Você está na página 1de 25

Síntese de Estrutura de Trabalhos Científicos

Parte teórica e Estrutura de Trabalhos 1. A Estrutura dos Trabalhos;


de Científicos 2. Trabalhos Científicos e TCC –
fundamentação Trabalho de Conclusão de Curso;
3. Monografia (elementos pré-textual,
textual e pós-textual);
4. Dissertação;
5. Tese.

1. A Estrutura dos Trabalhos


Objectivo para a aprendizagem:
 Diferenciar as etapas pré-textual, textual e pós-textual na elaboração do trabalho
científico académico;
 Ordenar o conteúdo no desenvolvimento em suas partes;
 Elaborar um trabalho científico com conteúdo adequado e boa apresentação
estética.
Segundo Demo (2000), o trabalho científico leva o aluno a aprender melhor e a tornar-se
um profissional capaz de usar a pesquisa como processo permanente de aprender, de
renovar sua competência. Para a elaboração de um trabalho científico, você deve ter em
mente a ordenação das etapas correspondentes à sequência da investigação, bem como
apresentar clareza e qualidade na escrita, linguagem clara, objetiva e direta.
Azevedo (2001) compara a estruturação de um trabalho com uma construção, na qual o
pedreiro faz com que cada tijolo apoie o que lhe é posto sequencialmente, para cada um
contribuir para a harmonia do conjunto, ou seja, na estruturação do texto deve-se observar
a lógica na ordenação das etapas, só assim elas poderão contribuir no entendimento do
texto em sua totalidade. Fachin (2003) lembra que é comum ouvir o discente falar: tenho
tudo na cabeça, mas não consigo passar para o papel.
Sobre a estrutura e conteúdo de trabalhos académicos, Cervo e Bervian (2002) escrevem
que, além do estudante seguir a estrutura determinada pelas normas pelos órgãos (como a
ISO) que visam à universalização (aplicadas em todos os países que usam os mesmos

1
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
códigos linguísticos) de padrões de editoração de textos impressos, o conteúdo deve ser
organizado com os seguintes elementos básicos1:
 Pré-textual: capa, folha de rosto, ficha catalográfica, errata (se houver), dedicatória,
agradecimentos, epígrafe, resumo, tabelas e ilustrações (organograma, mapa,
fluxograma, gráfico, esquema, quadro etc.) lista de siglas e símbolos e abreviaturas
e sumário;
 Textual: introdução, desenvolvimento e conclusão (principais resultados e suas
implicações, sugestões de novas pesquisas);
 Pós-textual: referências, glossário, apêndices, anexos e índice.
Elementos pré-textuais – corresponde às partes que antecedem o texto, dando a ele
referências para a sua identificação e utilização.
A CAPA
A capa é um elemento obrigatório para qualquer trabalho ou relatório técnico, devendo
obedecer os seguintes requisitos2:
 Nome da instituição: Universidade Independente de Angola3;
 Nome da faculdade ou instituto: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas;
 Nome do curso – logo abaixo da faculdade: Curso de Ciências Sociais;
 Título, subtítulo (caso haja) – preferencialmente no centro e, em destaque
(MAIÚSCULAS E NEGRITO): OS PERIGOS DA NOVA LEI DE
IMPRENSA NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DE JORNALISTA. Subtítulo:
Uma análise particular do papel a ser exercidos pelos órgãos reguladores e pelo
SJA;
 Nome do autor e orientador – abaixo do título e justificado: Mariano Walakala, Dr.
Wilatula Mwan;
 Local (cidade da instituição onde o trabalho será apresentado), ano do depósito (da
entrega) do trabalho (centrado): LUANDA, NOVEMBRO 2016.

1
A estrutura a ser seguida pela disciplina de MIC, 1º Ano de Ciências de Comunicação, está em anexo.
2
Com subsídio da norma ABNT NBR 14724:2002 e subsequente.
3
O uso do simbolo da IES é opcional.
2
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
FOLHA DE ROSTO
Na folha de rosto, são apresentados todos os elementos essenciais à identificação do
trabalho:
 Nome do autor (centro, parte superior da folha): MARIANO WALAKALA;
 Título principal do trabalho: OS PERIGOS DA NOVA LEI DE IMPRENSA NO
EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DE JORNALISTA;
 Subtítulo: Subtítulo: Uma análise particular do papel a ser exercidos pelos órgãos
reguladores e pelo SJA;
 Número de volumes (se houver mais de um);
 Natureza (tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso), no lado direito da
folha após o título e subtítulo): Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Curso de Ciências da Comunicação, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
da Universidade Independente de Angola, como requisito para a conclusão do curso
de MIC.
 Nome do orientador: Prof. Dr. Wilatula Mwan;
 Local (cidade) da instituição onde deve ser apresentado (centrado): LUANDA,
NOVEMBRO 2016.
FICHA CATALOGRÁFICA
É opcional nos trabalhos académicos e obrigatória em: relatório de pesquisa, monografia,
relatórios de estágio, dissertação e tese. De acordo com Prestes (2003), a ficha deve constar
no verso da folha de rosto, devendo ser preparada de acordo como o Código de
Catalogação.
A ficha catalográfica deve vir impressa no verso da página de rosto do trabalho. Basta
substituir os dados da ficha pelas informações de seu trabalho, respeitando as pontuações.

3
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
S237 Santos, Sebastião Lourenço dos.

Profissional em processo/Sebastião Lourenço


dos Santos. – Rio de Janeiro:

Publit, 2014.

358p.: fig; 21 cm.

