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Universidade Estadual de Ponta Grossa

PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
DIVISÃO DE ENSINO

PROGRAMA DE DISCIPLINA

SETOR: CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS


DEPARTAMENTO: ECONOMIA
DISCIPLINA: ECONOMIA GERAL BRASILEIRA E REGIONAL
CÓDIGO: 404077

NÚMERO DE AULAS TEÓRICAS: 136


NÚMERO DE AULAS PRÁTICAS: 0
CARGA HORÁRIA TOTAL: 136

DESTINA-SE AO CURSO DE: ADMINISTRAÇÃO

EMENTA:
O funcionamento de uma economia de mercado; noções de microeconomia e de
macroeconomia; oferta e demanda de moeda; sistema financeiro; comércio
internacional e padrões de especialização; mercado de câmbio e formação das taxas
cambiais; a contabilidade das transações internacionais; as diferentes fases da
economia brasileira, ajustamento e estabilização. Tópicos do
desenvolvimentoeconômico paranaense e da região dos Campos Gerais. Perspectivas
futuras. Tópicos avançados na área.

OBJETIVOS :

Objetivo geral:
Propiciar visão geral de uma economia de mercado, permitindo análise no âmbito da
empresa e do contexto local, nacional e internacional.

Objetivos específicos:
• Entender o contexto econômico da empresa;
• Permitir a análise crítica dos problemas econômicos atuais;
• Conhecer a teoria econômica, tendo em sua vista sua aplicação nas
organizações
Universidade Estadual de Ponta Grossa
ESTRUTURA DO CONTEÚDO DA DISCIPLINA:

ECONOMIA GERAL E BRASILEIRA


HORAS/
UNIDADE CONTEÚDO PROGRAMÁTICO AULA

01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA CIÊNCIA ECONÔMICA 10


• Definições
• Evolução da ciência econômica
• Natureza dos problemas econômicos
2 NOÇÕES DE MICROECONOMIA 40
2.1 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR
• Oferta e demanda
• Elasticidade
• Equilíbrio do consumidor
2.2 COMPORTAMENTO DA FIRMA
• Produção, custos e rendimentos
• Equilíbrio da firma
2.3ESTRUTURAS DE MERCADO
• Estruturas clássicas
• Regulamentação dos mercados
3 NOÇÕES DE MACROECONOMIA 20
3.1 Moedas, bancos e política monetária
3.2 Agregados econômicos
3.3 Séries de números-índices, deflatores
3.4 Determinação da oferta e da demanda agregadas
4 NOÇÕES DE ECONOMIA INTERNACIONAL 10
4.1 Livre-comércio e protecionismo
4.2 Balança de Pagamentos
4.3 O mercado de câmbio e a formação das taxas cambiais
5 ECONOMIA BRASILEIRA 42
5.1 Crescimento e desenvolvimento
5.2 Modelo primário-exportador
5.3 O processo de substituição de importação
5.4 Evolução recente
• Crises e aberturas para o comércio
• Processo de estabilização
6 ECONOMIA PARANAENSE E REGIONAL 32
• Formação econômica da Paraná e dos Campos Gerais
• Cenários da economia paranaense
• Cenários da economia regional
• Perspectivas futuras.

METODOLOGIA
AULAS EXPOSITIVAS; EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO.
BIBLIOGRAFIA

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

1. EQUIPE DE PROFESSORES DA USP (1998). Manual de Economia. São Paulo:


Saraiva, 3 ed.
2. MANKIW, N.Gregory (1999). Introdução à Economia - Princípios de Micro e
Macroeconomia. Rio de Janeiro: Campus.
3. O’SULLIVAN, Arthur, SHEFFRIN, Steve M. (2000) Princípios de Economia. Rio
de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e Científicos.
4. ROSSETTI, J. P. Introdução à economia. 17. ed., São Paulo: Atlas, 1997. 922 p.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
ABREU, M.P. A Ordem do Progresso: 100 anos de política econômica na república. Rio de
Janeiro: Campus, 1989.
BAER, Werner. A Industrialização e o Desenvolvimento Econômico do Brasil, Editora da FGV.
FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil, Nacional.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Relatório Anual do Banco Central do Brasil, Brasília.
B OLIVEIRA, G. Brasil Real: desafios da pós-estabilização na virada do milênio. 2. Ed., São Paulo,
Mandarim, 1996. 207p.
CASTRO, A.B. e LESSA, C.F. Introdução à Economia: uma abordagem estruturalista. 31. ed., Rio
de Janeiro: Forense, 1988.
CARDOSO, Eliane A. Economia brasileira ao alcance de todos. 12. ed., São Paulo: Brasiliense,
1991.
GREMAUD, A.P. Economia Brasileira Contemporânea: para Cursos de Economia e
Administração, São Paulo, Atlas, 1996. 293p.
LONGO, C.A; TRASTER, R.L. Economia do Setor Público, São Paulo, Atlas, 1993. 202p.
PEREIRA, Luiz C. Bresser. Economia Brasileira: uma introdução crítica. 12. ed. São Paulo:
Brasiliense.
PEREIRA, L.B ; NAKANO; Y. Inflação e recessão: A Teoria da Inércia Inflacionária, 2. ed., São Paulo,
Brasiliense; 1986. 221p
PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. Desenvolvimento e Crise no Brasil. São Paulo, Brasiliense.
RIANI, F. Economia do Setor Público. 3. ed., São Paulo, Atlas, 1997. 208p.
ROSSETTI, J.P. Política e Programação Econômica, 7. ed. , São Paulo, Atlas, 1987. 349p
TAVARES, Maria da Conceição. Da substituição de importações ao capitalismo financeiro: ensaios
sobre economia brasileira. 10. ed., Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
VASCONCELOS, M.A.S. Fundamentos de economia. São Paulo: Saraiva, 1998. 240p.
WILLIAMSON, John. Economia aberta e a economia mundial. Editora Campus.
NÃO É APOSTILA DE ECONOMIA GERAL E BRASILEIRA
Estes resumos visam apenas facilitar o acompanhamento das explicações fornecidas
em classe, NÃO eliminando a necessidade de se pesquisar a respeito dos temas
ministrados.
ECONOMIA POLÍTICA
Economia: Definição etimológica (atribuída a Aristóteles, 350 a.C. (Grécia)).

- oikos: casa - nomos: administração, lei.

EconomiaÎ Ciência da administração da casa.

Ciência das riquezas.


Ciência da escassez.
Definição acadêmica: Economia é a ciência que trata das leis que regem a
PRODUÇÃO, CIRCULAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO e CONSUMO das riquezas, através do
melhor aproveitamento dos recursos escassos, buscando a satisfação das
necessidades ilimitadas.

Genericamente, a Economia centra sua atenção nas condições da prosperidade


material, na acumulação da riqueza e em sua distribuição aos que participam do
esforço social de sua produção.

Bens = riquezas, utilidades.

Podem ser bens livres

bens econômicos

Objeto da economia : estudo das riquezas, como utilidades destinadas a prover


necessidades econômicas do homem, através do seu melhor aproveitamento.

recursos escassos x necessidades ilimitadas.

Necessidades humanas: ilimitadas

Recursos produtivos: limitados

A contradição leva à seguinte proposição: por mais rica que a sociedade seja (por
mais recursos produtivos de que disponha), os fatores de produção serão sempre
escassos para efetivar a fabricação de todos os b/s que essa mesma sociedade
deseja. Ou seja, ela terá que efetuar escolhas sobre quais os bens e serviços
deverão ser produzidos.

Por este fato, a Economia muitas vezes também é definida como a ciência que
estuda a escassez ou a ciência que estuda o uso de recursos escassos na produção
de bens alternativos.

LEIS ECONÔMICAS
Economia Î Ciência Social. As leis, fórmulas, princípios, teorias, não são
rígidas nem inflexíveis Î indicam tendências.
SISTEMA ECONÔMICO
Conjunto de regulamentos econômicos, sociais, trabalhistas, ...que regem as relações
econômicas de um país.
Entende-se por sistema econômico o conjunto de relações básicas, técnicas e institucionais
que caracterizam a organização econômica de uma sociedade. Essas relações condicionam o
sentido geral das decisões fundamentais tomadas em toda a sociedade e os ramos
predominantes de sua atividade.

Sistemas econômicos: conjunto de doutrinas e teorias aplicadas com vistas à orientação


filosófica e prática de um povo ou de uma nação.
Regime econômico: conjunto de leis, decretos e normas que regem as relações econômicas
numa sociedade.
Estrutura econômica: proporcionalidade entre os elementos de um sistema objetivando o
equilíbrio econômico.
Classificação: economia fechada, economia artesanal, economia capitalista, economia
coletivista, economia corporativa.

Economia Aberta: Empresas + famílias + Governo + Resto do Mundo.

Resto do mundo importações

Exportações

Arrecadação

Governo: Gastos e financiamento dos gastos Emissão

( necessidades coletivas) Empréstimos

Os Agentes Econômicos
Os agentes econômicos fundamentais são: as unidades familiares, as empresas e o setor
público.

As funções das unidades familiares consistem, por um lado, em consumir bens e serviços e,
por outro vender seus recursos (trabalho e capital) nos mercados de fatores.
As empresas realizam duas funções básicas: elaboram bens e os vendem; e empregam
recursos no mercado de fatores. Realizam essas ações tentando maximizar seus lucros.

O setor público estabelece o marco jurídico - institucional e é o responsável pela política


econômica, e busca a satisfação das necessidades coletivas. Em determinados aspectos, atua
também como um empresário, especialmente no caso dos bens públicos.
Funções do governo em uma Economia de Mercado:

PROBLEMA ECONÔMICO CENTRAL


(EQUAÇÃO FUNDAMENTAL DE CIÊNCIA ECONÔMICA)
O QUÊ (QUANTO) PRODUZIR:
Determinação do bem a ser produzido (quantidade), visando a satisfação das necessidades da
população.
Utilização dos recursos produtivos existentes.
Adoção da opção lógica = mercado (Lei da oferta e da procura).
COMO PRODUZIR
Processo de produção mais adequado.
Melhor nível tecnológico (eficiência). O que
Ótima alocação de recursos de acordo com a região. Como
ideal
PARA QUEM PRODUZIR.
Eficiência distributiva. Renda. Para
Resposta adequada :- Mercado quem

Delineadas as respostas às questões acima, entram os conhecimentos de Marketing.

Marketing: Mudar o conceito de vender o que se produz, para produzir o que se vende.

Marketing – geração de novas necessidades.

“Civilizar significa criar novas necessidades”.

Preço: define quantidade produzida, qualidade, canal de distribuição, serviço pós-venda, ...
localização, estacionamento, serviços complementares, ...

Produto
Preço
Promoção: (ou PRAÇA) Produ
Publicidade: to
Promo Publici
ção dade
(praça)
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09 a 15 de maio de 2004

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O MERCADO DE

O rico mercado dos ricos


RICOS SOMENTE
NAS 50 CIDADES
MAIS RICAS DO
Luiz Marins BRASIL É IGUAL A:

Estudo feito rado no Brasil. Não vem o Rio de Janei- Š 562% da população
por 15 pesquisado- se trata de fazer ro com mais de 76 de Lisboa e 30,3%
res da USP, PUC- aqui um juízo de mil famílias. A 50a. da população de
SP, UNICAMP e valor se deveríamos cidade citada no es- Portugal;
UNIP e publicado ou não ter esses tudo é Caxias do
como o Atlas da Ri- ricos num país com Sul, RS, com mais Š 234% da população
queza no Brasil - todos os problemas de 2.400 famílias de Montevidéu e
Editora Cortez, SP, sociais e econômi- ricas. 91,8% do Uruguai;
2004, mostra que cos como o nosso. Nesta sema- Š 96,7% da população
apenas nas 50 ci- Trata-se de uma na, gostaria que vo- de Madri e 7,5% da
dades mais ricas do constatação de pes- cê pensasse nesse Espanha;
Br a s i l , te mos quisa. Esse merca- mercado de ricos.
926.742 famílias do existe. Ele gera Š 128% da população
Como sua empresa
com renda superior emprego e renda e de Roma e 5,61%
poderá aproveitar
a R$10.982,00. está aí para ser da Itália;
essa realidade des-
Como a mé- usado pelas empre- conhecida do mer- Š 21% da população
dia da família bra- sas. cado brasileiro? de Buenos Aires e
sileira é de 3,4 pes- Só para se ter O que pode- 8,35% da Argenti-
soas, temos uma uma idéia do tama- mos fazer em ter- na;
p op ul a ç ã o d e nho desse mercado, mos de produtos e Š 42% da população
3.150.000 pessoas ele equivale a 92% serviços para servir da Suíça;
nas famílias ricas. de toda a popula- a esse mercado
O Brasil tem ção do Uruguai; a exigente e com re- Š 30,5% da população
5.561 municípios. 42% da Suíça, 30% cursos para gerar da Bélgica;
Os dados, portanto, de Portugal; 30% emprego e renda? Š 15,5% da população
referem-se a ape- da Bélgica; 15% da Pense nisso. da Austrália.
nas 0,9% dos mu- Austrália e 8% da
nicípios brasileiros. Argentina.
Esse r ico São Paulo Boa Semana. Assim, pense em
mercado dos ricos tem mais de 400 Sucesso! como aproveitar esse
precisa ser conheci- mil famílias ricas. mercado!
do e melhor explo- Em segundo lugar
ESCOLAS E DOUTRINAS ECONÔMICAS

Antiguidade
(.../496 d.C. – queda do Império romano). Pensamento econômico disperso, sem unidade.
Fragmentárias apreciações sobre fatos econômicos, sem visão de conjunto.
Fatos econômicos adstritos a outras ciências (Política, filosofia, Moral, Direito, ...)
Era dos filósofos-políticos universais: Platão, Aristóteles e Xenofonte na Grécia; Catão, Varrão,
Columela e Paládio no Império Romano.
Trabalho considerado desprezível; escravidão vigorava com pleno assentimento dos mais
brilhantes pensadores.
Na Grécia, Platão dedicou-se à planificação de um Estado Ideal, no qual seriam evitadas as
instituições decadentes e as injustiças sociais então existentes.
Aristóteles desenvolveu diversas idéias sobre o Estado, discutiu a usura e os salários, o
intercâmbio e a aquisição, o valor e a formação da riqueza.
Xenofonte escreveu diversos ensaios sobre a agricultura e o sistema tributário.
Predominava a idéia da preponderância do geral sobre o particular (o sacrifício do indivíduo à
cidade, subordinando-se seus interesses individuais à segurança e prosperidade gerais), a
igualdade (domina todas as manifestações teóricas e práticas do espírito grego) e o desprezo à
riqueza (num país onde os meios de subsistência são limitados, é impossível alguém
enriquecer senão à custa das perdas de outrem). Esse espírito trouxe a conseqüência de
impedir o desenvolvimento da riqueza: nesse sentido, é essencialmente antieconômico.
Em Roma os pensadores dedicaram-se mais ao Direito, e suas contribuições ao terreno da
economia prendem-se à observação das atividades agrícolas.
Catão condenou as grandes propriedades e propôs novos sistemas para repartição de terras;
Varrão sugeriu o retorno aos campos, “como meio de evitar o empobrecimento das massas e
do Estado”.
Columela e Paládio preocuparam-se com o declínio da atividade agrícola e aconselharam a
diversificação da produção.

