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SUPERVISOR

TÉCNICO DE SMS
GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS
SUPERVISOR TÉCNICO DE SMS
Gerenciamento de Resíduos

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LIMA, Endrigo Pino Pereira


Gerenciamento de Resíduos / CEFET-RS. Pelotas, 2006.

105 p.:il.

PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S.A.

Av. Almirante Barroso, 81 – 17º andar – Centro


CEP: 20030-003 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil

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ÍNDICE

APRESENTAÇÃO.......................................................................................................................................9
UNIDADE I - PROBLEMAS AMBIENTAIS ................................................................................10
1 CONCEITOS AMBIENTAIS .....................................................................................................................11
2 PROBLEMAS GLOBAIS .......................................................................................................................111
2.1 EFEITO ESTUFA ............................................................................................................................12
2.2 CHUVA ÁCIDA...............................................................................................................................13
2.3 DESTRUIÇÃO DA CAMADA DE OZÔNIO ............................................................................................14
2.4 PERDA DA BIODIVERSIDADE ..........................................................................................................14
2.5 DEGRADAÇÃO DOS SOLOS ............................................................................................................15
2.6 CRESCIMENTO POPULACIONAL......................................................................................................15
3 PROBLEMAS DAS GRANDES CIDADES....................................................................................................15
3.1 ABASTECIMENTO DE ÁGUA ............................................................................................................16
3.2 TRATAMENTO DE EFLUENTES ........................................................................................................16
3.3 DISPOSIÇÃO DE LIXO ....................................................................................................................17
3.4 POLUIÇÃO DE VEÍCULOS ...............................................................................................................18
UNIDADE II – RESÍDUOS SÓLIDOS ........................................................................................19
4 ORIGEM E CARACTERIZAÇÃO ...............................................................................................................19
4.1 DEFINIÇÃO...................................................................................................................................19
4.2 CLASSIFICAÇÃO ...........................................................................................................................19
4.2.1 PERICULOSIDADE .........................................................................................................................20
4.2.2 CLASSES DOS RESÍDUOS .............................................................................................................20
4.2.3 COMPOSIÇÃO ..............................................................................................................................22
5 PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS ..............................................................................22
6 ACONDICIONAMENTO ..........................................................................................................................24
7 COLETA E TRANSPORTE ......................................................................................................................25
8 COLETA SELETIVA ..............................................................................................................................25
9 TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS ...................................................................................................28
9.1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................................288
9.2 MINIMIZAÇÃO ...............................................................................................................................30
9.3 VALORIZAÇÃO ..............................................................................................................................30
9.4 RECICLAGEM ...............................................................................................................................30
9.5 RECUPERAÇÃO ............................................................................................................................31
9.6 TRATAMENTO ..............................................................................................................................31
9.6.1 TRATAMENTO FÍSICO ....................................................................................................................31
9.6.2 TRATAMENTO QUÍMICO .................................................................................................................32
9.6.3 TRATAMENTO BIOLÓGICO .............................................................................................................32
9.6.4 TRATAMENTO TÉRMICO ................................................................................................................32
9.7 Disposição ..................................................................................................................................34
10 USINAS DE SEPARAÇÃO E COMPOSTAGEM ...........................................................................................35
11 COMPOSTAGEM ..................................................................................................................................36
11.1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................36
11.2 CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS DE COMPOSTAGEM ........................................................................37
11.3 PRINCIPAIS SISTEMAS DE COMPOSTAGEM ......................................................................................37

4
11.3.1 COMPOSTAGEM NATURAL EM LEIRAS.............................................................................................37
11.3.2 COMPOSTAGEM ACELERADA EM DIGESTORES ................................................................................37
11.3.3 COMPOSTAGEM ACELERADA EM LEIRAS AERADAS ..........................................................................38
12 RECICLAGEM ......................................................................................................................................39
12.1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................39
12.2 PAPEL .........................................................................................................................................39
12.3 PLÁSTICO ....................................................................................................................................40
12.4 VIDRO .........................................................................................................................................43
12.5 METAL.........................................................................................................................................45
12.6 OUTROS MATERIAIS .....................................................................................................................47
12.6.1 RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL ................................................................................................47
12.6.2 PNEUS ........................................................................................................................................49
12.6.3 PILHAS E BATERIAS ......................................................................................................................50
12.6.4 LÂMPADAS DE DESCARGA DE GASES .............................................................................................51
12.7 SIMBOLOGIA ................................................................................................................................52
12.7.1 LIXO ............................................................................................................................................52
12.7.2 PAPEL .........................................................................................................................................53
12.7.3 PLÁSTICO ....................................................................................................................................53
12.7.4 VIDRO .........................................................................................................................................54
12.7.5 METAL.........................................................................................................................................54
13 INCINERAÇÃO .....................................................................................................................................54
13.1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................54
13.1.1 BOAS PRÁTICAS DE COMBUSTÃO ...................................................................................................55
13.1.2 VANTAGENS ................................................................................................................................56
13.1.3 DESVANTAGENS ..........................................................................................................................56
13.1.4 CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS A SEREM INCINERADOS ..............................................................57
13.2 TIPOS DE INCINERADORES ............................................................................................................57
13.2.1 INCINERADORES DE COMBUSTÃO EM GRELHA ................................................................................57
13.2.2 INCINERADOR DE CÂMARAS MÚLTIPLAS .........................................................................................58
13.2.3 INCINERADOR DE LEITO FLUIDIZADO ..............................................................................................59
14 CO-PROCESSAMENTO ........................................................................................................................59
15 ENCAPSULAMENTO .............................................................................................................................61
UNIDADE III - EFLUENTES LÍQUIDOS ....................................................................................63
16 INTRODUÇÃO ......................................................................................................................................63
17 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS EFLUENTES .........................................................................................64
17.1 CARACTERIZAÇÃO QUANTITATIVA ..................................................................................................64
17.2 CARACTERIZAÇÃO QUALITATIVA ....................................................................................................65
17.3 PARÂMETROS DE MONITORAMENTO ..............................................................................................66
17.3.1 SÓLIDOS .....................................................................................................................................66
17.3.2 MATÉRIA ORGÂNICA.....................................................................................................................66
17.3.3 NITROGÊNIO ................................................................................................................................68
17.3.4 ALCALINIDADE .............................................................................................................................69
17.3.5 FÓSFORO ....................................................................................................................................69
17.4 COLETA DE AMOSTRAS .................................................................................................................70
17.4.1 TÉCNICA DE COLETA PARA ANÁLISE FÍSICO-QUÍMICA .......................................................................70
17.4.2 TÉCNICAS DE COLETA PARA ANÁLISES BACTERIOLÓGICAS ..............................................................71
17.4.3 COLETA DE ÁGUA EM PONTOS DE ABASTECIMENTO ........................................................................72
17.4.4 ARMAZENAMENTO E CONSERVAÇÃO ..............................................................................................72
18 IMPACTO AMBIENTAL DOS EFLUENTES .................................................................................................75
18.1 Autodepuração dos cursos d'água.............................................................................................75
18.1.1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................75
18.1.2 ZONAS DE AUTODEPURAÇÃO ........................................................................................................76

5
18.2 Eutrofização................................................................................................................................76
18.2.1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................76
18.2.2 PROBLEMAS DA EUTROFIZAÇÃO ....................................................................................................77
19 TRATAMENTO DE EFLUENTES ..............................................................................................................77
19.1 Tratamento preliminar ................................................................................................................79
19.1.1 REMOÇÃO DE SÓLIDOS GROSSEIROS.............................................................................................79
19.1.2 REMOÇÃO DE AREIA .....................................................................................................................80
19.1.3 REMOÇÃO DE GORDURAS E SÓLIDOS FLUTUANTES .........................................................................80
19.1.4 NEUTRALIZAÇÃO – EQUALIZAÇÃO .................................................................................................81
19.2 Tratamento primário ...................................................................................................................81
19.2.1 DECANTADORES PRIMÁRIOS .........................................................................................................81
19.2.2 DECANTADORES CIRCULARES .......................................................................................................82
19.2.3 DECANTADORES RETANGULARES ..................................................................................................82
19.3 Tratamento secundário ..............................................................................................................82
19.3.1 TRATAMENTO AERÓBIO ................................................................................................................83
19.3.2 TRATAMENTO ANAERÓBIO ............................................................................................................86
19.4 Tratamento terciário ...................................................................................................................88
UNIDADE IV - EMISSÕES ATMOSFÉRICAS ...........................................................................92
20 CONCEITOS BÁSICOS ..........................................................................................................................92
20.1 Introdução...................................................................................................................................92
20.2 Poluentes particulados ...............................................................................................................93
20.3 Vapores e gases ........................................................................................................................93
20.4 Valores de referência .................................................................................................................94
20.4.1 PADRÕES DE QUALIDADE DO AR ....................................................................................................94
20.4.2 PADRÕES DE EMISSÃO .................................................................................................................95
20.4.3 PADRÕES DE CONDICIONAMENTO E PROJETO ................................................................................95
20.4.4 FATORES DE EMISSÃO ..................................................................................................................95
21 CONTROLE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS ............................................................................................96
21.1 Medidas indiretas de controle ....................................................................................................96
21.1.1 PLANEJAMENTO URBANO ..............................................................................................................96
21.1.2 DILUIÇÃO ATRAVÉS DE CHAMINÉS ALTAS .......................................................................................97
21.1.3 MEDIDAS PARA IMPEDIR A GERAÇÃO DO POLUENTE ........................................................................97
21.1.4 MEDIDAS PARA REDUZIR A GERAÇÃO DO POLUENTE .......................................................................97
21.2 Equipamentos de controle..........................................................................................................97
21.2.1 ESCOLHA DO EQUIPAMENTO A SER UTILIZADO ................................................................................98
21.2.2 CÂMARAS DE SEDIMENTAÇÃO .....................................................................................................100
21.2.3 CICLONES .................................................................................................................................101
21.2.4 FILTROS ....................................................................................................................................102
21.2.5 PRECIPITADORES ELETROSTÁTICOS ............................................................................................103
BIBLIOGRAFIA .........................................................................................................................................105

6
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Caracterização e classificação de resíduos, segundo NBR 10004....................................... 21
Figura 2 – Esquema de escolha de alternativas para gerenciamento de resíduos............................... 23
Figura 3 - Segregação de resíduos em indústria metalúrgica ............................................................... 28
Figura 4 - Esquema Geral de uma Usina de Separação e Compostagem ........................................... 35
Figura 5 - Fluxograma geral do processo de preparação do plástico.................................................... 41
Figura 6 - Etapas de fabricação do metal primário e do metal secundário ........................................... 46

7
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Código de Cores .................................................................................................................. 27


Tabela 2 – Redução do impacto ambiental (em %) da reciclagem de resíduos na produção em alguns
materiais de construção civil (a partir de KANAYAMA, 1997). .............................................................. 47
Tabela 3 – Classes, características e destinação de resíduos da construção civil ............................... 48
Tabela 4– Controle operacional da incineração..................................................................................... 55
Tabela 5 - Vazão específica média de algumas indústrias.................................................................... 64
Tabela 6 – Normas de conservação e estocagem de amostras............................................................ 74
Tabela 7 – Níveis do tratamento de efluentes ....................................................................................... 78
Tabela 8 – Características dos principais níveis de tratamento dos efluentes...................................... 78
Tabela 9 - Classificação dos processos em função do material removido ............................................ 79
Tabela 10 - Principais características das lagoas de estabilização....................................................... 86
Tabela 11 – Alguns poluentes gasosos típicos e suas fontes ............................................................... 93
Tabela 12 - Padrões de qualidade do ar externo................................................................................... 94
Tabela 13 – Fatores de emissão (kg/m3) – queima de óleo combustível .............................................. 96
Tabela 14 – Características de equipamentos de remoção de material particulado............................. 99
Tabela 15 - Classificação relativa entre equipamentos de remoção de material particulado ............. 100

8
APRESENTAÇÃO
Responsável e dependente direto da revolução tecnológica, o homem não pode simplesmente
viver sem a produção industrial. O rápido crescimento da espécie é acompanhado por um
crescimento concomitante das necessidades de matérias-primas industriais.
Recursos naturais esgotáveis são desperdiçados; indústrias poluem o ar e a água com seus
detritos; automóveis despejam toneladas de fumaça tóxica no ar; a contaminação nuclear
compromete qualquer tipo de vida; a poluição visual e o barulho são constantes nas grandes cidades.
Para resolvermos o problema dos resíduos, efluentes e emissões, tal tema deve ser abordado,
portanto, de forma eficiente e eficaz em programas de educação ambiental e com a utilização de
técnicas de gerenciamento adequadas que envolvem desde procedimentos simples de segregação na
fonte até tecnologias avançadas de tratamento e recuperação.
Esta disciplina pretende abordar a questão dos resíduos, efluentes e emissões do ponto de vista
das tecnologias de controle ambiental existentes atualmente.

9
Unidade I - PROBLEMAS AMBIENTAIS

1 Conceitos ambientais

As questões ambientais são, no momento, o assunto de maior amplitude global, tanto na


abordagem dos aspectos técnicos envolvidos, dos impactos causados e da importância dada pela
mídia. A origem dos problemas ambientais, normalmente é atribuída ao crescimento econômico
baseado na exploração dos recursos naturais provocando seu esgotamento ou contaminação e no
crescimento populacional sem controle. Nem sempre a tecnologia do desenvolvimento e o progresso
têm sido aliados às ciências do meio ambiente, tornando-se, muitas vezes, incompatível com a sua
preservação.
Os resíduos (sólidos, líquidos ou gasosos) sempre foram considerados sobras inevitáveis dos
processos produtivos, bem como associados aos processos econômico-sociais, dos quais a
sociedade é dependente. Assim como no metabolismo dos seres vivos, nossa sociedade transforma
insumos em bens, em serviços e em alguns subprodutos e resíduos, que necessitam ser
adequadamente tratados, para serem absorvidos pelo ambiente, com a mínima geração de impacto.
O reaproveitamento de resíduos e a melhor utilização das matérias-primas são entendidos como as
únicas saídas para a continuidade do processo tecnológico já implementado, pois atuam em perfeita
sintonia com as necessidades de preservação do ambiente e manutenção das necessidades básicas
dos seres humanos. Para melhor entendimento, é necessário revisar os conceitos ambientais mais
utilizados, que se apresentam resumidos abaixo:
Meio ambiente: Corresponde não só ao meio físico e biológico, mas também ao meio sócio-
cultural e sua relação com os modelos de desenvolvimento adotados pelo homem. É o conjunto de
condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e
rege a vida em todas as suas formas.
Recursos ambientais: A atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os
estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora.
Poluição: A degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou
indiretamente:

• prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;


• criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;

• afetem desfavoravelmente a biota;


• afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;

10
• lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.

Poluidor: A pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou


indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental.
Poluente: Substância que se encontra no meio ambiente como resultado das atividades
antropogênicas e que tem efeito tóxico sobre os organismos vivos, provocando efeitos irreversíveis.
Contaminante: Substância que se encontra no meio ambiente como resultado das atividades
antropogênicas e que não tem efeito tóxico sobre os organismos vivos, mas que pode apresentar
efeitos biológicos.
Resíduos: Matérias-primas ou insumos não aproveitados ou desperdiçados nos processos
produtivos. Os resíduos podem apresentar-se sob a forma sólida, liquida ou gasosa e desta forma,
são convencionalmente denominados de:

• Resíduos na forma sólida: denominados genericamente resíduos sólidos;


• Resíduos na forma líquida: denominados efluentes líquidos, ou simplesmente efluentes;

• Resíduos na forma gasosa: denominados emissões atmosféricas, ou simplesmente,


emissões.

Desenvolvimento sustentável: Significa atender às necessidades da geração atual sem


comprometer o direito das futuras atenderem as suas próprias necessidades. Nessa definição estão
embutidos dois conceitos com os quais precisaremos doravante conviver. O primeiro é o conceito das
necessidades, que podem variar de sociedade para sociedade, mas que devem ser satisfeitas para
assegurar as condições essenciais de vida a todos, indistintamente. O segundo conceito é o de
limitação, que reconhece a necessidade da tecnologia desenvolver soluções que conservem os
recursos limitados atualmente disponíveis e que permitam renová-los na medida em que eles sejam
necessários às futuras gerações.

2 Problemas Globais

A denominação de Problemas Globais vem do fato de que, para esses fenômenos não importa
quem seja o causador, todos são prejudicados.

11
2.1 Efeito estufa

A queima de combustíveis fósseis, além de outras atividades diretas como o desmatamento,


emite grandes quantidades de gases, em especial o dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. A cada
ano estas emissões adicionam ao carbono já presente na atmosfera, mais 7 bilhões de toneladas de
CO2 que nela podem permanecer por um período superior a 100 anos. O dióxido de carbono é um
bom absorvedor da radiação terrestre. Se ocorrer um aumento de CO2, ele agitará como um cobertor
na superfície terrestre, mantendo a terra aquecida.
Com o aumento da temperatura, a quantidade de vapor de água na atmosfera também
aumentará, provocando o mesmo efeito do cobertor. O dióxido de carbono (CO2) é liberado quando
ocorre a queima de carvão, óleo e gás e também quando as florestas são destruídas. As plantas
verdes absorvem CO2 durante a fotossíntese. Atualmente, tem sido liberada uma quantidade de CO2
maior que a capacidade de absorção das plantas. O aumento da quantidade de CO2 que se acumula
na atmosfera, bloqueando a saída da radiação quente para o espaço e mandando de volta esta
radiação aquecida, causa o chamado efeito estufa. Emissões de metano, óxido de nitrogênio e os
clorofluorcarbonetos (CFCs) contribuem para o efeito estufa. O aumento de CO2 na atmosfera tem
sido significativo e entre 1860 e 1989 ficou em torno de 30%; de 1958 a 1989 ficou em 9%. Se a
quantidade de CO2 dobrar, a média de temperatura da terra aumentará entre 3 a 4ºC, e o nível dos
oceanos será elevado de 60 centímetros a 1,2 metros, segundo alguns cientistas.
Diante desse contexto, observa-se uma divisão de estratégias para enfrentar este novo desafio
dentro do setor industrializado dos países desenvolvidos. Um grupo adotou a atitude de negar o
problema e têm divulgado sua descrença nos argumentos sobre mudanças climáticas através de uma
das maiores campanhas publicitárias veiculadas nos Estados Unidos, em 1997. Outro grupo,
composto de empresas mais inovadoras e pioneiras, optou por uma reformulação de suas atividades
em preparação a um novo conceito, buscando alternativas e soluções para os problemas energéticos
globais.
Os maiores efeitos do aquecimento global, considerados por alguns cientistas são: os efeitos
que a mudança climática causará na produção mundial de alimentos; mudanças na agricultura (que
alterarão a viabilidade econômica de produção, bem como os níveis de emprego na agricultura); e a
venda de commodities (o que poderá modificar a estrutura do comércio mundial). Os cientistas estão
conscientes sobre o fato de que a mudança climática e o aquecimento global estão ocorrendo em
função das atividades e interferências humanas. Ainda assim, muitas incertezas permanecem sobre a
dimensão desse aquecimento e as conseqüências da mudança nos diferentes continentes. Mesmo
possuindo algumas evidências, os cientistas ainda não podem prever, com maiores detalhes, de que
forma e quais continentes serão mais afetados, sendo necessárias pesquisas intensivas para
confirmar as previsões científicas.

12
Até que as previsões se confirmem para que possam ser utilizadas para um plano de ação,
políticos e instituições não-governamentais estão indo ao encontro da necessidade de optar entre a
incerteza científica e os custos de várias ações que podem ser executadas em resposta às ameaças
de mudança climática. Algumas ações são simples e relativamente de baixo custo como, por
exemplo, preservação de ecossistemas em perigo de extinção, desenvolvimento de programas de
conservação e uso racional de energia, bem como programas de reflorestamento e redução de
desmatamento. Existem outras ações que podem ser trabalhadas, como a utilização de novas fontes
de recursos energéticos que não liberam emissões significativas de dióxido de carbono (biomassa
hidroelétrica, energia eólica e solar). É importante, entretanto, que novas alternativas sejam
estudadas e que um planejamento global seja realizado, prevendo as mudanças que deverão ocorrer
nas próximas décadas.

2.2 Chuva ácida

O fenômeno denominado Chuva Ácida pode ser relacionado com a emissão de Óxidos de
Enxofre e Nitrogênio, na atmosfera. Dentre as fontes antropogênicas destacam-se os processos de
combustão, em geral. Este fenômeno é agravado pelo fato de que é muito mais usual a adoção de
chaminés cada vez mais elevadas, do que a remoção destes poluentes dos gases. A presença do
enxofre nos combustíveis fósseis quer seja o petróleo ou o carvão, faz com que durante o processo
de queima ocorra a geração dos Óxidos de Enxofre. Normalmente os gases combustíveis naturais
não contêm esse elemento, o que pode ser uma vantagem significativa. Os processos de combustão
efetuados da forma tradicional, ou seja, usando o Oxigênio contido no ar, fazem com que tenhamos
sempre a presença de grande quantidade de Nitrogênio, já que ele se apresenta praticamente em
uma quantidade 4 vezes superior ao Oxigênio.
O uso de Oxigênio puro traria um benefício grande no controle da emissão dos Óxidos de
Nitrogênio, porém o custo da adoção desta alternativa ainda não permite o seu uso de forma
generalizada. O imenso uso dos processos de combustão faz com que este fenômeno ocorra em todo
o planeta, de forma generalizada. Assim temos a emissão dos Óxidos de Enxofre e de Nitrogênio na
geração da energia termoelétrica, na geração de vapor e em todo o sistema de transporte com
motores a combustão.
Os efeitos danosos da chuva ácida podem ser observados em inúmeros locais e se apresentam
principalmente da seguinte forma: corroendo edificações e obras de arte, acidificando o solo e as
águas e ocasionando a perda de fertilidade. O TAJ MAHAL, por exemplo, está recebendo uma
cobertura com um filme plástico para evitar a sua completa deterioração, já que é constituído por
placas de mármore, material fortemente atacado pela chuva ácida. Já existem vários conflitos entre
nações, em função dos prejuízos causados pelas emissões ácidas.

13
2.3 Destruição da camada de ozônio

Sabe-se que algumas substâncias como os Óxidos de Nitrogênio e o Cloro, entre outras,
aceleram a decomposição do Ozônio. O Cloro catalisa a reação, já que ele reage com a molécula de
Ozônio destruindo-a e retornando a sua condição original, podendo reagir com outra molécula de
Ozônio; estima-se estatisticamente que uma molécula de Cloro pode destruir 100.000 moléculas de
Ozônio. Nem todos os compostos de Cloro preocupam em relação ao buraco na Camada de Ozônio,
já que por ser uma molécula muito reativa, acaba não atingindo a estratosfera. Os CFC’s
(CloroFluorCarbonos), no entanto, são compostos estáveis e levam o Cloro até lá, onde através da
radiação ultravioleta, este acaba sendo liberado para reagir com o Ozônio. Os CFC’s
(CloroFluorCarbonos), são compostos muito estáveis e não reativos, que foram desenvolvidos pelo
homem para ter exatamente essas características. Dentre os usos atuais desses compostos,
destacam-se os seguintes:

• uso como solvente na indústria eletrônica;


• como integrante do circuito refrigerante de refrigeradores e condicionadores de ar.

Antigamente esses compostos eram usados como propelente em aerossóis e como expansor de
plásticos. Infelizmente, esses compostos deverão permanecer na atmosfera durante muitos anos.
Como exemplo pode-se citar o Freon F-11, que leva 74 anos para se degradar.

2.4 Perda da biodiversidade

A Biodiversidade é um dos grandes patrimônios da humanidade. Estima-se que existam entre 5


a 10 milhões de espécies de organismos em todo o mundo, das quais ainda se conhece muito pouco,
pois apenas 1,7 milhões foram identificados. A grande maioria não vai ser estudada ou conhecida,
pois se estima que entre 20 a 50% das espécies estarão extintas no início do próximo século. A
importância das florestas – estima-se que de 74 a 86% das espécies animais e vegetais existentes,
vivem nas florestas tropicais.
Hoje, um de cada três remédios brasileiros vem da floresta tropical. Este número tende a
aumentar, pois apenas 3% das plantas já foram estudadas As florestas tropicais têm importância
significativa na definição do clima e caso elas desapareçam ocorrerão alterações climáticas
profundas.

14
2.5 Degradação dos solos

Ações humanas inadequadas estão se somando no sentido de trazer um desequilíbrio ambiental


na gestão do uso do solo. Dentre elas destacamos a disposição inadequada de lixo, que traz prejuízo
não apenas para o solo como para as águas subterrâneas. Poucos municípios conseguem dispor seu
lixo de forma adequada. Práticas inadequadas de agricultura têm causado a diminuição do solo
agriculturável, fato que sem dúvida trará prejuízos em longo prazo, pois a formação do solo agrícola
leva cerca de 500 anos.
O desmatamento das margens dos rios, as queimadas e o uso intensivo de máquinas têm
provocado a erosão, que colabora para a diminuição do solo agriculturável e no assoreamento dos
rios. O assoreamento dos rios é uma das principais conseqüências da degradação dos solos. O
assoreamento diminuindo a área de passagem ocasiona o transbordamento, causando enchentes
indesejadas.

2.6 Crescimento populacional

O crescimento populacional pode comprometer a disponibilidade de recursos naturais, além de


ocasionar o inchamento das cidades, que já apresentam problemas de saneamento e de segurança.
Em quadros posteriores destacaremos os principais aspectos destes problemas. Entre 500 A.C. e
1.700 D.C., ou seja, durante 2.200 anos a população do planeta sempre esteve abaixo de 500
milhões. Com a revolução industrial tivemos uma evolução da ciência que permitiu uma vida mais
longa para a humanidade. Como conseqüência disso, a população nos últimos 300 anos cresceu de
forma muito rápida, o que sem dúvida colaborou para o esgotamento dos recursos naturais e para a
degradação das águas, ar e solos.

3 Problemas das grandes cidades

O crescimento populacional e a dificuldade na fixação do homem no campo têm trazido para as


cidades problemas dos mais variados, onde a falta de saneamento básico, de abastecimento de água
e de coleta do lixo, além de altos riscos para a saúde, são fatores de degradação do meio ambiente.
Os problemas ambientais das cidades, principalmente as maiores, são inúmeros. Desta forma vamos
nos dedicar somente aos que se destacam dentre os demais:

• abastecimento de água;
• tratamento de efluentes;

15
• disposição do lixo;

• poluição dos veículos.

3.1 Abastecimento de água

A escassez, mau uso e poluição das águas, caso não sejam combatidos, podem inviabilizar
sociedades e mesmo nações inteiras. A água em quantidade e qualidade é fator de saúde pública,
estando relacionada a 80% das doenças humanas.

• Tendência de escassez – menos de 1% da água do mundo é doce e disponível


naturalmente; a erosão e assoreamento, especialmente das nascentes e a contaminação das águas
subterrâneas podem determinar a dificuldade de abastecimento.
• Consumo exagerado – O consumo per capita especialmente nas grandes cidades
brasileiras é muito grande, como por exemplo o Rio de Janeiro com 650 L/hab/dia ou São Paulo com
300 L/hab/dia. A falta de conscientização da população faz com o desperdício seja muito grande.
• Grandes perdas na distribuição – estima-se que até 30% da água distribuída seja perdida
no caminho, principalmente devido à má conservação das redes de distribuição.
• Ligações clandestinas – dados coletados nas cidades maiores indicam que até 20% da

água produzida é consumida em ligações clandestinas. As ligações clandestinas e as perdas na


distribuição acarretam um aumento no preço do produto.
• Diminuição na qualidade da água captada – a poluição dos rios em virtude do lançamento

dos efluentes domésticos e industriais tende a fazer com que a qualidade das águas retiradas para o
abastecimento público esteja piorando. A adequação das estações de tratamento a esta nova
realidade deve se constituir numa prioridade governamental.

3.2 Tratamento de efluentes

Os efluentes das cidades brasileiras constituem-se de uma mistura de efluentes sanitários e de


efluentes industriais de um conjunto de pequenas indústrias que não dispõem de tratamento próprio.

• Poucas cidades possuem – no início dos anos 90, segundo o IBGE, apenas 2.090
municípios brasileiros tinham rede de efluentes e somente 50 tinham estações de tratamento de
efluentes.
• Redes conjuntas com águas pluviais – na maioria das cidades ocorre o lançamento
clandestino das águas contaminadas nas redes pluviais.