ISBN 978-85-7773-746-8

Inclui bibliografia

1. Ciência da Informação. 2. Administração.

I. Título.

CDD 658.8

CDU -
658:386

ERRATA
É um elemento eventual (opcional), o qual, segundo Prestes (2003), faz a indicação e a
devida correção, de possíveis erros cometidos e que não foram percebidos antes do
trabalho ser impresso. Deve aparecer após a folha de rosto (pode ser uma folha avulsa). Na
margem superior, escrevemos o título ERRATA, abaixo escrevemos a referência da obra
da qual foram realizadas as correções. Escrevemos títulos referentes às informações a
serem destacadas. Para cada erro, colocamos uma informação correspondente e sua
localização dentro do trabalho.
DEDICATÓRIA
É opcional e segue após a ficha catalográfica ou depois da errata. Segundo Furasté (2003),
serve para o autor dedicar o trabalho a alguém de suma importância para ele, ou, para
expressar uma homenagem a um grupo de pessoas que ele deseja.
AGRADECIMENTOS
A página de agradecimentos é também um dos elementos opcionais em trabalhos, Furasté
(2003), são menções que o autor faz a pessoas e/ou instituições as quais eventualmente
colaboraram de maneira relevante para a realização do trabalho. Deve ser breve, mas

4
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
sincero, indicando o motivo da gratidão. Devem ser apresentados de forma distinta, logo
após a folha de dedicatória.
EPÍGRAFE
Também presente entre os elementos opcionais, a epígrafe, quando utilizada, deve ser
colocada após a folha de agradecimentos, ou também pode constar nas folhas de abertura
das seções primárias. Trata-se de uma frase, um pensamento, um trecho de prosa ou
mesmo um poema que tenha relação direta com o conteúdo do trabalho ou quaisquer fatos
ou Estrutura dos trabalhos situações relacionadas à construção dele, seguida da autoria,
destaca Furasté (2003). Não colocar título epígrafe.
RESUMO NA LÍNGUA VERNÁCULA4
Apresenta-se de forma relevante os pontos principais do trabalho. Composto de uma
sequência de frases claras, afirmativas e não de enumeração de tópicos, deve ressaltar
claramente o objetivo, o método, os resultados e as conclusões obtidas no estudo. A
primeira frase deve conter, de forma significativa, o tema principal do trabalho. Ao findar,
mencione os resultados e as conclusões, bem como as contribuições para o trabalho. No
resumo, utiliza-se a terceira pessoa do singular, na voz ativa. O espaçamento é simples e
sem entrada, redigido em um único parágrafo.
O resumo deve conter de 150 a 500 palavras para trabalhos académicos (teses, dissertações
e outros) e relatórios técnico-científicos;de 100 a 250 palavras para artigos de
periódicos;de 50 a 100 palavras para indicações breves.
O título Resumo vem escrito em maiúscula, negrito e centralizado. Ao final do resumo,
vêm as palavras-chave do trabalho, no máximo cinco palavras (normalmente três a cinco
palavras), precedidas da expressão Palavras-chave, separadas entre si por ponto e
finalizadas também por ponto.
Ressalta-se que, as palavras-chave podem ser denominadas de unitermos ou descritores;
essas palavras servem para a catalogação dos trabalhos na biblioteca.
RESUMO NA LÍNGUA ESTRANGEIRA
O resumo em língua estrangeira pode ser feito em qualquer idioma, dependendo da
finalidade do trabalho; em geral é feito em inglês (abstract). De acordo com Cruz; Perota;
Mendes (2004), este deve ter a mesmas características do resumo na língua vernácula,
aparecendo em folha distinta e seguida das palavras mais representáveis do conteúdo.
LISTA DE TABELAS
4
Com suporte da ABNT NBR 6028:2003.
5
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
A lista de tabelas vem após a lista de ilustrações e está inclusa no grupo dos elementos pré-
textuais, também opcional. De acordo com Prestes (2003), apresenta informações de
elementos com tratamento estatísticos.
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS
É um elemento opcional, conforme Cruz, Perota, Mendes (2004), em ordem alfabética, as
abreviaturas e siglas utilizadas no texto, acompanhadas das palavras ou expressões
correspondentes destacadas no texto. É aconselhável elaborar listas separadas para cada um
dos elementos (abreviaturas, siglas e símbolos), em virtude da quantidade destes.
SUMÁRIO
Segundo Prestes (2003), o sumário tem a finalidade de dar uma visão geral do trabalho,
localizando o assunto procurado. Deve ser apresentado da seguinte forma:
 O título sumário deve ser indicado na forma centralizada e com as mesmas
características para as seções primárias;
 Os elementos pré-textuais não devem ser apresentados;
 Todas as seções que compõem o sumário devem ser apresentadas com alinhamento
à esquerda;
 O número da página é representado apenas pela página em que se inicia a seção;
 Os títulos das seções devem ser apresentados da mesma forma como estão dentro
do trabalho e devem ser alinhados (justificados) à margem esquerda;
 Para trabalhos realizados em mais de um idioma, é aconselhável que o sumário seja
distinto, ou seja, um para cada língua.
Elementos textuais
INTRODUÇÃO
Éa parte do trabalho na qual o assunto é apresentado em sua totalidade, de maneira clara,
precisa e sintética, e tem a função de situar o leitor no contexto do tema pesquisado.
Introduzir é convidar, mas, para isso, é preciso refletir sobre o assunto. De acordo com
Bastos e Keller (2002), a introdução é a primeira impressão que o leitor leva do trabalho;
daí a importância de estar claro o que já foi escrito a respeito do assunto abordado, a
relevância do assunto, os objetivos do trabalho, a apresentação dos procedimentos
adotados no decorrer da pesquisa. É, portanto, a última parte a ser desenvolvida, depois de
concluído o trabalho.De modo geral, devemos informar sobre:
 Antecedentes do tema;
 Natureza e importância do tema;
6
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
 Relevância social (quando apropriado);
 Relevância académica (incluindo resultados de pesquisas e outras obras anteriores
sobre o tema);
 Objetivos do trabalho (geral e específicos);
 Possíveis contribuições;
 Organização e distribuição do trabalho em tópicos (capítulos).
DESENVOLVIMENTO
O desenvolvimento é o corpo do trabalho, a parte mais extensa e visa comunicar o
resultado da pesquisa. É onde sereúne, analisa e se discuteideias de vários autores sobre o
tema em questão, a fim de fornecer base conceitual sólida para o problema. Lembrando
que os autores citados no corpo do trabalho devem estar contidos nas Referências, porém,
para a realização dessa etapa, o académico já deve ter compilado alguns textos, por
intermédio de anotações, comentários, resenhas, citações em fichas de leituras, pois da
riqueza de seus apontamentos dependerá a qualidade de seu trabalho. Essa parte da
pesquisa poderá ser dividida convenientemente em seções, com subseções em títulos
menores. O bom senso, segundo Bastos e Keller (2002), indica que o trabalho deve ser
dividido, ao menos, em duas partes, pois não dividir é considerar tudo dentro da mesma
hierarquia – questões principais iguais às questões secundárias. A divisão em partes,
portanto, comporta subdivisões, uma vez que as questões principais estão constituídas em
partes; assim, é preciso, em seguida, esmiuçar. Toda e qualquer parte da divisão e
subdivisão deve ser anunciada (introduzida), devendo haver um encadeamento entre o
assunto abordado no trabalho. Dentro desta parte, encontram-se os capítulos que sustentam
o trabalho, tal como se segue.
CAPÍTULO I – DEFINIÇÃO E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
1.1 Abordagem sobre a escolha do tema de pesquisa
Descrever as razões que levaram a escolher o tema em questão e, a explicar a devida
delimitação/limitação do mesmo.
1.2 Problemática
Uma pergunta ou situação.
A formulação do problema é uma parte fundamental de qualquer estudo, pesquisa ou
trabalho cientifico.

