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DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO, SOCIAIS E

HUMANAS

MONOGRAFIA

O APOIO PSICOLÓGICO AOS FAMÍLIARES DOS


PACIENTES INTERNADOS COM CANCRO NA
MATERNIDADE DO LOBITO

Estudante: JOAQUINA ARIADE ANTÓNIO CHICOCA

Licenciatura: Psicologia

Opção: Psicologia Clínica e aconselhamento

Orientador: PEDRO HOKA

BENGUELA, 2020
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO, SOCIAIS E
HUMANAS

MONOGRAFIA

O APOIO PSICOLÓGICO AOS FAMÍLIARES DOS


PACIENTES INTERNADOS COM CANCRO NA
MATERNIDADE DO LOBITO

JOAQUINA ARIADE ANTÓNIO CHICOCA

A PRESENTE INVESTIGAÇÃO FOI REALIZADA NO INSTITUTO SUPERIOR


POLITÉCNICO JEAN PIAGET DE BENGUELA EMATERNIDADE DO LOBITO

BENGUELA, 2020

2
PENSAMENTO

“As doenças são os resultados não só dos nossos actos, mas também dos nossos
pensamentos.”

Mahatma Gandhi

3
DEDICATÓRIA

Ao meu Pai (em memoria) e a minha querida Mãe.

4
AGRADECIMENTOS

Quero expressar a minha gratidão a todos aqueles que contribuíram para a


realização deste trabalho;
Ao meu digníssimo orientador, Pedro Hoka, pelo incentivo e disposição
demonstrado em todos os momentos no decorrer a realização deste trabalho;
A direção daMaternidade do Lobito, pelarecepção e colaboração preciosa no
processo deste trabalho;
A minha família por tudo o quanto tem feitopara que me tornasse na pessoa que
hoje sou;
Aos meus amigos, professores e a todos quantos contribuíram directa ou
indirectamente para que este trabalho fosse uma realidade.

A TODOS, O MEU MUITO OBRIGADO

5
LISTAS DE SIGLAS

APA - Associação Americana de Psicologia

CNO - Centro Nacional de Oncologia

EAMC-F - Escala de Ajustamento Mental ao Cancro de um Familiar

INCA - Instituto Nacional de Cancro

SPSS – Statistical Package for Social Science

6
INDICE DE TABELAS

Tabela 1 – Caracterização e quadro clínico da Amostra......................................................................30


Tabela 2: Sinto que não há nada que eu possa fazer para o ajudar.......................................................32
Tabela 3: Sinto que os problemas de saúde do meu familiar nos impedem de fazer planos para o
futuro....................................................................................................................................................32
Tabela 4: Sinto que a vida é sem esperança.........................................................................................33
Tabela 5: Sinto que não posso fazer nada para animar o meu familiar................................................33
Tabela 6: Sinto que não posso fazer nada para alterar as coisas..........................................................33
Tabela 7: Deixei tudo ao cuidado dos médicos....................................................................................34
Tabela 8: Não tenho muita esperança no futuro...................................................................................34
Tabela 9: Eu e o meu familiar temos planos para o futuro...................................................................34
Tabela 10: Sinto-me completamente perdido sem saber o que fazer...................................................35
Tabela 11: Acredito verdadeiramente que o meu familiar vai melhorar..............................................35
Tabela 12: Apetece-me desistir............................................................................................................35
Tabela 13: Sinto que não tenho controlo sobre os acontecimentos......................................................36
Tabela 14: Tento obter o máximo de informação acerca da doença....................................................36
Tabela 15: Penso que o meu estado de espírito pode influenciar muito a saúde do meu familiar........36
Tabela 16: Dou valor às coisas boas que me acontecem......................................................................37
Tabela 17: Tento manter uma atitude muito positiva...........................................................................37
Tabela 18: Tento combater a doença...................................................................................................37
Tabela 19: Acredito que a minha atitude positiva poderá beneficiar a saúde do meu familiar.............38
Tabela 20: Sinto-me muito zangado com o que lhe aconteceu............................................................38
Tabela 21: Não acreditei que ele tinha esta doença..............................................................................38
Tabela 22: Sofro de grande ansiedade por causa disto.........................................................................39
Tabela 23: Tenho dificuldade em acreditar que isto tenha acontecido com ele....................................39
Tabela 24: Estou preocupado que a doença volte a aparecer ou piore.................................................39
Tabela 25: Neste momento, vivo um dia de cada vez..........................................................................39
Tabela 26: O meu familiar teve uma vida boa. O que vier daqui para a frente é bem-vindo...............40
Tabela 27: Tento viver a minha vida como sempre fiz até aqui...........................................................40
Tabela 28: Estou decidido a por tudo isto para trás das costas.............................................................40

7
RESUMO
Tendo em conta as elevadas taxas de incidência de cancro na população, e os impactos que o
diagnóstico de cancro provoca nos pacientes, neste estudo buscou-se evidenciar a importância
da participação dos profissionais da área da Psico-oncologia junto aos familiares dos
pacientes internado com cancro na Maternidade do Lobito. Em relação a temática levantou-se
o seguinte problema de investigação:Que tipo de apoio psicológico recebem os familiares de
pacientes internados com cancro, na Maternidade do Lobito? Com base no problema
científico foram formulados os seguintes objectivos; Geral: Analisar o tipo de apoio psicólogo
aos familiares de pacientes com cancro internados na Maternidade do Lobito. Específicos:
Efectuar uma revisão de Literatura relacionada com o apoio do psicólogo hospitalar aos
familiares de pacientes internados com cancro; descrever como recebem o apoio psicológico
os familiares de pacientes internados com cancro na Maternidade do lobito; Propor estratégias
de prevenção e de intervenção aos familiares de pacientes internados com cancro. Os
resultados obtidos através de uma escala multidimensional, revelam; ligeiros transtornos
psicológicos, podendo estes níveis serem avaliados como preocupantes tendo em conta que
pode evoluir para grave face ao desenrolar do quadro clínico do paciente.

Palavras-chave: Doença oncológica,apoio psicológico, cuidado familiar.

8
ABSTRACT
Taking into account the high rates of cancer incidence in the population, and the impacts that
the diagnosis of cancer has on patients, this study sought to highlight the importance of the
participation of professionals in the field of Psycho-oncology with the relatives of patients
hospitalized with cancer at Maternidade do Lobito. In relation to the theme, the following
research problem arose: What kind of psychological support do family members of patients
hospitalized with cancer receive at Maternidade do Lobito? Based on the scientific problem,
the following objectives were formulated; General: Analyze the type of psychologist support
for family members of cancer patients admitted to Maternidade do Lobito. Specifics: Carry
out a Literature review related to the support of the hospital psychologist to relatives of cancer
patients; describe how psychological support is provided to family members of cancer
patients at Maternidade do Lobito; Propose prevention and intervention strategies to relatives
of cancer patients. The results obtained through a multidimensional scale, reveal; slight
psychological disorders, and these levels can be evaluated as worrying considering that it can
evolve to severe due to the development of the patient's clinical condition.

Keywords: Oncological disease, psychological support, family care.

9
ÍNDICE

INTRODUÇÃO..........................................................................................................................1

CAPÍTULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................5

1.1. Considerações da psicologia no âmbito da saúde...................................................................6


1.1.1. Psicologia da Saúde: uma breve contextualização..........................................................6
1.1.2. Psico-oncologia..............................................................................................................8
1.2. Processo de saúde e doença e aspectos gerais do cancro........................................................9
1.2.1. O processo saúde-doença................................................................................................9
1.2.2. Definição do cancro......................................................................................................10
1.2.3. Prevalência do cancro em Angola.................................................................................11
1.2.4. Diagnóstico e tratamento do cancro..............................................................................11
2.1.1.1. Diagnóstico..................................................................................................11

2.1.1.2. Tratamento..................................................................................................13

1.2.4.1.1. Cirurgia.................................................................................................13

1.2.4.1.2. Radioterapia........................................................................................14

1.2.4.1.3. Quimioterapia.....................................................................................14

1.2.4.1.4. Terapêutica hormonal........................................................................15

1.2.4.1.5. Imunoterapia.......................................................................................15

1.2.4.1.6. Transplante de células estaminais (indiferenciadas)........................16

1.3. Acompanhamento psicológico junto aos familiares de pacientes com cancro......................16


1.4. Consequências psicológicas do cancro no paciente..............................................................18
1.4.1. Impacto da doença oncológica na família.....................................................................19
1.4.2. Função do Psico-oncológico diante do doente oncológico e a sua família....................20
1.5. A Importância do apoio familiar para pacientes com cancro................................................22
1.6. Reacção familiar à doença....................................................................................................23
1.7. A Família e suporte social....................................................................................................23
1.7.1. Factores que interferem no apoio social........................................................................24
1.8. A Familia face à fase terminal..............................................................................................25
CAPÍTULO II - O APOIO PSICOLÓGICO AOS FAMÍLIARES DOS PACIENTES
INTERNADOS COM CANCRO NA MATERNIDADE DO LOBITO..................................27
10
2.1. METODOLOGIA.................................................................................................................28
2.1.1. Tipo de Estudo..............................................................................................................28
2.1.2. Caracterização do Local da Recolha de Dados.............................................................28
2.1.2.1. Maternidade do Lobito................................................................................28

2.1.3. População e Amostra....................................................................................................29


2.1.4. Instrumentos de Investigação........................................................................................29
2.1.5. Procedimentos e Cuidados Éticos.................................................................................30
2.1.6. Tratamento dos Dados..................................................................................................30
2.2. RESULTADOS....................................................................................................................30
2.2.1. Caracterização da Amostra...........................................................................................30
2.2.2. Análise dos Resultados.................................................................................................32
2.2.3. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.............................................................................41
CONCLUSÕES........................................................................................................................43

SUGESTÔES............................................................................................................................44

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS......................................................................................45

ANEXOS..................................................................................................................................50

11
INTRODUÇÃO
Existe um impacto notável, quando e trata de diagnostico de doenças crônicas,
mas quando falamos de cancro podemos afirmar que o impacto no paciente e em toda família
acaba ser bem é maior. A sociedade em que vivemos, o término da vida não é ainda acaba por
não aceitar de bom grado, a questão da morte, quanto menos bem entendido, e
o diagnóstico de uma doença que pode ser terminal dependendo do estágio em que esteja,
pode despertar várias emoções e sensações como, impotência, medo, insegurança, angustia,
etc.
Na perspectiva de Bastos, o cancro é o nome dado a um conjunto de doenças que
tem em comum o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos, podendo
se espalhar para outras partes do corpo.  E todo esse novo universo que é gerado junto ao
diagnostico estende-se a toda família e também ao círculo afectivo do paciente impondo
mudanças e adequações para atender todas as necessidades do diagnosticado.   
A ampliação das vulnerabilidades da doença e seu tratamento que, acabam
por trazer aos pacientes e seus familiares estão muito ligado as condições precárias sociais,
econômicas, culturais,  logo se faz necessário tomar a família do paciente como objecto de
cuidado também,  onde possam aprender a cuidar do enfermo, mas também ser amparada na
perspectiva de uma assistência integral e de qualidade e ter consciência sobre a doença e
tratamento para conversar com o paciente de forma a conforta-lo e tornar o tratamento mais
tranquilo1.    
De acordo com Ceolimapud Farinhas et al., com frequência ocorrem tanto em
pacientes com cancro como em seus familiares problemas de ordem emocional em função da
dificuldade em lidar com o diagnostico. Não raro transtornos psicológicos como depressão e
ansiedade são diagnosticados no paciente em seus familiares em todas as fases do tratamento 2.
Estas consequências se devem porque a palavra cancro adquiriu uma conotação de doença
terrível, sem cura e que termina em morte sofrida. Entretanto apesar das doenças oncológicas
serem na sua maioria, crônicas nem sempre leva a morte devido a modernas medicações e a
tratamentos inovadores.   

1
Cfr.: Margarida BASTOS. Cárcere de Mulheres. Rio de Janeiro. 1997, p. 35
2
GiseliVieceli FARINHAS, Marina WENDLING &Letícia Lovato DELLAZZANA-ZANON. Impacto
psicológico do diagnóstico de câncer na família: um estudo de caso a partir da percepção do cuidador.
v.17. Porto Alegre, 2013.Disponível.em<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S1679494X2013000200009&lng=pt&nrm=iso>. Acessado do dia 20 de Novembro
de 2019.
1
Alguns problemas na estrutura familiar surgem algumas vezes pelos gastos
excessivos do tratamento, desde o diagnostico até o final do tratamento, ou quando a família
decide ocultar o diagnóstico para poupar possíveis discussões e comentários indesejados, e até
mesmo por conta das constantes adaptações.   Logo Sanchez, declara que, existem evidencias
que, a família cuidadora necessita de dois tipos de apoio social, o apoio emocional ou
instrumental (afecto, estima, companhia, aconselhamento) e o apoio diário focado na
orientação de problemas3.
  Em algumas situações, os familiares não são reconhecidos como pessoas
passando por processo doloroso e que precisam de ajuda, apesar do papel fundamental, apoio
e orientação.  Tendo em vista todo o referencial teórico disponível sobre o tema de amparo
para as famílias de paciente com cancro oferecer um apoio psicossocial mostra-se mais
importante, e a criação de serviços específicos para esses pacientes deve ser estruturada de
forma a suprir suas reais necessidades psicossociais. Toda via a Psicologia tem um papel
importante ao intervir nos processos familiares de forma a ajudar na compreensão da doença e
facilitar o processo de tratamento.
Nesta investigação as atenções estão viradas para o apoio psicológico aos
familiares dos pacientes internados com cancro na Maternidade do Lobito, visando às
necessidades psicossociais individuais de cada paciente, evidenciando o quanto o apoio da
família traz melhorias durante os processos terapêuticos, e também alertar os profissionais
da saúde para que possam desenvolver programas para melhorar a qualidade de vida dos
pacientes e de suas famílias durante o tratamento.  
A nossa escolha com relação a este tema deve-se à experiência quotidiana de
pessoas próximas a nós e sobre tudo de algumas pessoas que fomos conhecendo que tinham
familiares diagnosticados com cancro o estado psicológico e emocional deles eram bastante
afectados, visivelmente estressados e com depressão. Dai surgiu a nossa preocupação de
tentar entender o que os psicólogos têm feito neste campo e que informações têm os
familiares dos pacientes com cancro sobre o apoio psicólogo na Maternidade do Lobito, visto
que a maioria tinha como referência a mesma Instituição.

