foi traduzido na
medicalização da morte que se seguiu à dessacralização dessa mesma morte, o que ocorreu por volta do século XVIII
ou XIX. Passou-se a determinar que os doentes fossem levados e morressem nos hospitais, ao contrário do que ocorria
antes, quando morriam em casa. Antes, pelos desígnios de Deus, inacessíveis aos homens, havia a boa e a má morte,
que governava os destinos humanos. Agora, a morte tornou-se laica, não mais religiosa. Neste novo palco, a morte
transforma-se em fenômeno técnico, no qual o médico decreta quando interromper todo e qualquer tipo de tratamento.
Dessa forma, nem a família nem o indivíduo são senhores de sua própria morte. Tal poder lhes foi negado e retirado
em nome da ciência, mesmo porque, com a desagregação da chamada família nuclear, esta aliena-se da morte, ignora-
a por completo.
**Eutanásia significa sistema que procura dar morte sem sofrimento a um doente incurável. Esse sistema é proibido
em vários países, inclusive no Brasil, onde a prática da eutanásia é considerada homicídio.
Existe grande controvérsia a respeito da legalização ou não dessa prática. As pessoas que julgam a eutanásia um mal
necessário têm como principais argumentos poupar o paciente terminal irreversível de seu sofrimento e aliviar a
angústia de seus familiares. Outro aspecto
importante dessa discussão é o custo financeiro, tanto social como pessoal, causado pelo prolongamento de uma
vida impossibilitada de continuar. O custo social está na superlotação de leitos nos hospitais e nos gastos públicos
com remédios e tratamentos desses pacientes.
Por outro lado, se essa prática for legalizada, haverá revolta por parte das igrejas, as quais se mantêm irredutíveis em
suas posições.
Além disso, o parente que autorizar a eutanásia de um ente querido pode vir a sofrer um forte sentimento de culpa.
Com o progresso da tecnologia médica, torna-se ainda mais complexa a discussão sobre essa prática. Os aparelhos
eletrônicos são capazes de garantir longa sobrevida vegetativa aos doentes e permitem que os sinais vitais sejam
mantidos artificialmente.
Classificação da eutanásia
A eutanásia, dependendo do critério considerado, pode ser classificada de várias formas, entre elas, as seguintes:
Quanto ao tipo de ação - Eutanásia ativa: o ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente, por fins
misericordiosos.
Eutanásia passiva ou indireta: a morte do paciente ocorre dentro de um quadro terminal, ou porque não se inicia uma
ação médica ou porque há interrupção de uma medida extraordinária, com o objetivo de minorar o sofrimento.
Eutanásia de duplo efeito: a morte é acelerada como uma conseqüência indireta das ações médicas que são executadas
visando ao alívio do sofrimento de um paciente terminal.
Quanto ao consentimento do paciente
Eutanásia voluntária: quando a morte é provocada atendendo a uma vontade do paciente.
Eutanásia involuntária: quando a morte é provocada contra a vontade do paciente.
Eutanásia não-voluntária: quando a morte é provocada sem que o paciente tivesse manifestado sua posição em
relação a ela.

Distanásia e suicídio assistido - Distanásia é a agonia prolongada, é a morte com sofrimento físico ou psicológico do
indivíduo lúcido. Esse termo foi proposto por Morache, em 1904.
Embora a morte faça parte do seu dia-a-dia de um medico e seja um fato inexorável para todos os seres vivos. Apesar
dos problemas clínicos relacionados ao atendimento otimizado do paciente, o médico deve focalizar seus esforços no
alívio do sofrimento para evitar ao máximo os desconfortos do paciente em estado terminal.
A dor é apenas um de seus componentes. Entretanto, o impacto que a dor tem na vida do paciente varia desde um
desconforto tolerável até a exaustão, que é própria das doenças que provocam a morte direta ou indiretamente.
O que o paciente sabe ou deve saber sobre o seu diagnóstico e prognóstico? Segundo Moraczewsky, a primeira
pergunta já remete para uma questão básica que é a do exercício da autonomia nesse momento. Só tem acesso à livre
escolha de maneira adequada aquela pessoa que tiver pleno conhecimento dos fatos médicos ligados à sua doença. O
médico prudente avaliará cada caso, tentando pesar os prós e os contras de três alternativas: dizer a verdade, omiti-la
ou mentir para o paciente. Em seu julgamento, ele deverá levar em conta que somente um fato moral muito relevante,
em termos de beneficência, poderá justificar uma ação paternalística de ignorar o direito do paciente à verdade.
