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Educação financeira e decisões de consumo, investimento e poupança:

a contribuição das experiências práticas e familiares

Saulo Fabiano Amâncio Vieira (PPGA/UEL) saulo@uel.br


Marcel Kaminagakura (UEL) mkaminagakura@gmail.com
Bruno Chimentão Punhagui (UEL) bchimentao@yahoo.com.br

Resumo:
O presente estudo busca identificar se a família e a experiência prática contribuem para melhores
decisões de consumo, poupança e investimento dos indivíduos, tendo como público alvo os
profissionais da área de odontologia cadastrados em uma assistência odontológica. O estudo tem
natureza quantitativa utilizando a estratégia survey. O universo consiste em 1196 profissionais
registrados no CRO. A Amostra não probabilística selecionada foi do tipo conveniência e a pesquisa
foi aplicada a 47 dentistas cadastrados na assistência odontológica. Os resultados apontaram que,
apesar dos profissionais afirmarem que a família é a principal fonte de conhecimento para gestão do
seu dinheiro, seguida pela experiência prática, os profissionais não mostraram que essas fontes
contribuíram significativamente para a melhor gestão do dinheiro. Também se verificou que os
profissionais mais velhos que deveriam ter maiores conhecimentos sobre princípios financeiros, em
relação aos mais jovens, na prática não pode se confirmou. Pelo contrário, estes profissionais
mostraram pouco conhecimento sobre a importância da poupança para a aposentadoria.
Palavra chave: Educação financeira, Educação básica, Decisões.

Financial education and consumer decisions, investment and saving:


the contribution of practical experiences and family

Abstract
This study seeks to identify if the family and pratical experience contribute to better decisions on
consumption, savings and investment by individuals, with the target healthcare professionals enrolled
in a dental care. The study is quantitative using the strategy survey. The universe consists of 1,196
professionals registered with the CRO. The non-probability sample selected was the type convenience
and the research was applied to 47 dentists in dental care. The results showed that despite the
professional stating that the family is the main source of knowledge to manage their money, followed
by practical experience, the professionals did not show that these sources contributed significantly to
better money management. We also found that older professionals, who should have more knowledge
about financial principles in relation to young people, in practice can not be confirmed. Rather, these
professionals have shown little knowledge of the importance of saving for retirement.
Keyword: Financial Education, Basic Education, Decisions.
1. Introdução
A educação escolar é fundamental para o desenvolvimento da pessoa, pois determinados
estudos só são proporcionados pela instituição escolar onde a educação é estruturada,
organizada e planejada de acordo com objetivos desejados. Espera-se que a educação básica
fornecida pelas instituições escolares forme indivíduos preparados para lidar com diversas
situações.
Porém, as escolas têm deixado uma grande lacuna na formação dos cidadãos brasileiros.
Segundo Halfeld (2004) muitos profissionais com alto nível de instrução, como médicos,
dentistas, advogados e jornalistas nunca tiveram a oportunidade de conhecer os princípios de
administração, de contabilidade ou de matemática financeira. Essas pessoas, embora sejam
bem capacitadas profissionalmente, acabam equivocando-se em decisões sobre dinheiro.
Sendo que a capacitação para o planejamento e controle financeiro pessoal não está inserida
no campo de educação convencional do país, a educação financeira restringe-se aos estudos
de nível superior nas áreas de Economia, Administração e Contabilidade e também a
experiências profissionais (LEAL e MELO, 2008, p.4). Apesar de ser um assunto de
fundamental importância a todos os indivíduos, aqueles que não pertencem a essas áreas não
têm a oportunidade de obter uma base de conhecimentos sólida sobre finanças pessoais.
Assim, essas pessoas que não estão devidamente preparadas para lidar com suas finanças
pessoais, têm que fazer um esforço maior para aprenderem durante seu dia a dia, na medida
em que surge sua necessidade, como fazer um financiamento, um empréstimo, um
investimento etc. Essas pessoas acabam tendo um comportamento reativo em vez de pró-
ativo, onde não há planejamento nem um conhecimento adequado para lidar com as situações
vividas. Por isso, aqueles que não têm a oportunidade de receber nenhuma base de
conhecimento durante sua formação acadêmica, têm apenas experiências práticas e a família
para formar sua base de conhecimento. Com isso, depara-se com a seguinte questão: qual a
contribuição que a experiência prática e a família têm em relação a melhores decisões de
consumo, investimento e poupança dos indivíduos?
Este trabalho tem como objetivo Verificar qual a contribuição que a experiência prática e a
família têm em relação a melhores decisões de consumo, investimento e poupança dos
indivíduos. Especificadamente, Verificar o perfil socioeconômico dos profissionais
pesquisados, o nível de conhecimento dos profissionais em relação ao uso correto das
finanças pessoais, onde os profissionais adquiriram conhecimento sobre finanças pessoais e
questionar se os mesmos sentem preparados para lidar com suas finanças e analisar a atitude
dos pesquisados em relação às decisões financeiras.