Justificação
A nossa escolha com relação a este tema deve-se àexperiencia quotidiana de
pessoas próximas a nós e sobre tudo de algumas pessoas que fomos conhecendo que tinham
3
Keila de Oliveira Lisboa SANCHEZ et al. Apoio social à família do paciente com câncer: identificando
caminhos e direções. Rev. bras. Enferm.  Brasília, v. 63, n. 2, 2010, p. 290-299.
2
familiares diagnosticados comcancroe o estado psicológico e emocional deles eram bastante
afectados, visivelmente estressados e com depressão. Dai surgiu a nossa preocupação de
tentar entender o que os psicólogos têm feito neste campo que informações têm os familiares
dos pacientes com cancro sobre o apoio psicólogo na Maternidade do Lobito, visto que a
maioria tinha como referência a mesma Instituição.
Uma vez que o número de estudos relacionados com esta temática é limitado e
pouco ainda se sabe acerca de transtorno psicológico aos familiares dos pacientes, é de
máxima importância tentar aprofundar os conhecimentos acerca desta problemática.

Problema de investigação
Tendo em conta o contexto onde se realiza a investigação, é necessário colocar as
seguintes perguntas: A Maternidade do Lobito, dispõem de assistência psicológica para
familiares de pacientes internados com cancro? A partir destas perguntas e da situação
problemática constatada durante o estágio curricular, se define a continuação o seguinte
problema científico:

Que tipo de apoio psicológico recebem os familiares de pacientes internados com


cancro na Maternidade do Lobito?

Objectivos
Objectivo Geral
Analisar o tipo de apoio psicólogo aos familiares de pacientes com cancro
internados na Maternidade do Lobito.

Objectivos Específicos
1. Efectuar uma revisão de Literatura relacionada com o apoio do psicólogo
hospitalar aos familiares de pacientes internados com cancro.
2. Descrever como recebem o apoio psicológico os familiares de pacientes
internados com cancro na Maternidade do lobito.
3. Propor estratégias de prevenção e de intervenção aos familiares de pacientes
internados com cancro.

3
Na presente investigação utilizou-se o paradigma ou modelo quali-quanti tendo
em conta o seu carácter qualitativo e quantitativo. O tipo de estudo que se adopta é
exploratório-descritivo. De um lado, os estudos exploratórios permitem ao investigador
familiarizar-se com o fenómeno pouco estudado e, do outro lado, as pesquisas descritivas têm
como objectivo primordial a descrição das características de uma determinada população ou
fenómeno, além de estabelecer relações entre variáveis.

4
CAPÍTULO I –FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

5
No presente capítulo apresentam-se de forma sucinta os pressupostos teóricos que
fundamentam a pesquisa, a começar pela relação da psicologia no ambito da saúde e, em
seguida, enunciam-se algumas definições de diferentes autores, processo de saúde e doença e
aspectos gerais do cancro; acompanho psicológico juntos aos familiares de paciente com
cancro, e bem com a consequências psicológicas desta relação, a sua importância, reacção
familiar face a doença, também trataremos da família e o suporte social por ultimo do papel
da família face à face terminal.

1.1. Considerações da psicologia no âmbito da saúde


Ao longo da sua história a psicologia no campo na saúde vem desenvolvendo uma
ligação muito forte, constituindo como uma das formas de se compreender o adoecimento e as
maneiras pelas quais o homem pode manter-se saudável. Em um campo não uniforme de
teorias e técnicas, cujas contribuições são oriundas de diferentes áreas ou especialidades, a
psicologia na saúde vem ganhando espaço e importância em âmbitos multi e interdisciplinares
para a compreensão dos vários fenômenos relacionados à saúde e ao adoecimento, bem como
vem propondo intervenções para a melhoria e manutenção do bem-estar humano.
1.1.1. Psicologia da Saúde: uma breve contextualização
Segundo Angerami, entre as várias áreas da Psicologia, está a Psicologia da
Saúde, que pode ser considerada legalmente como um campo recente do conhecimento,
porque apenas nos anos 70, a Psicologia da Saúde é oficialmente considerada uma áreade
acção. Segundo Angerami, a combinação dos termos psicologia e saúde resulta da prática dos
profissionais, das ciências humanas e da saúde na tentativa de proporcionar ao indivíduo bem-
estar físico, mental e social. Segundo o autor, a Psicologia da Saúde é uma prática que
enfatiza a promoção, melhoria e manutenção da saúde e a prevenção e tratamento da doença,
resultante da conexão de contribuições específicas de diversas áreas do conhecimento
psicológico4. De acordo com Straub“o objectivo geral da Psicologia da Saúde é o
aperfeiçoamento da saúde e a prevenção e o tratamento de doenças.”

4
Cfr.:Valdemar Augusto ANGERAMI-CAMON (Org.). “O ressignificado da prática clínica e suas implicações
na realidade da saúde”. In: ANGERAMI-CAMON, Valdemar Augusto (Org.). Psicologia da Saúde: Um novo
significado para a prática clínica. São Paulo: Pioneira, 2002. Cap. 1, p. 7-11
6
Para alcançar este objectivo o autor afirma que o psicólogo deverá atuar para
“identificar fatores psicológicos, comportamentais e sociais da doença, promover e manter a
saúde, prevenir e tratar doenças e melhorar o sistema de saúde e as políticas de saúde5.”
Com relação a essas distinções, os níveis de atenção à saúde são considerados um
marco neste território, a esse respeito, a Psicologia Clínica propõe um amplo trabalho em
saúde mental que atinge os três níveis de ação: primário, secundário e terciário. A psicologia
hospitalar é limitada ao nível secundário e terciário, ou seja, é limitada ao contexto hospitalar.
A Psicologia da Saúde, por sua vez, actua nos três níveis, mas é mais focada no contexto da
saúde, enfatizando as implicações psicológicas, sociais e físicas da saúde e da doença 6. Ainda
vale ressaltar que as definições e atribuições destas áreas da Psicologia apresentadas, não são
consensuais, ou seja, na literatura sobre este assunto pode-se encontrar outras definições sobre
as referidas áreas.
Quanto à formação dos profissionais da Psicologia que trabalham no âmbito da
saúde, Besteiro e Barreto citados por Almeida e Malagris afirmam que:
A formação do psicólogo da saúde deve contemplar conhecimentos sobre: bases
biológicas, sociais e psicológicas da saúde e da doença; avaliação, assessoramento e
intervenção em saúde, políticas e organização de saúde e colaboração
interdisciplinar; temas profissionais, éticos e legais e conhecimentos de metodologia
e pesquisa em saúde. Com relação ao psicólogo da saúde que atua especificamente
em hospitais, é indispensável um bom treinamento em três áreas básicas: clínica,
pesquisa e programação. Com relação à área clínica, o psicólogo deve ser capaz de
realizar avaliações e intervenções psicológicas. Na área de pesquisa e comunicação,
é necessário saber conduzir pesquisas e comunicar informações de cunho
psicológico a outros profissionais. Por fim, quanto à área de programação, o
profissional deve desenvolver habilidades para organizar e administrar programas de
saúde. Com essa formação integrada, é possível melhorar a qualidade da atenção
prestada, garantir que as intervenções implantadas sejam as mais eficazes para cada
caso, diminuir custos e aumentar os conhecimentos sobe o comportamento humano
e suas relações com a saúde e a doença7.

Por sua vez, Alves e Eulálio também comentam as acções e funções do psicólogo
nos níveis de atenção à saúde. No nível primário; o psicólogo trabalhará em centros de saúde,
unidades básicas de saúde, consultórios e em casa, e suas intervenções devem priorizar a
5
Richard STRAUB,A psicologia da saúde hoje e amanhã. In: Richard STRAUB, Psicologia da Saúde. Porto
Alegre: Artmed, 2005. Epílogo. p. 571.
6
Elisa Kern de CASTRO e Ellen BORNHOLDT. “Psicologia da saúde x psicologia hospitalar: definições e
possibilidades de inserção profissional. ” Psicologia Ciência e Profissão, Brasília, v. 24, n. 3, p. 48-57, 2004.
Disponível em:
<Http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932004000300007>.Acessado no dia 21
agosto 2019.
7
Raquel Ayres de ALMEIDA e Lucia Emmanoel Novaes MALAGRIS, A prática da psicologia da saúde.
Revista Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, Rio de Janeiro, v. 14, n. 2; 2011, pp. 183-202.
Disponível em:
Http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582011000200012 Acessado em: 23
agosto 2019.
7
saúde geral e, para atender às demandas nesses locais, o psicólogo deve ter conhecimentos
teóricos e práticos de psicologia. Além de conhecimentos de epidemiologia, antropologia,
saúde pública ou coletiva, políticas sociais, políticas públicas de saúde, indicadores de
desenvolvimento humano8.
No nível secundário, o psicólogo trabalhará em ambulatórios ou centros
especializados e desenvolverá actividades para oferecer aconselhamento e assistência
psicológica, apoio social, psicodiagnóstico e encaminhamentos. No nível terciário, o
psicólogo trabalha em hospitais gerais ou hospitais especializados, auxiliando em problemas
de alta complexidade que não foram resolvidos em níveis anteriores. Familiares, auxiliar o
elenco de saúde, desenvolver e estimular actividades com crianças hospitalizadas e na UTI,
além de actuar em emergências psicológicas em hospitais psiquiátricos. Por todos esses
aspectos mencionados, pode-se dizer que a Psicologia da Saúde:
Considera a dor do paciente como única e que se debruça sobre ela para tentar
compreender sua real dimensão e o modo pelo qual repercute na vida dele. É aquela
psicologia que mais do que tentar explicar o sofrimento do paciente, tenta,
principalmente, compreender este sofrimento articulando-o com a sua realidade de
sua inserção. Uma psicologia ao mesmo tempo clínica, social, hospitalar e
institucional e que, por isso, tenha uma visão mais ampla dos conceitos de saúde.
Uma psicologia que possa entender o homem contemporâneo sem descaracterizar-
lhe em digressões teóricas desprovidas de contexto ou mesmo de compreensão
própria e única9.