Idade Média
(496/1453) – Queda de Constantinopla. Obscurantismo. Igreja domina o pensamento
econômico. Desaparece a economia antiga e o feudalismo, então na sua plenitude, criando o
fracionamento político e a fragmentação econômica.
Substituição das relações políticas entre Estado e cidadãos pela vinculação pessoal entre
senhores e vassalos.
2 grandes períodos:
Séc. V a XI – Feudalismo: servos e senhores feudais. Produção quase exclusivamente rural.
Artesanato apenas para consumo local. Comércio – papel secundário. Moedas – circulação
restrita. Meios jurídicos de troca: rudimentares. Vias de comunicação precárias, quase
inexistentes. Trabalho visava apenas o sustento. Sentimento religioso: freio ao ganho
excedente.
Séc. XI a XV – Igreja imprime moderação ao lucro; reconhece dignidade do trabalho; condena
ociosidade. Estabelece princípio de equilíbrio: Justo lucro, justo salário, justa troca.
Servos passam a arrendatários. O comércio se estende, tornando-se inter-regional com o
surgimento das feiras (Flandres, Champagne e Beaucaire) que exigem meios jurídicos de troca
mais estáveis e em maior número: a moeda e o crédito tornam-se necessários. Origem do
capitalismo comercial moderno.
Incremento ao artesanato; diversificação das profissões. Início das corporações de ofício
(“sindicatos”). Desenvolvimento da burguesia; incremento das trocas. Surgimento do sistema
bancário.
Autores: Orèsme (Breve Tratado da Primeira Função das Moedas e das suas Causas e
Espécies (1336) é a primeira obra escrita sobre questões puramente monetárias); São Tomás
de Aquino (comércio, usura e salário); Antonino de Florença (salário).

Mercantilismo
Época das grandes navegações. Renascimento – conhecimento leigo. Absolutismo.
Interferência da Igreja decai. Renovação dos conceitos de lucro e riqueza.
Nacionalismo econômico: subordinação dos interesses do Indivíduo aos da coletividade;
intervenção do Estado em todos os domínios, principalmente na regulamentação das
transações comerciais internacionais: balança comercial deveria ser sempre positiva - estimulo
à exportação e restrição às importações.
Metalismo econômico: pensamento de que quanto maior a quantidade de ouro e prata que um
país possuísse, mais rico e poderoso ele seria.
Concepção de que o ouro e a prata eram essenciais para a realização da riqueza dos Estados.
Artesanato urbano, regimes corporativos e organizações feudais deram lugar a supremacia do
Estado.
Agricultura relegada a segundo plano.
Principal erro do Mercantilismo: prosperidade do Estado, em detrimento dos indivíduos.
Início do Sé. 18: política econômica começa a ser desmistificada (fome).
Pensadores: Olivares (Portugal), Thomas Munn (Inglaterra), Jean Bodin e Jean Baptiste
Colbert (França).

Liberalismo
Crença em mecanismos auto-regulamentadores da Economia.

2 correntes de pensamento:

Escola Fisiocrata
Grupo de economistas franceses do século XVIII que combateu as idéias mercantilistas e
formulou, pela primeira vez, de maneira sistemática e lógica, uma teoria do liberalismo
econômico. A primeira escola científica de Economia formou-se na França em meados do
século XVIII, como resultado de condições políticas e econômicas intoleráveis, ocasionadas
por muitos anos de guerra e extravagância.
Transferindo o centro da análise do âmbito do comércio para a produção, os fisiocratas criaram
a noção de produto líquido: sustentaram que somente a terra ou a Natureza é capaz de
realmente produzir algo novo (só a terra multiplica, por exemplo, um grão de trigo em muitos
outros grãos de trigo). As demais atividades, como a indústria e o comércio, embora
necessárias, não fazem mais que transformar ou transportar os produtos da terra (daí a
condenação ao mercantilismo que estimulava essas atividades em detrimento da agricultura).
Dividiam a sociedade em 03 classes: os produtores (agricultores), os proprietários de terra (a
nobreza e o clero) e as classes estéreis (os demais cidadãos).
Descobriram que existe uma circulação da renda entre essas três classes: os agricultores e
proprietários compram produtos e serviços dos demais grupos, que depois fazem retornar essa
renda comprando produtos agrícolas (o que é exposto no Tableau Économique de Quesnay).
Achavam que isso corresponde a uma ordem natural regida por leis imutáveis como as leis
físicas: toda intervenção do estado é condenável quando não se limita a garantir essa ordem.
Defenderam a mais ampla liberdade econômica (contra as barreiras feudais, ainda imperantes
na época, e o intervencionismo mercantilista) e lançaram a célebre máxima do liberalismo:
laissez-faire, laissez-passer (deixar fazer, deixar passar). Propuseram a supressão de todas as
taxas, com sua substituição por um imposto único incidindo sobre a propriedade, já que esta
seria a única fonte de riqueza e os proprietários apenas se apropriariam da renda sem
contribuir para o aumento do produto líquido, enquanto os agricultores, os comerciantes e os
artesãos deveriam facilitar a circulação da renda. Para manter essa ordem natural, o estado
deveria assumir o papel exclusivo de guardião da propriedade e garantidor da liberdade
econômica.
Como a tributação era na realidade o “flagelo” da economia francesa, os fisiocratas se
preocupavam com a sua reforma. Desejaram simplificar a tributação, cobrando de todas as
classes sem exceção, inclusive da classe isenta.
Os fisiocratas chegaram à conclusão de que o produto líquido devia e podia fornecer as rendas
necessárias; portanto, propuseram o impôt unique ou imposto único sobre o verdadeiro produto
líquido.
O imposto único lhes pareceu adequado para atender a todas as necessidades fiscais; era
simples, direto, de fácil arrecadação, e acima de tudo, leve. Estavam certos de que, com o seu
plano esclarecido, a economia prosperaria, o produto líquido aumentaria, e a renda obtida com
o imposto cresceria proporcionalmente. Esperaram que as extravagâncias do Estado
diminuíssem e que as suas necessidades se ajustassem às rendas, e não o contrário.
Os fisiocratas estavam objetivamente empenhados em promover reformas não apenas
econômicas, mas também políticas e sociais.
Principal erro da Fisiocracia: Falsa noção de produção: Capitalismo industrial emergente e a
revolução econômica que daí adviria não poderiam ser chamadas de “estéril”.
Pensadores: François Quesnay, Turgot, Mirabeau e Du Pont de Nemours, entre outros.

Escola Clássica
Oposição ao mercantilismo. Preocupação em elevar o nível de vida da população (Humanismo
Renascentista)
Base para o moderno capitalismo.
Prega a liberdade de empresa (preços, produção, mercados, ...)
A escola clássica propriamente dita consiste de uma corrente científico-econômica iniciada com
Adam Smith, continuada particularmente com Malthus e Ricardo e completada, em 1848, por
Stuart Mill e seus “Princípios de Economia Política”.
Adam Smith publica em 1776 a “Riqueza das Nações”, que constitui um marco na história da
economia política: a preposição segundo a qual o produto do trabalho se reparte por entre um
número maior ou menor de consumidores é que torna uma nação mais ou menos rica, e a
eficácia do trabalho nas nações provém da divisão do trabalho.
O liberalismo econômico acredita que o interesse individual coincide com o interesse geral. Na
prática, deixa a plena liberdade de ação aos interesses privados. Para se produzir em
abundância, é indispensável ter mercados suficientes á disposição: a produção de uma nação
depende da extensão de seus mercados. A política mais favorável à ampliação dos mercados
é a da liberdade do comércio.
A teoria da população de Malthus - diferença existente entre a taxa de crescimento da
população e a dos meios de subsistência. Malthus afirma que a população aumenta numa
progressão geométrica enquanto os meios de subsistência crescem numa progressão
aritmética. O desenvolvimento processado de acordo com essas progressões conduzirá
inevitavelmente à catástrofe. E a limitação voluntária da natalidade seria o meio mais eficaz de
combater essa catástrofe. Mas na realidade, graças a uma população numerosa, a
concentração da produção pode ser levada ao máximo, com redução do preço de custo:
cresce, assim, o consumo e, em conseqüência, também a produção.
Ricardo publica “Principles of political Economy and taxation”, discutindo o conflito entre os
interesses das indústrias e os da agricultura. Para poder competir nos mercados exteriores
seria necessário às indústrias britânicas reduzir o preço de venda e, portanto, o custo de
produção. E o preço dos produtos agrícolas não deixaria de subir devido a impiedosa
necessidade de, sob a pressão demográfica, se cultivarem terras cuja fertilidade é cada vez
menor e de se lhes incorporar mais trabalho e capital.
Em face do problema do antagonismo existente entre a agricultura e a indústria, com o qual se
defronta a política de seu tempo ia em auxílio da tese industrialista, com prejuízo daquela
defendida pelos proprietários territoriais. Com base nessa teoria, propunha Ricardo a adoção
de uma política econômica tendente, nesse campo, à supressão das taxas sobre a importação
de cereais. Porém a teoria da renda, de Ricardo apresenta uma deficiência no plano
puramente científico, ele desconsiderou o fator procura, para considerar somente a oferta, isto
é, o custo de produção.
Stuart Mill evitará esse erro, mostrando ser perfeitamente possível produzir uma renda da terra,
afora a hipótese de diferença de fertilidade. Sobre muitos pontos ele se aproxima do
socialismo. Opina pelo confisco da renda de monopólio nas cidades, mediante a imposição de
um tributo, onerando as sobrevalias imobiliárias. O conceito de renda passa a abranger o vasto
quadro da produção, aplicando-se a todos os seus fatores.
Stuart Mill elucidou e aperfeiçoou as doutrina e teorias da Escola Clássica inglesa. Ele
introduziu uma nova ordem de preocupações, qual seja a busca da justiça social. Sua obra
representa, assim, a transição da Escola Clássica ao socialismo e ao intervencionismo. “A
sociedade – escreve ele – pode submeter a distribuição da riqueza a regras que lhe parecem
melhores.”
A obra de Stuart Mill apresenta um duplo característico que interessa à história das doutrinas:
surge e se situa no ponto divisório de duas grandes correntes do pensamento econômico; a um
tempo, constitui a expressão última da ciência clássica e contém em si o germe das idéias que
se lhe oporão doravante; situa-se no momento exato em que duas correntes vão chocar-se
violentamente nos fatos e na doutrina: 1848 – ano da publicação de sua obra “Princípios” - é o
ano das revoluções européias e do “manifesto Comunista”, de Marx e Engels.

Socialismo
Segunda metade do Séc. 19. Publicação do “Manifesto Comunista” de Marx e Engels.
Reação contra as doutrinas liberais e individualistas.
Supressão da liberdade individual e propriedade privada.
Controle dos meios de produção e propriedades pelo Estado.
Condena classes sociais: sociedades igualitárias.
Nivelamento de trabalhadores: salários, saúde, assistência social, escolas, ...
Na prática: arbitrário.

Pensadores: Karl Marx, Friderich Engels, Charles Fourier, Robert Owen, Henry George.
Modalidades:
Socialismo de Cátedra
Socialismo Científico (Marx e Engels)
Socialismo Utópico (Charles Fourier e Robert Owen)
Socialismo de Estado
Socialismo Agrário (Henry George)
Socialismo Industrial
Socialismo Evolutivo (Jean Jaures)
Socialismo Corporativo
Socialismo Sindical ou Sindicalismo
Socialismo Guildista (variação do Corporativo)
Doutrina Social

Leitura complementar
A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE MARX
Armando Avena

Foi um grande avanço da ciência. Depois de exaustivos estudos, os cientistas encontraram a


técnica de transposição no tempo e no espaço. Perplexo, o mundo inteiro parou para ver o
primeiro homem que viria do passado para o presente. A escolha tinha sido difícil. Os filósofos
queriam Platão, os religiosos exigiam que fosse Jesus, os militares preferiam Napoleão, mas
as empresas transnacionais, que patrocinavam o evento, queriam Marx.
Era uma escolha emblemática. Karl Marx tinha sido o criador do socialismo, o homem que
havia previsto o fim do sistema capitalista de produção e ninguém melhor do que ele para
explicar por que suas previsões haviam falhado, Estava na hora de explicar o fiasco da União
Soviética e de louvar o capitalismo e sua fantástica capacidade de perpetuação.
Como o processo de transposição no tempo permitia uma estada no futuro por apenas 48
horas, tudo foi planejado de modo que no primeiro dia, através de um moderno sistema de
multimídia, Marx pudesse se inteirar do que havia ocorrido de importante no século XX, para
que no dia seguinte respondesse, em rede mundial de televisão, às perguntas dos jornalistas
do mundo inteiro.
A primeira reação de Marx, ao se ver materializado no futuro, foi de espanto e estupefação,
mas gradualmente a mente privilegiada do pai do socialismo percebeu o que se passava e a
extraordinária possibilidade de checar suas teorias. Aprendeu em minutos a manejar o
computador e mergulhou de cabeça no conhecimento e na análise dos acontecimentos
ocorridos depois de sua morte. Não dormiu um momento sequer e, no dia seguinte, quando
se apresentou à indócil platéia de jornalistas, ainda tinha um ar estupefato mas parecia
extremamente seguro, como se pudesse explicar tudo o que havia acontecido depois da sua
morte.
Não demorou um segundo e uma pergunta partiu do fundo da sala, questionando o marxismo e
sua aplicação na União Soviética e pedindo explicações para o fracasso do socialismo. E,
então, uma voz tonitruante tomou conta do auditório e o velho Marx falou o que ninguém
esperava ouvir:
- Se aquilo que implantaram na tal de União Soviética for marxismo, eu não sou
marxista!
E começou a explicar que jamais admitiu a possibilidade de um país pobre e quase feudal,
como a antiga Rússia, chegar ao socialismo. Segundo Marx, isso não poderia ocorrer porque o
socialismo pressupunha um alto nível de desenvolvimento tecnológico e uma produção
abundante. Não se poderia socializar a miséria, por isso a pátria do novo regime teria de ser
obrigatoriamente uma sociedade opulenta. Lembrou que suas previsões indicavam a
Inglaterra, o país mais desenvolvido de sua época, como o primeiro lugar onde ocorreria a
revolução socialista. E que nunca passou por sua cabeça que a revolução pudesse ser feita
em um país não-industrializado, através de uma esdrúxula aliança entre camponeses,
proletários e a pequena burguesia.
Lembrou também que jamais aceitaria a tese do socialismo num só país ou num bloco de
países. Isso não poderia acontecer pois ia de encontro à lógica do processo. Se a revolução
acontecesse no país mais desenvolvido do planeta, a força dessa potência determinaria que os
demais países seguissem a mesma linha e em breve todos seriam socialistas. Mas, se contra
todas as evidências, a revolução ocorresse num país atrasado, as potências capitalistas nunca
permitiriam que ela se expandisse; pelo contrário, estes países, até pela necessidade de
sobrevivência, atuariam sempre como contra-revolucionários, lutando para destruir o
socialismo.
- Essa história de socialismo num país ou num bloco deles é coisa desse tal Lenin e desse
outro, vade retro, Stalin. Quanto a mim, neste ou no outro mundo continuarei a ser
internacionalista.
A expressão quase possessa daquele homem impressionou o auditório, mas não evitou que
novas perguntas pipocassem por toda a sala. Uma delas foi incisiva e questionava as
previsões de Marx, que garantiam que o socialismo se expandiria por todo o planeta. Alguém
indagava, com visível ironia, sobre o que havia salvo o capitalismo da crise e da destruição que
ele havia previsto.
- Fui eu, Marx, quem salvou o capitalismo!
Todos ficaram atônitos, alguns riram sem contudo esconder a perplexidade. Nesse momento,
Marx fez seu mea culpa. Reconheceu que havia errado em muitas de suas previsões e que
fora excessivamente evolucionista, acreditando numa técnica inexorável dos acontecimentos.
Seu maior erro porém foi não ter previsto a incrível capacidade de adaptação do sistema
capitalista. Se o sistema permanecesse o mesmo, se a exploração selvagem perdurasse, se
os salários continuasse, em níveis irrisórios seria inevitável a revolução e suas previsões se
confirmariam. Mas, ao anunciar o fim do capitalismo, ele, Marx, dera uma alternativa aos
trabalhadores, e a Revolução Russa, mesmo desvirtuando a essência teórica do marxismo,
parecia demonstrar que esta esperança estava próxima. Para sobreviver, as classes
dominantes tiveram que ceder alguns privilégios. O medo do comunismo fez o capitalismo
mudar.
E o que se viu nos países ricos foram mudanças até certo ponto radicais, que melhoraram a
vida dos trabalhadores, reduziram sua jornada de trabalho e aumentaram os salários acima
dos níveis de subsistência. Como pensar em revolução, se o proletariado desses países
recebe um salário digno, educação e saúde gratuita e até, suprema ironia para quem falava da
necessidade de um exército de desempregados, seguro-desemprego. Os países ricos
provaram que era possível distribuir a renda sem mexer no sistema capitalista de produção.
De repente, um barulho infernal tomou conta da sala e, em coro, surgiu a indagação:
- Então, Marx mudou?
A resposta veio de imediato:
- Quem mudou não foi eu, foi o capitalismo!
E o velho pensador mostrou que o capitalismo moderno era completamente diferente daquele
que ele havia analisado e que se pudesse novamente estudá-lo teria de reescrever O capital.
Todavia, antes que algum incauto dissesse que ele era um vira-casaca, que estava elogiando o
sistema, apressou-se em dizer que o novo capitalismo tinha tantos problemas quanto o
anterior. Que o desemprego era a praga deste século, e que, se havia alguma justiça social
nos países ricos, a miséria nos países pobres era tão grande quanto na sua época.
Um extraordinário burburinho tomou conta da sala, mas o silêncio foi total quando a alguém
levantou-se e pediu uma declaração enfática de Marx contra a privatização das empresas
estatais, afinal o pai do socialismo deveria ser favorável á estatização.
Qual o quê! Marx mostrou que não poderia ser a favor da ampliação do estado, pois sua teoria
tinha como meta exatamente a extinção do estado, que sempre é cooptado pelas classes
dominantes. A função da ditadura do proletariado era acabar com o estado burguês, e
pavimentar o caminho para o comunismo, um sistema em que não haveria estado. Os
soviéticos criaram um estado burocrático, que pouco tinha a ver com as idéias marxistas. Do
ponto de vista marxista não havia defesa possível para a estatização.
Novamente gritos de protesto e uma pergunta ecoou por toda a sala:
- E o futuro? E o futuro?
Marx era um profeta incorrigível e mais uma vez caiu em tentação. Previu novamente a
revolução. Mas alertou que o conflito não seria mais entre proletários e capitalistas, entre
esquerda e direita. Estabeleceu que essas categorias estavam ultrapassadas e vaticinou que o
drama do mundo moderno seria o confronto entre ricos e pobres. A dualidade entre a
opulência dos países ricos e a miséria dos países pobres seria o estopim da nova revolução.
Uma Europa cercada de fundamentalistas por todos os lados, hordas de miseráveis invadindo
as grandes cidades e a maior potência do mundo invadida por milhares de mexicanos famintos.
O auditório ficou em silêncio e o próprio Marx calou-se como que temeroso de sua profecia.
Antes que a entrevista se encerrasse, uma frase ecoou no recinto:
- É, mesmo morto, o velho Marx continua brilhante.

