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FACULDADE DA AMAZÔNIA – FAAM

CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO

ALUNOS:

BRENO VITOR

HITLEY FEITOSA

MOISÉS COSTA

RESUMO DO CAPÍTULO 3, 4, 5 DO LIVRO “CURSO DE FILOSOFIA DO DIREITO”


DE BITTAR E ALMEIDA

ANANINDEUA – PA

2020
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ALUNOS:

BRENO VITOR

HITLEY FEITOSA

MOISÉS COSTA

RESUMO DO CAPÍTULO 3, 4, 5 DO LIVRO “CURSO DE FILOSOFIA DO DIREITO”


DE BITTAR E ALMEIDA

Trabalho apresentado no curso de


graduação em Direito da Faculdade
da Amazônia, como requisito
parcial para obtenção de nota para
o 1 NPC da disciplina de Filosofia
Geral e Jurídica, ministrada pelo
prof. Dr. Thales Ravena.

ANANINDEUA – PA

2020
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1. INTRODUÇÃO
Este trabalho constitui-se em resumo dos capítulos 3, 4, e 5 da obra “Curso de
Filosofia de Direito” de Eduardo Bittar e Guilherme de Almeida e tem como objetivo
responder ao seguinte problema de pesquisa: qual (ou quais) a concepção de justiça para
Sócrates, Platão e Aristóteles? Considerando as concepções de justiça de Sócrates, Platão, e
Aristóteles, explique qual a contribuição destes para o conceito de justiça?
Assim, este resumo está dividido em cinco tópicos. Este primeiro tópico de
apresentação, seguido pelo tópico 2 em que se faz o resumo do capítulo 3 que fala sobre
Sócrates, tópico 3 que trata do filósofo Platão, resumindo o capítulo 4, tópico 4 sintetizando
o capítulo 5 sobre Aristóteles, ademais de um tópico que encerra este trabalho, onde se
apresenta a resposta ao problema de pesquisa aqui proposto (qual, ou quais, as concepções
de justiça para Sócrates, Platão e Aristóteles? Considerando as concepções de justiça de
Sócrates, Platão e Aristóteles, explique qual a contribuição destes para o conceito de
justiça?), ademais das referências bibliográficas.

2. CAPÍTULO 3 – SÓCRATES (FILOSOFIA SOCRÁTICA E TESTEMUNHO


ÉTICO)
A respeito de Sócrates (469-399 a.C) e de sua contribuição filosófica muito já se
discutiu. Sua vivência foi sua obra e seu testemunho, grande contribuição ética e filosófica.
É, sem dúvida alguma, divisor de águas para a filosofia antiga, sobretudo pelo fato de situar
seu campo de especulações não na cosmovisão das causas e da natureza, mas na natureza
humana e em suas implicações ético-sociais. Erigiu uma linha de pensamento autônoma e
originária que se voltasse contra o despotismo das palavras que se havia instaurado nesse
período da história grega, sobre tudo por forca da atenção dos sofistas.
Seu método maiêutico, baseado na ironia e no diálogo, possui como finalidade a
parturição de ideias, e como inspiração a parturição da vida, uma vez que Eenaretta, sua
mãe, era parteira, “[...] isso porque todo erro é fruto da ignorância, e toda virtude é
conhecimento.” (BITTAR E ALMEIDA, Curso de Filosofia do Direito – 11. Ed. –, 2015,
p. 112). Efetuar a parturição das ideias é tarefa primordial do filosofo, a fim de despertar
nas almas o conhecimento.
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Daí a importância de reconhecer que a maior luta humana deve ser pela educação e
que a maior das virtudes é a de saber que nada se sabe.
“De forma que eu, em nome do oráculo, indaguei a mim mesmo se
deveria permanecer tal como era, nem sabedor de minha sabedoria nem
ignorante da minha ignorância, ou ser ambas as coisas, como eles, e
respondi a mim e ao oráculo que convinha continuar tal qual eu era”
(Platão, Apologia de Sócrates, trad., 1999, p. 73)
A abnegação que pela causa da educação das almas, tem como pelo bem da cidade,
representou, como testemunho de vida, senão o maior, ao menos um dos maiores exemplos
históricos de autoconfiança e de certeza do que dizia: condenado a beber cicuta pelo
tribunal ateniense, não se furtou á sentença e curvou-se ante o desvario decisório dos
homens de seu tempo. A acusação que pendia sobre sua cabeça era a de que estaria
corrompendo a juventude e cultuando outros deuses e, não obstante, ter se dedicado a vida
inteira a pregar ao contrário disso. Isso haveria de influenciar profundamente o pensamento
de seu discípulo, Platão, em seu afastamento da política e sua decepção com a justiça
humana.
A partir dos dados coletados, o pensamento socrático é profundamente ético.
Reveste-se, em todas as suas atitudes, de preocupações ético-sociais, envolvendo-se em seu
método maiêutico todo tipo de especulação temática impossível de solucionar (o que é a
justiça; o que é o bem; o que é a coragem?...)
“Isso porque a filosofia socrática possui um método, esse método faz o
filosofo, como homem, radicar-se e, meio aos homens, em meio à cidade
(pólis). É do convívio, da moralidade, dos hábitos e práticas coletivas das
atitudes do legislador, da linguagem poética... que surgem os temas da
filosofia socrática.” (BITTAR E ALMEIDA, Curso de Filosofia do
Direito – 11. Ed. –, 2015, p. 114).
Pode-se mesmo dizer que o modo de vida social socrática e a filosofia socrática não
se separam? Pelo contrário, a socrática reafirma-se pelo exemplo de vida de Sócrates; na
mesma medida, a doutrina ética e o ensino ético de Sócrates retiram-se de seu testemunho
de vida, corporificado que está em seus atos e palavras.
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Sócrates em verdade, pode ser dito o iniciador da filosofia moral e o inspirador de