Contudo, temos que realçar que, Psicologia da Saúde, se tem instituído como um
importante campo de actuação dos psicólogos, e segundo as renomadas psicólogas Almeida e
Malagris, irá centralizar-se na promoção da saúde e prevenção e tratamento de doenças,
buscando compreender aspectos físicos, sociais psicológicos envolvidos nesse processo.
1.1.2. Psico-oncologia
Para Maruyama e Zago, na maioria dos casos, a doença está relacionada à maneira
como o doente, a família ou sua rede social percebem, experimentam e respondem aos
sintomas e sofrimentos causados pela doença 10. Segundo Caponeroet al. ciitado por Graner,
Junior e Rolim, o câncer é uma doença que leva o indivíduo a sentir desconfortos que causam
8
Railda Fernandes ALVES e Maria do Carmo EULÁLIO. “Abrangência e níveis de aplicação da Psicologia da
Saúde. ” In: ALVES, Railda Fernandes. Psicologia da saúde: teoria, intervenção e pesquisa. Campina Grande:
EDUEPB, 2011. Cap. 2, pp. 65-84.
9
Valdemar Augusto ANGERAMI-CAMON (Org.). “O ressignificado da prática clínica e suas implicações na
realidade da saúde”. In: ANGERAMI-CAMON, Valdemar Augusto (Org.). Psicologia da Saúde: Um novo
significado para a prática clínica. São Paulo: Pioneira, 2002. Cap. 1, p. 11
10
Sônia Ayako Tao MARUYAMA e Márcia Maria Fontão ZAGO. “O processo de adoecer do portador de
colostomia por câncer. ” Revista Latino-América de Enfermagem, Ribeirão Preto, v.13, n. 2, p. 216-222, 2005.
Disponivel em:
< Http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692005000200013>.Acessado no dia 21 de
agosto 2019.
8
impactos emocionais adversos, sendo necessário incentivar estudos que promovam estratégias
de enfrentamento capazes de reduzir a dor e o sofrimento presentes nas diversas etapas. da
doença11.
A Psico-oncologia, tem enfrentado um grande desafiou, sendo esta considera
como um trabalho em equipe multidisciplinar, pois o papel do Psicólogo, muitas vezes não é
reconhecido por parte dos médicos e enfermeiros, que em alguns casos se sentem invadidos
pelos profissionais da psicologia12. Muita das vezes, a presença da Psico-oncologia nos
hospitais é um facto recente e sua função ainda pode ser distorcida e desconhecida pelos
demais profissionais, mas existem hospitais em que a presença do psicólogo é valorizada e
requisitada pela instituição13, 14.
1.2. Processo de saúde e doença e aspectos gerais do cancro
O processo saúde e doença é muita das vezes entendido como o conjunto de
relações e variáveis que produz e condiciona o estado de saúde e doença de uma população, e
que acaba por se modifica nos diversos momentos históricos do desenvolvimento científico da
humanidade. O processo saúde e doença, conceito do cancro e sua prevalência em Angola,
tratamento e diagnostico, serem itens a serem tratados nesta sessão.
1.2.1. O processo saúde-doença
Backeset al., apontam que a vida humana pode ser considerada marcada com o
auxílio do procedimento de condicionamento físico, expresso através de relatos subjetivos de
todas as preocupações, para que as frases sejam inadequadas para traduzir esses relatos 15.
Nessa experiência, é essencial destacar que a saúde e a desordem não dependem mais apenas
de elementos biológicos ou naturais; a subjetividade é um elemento que também influencia a
11
Karen Mendes GRANER, Aderson Luiz Costa JUNIOR e Gustavo Sattolo ROLIM. “Dor em oncologia:
intervenções complementares e alternativas ao tratamento medicamentoso. ” Temas em Psicologia, Ribeirão
Preto, v. 18, n. 2, p. 352, 2010. Disponível em:
<Http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2010000200009>.Acessado no dia 21
de agosto 2019
12
Vicente Augusto de. et al. e CARVALHO (Org.). “Temas em psico-oncologia. ” São Paulo: Summus, 2008.
13
Maria Margarida CARVALHO. “Psico-oncologia: história, características e desafios. ” Psicologia USP, São
Paulo, v. 13, n. 1, p. 151-166, 2002.
Disponível-em: <http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S010365642002000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>.Acessado no dia 22 de agosto
2019.
14
Áderson Costa JUNIOR. “O desenvolvimento da psico-oncologia: implicações para a pesquisa e intervenção
profissional em saúde. ” Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 21, n. 2, p. 36-43, 2001. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932001000200005>.Acesso em: 27 ago.
2019.
15
Marli Terezinha Stein BACKES, Luciana Martins ROSA, Gisele Cristina Manfrini FERNANDES, Sandra
Greice BECKER, Betina Horner Schlindwein MEIRELLES e Sílvia Maria de Azevedo SANTOS. “Conceitos
de saúde e doença ao longo da história sob o olhar epidemiológico e antropológico. ” Revista Enfermagem
Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, v.17, n. 1, p. 112-117, 2009. Disponível em:
<http://www.facenf.uerj.br/v17n1/v17n1a21.pdf.>.Acessado no dia 17 de agosto 2019.
9
fabricação da saúde. Como resultado, o movimento simultâneo desses factores no processo de
doença é diagnosticado, com base em que é muito impossível pensar em subjetividade sem
uma base biológica, sobre a qual o sujeito real é constituído 16. Por um longo tempo, a doença
se transformou em considerada insalubre e saúde como nenhuma doença. no entanto, essa
visão esbelta, que geralmente é significativa na experiência comum, foi criticada.
historicamente, uma evolução dos princípios da saúde e da doença pode ser evidenciada.
Além disso, essa tentativa de localizar razões e motivos sobre condicionamento
físico e doença promoveu novas pesquisas e bases teóricas nesse tema. A respeito disso, a
definição de saúde mais utilizada nos últimos tempos é da Organização Mundial de Saúde –
OMS17, que aponta a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e
não meramente a ausência de doença ou enfermidade”, esta conceituação vem confirmar a
necessidade de pensar o ser humano como biopsicossocial, de modo a ver a saúde como o
resultado da combinação de características biológicas, factores comportamentais, fatores
sociológicos e condições sociais, diferentemente do modelo biomédico18.
1.2.2. Definição do cancro
De acordo com o Instituto Nacional de Cancro José Alencar Gomes da Silva –
INCA, “o cancro é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o
crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo
espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo19.”
A doença pode ser classificada em dois estágios, sendo eles: o carcinoma in situ
também conhecido por câncer não invasivo e o câncer invasivo. No primeiro estágio (câncer
não invasivo), as células se apresentam apenas na camada do tecido no qual se
desenvolveram, não havendo se espalhado para outras camadas do órgão acometido, este tipo
de câncer na maioria dos casos pode ser curável se houver o tratamento antes da progressão
para o segundo estágio. O cancro invasivo acontece quando as células cancerosas invadem
outras camadas celulares do órgão se expandindo para a corrente sanguínea ou linfática, a

16
Gastão Wagner de Souza CAMPOS. “Clínica e saúde coletiva compartilhadas: teoria paidéia e reformulação
ampliada do trabalho em saúde. ” In: Minayo C, et al., organizadores. Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo:
Hucitec; 2006. p.41-79.
17
Conceito de Saúde segundo OMS / WHO. “Organização Mundial de Saúde. ” 04 de Março de 2016.
Disponível em: <http://cemi.com.pt/2016/03/04/conceito-de-saudesegundooms-who/>.Acessado no dia 18
agosto 2019
18
Wilze Laura BRUSCATO, Carmem BENEDITTI e Sandra Ribeiro de Almeida LOPES. O trabalho em equipe
multiprofissional na saúde. In: Wilze Laura BRUSCATO, Carmem BENEDITTI e Sandra Ribeiro de Almeida
LOPES. “A prática da Psicologia Hospitalar na Santa Casa de São Paulo”: novas páginas em uma antiga
história. 2 ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010. Cap. 2, p. 33-42
19
Cfr.:INCA. Instituto nacional do câncer José Alencar Gomes da Silva. Rio de Janeiro: INCA, 2017. Disponível
em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home>. Acessado no dia 27 de agosto 2019.
10
partir desta expansão tais células se disseminam para outras partes do corpo, possibilitando a
produção de novos tumores a partir de um já existente, este fenômeno de disseminação e
produção de novos tumores é conhecido como metástases20.
De acordo com as informações do INCA, as causas do cancro possuem origens
variadas, podendo ser externas (relacionadas ao meio ambiente e aos hábitos e costumes) ou
internas ao organismo (geneticamente predeterminadas) que está relacionada a capacidade
do organismo em se defender de agressões externas, estando ambas as causas inter-
relacionadas.
As estratégias de detecção precoce do cancro segundo INCA, aumentam a
possibilidade de cura para alguns tipos da doença, podendo reduzir a morbidade consequente
do cancro e de seu tratamento. Para a detecção da doença é necessário que haja um
diagnóstico que inclua a avaliação sobre a extensão do comprometimento do órgão.
1.2.3. Prevalência do cancro em Angola
É certo que o conhecimento do perfil epidemiológico do cancro constitui um
passo fundamental para o planeamento da política nacional em relação ao cancro.
Segundo um estudo realizado em Angola que, teve como objectivo a
caracterização do perfil epidemiológico do cancro em Angola, com base nos casos de cancro
registados no Centro Nacional de Oncologia (CNO) de Luanda, o único hospital angolano
especializado no diagnóstico e tratamento desta doença. O mesmo estudo consistiu numa
análise histórica transversal dos casos tratados no CNO entre 2007 e 2011. NA qual foram
analisadas as seguintes variáveis: localização dos tumores, bases de diagnóstico e fontes de
encaminhamento, bem como a idade, o sexo, o local de residência e o estádio da doença dos
pacientes. O CNO registou um total de 4 791 doentes durante o período em que decorreu o
estudo, com uma média de 958 casos ao ano21.
1.2.4. Diagnóstico e tratamento do cancro

2.1.1.1. Diagnóstico

Consistente com Miyazaki, Domingos e Valerio, a doença do câncer é uma


patologia complicada cujo prognóstico depende intrinsecamente do nível em que são
identificadas as milhas. Os autores auxiliam na ideia de que quanto mais cedo a doença for
detectada, maior a probabilidade de ser tratada e com muito menos efeito no paciente. dentro
IDEM,ABC do câncer: abordagens básicas para o controle do câncer. ” 2. ed. Rio de Janeiro: Inca, 2011.
20

21
António ARMANDO, Mary Clarisse BOZZETTI1, Alice de Medeiros ZELMANOWICZ e Fernando,
MIGUEL, A epidemiologia do cancro em Angola. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Brasil, 2011.
11
do que se segue, podemos adotar um método faseado para a análise, com base totalmente na
perspectiva dos autores acima mencionados.
O distúrbio pode ser identificado precocemente, enquanto o paciente não
apresenta sinais ou sintomas na triagem preventiva diária, diagnóstico precoce ou na presença
de qualquer suspeita de um ou mais sinais e sintomas.
a) Diagnóstico Precoce
A análise inicial é crucial para descobrir a maioria dos pacientes com cancro no
nível inicial, melhorando bastante o cumprimento de seu remédio e minimizando o impacto
na existência do paciente.
As recomendações subsequentes para a análise inicial particularmente o tipo de
verificação a ser concluída, o início das avaliações e sua regularidade consiste em factores que
incluem idade, histórico científico, registros familiares, comportamentos de risco, entre
outros.
Alguns testes de diagnóstico precoce também podem representar um risco para o
paciente, o que inclui publicidade à radiação ionizante em imagens ou estratégias invasivas,
inclusive a colonoscopia, para que, antes de qualquer sintoma ele ou ela seja avaliado.
Existem vários exames de diagnóstico precoce disponível para alguns tipos de
cancro, como por exemplo: a mamografia para o cancro da mama, o exame de papanicolau
para o cancro do colo do útero, o doseamento do PSA para o cancro da próstata, a TAC
torácica de baixa dosagem para diagnóstico precoce de cancro do pulmão em fumadores, ou
a colonoscopia para diagnosticar precocemente o cancro do colón e reto.
Os exames ao sangue e urina, os exames de imagem como a ecografia, o raio-
X, a tomografia axial computorizada, a ressonância magnética por exemplo, são igualmente
utilizados.
Não devem ser feitas análises a marcadores tumorais em indivíduos sem sintomas
sugestivos de doenças oncológicas.

b) Diagnóstico de cancro
Num doente com sinais ou sintomas que sugerem estarmos perante um cancro, o
mesmo deve ser alvo de observação médica imediata, sendo colhida a sua história clínica e
solicitados os exames complementares que se afigurem pertinentes para cada caso em
concreto.

12
Os exames complementares podem auxiliar o diagnóstico clínico, contudo, a
única forma inequívoca de determinar se uma pessoa tem cancro é através da avaliação ao
microscópio de células colhidas através de uma biópsia, pela Anatomia Patológica.
É muito importante estar atento a eventuais sintomas e falar com o seu médico
assistente caso os mesmos se apresentem. O médico saberá avaliar a pertinência dos mesmos
e orientar para diagnóstico.

Quanto mais cedo for detectada uma doença oncológica, maior a probabilidade de
sucesso do seu tratamento e com menor impacto na vida do doente22.

O plano de tratamento depende, essencialmente, do estádio da doença e do tipo de


tratamento a efectuar e do estádio da doença.

2.1.1.2. Tratamento
A maioria dos casos, alguns planos de tratamento incluído; cirurgia, radioterapia
ou quimioterapia. Alguns envolvem terapêutica hormonal ou biológica. Adicionalmente, pode
ser usado o transplante de células estaminais (indiferenciadas), para que o doente possa
receber doses muito elevadas de quimioterapia ou radioterapia.
Alguns tipos de cancros respondem melhor a um só tipo de tratamento, enquanto
outros podem responder melhor a uma associação de medicamentos ou modalidades de
tratamento. Para este subtema iremos destacar seis (6) tipos diferentes de tratamento para o
cancro, tais como; cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapêutica hormonal, imunoterapia
etransplante de células estaminais.

1.2.4.1.1. Cirurgia
O cirurgião, na maioria dos casos começa com remoção do tumor e algum tecido
em volta. Ao remover o tecido circundando, que esteja livre de células tumorais, pode ajudar
a prevenir que o tumor volte a crescer. O cirurgião pode, também, remover alguns gânglios
linfáticos localizados na região do tumor: gânglios linfáticos regionais.
Os efeitos secundários da cirurgia dependem, essencialmente, do tamanho e
localização do tumor, bem como do tipo de operação. O tempo necessário para a recuperação
é diferente, de pessoa para pessoa. É normal sentir-se cansado ou fraco, durante algum tempo.

Maria Cristina de Oliveira Santos MIYAZAKI, Neide Aparecida Micelli DOMINGOS &Nelson Iguimar
22

VALERIO,Psicologia da saúde: pesquisa e prática. São José do Rio Preto, SP: THS Arantes, 2006, pp. 45 – 50.
13
1.2.4.1.2. Radioterapia

A radioterapia usa raios de elevada energia, para matar as células cancerígenas. O


médico usa vários tipos de radioterapia.
Em determinadas situações, pode ser administrada uma combinação de diferentes
tratamentos com radioterapia:
Radiação externa: a radiação provém de uma máquina emissora. Para este
tratamento, a maioria das pessoas vai ao hospital ou clínica. Geralmente, os tratamentos são
realizados durante 5 dias por semana, durante várias semanas.
Radiação interna (radiação por implante ou braquiterapia): a radiação
provém de material radioactivo contido em sementes, agulhas ou finos tubos de plástico, e
que são colocados directamente no local do tumor ou perto. Para fazer radiação por implante,
o doente fica, regra geral, internado no hospital. Os implantes permanecem no local durante
vários dias; são retirados antes de ir para casa.
Radiação sistémica: a radiação provém de um líquido, ou de cápsulas, contendo
material radioactivo, que circula em todo o organismo. A pessoa engole o líquido, ou as
cápsulas ou, em alternativa, é-lhe administrada uma injecção. Este tipo de radiação, pode ser
usada para tratar o tumor ou, por outro lado, para controlar a dor provocada pela metastização
do cancro, por exemplo para os ossos. Actualmente, só alguns tipos de cancro são tratados
desta forma.
1.2.4.1.3. Quimioterapia

Muita das vezes, a quimioterapia consiste na utilização de fármacos, para matar as


células cancerígenas. Ela pode ser constituída apenas por um fármaco, ou por uma associação
de fármacos. Os fármacos podem ser administrados oralmente, sob a forma de comprimidos,
ou através de uma injecção intravenosa (i.v.), na veia. Em qualquer das situações, os fármacos
entram na corrente sanguínea e circulam por todo o organismo - terapêutica sistémica.
A quimioterapia é, geralmente, administrada por ciclos de tratamento, repetidos de
acordo com uma regularidade específica, de situação para situação. O tratamento pode ser
feito durante um ou mais dias; existe, depois, um período de descanso, para recuperação, que
pode ser de vários dias ou mesmo semanas, antes de fazer a próxima sessão de tratamento.
Células dos cabelos ou pelos: a quimioterapia pode provocar a queda do cabelo e
pêlos do corpo; no entanto, este efeito é reversível e o cabelo volta a crescer, embora o cabelo
novo possa apresentar cor e "textura" diferentes.