Keynesianismo
Conjunto de doutrinas econômicas que derivam da obra de Keynes, que estabeleceu os
princípios da macroeconomia e da presença do estado como agente econômico.
Descrença no mecanismo auto-regulador da Economia (Mão invisível do mercado).
Prega intervenção econômica estatal na condução da economia.
Recomendação de uso de políticas fiscais ativas e maior grau de intervenção do governo.
Meio termo entre o liberalismo absoluto e o total controle do Estado.
Na esfera da adoção de políticas econômica, os keynesianos são adeptos do controle ativo,
por parte do governo, da demanda agregadas, através de medidas monetárias e fiscais. Em
ambos os aspectos, o keynesianismo se opõe às diversas versões do monetarismo.

Neoliberalismo
O liberalismo – ideologia da burguesia - foi responsável por reformas e revoluções que tiraram
a economia do controle do Estado, pondo fim ao que ainda existia de mercantilismo. Em seu
lugar passou a existir a liberdade de comprar e vender (livre concorrência de mercado) e o
respeito ao direito do indivíduo de investir onde e como quiser.
Diretrizes e política econômica na fase de recessão:
• redução das despesas e do déficit público;
• congelamento dos salários;
• liberação de preços;
• restrições no crédito e elevação nas taxas de juro;
• desvalorização da moeda e liberalização do comércio exterior;
Essas medidas costumam aparecer em contextos de inflação muito alta e crise na balança de
pagamentos e geralmente integram o pacote de recomendações que o FMI exige aos países
como condição a concessão de crédito.
Ideologia ou filosofia econômica
Consiste em uma nova visão do mercado. No ponto de vista ideológico defende-se que o
mercado assegura um aproveitamento pleno e eficiente dos recursos econômicos e também
garante o crescimento mais acelerado da produção acrescentado num mercado livre de
interferências grande estabilidade econômica e uma justa distribuição de renda.
O neoliberalismo nasceu logo depois da II Guerra Mundial na região da Europa e da América
do Norte onde imperava o capitalismo. Foi uma reação teórica e política veemente contra o
Estado Intervencionista e de bem-estar. Seu texto de origem é O Caminho da Servidão , de
Friedrich Hayek escrito já em 1944. Trata-se de um ataque contra qualquer limitação dos
mecanismos de mercado por parte do Estado, denunciadas como uma ameaça letal à
liberdade, não somente econômica, mas também política.
Em 1947, Hayek e outros assistentes, adversários do europeu Estado de bem-estar e também
inimigos do New Deal americano, que compartilhavam de sua ideologia formaram, na Suíça, a
Sociedade de Mont Pélerin, uma espécie de franco-maçonaria neoliberal, altamente dedicada e
organizada com reuniões internacionais a cada dois anos.
Seu propósito era combater o keynesianismo e o solidarismo reinantes e preparar as bases de
um outro tipo de capitalismo, duro e livre de regras para o futuro. Hayek e seus companheiros
afirmavam que o novo igualitarismo, promovido pelo Estado de bem-estar destruía a liberdade
dos cidadãos e a vitalidade da concorrência, da qual dependia a prosperidade de todos.
Argumentavam também que a desigualdade era um valor positivo, pois disso precisavam as
sociedades ocidentais.
Com a chegada da grande crise do modelo econômico do pós-guerra , em 1973, quando o
capitalismo avançado caiu em recessão, as idéias neoliberais passaram a ganhar terreno.
Segundo Hayek as raízes da crise estavam localizadas no poder excessivo e nefasto dos
sindicatos e do movimento operário, que haviam corroído as bases de acumulação capitalista
com suas pressões reivindicativas sobre os salários e com sua pressão parasitária para que o
Estado aumentasse cada vez mais os gastos sociais. Esses dois processos destruíram os
níveis necessários de lucros das empresas e desencadearam processos inflacionários que não
podiam deixar de terminar numa crise generalizada das economias de mercado.
O remédio então era: manter um Estado forte, em sua capacidade de romper o poder dos
sindicatos e no controle do dinheiro, mas econômico em todos os gastos sociais e nas
intervenções econômicas;
A estabilidade monetária deveria ser a meta suprema de qualquer governo; Contenção de
gastos com bem-estar
Restauração da taxa “natural” de desemprego, ou seja, a criação de um exército de reserva de
trabalho para quebrar os sindicatos; Reformas fiscais para incentivar os agentes econômicos,
isto significava reduções de impostos sobre os rendimentos mais altos e sobre as rendas.
Assim uma nova e saudável desigualdade iria voltar a dinamizar as economias avançadas e o
crescimento voltaria quando a estabilidade monetária e os incentivos essenciais houvessem
sido restituídos.
Em 1979, com Thatcher, a Inglaterra torna-se o primeiro país a implantar o regime neoliberal.
Contraiu a emissão monetária, elevou as taxas de juros, baixou drasticamente
os impostos sobre os rendimentos altos, aboliu controles sobre os fluxos financeiros, criou
níveis de desemprego passivos, aplastou greves, impôs nova legislação anti-sindical e cortou
gastos sociais. Este pacote de medidas é o mais sistemático e ambicioso de todas as
experiências neoliberais em países de capitalismo avançado.

O NEOLIBERALISMO NO BRASIL:
O neoliberalismo traz uma nova realidade para o Brasil. A globalização, definida como
crescimento do fluxo de comércio de bens e serviços e como o aumento do investimento
internacional em níveis superiores aos do crescimento da produção teria levado ao aumento do
grau de abertura das principais economias do mundo.
Sendo assim o Brasil deveria ajustar-se a essa nova realidade, implementando políticas que
aumentem o seu grau de abertura, para poder aproveitar os benefícios da globalização. O
Brasil deve seu atraso para embarcar no “trem da história” ao viés protecionista de suas
políticas.
O Brasil só conseguirá inserir-se adequadamente ao novo contexto, se o programa neoliberal
que ele propõe for implementado e mantido; ou ainda, desde que o Plano Real seja
completado pelas tais reformas.
A explicação do fato de o Brasil ter ficado à margem do processo de globalização por causa da
instabilidade macroeconômica a da degeneração de suas políticas pode ser resumida em um
ponto: o esgotamento do processo de substituição de importações.
Como pobreza e concentração de renda são sinônimos de baixa produtividade, o processo de
substituição de importações, que caracterizou o desenvolvimento industrial de grande parte de
nossa história econômica, levou à concentração de renda, uma vez que levou necessariamente
à estagnação da taxa de crescimento da produtividade. Isto é evidente: uma economia que não
é exposta à concorrência internacional não pode ter produtividade nem competitividade e,
portanto, leva à concentração de renda e à pobreza.
Uma proposta simples liga-se à concepção de desenvolvimento: deve-se superar a fase de
substituição de importações, promovendo a abertura comercial, o que aumenta a concorrência
e com ela a competitividade. Reduzem-se a pobreza e a concentração de renda.

Terceira Via
Um dos acontecimentos que se destacaram no séc. XX foi a divisão do planeta em dois blocos:
o comunista e o capitalista.
Com a queda de Berlim e da União Soviética o modelo comunista acabou, o que não significa
que a fórmula capitalista adotada tenha sido excelente, ao contrário, os problemas econômicos
atuais demonstram o contrário: os países que adotaram o modelo do capitalismo globalizado
estão encontrando dificuldades cada vez maiores para solucionar seus problemas.
O fracasso de ambos os modelos sugere algo novo, nem capitalismo, nem comunismo: uma
nova via – a terceira – uma idéia onde os aspectos positivos de um e outro modelo fossem
aproveitados.
A Terceira Via é uma esquerda disfarçada de centro, com objetivo último da esquerda: uma
sociedade igualitária.
Em alguns países da Europa como a Itália e a Suécia, a Terceira Via era entendida como um
sistema misto, combinando planejamento central e instituições do mercado. Só que isso,
segundo estudos, resultaria em desemprego, estagnação, caos financeiro.
A Terceira Via defendida por seus propugnadores é a social-democracia modernizada,
chamada de “centro radical”. Radical porque não abandonou a política de solidariedade que foi
defendida pela esquerda. Do Centro porque reconhece a necessidade de trabalhar alianças
que proporcionem uma base para ações práticas. E de Direita, por que continua respeitando a
propriedade privada.
Seus principais objetivos são: a reforma do Estado, a revitalização da sociedade civil, a criação
de fórmulas paro o desenvolvimento sustentado e a preocupação com uma nova política
internacional.
Quanto a ser radical porque não abandonou a política de solidariedade, cabe perguntar: a
política tradicional da esquerda foi a socialização dos meios de produção, a coletivização dos
campos, a perseguição dos que discordavam dela, o envio de centenas de milhares de
pessoas aos paredões. E isto é ser solidário?
O Primeiro-ministro Tony Blair afirmou: “A Terceira Via... não é simplesmente um acordo entre
esquerda e a direita. Ela busca pegar os valores essenciais do centro e do centro-esquerda e
aplicá-los a um mundo de mudanças sociais e econômicas fundamentais e fazer isso livre de
ideologias ultrapassadas.
A terceira Via... extrai vitalidade da união das duas grandes correntes de pensamento –
socialismo democrático e liberalismo.”
O liberalismo da Terceira Via, ao mesmo tempo que parece abrir campo a uma certa iniciativa
privada,espera contê-la dentro dos limites de um igualitarismo social-econômico.
Em qualquer caso, porém, olhando a realidade e não a utopia, fica-se a um passo da
realização da meta última do marxismo, ou seja, a abolição do Estado em favor de um mundo
sem governo nem desigualdade.
Os governos precisam aprender novas habilidades: trabalhar em parceria com os setores
privados e voluntários; dividir a responsabilidade e responder a um público mais exigente.
É certo que há um esforço incomum propalando as virtudes dessa via. Porém, não é possível
saber se diante das inúmeras crises que se acumulam no horizonte, ela se desenvolverá
inteiramente, no sentido de tentar alcançar de pronto aquele estado de coisa utópica,
propugnado pelos mais avançados revolucionários comunistas.

Regimes Políticos
SOCIALISMO – Você tem duas vacas e dá uma para o seu vizinho
COMUNISMO – Você tem duas vacas, o governo toma as duas e lhe dá o leite
FASCISMO – Você tem duas vacas, o governo toma as duas e lhe vende o leite
NAZISMO – Você tem duas vacas, governo toma as duas e mata você
BUROCRACIA – Você tem duas vacas, o governo toma as duas, mata uma e joga o leite da
outra no ralo
CAPITALISMO – Você tem duas vacas, vende uma e compra um touro

LEI DA OFERTA E DA PROCURA


Procura = Demanda

DEMANDA: A Demanda de determinado produto é determinada pelas várias quantidades


que os consumidores estão dispostos e aptos a adquirir, em função de vários níveis
possíveis de preços, em dado período de tempo.

Depende dos seguintes fatores principais:


• Preço: é a variável mais importante para que o consumidor decida o quanto vai comprar do
bem;
• Renda do Consumidor: embora o consumidor considere atrativo o preço do bem X, ele
pode não ter renda suficiente para comprá-lo;
• Preço de outros bens: substitutos ou sucedâneos (manteiga, margarina, requeijão
cremoso, etc)
• Hábitos e gostos dos consumidores: embora as demais variáveis estejam adequadas, se
o consumidor não estiver habituado ao consumo do bem, pode não adquiri-lo;

Matematicamente, a Demanda do bem X, podemos adotar a seguinte expressão:


Dx = f (Px, Y, Pz, H, etc)

Onde: Dx = Demanda;
f = "função de "
Px = Preço do bem X
Y= Renda do Consumidor
Pz = Preço dos substitutos
H = Hábitos e gostos dos consumidores
Preço do bem X

10
8

Quantidades demandadas

Para estudar o efeito na Demanda de uma mudança no valor de uma variável considerada
isoladamente, recorre-se à hipótese de que tudo mais permanece constante.
É uma curva descendente da esquerda para a direita, logo: A QUANTIDADE PROCURADA
DO BEM X VARIA INVERSAMENTE AO COMPORTAMENTO DE SEU PREÇO, ou seja, se o
preço do bem X aumentar, a sua quantidade demandada diminuirá e se o preço de X diminuir,
a quantidade do bem aumentará ( Lei da Procura).

OFERTA: A oferta de determinado produto é determinada pelas várias quantidades que os


produtores estão dispostos e aptos a oferecer no mercado, em função de vários níveis
possíveis de preços, em dado período de tempo.

Variáveis determinantes (principais):


• Preço: é a variável mais importante;
• Preço dos insumos, usados na produção: alterações nos níveis de preços de
materia-prima, de energia, de combustíveis e outros insumos terão como
consequência alterações na quantidade ofertada no mercado;
• Tecnologia: inovações tecnológicas que reduzem custos de produção ou propiciem
maior volume de produção ao mesmo custo tornarão sua oferta mais abundante;
• Preços de outros bens: o agricultor, por ex., ao considerar quanto produzirá de
milho, levará em conta preços de culturas alternativas. O mesmo é válido para uma
indústria ( p.ex. dois tipos de parafusos, etc)

Assumindo-se a hipótese de tudo mais permanece constante.: O = f ( Px),a curva de oferta do


bem x será:
Preço do bem X

10

8
Quantidades ofertadas

Quanto maior o Preço, maior será a quantidade que os produtores desejarão oferecer no
mercado.

A oferta é uma função direta e crescente do preço.

EQUILÍBRIO DE MERCADO
A intersecção das curvas de Oferta e Demanda determinam o Preço de Equilíbrio, no mercado
de concorrência perfeita. Este é definido como o Preço que iguala as quantidades demandadas
pelos compradores e as quantidades ofertadas pelos vendedores, de tal modo que ambos os
grupos fiquem satisfeitos.

