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ENSAIOS FÍSICOS E MECÂNICOS DAS MADEIRAS

FATORES DE ALTERAÇÃO DAS PROPRIEDADES FÍSICAS E MECÂNICAS

Escolha da espécie lenhosa determinada para emprego determinado


ECONOMIA E SEGURANÇA 
Conhecendo os valores médios que definem seu comportamento físico e
sua resistência às solicitações mecânicas

Realização de numerosos ENSAIOS DE QUALIFICAÇÃO que devem levar
em conta todos os fatores de alteração das características do material

OS FATORES NATURAIS

- Espécie botânica da madeira - Massa específica aparente


- Localização da peça no lenho - Presença de defeitos
- Umidade

OS FATORES TECNOLÓGICOS
Procedimentos na execução dos ensaios de qualificação:
- Forma e dimensões dos corpos de prova,
- Orientação das solicitações em relação aos anéis de crescimento
- Velocidade de aplicação das cargas nas solicitações mecânicas

ENSAIOS NORMALIZADOS
Os corpos de provas para ENSAIOS DE QUALIFICAÇÃO devem ser:
- De dimensões reduzidas
- Extraídos de todas as zonas de seção e altura das toras
- Ensaiados em condições convencionais de:
• Teor de umidade
• Orientações das solicitações em relação à direção das fibras
• Velocidade de carregamento

AMOSTRAGEM (MADEIRA SERRADA) - NBR 7190/1997


- Cada lote não deve ter volume superior a 12 m 3.
- Do lote, extrair uma amostra representativa da totalidade deste.
- Retirar somente um corpo de prova (cdp) por peça.
- Os cdp devem ser isentos de defeitos e retirados de regiões afastadas
das extremidades das peças
Número mínimo de corpos-de-prova:
a) caracterização simplificada: 6 cdp;
b) caracterização mínima de espécies pouco conhecidas: 12 cdp.
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CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DAS MADEIRAS
UMIDADE - RETRATILIDADE - DENSIDADE - RESISTÊNCIA AO FOGO -
CONDUTIBILIDADE ELÉTRICA, TÉRMICA E ACÚSTICA

Definem o comportamento do material e as alterações de seu estado
físico quando ocorrem variações (ToC e UR%) no seu ambiente de
emprego

- Classificar as madeiras sob critérios de usos e empregos recomendados


- Orientar uma escolha adequada para emprego específico
- Uma melhor utilização das qualidades de cada madeira

UMIDADE

GRAU DE UMIDADE: quantidade de água que a madeira possui em


percentagem de seu peso no estado anidro

DETERMINAÇÃO:

1) MÉTODO GRAVIMÉTRICO (cdp de 2x3x5 cm 3)

h = [(Ph - P0) / P0 ] x 100 = [Págua / P0] x 100

2) MEDIDA DA RESISTIVIDADE

 OBSERVAÇÃO 

1) A noção de GRAU DE UMIDADE é aplicável somente com pequenas


amostras que atingiram o estado de equilíbrio homogêneo e estável; para
peças de grande dimensões, o grau de umidade varia segundo a parte
onde é efetuada a medida: superfície, extremidades ou coração da peça.

2) A UMIDADE TOTAL da madeira varia entre 60 e 200 % e, depende: do


tipo de madeira (densidade, textura, etc.), da localização na tora (Ex.:
cerne - alburno) e da estação (devido às mudanças do estado termo-
higrométrico do ar).

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AS “ÁGUAS” DA MADEIRA

ÁGUA LIVRE (água de embebição ÁGUA DE IMPREGNAÇÃO (água de


ou água de capilaridade) adesão)

ÁGUA DE CONSTITUIÇÃO (água ligada quimicamente)

SECAGEM DA MADEIRA

Verde ou saturada PSF Seca ao ar Totalmente seca

Água livre Água de impregnação


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PONTO DE SATURAÇÃO DAS FIBRAS (PSF): entre 25 e 30 %
- Teor de umidade da madeira quando ela é colocada num ambiente
com 100% de umidade relativa (saturado)
- Teor de umidade da madeira quando as paredes das células estão
totalmente saturadas em água de impregnação sem que essa água
extravase para os vazios capilares

O PSF É MUITO IMPORTANTE EM ENGENHARIA DE MADEIRA...