14
Células do aparelho digestivo: a quimioterapia pode causar falta de apetite,
náuseas e vómitos, diarreia e feridas na boca e/ou lábios; muitos destes efeitos secundários
podem ser controlados com a administração de medicamentos específicos.

1.2.4.1.4. Terapêutica hormonal

A terapêutica hormonal impede que as células cancerígenas "tenham acesso" às


hormonas naturais do nosso organismo, das quais necessitam para se desenvolverem. Se os
testes laboratoriais demonstrarem que o cancro tem receptores hormonais, ou seja, que é
"positivo para os receptores hormonais", a pessoa poderá receber terapêutica hormonal. Tal
como a quimioterapia, a terapêutica hormonal também pode afectar as células de todo o
organismo, pois tem actividade sistémica.
Por outro lado, as terapêuticas hormonais são utilizadas medicamentos; por outro
lado, pode obter-se o mesmo efeito recorrendo a uma cirurgia.
Os efeitos secundários da terapêutica hormonal dependem, principalmente, do
próprio fármaco ou do tipo de tratamento. Estes efeitos podem incluir aumento de peso,
afrontamentos, náuseas e alterações da fertilidade. Nas mulheres, a terapêutica hormonal pode
provocar paragem dos períodos menstruais ou torná-los irregulares e pode provocar efeitos
semelhantes à menopausa, com afrontamentos e possível corrimento vaginal. Algumas
mulheres podem, ainda, sentir dor de cabeça, fadiga, náuseas e/ou vómitos, secura vaginal ou
comichão, irritação da pele em volta da vagina e erupção cutânea. Nos homens, a terapêutica
hormonal pode causar impotência, perda do desejo sexual e crescimento ou sensibilidade das
mamas.
1.2.4.1.5. Imunoterapia

A imunoterapia, também conhecida como terapia biológica, utiliza a capacidade


natural do corpo de combater o câncer através do sistema. Por exemplo, em alguns pacientes
com câncer de bexiga, uma solução de BCG é administrada após a cirurgia; O médico coloca
essa solução na bexiga usando um cateter. A solução contém bactérias vivas "enfraquecidas"
que estimulam o sistema imunológico a matar células cancerígenas.
A administração por via endovenosa é na maioria dos tratamentos o mais usado
com imunoterapia: a terapêutica biológica circula através da corrente sanguínea, ou seja, de
forma sistémica; normalmente, é administrada no consultório médico, na clínica ou no
hospital, em regime ambulatório (sem necessidade de haver internamento).

15
A terapêutica biológica pode, no entanto, causar efeitos secundários mais graves,
como alterações da tensão arterial, problemas respiratórios e, por vezes, problemas cardíacos.
1.2.4.1.6. Transplante de células estaminais (indiferenciadas)

A transplante de células percursoras das células do sangue que na sua maioria


ainda imaturas e indiferenciadas, permite que a pessoa com cancro receba altas doses de
quimioterapia, radiação ou ambas. Estas doses elevadas, destroem tanto as células
cancerígenas como as células normais do sangue, da medula óssea.
Em seguida, o doente recebe células percursoras das células do sangue saudáveis,
através de um tubo flexível, colocado numa veia grande: novas células do sangue vão
desenvolver-se a partir das células estaminais transplantadas. As células estaminais podem
ser colhidas do próprio doente, antes do tratamento com altas doses, ou podem provir de outra
pessoa. Neste caso, a pessoa é internada no hospital, para fazer o tratamento.
Os efeitos secundários da terapêutica com altas doses, bem como o transplante de
células estaminais, incluem infecções e perda de sangue. Adicionalmente, em pessoas que
recebam células estaminais de um dador, pode haver rejeição, chamando-se "doença do
enxerto versus o hospedeiro" (GVHD)23.
1.3. Acompanhamento psicológico junto aos familiares de pacientes com
cancro
Apesar de todo os avanços da medicina e tecnológica da humanidade, junto ao
diagnóstico e tratamento das neoplasias, a descoberta do paciente face a patologia, tem gerido
que o mesmo paciente e seus familiares experimentam uma enxurrada de sentimentos e
pensamentos paradigmáticos, com relação a magnitude da doença. Por tratar-se de uma
doença acompanhada de muitos estigmas e que, no passado, por não existirem tratamentos
eficazes, o sujeito sabia estar recebendo sua sentença de morte, ainda hoje, mesmo sendo
considerada uma doença crônica em muitos casos, a possibilidade da morte assombra o
paciente e seus familiares ao longo do percurso24. Foi preciso deixar o modelo biomédico
(mecanicista tradicional) e buscar entender os factores, biológicos e sociais, implicados na
gênese e nos diferentes tipos de tratamento do câncer, os aspectos psicológicos envolvidos

23
Júlia Dias Santana MALTA, Virgínia Torre SCHALL & Celina Maria MODENA,O momento do diagnóstico
e as dificuldades encontradas pelos oncologistas pediátricos no tratamento do câncer em Belo Horizonte .
Revista Brasileira de Cancerologia, Belo Horizonte, v. 55, n. 1, 2009, pP. 33-39.
24
Áderson Costa JUNIOR, O desenvolvimento da psico-oncologia: implicações para a pesquisa e intervenção
profissional em saúde. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 21, n. 2, 2001, Pp. 36-43. Disponível em:
<Http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932001000200005>.
Acessado no dia 27 agosto 2019.
16
tanto na remissão quanto na recidiva e, atuação dos familiares e profissionais da saúde sobre
este doente e o curso de sua patologia25.
Actualmente com a administração e combinação de quimioterapia, radioterapia e
outros medicamentos fornecidos de diversas formas, é existente a cura de vários tipos de
cancros. Mesmo quando não haja uma mínima perspectiva de cura, é possível que o paciente
conviva com a doença por anos mantendo a qualidade de vida 26. Apesar de toda a informação
que se tem sobre as neoplasias, conhecimentos médicos e tecnologia, o diagnóstico e
tratamento do câncer ainda causam muito sofrimento físico e psíquico, afectando todos os
membros da família, em diferentes níveis. O psiquismo influencia a saúde e a doença do
sujeito, assim, sua postura diante das situações e formas de tratamento são determinantes para
os resultados, sendo eles positivos ou negativos27. A família sobre as decisões dos pacientes
antes mesmo deste saber seu diagnóstico, observando e avaliando os sintomas apresentados.
Muitas vezes é o familiar quem vai surgir com a ideia de uma consulta médica ou intervir,
ajudando a tomada de decisão diante de outra conduta, quando esta se fizer necessária. Ao ser
comunicada de que um membro se encontra com cancro, a família sofre um desequilíbrio
emocional. Cada pessoa da família vivenciará e perceberá a situação do câncer de formas
distintas, uma vez, que o ser humano é dotado de subjetividade e que esta influência
diretamente sua maneira de compreender o mundo a sua volta. Ceolin, aponta alguns aspectos
como o grau de parentesco e proximidade com o doente que tendem também a ter relevância
acerca do entendimento da gravidade frente ao diagnóstico do câncer. Na avaliação
psicológica do grupo familiar do paciente diagnosticado com cancro, é fundamental que o
psico-oncologista atente para a reação do mesmo na fase pré-diagnostica28.
A união tem sido o grande factor de superação, perante os familiares dos pacientes
diagnosticados ou dos sintomas prévios apresentados, e o amparo científico por parte dos
profissionais da psicologia a interpretar os padrões que predominarão o curso do tratamento,
assim como, os mecanismos de enfrentamento utilizados pelos membros do grupo, segundo
Franco29. Grandes mudanças são vistas perante ao grupo familiar visto que, ao enfrentar uma
situação de doença em seu seio acaba unindo (na maioria dos casos), os indivíduos
25
Carmen Maria Bueno NEME. Psico-oncologia: caminhos, resultados e desafios da prática. In: Neme, C. M. B
(Org.). Psico-oncologia: caminhos e perspectivas. São Paulo: Summus. 2010.
26
, Vicente Augusto de. et al. CARVALHO (Org.). Temas em psico-oncologia. São Paulo: Summus, 2008
27
Richard STRAUB. “A psicologia da saúde hoje e amanhã. ” In: Richard STRAUB. Psicologia da Saúde. Porto
Alegre: Artmed, 2005. Epílogo. p. 571.
28
Silvana CEOLIN. A família frente ao diagnóstico do câncer. In: HART, Carla Fabiane Mayer. Câncer: uma
abordagem psicológica. Porto Alegre: AGE. 2008, pp. 118-128.
29
Maria Helena Pereira FRANCO,A família em psico-oncologia. In: Carvalho, V. A. et al. (Orgs.). Temas em
psico-oncologia. São Paulo: Summus. 2008, p. 358-361.
17
envolvidos. Desta união, algumas alterações ou rotina de escala são elaboradas, como a
adaptação de horários para acompanhar o paciente às consultas ao médico, às sessões de
radioterapia ou quimioterapia ou em internação hospitalar.

1.4. Consequências psicológicas do cancro no paciente


Schulz &Schwarzer, abordam às consequências psicológicas do diagnóstico e
evolução de um cancro, estas são inúmeras, e não se restringem apenas ao paciente, mas
também afectam os seus familiares mais significativos 30. Por outro lado, Ribeiro,
conceptualiza que estas consequências podem ser influenciadas por algumas variáveis como,
o tipo de cancro, as expectativas de sobrevivência do paciente, a maior ou menor
agressividade dos processos terapêuticos, alterações na imagem corporal, características de
personalidade (e.g. tipo C), entre outras 31. Com relaccão a este último aspecto, num estudo
prospectivo realizado por JensenapudTacon, com mulheres com cancro da mama, o mesmo
investigador concluiu que as mulheres com um estilo de coping repressivo e expressões
emocionais reduzidas, apresentavam resultados menores em termos de longevidade32.
De acordo com White e Macleod, debatem que pacientes com cancro
aparentemente expressam como principais consequências psicológicas, depressão, ansiedade e
perturbações neuropsiquiátricos33. Relactivamente a estas últimas, Spijker, Trijsburg e
Duivenvoorden, referem que as perturbações que os pacientes com cancro evidenciam, não
diferem significativamente quando comparados com pessoas sem doença oncológica, sendo
que taxa de patologia psiquiátrica é maior neste última que nos pacientes com cancro,
exceptuando a depressão34.
É importante salientar que ao longo do processo mórbido, os pacientes tendem a
experienciar várias consequências, sendo a ansiedade mais frequente em situações de
avaliação e diagnóstico, ao passo que os processos depressivos se desenvolvem mais quando
o paciente conclui o tratamento e volta a integrar nas actividade quotidianas

30
Ute SCHULZ &Ralf SCHWARZER,Long-term effects of spousal support on coping with cancer after
surgery. Social Support: 2003, pp. 1-20.
31
Jose Pais RIBEIRO,Psicologia da Saúde. Lisboa: ISPA, 1998.
32
Anna Maria TACON, Meditation as a complementary therapy in cancer. Family and Community Health, Vol.
26 (1): 2003, pp. 64-74.
33
Christopher AlanWHITE & Una MACLEOD, ABC of psychological medicine: Cancer. BMJ, Vol. 200, 2009,
pp 377-380.
34
Rene SPIJKER, RutgerTRIJSBURG & H.J. DUIVENVOORDEN,Psychological sequelae of cancer diagnosis:
a meta-analytical review of 58 studies after 1980. Psychosomatic Medicine, Vol 59 (3): 1997, pp. 280-293.
18
1.4.1. Impacto da doença oncológica na família
O suporte familiar representa um alicerce enorme com crucial relevância no apoio
ao doente com necessidades acrescidas, nomeadamente na fase de doença avançada, incurável
e progressiva, citando Neto35:
as situações de doença grave representam habitualmente uma crise e a família
experimenta, tal como o doente, um período de incertezas e de adaptação às
dificuldades percebidas e vividas.