7
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
Segundo Gil (1991), nem todo problema é passível de tratamento científico, é preciso
identificar o que é científico daquilo que não é. Um problema é de natureza científica
quando envolver variáveis que podem ser tidas como testáveis. Para tal, é preciso:
 Defina qual é o problema a ser estudado – imediatamente. Um texto científico não
deve guardar segredos para uma revelação surpreendente adiante, como um texto
de ficção poderia.
 Diga por que o problema é relevante, descrevendo suas implicações no tecido do
real, mostrando seu atrelamento a uma situação empírica relevante, e/ou mostrando
o problema (ou os aspectos do problema) como sub-teorizado ou tratado apenas
parcialmente em abordagens anteriores.
 Aponte (em resumos, projetos) e critique (em artigos ou textos mais longos) o que
se sabe sobre o problema – ou seja, o estado atual do conhecimento sobre ele.
 Mostre então o que a pesquisa adicionará ao conhecimento do problema.
Ou, resumidamente, demonstre:
(1) O que (qual) é o problema, (2) porque ele é relevante, (3) o que se sabe sobre o
problema até ao momento, e (4) o que a pesquisa trará de novidade para o conhecimento
do problema.
O problema pode ser uma pergunta ou situação/contexto. Normalmente, os trabalhos
académicos adotam, maioritariamente, perguntas. Neste sentido, é fundamental entender
bem o tema (a proposição mais ampla definida inicialmente), isto porque, o problema
deverá levar em consideração esta proposição.
Ex.:
Que importância tem os procedimentos metodológicos no desenvolvimento das ações ou
atividades de pesquisas nas universidades de Angola no século XXI?

1.3 Objetivos (terminados no infinitivo)


1.3.1 Geral:
Objetivo é sinónimo de meta, fim.
Exemplo:
Entender a importância dos procedimentos metodológicos para o ensino superior nas
universidades de Angola.

8
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
1.3.2 Específicos (pelos menos três)
1. Levantar informações sobre a importância dos procedimentos metodológicos para o
processo de investigação em Angola;
2. Interpretar a importância dos procedimentos metodológicos para elaboração e
apresentação de uma pesquisa universitária;
3. Inferir se os procedimentos metodológicos influenciam o aproveitamento do
estudante.

1.4 Hipóteses ou suposições (Geralmente duas: uma afirmativa e outra negativa)


 A Hipótese é uma proposição enunciada para responder, tentativamente a um
problema.
 A hipótese de trabalho é a resposta a um problema para cuja solução se realiza toda
a investigação.
 A hipótese é uma proposição antecipatória à comprovação de uma realidade
existencial. É uma espécie de pressuposição que antecede a constatação dos fatos.
Por isso se diz também que as hipóteses de trabalho são formulações provisórias do
que se procura conhecer e, em consequência, são supostas respostas para o
problema ou assunto da pesquisa.
Exemplo:
1. Essencial para o aproveitamento acadêmico do estudante sobre o processo de
ensino, pesquisa e extensão.
2. O aproveitamento acadêmico do estudante independe do processo metodológico,
mas da vontade do estudante.

1.5 Justificativa e pertinência do estudo


Argumentar a respeito das razoes e importância de se realizar o estudo.
Exemplo:
Já não se admite pesquisa universitária no século XXI em um país que aposta no
desenvolvimento humano sem procedimentos metodológicos.

9
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEORICA
2.1 Definição dos conceitos
O referencial teórico permite verificar o estado do problema a ser pesquisado, sob o
aspecto teórico e de outros estudos e pesquisas já realizados (Lakatos& Marconi, 2003).
Segundo Marion, Dias e Traldi (2002, p.38), “O referencial teórico deve conter um
apanhado do que existe, de mais atual na abordagem do tema escolhido, mesmo que as
teorias atuais não façam parte de suas escolhas.”
O referencial teórico é que possibilita fundamentar, dar consistência a todo o estudo. Tem a
função de nortear a pesquisa, apresentando um embasamento da literatura já publicada
sobre o mesmo tema, demonstrando que o(a) pesquisador(a) tem conhecimento suficiente
em relação a pesquisas relacionadas e a tradições teóricas que apoiam e cercam o estudo.
Na citação direta, o texto é reproduzido exatamente da mesma forma como figura no
original, devendo ser adequadamente referenciada com (AUTOR5, Data: Página). Se
ultrapassar os três parágrafos, deve-se usar avanço (direita 0,0 e esquerda 4,0)6, reduzir o
tamanho do tipo de letra para 10 e colocar o texto em itálico.
Exemplo:
“A realização de ações de formação deve despertar nos envolvidos
a curiosidade prática. Se realmente o processo foi de ensino
baseado em ciência (metodologia), a praticidade é o desafio a ser
perseguido por todos. Pelo contrário, recebe-se o diploma que
atesta ter feito aquela formação e nada mais acontece. Para tal, os
agentes do processo devem assumir seus papéis, pois o ensino
ainda é o maior meio de transformações sociais” (SANTOS, 2014,
p. 46).
Na citação indireta a ideia do autor original é apresentada recorrendo à redação pessoal do
autor do trabalho sendo a referência a introduzir (Autor, Data).
A pesquisa é uma ferramenta de captação de soluções para problemas pontuais (Santos,
2014), amplamente parametrizados.
Quando se utilizam obras de vários autores, deve-se citá-los normalmente.

