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Células fotovoltaicas

Células Solares de Corantes (DSSC)

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Uma equipa de investigadores suíços, coordenada pelo Professor Michael Grätzel apresentou em 1991
uma célula solar que se baseia em corantes sintéticos adsorvidos em dióxido de titânio
nanoestruturado. Esta célula foi denominada de célula solar de Grätzel ou célula solar sensibilizada por
corantes. Em termos gerais, as células de Grätzel são células fotovoltaicas de TiO2 nanocristalinas que
são sensibilizadas por um corante. Para construir esta célula são necessárias duas placas de vidro
condutor, sendo numa colocada um semi-condutor (ânodo) e noutra um contra-eléctrodo (cátodo), e
um electrólito contendo um par oxi-redutor (tipicamente o par iodeto/triiodeto). A Figura 1 ilustra o
funcionamento de uma célula.

Figura 1: Esquema de energias de uma célula fotovoltaica.

1. Absorção de luz por uma monocamada de foto-sensibilizador (S) (corante), adsorvido à


superfície do material semicondutor (TiO2).

2. Uma vez no estado excitado (S*) o corante transfere um electrão para TiO2 (injecção).

3. O campo eléctrico existente neste material é responsável pela extracção e transporte do


electrão no sentido do contacto eléctrico (F: SnO 2).

4. Através de um circuito eléctrico externo, o electrão extraído é transportado para o contra-


eléctrodo (cátodo).
+
5. Uma carga positiva (lacuna) é transferida do catião do corante (S ) oxidando o mediador redox
existente na solução de electrólito e regenerando o corante (S).

6. O electrão armazenado no cátodo promove a redução do mediador redox e fecha o circuito.

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Reacções químicas envolvidas no processo:

Etapa de Excitação (1):

TiO2||S + hν → TiO2||S*

Etapa de Injecção (2):

+
TiO2||S* → e-cb TiO2||S

Etapa de Recombinação (3):

- +
e cb TiO2||S → TiO2|| S

Etapa de Regeneração (4):

+ - -
TiO2||S + 3/2 I → TiO2||S + 1/2 I3
- - -
1/2 I3 + e Pt → 3/2 I
- - -
I3 + 2e cb → 3 I

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Passos Para a Preparação De Uma Célula Fotovoltaica DSSC

Antes de se iniciar a preparação propriamente dita de uma célula, é necessário:

Cortar o vidro condutor com as dimensões de 2,5cm x 2,0cm (efectuar em duplicado);

Depois de se ter o vidro com a dimensão desejada, é necessário lava-lo em etanol, seguindo-se
de água destilada. Ao secar este vidro não se deve usar papel absorvente, dado que este deixa
vestígios, devendo-se assim recorrer a uma estufa ou a um pano (exemplo: bata);

De seguida desenha-se numa folha de papel um rectângulo com as dimensões do vidro,


posteriormente deve-se fazer um quadrado (1cm x 1cm) dentro deste, como é ilustrado na
Figura 2.

Figura 2: Molde da célula

1. Deposição do filme de TiO2

O dióxido de titânio (Ti02) é colocado na face do vidro que é condutora (não pode ocorrer enganos
nesta escolha). Através do tacto consegue-se distinguir facilmente a face condutora (mais macia) da face
não condutora. Mas, para não ocorrer enganos, é preferível medir a resistência das duas faces do vidro
com um multímetro digital, de modo a verificar que a parte condutora apresenta um valor de resistência
e a parte não condutora não apresenta. Ou então, verificar-se em que lado do vidro se consegue
escrever com um lápis de carvão, sendo esta a face condutora.

Depois de se confirmar qual é parte condutora, passa-se então para a construção do filme de TiO 2.

a) Coloca-se o vidro (com parte condutora voltada para cima) sobre a folha de papel (Figura 2).
Com fita-cola faz-se o rebordo do quadrado.
b) Na parte superior do quadrado coloca-se algum dióxido de titânio (TiO2) e, recorrendo a um
capilar espalha-se o TiO2 sobre o quadrado, de modo a ficar disperso sobre todo o quadrado
homogeneamente, esta técnica apresenta-se com o nome de Doctor Blade.
Retira-se a fita-cola com cuidado de modo a não tocar no filme de TiO2;

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Figura 3: Técnica de Doctor Blade

c) Outra técnica também utilizada consiste no Screen Printing. Nesta técnica utiliza-se telas que
apresentam poros, sendo nestes poros que o TiO 2 vai passar. Aplica-se a pasta de TiO2 em cima
da linha superior de um dos quadrados e com a ajuda de uma borracha efectua-se o
espalhamento. Com esta técnica obtém-se uma maior reprodutibilidade;

Figura 4: Técnica baseada no Screen Printing.

d) Coloca-se este filme no processo de sintering (cozedura). O filme é aquecido até uma
temperatura de 500 °C (pré-programada), demorando este processo aproximadamente
1h30min;

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Figura 5: Equipamento usado no processo de sintering.

e) Tipicamente deixa-se arrefecer até cerca de 80 °C e coloca-se de seguida na solução de corante


(ver ponto seguinte). A temperatura exacta depende do corante a adsorver. Não deixar
arrefecer até à temperatura ambiente.

