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Visão geral

Apresentação da disciplina:
Prezado(a) aluno(a), seja bem vindo a mais uma disciplina do Curso
de  Especialização em Educação Especial, que tem por objetivo levá-
lo a refletir sobre a importância e a necessidade de reconhecer as
características do alunos com altas habilidades/superdotação, para
que eles sejam identificados e encaminhados aos atendimentos que
são garantidos pela legislação brasileira.

Sou a professora Juliana Chueire Lyra, especialista em Educação


Especial e mestranda em Educação. Nesta unidade você terá
oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as concepções e o
referencial teórico que balizam a prática profissional com alunos que
tem altas habilidades/superdotação, esclarecendo alguns mitos e
preconceitos que envolvem essa população, contextualizando o
panorama nacional e traçando o histórico de atendimentos a esse
alunado.

Antes de apresentar o conteúdo, quero que você conheça os


objetivos que pretendo atingir com esse trabalho.

Objetivos:
 Compreender conceitos e concepções sobre AH/SD;
 Reconhecer características dos alunos com AH/SD;
 Verificar o referencial teórico que sustenta o atendimento
  educacional especializado de AH/SD;
 Refletir sobre estratégias para identificação de pessoas com
AH/SD;
 Analisar os tipos de atendimentos aos alunos com AH/SD;
 Conhecer a legislação vigente no país sobre AH/SD.

Conteúdo Programático:
 Web Aula 1 – Conceitos gerais; alguns mitos; concepções
teóricas; tipos de superdotação adotado pelo MEC; Teoria dos
Três Anéis de Renzulli; Teoria das Inteligências Múltiplas de
Gardner.

 Web Aula 2 – Características das pessoas com AH/SD;


características das famílias de superdotados; identificação do
aluno com AH/SD; alternativas de atendimentos e Legislação
Vigente sobre altas habilidades/superdotação.

Metodologia:
A metodologia contempla diversos os recursos necessários e
disponíveis para o desenvolvimento da discussão do conteúdo,
sendo assim, faremos uso de:

 Textos da própria web-aula e de outros sites que possam


contribuir para a discussão;
 Vídeos que podem esclarecer ou aprofundar determinados
conteúdos;
 Fóruns para discussão de tópicos onde seja possível a troca de
ideias e conteúdos entre os discentes e docentes;
 Avaliações virtuais onde será realizada a verificação do
aprendizado;
 Entre outros recursos que poderão ser utilizados visando
maior entendimento da matéria.

O acesso aos conteúdos organizados na web, composto por vídeo


aulas, web aulas, fórum de discussão e avaliações virtuais é
realizado no ambiente virtual de aprendizagem “colaborar”. A
proposta contempla 2 Web Aulas, com a inserção de cinco vídeos
aula de nove minutos cada, distribuídos nas duas unidades de
estudo.

Vale destacar alguns pontos importantes:

 Em alguns momentos da Web Aula, você encontrará a frase


“Para saber Mais”, que permite informações
complementares sobre o tema em estudo, bem como o
direcionamento a links interessantes.

Com a intenção de levá-lo a refletir sobre o conteúdo proposto,


dialogaremos com diferentes aportes teóricos que dão sustentação
ao nosso trabalho, buscando a articulação entre teoria e prática,
sugerindo momentos de “questão para reflexão”, “atividades de
aprendizagem”, “Saiba Mais”, destaques no próprio texto para
enfatizar aspectos relevantes e tópicos para concluir o estudo da
Unidade.

Avaliação Prevista:
As provas das disciplinas são interdisciplinares e realizadas
presencialmente, conforme calendário divulgado no ambiente virtual
de aprendizagem. Estão previstas além das provas presenciais
  atividades de avaliação virtual nas disciplinas do curso (avaliação
virtual composta de 5 questões, sendo assim, temos 2 web-aulas
com 5 questões cada). Quando houver fórum de discussão você
será avaliado quanto ao conteúdo de sua postagem, onde deverá
comentar o tópico apresentando respostas completas e com nível
crítico de avaliação pertinente ao nível de pós-graduação.

Habilidades e competências
 Ampliar seus conhecimentos sobre os aspectos teóricos como
conceitos, concepções, características do aluno com AH/SD.
Também, reconhecer quais são os atendimentos possíveis e a
legislação que dá o aporte ao aluno com AH/SD.
 Espera-se desenvolver um pensamento crítico e analítico
sobre como identificar e encaminhar esse aluno para que ele
seja incluído no ensino regular e também, no atendimento
educacional especializado.

ALTAS HABILIDADES/ SUPERDOTAÇÃO

WEB AULA 1
Unidade 1 – Conceitos Gerais, Concepções Teóricas, Tipos de
Superdotação

Resumo: Nesta web aula, vamos discutir principais conceitos, terminologias, teorias
e alguns mitos que dificultam a identificação do aluno com AH/SD; os tipos de
superdotação citados pelo MEC; Teoria dos Três Anéis de Renzulli; Teoria das
Inteligências Múltiplas de Gardner Autores como Gardner, Renzulli e Winner cujas
concepções enfatizam a multiplicidade de inteligências do indivíduo, criatividade,
envolvimento com a tarefa, que são fatores importantes para o desenvolvimento do
potencial da pessoa com altas habilidades/superdotação e para a resolução de
problemas no seu dia-a-dia.

Palavras-chave: Conceitos. Concepções teóricas. Teoria dos Três Anéis de Renzulli;


Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner.

1 INTRODUÇÃO

Quero iniciar nossa conversa, levantando alguns questionamentos. Você sabia que
Albert Einstein[1] tinha dificuldade de ler e soletrar e foi reprovado em matemática?

Fonte: Stamp... (2006)

Algumas personalidades da História não teriam sido selecionadas pelos métodos


tradicionais de identificação, em função de não apresentarem um bom desempenho
acadêmico. Virgolim (2007) cita alguns exemplos como:

 John Kennedy: tinha baixo rendimento escolar e dificuldades em soletrar;


 Walt Disney: foi despedido porque “não tinha boas ideias e rabiscava demais”;
 Beethoven: era considerado por seu professor de música “sem esperança como
compositor”;
 Isaac Newton: descobriu o cálculo, desenvolveu a teoria da gravitação universal
originou as três leis do movimento – tirava notas baixas na escola.

Enquanto profissionais da Educação, o que podemos fazer para que talentos humanos
não sejam desperdiçados?

Vocês já pararam para pensar que na área da Educação Especial, as atenções são
voltadas para as deficiências e que, aqueles indivíduos que estão acima da média são
menos privilegiados no cuidado as suas necessidades educacionais especiais?

Vocês sabiam também que existem atendimentos especializados garantidos pela


legislação que amparam essa população?

Então, esse é o começo da nossa reflexão...

VÍDEO AULA 1

O tema altas habilidades/superdotação (AH/SD) têm sido gradativamente, mais


abordado na área da Educação Especial e também, por meio de pesquisas científicas
nas universidades. A ampliação da discussão sobre esta temática ocorreu a partir da
década de 70 e vem crescendo até o momento atual (CIANCA, LYRA, MARQUEZINE,
2010). A primeira vez que se encontrou referência ao superdotado na legislação foi
em 1971, por meio da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN)
5692/71, em seu art. 9º (BRASIL, 1971), que tornou obrigatório o atendimento
educacional especializado a esta população (METTRAU; REIS, 2007).

O interesse em saber qual a origem da inteligência é tão antigo quanto as tentativas


de desenvolver testes e instrumentos para medi-la. A história das altas
habilidades/superdotação no Brasil registrou os primeiros atendimentos na área, na
década de 1940, com a psicóloga e educadora russa Helena Antipoff, quando criou a
Fazenda do Rosário para receber, em regime de internato, meninos “excepcionais”,
de Belo Horizonte.

Saiba Mais: acesse o


http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/rto/v19n3/03.pdf, onde consta
científico que descreve a trajetória desse trabalho pioneiro e impo
Brasil, para o atendimento de alunos com AH/SD.

Referência: RAFANTE, H. C.; LOPES, R. E. Helena Antipoff e a Fa


Rosário: a educação pelo trabalho de meninos “excepcionais” na d
1940. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, v. 19, n. 3, p.144-152,
2008.

O investimento na área refletiu-se com a criação do Núcleo de Apoio a Aprendizagem


do Superdotado (NAS) no ano de 1975 (em Brasília). Em 1978, originou-se a
Associação Brasileira de Superdotação, com sede no Rio de Janeiro. Outras iniciativas
se decorreram, como a criação do Centro para Desenvolvimento do Potencial e
Talento (CEDET), em Minas Gerais, no ano de 1993 e, a fundação do Conselho
Brasileiro de Superdotação (ConBraSD) em Brasília, no ano de 2003 (BARRERA
PÉREZ; FREITAS, 2009).

Outra importante ação implementada pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria


com a Secretaria de Educação dos Estados foi a instituição do Núcleo de Atividades de
Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S) no ano de 2005, em todos os estados
brasileiros e Distrito Federal. O NAAH/S é um serviço de apoio pedagógico
especializado, destinado a oferecer suporte aos sistemas de ensino no atendimento às
necessidades educacionais especiais dos alunos com AH/SD, visando impulsionar
ações de implementação das políticas de inclusão (BRASIL, 2006). Falaremos mais
adiante sobre esse serviço de AEE.

Atenção, você que é professor, pedagogo ou psicopedagogo e reconhece um de seus


alunos como possível superdotado, procure o Núcleo de Atividades de Altas
Habilidades/Superdotação, na Secretaria de Educação de seu Estado, que eles
poderão orientá-lo.

Aproveitem para dar uma olhada no site do NAAH/S Paraná, que está sediado na
cidade de Londrina.

Vejam o site do NAAH/S de Londrina e participem com suas sugestões:


http://www.ldanaahs.seed.pr.gov.br

Virgolim (2007) salienta que as escolas enfrentam muitos desafios na identificação e


no atendimento a esses alunos e os NAAH/S apresentam-se como uma resposta
adequada aos problemas propostos pela área, visando “[...] colaborar para a
construção de uma educação inclusiva e de qualidade, assegurando o cumprimento
da legislação brasileira e o princípio da igualdade de oportunidades para todos” (p.
10).

