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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA

CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: ENTES FEDERATIVOS
PROFESSOR: IAN PIMENTEL

ASPECTOS GERAIS DA AULA

1) Conteúdo do Plano de Ensino:

ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
FORMAS DE ESTADO
CARACTERÍSTICAS DO ESTADO FEDERAL
FEDERAÇÃO BRASILEIRA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988
UNIÃO, ESTADOS-MEMBROS, MUNICÍPIOS, DISTRITO FEDERAL E
TERRITÓRIOS
REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS

2) Indicação de Material Bibliográfico:


- MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva,
2014;
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 37 ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.

ROTEIRO DE ESTUDO 01

UNIDADE I

1. Conteúdo do Tema:

Trata-se do estudo do conjunto de normas constitucionais


organizacionais que disciplinam a federação brasileira, isto é, que regulam e
determinam a distribuição e exercício das competências constitucionais dos entes
federativos integrantes da República Federativa do Brasil.

2 A Forma Federativa:

Método de divisão e distribuição vertical do poder político ao


longo do espaço territorial de um determinado Estado (ou país).

A separação de poderes (divisão e distribuição horizontal e


também orgânica do poder político) e a forma federativa de Estado constituem,
classicamente, os dois principais métodos de fracionamento do poder político do
Estado.

Atenção: a forma federativa de Estado divide e distribui verticalmente o poder


político entre diferentes entes de direito público interno (União, Estados, Distrito
Federal e Municípios), enquanto que o método da separação de poderes divide e
distribui horizontalmente o poder político entre diferentes funções orgânicas do
Estado (Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário). Não confundir!

2.1 Formas de Estado:


a) Unitário: único centro de poder político no território.

b) Confederação: união dissolúvel de Estados soberanos que se vinculam


mediante tratado internacional.

c) Federação: união indissolúvel (não têm direito de secessão) de Estados


autônomos (capacidades de auto-organização, autolegislação, autogoverno e
autoadministração) que se vinculam mediante uma Constituição.

2.2 Características da Federação:

a) Pode formar-se por agregação (estados independentes se juntam para


formar um único Estado soberano) ou por desagregação (estado unitário
descentraliza-se);

b) Pode ser dual (rígida separação de competências) ou cooperativo (atuação


em conjunto por meio de competências comuns ou concorrentes).

c) Pode ser simétrica (equilíbrio na repartição de competências) ou assimétrica


(desequilíbrio na repartição das competências ante peculiaridades regionais ou
locais).

2.3 Federação Brasileira:

No Estado do Brasil existem, portanto, três classes de poder


orgânico (Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário) e quatro classes de poder
territorial distribuídas no espaço geográfico (União, Estados, Distrito Federal e
Municípios):

Entes União Estados Municípios Distrito Federal


Federados Art. 20-24 Art. 25-28 Art. 29-31 Art. 32
Poder Congresso Assembleia Câmara Câmara
Legislativo Nacional Legislativa Municipal Legislativa
Arts. 44-75 Arts. 44-75 Art. 27 Art. 29, IV a IX, Art. 32, § 1º
XI, etc.
Poder Presidência da Governadoria do Prefeitura Governadoria
Executivo Arts. República Estado Municipal Distrital
76-91 Art. 84 Art. 28 Art. 29 Art. 32, § 3º
Poder Tribunais Tribunais de (Inexiste Poder (Não possui
Judiciário Arts. Superiores, TRFs Justiça, Alçada e Judiciário Judiciário
92-126 e Justiça Federal Juízes de Direito Municipal) autônomo. Seu
Arts. 92-124 Arts. 125-126 Judiciário é
mantido pela
União, conforme
arts. 21, XIII, e
22, XVII)
Fonte: Motta, Sylvio. Direito Constitucional... pp. 395.

3 Competências

A forma federativa de Estado divide o poder político ao longo do


território entre entes de direito público interno de distintos níveis. Chama-se de
competência a parcela de poder que a Constituição de um Estado atribui a cada um
dos distintos entes que o compõe.

Isto é, uma competência no sentido jurídico-constitucional constitui


um poder-dever de fazer algo que a Constituição atribui a algum ente federativo.

Ex.: “Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:...”.

3.1 A Repartição das Competências

O núcleo caracterizador do Estado Federal – e também o seu


elemento decisivo – é, portanto, a existência de uma distribuição de competências
(ou poderes) entre distintas pessoas jurídicas de direito público interno.

3.1.1 Princípio Norteador da Repartição de Competências

O princípio que subjaz à repartição de competências em um


Estado Federal, e que, ao fim e cabo, constitui o seu princípio norteador é o da
predominância do interesse.

3.1.2 Técnicas de Repartição de Competências

Conjunto de operatórias de que o legislador constituinte se serve


para distribuir as competências entre os distintos entes federativos. Nada mais são
do que os próprios métodos utilizados pelo legislador constituinte para dividir e
distribuir o poder entre as entidades componentes da federação.

São três as técnicas (ou métodos) de repartição que a literatura


reconhece:

a) Enumeração dos Poderes da União (também chamado de


método clássico): por este método, enumera-se os poderes da
União Federal e deixa-se aos Estados-Membros os poderes
remanescentes (ou sobrantes) de forma não enumerada. Ex.:
Constituições dos Estados Unidos, Argentina e Suíça);

b) Enumeração dos Poderes dos Estados: por este método,


enumera-se os poderes dos Estados-Membros e deixa-se à
União os poderes remanescentes (ou sobrantes) de forma não
enumerada. Ex.: Canadá.

c) Enumeração dos Poderes das Entidades Federativas: por


este método, enumera-se de forma exaustiva as competências
de cada um dos entes federativos. Ex.: Índia, e Brasil quanto à
repartição de rendas tributárias, com competência residual.

3.1.3 Tipos de Repartição de Competências

Por tipos de repartição de competências designa-se as espécies de


repartição resultantes do emprego, ou não, do critério “subordinação” pelo
legislador constituinte quanto ao futuro exercício de uma competência pelos
distintos entes federativos. Vale dizer, a repartição de competências levada a cabo
pelo legislador constituinte no momento de elaboração ou reforma da Constituição
pode ser de dois tipos, conforme haja ou não subordinação ou hierarquização
entre os entes federativos por ocasião do exercício da competência.

São eles:

a) Repartição Horizontal de Competências: por este tipo de


repartição, o legislador constituinte dota cada ente da federação
de plena autonomia para exercer, sem ingerência dos demais,
as competências que lhe são constitucionalmente afetas. Ex.:
“Art. 21. Compete à União: III - assegurar a defesa nacional”;

b) Repartição Vertical de Competências: por este tipo de


repartição, o legislador constituinte atribui a distintos entes
federativos competência para atuar sobre as mesmas matérias,
mas estipula um espaço de atuação distinto e hierarquizado
a cada um. Ex.: “Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao
Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: V - produção e consumo”.
Nesta hipótese, caberá à União editar as normas gerais e as
grandes linhas de orientação normativa acerca da produção e
consumo, e aos Estados e ao Distrito Federal, por sua vez,
caberá editar normas específicas de complementação da norma
geral acaso ela exista, ou editar legislação que atenda às suas
peculiaridades acaso inexistente lei geral editada pela União. Em
caso de legislação complementar, a norma estadual não poderá
contrariar as disposições da lei geral, e nisto consiste o critério
da subordinação.

3.2 Classificação das Competências

São quatro os critérios de classificação das competências


constitucionais adotados pela doutrina:

a) Quanto à Extensão: relaciona-se com a natureza e conteúdo


do ato a ser praticado no exercício da competência. São duas as
suas espécies:
a.1) Competência Administrativa ou Material: consiste na
competência para praticar atos políticos e administrativos. São
duas as suas subespécies:
- Competência Administrativa ou Material Exclusiva: consiste
na competência atribuída apenas e exclusivamente a uma
única entidade, não havendo a possibilidade de
delegação. Ex.: “Art. 21. Compete à União: III - assegurar a
defesa nacional”;
- Competência Administrativa ou Material Comum
(Cumulativa ou Paralela): consiste na competência atribuída a
distintos entes federativos para atuar sobre as mesmas
matérias. Ex.: “Art. 23. É competência comum da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: VII - preservar as
florestas, a fauna e a flora”.

a.2) Competência Legislativa: consiste na competência para


editar normas jurídicas. São três as suas subespécies:
- Competência Legislativa Privativa: consiste na competência
atribuída apenas a uma única entidade para legislar sobre uma
matéria, mas é possível a delegação de competência para
outras entidades federativas. Ex.: “Art. 22. Compete
privativamente à União legislar sobre: II – desapropriação”.
- Competência Legislativa Concorrente: consiste na
competência atribuída a distintos entes federativos para
legislar sobre certa matéria. Ex.: “Art. 24. Compete à União, aos
Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: II –
orçamento”;
- Competência Legislativa Suplementar: consiste na
competência atribuída a uma das entidades federativas para
estabelecer regras gerais sobre certas matérias, e a outra para
complementar a legislação geral sem desrespeitá-la. Ex.: “Art.
24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre: II – orçamento; § 2º A competência da União
para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar
dos Estados”.
b) Quanto à Origem: relaciona-se com a fonte da competência.
São duas as suas espécies:

b.1) Competência Originária: consiste na competência que


desde a entrada em vigor da Constituição é atribuída a uma
determinada entidade federativa. Ex.: “Art. 21. Compete à União:
III - assegurar a defesa nacional”;

b.2) Competência Delegada: consiste na competência que uma


determinada entidade federativa recebe por ato delegatório de
uma outra. Ex.: “Art. 22. Compete privativamente à União legislar
sobre: II – desapropriação; Parágrafo único. Lei complementar poderá
autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias
relacionadas neste artigo”.

c) Quanto à Forma: relaciona-se com o modo escolhido pelo


legislador constituinte para externar uma competência. São
quatro as suas espécies:

c.1) Enumerada, Expressa ou Explícita: consiste na


competência textual e expressamente atribuída a uma
determinada entidade federativa. Ex.: “Art. 21. Compete à União:
III - assegurar a defesa nacional”.

c.2) Reservada ou Remanescente: consiste na competência não


expressamente incluída na enumeração, e que remanesce para
uma entidade após a enumeração da competência de outra. Ex.:
“Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis
que adotarem, observados os princípios desta Constituição. § 1º São
reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por
esta Constituição”;

c.3) Residual: consiste na competência que “sobra” (resíduo de


competência) após enumeração exaustiva das
competências de todas as entidades. É possível, portanto,
que um ente federativo possua competência enumerada e
residual, pois pode ainda sobrar competência após a
enumeração de todas as competências dos demais. Ex.: “Art.
154. A União poderá instituir: I - mediante lei complementar, impostos
não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não
tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta
Constituição”;

c.4) Implícita ou Resultante: consiste na competência que


decorre de outras competências expressas (ou enumeradas),
sendo indispensável a existência destas competências expressas
para o exercício das competências implícitas. Ex.: HC
88.993/BA, STJ, Rel. Min. Jane Silva.

d) Quanto ao conteúdo: relaciona-se com o tema da


competência atribuída pelo legislador constituinte a uma
determinada entidade federativa. Pode ser, portanto, uma
competência para atuar sobre matéria política, social, financeira,
económica, administrativa e tributária.

4 Sistemas de Execução de Serviços Públicos

Viu-se, portanto, que dentre os tipos de competências existentes e


atribuídas por uma Constituição aos entes que compõem uma determinada
federação está a competência administrativa ou material para praticar atos políticos
ou de gestão. Um destes possíveis atos de gestão de competência de um ente
federativo é o da execução de serviços públicos (Ex.: organização, manutenção e
oferta de serviços públicos de saúde).

Isto é, como refere José Afonso da Silva,

(...) as entidades autônomas têm organização administrativa e serviços


que se incluem nas respectivas competências. Mas sua execução nem
sempre será feita por funcionários próprios. A indagação a ser
respondida consiste, pois, em saber quem executa tais serviços:
funcionários próprios ou de outra entidade federativa? (SILVA,
2005: 482).

Com efeito, em Direito Constitucional reconhecem-se três sistemas


de execução de serviços públicos. São eles:

a) Sistema de Execução Imediata: por este sistema, cada ente


federativo mantém sua própria estrutura administrativa e seu
próprio corpo de funcionários independente dos demais, e presta
direta e imediatamente os respectivos serviços públicos de suas
competências. Ex.: Estados Unidos, Brasil e México.

b) Sistema de Execução Mediata: por este sistema, os serviços


de competência da União são executados pelos Estados federados,
mantendo aquela em cada território estadual estrutura
administrativa e de funcionários suficiente apenas à fiscalização e
vigilância destes serviços. Ex.: República Federal da Alemanha.
c) Sistema de Execução Mista: por este sistema, permite-se que
alguns serviços de competência da União sejam executados por
funcionários estaduais e outros por funcionários federais, e vice-
versa. Ex.: Suíça e Áustria.

Resolução de Exercícios
1) (TRT 6ª 2012 - FCC - Analista Judiciário - Judiciária/Execução de Mandados)
Determina a Constituição que Leis complementares fixarão normas para a
cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo
em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. Esta
regra constitucional aplica-se no caso de competência:

a) comum.
b) reservada.
c) suplementar.
d) concorrente.
e) remanescente.

2) (MPU 2010 - CESPE - Analista Processual). No que se refere à organização


político-administrativa do Estado Federal brasileiro e às competências da União,
estados e municípios, julgue os itens subsequentes.

Na esfera da competência material comum, a Constituição Federal de 1988 prevê


que leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os
estados, o Distrito Federal e os municípios, com vistas ao equilíbrio do
desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.

( ) certo ( ) errado

3) (TCE/RN 2009 - CESPE - Inspetor de Controle Externo - Administração,


Contabilidade, Direito ou Economia). Acerca das competências dos estados-
membros da Federação e da intervenção estadual nos municípios, julgue os
seguintes itens.

Aos estados-membros são reservadas as competências administrativas que lhes são


expressamente conferidas pela CF, restando à União e aos municípios, na área
administrativa, todas as competências que não forem dos estados.

( ) certo ( ) errado

4) (Cespe/TRT-RN/Analista Judiciário – Área Administrativa/2010). No plano de


suas atribuições administrativas e legislativas, os estados federados exercem
competências remanescentes, razão pela qual estão inseridos na competência
reservada dos estados-membros as atribuições que não constarem do rol de
competências da União e dos municípios e que não pertencerem à competência
comum a todos os entes federativos.
( ) certo ( ) errado
5) (2016 / UFMT / Defensor Público) Sobre as competências dos entes federativos,
de acordo com a Constituição Federal de 1988, marque V para as afirmativas
verdadeiras e F para as falsas.

( ) A competência exclusiva da União só admite delegação aos Estados Membros


por meio de lei complementar.

( ) Os municípios têm competência fixada de forma residual aos Estados Membros e


à União.

( ) Nas competências comuns, mediante leis complementares, é possível fixar


normas para a cooperação entre os entes federativos.

( ) Na competência concorrente, a atuação dos Estados Membros é no interesse


regional, bem como, no interesse geral, é suplementar em caso de omissão da União.

Assinale a sequência correta.

a) V, F, F, V
b) V, V, F, F
c) F, F, F, V
d) F, V, V, F
e) F, F, V, V

Gabarito

1 – A;
2 – Certo;
3 – Errado;
4 – Certo;
5 – E;
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA
CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: ENTES FEDERATIVOS
PROFESSOR: IAN PIMENTEL

ASPECTOS GERAIS DA AULA

1) Conteúdo do Plano de Ensino:

UNIÃO, ESTADOS-MEMBROS, MUNICÍPIOS, DISTRITO FEDERAL E


TERRITÓRIOS
COMPETÊNCIA MATERIAL EXCLUSIVA ENUMERADA DA UNIÃO E DO
MUNICÍPIO
COMPETÊNCIA MATERIAL COMUM A UNIÃO, ESTADOS, MUNICÍPIOS E
DISTRITO FEDERAL
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA PRIVATIVA DA UNIÃO
DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO PARA OS
ESTADOS
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA CONCORRENTE DA UNIÃO, DOS ESTADOS,
E DO DISTRITO FEDERAL
FEDERAÇÃO BRASILEIRA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA REMANESCENTE DO ESTADO
FORMAÇÃO DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS

2) Indicação de Material Bibliográfico:


- MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014;
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 37 ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.