O termo ortotanásia = morte natural ou de eutanásia passiva, na qual se age por omissão (inversamente à eutanásia
ativa, na qual existe um ato comissivo com real induzimento ou auxílio ao suicídio). Esta seria, também, a
manifestação da morte boa, desejável. Ao contrário, enquanto isso, o termo distanásia seria, portanto, a morte
dolorosa, com sofrimento, conforme observa-se com freqüência nos pacientes terminais (AIDS e câncer, doenças
incuráveis etc..)
O prolongamento da vida para esses indivíduos, seja por meio de terapêuticas ou de aparelhos, nada mais representaria
do que uma batalha inútil e perdida contra a morte, esta sim salvadora e redentora.
É preciso estabelecer quais medidas devem ser tomadas para manter o paciente vivo. Existem medidas que podem ser
chamadas de ordinárias, outras de fúteis e outras, ainda, que se denominam extraordinárias.
Medidas ordinárias são, geralmente, aquelas de baixo custo, pouco invasivas, convencionais e tecnologicamente
simples. As extraordinárias costumam ser caras, invasivas, heróicas e de tecnologia complexa. Segundo Kübler-Ross,
essas definições certamente simplificam uma questão muito complexa. Por exemplo, a alimentação enteral por sonda,
na maioria das vezes, é uma medida ordinária, mas, quando utilizada num paciente em estado vegetativo persistente
irreversível, passa a ser uma medida extraordinária para mantê-lo vivo.
A futilidade deve ser definida em função da relação existente entre tratamento, terapêutica e cuidado. Um tratamento é
considerado fútil quando não tem boa probabilidade de ter valor terapêutico, isto é, quando agrega riscos crescentes
sem um benefício associado. As medidas de conforto básico, alimentação, hidratação e controle de dor são exemplos
de cuidados que podem ser denominados de medidas de conforto, mas que não podem ser chamados de fúteis.
A eutanásia ou o suicídio assistido devem ser destinados a beneficiar o indivíduo que morre e devem ser sempre
dirigidos pelo próprio indivíduo, tanto no tempo presente como por uma orientação antecipada de qualquer
espécie. Essas práticas não podem ser impostas à pessoa com base na opinião de terceiros de que seria melhor
que ela morresse; não podem ser praticadas em relação àqueles que não estão aptos a dar uma opinião a
respeito de se, nas circunstâncias atuais, gostariam de morrer e que não planejaram antecipadamente os seus
desejos, caso surjam essas circunstâncias.
A eutanásia não é permitida legalmente. Por outro lado, a partir do Ato do Suicídio de 1961, não é um delito criminal
cometer ou tentar cometer o suicídio.
Entretanto, o Ato torna ilegal assistir (ou ajudar e incitar) alguém suicidar-se. Enquanto o termo “suicídio”
geralmente é empregado para referir-se a alguém que morre em conseqüência da sua própria ação intencional,
o termo “eutanásia” é usado, em geral, para referir-se à morte que acontece em conseqüência de ações
praticadas por terceiros.
A atuação médica é movida por dois grandes princípios morais: a preservação da vida e o alívio do sofrimento.
Entretanto, em determinadas situações, podem tornar-se antagônicos, devendo prevalecer um sobre o outro. Se for
estabelecido como princípio básico o de optar-se sempre pela preservação da vida, independentemente da situação,
poder-se-á, talvez, com tal atitude, estar negando o fato de que a vida é finita. Como é conhecido, existe um momento
da evolução da doença em que a morte torna-se um desfecho esperado e natural, não devendo e nem podendo ser
combatida. Assim, no paciente passível de ser salvo, a aplicação dos princípios da moral deve ser pautada na
preservação da vida, enquanto que, no paciente que está na etapa da morte inevitável, a atuação médica, do ponto de
vista da moral, deve priorizar o alívio do sofrimento.