Preço do bem X

Elasticidade Da Oferta E Da Procura


Reação do mercado a uma alteração (para mais ou para menos ) no preço de um bem ou
serviço.

Elasticidade da procura E = ΔQ%


ΔP%

E>1 Procura Elástica - Variação na quantidade demandada é maior que a variação dos
preços. Ex. Produtos com substitutos, produtos supérfluos,...

E<1 Procura Inelástica - Variação na quantidade demandada é menor que a variação dos
preços. Ex. Produtos baratos, com pouca significância no orçamento doméstico, ...

E=1 Procura de Elasticidade Unitária - Variação na quantidade demandada é igual à a


variação dos preços

E⇒ 0 Procura perfeitamente inelástica. Produtos em que a alteração nos preços quase não
alteram a quantidade demandada. Ex. Produtos sem substitutos, produtos essenciais, ...

E⇒ ∝ Procura perfeitamente elástica . Produtos em que a alteração nos preços alteram muito
a quantidade demandada. Ex. Produtos com grande número de substitutos, ...

Elasticidade da oferta E = ΔQ%


ΔP%
E>1 Oferta Elástica - Variação na quantidade ofertada é maior que a variação dos preços. Ex.
Produtos facilmente produzíveis, serviços não qualificados, …

E<1 Oferta Inelástica - Variação na quantidade ofertada é menor que a variação dos preços.
Ex. Produtos de difícil produção, serviços qualificados, (demandam maior tempo para
equilibrar) ...

E=1 Oferta de Elasticidade Unitária - Variação na quantidade ofertada é igual à a variação dos
preços.
E⇒ 0 Oferta perfeitamente inelástica. Produtos em que a alteração nos preços quase não
alteram a quantidade ofertada. Ex. B/S raros, de difícil obtenção, …

E⇒ ∝ Oferta perfeitamente elástica . Produtos em que a alteração nos preços alteram muito a
quantidade demandada. Ex. Produtos de fácil obtenção, ...

EQUILÍBRIO DO CONSUMIDOR:

ESTRUTURAS DE MERCADO
1) MONOPÓLIO: Caracteriza-se pela existência de um único vendedor. O monopólio pode
ser legal ou técnico (de direito ou de fato).

Condições:

a) Unicidade: Há apenas um vendedor, dominando inteiramente a oferta. O monopolista


detém total poder para influenciar o mercado;

b) Insubstitutibilidade: O produto da empresa monopolista não tem substitutos próximos,


similar ou sucedâneo;

c) Barreira: A entrada de um novo concorrente no mercado monopolista é impossível


(viscosidade de mercado).

d) Poder: a expressão "poder de monopólio" é empregada para caracterizar a situação


privilegiada em que se encontra o monopolista quanto às variáveis de mercado de "preço" e
"quantidades". O poder é exercido sobre ambas, com objetivos diversos: manter a situação do
monopólio, maximizar os lucros ou controlar reações públicas à situação monopolista.

e) Extrapreço: Devido a seu pleno domínio sobre o mercado, os monopólios dificilmente


recorrem a formas convencionais de mecanismos extrapreço, para estimular ou desestimular
comportamentos de compradores. Quando os monopólios recorrem a expedientes extrapreço,
os objetivos são mais de natureza institucional, ligados, por exemplo, à melhoria de imagem
pública, do que econômicos.

f) Opacidade: Os monopólios, são por definição, opacos (“caixas pretas”). O acesso a


informação sobre fontes supridoras, processos de produção, níveis de oferta, resultados, etc,
dificilmente são transparentes e abertos. Caracteriza-se por ser impenetrável.

2) OLIGOPÓLIOS:
É o mercado em que existe um pequeno número de vendedores ou em que, apesar de existir
um grande número de vendedores, uma pequena parcela destes domina a maior parte do
mercado
Ex: indústria automobilística, indústria química de base, siderúrgica, de papel e celulose;
Serviços bancários, indústria de eletrodomésticos.
3) POLIPÓLIOS:

É o mercado em que existe um grande número de vendedores de produtos iguais, semelhantes


ou sucedâneos entre si.

4) MONOPSÔNIO:
É o mercado em que há apenas um único comprador.
Ex. Região em que há diversos produtores de leite e uma Cooperativa que compra seus
produtos, que tem condições de impor o preço;
5) OLIGOPSÔNIO:
Existência de um pequeno número de compradores ou ainda em que, embora haja um grande
número de compradores, uma pequena parte destes é responsável por uma parcela bastante
expressiva das compras ocorridas no mercado.
Ex: Indústria automobilística, constituída por um pequeno número de empresas, tem um
poder oligopsolista em relação à indústria de auto-peças.
6) POLIPSÔNIO:

Existência de um grande número de compradores de uma determinada linha de produtos no


mercado. Mercado fluido.

7) CONCORRÊNCIA

Polipólio bilateral. Concorrência imperfeita.

8) CONCORRÊNCIA PERFEITA:

Caracterizado pelos seguintes fatores:


a) Grande número de pequenos vendedores e compradores:
Cada um, individualmente, representa muito pouco no total do mercado (mercado atomizado)
b) O Produto transacionado é homogêneo:
Todas as empresas participantes do mercado fabricam produtos rigorosamente iguais, que
não se distinguem por qualidade, marca, rótulo, etc (produto padronizado).
c) Mobilidade:
Qualquer empresa pode entrar e sair do mercado a qualquer momento, sem qualquer
restrição das demais concorrentes, tais como práticas desleais de preços, associações de
produtores visando impedir a entrada de novas empresas, etc; A mão de obra e outros insumos
utilizados na produção podem facilmente ser deslocados da fabricação de uma mercadoria
para outra;
d) Permeabilidade:
Não há barreiras para entrada ou saída dos agentes que atuam ou querem atuar no
mercado. Não há barreiras técnicas, financeiras, legais, emocionais ou qualquer outra;
e) Transparência:
Não há qualquer agente que detenha informações privilegiadas. Todos têm acesso e todos
pactuam em igualdade de condições, de decisões dela decorrentes. Se, por exemplo, uma
empresa obtiver uma inovação tecnológica no processo produtivo, as outras saberão deste fato
imediatamente;
f) Preço-limite:Nenhum vendedor de produto ou recurso pode praticar preços acima
daquele que está estabelecido no mercado, resultante da livre atuação das forças de oferta e
procura. Em contrapartida nenhum comprador pode impor um preço abaixo do de equilíbrio. O
Preço-limite é dado pelo mercado. Defini-se impessoalmente. Resulta das forças que nenhum
agente é capaz de comandar.
Como se percebe, o mercado de Concorrência Perfeita não é facilmente encontrado na prática.
Os que mais se aproximam são os mercados de produtos agrícolas.

O Mercado de Concorrência Perfeita é estudado pelos economistas para servir de Paradigma


(referencial de perfeição), para análise dos outros mercados.

CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTCA:

Trata-se de um mercado em que, apesar de haver um grande número de produtores, (e,


portanto, ser um mercado concorrencial), cada um deles é como se fosse monopolista de seu
produto, já que este é diferenciado dos demais. A diferenciação se dá por meio das
características do mesmo, tais como: qualidade, marca (griffe), padrão de acabamento,
assistência técnica, etc.
Características principais:

a) Competitibilidade: é elevado o número de concorrentes com capacidade de competição


relativamente próximas;

b) Diferenciação: O produto de cada concorrente apresenta particularidades capazes de


distingui-los dos demais e de criar um mercado próprio para ele.

c) Substitutibilidade: Trata-se de um atributo que fica exatamente entre a


insubstitutibilidade do monopólio puro e a plena homogeneidade da concorrência perfeita. A
substituição não é perfeita. Ex. mercado de sêmen. Cada um possui características próprias e
diferenciadas, porém a inseminação artificial da matriz pode ser feita por uma grande
variedade, todos reprodutores de alta linhagem e alto valor genético.

d) Preço-prêmio: a capacidade de cada concorrente controlar o preço depende do grau de


diferenciação percebido pelo comprador. Depende também de outros fatores, tais como:
localização dos demais concorrentes, esforço mercadológico, capacidade de produção,
disponibilidade do produto, etc.. A diferenciação, quando percebida e aceita, pode dar origem a
um preço-prêmio, gerando resultados favoráveis e estimuladores.

e) Baixas barreiras: Há relativa facilidade para ingressos de novas empresas no mercado. A


diferenciação é praticamente a única dificuldade.

A CONCORRÊNCIA IMPERFEITA : Situação de mercado entre a concorrência perfeita e o


monopólio absoluto. Corresponde à grande maioria das situações reais. Caracteriza-se pela
possibilidade dos vendedores influenciarem a demanda e os preços por vários meios:
diferenciação de produtos, publicidade, dumping, cartéis, ...

ASSOCIAÇÃO E CONCENTRAÇÃO DE EMPRESAS


ACORDO DE CAVALHEIROS
CARTEL
TRUSTE
HOLDING
A FIRMA
RECEITA
Soma de todos os valores recebidos por uma empresa num determinado período. É formada
pelas vendas a vista, pela parcela recebida das vendas a crédito, pelos rendimentos de
aplicações financeiras e por outros rendimentos. (Cash)

CUSTOS
CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS:
QUANTO À SUA INCIDÊNCIA NA PRODUÇÃO:
A. Custos diretos: valores gastos na fabricação e comercialização do produto. Elementos que
atuan diretamente na produção. Podem ser imediatamente apropriados a um só produto ou
serviço. Ex.: Matéria prima.

B. Custos indiretos: Remuneração dos elementos indispensáveis à produção, mas que não
colaboraram diretamente no processo. Dependem de rateio para sua apropriação no Preço de
Venda do produto ou serviço. Ex.: Salário do pessoal administrativo.

QUANTO AO VOLUME DE PRODUÇÃO:

A. Custos fixos: Independem da quantidade produzida. Ocorrem quer a empresa esteja


funcionando ou não. Também chamados de custos programados.

Q
B. Custos variáveis: Variam proporcionalmente à produção. Tem seu crescimento
ou decréscimo condicionado ao volume produzido.
$

Q
CUSTOS TOTAIS
Somatória de todos os custos (fixos e variáveis) necessários à produção de um bem ou
serviço.

$
ct

CUSTO MÉDIO
Custo total dividido pela quantidade produzida. Também chamado CUSTO UNITÁRIO.

IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DOS CUSTOS


• Estabelecimento do preço de venda. ( ∑ de todos os custos + lucro)

• Condições para enfrentar a concorrência (↓ custos).

• Conhecimento do nível de lucratividade da Empresa.

• Estabelecimento de metas.

• Determinação do resultado operacional.


PONTO DE EQUILÍBRIO
Ponto que define o volume de vendas (produção) em que uma empresa não ganha nem perde
dinheiro: apenas cobre seus custos. Além deste ponto, a empresa começa a apresentar lucro;
abaixo, sofre perdas.

R
$ CT
pe

PREÇO DE VENDA
Contabilmente, o estabelecimento do preço de venda de um bem ou serviço se dá através da
somatória do custo médio, acrescido da margem de lucro desejada e dos impostos incidentes
sobre a produção e comercialização.
Economicamente, sabe-se que é necessário analisar a quantidade que se deseja produzir e
vender, o preço que a concorrência está praticando, ...

SISTEMA MONETÁRIO
ESCAMBO

Trocas diretas em espécie


Primitivo sistema de trocas, sem intervenção de moeda ou sistema monetário.
Sistema monetário inexistente ou não desenvolvido.
Inconvenientes:
Dificuldade em encontrar produtores com necessidades opostas.
Desacordo sobre relação de valor.
Desacordo sobre qualidade.
Diversidade em quantidades necessárias.
Variedade de ofertas.

MOEDA
Algo geralmente aceito em troca de B/S.
Imperfeição do sistema de trocas.

A princípio mercadorias-moeda: raras e necessárias.


Difícil operacionalização e praticidade: indivisíveis
diferença na qualidade
perecíveis
transporte
METALISMO (só pode adquirir valor o que tem valor)
Agentes monetários preferenciais; aceitação universal: raros
estáveis
fracionáveis
homogêneos
Problema: pesagem  balança sensível  cunhagem  recunhagem  inflação (teoria
quantitativa). Entalhes visavam diminuir fraudes.
Cédulas: escassez de metais preciosos.

FUNÇÕES DA MOEDA: facilitador das trocas


instrumento geral de pagamentos (liquidez)
denominador comum de valores
reserva

TIPOS DE MOEDA:
Moeda metálica: ouro e prata (mercadoria)
divisionária (troco)
Moeda fiduciária: Papel moeda (inconversível, curso forçado)
Moeda papel (conversível)
Moeda escritural (bancária)

Cheque (curso livre): representante de depósito à vista

Cartão de crédito (curso livre): crédito

VALOR DA MOEDA: Poder aquisitivo.

QUASE-MOEDA
Haveres não monetários, de alto índice de liquidez, negociabilidade, rentabilidade, segurança.
Substitutos muito próximos da moeda.
Depósitos em caderneta de poupança
Depósitos em CBB, RDB, ...
Letras de câmbio
Letras Financeiras do Tesouro, ...

POLÍTICA MONETÁRIA
É um conjunto de medidas adotadas pelo governo visando a adequar os meios de
pagamento disponíveis às necessidades da economia do país.
Na maior parte dos países, o principal órgão executor da política monetária é o Banco
Central, encarregado da emissão de moeda, da regulação do crédito, da manutenção do
padrão monetário e do controle de câmbio.
A Política Monetária pode recorrer a diversas técnicas de intervenção, controlando a taxa de
juros por meio da fixação das taxas de redesconto cobradas dos títulos apresentados pelos
bancos, regulando as operações de open market ou impondo aos bancos o sistema de
reservas obrigatórias para garantir a liquidez do sistema bancário.
Em relação ao crédito, podem ser adotadas medidas restritivas ou práticas seletivas.
• As restritivas ocorrem em períodos de elevada inflação ou crise no balanço de
pagamentos. Consiste na fixação dos limites de crédito bancário e na redução dos prazos de
pagamento dos empréstimos.
• As seletivas visam direcionar o crédito para as atividades mais rentáveis e produtivas da
economia.

No Brasil e em outros países, a política monetária constitui atualmente um instrumento de


combate aos surtos inflacionários.

CRÉDITO
(credere - confiar)
Antecipação do poder aquisitivo.

CRÉDITO
É a troca de uma quantia presente por uma quantia futura: é um empréstimo de moedas ou
mercadorias.
O crédito que alguém ou uma instituição outorga a uma pessoa, permite adiar o
cumprimento de uma obrigação ou transação para oportunidade posterior.
Há diversos tipos de créditos, de diferentes pontos de vista.
• Crédito Público: proporcionado pelo Estado e empresas públicas.
• Crédito Privado: originado nas pessoas e nas instituições privadas.

Quando o Estado apela para o crédito, aumenta a dívida pública – que pode ser interna ou
externa.
Conforme o prazo concedido para o cumprimento da obrigação, o crédito pode ser a curto,
médio ou longo prazo. No Brasil, considera-se curto prazo o que não passa de um ano (30, 60
ou 90 dias são os mais usuais) e longo o que se excede 5 anos.
IMPORTÂNCIA DO CRÉDITO
Em toda economia de trocas, o crédito ocupa um lugar proeminente no desenvolvimento
econômico.
Este mecanismo permite, desenvolver e ampliar diferentes atividades.
BANCOS
São as mais importantes instituições creditícias, e podem ser: estatais, particulares ou
mistos, organizando-se como sociedades anônimas, salvo os estatais e particulares.
O Estado concede a um deles a faculdade de emitir papel-moeda, o qual passa a chamar-se
“privilegiado”.
No Brasil o banco privilegiado é o Banco Central, de tipo estatal.
As operações mais comuns de um banco são os depósitos, que podem ser em conta
corrente, que podem ser retirados mediante cheques de uma só vez ou parcelas. Os depósitos
podem ser a prazo, quando é determinada uma data para o dinheiro ser retirado, e em
custódia, que são feitos para guardar dinheiro.

