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Aluno (a): ........................................................................................ Série: ........ Turma: .......

Profª.: Poliana Loiola Data: ......../......../2018 Visto da coord.: ..........................

ATIVIDADE DE PORTUGUÊS
1 – Enem-2014-2 (BILAC, O. Últimas conferências e discursos.
Há o hipotrélico. O termo é novo, de impensada Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1927.)
origem e ainda sem definição que lhe apanhe em
todas as pétalas o significado. Sabe-se, só, que Nessa afirmação, Olavo Bilac defende a
vem do bom português. Para a prática, tome-se necessidade de uma mobilização em prol da
hipotrélico querendo dizer: antipodático, cultura brasileira. Para além da função emotiva
sengraçante imprizido; ou talvez, vicedito: que é fundamental na construção do texto, o
indivíduo pedante, importuno agudo, falta de tom convocatório faz com que outra função
respeito para com a opinião alheia. Sob mais que, seja importante para a criação de sentido do
tratando-se de palavra inventada, e, como adiante texto em questão. Qual é ela?
se verá, embirrando o hipotrélico em não tolerar a)    Fática
neologismos, começa ele por se negar b)    Conativa
nominalmente a própria existência. c)    Referencial
(ROSA, G. Tutameia: terceiras estórias. Rio de d)    Metalinguística
Janeiro: Nova Fronteira, 2001) e)    Poética
(fragmento).
Nesse trecho de uma obra de Guimarães Rosa, 3 – Enem-2011-2
depreende-se a predominância de uma das funções Uma luz na evolução
da Dois fósseis descobertos na África do Sul,
dotados de inusitada combinação de
a) metalinguística, pois o trecho tem como características arcaicas e modernas, podem ser
propósito essencial usar a língua portuguesa ancestrais diretos do homem.
para explicar a própria língua, por isso a
utilização de vários sinônimos e definições. Os últimos quinze dias foram excepcionais
b) referencial, pois o trecho tem como principal para o estudo das origens do homem. No fim
objetivo discorrer sobre um fato que não diz de março, uma falange fossilizada encontrada
respeito ao escritor ou ao leitor, por isso o na Sibéria revelou uma espécie inteiramente
predomínio da terceira pessoa. nova de hominídeo que existia há 50 000 anos.
c) fática, pois o trecho apresenta clara tentativa de Na semana passada, cientistas da Universidade
estabelecimento de conexão com o leitor, por de Witwatersrand, na África do Sul,
isso o emprego dos termos “sabe-se lá” e anunciaram uma descoberta similar. São duas
“tome-se hipotrélico”. as ossadas bastante completas ― a de um
d)  poética, pois o trecho trata da criação de menino de 12 anos e a de uma mulher de 30 ―
palavras novas, necessária para textos em encontradas na caverna Malapa, a 40
prosa, por isso o emprego de “hipotrélico”. quilômetros de Johannesburgo. Devido à
e) expressiva, pois o trecho tem como meta mostrar abundância de fósseis, a região é conhecida
a subjetividade do autor, por isso o uso do como Berço da Humanidade.
advérbio de dúvida “talvez”. (Veja. Abr. 2010) (adaptado).

2 – Opera10 Sabe-se que as funções da linguagem são


“Abrimos o Brasil a todo o mundo: mas reconhecidas por meio de recursos utilizados
queremos que o Brasil seja Brasil! Queremos segundo a produção do autor, que, nesse texto,
conservar a nossa raça, a nossa história, e, centra seu objetivo
principalmente, a nossa língua, que é toda a a)na linguagem utilizada, ao enfatizar a maneira
nossa vida, o nosso sangue, a nossa alma, a como o texto foi escrito, sua estrutura e
nossa religião.” organização.
b)em si mesmo, ao enfocar suas emoções e funções de linguagem. Dessa forma, de acordo
sentimentos diante das descobertas feitas. com o texto, a preocupação com a seca fez
c)no leitor do texto, ao tentar convencê-lo a com que os diálogos dos paulistanos acerca da
praticar uma ação, após sua leitura. previsão do tempo deixassem de cumprir
d)no canal de comunicação utilizado, ao querer unicamente o objetivo da função
certificar-se do entendimento do leitor. a) emotiva
e)no conteúdo da mensagem, ao transmitir uma b) apelativa
informação ao leitor. c) referencial
d) metalinguística
4 – Enem 2014-3 e) fática
O telefone tocou.