Para os que advogam a antecipação da morte não só atenderia aos interesses do paciente de morrer com dignidade
como daria efetividade ao princípio da autodeterminação da pessoa em decidir sobre sua própria morte.
Ao contrário, está a grande maioria das pessoas a sustentar que a vida humana é bem jurídico supremo, que é dever
tanto do Estado como do médico preservá-lo a qualquer custo, evitando-se, assim, que pessoas sejam mortas.
** a eutanásia poderia constituir, até mesmo, numa espécie de amparo para a prática de inúmeros suicídios e de
homicídios planejados (detentor de herança).
Numa visão sócio-jurídica, a institucionalização da eutanásia traria mais problemas do que soluções.
Fonte: Simpósio medicina e direito - Ética e eutanásia – Oliveira HB et alii
2-estudar representações da morte e do morrer (Ariues, Kubler-Ross).
Morte, segundo Kübler-Ross, pode ser definida como sendo o cessar irreversível do funcionamento de todas as
células, tecidos e órgãos; do fluxo espontâneo de todos os fluídos, incluindo o ar (último suspiro) e o sangue; do
funcionamento de coração e pulmões; do funcionamento espontâneo de coração e pulmões; do funcionamento
espontâneo de todo o cérebro, incluindo o tronco cerebral; do funcionamento completo das porções superiores do
cérebro (neocórtex); do funcionamento quase completo do neocórtex; da capacidade corporal da consciência.
Atitudes do Paciente Frente à Morte e ao Morrer
A obra de Kübler-Ross (2005), mostra os estágios pelos quais passam pacientes, ao tomarem conhecimento da fase
terminal de sua doença. Muitos reagem, inicialmente, com negação, é usada por quase todos os pacientes, nos
primeiros estágios da doença.
A negação inicial pode, em muitos casos, auxiliar alguns pacientes a se preparar para considerar a possibilidade da
própria morte, deixando de lado esta realidade, por algum tempo, para terem força e motivação para lutarem pela vida.
Este mecanismo de defesa contra a ansiedade frente ao confronto com a inexorabilidade existencial pode ser ruim
para o prognóstico do paciente, nos casos em que o afastam da busca de auxílio profissional para lidar com a doença.
Nestes casos, o diagnóstico desfavorável pode ameaçar tanto a estrutura do ego deste indivíduo que ele precisa afastar
de sua cognição, completamente, este fato que lhe assusta, em prol da sobrevivência de sua estrutura interna,
colaborando, muitas vezes, com o agravamento de sua condição física, por falta dos cuidados médicos necessários.
Frente ao risco de morte, a negação desta realidade pode se apresentar, e não é incomum que isto ocorra no começo de
uma doença séria, mais até do que no fim da vida. O tempo de permanência no estágio de negação do risco da morte,
dependerá de diversos fatores, incluindo: estrutura de personalidade, apoio familiar, apoio social, tipo de cultura,
idade, forma de comunicação do diagnóstico, etc
Outra forma de reação: raiva, revolta, inveja e ressentimento.
Muitas vezes este sentimento se origina como reação à interrupção prematura de atividades existenciais; de
construções começadas que ficarão inacabadas; sonhos que se esperavam realizar; objetivos que ainda se esperavam
alcançar.
No entanto, um paciente que é respeitado e compreendido, a quem são dispensados tempo e atenção, podem se
recompor deste intenso susto, e com isto, recuperar equilíbrio suficiente para manejar, de forma diferente e mais
adaptativa, a ansiedade e angústia advindas desta situação em que se encontra. O importante, neste momento, é
analisar o motivo da raiva do paciente e não assumir em termos pessoais quando, na sua origem, nada ou pouco tem a
ver com as pessoas em quem é descarregada.
A barganha , outro dos estágios comuns nos pacientes sem perspectiva de cura, se traduz pela tentativa do paciente
fazer algum tipo de acordo interno, com o propósito de adiar o desfecho inevitável. “Se Deus decidiu levar-me deste
mundo e não atendeu a meus apelos cheios de ira, talvez seja mais condescendente se eu apelar com calma.” (Kübler-
Ross, 2005, p. 87)
A barganha na realidade, é uma tentativa de adiamento; tenta incluir um prêmio oferecido “por bom comportamento”,
estabelecendo uma “meta” auto-imposta , incluindo uma promessa implícita de que o paciente não pedirá outro
adiamento, caso o primeiro seja concedido. Percebe-se que a maioria das barganhas é feita com Deus e, mantida
geralmente em segredo, e, em troca, almeja-se um pouco mais de tempo de vida.