TEOR DE UMIDADE DA MADEIRA “SECA AO AR”


TEOR DE UMIDADE DE EQUILÍBRIO (entre 12 e 17 %)
Quando é atingido o equilíbrio das tensões de vapor de água, a
evaporação da umidade pára e ocorre estabilização do peso
É quando o teor de umidade da madeira entra em equilíbrio com a
umidade relativa e temperatura do ambiente no qual ela está
colocada
Usado como TEOR DE REFERÊNCIA nas determinações das
características físico-mecânicas do material

CONVENCIONALMENTE, É USADO O TEOR DE UMIDADE DE 12 %:


“TEOR DE UMIDADE NORMALIZADO” OU “TEOR DE UMIDADE NORMAL”

CLASSIFICAÇÃO DAS MADEIRAS EM FUNÇÃO DE SEU TEOR DE


UMIDADE (AMOSTRAS DE LABORATÓRIO)

Teor de umidade (h):


Madeira verde
30% PSF
Madeira semi-seca
23%
Madeira comercialmente seca
17%
Madeira seca ao ar
12%
Madeira dessecada

0% Madeira complemente seca (anidra)



Estado instável

SECAGEM DAS MADEIRAS AO AR DEMORADO → ESTUFAS


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OBSERVAÇÃO IMPORTANTE
A madeira é HIGROSCÓPICA ⇒ As trocas de umidade com o ambiente
são permanentes
Qualquer seja a combinação de umidade relativa e temperatura, existe um
teor de umidade da madeira pelo qual a difusão de umidade até o interior
da madeira é compensada pelas trocas com o ambiente externo; este teor
de umidade será determinado a partir das
CURVAS DE UMIDADE DE EQUILÍBRIO DA MADEIRA EM %
Umidade relativa do ar em %

Temperatura em oC

 OBSERVAÇÃO AINDA MAIS IMPORTANTE 


Raramente a madeira (em uso) está neste estado de equilíbrio por que as
condições climáticas do ambiente sempre variam.
Consequentemente, o teor de umidade de um elemento de construção em
madeira se estabiliza em volta do teor de umidade de equilíbrio
correspondente às temperatura e umidade relativa média de algumas
semanas, sem ser afetado pelos ciclos de variações de umidade e
temperatura fracos ou altos de curta duração
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DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE DE EQUILÍBRIO

MADEIRA EM AMBIENTE EXTERNO

Indicações da NBR 7190/1997: classes de umidade

FLORIANÓPOLIS
UR% ToC H%
Verão 83 24,2 17
Outono 84 19,4 17,5
Inverno 84,2 17 17,5
Primavera 81,5 20,8 16,5
Media (p/ NBR 7190/1997) 83,17 17,1

Umidade de equilíbrio: 17% (máximo = 17,5% e mínimo = 16,5%)

 ATENÇÃO: nesse caso pegar a media entre o maior e o menor


valor de H e não a media dos 4 valores de H

Pela NBR 7190/1997: 18%

GOIÂNIA
UR% ToC H%
Verão 81,6 22,9 16,5
Outono 72,7 20,5 13,5
Inverno 55,8 21,1 10
Primavera 75,8 23,1 14,5
Media (p/ NBR 7190/1997) 71,5 13,6

Umidade de equilíbrio: 13,25% (máximo = 16,5% e mínimo = 10%)

Pela NBR 7190/1997: 15%


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MARSEILLE (FRA)
UR% ToC H%
Verão 60 23,5 10,5
Outono 76 16 14
Inverno 79 6 16
Primavera 71 13,5 13
Media 71,5 13,4