16
• Infiltração no solo – como na maior parte das cidades não existe sistema de tratamento,

os efluentes domésticos são infiltrados no solo, o que pode ocasionar a contaminação das águas
subterrâneas.
• Mistura de efluentes domésticos e industriais – a contaminação dos efluentes domésticos
pelos efluentes industriais trará dificuldades para qualquer sistema de tratamento, pois os sistemas de
tratamento para cada um deles são diferentes. Desta forma é de esperar que haja, em futuro próximo,
um maior controle nas emissões industriais não tratadas.

3.3 Disposição de lixo

Lixo doméstico é aquele acumulado em nossa casa e que, após um determinado período é
descartado: restos de comida, papéis, plásticos, latas, tampinhas metálicas, pilhas usadas, entre
outros. A composição e a quantidade do lixo gerado variam em função dos hábitos das sociedades.
Antigamente, quase todo ele era biodegradável. O lixo de nosso tempo é cheio de plásticos e
materiais tóxicos, como tintas, por exemplo, que os microorganismos contidos no solo não
conseguem degradar.

• Maior problema das cidades – a disposição do lixo gerado é sem dúvida um dos maiores
problemas enfrentados pelas cidades. Em cada uma delas é comum encontramos pelo menos um
lixão.
• Geração média de 600 g/hab/dia – estima-se que nas cidades maiores, cada habitante
gere em média 600 gramas diariamente, tendendo a crescer em função do aumento no uso de

material descartável.
• Nas grandes cidades, pouca área disponível – com o crescimento das cidades, cada vez
mais existem menos áreas disponíveis para disposição do lixo. Uma alternativa possível é o consórcio
de municípios para solução conjunta dessa problemática.
• Custos crescentes – os custos de disposição do lixo tendem a crescer, principalmente
porque as exigências para os aterros estão aumentando assim como as distâncias, pois as áreas
disponíveis são cada vez mais distantes, o que provoca também um custo crescente no transporte.

No Brasil, a geração de resíduos sólidos municipais está estimada em 54 mil toneladas/dia, com
composição variável de acordo com a região. A geração por habitante de uma cidade brasileira varia
entre 0,4 e 0,7 kg/hab/dia. A disposição e tratamento no país se distribuem da seguinte forma: 76%
depositados em lixão a céu aberto; 3% em aterros controlados; 10% em aterros sanitários; 0,9% em
usinas de compostagem e 0,1% incinerados (FUNDAÇÃO IBGE, 1992).

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Recentemente, o destino final das pilhas e baterias virou manchete de jornais. Isto porque metais
como o mercúrio, cádmio e chumbo estão presentes nas pilhas tipo zinco - carbono e alcalinas, que
contém 0,025 a 1% de mercúrio; nas pilhas tipo níquel - cádmio e nas pequenas baterias de chumbo,
chamadas SLA. No Brasil, o destino final das pilhas são os lixões ou aterros sanitários, contaminando
o solo, os cursos de água, o lençol freático, a flora e a fauna, devido ao vazamento dos metais tóxicos
que chegam ao ser humano através de cadeias alimentares. O problema do lixo não é somente de
responsabilidade das Prefeituras. Trata-se de um problema que deve ser resolvido em conjunto por
todos.

3.4 Poluição de veículos

Os veículos automotores, nas cidades, se constituem numa grande fonte de emissão de


compostos aéreos. O fato da fonte emissora (veículos) e os receptores (pessoas) estarem muito
próximos, e os riscos daí decorrentes, fazem com que o controle das emissões dos veículos tenha
que ser uma obrigação do Estado. Entre as principais emissões gasosas dos veículos encontramos:

• Poeiras (fuligem), que ocorre com maior intensidade nos veículos cujo combustível é o

óleo diesel;
• Hidrocarbonetos, emitidos durante a queima, pela má combustão, ou por perdas por
evaporação;
• Óxidos de Enxofre, emitidos durante a combustão, tem por origem a presença de Enxofre
nos combustíveis;
• Óxidos de Nitrogênio são decorrentes do processo de combustão e da presença

inevitável, no momento, do Nitrogênio nos processos de combustão, pelo fato de estar presente no ar,
fonte do Oxigênio;
• Monóxido de Carbono, emitido durante o processo de combustão, decorre principalmente

da má queima dos combustíveis, está presente em todos os processos de queima;


• Outra contribuição importante, para agravamento da qualidade de vida nas cidades, é o
ruído gerado pela utilização dos veículos. Cidades como o Rio de Janeiro tem um crescimento médio
de cerca de 2dB (decibéis) por ano, em seu nível de ruído.
O controle da emissão veicular quer seja ela química (gases) ou física (ruído), é uma
necessidade que se impõe.

18
Unidade II – RESÍDUOS SÓLIDOS

4 Origem e caracterização

4.1 Definição

Os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou
descartáveis, são chamados de lixo ou de resíduos sólidos. Normalmente, apresentam-se sob estado
sólido, semi-sólido ou semilíquido (com conteúdo líquido insuficiente para que esse possa fluir
livremente).

4.2 Classificação

São várias as formas possíveis de se classificar os resíduos sólidos. Por exemplo: por natureza
física: seco e molhado; por sua composição química: matéria orgânica e matéria inorgânica; pelos
riscos potenciais ao meio ambiente: perigosos, não-inertes e inertes (segundo NBR 1004 da ABNT).
O lixo pode ser ainda classificado quanto a sua origem em: domiciliar; comercial; público;
séptico; industrial; agrícola e da construção civil.
As decisões técnicas e econômicas tomadas em todas as fases do resíduo desde a sua geração,
o manuseio, o acondicionamento, o armazenamento, a coleta, transporte, tratamento e a sua
disposição final, devem basear-se, não somente em função de sua origem, mas também na
classificação do resíduo, em função dos riscos que estes podem apresentar ao homem e ao Meio
Ambiente. Com o objetivo de padronizar, a nível nacional, a classificação dos resíduos, a ABNT
estabeleceu um conjunto de normas que caracterizam os resíduos de acordo com sua periculosidade.
São elas: NBR 10004 - Resíduos Sólidos – Classificação; NBR 10005 - Lixiviação de Resíduos –
Procedimento; NRB 10006 - Solubilização de Resíduos – Procedimento e NBR 10007 - Amostragem
de Resíduos – Procedimento.
Segundo NBR 10004, podemos definir os resíduos sólidos, como os resíduos nos estados sólido
e semi-sólido, que resultam das atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial,
agrícola, serviços gerais e varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de
sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de
poluição, bem como, determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na
rede de efluente ou corpos de água, ou exijam para isto soluções técnicas e economicamente
inviáveis em face a melhor tecnologia disponível.

19
4.2.1 Periculosidade de um resíduo

Característica apresentada por um resíduo, que, em função de suas propriedades físicas,


químicas ou infecto-contagiosas, pode apresentar: risco à saúde pública, provocando ou acentuando,
de forma significativa, um aumento de mortalidade ou incidência de doenças, e/ou risco ao meio
ambiente, quando o resíduo é manuseado ou destinado de forma inadequada. A classificação de um
resíduo é um fator importante para avaliar alternativas de tratamento, disposição e recuperação de
energia e é muitas vezes bastante difícil em função, principalmente das limitações técnicas de nossos
laboratórios. Em função disto, a origem do resíduo e um conhecimento prévio do processo industrial
que lhe deu origem, podem facilitar grandemente a classificação de um resíduo através das listagens
da NBR 10004, que são: Anexo A - Resíduos perigosos de fontes não específicas; Anexo B -
Resíduos perigosos de fontes específicas; Anexo C – Substâncias que conferem periculosidade aos
resíduos; Anexo D - Substâncias agudamente tóxicas; Anexo E – Substâncias tóxicas; Anexo F –
Concentração – Limite máximo no extrato obtido no teste de lixiviação; Anexo G – Padrões para o
ensaio de solubilidade e Anexo H – Codificação de alguns resíduos classificados como não perigosos.
Aqueles resíduos cuja origem não seja conhecida ou não seja caracterizado através das
listagens, deverá ter sua periculosidade efetiva avaliada através da amostragem e realização de
exames e testes em laboratórios padronizados das seguintes características: inflamabilidade,
corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.

4.2.2 Classes dos Resíduos

Classe I – Perigosos – Aqueles que apresentem periculosidade ou alguma das características de


inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. Ex.: Lama de cromo, borrar
oleosas, lodo de estação de tratamento.
Classe II A - Não Inertes – Aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos
Classe I (Perigosos) ou Classe II B (Inertes). Esses Resíduos podem apresentar propriedades como:
solubilidade em água, biodegradabilidade, combustibilidade. Ex.: Restos de alimentos, papel e
papelão, madeira, tecidos.
Classe II B – Inertes – Quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma
representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e submetidos ao ensaio de solubilidade, conforme NBR
10006 - Solubilização de resíduos, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados em
concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, conforme o Anexo G. Ex.: Blocos de
Concreto, vidro, porcelana, certos plásticos.
Os resíduos são classificados em função de suas propriedades físicas químicas ou infecto-
contagiosas e na identificação dos contaminantes presentes em sua massa. Contudo essa

20
identificação é bastante complexa, ou até, impossível, em inúmeros casos, face às limitações
existentes nos laboratórios nacionais. Por isso e, também, por causa das listagens, um conhecimento
prévio do processo industrial irá facilitar a classificação, podendo inferir quais substâncias estão
presentes no resíduo, bem como reconhecer se este será classificado como perigoso. Quando um
resíduo é desconhecido, o trabalho para classificá-lo torna-se mais complexo, sendo necessário a
escolha de indicadores a serem pesquisados que definirão as características do resíduo. Muitas
vezes o mesmo processo é aplicado a resíduos de origem conhecida. A figura 1, apresenta a
metodologia a ser adotada na classificação de um resíduo, segundo a NBR 10004.

Resíduo

Não O resíduo tem


origem conhecida ?

Sim

Consta nos Sim


anexos A ou B ?

Não

Tem características de:


inflamabilade,
corrosividade, Sim Resíduo perigoso
reatividade, Classe I
toxicidade,
patogenicidade ?

Não
Resíduo não perigoso
Classe II

Possui constituintes que são Não Resíduo não inerte


solubilizados em concentrações
superiores ao anexo G ? Classe II B

Sim

Resíduo não inerte


Classe II A
Figura 1 - Caracterização e classificação de resíduos, segundo NBR 10004

21
Caso ainda não seja possível classificar o resíduo, deve-se, então, avaliar sua periculosidade
real através da comprovação de pelo menos uma das seguintes características: inflamabilidade,
corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade. Se ainda assim existirem dúvidas quanto a
classificação, deve-se proceder da mesma maneira como se fez em relação às substâncias da
Listagem 4, ou seja: analisar os fatores mencionados acima. Neste ponto já será possível classificar o
resíduo como perigoso ou não. Se for classificado como não perigoso, o próximo passo é submetê-lo
ao teste de solubilização. Pela comparação dos resultados obtidos na análise do extrato de teste de
solubilização com padrões da Listagem 8, classificam-se os resíduos como inertes ou não inertes.
Deve-se ressaltar que as listagens apresentadas não são estáticas. Um resíduo ou substância pode
ser incluído ou retirado da mesma de acordo com a evolução do conhecimento científico sobre o
assunto. Portanto, estas listagens devem ser continuamente atualizadas.

4.3 Composição

Ao se considerar a composição de um resíduo sólido, é importante lembrar que as suas


características variam ao longo de seu percurso pelas unidades de gerenciamento do lixo, desde sua
geração até seu destino final. As características físico-químicas do lixo vão influenciar diretamente na
escolha do destino final do resíduo. Existe uma infinidade de análises possíveis de serem
processadas no lixo, porém algumas devem ser evidenciadas, como teor de umidade, teor de material
seco, densidade aparente, pH, poder calorífico e teores de C, O, H, N, Na, Ca, K, P, S, etc.

5 Plano de gerenciamento de resíduos sólidos

Um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) é um documento que apresenta um


levantamento da situação atual dos resíduos sólidos, com pré-seleção das alternativas mais viáveis
com o estabelecimento de ações integradas e diretrizes sob os aspectos ambientais, econômicos,
financeiros, administrativos, técnicos, sociais e legais para todas as fases da gestão dos resíduos
sólidos, desde a sua geração até a destinação final. Uma vez estipuladas as metas a curto, médio ou
longo prazo, de acordo com a situação do empreendimento, uma série de ações devem ser
planejadas com o intuito de atingir estas metas, ações que devem ser executadas de maneira
integrada. A quantificação e o monitoramento dos resíduos gerados na empresa é fundamental para
a identificação dos custos relacionados aos resíduos. A criação de planilhas auxiliares adequadas
para esta quantificação, para as empresas que não as possuem, deve contemplar todos os custos
envolvidos no processo originário do resíduo, no design do produto ou na prestação de serviço
O gerenciamento integrado é o conjunto articulado de ações normativas, operacionais,
financeiras e de planejamento, que uma empresa desenvolve, baseado em critérios sanitários,

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ambientais e econômicos para coletar, tratar e dispor seus resíduos. Portanto, gerenciar resíduos
forma integrada significa coletar, transportar e tratar os resíduos utilizando as tecnologias mais
compatíveis com realidade local, dando-lhe um destino final ambiental seguro, tanto no presente,
como no futuro. Um Programa de gerenciamento integrado de resíduos sólidos deve assegurar que
todos os resíduos sejam gerenciados de forma apropriada e segura, desde a geração até a
disposição final (do berço ao túmulo), e deve envolver as seguintes etapas: Geração; Caracterização;
Manuseio; Acondicionamento; Armazenamento; Coleta; Transporte; Reuso/Reciclagem; Tratamento;
Disposição final. As decisões técnicas e econômicas tomadas em relação aos resíduos estocados,
baseiam-se em informações preliminares, que levam em consideração principalmente os aspectos de
saúde ocupacional, qualidade ambiental, exeqüibilidade da medida e custos envolvidos. O esquema
abaixo demonstra uma metodologia a ser executada na escolha de alternativas de gerenciamento de
resíduos sólidos.

SEGREGAÇÃO/ CARACTERIZAÇÃO/ QUANTIFICAÇÃO/ ALTERNATIVAS


IDENTIFICAÇÃO CLASSIFICAÇÃO PERIODICIDADE TRATAMENTO/
DISPOSIÇÃO

DEFINE S É S
É ESCOLHA
ALTERNATIVA VIÁVEL VIÁVEL ALTERNATIVA
ECON.? TEC.?

TIPO DE TIPO DE TIPO DE TIPO DE TIPO DE TREINAMENTO E


MANUSEIO ACONDIC. ARMAZEN. COLETA ARMAZEN. CONSCIENTIZAÇÃO

Figura 2 – Esquema de escolha de alternativas para gerenciamento de resíduos

Treinamento de pessoal
As pessoas envolvidas com o manuseio de resíduos devem ter conhecimento dos aspectos
ambientais de suas atividades. Muitas vezes os resíduos não apresentam efeitos imediatos, com
intoxicação aguda ou queimaduras, porém ao longo do tempo podem ser observados efeitos crônicos,
distúrbios irreversíveis no organismo ou mesmo danos genéticos e teratogênicos.
O manuseio de resíduos é realizado geralmente por pessoal desqualificado podendo gerar
problemas de ordem técnica, econômica e de segurança. O correto manuseio dos resíduos, apesar
de implicar em custos adicionais, não deve ser desconsiderado, pois representa grave risco ao ser
humano e ao meio ambiente. O manuseio correto pode tornar-se menos oneroso do que a
recuperação de recursos naturais contaminados, bem como, o tratamento de saúde dispendido ao
pessoal envolvido com os resíduos.

23
Para o correto manuseio dos resíduos, os operadores devem ser devidamente treinados, onde o
treinamento básico deve conter: informações quanto às características e os riscos inerentes ao trato
de cada tipo de resíduo; orientação quanto à execução das tarefas de coleta, transporte e
armazenamento; utilização adequada de EPI’s necessários às suas atividades; procedimentos de
emergência em caso de contato ou contaminação com o resíduo, tanto individual, quanto ambiental.

6 Acondicionamento

Os resíduos sólidos são tratados e dispostos em locais afastados do seu ponto de geração. O
envio do lixo a essas áreas envolve uma fase interna e outra externa. A primeira, sob a
responsabilidade do gerador, (residência, estabelecimento comercial, etc) compreende coleta interna,
acondicionamento e armazenamento. A fase externa abrange os serviços de limpeza. Essa fase é de
responsabilidade das administrações municipais. Na etapa que precede a coleta externa, os resíduos
devem ser colocados em locais e recipientes adequados para serem confinados, evitando acidentes,
proliferação de insetos e animais indesejáveis e perigosos, impacto visual e olfativo, heterogeneidade
(no caso de haver coleta seletiva).
A forma de acondicionamento do lixo é determinada por sua quantidade, composição e
movimentação (tipo de coleta, freqüência). Teoricamente qualquer recipiente pode ser utilizado para
estocagem de resíduos sólidos, desde que apresente algumas características mínimas, como:

• material de construção compatível com os resíduos;


• estanqueidade, ou seja, capacidade de conter os resíduos no seu interior;
• resistência física a pequenos choques;
• durabilidade e compatibilidade com o equipamento de transporte, em termos de forma,
volume e peso.
A escolha do tipo de container mais adequado para um caso específico irá depender
basicamente das características do resíduo, das quantidades geradas, do tipo de transporte a ser
utilizado, da necessidade ou não de tratamento e da forma de disposição a ser adotada. De um
maneira geral podemos dividir os acondicionantes de resíduos sólidos em dois grupos quanto a sua
capacidade: Pequenos volumes: Cestos coletores de calçada, Recipientes basculantes, Recipientes
basculantes em carrinhos, Tambores e sacos plásticos. Grandes Volumes: Contêineres.

24
7 Coleta e Transporte

Os resíduos sólidos precisam ser transportados mecanicamente do ponto de geração ao destino


final. Para a adequada movimentação interna dos resíduos deve-se considerar os seguintes aspectos:

• necessidade de rotas preestabelecidas;


• equipamentos compatíveis com o volume;
• peso e forma do resíduo a ser manuseado;
• pessoal familiarizado com esses equipamentos;
• determinação das áreas de risco para equipamentos especiais.
Existem, basicamente, dois tipos de carrocerias montadas sobre chassi de veículos, as
carrocerias sem compactação e as carrocerias com compactação.
Carrocerias sem Compactador: Pela NBR 12980 (ABNT, 1993), os veículos com carrocerias
fechadas e metálicas, construídas em forma de caixa retangular, com tampas corrediças abauladas,
são denominadas Coletores Convencionais Tipo Prefeitura. Sua descarga se dá por basculamento.
Carrocerias com Compactador: Os veículos com carrocerias fechadas, contendo dispositivos
mecânicos ou hidráulicos que possibilitam a distribuição e compressão dos resíduos no interior da
carrocerias, são denominados, pela NBR 12980 (ABNT, 1993), Coletores Compactadores. O sistema
de compactação pode ser contínuo ou intermitente. O sistema de carregamento pode ser traseiro,
lateral ou frontal. Nesses veículos, os sistemas de descarga são feitos sem nenhum contato manual
com a carga. A escolha dos veículos está condicionada a fatores como: quantidade de resíduos,
forma de acondicionamento de resíduos e as condições de acesso ao ponto de coleta.

8 Coleta Seletiva

A segregação de materiais do lixo tem como objetivo principal a reciclagem de seus


componentes. A separação de materiais do lixo aumenta a oferta de materiais recicláveis. Antes de
uma Empresa decidir se vai estimular ou implantar a segregação de materiais, visando à sua
reciclagem, é importante verificar se existe na região esquemas através dos quais possa haver
escoamento desses materiais (venda e doação).
Antes de iniciar qualquer projeto de coleta, reciclagem e/ou tratamento do lixo, a exemplo da
coleta seletiva, é importante avaliar quantitativamente e qualitativamente o perfil dos resíduos sólidos
gerados em diferentes pontos do município em questão. Esta caracterização permite estruturar
melhor todas as etapas do Projeto. É necessário um local para o armazenamento e/ou triagem do
material coletado, uma vez que a flutuação no mercado comprador prejudica o fluxo de saída dos

25
materiais. Os programas que obtêm as melhores receitas, são aqueles que conseguem estocar os
materiais para vendê-los quando os preços estiverem no pico. No caso de uma indústria a
implantação de um programa de coleta seletiva se dá quando da necessidade adequação a normas
de qualidade (5s, ISO 14001, etc..) ou ainda como estratégia de marketing.
A coleta seletiva consiste na separação, na própria fonte geradora, dos componentes que
podem ser recuperados, mediante a um acondicionamento distinto para cada componente ou grupo
de componentes. Ela deve estar baseada no tripé Tecnologia (para efetuar a coleta, separação e
reciclagem), Informação (para motivar o público alvo) e Mercado (para absorção do material
recuperado). A segregação dos resíduos apresenta as seguintes vantagens:

• evita a mistura de resíduos incompatíveis


• melhora a qualidade dos resíduos que podem ser recuperados ou reciclados
• reduz o volume de resíduos perigosos a serem tratados

• é fundamental para a identificação dos custos relacionados aos mesmos


Na coleta seletiva, os materiais recuperáveis, como papéis, vidros, metais e plásticos, são
coletados separadamente e encaminhados à reindustrialização, e os rejeitos presentes no lixo seco,
como trapos, borracha e pedaços de madeira, são encaminhados ao aterro. O lixo orgânico, como
restos de comida, pode ser transformado em adubo orgânico, através da compostagem.
Para se fazer uma melhor diferenciação entre os materiais coletados e evitar a mistura entre eles
a Resolução CONAMA nº 275 de 25 de abril de 2001, estabelece o código de cores para os diferentes
tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas
campanhas informativas para a coleta seletiva. Resolve ainda que os programas de coleta seletiva,
criados e mantidos no âmbito de órgãos da administração pública federal, estadual e municipal, direta
e indireta, e entidades paraestatais, devem seguir o padrão de cores estabelecido e teriam o prazo
máximo de 2 meses para se adaptarem ao termos desta resolução. Recomendou-se também a
adoção de referido código de cores para programas de coleta seletiva estabelecidos pela iniciativa
privada, cooperativas, escolas, igrejas, organizações não-governamentais e demais entidades
interessadas. O padrão de cores é o apresentado na tabela 1.

26
Tabela 1 – Código de Cores

Material Cor

Papel/papelão Azul

Plástico Vermelho

Vidro Verde

Metal Amarelo

Madeira Preto

Resíduos perigosos Laranja

Resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde Branco

Resíduos radioativos Roxo

Resíduos orgânicos Marrom

Resíduo geral não reciclável ou misturado, ou


Cinza
contaminado não passível de separação

Além destas cores, alguns símbolos são comumente utilizados para caracterizar os diferentes
materiais, que serão discutidos posteriormente. A mistura de dois ou mais resíduos incompatíveis
pode ocasionar reações indesejáveis ou incontroláveis que resultam em conseqüências adversas ao
homem, ao meio ambiente, aos equipamentos e mesmo a própria instalação industrial. Em um
processo industrial, de forma geral, existem muitos resíduos que poderiam ser recuperados ou
reciclados. Na medida em que possam retornar ao próprio processo industrial ou, então, servir como
matéria-prima para outras indústrias, isso se tornará uma fonte adicional de rende ao empresário,
porque, se de um lado ele economiza na aquisição de matéria-prima, de outro recebe pela venda de
um subproduto e não dispende recursos para o transporte e disposição desses resíduos.
Supondo uma indústria metalúrgica que tenha os seguintes processos: decapagem ácida,
fundição, usinagem e tempera de metais. Ela gerará, entre outros, os seguintes resíduos: banhos
gastos de decapagem, areia de fundição queimada, aparas e limalhas metálicas e sais de tratamento
térmico. A seguir representa um esquema de segregação para um processo de tratamento superficial
de metais.

27
Fonte: CETESB, 1985
Figura 3 - Segregação de resíduos em indústria metalúrgica

9 Tratamento de resíduos sólidos

9.1 Introdução

Historicamente as soluções para os problemas causados pelo homem ao meio ambiente sempre
tiveram como diretriz a conhecida lei do menor esforço. A abordagem tradicional para eliminação dos
efeitos nocivos da poluição consistia em afastar o poluente gerado, diluí-lo, dispersá-lo e fazer, em
suma, com que o mesmo deixasse, graças à distância, de incomodar seu gerador. Com o intuito de
enfrentar a carência de locais adequados para lançar os resíduos iniciou-se a busca por soluções
mais eficazes do que a dispersão dos mesmos no meio ambiente. Ao invés de simplesmente dispor
seus resíduos, o homem passou a procurar alternativas mais lógicas, que se propõem a tratar,
reaproveitar, minimizar ou até eliminar a geração dos resíduos, contribuindo, cada uma dessas
alternativas, em escala crescente, para a solução efetiva do problema. Essas soluções são escolhidas
a partir de abordagens distintas, observadas sob os seguintes ângulos:

• Minimizar – abordagem preventiva, orientada para reduzir o volume e o impacto causado


pelos resíduos. Em casos excepcionais, pode-se eliminar completamente a geração do resíduo.
• Valorizar – abordagem orientada para extrair valores materiais ou energéticos que
contribuem para reduzir os custos de destinação dos resíduos e, em alguns raros casos, geram
receitas superiores a esses custos.

28
• Reaproveitar – abordagem corretiva, orientada para trazer de volta ao ciclo produtivo

matérias-primas, substâncias e produtos extraídos dos resíduos.


• Dispor – abordagem passiva, orientada para conter os efeitos dos resíduos, mantendo-os
sob controle, em locais que devem ser monitorados.
A abordagem pelo reaproveitamento, por sua vez, pode ter três enfoques distintos:
• Reciclagem, quando há o reaproveitamento cíclico de matérias-primas de fácil purificação
como, por exemplo, papel, vidro, alumínio, etc;
• Recuperação, no caso de extração de algumas substâncias dos resíduos, como, por
exemplo, óxidos, metais, etc.;
• Reutilização, quando o reaproveitamento é direto, sob a forma de um produto, tal como as
garrafas retornáveis e certas embalagens reaproveitáveis.
Como fatores de influência na escolha da solução mais adequada, devem ser também
consideradas as condições peculiares a cada país e sua sociedade, tais como a disponibilidade de
recursos financeiros para investir nas soluções mais caras, a receptividade ao esforço em prol da
reciclagem dos resíduos urbanos, a existência de áreas suficientes para instalação de aterros etc.
Algumas atitudes de ordem eminentemente prática ajudam a equacionar os problemas acarretados
pela geração dos resíduos e contribuem para a escolha da solução mais adequada em cada caso:

• redução das quantidades de resíduos evitando misturar materiais contaminados, que irão
requerer tratamento ou disposição especial, com materiais não contaminados, que poderão ser

reaproveitados.
• secagem ou desidratação dos resíduos, reduzindo seu volume e seus custos de
transporte e facilitando a disposição das frações secas.

• extração, por processos físicos, químicos ou biológicos, de frações valiosas contidas nos
resíduos, reduzindo os custos de destinação das frações remanescentes.

Na escolha da solução para um problema ambiental, além dos critérios técnicos e dos fatores
não técnicos acima exemplificados, não se deve também perder de vista que a pior solução é a que
troca um mal por outro, potencialmente maior nos seus efeitos futuros. Mais vale um armazenamento
controlado dos resíduos, sob a responsabilidade de seu próprio gerador, do que o tratamento ou
disposição desses resíduos por empresas ou organismos não habilitados. Mais vale uma solução
onerosa que descaracterize o resíduo, reaproveitando-o, neutralizando-o ou incinerando-o, do que a
solução aparentemente mais econômica de dispô-lo em um aterro, ou mantê-lo armazenado em
condições pouco seguras. A velha máxima “o barato sai caro” encontra aqui uma das usas melhores
aplicações.

29
9.2 Minimização

A minimização de resíduos é a metodologia que objetiva reduzir a geração de resíduos em uma


instalação. Essa minimização pode ser alcançada na fonte, evitando-se a formação do resíduo em
sua origem, bem como através de técnicas de reciclagem e de reaproveitamento interno, impedindo
que o resíduos chegue a ser lançado no meio ambiente. Através da minimização é possível reduzir
custos de tratamento e disposição dos resíduos, economizar em transporte e armazenamento, reduzir
prêmios de seguros e diminuir gastos com segurança e proteção a saúde.

9.3 Valorização

Diversamente da minimização, que visa reduzir os volumes de resíduos através de abordagens


técnicas, a valorização procura reduzir os custos decorrentes da destinação desses resíduos, sob
uma ótica econômica. A valorização busca produzir receitas que, embora marginais muitas vezes,
contribuem para cobrir, pelo menos em parte, os custos com a descontaminação.
A valorização de um resíduo é sempre uma alternativa superior ao seu descarte, pois, além de
contribuir para a solução de um problema ambiental, pode ajudar a reduzir os custos de disposição
final dos resíduos não valorizados. Entre os resíduos que oferecem maior potencial para valorização
cita-se: metais; óleos e solventes; alguns minerais não metálicos; carvões ativados exaustos. A
valorização, quando bem administrada, permite que um resíduo de uma empresa seja utilizado como
a matéria prima de outra.