Para dar suporte teórico-prático aos atendimentos dos NAAH/S, os estudos de


Gardner (1994,1997, 2000) e Renzulli (1986, 2004, 2012) têm sido os principais
norteadores propostos pelo MEC, sobre a visão multidimensional da inteligência
(FERRAZ, 2007). Percebe-se que algumas ideias errôneas sobre o que é a inteligência
acima da média têm sobrevivido ao longo do tempo, no imaginário das pessoas. Estas
crenças se traduzem em mitos e até mesmo em preconceitos, descritos por Winner
(1998):

 Superdotação é um fenômeno raro;


 Constituem um grupo homogêneo em termos cognitivos e afetivos;
 Apresentará necessariamente um bom rendimento na escola;
 Tudo é fácil para a pessoa superdotada;
 Ele é egoísta e solitário;
 As crianças superdotadas se autoeducam, não precisam de ninguém;
 Crianças superdotadas serão adultos eminentes.

Como vocês podem observar, esses mitos podem gerar alguns obstáculos na vida da
PAH/SD. Por exemplo, se o aluno não se sente desafiado, pode não ter um
desempenho acadêmico adequado, seja pela falta de motivação por já conhecer o
assunto, ou porque não tem o AEE adequado, como o enriquecimento curricular no
ensino regular. Então, esses alunos realmente necessitam de um direcionamento nos
seus estudos e precisam de apoio.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a porcentagem de habitantes do


planeta que manifestam altas habilidades, considerando-se apenas os resultados
obtidos através de testes de QI é de 3,5 a 5% da população. Quantas pessoas com
altas habilidades/superdotação teriam no Brasil, sem considerar os outros tipos de
inteligência? Aí, bem, poderia chegar a 20%. É muita gente que está sem
atendimento adequado e de repente seus talentos estão sendo desperdiçados
(BARRERA PÉREZ, 2006). Portanto, se levarmos em conta apenas resultados de
testes de QI, até mesmo quem é notavelmente apto em artes ou música não seria
reconhecido, por terem habilidades que não são avaliadas em um teste convencional.

O que podemos afirmar é que a inteligência é complexa demais para que seja medida
unicamente por testes psicométricos. Estes testes avaliam somente um tipo de
inteligência, aquela resultante dos testes de QI (quoeficiente de inteligência). Essas
avaliações não detectam o envolvimento com a tarefa e a criatividade, que são
elementos que caracterizam o aluno com AH/SD, conforme definição do MEC
(BRASIL, 2008).

Esta visão conservadora de inteligência tem sido abandonada nos estudos recentes.
Atualmente, a concepção de inteligência engloba vários componentes, podendo o
indivíduo ter determinados fatores mais desenvolvidos, enquanto em outra pessoa
outras dimensões estariam presentes em maior grau. Como por exemplo, a
criatividade, que não era levada em conta pelos primeiros estudiosos da
superdotação, passou a se constituir em um dos requisitos presentes em diferentes
concepções de superdotação.

Selecionei um vídeo com Cristina Delou, que é a Presidente do ConBraSD, Conselho


Brasileiro para Superdotação, que aborda as concepções atuais de AH/SD.

Vídeo 1: “ALTAS HABILIDADES”


Disponível em: http//www.canal.fiocruz.br/vídeo/índex.php=

É sobre as teorias atuais que enfatizam as inteligências multifacetadas que iremos


focar na nossa aula.
[1] Selo mostrando Albert Einstein. Este selo foi confeccionado em 2005 em
comemoração ao ano da Física. Disponível em:
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Stamp_Albert_Einstein_2005.jpg.

1.2 PRINCIPAIS CONCEITOS

Conceituar um fenômeno tão complexo como a superdotação não é tarefa fácil, haja
vista a diversidade de nomenclaturas e definições que somadas aos mitos e ideias
preconceituosas, configuram-se em uma das dificuldades para o estudo do tema e
para a identificação do aluno com altas habilidades/superdotação. A partir dessa
constatação, o MEC adotou a expressão “pessoa com altas
habilidades/superdotação”, situando as características que os diferenciam
enquanto comportamento, mas não como pessoa. Porém, outras terminologias
podem ser encontradas na literatura, conforme o referencial teórico adotado, como,
por exemplo, (FREITAS, 2006):

 Altas habilidades/superdotação;
 Superdotados;
 Dotados;
 Gênios;
 Altamente capacitados;
 Talentosos;
 Precoces;
 Prodígios.

Vocês perceberam quantos termos podem ser usados para se referir ao aluno com
altas habilidades/superdotação?

Existe uma pluralidade de definições que variam conforme o país, autor, teoria. A
habilidade superior, a superdotação, a precocidade, o prodígio e a genialidade são
gradações de um mesmo fenômeno. Mas prestem atenção nas diferenças entre estes
termos, pois não podemos sair chamando qualquer pessoa de gênio! Muitos pais
acham que seus filhos são gênios, quando na verdade eles são precoces ou muito
bem estimulados. Será que toda criança precoce é considerada superdotada?

Para Virgolim (1997) o termo superdotado

[...] produz confusão ao sugerir a idéia de “super” ou de capacidades que se situam


em um nível muito além das apresentadas pelo ser humano comum. Da mesma
forma, o termo em inglês gifted, refere-se a gift – “presente, dádiva, dom” –
sugerindo que a habilidade superior é um dom natural ou dádiva divina (p. 175, grifo
do autor).

Algumas terminologias citadas acima provocam confusão no imaginário das pessoas.


Vocês podem, por exemplo, observar a diferença entre os seguintes termos
(VIRGOLIM, 2007):

Precoce é aquela criança “[...] que apresenta alguma habilidade específica


prematuramente desenvolvida em qualquer área do conhecimento, como na música,
na matemática, nas artes, na linguagem, nos esportes ou na leitura” (VIRGOLIM,
2007, p. 23). Por exemplo, uma criança que sabe ler aos 4 anos de idade está bem
adiantada em relação aos seus pares, não é mesmo?
E o prodígio? Vocês já ouviram falar a respeito? Prodígio
é “[...] aquela criança precoce que apresenta um alto desempenho, como um
profissional, em algum campo cognitivo específico” (VIRGOLIM, 2007, p. 24). São
especialistas, demonstram domínio rápido e aparentemente sem esforços na área do
seu conhecimento. Utiliza-se o termo “criança prodígio” para sugerir algo extremo,
raro e único, fora do curso normal da natureza. Um exemplo seria Wolfgang Amadeus
Mozart, que começou a tocar piano aos três anos de idade. Aos quatro anos, sem
orientação formal, já aprendia peças com rapidez, e aos sete já compunha
regularmente e se apresentava nos principais salões da Europa.

E os Gênios, quem são eles?

Gênios são “[...] aquelas pessoas que deram contribuições originais e de grande valor
à humanidade” (VIRGOLIM, 2007, p. 27). O MEC cita vários exemplos de gênios:
Albert Einstein, William Shakespeare, Wolfgang Amadeus Mozart, Isaac Newton,
Charles Darwin, Leonardo da Vinci, Mahatma Ghandi, Pablo Picasso, entre outros que
se destacaram e mudaram a história da humanidade, sobressaindo-se até mesmo
entre os extraordinários. Todos eles se sobressaíram por suas realizações criativas
que elevaram o conhecimento humano, as ciências, a tecnologia, a cultura e as artes
a patamares inusitados.  

Fonte: Clip art (2012)

Mas prestem atenção! Os pesquisadores alertam que esses termos devem ser “[...]
utilizados para efeito de estudos, nunca para rotular ou categorizar os alunos”
(FERRAZ, 2007, p. 4). Então, respondendo a questão anterior, nem toda criança
precoce será um superdotado, pois o ambiente tem grande influência no
desenvolvimento da superdotação. Assim, se o aluno talentoso não tiver oportunidade
de desenvolver seu potencial, ele poderá ser desperdiçado!

Portanto é muito importante que os professores e a família tenham conhecimento


sobre as características das pessoas com AH/SD, para que seus talentos sejam
identificados, não é mesmo?
Nos documentos que orientam sobre a identificação do aluno superdotado entende-se
por superdotação:

[...] os padrões de desempenho superior que uma pessoa possa apresentar, quando
comparada por grupo de igual faixa etária e contexto social. Em geral, apresenta em
conjunto com esse desempenho, algumas características especialmente definidas e
observáveis, que podem ser notadas e acompanhadas em várias faixas etárias, e que
apresentam necessidades educacionais especiais, determinando procedimentos
pedagógicos diferenciados para essa pessoa (BRASIL, 2003, p. 19, grifo nosso).

De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação


Inclusiva, proposta em setembro de 2008, em Brasília, considera-se alunos com altas
habilidades/superdotação os que:

[...] demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas
ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes. Também
apresentam elevada criatividade, grande envolvimento na aprendizagem e realização
de tarefas em áreas de seu interesse (BRASIL, 2008, p. 15, grifo nosso).

Como se pode observar, a definição de AH/SD supracitada é mais abrangente, visto


que não considera somente o desempenho intelectual, mas também características de
personalidade, as influências do ambiente, a motivação, entre outros fatores
intrínsecos e extrínsecos no desenvolvimento das AH/SD. Pode-se notar na prática
cotidiana dos profissionais da educação que as produções científicas não são
facilmente acessíveis aos profissionais, tendo em vista que a procura por
conhecimento depende de alguns fatores. Entre eles, podemos citar o interesse de
cada profissional em estudar o tema ou mesmo, nas oportunidades de formação
oferecidas pelos órgãos responsáveis da área. Assim, podemos afirmar que um
objetivo da formação profissional nessa área deve ser o de romper com as
concepções errôneas sobre AH/SD, e resgatar um referencial teórico sólido
fundamental para a prática profissional.