Para Kübler-Ross (2005), quando o paciente em fase terminal não pode mais negar sua doença, quando é forçado a
submeter-se a mais uma cirurgia ou hospitalização, quando começa a apresentar novos sintomas e tornar-se mais
debilitado, não consegue mais esconder de si a doença. Seu afastamento, sua revolta e raiva darão lugar a um
sentimento de grande perda, que poderá ter como conseqüência, a depressão.
A permissão de exteriorização de pesar, facilita o processo doloroso de aceitação da situação em que se encontra, e,
talvez , possa ficar agradecido aos que se propuserem a estar com ele neste estado de tristeza profunda..
A aceitação é o estágio atingido por aqueles pacientes que tiveram tempo necessário (que não tiveram morte súbita ou
inesperada), e/ou tiveram recebido alguma ajuda para superar tudo que foi descrito anteriormente. O paciente atingirá
um estágio em que não mais sentirá depressão nem raiva quanto ao seu “ doloroso destino”. Terá podido externar seus
sentimentos, sua inveja pelos vivos e sadios, e sua raiva por aqueles que não são obrigados a enfrentar a morte neste
momento em que ele o está.
Não é para se confundir aceitação com um estágio de felicidade. É como se a dor tivesse esvaecido, a luta tivesse
cessado e fosse chegado o momento do “repouso derradeiro antes da longa viagem”. A família nesse momento, sem
dúvida alguma, necessita também de um suporte, pois à medida que o paciente, às vésperas da morte, encontra uma
certa paz e aceitação, seu círculo de interesse diminui. Com isso, muitas vezes este prefere que o deixem só, ou, pelo
menos, que não o perturbem com notícias e problemas do mundo exterior, fazendo a família sentir-se aflita com este
seu afastamento, e sem saber como lidar com este comportamento.
Segundo Kübler-Ross (2005), há alguns pacientes que lutam até o fim, que se debatem e se agarram à esperança,
dificultando atingir este estágio de aceitação. A família e a equipe de saúde podem achar que esses pacientes são
resistentes e fortes, e encorajá-los na luta pela vida até o fim, deixando transparecer que aceitar o próprio fim é uma
entrega covarde, uma decepção ou, pior ainda, uma rejeição à família.
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php
**diante da terminalidade e do morrer. São eles: a negação e o isolamento, a raiva, a barganha, a depressão e a
aceitação, complementando-se com a esperança, que persiste em todos estes estágios e que é o que conduz o paciente
a suportar sua dor. "Quando um paciente não dá mais sinal de esperança. Geralmente é prenúncio de morte
iminente."

O processo de morrer por Elisabeth Kübler – Ross (2000):


1º O choque da notícia de que a doença é fatal;
2º A negação do fato sob todas as formas possíveis: “o medico se enganou; deve ter havido erro de diagnóstico; deve
haver outro tratamento possível”;
3º a revolta com procura de culpados pelo fato: “o medico não presta; os medicamentos pioraram a situação; as
enfermeiras não atendiam na hora certa”;
4º A barganha, caracterizada por um comportamento infantil de tentativa de adiar o processo da morte, mas
especialmente através de promessas secretas a Deus;
5º A depressão que segue as fases anteriores de ira e barganha se traduz por sentimentos de tristeza, desespero e
vazio;
6º A aceitação caracterizada por um sentimento de que a dor terminou e chegou o momento do descanso final “antes
da longa jornada”. Os períodos de sono e cochilo aumentam. A morte é vista como um alívio e passa a ser desejada, o
que muitos parentes não compreendem.

3-discutir o sentido da vida X sentido de morte (psicanálise e existencialismo)


Fonte: Especialização em Filosofia e Ensino de Filosofia
Professor: Jorge Antonio Torres Machado
O sentido da vida e a morte
Pensemos o sentido da vida, se é que existe um sentido na vida. Pensar o sentido da vida é angustiante, pois
racionalmente pode se concluir de que não exista um sentido para se viver. Como diria o filósofo Schopenhauer
"viver é sofrer". Questionar o sentido da vida gera certa ansiedade, pois remete a morte. A morte relaciona a vida.