9.4 Reciclagem

O ato de reciclar, isto é, refazer o ciclo, permite trazer de volta, à origem, sob a forma de
matérias-primas, aqueles materiais que não se degradam facilmente e que podem ser reprocessados,
mantendo suas características básicas.
De acordo com a definição adotada pela EPA, a agência ambiental norte-americana, reciclagem
é a ação de coletar, reprocessar, comercializar e utilizar materiais antes considerados como lixo.
Entre os materiais que oferecem maior facilidade para a reciclagem se incluem os papéis e papelões,
vidros, metais e plásticos. A reciclagem possibilita reduzir substancialmente o volume de resíduos
urbanos a serem dispostos ou tratados. A reciclagem é também a solução mais indicada para
materiais de fácil reprocessamento e fácil comercialização que podem retornar ao mercado sob a
forma de matérias-primas recicladas.

30
9.5 Recuperação

Alguns resíduos principalmente aqueles gerados ma produção industrial, podem ser tratados,
com o fim de se recuperarem frações ou substâncias que são, a seguir, reaproveitadas no processo
produtivo, em condições econômicas mais ou menos vantajosas. A recuperação é também a solução
mais indicada para os resíduos que contenham metais e substâncias valiosas, que possam ser
purificados para venda ou reaproveitamento pela própria indústria.
Os metais constituem bons exemplos de recuperação a partir de seus resíduos, mais de 60% do
chumbo consumido no mundo provém de processos de recuperação. Outros dois exemplos do uso da
recuperação para reduzir os efeitos das atividades industriais sobre o meio ambiente são a co-
geração de energia e o co-processamento.

9.6 Tratamento

As técnicas de tratamento de resíduos sólidos são processos que alteram a forma de


apresentação, as características, a composição e as propriedades dos resíduos. Tem como objetivo
tornar os resíduos menos tóxicos, reduzir o volume ou até mesmo buscar a destruição dos mesmos.
Estes processos podem:

• Converter constituintes agressivos em formas menos perigosas, insolúveis ou inertes;


• Alterar a estrutura química de determinados constituintes, tornando-os de mais fácil

assimilação pelo meio ambiente;


• Destruir quimicamente constituintes indesejáveis;
• Separar da massa de resíduos os constituintes perigosos, com a conseqüente redução de

volume e periculosidade.
• Buscar a recuperação material e/ou energética dos resíduos.
Os processos de tratamento de resíduos podem ser classificados em quatro tipos básicos:
físicos, químicos, biológicos e térmicos.

9.6.1 Tratamento físico

É empregado quando o objetivo é apenas reduzir o volume e imobilizar componentes de um


resíduo. Consiste de operações de secagem, centrifugação, evaporação, sedimentação, floculação,
absorção, destilação, concentração, adensamento, desaguamento, secagem, evaporação,

31
sedimentação, filtração, centrifugação, etc Essas soluções, embora tradicionais em suas concepções,
têm passado por aperfeiçoamentos recentes, com o desenvolvimento de equipamentos mais
econômicos e eficientes.

9.6.2 Tratamento químico

O tratamento químico altera a constituição do resíduo e é empregado principalmente na


eliminação de compostos tóxicos, na substituição dos contaminantes do resíduo por compostos mais
estáveis, na produção de compostos com valor comercial e na transformação do resíduo em materiais
insolúveis. Entre as operações químicas de tratamento, cabe destacar como principais: neutralização,
co-processamento, oxidação, redução, encapsulamento e precipitação.

9.6.3 Tratamento biológico

Este tipo de tratamento utiliza-se de microorganismos para acelerar os processo natural de


degradação biológica de resíduos que possuem elevada carga orgânica. Podem-se empregar
organismos desenvolvidos e cultivados industrialmente, que se reproduzem após serem adicionados
à massa do resíduo, ou utilizar a contribuição de organismos nativos, já existentes no ambiente.
Como exemplo, temos: landfarming, digestão anaeróbia, compostagem, uso de plantas enraizadas,
etc.

9.6.4 Tratamento térmico

Este grupo inclue a incineração e a pirólise. Trata-se na realidade de processos físico-químicos


que, através de temperaturas elevadas, transformam as características físicas e químicas do resíduo.
No caso da incineração, atinge-se uma oxidação completa, resultando em cinzas que devem ser
dispostas como resíduos sólidos, porém em volumes muito inferiores ao do resíduos original. A
pirólise, por sua vez, é um tratamento térmico que possibilita transformar resíduos sólidos leves e
orgânicos em combustíveis sólidos, líquidos ou gasosos, por meio de decomposição química a altas
temperaturas, em atmosfera controlada.
No tratamento de resíduos é importante definir, de início, através de ensaios de tratabilidade, a
via mais adequada a ser adotada para se atingir o objetivo proposto. Através desses ensaios, poder-
se-á escolher a melhor solução para o tratamento, sob o ponto de vista técnico e econômico. Os
tratamentos de resíduos podem ser realizados, em três locais distintos:

• junto a própria fonte geradora;

32
• em outra instalação que tenha interesse em utilizar o material recuperado;

• em instalações especializadas no tratamento de resíduos.


O tratamento junto a fonte geradora requer a instalação de equipamentos especiais, necessita
de área própria e adequada, isolada dos demais setores da empresa. Essa solução exige um controle
rigoroso na realização dos trabalhos de manipulação dos resíduos, para que não sejam contaminados
os funcionários e as instalações da empresa. É uma solução perfeitamente aplicável a resíduos
perigosos, que possam ser recuperados para uso na própria indústria que o gera.
O tratamento junto ao usuário do resíduo, que o recebe para recuperar e utilizar como matéria-
prima em sua produção, deve ser também feito com critério, não somente pelas razões já expostas no
parágrafo anterior, como pelo fato de poder comprometer o próprio gerador, nos casos de mau uso ou
eventuais acidentes. por definição legal, adotada internacionalmente, o gerador do resíduo é
responsável, indefinidamente, por ele e pelas consequências que acarrete. Assim sendo, a
transferência desse resíduo, por venda, troca ou cessão, a um terceiro não extingue seu gerador da
responsabilidade sobre o mesmo.
Para tirar partido dos efeitos sinérgicos que se podem alcançar tratando resíduos de diversas
categorias em um mesmo local, foi desenvolvido o conceito de Centro de Tratamento de Resíduos –
CTR – já utilizado nos países industrializados. Esses centros são constituídos pela reunião, em uma
área com características locacionais adequadas, de diversas unidades para processar os resíduos
que são recebidos das fontes geradoras. Um CRT completo deve ser constituído pelas seguintes
unidades:

• laboratório para análise prévia dos resíduos a receber, análise comprobatória dos
resíduos no ato de seu recebimento e controle dos materiais descontaminados para serem dispostos
ou recuperados;
• áreas para recebimento e triagem de resíduos (divididos em sólidos e líquidos);
• instalações para armazenamento de resíduos (a granel e em tambores);
• incinerador industrial para sólidos e líquidos;
• instalações para tratamentos físicos e químicos;
• aterro controlado habilitado para receber resíduos não inertes, perigosos ou não, e cinzas
resultantes da incineração de resíduos;

• escritórios, oficinas de manutenção e serviços de apoio.


Uma crítica feita ao tratamento centralizado de resíduos perigosos se baseia na idéia de que a
concentração de maiores quantidades aumenta o risco e pode gerar emissões fugitivas. Essa crítica é
infundada e encobre um sofisma. A dispersão desses mesmos resíduos, ao serem tratados em
diversos locais e em instalações de menor porte, aumenta exponencialmente os riscos de acidente,

33
além de elevar os custos unitários de processamento, fato que pode ainda estimular o gerador a optar
pelo armazenamento do resíduo por prazos indefinidos, sem tratá-los.

9.7 Disposição

A disposição de resíduos é a solução mais antiga e tradicional adotada pelo homem para dar
destinação aos resíduos que gera. Sem qualquer tratamento, ou apenas com uma pré-seleção de
materiais facilmente recuperáveis, a disposição no solo ou em corpos d´água foi utilizada até
recentemente como um solução natural para os resíduos gerados pela sociedade. A disposição em
aterro é a solução mais indicada para resíduos estáveis não perigosos com baixo teor de umidade e
que não contenham valores a recuperar.
Os aterros modernos podem ser divididos em duas classes, os sanitários, utilizados
principalmente para os resíduos urbanos, e os industriais. Além desses ainda existem, naturalmente,
os chamados lixões e aterros clandestinos que proliferam nos arredores dos grandes centros urbanos
de países em desenvolvimento, constituindo-se em focos de poluição e riscos à saúde pública.
Os aterros sanitários permitem o confinamento seguro dos resíduos em termos de contaminação
ambiental e saúde pública. Os resíduos são dispostos em camadas, compactados por tratores e
cobertos com uma amada de terra que será a base para uma nova camada de resíduos. Este tipo de
aterro evita a propagação de odores, fogo e fumaça, a proliferação de animais e as atividades
marginais de catação. Os aterros industriais requerem projeto e execução bem mais elaborados que
os aterros sanitários, em razão dos tipos de materiais que deverão receber, particularmente quando
se trata de resíduos perigosos. Um aterro industrial requer uma impermeabilização rigorosa de sua
base, com materiais naturais ou sintéticos (mantas plásticas especiais), e também uma cobertura
impermeável para as células que já tiverem sido preenchidas, a fim de evitar a infiltração de águas
pluviais e possibilitar o controle de emanações gasosas.
Não devem ser dispostos nos aterros industriais: ácidos, bases fortes, compostos orgânicos
muito solúveis e voláteis, materiais inflamáveis e explosivos e resíduos radiativos. Entretanto, com o
emprego de técnicas especiais de estabilização, encapsulamento, solidificação e vitrificação é
possível dispor muitos desses materiais, depois de passarem por processos de tratamento que os
tornam insolúveis e estáveis. Já os resíduos urbanos, por sua vez, não devem receber indistintamente
materiais contaminados procedentes de serviços de saúde, tais como resíduos hospitalares, de
farmácias, de clínicas, etc. não havendo, na região, outra alternativa para destinar esses resíduos,
como a incineração, por exemplo, deve-se reservar um parte do aterro sanitário para acolhê-lo em um
célula própria, com controle e monitoramento especiais ou autoclavá-lo antes de enviá-lo ao aterro.
A vida útil de um aterro é função do volume de material que recebe na unidade de tempo e da
densidade aparente dos resíduos. os aterros são uma solução relativamente barata, se comprada

34
com outras soluções, como por exemplo, a incineração e, por isso, acabam penalizadas pelo afluxo
de grandes volumes de resíduos que poderiam ser substancialmente reduzidos se fossem pré-
tratados. Por isso é conveniente conjugar o uso dos aterros com soluções que minimizem os
resíduos.

10 Usinas de Separação e Compostagem

As Centrais de Triagem são locais onde ocorre o processo de separação de resíduos, com o
intuito de destiná-los a algum tipo de tratamento adequado. Mesmo com a existência de um sistema
de coleta seletiva, se faz necessária uma etapa de separação mais detalhada dos mesmos. No caso
dos resíduos sólidos urbanos, é comum existir conjuntamente com as centrais de triagem a
compostagem dos resíduos orgânicos, constituindo-se no complexo denominado Usina de Triagem e
Compostagem.

Recepção
Estocagem

rejeitos
Aterro Triagem

material
recicláveis
rejeitos orgânico

composto
Compostagem Emissão
orgânico

Figura 4 - Esquema Geral de uma Usina de Separação e Compostagem

Como compostagem entende-se o processo controlado de transformação de resíduos sólidos


orgânicos em um composto bioestabilizado, através da decomposição, oxigenação e oxidação. Este
processo será melhor descrito posteriormente.
As Usinas de triagem e compostagem oferecem uma maneira de reduzir sensivelmente a
quantidade de resíduos enviados ao aterro., sendo a instalação de uma Usina de triagem sem a
compostagem da fração orgânica do lixo, pode vir a ser um processo oneroso e sem grande retorno
do ponto de vista ambiental. Deve ser prevista também uma destinação adequada aos materiais
potencialmente recicláveis obtidos na separação, seja a comercialização destes ou até mesmo a
reciclagem de alguns materiais pelo próprio município ou entidade.

35
11 Compostagem

11.1 Introdução

A compostagem de resíduos orgânicos é um dos métodos mais antigos de reciclagem, na qual


os materiais normalmente são considerados como lixo são transformados em excelente fertilizante
para ser utilizado em hortas e jardins. Além de ser uma solução para os problemas dos resíduos
sólidos, a compostagem também é inestimável fonte de matéria orgânica e de nutrientes para o solo.
Define-se como compostagem o processo controlado de transformação de resíduos sólidos
orgânicos em um composto bioestabilizado, através da decomposição, oxigenação e oxidação. A
compostagem é um método natural através do qual os materiais normalmente considerados como lixo
orgânico são transformados em material humificado, de cor escura e cheiro agradável, isento de
sementes de ervas daninhas ou de microrganismos causadores de doenças em plantas.
O composto orgânico é a matéria orgânica que foi processada e alterada quimicamente por
microrganismos, até atingir o estado mineralizado. Sua principal característica, é a capacidade de
recondicionar e melhorar solos agriculturáveis. Ajuda a melhorar a saúde do solo, além de neutralizar
várias toxinas, imobilizar metais pesados e funcionar como solução tampão. Todos os restos de
alimentos, estercos animais, aparas de grama, folhas, galhos, enfim, todo o material de origem animal
ou vegetal, podem entrar na produção do composto. Os materiais que não devem ser adicionados à
pilha de composto são: madeira tratada com pesticidas contra cupins ou envernizadas, vidro, metal,
óleo, tinta, couro, e plástico que podem ter destino mais nobre através da reciclagem industrial.

A compostagem oferece as seguintes vantagens:

• baixo custo de investimento;


• alta taxa de retorno de capital, pela industrialização e comercialização dos subprodutos
gerados;
• geração de empregos e divisas para o município;
• diminuição de enfermidades causadas por doenças de veiculação hídrica, o que implica
na diminuição de custos hospitalares;
• fixação de nutrientes no solo e consequentemente aumento da produção agrícola;

• produção de composto orgânico estabilizado para a agricultura, bastante utilizado em


hortas comunitárias;
• melhoria social e da qualidade de vida pela limpeza do ambiente/cidade;

36
• redução de cerca de 50% do lixo destinado ao aterro, com consequente aumento da vida

útil e diminuição dos custos de escavação e manutenção do mesmo;


• tratamento e disposição final do lixo, sanitariamente seguro.

11.2 Classificação dos métodos de compostagem

Existem várias classificações de processos de compostagem, sendo que algumas não são mais
recomendadas. Os principais autores costumam classificar os processos de compostagem segundo
os seguintes aspectos:

• quanto ao ambiente: aberta ou fechada;


• quanto ao processamento: estático/natural ou dinâmica/acelerada;
• quanto ao manuseio: manual ou mecanizada.

11.3 Principais sistemas de compostagem

11.3.1 Compostagem natural em leiras

Embora existam várias denominações para este processo. Baseia-se em promover a triagem
prévia dos materiais a serem compostados, onde os resíduos orgânicos são triturados, peneirados e
conduzidos a compostagem em áreas abertas. Os resíduos são empilhados em leiras de formatos
variados e revolvidos periodicamente, manual ou mecanicamente, para obtenção da aeração
necessária ao desenvolvimento do processo de decomposição biológica. Este processo é largamente
utilizado em unidades de processamento de lixo doméstico. O tempo para que o processo de
complete varia de três a quatro meses, portanto é utilizado no processamento de pequenas
quantidades de resíduos.
O composto está pronto quando fica com aparência homogênea de terra marrom-escura e isso
acontece em dois, três ou quatro meses, dependendo da época do ano. Quanto maior o calor, mais
rápidas são as reações. A aeração é obtida por revolvimentos nas leiras, que podem manuais ou
mecanizados.

11.3.2 Compostagem acelerada em digestores

37
O processo de compostagem é conduzido em um equipamento adaptado para promover uma
homogeneização adequada dos materiais a serem compostados, através da uniformização do
tamanho dos materiais, da umidade e da temperatura da massa. O objetivo desse sistema é acelerar
o processo de compostagem, sendo recomendado para cidades com mais de 200 mil habitantes. O
digestor é um equipamento fundamental, onde o resíduos avança no sentido contrário da corrente de
ar, e tem as seguintes funções:

• Movimentar o lixo produzindo tombamentos e esfacelamentos, tornando-o uma massa a


mais homogênea e uniforme possível. O lixo que passa por um digestor rotativo, por exemplo, recebe
centenas de tombamentos; em nenhum pátio de compostagem do mundo em resíduo é revolvido um
número tão elevado de vezes;

• Esfacelar materiais frágeis como frutas e verduras pelo atrito com os componentes duros
e pesados ou por “facas” tecnicamente dispostas no interior desses equipamentos;
• Revolver o lixo promovendo a inoculação dos componentes estéreis, para estes os
micróbios contidos em materiais ricos de organismos responsáveis pela decomposição microbiana da
matéria orgânica;
• Uniformizar a umidade do lixo geralmente mal distribuída, pois nele se encontram porções

encharcadas e outras completamente secas;

11.3.3 Compostagem acelerada em leiras aeradas

Consiste, basicamente, em colocar os resíduos em uma célula, cujo piso contenha uma
tubulação de drenagem e uma tubulação para a injeção do ar. Após o preenchimento, a célula é
recoberta por uma manta semi-permeável especial, cujo objetivo é favorecer a perda de umidade da
mistura, na forma de vapor d’água e impedir a entrada de umidade do ambiente externo. O
fornecimento de ar pode ainda ser garantido por ventiladores, instalados na parte externa da célula. O
sistema ainda permite que apenas a primeira fase da compostagem seja conduzida nessas células,
sendo o processo finalizado em áreas abertas. A grande vantagem está em acelerar a fase inicial,
sem a geração de odores, diminuindo o tempo total da compostagem.

38
12 Reciclagem

12.1 Introdução

O termo “reciclagem”, aplicado a lixo ou resíduos, designa o reprocessamento de materiais de


sorte a permitir novamente sua utilização. Trata-se de dar aos descartes uma nova vida. Nesse
sentido, reciclar, é “ressuscitar” materiais, permitir que outra vez sejam aproveitados. Para o público
em geral, o termo reciclagem é muita vezes entendido como sinônimo de coleta de materiais
recicláveis. Contudo, esta é claramente apenas uma etapa inicial do processo. Os benefícios
decorrentes da reciclagem são os mais diversos, como:

• a diminuição da quantidade de lixo a ser aterrada;


• a preservação de recursos naturais;
• a economia de energia;
• a diminuição de impactos ambientais;
• a geração de novos negócios e a geração de empregos diretos e indiretos.

12.2 Papel

A reciclagem do papel é antiga. Ao longo dos anos, o material mostrou ser fonte acessível de
matéria-prima limpa. Com a conscientização ambiental, para a redução da quantidade de lixo
despejado em aterros e lixões a céu aberto, os sistemas de reciclagem evoluíram. As campanhas de
coleta seletiva se multiplicaram e aumentou a ação de catadores nas ruas, que têm no papel usado
sua maior fonte sustento. As duas grandes vantagens da reciclagem de papel são a redução do lixo
gerado e a economia de recursos naturais como: matéria-prima, energia e água.
Os fatores que dificultam a reciclagem de papel são:

• Fatores relativos ao processo: falta de homogeneidade das aparas; necessidade da


eliminação das impurezas presentes na massa provenientes da desagregação do papel; e descarte e
tratamento dos rejeitos gerados.
• Fatores externos ao processo: flutuação do mercado; custos elevados para instalação de

unidades que fabricam papel reciclado; produtos de papel cada vez mais sofisticados, de difícil
reciclagem; demanda, por papel ou produtos de papel reciclado, é ainda relativamente baixa; e a
extensão territorial brasileira (o custo do transporte pode inviabilizar o aproveitamento de aparas).

39
A reciclagem do papel começa quando ele é separado do lixo e vendido por sucateiros que
enviam o material para depósitos. Ali, o papel é enfardado em prensas e depois encaminhado aos
aparistas, que classificam as aparas e revendem para as fábricas de papel como matéria-prima. Ao
chegar à fábrica, o papel entra em uma espécie de grande liqüidificador, chamado hidropulper, que
tem a forma de um tanque cilíndrico e um rotor giratório ao fundo. O equipamento desagrega o papel,
misturando-o com água, formando uma pasta de celulose. Uma peneira abaixo do rotor deixa passar
impurezas, como fibras, pedaços de papel não desagregado, arames e plásticos. Em seguida, são
aplicados compostos químicos – água e soda cáustica – para retirar tintas. Obtém-se assim a pasta
celulósica de fibras recicladas. Uma depuração mais fina, feita pelo equipamento centri-cleaners,
separa as areias existentes na pasta. Discos refinadores abrem um pouco mais as fibras de celulose,
melhorando a ligação entre elas. Opcionalmente podem ser acrescentadas fibras virgens para
melhorar a qualidade do papel. Finalmente, a pasta é branqueada (no caso de papel branco) com
compostos de cloro ou peróxido, seguindo para a máquina de fabricar papel.
No caso do papel ondulado, ao contrário do papel para escritório, não é preciso aplicar técnicas
de limpeza fina, retirada de tintas, branqueamento do material e lavagens especiais. Com as fibras de
melhor qualidade faz-se a capa de papel que é colocada na superfície externa da caixa de papelão.
As de qualidade inferior são usadas na fabricação do forro, que reveste a parte interior. E as de pior
qualidade servem para produzir o miolo ondulado, por meio de uma máquina que se chama
corrugadeira.

12.3 Plástico

Plásticos são artefatos fabricados a partir de resinas (polímeros) sintéticas, derivadas do


petróleo. No grande desafio atual enfrentado pelas prefeituras relacionado à disposição final do lixo,
encontram-se os plásticos, que pela sua natureza química caracterizam-se por apresentarem uma
grande resistência à biodegradação. Em 1862, o inglês Alexander Parkes produziu o primeiro plástico.
Durável e leve, o material tornou-se um dos maiores fenômenos da era industrial. No entanto, como
não é biodegradável, o plástico passou a sofrer críticas de setores ambientalistas mais radicais. A
reciclagem, que começou a ser feita pelas próprias indústrias para reaproveitamento de suas perdas
de produção, tem contribuído para reduzir o impacto dos aterros de lixo. Além da questão ambiental,
em termos econômicos o desperdício não se justifica: usando plástico reciclado, é possível
economizar até 50% de energia.
A partir de um conceito amplo, a reciclagem ou recuperação de plásticos pode ser entendida
como a reutilização de um artefato plástico para reaver, de modo econômico, o valor do material
descartado. No Brasil, são reciclados em média 15% dos plásticos rígidos e filme, o que equivale a
200 mil toneladas por ano. Não há dados específicos para o plástico filme. Em média, o material
corresponde a 29 % do total de plásticos separados pelas cidades que fazem coleta seletiva. Nos

40
EUA são recicladas 3,2 % das bolsas e sacos plásticos (28,8 mil toneladas anuais) 2 % das
embalagens (30 mil toneladas). O percentual de sacos de lixo é desprezível, porque a contaminação
dificulta a recuperação. Independente do tipo de reciclagem a qual os materiais plásticos irão ser
submetidos, é necessário que se faça uma preparação da matéria-prima para tal.

Aquisição de Moagem para


Classificação Enxágüe
matéria-prima lavagem

Eliminação do
Secagem Pré-secagem Descontaminação

Classificação das
Armazenamento
partículas

Figura 5 - Fluxograma geral do processo de preparação do plástico

A separação dos plásticos por tipo de resina é um problema que ainda não foi resolvido e é um
dos motivos que tem restringido a reciclagem de plásticos. Apesar dos muitos estudos e pesquisas já
realizados, não se chegou, até hoje, a um processo que possa, de maneira rápida, automática e
eficiente, efetuar a perfeita separação dos plásticos. Muitos artefatos são fabricados com mais do que
um tipo de resina, o que dificulta ainda mais a separação. Entretanto, começa a ser aplicada no Brasil,
uma codificação das resinas utilizadas na fabricação de artefatos plásticos. A idéia é imprimir, no
artefato ou na embalagem ou no rótulo, o código correspondente à resina utilizada ou as
preponderantes quando de uma mistura. A simbologia utilizada para esta codificação será discutida
mais adiante.
A maioria das empresas recicladoras de plástico de lixo, faz a separação e purificação dos
plásticos através da diferença de densidade (alguns flutuam na água, outros submergem e desta
forma podem ser separados) e degradação térmica. Além disso, algumas embalagens e alguns
artefatos são tão tradicionais que sua identificação torna-se relativamente simples. Após ser feita a
preparação da matéria-prima o plástico irá passar pelo processo de reciclagem propriamente dito, que
pode classificar-se em três tipos de tecnologias: reciclagem mecânica (primária ou secundária),
térmica e química (terciária).
A reciclagem energética consiste no reaproveitamento da energia gerada pela incineração
(queima) do material, que dentro dos padrões adequados, não causa danos ao meio ambiente.

41
A reciclagem química ou terciária é a conversão de resíduos plásticos em produtos químicos e
combustíveis, através de processos termoquímicos (pirólise, conversão catalítica). Através desses
processos, os materiais plásticos são convertidos em matérias-primas que podem originar novamente
as resinas virgens ou outras substâncias interessantes para a indústria, como gases e óleos
combustíveis. Esse tipo de reciclagem ainda não está sendo utilizada em grande escala devido ao
seu custo elevado.
A reciclagem mecânica é a conversão dos resíduos plásticos industriais e pós-consumo em
grânulos, que podem ser reutilizados na produção de sacos de lixo, solados, pisos, mangueiras,
componentes de automóveis, fibras, etc. A reciclagem primária ou pré-consumo é a recuperação dos
produtos realizada na própria indústria geradora ou por outras empresas transformadoras. Consiste
na conversão de resíduos plásticos por tecnologias convencionais de processamento em produtos
com características de desempenho equivalentes às daqueles produtos fabricados a partir de resinas
virgens. Esses resíduos são constituídos por artefatos defeituosos, paras provenientes dos moldes ou
dos setores de corte e usinagem.
A reciclagem secundária ou pós-consumo é a conversão de resíduos plásticos de produtos
descartados no lixo. Os materiais que se inserem nesta classe provêm de lixões, usinas de
compostagem, sistemas de coleta seletiva, sucatas, etc. São constituídos pelos mais diferentes tipos
de materiais e resinas, o que exige uma boa separação, para poderem ser aproveitados.
Após a preparação do plástico, este chega na recicladora e passa pelo aglutinador, uma espécie
de batedeira de bolo grande que aquece o plástico pela fricção de suas hélices, transformando em
uma espécie de farinha. Em seguida, é aplicada pouca água para provocar o resfriamento repentino
que resulta na aglutinação: as moléculas dos polímeros se contraem, aumentando sua densidade,
transformando o plástico em grãos. Assim, ele passa a ter peso e densidade suficientes para descer
no funil da extrusora, a máquina que funde o material é o transforma em tiras. Na última etapa, elas
passam por um banho de resfriamento e são picotadas em grãos chamados pellets, que são
ensacados e vendidos para fábricas de artefatos plásticos. O material reciclado pode ser misturado a
resina virgem para produzir novos objetos. A dificuldade em reciclar os resíduos plásticos reside,
justamente, no fato de que estes se encontram misturados, existindo a necessidade de se separar os
diferentes tipos, por serem incompatíveis entre si e não poderem ser processados em equipamento
convencional.
O processo de reciclagem de misturas de resinas exige altos investimentos em equipamentos
especiais (uma planta pode custar alguns milhões de dólares), necessários para a obtenção de
produtos com boa qualidade, atualmente fabricados apenas no exterior. A desvantagem desse
processo, além do elevado investimento, é a restrição à produção de artefatos. Devido à sua
concepção, só permite a fabricação de peças com espessuras relativamente grandes. Porém, já
existem empresas no Brasil empregando este proce4sso para a fabricação da chamada “madeira
plástica”, usada na construção civil na forma de pontaletes, escoras, formas de concreto, tábuas e
sarrafos, mourões de cerca, bancos de jardim, perfis, etc.

