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Faculdade de Engenharias, Arquitectura e Planeamento Físico

Curso: Arquitectura e Planeamento Físico

Cadeira de História da Arquitectura I

Tema: Arquitectura civil grega (teatros e ginásios)

Discentes:

Célio Sitoe

Machude Arufo

Docente: Vitorino Sambo

Belo Horizonte, Agosto de 2018


Arquitectura Civil Grega

Conteúdo
1. Introdução............................................................................................................................3
2. Breve Historial.....................................................................................................................4
3. Características da arquitectura Civil Grega..........................................................................4
3.1. Teatro Grego................................................................................................................4
3.1.1. A sua função.........................................................................................................4
3.1.2. O surgimento do Teatro........................................................................................5
3.1.3. Constituição do teatro...........................................................................................5
3.1.4. A evolução do Teatro...........................................................................................5
3.2. Os Ginásios Gregos........................................................................................................8
3.2.1. A sua origem........................................................................................................8
3.2.2. Objectivos da prática desportiva...........................................................................9
3.2.3. A função do Ginásio.............................................................................................9
3.2.4. O seu desenvolvimento.......................................................................................10
4. Conclusão...............................................................................................................................11
5.Referências Bibibliográficas...................................................................................................12

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1. Introdução
O trabalho que aqui se apresenta concerne ao tema Arquitectura civil Grega, abrangido este a
tópicos com maior destaque os ginásios e teatros. Tendo em consideração o seu surgimento e
suas características.

Para que se possa entender um pouco mais sobre o tipo de arquitectura que no trabalho se
apresenta deve se ter em consideração o modo de vida da população naquela época.

O principal objecto deste trabalho é demostrar de forma resumida a arquitectura civil e sua
forma de desenvolvimento.

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2. Breve Historial
A Arquitectura civil Grega se desenvolveu a partir do século VIII a.C., sendo inspirada nos
estilos jónico, o dórico e o coríntio. Nas grandes construções gregas, os materiais mais
utilizados eram as pedras, mármore, madeira e calcário. Naquele tempo, as estruturas já
contavam com uma grande engenharia, simetria e o uso de cálculos e proporções matemáticas.

Importante notar que a arquitectura civil grega era sobretudo, de carácter público, ou seja, as
construções ou edifícios públicos eram feitos para contemplar diversos eventos (político, social,
económico, religioso). Por sua vez, as habitações eram simples e destituídas de grande requinte.

3. Características da arquitectura Civil Grega


As principais características da arquitectura civil grega são as seguintes:

i. Eram de carácter público;


ii. Possuem uma simetria e harmonia;
iii. Contém um equilíbrio e rigor nas suas formas.

3.1. Teatro Grego


O teatro Grego foi um dos mais importantes elementos da cultura grega. Eram
um dos mais célebres acontecimentos que fazia parte da vida social da Grécia
Antiga. Eram encenados durante o dia inteiro e os géneros desenvolvidos foram
a Tragédia e a Comédia. No período clássico, o teatro grego era composto por
três partes principais:
 A orquestra: local onde o coro e os atores representados, que era um grande
espaço circular disposto no centro;
 A arquibancada: assentos colocados em forma semicircular, na encosta de
uma colina, onde os espectadores se sentavam;
 O palco: local ao fundo da orquestra,onde os atores se preparavam para entrar
no palco, e onde eram guardados os cenários e figurinos.

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3.1.1. A sua função


Os teatros tinham uma função cultural e de formação cívica e religiosa dos espectadores,
levando-os a pensar e a reflectirem sobre o sentido da existência humana, o destino do Homem,
o poder dos Deuses e a vingança destes sobre quem os desafiasse. Era também através do teatro

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que se ensinavam as virtudes aos cidadãos (ética, moderação, humanismo, pacifismo, sabedoria,
coragem, entre outras), levando-os também a reflectir sobre os vícios dos homens (adultério,
ambição, maldade, desrespeito pelas leis e pela religião, entre outros).

3.1.2. O surgimento do Teatro


Os anfiteatros são um tipo de arquitectura muito importante para a Grécia Antiga. Foram os
gregos que inventaram o teatro. Através da encenação de autores de cenas mitológicas ou de
passagens literárias, era possível a transmissão de ideias e conceitos, muito caros aos gregos. O
teatro surgiu dos rituais de culto ao deus Dionísio, e acabou estendendo-se para culto de outros
deuses.

Através da encenação de autores de cenas mitológicas ou de passagens literárias, era possível a


transmissão de idéias e conceitos, muito caros aos gregos. O teatro surgiu dos rituais de culto ao
deus Dionísio, e acabou estendendo-se para culto de outros deuses. De qualquer forma, o teatro
grego sempre tinha conexão com um rito religioso.

