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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES


DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
CURSO DE JORNALISMO

Disciplina: Mídia Contra-hegemônica


Período: 2020.2
Docente: Profa. Dra. Maria do Socorro Furtado Veloso
Docente assistido: Alexandre Cunha
Docente assistida: Alice Oliveira de Andrade
Discente: Henrique Mendes e Fernanda Macedo

– AVALIAÇÃO DA UNIDADE II –
ANÁLISE SOBRE JORNALISMO INDEPENDENTE

Como o jornalismo independente pode apontar caminhos para o fortalecimento da função


social da profissão e também da democracia?

Entendendo que o jornalismo atua de forma proeminente na construção do discurso


que norteia o debate na esfera pública comum, sobretudo na atualidade tecnológica
atravessada pela profusão de informações, é possível dizer que houve uma mudança no
discurso social sobretudo no que concerne ao tratamento dispensado pelos veículos de
mídia tradicionais a casos envolvendo violação de direitos humanos. Sob a perspectiva da
promoção dialógica que entendemos ser parte da função social da grande mídia enquanto
usuária de um bem público que é a radiodifusão, o debate em torno das questões públicas
relevantes, talvez não venha historicamente sendo construído de forma educativa, realmente
informativa e, por conseguinte, transformadora. Ao contrário, as herméticas fórmulas
jornalísticas pelas quais a informação é processada tem tornado o discurso da imprensa
hegemônica mais e mais monológico, deixando de propiciar o diálogo que leve a
formulação de novas ideias e da compreensão sobre a totalidade da realidade social.

Em um mundo cujas relações sociais e dinâmicas culturais se dão, em boa parte, por
mediação dos meios de informação e comunicação, é importante refletir sobre um contexto
social e político interpelado a todo o tempo pelas disputas em torno da conquista dos
espaços da hegemonia, do qual o jornalismo é constituintes de uma superestrutura em
disputa.Tanto a análise crítica dos meios quanto as táticas de disputa por sua hegemonia
pressupõem a linguagem e o discurso, num cenário cuja responsabilidade de quem trabalha
coma escrita e a palavra é analisar para compreender e falar para chamar à consciência. Há
então esta relação entre o papel social do jornalismo e a necessidade de resgate do diálogo e
da compreensão na intermediação das relações sociais na contemporaneidade. Neste
contexto, com a comunicação sob o julgo de grandes corporações midiáticas, o fluxo de
notícias é controlado e o discurso moldado de modo a oferecer uma versão una da
realidade, geralmente comprometida com os órgãos de poder. Portanto, é vital empreender
a luta transformadora desse cenário, e nisto reside o papel fundamental do jornalismo
independente.

O Brasil é o país com uma das maiores concentrações da propriedade privada dos
meios de comunicação no mundo e hoje configura-se como pauta essencial da defesa dos
Direitos Humanos as crescentes reinvindicações dos diversos movimentos sociais em
pressão pela regulamentação dos meios de comunicação de modo a promover a pluralidade
e diversidade na mídia brasileira, descentralizando o poderio da comunicação para outros
grupos sociais. Assim, as iniciativas de jornalismo independente aparecem como a
materialização das lutas por um acesso igualitário à comunicação, que prescinde, por sua
vez de outras formas de produção jornalística, que seja colaborativa e com outras formas de
financiamento, que não o do grande empresariado.

Frente à gravidade dessas questões, urge a necessidade de se estabelecer outras


formas de diálogo no campo das mídias, que levem a novas compreensões quanto a
problemáticas essenciais no campo da política, da cidadania, da democracia e tantos outros.
A garantia do acesso democrático à comunicação, nos parece uma via pela qual deve-se
empreender a luta pela ocupação dos espaços de poder.

O jornalismo independente fomenta a promoção de um novo discurso, a ampliação


das vozes, de oferecer os microfones para vozes silenciadas, que têm a possibilidade de
redimensionar o discurso em torno da luta pelos direitos humanos, do tratamento das
questões políticas e do exercício da cidadania no Brasil e no mundo. Se temos no Brasil
pós-golpe um avanço assustador do conservadorismo e a decadência do estético na política,
isso pode estar refletido numa mídia que muito pouco espaço abriu para uma abordagem
dialógica e plural, que fosse transformadora dessa realidade em direção à mediação de
soluções comuns para problemáticas que nos afligem a todos. Nesse sentido, o trabalho
colaborativo entre empresas de comunicação comprometidas com pautas progressistas é
essencial, como é o caso da Agência Pública e seus projetos colaborativos com o The
Intercept Brasil, o WikiLeaks e a revista Piauí, apresentados por Natália Viana na 2ª edição
do Festival 3i.

Indubitavelmente as inovações tecnológicas da virada dos séculos e o advento das


mídias sociais redimensionaram a centralização do poder da circulação da informação,
tirando a exclusividade da produção de conteúdo informativo das mãos das grandes
corporações, com os coletivos de mídia alternativa provocando uma ruptura no ciclo
tradicional pelo qual a notícia era processada e publicitada à sociedade. Inserem-se no
debate público novas formas ideológicas de tratar os dados da realidade, novas vozes
proferem suas ideias no diálogo público.

As minorias, historicamente silenciadas pela mídia tradicional brasileira com seus


valores conservadores, vão à luta por visibilidade, reconhecimento e representatividade
nesse novo campo midiático, servindo-se das facilidades técnicas trazidas pelo
desenvolvimento da tecnologia, chegando, muitas vezes, a conseguir pautar a agenda da
mídia tradicional a discutir suas demandas com o permanente questionamento das formas
de abordagens dos programas de TV e rádio e das matérias dos grandes jornais sobre os
temas concernentes aos direitos humanos, fazendo essas críticas ecoarem amplamente nas
redes sociais.

Forças contra-hegemônicas aparecem durante esses processos. Canais de mídia


alternativa ajudam a lançar luzes sobre outros aspectos da realidade e a refratar o olhar.
Além de denunciar e reivindicar novas atitudes de governos, questionar e apontar direções.

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