QUESTÃO PARA REFLEXÃO


O professor de superdotado tem que ser superdotado também? Ele tem que saber
tudo sobre aquele tema de interesse do aluno? O professor que trabalha com alunos
superdotados necessita se especializar nas várias disciplinas acadêmicas como
Português, Matemática, Química, Biologia, Física, entre outras que são as áreas de
maior interesse dos superdotados?

Esta reflexão nos leva a pensar que o aluno com AH/SD pode se destacar em
diferentes áreas e nem sempre o professor domina todos os conteúdos. Por exemplo,
um aluno tem interesse por Astrofísica, sabe tudo sobre as “estrelas quimicamente
peculiares” e o professor não domina o tema que é tão específico. Não tem problema!
O importante é o professor saber orientar/direcionar o estudo desse aluno, levando-o
a pesquisar e buscar outras fontes de conhecimento, trabalhar por meio de projetos e
incentivar o investimento na área de interesse do aluno. Falaremos mais
detalhadamente na Unidade 2, sobre como trabalhar com o aluno superdotado por
meio de projetos.

1.3 TIPOS DE SUPERDOTAÇÃO


Os tipos de superdotação citados pela Política Nacional de Educação Especial (BRASIL,
1995, p. 17), são os seguintes:

Apresenta flexibilidade, fluência de pensamento, capacidade de pensamento abstrato


para fazer associações, produção ideativa, rapidez do pensamento, compreensão e
memória levadas, capacidade de resolver e lidar com problemas.

Um exemplo seria o físico inglês Stephen William Hawking (1942 - atual) é doutor em
Cosmologia e um dos mais consagrados físicos teóricos do mundo (VIRGOLIM, 2007,
p. 29).

Tipo Acadêmico

Evidencia aptidão acadêmica específica, de atenção, de concentração; rapidez de


aprendizagem, boa memória, gosto e motivação pelas disciplinas acadêmicas de seu
interesse; habilidade para avaliar, sintetizar e organizar o conhecimento; capacidade
de produção acadêmica;

Para citar um exemplo deste tipo de inteligência, relacionamos os indivíduos que se


destacam muito acima da média, em determinada disciplina, seja, por exemplo, em
Química, Matemática, Biologia, etc.

Tipo Criativo

Relaciona-se às seguintes características: originalidade, imaginação, capacidade para


resolver problemas de forma diferente e inovadora, sensibilidade para as situações
ambientais, podendo reagir e produzir diferentemente e até de modo extravagante;
sentimento de desafio diante da desordem de fatos. Facilidade de auto-expressão,
fluência e flexibilidade;

Como exemplo, Virgolim (2007, p. 29) cita Leonardo da Vinci (1452-1519) escreveu,
desenhou e fez estudos em inúmeras áreas: geometria, anatomia, geologia, botânica,
astronomia, óptica, mecânica, arquitetura, projetos bélicos, etc.

Tipo Social

Revela capacidade de liderança e caracteriza-se por demonstrar sensibilidade


interpessoal, atitude cooperativa, sociabilidade expressiva, habilidade de trato com
pessoas diversas e grupos para estabelecer relações sociais, percepção acurada das
situações de grupo, capacidade para resolver situações sociais complexas, alto poder
de persuasão e de influencia no grupo;

Por exemplo, Mohandas Karamchand Gandhi (1869 - 1948), mais conhecido


popularmente por Mahatma Gandhi (Mahatma, do sânscrito “grande alma”), foi um
dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano (VIRGOLIM, 2007, p. 30).

Tipo Talento Especial

Pode-se destacar tanto na área das artes plásticas, musicais como dramáticas,
literárias ou técnicas, evidenciando habilidades especiais para essas atividades e alto
desempenho;
Um exemplo seria o compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887- 1959) recebeu
sua primeira instrução musical aos seis anos, vinda do pai, que adaptou uma viola
para que o filho pudesse estudar violoncelo (VIRGOLIM, 2007, p. 31).

Tipo Psicomotor

Destacam-se por apresentar habilidades e interesse pelas atividades psicomotoras,


evidenciando desempenho fora do comum em velocidade, agilidade de movimentos,
força, resistência, controle e coordenação motora.

Para exemplificar este tipo de inteligência, Virgolim (2007, p. 32) cita Edson Arantes
do Nascimento (1940 – atual), mais conhecido como Pelé, é considerado o maior
jogador da história do futebol e o mais famoso. Recebeu o título de Atleta do Século
de todos os esportes em 1981.

Como vocês podem notar, o indivíduo superdotado se destaca acima da média em


sua área de talento, ele não é bom em tudo o que faz, mas sim na sua habilidade
específica. Virgolim (2007) cita outras pessoas conhecidas no  nosso país, como
exemplos de superdotados, cada um na sua área

[...] Pelé e Ronaldinho, no futebol, Gustavo Kuerten, no tênis, Carlos Drummond de


Andrade e Olavo Bilac, na poesia, Ana Botafogo, na dança, Chiquinha Gonzaga e Tom
Jobim, na música, Portinari e Tarsila do Amaral, nas artes plásticas, ou Padre Marcelo
Rossi e Silvio Santos na capacidade de liderança, são exemplos de brasileiros que se
destacaram em seus campos por demonstrarem habilidades específicas a um nível
superior aos seus pares, em um dado momento cultural (p. 34).

Leia o texto de Susana Graciela Pérez Barrera Pérez e Soraia Napole


sobre “ESTADO DO CONHECIMENTO NA ÁREA DE
HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO NO BRASIL: UMA ANÁLISE DAS
DÉCADAS”, ANPED, 2009.

Disponível
http://www.anped.org.br/reunioes/32ra/arquivos/trabalhos/GT15-5514

O referido artigo tece uma análise das pesquisas e produções científicas na área de
AH/SD, pretendendo auxiliar os estudiosos a verificarem o que tem sido tratado no
meio acadêmico sobre o tema.

1.3.3 TEORIA DOS TRÊS ANÉIS DE RENZULLI

Renzulli (1986) em seu Modelo dos Três Anéis, a superdotação é resultado da


interação de três fatores: habilidade acima da média, envolvimento com a tarefa e
criatividade. O gráfico a seguir exemplifica a interação dos três fatores no Modelo dos
Três Anéis de Renzulli.

Figura – The Three-Ring Conception of Giftedness


Fonte: Renzulli (1986)

Habilidade acima da média, em alguma área do conhecimento, consiste em:

 Alto nível de pensamento abstrato; Processo de informação rápido e preciso;


Uso apropriado de informações, técnicas e estratégias; Seleção de informações.

A habilidade acima da média pode ser expressa através das habilidades gerais ou
específicas.

 Habilidades Gerais são normalmente medidas em teste psicométrico, estão


relacionadas à memória, à fluência verbal, ao raciocínio lógico e numérico, às
relações espaciais e ao pensamento abstrato; Capacidade em processar
informações; Integrar experiências que resultem em respostas apropriadas a
novas situações; Capacidade de se engajar em novas situações;
 Habilidades Específicas: Capacidade de desempenhar atividades especializadas
ou adquirir conhecimento e prática para atuar em atividades de uma área
específica; são avaliadas pelo próprio desempenho da pessoa (CHAGAS;
FLEITH, 2010).

Envolvimento com a tarefa ou motivação representa uma forma refinada e


direcionada de motivação, energia canalizada para uma tarefa em particular ou uma
área específica.

 Alto nível de interesse, entusiasmo por área de estudo ou tópico especial;


 Perseverança, trabalho e dedicação;
 Alto padrão de excelência.

Criatividade

 Fluência, flexibilidade, originalidade de pensamento;


 Sensibilidade a detalhes;
 Abertura a novas experiências, curiosidade;
 Coragem para correr riscos e inovação.
Fonte: Clip art (2012)

VIDEO AULA 2

Nem sempre as pessoas apresentam os três fatores igualmente desenvolvidos, porém


se houver oportunidade e estimulação adequadas, poderão desenvolver seu potencial.
Chagas (2007, p. 16) afirma que “[...] esses comportamentos são dinâmicos,
complexos, temporais e envolvem a interação entre habilidades cognitivas, os traços
de personalidade e o ambiente onde o indivíduo está inserido”. Sobre o incentivo a
criatividade, Renzulli (2004) afirma que a escola tem a tarefa de estimular o
desenvolvimento do talento criador e da inteligência em todos os seus alunos, e não
somente nos alunos que se destacam por tirar melhores notas e tem QI elevado. Uma
frase de Renzulli (2004, p. 108) exemplifica o que foi dito acima:

“A maré alta eleva todos os navios”

Então, o que devo fazer quando acho que há um aluno com AH/SD na escola em que
trabalho?

Quase sempre, a escola se preocupa apenas com os estudantes que apresentam um


desempenho abaixo da média e esquecem os que se sobressaem. Estes alunos acima
da média também precisam de atenção especial e o papel do professor é de estimular
e facilitar o desenvolvimento das habilidades e dos interesses do aluno. Percebendo-o
de forma global, tanto na parte acadêmica quanto pessoal, valorizando-o, mas
também, tendo o cuidado para que ele não receba um rótulo e sofra preconceito.

Renzulli considera que a inteligência não é a única expressão da potencialidade


humana, e demonstra através da sua teoria que tanto a cultura quanto o ambiente
são importantes para o desenvolvimento as habilidades do indivíduo. O autor salienta
que o fenômeno da superdotação não pode ser explicado somente por testes
padronizados, mas também por outros fatores que devem ser combinados.

1.3 SUPERDOTAÇÃO ESCOLAR E CRIATIVA-PRODUTIVA

Virgolim (2007) aborda os dois tipos de superdotação: a criativa-produtiva e a escolar


analisadas por Renzulli (1986) e afirma que

A superdotação escolar pode também ser chamada de “habilidade do teste ou da


aprendizagem da lição”, pois é o tipo mais facilmente identificado pelos testes de QI
para a entrada em alguns programas especiais. Como as habilidades medidas nos
testes de QI são as mesmas exigidas nas situações de aprendizagem escolar, o aluno
com alto QI também pode tirar boas notas na escola.