Marques, citado por Moreira, defende que a adaptação da família à doença


contempla 4 etapas36:
1.º. A família enfrenta a realidade, desenvolve diversas respostas as
quais podem ser reagrupadas em cinco fases: de impacto,
desorganização funcional, procura de uma explicação, pressão social e
de perturbações emocionais.
2.º. Reorganização durante o período pré-morte. Com a cessação
das funções habituais do doente e a necessidade de prestar cuidados, a
família vê-se confrontada com a necessidade de redistribuir os papéis
e reorganizar as memórias.
3.º. A perda. A família vive a perda e a solidão da separação.
Segue-se o processo de luto que pode ser influenciado por sentimentos
de culpabilidade e pelos limites da sua própria capacidade de suporte.
4.º. Restabelecimento, na adaptação da família à situação e na
expansão da rede social. Esta etapa desenvolve-se depois de concluído
o luto com sucesso.
Augusto, citando Sorensan e Luckman, refere que quando um membro de uma
família adoece ou é diagnosticado com cancro, o envolvimento familiar é tão sincero e
humano que, na maioria das vezes acabar por transformar-se na doença da família, que irá
desencadear sentimentos de depressão, ansiedade, frustração e exaustão na mesma37. O
diagnóstico de doença oncológica no seio de uma família provoca um conjunto de mudanças e
alterações quer nas rotinas, regras e rituais familiares, quer na redistribuição de papéis e
acréscimo de novas responsabilidades38. Embora só um dos membros da família tenha uma
doença oncológica e se encontre em fim de vida, toda a família é afectada. A família poderá
sentir a tentação de suprimir as suas próprias necessidades em prol das necessidades do seu

35
Isabel Galriça NETO,Modelos de Controlo Sintomático. In A, Barbosa & I:G:,Neto (Eds.). Manual de
Cuidados Paliativos (2ª Ed.). Lisboa: Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. 2010, pp. 61-68.
36
Cfr.: Isabel Maria Pinheiro Borges. MOREIRA,O Doente Terminal em Contexto Familiar: uma análise da
experiência de cuidar vivenciada pela família (2ªed.) Coimbra: Formasau, 2006.
37
Berta AUGUSTO,Cuidados continuados – Família, centro de saúde e hospital como parceiros do cuidar.
Coimbra: Formasau. 2002, p. 42.
38
Maria daGraçaPEREIRA &Cristiana LOPES,O doente oncológico e a sua família. Lisboa: Climepsi. 2002.
19
familiar. É nesta senda que, é necessário encontrar um equilíbrio para que as necessidades de
todos sejam satisfeitas.
Sancho e Martín, referem certas necessidades familiares que tem ajudado ambas
as partes ultrapassarem ou a lidarem melhor com esta fase: informação clara, concisa realista
e honesta; certificar-se que faz tudo pelo doente; disponibilidade e apoio emocional da
equipa; estar com o doente com intimidade e privacidade; participar nos cuidados; reparar a
relação; expressar sentimentos; conservar a esperança; apoio espiritual39.
Para uma resposta mais adequada e a altura por parte dos enfermeiros possam face
às necessidades da família que cuida do doente em fim de vida, o enfermeiro em primeiro tem
que considerar que o doente e a família dispõem de recursos próprios que têm que ser
valorizados e potenciados.
Segundo Moreira, o equilíbrio ou a tranquilidade da unidade familiar é quebrada
perante ao agravamento da doença, resultando em uma mudança global e qualitativa do
sistema e considera que “a doença de um dos membros vai converter-se em doença familiar e
todos sentirão a influência negativa do sofrimento e da dor”, conforme mencionado
anteriormente40.
Tomar conta ou cuidar de um familiar que se encontra doente pode ser muito
gratificante, por outro anglo também é visto emocionalmente como desgastante. Portanto,
para conseguir cuidar do seu familiar não se pode esquecer de cuidar de si próprio.
1.4.2. Função do Psico-oncológico diante do doente
oncológico e a sua família
O diagnóstico de cancro arrasta consigo um conjunto de dúvidas, mitos e mesmo
medo, não só para o paciente directamente, como também para familiares e amigos, razão
pela qual a intervenção de cariz psicológico com o doente oncológico se deve alargar a outros
sistemas de interacção. Uma das primeiras reacções ao diagnóstico de cancro é a
incredulidade, seguida de sentimentos de negação, raiva, ansiedade e culpa.
Segundo a Y-Me National BreastCancerOrganization, a doença é por vezes
experienciada como real pelo doente apenas quando este é submetido aos tratamentos e os
efeitos secundários se começam a evidenciar41. Neste contexto, Venâncio rebate que, o
psicólogo tem um grande potencial interventivo, desde que o mesmo disponha de formação e
conhecimento na área. Vários artigos têm apontado para a influência positiva de uma
39
Cfr.:Marcos Gómez SANCHO &Marcos Gómez MARTÍN,Cuidados Paliativos: Control de Sintomas. (s.l.):
Laboratórios VIATRIS, 2003.
40
Isabel Maria Pinheiro Borges MOREIRA,op. cit., 2001.
41
Y-Me National Breast Cancer organization. Every Woman’s Guide to Breast Cancer. Chicago.
20
intervenção psicológica na melhoria do funcionamento psicológico ou emocional e biológico,
e na adopção de comportamentos pró-saúde42. Uma intervenção o mais precoce possível
dirigida ao doente e cuidador é fundamental na prevenção do stress psicológico segundo
Hodges, Humphris&MacFarlane.
No entanto, isto implica a realização de uma avaliação rigorosa, particularmente
quanto aos estados emocionais do paciente uma vez que frequentemente os pacientes
apresentam índices de stress elevados, mas nem sempre reconhecidos pelos profissionais de
saúde que prestam cuidados43. Aliás, um estudo realizado por Söllner, DeVries, Steixner,
Lukas, Sprinzl, Rumpoldet al., conclui que os médicos oncologistas revelam uma
incapacidade em determinar quando os seus pacientes necessitam de apoio para lidar com o
stress44. Uma das principais tarefas do psicólogo que trabalhe no contexto da doença
oncológica consiste em apoiar o doente a lidar com as mudanças habitualmente associadas ao
cancro e seus tratamentos. Para além disso, prevenir e atenuar os sintomas físicos e
emocionais relacionados com o tratamento, trabalhar a atribuição de novos significados ao
processo que o acomete ou ainda, identificar, debelar e erradicar sintomatologia psiquiátrica.
Venâncio, mais uma vez entra em acção ao afirmar que a intervenção do
psicólogo não se restringe apenas ao período de tratamento médico dado que existem algumas
sequelas emocionais que perduram por longos anos, podendo a sua recuperação ser mais
morosa que a física.
A um papel fundamental, isto é a reconstrução da auto-imagem do paciente,
caberá ao psicólogo. Segundo o APA Help Center, a família é igualmente um alvo de
intervenção necessário, uma vez que também se vê emocionalmente afectada pelo diagnóstico
de cancro. O trabalho poderá passar por incentivar vínculos, potenciar a comunicação e
promover o seu envolvimento nas tomadas de decisão do paciente. Segundo um estudo
realizado por Edwards & Clarke, as famílias que se apresentam como mais abertas, que
frequentemente expressam os seus sentimentos sem receio e se empenham activamente na
resolução dos problemas apresentam níveis mais reduzidos de depressão 45. É importante ter

42
Juliana Lima VENÂNCIO,Importância da Atuação do Psicólogo no Tratamento de Mulheres com Câncer de
Mama. Revista Brasileira de Cancerologia, Vol.50 (1): 2004, pp. 55-63
43
L. J. HODGES, G. M. HUMPHRIS & G MACFARLANE. A meta-analytic investigation of the relationship
between psychological distress of cancer patients and their carers. Social Science and Medicine, Vol. 60(1):
2005, pp. 1–12.
44
W., SÖLLNER, A., DEVRIES, E., STEIXNER, P., LUKAS, Sprinzl, G., Rumpold, G. &, S
MAISLINGER,How successful are oncologists in identifying patient distress, perceived social support, and
need for psychosocial counselling? British Journal of Cancer, Vol. 84: 2001, pag. 179-185.
45
B. EDWARDS & V CLARKE,The psychological impact of a cancer diagnosis on families: The influence of
family functioning and patients’ illness characteristics on depression and anxiety. Psycho-Oncolog: 2011.
21
presente que, embora uma situação desta natureza possa estimular ou fortalecer as interacções
familiares, pode também gerar stress, estigma e evitamento por parte dos mesmos. O doente
oncológico poderá passar a depender a vários níveis da família e amigos; reestruturam-se
papéis e modificam-se relações; estabelecem-se novas responsabilidades, entre outros
aspectos. Por tudo isto, é necessário envolver a família como elemento alvo de intervenção.
Assim, vários autores apelam para a necessidade de se desenvolver um trabalho
multidisciplinar com o paciente oncológico.
1.5. A Importância do apoio familiar para pacientes com cancro
Para Penna, o mais comum é que o cancro seja compreendido como uma doença
crônica que traz problemas e demandas específicas, contínuas e mutáveis para o paciente e
seus familiares. As evoluções de alguns tipos de cancro costumam estar ligado de forma
silenciosa até se tornam sintomáticos e diagnosticáveis, podendo levar ao óbito rapidamente 46.
Por isso, Rolland, salienta que, o ciclo da doença é uma das etapas evolutivas fundamentais a
ser considerada a fim de que se entenda o desdobramento e a repercussão da doença no
indivíduo e na família. Dois aspectos são levados em conta: o início e o curso da doença. O
início das doenças crônicas pode ser agudo, o que dificulta o reajustamento familiar em um
tempo curto de tempo; ou gradual, o que permite à família se organizar com tempo
prolongado. Quanto ao curso da doença, o câncer pode assumir uma forma constante que,
após um início abrupto, se estabiliza com o tratamento. A reincidência se caracteriza pela
alternância de períodos em que o paciente está bem e outros em que precisa repetir o
tratamento. A doença pode, também, ser progressiva. Nesse caso, a progressão da severidade
da doença exigirá que a família se defronte cada vez mais com os sintomas do paciente,
envolvendo-se diretamente numa espécie de sofrimento compartilhado47.
O papel que a família desempenha como agente de cuidados quando um de seus
membros adoece é de grande importância tratamento médico e provável superação 48. Costa e
Lima, acreditam que Dada a complexidade da doença neoplásica, “o tratamento deve ser

46
T. L. M. PENNA,Dinâmica psicossocial da família de pacientes com câncer. In J. Mello Filho, & M. Burd.
(Orgs.) Doença e família. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004, pp. 379-389.
47
John SamuelROLLAND,Doença crônica e o ciclo de vida familiar. In B. Carter & M. McGoldrick (Orgs.). As
mudanças no ciclo de vida familiar: Uma estrutura para a terapia familiar. Porto Alegre: Artmed, 1995, pp. 373-
392.
48
Mônica Cristina Batista deMELO, Erika Neves BARROS, Maria da Conceição Vieira Arcoverde
CAMPELLO, Leany Queiroz Lopes FERREIRA, Luciana Lins de Carvalho ROCHA, Camille Izabella Mariana
Gomes da SILVA &Nelse Tainah Figueirôa dos SANTOS, O funcionamento familiar do paciente com câncer.
Psicologia em Revista, 18(1), 2012, pp.73-89.
22
amplo, exigindo atenção não só para as necessidades físicas, como também para as
demandas psicológicas e sociais do paciente, incluindo a participação activa da família”49.
A partir do momento em que recebem o diagnóstico, tanto a família quanto o
paciente podem passar por cinco fases, segundo Lima: “(1) por ocasião do diagnóstico; (2)
período de remissão ou controle da doença; (3) período de recaída; (4) período quando o
óbito se torna iminente e (5) apoio à família após o óbito”50.
Valle, rebate que o diagnóstico da doença provoca reacções de choque entre os
membros da família fazendo com que os familiares sofram intensamente com a descoberta do
cancro no paciente. A época do diagnóstico é invariavelmente vivenciada pela família como
um tempo de catástrofe, de incertezas, de sentimentos de angústia diante da possibilidade de
morte51.
. 
1.6. Reacção familiar à doença
Segundo Enelow e al. desde alguns seculos atrás a sociedade considera ou ve a
família como um pilar, nesta direcção não foge a regra quando se trata de suporte a pacientes
com esta efeméride, sendo assim ela desempenha um papel significante ou fundamental no
que diz respeito na saúde e na doença de um individuo, e cada família com o seu próprio
estilo de comunicação, as suas regras, as suas crenças, bem como manter a sua estabilidade 52.
Ainda segundo os mesmos autores, a família vivencia um conjunto de experiências, isto é,
quando um dos membros da família adoece. Este processo foi descrito como a trajectoria da
Doença.