ROTEIRO DE ESTUDO 2

UNIDADE I

1. União:

1.1 Características:

a) Natureza Jurídica: Pessoa jurídica de direito público interno autônoma.

b) Chefia: Presidente da República.


c) Poderes: Legislativo (Câmara dos Deputados e Senado Federal), Executivo
(Presidência da República) e Judiciário (STF, Tribunais Superiores, Justiça Federal e
Justiça do Trabalho).

d) Atribuição Internacional: Exerce as prerrogativas de soberania do Estado


brasileiro representando com exclusividade a República Federativa do Brasil no
plano internacional.

e) Bens: art. 20 da CF.

1.2 Competências da União:

a) Competência Administrativa ou Material Exclusiva: competência atribuída


apenas e exclusivamente à União para praticar atos políticos e administrativos, não
havendo a possibilidade de delegação. Previsão: Art. 21, CF – Art. 21. Compete à
União:..

b) Competência Administrativa ou Material Comum (Cumulativa ou


Paralela): competência atribuída à União, Estados, DF e Municípios para praticar
atos políticos e administrativos. Previsão: Art. 23, CF – Art. 23. É competência comum
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:..

Atenção: art. 23, parágrafo único, estabelece que leis complementares


fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios. Ex.: LC n. 140/2011 fixou normas para a
cooperação dos entes nas ações administrativas decorrentes do exercício da
competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis,
etc.

c) Competência Legislativa Privativa: competência atribuída apenas à União para


legislar sobre uma matéria, sendo possível a delegação de competência para os
Estados por meio de Lei Complementar. Previsão: Art. 22, CF – Art. 22.
Compete privativamente à União legislar sobre: II – desapropriação”.

Requisitos da Delegação: i) efetivada por LC editada pelo Congresso; ii)


autorização para legislar sobre questões específicas; iii) deverá contemplar
obrigatoriamente todos os Estados e o DF.

d) Competência Legislativa Concorrente: competência atribuída à União,


Estados, DF e Municípios para legislarem sobre certas matérias. Previsão: Art. 24,
CF – Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente
sobre: II – orçamento”;

Regra 1: União edita normas gerais (§ 1º) e os Estados e o DF só podem


suplementar a legislação federal de acordo com as suas peculiaridades (§ 2º)
(complementar)
Regra 2: União não edita norma geral, de modo que poderão os Estados e o
DF legislar plenamente para atender suas peculiaridades (§ 3º) (supletiva).
Sobrevindo norma federal, a legislação estadual terá sua eficácia suspensa
no que lhe for contrário (§ 4º), não será revogada

2 Estados-Membros: entes típicos do Estado Federal.

2.1 Características:

a) Natureza Jurídica: Pessoa jurídica de direito público interno autônoma.

b) Chefia: Governador do Estado.

c) Poderes: Legislativo (Assembleia Legislativa), Executivo (Governadoria do


Estado) e Judiciário (Tribunais de Justiça).

d) Bens: art. 26 da CF – as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes


e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da
União; as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio,
excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; as ilhas fluviais e
lacustres não pertencentes à União; as terras devolutas não compreendidas entre as
da União.

e) Autonomia: arts. 18, 25 a 28 CF.

- Auto-organização e autolegislação: art. 25 da CF. Se auto-organizam através da


elaboração de uma Constituição Estadual. Autolegislam quando editam leis para
regular assuntos de sua competência.

Atenção: No exercício dessa capacidade, os Estados devem respeitar os


princípios sensíveis previstos no art. 34, VII, CF, sob pena de sofrerem
intervenção federal; os princípios extensíveis previstos nos arts. 1º, I ao
IV, 3º, I ao IV, 6º a 11, 93, I a XI e 95, I ao III; e, por fim, os princípios
constitucionais estabelecidos dispersos ao longo do texto.

- Autogoverno: arts. 27, 28 e 125, CF. Capacidade para organizar os seus


Poderes.

- Autoadministração: capacidade de se autoadministrar no exercício das


competências que a Constituição lhes outorga.

g) Formação dos Estados (art. 18, § 3º c/c art. 48, VI)


- Não tem direito de secessão, mas podem ser reconfigurados. Tipos: i)
Incorporação (união de dois ou mais Estados para formação de um novo, com perda das
antigas personalidades jurídicas); ii) Subdivisão (divisão de um Estado em vários outros
Estados novos, com desaparecimento do Estado originário); iii) Desmembramento
(separação de uma parte do território para anexação a outro Estado já existente, ou para
formação de novo Estado, sem desaparecimento do Estado originário).

- Requisitos: i) consulta prévia às populações diretamente interessadas por meio


de plebiscito1; ii) oitiva das Assembleias Legislativas dos Estados interessados; iii) edição de
lei complementar pelo Congresso Nacional.

- Algumas Regras:
i) Sobre a expressão “população diretamente interessada”, o STF entende que
a consulta deve abranger a população de todo o Estado, e não somente da
área destacada (Precedente: ADI 2650/DF). Se for negativa a resposta, o
processão nem inicia.

ii) Sobre a oitiva das Assembleias, tem-se o seguinte: Incorporação (ouve-se


as Assembleias de todos os Estados envolvidos); Subdivisão (ouve-se a
Assembleia apenas do Estado que pretende a subdivisão);
Desmembramento-Formação (ouve-se a Assembleia apenas do Estado que
se desmembra); Desmembramento-Anexação (ouve-se as Assembleias de
todos os Estados envolvidos).

iii) O Congresso é quem tem a palavra final; é soberano na decisão de


reconfigurar os Estados. Assim, a opinião das Assembleias e a decisão do
plebiscito não vinculam o Congresso na decisão final.

2.2 Competências dos Estados: em geral, as competências dos Estados caracterizam-


se por serem competências reservadas ou remanescentes, isto é, são dos Estados todas
as competências que a CF não tenha atribuído aos demais entes ou que lhes tenha (aos
Estados) vedado.

a) Competência Material Exclusiva Reservada: competência atribuída apenas


aos Estados para praticar atos políticos e administrativos, não havendo a
possibilidade de delegação. Quais:

- Instituir regiões metropolitanas. Requisitos: i) lei complementar estadual;


ii) tratar-se de um conjunto de municípios limítrofes; iii) objetivar a
organização, o planejamento e a execução de funções públicas (art. 25, § 3º,
CF).

- Explorar Serviço de Transporte Intermunicipal (Precedente: ADI


2349/ES).

1 Diferença entre plebiscito e referendo. Plebiscito: antes do ato legislativo ou administrativo. Referendo: após o ato
legislativo ou administrativo.
- Explorar, diretamente ou por concessão, serviço local de gás canalizado
(art. 25, § 2º).

- Organizar sua própria Justiça (art. 125).

b) Competência Administrativa ou Material Comum (Cumulativa ou


Paralela): competência atribuída à União, Estados, DF e Municípios para praticar
atos políticos e administrativos. Previsão: Art. 23, CF.

c) Competência Legislativa Delegada pela União: poderão legislar sobre


questões específicas das matérias de competência privativa da União desde que
autorizados por Lei Complementar. Previsão: Art. 22, § único, CF.

d) Competência Legislativa Concorrente: competência atribuída à União,


Estados, DF e Municípios para legislarem sobre certas matérias. Previsão: Art. 24,
CF;

3 Territórios Federais: não há mais nenhum.

3.1 Características:

a) Natureza Jurídica: Descentralizações administrativo-territoriais da União. Não


são entes federativos.

b) Chefia: Governador do Território nomeado pela União.

c) Poderes: Legislativo (Câmara Territorial) e mais 4 deputados federais, Executivo


(Governadoria do Território Federal) e Judiciário de 1ª e 2ª instância.

d) Autonomia: não possuem, pois não são entes federativos. Poderão, ou não, ser
divididos em municípios.

e) Criação de Território, Transformação em Estado ou Reintegração a


Estado de Origem: regulamentação estabelecida em Lei Complementar (art. 18, §
2º).
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA
CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: ENTES FEDERATIVOS
PROFESSOR: IAN PIMENTEL

ASPECTOS GERAIS DA AULA

1) Conteúdo do Plano de Ensino:

FEDERAÇÃO BRASILEIRA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988


UNIÃO, ESTADOS-MEMBROS, MUNICÍPIOS, DISTRITO FEDERAL E
TERRITÓRIOS
FORMAÇÃO DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS
VEDAÇÕES CONSTITUCIONAIS DE NATUREZA FEDERATIVA
REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS
COMPETÊNCIA MATERIAL EXCLUSIVA ENUMERADA DA UNIÃO E
DO MUNICÍPIO
COMPETÊNCIA MATERIAL EXCLUSIVA RESERVADA DO ESTADO
COMPETÊNCIA MATERIAL COMUM A UNIÃO, ESTADOS, MUNICÍPIOS
E DISTRITO FEDERAL
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA PRIVATIVA DA UNIÃO
DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO PARA OS
ESTADOS
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA CONCORRENTE DA UNIÃO, DOS
ESTADOS, E DO DISTRITO FEDERAL
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA REMANESCENTE DO ESTADO
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA EXCLUSIVA E SUPLEMENTAR DO
MUNICÍPIO
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA RESERVADA DO DISTRITO FEDERAL

2) Indicação de Material Bibliográfico:


- MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014;
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 37 ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.
ROTEIRO DE ESTUDO 3

1 Distrito Federal: ente típico do Estado Federal.

1.1 Características:

a) Natureza Jurídica: Pessoa jurídica de direito público interno autônoma. Não é


nem Estado, nem Município.

b) Chefia: Governador do DF.

c) Poderes: Legislativo (Câmara Legislativa), Executivo (Governadoria do DF) e


Judiciário (Tribunal de Justiça do DF organizado e mantido pela União).

d) Bens: Não especificou.

e) Autonomia: arts. 18, 32 e 34 CF.

- Auto-organização e autolegislação: art. 32 da CF. Se auto-organizam através da


elaboração de uma Lei Orgânica. Autolegislam quando editam leis distritais para
regular assuntos de sua competência.

Atenção: No exercício dessa capacidade, o DF deve respeitar os


princípios sensíveis previstos no art. 34, VII, CF, sob pena de sofrerem
intervenção federal; os princípios extensíveis previstos nos arts. 1º, I ao
IV, 3º, I ao IV, 6º a 11, 93, I a XI e 95, I ao III; e, por fim, os princípios
constitucionais estabelecidos dispersos ao longo do texto.

Atenção: O DF não pode ser dividido em municípios, e sua área


territorial não pode ser alterada.

- Autogoverno: arts. 32, c/c art. 21, XIII. Capacidade para organizar os seus
Poderes por meio de uma Lei Orgânica Distrital, salvo o Poder Judiciário, a
Polícia Civil e Militar e Bombeiros (estes últimos subordinados ao
Governador do DF com regulamentação por lei federal), que pertencem à União
pois lhe compete organizá-los e mantê-los (art. 21, XIII e XIV).

- Autoadministração: capacidade de se autoadministrar no exercício das


competências materiais, legislativas e tributárias que a Constituição lhes outorga.

1.2 Competências do DF: por não ser nem Estado nem Município, a CF atribuiu-lhes
competências próprias dos Estados e dos Municípios. Todas? Não, pois nem todas as
competências dos municípios e Estados foram a ele (DF) estendidas.
a) Competência Material Exclusiva Reservada do DF (Estados): Competência
tipicamente estadual que o DF também recebe da CF, não havendo a
possibilidade de delegação (Previsão: art. 25). Quais:

- Explorar, diretamente ou por concessão, serviço local de gás canalizado


(art. 25, § 2º).

b) Competência Material Exclusiva Enumerada do DF (Municípios):


Competência tipicamente municipal que o DF também recebe da CF, não havendo
a possibilidade de delegação (Previsão: art. 30). Quais:

- Instituir e arrecadar tributos de sua competência, bem como aplicar suas


rendas (art. 30, III);

- Organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou


permissão, os serviços públicos de interesse local, incluindo o transporte
coletivo (art. 30, V);

- manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,


programas de educação infantil e de ensino fundamental (art. 30, VI);

- prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado,


serviços de atendimento à saúde da população (art. 30, VII);

- promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante


planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo
urbano (art. 30, VIII);

- promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a


legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual (art. 30, IX).

c) Competência Material Comum (Cumulativa ou Paralela): competência


atribuída à União, Estados, DF e Municípios para praticar atos políticos e
administrativos. Previsão: Art. 23, CF.

c) Competência Legislativa Delegada pela União: poderão legislar sobre


questões específicas das matérias de competência privativa da União desde que
autorizados por Lei Complementar. Previsão: Art. 22, § único, CF.

d) Competência Legislativa Concorrente: competência atribuída à União,


Estados, DF e Municípios para legislarem sobre certas matérias. Previsão: Art. 24,
CF;
2 Município: ente típico do federalismo brasileiro.

2.1 Características:

a) Natureza Jurídica: Pessoa jurídica de direito público interno autônoma.

b) Chefia: Prefeito Municipal.

c) Poderes: Legislativo (Câmara de Vereadores), Executivo (Prefeitura Municipal).

d) Bens: Não especificou. Tratou genericamente no art. 144, § 8º.

e) Autonomia: arts. 18, 29 e 30 CF.

- Auto-organização e autolegislação: art. 29 e 30 da CF. Se auto-organizam


através da elaboração de uma Lei Orgânica. Autolegislam quando editam leis
municipais para regular assuntos de sua competência.

- Autogoverno: arts. 29 da CF. Capacidade para organizar os seus Poderes por


meio de uma Lei Orgânica Municipal, salvo o Poder Judiciário, que inexiste
no âmbito municipal.

- Autoadministração: capacidade de se autoadministrar no exercício das


competências materiais, legislativas e tributárias que a Constituição lhes outorga.

g) Formação dos Municípios


- Tipos: i) Criação; ii) Incorporação (união de dois ou mais municípios para
formação de um novo, com perda das antigas personalidades jurídicas); iii) Subdivisão
(divisão de um município em vários outros novos, com desaparecimento do município
originário); iii) Desmembramento (separação de uma parte do município para anexação a
outro já existente, ou para formação de novo município, sem desaparecimento do município
originário).

- Requisitos: i) Aprovação de Lei Complementar Federal estipulando o período


dentro do qual poderão ocorrer as mudanças; ii) Aprovação de Lei Ordinária Federal
prevendo os requisitos exigíveis, e a forma de divulgação, apresentação e publicação dos
estudos; iii) Divulgação dos estudos; iv) Consulta prévia às populações diretamente
interessadas por meio de plebiscito; v) Aprovação de Lei Ordinária Estadual
formalizando a mudança.

2.2 Competências dos Municípios:


a) Competência Material Exclusiva Enumerada: Competência que os
municípios recebem da CF, não havendo a possibilidade de delegação (Previsão:
art. 30, III a IX, e 144, § 8º). Outras competências reconhecidas pela jurisprudência:

- Exploração da atividade de estabelecimento comercial, mediante


expedição de alvará de funcionamento;

- Fixação do horário de funcionamento do comércio local, farmácias e os


plantões obrigatórios (Súmula 645 STF).

- Imposição de equipamento de segurança e/ou conforto em agência


bancária;

- Fixação do tempo de espera em cartório localizado no seu território;

- Serviço funerário;

- Estabelecimento de plano diretor.

c) Competência Material Comum (Cumulativa ou Paralela): competência


atribuída à União, Estados, DF e Municípios para praticar atos políticos e
administrativos. Previsão: Art. 23, CF.

c) Competência Legislativa Exclusiva: competência atribuída aos Municípios


para legislarem sobre assuntos de interesse local, sem possibilidade de delegação.
Previsão: Art. 30, I, CF.

d) Competência Legislativa Suplementar: competência atribuída aos Municípios


para suplementarem a legislação federal e estadual no que couber. Previsão: Art. 30,
II, CF.

3 Intervenção Federal nos Estados e DF

3.1 Conceito: instrumento de supressão temporária da autonomia de determinado ente


federativo, fundada em hipóteses constitucionais taxativas, em vista da preservação e
defesa do sistema federativo.