A superdotação criativa-produtiva implica no desenvolvimento de materiais e


produtos originais; aqui, a ênfase é colocada no uso e aplicação da informação -
conteúdo - e processos de pensamento de forma integrada, indutiva e orientada para
os problemas reais (VIRGOLIM, 2007, p. 43, grifo do autor).

O tipo acadêmico é aquele que se destaca nas diferentes disciplinas, geralmente é


chamado de “nerd” pelos colegas, e às vezes até se “boicota” para não ser excluído
do grupo de amigos por só tirar nota alta. Geralmente, tem alto desempenho na área
de raciocínio lógico-matemática e da linguagem.

Já o tipo criativo-produtivo se destaca por ser mais criativo, curioso e questionador.


Muitas vezes faz perguntas intermináveis para os professores principalmente na sua
área de interesse e tem “fome” de conhecimento e desejo de buscar soluções
inovadoras para resolver problemas. Ele pode encontrar dificuldades por não se
adaptar a rotina e se desinteressar facilmente por temas que não lhe chamam a
atenção, podendo ter um desempenho baixo nas avaliações escolares.

Muitas vezes o tipo criativo-produtivo não é identificado nas escolas porque suas
áreas de interesse não fazem parte do currículo do ensino regular. Geralmente, esse
aluno desenvolve projetos do tema que ele deseja explorar, nas salas de recursos de
AH/SD.

Sentiu alguma dificuldade até o momento? Podemos seguir em frente? Vamos falar
sobre a Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner.

Não deixe de ver! Vídeo 2


A professora doutora Denise Fleith do Instituto de Psicologia da Universidade de
Brasília falando sobre altas habilidades/superdotação:

http://www.youtube.com/watch?v=9iNE3Lu0CaM&feature=related

1.4 TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS DE GARDNER

A Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner propõe uma abordagem


multifatorial da inteligência. Gardner (1994) afirmou que todas as pessoas normais
são capazes de alguma atuação em pelo menos oito áreas intelectuais diversas e até
certo ponto independentes, ao contrário das teorias que valorizam a visão
psicométrica da inteligência.

Gardner (1997) apresentou no início dos estudos em 1983, no livro Estruturas da


mente, sete inteligências. Porém, nos anos 90 pesquisou e incluiu mais um tipo, a
inteligência naturalista. Atualmente, o autor especula haver uma nona inteligência.

Figura 2 – Inteligências Múltiplas de Gardner


Fonte: Foelker (2012)

Sua teoria estabelece que a competência cognitiva humana possa ser mais bem
descrita como sendo um conjunto de habilidades, talentos ou capacidades mentais,
consideradas universais (VIRGOLIM, 2007), a seguir descritas:

 Linguística: “Envolve sensibilidade para a língua falada e escrita, a habilidade


de aprender línguas e a capacidade de usar a língua para atingir certos
objetivos” (GARDNER, 2000, p. 56). São exemplos: oradores, poetas, locutores,
repentistas, contadores de histórias, jornalistas, advogados.

Fonte: Clip art (2012)

 Lógico-matemática: “Envolve a capacidade de analisar problemas com lógica,


de realizar operações matemáticas e investigar questões cientificamente”
(GARDNER, 2000, p. 56). São exemplos: matemáticos, engenheiros, cientistas,
programador de computação, enxadrista, mestre de obra.

 Espacial:
o Capacidade de compreender o mundo visual de modo minucioso. Tem o
potencial de reconhecer e manipular os padrões do espaço (aqueles
usados, por exemplo, por navegadores, marinheiros e pilotos), bem como
os padrões de áreas mais confinadas (GARDNER, 2000, p. 57).

São exemplos: escultores, cirurgiões, jogadores de xadrez, artistas gráficos,


arquitetos, desenhistas, designers, costureiras.

Fonte: Clip art (2012)

 Interpessoal: “[...] habilidade de entender as intenções, motivações e desejos


dos outros, e consequentemente, de trabalhar de modo eficiente com terceiros”
(GARDNER, 2000, p. 57). São exemplos: políticos, religiosos, clínicos,
professores, vendedores, líderes - sociais, criminosos, religiosos.
 
 Intrapessoal: “[...] envolve a capacidade da pessoa se conhecer, ter um modelo
individual de trabalho eficiente – incluindo aí os próprios desejos, medos e
capacidades” (GARDNER, 2000, p. 57) e de usar estas informações com
eficiência para regular a própria vida. São exemplos: escritores,
psicoterapeutas, conselheiros, teólogos, filósofos.
 
 Musical: habilidade para tocar, compor e apreciar padrões musicais (GARDNER,
2000). São exemplos: músicos, compositores, dançarinos, maestros, ouvintes
sensíveis da música, críticos musicais, intérpretes, instrumentistas.

Fonte: Clip art (2012)

 Corporal-cinestésica: potencial em usar o corpo para dança, esportes ou para


resolver problemas ou fabricar produtos (GARDNER, 2000). São exemplos:
mímicos, dançarinos, desportistas, atores, mecânicos.
 Naturalista: habilidades em reconhecer e classificar espécies da natureza.

Envolve as capacidades essenciais para reconhecer exemplos como membros de um


grupo (mais formalmente, de uma espécie); para distinguir entre os membros de
uma espécie; para reconhecer a existência de outras espécies próximas e para
mapear as relações, formal ou informalmente, entre as várias espécies (GARDNER,
2000, p. 57).
São exemplos: fazendeiros, paisagistas, ecologistas, botânicos, caçadores.

Fonte: Clip art (2012)

Gardner (1997) ainda estuda a possibilidade de haver uma nona inteligência – a


Inteligência existencial. O autor afirma:

Hoje estamos discutindo a possibilidade de haver uma nona inteligência, que


chamamos de existencial. Essa inteligência está ligada a capacidade de considerar
questões mais profundas da existência, de fazer reflexões sobre quem somos, de
onde viemos ou porque morremos. Ainda não aceito inteiramente essa inteligência
porque os cientistas não provaram que ela requer áreas específicas do cérebro. Por
isso digo que existem oito inteligências e meia, embora a afirmação possa parecer um
pouco estranha a primeira vista (GARDNER, 1997, p. 43).

Teóricos como Howard Gardner conseguiram comprovar cientificamente, mapeando


as regiões cerebrais (por meio de exames de neuroimagem) responsáveis pela
existência de pelo menos 8 inteligências, que ele denominou de Inteligências
Múltiplas.

Fonte: Clip art (2012)

Sugiro que assistam ao vídeo no Youtube feito por Carlos Garcia Jr, que fala
sobre as Inteligências Múltiplas e encerra nos questionando: O que fazer para
contribuir para o desenvolvimento das habilidades dessas crianças?

Vídeo 3 – Altas Habilidades/Superdotação

Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=2nUmeq8unO8

Vocês sabiam que todos nós nascemos com capacidade de desenvolver todas as
inteligências?
Por exemplo, a inteligência corporal-cinestésica é estimulada se praticarmos
esportes, corrermos, brincarmos, etc. Mas não é só isso, não posso me tornar um
campeão olímpico simplesmente começando a nadar desde os 2 anos de idade.

Existe a influência da carga genética que é decisiva!

Percebam que é a interação dos fatores orgânicos com os fatores ambientais que
vai determinar se o indivíduo desenvolverá seu potencial plenamente. Nenhuma
criança nasce superdotada, mas podemos afirmar que nasce com um potencial para
superdotação. Embora todas as crianças tenham um potencial surpreendente, apenas
aquelas que tiverem a sorte ou oportunidade para desenvolver seus talentos, em um
ambiente que responda as suas necessidades específicas, serão capazes de
desenvolver mais plenamente suas habilidades.

Se pensarmos em Mozart, um dos gênios da música, ele herdou uma genética


favorável para habilidade musical, provavelmente. Porém, se ele não tivesse crescido
em um ambiente estimulante para a música, não teria grandes chances de se tornar
este compositor maravilhoso.

Vídeo 4 - Malabarismo brilhante


Gostaria que vocês assistissem ao vídeo chamado “Malabarismo brilhante”, e
analisassem quais são os tipos de inteligência que podem ser constatadas nesse
vídeo. Posso dizer que, na minha opinião, são pelo menos cinco delas!

Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=PrI_yJow89M

Encerro dizendo que espero ter contribuído para que vocês desenvolvam um
olhar especial para as AH/SD. Também, quero ressaltar que o interesse e o valor que,
você profissional da área da Educação, atribui às experiências escolares ou
extraclasse dos alunos com AH/SD, podem encorajá-los e assim, evitar que muitos
talentos se percam no meio do caminho, sem dar à sociedade a sua preciosa
contribuição.

Até a próxima!

Vamos dialogar no Fórum?

1)    A visão conservadora de inteligência como um constructo único tem


sido abandonada nos estudos recentes. Atualmente, a concepção de inteligência
engloba vários componentes. Relate sobre a importância dessas teorias na
identificação do aluno com AH/SD e poste seus comentários no Fórum.
BARRERA PÉREZ, Susana Graciela Pérez. Sobre perguntas e conceitos. In: FREITAS,
Soraia Napoleão. Educação e altas habilidades/superdotação: a ousadia em
rever conceitos e práticas. Santa Maria: UFSM, 2006. p. 37-59.

BARRERA PÉREZ, Susana Graciela Pérez; FREITAS, Soraia Napoleão. Estado do


conhecimento na área de altas habilidades/superdotação no Brasil: uma análise das
últimas décadas. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED: sociedade, cultura e educação:
novas regulações? 32., 2009. Anais. Caxambu: ANPED, 2009. p. 1-17. Disponível
em: < http://www.anped.org.br/reunioes/32ra/arquivos/trabalhos/GT15-5514--
Int.pdf >. Acesso em: 10 nov. 2012.

BRASIL. Lei n. 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa diretrizes e bases para o ensino
de 1º e 2º graus, e dá outras providências. Disponível em: <
http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/l5692_71.htm >. Acesso em: dez. 2012.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Especial.