42
A reciclagem de artigos plásticos encontrados no lixo urbano traz alguns benefícios sociais e
econômicos para a sociedade, dentre os quais, pode-se destacar os seguintes:

• redução do volume de lixo coletado que é removido para os aterros sanitários, propiciando

aumento da vida útil e redução dos custos de transporte;


• economia de energia e petróleo, pois um quilo de plástico equivale a um litro de petróleo
em energia;
• geração de empregos (catadores, sucateiros, operários, etc.), com redução da pressão
social;
• menor preço para o consumidor dos artefatos produzidos com plástico reciclado (em
média os artefatos produzidos com plástico reciclado são 30 % mais baratos do que os mesmos
fabricados com matéria-prima virgem);
• melhorias sensíveis no processo de decomposição da matéria orgânica nos aterros
sanitários, uma vez que o plástico impermeabiliza as camadas de material em decomposição,
prejudicando a circulação de gases e líquidos.

12.4 Vidro

O vidro é um material obtido pela fusão de compostos inorgânicos a altas temperaturas, e


resfriamento da massa resultante até um estado rígido, não-cristalino. O principal componente do
vidro é a sílica (SiO2), mas também entram em sua composição óxido de sódio (Na2O) e óxido de
cálcio (CaO). A lenda conta que o vidro foi descoberto ocasionalmente há 4 mil por navegadores
fenícios, ao fazerem uma fogueira na praia: com o calor, a areia, o salitre e o calcário das conchas
reagiram, formando o vidro. A indústria vidreira desenvolveu-se rapidamente, sendo que a coleta
seletiva somente começou na década de 60 nos EUA, que hoje já conta com 6 mil pontos de coleta
de embalagens de vidro. No Brasil. A primeira iniciativa organizada surgiu em 1966, em São José do
Rio Preto, interior de São Paulo. Em 1986, A Associação Brasileira Técnica da Indústria do Vidro
(Abividro) lançou um programa nacional de coleta que atualmente envolve 7 milhões de pessoas em
25 cidades.
A possibilidade de poder lavar e esterilizar embalagens de vidro, com alto grau de segurança,
tornou a utilização de embalagens retornáveis de vidro bastante difundida. As embalagens retornáveis
de vidro são usadas basicamente para armazenar líquidos, como cervejas, refrigerantes e água, e
têm características físicas e mecânicas normalizadas. A reutilização indiscriminada de garrafas, potes
e outros vasilhames de vidro que não tenham sido adequadamente tratados com lavagem e
esterilização, constitui um risco potencial à saúde da população. Cabe lembrar que a etapa mais
importante da limpeza de embalagens de vidro é a esterilização, feita normalmente a altas

43
temperaturas (entre 100 e 150ºC). O processo deve exigir o mínimo de contato manual e quando este
for necessário deve ser usado uniforme e proteção adequado.
O principal mercado para recipientes de vidros usados é formado por vidrarias, que compram o
material de sucateiros na forma de cacos ou recebem diretamente em suas campanhas de
reciclagem. Além de voltar à produção de embalagens, a sucata pode ser aplicada na composição de
asfalto e pavimentação de estradas, construção de sistemas de drenagem contra enchentes,
produção de espuma e fibra de vidro, bijuterias e tintas reflexivas. Devido ao peso, uma das
dificuldades para a reciclagem de vidro é o custo do transporte da sucata. Os sucateiros e vidrarias
costumam exigir o mínimo de 10 toneladas para fazer a coleta a uma distância não superior a 400
quilômetros.
Nos sistemas de reciclagem mais completos, o vidro bruto estocado em tambores é submetido a
um eletroímã para separação dos metais contaminantes. O material é lavado em tanque com água,
que após o processo precisa ser tratada e recuperada para evitar desperdício e contaminação do
lençol freático. Depois, o material passa por uma esteira ou mesa destinada à catação de impurezas,
como restos de metais, plásticos, vidros indesejáveis que não tenham sido removidos. Um triturador
transforma as embalagens em cacos de tamanho homogêneo que são encaminhados a uma peneira
vibratória. Outra esteira leva o material para um segundo eletroímã, que separa metais ainda
existentes nos cacos. O vidro é armazenado em silo ou tambores para abastecimento da vidraria,
que usa o material na composição de novas embalagens.
A reciclagem do vidro se dá sem perda de volume nem perda das propriedades do material: um
recipiente de vidro reciclado é tão impermeável, inerte (não deixa sabor nem gosto no conteúdo) e
puro quanto um fabricado com matérias-primas virgens. Ao contrário de outros materiais, as
embalagens fabricadas com cacos de vidro não sofrem restrições de uso por parte dos organismos
sanitários. Nelas podem ser acondicionados alimentos, bebidas e medicamentos.
As propriedades do vidro se mantém independente do número de vezes que o material é
reaproveitado para fabricar novas embalagens, o que significa que o vidro é infinitamente reciclável.
Todos os recipientes de vidro podem ser reciclados, a exceção por razões de coleta, são os vidros
que formam o lixo hospitalar, cujo destino é a incineração. Em meio a esses lixo são descartados
frascos de antibióticos e outros remédios. Mas se fossem coletados separadamente, como acontece
em países desenvolvidos, seriam perfeitamente recicláveis, pois nas altíssimas temperaturas dos
fornos das vidrarias qualquer elemento contaminante é eliminado. A viabilidade financeira é definida
pela adequação de três fatores: volume, distância, custo e preço de venda. Para os municípios
localizados próximos às fabricas de vidro, a melhor forma encontrada para a reciclagem é quebrar os
produtos de vidro (garrafas, potes frascos, etc.) e vendê-los, em forma de caco, diretamente a essas
fábricas. Para um melhor preço de venda, esse caco deve estar lavado e de preferência separado por
cor. Além da redução do consumo de matérias-primas retiradas da natureza, a adição do caco à
mistura reduz o tempo de fusão na fabricação do vidro, tendo como consequência uma redução

44
significativa no consumo energético de produção. Segundo a ABIVIDRO (1999), a reciclagem de vidro
proporciona:

• Redução de custos de limpeza urbana;

• Diminuição do volume do lixo em aterros sanitários;


• Geração de empregos e novos recursos para obras sociais e educacionais
• Preservação do meio ambiente.

12.5 Metal

Os metais são classificados quanto à sua composição em dois grandes grupos: os ferrosos,
compostos basicamente de ferro e aço, e os não-ferrosos, Essa divisão justifica-se pela grande
predominância do uso de metais a base de ferro, principalmente o aço. Os metais são materiais de
elevada durabilidade, resistência mecânica e facilidade de conformação, sendo muito utilizados em
equipamentos, estruturas e embalagens em geral. Entre os metais não-ferrosos destacam-se o
alumínio, o cobre e sua ligas (como o latão e o bronze), o chumbo, o níquel e o zinco. Os dois últimos,
junto com o cromo e o estanho, são mais empregados com binados, na forma de ligas com outros
metais ou como revestimento, depositado sobre metais, como, por exemplo, o aço.
Os metais podem sofrer dois processos de fabricação: um primário e um secundário. No
processo primário, o metal é obtido através da redução do minério ao estado metálico usando
redutores como o carvão. Esse processo é feito a altas temperaturas, com elevado consumo de
energia. O metal obtido é denominado primário. No processo secundário, o metal é obtido
basicamente da fusão do metal já usado, denominado sucata. O consumo de energia é menor e o
metal obtido é denominado secundário.
A sucata metálica, além de ter embutida em si a etapa mais cara do processo primário, que é a
extração e redução do minério ao estado metálico, tem ainda um valor econômico, próprio do metal,
sendo este significativo em metais como alumínio, chumbo, cobre e, particularmente, nos metais mais
nobres: ouro, platina e prata.

45
METAL PRIMÁRIO METAL SECUNDÁRIO

Minério Sucata

Redução Energia Fusão

Fusão Conformação

Conformação

Figura 6 - Etapas de fabricação do metal primário e do metal secundário

A grande vantagem da reciclagem de metais é a de evitar despesas da fase de redução do


minério a metal. Essa fase envolve um alto consumo de energia, requer transporte de grandes
volumes de minério e instalações caras, destinados à produção em grande escala. É importante,
observar que a sucata pode, sem maiores problemas, ser reciclada mesmo quando enferrujada. Sua
reciclagem também é facilitada pela sua simples identificação e separação, principalmente no caso da
sucata ferrosa em que se empregam ímãs, devido às suas propriedades magnéticas. Através deste
processo é possível retirar até 90% do metal ferroso existente no lixo.
O principal mercado associado à reciclagem de aço é formado pelas aciarias, que derretem a
sucata, transformando-as em produtos ou novas chapas de aço. O incremento da coleta seletiva
desse material estimulará o aumento da demanda de empregos e equipamentos de separação, como
eletroímas. Depois de separadas do lixo, as latas de aço precisam passar por um processo de
limpeza em peneiras para a retirada de terra e outros contaminantes. Em seguida, são prensadas em
fardos para facilitar o transporte em caminhões até as indústrias recicladoras. Ao chegar na usina de
fundição a sucata vai para fornos elétricos ou a oxigênio, aquecidos a 1550 0C. Após atingir o ponto
de fusão e chegar ao estado líquido fumegante, o material é moldado em tarugos e placas metálicas,
que serão cortados na forma de chapas de aço. A sucata demora somente um dia para ser
reprocessada e transformada novamente em lâminas de aço usadas por vários setores industriais. O
material pode ser reciclado infinitas vezes, sem causar grandes perdas ou prejudicar a qualidade.
Aciarias de porte médio equipadas com fornos elétricos processam sucata com um preço inferior ao
das siderúrgicas convencionais.
A reciclagem das latas de alumínio se inicia após sua separação do lixo. Depois de coletas, as
latas vazias de alumínio são amassadas por prensas especiais. O material é enfardado pelos

46
sucateiros é repassado para indústrias de fundição. Em seus fornos, as latinhas são derretidas e
transformadas em lingotes de alumínio. Esses blocos são vendidos aos fabricantes de lâminas de
alumínio, que por sua vez comercializam as chapas para a indústria de lata. O material pode ser
reciclado infinitas vezes sem perda de nenhuma de suas características.

12.6 Outros materiais

12.6.1 Resíduos da Construção Civil

Entulho é o conjunto de fragmentos ou restos de tijolo, concreto, argamassa, aço, madeira, etc.,
provenientes do desperdício na construção, reforma e/ou demolição de estruturas como prédios,
residências e pontes. Quando descartado de construções, como material praticamente inerte, o
entulho causa problemas associados ao seu volume.
A reutilização do entulho pode ser na própria obra, apresentando vantagens sócio-econômicas,
além de ser utilizado como aterro, reduzindo a extração de material para esse fim, preservando
reservas naturais. A desvantagem do entulho está na qualidade inferior que o agregado possui em
relação ao tradicional.

Tabela 2 – Redução do impacto ambiental (em %) da reciclagem de resíduos na produção em alguns materiais de construção
civil (a partir de KANAYAMA, 1997).

Impacto Ambiental Aço Vidro Cimento¹


Consumo de energia 74 6 ∼ 50
Consumo de matéria-prima 90 54 50
Consumo de água 40 50 -
Poluentes atmosféricos 86 22 < 502
Poluição aquática 76 -
Resíduos em geral 105 54
Resíduos minerais 97 79
¹ Substituição por 50% de cinza volante
² Produção de CO2

Independente das questões relativas à reciclagem, ou à reutilização, o uso exclusivo do entulho


bruto, em aterros controlados ou para recuperação de terrenos degradados, pode ser considerado
como iniciativa racional mínima quanto à disposição final. O processo de reciclagem do entulho, para
obtenção de agregados, basicamente envolve a seleção dos materiais recicláveis do entulho e a
trituração em equipamentos apropriados. A sequência deste processo é a seguinte:

Materiais recicláveis Trituração Agregados


de entulho Peneiramento reciclados

47
Os equipamentos de reciclagem de entulho assemelham-se em muito a equipamentos de
britagem de rocha. A diferença básica se dá no tipo do britador que, preferencialmente, deve ser do
tipo de impacto, por melhor se adequar à fragmentação dos entulhos (BRITO FILHO, 1999). Via de
regra, os equipamentos de reciclagem de entulho compõem-se de:

• silo de recepção;

• triturador;
• transportadores de correia;
• extrator de metais ferrosos;
• conjunto peneirador.
É importante que na fase de trituração, seja controlada a granulometria, que deverá ser
adequada à finalidade estabelecida. O conhecimento dos resíduos que compõem o entulho, é uma
das referências iniciais mais importantes na compreensão técnica da reciclagem do entulho. Os
resíduos encontrados predominantemente ao entulho, que são recicláveis para a produção de
agregados, pertencem a dois grupos:

• Grupo I – materiais compostos de cimento, cal, areia e brita: concretos, argamassas,

blocos de concreto.
• Grupo II – materiais cerâmicos: telhas, manilhas, tijolos, azulejos.

A Resolução CONAMA 307/2002 classifica os resíduos da construção civil e estabelece a


destinação final de cada um da seguinte forma:

Tabela 3 – Classes, características e destinação de resíduos da construção civil

Destinação Final
Classes Características

reciláveis ou reutilizáveis como agregados


reutilizados ou reciclados na forma de
A (blocos cerâmicos, brita, tijolos, telhas,
agregados ou encaminhados para ARCC;
argamassa, concreto, etc.)
recicláveis (papel, papelão, plásticos, reutilizados, reciclados ou encaminhados à
B
metais) áreas de armazenamento temporário;
armazenados , transportados e destinados
sem possibilidade de recuperação com a
C de acordo com normas técnicas
tecnologia atualmente disponível (gesso)
específicas;
armazenados, transportados, reutilizados e
perigosos (embalagens de óleos, tintas,
D destinados de acordo com as normas
radioativos, etc)
técnicas específicas

48
12.6.2 Pneus

O pneu apresenta uma estrutura complexa, formada por diversos materiais como borracha, aço,
tecido de náilon ou poliéster visando conferir as características necessárias ao seu desempenho e
segurança, sendo a separação desses componentes muito difícil.
O descarte inadequado das carcaças de pneus constituem sérios danos ambientais, como o
assoreamento de rios e lagos, a ocupação de grandes espaços em aterros, ou o amontoamento em
terrenos baldios, facilitando a proliferação de insetos e incêndios. Porém, o principal problema é a
perda da matéria-prima. O descarte de pneus em aterros sanitários, mar, rios, lagos ou riachos,
terrenos baldios ou alagadiços e queima a céu aberto está proibido por força da Resolução nº258/99
do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. Os pneus descartados podem ser reciclados ou
reutilizados para diveros fins.

• Na engenharia civil: envolve aplicações como, barreira em acostamentos de estradas,


elemento de construção em parques e playgrounds, quebra mar, obstáculos para trânsito. Projetos
para construção de aterros sanitários consideram a estabilização da manta impermeável com um

estrutura de pneus amarrados.


• Na regeneração da borracha: envolve a separação da borracha vulcanizada dos demais
componentes e sua digestão com vapor e produtos químicos, tais como, álcalis, mercaptanas e óleos
minerais. O produto desta digestão é refinado em moinhos até a obtenção de uma manta uniforme, ou
extrudado para obtenção de material granulado. Entretanto, não há processos que revertam
totalmente a vulcanização, uma vez que em todos eles o material resultante apresenta características
inferiores às do composto original.
• Na geração de energia: o poder calorífico de raspas de pneus equivale ao do óleo
combustível, ficando em torno de 40 Mej/kg. O poder calorífico da madeira é por volta de 14 Mej/kg.

Os pneus podem ser queimados em fornos já projetados para otimizar a queima. Em fábricas de
cimento, sua queima já é uma realidade em outros países (co-processamento). A Associação
Brasileira de Cimento Portland (ABCP) informa que cerca de 100 milhões de carcaças de pneus são
queimados anualmente nos Estados Unidos com esta finalidade, e que o Brasil já está
experimentando a mesma solução.
• No asfalto modificado com borracha: o processo envolve a incorporação da borracha em

pedaços ou em pó. Apesar do maior custo, a adição de pneus no pavimento pode até dobrar a vida
útil da estrada, porque a borracha confere ao pavimento maiores propriedades de elasticidade ante

49
mudanças de temperatura. O uso da borracha também reduz o ruído causado pelo contato dos pneus

com a estrada.

12.6.3 Pilhas e baterias

A pilha é uma miniusina portátil que transforma energia química em elétrica. São classificadas de
acordo com seus sistemas químicos, podendo haver em cada um deles mais de uma categorias.
Além disso, as pilhas, podem ser divididas, em primárias e secundárias, sendo esta última
recarregável.
O grande problema encontrado nas pilhas são os elementos tóxicos que as compõe. O mercúrio
é utilizado para armazenar impurezas contidas nas matérias-primas, impurezas essas geradoras de
gases que podem prejudicar o desempenho e a segurança da pilha. As pilhas ainda podem conter
elementos tóxicos como zinco, cádmio e chumbo. No Brasil, o problema do descarte de pilhas já está
sendo equacionado pelas Resoluções nº 257/99 e nº 263/99 do CONAMA, que tem força de lei.
Considerando os impactos negativos causados ao meio ambiente pelo descarte inadequado de pilhas
e baterias usadas, a necessidade de se disciplinar o descarte e o gerenciamento ambientalmente
adequado de pilhas e baterias usadas, no que tange à coleta, reutilização, reciclagem, tratamento ou
disposição final, a Resolução nº 257/99 do CONAMA resolve em seu artigo primeiro:
“As pilhas e baterias que contenham em suas composições chumbo, cádmio, mercúrio e seus
compostos, necessárias ao funcionamento de quaisquer tipos de aparelhos, veículos ou sistemas,
móveis ou fixos, bem como os produtos eletro-eletrônicos que as contenham integradas em sua
estrutura de forma não substituível, após seu esgotamento energético, serão entregues pelos
usuários aos estabelecimentos que as comercializam ou à rede de assistência técnica autorizada
pelas respectivas indústrias, para repasse aos fabricantes ou importadores, para que estes adotem,
diretamente ou por meio de terceiros, os procedimentos de reutilização, reciclagem, tratamento ou
disposição final ambientalmente adequada.”
A Resolução nº 257/99 proíbe o lançamento das pilhas e baterias a céu aberto, tanto em áreas
urbanas como rurais, sua queima a céu aberto ou em recipientes, instalações ou equipamentos não
adequados e seu lançamento em cursos d´água, praias, terrenos baldios, efluentes, etc. No entanto,
as pilhas e baterias que atingirem os limites estipulados a partir de 1º de janeiro do ano 2001 poderão
ser dispostas juntamente com os resíduos domicilares em aterros sanitários licenciados.
Atualmente, só existe uma empresa no Brasil capaz de reciclar pilhas e baterias de celular. É a
indústria Química Suzaquim, que fica em Suzano, São Paulo. Lá elas são transformadas em um pó,
chamado óxido metálico, com o qual são fabricados os corantes usados em tintas, vidros pisos e
cerâmicas. Ainda não existe uma empresa capaz de produzir uma pilha nova a partir da velha, como
na Suíça.

50
O processo todo dura dois meses e começa, no caso das baterias, com a separação das partes
plásticas, enviadas a uma outra empresa. Depois pilhas e baterias são colocadas em um triturador.
Em seguida, o material vai para um grande tanque, chamado reator, onde tudo é dissolvido com
produtos químicos. Nessa fase líquida começa então a separação de metais que passam por vários
filtros. Depois de separados, eles virão uma borra pastosa (parecida com a de café), levada para um
forno e aquecida a mais de 2 mil graus. Todo o material chega a grandes moedores, em formato de
bola, onde é finalmente transformado em óxido metálico (um pozinho como a cinza de cigarro). Cada
metal apresenta uma cor diferente no final do processo. O níquel fica cinza e o cádmio amarelo. E é
com esses “pozinhos” que serão fabricados os corantes usados pelas empresas de tintas, vidros, pios
e cerâmicas. O custo do processo é de R$ 981,00 por tonelada de pilhas e baterias enviadas.
Para facilitar o gerenciamento e descarte adequado de pilhas e baterias são dadas algumas
dicas:

• Colocar pilhas na geladeira não aumenta a carga, ao contrário, quando expostas ao frio ou
calor o desempenho pode piorar.

• Na hora de trocá-las substitua todas ao mesmo tempo.


• Retire-as se o aparelho for ficar por um longo tempo sem uso, pois podem vazar.
• Não misture tipos diferentes (alcalinas com comuns) ou novas com usadas: isso prejudica

a durabilidade.
• Nunca jogue pilhas no fogo, pois elas podem explodir.
• Prefira as alcalinas apesar de serem um pouco mais caras duram mais.

• Guarde as pilhas em local seco e em temperatura ambiente.

12.6.4 Lâmpadas de descarga de gases

São incluídas nesta categoria as lâmpadas de vapor de mercúrio, de vapor de sódio, de luz mista
e também as lâmpadas fluorescentes. Esta última é a mais difundida, sendo usada em fábricas,
escritórios e até mesmo em domicílios.
As lâmpadas fluorescentes contêm substâncias químicas nocivas ao meio ambiente, como
metais pesados, onde se sobressai o mercúrio. Enquanto intactas, as lâmpadas fluorescentes não
oferecem riscos. Porém, ao serem descartadas no lixo seu vidro é triturado e o mercúrio liberado,
passando a evaporar. Quando chove, ele volta e contamina o solo e os cursos d’água. Ingerido ou
inalado por ser humano, o mercúrio tem efeitos desastrosos no sistema nervoso, podendo causar
desde lesões leves até vida vegetativa ou morte. A indústria brasileira de lâmpadas produziu 70
milhões de lâmpadas fluorescentes tubulares no ano de 2000 e importou 6 milhões de lâmpadas
compactas eletrônicas para uso doméstico. A estimativa para o mercado no ano de 2001, pressionado
pelo racionamento de energia, é de um consumo de 16 a 20 milhões de lâmpadas compactas.

51
Apesar de no Brasil não existir lei quanto à disposição final de lâmpadas fluorescentes, existe um
processo de reciclagem desenvolvido por uma empresa nacional. Este processo consiste na
destruição de lâmpadas de forma controlada: o vidro é separado do soquete e descontaminado,
retornando à produção de lâmpadas ou sendo usado na composição de esmalte na vitrificação de
cerâmicas. O soquete é vendido como sucata de alumínio e o mercúrio é filtrado e encaminhado para
fabricantes de cloro-soda, pilhas, baterias e também lâmpadas. Deve ser ressaltado que a venda dos
materiais recicláveis não cobre o custo de processamento da lâmpada.
A capacidade da Apliquim para descontaminar lâmpadas é de 400.000 unidades/mês. Em 2000
foram reciclados 2 milhões de lâmpadas fluorescentes e, em 2001, a expectativa é de alcançar os 3
milhões de lâmpadas. No mercado há três anos, a Mega Reciclagem, recicla cerca de 120 mil
lâmpadas fluorescentes/mês a um custo médio de R$ 0,49. A Assessoria de Comunicação da
empresa estima que 97% das lâmpadas descartadas por prefeituras e órgãos do governo em todo o
país tem, atualmente, destino incorreto

12.7 Simbologia

Um dos maiores desafios para a reciclagem é a separação dos materiais misturados no lixo.
Para facilitar a identificação dos materiais, existem símbolos que devem ser empregados pelos
fabricantes em seus produtos, por conhecê-los a fundo. Existem no Brasil padrões já estabelecidos
para os símbolos que representam cada material. É importante que os fabricantes das embalagens os
respeitem, pois esses são aprovados pelas associações setoriais de plásticos, papel, vidro e aço.
Com estes símbolos padronizados as prefeituras teriam mais facilidade para separar o lixo reciclável.
Os recicladores, mais um recurso para identificarem a sua matéria-prima, sobretudo no caso do
plástico. E o fabricante, por sua vez, teria dado uma grande contribuição para a proteção do meio
ambiente.

12.7.1 Lixo

Este símbolo orienta o consumidor no sentido de evitar jogar suas


embalagens em locais adequados. Mostra justamente o consumidor jogando a
embalagem em uma cesta de lixo. Este símbolo deve ser reforçado com frases
ou palavras como:
“Colabore com a Limpeza”
“Grato”
“Mantenha a Cidade Limpa”

52
12.7.2 Papel

Para produtos à base de celulose, existem dois símbolos que resumem conceitos paralelos:
reciclável e reciclado.

RECICLÁVEL
O símbolo de três setas vazadas indica que o produto facilmente reciclável. Este triângulo deve
ser acompanhado pela palavra “reciclável”.

RECICLADO
Este símbolo, de setas brancas sobre um fundo preto, pode ser colocado em produtos que
contêm alguma percentagem de fibra reciclada, seja ela recuperação do lixo ou de aparas de
produção.

12.7.3 Plástico

Existem sete símbolos para materiais plásticos, sendo seis para famílias de resinas de grande
utilização e um para as demais, ou então para compostos anteriores. A importância da colocação de
um código identificando o tipo de resina do frasco ou no filme é da máxima importância para facilitar a
reciclagem das
embalagens. Os
recicladores de plástico,
para obterem um melhor
rendimento, precisam
separar as embalagens por
resina, uma tarefa difícil, já
que muitas vezes materiais
diferentes têm aspectos
idênticos.
A Plastivida (Associação Brasileira para Reciclagem de Materiais Plásticos), em conjunto com
outras entidades representativas, está trabalhando com a ABNT para adotar uma norma específica
para a identificação dos materiais. A Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) orienta
seus associados, produtores de artefatos plásticos (embalagens, utilidades, peças técnicas, etc.) no
sentido de que a norma seja adotada com a maior brevidade, em caráter voluntário.
Cada um dos sete triângulos contém um número e uma sigla. Os números 1 a 6 se referem a
resinas específicas. O número 7 engloba todas as outras resinas e também qualquer mistura de
resinas. O triângulo de três setas, com número de identificação, acompanhado ou não da sigla

53
(conforme especificado na forma), deve ser colocado nas embalagens de forma visível e na posição
recomendada.

12.7.4 Vidro

A Abividro (Associação Técnica da Brasileira das Indústrias Automáticas de


Vidro), que reúne os principais fabricantes de vidro do Brasil, desenvolveu este
símbolo para ser colocado em rótulos que envolvem as garrafas de vidro. O símbolo
pode ter várias combinações de cores.

12.7.5 Metal

O fato mais importante que para a reciclagem das embalagens de aço ou folha-
de-flandres é que elas podem ser separadas magneticamente do lixo através do
eletroímã. Portanto, o símbolo para embalagens ferrosas, promovido pela indústria de
embalagem desse material, mostra justamente um desenho de um ímã. Este símbolo
é facilmente impresso na lata, no caso de embalagens para óleo de cozinha, ou no
rótulo de papel que envolve a lata, no caso de outros produtos.
A lata de alumínio tornou-se de fácil identificação, pois hoje é usada
exclusivamente no Brasil pela indústria de bebidas. Sua identificação é, no entanto,
fundamental, pois algumas bebidas importadas são envasadas em latas de aço, muito semelhantes.

13 Incineração

13.1 Introdução

A incineração é uma das tecnologias térmicas existentes para tratamento de resíduos,


consistindo num processo químico de oxidação a altas temperaturas (geralmente acima de 900oC),
em mistura com uma quantidade apropriada de ar e durante um tempo pré-determinado, que destrói,
inertiza, reduz o volume ou recupera materiais, substâncias ou energia presentes em um resíduo.
Essa combustão acontece numa instalação, usualmente denominada usina de incineração, projetada
para esse fim.
O rendimento da combustão está associado a dois fatores:

54
• Regulagem da quantidade de ar de modo que seja mantida a mistura ar-combustível nos

níveis exigidos no projeto;


• Transferência do máximo de calor gerado na combustão para o material a ser incinerado.