1.7. A Família e suporte social


Quando se trata do suporte ou assistência ao doente, é inquestionável a
importância do cuidador na assistência à saúde do doente com cancro, oferecendo cuidados
directos (higiene, alimentação), ou apoio indirecto (acompanhamento). O cuidador familiar,
embora leigo, assume a responsabilidade pelas necessidades físicas e emocionais do outro que
está incapacitado de se cuidar, acatando que cabe à família a responsabilidade de cuidar dos

49
Juliana Cardeal da COSTA &Regina Aparecida Garcia de LIMA,Crianças/adolescentes em quimioterapia
ambulatorial: Implicações para a enfermagem. Ribeirão Preto: Revista Latino-americana de Enfermagem, 2002,
pp.321-323.
50
Regina Aparecida Garcia de LIMA, A enfermagem na assistência à criança com câncer. Ribeirão Preto: AB.
1995, p.88.
51
Elizabeth Ranier Martins do VALLE,Vivências da família da criança com câncer. In Maria Margarida
CARVALHO (Org.), Introdução à Psiconcologia. São Paulo: Psy II. 1994.
52
Allen JENELOW, Douglas FORDE, et al., Entrevista clínica e cuidados ao paciente, Ed. Climepsi, 1999.
23
seus membros. No entanto, para a equipa de saúde, o foco de atenção é o doente, cabendo aos
cuidadores familiares apenas o papel de recursos em benefício daquele53,54.
A família do doente com cancro é apontada como a principal fonte de apoio para o
paciente e o binômio paciente-cuidador considerado uma unidade de atenção, por ser um
"invisível sistema de cuidado da saúde", onde o cancro deve ser tratado como problema e
questão familiar. O cuidador pode ser o cônjuge, outros membros familiares e amigos
próximos que, participando ativamente, dão forma à experiência com a doença. A
preocupação com o cuidador familiar e a qualidade do cuidado prestado são essenciais, pois
isso terá um efeito significativo nos custos tanto para o sistema de cuidado à saúde como para
as famílias, já que o preparo do cuidador familiar leva a diminuição das demandas médicas e
de custos com tratamento hospitalar55,56.
Apoios sociais a família cuidadora são necessários: o apoio emocional ou
instrumental (afecto, estima, companhia ou aconselhamento, ajuda prática, ou auxílio
financeiro) e o apoio diário focado na orientação de problemas. O apoio social pode ser
entendido como uma forma de ajuda para membros familiares aprenderem a priorizar e
administrar os problemas e trabalhar colaborativamente com o sistema de cuidado à saúde.
Porém, há ausência de estratégias efectivas para orientar os membros familiares, apesar de
muito já se ter estudado sobre a sobrecarga e a angústia deles. A maioria dos estudos aborda o
início da doença, o tratamento e os cuidados paliativos, os estudos são ainda escassos sobre a
doença crônica57.
1.7.1. Factores que interferem no apoio social
Alguns factores acabam por influenciar o foco de apoio e a percepção da
qualidade do apoio recebido pela família, tais como: status socioeconômico, idade e gênero
dos membros, cultura, religião, tipo de família e situação do estresse. Os homens se
beneficiam mais do apoio de pessoas próximas como a esposa, mas quando a pessoa doente é
um filho pequeno, a mãe pode não conseguir dar o apoio necessário. No caso de pai com

53
Luccas Melo de SOUZA,Wiliam WEGNER& Maria Isabel Pinto Coelho GORINI,Health education: a
strategy of care for the lay caregiver. Rev Latino-am Enfermagem, 2007, p.337-43.
54
Mary SCHERBRING,Effect of caregiver perception of preparedness on burden in an oncology population.
Oncol Nurs Forum 2002; pp. 70-6.
55
Ana Claudia Nunes de Souza WANDERBROOCKE, Cuidando de um familiar com câncer. Taking care of a
family member with cancer. Rev PsicolArgumento 2005, pp. 17-23.
56
Ana Raquel Medeiros BECK&Maria Helena Baena de Moraes LOPES, Cuidadores de crianças com câncer:
aspectos da vida afetados pela atividade do cuidador. Rev Bras Enferm, 2007, pp. 670-5.
57
Chris NIJBOER, Reike TEMPELAAR, Robbert SANDERMAN, et al., The role of social and psychologic
resources in caregiving of cancer patients. Cancer, 2001, pp.29-39.
24
criança pequena, parece haver pouca utilização do apoio social, provavelmente pela
necessidade de se ausentar do trabalho58.
A avaliação de adoecimento, de recursos, suportes e riscos para o sofrimento, nas
fases da doença, diagnóstico, tratamento e cronicidade, demonstrou que as esposas tiveram
menos habilidade em gerenciar a doença do que os pacientes e perceberam menos apoio
através de todas as fases da doença, destacando a necessidade de programas de atenção e
cuidados para a mulher cuidadora.
1.8. A Familia face à fase terminal
Em contexto de doença oncológica, esta é a fase mais dolorosa e turbulenta no
seio familiar, visto que o paciente se encontra fase derradeira da sua passagem na terra, sendo
a cura não possível, a esperança acaba por assumir uma importância fundamental na forma
como os doentes e a sua família vivenciam o período de fim de vida. Querido diz que
“inerente à vida humana, a esperança, ou a falta dela, aparece associada às várias
dimensões da nossa existência, na esfera pessoal, profissional, familiar e social”. De acordo
com Querido, a esperança não é estática, é antes um conceito dinâmico, o que pressupõe que
os níveis de esperança são flutuantes, alterando-se com o tempo59.
Kübler-Ross, sendo uma das primeiras autoras a identificar as preocupações dos
doentes em fim de vida, ela aferiu que os assuntos não resolvidos e a esperança eram questões
comuns a todos os indivíduos a quem prestou aconselhamento, e sugeriu que todas as pessoas
mantêm alguma esperança, e que esta, em alturas difíceis pode ser acalentadora. Deus, nesta
fase acaba sendo a maior esperança para doentes e na vida para além da morte, ou na
realização de um objectivo específico, como por exemplo atingir uma data festiva importante,
ou ainda focalizar a esperança na doença, reajustando os objectivos não para a cura, mas para
o alívio da dor e de outros sintomas desconfortáveis, e além disso, repensar o sentido da
vida60.
A esperança realista, cumprimento de metas realistas e viáveis, deve ser
incentivada e viabilizada pela equipa de cuidados paliativos, questionando o doente sobre
estes aspectos e incluindo-os no plano de cuidados, afirmam Querido, Salazar e Neto. Com a
ajuda de preservar um desejo realista, os doentes têm a possibilidade de seguir um curso de
conclusão de desafios, de se despedir e de se preparar de maneira mais frívola para a cessação

58
Hoekstra-WEEBERS J E et al.,Psychological adaptation and social support of parents of pediatric cancer
patients: A prospective longitudinal study. Journ Ped Psychol 2001; pp. 225-35.
59
Ana QUERIDO,A Esperança em Cuidados Paliativos. Faculdade de Medicina de Lisboa. Mestrado em
Cuidados Paliativos. Lisboa, 2005, p.14.
60
Kübler-Ross, ELISABETH, On Death and Dying. New York: Macmilan, 1969.
25
da vida. O importante para quem sofre de fim de vida e sua família nem sempre é
absolutamente fechar uma porta, no entanto, abrir uma janela, ou seja, manter o desejo, mas
ser prático. “A esperança deve ter um propósito”61. Pacheco afirma que "é muito importante
relembrar cada cenário em particular, buscando apreender se o doente deseja ou não perceber
a verdade aproximadamente sobre seu diagnóstico, respeitando suas necessidades em todas as
ocasiões viáveis". Sobre registros versus esperança, Pacheco62:
o que prevalece como regra é nunca mentir nem dar falsas esperanças de cura (…) É
sobretudo necessário tranquilizar sempre e nunca retirar a esperança ao doente,
transmitindo-lhe quer por palavras, quer por atitudes, que o tempo que lhe resta é
tempo de vida e não necessariamente de uma espera angustiante da morte; que será
sempre acompanhado por profissionais competentes, empenhados em atender às
suas necessidades; que será feito, dentro do possível tudo o que for humanamente
importante para ele; e que todas as decisões serão tomadas no respeito pela sua
vontade.

Acreditamos que, a sensibilidade e perspicácia, é o que se pede ao profissional da


saúde, para conseguir responder ao que o doente quer saber, saber calar quando este não está
preparado para ouvir, sem infantilizar, sem eufemismos, sem banalizar o momento e sem
retirar a esperança. É possível aumentar a esperança de um indivíduo que se encontra em fim
de vida, desde que os cuidados e o bem-estar se mantenham satisfatórios. Considera a
instilação de fé ou esperança, como um factor primordial na sua teoria do cuidar,
reconhecendo deste modo aos enfermeiros, um papel na promoção da esperança.
Este capítulo apresentou o embasamento teórico do tópico em estudo. Nele, ideias
sobre o apoio psicológico aos familiares dos pacientes com cancro, foram compiladas sob a
perspectiva de diferentes estudiosos, que acentuam o papel proponente da família fase esta
patologia em geral e suas implicações na fase diagnostico e no processo doloroso do
tratamento. Sendo assim, agora estamos prontos para seguir para o capítulo dois, que trata da
metodologia de pesquisa.

61
Ana QUERIDO, Hernanie SALAZAR &Isabel GalriçaNETO,Comunicação. In A, Barbosa & I.G., Neto
(Eds). Manual de Cuidados Paliativos (2ª ed..).Lisboa: Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa,
2010, pp. 461-485.
62
Cfr.:Susana PACHECO,Cuidar a pessoa em fase terminal: Perspectiva ética. Lisboa: Lusociência, 2002,
pp.95-96.
26
CAPÍTULO II - O APOIO PSICOLÓGICO AOS
FAMÍLIARES DOS PACIENTES INTERNADOS COM
CANCRO NA MATERNIDADE DO LOBITO

27
2.1. METODOLOGIA

2.1.2. Tipo de Estudo


Para que um conhecimento possa ser considerado científico, torna-se necessário
identificar as operações mentais e técnicas que possibilitam a sua verificação”. 63 Ou, em
outras palavras, determinar o método que possibilitou chegar a esse conhecimento. Podemos
definir método como caminho para chegarmos a determinado fim. E método científico como
o conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adoptados para atingirmos o
conhecimento.64
O tipo de estudo para este trabalho é de natureza exploratória e descritiva. Por um
lado, os estudos exploratórios permitem ao investigador familiarizar-se com o fenómeno
pouco estudado e, do outro lado, as pesquisas descritivas têm como objectivo primordial a
descrição das características de uma determinada população ou fenómeno, além de
estabelecer relações entre variáveis.Dentre as pesquisas descritivas salientam-se aquelas que
têm por objectivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo,
procedência, nível de escolaridade, situação financeira etc.65

2.1.3. Caracterização do Local da Recolha de Dados

2.1.3.1. Maternidade do Lobito


A Maternidade do lobito, é um dos estores pertencente ao Hospital Geral do
Lobitoabriga uma média de 153 leitos e conta com um quadro de aproximadamente 130
funcionários, além dos estagiários e voluntários que trabalham na instituição.

63
António Carlos GIL, Métodos e técnicas de pesquisa social. 6ª ed. São Paulo, Atlas, 2008 apudCleber
Cristiano Prodanov e Ernani César Freitas, Metodologia do Trabalho Científico: Métodos e técnicas dapesquisa
e do Trabalho Académico, 2ªed., Feevale, Rio Grande do Sul, 2013, p.24.
64
Cleber Cristiano PRODANOV e Ernani César FREITAS, Metodologia do Trabalho científico: Métodose
técnicas da pesquisa e do Trabalho Académico, 2ªed., Feevale, Rio Grande do Sul, 2013, p.24.
65
António Carlos GIL, Métodos e Técnicas de Pesquisa Social…, p.28
28
Actualmentefunciona com 7 Médicos Angolanos e 4não nacionais e 53
enfermeiros nacionais.
Funciona com várias áreas de apoio: banco de urgência, U.T.I. sala de
parto,berçário, laboratório, farmácia, bloco operatório, pós-operatório, sala de gravida,
hemoterapia, casa mortuária, rouparia, oficina, consultório, cozinha, gabinete do chefe de
serviço e de enfermagem, secretaria, contabilidade, recursos humanos, registo de recém-
nascido.

2.1.4. População e Amostra


Amostra é uma pequena parte da população ou do universo selecionada em
conformidade às regras. De acordo com Marconi e Lakatos, amostra é um subconjunto da
população, uma parcela, conveniente selecionada do universo a ser pesquisado. Por outra, Gil,
define amostra como o "subconjunto do universo ou da população, por meio do qual se
estabelece ou se estimam as características desse universo ou população".
A população da nossa investigação são os familiares de pacientes internados na
Maternidade do Lobito, tendo sido recolhido uma amostra por conveniência de 20 indivíduos
relacionado com os utentes.

2.1.5. Instrumentos de Investigação


No presente trabalho recorremos ao questionário para a recolha de dados, segundo
Gil “O questionário é uma técnica de investigação composta por um conjunto de questões
que são submetidas a pessoas com o propósito de obter informações.”
O questionário é composto por duas partes, na primeira forma feitas questões
demográficas (Anexo II), onde procuramos conhecer algumas características da população
como: género, idade, estado civil, escolaridade, entre outras. Na segunda parte utilizamos
oEscala de Ajustamento Mental ao Cancro de um Familiar (EAMC-F) foi traduzida e
adaptada da Mental Adjustment to CancerScale – Partner (MAC Scale-P) de Watson e
colaboradores66.
O MiniMac é um instrumento de auto-preenchimento com 28 itens, distribuídos
por quatrosub-escalas que cobrem as dimensões; Desânimo/Fraqueza que inclui os itens 1, 2,
6, 13, 16, 18, 22 e 28 e é caracterizada pelo pessimismo e a ausência de estratégias de
combate activo da doença; Espírito de luta, inclui os itens 3, 19, 20 e 26, refere-se a um

Matt WATSON, Samuel GREER, Jacob YOUNG, et al. Development of a questionnaire measure of
66

adjustment to cancer: The MAC Scale. Psychological Medicine, 1, 1988, pp. 203-209.
29
padrão de resposta que se caracteriza por uma atitude optimista, em que a doença é encarada
como um desafio e em que existe a crença de que existe algum controlo sobre o processo e
percurso da doença; PreocupaçãoAnsiosa/Revolta que inclui os itens 8, 10, 12, 14, 15, 23, 27
e 29 e se caracteriza por uma ansiedade persistente; e Aceitação/Resignação, inclui os itens
5, 7, 11, 17e 25 e diz respeito à aceitação passiva da doença.
Cada item é uma afirmação que descreve reacções dos doentes ao cancro. Para
cada um dos itens, os sujeitos assinalam o seu grau de concordância, numa escala de tipo
likert de quatro pontos (1= Não se aplica de modo nenhum a mim; 2= Não se aplica a mim;
3= Aplica-se a mim; 4= Aplica-se totalmente a mim). É uma escala multidimensional que não
permite a obtenção de um resultado total, i.e., não permite somar as notas num único score.

2.1.6. Procedimentos e Cuidados Éticos


Numa primeira fase, enviamos um pedido de autorização à Maternidade do
Lobito(Anexo I). Dado o aval da Direção que tutela a instituição, de seguida explicamosaos
familiares, através de um consentimento informado (Anexo IV), o teor da nossa investigação
e demos a garantia de confidencialidade das informações recolhidas.