2. Fundamentação Teórica

2.1 Educação
A educação faz parte de todos os períodos da vida de uma pessoa. Em cada etapa o indivíduo
recebe educação através de diferentes atores: dos pais, por meio da escola, através da mídia, e
por outros meios. A educação está diretamente relacionada à formação do individuo.
Dessa forma, para a educação, entende-se uma divisão de responsabilidade e colaboração do
Estado e da família para que o desenvolvimento da pessoa possa ser efetuado de maneira
apropriada para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A colaboração do
Estado, na forma de proporcionar uma estrutura apropriada para os estudos, através da escola,
e também, oferecer materiais escolares e condições para que os alunos possam comparecer às
aulas. A família, não se limitando a círculo familiar, mas a população como um todo, onde
pessoas mais instruídas transferem conhecimentos aos menos instruídos.
Piletti (apud SAITO, 2007, p.13) considera a educação como um processo de influência
exercido pelas gerações adultas sobre a população jovem, com base em suas expectativas
sociais dominantes. Planchard (apud LIBÂNEO, 2001, p.64) diz que educar é conduzir de um
estado para outro, é agir de maneira sistemática sobre o ser humano, tendo em vista prepará-lo
para a vida num determinado meio.
Para este trabalho, será considerada a idéia de Brandão (2002) que diz que a educação não é
simplesmente “para a vida”, sob o olhar de que a educação é proporcionada de maneira a
preparar o cidadão em cada etapa de sua vida. Tendo a primeira educação proporcionada
pelos pais, em seguida complementada pela escola. Porém, a educação não se limita a estes
dois atores, pois ela ainda pode ser proporcionada pela pelo convívio social, pela mídia,
livros, museus, experiências práticas do dia a dia etc.

2.2 Educação Financeira


Antes de abordar especificamente a educação financeira, é importante definir o que é
finanças. Gitman (2004, p. 4) define finanças como “a arte e a ciência da gestão do dinheiro”.
Assim como Saito (2007) mencionou a importância da educação financeira para um bem estar
socioeconômico na vida dos indivíduos, Bordie e Merton (2002, p.32) afirmam que existem
pelo menos cinco boas razões para estudar finanças: Para administrar os recursos pessoais;
Para lidar com o mundo dos negócios; Para buscar oportunidades de carreira interessantes e
compensadoras; Para fazer escolhas como cidadão através de informações conhecidas
publicamente; Para expandir a mente.
Segundo Saito (2007) o conceito de Educação Financeira foi elaborado pela OCDE -
Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico:
O processo em que os indivíduos melhoram a sua compreensão sobre os produtos
financeiros, seus conceitos e riscos, de maneira que, com informação e
recomendação claras, possam desenvolver as habilidades e a confiança necessárias
para tomar decisões fundamentadas e seguras, melhorando o seu bem-estar
financeiro (OCDE apud SAITO, 2007, p.20).
Para fins desta pesquisa, a educação financeira será considerada a definição de Modernell
(2008) que diz que a educação financeira deve ser entendida como um conjunto de
orientações e esclarecimentos sobre posturas e atitudes adequadas no uso e planejamento de
recursos financeiros pessoais.

2.3 Alguns conceitos para compreender a educação financeira

Serão abordados alguns conceitos básicos para ajudar a compreensão do assunto e para
melhor desenvolvimento da pesquisa.

2.3.1 Tomada de decisões financeiras


A tomada de decisão está presente no dia a dia das pessoas em diversas situações do
cotidiano. Decidir qual a melhor opção de compra, a vista ou a prazo, qual o melhor momento
e a forma de pagamento de um automóvel, alugar ou financiar um imóvel, quanto é possível
se comprometer com financiamentos e empréstimos, dentre outras, são situações cotidianas
que envolvem a tomada de decisões por parte dos consumidores.
De acordo com Silva (1988, p. 81), a tomada de decisão é uma escolha entre alternativas.
Análise do processo de decisão é bastante complexo, pois envolve a experiência anterior,
método para a tomada de decisão e uso de instrumentos e técnicas que auxiliem o
administrador.
A proliferação de serviços e produtos oferecidos pelas instituições financeiras passou a exigir
maiores esforços por parte dos clientes, para a melhor escolha dos itens que propiciem os
benefícios esperados por eles. Produtos e serviços como os créditos para imóveis,
automóveis, contas correntes, poupanças, seguros, capitalização, entre outros, necessitam de
maiores entendimentos por parte dos clientes.