5
Quando a citação for direta, o nome do AUTOR deve estar em MAIÚSCULA.
6
Para inserir o parágrafo de 4,0 cm, selecionar o texto, clicar em formatar - parágrafo – preencher os
campos: Esquerdo 4,0 cm, direito 0,0 cm, espaçamento antes e depois 0,0 pt – entrelinhas simples.
10
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
Exemplo: Lopes (1997); Gomes (1997); Marques (1998) discutem as metodologias para o
estudo.Ou (Lopes, 1997; Gomes, 1997; Marques, 1998) discutem as metodologias para o
estudo...
Se a obra tiver mais de três autores, usa-se a expressão latina em itálico et. al. após o
sobrenome do primeiro autor. Por exemplo, John et al. (2014)7. Tanto para citação direta
(textual) quando para a citação indireta.
Em caso de citação de autores em obras de outros autores, deve-se citar o sobrenome do
autor do texto original, depois o termo apud (citado por), ano e, em seguida, o autor da
obra consultada.
Para Santos (2001) apud Santos (2014) a universidade do século XXI deve estar
comprometida com o ensino, pesquisa e extensão.

2.2 (...)
CAPÍTULO III – METODOLOGIA
A Metodologia é o tópico do projeto que abrange maior número de itens, pois responde às
seguintes questões: Como? Com quê? Onde? Quanto? (Lakatos & Marconi, 2003).
Método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e
economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando o
caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.
Método deriva do grego antigo μέθοδος, methodos, formado por μετά, μέt, metá, met-,
'depois' ou 'que segue' + οδός, hodós, 'caminho', significando 'seguir um caminho' (para
chegar a um fim).
Os principais métodos, técnicas e procedimentos em ciências sociais podem ser
consultados nos capítulos anteriores.
A metodologia não consiste em citar os métodos, técnicas, procedimentos, amostras ou
outro elemento apenas, mas sim, e, sobretudo, descrever como esses elementos serão
entrelaçados para alcançar os objetivos do estudo, solucionar o problema definido e inferir
sobre os resultados obtidos. Ou seja, é preciso demonstrar o modo de preparo (de fazer).
Este modo de fazer vai envolver métodos, técnicas, amostra, procedimento, etc.

7
Na item Referências Bibliográficas deve constar os nomes e sobrenomes de todos os autores da obra em
questão.
11
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA
Apresentam-se aqui as informações coletadas sobre o estudo. Aqui, o pesquisador apenas
se limita a revelar os resultados do estudo, sem emitir qualquer parecer, análise ou
julgamento. Evita-se citação.
CAPÍTULO V – ANÁLISE, DISCUSSÃO E CONSIDERAÇÕES SOBRE OS
RESULTADOS
Argumentos sobre os resultados apresentados no capítulo anterior. Aqui, o pesquisador
pode emitir pareceres a respeito dos resultados, apresentar citações que se adequam ao
assunto em análise e a expor a devida interpretação dos resultados.
CONCLUSÃOOU CONSIDERAÇÕES FINAIS
O primeiro passo de quem conclui é dizer o essencial. Trata-se da recapitulação sintética
dos resultados oriundos da discussão apresentada no desenvolvimento, ressaltando o
alcance e as consequências de suas contribuições. Sua função é destacar essas deduções de
modo a responder às questões apresentadas levantadas. Deve ser breve, basear-se em dados
comprovados e evitar o uso de citações. A brevidade no concluir exige fórmulas precisas
que começam com: É assim que... Vê-se, por isso... Conclui-se que... Pode-se dizer que...
Em suma... Em resumo... Em poucas palavras...
Entretanto, não se pode trazer fatos novos para a conclusão, ou seja, apenas as questões
desenvolvidas no trabalho devem merecer destaque na conclusão. Elementos novos ou
mesmo estranho ao estudo não podem figurar na conclusão.

Elementos pós-textuais
Aparecem complementando os elementos textuais, ajustando o término do trabalho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 8
Só devem ser citadas aqui as obras/autores citadas no texto: da introdução até a
conclusão.
AUTORIA. Título (negrito ou itálico)9. Número da edição. Local: Editora, ano.
Exemplos:
Simples
SANTOS, Sebastião Lourenço dos. (201410). Profissional em processo. Rio de Janeiro:
Publit. ISBN 9788577737468.

8
Com suporte da norma ABNT NBR 6023:2002 e subsequente.
9
Destacar o título.
12
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
Livro com subtítulo
REHFELDT, Gládys Knak. (1980). Monografia: guia prático. Porto Alegre: Sulina.
Livros com organizador ou compilador
BRANDÃO, Alfredo de Barros L. (Comp.). (1974). Modelos de contratos, procuração,
requerimentos e petições. 5. ed. São Paulo: Trio.
NUNES, Edson de Oliveira (Org.). (1978). A aventura sociológica: objetividade, paixão,
improviso e método na pesquisa social. Rio de Janeiro: Zahar.
Parte de livro
ROMANO, Giovanni. (1996). Imagens da juventude na era moderna. In: LEVI, G.;
SCHMIDT, J. (Org.). História dos jovens 2. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras.
Elementos essenciais: Jurisdição, título, numeração e data, ementa e dados de publicação.
Exemplo:
ANGOLA. CRA. (2010). Constituição da República de Angola. Luanda: Parlamento,
2010.
Documentos on-Line
a) Com autoria:
AUTOR. Título. Disponível em:<http://endereço eletrônico>. Acesso em: dia mês (3
letras), ano.
Exemplo:
GOLDBERG, Cláudio. Transformações significativas no ambiente de vendas e
marketing. Disponível em:
www.institutomvc.com.br/costacurta/artcg01transformações_significativas.htm. Acesso
em: 21 Ago. 2016.
b) Pesquisa em site:
EMPRESA RESPONSÁVEL PELO SITE. Disponível em: <www.................>. Acesso em:
dia mês e ano.
OBS.: Acrescentar hora, minutos e segundos é opcional.
IANORQ – Instituto Angolano de Normalização e Qualidade. Diplomas legais básicos do
IANORQ. Disponível em http://www.nexus.ao/ianorq/inorq-leis.htm. Acesso em 21 Ago.
2016.
Artigos de jornais