2.1.7. Tratamento dos Dados


Os dados obtidos por meio do questionário foram inseridos no programa SPSS, do
qual se procedeu à análise estatística descritiva, sendo depois apresentados em gráficos e
quadros, analisados e interpretados recorrendo ao Programa Excel.

2.2. RESULTADOS

2.2.1. Caracterização da Amostra


A amostra considera neste estudo é composta por as seguintes características
(Tabela1):

Tabela 1 – Caracterização e quadro clínico da Amostra


Nº %
Masculino 8 40%
Género Feminino 12 60%
Total 20 100%

30
Solteiro/a 9 45%
União de facto 7 35%
Estado Civil Viúvo/a 1 5%
Casado/a 3 15%
Total 20 100%
Menos de 18 anos 1 5%
De 18 a 30 anos 6 30%
De 31 a 40 anos 7 35%
Escalão Etário De 41 a 50 anos 4 20%
Mais de 51 anos 2 10%
Total 20 100%
Ensino Primário 6 30%
Ensino Médio 10 50%
Habilitações
Ensino Superior 4 20%
Total 20 100%
Empregado 7 35%
Desempregado 3 15%
Reformado 1 5%
Doméstica 4 20%
Situação Laboral Estudante 5 25%
Total 20 100%
Conjugue 3 15%
Filho/a 6 30%
Parentesco com o utente Irmão/Irmã 4 20%
Outros 7 35%
Total 20 100%
Digestivo 3 15%
Mama 3 15%
Grupo oncológico Urológico 2 10%
Ginecológico 12 6%
Total 20 100%
Médico 14 70%
Quimioterapia 0 0%
Radioterapia 0 0%
Quimioterapia-Radioterapia 0 0%
Tratamento actual Medicina alternativa 5 25%
Nenhum 1 5%
Outro 0 0%
Total 20 100%
Má 4 20%
Razoável 15 75%
Situação Económica
Boa 1 5%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria

No presente estudo responderam ao inquérito 12 mulheres (60%) e 8 homens


(40%). Destas,9 afirmam serem solteiros (45%), 7 em uniao de factos (35%), 3 casados (15%)
e um/a viúvo/a (5%). No campo de escalão etário, 7 amostra (35%) pertencente a escala de 31
a 40 compõem o grosso do grupo, 30% tem entre 18 a 30 anos, 20% tem 41 a 50 anos, 10%
apresenta mais de 51 anos e apenas um entrevistado/a (5%) tem menos de 18 anos.
31
Relativamente à escolaridade,50% tem o ensino medio, 30% tem ou ensino
primário e ainda20% tem o ensino superior. A situação laboral, também foi uns dos enfoques
da caracterização, sendo que, 35% está empregado, 25% é estudante, 20% actua como
doméstica, 15% está sem nenhum vínculo contractual “desempregado”, e apenas 5%,
equivalente um entrevistado, é reformado. A relação com os utentes, foi o principal item a ter
em conta na nossa entrevista, deste modo temos o seguinte enquadramento; 35% como outros,
30% como filhos, 20% é irmão/irmã e 15% como conjugue.

Na perspetiva clínica, 15% da amostra, diz cancro digestivo e de mama como o


diagnostico dos seus utentes, 10% com urológico e 6% com a ginecológica afectada.

Com relação ao tratamento vigente, 70% tem tratamento com medico, 25% com a
Medicina alternativa e apenas 5% sem tratamento algum. E por último, 75% apresenta uma
situação financeira razoável, 20% tem má, e 5% apresenta boa situação económica.

2.2.2. Análise dos Resultados


O nosso estudo procura analisar comportamentos psicológicos dos familiares, com
ligação directacom os utentes, e os resultados dos dados recolhidos são a seguir apresentados,
de acordo os quatros (4) itens que compõem a escala:

i. Desânimo/Fatalismo

Tabela 2: Sinto que não há nada que eu possa fazer para o ajudar

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 0 45%
Não se aplica a mim 3 15%
Aplica-se a mim 8 40%
Aplica-se totalmente a mim 9 45%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
A primeira tabela da escala, diz-nos que, 45% dos familiares, se aplica
totalmente a mim, com relação ao sentimento que não há nada que possa fazer para o ajudar;
40%, aplicasse a mim e 15% não se aplica a mim.

Tabela 3: Sinto que os problemas de saúde do meu familiar nos impedem de fazer planos para
o futuro

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 4 20%
Não se aplica a mim 7 35%
32
Aplica-se a mim 8 40%
Aplica-se totalmente a mim 1 5%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
Com relação, os problemas de saúde do meu familiar nos impedir de fazer planos
para o futuro; 40% diz se aplica a mim, 35%diz não se aplica a mim, 20% afirma não se
aplica de modo nenhum a mim e 5% aplica-se totalmente a mim.

Tabela 4: Sinto que a vida é sem esperança

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 8 40%
Não se aplica a mim 5 25%
Aplica-se a mim 7 35%
Aplica-se totalmente a mim 0 0%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
Respectivamente a tabela 4, sobre sentir que a vida é sem esperança, os
entrevistados dizem; 40% não se aplica de modo nenhum a mim, 35% aplica-se totalmente a
mim e 25% não senti sinais da falta de esperança.

Tabela 5: Sinto que não posso fazer nada para animar o meu familiar

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 5 25%
Não se aplica a mim 6 30%
Aplica-se a mim 8 40%
Aplica-se totalmente a mim 1 5%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
A tabela acima mencionada, apresenta uma divisao equitativa entre a maioria
dos indicadores; 40% aplica-se a mim, 30% não se aplica a mim, 25% não se aplica de modo
nenhum a mim e 5%aplica-se totalmente a mim.

Tabela 6: Sinto que não posso fazer nada para alterar as coisas

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 4 20%
Não se aplica a mim 4 20%
Aplica-se a mim 10 50%
Aplica-se totalmente a mim 2 10%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria

33
A tabela 6, nos diz que um número considerável da amostra 50% se aplica a mim,
20% não se aplica de modo nenhum a mim e outros 20% não se aplica a mim.

Tabela 7: Deixei tudo ao cuidado dos médicos

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 3 15%
Não se aplica a mim 3 15%
Aplica-se a mim 10 50%
Aplica-se totalmente a mim 4 20%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
No que tange deixar tudo ao cuidado dos médicos, a maioria 50% diz aplica-se a
mim, 20%aplica-se totalmente a mim, 15%não se aplica de modo nenhum a mim e outros
15% não se aplica a mim.
Tabela 8: Não tenho muita esperança no futuro

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 5 25%
Não se aplica a mim 5 25%
Aplica-se a mim 7 35%
Aplica-se totalmente a mim 3 15%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
A falta de visão para o futuro, descrita na tabela acima, apresenta uma distribuição
percentual interressante. 35% diz não se aplica a mim, 25% não se aplica de modo nenhum a
mim, a mesma percentagem, diz não se aplica a mim e 15% aplica-se totalmente a mim.

Tabela 9: Eu e o meu familiar temos planos para o futuro

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 2 10%
Não se aplica a mim 3 15%
Aplica-se a mim 10 50%
Aplica-se totalmente a mim 5 25%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
De acordo com a tabela 9, um grosso dos entrevistados 50% diz se aplicar a mim,
25% diz aplica-se totalmente a mim, 15% não se aplica a mim e 10% afirma não se aplica de
modo nenhum a mim.

34
Tabela 10: Sinto-me completamente perdido sem saber o que fazer

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 3 15%
Não se aplica a mim 5 25%
Aplica-se a mim 10 50%
Aplica-se totalmente a mim 2 10%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
No âmbito de sentir-se completamente perdido sem saber o que fazer, os
inquiridos dizem; 50% se aplica a mim, 25%não se aplica a mim, 15% não se aplica de modo
nenhum a mim e 10% diz se aplica totalmente a mim.

Tabela 11: Acredito verdadeiramente que o meu familiar vai melhorar

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 3 15%
Não se aplica a mim 0 0%
Aplica-se a mim 11 55%
Aplica-se totalmente a mim 6 30%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
No que diz respeito a tabela 5, a maioria dos familiares partilha o mesmo
sentimento de esperança de um quadro clínico melhor, sendo que; 55% diz se aplicar a mim,
30% aplica-se totalmente a mim, e 15% da amostra diz não se aplicar de modo nenhum a mim.

Tabela 12: Apetece-me desistir

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 7 35%
Não se aplica a mim 2 10%
Aplica-se a mim 9 45%
Aplica-se totalmente a mim 2 10%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
A presente tabela, indica que, 45% dos entrevistados diz aplica-se a mim, em relação a
desistência, 35% não se aplica de modo nenhum a mim, 10% não se aplica mim e outros 10% aplica-
se totalmente a mim.

35
Tabela 13: Sinto que não tenho controlo sobre os acontecimentos

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 5 25%
Não se aplica a mim 2 10%
Aplica-se a mim 10 50%
Aplica-se totalmente a mim 3 15%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
Sobre o controle dos acontecimentos, 50% dizem não se aplicar a mim, 25% não se
aplica de modo nenhuma a mim, 15% aplica-se totalmente a mim e 10% não se aplica a mim.

ii. Espírito de Luta


Tabela 14: Tento obter o máximo de informação acerca da doença

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 1 5%
Não se aplica a mim 1 5%
Aplica-se a mim 13 65%
Aplica-se totalmente a mim 5 25%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
A actual tabela é quase em unanime, isto é, 65 % dos entrevistados diz aplicar-se a si,
a quando da tentava de obtenção o máximo de informação acerca da doença, 25% aplica-se totalmente
a mim, e os restantes 5% dizem não se palica de modo nenhum a mim e não se aplica a mim.

Tabela 15: Penso que o meu estado de espírito pode influenciar muito a saúde do meu familiar

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 1 5%
Não se aplica a mim 2 10%
Aplica-se a mim 10 50%
Aplica-se totalmente a mim 7 35%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
Em relação ao estado de espirito do poder influenciar muito a saúde do utente,
50% diz não se aplicar a mim, 35% não se aplicar totalmente a mim,10% não se aplica a mim, e
5% não se aplica de modo nenhum a mim.

36
Tabela 16: Dou valor às coisas boas que me acontecem

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 2 10%
Não se aplica a mim 0 0%
Aplica-se a mim 9 45%
Aplica-se totalmente a mim 9 45%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria

Respetivamente, na valorização das coias boas que acontecem, 45% diz de aplicar
a mim, a mesma percentagem, diz se aplicar totalmente a mim e 10 % não se aplica de modo
nenhuma a mim.
Tabela 17: Tento manter uma atitude muito positiva

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 1 5%
Não se aplica a mim 0 0%
Aplica-se a mim 8 40%
Aplica-se totalmente a mim 11 55%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
Em relação, em manter uma atitude positiva, a tabela 17, indica que, 55 % das
amostra partilha o mesmo pensamento afirmando, que se aplica totalmente em mim, 40% se aplica a
mim, e apenas 5% não se aplica de modo nenhum a mim.

Tabela 18: Tento combater a doença

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 1 5%
Não se aplica a mim 2 10%
Aplica-se a mim 12 60%
Aplica-se totalmente a mim 5 25%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
O combate a doença é uns dos itens em destaques desta escala, nesta pensamento,
um numero a ter em conta da população, 60 % diz se aplicar a mim, 25% aplica-se totalmente a
mim, 10% não compactuam “ não se aplica a mim” e 5% não se aplica de modo nenhum a mim.

37
Tabela 19: Acredito que a minha atitude positiva poderá beneficiar a saúde do meu familiar

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 2 10%
Não se aplica a mim 1 5%
Aplica-se a mim 7 35%
Aplica-se totalmente a mim 10 50%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
Na tabela 19, o resultado indica, 50% não se aplica totalmente a mim, 35% aplica-se a
mim, 10% não se aplica de modo nenhum a mim e 5% se aplica a mim.

iii. Preocupação Ansiosa/Revolta


Tabela 20: Sinto-me muito zangado com o que lhe aconteceu

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 3 15%
Não se aplica a mim 1 5%
Aplica-se a mim 10 50%
Aplica-se totalmente a mim 6 30%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
No que diz respeito a revolta ao sucedido, 50% diz se aplicar a mim, 30% aplica-se
totalmente a mim, 15% não se aplica de modo nenhum a mim, e apenas 5% diz não se aplica a mim.

Tabela 21: Não acreditei que ele tinha esta doença

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 2 10%
Não se aplica a mim 2 10%
Aplica-se a mim 11 55%
Aplica-se totalmente a mim 5 25%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
A tabela 21, indica que um grosso dos entrevistados (55 %) não acreditava que o seu
familiar tinha esta doença, 25% diz se aplicar totalmente a mim, os restantes 10% não de aplica e de
modo nenhum a mim.

Tabela 22: Sofro de grande ansiedade por causa disto

Indicadores Frequência Percentagem


38
Não se aplica de modo nenhum a mim 2 10%
Não se aplica a mim 5 25%
Aplica-se a mim 8 40%
Aplica-se totalmente a mim 5 25%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
Em relação a ansiedade, 40% diz aplicar-se também a si, o sintoma, 25% aplica-se
totalmente a mim, 25% não se aplica a mim e 10% não se aplica de modo nenhum a mim.

Tabela 23: Tenho dificuldade em acreditar que isto tenha acontecido com ele

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 5 25%
Não se aplica a mim 0 0%
Aplica-se a mim 7 35%
Aplica-se totalmente a mim 8 40%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
A polarização de opiniões, é a principal nota de destaque nesta tabela, 40 % aplicar-
se totalmente a mim, 35% aplica-se a mim e 25% não se aplica de modo nenhum a mim.