2.3.2 Poupança e investimentos


Poupança é resultado de toda a renda da pessoa subtraída as suas despesas. Para Oliveira e
Pacheco (2005, p. 8) poupar é deixar de consumir no presente a fim de poder consumir mais
no futuro, para isso, é necessário que haja um incentivo para que o poupador continue com
seus recursos investidos. Esse incentivo é representado pela taxa de juros que remunera o
dinheiro não gasto no presente.
Segundo Halfeld (2004, p. 21) as pessoas poupam com dois objetivos básicos: consumir mais
em breve, e enfrentar o declínio que a natureza impõe à capacidade produtiva do homem após
certa idade. Porém, segundo Cerbasi (2008, p.19), não basta poupar se seu dinheiro não se
multiplicar, pois ao final de muitos anos de investimento a pessoa teria apenas o que deixou
de consumir. Não teria feito nada além de adiar o consumo que poderia estar fazendo hoje.
Investir é o caminho da garantia ou da melhora no futuro daquilo que se construiu até hoje. É
possível alcançar um padrão de vida bastante superior ao que temos hoje se usarmos quatro
ingredientes fundamentais: tempo, dinheiro, decisões inteligentes e juros compostos (Cerbasi,
2004, p.116). As opções mais tradicionais de investimento são: a previdência privada, a
caderneta de poupança, ações e imóveis.

2.3.3 Crédito para pessoa física


Silva (1988, p. 22) diz que o crédito de que alguém dispõe é “a capacidade de obter dinheiro,
mercadoria ou serviço mediante o compromisso de pagamento num prazo determinado”. Silva
ainda define crédito como “um instrumento de política financeira a ser utilizado por uma
empresa comercial ou industrial na venda a prazo de seus produtos ou por um banco
comercial, por exemplo, na concessão de empréstimo, financiamento ou fiança”.
Para os bancos e instituições de crédito em geral, cujo principal produto é o dinheiro, não há a
possibilidade de venda a vista, o que torna o crédito o próprio negócio da instituição. O banco
comercial funciona como um intermediário financeiro, pois com os recursos captados no
mercado, através de depósitos efetuados por milhares de clientes-depositantes, o banco
empresta dinheiro ou financia bens aos seus clientes (SILVA, 1988, p. 22).
Securato et al (2007, p. 125) cita as quatro formas mais comuns de crédito para pessoa física,
que são concedidos pelas instituições financeiras e bancos: Cheque especial: caracteriza-se
por um empréstimo concedido com base na renda do cliente e de forma pré-aprovada pelo
banco. O autor ressalta que o termo “especial” não indica um tratamento diferenciado para um
cliente com um bom saldo bancário; Cartão de crédito: semelhante ao cheque especial, o
cliente também tem um limite pré-aprovado e o cliente tem consciência do valor de seu limite.
O cliente deverá ter uma conta bancária e uma comprovação de renda para a contratação de
uma administradora de cartão de crédito; Crédito pessoal: é um empréstimo direto em
dinheiro, em muitos casos sem comprovação de renda, somente com a garantia de um cheque
pré-datado; Crédito consignado (desconto em folha): o crédito é dado com base na renda
proveniente de salário e/ou benefícios periódicos do cliente. A parcela devida é descontada da
renda do cliente imediatamente quando esta é creditada na conta do cliente.
Segundo Silva (1988, p.23) existem além da operação de empréstimo, diversas outras
operações de financiamento de bens para clientes, concessão de fianças, desconto de
duplicatas e aplicações compulsórias.