3.2 Tipos de Intervenção

a) Espontânea ou de Ofício (art. 34, I, II, III e V, CF): Intervenção que é


efetivada diretamente, por iniciativa própria, pelo Presidente da República.
Hipóteses constitucionais:

- para a defesa da unidade nacional (art. 34, I e II);


- para a defesa da ordem pública (art. 34, III);
- para reorganização das finanças públicas (art. 34, V)
b) Provocada (art. 34, IV, VI e VII, CF): Intervenção que é efetivada pelo
Presidente da República após solicitação ou requisição. Hipóteses constitucionais:

- Solicitação – “garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas


Unidades da Federação” (art. 34, IV): solicitação do Poder Executivo ou
Legislativo local para que o Presidente intervenha. Como se trata de uma
solicitação, o Presidente tem poder discricionário para decidir ou não pela
intervenção.

- Requisição – Poder Judiciário Local Coagido (art. 34, IV): solicitação


do Poder Judiciário local ao STF para que este (STF) requisite ao
Presidente da República a intervenção. Como se trata de uma requisição, o
Presidente é obrigado a decretar a intervenção.

- Requisição – “prover a execução de ordem ou decisão judicial” (art.


34, VI): requisição do STF (em caso de decisão sua, da Justiça do Trabalho,
ou Justiça Militar, ou após pedido de Presidente de TJ/ TRF em caso de
decisão sobre matéria constitucional) do STJ (decisão sua, após pedido da
parte interessada, ou após pedido de Presidente de TJ/TRF em caso de
decisão sobre matéria infraconstitucional) ou do TSE (decisão sua, após
pedido da parte interessada, ou após pedido de Presidente de TJ/TRF em
caso de decisão sobre matéria eleitoral) para que o Presidente da República
decrete a intervenção. Como se trata de uma requisição, o Presidente é
obrigado a decretar a intervenção.

- Requisição – “prover a execução de lei federal” (art. 34, VI) e


assegurar a integridade dos princípios sensíveis: requisição ao STF
pelo Procurador-Geral da República por meio de representação
interventiva. Sendo procedente a ação judicial, o STF comunicará o
Presidente da República, que deverá em até 15 dias expedir o decreto
interventivo.

3.3 Decreto Interventivo: expedido pelo Presidente da República, terá eficácia


imediata. Especificará a abrangência da intervenção, o prazo, as condições de execução
da intervenção e, se for o caso, interventor (se ocorrer no Poder Executivo, ou neste e
no Legislativo).

3.4 Procedimento: após decretar e iniciar a intervenção, o Presidente da República


submete ao Congresso o decreto para que seja avaliado. O Congresso pode aprovar a
medida adotada, por decreto legislativo, ou pode suspender a intervenção. Não há
controle do Congresso nas hipóteses de intervenção requisitada pelo Poder Judiciário.
Não haverá intervenção se a normalidade puder ser restaurada com simples suspensão
do ato agressor.
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA
CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: ENTES FEDERATIVOS
PROFESSOR: IAN PIMENTEL

ASPECTOS GERAIS DA AULA

1) Conteúdo do Plano de Ensino:

INTERVENÇÃO ESTADUAL NOS MUNICÍPIOS E INTERVENÇÃO DA UNIÃO


NOS MUNICÍPIOS LOCALIZADOS EM TERRITÓRIO FEDERAL: HIPÓTESES E
PROCEDIMENTOS.
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES PÚBLICOS
ACESSIBILIDADE A CARGOS, EMPREGOS E FUNÇÕES PÚBLICAS:
CONCURSO PÚBLICO
SISTEMA REMUNERATÓRIO DO SERVIDOR PÚBLICO
DIREITOS DOS SERVIDORES, GARANTIAS E VEDAÇÕES CONSTITUCIONAIS
LICITAÇÃO PÚBLICA
RESPONSABILIDADE CIVIL DA ADMINISTRAÇÃO
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
OUTROS PRECEITOS RELATIVOS À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
ORGANIZAÇÃO DOS PODERES E DOS ÓRGÃOS AUTÔNOMOS
SEPARAÇÃO DAS FUNÇÕES ESTATAIS: PODER LEGISLATIVO, PODER
EXECUTIVO, PODER JUDICIÁRIO, MINISTÉRIO PÚBLICO E TRIBUNAL DE
CONTAS
FUNÇÕES TÍPICAS E ATÍPICAS.

2) Indicação de Material Bibliográfico:


- MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014;
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 37 ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.
ROTEIRO DE ESTUDO 4

1 Intervenção Estadual nos Municípios

1.1 Conceito: instrumento de supressão temporária da autonomia de determinado


ente federativo, fundada em hipóteses constitucionais taxativas, em vista da
preservação e defesa do sistema federativo.

1.2 Hipóteses de Intervenção

a) Deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a
dívida fundada;

b) Não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;

c) Não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e


desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde;

d) O Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a


observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a
execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.

Atenção: nesta última hipótese, a intervenção dependerá de


representação interventiva do Procurador-Geral de Justiça (Chefe do
MPE), e será dispensada a apreciação pela assembleia legislativa. A
decisão do TJ é irrecorrível (Súmula 637).

1.3 Decreto Interventivo: expedido pelo Governador do Estado, terá eficácia


imediata. Especificará a abrangência da intervenção, o prazo, as condições de
execução da intervenção e, se for o caso, interventor (se ocorrer no Poder Executivo,
ou neste e no Legislativo).

1.4 Procedimento: após decretar e iniciar a intervenção, o Governador do Estado


submete à Assembleia Legislativa o decreto para que seja avaliado. A Assembleia
pode aprovar a medida adotada, por decreto legislativo, ou pode suspender a
intervenção. Não haverá intervenção se a normalidade puder ser restaurada com
simples suspensão do ato agressor.

2 Administração Pública

2.1 Conceito: conjunto de órgãos e pessoas jurídicas que o nosso ordenamento


jurídico identifica como Administração Pública (critério formal).
2.2 Regime Jurídico: “regime jurídico administrativo”, que constitui um regime de
direito público aplicável aos órgãos e entidades que compõem a Administração
Pública. Esse regime funda-se em dois grandes princípios: a) Supremacia do
Interesse Público (a atuação da Adm. objetiva a realização do interesse público, e
isso justifica às limitações e imposições à direitos de particulares); b)
Indisponibilidade do Interesse Público (a Adm. não é proprietária da coisa
pública; não pode dela dispor, e isso justifica algumas limitações que lhe são
impostas).

2.3 Princípios Constitucionais da Administração Pública (art. 37)

a) Legalidade: a Administração, além de não poder atuar contra a lei ou além da


lei, somente pode agir segundo a lei;

b) Impessoalidade: A finalidade da atuação administrativa deve sempre ser a


satisfação do interesse público (1º sentido), e vedação à promoção pessoal do
administrador público (2º sentido);

c) Moralidade Administrativa: Liga-se à ideia de probidade e de boa-fé. Não está


vinculada às convicções íntimas do agente público (subjetivas), mas sim à noção de
atuação adequada e proba no serviço público.

d) Publicidade: Exigência de publicação em órgão oficial, como requisito de


eficácia, dos atos administrativos que devam produzir efeitos externos (1º sentido).
E, exigência de transparência da atuação administrativa (2º sentido).

e) Eficiência: Exige-se que o agente administrativo alcance um padrão de


excelência no desempenho de suas atribuições e em sua produtividade (1º sentido).
E, quanto à organização interna da Administração Pública, exige-se uma
estruturação e funcionamento com a maior racionalidade possível, no intuito de se
alcançar os melhores resultados na prestação dos serviços públicos.

2.4 Classificação dos Agentes Públicos

a) Agentes Políticos: Detentores de mandato eletivo (Ministros de Estado,


secretários estaduais e distritais, secretários municipais), os juízes, os membros do
Ministério Público e os ministros ou conselheiros dos tribunais de contas;

b) Agentes Administrativos: todos que exercem uma atividade pública de


natureza profissional e remunerada, sujeitos à hierarquia funcional e ao regime
jurídico estabelecido pelo ente federado ao qual pertencem. Poder ser:

i) Servidores Públicos: são os que mantém vínculo estatutário (não


contratual) com a Administração. Podem ser servidores públicos
efetivos ou comissionados.
ii) Empregados Públicos: são os que mantém vínculo trabalhista
(contratual) com a Administração regido pela CLT. Não gozam de
estabilidade.

iii) Temporários: são os que exercem função pública em caráter


temporário em virtude de excepcional interesse público. Seu vínculo
com a com a Administração é contratual e regido pela CLT. Não
gozam de estabilidade.

2.5 Acesso a Cargos, Empregos e Funções Públicas

a) Agentes Políticos: eleição ou nomeação pela autoridade competente de quem


atenda os requisitos legais;

b) Servidores Públicos (Agentes Administrativos): aprovação em concurso


público de provas, ou quando for o caso, provas e títulos.

c) Empregados Públicos (Agentes Administrativos): aprovação em concurso


público de provas, ou quando for o caso, provas e títulos.

d) Temporários (Agentes Administrativos): aprovação em processo seletivo


simplificado entre os interessados que satisfaçam às condições legais.

Atenção: no caso de estrangeiros, seu acesso se dará na forma da lei.

Atenção: é proibido que editais de concursos públicos estabeleçam


exigências que não tenham base legal.

2.6 Sistema Remuneratório

a) Agentes Políticos: subsídio, e para algumas carreiras como Advocacia-Geral da


União, Defensoria Pública, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional,
procuradorias dos estados e do DF, Polícia Federal, Polícia Ferroviária Federal,
polícias civis, polícias militares e corpos de bombeiros militares;

b) Servidores Públicos (Agentes Administrativos): vencimentos (vencimento


básico + vantagens pecuniárias) estabelecidos em lei.

c) Empregados Públicos (Agentes Administrativos): salário.

d) Temporários (Agentes Administrativos): salário.

2.7 Alguns Direitos, Garantias e Vedações aos Servidores Públicos


a) Direito de Associação Sindical: O inciso VI do art. 37 da CF garante ao
servidor público (civil) o direito à livre associação sindical. Entende o Supremo
Tribunal Federal que a negociação coletiva é incompatível com o regime jurídico
estatutário (Súmula 679).

b) Direito de Greve: O inciso V, do art. 37 concede aos servidores públicos (civis)


o direito de greve. Trata-se de norma de eficácia limitada, que para ser aplicada
precisa de regulamentação prevista em Lei. Como não há esta lei até então, aplica-
se a lei de greve do setor privado.

c) Irredutibilidade dos Vencimentos: O inciso XV do art. 37 da Constituição


estabelece a regra de irredutibilidade dos vencimentos de servidores públicos.

d) Estabilidade: aplicável aos estatutários. Quatro requisitos cumulativos para


aquisição de estabilidade, a saber: i) concurso público; ii) nomeação para cargo
público efetivo; iii) três anos de efetivo exercício do cargo; iv) avaliação especial de
desempenho por comissão instituída para essa finalidade.

e) Vedação à acumulação de cargos, empregos e funções públicos: Os


incisos XVI e XVII do art. 37 da Constituição estabelecem a regra geral de
vedação à acumulação remunerada de cargos, funções e empregos públicos. Só
poderá haver cumulação, e desde que haja compatibilidade de horários, no caso de:
i) dois cargos de professor; ii) um cargo de professor com outro, técnico ou
científico; iii) dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com
profissões regulamentadas.

2.8 Improbidade Administrativa: é o ato ilegal ou contrário aos princípios básicos


da Administração Pública, cometido por agente público, durante o exercício de
função pública ou decorrente desta. Enseja a responsabilização civil, penal e
administrativa do agente.

2.9 Licitação Pública: Nos termos do inciso XXI do art. 37 da CF, a


administração pública, em regra, antes de celebrar contratos, deve adotar um
procedimento formal de contratação denominado licitação.

2.10 Responsabilidade Civil da Administração: A administração Pública


responde objetivamente, nos termos do art. 37, § 6º, da CF, pelos danos que seus
agentes, atuando nessa qualidade, causem a terceiros. Esse dispositivo alcança,
também as pessoas privadas que prestem serviços públicos, como as delegatárias de
serviços públicos (que prestam tais serviços mediante concessão, permissão ou
autorização).

3 Separação dos Poderes e das Funções Estatais

3.1 Fundamento e Previsão Constitucional: Art. 2° - São Poderes da União,


independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
a) Independência: i) investidura e a permanência nos cargos não dependem da
confiança nem da vontade dos demais poderes; ii) desnecessidade, no momento de
exercício das competências, de consulta e autorização dos demais; iii) liberdade
para organizar os respectivos serviços respeitadas as limitações constitucionais e
legais;

b) Harmonia: existência de normas protocolares e institucionais;

3.2 Conteúdo Normativo (ou Diretivas Fundamentais):

a) Separação Funcional: as funções estatais (função executiva, legiferante e


jurisdicional) estão distinguidas;

b) Separação Orgânica: os órgãos de soberania estão distinguidos como


têm, também, sua independência reconhecida (Poder Executivo, Poder
Legislativo e Poder Judiciário);

c) Separação Pessoal: prevê-se um regime de incompatibilidades na


Constituição e em leis ordinárias;

d) Interdependência Orgânico-Funcional: prevê-se um sistema de controle


e conexão recíproco entre os órgãos de soberania (Poder Executivo, Poder
Legislativo e Poder Judiciário) de modo a permitir que cada um controle os
demais, evitando a concentração do poder e o arbítrio.

3.3 Funções Típicas e Atípicas: cada Poder exerce tipicamente as funções


que lhe corresponde – o Poder Legislativo tipicamente legisla, por exemplo.
Entretanto, é possível que realizem, também, e atipicamente, as funções que
correspondem aos outros Poderes – o Senado exerce atipicamente a função
judicial quando julga o Presidente da República por crime de
responsabilidade.
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA
CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: ENTES FEDERATIVOS
PROFESSOR: IAN PIMENTEL

ASPECTOS GERAIS DA AULA

1) Conteúdo do Plano de Ensino:

PODER EXECUTIVO
CHEFE DE ESTADO E CHEFE DE GOVERNO
CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE, PROCESSO ELEITORAL, POSSE E
VACÂNCIA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
ÓRGÃOS AUXILIARES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA: MINISTROS,
CONSELHO DA REPÚBLICA E CONSELHO DE DEFESA NACIONAL
RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA:
PRERROGATIVA DE FORO E IMUNIDADES
GOVERNADOR DE ESTADO
PREFEITO MUNICIPAL.

2) Indicação de Material Bibliográfico:


- MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014;
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 37 ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.
ROTEIRO DE ESTUDO 5

1 Poder Executivo

1.1 Presidencialismo: sistema de governo que tem como principais características a


concentração da função executiva no Presidente da República e a existência de uma
separação de poderes mais acentuada. Trata-se do sistema de governo adotado pela
CF88.

1.2 Presidente da República: Chefe de Governo e Chefe de Estado. Não possui


responsabilidade perante o Parlamento, como também não pode dissolvê-lo tal como
ocorre no parlamentarismo. Sua responsabilidade é perante o povo, podendo
governar o país mesmo sem maioria parlamentar.

2 Elegibilidade, Processo Eleitoral, Posse e Vacância da Presidência da República

2.1 Processo Eleitoral: O Presidente da República é eleito simultaneamente com um


Vice-Presidente pelo sistema majoritário de dois turnos, por meio de sufrágio
universal e pelo voto direto e secreto, em eleição realizada no primeiro domingo de
outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se
houver necessidade deste, do ano anterior ao término do mandato presidencial
vigente (art. 77), para mandato de quatro anos, permitida a reeleição para um único
período subsequente (art. 14, § 5º).

a) Sistema Majoritário Simples: será considerado eleito o candidato que obtiver


no o maior número de votos, em um só turno de votação. É o sistema adotado
para a eleição de Senadores (CF, art. 46) e dos Prefeitos dos municípios com até
duzentos mil eleitores (CF, art. 29, II);

b) Sistema Majoritário de Dois Turnos: será considerado eleito o candidato que


obtiver a maioria absoluta dos votos válidos, sendo que, se esta não for alcançada
no primeiro turno, há que se realizar um segundo turno. É o sistema adotado para
a eleição do Presidente da República, dos Governadores dos estados e do Distrito
Federal e dos Prefeitos dos municípios com mais de duzentos mil eleitores;

Atenção: Não há um limite de vezes para que o mesmo cidadão seja


eleito Presidente da República. Só não pode é ser reeleito mais de
uma vez.

c) Questões Importantes:

- Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou


impedimento legal de candidato, convocar-se-á entre os remanescentes, o de maior
votação.
- Se após a eleição, mas antes da diplomação, ocorrer a morte do eleito, o Vice-
Presidente será considerado eleito, com direito subjetivo ao exercício de todo o
mandato de chefe do Executivo.