Subsídios para organização e funcionamento de serviços de educação
especial: área de altas habilidades. Brasília: MEC/SEESP, 1995. (Diretrizes).

BRASIL. Ministério da Educação. Política pública de educação especial na


perspectiva da educação inclusiva. 2008. Disponível em: <
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf >. Acesso em: 25. Out
2012.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Saberes e


práticas da inclusão: introdução. Brasília: SEESP/MEC, 2003. (Educação Infantil,
1). Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/introducao.pdf >.
Acesso em: 22 de nov. 2012.

BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Núcleo de Atividades de Altas


Habilidades/Superdotação. Documento orientador: execução da ação. Brasília:
SEESP/MEC, 2006. Disponível em: <
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/doc/documento
%20orientador_naahs_29_05_06.doc >. Acesso em: 22 de nov. 2012.

CHAGAS, Jane Farias. Conceituação e fatores individuais, familiares e culturais


relacionados às altas habilidades. In: FLEITH, Denise de Souza; ALENCAR, Eunice M.
L. Soriano de (Org.). Desenvolvimento de talentos e altas habilidades:
orientação a pais e professores. Porto Alegre: Artmed, 2007. p. 15-23.

CHAGAS, Jane Farias; FLEITH, Denise de Souza. Habilidades, características pessoais,


interesses e estilos de aprendizagem de adolescentes talentosos. Psico-USF, Itatiba,
v. 15, n. 1, p. 93-102, jan./abr. 2010. Disponível em: <
http://www.scielo.br/pdf/pusf/v15n1/10.pdf >. Acesso em: 17 set. 2012.

CIANCA, Fabiane Silva Chueire; LYRA, Juliana Chueire; MARQUEZINE, Maria Cristina.
Produção em altas habilidades/superdotação: investimento para longo prazo. In:
CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO, 1,
2010, Curitiba. Anais... Curitiba: UFPR, 2010. p. 443-51.

FERRAZ, Joana Schiliam. AH/SD: aspectos legais, conceitos e terminologia.


Londrina: Unopar, 2007. Apostila do Curso de Extensão em AH/SD.
FREITAS, Soraia Napoleão. Educação e altas habilidades/superdotação: a
ousadia em rever conceitos e práticas. Santa Maria: UFSM, 2006.

FOELKER, Rita. Inteligências múltiplas e visão espírita. 2012. Disponível em: <
http://www.vademecumespirita.com.br/goto/store/texto/913/inteligencias-multiplas
>. Acesso em: dez. 2012.

GARDNER, Howard. Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva,


2000.

GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes


Médicas, 1994.

GARDNER, Howard. O guru das inteligências múltiplas. Nova Escola, São Paulo, v.
12, n. 105, p. 41-45, set. 1997. Disponível em: <
http://novasescola.abril.com.br/ed/105-set97/html/pedagogia.htm >. Acesso em 05
de out 2010.

METTRAU, Marsyl Bulkool; REIS, Haydéa Maria Marino de Sant’Anna. Políticas


públicas: altas habilidades/ superdotação e a literatura especializada no contexto da
Educação Especial/inclusiva. Ensaio, Rio de Janeiro, v. 15, n. 57, p. 489-509,
out./dez. 2007.

RENZULLI, Joseph S. The three-ring conception of giftedness: a developmental


model for promoting creative productivity the university of Connecticut.
1986. Disponível em: < http://www.gifted.uconn.edu/sem/pdf/the_three-
ring_conception_of_giftedness.pdf >. Acesso em: 18 dez. 2012.

RENZULLI, Joseph S. O que é essa coisa chamada superdotação e como a


desenvolvemos: uma retrospectiva de vinte e cinco anos. Educação, Porto Alegre, v.
27, n. 52, p. 75-131, jan./abr. 2004. Disponível em: <
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/viewFile/375/272 >.
Acesso em: 7 out. 2012

RENZULLI, Joseph S. A practical system for identifying gifted and talented students
the national research center on the gifted and talented university of Connecticut.
2012. Disponível em: < http://www.gifted.uconn.edu/sem/semart04.html >.  Acesso
em: 06 out. 2012

VIRGOLIM, Ângela M. R. Altas habilidades/superdotação: encorajando potenciais.


Brasília: MEC/SEESP, 2007.

VIRGOLIM, Ângela M. R. O indivíduo superdotado: história, concepção e identificação.


Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 13, n. 1, 173-183, jan./abr. 1997.

WINNER, Ellen. Crianças superdotadas: mitos e realidades. Porto Alegre: Artmed,


1998.

ALTAS HABILIDADES/ SUPERDOTAÇÃO

WEB AULA 1
Unidade 2 – Atendimento Educacional Especializado

ENFOQUE PSICOPEDAGÓGICO FRENTE ÀS ALTAS


HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO

 Resumo: Esta unidade tratará das características das pessoas e das famílias
com AH/SD, também aborda as formas de identificar o aluno com AH/SD e as
alternativas de atendimentos garantidos a essa população pela Legislação
vigente sobre altas habilidades/superdotação.

Palavras chave: Características; identificação; encaminhamento;


atendimentos, legislação.  

Fonte: Clip Art (2012)

VIDEO AULA 3

1. CARACTERÍSTICAS MAIS COMUNS DAS PESSOAS COM AH/SD

Algumas características têm sido notadas em bebês “superdotados”, as quais os pais


devem estar atentos, cujos primeiros sinais são (WINNER, 1998):

 Sinais de vigilância e atenção prolongados;


 Preferência por novidades;
 Sentam, engatinham e caminham antes do esperado;
 Falam cedo e progridem de elocuções de uma palavra para sentenças
complexas rapidamente;
 Vocabulário extenso;
 Crianças com talento físico-motor demonstram cedo domínio de movimentos
complexos e controle postural, equilíbrio e coordenação motora.
Fonte: Clip Art (2012)

Crianças superdotadas geralmente demonstram:

 Rapidez no processamento de informações;


 Memória bastante aguçada;
 Leitura precoce (anterior aos 5 anos);
 Interesse por questões filosóficas, políticas e morais precocemente;
 Capacidade incomum na resolução de problemas;
 Alto nível de metacognição e reflexão abstrata;
 Preferência por brinquedo solitário;
 Preferir a companhia de adultos e crianças mais velhas;
 Intensa empatia e desejo de serem aceitas;
 Ser mais assertivas, autoconfiantes e bem-humoradas quando comparadas com
seus pares;
 Discrepância entre os desenvolvimentos intelectual, social, emocional e físico.

Fonte: Clip Art (2012)

Adolescentes superdotados normalmente demonstram:

 Algumas barreiras internas relacionadas ao desenvolvimento do talento como


autoconfiança, crença nas próprias habilidades e reconhecimento ou aceitação
de suas habilidades;
 Maiores níveis de reflexão e orientação para o futuro;
 Passar mais tempo envolvidos em atividades relacionadas com a sua área de
talento;
 Maior nível de interação com os pais e irmãos;
 Participar de atividades extraclasses, clubes, agremiações;
 Maior satisfação com o desempenho acadêmico, quando desafiados;
 Maior desejo de superar-se e dominar uma área;
 Ser fortemente influenciados por fatores externos como elogios,
reconhecimento e status social;
 Participar com maior frequência de eventos, concursos e premiações;
 Maior vulnerabilidade para a depressão, ansiedade e ideação suicida;
 Resultados controversos sobre o ajustamento social.

Fonte: Clip Art (2012)

Adultos superdotados podem apresentar, mais comumente:

 Abertura a estímulos externos;


 Grande concentração e manutenção no foco;
 Persistência e obstinação no treinamento de habilidades;
 Maior disposição para correr riscos; defender suas crenças e valores e eliminar
obstáculos;
 Engajamento em atividades produtivas;
 Atitude mais positiva e realista frente às suas limitações;
 Aumento e maior estabilidade da inteligência cristalizada até a nona década da
vida;
 Possuir relações menos conflituosas;
 Total envolvimento e participação em sua área de domínio;
 Continuar produtivos até a fase mais tardia da vida;
 Conhecer melhor suas potencialidades;
 Reconhecem e lidam melhor com o estresse;
 Melhor capacidade de comunicação;
 Expressar sentimentos de forma pertinente e competente;
 Capacidade extraordinária de julgamento e percepção;
 Processamento mental rápido e incomum;
 Grande sensibilidade e intuição;
 Níveis superiores de realização e satisfação com a vida.

Gostaria que vocês assistissem ao vídeo chamado “Como lidar com crianças
superdotadas” que mostra um exemplo de uma aluna que participa de um
atendimento educacional especializado (ACERTA) e que teve 3 tipos de inteligência
identificadas: lógico-matemática, espacial e linguística. É um vídeo bem interessante
e demonstra como devemos estimular o potencial do indivíduo! Entrevista com a
especialista Paula Pessoa Cavalcanti que realiza projetos na ACERTA/RJ.
Vídeo 2 - “Como lidar com crianças superdotadas”.

Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=MnNM9BtybYY


Para acompanhar o trabalho da Acerta que é uma instituição de atendimento
educacional especializado, acesse o site: www.acerta.etc.br

Conforme as teorias de Gardner (1994; 1997; 2000) e Renzulli (1986; 2004; 2012),
ambas referenciais para o estudo das altas habilidades/superdotação, dois fatores são
contribuintes indispensáveis no processo de desenvolvimento da aprendizagem das
crianças com altas habilidades/superdotação: genética e ambiente.

Segundo Mattei (2006)

[...] o ser humano nasce com a faculdade de ser inteligente, porém temos que ter
subsídios para desenvolver nossas faculdades mentais, nosso potencial. Tanto
Gardner quanto Renzulli consideram a inteligência não como algo isolado e unitário,
mas ambos assinalam a importância da cultura e do ambiente para a definição e
manifestação da mesma (p. 172).