Tabela 24: Estou preocupado que a doença volte a aparecer ou piore

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 2 10%
Não se aplica a mim 3 15%
Aplica-se a mim 7 35%
Aplica-se totalmente a mim 8 40%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
A presente tabela, indica uma divisão de opiniões em relação ao reaparecimento da
doença, 40% aplica-se totalmente a mim, 35% aplica-se a mim, 15% não se aplica a mim e 10% não se
aplica de modo nenhum a mim.
Tabela 25:Neste momento, vivo um dia de cada vez

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 1 5%
Não se aplica a mim 3 15%
Aplica-se a mim 12 60%
Aplica-se totalmente a mim 4 20%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria

39
Viver o presente, conforme tratada na actual tabela, é partilhada pela maioria dos
entrevistados; 60% aplica-se a mim, 20% aplica-se totalmente a mim, 15% não se aplica a mim e 5%
não se aplica de modo nenhum a mim.

iv. Aceitação/Resignação
Tabela 26: O meu familiar teve uma vida boa. O que vier daqui para a frente é bem-vindo

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 1 5%
Não se aplica a mim 3 15%
Aplica-se a mim 12 60%
Aplica-se totalmente a mim 4 20%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
De acordo a tabela presente, 60% da amostra diz, aceitar o que vier doravante, 20% diz
também aplicar-se totalmente a mim, 15% não se aplica a mim e 5% não se aplica de modo nenhum a
mim.
Tabela 27: Tento viver a minha vida como sempre fiz até aqui

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 2 10%
Não se aplica a mim 0 0%
Aplica-se a mim 10 50%
Aplica-se totalmente a mim 8 40%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
Consequentemente, a tabela 27, 50% diz se aplicar a mim, 40% diz se aplicar
totalmente a mim e 10% não se aplica de modo nenhum a mim.

Tabela 28: Estou decidido a por tudo isto para trás das costas

Indicadores Frequência Percentagem


Não se aplica de modo nenhum a mim 2 10%
Não se aplica a mim 3 15%
Aplica-se a mim 9 45%
Aplica-se totalmente a mim 6 30%
Total 20 100%
Fonte: Elaboração Própria
Por último, a tabela 28, apresenta 45% da amostra estar decidido a por tudo para trás
das costas, 30% diz aplicar-se totalmente a mim, 15% não se aplica a mim e 10% não se aplica de
modo nenhum a mim.

40
2.2.3. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

O presente estudo teve a representação maioritária de sujeitos do sexo feminino, sendo a


maioria viver em uniao de factos com mais de 31 anos de idade e com escolaridade de ensino medio.

A maioria dos inquiridos diz que tem a função laboral em activo, estando empregado,
sendo outros, a opção mais assinalada de parentesco com os utentes, e apresentam os grupos
oncológicos, digestivo e de mama, como os mais comuns entre eles. Tratamento com medico, aparece
como a principal indicação dos utentes, que apresenta um quadro financeiro razoável.

Relativamente comportamentos psicológicos dos familiares, os dados da primeira


escala desanimo/fatalismo, tabela 2 (Sinto que não há nada que eu possa fazer para o ajudar),
apresenta um resultado estável e adequado para o contexto , visto que a maioria os inquiridos
não apresenta sinais de desanimo ou fatalismos, comportamento este que possa ser vital
durante a jornada do paciente. A tabela 3 (Sinto que não há nada que eu possa fazer para o
ajudar) os entrevistados, também exercem/apresentam uma postura certa e precisa, dando
sinais de estarem sempre em prontidão para ajudar os utentes. Enquanto na tabela 11
(Acredito verdadeiramente que o meu familiar vai melhorar), os familiares demostram
firmeza na esperança de que o doente venha a melhorar. No modo geral, asdesanimo
/fatalismo apresentam um quadro diverso de respostas, com maisinclinação ao “se aplica a
mim”, que representatranstornos psicológico preocupante, e a intervenção de um psicológico,
como a medida certa.

Dos que diz respeito aEspírito de luta a tabela 14 (Tento obter o máximo de
informação acerca da doença), os entrevistados dizem fazer o mesmo, isto é, ir atras das
informações acerca da doença para melhor estarem informados. E em relação as tabelas 17 e
18 (Tento manter uma atitude muito positiva e tento combater a doença) os dados mostram
que os inquiridos, pautam por atitudes positivas durante o desenrolar da doença, atitude esta
que de modo indirecto acaba por ajudar no combate a doença. Resumindo, esta escala
apresenta dados satisfatórios no apoio psicológico aos familiares.

No que tange a Preocupação Ansiosa/Revolta, os dados dão-nos indicação, um


comportamento psicológico a ter me conta, isto porque a maioria dos resultados do modo
geral, os entrevistados demostram sinal de ansiedade ou revolta ao um nivel acentuado, com
base nos indicadores selecionados.

E por último, aceitação/Resignação segundo a tabela 26 (O meu familiar teve uma


vida boa. O que vier daqui para a frente é bem-vindo), a maioria dos entrevistados mostrasse

41
optimista/esperançoso em aceitar tudo o que vier com bem-vindo, o que caracteriza um
posicionamento positivo na perspectiva de melhor viver com a patologia. As restantes tabelas,
também demonstram uma situação de aceitação ao sucedido e um espírito de luta em
continuar com a vida.

42
CONCLUSÕES
No presente estudo, após a recolha de dados que procurou dar resposta aos
objectivos e às questões que procuramos dar resposta apresentamos as seguintes conclusões:
Neste estudo os impasses e desafios enfrentados pelo familiares e de paciente
diagnosticado com cancro também foi abordado, e através das contribuições dos autores
utilizados na bibliografia, pode-se notar que, geralmente os pacientes ao se depararem com o
diagnóstico de cancro, é comum enfrentarem reações de medo, angústia, ansiedade frente ao
tratamento, a uma expectativa de sofrimento prolongado, e, além da sensação de ameaça vida
pelo cancro.
Em resposta ao objectivo em que procuramos saber o tipo de apoio psicólogo aos
familiares de pacientes com cancro internados na Maternidade do Lobito, e os dados
evidenciam um sinais de desanimo, e desistência, , podendo estes níveis serem avaliados
como preocupantes tendo em conta que comportamentos psicológicos pode evoluir para e se
não for atempadamente acompanhado pelo psicólogo.
Po sua vez, o Psico-oncologista, caberá a ele, priorizar o atendimento ao paciente,
mas também deve se leva em consideração a família que também está fragilizada e necessita
de atenção, e a equipa que é fundamental nesse processo, que muitas vezes é pesado, e gera
sofrimento aqueles formados para curar.
Ao perceber a importância desta área de actuação da Psicologia, é relevante o
desenvolvimento de novas pesquisas para ampliar os conhecimentos a respeito da Psico-
oncologia.
.

43
SUGESTÔES
Tendo em conta os resultados dos objectivos, tecemos as seguintes sugestões:

Os familiares precisam de acompanhamento/apoio psicológico


independentemente do seu género, idade, estado civil, situação profissional ou fase de
tratamento em que se encontram precisam de apoio psicológico especializado, no sentido de
os acompanhar ao longo de todo o processo da doença face as possíveis alterações do quadro
clinico do paciente , pelo que os Hospitais ou Maternidades devem ter o cuidado de ter
profissionais que possam acompanhar os casos em curso.

Aos familiares que passam por um processo de acompanhamento ao deonte, que


tomem consciência de que precisam de ajuda para enfrentar a sua nova situação, tendo em
conta que esta afecta a sua vida pessoal, familiar e profissional, e neste sentido, ganhem força
para pedir ajuda psicológica durante o processo de tratamento e o possam fazer de forma
continuada até delinear da patologia.

Proposta de acçõespsico-educativas para que os familiares saíam da rotina a que


estão sujeitos no dia-a-dia, face ao acompanhamento do seus familiares, desta forma, a
incorporação paulatina de comportamentos que lhes proporcione o bem-estar psico-
emocional, bem como a oportunidade de suporte para o enfrentamento das contingências que
acometem os pacientes

Aos investigadores que intensifiquem estudos sobre a apoio psicológico aos


familiares dos pacientes internados com cancro, para desta forma termos acesso a informações
que possibilitem um trabalho mais efectivo junto das entidades e dos seus pacientes nas áreas
que mais precisam.

44
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49
ANEXOS

50
ANEXO I: Cartas de Pedido de Autorização

46
ANEXO II: Questionário de Características Sociodemográficas

1. Género:
___Masculino
___Feminino
2. Idade:
___Menos de 18 anos
___De 19 a 30 anos
___De 31 a 40 anos
___De 41 a 50 anos
___Mais de 51 anos
3. Estado civil:
___Solteiro(a)
___Casado(a)
___Divorciado(a)/Separado(a)
___União de facto
___Viúvo(a)
___
4. Parentesco com o doente
____Conjugue (marido/esposa; companheiro/a)
____Filho / Filha
____Irmão / Irmã
____Outros (netos, sobrinhos, cunhados e noivo)
5. Grupo oncológico dos doentes
____Digestivo
____Mama
____Urológico
____Ginecológico
6. Escolaridade:
___Ensino Primário
___Ensino Médio
___Ensino Superior

7. Situação Laboral
___Empregado
___Desempregado
___Reformado
___Doméstica
___Estudante
8. Tratamento actual
___Médico
___Quimioterapia
___Radioterapia
___Quimioterapia + Radioterapia
___Medicina alternativa
___Nenhum
___Outro (fisioterapia e imunoterapia)

9. Como classifica a sua situação económica?


___Má
___Razoável
___Boa

47
ANEXO III: Escala de Ajustamento Mental ao Cancro de um Familiar (EAMC-F) foitraduzida
e adaptada da Mental Adjustment to CancerScale – Partner
(MAC Scale-P) de Watson e colaboradores (1988)

Componentes
Itens da Escala
1 2 3 4
Desânimo/Fatalismo
1. Sinto que não há nada que eu possa fazer para o ajudar
2. Sinto que os problemas de saúde do meu familiar nos impedem
de fazer planos para o futuro
3. Sinto que a vida é sem esperança
4. Sinto que não posso fazer nada para animar o meu familiar
5. Sinto que não posso fazer nada para alterar as coisas
6. Deixei tudo ao cuidado dos médicos
7. Não tenho muita esperança no futuro
8. Eu e o meu familiar temos planos para o futuro, p. ex. férias,
trabalho, reformas na casa
9. Sinto-me completamente perdido sem saber o que fazer
10. Acredito verdadeiramente que o meu familiar vai melhorar
11. Apetece-me desistir
12. Sinto que não tenho controlo sobre os acontecimentos
Espírito de Luta
13. Tento obter o máximo de informação acerca da doença
14. Penso que o meu estado de espírito pode influenciar muito a
saúde domeu familiar
15. Dou valor às coisas boas que me acontecem
16. Tento manter uma atitude muito positiva
17. Tento combater a doença
18. Acredito que a minha atitude positiva poderá beneficiar a saúde
doNmeu familiar

Preocupação Ansiosa/Revolta
19. Sinto-me muito zangado com o que lhe aconteceu
20. Não acreditei que ele tinha esta doença
21. Sofro de grande ansiedade por causa disto
22. Tenho dificuldade em acreditar que isto tenha acontecido com
ele
23. Estou preocupado que a doença volte a aparecer ou piore
24. Neste momento, vivo um dia de cada vez
Aceitação/Resignação
25. O meu familiar teve uma vida boa. O que vier daqui para a
frente é bem-vindo
26. Tento viver a minha vida como sempre fiz até aqui
27. Estou decidido a por tudo isto para trás das costas
Componentes
1. “não se aplica de modo nenhum a mim”,
2. “não se aplica a mim”,
3. “aplica-se a mim”,

48
4. “aplica-se totalmente a mim”
ANEXO IV:Consentimento Informado

INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO JEAN PIAGET DE BENGUELA


DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO, SOCIAIS E HUMANAS

CONSENTIMENTO INFORMADO

Está a ser convidada para participar num estudo. Antes de decidir participar, é importante que
compreenda a investigação que está a ser realizada e o que ela envolve. Por favor, leia a seguinte informação
cuidadosamente. Sinta-se à vontade para perguntar sobre algum aspecto que não seja claro ou se precisa de mais
informação. Demore o tempo que for necessário para decidir se deseja participar.
O Estudo está a ser conduzido por: JOAQUINA ARIADE ANTÓNIO CHICOCA, estudante do
Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela, sob a responsabilidade do Orientador Professor Pedro
Hoka.
Este estudo pretende investigar o apoio psicológico aos familiares dos pacientes internados com
cancro na maternidade do Lobito.
Foi-lhe dada a oportunidade de participar porque se encontra numa situação que se enquadro no
âmbito do presente estudo.
Cabe-lhe a si decidir aceitar ou recusar participar. Se decidir participar, ser-lhe-á pedido que dê o
seu conhecimento respondendo ao questionário apresentado a seguir. Tem o direito a sair do estudo em qualquer
momento e sem dar qualquer explicação.
A participação neste estudo garante a confidencialidade de qualquer informação que der.
Ninguém, para além do investigador e dos seus superiores, terá acesso à informação fornecida. Não lhe será
pedido o nome. Os dados serão guardados, e quando forem analisados, poder-se-á submeter um documento a
publicação. Apenas serão dadas tendências gerais e não será possível identificar qualquer participante.

Se tiver alguma questão ou quiser mais informação, por favor pode perguntar o investigador.

Obrigado por ter lido esta informação e por pensar em participar no estudo.

NOME: _____________________________________________________
Li ambas e obtive respostas a todas as minhas questões. Por isso, dou o meu consentimento por
escrito para participar neste estudo.

Assinatura ____________________________________________ Data: ___________

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