2.2 Condições de elegibilidade: requisitos que o candidato deve cumprir. São


requisitos para se candidatar a Presidente e Vice-Presidente da República:

a) ser brasileiro nato;


b) estar em pleno gozo dos direitos políticos;
c) possuir alistamento eleitoral;
d) possuir filiação partidária;
e) possuir idade mínima de trinta e cinco anos;
f) não ser inelegível (inalistável, analfabeto, mais de uma reeleição para período
subsequente e inelegibilidade por parentesco, na forma do art. 14, §§ 4.º, 5.º e 7.º);

2.3 Posse:

a) A posse ocorre no dia 1º de janeiro, em sessão conjunta do Congresso Nacional,


na qual o PR e o VPR devem prestar o compromisso de manter, defender e
cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro,
sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil (art. 78).

b) Se decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Presidente ou o Vice-


Presidente não tiverem assumido o cargo, este será declarado vago, salvo motivo
de força maior que justifique a ausência (a vacância será declarada se nenhum dos
dois tiver assumido).

c) Se, por motivo de força maior, um dos dois não puder tomar posse, o outro
tomará e assumirá a Presidência. Se houver motivo de força maior que impeça a
posse de ambos, esta terá que ser adiada para além dos dez dias da data
inicialmente fixada para a posse, até que pelo menos um dos dois tenha a
possibilidade de ser empossado.

2.4 Impedimento e Vacância do Cargo

a) Impedimento: afastamento temporário do Presidente, com substituição pelo


Vice-Presidente. Exemplos:

- O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem licença do


Congresso Nacional, ausentar-se do país por período superior a quinze dias, sob
pena de perda do cargo (CF, art. 83).

- Licença para tratamento médico.

Atenção: Segundo orientação do STF, essa regra, por força do


princípio da simetria, é de observância obrigatória pelos estados-
membros.
b) Vacância: afastamento definitivo do Presidente decorrente de morte, de
renúncia ou de perda do cargo em razão de pena imposta pela prática de crime
comum ou de responsabilidade, situações em que caberá ao Vice-Presidente
sucedê-lo. Linha Sucessória e Regras:

PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE PRESIDENTE CÂMARA


PRESIDENTE SENADO PRESIDENTE STF

Atenção: Somente o Vice-Presidente sucederá o Presidente


definitivamente em caso de vacância. Assim, se ocorrer vacância
somente do cargo de Presidente, o Vice-Presidente suceder-lhe-á
definitivamente, seja qual for o período faltante para o término do
mandato.

i) Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente nos dois primeiros anos


do mandato, far-se-á nova eleição direta noventa dias depois de aberta a última
vaga;

ii) Se a vacância ocorrer nos dois últimos anos do mandato, far-se-á eleição
indireta pelo Congresso Nacional para ambos os cargos trinta dias depois da
última vaga.

3 Atribuições:

3.1 Do Presidente: art. 84 da CF.

a) A enumeração das atribuições do Presidente da República não é exaustiva, mas


sim meramente exemplificativa.

b) Em regra, as atribuições privativas são indelegáveis, isto é, só poderão ser


exercidas pelo Presidente da República ou, durante os seus impedimentos, por
aquele que o substituir na Presidência. É possível, contudo, que sejam delegadas
aos Ministros de Estado, ao PGR e ao AGU as atribuições mencionadas nos
incisos VI, XII e XXV.

3.2 Do Vice-Presidente: arts. 79, 80, 89, I e 91 I, todos da CF.

a) A Constituição estabelece que outras atribuições poderão ser conferidas por lei
complementar ao Vice-Presidente.

b) São atribuições do Vice-Presidente a substituição e a sucessão do Presidente da


República, nos casos de impedimentos temporários e vacância, respectivamente
(arts. 79 e 80), a participação nos Conselhos da República (art. 89, 1) e de
Defesa Nacional (art. 91, 1).

3.3 Dos Ministros de Estado: art. 87, parágrafo único, CF.


a) A enumeração das atribuições dos Ministros de Estado não é exaustiva, mas sim
meramente exemplificativa.

3.4 Dos Governadores:

a) A CF não explicitou exaustivamente, só de maneira pontual e exemplificativa.


Em regra, quem define as atribuições de Governador é a Constituição Estadual.

3.5 Dos Prefeitos:

a) A CF não explicitou exaustivamente, só de maneira pontual e exemplificativa.


Em regra, quem define as atribuições do Prefeito é a Lei Orgânica Municipal.

4 Responsabilidades:

4.1 Do Presidente e Vice-Presidente: art. 85 da CF. Trata exemplificativamente


dos crimes de responsabilidade (infrações político-administrativas), que poderão ser
cometidos no desempenho da função pública e que poderão resultar no
impedimento para o exercício da função pública (impeachment). Cabe à lei especial
editada pela União defini-los e estabelecer as normas de processo e julgamento.

Atenção: O Vice-Presidente poderá cometer crime de


responsabilidade quando na função de Presidente em exercício.

a) Competência para Autorizar o Processo: Câmara dos Deputados, por voto


favorável de dois terços dos seus membros (art. 22, I).

b) Competência para Processar e Julgar: Senado Federal, com Presidência de


Julgamento cabendo ao Presidente do STF.

c) Competência para Propor a Ação: qualquer cidadão. As pessoas jurídicas,


públicas ou privadas, os órgãos públicos, os inalistados, os inalistáveis e todos
aqueles que não estiverem no gozo dos seus direitos políticos não poderão fazê-lo.

d) Efeitos da Acusação e da Instauração do Julgamento pelo Senado:


Presidente da República torna-se acusado e ficará suspenso de suas funções,
somente retornando ao exercício da Presidência se for absolvido ou se, decorrido
o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, hipótese em
que retornará ao exercício das suas funções, sem prejuízo do regular
prosseguimento do processo.

e) Procedimento: Câmara admite a acusação e encaminha o processo ao Senado


Federal, para julgamento. Na ADPF 378 o STF entendeu que o Senado Federal
poderia emitir um novo juízo de admissibilidade.
f) Decisão Final: A condenação do Presidente da República pela prática de crime
de responsabilidade, que somente será proferida pelos votos de dois terços dos
membros do Senado Federal, em votação nominal aberta, acarretará a perda do
cargo, com a inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem
prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis (CF, art. 52, parágrafo único).

g) Prerrogativa de Foro: Nos crimes de responsabilidade, o Presidente será


julgado pelo Senado. Nos crimes comuns, o Presidente será julgado pelo STF.

h) Imunidades:

i) O Presidente da República só poderá ser processado e julgado, por crime


comum que guarde conexão com a função, ou de responsabilidade, após a
autorização da Câmara dos Deputados, por maioria qualificada de dois terços
dos votos (art. 86).

ii) O Presidente da República não será preso, nas infrações comuns, enquanto
não sobrevier sentença condenatória (art. 86, § 3.º) – não poderá ser preso em
flagrante ou cautelarmente (preventiva, provisória etc.).

iii) Na vigência do seu mandato, o Presidente da República não responderá pela


prática de atos estranhos ao exercício de suas funções presidenciais, quer dizer,
por atos que não guardem conexão com o exercício da Presidência da
República.

4.2 Dos Ministros de Estado:

a) Crimes de Responsabilidade: crimes de responsabilidade conexos com crimes


de igual natureza cometidos pelo Presidente ou pelo Vice-Presidente da República,
com autorização da Câmara dos Deputados e julgamento pelo Senado. Ex.: deixar
de comparecer ao Congresso quando convocado e deixar de prestar informações
quando solicitado pelas Mesas de Câmara e Senado.

b) Crimes Comuns: crimes comuns, e crimes de responsabilidade não conexos


com crimes de responsabilidade praticados pelo Presidente ou pelo Vice-
Presidente da República, serão processados e julgados pelo STF (CF, art. 102, 1,
“c”).

4.3 Dos Governadores: previstos na Lei 1.079/50 (art. 74).

a) Competência para Autorizar o Processo: Assembleia Legislativa, por voto


favorável de dois terços dos seus membros (art. 22, I).

b) Competência para Processar e Julgar: i) em caso de crime de


responsabilidade, julgará o Governador um Tribunal Especial composto de cinco
membros do Legislativo (eleitos pela Assembleia Legislativa) e de cinco
desembargadores do Tribunal de Justiça (mediante sorteio), sob a presidência do
Presidente do Tribunal de Justiça local Senado Federal; ii) em caso de crime
comum, o STJ.

c) Imunidades: O Governador de Estado só poderá ser processado e julgado pelo


STJ após autorização da Assembleia Legislativa respectiva por maioria qualificada
de dois terços dos votos. As outras imunidades típicas do Presidente não são
extensíveis aos Governadores.

4.4 Dos Prefeitos: previstos do Decreto-Lei nº 201/67.

a) Competência para Processar e Julgar: i) em caso de crime de


responsabilidade com natureza criminal, julgará o Prefeito o Tribunal de
Justiça (art. 29, X, c/c o art. 1 do Decreto-lei n. 201/67); ii) em caso de crime em
caso de crime de responsabilidade com natureza político-administrativa,
julgará o Prefeito a Câmara dos Vereadores (art. 31, c/c o art. 4º do Decreto-lei nº
201/67); iii) em caso de crime comum, o TJ (art. 29, X); iv) em caso de crime
federal, julgará o Prefeito o TRF; v) em caso de crime eleitoral, julgará o prefeito
o TRE.

b) Imunidades: O Prefeito possui prerrogativa de foro, isto é, só será julgado por


Tribunal.

5 Órgãos Consultivos: órgãos de auxílio do Presidente.

5.1 Conselho da República: Compete ao Conselho da República pronunciar-se


sobre intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio e sobre as questões
relevantes para a estabilidade das instituições democráticas (CF, art. 90). É
composto pelo Vice-Presidente da República, Presidentes da Câmara e do Senado
Deputados; os líderes da maioria e da minoria na Câmara e no Senado, o Ministro
da Justiça e seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade.

5.2 Conselho de Defesa Nacional: É órgão de consulta do Presidente da


República nos assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado
democrático. Suas competências estão determinadas § lº do art. 91 da Constituição.
É composto pelo Vice-Presidente da República, Presidentes da Câmara e do
Senado, Ministro da Justiça; Ministro de Estado da Defesa; Ministro das Relações
Exteriores, o Ministro do Planejamento, e os Comandantes da Marinha, do Exército
e da Aeronáutica.
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA
CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: ENTES FEDERATIVOS
PROFESSOR: IAN PIMENTEL

ASPECTOS GERAIS DA AULA

1) Conteúdo do Plano de Ensino:

PODER LEGISLATIVO
ESTRUTURA DO PODER LEGISLATIVO NOS ÂMBITOS FEDERAL,
ESTADUAL, MUNICIPAL, DISTRITAL E DOS TERRITÓRIOS FEDERAIS
COMPOSIÇÃO, SISTEMAS ELEITORAIS, LEGISLATURA E SESSÃO
LEGISLATIVA
COMISSÕES PARLAMENTARES

2) Indicação de Material Bibliográfico:


- MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014;
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 37 ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.

ROTEIRO DE ESTUDO 6

1 Poder Legislativo

1.1 Funções: As funções típicas do Poder Legislativo são legislar e fiscalizar.

a) Legislar: No desempenho da função legislativa, cabe ao Poder Legislativo,


obedecidas as regras constitucionais do processo legislativo, elaborar as normas
jurídicas gerais e abstratas;

b) Fiscalizar: Cabe ao Congresso Nacional realizar a fiscalização contábil,


financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Poder Executivo (CF,
art. 70), fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo, incluídos os da
administração indireta (CF, art. 49, X), bem como investigar fato determinado
por meio da criação de comissões parlamentares de inquérito.

2 Estrutura do Poder Legislativo Federal, Estadual e Municipal

2.1 Federal: bicameral (composto por duas Casas Legislativas), exercido pelo Congresso
Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados (representantes do povo) e do
Senado Federal (representantes dos Estados).
a) Atuação Separada: Em regra, o Congresso Nacional atua por meio da
manifestação das duas Casas Legislativas, em separado, situação em que as
proposições tramitam pelas duas Casas e essas, de forma autônoma e sem
subordinação, sobre elas deliberam;

b) Atuação Conjunta: Há situações excepcionais em que a Constituição exige o


trabalho simultâneo das duas Casas, hipótese em que temos a denominada
sessão conjunta. Na sessão conjunta, o Congresso Nacional atua bicameral
mente, isto é, embora as discussões e votações ocorram no mesmo recinto, ao
mesmo tempo, a maioria pretendida deverá ser computada entre os membros
de cada uma das Casas, separadamente. Hipóteses:

- inaugurar a sessão legislativa;


- elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas
Casas;
- receber o compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República;
- conhecer do veto e sobre ele deliberar;
- reunião para discussão da lei orçamentária.

Atenção: Não confundir com sessão unicameral em que o


Congresso atua como uma só Casa.

2.1.1 Estrutura:
a) Mesa Diretora: órgão administrativo de direção da Casa Legislativa. É
responsável pelas funções administrativas, bem como pela condução dos trabalhos
legislativos. A do Congresso Nacional será presidida pelo Presidente do Senado, e
os demais cargos serão exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de cargos
equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal (CF, art. 57, § 5). Será
composta pelo Presidente do Senado, lº Vice-Presidente da Câmara, 2º Vice-
Presidente do Senado, lº Secretário da Câmara, 2º Secretário do Senado, 3º
Secretário da Câmara e 4º Secretário do Senado. As Mesas da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal são eleitas, respectivamente, pelos deputados e
senadores, devendo ser assegurada, tanto quanto possível, a representação
proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da
respectiva Casa (CF, art. 58, § 1º). São eleitos para mandato de dois anos, vedada a
recondução ao mesmo cargo na mesma legislatura (não se aplica aos Estados e
aos Municípios esta regra).

b) Comissões do Processo Legislativo: órgão colegiado, composto por


deputados, senadores ou deputados e senadores (CN), a quem cabe estudar e
examinar as diversas proposições legislativas e apresentar pareceres que orientarão
as discussões e deliberações plenárias (art. 58, § 2º).
i) Comissões Obrigatórias no CN: i.1) apreciar as medidas provisórias adotadas
pelo Presidente da República (art. 62, § 9º); i.2) Comissão Mista do
Orçamento.

ii) Composição: deverá ser assegurada, tanto quanto possível, a representação


proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da
respectiva Casa (art. 58, § lº). A observância dessa regra é sobremaneira
relevante, tendo em vista o fato de que muitos projetos de lei não chegam a
ser votados em Plenário, sujeitando-se a votação terminativa nas próprias
comissões (salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa).

iii) Duração: iii.1) Permanentes: órgãos técnicos criados pelo regimento interno,
copartícipes do processo legislativo, e que têm como finalidade discutir e
votar os PL’s que são apresentados na respectiva Casa Legislativa; iii.2)
Temporárias: são aquelas criadas para apreciar determinado assunto, e se
extinguem ao término da legislatura, ou antes, quando alcançado o fim a que
se destinavam ou expirado o seu prazo de duração. Ex.: Comissão Mista
Representativa do CN (art. 58, § 4º).

c) Comissões Parlamentares de Inquérito: comissões temporárias criadas com


o fim de investigar fato determinado de interesse público (art. 58, § 3º).

i) Criação: i.1) requerimento de 1/3 dos membros da Casa Legislativa; i.2)


indicação de fato determinado a ser objeto de investigação; i.3) fixação de um
prazo certo para a conclusão dos trabalhos (temporalidade).

ii) Objeto: fato certo, específico e determinado, vedada a formulação genérica.