2.3.4 Administração de risco


O conceito de risco foi estabelecido por Harry Markowitz, e seu embasamento teórico passou
a ser utilizado por todo o mercado para apurar a relação risco/retorno a fim de decidir qual
investimento, e o momento certo de entrar e sair (OLIVEIRA E PACHECO, 2005, p.246).
Oliveira e Pacheco (2005, p.245) definem risco como a incerteza quanto ao resultado futuro
de um investimento que pode ser medido matematicamente. E de maneira mais simples, pode
ser entendido como a probabilidade de que ocorra algo não esperado quanto ao retorno do
investimento, ou a probabilidade de ocorrer algo diferente do esperado.
Muitas decisões sobre alocação de recursos, como poupança, investimentos e decisões
financeiras são influenciadas pela presença do risco e, portanto, constituem parcialmente
decisões de administração do risco. A administração do risco é o processo de formular as
compensações de custo-benefício na redução do risco e decidir por um determinado curso de
ação (BORDIE E MERTON, 2002, p. 259).
Oliveira e Pacheco (2005, p. 244) afirmam que toda e qualquer alternativa de investimento no
mercado financeiro pode ser analisada sob três aspectos:
a) Rentabilidade: é a recompensa pelo adiamento da decisão de consumir;
b) Liquidez: é a capacidade de converter, o mais rápido possível, o investimento em dinheiro;
c) Segurança: é a certeza de que, ao deixar de consumir no presente, o consumo no futuro será
igual ao montante esperado.

2.3.5 Planejamento financeiro pessoal


O planejamento financeiro não significa especificamente economizar dinheiro, mas sim ter
um controle de despesas e receitas financeiras. Galhardo (2008, p.51) diz que controlar as
finanças é entender e acompanhar as várias entradas e saídas em um fluxo financeiro.
Segundo Cerbasi (2009, p. 5) organizar a vida financeira é para que a pessoa tenha maior
controle sobre seu dinheiro, maior consciência sobre suas escolhas e maior eficiência no uso
de sua renda. É importante ter um planejamento financeiro pelo simples motivo de que uma
pessoa nunca sabe quando podem acontecer situações que abale o orçamento familiar.

3. Procedimentos Metodológicos
A presente pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa quantitativa exploratória e descritiva,
com a aplicação de um survey em profissionais credenciados em uma empresa de assistência
odontológica presente na cidade de Londrina, Paraná.
A forma de amostragem utilizada nesse trabalho foi não probabilística sendo caracterizada
como amostra por conveniência, pois foi delimitada uma pequena amostra para facilitar a
coleta dos dados. A amostra selecionada é composta de 47 cirurgiões-dentistas cadastrados
em uma empresa de assistência odontológica. Dos 47 questionários aplicados 35 responderam
corretamente.
A coleta de dados foi feita de forma estruturada, não disfarçada e aplicada pessoalmente. O
instrumento de coleta de dados foi o questionário.
A pesquisa utilizou apenas a tabulação eletrônica através de avaliação estatística com base no
software Excel, e foram analisados os profissionais, de acordo com as variáveis: nível de
conhecimento e atitude dos indivíduos em relação às suas decisões financeiras.
Os métodos de análises dos dados são baseados em Lucci et al (2006) que firam adaptados
para esta pesquisa e são descritos a seguir:
a) “Verificar o perfil socioeconômico dos profissionais pesquisados”. Para este objetivo
específico não foi elaborado nenhuma hipótese. Porém, para levantar os dados sobre a
amostra pesquisada, foram elaboradas dez questões (Q1 a Q10).
b) “Verificar o nível de conhecimento dos profissionais em relação ao uso correto das
finanças” Q13 a Q21.
c) “Verificar onde os profissionais adquiriram conhecimento sobre finanças pessoais e
questionar se os mesmos sentem preparados para lidar com suas finanças”. As questões foram
a Q11 e Q12.
d) “Analisar a atitude dos pesquisados em relação às decisões financeiras”, Q14, Q16, Q18,
Q20 e Q22.