6 - Opera10
— Alô? Quem fala? Sobre o Fim da História
— Como? Com quem deseja falar?
— Quero falar com o sr. Samuel Cardoso. A pólvora já tinha sido inventada, a Bastilha
— É ele mesmo. Quem fala, por obséquio? posta abaixo
— Não se lembra mais da minha voz, seu e o czar fuzilado quando eu nasci. Embora não
Samuel? me res-
Faça um esforço. tasse mais nada por fazer, cultivei ciosamente a
— Lamento muito, minha senhora, mas não minha
me miopia para poder investir contra moinhos de
lembro. Pode dizer-me de quem se trata? vento.
(ANDRADE, C. D. Contos de aprendiz. Rio de
Janeiro: José Olympio, 1958.) Eles até que foram simpáticos comigo e os de
minha ge-
Pela insistência em manter o contato entre o ração. Fingiam de gigantes, davam berros
emissor e o receptor, predomina no texto a horríves só
função para nos animar a atacá-los.
a)    metalinguística.
b)    fática. Faz tempo que os sei meros moinhos. Por isso
c)    referencial. os derrubei
d)    emotiva. e construí em seu lugar uma nova bastilha.
e)    conativa. Vou ver se escondo agora a fórmula da pólvora
e ar-
5 – Insper ranjo um outro czar para o trono.
“A cena cotidiana, que a maioria já vivenciou,
sempre serviu como exemplo de conversa Quero que meus filhos comecem bem a vida.
superficial. "Está quente hoje", comenta um. (José Paulo Paes)
"Será que vai chover?", indaga o interlocutor
desinteressado. Sobre a teoria das funções e das figuras de
Para uma fatia dos moradores da região linguagem, marque a alternativa correta.
metropolitana de São Paulo, contudo, a a) A função da linguagem predominante é a
pergunta não é mais retórica. conativa e há paradoxos entre as figuras de
Revela, ao contrário, preocupação genuína linguagem presentes no texto.
com a situação do sistema Cantareira, b) A função da linguagem predominante é a
responsável pelo abastecimento hídrico de 8,8 emotiva e há uma prosopopeia entre as figuras
milhões de pessoas. de linguagem presentes no texto.
Por causa da estiagem incomum, tornaram-se c) A função da linguagem predominante é a
frequentes, e não só nos elevadores, os emotiva e há antíteses entre as figuras de
diálogos sobre um possível racionamento em linguagem presentes no texto.
parte da capital e em municípios próximos. A d) A função da linguagem predominante é a
Sabesp (companhia paulista de saneamento conativa e há prosopopeias entre as figuras de
básico), por ora, descarta essa hipótese e linguagem presentes no texto.
assegura o suprimento até março de 2015.” e) A função da linguagem predominante é a
(Folha de S. Paulo, 24/07/2014) emotiva e há anacolutos entre as figuras de
linguagem presentes no texto.
O fragmento  acima  evidencia  os  propósitos 
comunicativos  dos  falantes,  a  partir  de  7 - UFS
escolhas  linguísticas  que exploram diferentes
Disparidades raciais
Fator decisivo para a superação do sistema a) No trecho de autoria do escritor angolano José
colonial, o fim do trabalho escravo foi seguido Eduardo Agualusa, pode se notar a
pela criação do mito da democracia racial no predominância da função poética da linguagem
Brasil. Nutriu-se, desde então, a falsa ideia de e a presença do antítese na construção da
que haveria no país um convívio cordial entre sentença.
as diversas etnias. "Um alfarrabista organizado, metódico,
Aos poucos, porém, pôde-se ver que a sugere-me algo vagamente monstruoso, capaz
coexistência pouco hostil entre brancos e de ofender a ordem natural das coisas, um
negros, por exemplo, mascarava a manutenção pouco como um lagarto com duas cabeças, um
de uma descomunal desigualdade advogado ingênuo, um general pacifista."
socioeconômica entre os dois grupos e não ("Discurso Sobre o Fulgor da Língua", no livro
advinha de uma suposta divisão igualitária de Manual Prático de Levitação. Rio de Janeiro:
oportunidades. Gryphus, 2005, pág. 96).