É possível a investigação de fatos conexos ao principal.

iii) Competência: cada Casa Legislativa cria CPI’s para investigar fatos sujeitos à
sua própria competência.

iv) Poderes: poderes instrutórios próprios das autoridades judiciais. Ex.: (a)
requerer diligências; (b) convocar Ministros de Estado; (c) tomar
depoimentos; (d) ouvir indiciados; (e) inquirir testemunhas, etc.

v) Direitos dos Investigados: v.1) Direito ao Estado de Inocência, ao Silêncio e


à Não Incriminação; v.2) Direito à Liberdade; v.3) Direito à Intimidade, à
Vida Privada e à Preservação da Honra e da Imagem; v.4) Direito à Defesa
Técnica.

d) Plenário: órgão de deliberação máxima de cada Casa Legislativa, composto por


todos os parlamentares que a integram.

2.2 Estadual, Distrital, Municipal e Territórios: unicameral, composto por


deputados estaduais, distritais, vereadores e deputados de territórios, respectivamente.
Também possuem uma Mesa Diretora, Comissões do Processo Legislativo, CPI’s e
Plenário.

3 Composição e Processo Eleitoral

3.1 Congresso Nacional: composto por Deputados Federais e Senadores.

3.2 Câmara dos Deputados: é composta por representantes do povo, eleitos segundo
o princípio proporcional, isto é, o número total de Deputados, bem como a
representação por Estados e pelo Distrito Federal, será estabelecido em lei
complementar, proporcionalmente à população (art. 45, § 1º).

a) Número de Deputados Federais: cabe a LC regulamentar, não podendo cada


Estado e o DF ter menos que 8, nem mais que 70.

b) Mandato: 4 anos, permitida a reeleição.

c) Subsídio: Fixado pelo próprio Poder Legislativo. Atualmente corresponde a


R$-33.763,00.

d) Condições de Elegibilidade: i) brasileiro nato (só para ocupar a presidência)


ou naturalizado; ii) maior de 21 anos; iii) pleno exercício dos direitos políticos; iv)
alistamento eleitoral; v) domicílio eleitoral na circunscrição; vi) filiação partidária.

3.3 Senado Federal: é composta por representantes dos Estados e do DF, eleitos
segundo o princípio majoritário, isto é, serão Senadores os candidatos que tiverem o
maior número de votos em um único turno de votação.

a) Número de Senadores: 3 por Estado e DF, totalizando 81 senadores.

b) Mandato: 8 anos (2 legislaturas), permitida a reeleição. A renovação, porém,


dos Senadores eleitos dar-se-á de quatro em quatro anos, na proporção de 1/3 e
2/3.

c) Subsídio: Fixado pelo próprio Poder Legislativo. Atualmente corresponde a


R$-33.763,00.

d) Condições de Elegibilidade: i) brasileiro nato (só para ocupar a presidência)


ou naturalizado; ii) maior de 35 anos; iii) pleno exercício dos direitos políticos; iv)
alistamento eleitoral; v) domicílio eleitoral na circunscrição; vi) filiação partidária.

3.4 Assembleia Legislativa e Câmara Distrital: composta por representantes da


população dos Estados e do DF, eleitos segundo o princípio proporcional.
a) Número de Deputados Estaduais: triplo da representação do Estado na
Câmara dos Deputados e, atingido o número de 36, será acrescido de tantos
quantos forem os Deputados Federais acima de doze.

b) Mandato: 4 anos, permitida a reeleição.

c) Subsídio: Fixado pelo próprio Poder Legislativo Estadual.

d) Condições de Elegibilidade: i) brasileiro nato ou naturalizado; ii) maior de 21


anos; iii) pleno exercício dos direitos políticos; iv) alistamento eleitoral; v)
domicílio eleitoral na circunscrição; vi) filiação partidária.

3.5 Câmara de Vereadores: composta por representantes da população dos


Municípios, eleitos segundo o princípio proporcional.

a) Número de Vereadores:

Nº de Vereadores Habitantes no Município


09 até 15 mil
11 mais de 15 mil até 30 mil
13 mais de 30 mil até 50 mil
15 mais de 50 mil até 80 mil
17 mais de 80 mil até 120 mil
19 mais de 120 mil até 160 mil
21 mais de 160 mil até 300 mil
23 mais de 300 mil até 450 mil
25 mais de 450 mil até 600 mil
27 mais de 600 mil até 750 mil
29 mais de 750 mil até 900 mil
31 mais de 900 mil até 1,050 milhão
33 mais de 1,050 milhão até 1,2 milhão
35 mais de 1,2 milhão até 1,350 milhão
37 mais de 1,350 milhão até 1,5 milhão
39 mais de 1,5 milhão até 1,8 milhão
41 mais de 1,8 milhão até 2,4 milhões
43 mais de 2,4 milhões até 3 milhões
45 mais de 3 milhões até 4 milhões
47 mais de 4 milhões até 5 milhões
49 mais de 5 milhões até 6 milhões
51 mais de 6 milhões até 7 milhões
53 mais de 7 milhões até 8 milhões
55 mais de 8 milhões

b) Mandato: 4 anos, permitida a reeleição.


c) Subsídio: Fixado pelo próprio Poder Legislativo Municipal.

d) Condições de Elegibilidade: i) brasileiro nato ou naturalizado; ii) maior de 18


anos; iii) pleno exercício dos direitos políticos; iv) alistamento eleitoral; v)
domicílio eleitoral na circunscrição; vi) filiação partidária.

4 Legislatura e Sessão Legislativa

4.1 Sessão Legislativa: Constitui o período anual de trabalho do Parlamento. O


Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17
de julho e de lº de agosto a 22 de dezembro. Cada sessão legislativa ordinária é composta
de dois períodos legislativos, um em cada semestre (02.02 a 17.07 e 1.º.08 a 22.12) e o
intervalo denomina-se de recesso parlamentar. Algumas Regras:

a) Não será interrompida sem a aprovação do projeto de lei de diretrizes


orçamentárias, de modo que se até de 17 de julho não for aprovado, a sessão será
prorrogada.

b) Poderão ser convocadas sessões legislativas extraordinárias no recesso


parlamentar pelo Presidente da República, da Câmara ou do Senado, ou ainda pela
maioria dos membros de ambas as Casas.

c) O Presidente do Senado pode convocar extraordinariamente o CN nas


hipóteses de decretação de estado de defesa ou de intervenção federal, de pedido
de autorização para a decretação de estado de sítio e para o compromisso e a posse
do PR e do VPR.

d) Em caso de urgência ou interesse público, a convocação poderá ser feita pelo


PR, pelos Presidentes da Câmara e do Senado ou a requerimento da maioria dos
membros de ambas as Casas, mas, nestas hipóteses, a convocação dependerá de
aprovação da maioria absoluta de cada uma das Casas do Congresso Nacional.

e) Na sessão legislativa extraordinária o Congresso Nacional somente deliberará


sobre a matéria para a qual foi convocado (CF, art. 57, § 7º). Essa regra, porém,
não impede a apreciação de matérias variadas, constantes de medidas provisórias
em vigor na data da convocação.

f) Não há mais nenhum pagamento extra para os parlamentares em razão da


convocação extraordinária do Congresso Nacional.

4.2 Legislatura: tem a duração de quatro anos, compreendendo quatro sessões


legislativas ordinárias ou oito períodos legislativos.
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA
CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: ENTES FEDERATIVOS
PROFESSOR: IAN PIMENTEL

ASPECTOS GERAIS DA AULA

1) Conteúdo do Plano de Ensino:

ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL


COMPETÊNCIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
COMPETÊNCIA DO SENADO FEDERAL
ESTATUTO DOS CONGRESSISTAS

2) Indicação de Material Bibliográfico:


- MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014;
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 37 ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.

ROTEIRO DE ESTUDO 7

1 Competências:

1.1 Congresso Nacional: Previsão nos arts. 48 e 49 da CF.

c) Matérias do Art. 48 da CF: As matérias do art. 48 deverão ser disciplinadas


por meio de lei (ordinária ou complementar), haja vista que, em relação a
elas, o texto constitucional exige a sanção do Presidente da República.

d) Matérias do Art. 49 da CF: Como o caput desse dispositivo implicitamente


dispensa a sanção do Presidente da República, conclui-se que elas deverão ser
reguladas por meio de decreto legislativo. O decreto legislativo é ato de
competência exclusiva do Congresso Nacional, aprovado pelas duas Casas
Legislativas, por deliberação de maioria simples, promulgado pelo presidente
da Mesa do Congresso Nacional e que não se submete à sanção ou veto do
Presidente da República.

Atenção: Há ocasiões em que o CN atua como legislador federal


restritamente, isto é, edita normas que só alcançam os órgãos,
entidades e agentes federais, e há ocasiões em que atua como
legislador nacional, quando edita leis que vinculam todos os
entes federados.

1.2 Câmara dos Deputados: As matérias de competência exclusiva da Câmara dos


Deputados estão enumeradas no art. 51 da Constituição.

- Serão elas disciplinadas por resolução dessa Casa Legislativa, promulgada pelo
presidente de sua Mesa, sem nenhuma interferência do Senado Federal ou do
Presidente da República.

- A Câmara dos Deputados não mais dispõe de competência para a fixação da


remuneração dos cargos, empregos e funções de seus serviços por meio de
resolução. A Casa Legislativa tem, apenas, a iniciativa de lei sobre essa
matéria.

- O art. 50 da CF estipula que poderá a Câmara e o Senado, ou qualquer de suas


Comissões, convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos
diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem,
pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado,
importando crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada.

1.3 Senado Federal: As competências exclusivas do Senado Federal estão


enumeradas no art. 52 da Constituição Federal.

- Serão elas disciplinadas por resolução dessa Casa Legislativa, promulgada pelo
presidente de sua Mesa, sem nenhuma interferência da Câmara dos Deputados
ou do Presidente da República.

- O Senado Federal não mais dispõe de competência para a fixação da


remuneração dos cargos, empregos e funções de seus serviços por meio de
resolução. A Casa Legislativa tem, apenas, a iniciativa de lei sobre essa
matéria.

- O art. 50 da CF estipula que poderá a Câmara e o Senado, ou qualquer de suas


Comissões, convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos
diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem,
pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado,
importando crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada.

2 Estatuto dos Congressistas: conjunto de prerrogativas e vedações atribuídas aos


parlamentares.

2.1 Imunidades: prerrogativas de ordem pública que não admitem renúncia.

a) Material: prevista no caput do art. 53 da CF, determina que os deputados e


senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões,
palavras ou votos. A imunidade material exclui a própria natureza delituosa do
fato. A imunidade material afasta, até mesmo, a possibilidade de pedido de
explicações em relação aos congressistas, por meio de interpelação judicial. A
inviolabilidade é total, haja vista que as palavras e opiniões sustentadas pelo
congressista ficam excluídas de ação repressiva ou condenatória, mesmo depois de
extinto o mandato. Entretanto, a imunidade material só protege os congressistas
quando suas manifestações se derem no exercício do mandato.

- Estabelece a Constituição que os deputados e senadores não serão obrigados


a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do
exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles
receberam informações (art. 53, § 6.º).

Atenção: no caso das ofensas irrogadas fora do Parlamento cabe


perquirir da chamada “conexão com o exercício do mandato ou com
a condição parlamentar”. Se a manifestação se deu no recinto da
Casa Legislativa, estará ela, sempre, automaticamente protegida pela
imunidade material. Nesta hipótese, caberá à própria Casa a que
pertencer o parlamentar coibir eventuais excessos, por quebra de
decoro e outras transgressões regimentais.

Atenção: Suplente não goza de imunidade. A imunidade não


alcança, também, as manifestações de caráter político-eleitoral.

b) Formal: prevista no art. 53 da CF, a imunidade formal protege o parlamentar


contra a prisão e/ nos crimes praticados após a diplomação, torna possível a
sustação do andamento do processo penal instaurado perante o STF.

iv) Prisão: Desde a expedição do diploma, os membros do CN não poderão


ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável (neste caso os autos
serão remetidos dentro de 24 horas para a casa respectiva que deliberará, por
maioria dos seus membros, se mantém ou não a prisão). Esta imunidade alcança
não só os crimes praticados após a diplomação, mas, também, os crimes
praticados em data anterior a esta.

a. Condução Coercitiva: A imunidade formal impede, ainda, a


condução coercitiva do parlamentar que se negar a comparecer a
interrogatório.

v) Processo: Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime


ocorrido após a diplomação, o STF dará ciência à Casa respectiva, que, por
iniciativa de partido político nela representado (não há prazo para fazer
isso) e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar
o andamento da ação. Este pedido será apreciado em até 45 dias contados do
seu recebimento. Caso o processo seja sustado, não correrá prescrição.
vi) Prerrogativa de Foro: Os congressistas serão julgados e processados pelo
STF. Essa prerrogativa abrange também os inquéritos policiais. Não alcança,
entretanto, as ações cíveis. Essa prerrogativa de foro tem como início a
diplomação, e como fim o fim do mandato. Iniciado o julgamento de um
congressista pelo STF, a perda superveniente do mandato eletivo não afastará a
prerrogativa de foro, vale dizer, a Suprema Corte prosseguirá no julgamento.

c) Outras Prerrogativas:

- Estabelece a Constituição que os deputados e senadores não serão obrigados


a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do
exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles
receberam informações (art. 53, § 6.º).

- Os congressistas não perderão o mandato se forem investidos no cargo de


Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário de Estado, do
Distrito Federal, de Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão
diplomática temporária (art. 56, I).

- A incorporação às Forças Armadas de deputados e senadores, ainda que


militares, e mesmo em tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Casa
respectiva (CF, art. 53, § 7.º).

- As imunidades de deputados e senadores subsistirão durante o estado de sítio,


só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa
respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional,
que sejam incompatíveis com a execução da medida (CF, art. 53, § 8.º).

2.2 Vedações e Incompatibilidades:

a) Incompatibilidades: previstas no art. 54 da CF. Trata-se de um conjunto de


proibições que visam evitar situações em que poderia ser posta em risco a
moralidade administrativa, pela possibilidade que tem o parlamentar de exercer
pressões para obter contratos com a Administração Pública, ou para obter
benefícios fiscais para empresas de que fosse sócio, etc.

b) Perda do Mandato: O art. 55 da Constituição enumera as hipóteses de perda


do mandato de deputado e senador.

- De acordo com o § 2º do art. 55, nas hipóteses dos incisos I e II - infringência


das incompatibilidades e quebra de decoro parlamentar -, a perda do mandato
não será automática, pois dependerá, primeiro, de provocação da Mesa da Casa
ou de partido político com representação no Congresso Nacional, e, havendo
tal provocação, de ulterior decisão do Plenário da Casa Legislativa, pelo voto da
maioria absoluta dos seus membros, em votação nominal (“voto aberto”). Entre
a provocação e a deliberação plenária, determina a Constituição que seja
assegurado ao parlamentar o direito à ampla defesa.
- Nos casos previstos nos incisos III a V – ausência, na mesma legislatura, à
terça parte das sessões ordinárias da Casa; perda ou suspensão dos direitos
políticos; e decretação pela Justiça Eleitoral –, a perda será declarada pela Mesa
da Casa respectiva, de oficio ou mediante provocação de qualquer de seus
membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional,
assegurada ampla defesa (CF, art. 55, § 3º). Nessas situações, não há espaço para
juízo de conveniência da Casa Legislativa.

Atenção: em relação a essa hipótese do inciso VI – condenação


criminal em sentença transitada em julgado –, o STF tem se
debruçado sobre o real alcance do disposto no § 2.º, de modo que
não há, ainda, uma posição conclusiva quanto ao tema.

c) Renúncia ao Mandato: Consoante o § 4.º do art. 55 da Constituição, a


renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levar à perda do
mandato terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais da Casa respectiva,
de que tratam os §§ 2º e 3º do mesmo artigo. Se o parlamentar renunciar ao
mandato antes do início do processo que vise à decretação da perda do seu
mandato, a renúncia será plenamente válida, hipótese em que o referido processo
sequer será iniciado.

d) Manutenção do Mandato: O art. 56 da Constituição enumera casos em que o


congressista poderá ausentar-se do Poder Legislativo para o exercício de
determinadas funções públicas ou solicitar certas licenças sem a perda do mandato.
O afastamento do parlamentar das atividades legislativas, suas imunidades -
material e processual - serão suspensas, enquanto durar o seu afastamento.
Permanece, porém, o direito à prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal,
nas infrações penais comuns, bem como a obrigação de manter o decoro
parlamentar.