Taxa de Câmbio: Preço de uma moeda expressa em outra.


Paridade do Poder de compra. i/d=1
Mecanismos:
Taxa de câmbio flexível: Sem intervenção do Banco Central. Determinada pela oferta e
demanda.
Taxa de câmbio fixa: rigidamente determinadas pelo Banco Central.
Taxa de câmbio administrada: (ajustada) flutua dentro de um limite pré-estabelecido pelo
Banco Central, de acordo com a política econômica (de exportações/importações) do país.
(chamado de flutuação suja).
Cassel: A taxa de câmbio exprime que o andamento médio do curso de câmbio é resultante da
relação entre o nível de preços internos dos mercados que se defrontam

POLÍTICA CAMBIAL
Representa uma série de medidas no sentido de resguardar o valor externo da moeda de
um país.
Quando um país enfrenta crônicos déficits em sua balança de pagamentos, ocorre sensível
deterioração no valor de sua moeda o mercado externo, obrigando-o a adotar severos
controles cambiais.
A economia brasileira, por decênios vem adotando permanente política de controle dos
meios de pagamento e do câmbio, procurando um relativo grau de estabilidade da moeda no
mercado internacional.
O câmbio representa a troca de moedas entre países. Essa troca de dinheiro de um país por
quantia equivalente em dinheiro de outro país tem por objetivo liquidar as dívidas de um país
com outro, sem interferência da moeda.
Pelas operações de câmbio evita-se a circulação da moeda metálica, substituída pela
cambial, também conhecida por letra de câmbio. Exemplificando, se determinado comerciante
ou industrial brasileiro necessita adquirir uma máquina em Londres, Nova Iorque, Roma ou
Paris, para evitar a remessa de reais correspondentes ao preço do produto, o interessado na
compra adquire, em banco, uma cambial, mediante o depósito equivalente em reais, ao valor
em libras, dólares, libras ou francos. A cambial, correspondendo a uma ordem de pagamento a
favor do vendedor da máquina, concretiza a transação, sem necessidade de utilização da
moeda metálica.
O valor da moeda interna de um país frente ao valor de moeda externa é altamente sensível
em razão de causas econômicas e financeiras de natureza endógena ou exógena, isto é,
determinadas dentro do país ou originadas externamente.
A balança comercial brasileira, até 1995, se mantinha habitualmente positiva. A partir de
1996, porém, se tornou negativa, somando seu débito aos volumes também negativos e
crescentes de balança de pagamentos, obrigando maior vigilância na política cambial do país.
Sem dúvida, a política cambial é afetada pelos desequilíbrios nas balanças de pagamentos e
comercial, a consumirem reservas eventuais de divisas, onerando o valor das cambiais e
obrigando o país em déficit a contrair empréstimos compensatórios ou a limitar suas
importações.
Nos últimos 60 anos a política cambial brasileira sofreu constantes alterações, ante uma
conjuntura internacional adversa, com conflitos como as guerras do Vietnã e Coréia, após a
segunda guerra mundial, as normas protecionistas ressurgindo no mercado mundial, os
subsídios à agricultura nos países europeus e inúmeras outras causas a somarem-se, em
prejuízo à economias emergentes, como no caso do aumento do petróleo dos Emirados
Árabes.
O sistema bancário brasileiro é o da centralização que se processa por intermédio das
diretivas do banco central. O banco oficial é o Banco do Brasil. A emissão é procedida pelo
tesouro nacional, por intermédio da casa da moeda.

POLÍTICA FISCAL
O governo, para alcançar os objetivos a que se propõe, utiliza a política econômica. Esta
geralmente é feita mediante os instrumentos que a política fiscal e monetária oferecem. A
política monetária ocupa-se principalmente em controlar a quantidade de dinheiro e a taxa de
juros.
A política fiscal: integram a política fiscal os programas de governo relacionados com a
compra de bens e serviço, o gasto de transferências e a quantidade e o tipo de impostos.
As decisões do governo que se referem ao gasto público e aos impostos constituem a
política fiscal.
As receitas públicas são as receitas do Estado obtidas basicamente por meio dos impostos.
Os impostos são as receitas públicas criadas por lei e de cumprimento obrigatório para os
sujeitos contemplados por ela.
O mesmo ocorre com o gasto público, o governo pode atuar sobre a economia utilizando os
impostos. Se o imóvel de atividade econômica é relativamente baixo e existe um volume
considerável de desemprego, o governo pode reduzir os impostos com o objetivo de
impulsionar a demanda de consumo. Inversamente, se a demanda agregada está superior à
capacidade produtiva do país, uma estratégia possível é elevar os impostos.
O orçamento do setor público é uma descrição de seus planos de gasto e financiamento.
As atitudes do setor público em relação aos gastos públicos e aos impostos estão
espalhadas no orçamento. O orçamento do setor público pode ser definido da forma
esquemática que se segue:

Orçamento do setor público


Se as receitas públicas superam o gastos públicos, haverá um superávit orçamentário. Pelo
contrário, haverá um déficit orçamentário quando as receitas públicas forem menores que os
gastos públicos. O orçamento estará equilibrado quando a receita pública for igual ao gasto
público.

AUTORIDADES MONETÁRIAS

Conselho Monetário Nacional


Órgão normativo do sistema financeiro nacional, criado na reformulação do sistema em 64,
pela lei 4595. É presidido pelo Ministro da Fazenda, sendo o Ministro do Planejamento o vice.
Este órgão se reúne no Ministério da Fazenda, em Brasília. Suas decisões geram resoluções
que são publicadas. Tais resoluções já ultrapassam 2000, desde sua criação.
As funções do conselho são:
Controle Monetário: controla e estabelece limites para a emissão de moeda.
Política Cambial: por delegação o BACEN cuida desta questão no dia a dia.
Orientar as operações financeiras
Cuidar para o aperfeiçoamento das instituições financeiras Zelar pela liquidez do sistema
Coordenar políticas monetárias, creditícia e da divida pública e externa Operações especiais,
tais como subsídios a setores da economia.

Banco Central do Brasil


Órgão executivo, criado pela lei 4595 de 31/12/64, ocupante das funções da antiga SUMOC (
superintendência da moeda e do crédito ). Seus principais objetivos são o controle monetário (
inflação ), equilíbrio do Balanço de Pagamentos e estímulo da economia nacional. O presidente
do Banco Central é escolhido pelo presidente do Brasil, e deve ser sabatinado pelo senado
federal, para que possa ocupar o cargo.
Suas principais funções são:
Controle Monetário
Serviço do meio circulante
Autorizar o funcionamento das instituições financeiras
Fixar normas para o funcionamento das instituições financeiras
Fiscalização
Depositário das reservas internacionais no Brasil
Controle sobre o capital estrangeiro no Brasil
Política cambial
Fixa e recolhe os depósitos compulsórios

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


Fundo Monetário Internacional.
Criado em 1944, pelo Acordo de Bretton Woods, é o organismo financeiro da Organização das
Nações Unidas-ONU, com sede em Washington-EUA, para corrigir desequilíbrios no balanço
de pagamentos dos países-membros que possam comprometer o equilíbrio do sistema
econômico internacional. Geralmente, o auxílio do FMI incorre em medidas econômicas
ortodoxas de equalização fiscal e cortes de gastos públicos.

INFLAÇÃO
Inflação: excesso de procura de bens e serviços sobre a oferta, aos preços correntes. É
fenômeno da alta constante do nível geral de preços.

Principal característica da inflação: processo depreciativo da moeda ou a elevação incontida da


sua quantidade em circulação.

TIPOS DE INFLAÇÃO
•Inflação de custos
•decorrente do aumento dos custos relacionados com a oferta de bens e serviços:
•aumento do preço da matéria-prima
•aumento do custo da mão-de-obra
•aumento da margem de lucro

•inflação de demanda
• provocada por um aumento de demanda, sem o consequente aumento da oferta
• aumento de oferta monetária (Teoria monetarista)
• por redução da oferta de bens e serviços, a uma demanda constante

•inflação mista (custos-demanda)


•num segundo momento, a inflação de demanda acaba por transformar-se em inflação de
custos, eis que não existe bem ou serviço que não se pres-te à transformação.

ABORDAGENS
•inercialista
• inflação presente resulta da inflação passada
• mecanismos de controle acabam retroalimentando o processo
• vincula-se a causas circunstanciais

•estruturalista
•raízes estruturais
•inelasticidade da oferta de produtos agrícolas
•desequilíbrio crônico das contas externas
•má distribuição da riqueza e da renda
•rigidez dos orçamentos públicos
• descontrole da política econômica.

Causas externas da inflação:


política tributária, gastos públicos vegetativos, balanço de pagamentos deficitário, saldos na
balança de pagamentos não-aproveitados.

Deflação
Conjunto de medidas objetivando a normalidade do nível geral de preços. São medidas
corretivas que devem ser aplicadas com muita cautela.
Com a adoção de processos deflacionários, procura-se um retorno à estabilidade econômica e
financeira rompida com a inflação, porém a política deflacionária pode gerar ciclos recessivos
mais prejudiciais do que os inflacionários.

Inflação no Brasil: não deve ser analisada apenas do aspecto monetário, pois ela também
nasce, evolui e persiste por causas e efeitos de natureza social, política e econômica.

COMÉRCIO INTERNACIONAL
Auto-suficiência: não existe (economias fechadas).
Mercantilismo: Produção essencialmente voltada à exportação, não ao Comércio Internacional.
Fisiocratas: “Lassez faire, lassez passer.”
Conseqüência da diferentes dotação dos fatores de produção pelo planeta. Ex.: Maior produtor
mundial de petróleo: Arábia Saudita. 100% das exportações da A.S. são petróleo.

Importação: Complementação da produção de cada economia, buscando o equilíbrio geral.

Exportação: Pagamento das importações e escoamento do excedente da produção.

Composição do Comércio Internacional:


1. Transações correntes:
Balança comercial: Exportações e Importações: (Produtos - exportações visíveis)
Balança de serviços: (exportações invisíveis) : transporte, viagens internacionais,
seguro, renda de capitais, ...
Transferências unilaterais.(doações, salários de brasileiros no exterior, ...)
2. Movimentos de capital: Investimentos, empréstimos, amortizações.
Investimento: Capital de risco: Formação de multinacionais.
Capital de empréstimo:

BALANÇA COMERCIAL: resultado das transações comerciais (visíveis) entre países.


E – I = + Superávit comercial
E – I = - Déficit comercial => empréstimos compensatórios => dívida externa
BALANÇO DE PAGAMENTOS: resultado de todas as transações internacionais entre países.

Tendência atual e futura: Formação de blocos comerciais entre países pares (com situação
econômico-produtiva semelhante), com tratados de preferência comercial, livre câmbio
(comércio internacional sem entraves legais ou aduaneiros) e LIVRE CIRCULAÇÃO DE FATORES.
Ex.: C.E.E., Mercosul.

Vantagens do Comércio Internacional:


- Expansão do mercado
- Especialização (Teoria das vantagens comparativas)
- Diminuição de custos por economia de escala
- Atualização tecnológica (cria condições para o crescimento).
- Aumento do volume de empregos (Aumento da renda).
- Equilíbrio geral.

Desvantagens do Comércio Internacional: (países pobres).


- Produção para exportação (não de acordo com a vocação produtiva).
- Manutenção de baixos salários para não prejudicar exportações.
- Renúncia fiscal.
- Países pobres: venda de M.P. e semi-elaborados para pagamento de importações.
- Déficit constante: compra de produtos caros e vendas de produtos baratos.
- Falta interna de produtos.

MECANISMOS DE PROTEÇAO DO MERCADO INTERNO: (Protecionismo)


Barreiras alfandegárias: taxas de importação (tarifas aduaneiras) e estabelecimento de cotas
máximas. Utilizado principalmente por países subdesenvolvidos.
Barreiras qualitativas: regulamentação qualitativa, sanitárias ou de defesa do consumidor,
muito mais minuciosas que para o produto nacional. Países desenvolvidos – Alemanha –
normas DIN.

Barreiras psicológicas ou mentais: formação de mentalidade que privilegie o produto interno :


Chauvinismo ou Xenofobia.

DESENVOLVIMENTO E SUBDESENVOLVIMENTO

CRESCIMENTO ECONÔMICO

Aumento da produção, decorrente do aumento da capacidade produtiva.

Causas: Aumento dos fatores de produção


Mudanças tecnológicas
Mudanças de organização
Aumento da produtividade

Crescimento sustentável gera desenvolvimento.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Processo de mudança (melhoria) social de uma região, gerado por mecanismo endógeno
(sustentável) de crescimento econômico.
causas: maior industrialização / primário
mudanças nos setores de renda | secundário
Aumento da renda per capita \ terciário

Crescimento baseado em fatores exógenos: Instável e dependente: cessando a causa, cessa o


crescimento.

CARACTERÍSTICAS DAS NAÇÕES DESENVOLVIDAS


alta renda per capita
assistência e previdência social desenvolvidos
poupança aplicada em bens duráveis e bens de capital
industrialização
setor predominante da produção: secundário
excedente econômico

SUBDESENVOLVIMENTO
Não é um processo, mas um estágio.
Atividade predominante: primária
industrialização escassa
latifúndios – aristocracia rural
baixa renda per capita / má distribuição da renda
baixo consumo de Kw.
insuficiência alimentar
alta taxa de natalidade
alta taxa de mortalidade infantil
analfabetismo
dependência econômica ao estrangeiro

CAUSAS DAS DISPARIDADES ECONÔMICAS E SOCIAIS


NATURAIS: Desigual dotação de recursos naturais
Clima
HUMANAS: Diferentes padrões de colonização e cultural / “religião”
Taxas históricas de acumulação de capital
Desiguais índices de densidade demográfica e capacitação profissional
Concentração geográfica do desenvolvimento industrial

I.D.H. Índice de Desenvolvimento Humano


Indicador elaborado pela ONU, para medir a qualidade de vida dos países.
Compara: renda / pib per capita ajustado
Saúde
Educação

ÍNDICES MACROECONÔMICOS (estimativas )


PRODUTO (OUT—PUT) : Valor monetário de todos os bens e serviços resultantes da atividade
econômica realizada num determinado período.

RENDA: Valor de todos os pagamentos feitos aos fatores de produção para a obtenção do
PRODUTO.

PRODUTO NACIONAL BRUTO: Valor monetário da produção nacional, num determinado


período, incluindo investimentos.

PRODUTO NACIONAL LIQUIDO: P.N.B, - depreciação.

RENDA NACIONAL: Valor das remunerações pagas a todos os fatores empregados no


processamento das atividades econômicas da produção. (salários + lucros + Juros + aluguéis)

RN. = P.N.L. - impostos indiretos + subsídios = P.N.L. ao custo


dos fatores

RENDA PESSOAL: R.N.- pagamentos de transferência

RENDA PESSOAL DISPONÍVEL : R.P. - impostos diretos = Renda a disposição para consumo
e poupança.

PRODUTO INTERNO BRUTO: Valor monetário dos bens e serviços realizados dentro das
fronteiras geográficas de um pais, num determinado período

≠ entre P.I.B. e P.N.B. = Renda Líquida do exterior

RENDA PER CAPITA

TRABALHO
fator ativo da produção.
Atividade humana, física ou intelectual, voluntária, consciente, remunerada,
encaminhada a produção de bens e serviços ou troca.
Pode ser: qualificado
Não qualificado
Especializado
Quando há excedente de mão de obra, as pessoas buscam se qualificar e
depois especializar para conseguir uma melhor remuneração.