O cruzamento de alguns dados do último censo b) No trecho de autoria de Luiz Vilela presente no
do IBGE relativos ao Rio de Janeiro permite conto “O suicida”, pode-se notar algumas
dimensionar algumas dessas inequívocas figuras de linguagem como a metonímia e a
diferenças. Em 91, o analfabetismo no Estado gradação ascendente, além da função poética.
era 2,5 vezes maior entre negros do que entre "A decepção era geral, todo mundo se sentia
brancos, e quase 60% da população negra com logrado. O único que vi contente com a coisa
mais de 10 anos não havia conseguido foi um dos estudantes: tinham apostado uma
ultrapassar a 4ª. série do 1º. grau, contra 39% Brahma, e o que apostara que ninguém ia
dos brancos. Os números relativos ao ensino suicidar ria e gozava o outro, dando soquinhos.
superior confirmam a cruel seletividade Mas o outro ainda não se dera por vencido;
imposta pelo fator socioeconômico: até aquele ainda não estava escuro, o sujeito ainda podia
ano, 12% dos brancos haviam concluído o 3º. pular. Mas ninguém pulou mesmo." ("O
Grau, contra só 2,5% dos negros. Suicida", no livro Os Melhores Contos de Luiz
É inegável que a discrepância racial vem Vilela. São Paulo: Global, 1988, pág. 129).
diminuindo ao longo do século: o
analfabetismo no Rio de Janeiro era muito c) Abaixo o trecho de “Lavoura Arcaica”, de
maior entre negros com mais de 70 anos do Raduan Nassar é construído com o uso de
que entre os de menos de 40 anos. Essa queda, anáfora, anacoluto e prosopopeia.
porém, ainda não se traduziu numa "O tempo, o tempo é versátil, o tempo faz
proporcional equalização de oportunidades. diabruras, o tempo brincava comigo, o tempo
Considerando que o Rio de Janeiro é uma das se espreguiçava provocadoramente [...]."
unidades mais desenvolvidas do país e com (Lavoura Arcaica. São Paulo: Cia. das Letras,
acentuada tradição urbana, parece inevitável 1989, pág. 95).
extrapolar para outras regiões a inquietação
resultante desses dados.(Folha de São Paulo, d)    No fragmento abaixo, João Ubaldo Ribeiro
9. de jun. de 1996. Adaptado). utiliza-se de um eufemismo e da função fática
da linguagem para construir o texto.
Considerando as funções que a linguagem "Vítima contumaz do terrorismo médico que
pode desempenhar, reconhecemos que, no nos assola em jornais, revistas e reuniões
texto acima, predomina a função: sociais, todo dia me convencem de que serei
a) apelativa: alguém pretende convencer o ceifado ou, no mínimo, entortado
interlocutor acerca da superioridade de um definitivamente pelas doenças que nos
produto. pegarão, quer deixemos de fazer, quer
b)  expressiva: o autor tenciona apenas transparecer persistamos em fazer alguma coisa."
seus sentimentos e emoções pessoais. ("Mantendo a Forma", em O Conselheiro
c)   fática: o propósito comunicativo em jogo é o de Come. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000,
entrar em contato com o parceiro da interação. pág. 86).
d)  estética: o autor tem a pretensão de despertar no
leitor o prazer e a emoção da arte pela palavra. e)    No trecho de “O fiel e a pedra” de Osman
e) referencial: o autor discorre acerca de um tema e Lins, há uma hipálage, metáforas e epístrofes.
expõe sobre ele considerações pertinentes. "Olhou a esposa. Ela cruzara os pés e estava de
sapatos, aqueles sapatos negros e já velhos,
8 – Opera10 resguardados pelo seu zelo diligente contra o
Aplique as teorias das funções e das figuras de uso e o tempo." (O Fiel e a Pedra. São Paulo:
linguagem e marque a alternativa correta. Summus, 1979, pág. 204).
havia mais ninguém lá. Aqueles lugares,
9– Enem-2006 aqueles campos, furos puxadouros
A linguagem arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos
na ponta da língua misteriosos, tudo era solidão do deserto... Um
tão fácil de falar silêncio imenso dormia à beira do rio
e de entender. Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra
A linguagem não sabia nem falar da tribo nem contar
na superfície estrelada de letras, aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber
sabe lá o que quer dizer? do Herói?