3.1.3. Constituição do teatro


Os anfiteatros consistiam em arquibancadas semiesféricas, dispostas em degraus, em volta do
espaço onde eram representadas as tragédias ou comédias. O grande desafio dos gregos era
encontrar uma colina com inclinação adequada para a acústica e visibilidade do espectáculo.
Como os gregos não tinham desenvolvido técnicas construtivas suficientemente elaboradas para
construir os anfiteatros independentemente da topografia, muitas vezes os teatros ficavam
afastados da cidade.

3.1.4. A evolução do Teatro


No período clássico, o teatro grego era composto por três partes principais:

i. A orquestra− local onde o coro e os atores representados, que era um grande espaço
circular disposto no centro;
ii. A arquibancada − que são assentos colocados em forma semicircular, na encosta de
uma colina, onde os espectadores se sentavam;
iii. O palco –Que é o local ao fundo da orquestra, onde os atores se preparavam para entrar
no palco, e onde e guardados os cenários e figurinos.

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Com o advento do teatro do período helenístico, a arquitectura dos anfiteatros também sofreu
algumas alterações. A principal mudança foi no palco. No período clássico, havia uma
construção de um andar chamado proscénio, onde eram afixados os cenários, toda a acção se
desenrolava somente na orquestra.

No período clássico, era dada muita importância ao coro (que representavam a acção de um
povo ou de grupos humanos), ou seja, à representação de grupos de atores. Já no período
helenístico, que preconizava um individualismo maior em detrimento da colectividade, os atores
individuais são mais valorizados, e seu desempenho é objecto de observação e análise constante
dos espectadores. Isso levou a algumas importantes modificações de ordem técnica na
construção dos locais de encenação desses espectáculos.

No século II a.C., os atores já se apresentam mais isolados do público e do coro, e sua acção
ganha destaque. O telhado do proscénio passa a ser convertido num piso para a actuação dos
atores (o nosso palco moderno, mais elevado). Atrás do proscénio ergue-se outro andar, em cuja
fachada são afixados os cenários. Com essa mudança, a orquestra deixa de ser um círculo
completo, e a arquibancada se aproxima mais do palco. Assim, não é mais um espaço dividido
em três partes, mas um único espaço unitário, que será melhor desenvolvido posteriormente
pelos romanos.

3.1.5. Anfiteatro de Epidauro

Projetado por Policleto e construído por volta de 350-330 a.C. Um dos maiores e mais eficientes
do período, o anfiteatro media 112 m de diâmetro e acomodava cerca de 14.000 espectadores,
ocupa uma área de 338,1 km² acomodados em 55 degraus encostado em uma colina. A sua
acústica era considerada perfeita na época, e ainda hoje é utilizado. Como a figura a seguir nos
apresenta.

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Fig: Teatro Epidauro, c. 350-330 a.C.

3.1.6. Concepção do teatro de Epidauro

Plano e corte do edifício, pormenor das bancadas e lugares e disposição do proskénion. A cavea
cobre um hermicioclo largamente ultrapassado. Apesar da perfeição desta concha disposta numa
colina, a ligação entre a cavea e a cena ficou por articular. Só Roma saberá realizar a unidade
arquitectónica dos teatros.

Fig: planta e corte do teatro de epidauro

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3.1.7. Arranjos dos assentos

Dois tipos de assentos estavam à disposição dos espectadores em Epidauro: os do povo e os dos
magistrados.

À esquerda: as filas de bancadas que foram a maioria dos lugares na cavea do teatro, com
bordos em ângulo nos limites do cuneus.

À direita: os lugares com encosto e apoio para os braços, destinados às personagens politicas e
aos responsáveis da cidade.

Acções que classificamos de correcções ópticas. Mais não se pode senão constatar a harmoniosa
perfeição deste auditório enorme e sereno. Tendo-se como referência as formulas que Vitrúvio
propõe para a composição dos teatros antigos, far-se-á uma ideia.

3.2. Os Ginásios Gregos

Os estádios eram construções destinadas á práticas de jogos. A formação escolar grega incluía
aprender a ler, escrever, contar, tocar um instrumento, cantar, recitar, dançar e praticar exercício
físico nos ginásios, a fim de se prepararem para a Guerra e também para os jogos.

3.2.1. A sua origem

Etimologicamente, a palavra ginásio deriva de gumnoi: nus. Num sentido mais amplo, os
ginásios eram espaços públicos onde aqueles que neles se exercitavam estavam desnudos.
Originalmente, um lugar para a prática esportiva, isto é, para o exercício quotidiano, que é um
meio de desenvolvimento corporal; posteriormente, um centro intelectual.

Os ginásios eram, essencialmente, um espaço de comunicação, de interacção social.

A maior parte dessas edificações, por serem bastante eficientes e utilizáveis, já foram destruídas
ou desfiguradas por séculos de uso, porém é possível ainda encontrar exemplos ao longo do
Mediterrâneo e do Mar Egeu.

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Nos jogos só podiam participar os cidadãos gregos que fossem membros da boa sociedade e
tivessem boa consciência para com os homens e para com os Deuses; por isso os atletas não
eram profissionais.