Umidade de equilíbrio: 13,25% (máximo = 16% e mínimo = 10,5%)

Se quiser uma maior precisão: pegar a media entre o maior e o menor


valor de H nos 12 meses:

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Umidade de equilíbrio media anual Floripa pelo método super preciso:
17,2%

MADEIRA EM AMBIENTE INTERNO

FRANCE

Ambiente externo
UR% ToC H%
Verão 70 20 13
Inverno 85 0-5 18

Umidade de equilíbrio media anual France externo: 15-16%

Ambiente interno
UR% ToC H%
Verão 70 20 13
Inverno 30 20 6
(aquecimento)

Umidade de equilíbrio media anual France interno: 10%

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BRASIL: Indicações da NBR 7190/1997: não há

Então, será que o teor de umidade de equilíbrio da madeira em ambiente


interno é o mesmo que em ambiente externo?

Teor de umidade de equilíbrio da madeira em ambiente interno em


Florianópolis (medidas de laboratório): em volta de 13%

RECOMENDAÇÃO PARA FLORIANÓPOLIS:


- Ambiente externo: 17%

- Ambiente interno: 13%

RECOMENDAÇÃO PARA OUTRAS REGIÕES:


- Ambiente externo: seguir a NBR 7190/1997 ou se quiser maior
precisão fazer o levantamento das ToC e UR% ao longo do ano

- Ambiente interno: medir...

CONCLUSÃO

As 4 CLASSES DE UMIDADE DA MADEIRA foram criadas pela NBR


7190/1997 no intuito de facilitar a vida do engenheiro na hora de
especificar a umidade da madeira que deve ser alcançada (ou perto) na
hora da aplicação das peças para evitar posterior secagem (ou absorção
de umidade) em serviço com suas consequências tais como deformações,
fissuras, descolamentos, etc.

Se o método da NBR 7190/1997 dá uma estimativa razoável do teor de


umidade de equilíbrio médio, dois problemas podem ser destacados:
1- Falta de precisão: não leva em conta a temperatura, não considera a
media dos extremos
2- Não se aplica para ambientes internos
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RETRATIBILIDADE

Alterações de volume e de dimensões quando o teor de umidade da


madeira varia entre o ponto de saturação das fibras (25-30%) e a condição
de seca em estufa (0%)

CONTRAÇÃO, INCHAMENTO OU "TRABALHO" DAS MADEIRAS

RETRAÇÃO VOLUMÉTRICA

Determinação de volumes em 3 estágios de umidade


(Corpos de prova de 2 x 3 x 5 cm3)

- Saturado (verde) VSAT - Seco ao ar Vh - Seco em estufa V0

(1) CONTRAÇÃO VOLUMÉTRICA TOTAL Ct = (VSAT - V0) 100


VSAT

(2) CONTRAÇÃO VOLUMÉTRICA PARCIAL Ch = (VSAT – Vh) 100


VSAT

(3) COEFICIENTE DE RETRAÇÃO VOLUMÉTRICA ν = Ch


h
(h = teor de umidade da madeira saturada)

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SIGNIFICAÇÃO FÍSICA DO COEFICIENTE DE RETRAÇÃO VOLUMÉTRICA
ν:
A CADA VARIAÇÃO DE 1% DO TEOR DE UMIDADE DA MADEIRA, HÁ UMA
VARIAÇÃO DE Ch % DO VOLUME DA MADEIRA.