4 Análise dos dados


A seguir serão apresentados os resultados da pesquisa após sofrer um tratamento estatístico
com o objetivo de descreve o perfil dos respondentes, o nível de conhecimento sobre a
educação financeira, a fonte de conhecimento sobre o assunto, o nível de preparo para lidar
com as finanças e a atitude em relação às decisões financeiras.
4.1 Perfil dos respondentes
Quanto ao perfil, os profissionais da área de Odontologia podem ser descritos pelos
indicadores de características individuais levantadas pela presente pesquisa. A população
pesquisada é formada predominantemente por pessoas do sexo feminino, compondo do total
65,71%, com idade concentrada de 30 a 40 anos (57,14%). Quanto ao estado civil, a maioria
(68,57%) é composta por casados, e 63,86% já possuem filhos.
Em relação ao grau de escolaridade, 74,29% dos profissionais já buscaram maiores
conhecimentos do que apenas o adquirido no curso de graduação, 68,57% já possuem pós-
graduação e 5,71% possuem mestrado. Quanto à experiência profissional, os respondentes
mostraram ser bastante experientes na atividade, 57,14% possuem mais de 10 anos de
experiência profissional e 22,86% de 6 a 10 anos.
A renda pessoal é concentrada (40%) na faixa de 6 a 9 salários, considerando o salário
mínimo em torno de R$ 465,00, a faixa em termos financeiros estaria de R$ 2790,00 a R$
4185,00. Já a renda familiar, há uma melhoria no nível de renda, praticamente toda população
(94,29%) fica acima de 6 salários, e um aumento considerável na faixa de 10 a 13 salários, de
17,14% para 25,71%, e na faixa acima de 13 salários, de 17,14% para 31,43%.
Em relação aos gastos pessoais, estima-se que 39,03% dos profissionais gastam a renda
pessoal com despesas gerais, 22,22% gastam a renda com despesas pessoais, 15,10% da renda
para empréstimos e financiamentos, 13,96% para poupança e investimentos, e 9,69% é
destinado para outros tipos de despesas.

4.2 Nível de conhecimento dos profissionais de Odontologia a respeito de assuntos de


finanças pessoais
Neste tópico, serão apresentados os resultados obtidos através de cruzamentos de tempo de
experiência e questões que buscam identificar o conhecimento sobre os conceitos chave em
finanças. Para isso, foram separados dois grupos de profissionais, um grupo com profissionais
com tempo de experiência de até 10 anos, e outro com profissionais com tempo de
experiência acima de 10 anos:
a) Primeiramente foi feito um cruzamento do tempo de experiência dos profissionais com a
questão 13, relativa à liquidez de investimentos. O resultado foi que os profissionais com
tempo de experiência acima de 10 anos tiveram um percentual de acerto de 55%. Enquanto os
profissionais com tempo de experiência inferior a 10 anos apresentaram acerto relativamente
próximo a 46,67%. Portanto, os profissionais com maior tempo de experiência apresentaram
um maior conhecimento em relação à liquidez de investimentos.
b) Outro cruzamento foi feito envolvendo o tempo de experiência dos profissionais com a
questão 15, relativa a juros compostos no tempo. O resultado desse cruzamento não evidencia
nenhum resultado representativo, visto que, os percentuais de acerto da questão 15 são
praticamente iguais para os dois grupos analisados (80%).
c) O cruzamento do tempo de experiência dos profissionais com a questão 17, relativa às
despesas financeiras do cartão de crédito obteve o mesmo resultado do cruzamento anterior,
ou seja, não evidencia nenhum resultado representativo, visto que, os percentuais de acerto da
questão 17, até 10 anos 93,33% e acima de 10 anos 90,00%, não contem nenhuma
discrepância considerável para fazer uma correlação dos dados apresentados.
d) O cruzamento do tempo de experiência dos profissionais com a questão relativa às taxas de
juros e outras despesas em financiamentos resultou que os profissionais com menor tempo de
experiência tiveram maior nível de acerto, 86,67%, enquanto que apenas 65% dos
profissionais com experiência acima de 10 anos acertam a mesma questão.
e) O cruzamento do tempo de experiência dos profissionais com a questão 21, relativa ao
conceito de poupança mostrou que os profissionais com maior tempo de experiência tiveram
maior nível de acerto, 95%, enquanto que apenas 60% dos profissionais com tempo de
experiência de até 10 anos acertam a mesma questão.

4.3 Análise das fontes de informação e nível de segurança


Para analisar as principais fontes de informação a respeito de finanças pessoais e verificar se
os profissionais se sentem preparados para lidar com suas finanças pessoais, duas questões
foram elaboradas. A questão 12, que diagnostica quais são as principais fontes de informação,
e a questão 11, que questiona qual o nível de segurança de cada profissional. Para fazer a
análise dos dados foram separados três grupos de diferentes faixas etárias, a primeira, com
pessoas de até 30 anos, a segunda, com pessoas de 30 a 40 anos, e o terceiro, com pessoas de
acima de 40 anos:
a) Primeiramente foi feito um cruzamento da faixa etária dos entrevistados com a questão 12,
relativa à principal fonte de conhecimento sobre finanças pessoais. O resultado não mostra
variação significativa dos resultados. O que foi observado é que em todas as faixas etárias a
principal fonte de informação a respeito de finanças pessoais é a própria família, seguida da
experiência prática.
b) O cruzamento da faixa etária com a questão relativa ao nível de preparo para lidar com as
finanças pessoais, na visão dos entrevistados. O resultado foi que a única faixa etária que
contém pessoas que afirmaram sentir muita segurança para gerir seu dinheiro é a com pessoas
acima de 40 anos. Porém, o que se pode observar é que as faixas etárias de pessoas mais
velhas, de 31 a 40 anos e acima de 40 anos, são as que apresentaram maior índice de pessoas
não muito seguras. E na faixa de pessoas com até 30 anos, 60% afirmaram sentir-se
razoavelmente seguro.