TAXA DE OCUPAÇÃO
- população economicamente mobilizável – número de pessoas que
podem trabalhar em determinado país. No Brasil, entre 16 e 65 anos.
- população economicamente ativa – toda pessoa, dentro da faixa
etária produtiva, que não esteja impedida de trabalhar. (estudante integral,
dona de casa, réu cumprindo pena, etc).
- população ocupada – os que estão empregados, indivíduos que
exercem algum tipo de atividade remunerada. No Brasil, 66 milhões.
- Taxa de ocupação = p.o / n
No Brasil = 66.000.000 / 160.000.000 = 43%

DESEMPREGO
Parcela da PEA que quer trabalhar e não encontra emprego.

tipos de desemprego involuntário:


- conjuntural: gerado pela conjuntura da época.
- cíclico: crescimento e recessão,
- estrutural: faz parte da região (NE)
- tecnológico: entre a qualificação exigida e a mão de obra
desocupada
- friccional: atrito entre a procura por profissionais (vagas
abertas) e os desempregados
- normal: busca de emprego melhor pelo trabalhador
- sazonal: empregos de época (papai noel, bóia-fria, etc)

Subemprego
Panorama da Economia Brasileira Contemporânea
João Sayad (2002)
O Brasil tem mais de 8,5 milhões de km2 de área e população de 169 milhões de
habitantes, sendo de 70 milhões a sua população economicamente ativa. Em 2000, a renda
per capita do país foi de US$ 3,5 mil anuais e sua produção, no conceito de produto nacional
bruto, foi de US$ 700 bilhões, o que o caracteriza como a maior economia da América Latina e
a oitava do mundo.
A história da economia brasileira durante o período colonial foi marcada pela
especialização em diversos produtos que interessavam à metrópole portuguesa. No início da
colonização, concentrou-se na produção de pau-brasil; mais tarde, entre os séculos XVI e XVII,
na produção de cana-de-açúcar; e, entre os séculos XVII e XIX, na extração do ouro. A partir
da segunda metade do século XIX, o país passou a ser um dos maiores produtores de café do
mundo.
A grande depressão de 1929 marcou um período importante para a economia brasileira.
Diminuiu sensivelmente a importância do café, e o processo de industrialização, que já se
iniciara anteriormente, passou a ser mais significativo devido à desvalorização cambial e ao
estabelecimento de uma política de câmbio diferenciada.
O período do pós-guerra foi marcado por um rápido processo de substituição de
importações que começou no setor de produção de bens de consumo e foi avançando
verticalmente para trás, chegando à produção de bens de capital e de insumos básicos,
particularmente nos anos finais da ditadura militar imposta pelo golpe de 1964, quando foi
implementado o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento, na gestão do então presidente
Ernesto Geisel (1974-79).
Hoje, a indústria brasileira representa 20% da produção nacional, a agricultura outros
20%, e o setor de serviços, 60%. A maior parte da população brasileira se concentra nas áreas
urbanas, particularmente nas grandes cidades. O índice de urbanização do país é de 75%,
chegando a 93% em algumas regiões, como acontece no estado de São Paulo.
A inflação foi a marca distintiva da economia brasileira, assim como de quase todas as
economias latino-americanas. Desde 1948, quando a Fundação Getúlio Vargas começou a
computar os índices gerais de preços, a inflação brasileira sempre foi muito elevada, sempre
crescente e na maior parte do tempo atingindo valores superiores aos dois dígitos anuais. A
inflação se acelerou rapidamente nos anos 60, a partir do final do governo de João Goulart,
sucessor do presidente Jânio Quadros, que renunciou ao cargo após a implementação de um
plano de reformas econômicas que acabava com o subsídio às importações e desvalorizava o
câmbio em 100%. Em 1964, o governo foi deposto por um golpe militar e uma série de novas
reformas foi implementada. Entre as mais importantes está a autonomia às empresas estatais,
que passaram a se organizar por setores: elétrico, com a Eletrobrás; siderúrgico, com a
Siderbrás; do petróleo e petroquímica, com a Petrobrás, e de comunicações, com a Telebrás.
O governo militar estabeleceu uma rígida política salarial, que derrubou a taxa de
inflação, e criou uma legislação que permite a correção monetária dos impostos e dos ativos
financeiros e, finalmente, a partir de 1967, as minidesvalorizações cambiais. A economia
brasileira passou a ser uma economia altamente indexada e com taxas decrescentes de
inflação graças ao controle dos salários e à repressão do movimento sindical.Em 1974, com a
crise do petróleo, a inflação voltou a subir e o governo militar anunciou o início do processo de
abertura política. O segundo choque do petróleo, em 1979, e a crise da dívida externa, em
1982, marcaram o início de um período bastante difícil para a economia brasileira, com a
interrupção dos empréstimos externos e com a elevação da taxa de inflação a níveis inéditos
mesmo para o Brasil.
Em 1985, com o final do governo militar e o fim da lei salarial, os trabalhadores
começaram a demandar correções cada vez mais freqüentes nos salários, com repercussão
imediata sobre a taxa de inflação. A partir de 1986 o Brasil passou por diversos planos de
estabilização econômica. O primeiro deles, o Plano Cruzado (1986), acabou com a correção
monetária e com a indexação, estabelecendo um congelamento geral de preços. O plano
fracassou e outras tentativas foram feitaó: Plano Bresser, em 1987; Plano Verão, em 1988; e
Plano Collor, em 1990. Este último se diferenciou dos demais pelo confisco de 80% dos ativos
financeiros, inclusive depósitos à vista, jogando a economia num processo recessivo, ao
mesmo tempo em que dava início ao processo de redução das tarifas de importação.
Em março de 1994 foi renegociada a dívida externa brasileira nos moldes da
renegociação de outros países da América Latina. Em julho desse mesmo ano foi lançado o
Plano Real, que, com preços livres, derrubou a taxa de inflação e reduziu ainda mais as tarifas
comerciais. O câmbio foi fixado a valores nominais constantes e a inflação caiu sensivelmente.
Depois de muitos anos de superávits comerciais expressivos, a economia brasileira passou a
apresentar déficits.
Em termos de inflação, a economia brasileira passou por modificação radical após o
Plano Real. Em termos de crescimento, a estratégia adotada pelo Plano Real e o próprio ritmo
de crescimento das economias mundiais são menos alvissareiros.
A administração que assumiu o governo federal em 1995, com o presidente Fernando
Henrique Cardoso, teve como objetivo principal aprovar no Congresso Nacional um grande
conjunto de reformas da Constituição Federal de 1988. O objetivo é repreparar e adaptar a
Constituição brasileira para as características atuais da economia mundial: grande mobilidade
de capital, rápido crescimento dos investimentos estrangeiros, a desregulamentação de
mercados e, particularmente, flexibilização das regras de contratação de mão-de-obra. Entre as
reformas destaca-se o fim do monopólio em áreas como a do petróleo e a de
telecomunicações.
O governo FHC foi rápido e eficaz na estratégia de privatização. Todo o setor
siderúrgico nacional passou para as mãos da iniciativa privada, assim como o setor
petroquímico e o de fertilizantes. O setor de energia elétrica, na área de distribuição e geração
regional, foi privatizado completamente, restando agora a privatização das grandes produtoras
de energia, como Furnas, as usinas da CESP, estadual, e as Centrais Hidroelétricas de São
Francisco, entre os nomes mais representativos. A crise de energia de 2001 e a concordata da
Enron nos Estados Unidos reduziram o entusiasmo pela privatização no setor. Todo o setor de
telecomunicações - a Telebrás e as várias empresas telefônicas estaduais, tanto as fixas como
as de telefonia móvel - foi privatizado na segunda metade de 1998. Assim, a privatização deixa
de ser um objeto prioritário da estratégia do governo, por ter sido implementada quase
completamente.
A população brasileira cresce mais lentamente desde meados dos anos 70 e começa a
apresentar idade média maior. O sistema previdenciário brasileiro é organizado na base do
sistema de repartição, no qual as contribuições dos trabalhadores ativos financiam as
aposentadorias dos inativos. Tal sistema se torna inviável financeiramente quando a idade
média da população se eleva. O problema é agravado no Brasil pelo fato de a aposentadoria
ser concedida por tempo de serviço (30 anos para a mulher e 35 para o homem) e incluir vários
privilégios para categorias especiais - professores e juízes, por exemplo. Além disso, a
Previdência Social é um sistema muito grande e centralizado, o que permite falhas
administrativas graves, corrupção e elevada sonegação fiscal. O déficit financeiro das
aposentadorias é reduzido no momento atual, mas estima-se que seja potencialmente grande
no futuro. Esta área também passou por processo de reestruturação. Hoje a aposentadoria
depende do número de anos de contribuição.
A economia brasileira apresenta grande potencial de crescimento e conta com um
significativo mercado consumidor, mesmo considerando-se a distribuição de renda, que,
segundo dados de 1995 e considerando apenas seis das nove regiões metropolitanas
brasileiras, fazia com que os 20% mais ricos destas regiões recebessem 63% da renda,
enquanto os 50% mais pobres ficassem com apenas 12%. De acordo com outros indicadores e
com a pesquisa sobre as condições de vida no mundo, realizada pela ONU em 1996, a renda
média dos 10% mais ricos da população é cerca de 30 vezes superior à renda média dos 40%
mais pobres. Em outros países, onde a distribuição de renda é mais equilibrada, os mais ricos
ganham em média dez vezes mais do que os mais pobres.
Os investimentos na produção de automóveis, televisões e outros eletrônicos, TV a
cabo, TV por assinatura, cerveja e refrigerantes, cimento e outros produtos que atendem ao
mercado interno têm crescido rapidamente desde 1994 - o que demonstra a expectativa do
setor privado no bom desempenho da economia e particularmente no crescimento do mercado
interno, que foi tão duramente afetado pela instabilidade que vigorou no País desde meados
dos anos 80.
Em janeiro de 1999, após perder grande volume de reservas cambiais desde a crise da
Rússia de outubro de 1998, o Banco Central abandonou o sistema de taxas cambiais fixas que
podiam oscilar dentro de bandas, que representava grande ameaça à estabilidade do país. O
câmbio se desvalorizou nos primeiros dois meses em quase 60% e depois recuou para
desvalorização da ordem de 30% com relação à taxa fixa final de 1998. Os resultados foram
surpreendentemente positivos - a taxa de inflação se elevou, mas menos do que todos
esperavam. Os fluxos financeiros internacionais se recompuseram também muito rapidamente.
E a recessão projetada em decorrência da desvalorização é menor do que todos temiam. A
economia brasileira ficou livre de um obstáculo que impedia as exportações e os investimentos
na produção de exportáveis e de importáveis, e que preocupava a todos os analistas, sem
comprometer a estabilidade do valor da moeda e a saúde do sistema financeiro. As taxas de
juros se mantiveram com níveis elevados em termos reais, exigindo que o governo mantivesse
elevados superávits primários (de ordem de 3,5% do PIB).
Para o longo prazo, o crescimento da economia depende, a partir de agora, do
desempenho dos diversos setores da economia. O País possui um dos parques industriais
mais diversificados e completos da América Latina e mesmo de todo o Hemisfério Sul, e,
portanto, tem um grande potencial de crescimento quando se considera a experiência, a cultura
empresarial e o tamanho do mercado.
Em relação à agricultura, o mesmo tipo de observação é possível. Esta conseguiu
ocupar áreas de solo consideradas improdutivas no passado - os cerrados - pelo
aprimoramento de variedades desenvolvidas em laboratórios nacionais, especialmente
adaptadas à região. E ainda, mostrou dinamismo e iniciativa ao introduzir novos produtos,
como soja, açúcar, laranja e outras frutas, além de novas variedades de café, o produto
tradicional do país. A agricultura brasileira, no que toca a produtividade e flexibilidade, é de
elevada qualidade, sendo liderada por agricultores e empresários muito diferentes do
estereótipo do velho coronel que caracterizava a agricultura brasileira na primeira metade do
século XX.
Entretanto, a reforma agrária continua a ser um problema importante quando se
considera a distribuição de renda, a concentrada distribuição da propriedade da terra e o
crescimento exagerado das grandes cidades brasileiras. O Movimento dos Sem Terra agrega
grande contingente de trabalhadores rurais e desempregados que ameaça a propriedade rural
e parece não se contentar com a desapropriação e distribuição, catalisando o
descontentamento de importante parcela da população brasileira em relação ao estilo de
crescimento.
A questão mais relevante no longo prazo se refere aos resultados esperados do novo
modelo mundial de crescimento. A se aplicarem no Brasil, os resultados observados na
economia mundial desde o início dos anos 80 indicam que o novo modelo tem gerado
economias com baixa taxa de inflação por um lado, mas, por outro, com baixo ritmo de
crescimento e elevado nível de desemprego.
Para países como o Brasil, que, de partida, tem elevado nível de desemprego estrutural,
distribuição de renda concentrada, baixo nível de escolarização e renda média baixa, a
expectativa de repetição deste padrão de desempenho (inflação baixa e desemprego elevado)
representa uma ameaça séria. Mais do que isso, é alternativa inviável, quer econômica ou
politicamente.
Este é o verdadeiro desafio a ser enfrentado no Brasil - e se agrava quando lembramos
que o país continuará, fortemente inserido nos mercados financeiros internacionais. Não
existem alternativas de políticas disponíveis, a não ser grandes investimentos na área social e
investimentos públicos em infra-estrutura e tecnologia.
O forte desequilíbrio financeiro do setor público brasileiro, decorrente da estratégia de
política de câmbio fixo e juros altos, impede que estes investimentos sejam realizados em
volume e tempo necessários para que o longo prazo possa ser apresentado como alvissareiro.
Por outro lado, diferentemente de outros países, a nova vida e organização política do país,
com ampla liberdade de expressão e representação política, anulam o risco da existência de
bolsões de insatisfação ou revolta que a difícil situação social do país poderia sugerir.
Talvez esta seja a característica mais positiva e promissora do Brasil. Um país de
herança ibérica e cultura autoritária, com passado de grande instabilidade política, que
apresenta como aspirações mais importantes a prosperidade e a liberdade. Estas
características permitem concluir que a sociedade brasileira, assim como sua economia, passa
por um período de grandes transformações, que são ao mesmo tempo promissoras e difíceis
de serem realizadas.
Informações complementares podem ser obtidas em sites como os seguintes:
http://www.fazenda.gov.br/
http://www.mdic.gov.br/
http://www.bndes.gov.br/
http://www1.bcb.gov.br/
http://www.ipea.gov.br/
http://www.mpo.gov.br/
As três vias de constituição do capitalismo

O caminho clássico: Os países líderes do capitalismo construíram seu desenvolvimento pela


via clássica. Nesses países, a partir do século XVIII, ocorreram transformações político-
econômicas decorrentes das revoluções democrático-burguesas.
O prussiano; representou uma passagem do feudalismo para o capitalismo; foi seguida pelos
países de industrialização retardatária, no século XIX., que conquistaram a autonomia
econômica, marcados pela ausência de processos democráticos de emancipação.
O colonial. Soma do atraso econômico ao democrático. A ausência de revoluções
democrático-burguesas e a existência de grandes propriedades de terra são algumas das
semelhanças entre a via prussiana e a via colonial. A via colonial já nasceu inserida no sistema
dominado pelo capital.
A forma colonial de construção capitalista gerou uma burguesia sem condições de conquistar a
autonomia política de seus países e incapaz de impedir sua subordinação aos pólos dinâmicos
das economias centrais.

Colonização e expansão do Novo Mundo

Colônias de povoamento: estabelecimento definitivo de europeus no Novo Mundo, que


procuravam afastar-se de conflitos internos da Europa (políticos e religiosos).
Durante dois séculos, grandes contingentes populacionais migraram para regiões de clima
similar ao do local de origem, concentrando-se prioritariamente, na zona temperada.
Colônias de exploração centravam-se na produção de gêneros que interessavam ao mercado
internacional. A diversidade de condições naturais propiciava a obtenção de gêneros diferentes
e atrativos, que ofereciam altas taxas de retorno para os investidores (EX. açúcar: ouro
branco).
Atraídos por esses estímulos, os colonos desejavam enriquecer e retornar à Metrópole para
usufruir de sua nova condição.
Os colonos eram empreendedores, mas raramente trabalhadores propriamente ditos; o esforço
físico deveria ficar a cargo de outros.
A disputa com novos aventureiros de além-mar impôs a necessidade da ocupação efetiva do
solo brasileiro.
A exploração econômica da colônia, após o extrativismo inicial, concentrou-se na agricultura
em grande escala, gerando unidades monocultoras com elevado número de trabalhadores.
A falta de mão-de-obra foi solucionada com a escravidão africana.