Heidegger estabelece relações entre existência inautêntica e autêntica que seria do ser-para-a-morte e que faz o ser
tornar se livre para suas escolhas.
Poderíamos talvez classificar três formas de observar a vida: racionalmente, religiosamente e emocionalmente.
Racionalmente seria o sentido da vida como um único objetivo: de reprodução para manter a espécie. Do ponto de
vista religioso, teríamos uma determina missão a cumprir e seriamos enviados a esta missão como um dever a ser
cumprido. Emocionalmente vivemos nossas vidas por outro que amamos e nos doamos. O sofrimento maior não é não
ter um sentido na vida, pois neste caso solucionamos com uma busca ao sentido. O sofrimento maior é a angustia de
saber que caminhamos em direção a nossa morte. Que de fato a vida nos leva a morte, inevitavelmente. Vivemos para
morrer. Enfim, descobrir que o nascimento é o ponto de partida para o destino morte é agonizante, angustiante,
aterrorizante. A consciência do sentido da vida e o fim da vida é um sofrimento, pois não o dominamos e o
desconhecemos. Logicamente, poderíamos pensar que hoje é um dia a menos para minha morte. De fato, é. Faz-me
sentir-me vivo, extremamente vivo! Alias é uma sensação de conforto de alivio. A morte é o desconhecido, nada é
mais assustador que o desconhecido.
Pensar a vida e a morte num plano existencial é limitar-se ao racional. Posso pensar a morte dos outros, não a minha
nem das pessoas que amo, mesmo racionalmente, gera uma ameaça. Seria este, um momento de lucidez humana? No
sentido de saber de que a morte me pertence, acontecerá. Desejamos que fosse num futuro distante. Neste instante a
vida recebe todos os sentidos possíveis, nos tornamos racionais, religiosos, emotivos e ainda se preciso, encontramos
mais motivos para mantermos vivos, longe da morte.
A verdade é que mesmo a morte sendo a incógnita da vida e às vezes questionando o sentido da vida, o pensar a morte
já se torna a morte da minha "inocência". De um dia ter acreditado que eu não iria morrer.
http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_9502/artigo_sobre_o_sentido_da_vida_e_a_morte
Que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se
descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é
definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim,
não há natureza humana, visto que não há Deus para a conceber.
O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência,
como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. Tal é o primeiro
princípio do existencialismo. É também a isso que se chama a subjetividade, e o que nos censuram sob este mesmo
nome. Mas que queremos dizer nós com isso, senão que o homem tem uma dignidade maior do que uma pedra ou uma
mesa? Porque o que nós queremos dizer é que o homem primeiro existe, ou seja, que o homem, antes de mais nada, é
o que se lança para um futuro, e o que é consciente de se projetar no futuro. (...)
Mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro
esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsablidade da
sua existência. E, quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é
responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens." Jean-Paul Sartre
Conforme conferência Professora Marli Bigatão, alguns existencialista dizem que:
Martin Heidegger (filósofo da angústia): a morte humana é um caminho para a descoberta do ser. A existência
humana é um ser-para-a-morte. A morte é a razão da angústia do homem (e nada há a fazer para mudar). O homem só
consegue sua libertação se aceitar e assumir a sua finitude.
Jean-Paul Sartre (filósofo do desespero): a morte é absurda pois, interrompe radical e violentamente o projeto
existencial do homem. A morte é destruição de toda possibilidade.
Gabriel Marcel (filósofo da esperança): o homem é fundamentalmente um itinerante. A esperança é um principio
misterioso que situa o homem no âmbito da transcendência, coloca o homem em marcha, em direção a meta da
realização plena do seu ser. “A morte é um salto sobre o tempo em direção a transcendência”.
Kübler – Ross (2000), através de suas observações e centenas de entrevistas com pacientes terminais, chegou a
conclusão de que a morte é uma passagem para outro modo de viver.
Tese da morte como metamorfose (WEIL, 1979): Tese da morte como metamorfose (que podem ser encarados
como mortes, mas que são transformações). Para nascer algo novo, é preciso morrer o velho.