13.1.1 Boas práticas de combustão

Os incineradores devem ser especialmente projetados e seus equipamentos operados e


mantidos por pessoal especializado. Existem quatro fatores de suma importância a serem controlado
na combustão dos resíduos sólidos: temperatura, disponibilidade de oxigênio, turbulência e tempo de
residência (retenção). Os gases de combustão devem-se manter em torno de 1200ºC por cerca de 2
segundos, com excesso de ar e turbulência elevados a fim de garantir a conversão total dos
compostos orgânicos presentes nos resíduos a gás carbônico e água. Os teores de oxigênio nos
gases de combustão emitidos na chaminé devem ficar acima de 7% em volume. Estas condições
operacionais compõem o que se denomina de boas técnicas de combustão, como ilustrado a seguir:

Tabela 4– Controle operacional da incineração

Condição Características operacionais


Quanto maior a temperatura dos gases numa câmara de combustão maior a
Temperatura elevada
velocidade de decomposição de compostos orgânicos eventualmente presentes
na câmara de
e garantia de destruição de patógenos. A temperatura normalmente
combustão
recomendada é de 1200ºC.
O oxigênio reage com os compostos orgânicos presentes nos resíduos, gerando
gás carbônico (CO2) e água (H2O). À semelhança da temperatura, o teor de
Teor de oxigênio oxigênio interfere na velocidade de reação de decomposição de compostos
elevado nos gases de orgânicos, que aumenta com o teor de oxigênio nos gases de combustão. O teor
combustão de oxigênio mínimo recomendado em gases de combustão de incineradores é de
7%. Teores muito elevados, por outro lado, podem reduzir significativamente a
temperatura na câmara de combustão, piorando as condições na câmara.
Para que o oxigênio reaja com os compostos orgânicos presentes nos gases de
combustão ou nos resíduos sólidos, é necessário que ele entre em contato com
Turbulência elevada estes compostos. Para isto é necessário que o estado de agitação na câmara de
nos gases de combustão chamado de turbulência, seja muito elevado, promovendo um contato
combustão intenso do ar de combustão com os reagentes. Isto normalmente se consegue
pela injeção de jatos de ar alta velocidade logo acima do leito de resíduo sólido
em combustão.
Mesmo em condições adequadas, as reações de combustão levam um tempo
Tempo de residência para ocorrer, variando com a temperatura, teor de oxigênio e turbulência. Em
na câmara de geral, as câmaras de combustão de volumes maiores reduzem a velocidade dos
combustão gases, levando a tempos de residência maiores. Os tempos de residência em
câmaras de combustão de incineradores têm variado de 0,8 a 2,0 segundos.
Fonte: CEMPRE, 2000.

55
13.1.2 Vantagens

• Redução drástica de massa e volume a ser descartado: a taxa de redução média em


massa é de 70% e de volume, 90%, diminuindo o volume destinado para aterro;
• Recuperação de energia: parte da energia contida nos resíduos pode ser recuperada para
geração de energia elétrica e/ou vapor d’água;
• Redução do impacto ambiental: com as novas tecnologias de limpeza de gases de
combustão, os níveis de emissão de poluentes podem ficar abaixo dos observados em processos de
combustão convencionais, bem como contribuir para a minimização do efeito estufa, devido à
combustão de materiais de fontes renováveis (papéis, restos de alimentos e de produtos de origem
vegetal) e à redução na emissão de gás metano e contaminação de lençóis freáticos observados em
aterros;

• Esterilização dos resíduos: a incineração destrói bactérias e vírus presentes nos resíduos
devido às elevadas temperaturas atingidas no interior dos incineradores, sendo amplamente utilizada
no tratamento de resíduos dos serviços de saúde;
• Destoxicação: empregando boas técnicas de combustão, produtos orgânicos tóxicos,
como óleo ascarel e produtos aromáticos, podem ser destruídos, razão pela qual a incineração é
amplamente utilizada para o tratamento de resíduos industriais e descontaminação de solos contendo

produtos químicos orgânicos tóxicos.

13.1.3 Desvantagens

• Custo elevado: a incineração apresenta custos elevados de instalação e de operação; no

entanto, este custo, nas grandes metrópoles com baixa disponibilidade de áreas adequadas, está se
aproximando do custo de disposição em aterros sanitários;
• Exigência de mão-de-obra qualificada: os processos de incineração, independente do
porte da unidade, exigem pessoal qualificado para garantir a qualidade da operação;
• Presença de materiais nos resíduos que geram compostos tóxicos e corrosivos: alguns
materiais, como pilhas, plásticos, etc. liberam compostos tóxicos e ácidos que não podem ser

eliminados por boas técnicas de combustão, exigindo a instalação de sistemas de limpeza de gases.
O dimensionamento apropriado de uma usina de incineração resulta da avaliação cuidadosa de
uma variedade de critérios, como a capacidade da usina (suprimento de lixo), os programas

56
alternativos de lixo, as características do lixo a ser incinerado, planejamento das interrupções na

planta, duração do projeto, e localização da usina. A análise criteriosa desses critérios é que
determinarão a viabilidade da usina.

13.1.4 Caracterização dos resíduos a serem incinerados

A caracterização completa de um resíduo visando sua incineração engloba a determinação de


Poder calorífico inferior (PCI), Análise imediata; Análise elementar e Teores de elementos tóxicos. Os
resíduos mais comumente utilizados para incineração são os resíduos domiciliares, resíduos de
serviços de saúde e os resíduos industriais perigosos. É um processo especialmente indicado para
resíduos que apresentam características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e
patogenicidade – PERIGOSOS.Existem várias tecnologias térmicas (incineradores) empregadas na
incineração, que, basicamente, divide-se nas etapas de pré tratamento/alimentação, incineração e
controle de poluição. Um dos empregos mais importantes da incineração é quanto ao destino do lixo
dos serviços de saúde e hospitalar, pela destruição dos seres patogênicos pela alta temperatura dos
incineradores.

13.2 Tipos de incineradores

Em termos gerais, a eficiência de um incinerador está associada a características e projeto,


operação e gerenciamento. Em nível de projeto e operação, deve ser observada a necessidade de
duas câmaras de combustão: primária e secundária. A câmara de combustão primária destina-se à
secagem e queima da massa de resíduos, emitindo uma mistura gasosa de orgânicos volatilizados e
algum material particulado. A complementação de queima de gases dá-se na câmara secundária. Um
sistema de filtros é desejável para a retenção de particulados e um sistema de lavagem de gases,
afim de promover a retirada de SOx e NOx.

13.2.1 Incineradores de combustão em grelha

Incineradores com combustão em grelha são, atualmente, os equipamentos mais empregados


para incineração de Resíduos Sólidos Municipais (RSM). Estes incineradores podem incinerar RSM
no estado bruto ou numa forma beneficiada, denominada combustível derivado de resíduos, resultado
de um processo prévio de separação de materiais recicláveis do RSM, semelhante ao empregado na
compostagem, gerando um material com granulometria menor e mais uniforme que o resíduo bruto, e
mais adequado para a incineração. Podem ainda, sob determinadas condições serem usados para

57
queima de pequenas quantidades de resíduos industriais perigosos. O material é alimentado na forma
em que chega à usina de incineração. O resíduo, depois de pesado, é descarregado em um fosso,
onde o material inicialmente é revolvido por garras suspensas em pontes rolantes para
homogeneização da carga. Esse mesmo dispositivo carrega o silo de alimentação de onde o material
é descarregado, por meio de êmbolos hidráulicos, para dentro da câmara primária de combustão do
incinerador.
A queima nestes incineradores ocorre, via de regra, em duas câmaras de combustão sendo
necessário o uso de combustível para o início e manutenção da queima. Deve ser previsto um
adequado suprimento de ar destinado á combustão nas câmaras primária e secundária e a garantia
de uma turbulência para misturar o ar e os resíduos. Neste processo, o ar pode ser introduzido sob as
grades por meio de equipamento de ventilação forçada ou por cima delas para controlar as taxas de
queima e a temperatura da câmara. A porção mais quente do fogo está localizada acima da grade de
queima. O ar aquecido sobe, atingindo os resíduos úmidos que entram por cima da grade de
secagem e, desse modo, retira a umidade permitindo a queima durante o trajeto descendente.
Como muitos resíduos orgânicos são instáveis termicamente, vários gases são gerados no
processo de queima que se dá na câmara de combustão, onde a temperatura chega a 800ºC. Esses
gases e pequenas partículas orgânicas entram numa câmara secundária onde queimam a uma
temperatura superior a 900ºC. Os compostos orgânicos que produzem odores, normalmente são
destruídos a temperaturas entre 800 e 900ºC. Uma parcela das cinzas e outros particulados podem
ser carreados através das câmaras de combustão. Por isso esses incineradores devem ter os
equipamentos de controle de emissão gasosa, o que pode obrigar a adoção de um exaustor para
garantir um adequado fluxo de ar, compensando a perda de carga no equipamento, assim como para
suprir de ar o próprio incinerador.

13.2.2 Incinerador de câmaras múltiplas

São pequenas unidades de incineração de resíduos sólidos no estado bruto, com capacidade
variando de 0,2 a 200 t/dia. Elas são compostas geralmente por duas câmaras revestidas de refratário
e podem operar de forma contínua ou descontínua. Este equipamento pode ser usado na queima
combinada de resíduos sólidos e semi-sólidos, sendo muito comum na queima de lodos de efluentes.
Os resíduos são alimentados na primeira câmara de combustão por um êmbolo e a carga vai
caminhando ao longo de grelhas fixas auxiliado por outros êmbolos, sofrendo quedas e revolvimentos
entre eles. Parte do ar é introduzido por baixo das grelhas e a quantidade injetada normalmente fica
bem abaixo do estequiométrico, sendo suficiente para manter temperaturas de cerca de 600ºC na
primeira câmara.
Essa técnica auxilia no controle da combustão e minimiza a emissão de material particulado
(arrasta pouco material sólido da primeira câmara). O resíduo sólido vai se consumindo e ao fim da

58
primeira câmara as cinzas são descarregadas e apagadas em tanques de água. Os gases não
queimados vão para a segunda câmara, onde são misturados com os gases de um queimador
auxiliar. Estes gases devem entrar em alta velocidade para provocar turbulência elevada na segunda
câmara e, consequentemente, garantir uma boa mistura destes gases com os da primeira câmara. Os
teores de oxigênio também devem ser elevados para garantir a combustão dos compostos não
queimados na primeira câmara. Os excessos de ar ficam em torno de 100 a 200% e as temperaturas
em torno de 1200ºC. ao final da segunda câmara pode-se colocar dispositivos de recuperação de
calor, sendo os mais comuns geradores de vapor e de água quente. Devido às baixas pressões de
vapor gerados e aos custos elevados de unidades de geração de energia elétrica, estes tipos de
equipamentos não são utilizados para geração de potência.

13.2.3 Incinerador de leito fluidizado

Desenvolvido recentemente para destruir lodos e determinados resíduos sólidos, tem


capacidade intermediária ao de grelha e ao de câmaras múltiplas, com dimensões variando de 3 a 15
metros de diâmetro e de 10 a 15 metros de altura. Os resíduos são carregados sobre ou dentro do
leito de areia fluidizada que é mantida pelo movimento ascendente do ar. A quantidade de ar é
regulada com o fim de evitar o carreamento da areia para fora do incinerador e fluidizar o leito. O
equipamento consiste de um vaso contendo leito de material granular inerte, normalmente areia, o
qual se mantém a uma temperatura que varia de 450 a 850ºC. O ar de fluidização é injetado através
de um disco distribuidor localizado abaixo do leito e tem como objetivo manter o leito em suspensão.
Os resíduos e o combustível auxiliar são injetados radialmente em pequenas quantidades que, em
contato com o leito, recebem calor entrando, assim, em combustão e devolvendo energia ao leito.
Podem ser incinerados resíduos líquidos ou lodos, sendo o tipo e a composição dos mesmos
parâmetros importantes no dimensionamento dos mecanismos de alimentação, processamento e tipo
de leito específico. No caso de lamas não homogêneas com grande porcentagem de sólidos é
necessário um pré-tratamento, como: separação, secagem, etc.

14 Co-Processamento

O co-processamento é uma tecnologia de destinação de resíduos industriais perigosos que


satisfaz plenamente as atuais exigências de controle ambiental. Consiste na técnica de destruição
térmica a altas temperaturas em fornos de fabricação de clínquer (matéria-prima principal do cimento),
devidamente licenciados e preparados para esta finalidade, com aproveitamento de conteúdo
energético e/ou aproveitamento da fração mineral como matéria-prima.

59
Os tipos de resíduos podem ser:

• Substitutos de Matérias Primas: resíduos que possuam características semelhantes às


matérias primas utilizadas na fabricação de cimento;
• Substitutos de Combustíveis: Resíduos com poder calorífico e que substituam os
combustíveis tradicionais.
Com o co-processamento, 100% dos resíduos industriais são destruídos, sem que haja a
geração de qualquer efluente líqüido ou sólido decorrente de sua queima, ou seja, não havendo
geração de nenhum passivo ambiental. A utilização de resíduos no processo de fabricação de
clínquer também mantém inalterada a qualidade do produto final (cimento) e os níveis de emissão do
forno.
Vantagens: Elimina vários resíduos de forma segura e definitiva; Não gera passivos ambientais;
Induz as fábricas de cimento a uma produção mais segura devido aos investimentos necessários para
seu licenciamento para co-processar; Poupa recursos naturais não-renováveis, como combustíveis e
matérias-primas minerais.
O processo de co-processamento envolve as seguintes etapas: Caracterização do resíduo no
cliente; Elaboração de projeto de co-processamento; Apresentação da proposição ao Órgão
ambiental; Programação de transporte; Recebimento na fábrica; Preparo do resíduo; Monitoramento
do processo e Registro do processo. As exigências para o licenciamento ambiental são: Estudo da
viabilidade da queima (EVQ); Proposta de co-processamento / plano de teste em branco; Teste em
branco / relatório de teste em branco; Plano de teste de queima (PTQ) / teste / relatório de queima;
Análise de risco e Planos complementares.
São considerados, para fins de co-processamento em fornos de produção de clínquer, resíduos
passíveis de serem utilizados como substituto de matéria-prima ou de combustível, desde que as
condições do processo, assegurem as exigências técnicas e parâmetros fixados pela FEPAM,
comprovados a partir dos resultados práticos do plano do teste de queima proposto e observem as
restrições a serem fixadas no processo específico de licenciamento.
Para que um resíduo seja utilizado como substituto de matéria-prima, deve apresentar
características químicas similares às matérias-primas normalmente empregadas na produção de
clínquer, ou seja, deve ser composto, basicamente, por óxidos de cálcio, silício, alumínio e ferro,
contemplando também, a presença de mineralizadores e/ou fundentes.
Para que um resíduo seja utilizado na geração de energia, seu poder calorífico inferior deve ser
maior que 2700 kcal/kg (11.300 kj/kg), base seca, correspondente ao valor do combustível de menor
poder calorífico normalmente utilizado como combustível alternativo (casca de arroz). A alimentação
do resíduo deve ser realizada, preferencialmente, na zona de combustão secundária, havendo
possibilidade, em função das características do resíduo, da alimentação ocorrer na zona de
combustão primária. Os resíduos a serem utilizados para o co-processamento são divididos nos
seguintes grupos:

60
• Grupo I - Combustíveis regulares: Carvão Mineral; Gás Natural; Óleos Combustíveis;

Briquetes de Carvão; Coque de Petróleo e coques residuais da gaseificação de carvão Metanol,


etanol;
• Grupo II - Combustíveis alternativos ou resíduos normalmente utilizados como
combustíveis secundários: Casca de Arroz; Serragem de Madeira não tratada; Bagaço de Cana de
Açúcar; Palha de Arroz, Trigo e Similares; Casca de Acácia;
• Grupo III - Combustíveis excepcionais: Borras Oleosas; Borras Ácidas; Borras de
Processos Petroquímicos e fundo de tanques; Borrachas não cloradas; Pneus; Carvão ativado usado
como filtro; Elementos filtrantes de filtros de combustíveis e lubrificantes; Solventes; Borras de tintas;
Ceras; Resinas Fenólicas e Acrílicas;
• Grupo IV - Resíduos proibitivos: Resíduos Domésticos; Resíduos de estabelecimento de
Serviços de Saúde; Resíduos Radioativos; Substâncias Organocloradas; Agrotóxicos; Substâncias
Explosivas

15 Encapsulamento

Também conhecido como solidificação, estabilização, inertização ou fixação. Consiste na


estabilização ou imobilização de resíduos perigosos, transformando-os em materiais menos poluentes
através da adição de aglomerantes ou através de processos físicos. É uma técnica que vem sofrendo
muitas críticas e alguns países não a reconhecem como alternativa viável de tratamento e destinação
final. Trata-se de tecnologia acessível aos países em desenvolvimento e sua viabilidade econômica
permitirá o condicionamento de milhares de toneladas de resíduos, hoje lançados ao meio ambiente
sem qualquer tipo de tratamento. No Brasil, a pesquisa em tecnologias de encapsulamento é recente
e basicamente direcionada ao tratamento de resíduos industriais, tóxicos ou não, classificados
segundo a ABNT, pela NBR 10.004, como Classes I e IIA, contaminados principalmente por metais
pesados (lamas galvânicas).
Historicamente, os resíduos com conteúdo orgânico maior que 10% eram excluídos da
possibilidade de uso desta tecnologia devido à incompatibilidade entre resíduos e agentes
encapsulantes, por isso, a tecnologia de incineração era a mais recomendada. Entretanto, evidências
sobre o impacto ambiental decorrente da incineração fizeram com que esta tecnologia se tornasse a
mais combatida pelos ambientalistas. Este cenário favoreceu o surgimento de pesquisas voltadas à
novas tecnologias de tratamento de resíduos com a utilização de processos não destrutivos tais como
as tecnologias de encapsulamento foram desenvolvidas para serem utilizadas como forma de
condicionamento, tanto no tratamento final como no pré-tratamento de resíduos. Seu principal campo

61
é o pós-tratamento de resíduos produzidos por outros processos tais como incineração ou tratamento
químico. O processo de encapsulamento também serve como tratamento principal para resíduos
perigosos, quando as outras tecnologias não são apropriadas.
A EPA publicou em 1986 o Guide to the Disposal of Chemically Stabilized and Solidified Waste
com as recomendações para utilização da tecnologia de encapsulamento e os critérios adotados para
sua aprovação. Os resíduos perigosos considerados adequados para o encapsulamento, segundo o
guia publicado pela EPA em 1986, são:

• Resíduos contendo íons metálicos ou semi-metais;


• Resíduos oleosos e à base de solventes, solventes usados, fundo de tanques de
destilação e resíduos de refinarias;
• Resíduos aquosos contendo grandes quantidades, 1% a 20% ou mais de substâncias
orgânicas (emulsões), solúveis ou insolúveis, não listadas como perigosas pela legislação;
• Resíduos aquosos contendo grandes quantidades, 1% a 20% ou mais de substâncias

orgânicas (emulsões), solúveis ou insolúveis, não listadas como perigosas pela legislação, a não ser
por suas características de ignitabilidade ou características marginais (ex. óleo);
• Resíduos aquosos contendo baixos teores de contaminantes orgânicos listados como

perigosos – menos de 1%, e usualmente na faixa de 10 a 1000 mg/L (ex. pentaclorofenol ou bifenilas
policloradas);
As principais técnicas de encapsulamento de resíduos perigosos atualmente são: à base de cal e
materiais pozolânicos; à base de termoplástico; encapsulamento superficial; à base de polímeros
orgânicos; auto-solidificação; à base de cimento; Vitrificação e produção de minerais sintéticos ou
cerâmica.
Um processo de fixação ideal torna os constituintes nocivos quimicamente e não reativos ou
estáveis, obtendo-se uma disposição final segura, sem qualquer contenção secundária. Para ser
completamente eficaz, o processo de tratamento deve gerar um produto final com boa estabilidade
dimensional, resistência às intempéries, ao ataque de agentes biológicos e elevada capacidade de
suporte.

62
Unidade III - EFLUENTES LÍQUIDOS

16 Introdução

Existe hoje uma grande preocupação em relação ao grau de tratamento e ao destino final dos
efluentes, as suas conseqüências sobre o meio ambiente, à qualidade das águas, e seus usos
benéficos. Hoje em dia, este é um assunto que chama a atenção não apenas aos engenheiros,
especialistas e técnicos, mas igualmente das organizações ambientalistas e comunitárias, e da
sociedade. Tendo em conta este aspecto, os estudos, critérios, projetos, relativos ao tratamento e à
disposição final dos efluentes, deverão ser precedidos de cuidados especiais que garantam o
afastamento adequado dos efluentes, e igualmente a manutenção e melhoria dos usos e qualidades
dos corpos receptores.
As estações de tratamento de efluentes procuram reproduzir todo o complexo de reações que o
rio emprega na sua autodepuração, mas processam de forma mais abrangente e complexa, devido a
outras substâncias presentes. Estas transformações são realizadas em curto espaço de tempo em
áreas reduzidas, quando comparados aos processos naturais. Tratar efluentes é transformar seus
componentes complexos, em compostos simples, como sais minerais e CO2, trata-se de uma
oxidação. Esta transformação seria possível através de incineração (oxidação violenta), se o efluente
não fosse constituído quase que totalmente por água.
Para a consecução desse objetivo, a tecnologia oferece um certo número de processos de
tratamento, calcados em fenômenos ou princípios físicos, químicos ou biológicos, e suas
combinações. Os efluentes costumam ser classificados em dois grupos principais: os efluentes
sanitários e industriais. Os primeiros são constituídos essencialmente de despejos domésticos, uma
parcela de águas pluviais, águas de infiltração, e eventualmente uma parcela não significativa de
despejos industriais, tendo características bem definidas.
Quanto à conveniência de se misturar ou não os despejos, estes não devem ser diluídos para o
tratamento, a menos que haja algum inibidor, pois se perde em eficiência. Entretanto, convém tratar
de um despejo industrial pobre em nutrientes em conjunto com efluente doméstico, porque este último
lhe suprirá essa deficiência. Reunir um despejo ácido com um alcalino produz a sua neutralização. A
faixa de variação de vazão ou concentração é diminuída por uma equalização dos efluentes.

63
17 Características gerais dos efluentes

17.1 Caracterização quantitativa

A vazão de efluentes advinda dos despejos industriais é função precípua do tipo e porte da
indústria, processo, grau de reciclagem, existência de pré-tratamento, etc. Desta forma, mesmo no
caso de duas indústrias que fabriquem o mesmo produto, as vazões de despejos podem ser bastante
diferentes entre si.
Deve-se procurar obter dados específicos de cada indústria, com relação ao consumo de água,
como: volume consumido total (por dia ou mês); volume consumido nas diversas etapas do
processamento; recirculações internas; origem da água e eventuais sistemas de tratamento da água
internos. E com relação a produção de despejos: vazão total; número de pontos de lançamento;
regime de lançamento e eventual mistura dos despejos com efluentes domésticos e águas pluviais.
Adicionalmente, sempre que possível, deve-se proceder a medições da vazão efluente, de modo a
registar o padrão de descarga e suas variabilidades.
Pode-se estimar a vazão em termos do consumo de água por unidade de produto manufaturado.
Por simplicidade, pode-se admitir que a vazão de efluentes seja igual ao consumo de água.

Tabela 5 - Vazão específica média de algumas indústrias

Consumo de água por


Ramo Tipo Unidade
unidade (m3/dia)
Frutas e legumes em conservas 1 ton conserva 4-50
Matadouros 1 boi ou 2,5 porcos 1-4
Alimentícia Laticínios (leite) 1000 L leite 1-10
Laticínios (queijo ou manteiga) 1000 L leite 2-10
Cervejaria 1000 L cerveja 5-20
Algodão 1 ton produto 120-750
Têxtil Lã 1 ton produto 500-600
Tinturaria 1 ton produto 20-60
Couro e Curtume Curtume 1 ton pele 20-40
Fabricação de polpa 1 ton produto 15-200
Polpa e Papel Fabricação de papel 1 ton produto 30-250
Embranquecimento da polpa 1 ton produto 80-200
Sabão 1 ton sabão 25-200
Indústrias
Detergente 1 ton produto 0,2-0,4
Químicas
Gasolina 1 ton produto 7-30
Fundição 1 ton gusa 3-8
Metalúrgicas
Laminação 1 ton produto 80-50
Mineração Ferro 1m3 minério lavado 16

64
A medição de vazão é de fundamental importância em qualquer sistema de tratamento de águas
residuárias. Existe uma grande variedade de aparelhos destinados a medir a vazão. Normalmente é
efetuado o tratamento preliminar em efluentes, onde a velocidade nas caixas de areia deve ser
mantida constante. Para tal podem ser utilizados os vertedores e a calha parshall.

17.2 Caracterização qualitativa

Os efluentes industriais apresentam uma ampla variabilidade de suas características qualitativas,


o que dificulta uma generalização dos valores mais comuns, porém é possível citar algumas
características indesejáveis aos efluentes que devem ser removidas antes de seu lançamento.

• Materiais orgânicos solúveis – causam a depleção do oxigênio contido nos corpos


receptores. O despejo deve estar na proporção da capacidade de assimilação do curso d´água em

relação a um efluente.
• Materiais em suspensão – formam bancos de lama nos rios, que impedem a vida aquática
normal no curso d´água. Bancos de lama contendo sólidos orgânicos levam a uma progressiva
decomposição, resultando no decaimento do oxigênio e a produção de gases nocivos.
• Maeriais tóxicos e íons de metais pesados – ex.: cianetos, Cu, Zn, Hg, etc..., geralmente,
o despejo desses materiais é sujeito a uma regulamentação estadual e federal, apresentam

problemas de toxidez e de transferência através da cadeia alimentar.


• Cor e Turbidez – indesejáveis do ponto de vista estético. Exigem trabalhos maiores às
estações de tratamento. Em algumas indústrias, como a de papel e celulose, métodos econômicos

não são, presentemente, avaliáveis para a remoção de cor.


• Elementos nutritivos – N e P aumentam a eutrofização dos lagos e pântanos.
• Materiais refratários – ex.: ABS. Formam espumas nos rios, não são removidos nos
tratamentos onvencionais.
• Óleos e materiais flutuantes – os regulamentos exigem, geralmente sua completa
eliminação – indesejáveis esteticamente, interferem com a decomposição biológica.
• Materiais voláteis – sulfeto de hidrogênio e outros materiais voláteis, criam problemas de
poluição atmosférica (odores).
Temperatura – ligeiramente superior à da água de abastecimento, ocasiona o esgotamento do
oxigênio dissolvido.

65
17.3 Parâmetros de monitoramento

No projeto de uma estação de uma estação de tratamento , normalmente não há interesse em se


determinar diretamente os diversos compostos dos quais a água residuária é constituída. É preferível
a utilização de parâmetros indiretos que traduzam o caráter ou o potencial poluidor do despejo em
questão. Tais parâmetros definem a qualidade das águas residuárias, e em função deles podemos
avaliar a eficiência do sistema de tratamento proposto para os efluentes.
Devido a grande variabilidade nas características físico-químicas e biológicas dos efluentes
industriais, não existe um relação padrão de parâmetros a serem analisados e sim um escolha em
função de cada tipo de efluente industrial. A seguir são descridos alguns parâmetros mais utilizados
no monitoramento das águas residuárias.

17.3.1 Sólidos

Conceito: A análise de sólidos se refere à matéria em suspensão ou dissolvida na água ou em


efluentes, podendo prejudicar sua qualidade de várias maneiras, dependendo do fim que se destina,
como por exemplo, em águas potáveis o teor de sólidos dissolvidos desejável é de 500 mg/L. Os
sólidos podem ser classificados quanto a forma em que se encontram dispersos no meio (Totais,
Dissolvidos e Suspensos) e quanto a sua natureza química (Fixos e Voláteis).
Importância e interpretação dos resultados

• as análises de sólidos são importantes no controle de processos físicos (tratamento


primário) e biológicos de tratamento de efluentes.
• quanto maior o teor de sólidos em suspensão de um efluente maior a sua turbidez.
• pelo teor de sólidos suspensos podemos ter uma idéia da quantidade de matéria orgânica
de um efluente, pois a grande maioria dos sólidos suspensos é material orgânico.
• quanto maior for a quantidade de sólidos maior será a formação de lodo, tanto primário
quanto secundário, durante o tratamento.

