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Figura I.9 Corte escavado da perna mostrando a fáscia profunda e as formações fasciais.

Perto de algumas articulações (p. ex., punho e tornozelo), a fáscia muscular sofre espessamento acentuado e forma um
retináculo para manter no lugar os tendões na região em que cruzam a articulação durante a flexão e a extensão, impedindo
que formem um “atalho”, ou um arco, através do ângulo criado (Figura I.19).
A fáscia subserosa, com quantidades variáveis de tecido adiposo, situa-se entre as faces internas das paredes
musculoesqueléticas e as membranas serosas que revestem as cavidades do corpo. São as fáscias endotorácica,
endoabdominal (fáscia parietal do abdome) e endopélvica (fáscia parietal da pelve); as duas últimas podem ser
coletivamente denominadas fáscias extraperitoneais.
As bolsas são sacos ou envoltórios fechados de membrana serosa (uma delicada membrana de tecido conjuntivo que
secreta líquido para lubrificar uma face interna lisa). As bolsas normalmente encontram-se colapsadas. Ao contrário dos
espaços tridimensionais ou reais, esses espaços potenciais não têm profundidade; suas paredes são apostas, tendo entre elas
apenas uma fina película de líquido lubrificante, que é secretado pelas membranas em seu interior. Quando a parede é
interrompida em qualquer ponto, ou quando um líquido é secretado ou formado em excesso no seu interior, tornam-se
espaços reais; entretanto, essa situação é anormal ou patológica.
Geralmente encontradas em locais sujeitos a atrito, as bolsas permitem o movimento mais livre de uma estrutura sobre
outra. As bolsas subcutâneas são encontradas na tela subcutânea entre a pele e as proeminências ósseas, como o cotovelo ou
o joelho; as bolsas subfasciais situam-se sob a fáscia profunda; e as bolsas subtendíneas facilitam o movimento dos tendões
sobre o osso. As bainhas sinoviais dos tendões são um tipo especializado de bolsas alongadas que envolvem os tendões,
geralmente quando atravessam túneis osteofibrosos que fixam os tendões no lugar (Figura I.10A).
Às vezes há comunicação entre as bolsas e as cavidades sinoviais das articulações. Como são formadas apenas por
delicadas membranas serosas transparentes e encontram-se colapsadas, as bolsas não são facilmente notadas ou dissecadas
em laboratório. Podem ser exibidas por meio da injeção de líquido colorido, que causa sua distensão.
Essas bolsas colapsadas circundam muitos órgãos (p. ex., coração, pulmões e vísceras abdominais) e estruturas (p. ex.,
partes dos tendões) importantes. Essa configuração pode ser comparada à mão fechada envolta por um balão grande, mas
vazio (Figura I.10B). O objeto é circundado pelas duas camadas do balão vazio, mas não está dentro do balão, que
permanece vazio. Para que a comparação seja ainda mais exata, primeiro deve-se encher o balão com água e depois esvaziá-
lo, deixando molhado o interior do balão vazio. Exatamente dessa forma, o coração é circundado pelo saco pericárdico, mas
não está dentro dele. Cada pulmão é circundado por um saco pleural, mas não está dentro dele; e as vísceras abdominais são
circundadas pelo peritônio, mas não estão dentro dele. Nesses casos, a camada interna do balão ou saco seroso (aquela
adjacente à mão, ao órgão ou à víscera) é denominada camada visceral; a camada externa do balão (ou aquela que fica em
contato com a parede do corpo) é denominada camada parietal. Essa dupla camada de membranas de revestimento, com
suas superfícies apostas úmidas, proporciona liberdade de movimento à estrutura circundada quando está contida em um
espaço fechado, como o coração em seu saco fibroso (pericárdio) ou os tendões dos músculos flexores nos túneis fibrosos
que mantêm os tendões perto dos ossos dos dedos.