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Pulsão de Vida e Pulsão de Morte
As descobertas de Freud referentes ao descentramento do sujeito, que determinam o Ser do Psiquismo, foram
importantes para que os conceitos de Pulsão de Vida e Pulsão de Morte fossem formulados. A partir da elaboração das
teorias ligadas ao Inconsciente Humano, importantes para o surgimento da perspectiva do deslocamento da soberania
do consciente e do eu para os registros do inconsciente e das pulsões, o autor aprofundou as concepções relativas às
pulsões.
Para Freud, as pulsões não estariam localizadas no corpo e nem no psiquismo, mas na fronteira entre os dois e teriam
como fonte o Id (isso). A pulsão de vida seria representada pelas ligações amorosas que estabelecemos com o mundo,
com as outras pessoas e com nós mesmos, enquanto a pulsão de morte seria manifestada pela agressividade que poderá
estar voltada para si mesmo e para o outro. O princípio do prazer e as pulsões eróticas são outras características da
pulsão de vida. Já a pulsão de morte, além de ser caracterizada pela agressividade traz a marca da compulsão à
repetição, do movimento de retorno à inércia pela morte também.
Embora pareçam concepções opostas, a pulsão de vida e a pulsão de morte estão conectadas, fundidas e onde há
pulsão de vida, encontramos, também, a pulsão de morte. A conexão só seria acabada com a morte física do sujeito.
Podemos constatar o enlaçamento existente entre as pulsões na dinâmica da neurose da angústia. A pulsão de morte
no sujeito será a responsável pela elevação da tensão ou excitação libidinal que será escoada pela pulsão de vida que
levará o indivíduo, impulsionado pelo princípio do prazer, a procurar objetos que venham minimizar os impactos da
angústia.
Os conceitos de pulsão de vida e pulsão de morte concebidos por Freud foram importantes para a construção da teoria
psicanalítica, pois proporcionou um novo entendimento sobre os registros do inconsciente, ampliando os estudos e
concepções sobre o psiquismo humano.
http://estudandopsicologia.wordpress.com/2009/07/06/pulsao-de-vida-e-pulsao-de-morte/

4-compreender a religiosidade e envelhecimento (Jung e psicologia social)


Jorgete Botelho
O processo de envelhecimento traz consigo muitas questões existenciais que, tradicionalmente, a religião tem tentado
responder. O ser humano colocado no mundo vivencia um estado inicial e final de desamparo. Ele tem intrinsecamente
a necessidade de sustentação, de proteção e explicação. Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Estas são questões
inaugurais do ser humano.
Grandes nomes da história da psicologia – William James, Jung, Gordon Allport, Abraham Maslow, Alfred Adler,
Erich Fromm, Viktor Frankl, Rollo May – deram à espiritualidade um papel importante em seus trabalhos. Para Jung
a espiritualidade era um ingrediente tão essencial para a saúde psicológica que ele só poderia tratar pessoas de meia-
idade que tivessem uma perspectiva espiritual ou religiosa perante a vida. Viktor Frankl, em seu livro “ A presença
ignorada de Deus”, aponta a importância da lembrança do primeiro contato com a fé, a primeira vez que ouvimos falar
sobre Deus. E essa lembrança é utilizada como um recurso de enfrentamento para os seus pacientes que se
encontravam com uma doença incurável, terminal.
O objetivo da religião pode variar de acordo com a pessoa, a situação e o momento de vida. Sua função é manter e
desenvolver a relação do indivíduo com o Sagrado. Oferecer significado ou sentido à vida talvez seja a função mais
importante da religião.
Viktor Frankl nos indaga que ao invés de perguntarmos o que podemos esperar da vida, devemos sim refletir sobre o
que será que a vida espera de nós?
Para a psicologia a religiosidade pode oferecer respostas às exigências da velhice, porque facilita a aceitação das
perdas ligadas ao processo de envelhecimento, bem como, oferece ferramentas psicológicas para lidar com as
situações estressantes, sem desequilibrar a pessoa. Ela pode dar um sentido, um significado à vida, que transcende o
sofrimento, a perda e a percepção de mortalidade.