2. Colocar o filme de TiO2 em corante


Pode-se utilizar como corante uma variedade de substâncias: moléculas inorgânicas, orgânicas,
extractos de produtos naturais ou produtos de síntese química. Um dos corantes mais
utilizados é o composto de Ruténio denominado N3: Ru(II)(dcbpy) 2(NCS)2, [(dcbpy )= 4,4′-
dicarboxi-2,2′-bipiridina].
a) Prepara-se uma solução de corante;
b) Quando o filme de dióxido de titânio se encontrar a uma temperatura de 80 °C, mergulhá-lo na
solução de corante;
c) Deixa-se mergulhado no mínimo durante 6 horas (para ocorrer o máximo de adsorção).
d) [Caso pretenda a estudar a cinética de adsorção do corante no filme fino de TiO 2 deve
mergulhar o filme no inicio por períodos de tempo pequeno (por exemplo de 20 segundos) e
seguir a adsorção por cerca de 15 minutos (os períodos de adsorção e o tempo total dependem
da espessura do filme). Entre cada período de adsorção deve medir o espectro de absorção. No
final da adsorção deve remover o corante do filme, mergulhando-o num solução básica, e
quantificar o corante adsorvido.]

3. Preparação do cátodo

No outro pedaço de vidro, onde se vai colocar um filme fino de platina, é necessário efectuar-se
dois furos para se poder posteriormente inserir o electrólito dentro da célula. Com o auxílio de um

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berbequim, efectua-se dois furos no vidro como é demonstrado na figura 6; Devendo-se efectuar estes
furos no canto superior esquerdo do quadrado e no canto inferior direito, como é ilustrado na figura 7.

Figura 7: Vidro com dois furos


Figura 6: Material usado para se efectuar os furos

a) Verificar qual dos lados do vidro corresponde à parte condutora;


b) Efectua-se o mesmo mecanismo para a preparação do ânodo, mas em vez de se usar TiO2,
utilizar-se platina;
c) Seguidamente, coloca-se o filme de platina no processo de Sintering. A temperatura máxima de
cozedura é de 400 °C (56 minutos);
d) Deixa-se arrefecer.

4. Montagem da célula

a) Selagem:
Para se proceder à selagem, recorre-se a um polímero.
1. Recortar um quadrado com 2cm de diâmetro; Dentro deste recorta-se um outro quadrado
com 1,3cm diâmetro e coloca-se ao lado do filme de TiO2, como é demonstrado na Figura
8. É de notar que o selante não toca no filme, existindo uma pequena distância eles
(1,5mm de distância entre eles). Estas distâncias vai servir de entra/saída do electrólito;

Figura 8: Demonstração como se assenta o selante

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2. Em seguida, coloca-se o filme de platina sobre o filme de TiO 2. Não é uma sobreposição
total dos vidros, mas só parcial (Figura 9);

Figura 9: Ilustração de como se devem sobrepor os filmes

3. Para derreter o selante é necessário recorrer-se a um ferro de soldar. Colocar a ponta do


ferro sobre a parte superior da célula (por cima do selante, nunca por cima dos filmes);

4. Deixar arrefecer.

b) Colocação do electrólito:

- 3-
1) Preparar uma solução de um electrólito (I / I );
2) Com o auxílio de uma micro-pipeta coloca-se o electrólito por cima de um dos furos
efectuados no vidro;
3) Para que o electrólito não evapore rapidamente, coloca-se cola ou um selante
termoplástico nas duas aberturas.

c) De forma optimizar a condução eléctrica, pinte as faces condutoras externas dos vidros de
suporte do cátodo e do ânodo com pasta de prata (a cinzento escuro na Figura 9).

Medição da eficiência da célula solar de corantes

Com a célula montada, para se verificar qual é o seu potencial, recorre-se a um multímetro.
Não esquecer que se obtêm um maior potencial se a célula estiver direccionada para o sol ou
para uma lâmpada que o simule. Pode ainda tentar acender um Led ou uma lâmpada de
frigorífico com a sua célula solar de corantes.

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Figura 10: Célula fotovoltaica, DSSC.

Breve conclusão

A medida de potencial não é o único estudo que se pode realizar numa célula. Pode-se
também, medir a sua eficácia, recorrendo ao ICPE ou caracteriza-la através da medida da curva
corrente-tensão (I-V).

O processo da preparação de uma célula é demorado, mas fácil de se efectuar. É de notar, que
2
com uma célula fotovoltaica com uma área de 1 cm , em média, consegue-se apenas acender um led.

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