10
Algumas normas usam o ano no final da citação: SANTOS, Sebastião Lourenço dos.Profissional em
processo. Rio de Janeiro: Publit. ISBN 9788577737468, 2014.
13
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
AUTORIA DO ARTIGO. Título do artigo. Título do jornal (negrito), Local de publicação,
data (dia, mês com 3 letras. Ano). Número ou título do caderno, seção, suplemento,
página(s), número de ordem da coluna (se houver).
Exemplo:
NDOMBA, Borralho. Activistas condenados de dois a oito anos de prisão. Rede Angola.
Luanda, 28.03.2016, 13h51. Disponível em http://www.redeangola.info/activistas-
condenados/. Acesso em 11 Jul. 2016.
EMENDATIO LIBELLI E MUTATIO LIBELLI. Campo Grande. PORTAL
EDUCAÇÃO. 2013. Disponível em
http://www.portaleducacao.com.br/direito/artigos/37608/emendatio-libelli-e-mutatio-
libelli#!2. Acesso em 10 Jul. 2016.
Monografia, teses e dissertações
AUTOR. Título. Tipo do documento, grau da vinculação acadêmica, local e ano.
ALMEIDA, Joaquim Márcio de Castro. (2009). Emendatio libelli. A emenda judicial da
acusação in pejus: uma nova leitura à luz do modelo constitucional do processo penal e da
teoria discursiva do direito e da democracia. Belo Horizonte, 2009. 93p. Dissertação
apresentada ao Curso de Pós-graduação em Direito Processual da Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais.
GLOSSÁRIO
É um dos elementos opcionais, utilizado logo após a folha de referências, deve ser em
ordem alfabética as expressões ou palavras de termos de uso restrito, podendo ser elas
técnicas, ou de sentido obscuro, pouco usual. Elabora-se o glossário com a expectativa de
que o leitor consiga compreender melhor as respectivas significações.
APÊNDICES
É um dos elementos que são elaborados pelo autor, para a melhor compreensão do
documento, ou seja, destinam-se a complementar as ideias desenvolvidas no decorrer do
trabalho. Você deve colocar numeração de páginas sequencialmente. Os apêndices são
identificados por letras maiúsculas consecutivas, seguidas do travessão e o respectivo
título. Veja o exemplo apresentado por Furasté (2003):
APÊNDICE A – Experiência com o Ensino Médio em Luanda.
APÊNDICE B – Experiência com o Ensino Médio em Benguela.
ANEXOS

14
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
São elementos que dão suporte ao texto e não são elaborados pelo autor. É também um
elemento opcional. A numeração de páginas, se houver, é do documento original. Tal qual
o apêndice, a identificação deve ser feita com letras maiúsculas e não com número, seguida
de travessão e o título.
ANEXO A – Estatuto da Instituição
ANEXO B - Projeto Político Pedagógico
ÍNDICES
Elemento não obrigatório. Conforme Prestes (2003), o índice é o detalhamento dos
assuntos, títulos, nomes, datas e outros elementos que o autor queira destacar, por ordem
alfabética; indica a exata localização no texto.
Configuração do trabalho – síntese
É recomendável que o trabalho tenha as seguintes configurações:
a) Ffonte “Times New Times New Roman” ou “Arial”; ou, ainda, Calibri;
b) Tamanho da fonte do texto: 12;
c) Tamanho da fonte do título do capítulo: 12;
d) Tamanho da fonte do título das seções: 12;
e) Tamanho da fonte das notas de rodapé: 10;
f) Tamanho da fonte das citações longas (mais de 3 linhas cheias copiadas ipsis literis
da fonte de informação consultada): 11;
g) Tamanho da fonte das legendas (títulos) de quadros, tabelas e gráficos: 11;
h) Formato A4 (21 cm x 29,7 cm);
i) Orientação padra: vertical. Em algumas páginas, em função do conteúdo, poderá
ser usada a orientação horizontal;
j) Recuos: entrada dos títulos das seções: nenhum; entrada de parágrafo (primeira
linha): 1,25 cm ou nenhum (muito usado atualmente para artigos);citações diretas
longas: 4 cm para a esquerda;
k) Espaçamento: corpo do texto: espaço entrelinhas 1,5;citações diretas longas (mais
de três linhas com recuo de 4 cm e fonte 11 ou 10) e espaço entrelinhas
simples;notas de rodapé: espaço entrelinhas simples, fonte 10; resumo e abstract:
espaço entrelinhas simples, fonte 1211;separação entre os títulos das seções e o
corpo do texto: 1 “enter” (com entrelinhas 1,5);

11
Os artigos científicos têm usado 10 ou 11.
15
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
l) Margens é imprescindível, em trabalhos, a aplicação das seguintes margens nas
folhas de tamanho A4: Superior e esquerda: 3 cm; inferior e direita: 2 cm(podendo
variar para 2,5 cm).

2. Trabalhos Científicos e TCC – Trabalho de Conclusão de Curso


Os trabalhos científicos devem ser elaborados de acordo com normas preestabelecidas
(pela ISO, pelo órgão regulamentador no país e pela IES) e com os fins a que se destinam.
Serem inéditos ou originais e contribuírem não só para a ampliação de conhecimentos ou a
compreensão de certos problemas, mas também servirem de modelo ou oferecer subsídios
para outros trabalhos. Para SALVADOR (1980, p. 11), os trabalhos científicos, originais,
devem permitir a outro pesquisador, baseado nas informações dadas: “a) reproduzir as
experiências e obter os resultados descritos, com a mesma precisão e sem ultrapassar a
margem de erro indicada pelo autor; b) repetir as observações e julgar as conclusões do
autor;
c) verificar a exatidão das análises e deduções que permitiram ao autor chegar às
conclusões”.
Já REY (1978, p. 29) aponta: “a) Observações ou descrições originais de fenômenos
naturais, espécies novas, estruturas e funções, mutações e variações, dados ecológicos etc.
b) Trabalhos experimentais cobrindo os mais variados campos e representando uma das
mais férteis modalidades de investigação, por submeter o fenômeno estudado às condições
controladas da experiência. c) Trabalhos teóricos de análise ou síntese de conhecimentos,
levando à produção de conceitos novos por via indutiva ou dedutiva; apresentação de
hipóteses, teorias etc.”.
Os trabalhos científicos podem ser realizados com base em fontes de informações
primárias ou secundárias e elaborados de várias formas, de acordo com a metodologia e
com os objetivos propostos.
Quando a estrutura, os trabalhos científicos e os trabalhos de conclusão de cursos seguem o
descrito no ponto 1 deste capítulo.