17.3.2 Matéria Orgânica

Conceito: A matéria orgânica presente nos corpos d´água e nos efluentes é principal causadora
da poluição das águas, pelo consumo de oxigênio dissolvido pelos microorganismos, com o objetivo
de degradá-la. Os principais componentes orgânicos são os compostos de proteína, os carboidratos,
a gordura e os óleos, além da uréia, surfactantes, etc. Utilizam-se métodos indiretos para

66
quantificação da matéria orgânica, ou do seu potencial poluidor. Os mais comuns são a DBO
(Demanda Bioquímica de Oxigênio) e a DQO (Demanda Química de Oxigênio).
A DBO retrata a quantidade de oxigênio requerida para estabilizar, através de processos
bioquímicos, a matéria orgânica carbonácea. É uma indicação indireta, do carbono orgânico
biodegradável. A estabilização completa demora, vários dias, entretanto, para evitar que o teste de
laboratório fosse sujeito a uma grande demora, e para permitir a comparação de diversos resultados,
foram efetuadas algumas padronizações, como: proceder-se a análise no 5º dia e efetuar o teste à
uma temperatura de 20ºC. Assim tem-se a DBO520, ou somente DBO5.
A DBO apresenta as seguintes vantagens: indicação aproximada da fração biodegradável do
despejo; indicação da taxa de degradação do despejo e a determinação aproximada da quantidade de
oxigênio requerido para a estabilização biológica da matéria orgânica presente. E as seguintes
limitações: pode-se encontrar baixos valores de DBO5 caso os microorganismos responsáveis pela
decomposição não estejam adaptados ao despejo; há necessidade da inibição dos organismos
responsáveis pela oxidação da amônia, para evitar que o consumo de oxigênio para a nitrificação
(demanda nitrogenada) interfira com a demanda carbonácea e o teste demora 5 dias, não sendo útil
para efeito de controle operacional de uma estação de tratamento de águas residuárias.
Já a DQO mede o consumo de oxigênio ocorrido durante a oxidação química da matéria
orgânica. O valor obtido é uma indicação indireta do teor de matéria orgânica presente.
A DQO apresenta as seguintes vantagens: o tempo do teste é de 2-3 horas; o resultado do teste
dá uma indicação do oxigênio requerido para a estabilização da matéria orgânica e o teste não é
afetado pela nitrificação, dando uma indicação da oxidação apenas da matéria orgânica carbonácea
(e não da nitrogenada). E as seguintes limitações: no teste da DQO são oxidadas, tanto a fração
biodegradável, quanto a fração inerte do despejo - o teste superestima, portanto, o oxigênio a ser
consumido no tratamento biológico dos despejos; o teste não fornece informações sobre a taxa de
consumo da matéria orgânica ao longo do tempo; certos constituintes inorgânicos podem ser
oxidados e interferir no resultado.
A principal diferença com relação ao teste da DBO encontra-se claramente presente na
nomenclatura de ambos os testes. A DBO relaciona-se a uma oxidação bioquímica da matéria
orgânica, realizada inteiramente por microorganismos, enquanto a DQO corresponde a uma oxidação
química da matéria orgânica, obtida através de um forte oxidante em meio ácido.
Importância e interpretação dos resultados

• a matéria orgânica é responsável pelo consumo, pelos microorganismos decompositores,


do oxigênio dissolvido na água.
• a DBO e a DQO retratam, de uma forma indireta, o teor de matéria orgânica nas águas
residuárias.

67
• a DBO e a DQO são parâmetros de fundamental importância na caracterização do

grau de poluição de um corpo d´água.


• uma relação DQO/DBO5 baixa, geralmente indica: que a fração biodegradável é elevada
e/ou provável indicação para tratamento biológico
• uma relação DQO/DBO5 elevada, geralmente indica: que a fração inerte (não
biodegradável) é elevada; se a fração não biodegradável não for importante em termos de poluição do
corpo receptor: possível indicação para tratamento biológico; se a fração não biodegradável for
importante em termos de poluição do corpo receptor: provável indicação para tratamento físico-
químico;
• a relação DQO/DQO5 varia também à medida que o efluentes passa pelas etapas do
tratamento. A tendência para a relação é de aumentar, devido á redução paulatina da fração
biodegradável, ao passo que a fração inerte permanece aproximadamente inalterada.

17.3.3 Nitrogênio

Conceito: Dentro do ciclo do nitrogênio na biosfera, este alterna-se entre várias formas e
estados de oxidação. No meio aquático, o nitrogênio pode-se se encontrado nas seguintes formas:
nitrogênio molecular (N2), escapando para atmosfera; nitrogênio orgânico (dissolvido e em
suspensão); amônia, nitrito e nitrato.
Importância e interpretação dos resultados

• o nitrogênio é um elemento indispensável para o crescimento de algas e, quando em


elevadas concentrações em lagos e represas, pode conduzir a um crescimento exagerado desses

organismos (eutrofização);
• o nitrogênio, nos processos bioquímicos de conversão da amônia a nitrito e deste a
nitrato, implica no consumo de oxigênio dissolvido do meio (o que pode afetar a vida aquática);
• o nitrogênio na forma de amônia livre é diretamente tóxico aos peixes;
• o nitrogênio é um elemento indispensável para o crescimento dos microorganismos
responsáveis pelo tratamento de efluentes;
• em um corpo d´água, a determinação da forma predominante do nitrogênio pode fornecer
informações sobre o estágio da poluição (poluição recente está associada ao nitrogênio na forma
orgânica ou amônia, enquanto uma poluição mais remota está associada ao nitrogênio na forma de
nitrato);

68
• o teor de nitrogênio e a forma que ele se encontra no efluente irá influenciar definir a

utilização e o dimensionamento do tratamento terciário para removê-lo (nitrificação-denitrificação);


• é necessário um adequado balanço C:N:P no efluente para o desenvolvimento dos
microorganismos

17.3.4 Alcalinidade

Conceito: Quantidade de íons na água que reagirão para neutralizar os íons hidrogênio. É uma
medida da capacidade da água de neutralizar os ácidos (capacidade de resistir às mudanças de pH:
capacidade tampão), os principais constituintes da alcalinidade são os hidróxidos (OH-), bicarbonatos
(HCO3-) e os carbonatos (CO3-2). A distribuição das três formas na água é função do pH.
Importância e interpretação dos resultados

• é uma determinação importante no tratamento de efluentes, quando há evidências de que

a redução do pH pode afetar os microorganismos responsáveis pela depuração;


• os processos oxidativos (como a nitrificação) tendem a consumir alcalindade, a qual, caso
atinja baixos valores teores, pode dar condições a valores reduzidos de pH, afetando a própria taxa

de crescimento dos microorganismos responsáveis pela oxidação.

17.3.5 Fósforo

Conceito
O fósforo na água apresenta-se principalmente nas formas de ortofosfato, polifosfato e fósforo
orgânico. Os ortofosfatos são diretamente disponíveis para o metabolismo biológico sem necessidade
de conversões a formas mais simples. As formas em que os ortofosfatos se apresentam na água
(PO4-3, HPO4-2, H2PO4-, H3PO4) dependem do pH, sendo a mais comum na faixa usual de pH o HPO4-
2
. Os polifosfatos são moléculas mais complexas com dois ou mais átomos de fósforo. O fósforo
orgânicos é normalmente de menor importância.
Importância e interpretação dos resultados

• o fósforo é um elemento indispensável para o crescimento de algas e, quando em


elevadas concentrações em lagos e represas, pode conduzir a um crescimento exagerado desses

organismos (eutrofização);
• o fósforo é um nutriente essencial para o crescimento dos microorganismos responsáveis
pela estabilização da matéria orgânica;

69
• é necessário um adequado balanço C:N:P nas águas residuárias para o desenvolvimento

dos microorganismos.

17.4 Coleta de amostras

A coleta de amostras é considerada, algumas vezes, como sendo uma atividade simples e que
não requer maiores critérios técnicos. Por definição, uma amostra deve representar a síntese do
comportamento do universo estudado, e assim a sua coleta exige o mesmo rigor científico que as
demais etapas de um programa de amostragem. Para que as características das amostras não
sofram alteração desde o ponto de amostragem até a realização da análise é necessária a adoção de
medidas para sua conservação. As técnicas gerais e especiais de coleta são diferentes conforme o
tipo de exame a que será submetida a amostra. As exigências do procedimento de amostragem serão
específicas conforme o parâmetro de interesse na avaliação de tal amostra.

17.4.1 Técnica de coleta para análise físico-química

De um modo geral, coletar uma amostra de sistemas de abastecimento de água, poços, corpos
d´água, poços, e despejos líquidos significa colocar o frasco de coleta adequado em contato com o
líquido a ser amostrado enchendo-o. Deve-se ter o cuidado inicial de lavar o frasco várias vezes com
o próprio líquido. O frasco deve ser de vidro neutro, polietileno ou polipropileno, de acordo com o
exame a ser realizado. Os procedimentos gerais de
coleta de amostras para análise físico-química são os
seguintes:

• Identificar o frasco de coleta da forma mais


clara possível para que se possa reconhecer o ponto
de onde foi retirada a amostra nele contida. É
conveniente verificar se a tinta ou rótulo utilizado na
marcação do recipiente não é removido com o
manuseio;

• Calçar luvas, remover corpos estranhos na superfície do efluente (ou curso d’água) e/ou
nas bordas ou margens do local onde se está fazendo a coleta para que não sejam incorporados à
amostra coletada e alterem suas características. Ex.: galhos e folhas de árvores, embalagens

plásticas, etc.;

70
• Retirar a tampa do frasco, mergulhar o recipiente a cerca de 20 cm da superfície do

efluente (ou curso d’água), recolher a amostra e lavá-lo pelo menos três vezes. Tampar o frasco e
homogeneizar todas as vezes promovendo o contato da amostra com toda a superfície interna do
recipiente;
• Mergulhar o recipiente a cerca de 20 cm da superfície, promovendo o preenchimento do
frasco de coleta, em contra corrente, e fechando-o tão logo isto aconteça;
• Armazenar e conservar a amostra conforme o caso específico.

17.4.2 Técnicas de coleta para análises bacteriológicas

• A coleta de amostra para exame bacteriológico deve ser sempre realizada em primeiro
lugar, antes de qualquer outra coleta;

• Utilizar somente frascos previamente esterilizados;


• Identificar o frasco de coleta para bacteriologia da forma mais clara possível para que se
possa reconhecer o ponto de onde foi retirada a amostra nele contida. É conveniente verificar se a
tinta ou rótulo utilizado na marcação do recipiente não é removido com o manuseio;
• Calçar luvas;
• Proceder de acordo com o caso específico.
• Coleta em reservatórios
• Remover corpos estranhos na superfície do reservatório e/ou nas suas bordas ou
margens, para que não sejam incorporados à amostra coletada e alterem suas características.

• Retirar o invólucro de papel kraft;


• Retirar a tampa do frasco;
• Flambar a borda do frasco com auxílio da espiriteira;
• Imediatamente, mergulhar o recipiente a cerca de 20 cm da superfície da superfície,
promovendo o enchimento de cerca de 4/5 do volume do frasco de coleta e fechando-o ainda
submerso, tão logo isto aconteça;

• Cobrir novamente o frasco com o papel kraft.


• Coleta em corpos d´água
• Retirar o invólucro de papel kraft, juntamente com a tampa do frasco;

71
• Segurar o frasco pela base e mergulhar a cerca de 20 cm da superfície, promovendo o

preenchimento do frasco de coleta, em contra corrente, e enchendo-o até 4/5 do seu volume, sem
lavá-lo com a própria amostra.
• Fechar imediatamente, cobrindo novamente o frasco com o papel kraft.

17.4.3 Coleta de água em pontos de abastecimento

• Remover corpos estranhos e/ou sujidades da válvula ou torneira onde se está fazendo a
coleta para que não sejam incorporados à amostra coletada e alterem suas características. Utilizar

álcool para auxiliar nesta tarefa;


• Permitir o livre escoamento durante, pelo menos, 3 minutos;
• Fechar a torneira;
• Flambar a borda da válvula ou torneira com auxílio da espiriteira;
• Retirar o invólucro de papel kraft e a tampa do frasco conjuntamente, tendo o cuidado de
não deixar que a tampa toque em qualquer superfície, e de não tocar no bocal do frasco;
• Flambar a borda do frasco com auxílio da espiriteira;
• Imediatamente, preencher cerca de 4/5 do volume do recipiente, sem lavá-lo com
amostra, mantendo mínima a distância até a saída da água, sem entretanto encostá-lo;

• Fechá-lo tão logo conclua a operação, fixando bem o material protetor.

17.4.4 Armazenamento e conservação

Uma das grandes preocupações dos profissionais atuantes em amostragem consiste em que as
amostras coletadas sejam perfeitamente representativas do ambiente estudado e que mostrem a
situação ambiental ocorrente durante a amostragem. Portanto, uma amostra mal preservada também
fornecerá resultados analíticos, mas esses não serão representativos do ambiente, e assim, não terão
validade nenhuma para avaliação ambiental. Após a coleta da amostra é necessário que haja o seu
armazenamento. Os tipos de frascos mais utilizados no armazenamento de amostras são os de
plástico, vidro borossilicato e do tipo descartável; sendo estes últimos empregados quando o custo da
limpeza torna-se muito oneroso. Os tipos de frascos mais utilizados para o armazenamento de
amostras destinadas para análise microbiológica são os de material resistente às condições de
autoclavagem (121°C, 1atm), e que atendam outras condições como: não liberar substâncias tóxicas,
como bactericidas e bacteriostáticos, nem substâncias nutritivas durante o processo de esterilização.

72
Os frascos destinados às análises físico-químicas podem ser preparados de diversas maneiras,
existindo para isso vários métodos de descontaminação que utilizam soluções ácidas ou uma
combinação destas com agentes oxidantes, proporcionando limpeza eficiente da superfície interna do
recipiente de vidro ou plástico. Alguns procedimentos devem ser evitados como a lavagem dos
frascos com detergentes comuns que contenham apreciáveis quantidades de sais de fósforo
utilizados como sequestrantes, descontaminar utilizando solução de ácido nítrico quando se deseja
analisar íons nitrato, etc. Outros casos podem ser citados como fonte potencial de contaminação e,
consequentemente, fonte de erro.
Congelamento: É um procedimento aceitável para algumas análises, mas não deve ser vista
como técnica de preservação universal. Por exemplo, esta técnica é inadequada para algumas
determinações biológicas e microbiológicas, podendo ocasionar ruptura das células com perda de
funcionalidade e caracteres morfológicos. Componentes dos resíduos sólidos, filtráveis e não-filtráveis
podem sofrer alterações com o congelamento e posterior retorno à temperatura ambiente.
Refrigeração: Constitui-se na técnica mais empregada em trabalhos de campo. Embora não
mantenha completa a integridade de todos os parâmetros, interfere de modo insignificante na maioria
das determinações de laboratório. É uma técnica muito utilizada na preservação de amostras para
determinações microbiológicas e algumas determinações químicas e biológicas, além de agregar um
custo muito baixo.
Adição Química: Deve-se ter em mente que este método não é viável para preservar amostras
destinadas a todos os tipos de análise. Esta afirmação é válida principalmente se as amostras forem
destinadas a exames de natureza biológica, por exemplo, na determinação de coliformes totais e
fecais. No entanto, amostras destinadas à identificação/quantificação da população fito e
zooplanctônica podem ser preservadas com solução de formalina (formol). A adição de um reagente
químico no sentido de preservar algum constituinte específico pode ser muito eficaz quando se
pretende manter a estabilidade por longos períodos, no entanto, pode ocorrer contaminação da
amostra com a introdução de substâncias interferentes com os métodos de análise a serem
empregados. Outro grande erro decorrente da má utilização desta técnica é a contaminação da
amostra com o mesmo constituinte que se quer analisar; por exemplo, adicionar ácido nítrico quando
se pretende determinar a concentração de íons nitrato, ou adicionar ácido clorídrico quando se quer
determinar a concentração de íons cloreto.
A tabela 6 resume os procedimentos adotados com amostras de águas e efluentes, antes da
execução das análises ambientais, para alguns parâmetros.

73
Tabela 6 – Normas de conservação e estocagem de amostras
Alíquota Estocag.
Parâmetro Recip. Preservação
mínima máxima
Acid./alcalin. P, V 100 Refrigerar a 4ºC 24 h
Cloreto P, V 50 Não necessita 7 dias
Cloro residual P, V 500 Analisar imediatamente 30 min
CO2 P, V 100 Analisar imediatamente Instantân.
Condutividade P, V 500 Refrigerar a 4ºC 24 h
Cor P, V 500 Refrigerar a 4ºC 24 h
DBO P, V 500 Refrigerar a 4ºC (Ver OD Winckler) 24 h
DQO P, V 100 Adicionar H2SO4 até pH < 2, refrigerar a 4ºC 7 dias
Dureza P, V 100 Adicionar HNO3 até pH < 2, refrigerar a 4ºC 7 dias
Metais (em Para dissolvidos, filtrar imediatamente e adicionar
P, V 500 6 meses
geral) HNO3 até pH < 2
NH3 P, V 500 Adicionar H2SO4 até pH < 2, refrigerar a 4ºC 24 h
Analisar o mais rápido possível, caso contrário
NO3- P, V 100 48 h
adicionar H2SO4 até pH < 2, refrigerar a 4ºC
NO2- P, V 100 Refrigerar a 4ºC 48 h
Norg P, V 500 Adicionar H2SO4 até pH < 2, refrigerar a 4ºC 48 h
Óleos e graxas V 1.000 Adicionar HCl até pH < 2, refrigerar a 4ºC 48 h
Frasco
OD – Eletrodo --- Analisar imediatamente 30 min
DBO
Frasco Adicionar MnSO4 e alcali-iodeto-zida. Encher
OD – Winckler 300 8h
DBO completamente o frasco , refrigerar a 4ºC
pH P, V 50 Analisar imediatamente 2h
Para P total, refrigerar a 4ºC 7 dias
P V 100 Para P dissolvido, filtrar imediatamente e adicionar
48 h
HNO3 até pH < 2, refrigerar a 4ºC
Sabor V 500 Refrigerar a 4ºC 24 h
Sólidos P, V 200 Refrigerar a 4ºC 7 dias
SO4-2 P, V 100 Corrigir o pH para menos que 8, refrig. a 4ºC 7 dias
Refrigerar, adicionar 4 gotas de acetato de
S-2 P, V 100 7 dias
zinco/100 mL; adicionar NaOH até pH 6 a 9.
Temperatura P, V --- Analisar imediatamente Instantân.
Analisar no mesmo dia, armazenar no escuro até
Turbidez P, V 100 24 h
24h, refrigerar a 4ºC.
Nota: P – plástico; V – Vidro

74
18 Impacto Ambiental dos Efluentes

18.1 Autodepuração dos cursos d'água

18.1.1 Introdução

Autodepuração de um curso d'água é um processo natural, no qual a matéria orgânica e


inorgânica aí jogada sofre um processo de diluição, sedimentação e estabilização química. Resulta de
uma seqüência de fenômenos de natureza física, físico-química e biológica. A concentração de
oxigênio dissolvido em um curso
E S G O TO S
d’água é o parâmetro mais
C U R S O D 'Á G U A
significativo para a verificação da
autodepuração. Na realidade a
M A T É R IA O R G Â N IC A
autodepuração, é uma oxidação
M até ria
realizada por microrganismos O rgânica

presentes no meio, representando


D istância
inicialmente uma redução da
concentração do oxigênio dissolvido B A C T É R IA S

e posteriormente o aumento do B acté rias

oxigênio dissolvido.
D istância
A concentração do oxigênio na
água está em equilíbrio com a
O X IG Ê N IO D IS S O LV ID O
pressão de oxigênio atmosférico. O xigênio
D issolvido
Esta concentração também é
proporcional à temperatura da D istância

água. Quando certa quantidade de


DBO é introduzida, ocorre um 1 2 3 4 5

abaixamento de concentração do
oxigênio, podendo chegar até a 0 ZONAS

mg/L. A reposição de oxigênio na 1 Á guas lim pas 4 R ecuperação

água se dá de duas maneiras 2 D egradação 5 Á guas lim pas

diferentes: a partir do oxigênio do ar 3 D ecom posição ativa

(reaeração), ou a partir de organismos fotossintetizantes presentes na água (reoxigenação).

75
18.1.2 Zonas de Autodepuração

Por ser a autodepuração um processo que se desenvolve ao longo do tempo, e considerando-se


a dimensão do curso d’água receptor como predominantemente longitudinal, tem-se que os estágios
da sucessão ecológica podem ser associados a zonas fisicamente identificáveis no rio. São quatro as
principais zonas de autodepuração: zona de degradação; zona de decomposição ativa; zona de
recuperação e zona de águas limpas. A jusante do lançamento de um despejo predominantemente
orgânico e biodegradável, tem-se as seguintes características de cada zona (von Sperling, 1983).
Deve-se ressaltar que, a montante do lançamento de despejos, tem-se a zona de águas limpas,
caracterizada pelo equilíbrio ecológico e a elevada qualidade da água. A figura 01 apresenta a
trajetória dos três principais parâmetros (matéria orgânica, bactérias decompositoras e oxigênio
dissolvido) ao longo das quatro zonas.

18.2 Eutrofização

18.2.1 Introdução

Eutrofização é um processo pelo qual os lagos tornam-se enriquecidos com nutrientes,


resultando características indesejáveis na qualidade da água, tanto para abastecimento público como
para recreação. O desenvolvimento vegetal, na forma de algas microscópicas e plantas aquáticas
com raízes, produz uma qualidade da água indesejável para recreação com contato direto. O
processo de eutrofização é diretamente relacionado com a cadeia alimentar aquática. As algas usam
dióxido de carbono, nitrogênio inorgânico, ortofosfato, e traços de nutrientes para o seu
desenvolvimento e reprodução. essas plantas servem de alimentos para animais microscópicos
(zooplâncton). Os pequenos peixes se alimentam de zooplâncton, e os peixes grandes se alimentam
dos pequenos. A produtividade da cadeia alimentar aquática é relacionada com a disponibilidade de
nitrogênio e fósforo, geralmente encontrados em concentrações muito pequenas nas águas naturais.
O desenvolvimento das plantas e o balanço normal da cadeia alimentar são controlados pela limitação
de nutrientes às plantas. A abundância de nutrientes desequilibra a sucessão normal e provoca o
desenvolvimento explosivo de algas verde-azuladas que não são facilmente utilizáveis como alimento
pelo zooplâncton.
Assim, a água torna-se turva e, em condições extremas, apresenta a aparência de uma "sopa de
ervilhas". Massas de algas flutuantes são levadas pelo vento para as margens, onde se decompõem,
produzindo odores desagradáveis. As algas em decomposição também decantam para o fundo,
reduzindo o teor de oxigênio dissolvido. As margens e baías rasas tornam-se cobertas de vegetação
com proliferação de plantas aquáticas com raízes. Alguns peixes com alimentação mais seletiva não

76
podem sobreviver nessas condições desfavoráveis e, à medida que a eutrofização se intensifica, são
substituídos por uma sucessão de peixes mais tolerantes. As trutas dão lugar a peixes de águas
mornas, com o olho gáseo e a perca, e estes, por sua vez, são sucedidos por peixes mais grosseiros,
como cabeça-de-touro e a carpa (peixes de outras regiões).

18.2.2 Problemas da eutrofização

São os seguintes os principais efeitos indesejáveis da eutrofização:

• Problemas estéticos e recreacionais;


• Condições anaeróbias no fundo do corpo d’água;
• Eventuais condições anaeróbias no corpo d’água como um todo;
• Eventuais mortandades de peixes;
• Maior dificuldade e elevação nos custos de tratamento de água;

• Problemas com abastecimento de água industrial;


• Toxidade das algas;
• Modificações na qualidade e quantidade de peixes de valor comercial;
• Redução na navegação e capacidade de transporte;
• Desaparecimento gradual do lago como um todo

19 Tratamento de efluentes

A remoção dos contaminantes constitui o objetivo do tratamento de efluentes. Entretanto, devido


a sua diversidade, não existe uma fórmula pronta, adequada para utilização em qualquer situação.
Para atingir o objetivo, existem vários processos de tratamento, baseados em fenômenos ou
princípios físicos, químicos ou biológicos, ou ainda, em suas combinações.
O tratamento de efluentes é usualmente classificado através dos seguintes níveis: Preliminar;
Primário; Secundário e Terciário. O tratamento preliminar objetiva apenas a remoção dos sólidos
grosseiros, enquanto o tratamento primário visa a remoção de sólidos sedimentáveis e parte da
matéria orgânica. Em ambos predominam os mecanismos físicos de remoção de poluentes. Já no
tratamento secundário, no qual predominam mecanismos biológicos, o objetivo é principalmente a
remoção da matéria orgânica e eventualmente nitrogênio e fósforo predominante. O tratamento
terciário objetiva a remoção de poluentes específicos ou ainda, a remoção complementar de
poluentes não suficientemente removidos no tratamento secundário. O tratamento terciário ainda é
pouco utilizado no Brasil.

77
Tabela 7 – Níveis do tratamento de efluentes
Nível Remoção
Preliminar Sólidos em suspensão grosseiros (materiais de maiores dimensões e areia)
Sólidos em suspensão sedimentáveis
Primário DBO em suspensão (matéria orgânica componente dos sólidos em suspensão
sedimentáveis)
DBO em suspensão (matéria orgânica em suspensão fina, não removida no tratamento
primário)
Secundário DBO solúvel (matéria orgânica em suspensão fina, não removida no tratamento
primário)
DBO solúvel (matéria orgânica na forma de sólidos sedimentáveis)
Nutrientes
Patogênicos
Terciário
Compostos biodegradáveis
Metais pesados
Tabela 8 – Características dos principais níveis de tratamento dos efluentes
Nível de Tratamento1
Item
Preliminar Primário Secundário
Sólidos não sedimentáveis
Sólidos DBO em suspensão fina
Poluentes
Sólidos grosseiros sedimentáveis DBO solúvel
Removidos
DBO em suspensão Nutrientes (parcialmente)
Patogênicos (parcialmente)
SS: 60-70% DBO: 60 a 99%
Eficiência de
- DBO: 30-40% Coliformes: 60 a 99%3
Remoção
Coliformes: 30-40% Nutrientes: 10 a 50%3
Mecanismo de
tratamento Físico Físico Biológico
predominante
Cumpre o padrão
Não Não Usualmente sim
de lançamento?2
Montante de Tratamento parcial Tratamento mais completo para matéria
elevatória Etapa intermediária orgânica e sólidos em suspensão (para
Aplicação
Etapa inicial de de tratamento mais nutrientes e coliformes, com adaptações e
tratamento completo inclusão de etapas específicas)

1. Uma ETE a nível secundário usualmente tem tratamento preliminar, mas pode ou não ter tratamento primário
(depende do processo).
2. Padrão de lançamento tal como expresso na legislação. O órgão ambiental poderá autorizar outros valores
para o lançamento, caso estudos ambientais demonstrem que o corpo receptor continuará enquadrado
dentro da sua classe.
3. A eficiência de remoção poderá ser superior, caso haja alguma etapa de remoção específica.
O grau, porcentagem ou eficiência de remoção de determinado poluente no tratamento ou em
uma etapa do mesmo é dado pela fórmula:

⎛ Co - Ce ⎞
E = ⎜ ⎟ .100
⎝ Co ⎠
Onde: E = eficiência de remoção (%)
Co = concentração afluente do poluente (mg/L)

78
Ce = concentração efluente do poluente (mg/L)

Tabela 9 - Classificação dos processos em função do material removido

Contaminante Operação ou Sistema de Tratamento


Sólidos grosseiros em
- crivos, grades e desintegradores.
suspensão
Sólidos grosseiros
- caixa de areia, centrífugas.
sedimentáveis
Óleos, graxas e - tanques de retenção de gordura, tanques de flotação e decantadores
substâncias flutuantes com removedores de escuma.
Material fino em
- tanques de flotação, tanques de precipitação química e filtro de areia.
suspensão
- irrigação em grande superfície, campo de nitrificação, filtros biológicos,
Material orgânico
lagoa de estabilização, lodos ativados e suas variações, tanques
biodegradável
sépticos, sistemas físico-químicos.
Patogênicos - cloração, ozonização, irrigação superficial.
- nitrificação e desnitrificação, arraste de amônia, troca de íons, irrigação
Nitrogênio
superficial.
- adição de sais metálicos, coagulação e sedimentação com cal,
Fósforo
eliminação biológica e química e irrigação superficial.
Metais pesados - precipitação química, troca de íons, irrigação superficial.
Sólidos inorgânicos
- troca de íons, osmose reversa, eletrodiálise.
dissolvidos

19.1 Tratamento preliminar

O tratamento preliminar destina-se a remover por ação física o material grosseiro e uma parcela
das partículas maiores em suspensão no efluente. Objetiva principalmente à remoção de sólidos
grosseiros, areia, detritos minerais, óleos e graxas e ainda se faz a equalização de vazão e de carga
orgânica. Os materiais removidos no tratamento preliminar têm como principal destino os aterros,
sanitário ou industrial.

19.1.1 Remoção de sólidos grosseiros

São considerados sólidos grosseiros os resíduos sólidos contidos nos efluentes de fácil retenção
e remoção, através de operações físicas de gradeamento e peneiramento, podendo-se utilizar
também de trituradores.
Grades: As grades são dispositivos constituídos de barras metálicas paralelas igualmente
espaçadas, destinadas a reter papéis, estopas, trapos, detritos vegetais, pedaços de madeira, latas,
plásticos, etc. O objetivo do gradeamento é a proteção dos equipamentos posteriores e dos corpos
d’água receptores além da remoção parcial da carga poluidora. As grades de barras convencionais
são constituídas de dispositivos de retenção e de remoção.

