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SEMINÁRIO PRESBITERIANO DO NORTE

BACHARELADO EM TEOLOGIA

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE E DEPRESSÃO


Wagner Luis Monteiro Felix

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE

A personalidade do indivíduo se define por um padrão de características


individuais e particulares que acontecem de modo persistente. Estas características
podem ser percebidas de várias formas e aparecem nos contextos em que este indivíduo
está envolvido. Sendo assim, o transtorno da personalidade (TP) vem a modificar essas
características peculiares. A Associação Americana de Psiquiatria (APA, em inglês)
define o TP como um “padrão persistente de experiência interna e comportamento que
se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo, é difuso e inflexível,
começa na adolescência ou início da fase adulta, é estável ao longo do tempo e leva a
sofrimento ou prejuízo”. Ainda segundo a APA, esse padrão pode ser manifestado nas
seguintes áreas: cognição, afetividade, funcionamento interpessoal ou no controle dos
impulsos. Segundo estimativas, cerca de 9 a 15% dos adultos apresentam algum TP e
aproximadamente 4 a 12% da população. Com base no DSM-53, podemos apontar
basicamente três grupos de transtornos. São eles o Grupo A: paranoide, esquizoide e
esquizotípica; Grupo B: narcisista, histriônica, Boderline e antissocial; e Grupo C:
obsessivo-compulsivo, dependente e evitativa. Abaixo uma definição, como exemplo,
do Transtorno da Personalidade Borderline, retirado do artigo “Transtornos da
personalidade”:

“Instabilidade dos relacionamentos interpessoais, da autoimagem e dos afetos e


acentuada impulsividade, que se manifesta no início da idade adulta e está presente em
uma variedade de contextos:

1. Esforços frenéticos no sentido de evitar um abandono real ou


imaginário;
2. Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos,
caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e
desvalorização;
3. Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da
autoimagem ou do sentimento de self;
4. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à
própria pessoa;
5. Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de
comportamento automulilante;
6. Instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor;
7. Sentimentos crônicos de vazio;
8. Raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva;
9. Ideação paranoide transitória e relacionada ao estresse ou graves
sintomas dissociativos.”

Os diagnósticos e tratamentos são sempre muito difíceis. Um dos fatores é a


própria natureza dos sintomas, que podem ser confundidos com a normalidade. Outra
dificuldade está na observação do próprio indivíduo que por vezes não identifica o
transtorno como algum incomum ou anormal. É importante que haja sempre alguém do
convívio do paciente para que possa detalhar e trazer fatos a respeito do seu
comportamento.

Entre as possíveis causas de mortes de pacientes com transtorno de


personalidade está o suicídio. O comportamento suicida pode ser encontrado em
aproximadamente 80% dos pacientes com transtorno de Boderline.

Existe no tratamento a necessidade do uso de medicamentos, mesmo não


havendo específicos para os casos de TP, juntamente com a psicoterapia, onde há uma
boa aceitação. Um fator muito contundente é que o paciente deve se envolver no seu
próprio tratamento a fim de que se melhore o seu desempenho. Em outras palavras, o
paciente deve ter força de vontade e não apenas agir de forma passiva. Outro ponto
crucial é a necessidade de comunicação clara e direta pelo seu profissional. Outras
recomendações são muito importantes tais como diminuir a carga de estresse, ter
qualidade do sono, a prática de atividades físicas, etc.
DEPRESSÃO

A depressão é uma doença muito grave e está entre as mais comuns no mundo.
No Brasil, segundo o site do Ministério da Saúde, atinge cerca de 15 % da população. O
seu aparecimento é mais comum aos 30 anos, mas também aparece nas mais variadas
faixas etárias. Quanto ao aparecimento nos sexos, homens são menos atingidos pela
doença, cerca de 12%, e as mulheres, 20 %.

As principais causas da doença são a genética, bioquímica cerebral e eventos


vitais. Estudos mostram que 40 % dos casos são por questões genéticas. No caso da
bioquímica cerebral, a falta de substâncias como serotonina, noradrenalina e dopamina
são a causa, segundo estudos, do desenvolvimento da depressão. Essas substâncias são
responsáveis, entre outras funções, pela regulação do sono e do humor. Por fim, eventos
no decorrer da vida podem ocasionar depressões naqueles que têm uma predisposição
genética. Casos de estresse em locais de trabalho são os mais comuns.

O Ministério da Saúde indica alguns fatores de risco para o desenvolvimento da


depressão, são eles:

1. Histórico Familiar;
2. Transtornos psiquiátricos correlatos;
3. Estresse crônico;
4. Ansiedade crônica;
5. Disfunções hormonais;
6. Dependências de álcool e drogas ilícitas;
7. Traumas psicológicos;
8. Doenças cardiovasculares, endocrinológicas, neurológicas, neoplasias
entre outras;
9. Conflitos conjugais;
10. Mudança brusca de condições financeiras e desemprego.

Os principais sintomas da depressão são humor depressivo, onde o indivíduo


demonstra sensação de tristeza profunda que pode acarretar até pensamentos suicidas;
falta de interesse, desmotivação em realizar atividades cotidianas; insônia ou
sonolência, dependendo do tipo de depressão; desregulação do apetite, em alguns casos
aumento e em outros a diminuição; redução de interesse sexual; sintomas chamados
psicossomáticos, como dores no peito, cansaço, taquicardia.

O tratamento da depressão pode ser realizado com a utilização de medicamentos


e de psicoterapias. Os medicamentos são indicados pelo profissional de acordo com o
subtipo de depressão. É importante que seja seguido de forma rígida todo o tratamento e
nunca haver uma interrupção por conta própria, o que pode ocasionar uma cronificação
e dificultar ainda mais a cura.

Por fim, é essencial que se tenha uma vida saudável para a prevenção de doenças
depressivas. Algumas das atitudes que podem ser tomadas em relação a isso são: ter
uma boa alimentação, praticar exercícios físicos regularmente, manter atividades de
lazer que sejam agradáveis e prazerosas, ter boas noites de sono, entre outras.

REFERÊNCIAS

MAZER, A.; MACEDO, B.; JURUENA, M. Transtornos da personalidade. Medicina


(Ribeirao Preto Online), v. 50, n. supl.1, p. 85-97, 4 fev. 2017.

DEPRESSÃO: causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção. Saúde, 2020.


Disponível em: <https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/depressao>. Acesso em: 07 de set. de
2020.

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