Atenção: Os deputados estaduais e distritais dispõem das


mesmas prerrogativas atribuídas constitucionalmente aos
congressistas, por força do § l .º do art. 27 da Constituição,
que determina a aplicação a eles das regras previstas na
Constituição Federal sobre sistema eleitoral, inviolabilidade,
imunidades, remuneração, perda de mandato, licença,
impedimentos e incorporação às Forças Armadas.
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CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: ENTES FEDERATIVOS
PROFESSOR: IAN PIMENTEL

ASPECTOS GERAIS DA AULA

1) Conteúdo do Plano de Ensino:

PROCESSO LEGISLATIVO
ESPÉCIES NORMATIVAS: EMENDA CONSTITUCIONAL, LEI
COMPLEMENTAR, LEI ORDINÁRIA, MEDIDA PROVISÓRIA, LEI
DELEGADA, DECRETO LEGISLATIVO, RESOLUÇÃO
CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS LEGISLATIVOS
PROCESSO LEGISLATIVO ORDINÁRIO: FASES INTRODUTÓRIA,
CONSTITUTIVA E COMPLEMENTAR
PROCESSO LEGISLATIVO ESPECIAL DAS LEIS ORÇAMENTÁRIAS
PROCESSO LEGISLATIVO NOS ESTADOS E MUNICÍPIOS

2) Indicação de Material Bibliográfico:


- MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014;
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 37 ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.

ROTEIRO DE ESTUDO 8

1 Espécies Normativas:

1.1 Emenda Constitucional: Ato legislativo de reforma/modificação da CF. Resulta de


um processo legislativo mais solene, diferenciado e dificultoso (art. 60, CF).
Compreende as seguintes etapas: i) Apresentação da PEC (art. 60, I a III); ii) Discussão e
votação em dois turnos em cada casa, sendo aprovada em ambos por 3/5 dos votos; iii)
Promulgação pelas Mesas da Câmara e do Senado; iv) em caso de rejeição, não poderá
ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

1.2 Lei Ordinária: Ato legislativo típico, primário e geral, que pode ter como objeto
qualquer matéria que não esteja reservada a outra espécie normativa. É aprovada por
maioria simples ou relativa.

1.3 Lei Complementar: Ato legislativo típico, primário e geral que tem objeto
específico (matérias determinadas pela CF) e sujeita-se a quórum de aprovação por
maioria absoluta.
1.4 Medida Provisória: ato normativo primário, provisório e sob condição resolutiva,
editado pelo Presidente da República (art. 62, CF).

a) Requisito: Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá


adotar medidas provisórias, com força de lei;

b) Prazo de Eficácia: 60 dias, renovável automaticamente por mais 60 dias. Se em até


45 dias contados da publicação a MP não for apreciada, entrará em regime de
urgência e trancará a pauta da Casa legislativa em que estiver tramitando. Esse
prazo não conta durante o recesso;

c) Procedimento: Submissão imediata ao Congresso Nacional, que apreciará a


MP por uma comissão mista, emitindo um parecer favorável ou desfavorável à
sua conversão em lei (CF, art. 62, § 5.º). O parecer prévio da comissão mista é
meramente opinativo, mas obrigatório. A votação da MP será iniciada,
obrigatoriamente, pela Câmara dos Deputados (Casa iniciadora obrigatória).

d) Resultado: na hipótese de ela ser integralmente convertida em lei, o Presidente do


Senado Federal a promulgará, remetendo-a para publicação. Se for integralmente
rejeitada (ou perder sua eficácia por decurso de prazo), a MP será arquivada e o
CN deverá disciplinar, por meio de decreto legislativo as relações jurídicas dela
decorrentes. Caso sejam introduzidas modificações, a MP será transformada em
"projeto de lei de conversão", e o texto aprovado no Legislativo será
encaminhado ao Presidente da República, para que o sancione ou vete.

e) Limites Materiais: a MP não pode disciplinar qualquer matéria (art. 62, parág. 1).

f) Perda de Eficácia: Caso não sejam convertidas em lei no prazo


constitucionalmente estabelecido, as MP perderão sua eficácia desde a edição (ex
tunc), e o CN deverá disciplinar, por meio de decreto legislativo as relações
jurídicas dela decorrentes.

g) Reedição: É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória


que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo
(CF, art. 62, §10º).

1.5 Lei Delegada: Ato legislativo típico, primário e geral. São elaboradas pelo
Presidente da República, que solicitará a competente delegação ao CN (CF, art. 68). De
regra, a matéria vedada à medida provisória (art. 62, § 1º) coincide com a que é proibida
à lei delegada (art. 68, § lº). A delegação legislativa opera-se por meio de resolução do
CN. Essa delegação deverá ser limitada, especificando a resolução o conteúdo e os
termos para o seu exercício (CF, art. 68, § 2.º). A delegação poderá ser típica ou atípica.
Na primeira, o CN concede plenos poderes para que o Presidente da República elabore,
promulgue e publique a lei delegada, sem participação ulterior do Poder Legislativo. Na
segunda, o CN determina que irá apreciar o projeto de lei. A delegação não vincula o
Presidente da República, que, mesmo diante dela, poderá não editar lei delegada alguma.
Por outro lado, o ato de delegação do Congresso Nacional não impede que o Legislativo
venha a cuidar da matéria. Caso o Chefe do Executivo extrapole o objeto da delegação,
legislando além dos limites traçados pela resolução, o Congresso Nacional poderá, por
ato próprio, sustar os efeitos da lei delegada exorbitante.

1.6 Decreto Legislativo: Os decretos legislativos são atos do Congresso Nacional


destinados ao tratamento de matérias da sua competência exclusiva, para as quais a
Constituição dispensa a sanção presidencial (art. 49, CF).

1.7 Resolução: As resoluções são deliberações que uma das Casas do Congresso
Nacional, ou o próprio Congresso Nacional toma, fora do processo de elaboração das
leis e sem ser lei. São atos utilizados pelas Casas Legislativas, separadamente, ou pelo
Congresso Nacional, para dispor sobre assuntos políticos e administrativos de sua
competência, que não estejam sujeitos à reserva de lei (arts. 51 e 52).

2 Processo Legislativo: conjunto de prerrogativas e vedações atribuídas aos


parlamentares.

2.1 Tipos (Quanto ao Rito e Prazos):

a) Ordinário: destina-se à elaboração das leis ordinárias, caracterizando-se pela


inexistência de prazos rígidos para conclusão das diversas fases que o
compõem.

b) Sumário: segue as mesmas fases do processo ordinário, com a única diferença


de que existem prazos para que o Congresso Nacional delibere sobre o
assunto.

c) Especiais: segue o rito especificado pela própria CF para a espécie normativa


em questão (Emenda, Medida Provisória, etc.)

3 Processo Legislativo Ordinário: O processo legislativo ordinário é aquele destinado à


elaboração de uma lei ordinária. Desdobra-se em três fases: fase introdutória, fase
constitutiva e fase complementar.

3.1 Fase Introdutória: A fase introdutória dá início ao processo de formação do ato


legal, por meio da denominada iniciativa de lei. Iniciativa legislativa é a faculdade que se
atribui a alguém ou a algum órgão para apresentar projetos de lei ao Poder Legislativo.
Essa faculdade foi atribuída a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República,
ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da
República e aos cidadãos (CF, art. 61). O legitimado que apresentou o projeto de lei
pode solicitar a sua retirada.

a) Espécies de Iniciativa:
- Iniciativa Comum ou Geral: quando a proposição normativa puder ser
apresentada por qualquer membro do Congresso Nacional ou por
Comissão de qualquer de suas Casas, bem assim pelo Presidente da
República e, ainda, pelos cidadãos, no caso da iniciativa popular (Art. 61,
§2º).

- Iniciativa Reservada (Exclusiva ou Privativa): quando a proposição


normativa somente puder ser apresentada apenas por algumas autoridades
ou órgãos. Ex.: É da iniciativa reservada do Supremo Tribunal Federal a
Lei complementar sobre o Estatuto da Magistratura (art. 93, CF).

- Iniciativa Concorrente: quando pertence, simultaneamente, a mais de um


legitimado. É o caso, por exemplo, da iniciativa de lei sobre organização
do Ministério Público da União, concorrente entre o Presidente da
República e o Procurador-Geral da República (CF, art. 61, § 1º, II, d, c/c
art. 128, §5).

- Iniciativa Vinculada: quando o legitimado é obrigado a dar início ao


processo legislativo, na forma e prazos estabelecidos pela CF.

b) Casa Iniciadora e Iniciativa: A iniciativa de cada parlamentar ou de comissão


é exercida perante sua respectiva Casa. Assim, a apreciação dos projetos de lei de
iniciativa dos deputados ou de comissão integrante da Câmara dos Deputados terá
início nesta Casa Legislativa, atuando o Senado Federal como casa revisora. Ao
invés, se o projeto de lei é de iniciativa de senador ou de comissão do Senado
Federal, esta Casa iniciará a sua apreciação e a revisão caberá à Câmara dos
Deputados. Ressalvada a iniciativa de senador, de comissão do Senado Federal ou
de comissão mista, todas as demais iniciativas previstas no art. 61 da Constituição
Federal são exercidas perante a Câmara dos Deputados.

c) Iniciativa Popular: constitui uma iniciativa geral que todo cidadão possui
(capacidade de votar, possuidor de título eleitoral, e pleno gozo dos direitos
políticos). Será apresentado à Câmara dos Deputados, e deverá ser subscrito por,
no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por
cinco estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um
deles (CF, art. 61, § 2.º).

3.2 Fase Constitutiva:

a) Atuação Prévia das Comissões: Apresentado o projeto de lei ao Congresso


Nacional, começa a fase de discussão de suas proposições. Em regra, o projeto é
submetido à apreciação de duas comissões distintas, uma delas encarregada de
examinar aspectos materiais (comissão temática ou técnica), e a outra
incumbida de analisar os aspectos formais, ligados à sua constitucionalidade
(Comissão de Constituição e Justiça). O parecer das comissões temáticas é
meramente opinativo, não obriga a deliberação plenária. Já o parecer da
Comissão de Constituição e Justiça -CCJ é terminativo, isto é, se negativo o
projeto será rejeitado e arquivado. Os trabalhos das Comissões desenvolvem-se
nas duas casas. Comissão pode aprovar projeto de lei de maneira terminativa
nos casos previstos nos regimentos.

b) Deliberação Plenária: Devidamente instruído, o projeto será posto em


discussão. Na Casa iniciadora, o projeto poderá ser aprovado ou rejeitado. Caso
ocorra sua aprovação, será encaminhado à outra Casa para revisão. Se rejeitado,
será arquivado, aplicando-se o princípio da irrepetibilidade, isto é, só poderá
constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta
da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional
(art. 67, CF). Na Casa revisora, após a tramitação regimental, pode ocorrer:

- Aprovação: aprovado pela casa revisora, o projeto será encaminhado ao


presidente para sanção ou veto.

- Emenda: a casa revisora, se emendar o projeto, deverá retornar o


projeto emendado para a Casa iniciadora, para que ela aprecie,
exclusivamente, as emendas feitas.

- Rejeição de Emenda: se a Casa iniciadora rejeitar integralmente as


emendas propostas pela Casa revisora, mesmo assim o projeto seguirá
para o Chefe do Executivo, para o fim de sanção ou veto, com a redação
original, dada por ela, Casa iniciadora.

c) Presidente da República: Depois de aprovado nas duas Casas do CN, o


projeto de lei será encaminhado ao Presidente da República para sanção ou veto.

- Sanção Expressa: se o Presidente da República concordar com o texto


aprovado pelo Legislativo, formalizando, por escrito, o ato de sanção no
prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento.

- Sanção Tácita: ocorrerá se o Presidente deixar transcorrer o prazo de


15 dias contados da data do recebimento. Em 48 horas, nesta hipótese,
deverá promulgar a lei.

- Veto: ocorrerá se o Presidente entender que o projeto é contrário ao


interesse público (veto político), ou inconstitucional (veto jurídico). O
veto será apreciado em sessão conjunta do CN, dentro de trinta dias, a
contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria
absoluta dos deputados e senadores, em votação nominal (CF, art. 66, §4).
Se o veto for rejeitado, será encaminhado ao Presidente para promulgação.

3.2 Fase Complementar:

a) Promulgação: A promulgação é o ato solene que atesta a existência da lei,


inovando a ordem jurídica.
b) Publicação: A publicação não é, propriamente, fase de formação da lei, mas
sim pressuposto para sua eficácia. A publicação é exigência necessária para a
entrada em vigor da lei, para a produção de seus efeitos.

4 Processo Legislativo das Leis Orçamentárias (art. 166):

4.1 Iniciativa: Poder Executivo.

4.2 Atuação das Comissões: proposta do orçamento será encaminhada para análise
conjunta das duas casas do Congresso Nacional, por meio da Comissão Mista formada
por Senadores e Deputados. Nos termos do art. 166, §1º, da CF/88, caberá à Comissão
Mista Permanente emitir parecer sobre os programas e planos de governo, bem como os
projetos das leis orçamentárias, sobretudo facilitando a posterior apreciação final
conjunta pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional.

5 Processo Legislativo nos Estados e Municípios: As regras básicas do processo


legislativo previstas na Constituição Federal são de observância obrigatória no âmbito dos
estados-membros, Distrito Federal e municípios. Somente poderão ser adotadas pelos
entes federativos as espécies normativas previstas no art. 59 da Constituição Federal e,
também, o procedimento e quórum para a aprovação deverão ser análogos. Com as
hipóteses de iniciativa reservada ter-se-á o mesmo.
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA
CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: ENTES FEDERATIVOS
PROFESSOR: IAN PIMENTEL

ASPECTOS GERAIS DA AULA

1) Conteúdo do Plano de Ensino:

TRIBUNAL DE CONTAS
TRIBUNAL DE CONTAS: TIPOS DE CONTROLE
TRIBUNAL DE CONTAS: SISTEMAS DE CONTROLE EXTERNO
TRIBUNAL DE CONTAS: MODELO DE CONTROLE EXTERNO NO
BRASIL
TRIBUNAL DE CONTAS: HISTÓRICO DOS TRIBUNAIS DE CONTAS
TRIBUNAL DE CONTAS: NATUREZA JURÍDICA DOS TRIBUNAIS DE
CONTAS
TRIBUNAL DE CONTAS: ORGANIZAÇÃO, COMPOSIÇÃO, SEDE E
JURISDIÇÃO DOS TRIBUNAIS DE CONTAS
TRIBUNAL DE CONTAS: PROCESSO DE ESCOLHA, GARANTIAS,
PRERROGATIVAS E IMPEDIMENTOS DOS MEMBROS

PODER JUDICIÁRIO
ESTRUTURA DO PODER JUDICIÁRIO
CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO:
ESCOLHA DOS MEMBROS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES E
DISTRIBUIÇÃO DE COMPETÊNCIAS JURISDICIONAIS

2) Indicação de Material Bibliográfico:


- MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014;
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 37 ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.
ROTEIRO DE ESTUDO 9

1 Tribunais de Contas: São órgãos vinculados ao Poder Legislativo, que o auxiliam no


exercício do controle externo da administração pública, sobretudo o controle financeiro.
Não existe hierarquia entre as cortes de contas e o Poder Legislativo. Os tribunais de
contas não praticam atos de natureza legislativa, mas tão somente atos de fiscalização e
controle, de natureza administrativa. Não obstante recebam a denominação de “tribunais”,
as cortes de contas não exercem jurisdição.

1.1 Tipos de Controle:

h) Legalidade: Controle de legalidade dos atos de que resultem a arrecadação da


receita ou realização de despesa;

i)Legitimidade: Controle sobre o mérito de determinada despesa (verificar se foi


observada a ordem de prioridade estabelecida no plano plurianual);

j)Economicidade: Controle sobre o mérito de determinada despesa, mas para verificar


se observou uma adequada relação custo-benefício;

k) Fidelidade Funcional: Controle sobre os agentes públicos responsáveis pelos bens


e valores públicos.

l)De Cumprimento de Resultado: Controle sobre a consecução de metas definidas.