79
Peneiras: As peneiras são caracterizadas por disporem de aberturas menores que as grades, de
0,25 a 5,00 mm, sendo usadas para a remoção de sólidos muito finos ou fibrosos. Em função do tipo
de remoção do material, as peneiras podem ser classificadas em peneiras estáticas e móveis.

19.1.2 Remoção de areia

A unidade de remoção de areia é comumente chamada de caixa de areia ou desarenador. As


caixas de areia destinam-se a remover areia e outros detritos inertes e pesados. Estes materiais
decantam quando a velocidade do efluente é reduzida. Esta operação tem por objetivo proteger os
equipamentos de sofrer abrasão, reduzir as possibilidades de avarias e obstruções em unidades do
sistema, facilitar o manuseio e transporte das fases líquida e sólida, ao longo dos componentes da
ETE.
A seção de controle mais utilizada é a calha tipo Parshall. A quantidade de material retido é,
como acontece com os sólidos grosseiros, função dos costumes locais e do sistema de retenção
deste material. Se a areia sofre alguma operação de lavagem, esse material poderá ter o destino que
o seu grau de limpeza permitir. Portanto, poderá servir para aterros próximos ao local, como também
para a reposição do material drenante comumente utilizada nos leitos de secagem, quando bem
lavada, e selecionada. Nas instalações isentas de dispositivos de lavagens a areia é normalmente
encaminhada, juntamente com o material removido às grades de barras, para o aterro sanitário da
comunidade.

19.1.3 Remoção de gorduras e sólidos flutuantes

São denominados gorduras, os materiais como óleos, graxas e outros de densidade inferior a da
água, comumente encontrados nos efluentes, denominados sólidos flutuantes. A necessidade da
remoção de gordura contida nos efluentes está condicionada aos problemas que esse material trará
às unidades de um sistema de efluente sanitário, se presente em grandes proporções. A operação de
separação de gordura pode ser feita em tanques simples chamados caixas de gordura, em
dispositivos de remoção de gordura em decantadores, em tanques aerados ou em separadores de
óleo.

80
19.1.4 Neutralização – Equalização

A neutralização tem por objetivo regularizar o pH dos efluentes para posterior tratamento ou
disposição. A equalização tem por finalidade minimizar as variações de vazão e a concentração de
DBO. Estas operações podem ser realizadas no mesmo equipamento ou separadamente.

19.2 Tratamento primário

A principal finalidade do tratamento primário é remover sólidos sedimentáveis, através do


abaixamento da velocidade do líquido, possível de ser realizada em decantadores. Também faz parte
do tratamento primário o processo de digestão e desaguamento do lodo. Quando se trata de efluentes
industriais, pode-se incluir o resfriamento dos efluentes como uma técnica de tratamento primário. Em
alguns casos pode preceder ao tratamento primário, uma coagulação química para facilitar a remoção
dos sólidos. O tratamento primário geralmente precede a um posterior tratamento biológico, mas
também pode ser a última etapa do tratamento. Este tratamento nada mais é do que um
melhoramento do preliminar, havendo, no entanto, casos em que é aplicado o primeiro e assim
mesmo, incompleto.
O tratamento primário pode constituir-se da decantação simples em tanques preparados, onde é
separado grosseiramente os materiais sólidos dos líquidos. Pode ainda haver a precipitação química
mediante reagentes adicionados com a finalidade de compor substâncias insolúveis e decantáveis. O
material decantado constitui o denominado lodo que por sua vez pode sofrer uma decomposição
anaeróbia em unidades convencionais, os digestores, o processo é conhecido por digestão anaeróbia.
O lodo digerido é posteriormente tratado através de diversos métodos, como secagem, incineração,
utilizado para fins agrícolas ou restauração de terras e aterros sanitários. A parte aquosa antes de ser
devolvida ao meio ambiente pode ser desinfetada por cloro, ozona, ou outro desinfetante conveniente.

19.2.1 Decantadores primários

Decantador primário é a unidade de tratamento onde se processa a sedimentação do material


decantável. É a operação unitária pela qual a capacidade de carreamento e de erosão da água é
diminuída, até que as partículas em suspensão decantem pela ação da gravidade e não possam mais
ser relevantadas pela ação erosiva, estando assim em condições de serem lançados nos corpos
receptores ou de serem submetidos a tratamento secundário. Alguns decantadores possuem
dispositivos para remoção de escuma, principalmente gordura, não removida no tratamento
preliminar. Esta operação gera uma grande quantidade de lodo.

81
A coleta do lodo é função do tipo de decantador, podendo ser manual ou mecanizada. A
extração de lodo dos decantadores pode ser intermitente ou contínua. Considera-se lodo primário cru
aquele que não sofreu tratamento em digestores anaeróbios, e lodo primário digerido aquele que
sofreu. Todo lodo secundário é de origem biológica e quando o processo de tratamento secundário
empregado é o de lodos ativados, o lodo aí gerado recebe o nome de ativado.

19.2.2 Decantadores circulares

Os decantadores circulares têm sido muito usados no tratamento primário, assim como na fase
de tratamento biológico. Normalmente, são alimentados pelo centro, através de uma tubulação
central, ascendente, que é circundada por uma chicana ou cortina circular, chamada também saia
defletora ou gaiola, cuja finalidade é dissipar a energia do efluente afluente, e garantir uma
distribuição homogênea no tanque. Podem também, embora seja menos comum, ser alimentados por
uma tubulação inserida diametralmente, até lançar o efluente interior da saia defletora.

19.2.3 Decantadores retangulares

Os decantadores retangulares são sempre recomendados quando há limitação na área


disponível para implantação da ETE. A alimentação dos decantadores retangulares se dá por uma
das cabeceiras, com fluxo escoando lentamente até a extremidade oposta. Os dispositivos de entrada
e saída são projetados com os respectivos objetivos de permitir uma distribuição uniforme de efluente
no decantador e de reter os sólidos flutuantes contidos na superfície líquida do decantador, evitando
ainda que partículas sejam arrastadas com o efluente do tanque. A forma dos decantadores tem
influência na permanência dos sólidos retidos nos decantadores. Assim a relação entre as dimensões
principais nos tanques retangulares poderá estabelecer condições desfavoráveis à retenção do lodo.

19.3 Tratamento secundário

O principal objetivo do tratamento secundário é a remoção da matéria orgânica.


Esta se apresenta nas seguintes formas:

• matéria orgânica dissolvida (DBO solúvel), a qual não é removida por processos
meramente físicos, como o de sedimentação, que ocorre no tratamento primário;

82
• matéria orgânica em suspensão (DBO suspensa ou particulada), a qual é em

grande parte removida no tratamento primário, mas cujos sólidos de decantabilidade mais lenta
persistem na massa líquida.
Os processos de tratamento secundário são concebidos de forma a acelerar os mecanismos de
degradação que ocorrem naturalmente nos corpos receptores. Assim, a decomposição dos poluentes
orgânicos degradáveis é alcançada, em condições controladas, em intervalos de tempo menores do
que nos sistemas naturais. A essência do tratamento secundário é a inclusão de uma etapa biológica.
Enquanto nos tratamentos preliminar e primário predominam mecanismos de ordem física, no
tratamento secundário a remoção da matéria orgânica é efetuada por reações bioquímicas, realizadas
por microorganismos.
A base de todo o processo biológico é o contato efetivo entre os microorganismos e o material
orgânico contido no efluente, de tal forma que esse possa ser utilizado como alimento pelos
microorganismos. Existem dois caminhos para a oxidação biológica: aeróbio e anaeróbio. Em ambos
os casos as bactérias desempenham papel preponderante, como intermediários na reação. Os
processos de tratamento biológico podem ocorrer em ausência ou presença de oxigênio ou ainda em
processos facultativos.
Mecanismo aeróbio: Bactérias + M.O. + O2 → H2O + CO2 + bactérias + energia
Mecanismo anaeróbio: Bactérias + M.O. → CH4 + CO2 + bactérias + energia

19.3.1 Tratamento aeróbio

No processo aeróbio procura-se intensificar a proliferação de certos microrganismos,


principalmente bactérias, que além da propriedade de oxidar aerobicamente a matéria orgânica,
possuem uma característica de especial importância para este tipo de tratamento, a de formarem
massas capazes de adsorver partículas em suspensão. Sendo os processos aeróbios destinados,
principalmente, ao tratamento da fase líquida contendo finas partículas de suspensão, é todo
interesse que se verifique a floculação desse material, dando origem a massa de maior tamanho e
densidade, os flocos de sedimentação mais rápida.

19.3.1.1 Sistemas aeróbios com biofilmes

O processo de filtros biológicos consiste num processo onde a biomassa, ao invés de crescer
dispersa em um tanque ou lagoa, ela cresce aderida a um meio suporte. Nos sistemas de filtros
biológicos de baixa carga, a quantidade de DBO aplicada é menor. Com isso, a disponibilidade de
alimentos é menor, o que resulta numa estabilização parcial do lodo (auto-consumo da matéria
orgânica celular) e numa maior eficiência do sistema na remoção da DBO, de forma análoga ao

83
sistema de aeração prolongada nos lodos ativados. Os filtros biológicos de alta carga são
conceitualmente similares aos de baixa carga. No entanto, por receberem uma maior carga de DBO
por unidade de volume de leito, a necessidade de área é menor. Em paralelo, tem-se também uma
ligeira redução na eficiência de remoção da matéria orgânica, e a não estabilização do lodo no filtro.
Esta eficiência é devidamente melhorada.
O processo de biodiscos é fisicamente distinto dos processos de tratamento anteriormente
descritos. No entanto, devido ao fato da biomassa crescer aderida a um meio suporte (o biodisco),
este processo é descrito aqui, conjuntamente com os sistemas de filtros biológicos. O processo
consiste de uma série de discos ligeiramente espaçados, montados num eixo horizontal. Os discos
giram vagarosamente, e mantêm, em cada instante, cerca de metade da área superficial imersa no
efluente, e o restante exposta ao ar.
À medida em que os discos giram, a parte exposta ao ar traz uma película de efluente,
permitindo a absorção de oxigênio através do gotejamento e percolação junto à superfície dos discos.
Quando os discos completam sua rotação, esse filme mistura-se com a massa líquida dos efluentes,
trazendo ainda algum oxigênio e misturando os efluentes parcialmente e totalmente tratados. Com a
passagem dos microrganismos aderidos à superfície do disco pelo efluente, estes absorvem uma
nova quantidade de matéria orgânica, utilizada para a sua alimentação. Quando a camada biológica
atinge uma espessura excessiva, ela se desgarra dos discos. Esses organismos que se desgarram
são mantidos em suspensão no meio líquido devido ao movimento dos discos, aumentando a
eficiência do sistema.

19.3.1.2 Processo de lodos ativados

Lodo ativado é o floco produzido num efluente bruto ou decantado pelo crescimento de bactérias
zoogléias ou outros organismos, na presença de oxigênio dissolvido, e acumulado em concentração
suficiente graças ao retorno de outros flocos previamente formados.
No processo de lodos ativados o efluente afluente e o lodo ativado são intimamente misturados,
agitados e aerados (em unidades chamadas tanques de aeração), para logo após se separar os lodos
ativados de efluente tratado (por sedimentação em decantadores). O lodo ativado separado retorna
para o processo, uma parte é descartada para a destinação final, enquanto o efluente já tratado passa
para o vertedor do decantador no qual ocorreu a separação.
No tanque de aeração é onde ocorrem as reações de estabilização e são criadas as bactérias
que vão consumir o material orgânico. Neste tanque é injetado ar ou oxigênio às bactérias e tudo fica
intimamente misturado. No final do tanque é indispensável que as bactérias estejam floculadas para
serem removidas por decantação. Os sistemas de aeração podem introduzir oxigênio puro
diretamente às unidades do tratamento biológico, ou podem introduzir ar, sendo esta modalidade
convencional a mais usual no processo de lodos ativados.

84
O objetivo da decantação secundária é sedimentar o lodo ativado, recircular para o tanque de
aeração e descartar o lodo em excesso. É de fundamental importância a decantabilidade do lodo
formado, uma vez que o efluente final deve conter quantidades mínimas de sólidos suspensos. Em
grande número de estações de tratamento o decantador secundário é o último passo do tratamento.
Utilizam-se decantadores secundários com dispositivos de aspiração de lodo, pois este deve retornar
rapidamente ao tanque de aeração para evitar condições de septicidade.

19.3.1.3 Lagoas de estabilização

O nome lagoa de estabilização é usado para designar um grande número de processos de


tratamento, que tem em comum o fato de utilizar um enorme tanque artificialmente construído, com a
finalidade de tratar efluentes. As lagoas apresentam excelente eficiência de tratamento.
Modernamente se aceita que as lagoas devem cumprir dois objetivos principais: a proteção ambiental,
e nesse caso tem-se em vista parcialmente a remoção da DBO; e a proteção da saúde pública, e aí
se visa a remoção de organismos patogênicos. De acordo com a forma predominante pela qual se dá
a estabilização da matéria orgânica a ser tratada, as lagoas costumam ser classificadas em:

• anaeróbias: nas quais predominam processos de fermentação anaeróbia; imediatamente


abaixo da superfície não existe oxigênio dissolvido;
• facultativas: nas quais ocorrem, simultaneamente, processos de fermentação anaeróbia,
oxidação aeróbia e redução fotossintética; uma zona anaeróbia de atividade bêntica é sobreposta por
uma zona aeróbia de atividade biológica, próxima à superfície;

• estritamente aeróbias: nas quais se chega a um equilíbrio da oxidação e da fotossíntese


para garantir condições aeróbias em todo o meio; é comum chamar-se de aeróbias as lagoas
facultativas, embora não seja correto;
• de maturação: usadas como refinamento do tratamento prévio por lagoas, ou outro
processo biológico; reduz bactérias, sólidos em suspensão, nutrientes, e uma parcela negligenciável
da DBO;

• aeradas: nas quais se introduz oxigênio no meio líquido através de um sistema


mecanizado de aeração; as lagoas aeradas podem ser estritamente aeradas ou facultativas. As
lagoas aeradas devem ser seguidas de uma lagoa de decantação;
• com macrófitas: usadas como polimento final de um tratamento por lagoas, com objetivo
de reduzir nutrientes, sólidos em suspensão e a DBO remanescente. Várias experiências práticas
indicam também a redução de metais. Este tipo de lagoa requer manutenção (corte regular das

85
plantas, secagem e destino final), e as áreas sombreadas incentivam a proliferação de moscas e

mosquitos, razões pelas quais não é recomendável.

Tabela 10 - Principais características das lagoas de estabilização

Tipo de Nível de
Características Removem
Lagoa Tratamento
matéria
lagoas rasas (cerca de 0,50 m de profundidade) com
Aeróbia orgânica, secundário
algas e oxigênio dissolvido em toda profundidade.
patogênicos
lagoas profundas (2,0 a 4,5 m de profundidade) que
recebe grande carga de matéria orgânica (1500 - 2500 matéria
primário e
Anaeróbia kg DBO/ha.dia). Não tem oxigênio dissolvido. Efluente orgânica,
secundário
escuro. Normalmente requer tratamento posterior patogênicos
(complementar).
lagoas com profundidade de 1,5 a 2,0 m que possuem
matéria
duas regiões: uma anaeróbia superior e uma aeróbia
Facultativa orgânica, secundário
inferior ( uma camada de lodo permanece no fundo).
patogênicos
Recebem carga de cerca de 250 kg DBO/ha.dia.
lagoas com cerca de 1,0 m de profundidade usadas
patogênicos
Maturação após sistemas secundários de tratamento com o terciário
e nutrientes
objetivo de melhorar o efluente.

19.3.2 Tratamento anaeróbio

A evolução recente do tratamento anaeróbio conduziu a que os efluentes, e não apenas o lodo,
possam ser tratados em unidades dimensionadas para tal fim, em condições tais que a biomassa
formada no interior dessas unidades aí permaneçam por um elevado período de residência. Embora
já há muitos anos o tratamento anaeróbio tenha se firmado como uma solução clássica para a
estabilização do lodo de efluentes domésticos, apenas recentemente a aplicação da biotecnologia
anaeróbia foi estendida ao tratamento de despejos líquidos. A biotecnologia anaeróbia é recente, e o
conhecimento da cinética e das aplicações de modelagem matemática é ainda limitado.

19.3.2.1 Fossas sépticas

São unidades destinadas a tratar o efluente de residências ou de conjuntos de residências até


um máximo de 500 hab., supondo-se uma vazão de efluente de 150L/hab.dia. Esse tratamento,
entretanto, ocorre a nível primário e o efluente da fossa ainda contém matéria orgânica, patogênicos e
nutrientes, requerendo uma disposição adequada. As soluções mais recomendadas são: infiltrar o
efluente no terreno, ou tratá-lo em um filtro anaeróbio de fluxo ascendente.
Este sistema requer que as residências disponham de suprimento de água. Uma de suas
principais inconveniências é a falta de destinação correta do efluente e do lodo, ambos contaminados,

86
com possível comprometimento dos lençóis freáticos e da saúde pública. Nas fossas o efluente
doméstico é decantado e o lodo que permanece no fundo do tanque entra em decomposição
anaeróbia, sendo parcialmente digerido. Quando as condições do solo são favoráveis, o efluente das
fossas sépticas pode ser aí infiltrado através de sumidouros e de valos de infiltração.

19.3.2.2 Filtros Anaeróbios

O filtro anaeróbio apresenta alguma similaridade conceitual com os filtros biológicos aeróbios:
em ambos os casos, a biomassa cresce aderida a um meio suporte, usualmente pedras. No entanto,
o filtro anaeróbio apresenta algumas importantes diferenças:

• fluxo do líquido é ascendente, ou seja, a entrada é na parte inferior do filtro, e a saída na


parte superior;

• filtro trabalha afogado, ou seja, os espaços vazios são preenchidos com líquido;
• carga de DBO aplicada por unidade de volume é bastante elevada, o que garante as
condições anaeróbias e repercute na redução de volume do reator;

19.3.2.3 Lagoas anaeróbias

Nas lagoas anaeróbias a estabilização ocorre sem o concurso do oxigênio dissolvido: são os
fenômenos de digestão ácida e fermentação metânica que tomam parte do processo. Na verdade
tudo se passa como num digestor anaeróbio ou numa fossa séptica. Recebem mais efluentes por
área que os outros tipos de lagoas. Nelas ocorrem simultaneamente os processos de sedimentação e
digestão anaeróbia, não havendo oxigênio dissolvido. No fundo permanecem um depósito de lodo e
na superfície forma-se bolhas de gás resultantes da fermentação do mesmo. Essas lagoas reduzem a
carga de matéria orgânica no mínimo pela metade e, dependendo do nível de tratamento desejável,
pode ser necessária a instalação de uma lagoa facultativa em seqüência. Não devem apresentar
problemas de odor forte, mas, por precaução aconselha-se a instalação a pelo menos 200m de áreas
residenciais. Sua principal finalidade é ser usada em conjunto com outras lagoas para reduzir a área
de tratamento.
A fermentação anaeróbia é um processo seqüencial. Primeiramente ocorre uma fase anaeróbica
chamada de digestão ácida, de produção de material celular (síntese) e compostos intermediários mal
cheirosos (gás sulfídrico, mercaptanas). Em seguida bactérias metanogênicas (estritamente
anaeróbias) transformam os ácidos orgânicos formados na fase inicial em metano (CH4) e dióxido de
carbono (CO2); é a fase chamada de fermentação metânica ou alcalina, os maus odores
desaparecem, havendo formação de escuma, de cor cinzenta e aspecto feio.

87
19.3.2.4 Reator anaeróbio de manta de lodo

Os reatores anaeróbios de manta de lodo são também freqüentemente denominados de


Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente (RAFA ou UASB). Nestes reatores, a biomassa cresce
dispersa no meio, e não aderida a um meio suporte especialmente incluído, como nos casos dos
filtros biológicos. A própria biomassa, ao crescer, pode formar pequenos grânulos, correspondente à
aglutinação de diversas bactérias. Esses pequenos grânulos, por sua vez, tendem a servir de meio
suporte para outras bactérias. A granulação auxilia no aumento da eficiência do sistema, mas não é
fundamental para o funcionamento do reator. A concentração de biomassa no reator é bastante
elevada, justificando a denominação de manta de lodo. Devido a esta elevada concentração, o
volume requerido para os reatores anaeróbios de manta de lodo é bastante reduzido, em comparação
com todos os outros sistemas de tratamento.
O fluxo do líquido é ascendente. Como resultado da atividade anaeróbia, são formados gases
(principalmente metano e gás carbônico), as bolhas dos quais apresentam também uma tendência
ascendente. De forma a reter a biomassa no sistema, impedindo que ela saia com o efluente, a parte
superior dos reatores de manta de lodo apresenta uma estrutura que possibilita as funções de
separação e acúmulo de gás e de separação e retorno dos sólidos (biomassa). O gás é coletado na
parte superior, de onde pode ser retirado para aproveitamento (energia do metano) ou queima.
Os sólidos sedimentam na parte superior desta estrutura cônica ou piramidal, escorrendo por
suas paredes, até retornarem ao corpo do reator. Pelo fato das bolhas de gás não penetrarem na
zona de sedimentação, a separação sólido-líquido não é prejudicada. O efluente sai clarificado, e a
concentração de biomassa no reator é mantida elevada.
A produção de lodo é bem baixa. O lodo já sai estabilizado, podendo ser simplesmente
desidratado em leitos de secagem. Diferentemente dos filtros anaeróbios, não necessidade da
decantação primária, o que significa mais ainda o fluxograma da estação. O risco de geração ou
liberação de maus odores pode ser bastante minimizado através de um projeto bem elaborado, tanto
nos cálculos cinéticos, quanto nos aspectos hidráulicos. A completa vedação do reator, incluindo a
saída submersa do efluente, colabora sensivelmente para a diminuição destes riscos. A operação
adequada do reator contribui também neste sentido.

19.4 Tratamento terciário

O tratamento avançado de efluentes se refere aos métodos e processos que removam do


efluente poluentes que o tratamento convencional não retém nem transforma. Esse termo pode ser
empregado para designar qualquer sistema que se siga ao tratamento secundário, que modifique ou
que substitua um passo do processo convencional. O termo tratamento terciário também é
empregado. A seleção de uma operação ou processo ou uma combinação de ambos depende: do uso

88
a que se destina o efluente tratado; da natureza da água residual; da compatibilidade das operações e
processos; dos meios disponíveis para o destino dos contaminantes finais e da possibilidade
econômica destas combinações. Em alguns casos, devido a condições externas, a viabilidade
econômica pode não ser um fator limitante no projeto.

Remoção de nitrogênio
Do nitrogênio presente nos efluentes 40% está na forma de amônia e 60% na forma orgânica e
uma fração desprezível de nitrato. O conteúdo total é de 4 a 6 Kg/hab.ano. Até o tratamento
secundário se remove 40% de nitrogênio. As formas comuns de nitrogênio são: orgânico, amoniacal,
nitratos, nitritos e nitrogênio gasoso. Os problemas de poluição relacionados com o nitrogênio são:
diminuição do oxigênio dissolvido nos rios e lagos e eutrofização dos mesmos e efeito tóxico da
amônia nos peixes.
A nitrificação envolve o a oxidação da amônia em nitrato. É possível a nitrificação juntamente
com a remoção de matéria orgânica, ou seja, o efluente é nitrificado, dentro do próprio tanque de
aeração do processo de lodos ativados, se o período de aeração for longo.
Na desnitrificação os nitratos são reduzidos para gás nitrogênio por uma variedade de bactérias
facultativas num ambiente anaeróbio. Como na nitrificação os processos podem ser de cultivo fixo ou
suspenso. Os sistemas de nitrificação podem requerer uma adição de carbono para eliminar o nitrato,
com um mecanismo semelhante ao da adição de oxigênio ao processo aeróbio convencional para
eliminação do carbono orgânico. Qualquer excesso será notado como DBO no efluente final. Esta
fonte de carbono é necessária para atuar como doador de hidrogênio e para suprir o carbono da
síntese biológica. Várias substâncias podem ser usadas como o metanol, o etanol e o açúcar. O
sistema de desnitrificação consiste em um tanque com misturador submerso seguido de um
decantador para separação e recirculação do lodo. O nível de agitação deve manter o floco biológico
em suspensão, mas sob o controle, para evitar a aeração indesejada. As vantagens da remoção
biológica de nitrogênio são que o sistema de nitrificação pode ser construído para atender uma
determinada remoção de amônia, adicionando-se a desnitrificação no futuro, se necessário. Também
o sistema é adaptável como adição, numa estação secundária inexistente.
Outros processos de remoção de nitrogênio são: a separação com ar, a cloração Breackpoint e a
troca iônica.

Remoção de fósforo
O fósforo da água residual pode apresentar-se nas formas de polifosfato, ortofosfato e fosfato
orgânico O tratamento biológico remove o fósforo que é utilizado como nutriente das bactérias, mas
geralmente a quantidade presente excede o valor que é assimilado pelas bactérias. A remoção está
por volta dos 30%, o que acarreta depois do tratamento secundário um residual de 7 mg de fósforo.
Os fosfatos e o nitrogênio orgânico são removidos da solução pela síntese das algas. Entretanto,
a criação das algas, para remover nutrientes do efluente, não provou ser efetiva. Problemas

89
biológicos do balanço adequado da razão entre carbono, nitrogênio e fósforo, intensidade da luz solar,
pH próprio e controle de temperatura, limitações físicas da grande área necessária para um período
de retenção adequado a um custo elevado para remoção de algas têm evitado a aplicação da
fotossíntese como método prático para a remoção de nutrientes.
A precipitação química, empregando coagulantes de alumínio e ferro, além de cal é eficiente na
remoção de fosfatos.

Tratamento utilizando carvão ativado


Este método é utilizado para a eliminação de compostos refratários da água residual. Para tal
pode utilizar-se o carvão em grãos, disposto em leitos ou carvão em pó. O carvão granulado é
utilizado numa coluna, onde o efluente é forçado a passar. O efluente é introduzido na parte superior
da coluna e sai na parte inferior. O carvão se mantém no seu lugar por meio de uma tela colocada no
fundo da coluna. O carvão consumido é restituído de forma contínua. O carvão após sua saturação
precisa ser regenerado, para que sua capacidade de adsorção seja restituída. O carvão granulado se
regenera por oxidação da matéria orgânica e posterior eliminação da superfície do carvão num forno.
O carvão ativado também remove matéria orgânica através de adsorção e biodegradação. As
moléculas em solução são capturadas na superfície porosa do carvão granulado, enquanto outros
materiais são retidos através da precipitação e assimilação biológica. Teoricamente a adsorção é o
mecanismo principal pelo qual a atividade biológica regenera porções da coluna, reabrindo os pólos
do carvão. O pH do efluente deve ser neutro, para entrar em contato com o carvão.

Clarificação química
A precipitação química no tratamento de águas residuárias leva consigo a adição de produtos
químicos, com a finalidade de alterar o estado físico dos sólidos dissolvidos e em suspensão e facilitar
sua eliminação por sedimentação. Por meio da precipitação química é possível obter um efluente
límpido, isento de material em suspensão ou em estado coloidal. Pode eliminar-se de 80 - 90% da
matéria total suspensa de 40 - 70% da DBO, de 30 - 60% da DQO e de 80 - 90% das bactérias.
A clarificação é feita em decantadores simples, sistemas de colchão de lodo e clarificadores
dotados de equipamentos de floculação. Para ocorrer a coagulação é necessário a adição de cátions
de alumínio ou ferro. Os principais são: sulfato de alumínio, aluminato de sódio, sulfato férrico e
cloreto férrico. Se for necessário, pode se dosar álcalis para recuperar a alcalinidade, como: cal
hidratada, soda cáustica e carbonato de sódio. Os produtos químicos são misturados, antes do
clarificador em uma câmara de mistura, para iniciarem a coagulação.

Desinfecção
A cloração tem sido a principal forma de desinfecção praticada nas estações de tratamento,
tendo por objetivo principal a eliminação de organismos patogênicos. Além da finalidade de
desinfecção, a cloração pode ser praticada com vários objetivos: controle do odor; para reduzir a
carga orgânica inicial numa estação de tratamento; para facilitar a remoção de escuma em

90
decantadores; para aumentar a eficiência da decantação; para reduzir a carga orgânica de um
efluente lançado in natura num corpo receptor, ou o número de organismos; para promover o
extermínio ou o controle de organismos patogênicos; para reduzir o comprimento de emissários
subáquaticos de efluente; como elemento auxiliar ou corretivo nos processos de filtração biológica e
de lodos ativados; e como elemento auxiliar ou de controle no tratamento e disposição de lodo.
Uma melhor desinfecção é obtida se utilizarmos uma pré-cloração com 20% e uma pós-cloração
com os 80% restantes. Os compostos utilizados na cloração são preferencialmente: cloro gasoso,
hipoclorito de sódio e cálcio. A qualidade de um efluente é definida por uma contagem média de
coliformes fecais, < 200/100 mL. Ainda podem ser usados como desinfetantes o bromo, iodo,
oxigênio, detergentes sintéticos, álcoois, água oxigenada e diversos álcalis e ácidos.