toda uma corrente de pensamento. Em verdade, sua contribuição surge como uma forma de
antagonismo.
O conhecimento, para Sócrates, reside no próprio interior do homem. Conhecendo-
se a si mesmo, pode-se conhecer melhor o mundo. Assim é que, em poucas palavras, o
ensinamento ético de Sócrates reside no conhecimento e da felicidade.
A ética socrática impõe respeito, seja por sua logicidade, seja por seu caráter. É
certo que, se Sócrates desejasse, poderia ter fugido á aplicação da pena de morte que havia
sido imposta, e os discípulos a seu lado estavam para auxiliá-lo e acobertá-lo. No entanto, a
ética do respeito ás leis, e, portanto, á coletividade, não permitia que assim agisse. A
certeza socrática quanto ao povir, é a mesma que o movimentava para agir de acordo com a
lei. Sócrates estava plenamente cônscio que de que a lei é fruto do artifício humano, e não
da natureza.
A filosofia socrática introduz uma ética teológica, e sua contribuição consiste em
vislumbrar na felicidade o fim da ação. Essa ética tem por feito a preparação do homem
para conhecer-se, uma vez que o conhecimento é a base do agir ético. Ao contrário de
fomentar e desordem, o caos, a insurreição, sua filosofia prima pela submissão, uma vez
que a ética do coletivo está acima da ética do indivíduo. Sócrates, em sua contribuição para
o Direito contemporâneo, defende que apenas respeitando as leis positivas é possível fazer
justiça.