Professor Carlos Góis, ele e quem sabe, (Mário de Andrade)
e vai desmatando 10
o amazonas de minha ignorância. Considerando-se a linguagem desses dois
Figuras de gramática, esquemáticas, textos, verifica-se que
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me. a) a função da linguagem centrada no receptor
Já esqueci a língua em que comia, está ausente tanto no primeiro quanto no
em que pedia para ir lá fora, segundo texto.
em que levava e dava pontapé, b) a linguagem utilizada no primeiro texto é
a língua, breve língua entrecortada coloquial, enquanto, no segundo, predomina a
do namoro com a priminha. linguagem formal.
O português são dois; o outro, mistério. c) há, em cada um dos textos, a utilização de
(Carlos Drummond de Andrade. Esquecer para pelo menos uma palavra de origem indígena.
lembrar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.) d) a função da linguagem, no primeiro texto,
centra-se na forma de organização da
Explorando a função emotiva da linguagem, o linguagem e, no segundo, no relato de
poeta expressa o contraste entre marcas de informações reais.
variação de usos da linguagem em e) a função da linguagem centrada na primeira
a) situações formais e informais. pessoa, predominante no segundo texto, está
b) diferentes regiões dos pais. ausente no primeiro.
c) escolas literárias distintas.
d) textos técnicos e poéticos. 11 - Enem Cancelado-2009
e) diferentes épocas Sentimental
1 Ponho-me a escrever teu nome
10 – Enem-2007 com letras de macarrão.
O canto do guerreiro No prato, a sopa esfria, cheia de escamas 4 e
debruçados na
Aqui na floresta mesa todos contemplam
Dos ventos batida, esse romântico trabalho.
Façanhas de bravos Desgraçadamente falta uma letra, 7 uma letra
Não geram escravos, somente para
Que estimem a vida acabar teu nome!
Sem guerra e lidar. — Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!
— Ouvi-me, Guerreiros, 10 Eu estava sonhando...
— Ouvi meu cantar. E há em todas as consciências este cartaz
Valente na guerra, amarelo: "Neste
Quem há, como eu sou? país é proibido sonhar."
Quem vibra o tacape (ANDRADE, C. D. Seleta em Prosa e Verso.
Com mais valentia? Rio de Janeiro: Record, 1995.)
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou? Com base na leitura do poema, a respeito do
— Guerreiros, ouvi-me; uso e da predominância das funções da
— Quem há, como eu sou? linguagem no texto de Drummond, pode-se
(Gonçalves Dias) afirmar que
a) por meio dos versos "Ponho-me a escrever
Macunaíma teu nome" (v.1) e "esse romântico trabalho"
(Epílogo) (v.5), o poeta faz referências ao seu próprio
Acabou-se a história e morreu a vitória. ofício: o gesto de escrever poemas líricos.
Não havia mais ninguém lá. Dera b) a linguagem essencialmente poética que
tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os constitui os versos "No prato, a sopa esfria,
filhos dela se acabaram de um em um. Não cheia de escamas e debruçados na mesa todos
contemplam" (v.3 e 4) confere ao poema uma eu fico fora de si
atmosfera irreal e impede o leitor de eu fico oco
reconhecer no texto dados constitutivos de uma eu fica bem assim
cena realista. eu fico sem ninguém em mim.
c) na primeira estrofe, o poeta constrói uma
linguagem centrada na amada, receptora da A leitura do poema permite afirmar
mensagem, mas, na segunda, ele deixa de se corretamente que o poeta explora a ideia de
dirigir a ela e passa a exprimir o que sente. a) buscar a completude no Outro, conforme
d) em "Eu estava sonhando..." (v. 10), o poeta atesta a função apelativa, reforçando que o Eu,
demonstra que está mais preocupado em quando fora de si, necessariamente se funde
responder à pergunta feita anteriormente e, com o Outro.
assim, dar continuidade ao diálogo com seus b) sair de sua criação artística, retratando, pela
interlocutores do que em expressar algo sobre função poética, a contradição do fazer literário,
si mesmo. que não atinge o poeta.
e) no verso "Neste país é proibido sonhar." (v. c) perder a noção de si mesmo, e também
12), o poeta abandona a linguagem poética perder a noção das outras pessoas, o que se
para fazer uso da função referencial, mostra num poema metalinguístico.
informando sobre o conteúdo do "cartaz d) extravasar o seu sentimento, como denuncia
amarelo" (v.11) presente no local. a função emotiva, reafirmando a situação de
desencanto e desengano do poeta.