A figura acima representada pelo crescimento de uma planta simboliza o


desenvolvimento das habilidades do indivíduo. Assim como a semente necessita de
condições favoráveis do ambiente para se desenvolver, também acontece com o ser
humano. Nosso potencial genético está determinado no momento da concepção mas
somente as condições de vida e oportunidades é que poderão estimular o
desenvolvimento da superdotação. Assim, de acordo com o exposto, podemos afirmar
que a família tem um papel fundamental no desenvolvimento das habilidades de seus
filhos. Segundo Alencar e Fleith (2001), o desempenho superior está mais relacionado
à vida familiar, aos traços de personalidade e ao engajamento em atividades de seu
interesse, do que às habilidades cognitivas superiores.
1.2 CARACTERÍSTICAS DAS FAMILIAS DE PESSOAS COM ALTAS
HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO

Fonte: Clip Art (2012)

Uma das autoras mais respeitadas no meio acadêmico de AH/SD, Ellen Winner (1998)
destaca a existência de uma relação de influência mútua entre a criança superdotada
e sua família. Para ela, a família pode influenciar de diversas formas o
desenvolvimento do talento. Entretanto, a criança superdotada também afeta a
organização familiar. Para confirmar esses dados, Winner (1998, p. 145-161) propôs
a existência de características comuns presentes nas famílias de alunos superdotados,
a elas denominou “Seis Principais Generalizações”, que são:

1. Posição especial na família, geralmente, primogênito ou filho único.

 Primogênito: o filho dedica-se, de forma automotivação, a atingir elevados


padrões de desempenho para manter-se em destaque aos olhos dos pais.
 Filho único: o filho recebe mais estimulação dos adultos em seus primeiros anos
de vida fazendo com que o filho único desenvolva seu potencial cognitivo de
forma privilegiada.

2. Ambientes “enriquecidos”

 Ambientes interessantes, variados e cheios de estímulos;


 “Ambientes repletos de livros, onde há o hábito da leitura, com pais engajados
em discutir ideias de forma sofisticada com seus filhos e que levam seus filhos a
eventos culturais e a museus, desde pequenos” (FLEITH, 2007, p. 35);
 Ambiente onde valoriza-se a educação formal, colocando-a em posição de
prioridade na vida familiar, independente do nível socioeconômico e da
escolaridade dos pais.

3. Famílias centradas nos filhos

 “Sacrificam a vida pessoal para investir no talento dos filhos” (FLEITH, 2007, p.
35);
 “Os sacrifícios feitos por esses pais são de diversas ordens: financeiro, social,
educacional e profissional” (FLEITH, 2007, p. 35);
 Pais atentos e responsivos;
 Dedicam-se com devoção para que seu filho venha a desenvolver com plenitude
seu potencial emergente.
4. Altos padrões de desempenho e alta expectativa

 A Importância das Atitudes:


o “Presença de alguém da família que atue como um modelo de dedicação,
empenho e alta realização na atividade profissional que executa” (FLEITH,
2007, p. 36);
o Os pais demonstram o valor da dedicação diária ao trabalho por meio do
próprio exemplo.
 A Importância dos Valores e das Crenças:
o Nesses lares, valoriza-se o trabalho antes do lazer;
o Desaprova-se a falta de compromisso ou irresponsabilidade com o próprio
desenvolvimento ou o uso do tempo com atividades medíocres.

5. Combinação entre Independência e Monitoramento

 Pais valorizam a independência nos filhos e esperam que os filhos possam


assumir suas responsabilidades e os riscos por suas escolhas;
 Pais concedem ao filho independência e autonomia ao mesmo tempo em que
estabelecem padrões claros de conduta e desempenho.

6. Alta Expectativa, Estímulos e Apoio Afetivo

 Combinação entre:
 Afetividade;
 Apoio;
 Estímulos;
 Expectativa por altos padrões de desempenho: Atenção em nutrir as
necessidades globais de desenvolvimento dos filhos, não colocando o talento do
filho como o único aspecto do desenvolvimento merecedor de atenção.

As características acima citadas indicam que o indivíduo ao iniciar a vida é submetido


aos contatos familiares e pouco a pouco, vai ampliando sua socialização. À medida
que o repertório social aumenta, a responsabilidade pela mediação do
desenvolvimento passa a ser compartilhada com a escola e mais tarde, com a
sociedade como um todo. Dessen (2007) corrobora esse pensamento ao afirmar que
a família constitui um contexto primário de desenvolvimento, mediando o processo de
interação dos indivíduos com o contexto ambiental. Partindo dessas colocações, é
interessante enfatizar a importância das crianças com altas habilidades/superdotação
estarem inseridas em um ambiente que as estimulem seu desenvolvimento.

Sugiro que assistam um vídeo informativo do you tube que fala sobre Altas
Habilidades/Superdotação para professores da rede pública de ensino, realizado por
estudantes de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina, sob orientação da
Dra. Eliza Tanaka, com apoio do Núcleo de Altas Habilidades / Superdotação
(NAAH/S)

Vídeo 3 - Altas Habilidades/Superdotação: Um Guia Animado Para


Professores.

Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=PcS3dLBs1Dw


Tudo bem até aqui?

Falamos sobre as características das pessoas com AH/SD, das famílias dessas
pessoas e agora podemos refletir sobre como identificar essas características no
aluno, em sala de aula?

VIDEO AULA 4

2. COMO IDENTIFICAR O SUPERDOTADO

A concepção que temos de superdotação vai influenciar na identificação da pessoa


com AH/SD. Por exemplo, se consideramos o superdotado aquela pessoa que só tira
10 na escola, é tido como “nerd” e se destaca por suas notas altas, esse aluno é mais
facilmente observável, então poderá ser encaminhado com maior frequência aos
atendimentos (BARRERA PÉREZ; FREITAS, 2011). Mas e aqueles alunos que não vão
bem na escola?

Os índices estatísticos demonstram que esses alunos não estão sendo identificados
como deveriam. Vocês se lembram que eu comentei que a porcentagem de alunos
com AH/SD seria de no mínimo 3,5 a 5%? E que poderia abranger até 20%? Os
dados do INEP sobre o número de alunos matriculados com AH/SD, no ensino regular
indicam um aumento desde o ano de 1996 até 2009 (BARRERA PÉREZ, 2012). Se os
alunos não “aparecem” nas estatísticas, como as políticas públicas podem ser
viabilizadas a essa população. Por isso é tão importante encaminhar essa população
para os atendimentos adequados.

Um dos temas que mais despertam interesse na área de AH/SD, e que está implicada
diretamente na formação de professores, se refere à dificuldade de identificação
desse aluno. Para tanto, os teóricos sugerem alguns procedimentos que devem ser
variados e requerem “um período de 4 meses a um ano” (BARRERA PÉREZ; FREITAS,
2011, p. 27), tendo em vista a complexidade e variedade de áreas de interesse e
talentos dos alunos com AH/SD. Devemos sempre levar em conta e valorizar os
aspectos qualitativos e não somente os dados quantitativos. Entre os processos de
identificação sugeridos (CIANCA, 2011), podemos citar:

 Entrevista com a família, onde se pode investigar a história de vida, os hábitos,


costumes, interesse, personalidade, amigos, gostos do aluno;
 Entrevista com o aluno para verificar quais são seus gostos, talentos,
capacidade de comunicação, sua rotina. Além de analisar suas produções de
texto, desenho livre, desempenho escolar, avaliação dos interesses, estilos de
aprendizagem, leitura, raciocínio lógico-matemática e questões sobre sua
socialização, relacionamento interpessoal, liderança e também as características
de personalidade, entre elas criatividade, motivação, envolvimento em tarefas
do seu interesse, entre outros.
 Entrevista com os professores do ensino regular de recursos para avaliar as
facilidades e dificuldades de aprendizagem, a área em que o aluno se destaca,
averiguar os indicadores de AH/SD observados em sala de aula e fora dela,
potenciais e habilidades, entre outros.
 Avaliação pedagógica para verificar se a criança é efetivamente avançada no
conteúdo escolar e/ou quais suas dificuldades;
 Indicação de profissionais de áreas específicas como música, dança, esportes,
artes, etc.;
 Realizar o processamento das informações considerando a sequência dos
acontecimentos, a intensidade, frequência e consistência em que ocorrem os
comportamentos de superdotação;
 Lista de indicadores elaborada por Guenther (2000) e Barrera Pérez e Freitas
(2010);
 Destaques em áreas específicas como feiras de ciências, olimpíadas de
matemática, destaque em jornal, etc.
 Testes psicométricos padronizados aplicados por psicólogo somente e quando
necessário, lembrando que a obtenção do QI do aluno não é o principal na
abordagem multidimensional da inteligência e também porque os testes não
detectam o desempenho em áreas como liderança, fatores emocionais,
artísticos e psicomotores por exemplo;

Sobre a utilização dos testes de QI, devemos sempre lembrar o que Barrera Pérez e
Freitas (2011) ressaltaram sobre esta avaliação

Pode ser feita por pessoas que tenham recebido capacitação adequada e suficiente
sobre AH/SD, seja qual for a formação inicial. Na escola não há necessidade de
“laudo” para receber o atendimento educacional especializado, visto que esse é um
documento de avaliação clínica e as AH/SD não são uma patologia. O documento que
informa que o aluno é uma PAH/SD[1] é o Parecer Pedagógico e, portanto, deve ser
elaborado por um profissional da educação e, segundo define a legislação
educacional, a identificação e o AEE[2] que o aluno deve receber precisa ser
registrado no histórico escolar (p. 27).

Dentre as propostas de atendimento possíveis, Renzulli (1994) sugere que a


identificação deve iniciar na sala de aula a partir do professor, que equipado com
recursos adequados pode realizar suas observações sobre aquele aluno que se
destaca. Detectados os estudantes com facilidade para aprender, o próximo passo é
evitar que eles fiquem desmotivados e desinteressados na sala de aula. Para isso, o
mais indicado é propor atividades que estimulem seus talentos, através de tarefas
desafiadoras como pesquisas, debates e projetos em sua área de interesse.