3. CAPÍTULO 4 – PLATÃO (IDEALISMO, VIRTUDE E TRANSCEDÊNCIA


ÉTICA)
Este capítulo trata do filósofo Platão (427-347 a.C.), o discípulo mais notável de
Sócrates e o fundador da Academia, tendo como principais obras: Apologia de Sócrates,
em que valoriza os pensamentos do mestre; O Banquete, fala sobre o amor de uma forma
dialética; e A República, em que analisa a política grega, a ética, o funcionamento das
cidades, a cidadania e questões sobre a imortalidade da alma.
Suas principais reflexões resumem-se na seguinte frase: “[...] A ciência só é possível
do que é certo, eterno e imutável.” (BITTAR E ALMEIDA, Curso de Filosofia do Direito –
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11. Ed. –, 2015, p. 128). Para Platão somente as ideias são certas, eternas e imutáveis, e
todo o restante que se conhece é perecível, incerto e mutável, no pensar do filosofo somente
a alma logística – correspondente a parte superior do corpo humano (cabeça), à qual se liga
a figura do filosofo – é capaz de ciência, tendo contemplação das ideias perfeitas e
imutáveis pelo filosofo.
Platão é considerado um dos principais pensadores gregos, influenciou
profundamente a filosofia ocidental, valorizava os métodos de debate e conversação como
forma de alcançar o conhecimento. De acordo com Platão, os alunos deveriam descobrir as
coisas superando os problemas impostos pela vida. A Dialética Platônica, de inspiração
parmenidiana, era uma técnica de extração de uma conclusão (síntese) com base em duas
ideias opostas (tese e antítese). O filosofo se destacou por ter deixado escrita a maioria dos
textos conhecidos hoje sobre Sócrates e por ter lançado a sua teoria idealista.
O idealismo platônico consiste, basicamente, em uma distinção entre conhecimento
sensível, inferior e enganoso, que seria obtido pelos sentidos do corpo, e conhecimento
inteligível, superior e ideal que acessaria a verdade sobre as coisas. O conhecimento
inteligível seria aquele que permite o nosso acesso ao ser e a essência de algo, que seria
imutável, ao contrário da aparência, que pode nos enganar. Nas palavras do autor:
O platonismo, ao contrário do que faz o aristotelismo, como se verá a
diante, prima pelo idealismo e não pelo realismo, não obstante sua obra
caminhar paulatinamente em direção à maturidade mais realista, o que se
nota na diferença de sua teoria política entre os textos A república e As
leis. Isso porque o núcleo da teoria platônica repousa na noção de ideia
(eîdos), que penetra inclusive o entendimento do que seja o bem supremo
do homem. (BITTAR E ALMEIDA, Curso de Filosofia do Direito – 11.
Ed. –, 2015, p. 132).
O conhecimento inteligível estaria no Mundo das Ideias e das Formas, enquanto o
conhecimento sensível estaria na nossa realidade material.
O Mundo das Ideias e das Formas seria a realidade intelectual, verdadeira, eterna e
imutável, que se pode ser acessada apenas por meio da capacidade racional do ser humano.
Nessa instancia, estariam as essências das coisas, os conceitos, as ideias fixas e imutáveis
que descrevem essencialmente cada ser ou objetivo existente. Já o mundo sensível seria a
realidade com a qual nos defrontamos em nosso mundo prático, que experimentamos. Essa
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realidade sensível é ilusória e enganadora, pois, para usar um jargão popular no qual Platão
inspirava-se: as aparências enganam.
Assim, cabe à alma logística a contemplação da verdadeira Realidade, de onde se
extraem os conhecimentos certo e definitivos para serem seguidos pelos homens. Essa
questão é ilustrada pelo Mito da Caverna (República, livro V), mas pode ser esclarecida,
ainda, a partir do Mito de Er, apresentado em meio a uma exposição de Sócrates a Glauco
sobre arte e técnica, no final do livro X do diálogo República (525 a-621 d) de Platão.
Para o filosofo Platão, as pessoas aptas a governarem eram as de caráter
(personalidade) racional, pois essas saberiam agir com justiça e moderação nas horas
necessárias, tendo o caráter de uma justiça infalível e absoluta. A Justiça é questão
metafisica, e possui raízes no Hades (além-vida), onde a doutrina da paga (pena pelo mal;
recompensa pelo bem) vige como forma de Justiça Universal. O homem justo, por suas
razões singulares, participa da ideia do justo e, por isso, é virtuoso.
Platão, em sua contribuição para o Direito, defendia o projeto de que os cidadãos
deviam eleger aqueles que exerceriam a política do Estado (democracia), uma vez que a
multidão não sabe governar; Antecipa o princípio da legalidade (mais importante
instrumento constitucional de proteção individual da atualidade); Institui que as penas,
muito antes de serem uma forma de punir o infrator, é uma forma de “depurar” a sociedade;
conceitua que a Justiça é um ideal de igualdade, onde cada um vê assegurado aquilo que lhe
é garantido; A Justiça, as leis e o Direito deixam, de ser algo passível de obediência
inconsiderada, e passam a ser medidas impostas ao homem, fundadas em reflexões e
doutrinas.