4.4 Análise das atitudes dos entrevistados em relação às decisões financeiras


Para analisar as atitudes dos entrevistados quanto a decisões financeiras, foram feitas questões
para avaliar a atitude dos entrevistados diante diferentes situações. Para analisar as atitudes,
foram feitos cruzamentos relacionados à faixa etária, e outras questões que abrangiam o
mesmo assunto:
a) Primeiramente foi feito um cruzamento da faixa etária com a questão 16, relativa à
propensão a poupança. O resultado foi que em todas as faixas etárias as pessoas sentem que é
necessário poupar para o futuro e que para isso é necessário fazer um plano de previdência
privada. Um fato negativo desses dados é que uma parcela significativa (30%) das pessoas
acima de 40 anos possuem apenas planos para o futuro, enquanto que já deveria estar
poupando. O que pode ser observado também é que nenhuma das pessoas considerou que não
é necessário fazer uma poupança para o futuro.
b) Em cima dos resultados do cruzamento anterior, verificou-se a necessidade de analisar mais
uma questão. Fazer um cruzamento dessas faixas etárias, com a questão 15, que verifica o
conhecimento em relação ao efeito dos juros compostos ao longo do tempo. Resultou-se que
20% da faixa etária acima de 40 anos não entenderam o efeito dos juros ao longo do tempo.
Fato que pode ser relacionado ao cruzamento anterior onde 30% das pessoas acima de 40
anos possuem apenas planos para poupar para o futuro. Este número deveria ser menor se
mais pessoas entendessem que poupar desde cedo o efeito no decorrer do tempo é maior,
devido aos juros compostos.
c) No cruzamento da faixa etária com a questão 14, relativa à propensão ao risco mostram que
as pessoas de faixa etária mais elevada estão dispostas a correr mais riscos do que as mais
jovens. Das faixas etárias de 31 a 40 anos e acima de 40 anos, 60% preferem investimentos
mais rentáveis mesmo que tenham algum risco, como as ações e os fundos de investimento.
Enquanto que a faixa etária de até 30 anos, 60% preferem investimentos mais seguros mesmo
que ofereçam menor rendimento, como a poupança e os bens imóveis.
d) O cruzamento dos possuidores de dívidas com conhecimentos em despesas financeiras do
cartão de crédito não apresentou nenhuma variação significativa para que possa ser feito uma
análise mais precisa. A princípio, o cruzamento dessas informações visou verificar se as
pessoas possuidoras de dívidas tinham conhecimento de que o não pagamento do valor total
da fatura do cartão de crédito gera despesas financeiras. Portanto, aqui não foi encontrado
nenhum valor possível de análise.
e) No cruzamento dos possuidores de dívidas com a questão 20 que verifica a atitude dos
entrevistados a respeito de conhecimentos sobre taxas de juros e outras despesas em
financiamentos, todas as pessoas, possuidoras de dívidas ou não, mostraram maior propensão
a poupar para comprar à vista ao invés de financiar. Dos entrevistados que não possuem
dívidas, 76,92% preferem comprar à vista, enquanto 23,08% preferem ficar no meio termo. É
interessante observar que, 100% dos entrevistados que possuem dívidas e não planejaram
corretamente as dívidas (não sabe como, nem quando irá pagá-las) disseram preferir planejar
e poupar por 15 meses para comprar o carro à vista, do que aderir a um financiamento.
f) No cruzamento das pessoas que acertaram a questão sobre qual recurso é menos eficiente
em caso de emergência, com a questão sobre o ativo financeiro que oferece maior segurança
para uma família em caso de desemprego, da opção de recurso menos eficiente, bens imóveis,
55,56% afirmaram que o tipo de investimento que melhor protegeria uma família em caso de
desemprego seria os fundos de investimentos, que seria uma boa opção, pois os recursos não
demoram a ser resgatados e ainda geram um rendimento extra enquanto estiverem aplicados.
Ainda, 33% apesar de afirmarem que o recurso menos eficiente em caso de emergência ser os
bens imóveis, também consideraram que seria o melhor tipo de investimento para proteger
uma família em caso de desemprego. E outros 11%, consideraram o depósito em conta
corrente o melhor investimento para proteger a família, não sendo uma opção tão ruim, pois
pode ajudar a família no momento que precisarem, porém não há rendimentos para manter a
ajuda por muito tempo. Um dado interessante a se observar é que todas as pessoas (100%)
que afirmaram que os fundos de investimentos seria o recurso menos eficiente em caso de
urgência, também afirmaram que os fundos de investimentos seriam o melhor tipo de
investimento para proteger uma família em caso de desemprego.