12 – Mack-2005 e) criar literariamente como brincar com as
Estou farto do lirismo comedido palavras, o que se pode comprovar pela função
Do lirismo bem comportado fática da linguagem.
Do lirismo funcionário público com livro de
ponto 14 - PUC-SP
expediente A questão é começar
[protocolo e manifestações de apreço ao sr.
diretor. Coçar e comer é só começar. Conversar e
(...) escrever também. Na fala, antes de iniciar,
Estou farto do lirismo namorador mesmo numa livre conversação, é necessário
Político quebrar o gelo. Em nossa civilização
Raquítico apressada, o “bom dia”, o “boa tarde, como
Sifilítico. vai?” já não funcionam para engatar conversa.
(Manuel Bandeira) Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo
ou de futebol. No escrever também poderia ser
Assinale a afirmativa correta. assim, e deveria haver para a escrita algo como
a) O lirismo caracterizado no terceiro verso é o conversa vadia, com que se divaga até
oposto do lirismo comedido (primeiro verso). encontrar assunto para um discurso encadeado.
b) No quarto verso, o eu lírico repudia o Mas, à diferença da conversa falada, nos
envolvimento amoroso. ensinaram a escrever e na lamentável forma
c) Raquítico e Sifilítico, nesse contexto, são mecânica que supunha texto prévio, mensagem
palavras antônimas. já elaborada. Escrevia-se o que antes se
d) No terceiro verso, as expressões que pensara. Agora entendo o contrário: escrever
caracterizam o lirismo pertencem a campos para pensar, uma outra forma de conversar.
semânticos diferentes. Assim fomos “alfabetizados”, em obediência a
e) A palavra lirismo, no poema, é índice de certos rituais. Fomos induzidos a, desde o
função metalinguística, isto é, revela que o início, escrever bonito e certo. Era preciso ter
assunto do poema é o próprio fazer poético. um começo, um desenvolvimento e um fim
predeterminados. Isso estragava, porque
13 - Unifesp-2004 bitolava, o começo e todo o resto. Tentaremos
agora (quem? eu e você, leitor) conversando
fora de si entender como necessitamos nos reeducar para
eu fico louco fazer do escrever um ato inaugural; não apenas
eu fico fora de si transcrição do que tínhamos em mente, do que
eu fica assim já foi pensado ou dito, mas inauguração do
eu fica fora de mim próprio pensar. “Pare aí”, me diz você. “O
eu fico um pouco escrevente escreve antes, o leitor lê depois.”
depois eu saio daqui “Não!”, lhe respondo, “Não consigo escrever
eu vai embora
sem pensar em você por perto, espiando o que o “boa tarde” já não funcionam para engatar
escrevo. Não me deixe falando sozinho.” conversa. Qualquer assunto servindo, fala-se
Pois é; escrever é isso aí: iniciar uma conversa do tempo ou de futebol.” Ela faz referência à
com interlocutores invisíveis, imprevisíveis, função da linguagem cuja meta é “quebrar o
virtuais apenas, sequer imaginados de carne e gelo”. Indique a alternativa que explicita essa
ossos, mas sempre ativamente presentes. função.
Depois é espichar conversas e novos a) Função emotiva
interlocutores surgem, entram na roda, puxam b) Função referencial
assuntos. Termina-se sabe Deus onde. c) Função fática
(Marques, M.O. Escrever é Preciso, Ijuí, Ed. d) Função conativa
UNIJUÍ, 1997, p. 13). e) Função poética

Observe a seguinte afirmação feita pelo autor:


“Em nossa civilização apressada, o “bom dia”,

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