Colonização e pacto colonial

Os principais objetivos da empreitada lusa foram comprometidos porque:


os portugueses não haviam encontrado a passagem para as Índias;
não desfrutavam das mesmas vantagens extrativas dos espanhóis.
A gênese da colonização brasileira ocorreu em razão das lutas políticas no continente europeu,
pois os países ibéricos eram vistos como contrapostos aos interesses das outras nações
européias. Os portugueses precisavam ocupar as terras para garantir sua posse.
Fatores que contribuiram pelo interesse na colônia:
Aumento da produtividade agrícola e exportação de manufaturados.
Feiras, núcleo das primeiras cidades modernas, ajudando no renascimento comercial e urbano
europeu.
O incremento do comércio de longa distância e o desenvolvimento de atividades primárias e
secundárias da economia geram um novo setor agrícola, impulsionando a manufatura.
Companhias de Comércio: organizadas com base nos monopólios e ligadas ao aparelho do
Estado.

Pacto colonial: Exclusivismo comercial da Metrópole em relação às suas colônias,


subordinando-as por meio de medidas econômicas e políticas.
Os Ciclos Econômicos
Foram imensas as dificuldades para a implantação da agricultura e de atividades extrativas no
período do Brasil Colônia. Para atrair o colono, que deveria superar as dificuldades da zona
tropical, era necessário oferecer-lhe grandes propriedades de terra, como recompensa pelo
grande sacrifício. Convencidos da necessidade de ocupação das terras brasileiras, os
portugueses dividiram-na em lotes, denominados capitanias hereditárias, e deram início à
produção agrícola na forma de plantation, O Brasil conheceu, então, certo florescimento
econômico, mas que não se deu de maneira regular e linear, e sim sob a forma de ciclos
econômicos.

A teoria econômica afirma que os ciclos são flutuações nas atividades econômicas da era
industrial, ou seja, alternância de períodos de expansão e de contração da economia.
Tendencialmente, as crises cíclicas ocorrem em intervalos periódicos relativamente constantes.
Há diversas explicações para o fenômeno e inúmeras propostas para o enfrentamento da questão.

Na história econômica brasileira, o conceito de ciclos econômicos é utilizado para identificar os


movimentos de crescimento e declínio das atividades extrativas ( ciclo do pau-brasil), da
produção agrícola ( borracha, cana-de-açúcar, cacau, café) e mineradora ( ouro).

A Produção Açucareira

O processo de mudança da mão-de-obra nativa para a negra correu durante a era colonial. Foi
mais rápido na região Nordeste, principalmente na Bahia e em Pernambuco, dois grandes
núcleos iniciais da produção açucareira, que demandavam a força de trabalho proveniente da
África.
No resto do país, a implantação do sistema foi mais lenta. Seu custo fora das zonas
nobres do eixo econômico era alto, pois as condições de viagem e os maus-tratos impostos
aos escravos reduziam seus quadros pela metade, aumentando seu valor. Resolvido o fator
trabalho, a monocultura pôde iniciar-se; eram extensas unidades com grande número de
braços locando a produção, sob o olhar ameaçador de um feitor, homem de confiança do
proprietário. O engenho, cuja função era produzir açúcar, constituía o centro dessas fazendas.
Lá, manipulava-se a cana e criava-se o produto final. Com o passar do tempo, o conceito de
engenho se estendeu a todas as terras e culturas, tornando-se equivalente a propriedade
canavieira. As extensas terras eram ocupadas principalmente com as grandes plantações, mas
também com a agricultura de subsistência e pastagem dos animais.
Desde a sua implantação, no século XVI, até quase o final do século XVIII, a produção
açucareira foi o eixo da economia colonial. O açúcar constituía um produto nobre de
exportação, por seu destaque no plano internacional. Até o século XVII, a produção cabocla
era líder no mercado mundial, só vindo a perder esse lugar quando entraram no cenário
americano as produções concorrentes, realizadas na América Central e nas Antilhas.
Assim, os produtores locais tiveram de começar a investir em outros produtos. O tabaco
não só teve boa receptividade na Europa como cumpria papel similar à aguardente no
escambo feito na costa africana. Sintomaticamente, sua decadência se deu à época da
proibição do tráfico negreiro, no século XIX.

Ainda durante o ciclo açucareiro, Lisboa enfrentava dificuldades advindas das invasões holandesas na
região Nordeste. Com o domínio castelhano sobre a Coroa lusa, durante o século XVII, unindo a
Península Ibérica sob um único governo, os neerlandeses tornaram-se inimigos de Portugal e,
consequentemente, do Brasil. A manutenção dos interesses portugueses ma região Nordeste tornou-se
mais difícil, sendo garantida na ponta das baionetas.

Outro dado que aponta a relevância do período em pauta é o aumento territorial brasileiro. A
defesa do monopólio açucareiro levou ao alargamento das nossas fronteiras sob o domínio
ibérico, com o estímulo ao povoamento de outras faixas de terras, atingindo a região
Amazônia.
“ Outro produto que merece destaque é a aguardente de cana, peça-chave no escambo de
escravos.”.
A grande propriedade monocultura é um complexo produtivo com aparelhos mecânicos como a
moenda, a caldeira e a casa de purgar açúcar e aguardente. Necessita, além da casa-grande
do senhoria e da senzala para os escravos, de instalações acessórias, oficinas, estrebarias e
um santuário, elemento ideológico de dominação colonial”.

O Ciclo do Ouro

O ouro brasileiro provocaria grandes mudanças, que levariam ao esgotamento da primeira


fase do açúcar. Contudo, o metal não superaria, em cifras de produção global, o montante de
recursos que o açúcar forneceu ao longo da história da colônia. Quando surgiu no palco
nacional, porém, fez grande alarde, atraindo todas as atenções locais e internacionais. As
demais atividades declinaram diante da importância desse metal. O ouro atraiu para Minas
Gerais, junto com as classes dominantes, um contingente populacional carregado pelo ilusão
do enriquecimento rápido.
É verdade que se buscava ouro desde o início da empreitada mercantil. A descoberta desse
metal pelos espanhóis sempre havia alimentado a fantasia lusa de que todo o território
americano estivesse repleto de jazidas auríferas, e essa esperança permaneceu viva durante
dois séculos de exploração. Comprovam-no as várias expedições que, desde o início, tinham
se embrenhado mata adentro. Muitos membros dessas empreitadas pagaram com a própria
vida a ousadia, pois quase todas se perderam, vitimas dos índios ou da própria natureza.
Essas expedições assumiram diversas formas, dentre as quais destacaram-se as bandeiras
paulistas, que tinham como objetivo a captura de índios. Foram esses aventureiros que
encontraram o ouro mineiro na região das cidades históricas de Minas Gerais. Começou,
então, a corrida ao ouro brasileiro, que, durante um século, ocuparia o centro nervoso da
economia.
A repercussão da descoberta do metal ocasionou um movimento migratório inédito para o
Brasil, alterando-se o perfil populacional, sobretudo pelo surgimento de uma camada média na
escala social. A mineração atraiu colonos de menores posses, devido ao tamanho mais
modesto das minas brasileiras em relação às das colônias castelhanas. No que diz respeito à
importância dessa migração, Furtado afirma: “ Não se conhecem dados precisos sobre o
volume da corrente emigratória que, das ilhas do Atlântico e do território português, se formou
com direção ao Brasil no decorrer do século XVIII. Sabe-se, porém, que houve alarme em
Portugal, e que se chegou a tomar medidas concretas para dificultar o fluxo migratório”. A
indústria da mineração consubstanciavam-se na exploração das jazidas, a qual se dava, de um
lado, nas lavras e de outro, pelo trabalho dos fiscadores – homens livres e nômades que
produziam isoladamente e já faziam parte do cenário europeu. Seu volume tendeu a aumentar
na fase de decadência do ouro.
Diferentemente do ciclo econômico anterior, alguns escravos gozavam de uma posição
diferenciada na economia mineira, com maior mobilidade social. Podiam mesmo chegar a se
estabelecer por conta própria, trabalhando por quotas e acumulando o suficiente para adquirir a
própria liberdade.

No passado, somente os grandes proprietários gozavam do status advindo de sua posição dominante na
estratificação social vigente. Em Minas, porém, as possibilidades eram outras e vários empreendedores de
menor porte logravam sucesso na nova atividade.

É dessa época a determinação da quinta parte – o quinto – como taxação sobre o ouro
extraído.

A Fazenda Real enfrentava muitos contratempos para a fiscalização da cobrança desse imposto. Tratava-
se de um tributo alto para os mineradores, que não pouparam criatividade para burlar o fisco e maquiar o
montante da produção obtida. As conseqüências para os infratores eram severas. Todas essas medidas
foram somadas a outra, mais drástica para os envolvidos no atraente negócio das minas de ouro: a
decretação da quota mínima, por volta de 100 arrobas ou 1.500 quilos. Espontaneamente ou de forma
compulsória, por meio do derrame, a quantia tinha que ser entregue à fiscalização. Tamanho abuso de
Lisboa determinou um clima de revolta, culminando com a Inconfidência Mineira, que, apesar de todos os
percalços, conseguiu pôr um fim nesses atos predatórios parta a colônia.
O século XVIII chegou ao seu final conhecendo a decadência da mineração
brasileira. O ouro que ainda era encontrado, geralmente nos leitos e nas margens
dos rios, na forma de aluvião, diferentemente daquele extraído de rochas matrizes,
era pouco abundante, o que explica seu precoce esgotamento. Somava-se, sem
pesquisa ou aprofundamento de seus conhecimentos. A administração colonial,
devido a seu caráter exploratório, nunca investira em educação nem na
reacionalização de processos produtivos, comportamento que teve reflexos na
economia local e acelerou a decadência da mineração.

Outra preciosidade explorada à época foram os diamantes. O Brasil tomou o lugar


antes ocupado pela índia como grande produtor de diamantes para, posteriormente,
perdê-lo para a África do Sul, onde ocorreriam descobertas de grandes jazidas
dessa pedra.

Em comparação com o ouro, a produção brasileira de diamantes foi pequena, mas conheceu a mesma
lógica exploratória. Nesse caso, a Corte acabou por assumir totalmente a questão, com controle direto
sobre o Distrito de Diamantina e demais áreas.

A mineração, apesar de relativamente efêmera, ocupou um lugar de destaque na


história da colônia. No período de sua vigência, foi o foco das atenções no país e
cresceu em detrimento das demais atividades. Houve uma corrida ao ouro de
outras regiões do país em direção a Minas Gerais, a qual alterou o quadro
populacional interno, promovendo a ocupação do Centro-Oeste e a mudança do
eixo econômico ( que até então estava localizado nas áreas de produção
açucareira). Desenvolveram-se também na região a agricultura e a pecuária como
atividades acessórias para a manutenção da produção mineradora. Outra
conseqüência foi a transferência da capital, em 1763, da Bahia para o Rio de
Janeiro, pois as comunicações entre Minas e a Metrópole seriam estabelecidas com
mais facilidade por intermédio do porto carioca.

O Renascimento Agrícola

Com o florescimento da mineração, a agricultura atravessou um período de


decadência. Fenômeno oposto ocorreria na século XVIII, quando, novamente, a
agricultura se tornaria a maior fonte de recursos da colônia. Sob os auspícios das
vantagens trazidas pela Revolução Industrial e os progressos obtidos no mundo
recém-industrializados, novas oportunidades surgiram no mercado internacional.

Em conseqüência da aliança portuguesa com o governo inglês que colocava


Portugal numa posição privilegiada no emaranhado das guerras européias, o Brasil
pode aproveitas as novas oportunidades emergentes para oferecer, com vantagens,
suas mercadorias tropicais nas rotas comerciais e investir em um novo produto.: o
algodão. Com novas tecnologias desenvolvidas na Revolução Industrial, esse tecido
tornou-se a principal matéria-prima da época.

O algodão é originariamente americano. As populações nativas inclusive os indígenas brasileiros, já o


conheciam antes dos descobrimentos, era produzido em todo país. O açúcar acompanharia o algodão no
renascimento agrícola da colônia. Após um centenário de decadência, as antigas regiões produtoras
renasceram.

Outra produção que floresceu nesse ciclo foi o arroz., as principais lavouras
estavam localizadas no Maranhão, depois no Pará e Rio de Janeiro. O anil foi uma
esperança frustada. Os americanos se tornaram no século XVIII, os maiores
produtores mundiais, superando a produção da Índia. Ainda no século apareceu o
cacau no cenário baiano e na região paraense. O café, proveniente da Abissínia,
passou pela Europa antes de atingir a América e chegou ao Brasil na primeira
metade do século XVIII.
O renascimento agrícola colonial marcou a superação da era da mineração.
Definitivamente, a agricultura retomou sua importância e foi reconhecida como a
base da economia local.

Esse novo surto não teve uma longa vida no Nordeste, pois, já na segunda metade
do séc. XIX, o Centro-Sul tomaria a liderança, enquanto se assistia ao declínio das
regiões Norte e Nordeste e à ascensão do Sul e do Sudeste, na época do Brasil
politicamente independente.

Do litoral ao interior: os ciclos econômicos e a formação do Brasil


A descoberta do Brasil em 1500 marcou o início da ocupação civilizada do território
que viria a se chamar Brasil, sob os moldes do absolutismo europeu e do sistema colonial.
Antes da chegada de Pedro Álvares Cabral, os nativos se organizavam sob a forma tribal e
configuravam uma cultura primitiva, em que a terra correspondia à área de habitação de
tribos diferenciadas. Esses nativos, chamados equivocadamente de indígenas pelos
colonizadores europeus, deixaram traços na cultura brasileira, especialmente na arte, na
alimentação e nas formas de cultivo agrícola.
O sistema colonial implantado no novo território baseou-se inicialmente na
exploração do pau-brasil e, em seguida, no cultivo da cana-de-açúcar, que garantiu aos
portugueses a ocupação definitiva do litoral. A base da economia era a atividade agrícola,
mantida pela mão-de-obra escrava vinda da África.
O chamado pau-brasil se caracterizou como uma especiaria, pois tratava-se de uma
árvore da qual se extraía tintura vermelha para tecidos, mercadoria de grande procura na
Europa. O nome Brasil derivou, assim, de uma árvore da cor de brasa.
Com o rareamento da madeira e o monopólio do produto, impôs-se novas formas de
desenvolvimento econômico do litoral e os colonos lançaram-se a um novo projeto: a
cultura da cana e a produção do açúcar.
Em meados do século XVI, o açúcar tinha grande valor de mercado e sua cultura era
dominada pelos portugueses, que se haviam aperfeiçoado nessa produção nos Açores. Para
o plantio do açúcar, os colonos contaram, a princípio, com a mão de obra indígena que, no
entanto, não se adequou à operação dos engenhos, tarefa que exigia um melhor grau de
aperfeiçoamento tecnológico. Para resolver esse problema, os portugueses começaram a
importar escravos da África, que se tornaram uma solução a longo prazo.
Do ponto de vista da ocupação territorial e da colonização indígena, foi fundamental
a presença da Companhia de Jesus. Esta instalou-se no Brasil em várias capitanias - Bahia,
Porto Seguro, Pernambuco e São Vicente (hoje São Paulo) onde tinha como uma de suas
tarefas principais a criação de aldeamentos indígenas e a conformação de inúmeras
organizações como igrejas, orfanatos e colégios para os filhos da terra. Nos primeiros anos
da colonização, os jesuítas foram os maiores protetores dos indígenas. Na sua concepção de
sociedade, porém, os índios, apesar de não serem escravos, não eram livres, tinham que
obedecer aos preceitos da Ordem religiosa, seguindo uma moral rigorosa e abandonando
muitos de seus costumes tradicionais.
Apesar dos lucros obtidos com a exploração mercantilista do açúcar, a Coroa
enfrentou inúmeras dificuldades políticas e econômicas acabando por perder o monopólio do
produto. A conquista do interior fazia-se necessária, não apenas para garantir a economia
via novas riquezas minerais, mas para implementar a ocupação do território, ameaçado
desde a chamada invasão holandesa.
O paulista Fernão Dias foi o maior responsável pelo surto minerador que tomaria
conta do Brasil já na segunda metade do século XVII. Caçador de índios, Fernão Dias
descobriu esmeraldas na região serrana de Minas Gerais. Após sua morte, durante a
expedição, seus companheiros encontraram ouro, o que incrementaria as chamadas
bandeiras.