Porém, o conjunto de crenças de uma pessoa e a sua maneira de ver a divindade – seja como um poder superior,
vingativo, impingindo castigos pelas falhas humanas, ou como um Deus que valoriza a vida humana e está a seu lado
nas dificuldades – podem levar a comportamentos saudáveis ou não.
Religiosidade e espiritualidade são conceitos diferentes. A palavra religião vem do latim, religare, que significa
religar, restabelecer a ligação entre Deus e os homens. Já espiritualidade vem do latim, spiritus, que significa “sopro”,
referindo-se ao sopro da vida. E envolve a capacidade de se maravilhar, de reverência e gratidão pela vida.
(Elkins,1999).
Pesquisas sobre bem-estar espiritual entre pessoas idosas, identifica uma série de dimensões, tais como: independência
de pensamento, autotranscendência, encontrar o significado do envelhecimento, aceitação da vida como um todo e
preparação para a morte.
É de suma importância se fazer uma anamnese espiritual do paciente como um recurso terapêutico (Koening, 2003).
Essa anamnese poderá fornecer dados importantes para os profissionais que lidam com idosos. Podemos obter dados
sobre as crenças básicas; se a espiritualidade dá conforto ou causa estresse; se há crenças que entram em conflito com
prescrições médicas; se há uma comunidade religiosa de apoio; se a possibilidade de compartilhar uma prece com o
paciente aumenta a confiança no tratamento;
O atendimento psicoterápico implica ajudar ao paciente a encontrar e desenvolver um projeto de sentido de sua
existência, mesmo que não encontre respostas plenas e claras. Porém, o mais significativo no atendimento aos idosos é
a acolhida, a qualidade da presença e do calor humano, e não a qualidade das respostas ou doutrinas. Ao profissional
compete respeitar e aceitar toda manifestação religiosa, independentemente do próprio credo e de seus valores.
http://www.envelhecerativo.psc.br
Em suas investigações científicas em torno da mente humana profunda, Jung se deparou constantemente com o
fenômeno religioso que chegou a prender seu interesse de tal forma a ocupar um lugar central nos escritos do cientista,
especialmente os dos últimos anos. Mantendo-se num plano rigorosamente científico, ele observou acurada e
conscienciosamente toda espécie de manifestação daquilo que podemos chamar de fator religioso, tomado em sua
amplidão universal, abrangendo, portanto, as representações religiosas tanto do homem primitivo bem como as formas
diversas de religiões que se manifestaram nas fases mais avançadas da cultura humana ao longo dos séculos. Após
essas investigações, Jung sentiu-se obrigado a reconhecer, “como conteúdos arquétipos da alma humana, as
representações primordiais coletivas que estão na base das diversas formas de religião”. Mesmo sem nunca ter falado
expressamente de Deus com o propósito de demonstrá-lo, Jung, nesse estudo, admite na estrutura profunda da mente
humana uma potencial idade nata que impulsiona o ser humano a procurar a Deus e com ele se relacionar através da
religião. A importância desse assunto, analisado pelo enfoque psicológico, adquire maior interesse por ser tratado por
C. G. Jung, pioneiro insuperado nas pesquisas da Psicologia Profunda.
http://ebooksgratis.com.br/livros-ebooks-gratis/tecnicos-e-cientificos/psicologia-carl-gustav-jung-psicologia-e-
religiao/

5-discorrer sobre a abordagem psicológica para pacientes terminais.


**Psicanálise, Gestalt, Terapia Centrada no Cliente, visão técnica em Cognitivo-Comportamental, Terapia de Família
e Existencial-Humanista.
A identificação do paciente terminal na prática, considerado sem esperança de cura terapêutica, ou com morte
inevitável, é complexa e não envolve unicamente um raciocínio lógico. Ainda que se tente chegar a identificar este
diagnóstico através de uma avaliação crítica, neutra e extinta de preconceitos, a falta de parâmetros definitivos sobre o
assunto leva a equipe de saúde a apresentar receio de considerar um paciente como terminal. Isso se deve ao fato de
que o limite entre o terminal e o paciente com perspectivas de cura é sempre arbitrário no sentido de não existir uma
linha divisória , bem definida, entre ambos (Quintana, Kegler, Santos, Lima, 2006).