Vamos pensar em um caso prático, por exemplo. Uma criança que tem um talento
acima da média na área artística, como na pintura. Ela pode ser indicada pelo próprio
colega de sala de aula ou pelo professor que percebe seu talento. A partir desse
momento, sua habilidade artística deve ser apreciada por um profissional especialista
na área que possa analisar os indicadores de AH/SD, como criatividade, coordenação
motora fina, originalidade, etc. Se ela não for identificada, seu potencial pode não se
desenvolver e mais um talento pode se perder.

QUESTÃO PARA REFLEXÃO


Qual é a importância de se identificar os talentos dos alunos com AH/SD? Para que
serve a avaliação dos potenciais das pessoas com AH/SD?

Primeiro, porque se as PAH/SD não tiverem suas habilidades identificadas e


desenvolvidas elas serão desperdiçadas e consequentemente, deixaremos de investir
em novas descobertas e fomentar o desenvolvimento do próprio país. Segundo, que
os alunos com AH/SD demandam oportunidades para o desenvolvimento dos
talentos, corroborando para a criação de políticas de atendimentos especializados a
essa população. Se esses alunos não fizerem parte das estatísticas nacionais, menos
incentivo a área vai receber.

Após a identificação inicial, o aluno é avaliado no contexto escolar e encaminhado


para os AEE. Estes serão descritos a seguir.

1.2 ENCAMINHAMENTO DO ALUNO PARA O ATENDIMENTO EDUCACIONAL


ESPECIALIZADO

Você sabe quais são as alternativas de atendimentos no Brasil, para os alunos com
AH/SD?

O aluno com AH/SD demanda oportunidades especiais que a legislação prevê como
por exemplo:

 Enriquecimento curricular no ensino regular ou nas Salas de Recursos de Altas


Habilidades/Superdotação ou Multifuncionais;
 Aceleração;
 Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação

[1] PAH/SD significa “pessoa com AH/SD”.

[2] AEE significa “Atendimento educacional especializado”.

ENRIQUECIMENTO CURRICULAR

O enriquecimento curricular consiste em estratégias que complementam ou


suplementam o currículo regular. Ele pode acontecer no ensino regular e nas salas de
recursos. Abrange o desenvolvimento de processos, como o pensamento criativo, a
resolução de problemas, o pensamento crítico e o pensamento científico e de
conteúdos curriculares, projetos e atividades dentro destes processos. Algumas
estratégias de enriquecimento são: projetos, estudo independente, centros de
aprendizagem, excursões, mentores, competições e outras atividades desafiadoras.
Estratégias que complementam ou vão além do oferecido pelo currículo regular:

Modelo Triádico de Enriquecimento Curricular elaborado por Renzulli e Reis


(1997). Esta proposta de trabalho desenvolvida por Renzulli objetiva o atendimento a
todos os alunos, procurando desenvolver o talento de todos aqueles que têm
potenciais e não somente os que apresentam QI elevado. Este modelo é utilizado no
AEE e referendado pelo MEC (BRASIL, 2006).

Figura 1: Modelo Triádico de Enriquecimento


Fonte: Renzulli e Reis (1997, p.14 apud FLEITH (2007, p. 59)

O Modelo é composto por 3 tipos de atividades:

Atividades do tipo I: Exploração

Atividades ou experiências que exponham os alunos a uma grande variedade de


disciplinas, tópicos, questões, ocupações, hobbies, pessoas, lugares e eventos que
normalmente não são contemplados pelo currículo do ensino regular.

Exemplos:

 Assistir a filmes, shows, concertos;


 Visitar museus, bibliotecas, hospitais, parques, antiquários, feiras,
universidades, centros de pesquisa, laboratórios, exposições, etc.;
 Promover palestras e debates;
 Fazer demonstrações e simulações;
 Promover o acesso a internet, artigos de revistas e jornais;
 Promover passeios ecológicos ou caminhadas;
 Promover atividades esportivas;
 Fazer gincanas;
 Promover minicursos.

Sugiro que assistam a um vídeo do you tube “Investigar aspectos da vida diária”, que
fala sobre exemplos de Atividades do Tipo I desenvolvidas em salas de recursos para
alunos superdotados segundo o Modelo de Enriquecimento proposto por Joseph
Renzulli.
Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=IRv5MyG1lHo

Atividades do tipo II: Treinamento

Métodos instrucionais e materiais que promovam o desenvolvimento de habilidades


técnicas, habilidades de pensamento e processos afetivos.

Exemplos:

 Construir roteiros de entrevista, questionários e escalas;


 Usar matrizes e ferramentas para geração, seleção, implementação e avaliação
de ideias;
 Usar técnicas avançadas de processamento e de pesquisa de informações:
programas, estatística, banco de dados;
 Usar técnicas avançadas de uma área específica;
 Coletar, selecionar, classificar e analisar dados;
 Usar técnicas de liderança e gerenciamento;
 Promover estudos e debates sobre valores éticos, estéticos e morais.

Atividades do tipo III: Produção

Atividades de investigação e produção artística, onde o aluno assume o papel de


“aprendiz de primeira mão” e “produtor de conhecimento”. Ele deve pensar, sentir e
agir como um profissional da área.

Exemplos:

 Construir a árvore genealógica da família;


 Construir um playground;
 Fazer uma exposição de pinturas;
 Apresentar performance: teatro, música, dança;
 Escrever estória em quadrinhos;
 Fazer um documentário;
 Solucionar problema da comunidade local;
 Gerenciar uma página na web;
 Reunir receitas de pratos típicos regionais num livro;
 Promover feiras de ciências.

Para Barrera Pérez e Freitas (2011) o professor pode auxiliar seus alunos, no Ensino
Regular, desenvolvendo

[...] estratégias pedagógicas diferenciadas, flexibilizar o currículo, permitir que os


alunos com AH/SD apresentem seus temas de interesse, que sempre são mais
complexos e aprofundados, podendo enriquecer o conhecimento de seus colegas e
favorecer também a sua socialização com a turma. Também pode ser utilizada, em
alguns momentos, a monitoria, assim como projetos e pesquisas individuais e/ou em
pequenos grupos (p. 38)
Em relação ao enriquecimento curricular nas Salas de Recursos, o professor deve
promover atividades que não estão incluídas no currículo regular e que segundo as
autoras referidas, devem apresentar

Níveis de complexidade diferenciados, de modo a expor os alunos a experiências e


oportunidades que não são oferecidas na sala de aula comum, vinculadas aos seus
interesses específicos. Este professor também pode estabelecer parcerias com
recursos da comunidade, tais como, universidades, empresas, museus, academias de
dança, música, futebol, etc. para garantir o AEE para esses alunos (p. 38).

O professor pode propor um modelo de Projeto a ser desenvolvido em grupo (quando


outros alunos tem o mesmo tema de interesse) ou pode ser desenvolvido
individualmente. A proposta deve incluir:

PROJETO
1 - Nome do(s) aluno(s)
2 - Título do Projeto
3 - Objetivos (descrever a relevância do estudo)
4 - Método
5 - Resultados
7 - Socialização do trabalho

Quando falo de socialização do trabalho quero dizer que é importante que os


resultados do projeto sejam divulgados entre os colegas, comunidade escolar, família
etc. por meio de formas de apresentação diversas como artigos para publicação,
músicas, poemas, apresentação de slides, jornal local ou da escola, exposição, entre
outras. Recomenda-se também proceder uma avaliação do trabalho realizado,
considerando os aspectos pedagógicos, o nível de compromisso do aluno, os avanços
e/ou dificuldades.

Deve-se ainda, considerar os aspectos mais subjetivos do aluno, como por exemplo,
relacionamento interpessoal, comportamento pessoal diante de situações de desafios,
áreas de interesses e habilidades.

VIDEO AULA 5

ACELERAÇÃO

Você sabia que ao aluno com AH/SD poderá ser ofertada a possibilidade de
aceleração de estudos para concluir em menor tempo a escolaridade, utilizando-se
dos procedimentos da reclassificação compatível com o seu desempenho escolar e
maturidade socioemocional?

Você sabe o que significa aceleração de estudos?

 Possibilidade de avanço dos estudos;


 Fazer progredir ou andar mais rápido.
 Estimular. Imprimir maior velocidade;
 Cumprir o programa escolar em menos tempo;
 pular séries;
 compactação do currículo sem prejuízos.

Alguns benefícios podem ser observados na aceleração, como por exemplo, ela:

 Favorece o contato com alunos mais velhos - tendência entre os alunos


intelectualmente superiores;
 Maior produtividade promovendo o início mais cedo da vida profissional;
 Menos tédio e insatisfação entre os alunos - novo programa visto como mais
estimulante e menos enfadonho;
 Ajustamento emocional e social superior;
 Produtividade exigida mais de acordo com suas capacidades;
 Atitude mais responsável por parte do aluno;
 Estabelecimento de novos propósitos e objetivos;
 Desenvolvimento de hábitos mais adequados de estudo em atividades mais
desafiadoras do que no ensino regular.

A Reclassificação é o procedimento de legalização da aceleração. É o processo pelo


qual a escola avalia o grau de experiência do aluno matriculado, considerando as
normas curriculares para encaminhá-lo à etapa de estudos compatível com sua
experiência e desempenho, independentemente do que registre o seu histórico
escolar (PARANÁ, 2001).

A reclassificação deve ser prevista:

 No Projeto Político Pedagógico;


 No Regimento Escolar;
 Em consenso entre os professores, equipe pedagógica da escola e a família,
bem como assessorada por profissionais especializados do sistema.

Alguns fatores devem ser considerados nos casos de aceleração:

 A criança deseja passar para a série seguinte;


 O aluno é emocionalmente estável e entende o que está acontecendo;
 Os pais sentem-se bem com a orientação do processo;
 A escola assume o compromisso sem pressão para acelerar;
 O aluno é efetivamente avançado no conteúdo escolar;
 O acompanhamento do desempenho do aluno tanto acadêmico como social no
âmbito escolar (família e escola).