Os melhores recebiam coroas de oliveira ou de loureiro e a admiração e estima dos seus


compatriotas, pois conseguiram ultrapassar os seus próprios limites na procura da excelência,
atingindo o supremo valor do pensamento grego. Além disso, eram também imortalizados pelos
poetas nos seus cantos de vitória e pelos escultores nas suas estátuas.

No séc. IV a.C., por várias razões, as competições desportivas decaíram e os participantes


passaram a ser profissionais. Em 393 a.C., o imperador Teodósio proibiu estes jogos,
considerando-os pagãos.

3.2.2. Objectivos da prática desportiva


Inicialmente, a prática física estava ligada principalmente às necessidades da vida militarizada;
apenas depois do século VII é que podemos assinalar uma sensível desmilitarização de algumas
póleis, como Atenas, que abandona a vida marcadamente militar, ainda encontrada em Creta e
Esparta, canalizando os desportos para as esferas cívica e heróica (BARROS, 1996, p.31). Em
tempos de paz, a educação gímnicatinhao objectivo de construir o corpo do atleta, contudo a
função de defesa da pólis não era de todo abandonado, de modo que também atendia a esse fim.

Assim, dardos poderiam ser substituídos por lanças, discos por escudos, já que a luta era
imprescindível na guerra. Tudo em favor da defesa da pólis. Platão, nas Leis, assinala a relação
das práticas desportivas com a guerra.

As práticas esportivas também permitiam a interacção de diferentes grupos de homens/cidadãos


no interior da sociedade políade, explicitando suas alteridades (LESSA, 2003, p.53).

Há consenso entre os praticantes de que os Jogos eram um espelho da vida e da sociedade dos
gregos antigos, já que reuniam enorme multidão para assistir às cerimónias religiosas e diversas
disputas desportivas nas quais os grandes atletas competiam. Assim, as competições tinham
lugar num espaço público perante a comunidade reunida.

3.2.3. A função do Ginásio


O ginásio, também, era o espaço para a formação dos futuros cidadãos, vinculando-se
directamente à paidéia. As diversas modalidades ali praticadas eram ensinadas aos mais jovens,
que se tornariam, futuramente, os atletas que disputariam as competições esportivas. Para

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Marrou, falar em desporto era se referir ao desporto competitivo, pois era neste contexto que se
encontrava o ideal agonístico herdado dos exemplos heróicos que os helenos tinham. Ser o
melhor, o primeiro, o que se destaca em seu grupo (MARROU, 1998, p. 213).

O ginásio, desse modo, convertia-se num espaço com uma dupla função: além de ser o local de
preparação do corpo do atleta, era o espaço de exposição do mesmo, visto que a abordagem nele
se dava através de cotejamentos e presentes (com animais vinculados à esfera da virilidade, da
coragem e da caça, como galos, cachorros e lebres).

3.2.4. O seu desenvolvimento


De acordo com Z. Newby, o desenvolvimento dos ginásios aparece vinculado ao aumento da
necessidade de treinamento para as competições.

A autora defende, ainda, que eles se tornaram espaços nos quais se evidenciou a diferenciação
da elite social porque ganharam a conotação de expressão da superioridade física, sendo
acessíveis apenas às camadas mais abastadas da sociedade (NEWBY, 2006, p. 69-70).

No momento de definir o que constituíam os ginásios para os gregos antigos, há, entre os
autores, uma confusão no que se refere a dois dos espaços físicos mais frequentemente
associados às práticas esportivas: os próprios ginásios e as palestras. De acordo com a
documentação, os ginásios teriam sido estruturas maiores, contando com espaços para
caminhada e corrida, bem como estruturados para a prática da luta e do pugilato. Ainda assim,
há relatos de ginásios que incluíam também a palestra. Dessa forma, ginásio seria a
nomenclatura dada ao complexo inteiro, e palestra, o conjunto do espaço que circundava a área
aberta, com os vestiários, salas de descanso e de banho.

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4. Conclusão
Em suma, os teatros e ginásios foram de grande importância para a arquitectura civil grega.
Ambos tinham o objectivo de educar a sociedade. No caso dos teatros os autores encarnavam-se
nas cenas para retratar a mitologia e nos ginásios os participantes era todos aqueles que tinham
boa educação e consideradas pessoas cultas.

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5.Referências Bibibliográficas
BARROS, G. As Olimpíadas na Grécia Antiga. São Paulo: Pioneira, 1996.

CALAME, C. Récit em GrèceAncienne: EnonciationetRepresentations

des Poetes. Paris: MaridiensKlicksieck, 1986.

CERTEAU, M. A invenção do cotidiano: artes de fazer.Petrópolis, RJ: Vozes,

1994.

DAMATTA, R. A casa e a rua. São Paulo: Brasiliense, 1985.

KEULS, E. C. The Reign of Phallus: Sexual Politics in Acient Athens. California: University of
California Press, 1993.

LEFBVRE, Henry. La Production de l´Espace.Paris: Anthropos, 2000 [1974].

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