3. Monografia
Corresponde a descrição ou tratado especial de determinada parte de uma ciência qualquer,
dissertação ou trabalho escrito que trata especialmente de determinado ponto da ciência, da

16
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
arte, da história etc., ou trabalho sistemático e completo sobre um assunto particular,
usualmente pormenorizado no tratamento, mas não extenso em alcance.
Trata-se, portanto, de um estudo sobre um tema específico ou particular, com suficiente
valor representativo e que obedece a rigorosa metodologia. Investiga determinado assunto
não só em profundidade, mas também em todos os seus ângulos e aspectos, dependendo
dos fins a que se destina.
Tem como base a escolha de uma unidade ou elemento social, sob duas circunstâncias:
1) Ser suficientemente representativo de um todo cujas características se analisam;
2) Ser capaz de reunir os elementos constitutivos de um sistema social ou de refletir as
incidências e fenômenos de caráter autenticamente coletivo.
A monografia apresenta algumas características:
a) Trabalho escrito, sistemático e completo;
b) Tema específico ou particular de uma ciência ou parte dela;
c) Estudo pormenorizado e exaustivo, abordando vários aspectos e ângulos do caso;
d) Tratamento extenso em profundidade, mas não em alcance (nesse caso, é limitado);
e) Metodologia específica;
f) Contribuição importante, original e pessoal para a ciência.
A característica essencial não é a extensão, como querem alguns autores, mas o caráter do
trabalho (tratamento de um tema delimitado) e a qualidade da tarefa, isto é, o nível da
pesquisa, que está intimamente ligado aos objetivos propostos para a sua elaboração.
A monografia implica originalidade, mas, também, até certo ponto, uma vez que é
impossível obter total novidade em um trabalho; isto é relativo, pois a ciência, sendo
acumulativa, está sujeita a revisões sucessivas.
Estrutura da Monografia
Os trabalhos científicos, em geral, apresentam a mesma estrutura: introdução,
desenvolvimento e conclusão.
Pode haver diferenças quanto ao material, o enfoque dado, a utilização desse ou daquele
método, dessa ou daquela técnica, mas não em relação à forma ou à estrutura.
1. Introdução – Formulação clara e simples do tema da investigação; é a apresentação
sintética da questão, importância da metodologia e rápida referencia a trabalhos
anteriores, realizados sobre o mesmo assunto.
2. Desenvolvimento – Fundamentação lógica do trabalho de pesquisa, cuja finalidade
é expor e demonstrar.
17
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
3. Conclusão – Fase final do trabalho de pesquisa, mas não somente um fim.
Quanto aos elementos pré-textuais, a monografia segue a estrutura apresentada no ponto.
Vale adicionar, a obrigatoriedade da lombada (consiste na parte da capa do trabalho que
reúne as margens internas das folhas, sejam elas costuradas, grampeadas, coladas ou
mantidas juntas de outra maneira).
Deste modo, a capa terá os mesmos elementos citados, a folha de rosto idem, apenas a que
alterar a natureza para: Monografia apresentada ao Curso de Ciências da Comunicação, da
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Independente de Angola, como
pré-requisito para a obtenção do Título de Licenciado em Ciências da Comunicação, área
de Jornalismo. A ficha catalográfica terá os mesmos elementos e, adicionar a palavra
monografia e o nome do orientador.
É obrigatório adicionar, após a ficha, a folha de aprovação (Elemento obrigatório, que
deverá ser incluída na versão final, após a aprovação do trabalho pela banca examinadora).
A folha de aprovação deve conter os seguintes itens:
a) O nome do autor – centrado no topo;
b) O título do trabalho e subtítulo se houver – logo após o autor, centrado e em
destaque (como na folha de rosto);
c) A natureza (tipo do trabalho, objetivo, nome da instituição, área de concentração)
e o conceito obtido (aprovada ou rejeitada);
d) O local e data de aprovação.
e) O nome do coordenador do curso ou responsável pela faculdade (caso seja
inexistente a figura do coordenador do curso);
f) O nome, titulação e assinatura dos componentes da banca examinadora e
instituições a que pertencem.
Os demais elementos pré-textuais seguem a estrutura do ponto 1 deste capítulo.
No que se refere aos elementos textuais e pós-textuais, a estrutura segue rigorosamente o
descrito no ponto 1 deste capítulo.
Escolha do Tema
Na esco1ha, o estudante poderá tomar a iniciativa, selecionando um assunto ou problema
de trabalho, de acordo com suas preferências, evidenciadas durante o curso de graduação.
Pode aceitar o tema indicado pelo professor ou esco1her um tópico, constante de uma
relação oferecida pelo orientador ou pela IES, tendo sempre em vista o seu interesse.

18
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
O tema geral de um estudo também "pode ser sugerido por alguma vantagem prática ou
interesse científico ou intelectual em benefício dos conhecimentos sobre certa situação
particular", afrrma SELLTIZ (1965 p. 33-4).
Escolhido o tema, a primeira coisa a fazer é procurar conhecer o que a ciência atual sabe
sobre o mesmo, para não cair no erro de apresentar como novo o que já é conhecido há
tempos, de demonstrar o óbvio ou de preocupar-se em demasia com detalhes sem grande
importância, desnecessários ao estudo.
Este trabalho prévio abrange três aspectos:
a) Orientação geral sobre a matéria que vai ser desenvolvida;
b) Conhecimento da bibliografia pertinente;
c) Reunião, seleção e ordenação do material levantado.
A bibliografia relacionada com o estudo muitas vezes é indicada pelo próprio professor
e/ou orientador. Nesse caso, o estudante tem à sua disposição o material necessário ao seu
trabalho.
Outros pontos importantes a serem considerados: relevância do assunto, áreas
controvertidas ou obscuras, natureza e extensão da contribuição.
No conhecimento da bibliografia faz-se necessário consultar, ler e fichar os estudos já
realizados sobre o tema, com espírito crítico, valendo-se da literatura especializada, a partir
dos trabalhos mais gerais e indo a seguir para os estudos mais específicos.
Quanto ao assunto escolhido, devem-se ainda observar algumas qualidades importantes:
a) Ser proporcional (em suas partes);
b) Ter valor científico;
c) Não ser extenso demais ou muito restrito;
d) Ser claro e bem delineado.
As monografias referentes ao grau de conclusão do estudante universitário não podem ser
consideradas verdadeiros trabalhos de pesquisa (para o qual os estudantes não estão ainda
capacitados, salvo raras exceções), mas estudos iniciais de pesquisa.
O trabalho de investigação – teórico ou prático, bibliográfico ou de campo - dá
oportunidade ao estudante para explorar determinado tema ou problema, levando-o a um
estudo com maior ou menor profundidade e/ou extensão. Possibilita o desenvolvimento de
sua capacidade de coletar, organizar e relatar informações obtidas e, mais, de analisar e até
de interpretar os dados de maneira lógica e apresentar conclusões.