RETRAÇÃO TOTAL: CLASSIFICAÇÃO DAS TORAS de espécies lenhosas e


uma orientação na escolha da madeira para empregos adequados
Retração Qualificação Exemplos - Usos
total %
15-20 Forte Toras com grandes fendas de secagem; devem ser
rapidamente desdobradas
10-15 Média Toras com fendas médias de secagem; podem ser
conservadas e usadas em forma cilíndrica (galerias de minas,
pontaletes); resinosas em geral
5-10 Fraca Toras com pequenas fendas de secagem; marcenaria e
laminados

COEFICIENTE DE RETRAÇÃO VOLUMÉTRICA:


 CLASSIFICAÇÃO DAS PEÇAS JÁ DESDOBRADAS

Coeficiente de Qualificação Exemplos - Usos


retração
0,75-1 Exagerada Madeiras dificilmente utilizáveis (algumas
variedade de eucaliptos)
0,55-0,75 Forte Madeiras para desdobro radial
0,35-0,55 Média Madeiras de construção utilizáveis em
carpintaria
0,15-0,35 Fraca Madeira para marcenaria e laminados

RETRATILIDADE LINEAR
Determinação de dimensões nas 3 direções (axial, radial, tangencial) em 3
estágios de umidade (corpos de prova de 2 x 3 x 5 cm)

- Saturado (verde) LSAT - Seco ao ar Lh - Seco em estufa L0

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(1) CONTRAÇÕES LINEARES TOTAIS: CLt = (Lsat - L0) 100
Lsat
(2) CONTRAÇÕES LINEARES PARCIAIS: CLh = (Lsat - Lh) 100
L sat
(3) COEFICIENTES DE RETRAÇÃO LINEAR: νL = CLh
h
(h = teor de umidade da madeira saturada)

Comportamento geral:

1) A retração longitudinal é “quase” desprezível


MAS CUIDADO COM AS PEÇAS COM GRANDE COMPRIMENTO 

EXEMPLO
Seja uma viga de 10 m de comprimento
Coeficiente de retração linear axial da madeira usada:
νL = 0,15/25 = 0,006 (% / 1% do teor de umidade da madeira)

Na aplicação, a umidade inicial da madeira era de 23%.


Após se equilibrar com as condições de UR% e T oC do ambiente na qual
foi colocada, ela vai passar para 13%.

Calculo da contração axial:


[(23 - 13) 0,006 /100] x 1000 = 0,6 cm !

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CAUSA: ângulo de cerca de 15 o que fazem as microfibras de celulose das
paredes dos tubos em relação ao eixo principal destes (camada S2):

2) A retração tangencial é entre 1,5 e 3,5 vezes maior que a radial (na
prática usa-se a média da duas )

3) A retração volumétrica é a somatório das três retrações lineares

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SIGNIFICAÇÃO PRÁTICA: Para evitar a retração depois da aplicação, a
madeira deve estar seca até um teor de umidade que estará em equilíbrio
com as condições de umidade relativa e temperatura do ambiente aonde a
peça vai se localizar.
 SENÃO, PODE OCORRER UMA RETRAÇÃO EM SERVIÇO
Perda das juntas Folga nas conexões Rachas na pintura
Flambagem Delaminação de lâminas

 ANISOTROPIA DA RETRATILIDADE LINEAR


⇒ TENSÕES INTERNAS E DIFERENCIADAS
⇒ EMPENOS, RACHAS E FENDAS DE SECAGEM

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 REPARTIÇÃO DESIGUAL DE UMIDADE DEPOIS DE COLOCAÇÃO

SOLUÇÕES PARA A ATENUAÇÃO DOS EFEITOS DA RETRATILIDADE:


- Emprego de peças de madeira com TEORES DE UMIDADE
COMPATÍVEIS COM O AMBIENTE (usar as curvas de equilíbrio
higroscópico para estimativa e, em seguida, deixar no futuro
ambiente de emprego ou secagem controlada em estufas).
- Emprego do DESDOBRO ADEQUADO
- IMPREGNAÇÃO das peças com óleos e resinas impermealizantes
(no entanto complicado e caro)

Onde a madeira está sujeita a GRANDES VARIAÇÕES DE UMIDADE NO


AMBIENTE DE EMPREGO, prestar atenção às variações dimensionais.