A Legislação Brasileira garante o procedimento de aceleração aos alunos com AH/SD,


por meio da LDBEN 9394/96 (BRASIL, 1996), em seu Art. 59, que ressalta:

“Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: [...]
aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados”
(BRASIL, 1996).

SITES INTERESSANTES SOBRE O TEMA

 Ministério da Educação: www.mec.gov.br


 Conselho Brasileiro de Superdotação: www.conbrasd.com.br
 NAAH/S: http://www.ldanaahs.seed.pr.gov.br
 Portal Educacional do Estado do Paraná (Dia-a-dia da Educação):
www.diaadiaeducacao.pr.gov.br
 Associação Gaúcha de Apoio às Altas Habilidades/Superdotação:
www.agaahsd.com.br
 Centro para o Desenvolvimento de Potencial e Talento:
http://www.aspat.ufla.br/CEDET.htm
o Instituto para Otimização da Aprendizagem: http://www.inodap.org.br/

NÚCLEO DE ATIVIDADES DE ALTAS


HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO - NAAH/S

Outro atendimento Educacional Especializado ocorre através do Núcleo de Atividades


de Altas Habilidades/Superdotação. Serviço de apoio pedagógico especializado, de
iniciativa do Ministério da Educação em parceria com a Secretaria de Educação do
Estado do Paraná. Está vinculado ao Departamento de Educação Especial e Inclusão
Educacional, destinado a oferecer suporte aos sistemas de ensino no atendimento às
necessidades educacionais dos alunos com Altas Habilidades/Superdotação, visando
impulsionar ações de implementação das políticas de inclusão.

Os objetivos dos NAAH/S, de acordo com o Documento Orientador (2006) (BRASIL,


2006), são:

 Atender os alunos com altas habilidades/superdotação;


 Promover a formação e capacitação dos professores e profissionais da educação
para identificar e atender a esses alunos;
 Oferecer acompanhamento aos pais dessas crianças e à comunidade escolar em
geral, no sentido de produzir conhecimentos sobre o tema e;
 Disseminar informações e colaborar para a construção de uma educação
inclusiva e de qualidade.

É formado por três unidades:

 Unidade de Atendimento ao Professor:

[...] tem por objetivo principal oferecer cursos de formação continuada de professores
e profissionais da educação. É também um espaço reservado para pesquisa e
planejamento de ações referentes às altas habilidades/superdotação. Ele deve
funcionar por meio de interface entre as Secretarias de Educação, com as Instituições
de Ensino Superior e/ou com organizações não governamentais, no sentido de
garantir a participação de seus professores como formadores de professores nos
cursos de atualização, aperfeiçoamento ou formação em serviço de professores,
instrutores e tutores da rede pública (BRASIL, 2006, p. 22).
 Unidade de Atendimento ao Aluno:

[...] compreende um espaço, que tem a função de apoiar alunos com altas
habilidades/superdotação, professores e comunidade, por meio de um acervo de
materiais e equipamentos específicos necessários ao processo de ensino e
aprendizagem (BRASIL, 2006, p. 24).

 Unidade de Apoio à família.

[...] tem a função de prestar orientação e suporte psicológico e emocional à família,


com vistas à compreensão do comportamento dos seus filhos, melhorando as
relações interpessoais e incentivando o desenvolvimento das potencialidades dos
alunos (BRASIL, 2006, p. 25).

Pessoal, sugiro que vocês acessem o site do MEC que está logo abaixo, e verifiquem
os livros lançados quando os NAAH/S foram implantados no Brasil. Lá vocês
encontrarão vários autores renomados e experientes na área das altas
habilidades/superdotação, abordando temas importantes como características dos
alunos, as teorias que embasam os atendimentos, sugestões de trabalho em sala de
aula regular e em atendimento educacional especializado. Aproveitem!

Aprofundando o Conhecimento:

Para ter mais informações sobre AH/SD, acessem o site do MEC: www.mec.gov.br
Lá vocês encontrarão 4 volumes chamados “A construção de práticas educacionais
para alunos com altas habilidades/superdotação”
Volume 1 – Orientação a professores
Volume 2 – Atividades de estimulação de alunos
Volume 3 – O aluno e a família
Volume 4 – Altas habilidades/superdotação: encorajando potenciais

1.5.1 LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA O ATENDIMENTO AO ALUNO COM AH/SD

 Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva -


Brasília – Setembro de 2008;
 LDBEN Nº 9394/96 (BRASIL, 1996) – Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional - Cap. V. artigo 59 – I e II;
 Resolução CNE/CEB nº 02/01 (BRASIL, 2001) e Parecer nº 17/01(BRASIL,
2001) – Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.

Tenho algumas sugestões de filmes interessantes, sobre pessoas superdotadas. Agora


que você já sabe quem são eles, ficará mais interesse assistir a esses filmes com um
novo olhar, não é mesmo?

SUGESTÕES DE FILMES SOBRE O TEMA

 Amadeus (1984)
 Sociedade dos poetas mortos (1989)
 Mentes que brilham (1991)
 Melhor é impossível (1997)
 Gênio indomável (1997)
 Uma mente brilhante (2001)
 Prenda-me se for capaz (2002)
 Mãos talentosas (2009)

Vou encerrando nossa aula afirmando que espero ter auxiliado vocês a
compreenderem como é importante identificar e encaminhar seu aluno com AH/SD
para os atendimentos a que eles tem direito. Somente assim, seu potencial será
valorizado e desenvolvido. Ressalto novamente que nós, professores, temos a missão
de evitar que os talentos se percam no caminho e não tenham seu potencial
explorado.

Obrigada, e até a próxima!

Vamos dialogar no FORUM?


É necessário que o aluno identificado com altas habilidades/superdotação receba um
atendimento específico? Justifique sua resposta e poste seu comentário no Fórum.

ALENCAR, E.M.L.S.; FLEITH, D.S. Superdotados: determinantes, educação e


ajustamento 2. ed. São Paulo: EPU, 2001.

BARRERA PÉREZ, Susana Graciela Pérez. E que nome daremos à criança? In:
MOREIRA, Laura Ceretta; STOLTZ, Tania. (Org.). Altas habilidades/
Superdotação, talento, dotação e educação. Curitiba: Juruá, 2012.

BARRERA PÉREZ, Susana Graciela Pérez; FREITAS, Soraia Altas


Habilidades/Superdotação: atendimento especializado. Marília: ABPEE, 2010.

BARRERA PÉREZ, Susana Graciela Pérez; FREITAS, Soraia Napoleão


Encaminhamentos pedagógicos com alunos com altas habilidades/superdotação na
educação básica: o cenário brasileiro. Educar em Revista, Curitiba, n. 41, p. 109-
124, jul./set. 2011.

BARRERA PÉREZ, Susana Graciela Pérez; FREITAS, Soraia Napoleão (Org.). Altas
habilidades/superdotação: respostas a 30 perguntas. Porto Alegre: Redes Editora,
2011. v. 1.

BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases


da educação nacional. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm >. Acesso em: 4 ago. 2010.

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes nacional para a educação especial na


educação básica. Brasília: MEC/SEESP, 2001. Disponível em: <
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf >. Acesso em: dez. 2012.

BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Núcleo de Atividades de Altas


Habilidades/Superdotação. Documento orientador: execução da ação. Brasília:
SEESP/MEC, 2006. Disponível em: <
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/doc/documento
%20orientador_naahs_29_05_06.doc >. Acesso em: 4 ago. 2010.

CIANCA, Fabiane Silva Chueire et al. NAAH/S Londrina a implantação e construção de


um serviço de atendimento ao estudante com altas habilidades/superdotação no
Norte do Paraná. In: CBMEE, 6.; ENCONTRO DA ABPEE, 7., 2011, Londrina. Anais...
Marília: Editora da ABPEE, 2011. p. 1536-45.

DESSEN, M. A. A família como contexto de desenvolvimento. In: FLEITH, D. S. (Org.).


A construção de práticas educacionais para alunos com altas
habilidades/superdotação: o aluno e a família. Brasília: MEC/SEES, 2007, p. 13-
27.

FLEITH, Denise de Souza (Org.). A construção de práticas educacionais para


alunos com altas habilidades/superdotação: o aluno e a família. Brasília:
MEC/SEESP, 2007, v. 3.

FERRAZ, Joana Schiliam. AH/SD: aspectos legais, conceitos e terminologia.


Londrina: Unopar, 2007. Apostila do Curso de Extensão em AH/SD.

GARDNER, Howard. Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva,


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GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes


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GUENTHER, Zenita C. Desenvolver capacidades e talentos: um conceito de


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MATTEI, Giovana. Educação: teoria e prática. v. 15, n.27, jul./dez, p. 165-174,


2006.

RENZULLI, Joseph S. O que é essa coisa chamada superdotação e como a


desenvolvemos: uma retrospectiva de vinte e cinco anos. Educação, Porto Alegre, v.
27, n. 52, p. 75-131, jan./abr. 2004. Disponível em: <
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/viewFile/375/272 >.
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development for the 21st century: a four-part theoretical approach. Gifted Child
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http://gcq.sagepub.com/content/56/3/150 >. Acesso em: 19 out. 2012.
RENZULLI, Joseph S.     The Three-Ring Conception of Giftedness: A Developmental
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Disponível em:  < http://www.gifted.uconn.edu/sem/pdf/the_three-
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Renzulli, J. S. & Reis, S. M. (1997). The schoolwide enrichment model: How to guide

for educational excellence (2a. ed.). Mansfield Center, CT: Creative Learning Press.In:

FLEITH, Denise de Souza (Org.). A construção de práticas educacionais para


alunos com altas habilidades/superdotação: o aluno e a família. Brasília:
MEC/SEESP, 2007. v. 3.

VIRGOLIM, Ângela M. R. Altas habilidades/superdotação: encorajando potenciais.


Brasília: MEC/SEESP, 2007.

WINNER, Ellen. Crianças superdotadas: mitos e realidades. Porto Alegre: Artmed,


1998.