Remoção de sólidos suspensos


O efluente que deixa os decantadores secundários pode conter ainda uma concentração elevada
de sólidos em suspensão. Isto acarreta uma diminuição na efluência do sistema em remover DBO e
S.S. Torna-se necessária uma etapa terciária para a remoção destes sólidos, que pode se feita por
micropeneiração, filtração ou ainda em lagoas de polimento. O micropeneiramento é um processo
físico, que remove partículas com diâmetro acima e 20 a 50 um. O efluente entra num tambor rotativo,
coberto com uma tela fina, na qual os sólidos se depositam, e são posteriormente removidos por jatos
d'água e capturados numa calha de onde são encaminhados, para fora da peneira e conduzidos ao
sistema de lodos.
Os sólidos suspensos também podem ser removidos por filtração empregando leitos similares ao
do tratamento de águas. Deve-se levar em conta a maior quantidade de sólidos suspensos no
efluente e a variação de vazão. Os mais empregados são os leitos duplos de areia e carvão, pois
permitem a filtração ao longo de toda sua profundidade e também uma maior capacidade de retenção
de sólidos. Após a colmatação do filtro é necessária a sua retrolavagem que pode ser feita com água
e posterior com ar e água. Os filtros podem ser por gravidade ou sobre pressão, dependendo da
carga hidráulica.

Oxidação química
É utilizada para eliminar amônia, reduzir DBO, redução de bactérias e vírus do efluente. Esta
oxidação é conseguida através de dosagem de cloro ou ozônio. A oxidação química também é
utilizada no tratamento de despejos que contenham sulfetos e cianetos.

Troca iônica
É um processo utilizado para remover alguns metais do efluente. A água residuária é forçada a
passar em um leito catiônico onde os íons carregados positivamente são substituídos pelo íon
hidrogênio, posteriormente passa por um leito aniônico onde os ânions são substituídos pela oxidrila.

91
Unidade IV - EMISSÕES ATMOSFÉRICAS

20 Conceitos básicos

20.1 Introdução
Genericamente a poluição do ar é qualquer substância (ou combinação de substâncias) presente
na atmosfera que é danosa a saúde do homem ou formas de vida inferiores; ofensivas ou objetáveis
ao homem interna ou externamente; ou que pela sua presença, direta ou indiretamente, afetará,
adversamente, o bem estar do homem (Hommer). A contaminação da atmosfera é um fenômeno que
se apresenta em escala microscópica, ainda que seus efeitos possam ser detectados a simples vista.
As unidades usuais de medida são: mg/m3, μg/m3, e ng/m3. Expressam-se também por meio de
unidades relativas conhecidas pela sigla ppm (partes por milhão), que representa a concentração de
um volume de composto em um milhão de volumes de diluente. Usam-se também ppcm (partes por
cem milhões, 10-8) e ppb (partes por bilhão, 10-9).
Segundo a NBR 8969/85, Poluição do Ar é a presença de um ou mais poluentes atmosféricos e
Poluente Atmosférico é toda e qualquer forma de matéria e/ou energia que, segundo suas
características, concentração e tempo de permanência no ar, possa causar ou venha a causar danos
à saúde, aos materiais, à fauna e a flora e seja prejudicial à segurança, ao uso e ao gozo da
propriedade, à economia e ao bem – estar da comunidade. O mesmo que contaminante atmosférico.
As causas da poluição atmosférica podem ser classificadas como: de origem natural (vulcões,
queimadas, etc.); resultante das atividades humanas (indústrias, transporte, calefação, destruição da
vegetação, etc.); em conseqüência dos fenômenos de combustão.

Os poluentes podem ser classificados de acordo com:


• A origem: primários - na forma em que são emitidos, ou seja, são lançados diretamente na
atmosfera por algum processo biogênico ou antropogênico; secundários - produzidos na atmosfera
pela reação de outros compostos (gases permanentes, poluentes primários ou secundários) com ou
sem a ação de radiação fotoquímica.
• A composição química: poluentes orgânicos e poluentes inorgânicos
• O estado da matéria: poluentes particulados e gases e vapores

92
20.2 Poluentes particulados

A principal origem das matérias sólidas são as combustões, tanto domésticas como industriais,
assim como as atividades de construção civil. Algumas indústrias características liberam este
material, tais como a de fertilizantes e a de cimento. Apresentam uma grande dispersão de tamanhos
e uma constituição química variada segundo sua procedência. Atribuiu-se o nome genérico de pó
àquelas partículas com diâmetro compreendido entre 1 e 1000 μm que se depositam por ação da
gravidade, sendo considerado matéria sedimentável. Se o diâmetro diminui para menos de 1 mícron,
as partículas dispersas no ar constituem um aerosol especial conhecido por fumos. Este material não
tende a sedimentar e é considerado matéria em suspensão.

20.3 Vapores e gases

Vapores incluem gases e compostos que em geral tem um ponto de ebulição abaixo de 200 ºC.
Os termos vapor e gás são, muitas vezes, usados intercambiavelmente. Em um sentido estrito, um
vapor é uma substância que, apesar de presente na fase gasosa, geralmente existe como um líquido
ou sólido á temperatura ambiente. Os principais poluentes gasosos e suas respectivas fontes são
listadas a seguir:

Tabela 11 – Alguns poluentes gasosos típicos e suas fontes

Elemento
Poluente Fonte poluidora
chave
Gases de caldeira
SO2
Fabricação de ácido sulfúrico
SO3
S Processamento de gás natural
H2S
Tratamento de esgotos
R – SH (mercaptans)
Indústrias petroquímicas, polpa e papel
NO Fabricação de ácido nítrico
NO2 Oxidação em alta temperatura
N NH3 Processos de nitrogenação e fabricação de amônia
Outros compostos de N, piridinas, Esgotos; clarificação de gorduras, processos com
aminas solventes
Fertilizante fosfático; alumínio
HF
Cerâmica, fertilizantes
SiF
Halógenos Fabricação de HCl; combustão de PVC; processos
HCl
de cloração orgânica
Cl2 Fabricação de cloro
Processos de combustão incompleta
CO
C Processos de combustão (em geral, não considerado
CO2
como poluente)

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Elemento
Poluente Fonte poluidora
chave
Operação com solventes; gasolina; operações
petroquímicas; solventes
Hidrocarbonetos – parafinas, olefinas e
Processos de oxidação parcial; operações de
aromáticos
capeamento; processos petroquímicos; plásticos;
óxido de etileno
Aldeídos, cetonas, álcoois, fenóis e
óxidos Lavagem a seco: desengraxamento
Solventes clorados

Fonte: MACINTYRE, 1990.

20.4 Valores de referência

20.4.1 Padrões de qualidade do ar

A poluição do ar ocorre quando a alteração da composição da atmosfera resulta em danos reais


ou potenciais. Dentro deste conceito, pressupõe-se a existência de níveis de referência para
diferenciar a atmosfera poluída da atmosfera não poluída. O nível de referência sob o aspecto legal é
denominado Padrão de Qualidade do Ar. No Brasil, os Padrões de Qualidade do Ar vigentes foram
estabelecidos pela resolução CONAMA n.º 03 de 28/06/90 e são os atualmente válidos para todo
território nacional. Os poluentes considerados nessa resolução foram: partículas totais em suspensão
(PTS); dióxido de enxofre (SO2); monóxido de carbono (CO); ozônio (O3); fumaça; partículas inaláveis
e dióxido de nitrogênio (NO2). Foram estabelecidos Padrões Primários, destinados à proteção da
saúde pública e Padrões Secundários, para proteção do meio ambiente em geral e do bem-estar da
população.

Tabela 12 - Padrões de qualidade do ar externo

Tempo de Padrões 1os Padrões 2os Métodos amostrag. e


Poluente
amostrag. (μg.m-3) (μg.m-3) medição
Partículas totais em Anual 80 60 Amostrador de grande
suspensão 24 h 240 150 volumes
Anual 60 40
Fumaça Refletância
24 h 150 100
anual 50 50 Método de Separ.
Partículas inaláveis
24 h 150 150 Inercial/Filtração
anual 80 40
Dióxido de enxofre Pararosanilina
24 h 365 100
anual 100 100 Quimiluminescência em
Dióxido de nitrogênio
1h 320 190 fase gasosa
8h 10.000 10.000 Infravermelho não
Monóxido de carbono
1h 40.000 10.000 dispersivo
Oxidantes fotoq. 1h 160 160 Quimiluminescência

94
20.4.2 Padrões de emissão

Padrões de Emissão sã limites estabelecidos legalmente e que devem ser respeitados para a
emissão na fonte. Estes podem estar expressos em concentração (ex.: mg/Nm3 base seca a 12% de
oxigênio), em taxa de emissão (ex.: kg/hora) ou em função de um parâmetro da fonte (ex.:
kg/tonelada incinerada). Os padrões de emissão em geral são fixados a nível estadual. A Resolução
CONSEMA 09/00 estabelece os padrões de emissão para incineração de resíduos de serviços de
saúde.

20.4.3 Padrões de condicionamento e projeto

São exigências legais em relação à fonte, que limitam seu uso ao atendimento de determinados
parâmetros de projeto, ou exigências, como temperatura de incineração, tipo de combustível,
localização da fonte, etc. Um exemplo prático destes padrões é o da legislação de São Paulo (artigo
38 do decreto 8468/76) que exige o uso de pós-queima das emissões de incineradores hospitalares,
obedecida a temperatura mínima de 850ºC, bem como tempo de residência mínimo de 0,8 segundos
na câmara de pós-queima, ou outro sistema de tratamento de eficiência igual ou superior, bem como
o uso de combustível gasoso em função da localização do incinerador.

20.4.4 Fatores de emissão

Fator de emissão é uma ferramenta disponível para estimar a emissão de poluentes


atmosféricos. Um grande número de fatores de emissão estão publicados pela US Environmental
Protection Agency e são muito utilizados no Brasil. Em geral são obtidos por média estatística de
emissões de fontes que foram avaliadas através de amostragem em chaminé. A USEPA utiliza uma
escala de confiabilidade que vai de A (alta confiabilidade) a D (baixa confiabilidade), em função do
número de fontes que foram utilizadas para se obter o fator de emissão respectivo. São úteis em
especial para estudos de impacto na atmosfera por fontes de poluição do ar, para verificar níveis de
redução de emissão necessários e para inventários de fontes de poluição do ar. Um exemplo de
fatores de emissão está mostrado na Tabela 6, para queima de óleo combustível em caldeiras e
termelétricas.

95
3
Tabela 13 – Fatores de emissão (kg/m ) – queima de óleo combustível

Trióx. Óxidos
Material Dióx. de Mon. de Gás
de de
Tipo de equipamento particul. enxofre carbono carbônic
enxofre nitrogên
(MP) (SO2) (CO) o (CO2)
(SO3) io (NOx)
Caldeiras de
5,0 a
termoelétricas 1,25xS+0,38 19xS 0,34xS 0,6 2.964
12,6
> 106x109 J/h
Caldeiras Industriais de
1,25xS+0,38 19xS 0,24XS 0,6 6,6 2.964
10,6x109 a 106x109 J/h

21 Controle de Emissões atmosféricas

O controle da poluição do ar visa, por um lado, evitar que as substâncias nocivas, animadas ou
não, consigam alcançar o ar (prevenção). Falhando a primeira barreira, procura-se evitar que as
substâncias nocivas atinjam o homem e lhe provoquem danos (proteção). Excepcionalmente, e
apenas no microambiente, consegue-se remover substâncias nocivas (tratamento). Por outro lado,
visa esse controle não somente assegurar à população um conjunto de conhecimentos que lhe
permita proteger-se contra elementos nocivos existentes, como também a proteger o ar, através de
dispositivos tais como: ciclones, exaustores e filtros de ar.
No estudo dos problemas da poluição do ar são consideradas quatro etapas: a produção, a
emissão, o transporte e a recepção de poluentes. Em cada etapa, para a redução dos riscos de
poluição, podemos aplicar uma série de medidas, que podem ser classificadas em medidas diretas e
indiretas.

21.1 Medidas indiretas de controle

As medidas indiretas de controle são ações que visam a eliminação, redução, segregação ou
afastamento dos poluentes, como:

21.1.1 Planejamento urbano

• Melhor distribuição espacial das fontes emissoras: aumento da distância fonte - receptor;

• Diminuição da concentração de atividades poluidoras;


• Melhoria do sistema viário;

96
• Localização das fontes à jusante dos ventos predominantes;

• Controle da circulação desnecessária de veículos.

21.1.2 Diluição através de chaminés altas

• Visa a redução da concentração do poluente ao nível do solo;


• Não reduz a emissão;
• Sua eficácia depende: da distribuição espacial das fontes; das condições meteorológicas e
topográficas da região;
• Só é recomendável como medida adicional para a melhoria das condições de dispersão.

21.1.3 Medidas para impedir a geração do poluente

• Substituição de: combustíveis; matérias-primas; reagentes (substituição do chumbo tetra-

etila por álcool anidro na gasolina; o emprego de combustíveis com baixos teores de enxofre)
• Mudança de equipamentos de processo.

21.1.4 Medidas para reduzir a geração do poluente

• Operação de equipamentos dentro da sua capacidade nominal;


• Operação e manutenção adequadas de equipamentos produtivos;
• Armazenamento adequado de materiais pulverulentos;
• Utilização de processos, equipamentos e operações de menor potencial poluidor;
• Utilização de matérias-primas e reagentes de menor potencial poluidor;
• Utilização de combustíveis de menor potencial poluidor.

21.2 Equipamentos de controle

Ações que visam reduzir a quantidade de poluentes descarregada na atmosfera através da


instalação de equipamentos de controle, denominados popularmente como filtros de ar. Os
equipamentos de controle de matéria particulada e névoa líquida podem ser classificados de acordo
com o princípio físico ou mecânico segundo o qual o objetivo é alcançado.

97
21.2.1 Escolha do equipamento a ser utilizado
São inúmeros os fatores a serem considerados na escolha do equipamento mais adequado, quer
sejam de ordem técnica, econômica ou ambiental. Às vezes apenas os aspectos legais definem qual
será usado, mas não é comum que isto ocorra. Os fatores condicionantes que determinam a solução
final são o jurídico e o sanitário. O aspecto econômico desempenha um papel secundário, o que torna
pouco rentável para o industrial. O esquema mostrado a seguir pode ser utilizado como estratégia de
escolha de um equipamento de depuração do ar.

Estratégia de escolha de equipamento depurador do ar


PADRÕES DE EMISSÃO

DETERMINAÇÃO DA EFICIÊNCIA NECESSÁRIA

DEFINIÇÃO DAS ALTERNATIVAS DE EQUIPAMENTOS DE CONTROLE POSSÍVEIS

↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓
Precipitador
Filtro Manga Lavador Ciclone Absorvedor Pós queimador
eletrostático
↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓

Características do gás portador Características do


contaminante
P
Volume
R
Temperatura Ponto de ignição
O
Umidade Distribuição de tamanhos
C
Corrosividade Abrasividade
E
Odor Higroscopicidade
S
Explosividade Propriedades elétricas
S
Viscosidade Concentração
O
Ponto de orvalho Densidade
Densidade Propriedades físico-químicas

Tratamento de efluentes Disponibilidade de água
Possibilidades de espaço Recuperação de calor
CONDIÇÕES DA FÁBRICA
Recuperação do produto Tipo de operação
Disponibilidade de energia Ar comprimido

Estudos de engenharia
Tratamento de água
Equipamento
Materiais diversos
Equipamento auxiliar
Resíduos sólidos
Terreno
CUSTOS DE CONTROLE Mão de obra
Edificações
Montagem
Instalação
Condicionamento dos gases
Posta em marcha
Impostos, seguros
Energia

SISTEMA COLETOR ESCOLHIDO

98
Tabela 14 – Características de equipamentos de remoção de material particulado

Faixa de Perda de Efeito da


Eficiência Temperatura
Equipamento diâmetro da carga, pol de densidade da
esperada máxima ºC
partícula, mm col. d’água partícula
50% das
partículas
Eficiência
Câmara de acima de 50μm
>150 <1 500 aumenta com
sedimentação e aprox. 95%
a densidade
acima de
300μm

80% das
partículas Eficiência
Ciclone >10 -3 acima de 50μm 500 aumenta com
e aprox. 95% a densidade
acima de 50μm

50% das
partículas Efeito
Torre Spray >3 2/jul acima de 3μm 200 -500 pequeno sobre
e aprox. 98% a eficiência
acima de 5μm

90-99% das Efeito


Lavador Venturi >0,3 -1,0 15-30 partículas 200 – 250 pequeno sobre
acima de 5μm a eficiência

95-99% das Sem efeito


Filtro Manga 0,5 - 1,0 1/out partículas 200 - 250 sobre a
acima de 5μm eficiência

Efeito
Precipitador de 80% á mais
>0,001 0,25 - 0,5 500 pequeno sobre
eletrostático de 99%
a eficiência

Fonte: Adaptado de MACINTYRE, 1990

99
Tabela 15 - Classificação relativa entre equipamentos de remoção de material particulado

Eficiência máxima Custo do Custo de ΔP


Tipo
para poeiras típicas Capital Operação médio
Câmara de sedimentação 60 1 1 1
Ciclone 85 2 2 3
Lavador a jato 88 4 4 5
Torre de lavagem 95 6 6 1
Precipitador eletrostático 99 10 1 1
Filtro manga 99 8 5 2
Lavador Venturi 99 5 10 10
Filtro manga (jato reverso) 99 9 9 2
(*) Para tratar 60.000 ft3/min de gás, com poeira, a 20ºC. 1 – menor; 10 - maior

21.2.2 Câmaras de Sedimentação

Os coletores de câmara gravitacional ou de sedimentação são os mais simples e de fácil


operação. Consistem, essencialmente, em uma câmara, em geral metálica, de dimensões grandes
em relação à do duto que nela introduz o ar poluído, a fim de reduzir a velocidade de escoamento,
permitindo a deposição de partículas relativamente grandes (100 a 200 micra), em conseqüência do
peso das mesmas. Funciona muito bem como um pré-limpador do ar poluído. Pelo fato de
necessitarem de um tempo para que ocorra a sedimentação das partículas, a remoção de material
particulado de pequenas e médias dimensões, acarretaria em dimensões muito grandes para a
câmara, de modo, que se prefere usar a câmara gravitacional com um primeiro estágio de um coletor
de filtragem, quando existirem partículas numa ampla escala de dimensões.

Alguns cuidados importantes devem ser tomados, como:


• rearraste (Velocidade < 3 m/s - velocidade crítica);

• para partículas muito grandes, calcular o tempo de aceleração até velocidade terminal (e a
distância percorrida);
• evitar turbulências;
• facilidade de limpeza.

Apresentam vantagens, como: construção simples; baixo custo inicial; manutenção reduzida;
queda de pressão mínima; qualquer temperatura e pressão; material é coletado seco; tolera
abrasivos. Se o gás escoasse em regime laminar ou viscoso, seria possível depositar partículas
pequenas. Porém uma câmara que realizasse esta condição teria dimensões muito grandes e seria,
portanto, antieconômica. Na prática, o escoamento nos coletores gravitacionais se realiza em regime
turbulento, devido à existência de componentes verticais no movimento, o que explica a dificuldade
das partículas pequenas em se depositarem. Consegue-se uma mais efetiva deposição de partículas

100
médias e pequenas com o emprego de câmaras gravitacionais múltiplas, nas quais o escoamento se
aproxima do regime laminar.

21.2.3 Ciclones

São coletores centrífugos, onde se estabelece um movimento rotatório para o gás, de modo que
a força centrífuga aplicada às partículas, sendo maior que a força de coesão molecular e da
gravidade, faz com que as mesmas sejam lançadas de encontro às paredes, retirando-as da massa
gasosa em escoamento. Os ciclones são classificados de acordo com a entrada dos gases, isto é,
tangencialmente ou axialmente. Nos ciclones axiais o gás penetra no meio do equipamento, enquanto
que nos tangenciais, o gás a ser tratado entra por uma abertura localizada na parte superior do
ciclone. Destes dois tipos de ciclones o mais utilizado é o tipo tangencial, onde o gás penetra
tangencialmente à periferia da parte superior de um cilindro ou cone, de modo a criar um fluxo
helicoidal descendente que, ao atingir a parte inferior de um cone, retorne como um fluxo helicoidal
ascendente central até a boca de saída na parte superior do cilindro. As forças centrífugas
decorrentes deste movimento helicoidal projetam as partículas sólidas de encontro às paredes, de
onde caem até o cone inferior que as coletas e de onde são removidas.
No ciclone, as partículas gasosas realizam como foi dito um movimento seguindo uma trajetória
helicoidal, mas, ao atingirem o trecho inferior do cone, iniciam um movimento helicoidal ascendente,
chegam ao cilindro por onde iniciaram o escoamento e saem pela boca superior do ciclone.
Estabelecem-se, assim, dois turbilhões no interior do ciclone: um periférico externo descendente e um
central ascendente. A figura a seguir mostra um esquema típico de um ciclone tangencial.

Vantagens:
• simples, fáceis de construir e com custo inicial baixo;
• aceitam pressões e temperaturas elevadas;
• não tem partes móveis, manutenção baixa;
• aceitam concentrações altas.
Desvantagens:

• eficiência baixa para partículas inferiores a 5 micra;


• queda de pressão relativamente alta;
• têm problemas de erosão (necessitam de proteção no local do 1º impacto: cimento,
borracha, etc).
Os ciclones podem ser dispostos em série ou em paralelo. Quando temos um grande número de
pequenos ciclones em paralelo, chamamos de multiciclones, que devidamente dimensionados podem
atingir eficiências de remoção da ordem de 80%. Consequentemente em muitas aplicações eles são

101
usados como equipamentos primários de retenção. São usados em geral, para a coleta de material
particulado ou fibroso.

21.2.4 Filtros

São aparatos de controle de poluição que são usados para separar partículas sólidas de uma
corrente de gás. A corrente de gás, carregada de pó, passa através de um tecido trançado ou feltrado;
o tecido usado para o filtro varia de algodão ao vidro. Os filtros de tecido (usualmente chamados de
filtro manga) são os mais utilizados, existindo ainda os filtros em painéis compactados ou mantas e os
de carvão ativado.
O tipo de tecido usado depende das condições operacionais tais como temperatura, queda de
pressão, degradação química ou física, métodos de limpeza e, naturalmente, custo e tempo de vida
do tecido. Os sacos de filtro são normalmente tubulares ou em forma de envelope e são capazes de
remover mais de 99% das partículas até 0,3 μm, assim como quantidades substanciais de partículas
tão pequenas quanto 0,1 μm. Os sacos de filtro variam 1,8 a 12 m em comprimento e 0,1 a 0,4 m em
diâmetro. A eficiência de um filtro de capa porosa depende, fundamentalmente, do raio da partícula.
Para um diâmetro dado, a eficiência cresce quando o tamanho do poro do material diminui.
Geralmente esta capa porosa está formada por um conjunto de superfícies convenientemente
perfiladas e recobertas, em alguns casos, de um líquido aderido e, geralmente, precisam de uma
limpeza periódica. O ar normalmente penetra pela parte interna, quando a boca do saco fica embaixo
e sai, deixando as impurezas no lado de dentro.
Os filtros de manga em geral são dispostos em baterias ou conjuntos, de modo a se conseguir a
área de filtragem necessária. A instalação nessas condições em um compartimento ou edificação
constitui um bag-house. Existem bag-houses com capacidade muito grande, como um para 2,1
milhões de cfm.

Os fenômenos que interferem na operação são:


• efeito de peneiramento, que está relacionado ao tamanho das partículas e ao tamanho do
poro do meio filtrante;
• efeito de impacto, que tem relação com mudanças de direção no interior dos canais da
capa porosa. Pode ocorrer também quando a partícula passa a uma distância das paredes menor que
o seu raio;
• efeito de difusão, que se baseia no movimento browniano das pequenas partículas, as
quais são jogadas contra as paredes dos canais, sofrendo coagulação.
Vantagens:

• pode ser alcançada eficiência alta

102
• a eficiência e a queda de pressão não são afetadas por variações na concentração

• ar filtrado pode ser recirculado


• material é coletado seco para uso posterior
• não existem problemas de poluição de água
• corrosão, normalmente, não é problema
• permite construção modular.
Desvantagens:

• as presenças de ácidos e/ou altas temperaturas diminuem muito a vida útil


• as mangas para altas temperaturas são muito caras
• alguns pós podem acidentalmente queimar as mangas - Explosão
• manutenção e troca das mangas aumenta custos de operação
Para a limpeza do filtro, são empregadas as seguintes soluções: agitação ou raspagem das
mangas manual ou mecanicamente, após a interrupção da passagem do ar; limpeza das mangas pela
introdução de ar comprimido, em sentido contrário (fluxo reverso)

21.2.5 Precipitadores eletrostáticos

Nestes coletores o ar se ioniza ao ser submetido a uma alta diferença de potencial estabelecida
entre um fio ionizador (carregado negativamente) e uma placa coletora (carregada positivamente).
Devido a elevada tensão, imensa quantidade de elétrons saem do fio e bombardeiam as moléculas de
gás próximas ao mesmo. A potência deste bombardeio forma íons gasosos positivos e negativos. Os
íons se deslocam para os eletrodos de carga oposta aos do fio devido ao intenso campo elétrico
formado. Os íons positivos voltam para o fio negativo e recuperam seus elétrons perdidos; os íons
gasosos negativos se dirigem para o eletrodo ligado à terra, o que faz com que a passagem do gás
fique inundada de íons negativos.
A medida que as partículas de poeira conduzidas pelo gás atravessam as passagens, elas se
chocam com os íons gasosos negativos e assim se carregam negativamente. Como os íons gasosos
são imensamente mais numerosos e muitíssimo menores que as partículas, por menores que elas
sejam, haverá suficientes cargas elétricas para solucionar quase todos os problemas de purificação
de ar com poeiras. As partículas de poeiras carregadas negativamente se dirigem rapidamente às
placas de potência igual à da terra, e ali se prendem, retidas por intensas forças eletrostáticas. Para
que isto aconteça com eficiência, em escala industrial, os contaminantes devem apresentar
propriedades elétricas adequadas.
As partículas de poeira formam sobre os eletrodos uma camada que vai aumentando de
espessura e que vai cada vez mais oferecendo resistência à passagem da carga para o eletrodo terra.

103
Esta resistência da poeira à passagem da corrente denomina-se de “resistividade da poeira”. Os
precipitadores eletrostáticos são comumente classificados em função da diferença de potencial
aplicada para a ionização do ar:

• Precipitadores de baixa tensão: utilizam tensões variando entre 10 e 30 kV, e são


empregados em aplicações comerciais e até mesmo residenciais.

• Precipitadores de alta tensão: operam com tensões acima de 30 kV, indicados para usos
industriais.

Com relação a forma construtiva, cabe observar que o espaçamento entre as placas coletoras é
da ordem de 20 a 30 cm, fazendo com que os precipitadores ocupem grande espaço físico. A
velocidade do ar entre as placas varia entre 1,5 a 3,0 m/s, apresentando como consequência,
pequenas magnitudes de perda de carga. Em aplicações normais, valores da ordem de 98 a 147 Pa
podem ser esperados, o que representa, portanto, cerca de um décimo daqueles encontrados para os
filtros de mangas.

Os precipitadores eletrostáticos apresentam as seguintes vantagens:

• produzem pequena perda de carga;


• facilidade de limpeza por meio de vibração das placas coletoras pela ação de marteletes

mecânicos;
• possibilidade de adaptações de células adicionais;
• vida útil bastante longa e

• são apropriadas para operarem em processos quentes.


Desvantagens:

• custo inicial elevado;


• só serve para material particulado, embora este possa ser muito fino e
• ocupa espaço muito grande.
Apesar do princípio de operação ser bastante simples, os precipitadores eletrostáticos são
equipamentos de construção bastante complexa, exigindo, como é de esperar, o conhecimento
tecnológico por parte dos fabricantes.

104
Bibliografia
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CLEZAR, C. A. & NOGUEIRA, C. R. Ventilação industrial. Florianópolis: Ed. Da UFSC, 1999. 298p.
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LIMA, Endrigo Pino; GERBER, Michel; GERBER, Wagner; et all. Questões Ambientais e Produção
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