Onde ela está sujeita a VARIAÇÕES DE UMIDADE NUMA MESMA PEÇA,


prestar atenção às variações dimensionais diferenciais.

MONTE DE OBSERVAÇÕES

1) FENÔMENOS DEVIDOS À DILATAÇÃO TÉRMICA SÃO DESPREZÍVEIS


FRENTE ÀS MUDANÇAS DIMENSIONAIS DEVIDAS À RETRATILIDADE

2) AMPLITUDE DAS DEFORMAÇÕES


IMBUIA: CRad = 2,7%; CTang = 6,3%
CANELA-SEBO: CRad = 4,6%; CTang = 10,7%

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3) FORMA DAS DEFORMAÇÕES
JEQUITIBÁ-ROSA: CRad= 3,0%; CTang= 5,2%
CARVALHO-BRASILEIRO: CRad= 3,2%; CTang= 14%

4) TEMPO PARA DEFORMAR


EUCALYPTUS CITRIODORA: 19,4%
PINHO-BRASILEIRO (ARAUCÁRIA): 15%

Eucalyptus:

Araucária:
TEMPO: t0 t1 t2 t3 t4

LEMBRE-SE

- A UMIDADE DE EQUILÍBRIO da madeira depende unicamente das


condições do ambiente (ToC e UR%) mas nunca do tipo de madeira

- A amplitude das variações dimensionais depende do tipo de madeira.

- Para EVITAR AS DEFORMAÇÕES EM SERVIÇO, deve-se usar madeiras


já secas até uma umidade próxima da umidade de equilíbrio.

- A umidade da madeira é expressa pela relação entre o peso de água e o


peso da madeira anidra

- A madeira começa retrair quando sua umidade passa abaixo de 25-30%


(PSF)

- Cada madeira tem seus próprios coeficientes de retratilidade que são


diferentes segundo a direção

- TEMOS SEMPRE: νL ≅ 0 e νT > νR


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DENSIDADE

 MASSA ESPECÍFICA (DENSIDADE) APARENTE


 Mundo: 100 kg/m3 (balsa - ochroma pyramidale – Peru/Bolivia)
1300 kg/m3 (guaiaco – guaiacum officinale – America central)

 Brasil: 350 kg/m3 (garapuvu - schizolobium parahyba)


1100 kg/m3 (gombeira – melanoxylon brauna)

 SEMPRE REFERIDA AO TEOR DE UMIDADE:


Dh = Mh/Vh (g/cm3 ou kg/m3)

 NBR 7190/1997: densidade aparente medida para o TEOR DE UMIDADE


NORMAL de 12%
Para comparação de densidades de madeiras diferentes e calculo
estrutural.

 É UM ÍNDICE DE COMPACIDADE DA MADEIRA


Concentração de tecido lenhoso resistente por unidade de volume
aparente (massa específica da parede das células: cerca de 1500 kg/m 3).

CORRELAÇÕES COM AS CARACTERÍSTICAS MECÂNICAS

 VARIA DE PEÇA PARA PEÇA conforme a localização no lenho;


VARIA DE EXEMPLAR P/ EXEMPLAR conforme as condições regionais
de crescimento

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 FOLHOSAS densas 0,8 - 1kg/dm3
muito densas > 1 kg/dm3.
 RESINOSAS normais 0,3 - 0,6 kg/dm3
densas > 0,7 kg/dm3

OBSERVAÇÃO: DENSIDADE BÁSICA OU MASSA ESPECÍFICA


CONVENCIONAL (NBR 7190/1997):
Dbásica = M0/Vsat (g/cm3 ou kg/m3)

Para comparação com valores apresentados na literatura internacional

CONDUTIBILIDADE ELÉTRICA

BEM SECA: isolante (resistência elétrica elevada)

ÚMIDA: condutora

PARA UM TEOR DE UMIDADE DADO, A RESISTIVIDADE DEPENDE:


- da espécie lenhosa
- da massa específica
- do sentido em relação à principal direção das fibras

Teor de umidade % Resistividade transversal MΩ/cm


7 22000
10 600
15 18
25 0,5
Concreto: 20000 MΩ/cm Tijolo: 2000 MΩ/cm
-11
Aço: 100.10 MΩ/cm Vidro: 10000 MΩ/cm

RESISTIVIDADE: AVALIAÇÃO INDIRETA DO TEOR DE UMIDADE


Método não destrutivo mas pouco preciso

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CONDUTIBILIDADE TÉRMICA

Material K (SI) a 298 K Material K (SI) a 298


K
Material muito isolante 0,04 Aço 50
Madeiras leves 0,1 Cobre 300
Madeiras densas 0,3 Água 0,6
Alvenaria de tijolos 0,5 - 1 Ar 0,025
Pedras naturais 2-3 Lã de vidro 0,04
Vidro 1
Coeficiente de resistividade térmica; 1/K

MADEIRA: PÉSSIMO CONDUTOR TÉRMICO - Celulose


- Ar

CONDUTIBILIDADE TÉRMICA e - teor de umidade


- densidade
- orientação das fibras

CONDUTIBILIDADE ACÚSTICA
MADEIRAS: - Contra-indicadas para isolamento acústico
- Bons materiais p/ tratamento de absorção acústica

NOÇÕES DE ACÚSTICA

SOM: VIBRAÇÕES OU ONDAS propagando-se em qualquer


substância. 343 m/s ar; 1000 - 2000 m/s madeira;
5000 m/s aço; 40 - 150 m/s borracha.

VELOCIDADE DO SOM: COMPRIMENTO DE ONDA X FREQUÊNCIA


20 e 20000 Hz: recepção do ouvido humano
> 20000 Hz: ultra-sons.

VIBRAÇÕES QUE CAUSAM O SOM AÉREO PRODUZEM UMA MUDANÇA


DE PRESSÃO DO AR: Limiar de audição humana: 20 x 10 -6 Pa
Limiar de dor: 20 Pa

INTENSIDADE DO SOM: DECIBEL (dB)


i = 10 Ln(I/I0)
i = intensidade fisiológica do som (dB);
I = intensidade física do som
I0 = intensidade do som correspondente ao limiar de percepção.
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O DECIBEL COMPARE DOIS SONS
* Limiar de percepção 0 dB
* Farfalhar de folhas 10 dB
* Barulho de fundo numa Biblioteca pública 40 dB
* Conversação normal (1 m) 60 dB
* Tráfego de uma estrada 80 dB
* Decolagem de avião (747 a 100m de distância);
Limiar da dor 120 dB

2 SONS NÃO SE SOMAM: A (60 dB) + B (60 dB) = 63 dB


A (60 dB) + B (60 dB) + C(60 dB) = 65 dB
A (60 dB) + B (65 dB) = 66 dB

ISOLAMENTO ACÚSTICO (SONS AÉREOS)

LEI DA MASSA
Atenuação do som (dB)

Massa / unidade de superfície (kg/m2)

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EXEMPLOS:

- Parede de tijolos maciços (2000 kg/m3) de 10 cm (0,1m) de espessura


Massa/unidade de superfície = 200 kg/m 2
Atenuação acústica = 42 dB

- Parede de madeira (800 kg/m3) de 10 cm (0,1m) de espessura


Massa/unidade de superfície = 80 kg/m 2
Atenuação acústica = 35 dB

- Vidraça (2500 kg/m3) de 3 mm (0,003m) de espessura


Massa/unidade de superfície = 7,5 kg/m 2
Atenuação acústica = 22 dB

EFEITO MASSA-MOLA-MASSA

EVITAR PONTES ACÚSTICAS

Argamassa Canalizações Granulados Pregos, parafusos

PROJETOS DE ISOLAMENTO ACÚSTICO:

[Nível de som exterior] – [Nível de som compatível com ambiente]


= [Queda de som a ser realizada com paredes e vedações]

MADEIRA ?