5 Considerações finais
A presente pesquisa teve por finalidade verificar qual a contribuição que a experiência prática
e a família têm em relação a melhores decisões de consumo, investimento e poupança dos
profissionais formados no curso de Odontologia. Para tanto, formulou-se hipóteses
relacionadas ao tema para satisfazer aos objetivos específicos, sobre as quais se tem os
seguintes dados:
a) “Verificar o perfil socioeconômico dos profissionais pesquisados”. Para este objetivo
específico não foi formulado nenhuma hipótese, tendo este objetivo apenas para levantar
dados da população pesquisada e transformá-los em informações para análise posterior.
b) “Verificar o nível de conhecimento dos profissionais em relação ao uso correto das finanças
pessoais”. Para atingir este objetivo específico, foi formulada uma hipótese (H1) que será
apresentada a seguir.
H1: “Os profissionais da área de Odontologia formados há mais tempo possuem maior nível
de conhecimento do que os formados há menos tempo”. De acordo com os resultados
apresentados nos cruzamentos do tópico relacionado ao nível de conhecimento dos
profissionais de Odontologia a respeito de assuntos de finanças pessoais não é possível
afirmar com segurança que os profissionais com mais tempo de experiência possuem um
maior nível de conhecimento do que os com menos tempo de experiência, e vice versa, pois
os dados apresentados foram equilibrados para os dois lados. Os profissionais com tempo de
experiência inferior a 10 anos tiveram maior nível de acerto em questões relativas às despesas
financeiras no cartão de crédito e sobre juros e outras despesas em financiamentos. Enquanto,
os profissionais com tempo de experiência superior a 10 anos tiveram maior nível de acerto
em questões relativas à liquidez de ativos financeiros e ao planejamento financeiro e a
poupança. Sobre o assunto de juros compostos, os dois grupos apresentaram o mesmo nível
de acerto (80%).
c) “Verificar onde os profissionais adquiriram conhecimento sobre finanças pessoais e
questionar se os mesmos sentem preparados para lidar com suas finanças”. Para atingir este
objetivo, foram formuladas duas hipóteses (H2 e H3) que serão apresentadas a seguir.
H2: “Os profissionais mais jovens consideram que tiveram a família como a principal fonte de
conhecimento sobre o assunto, enquanto os mais velhos sentem que a experiência prática que
formou a base de conhecimento necessária para administrar o seu dinheiro”. Verificou-se que
com a presente pesquisa que esta hipótese não é verdadeira, pois para as faixas etárias
analisadas, todas afirmaram que a principal fonte de conhecimento sobre o assunto de
finanças pessoais é a família, seguida pela experiência prática. Então, pode-se considerar que
a principal fonte de conhecimento sobre finanças pessoais é a própria família, e a experiência
prática vivida pelos entrevistados é outra fonte com grande contribuição, porém com menor
influência do que a família.
H3: “Os profissionais formados há mais tempo sentem mais preparados para lidar com suas
finanças pessoais do que os recém formados”. Verificou-se com a presente pesquisa que esta
hipótese não pode ser confirmada. Dos entrevistados com até 30 anos, 60% afirmam estar
razoavelmente seguro, enquanto que os entrevistados de 31 a 40 anos e acima de 40 anos,
afirmaram não sentir muito seguro com índices de 60% e 50%, respectivamente. Porém, os
únicos entrevistados que afirmaram sentir-se muito seguro para gerenciar seu próprio
dinheiro, foram os com mais de 40 anos, com total de 30%.
d) “Analisar a atitude dos pesquisados em relação às decisões financeiras”. Para atingir este
objetivo, foram formuladas quatro hipóteses (H4, H5, H6 e H7) que serão apresentadas a
seguir.
H4: “Os profissionais mais velhos têm maior propensão a poupança do que os profissionais
mais jovens”. Através da análise do cruzamento da faixa etária com a propensão a poupança
dos entrevistados, encontrou-se menos pessoas com a faixa etária acima de 40 anos propensos
a poupança. Verificou-se que 40% das pessoas com a faixa etária acima de 40 anos possuem
planos de previdência privada, contra 60% de pessoas com menos de 30 anos, e 70% de 31 a