19
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
4. Dissertação
Corresponde a "um estudo teórico, de natureza reflexiva, que consiste na ordenação de
ideias sobre determinado tema" (SALVADOR, 1980, p. 35); também, entendida como a
"aplicação de uma teoria existente para analisar determinado problema" (REHFELDT,
1980, p. 62); ou "trabalho feito nos moldes da tese com a peculiaridade de ser ainda uma
tese inicial ou em miniatura" (SALOMON, 1999, p. 222).
Dissertação é, portanto, um tipo de trabalho científico apresentado ao final do curso de
pós-graduação, visando obter o título de mestre. Tem caráter didático, pois se constitui em
um treinamento ou iniciação à investigação.
Situa-se entre a monografia e a tese, porque aborda temas em maior extensão e
profundidade do que a primeira e é fruto de reflexão e de rigor científico, próprio da tese.
A estrutura e o plano de trabalho da dissertação praticamente são idênticos aos da
monografia, mas esta distingue-se daquela pela contribuição significativa na solução de
problemas, contribuindo para o avanço científico, na área em que o estudo se realiza.
Sua estrutura é semelhante à da monografia, sofrendo algumas alterações, pontuais, como a
inclusão da palavra dissertação. Na folha de rosto fica assim: Dissertação apresentada ao
Curso de Ciências da Comunicação, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
Universidade Independente de Angola, como pré-requisito para a obtenção do Título de
Mestre em Ciências da Comunicação, área de Jornalismo. A ficha catalográfica terá os
mesmos elementos e, adicionar a palavra dissertação e o nome do orientador.
Para Salvador (1980), a dissertação pode ser:
 Expositiva. Quando reúne e relaciona material obtido de diferentes fontes,
expondo o assunto com fidedignidade e demonstrando habilidade não só de
levantamento, mas também de organização.
 Argumentativa. Quando requer interpretação das ideias apresentadas e
posicionamento do pesquisador.
A dissertação (tese de mestrado) é de natureza semelhante à tese (memória doutoral), no
sentido de que contribui, de modo substancial, na solução de problemas importantes.
Além dos aspectos de qualidade, existem as limitações de tempo, de fundos e de esforços,
que geralmente restringem a extensão e a quantidade do estudo, aspectos que não podem
deixar de ser considerados em trabalhos desse tipo.
Escolha do Tema

20
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
Dado que o tema de uma dissertação requer tratamento científico, deve ser especializado.
São vantagens da especialização:
a) A possibilidade de investigar em profundidade uma parte da ciência, chegando a
conclusões e deduções mais concretas;
b) A facilidade de encontrar um método mais adequado, que leve ao conhecimento
aprofundado por meio de técnicas e instrumentos de trabalho;
O tema a ser escolhido tem que:
 Ser adequado à cultura geral, às preferências pessoais, aos idiomas que se conhece
e à especialidade que domina;
 Levar em consideração os meios físicos (tempo e recursos financeiros) de que
dispõe;
 Analisar a disponibilidade de orientação académica da área em questão;
 Avaliar a importância do tema. Deve estar atento a uma questão teórica ou
concreta que afeta um segmento substancial da sociedade;
 Ter em conta que não pode ser demasiado extenso nem muito restrito. A extensão
prejudica a profundidade e a restrição leva ao desenvolvimento de questões sem
importância;
 Limitar e delimitar a partir do tema para ser bem compreendido e objetivo,
facilitando o domínio do tema;
 Ter originalidade, quer na abordagem, quer nas conclusões a que se chega;
 Ser exequível. Que pode chegar a uma conclusão válida.
No ato de determinação do tema é importante, fazerem-se alguns questionamentos, como:
 Que conhecimento e/ou experiências possuo do tema?
 De que documentação e/ou experimentação necessito?
 Posso obter a documentação com facilidade?
 Existem técnicas adequadas de experimentação?
 Que possíveis enfoques prevejo?
 Interesso-me pela procura de soluções para o problema?
 Tenho possibilidade de conseguir a orientação de um especialista no assunto?
Em uma segunda fase, deve-se tentar compreender o tema, ou seja:
 Levantar conjeturas sobre os possíveis enfoques, planejando a estratégia do
caminho a percorrer;

21
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
 Delimitar o tema, fugindo das grandes formulações e dos grandes temas, assim
como de aspectos distantes da experiência pessoal e dos meios de documentação;
 Analisar a formulação do tema em sua totalidade, isto é, seu significado literal
explícito e seu significado implícito (Barquero, 1979).