4. CAPÍTULO 5 – ARISTÓTELES (JUSTIÇA COMO VIRTUDE)


Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão, fundador do Liceu e preceptor de
Alexandre Magno, vê a justiça como virtude. A justiça compreendia em suas
categorizações genéticas, é uma virtude, e, como toda virtude, a temperança, a liberdade, a
magnificência..., é um justo meio.
Hans Kelsen, o autor da Teoria pura do direito, quer ver, equivocadamente, um
racionalismo exacerbado na teoria aristotélica da justiça:
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“Aristóteles, na ética, tenta desenvolver a sua filosofia moral sobre uma


base inteiramente racionalista, a despeito do fato de esse sistema
filosófico incluir uma verdadeira metafisica que, em última análise, não é
desprovida de fortes implicações morais” (Kelsen, O que é justiça, 1998,
p. 109)
O justo meio na relação entre dois polos é a equilibrada situação dos envolvidos
numa posição mediana, ou seja, de igualdade, seja ela proporcional ou seja ela absoluta.
Esse Equilíbrio reside no fato de ambos compartilharem de um medium, não se invadindo o
campo do que é devido ao outro, não ficando com algo para mais ou para menos.
Aristóteles está preocupado em demostrar, por suas investigações, que a noção de
felicidade é uma noção humana, e, portanto, humanamente realizável.
Deve-se renovar a ideia de que a virtude, assim como o vício, adquire-se pelo
hábito, reiteração de ações em determinado sentido, com conhecimento de causa e com o
acréscimo da vontade deliberada. A própria terminologia das virtudes chamadas éticas
deve-se ao termo hábitos (éthos).
Aristóteles também buscava definir as relações entre a equidade e a justiça.
“Se o équo e justo se equivalem, nesta medida, e da forma indicada
segundo o gênero, não é verdade que o équo seja o justo segundo a lei, de
acordo com que está consignado na lei e foi posto pela vontade humana
como vinculativo da conduta social, mas sim um corretivo do justo legal.
É a equidade a correção dos rigores da lei.” (BITTAR E ALMEIDA,
Curso de filosofia do direito – 11. Ed. –, 2015, p. 169)

Com o resumo proposto que se disse procurar delinear os principais traços que
comporiam uma teoria aristotélica acerca do que é justo e do que é injusto.
A justiça é entendida como sendo uma virtude, e, portanto, trata-se de uma aptidão
ética humana que apela para a razão prática, ou seja, para a capacidade humana de eleger
comportamentos para realização de fins.
Assim, o tema da justiça vem inteiramente recoberto por uma análise percuciente de
seus umbrais; os quadrantes do problema vêm notoriamente bem delimitado da teoria de
Aristóteles. A justiça também será exercida nas relações domésticas ou políticas. A justiça
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e de tudo o que se disse, está a noção de amizade, como a indicar que onde há amizade,
definida em sua pureza conceitual, não é necessário a justiça.

5. CONCLUSÕES
Em resposta à pergunta feita na introdução, vemos que, por fim, Sócrates através
dos diálogos, contribuiu para a ética e a concepção de conceitos como o método socrático e
a ironia socrática, sendo a base do pensamento ocidental, tal quanto a base do pensamento
platônico e aristocrata.
No entanto, Platão contribuiu para a ciência e a filosofia, sendo um dos grandes
pensadores clássicos a existirem. Além disso, Platão, foi o fundador da primeira academia
de estudos, além de ter uma grande importância em temáticas que são debatidas ao longo
do tempo, inclusive no período contemporâneo e na pós modernidade como a ética; a
política; o conhecimento e o questionamento como uma forma de buscar a razão das coisas.
Finalizando, temos Aristóteles que, filosoficamente, define Justiça como Virtude.
Aristóteles diz que só há justiça onde existe lei e só há lei onde existe poder comum. Logo,
nada é injusto no Estado de natureza. A frase clássica de Aristóteles “dar a cada um o que
lhe pertence” assegura muito bem este direito de propriedade sobre tudo aquilo que foi
adquirido por méritos próprios.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DUARTE JUNIOR, João. O que é realidade.........

BITTAR e ALMEIDA