40 anos. Ainda das pessoas acima de 40 anos, 30% possuem apenas planos para poupar para a
aposentadoria, e 20% pretendem ter apenas a aposentadoria oferecida pelo governo. Para
ajudar a entender esse resultado, foi realizado outro cruzamento, para analisar a faixa etária
com a questão relativa ao efeito dos juros compostos ao longo do tempo. Encontrou-se que
20% dos entrevistados com mais de 40 anos não souberam responder a questão sobre os juros
compostos. Com isso, pode-se relacionar as pessoas que não começaram a poupar ainda, com
as pessoas que não entenderam o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.
H5: “Os profissionais mais jovens têm maior propensão ao risco do que os profissionais mais
velhos”. Esta hipótese não foi confirmada, pois se verificou que os profissionais mais jovens
mostraram-se mais conservadores na escolha dos seus investimentos. Dos entrevistados com
menos de 30 anos, 60% optaram por investimentos mais conservadores como poupança e
bens imóveis, enquanto que os entrevistados de 31 a 40 anos e os com mais de 40 anos, 60%
optaram por investir em ações e em fundos de investimentos, onde ambos envolvem riscos.
H6: “Os profissionais que possuem dívidas têm menos conhecimento de despesas financeiras
com cartão de crédito, e taxas de juros e outras despesas em financiamentos”. Quanto ao
cruzamento dos profissionais possuidores de dívida com conhecimentos relativos às despesas
financeiras com cartão de crédito não foi possível fazer nenhuma análise, pois os dados
coletados não apresentaram nenhuma variação significativa. Porém, com o cruzamento da
posse de dívidas com o conhecimento das taxas de juros e outras despesas financeiras,
verificou-se que aqueles que não possuem dívidas foram os que mais afirmaram preferir
poupar para depois comprar à vista. Uma informação contraditória foi a que todas as pessoas
que possuem dívidas mal planejadas, que não sabem como nem como irão quitá-las,
afirmaram em unanimidade também preferir poupar e comprar à vista.
H7: “Os profissionais que mais acertaram sobre recursos menos eficientes em caso de
urgência são também os que têm mais conhecimentos sobre os ativos que oferecem mais
segurança para uma família em caso de desemprego”. Esta hipótese pode ser confirmada
visto que 55,56% dos entrevistados que falaram que o recurso menos eficiente são os bens
imóveis, também falaram que o melhor tipo de investimento para proteger uma família em
caso de desemprego são os fundos de investimentos, e ainda 11,11% também falaram que são
os depósitos em conta corrente. Aqui também foi encontrada outra informação contraditória,
todas as pessoas (100%) que afirmaram que os fundos de investimentos seria o recurso menos
eficiente em caso de urgência, também afirmaram que os fundos de investimentos seriam o
melhor tipo de investimento para proteger uma família em caso de desemprego.
Em relação ao objetivo geral da pesquisa, a presente pesquisa não encontrou fatos concretos
de que a experiência prática e a família contribuem para a melhor tomada de decisões de
consumo, investimento e poupança dos profissionais da área de Odontologia.
As respostas dadas pelos entrevistados colocam a família como a principal fonte de
informação a respeito assuntos financeiros, seguida pela experiência prática. Porém, as
respostas apresentadas mostraram que os profissionais da área de Odontologia necessitam de
um maior preparo para gerenciar o próprio dinheiro.
A presente pesquisa diagnosticou também que os profissionais mais velhos, que deveriam ter
mais experiência e consciência sobre finanças pessoais, são os que menos possuem uma
poupança destinada à aposentadoria.
Com base no que foi relatado durante esta pesquisa constata-se que é necessário suprir os
profissionais da área de Odontologia com maiores informações a respeito de finanças
pessoais. Desta forma, destaca-se a necessidade da educação financeira ser oferecida a essas
pessoas através da educação formal, já que a educação apenas com a prática da atividade os
pesquisado afirmam não serem suficientes para gerenciar o próprio recurso.

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