1.2 Sistemas de Controle:

d) Interno: Controle administrativo realizado de forma integrada pelos próprios


Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário sobre os seus próprios agentes
públicos encarregados de executar os programas orçamentários. É realizado pelas
chefias em relação aos subordinados. Finalidades do Controle: art. 74, CF.

e) Externo: Controle de legalidade, legitimidade e economicidade realizado pelo


Poder Legislativo, com auxílio dos Tribunais de Conta, dos atos contábeis,
financeiros e orçamentários da administração pública direta e indireta. Constitui
um controle político, mas sujeito a prévia apreciação técnico-administrativa
do Tribunal de Contas competente.

1.3 Modelo de Controle Externo no Brasil: reúne os dois tipos de controle, isto é, o
controle externo do Poder Executivo a cargo do Congresso Nacional (arts. 70 e 71), e o
interno de cada órgão e Poder (art. 74).

1.4 Histórico dos Tribunais de Contas no Brasil: o Tribunal de Contas foi pensado
inicialmente em 1826, ainda para ser implementado na vigência da Constituição de 1821.
Entretanto só veio a ser efetivamente consagrado na Constituição de 1891, que o previu
em seu art. 89. Com a Constituição de 1946, alcança grande conformação constitucional
com o estabelecimento, por parte do constituinte, de um rol extenso de competências,
prerrogativas funcionais e atribuições. Na Constituição de 1988, os Tribunais de
Contas estão tratados na Seção IX - Da Fiscalização Contábil, Financeira e
Orçamentária, art. 70 e seguintes.

1.5 Natureza Jurídica: são órgãos do Poder Legislativo sem, todavia, se acharem
subordinados às respectivas Casas Legislativas a que se vinculam. Possuem, por
expressa outorga constitucional, autonomia que lhes assegura o autogoverno. Não
consubstanciam um tribunal no sentido de órgão jurisdicional, mas sim
administrativo.

1.6 Organização, Composição, Sede e Abrangência (Jurisdição): O Tribunal de


Contas da União é integrado por 9 Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro
próprio de pessoal e “jurisdição” em todo o território nacional, podendo exercer, no
que couber, as atribuições administrativas do art. 96 da Constituição, outorgadas aos
tribunais do Poder Judiciário.

1.7 Processo de Escolha, Garantias, Prerrogativas e Impedimentos dos Membros:


Os Ministros do TCU gozam das mesmas garantias (vitaliciedade, inamovibilidade e
irredutibilidade de subsídio, art. 95), prerrogativas (art. 33 da LOMAN),
impedimentos (art. 95, CF), vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior
Tribunal de Justiça, aplicando-se-lhes, no tocante à aposentadoria e pensão, as normas
do art. 40 da CF. Um terço dos membros do TCU (03) serão escolhidos pelo
Presidente, com aprovação do Senado, sendo dois escolhidos alternadamente dentre
auditores e membros do Ministério Público junto ao TCU, indicados em lista tríplice
pelo próprio TCU, segundo os critérios de antiguidade e merecimento. Dois terços (06)
serão escolhidos pelo Congresso Nacional na forma do seu regimento interno.

1.8 Competências: previstas no art. 71 da CF. O Tribunal de Contas da União dispõe


de competência para julgar, administrativamente, as contas dos administradores e
demais responsáveis por recursos públicos, no âmbito dos três Poderes da União
Executivo, Legislativo e Judiciário (inciso II). Porém, a Corte de Contas não dispõe de
competência para julgar as contas do Presidente da República, cabendo-lhe, neste
caso, apenas apreciá-las.

1.9 Deliberações: Suas deliberações são tomadas, em regra, pelo Plenário – instância
máxima – ou, nas hipóteses cabíveis, por uma das duas Câmaras. Nas sessões do
Plenário e das Câmaras é obrigatória a presença de representante do Ministério Público
junto ao Tribunal. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o TCU
dispõe, ainda, de legitimidade para expedição de medidas cautelares, a fim de
prevenir a ocorrência de lesão ao erário ou a direito alheio, bem como de garantir a
efetividade de suas decisões.

1.10 Tribunais de Contas Estaduais e Municipais: A CF reconheceu, sem ressalvas,


a existência dos tribunais de contas dos estados e do Distrito Federal, existência essa
expressamente confirmada pelo art. 75. No tocante aos conselhos ou tribunais de contas
dos municípios, só foram reconhecidos aqueles já existentes na data da
promulgação da Constituição, uma vez que a própria Constituição veda aos
municípios a criação de tribunais, conselhos ou órgãos de contas municipais (art.
31, § 4).

2 Poder Judiciário: Poder que tem como função típica dizer, em caráter definitivo, o
direito aplicável aos casos concretos litigiosos submetidos a sua apreciação.

2.1 Estrutura ou Órgãos do Poder Judiciário (art. 92, CF):

a) Supremo Tribunal Federal: O Supremo Tribunal Federal é o órgão máximo do


Poder Judiciário, ocupando a digna posição de especial guardião da Constituição
Federal. Cabe ao Supremo Tribunal realizar, originariamente e com exclusividade,
o controle abstrato de leis e atos normativos em face da Constituição Federal e,
também, atuar no controle difuso, em que aprecia, em último grau, as
controvérsias concretas suscitadas nos juízos inferiores. Têm jurisdição em todo o
território nacional e, assim como o Conselho Nacional de Justiça, têm sede na
Capital Federal (CF, art. 92, §§ 1 e 2).

b) Superior Tribunal de Justiça: O Superior Tribunal de Justiça - STJ tem por função
precípua assegurar a uniformização na interpretação da legislação federal,
apreciando as mais diferentes controvérsias acerca da aplicação do direito federal.
O Superior Tribunal de Justiça não realiza controle abstrato de
constitucionalidade, mas somente controle difuso. Têm jurisdição em todo o
território nacional e, assim como o Conselho Nacional de Justiça, têm sede na
Capital Federal (CF, art. 92, §§ 1 e 2);

c) TST, TST, STM: Integram a justiça especializada, haja vista que só atuam num
dado ramo do Direito. Assim, o Tribunal Superior Eleitoral aprecia matéria
eleitoral; o Superior Tribunal Militar, os crimes militares; e o Tribunal Superior do
Trabalho, matéria afeta ao direito do trabalho;

d) Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais e Tribunais e Juízes dos Estados,


DF e Territórios: consubstanciam o primeiro e segundo grau de jurisdição na
justiça comum (não especializada).

e) Tribunais e Juízes do Trabalho, Tribunais e Juízes Eleitorais e Tribunais e Juízes


Militares: consubstanciam o primeiro e segundo grau de jurisdição na justiça
comum (não especializada).

f) Conselho Nacional de Justiça: O Conselho Nacional de Justiça é o órgão de


controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do
cumprimento dos deveres funcionais dos juízes.

2.2 Características Gerais: Competências e Escolha dos Membros dos Tribunais


Superiores:
a) Supremo Tribunal Federal: Compõe-se de 11 Ministros, nomeados pelo
Presidente da República, após aprovação pela maioria absoluta do Senado
Federal, dentre cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, com
mais de 35 e menos de 65 de idade. O Tribunal possui duas Turmas, com cinco
membros cada uma, e o Presidente não integra nenhuma delas, atuando somente
nas sessões plenárias. O Presidente do Supremo Tribunal Federal é eleito
diretamente pelos seus pares para um mandato de dois anos, sendo expressamente
vedada a reeleição. As competências do Supremo Tribunal Federal estão
enumeradas nos arts. 102 e 103 da CF, podendo ser divididas em competência
originária (quando o STF processa e julga, originariamente, a matéria, em única
instância) e competência recursal (quando o STF aprecia a matéria a ele chegada
mediante recurso ordinário ou extraordinário). Esse rol de competências é
exaustivo (numerus clausus), não havendo possibilidade de o legislador ordinário
estabelecer outras competências originárias para o Supremo Tribunal Federal. Por
fim, a CF estabelece que caberá reclamação perante o Supremo Tribunal Federal
em caso de usurpação de suas competências, ou de descumprimento das suas
decisões, (art. 102, I, “i”).

b) Superior Tribunal de Justiça: O STJ compõe-se de, no mínimo, 33 Ministros,


nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais 35 e menos
de 65 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a
escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: 1/3 entre juízes de
TRF’s, 1/3 de desembargadores de TJ’s, 1/6 de advogados e 1/6 de membros do
Ministério Público Federal, estaduais e do Distrito Federal. No caso dos juízes
dos Tribunais Regionais Federais e dos Tribunais de Justiça estaduais, o próprio
Superior Tribunal de Justiça elaborará livremente a lista tríplice e a enviará
para o Presidente da República. Essa escolha poderá recair até mesmo sobre
integrantes dos Tribunais Regionais Federais e dos Tribunais de Justiça que não
sejam originários da magistratura. No caso dos advogados e membros do
Ministério Público, serão preparadas listas sêxtuplas em cada instituição,
que as encaminhará ao Superior Tribunal de Justiça, ao qual caberá a
elaboração da lista tríplice a ser encaminhada ao Presidente da República. Ao
contrário do que se verifica em relação aos integrantes do STF, a CF exige a
graduação em Direito de todos os membros do STJ. As competências do ST
Justiça estão enumeradas no art. 105 da CF, e também podem ser divididas em
competências originárias e recursais.

c) Justiça Federal: Composta pelos Tribunais Regionais Federais (órgãos colegiados


de segundo grau) e pelos juízes federais. Os Tribunais Regionais Federais
compõem-se de, no mínimo, 7 juízes, recrutados, quando possível, na respectiva
região, e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de
trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo: 1/5 dentre advogados com mais
de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público
do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício; e os demais mediante
promoção de juízes federais com mais de 5 anos de exercício, por
antiguidade e merecimento, alternadamente. A competência dos Tribunais
Regionais Federais está enumerada no art. 108 da CF. A competência dos
juízes federais está enumerada no art. l 09 da Constituição Federal.

d) Justiça do Trabalho: A Justiça do Trabalho é composta pelo TST, TRT’s e juízes


do trabalho. O TST compor-se-á de 27 Ministros, escolhidos dentre
brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos, nomeados pelo Presidente da
República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: 1/5
dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e
membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo
exercício; e os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho,
oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal
Superior. Funcionarão junto ao TST a Escola Nacional de Formação e
Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho e o Conselho Superior da Justiça
do Trabalho. A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do
Trabalho. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no mínimo,
7 juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeados pelo
Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta
e cinco anos, sendo: 1/5 dentre advogados com mais de dez anos de efetiva
atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com
mais de dez anos de efetivo exercício; e os demais mediante promoção de
juízes do trabalho por antiguidade e merecimento, alternadamente. A
competência da Justiça do Trabalho está enumerada no art. 114 da Constituição

e) Justiça Eleitoral: São órgãos da Justiça Eleitoral o Tribunal Superior Eleitoral, os


Tribunais Regionais Eleitorais, os Juízes Eleitorais e as Juntas Eleitorais. O TSE
será composto de, no mínimo, 7 Ministros, escolhidos: mediante eleição,
dentre 3 Ministros do STF, e 2 do STJ; mediante nomeação do Presidente
da República, 2 dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade
moral, indicados pelo STF. O Tribunal Superior Eleitoral elegerá seu Presidente
e o Vice-Presidente dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal, e o
Corregedor Eleitoral dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça. Haverá
um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de cada Estado e no Distrito Federal
(CF, art. 119), e compor-se-ão de 7 juízes, sendo: a) mediante eleição, 2 juízes
dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça, e 2 juízes, dentre juízes de
direito, escolhidos pelo TJ; b) de 1 juiz do TRF com sede na Capital do Estado ou
no Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido TRF respectivo; c)
por nomeação, pelo Presidente da República, de 2 juízes dentre seis advogados de
notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo TJ. Lei Complementar
disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos juízes de
direito e das juntas eleitorais. Art. 121, § 3º e 4º, estabelece as competências
recursais do TSE e TRE’s.

f) Justiça Militar: São órgãos da Justiça Militar o Superior Tribunal Militar e os


Tribunais e Juízes Militares instituídos por lei. O Superior Tribunal Militar
compor-se-á de 15 Ministros vitalícios, nomeados pelo Presidente da República,
depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal, sendo 3 dentre oficiais-
generais da Marinha, 4 dentre oficiais-generais do Exército, 3 dentre oficiais-
generais da Aeronáutica, todos da ativa e do posto mais elevado da carreira, e 5
civis, 3 deles advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de
dez anos de efetiva atividade profissional, e 2 deles, por escolha paritária, dentre
juízes auditores e membros do Ministério Público da Justiça Militar (CF, art. 123).
A Justiça Militar da União tem competência para processar e julgar os
crimes militares definidos em lei (CF, art. 124). Dispõe, portanto, de
competência exclusivamente penal. A Justiça Militar estadual, criada por lei de
iniciativa privativa do Tribunal de Justiça, é constituída, em primeiro grau, pelos
juízes de direito e pelos Conselhos de Justiça e, em segundo grau, pelo próprio
Tribunal de Justiça, ou, nos estados em que o efetivo militar seja superior a 20.000
(vinte mil) integrantes, por Tribunal de Justiça Militar (CF, art. 125, § 3). O art.
125, § 4º e 5º estabelece as competências da Justiça Militar.

g) Justiça Estadual: Composta pelos Tribunais de Justiça e juízes de direito. A


competência dos Tribunais de Justiça deverá ser definida na Constituição do
estado, sendo a lei de organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça
(CF, art. 125, § 1). Na composição dos Tribunais de Justiça dos estados deverá ser
observada a regra do “quinto constitucional”.
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA
CURSO: DIREITO
DISCIPLINA: ENTES FEDERATIVOS
PROFESSOR: IAN PIMENTEL

ASPECTOS GERAIS DA AULA

1) Conteúdo do Plano de Ensino:

GARANTIAS DO PODER JUDICIÁRIO


ESTATUTO DA MAGISTRATURA
PRECATÓRIOS JUDICIAIS
MINISTÉRIO PÚBLICO
MINISTÉRIO PÚBLICO: ORIGEM HISTÓRICA E DEFINIÇÃO
CONCEITUAL
ORGANIZAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
PRINCÍPIOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO
GARANTIAS DO MINISTÉRIO PÚBLICO
MINISTÉRIO PÚBLICO: VEDAÇÕES CONSTITUCIONAIS
FUNÇÕES INSTITUCIONAIS DO MINISTÉRIO PÚBLICO
MINISTÉRIO PÚBLICO JUNTO AO TRIBUNAL DE CONTAS
OUTRAS FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA
ADVOCACIA
ADVOCACIA PÚBLICA
DEFENSORIA PÚBLICA

2) Indicação de Material Bibliográfico:


- MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014;
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 37 ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.
ROTEIRO DE ESTUDO 10

1 Garantias do Poder Judiciário: A Constituição Federal outorgou importantes garantias


ao Poder Judiciário, como meio de lhe assegurar autonomia e independência para o
imparcial exercício da jurisdição.

1.1 Autonomia Financeira: Em razão da autonomia financeira, os tribunais elaborarão


suas próprias propostas orçamentárias, desde que dentro dos limites estipulados
conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.

m) Orçamento do Poder Judiciário da União: compete aos Presidentes do Supremo


Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, com a aprovação dos respectivos
tribunais;

n) Orçamento do Poder Judiciário dos Estados: compete aos Presidentes dos


Tribunais de Justiça, com a aprovação dos respectivos tribunais;

- Se os Tribunais não encaminharem as respectivas propostas


orçamentárias dentro do prazo estabelecido na LDO, o Poder Executivo
considerará os valores aprovados na lei orçamentária vigente, ajustados de
acordo com os limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes
na LDO (CF, art. 99, § 3).

- Se as propostas orçamentárias forem encaminhadas em desacordo com


os limites estipulados na LDO, o Poder Executivo procederá aos ajustes
necessários (CF, art. 99, § 4º).

- Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a


realização de despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os
limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias (CF, art. 99, § 5).

- Os recursos provenientes das custas e emolumentos serão destinados


exclusivamente ao custeio dos serviços afetos às atividades especificas da
Justiça (art. 98, § 2º).

1.2 Autonomia Administrativa: Em razão da sua autonomia administrativa, poderão


os Tribunais estabelecer sua própria organização.

f) Regimento Interno: poderão eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus


regimentos internos, dispondo sobre a competência e o funcionamento dos
respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos.

g) Organização Interna: poderão organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os


dos juízos que lhes forem vinculados, velando pelo exercício da atividade
correcional respectiva;
h) Provimento de Cargos: poderão prover, na forma prevista na Constituição, os
cargos de juiz de carreira da respectiva jurisdição e de outros cargos necessários à
administração da Justiça;

i) Criação de Varas: poderão propor a criação de novas varas judiciárias;

j) Recursos Humanos: poderão conceder licença, férias e outros afastamentos a seus


membros e aos juízes e servidores que lhes forem imediatamente vinculados.

1.3 Organização da Carreira: Estabelece a CF que lei complementar, de iniciativa do


STF, disporá sobre o Estatuto da Magistratura. Esse Estatuto, contudo, deve observar
algumas regras:

a) Ingresso na Carreira: o cargo inicial será o de juiz substituto, e o ingresso dar-se-á


por meio de concurso público de provas e títulos, exigindo-se do bacharel em
direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica. O juiz titular residirá na
respectiva comarca, salvo autorização do tribunal.

b) Promoção na Carreira: A promoção do magistrado na carreira, de entrância para


entrância, será feita alternadamente, por antiguidade e merecimento. O acesso aos
tribunais de segundo grau far-se-á por antiguidade e merecimento,
alternadamente, apurados na última ou única entrância.

c) Subsídio: O subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a


95% do subsídio mensal fixado para os Ministros do STF e os subsídios dos
demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e
estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não
podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior.

d) Aposentadoria: A aposentadoria dos magistrados e a pensão de seus dependentes


observarão as regras do regime especial de previdência dos servidores públicos
civis, previsto no art. 40 da CF.

e) Funcionamento, Julgamentos e Decisões Administrativas: A atividade


jurisdicional será ininterrupta, sendo vedadas férias coletivas nos juízos e
tribunais de segundo grau, funcionando, nos dias em que não houver
expediente forense normal, juízes em plantão permanente (CF, art. 93, XII).
Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões. As decisões administrativas dos tribunais serão
motivadas e em sessão pública, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da
maioria absoluta de seus membros.

2 Garantias dos Magistrados (art. 95, CF): A CF assegura aos membros do Poder
Judiciário as garantias da vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídio.
2.1 Vitaliciedade: No primeiro grau, a vitaliciedade só será adquirida após o
cumprimento do estágio probatório de 2 anos de exercício. No período do estágio
probatório, a perda do cargo dependerá de deliberação do tribunal a que o juiz estiver
vinculado. Uma vez cumprido o estágio probatório, o magistrado só perderá o seu
cargo em virtude de sentença judicial transitada com julgado. No caso de membro
do STF, tribunais superiores, e de tribunais de 2º grau que entraram pelo quinto
constitucional, o vitaliciamento ocorre com a posse no cargo.

2.2 Inamovibilidade: assegura que os magistrados somente poderão ser removidos das
comarcas em que estão lotados por iniciativa própria (e não de oficio), salvo por motivo
de interesse público, mediante decisão adotada pelo voto da maioria absoluta do
respectivo tribunal ou do CNJ (como sanção administrativa, p. ex.), assegurada ampla
defesa.

2.3 Irredutibilidade de Subsídio: A irredutibilidade do subsídio, assegurada aos


magistrados, tem por escopo evitar que a sua atuação seja objeto de pressões, advindas
da redução de sua espécie remuneratória. A irredutibilidade de subsídio alcança
somente a chamada “irredutibilidade jurídica”, isto é, a irredutibilidade nominal
do subsídio (e não a sua irredutibilidade real). Significa dizer que a irredutibilidade não
assegura o direito à atualização monetária do valor do subsídio.

2.4 Prerrogativa de Foro: os magistrados dispõem de foro especial por prerrogativa de


função, sendo julgados, originariamente, por tribunais indicados na Constituição
Federal. Essa prerrogativa não se estende aos magistrados aposentados.

Autoridade Infração Órgão Julgador


Juiz Estadual ou DF comum / responsabilidade TJ (art. 96, III)
Juiz Federal, Militar e do Trabalho comum / responsabilidade TRF (art. 108, I, “a”)
Membros de TJ, TRF, TRE e TRT comum / responsabilidade STJ (art. 105, I, “a)
Membros de Tribunais Superiores comum / responsabilidade STF (art. 102, I, “c”)
Ministro do STF comum / responsabilidade STF / Senado

3 Vedações: No intuito de assegurar maior imparcialidade ao exercício de suas funções, a


Constituição estabelece certas vedações aos magistrados.

3.1 Exercício de outros cargos e funções: é vedado exercerem ainda que em


disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério. Em relação ao
exercício do magistério, o STF firmou entendimento de que é permitido aos juízes
exercer mais de uma atividade de magistério, desde que compatíveis com o
exercício da magistratura.

3.2 Recebimento de Valores: é vedado receberem custas ou participação em


processos, assim como auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas
ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei.
3.3 Atividade Político-Partidária: é vedado dedicarem-se à atividade político-partidária
(incluindo a filiação).

3.4 Exercício da Advocacia (Quarentena): é vedado exercerem a advocacia no juízo


ou tribunal do qual se afastaram, antes de decorridos 3 anos do afastamento por
aposentadoria ou exoneração.

4 Conselho Nacional de Justiça: órgão integrante da estrutura do Poder Judiciário, com


a incumbência de realizar o controle da atuação administrativa e financeira do Poder
Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos magistrados. Constitui órgão
de controle interno do Poder Judiciário.

4.1 Composição: O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de quinze membros com


mandato de dois anos, admitida uma recondução (art. 103-B). Ressalvados o Presidente
e o Vice-Presidente do STF, todos os demais membros do CNJ são nomeados pelo
Presidente da República, depois de aprovada a escolha deles pela maioria absoluta do
Senado Federal (art. 103-B, § 2).

4.2 Cargos: Será presidido pelo presidente do STF e, nas suas ausências ou
impedimentos, pelo Vice-Presidente desse Tribunal (art. 103-B, § 1º). O Ministro do STJ
exercerá a função de Ministro-Corregedor e ficará excluído da distribuição de processos
no Tribunal. A CF estabelece que o Procurador-Geral da República e o Presidente do
Conselho Federal da OAB oficiarão junto ao Conselho Nacional de Justiça (não serão
membros).

4.3 Prerrogativa de Foro: Nos crimes de responsabilidade, os membros do Conselho


Nacional de Justiça são processados e julgados pelo Senado Federal (CF, art. 52, II). Nos
crimes comuns, os membros do CNJ não dispõem de foro especial em razão do
desempenho dessa função.

4.4 Competência para Julgamento das Ações Contra o CNJ: STF.

4.5 Competências: As atribuições do CNJ estão enumeradas, num rol meramente


exemplificativo, no art. 103-B, § 4º, da CF. Cabe ao Conselho Nacional de Justiça
unicamente a função de realizar o controle da atuação administrativa e financeira (jamais
jurisdicional) do Poder Judiciário. O STF firmou relevante entendimento de que o CNJ
dispõe de competência originária e concorrente com os tribunais de todo o País
para instaurar processos administrativo-disciplinares contra magistrados.

5 Precatórios Judiciais: Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal,


Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão
exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos
créditos respectivos. Para o cumprimento desse regime de pagamento, as entidades de
direito público estão obrigadas a incluir nos seus respectivos orçamentos verba necessária
ao pagamento de seus débitos, oriundos de sentenças transitadas em julgado.
6 Ministério Público: é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado,
incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais
e individuais indisponíveis (CF, art. 127).

6.1 Origem Histórica e Definição Conceitual: No período colonial, o Brasil foi


orientado pelo direito lusitano. Não havia o Ministério Público como instituição. Mas as
Ordenações Manuelinas de 1521 e as Ordenações Filipinas de 1603 já faziam menção
aos promotores de justiça. Só no Império, em 1832, com o Código de Processo Penal
do Império, iniciou-se a sistematização das ações do Ministério Público. Quanto aos
textos constitucionais, o Ministério Público ora aparece, ora não é citado. Esta
inconstância decorre das oscilações entre regimes democráticos e regimes
autoritários/ditatoriais. A atual CF situa o Ministério Público em capítulo especial, fora
da estrutura dos demais Poderes, no que denominou “Funções Essenciais à Justiça”. O
Ministério Público constitui, portanto, uma instituição independente que tem como
função principal a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos
interesses sociais e individuais indisponíveis.

6.2 Organização do Ministério Público: O Ministério Público está


organizado/estruturado em torno dos Ministérios Públicos da União e dos Estados.

a) Ministério Público da União: O Ministério Público da União abrange o MPF,


MPT, o MPM e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

b) Ministério Público dos Estados: Composto pelos Promotores de Justiça (1º grau)
e Procuradores de Justiça (2º grau).

6.3 Princípios do Ministério Público (art. 127, §§ l.º e 2º, CF):

a) Princípio da Unidade: significa que seus membros integram um só órgão, sob


única direção de um procurador-geral. O princípio da unidade, porém, há que ser
visto como “unidade dentro de cada Ministério Público'”.

b) Princípio da Indivisibilidade: enuncia que os membros do Ministério Público não


se vinculam aos processos em que atuam, podendo ser substituídos uns pelos
outros, de acordo com as regras legais, sem nenhum prejuízo para o processo. A
atuação dos membros do Ministério Público é atuação do órgão, indivisível por
expressa disposição constitucional.

c) Princípio da Independência Funcional: O Ministério Público é independente no


exercício de suas funções, não estando subordinado a qualquer dos Poderes; seus
membros não se subordinam a quem quer que seja, somente à Constituição, às
leis e à própria consciência. A hierarquia existente dentro de cada Ministério
Público, dos seus membros em relação ao Procurador-Geral, é meramente
administrativa, e não de ordem funcional.
d) Princípio da Autonomia Administrativa e Financeira: Em razão da autonomia
financeira, os Ministérios Públicos elaborarão suas próprias propostas
orçamentárias, desde que dentro dos limites estipulados conjuntamente com os
demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias. Em razão da sua autonomia
administrativa, poderão os Ministérios Públicos estabelecer sua própria
organização.

e) Princípio do Promotor Natural: impõe que o critério para a designação de um


membro do Ministério Público para atuar em uma determinada causa seja abstrato
e predeterminado, baseado em regras objetivas e gerais, não podendo a chefia do
Ministério Público realizar designações arbitrárias, decididas caso a caso,
tampouco determinar a substituição de um promotor por outro fora das hipóteses
expressamente previstas em lei.

6.4 Funções do Ministério Público: o MP constitui autêntico defensor da sociedade,


nas esferas penal e cível. As funções institucionais do MP (suas competências) estão
descritas no art. 129 da CF. Essa enumeração de competências, como claramente deflui
do inciso IX, não é exaustiva, podendo outras competências ser outorgadas ao
Ministério Público pelo legislador, desde que sejam compatíveis com a missão
constitucional do órgão.

6.5 Garantias do Ministério Público: A CF assegura aos membros do Ministério


Público as garantias da vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídio (art.
128, § 5º).

a) Vitaliciedade: No primeiro grau, a vitaliciedade só será adquirida após o


cumprimento do estágio probatório de 2 anos de exercício. No período do
estágio probatório, a perda do cargo dependerá de deliberação do Ministério
Público a que o membro do MP estiver vinculado. Uma vez cumprido o estágio
probatório, o membro do MP só perderá o seu cargo em virtude de
sentença judicial transitada com julgado.

b) Inamovibilidade: assegura que os membros do MP somente poderão ser


removidos das comarcas em que estão lotados por iniciativa própria (e não de
oficio), salvo por motivo de interesse público, mediante decisão adotada pelo
voto da maioria absoluta do respectivo órgão colegiado do MP ou do CNMP
(como sanção administrativa, p. ex.), assegurada ampla defesa.

c) Irredutibilidade de Subsídio: A irredutibilidade do subsídio, assegurada também


aos membros do MP, tem por escopo evitar que a sua atuação seja objeto de
pressões, advindas da redução de sua espécie remuneratória. A irredutibilidade
de subsídio alcança somente a chamada “irredutibilidade jurídica”, isto é, a
irredutibilidade nominal do subsídio (e não a sua irredutibilidade real).
Significa dizer que a irredutibilidade não assegura o direito à atualização
monetária do valor do subsídio.
6.6 Vedações: No intuito de assegurar maior imparcialidade ao exercício de suas
funções, a Constituição estabelece certas vedações aos membros do MP.

a) Exercício de outros cargos e funções: é vedado exercerem ainda que em


disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério.

b) Recebimento de Valores: é vedado receberem custas ou participação em


processos, assim como auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades
públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei.

c) Atividade Político-Partidária: é vedado dedicarem-se à atividade político-


partidária (incluindo a filiação).

d) Exercício da Advocacia ou de Atividade Comercial: é vedado exercerem a


advocacia enquanto membros do MP, assim como participarem de sociedade
comercial.

6.7 Ministério Público Junto ao Tribunal de Contas: A CF prevê a existência de um


Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, que conta com o mesmo
estatuto jurídico que os demais membros do MP (art. 130). O MP junto ao TCU não
integra o MPF; é vinculado administrativamente ao próprio TCU. Compete ao TCU,
portanto, estabelecer a organização do MP de contas.

7 Funções Essenciais à Justiça:

7.1 Advocacia: O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo


inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da
lei (CF, art. 133). O art. 133 da CF consagra duas regras especiais aplicáveis aos
advogados, no desempenho de suas funções: (a) o princípio da indispensabilidade
do advogado; (b) a imunidade do advogado. O princípio da indispensabilidade da
intervenção exige a subscrição de advogado habilitado profissionalmente,
mediante inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, para a postulação
em juízo. A garantia da imunidade do advogado lhe assegura a inviolabilidade por
seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei. Essa
imunidade, porém, não é absoluta, devendo obedecer aos limites estabelecidos
em lei. Assim, a inviolabilidade circunscreve-se às manifestações e à prática de
atos vinculados ao efetivo e regular exercício da profissão. Os direitos,
prerrogativas e deveres dos advogados estão previstos no Estatuto da Ordem dos
Advogados do Brasil-OAB (Lei 8.906/1994).

7.2 Advocacia Pública: a Advocacia-Geral da União representa, judicial e


extrajudicialmente, a União, aqui englobando seus diversos órgãos, nos três
Poderes da República, e não só o Poder Executivo. Cabe-lhe, também, prestar
consultoria e assessoramento jurídico ao Poder Executivo federal (esta última
atribuição só alcança o Poder Executivo federal). A Advocacia-Geral da União é
chefiada pelo Advogado-Geral da União, cargo de livre nomeação e exoneração
pelo Presidente da República, entre cidadãos maiores de 35 e menores de 65
anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada. O Advogado-Geral da União
dispõe de status de Ministro de Estado, inclusive para o fim de foro por
prerrogativa de função perante o Supremo Tribunal Federal. Por fim, estabelece
o art. 132 da CF que os procuradores dos estados e do Distrito Federal,
organizados em carreira, na qual o ingresso dependerá de concurso público de
provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas
as suas fases, exercerão a representação judicial e a consultoria jurídica das
respectivas unidades federadas (CF, art. 132).

7.3 Defensoria Pública: determina o art. 134 da CF que a Defensoria Pública é


instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-
lhe, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e
a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e
coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados. São princípios da
Defensoria Pública: a unidade, indivisibilidade e independência funcional. As
Defensorias Públicas serão organizadas em cargos de carreira, providos, na classe
inicial, mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a seus
integrantes a garantia da inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora
das atribuições institucionais (CF, art. 134, § lº). Determina a CF, por fim, que os
servidores da Defensoria sejam remunerados por meio de subsídio (art. 135, CF).