5. Tese
Tese é uma das modalidades de trabalho científico cuja origem se encontra na Idade
Média. Na época das universidades a defesa de tese representava "o momento culminante
de quem aspirava ao título de "doutor" (SALOMON, 1999, p. 211). Hoje, a exigência da
tese faz-se em dois níveis: para obtenção do título de doutor.
Conceitualmente, tese é a "opinião ou posição que alguém sustenta e está preparado para
defender" (BARRASS, 1979, p. 152); a "proposição que trata de demonstrar (...),
enunciação prévia do assunto ou doutrina, objeto de exame e discussão", que se deve
"apresentar, sustentar e defender em discussão pública contra objeções que lhe devem opor
os examinadores" (VEGA, 1969, p. 620); a proposição clara e terminantemente formulada
em um de seus aspectos formal e material, e que se submete à discussão ou prova; "ato
culminante do pensar reflexivo" (WHITNEY, 1958, p. 368). Para LEITE (1978, p. 1) a
tese é "um instrumento de pesquisa destinado a promover a aquisição de novos
conhecimentos com o objetivo de interpretação, predição e controlo do fenómeno em
estudo". SEVERINO (2000, p. 150) considera que tese é uma "abordagem de um único
tema, que exige pesquisa própria da área científica em que se situa, com os instrumentos
metodológicos específicos", podendo ser de origem experimental, histórica ou filosófica,
versando sempre "sobre um tema único, específico, delimitado e restrito". Portanto, a tese
representa o mais alto nível de pesquisa e requer não só exposição e explicação do material
coletado, mas também, e principalmente, análise e interpretação dos dados.
A tese pode ser considerada como um teste de conhecimento para o candidato, que deve
demonstrar capacidade de imaginação, de criatividade, e habilidade não só para relatar o
trabalho, mas também para apresentar soluções para determinado problema.
A tese constitui-se em um trabalho original de pesquisa, devendo o estudioso conhecer a
fundo quanto já foi dito sobre o mesmo tema. Prende-se à maturidade e à capacidade de
trabalho do candidato. Para uma pesquisa eficiente, há que se observar três regras básicas:
a) Precisão: ou exatidão dos dados no que diz respeito à pesquisa. Há que se observar
as referências bibliográficas, origem dos documentos, datas e outros detalhes. A
22
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
precisão deve acompanhar o pesquisador em todo o desenrolar de seu trabalho, do
início ao fim, evitando, dessa forma, perda de tempo;
b) Exaustão: significa exaurir o assunto, anotando os dados interessantes ou alguma
passagem útil ao trabalho. Todavia, essas anotações devem estar relacionadas e
limitadas ao tema escolhido. Uma boa leitura pode indicar as diretrizes e o caminho
a seguir, para a obtenção da real pesquisa;
c) Clareza: ou qualidade do que é inteligível, transparente, distinto. Na tese, devem-se
incluir: a análise, a reflexão, a preocupação do pesquisador em informar, explicar e
descrever ao leitor determinado assunto.
A estrutura da tese é semelhante à da monografia e à da dissertação, a diferença é que, o
tema deve ser mais amplo e aprofundado.
Nesta senda há as preliminares – os elementos pré-textuais serão os mesmos, havendo a
substituição do termo dissertação para tese.
INTRODUÇÃO
a) Definição do tema
A ideia central do trabalho deve ser exposta de modo claro, objetivo e preciso.
b) Delimitação
Nos casos em que o tema é apresentado como problema ou indagação, pode-se, na
introdução, levantar uma ou mais questões cuja resposta será explicitada no decorrer da
exposição. Estabelecem-se limites em relação ao assunto, à extensão, ao prazo, etc. O
universo ou a população (ou a amostra) deve ser bem especificado.
c) Localização no tempo e no espaço
Tanto nos trabalhos teóricos quanto nos que se voltam para atividades práticas é
importante que o pesquisador estabeleça limites no tempo e no espaço. Isto porque se torna
impossível conhecer e analisar dados referentes a um período muito longo ou área muita
extensa. O espaço físico precisa ser decididamente considerado.
d) Justificativa da escolha
A justificativa deve enfocar um ou mais dos seguintes aspectos:
• Relevância do estudo para a ciência;
• Esclarecimentos de aspectos obscuros;
• Complementação de estudos anteriores;
• Contribuição para a solução de problemas;
• Originalidade, importância, viabilidade e disponibilidade.
23
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
e) Objetivos
A formulação dos objetivos significa definir com precisão o que se visa com o trabalho
sobre dois aspectos: geral e específico.
• Geral– relacionado à ideia central que serve de "fio condutor" no estudo
proposto de fenómenos e eventos particulares: encontra-se ligado à
compreensão geral do todo, vinculando-se diretamente à própria significação
da tese que se propôs defender e explanar.
• Específico – em âmbito mais restrito, compreende etapas intermediárias, que,
sob aspectos instrumentais, permite o objetivo geral.
f) Definição dos termos
Trata-se do esclarecimento dos termos ou conceito utilizados, dando a definição correta ou
o ponto de vista adotado.
Quando o autor não encontra uma terminologia apropriada, deve construir um sistema
conceptual próprio e adequado, explicitando sua operacionalidade.
g) Indicação da metodologia
Exposição dos métodos de abordagem e de procedimentos, assim como das técnicas
utilizadas.
DESENVOLVIMENTO
Parte principal do corpo da tese. Descreve o desenvolvimento e apresenta os resultados
obtidos.
a) Revisão da literatura
Consiste em uma síntese, a mais completa possível, referente ao trabalho e aos dados
pertinentes ao tema, dentro de uma sequência lógica.
b) Metodologia ou procedimentos metodológicos
• Formulação do problema enunciado de hipóteses, determinação das variáveis
e indicação dos tipos de relação entre os diversos elementos.
• Explicitação dos procedimentos metodológicos, incluindo a descrição dos
instrumentos de pesquisa (observação, questionário, formulário, testes, escalas
etc.).
• Indicação do tratamento e inferência estatística.
• Seleção do sujeito (universo ou amostra).
• Informações sobre a coleta dos dados.
c) Construção dos argumentos
24
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s
Consiste na técnica para expor os argumentos no desenrolar da tese. Para Galliano (1977,
p. 130), há três tipos de técnicas de argumentação: 1. Oposição. Apresentação de duas
oposições fundamentais no enfoque do assunto, fator rico e sugestivo para o
desenvolvimento do tema. 2. Progressão. Relacionamento dos diferentes elementos, mas
encadeados em sequência lógica, havendo sempre relação entre um elemento e seu
antecedente. 3. Cronologia. Técnica baseada na sequência temporal dos acontecimentos.
As técnicas mais empregadas são: a oposição e a progressão.
d) Apresentação, análise e interpretação dos dados
• Apresentação e discussão dos resultados alcançados, correlacionados com
sentido intrínseco da(s) hipótese(s) da pesquisa.
• Demonstração das relações existentes entre fato ou fenómeno estudados e
outros fatores.
• Interpretação crítica dos dados, verificando se os mesmos comprovam, ou
refutam a(s) hipótese(s), por meio dos testes de hipóteses.
Elementos pós-textuais:
a) Apêndice e/ou anexos
Tanto no caso do apêndice, material elaborado pelo autor, quanto no do anexo, dados
complementares de outra autoria, somente o que é essencial à compreensão do
desenvolvimento do raciocínio, seu fundamento deve ser apresentado.
b) Glossário
Dispensável, quando, na definição dos termos, o autor explicou todos os conceitos
adotados.
c) Bibliografia
d) Índice remissivo de assuntos e/ou autores
É opcional. Entretanto, facilita a pesquisa e a utilização do conteúdo do trabalho por
estudiosos.
Em termos de estrutura, segue-se o modelo do ponto 1 deste capítulo, mas a instituição
responsável pela solicitação do estudo pode alterar de acordo com os princípios que a
norteia.

Atividade
Será anunciada na sala de aula.
25
Prof. Mauyr Machado – MIC/IDERO /2019.s