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CONDICIONAMENTO ACÚSTICO (CORREÇÃO ACÚSTICA)

CONDICIONAMENTO ACÚSTICO
Procura-se: tempo ótimo de reverberação (eco) + boa distribuição
acústica

COEFICIENTE DE ABSORÇÃO ACÚSTICA


MEDE A PROPORÇÃO DE SOM ABSORVIDO = f(frequência do som)

Coeficiente de absorção acústica, por m 2 de parede (Ex. p/ 500 Hz)


Alvenaria rebocada 0,025
Piso cimentado 0,012
Concreto simples 0,02
Piso de madeira 0,09
Cortina leve 0,10
Chapas acústicas de fibras de madeira 0,64

De uma maneira geral, a absorção acústica depende da dureza dos


materiais e do seu estado de superfície.

ASSIM, MATERIAIS COM GRANDE DUREZA SUPERFICIAL REFLETEM O


SOM E MATERIAIS “MOLES” ABSORVEM MAIS OS SONS.

MADEIRA ?

RUÍDOS DE IMPACTO

VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO: FUNÇÃO DA HOMOGENEIDADE E DA


ELASTICIDADE (MODULO) DO MATERIAL

Material Velocidade de propagação Modulo de Young (GPa)


(m/s)
Borracha 40-150 0,01-0,1
Madeira 1000-2000 7-14 (axial)
0,5-1 (transversal)
Tijolo de barro 2500 14
Concreto 3500 20-50
Aço 5000-6000 207

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COMPORTAMENTO AO FOGO

CONFORME OS MATERIAIS ENVOLVIDOS, UM INCÊNDIO NASCE, SE


PROPAGA E SE EXTINGUE

 FASE DE DESENVOLVIMENTO
Combustibilidade e capacidade de inflamação do material
Velocidade de propagação do fogo ou da chama na sua superfície
Quantidade de calor emitida por ela

 FASE DE INCÊNDIO GENERALIZADO


Manutenção da capacidade portante e resistente
Não propagação do fogo nas zonas adjacentes

MATERIAIS: CLASSIFICADOS CONFORME RESISTÊNCIA A 850°C


Extinção de um fogo: devem resistir a 850 °C.

MADEIRAS ?

MADEIRA NATURAL PEGA FOGO ESPONTANEAMENTE POR VOLTA DE


250-300°C (a ignição é função do fluxo de calor)

Velocidade de combustão: 0,4 e 0,8 mm/min (umidade e densidade)

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A 275 °C, o fogo é superficial: forma-se uma cortiça de madeira dura e frágil,
mas com baixa condutividade térmica que protege o coração da peça.

ASSIM, DURANTE UM INCÊNDIO, OCORRE MAIS UMA REDUÇÃO DA


SEÇÃO RESISTENTE DO QUE PERDA DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS
MANTENDO A CAPACIDADE PORTANTE DA PEÇA DURANTE UM CERTO
TEMPO.

OBSERVAÇÃO:
Se a relação superfície/volume das peças aumenta, a combustão inicia
mais rapidamente e as chamas se propagam mais facilmente (Ex.: grandes
fendas são prejudicáveis).

Estrutura de aço Estrutura de madeira


Depois de um incêndio

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OBSERVAÇÕES:

1) PARA LIMITAR O RISCO DE IGNIÇÃO DO FOGO


Produtos ignífugos ou retardantes de ignição do fogo à base fosfatos
ou silicatos, p/ pintura superficial ou impregnação sob pressão
Aumentam a temperatura de ignição e/ou diminuem a velocidade
propagação das chamas na sua superfície.

2) PARA LIMITAR A COMBUSTÃO


Usar revestimentos protetores

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