O paciente sentindo-se compreendido percebe-se mais seguro, amparado, aceito e assistido como um todo, podendo
entender sua doença tanto no aspecto fisiológico como nas implicações emocionais, conscientizando-se do que é real e
das fantasias.
No caso de pacientes em fase terminal, o psicólogo poderá atuar sob a abordagem dos cuidados paliativos,
aprimorando a qualidade de vida, dos pacientes e familiares que enfrentam problemas associados com doenças
ameaçadoras de vida. A preocupação maior deste profissional é facilitar a comunicação tanto do paciente consigo
mesmo quanto com sua família e equipe médica, fazendo-o sentir-se acompanhado durante este período existencial tão
solitário , e, muitas vezes temido. Facilitar a compreensão de seus próprios sentimentos frente ao morrer, assim como
aproximá-lo de relações com as quais ele deseje se acercar , são tarefas totalmente favoráveis para a qualidade de
morte de um paciente terminal.
O cuidado dos familiares é um das partes mais importantes do cuidado global dos pacientes internados. A atuação do
psicólogo deve se dar ao nível de comunicação, reforçando o trabalho estrutural e de adaptação desses familiares ao
enfrentamento da intensa crise que se apresenta , e que lhes pode desestruturar. Nessa medida, a atuação deve se
direcionar em nível de apoio, atenção, compreensão, suporte ao tratamento, clarificação dos sentimentos e
fortalecimento dos vínculos familiares.

Dessa forma, o psicólogo tem como foco: auxiliar na reorganização egóica frente ao sofrimento; facilitar e trabalhar
medos, fantasias, angústias, ansiedades; enfrentamento da dor, sofrimento e medo da morte do paciente; detectar e
trabalhar focos de ansiedade, dúvidas; facilitar e incentivar vínculo com a equipe de saúde; detectar e reforçar
defesas egóicas adaptativas, etc. Também importante é o trabalho do psicólogo na facilitação da comunicação da
família com o próprio paciente, para que se possa, muitas vezes , auxiliar na solução de situações emocionais muitas
vezes vividas como difíceis durante a convivência anterior ao advento da doença terminal. Não raro, se pode
proporcionar elucidação de situações existenciais mal resolvidas , gerando alívio de culpas, ressentimentos e dores,
frutos de relações neurotizadas pela convivência existencial prévia. A preparação de um luto antecipatório, sempre
facilita e minimiza dores naturais da perda de entes emocionalmente importantes.
**Alguns temas sugeridos para manejo destes grupos são: quais sentimentos envolvidos em lidar com um paciente
terminal; sentimento de fracasso e impotência diante de um paciente sem cura; comunicação do diagnóstico; lidar
com as expectativas dos familiares; cuidados paliativos, etc.
O grupo familiar é um todo organizado, e desta forma, quando um componente adoece, outros adoecerão também.
Portanto, há uma desestruturação do desenho familiar, onde os papéis de cada indivíduo dessa família terão que se
reorganizar.

Os familiares merecem um cuidado especial, desde o instante da comunicação do diagnóstico, uma vez que esse
momento tem um enorme impacto sobre eles, que vêem seu mundo desabar após a descoberta de que uma doença
potencialmente fatal atingiu um dos seus membros. Isso faz com que, em muitas circunstâncias, suas necessidades
psicológicas excedam as do paciente e, dependendo da intensidade das reações emocionais desencadeadas, a ansiedade
familiar torna-se um dos aspectos de mais difícil manejo. (Oliveira, Voltarelli, Santos e Mastropietro, 2005).

O psicólogo atuará junto a estes profissionais como facilitador do fluxo dessas emoções e reflexões, e sinalizando
quando suas defesas se exacerbaram tanto, a ponto de alienarem-se de si mesmos, de seus próprios sentimentos,
favorecendo a compreensão de sua onipotência e potência real.
Grande parte das dificuldades de lidar com o paciente terminal está relacionada à da equipe de saúde de se confrontar
com a morte, recomenda-se um preparo das mesmas através de grupos de discussão baseados na metodologia de
Balint, ou seja, pressupõe a discussão de casos para obter um melhor entendimento das questões emocionais que os
médicos encontram na sua prática diária como estratégia para diminuir a ansiedade da equipe.
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