As bandeiras eram expedições armadas que partiam em geral da Capitania de São Vicente,
em direção ao interior, a fim de escravizar índios e descobrir riquezas minerais. A tentação
do ouro era maior do que os perigos e inúmeras incursões foram organizadas e chegaram a
descobrir muito do precioso metal. Houve quem dissesse que o ouro era tanto que, em
muitos riachos, bastava-se mergulhar a bateia e ficar rico.
A chamada corrida do ouro atraiu diversos aventureiros à região, mais tarde
conhecida como Minas Gerais, fazendo surgir os primeiros arraiais, com suas capelinhas em
agradecimento aos santos de devoção, iniciando o povoamento das áreas conquistadas.
Atrás dos mineradores apareceram os mercadores que vendiam roupas, comidas e escravos
conformando uma sociedade essencialmente urbana.
O desenvolvimento da economia colonial, após a descoberta do ouro e a
conseqüente queda da produção do metal, prosseguiu. Em diferentes regiões, outras
riquezas naturais foram cultivadas: o fumo, na Bahia; o algodão, no Maranhão e no Pará; e
a pecuária, que do norte e litoral avançou para o interior. Algumas investidas na indústria
têxtil no Pará e em Minas Gerais se fizeram presentes ainda que de pequeno porte. A
siderurgia passou a ser uma alternativa na região de Aroiçaba da Serra, em São Paulo, na
segunda metade do século XVIII.

Com a morte de Dom José, em 1777, o trono passa às mãos de Dona Maria que
enfrenta uma grande crise econômica. Em 1785, um alvará régio proibiu qualquer tipo de
indústria no Brasil. Enquanto isso, a Europa enfrenta a crise mercantilista que viria a
propiciar grandes revoltas políticas, cujo exemplo máximo foi a Revolução Francesa.
Anteriormente, em 1776, os Estados Unidos já haviam se tornado independentes da
Inglaterra.

Os problemas econômicos portugueses, com o acréscimo excessivo de impostos,


levou a elite de Minas Gerais a considerar a possibilidade de um movimento de
independência - a chamada Inconfidência Mineira. Delatado, o levante fracassaria e teria
como conseqüências a execução do alferes Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes, e a
prisão seguida de exílio de seus companheiros.
O século XIX encontraria uma situação política internacional bastante diferenciada.
Com a presença de Napoleão Bonaparte na França e suas campanhas militares, foi
decretado o chamado bloqueio continental. A França pressiona Portugal a aderir ao bloqueio
irritando a Inglaterra, que via em Portugal um aliado precioso. Numa tentativa de aliviar as
tensões e garantir seus interesses comerciais, a Inglaterra envia a Lisboa o lorde Strangford
com propostas claras a Dom João: ou o regente permaneceria ao lado da Inglaterra e teria
garantida a Coroa, ou então o Brasil seria invadido. Muito pressionado, o regente português
resolve abandonar Lisboa e transferir a corte para o Rio de Janeiro.
A presença de Dom João no Brasil abriu novas perspectivas. Criou-se o Banco do
Brasil, foram feitas reformas urbanas no Rio de Janeiro e a colônia foi elevada a Reino
Unido. Mas a situação interna do país aos poucos foi se tornando caótica, especialmente
para a economia nordestina, com a queda dos preços de produtos como o algodão e o
açúcar, que continuava como a principal exportação brasileira. Em Portugal,
consequentemente, a situação econômica era também precária e o descontentamento
geral. As pressões no Brasil e em Portugal levaram o rei de volta a Lisboa, no dia 25 de abril
de 1821. O Brasil ficaria sendo governado por um regente, seu filho e herdeiro, Dom Pedro
que viria a decretar a independência do país em 7 de setembro de 1822.

Para solucionar os problemas de reserva de capital, Dom Pedro I se aproximou da


Inglaterra a quem recorreu com pedidos de empréstimos sucessivos, dificultando cada vez
mais a crise econômica e política. Em 1831, na madrugada de 7 de abril, Dom Pedro I
abdica o trono, deixando como herdeiro seu filho de cinco anos. A abdicação do regente
mudou o quadro político do país, o comando passou para as mãos dos liberais, com a
presença do ministro da justiça Diogo Antônio Feijó que, apesar de ter promovido um certo
saneamento econômico, manteve o país eminentemente agrícola e dependente do
escravismo. O problema da escravidão e do tráfico de negros será a grande causa dos
conflitos do país.
A estabilidade política e econômica do império chegaria na década de 1840
coincidindo com a expansão do café. Este já era produzido no Pará desde o século XVIII,
mas se expandiu a partir do Rio de Janeiro até São Paulo.
O fim do império culminou numa era de transições: o país até então rural passou a
viver uma acelerada urbanização. A extinção da escravidão incrementou o trabalho livre e
possibilitou o capitalismo e o progresso tecnológico do país. A imigração maciça concentrou-
se sobretudo em São Paulo, junto aos cafeicultores, mas ocorreu também intensamente no
sul do país.
A consolidação política e econômica da República sob o domínio do café, transformou
São Paulo e o Rio de Janeiro em grandes metrópoles, cuja evolução urbana poderia ser
observada no cenário urbano ligado à belle epoque. Os capitais privados foram destinados à
construção de grandes obras, a exemplo das vias ferroviárias.
O início do século XX, teve como marco o apoio à industrialização e à imigração. O
desenvolvimento industrial se fez sentir sobretudo em São Paulo, onde surgiram bairros de
operários e grandes conglomerados industriais, cujo exemplo mais importante foi o grupo
criado por Francisco Matarazzo. Em 1910, São Paulo ostentava o maior complexo industrial
da América do Sul.
Independente das duas Guerras Mundiais e das diversas crises internas o Brasil, ao
longo do tempo, passou por processo de crescimento urbano espantoso das cidades ligadas
à industrialização, a despeito da manutenção de grandes áreas latifundiárias ligadas à
criação de gado e à produção agrícola.

Cristina Ávila http://www.cidadeshistoricas.art.br/hac/hist_01_p.htm

Os Caminhos do Agronegócio Brasileiro


por Carlos Nayro Coelho
Em termos de evolução da sociedade, as últimas décadas foram notáveis no sentido de
sepultar velhas idéias e teorias acerca do desenvolvimento econômico das nações, e a década
de noventa, foi particularmente importante no sentido de definir as tendências que sem dúvida
dominarão o processo de formulação de políticas macroeconômicas nos anos vindouros, com
reflexos poderosos em todo o agribusiness mundial e nacional.
Na área econômica, estão praticamente cristalizadas as seguintes tendências: redução
do nível de intervenção do Estado na economia, integração cada vez maior dos mercados
mundiais com maior competição e maior peso das variáveis sociais e ambientais no cálculo
econômico.
O processo de intervenção do Estado na agricultura tem sido bem mais complexo
porque tem ocorrido em alta escala, de maneira mais ampla e persistente que em outros
setores, tanto nos países desenvolvidos como nos países desenvolvimento. Nos primeiros,
ocorreu na forma de transferências ou subsídios para proteger o setor contra oscilações nos
preços e na renda (geralmente dentro da ótica da segurança alimentar e do principio da
paridade), com fortes tendências a se perpetuar. Nos demais, aconteceu via taxação, confisco
cambial etc, para extrair os excedentes necessários ao financiamento do processo de
desenvolvimento.
De qualquer maneira, entre os estudiosos dos problemas agrícolas, existe uma quase
unanimidade de que, em nível mundial, tanto os produtores agrícolas como os consumidores
foram prejudicados com o excesso de intervenção. A conclusão básica é que o excesso de
intervenção prejudicou o esforço global de desenvolvimento (restringindo as exportações da
grande maioria das nações em desenvolvimento), trazendo crescentes doses de sacrifícios
para as populações envolvidas e provocando uma redução considerável no nível de consumo
de alimentos em função da manutenção de preços artificialmente elevados nos mercados
domésticos.
Para delinear os prováveis caminhos do agronegócio brasileiro, a médio e longo prazos,
é necessário primeiramente entender que a base do agronegócio é a agricultura. Portanto,
esse setor não pode ser visto com um setor estanque ou isolado dentro da economia, com forte
tendência de queda na participação do Produto Interno Bruto nacional na medida em que o
processo de desenvolvimento ocorre.
A agricultura deve ser vista como o centro dinâmico de uma série de atividades
econômicas, que envolvem as atividades de produção agrícola propriamente dita (lavouras,
pecuária, extração vegetal), aquelas ligadas ao fornecimento de insumos nas ligações para trás
(backward linkages), as relacionadas com o processo agroindustrial e as que dão suporte ao
fluxo de produtos até a mesa do consumidor final, nas ligações para a frente (forward linkages).
Nesse sentido, no suporte à produção vinculam-se com o setor agrícola as indústrias de
fertilizantes, defensivos, máquinas e equipamentos agrícolas,financiamentos (crédito rural para
investimento e custeio), pesquisa agropecuária e os transportes desses insumos.
Na fase de distribuição e processamento vinculam-se os transportadores dos produtos
agrícolas, a agroindústria, os agentes financeiros que apoiam a comercialização, os
armazenadores e o comércio (atacado e varejo), neste último encaixando-se inclusive o
importante subsetor de alimentação comercial (restaurantes, lanchonetes, bares, etc). O
agronegócio representa aproximadamente 28% do PIB total do Brasil, que em 2001 alcançou
perto de R$ 1,3 trilhões e é responsável pelo emprego da maior parte da População
Economicamente Ativa (PEA) do país.
O potencial do agronegócio nacional em termos de área cultivável impressiona. A área
total de mais de 210 milhões de hectares (24% do território nacional) da região dos cerrados
equivale à metade da área total do México, e nela ainda estão inexplorados cerca de 90
milhões de hectares, uma área equivalente à toda a área da China e dos EUA, que são os dois
maiores produtores mundiais de grãos.
Nesse contexto,o Brasil tem condições de operar em larga escala no agronegócio
internacional, pois é o único país no mundo, com uma infra estrutura razoável, que dispõe em
abundância do fator de produção mais escasso em escala mundial: terra agricultável. O que é
preciso é que se busque o máximo de eficiência em todos os elos da cadeia produtiva e que o
Setor Público crie um ambiente econômico favorável ( que envolve basicamente a
modernização da infra-estrutura logística e mudanças na estrutura tributária e nas leis
trabalhistas) para que o agribusiness nacional possa operar com segurança e competitividade
na conquista de novos mercados e procure com mais vigor e determinação eliminar as
distorções que ainda afetam o comércio internacional.
Na área externa as medidas podem ser divididas em duas categorias. A primeira
envolve a implantação de um eficiente sistema de promoção comercial e a segunda de uma
diplomacia comercial mais dinâmica e agressiva.
O sistema de promoção comercial já é utilizado em larga escala pelos grandes
exportadores mundiais e envolve duas variantes: financiamento das exportações e marketing.
Na primeira, o papel do governo brasileiro seria criar mecanismos apropriados de
financiamento às exportações considerando a mesma sistemática adotada pelos outros países
exportadores. Nas exportações agrícolas, devido às características cíclicas da agricultura e ao
elevado grau de competitividade dos mercados agrícolas, esses mecanismos são cruciais. Na
segunda ( marketing), a política envolveria, em primeiro lugar, a alocação de recursos
destinados exclusivamente à promoção dos produtos brasileiros no exterior, com base em dois
objetivos: ampliação dos mercados tradicionais e criação de novos mercados. A outra categoria
envolve o estabelecimento de uma diplomacia comercial mais agressiva, atuando
concretamente para eliminar as barreiras comerciais existentes contra produtos agrícolas
brasileiros em alguns países.
Para que o Brasil formule uma estratégia de longo alcance, existe um amplo leque de
alternativas, ainda pouco explorado pelo governo e pelos empresários brasileiros na área
externa, como o uso em escala compatível com o tamanho da economia brasileira dos
modernos mecanismos de promoção comercial.
O Brasil, por exemplo, por meio de uma estratégia de promoção comercial mais
agressiva tem condições de tirar proveito imediato da expansão mundial da demanda de
alimentos, principalmente de alimentos com elasticidade-renda elevada. Como se sabe, essa
expansão decorre principalmente do efeito-preço, que surgiu em função de um certo grau de
liberalização obtido na Rodada Uruguai, em algumas áreas como lácteos, bebidas, frutas e
carnes, em grandes mercados (como União Européia e Japão), antes dominados por rígidos
esquemas protecionistas, e do efeito-renda, ampliado em função do elevado índice de
crescimento econômico de alguns países em desenvolvimento, principalmente os asiáticos.
Quais seriam então os setores mais dinâmicos do comércio agrícola mundial, e os
países onde o Brasil teria condições de explorar com maior vantagem e penetrar com escala e
segurança nos próximos anos?
De acordo com os dados da FAO, os grandes complexos exportadores mundiais que
apresentaram maior dinamismo, ou seja, maior índice de crescimento no mercado internacional
na década de noventa e que, portanto, oferecem melhores perspectivas no novo contexto do
comércio mundial, com maior liberalização e maior crescimento da renda per-capita são: vinho,
lácteos, óleo de palma, frutas, carnes e soja.
Em todos esses produtos os esforços de exportação devem ser concentrados, sem
esquecer logicamente os produtos em que o País já é grande e tradicional exportador, como
café, açúcar, suco de laranja, couros etc.
Além disso, o Brasil dispõe das condições ideais para aproveitar um novo segmento do
mercado agrícola mundial que está crescendo de forma acelerada, principalmente nos países
desenvolvidos, e que já movimenta mais de US$ 20 bilhões ao ano: a agricultura natural ou
biológica. Essa cadeia produtiva envolve produtos que vão do café aos diversos tipos de
cereais e carnes. Dependendo do produto e do país, os consumidores estão dispostos a pagar
prêmio de até 200% sobre o preço do produto comum. O Brasil dispõe do maior rebanho
bovino "verde" do mundo e de vários locais já produzindo produtos naturais.
No contexto atual, o mercado asiático é o que oferece as melhores perspectivas, em
termos de uma expansão em alta escala das exportações do agribusiness brasileiro, em função
de três fatores importantes: a) a entrada da China na OMC; b) o Governo japonês
aparentemente se convenceu de que a recuperação da economia japonesa depende de maior
abertura para o comércio exterior; c) a rápida recuperação dos tigres asiáticos; d) os países da
Ásia continuarão sendo os maiores importadores de alimentos do mundo; e) são países que
detêm uma posição financeira externa invejável em termos de reservas, saldos em conta
corrente etc.

NOSSA HISTÓRIA ESFARRAPADA

Veremos hoje uma das maiores fraudes de nossos livros de história, um exemplo claro de informação "chutada" e de
como instituições com rigor científico e apreço pela pesquisa, como o IBGE, podem se deixar enrolar.

Certamente você aprendeu na escola sobre a vinda da família real portuguesa para o Brasil, fugindo do exército de
Napoleão que invadiu Portugal. Os livros dizem que foram 15 mil pessoas, número que aparece até no site do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Mas será que foi mesmo isso tudo? Ora, 15 mil pessoas, em 1808, correspondiam a 25 porcento da população
urbana do Rio de Janeiro e a 8 porcento da de Lisboa. Onde esse pessoal todo foi acomodado, repentinamente, na
cidade? E quantas embarcações foram necessárias para trazer tanta gente? Alguém pensou nisso?

Teve um que parou para pensar, sim. Foi o pesquisador e professor Nireu Cavalcanti, autor do livro "O Rio de
Janeiro Setecentista", que esclareceu esta história. Lógico que ele não foi ao IBGE, mas recorreu aos arquivos do
movimento do Porto do Rio de Janeiro e às listas de passageiros dos navios que chegaram naquela época.

O QUE FOI DESCOBERTO

* Como a capacidade dos navios mercantis e de passageiros, na época, era de 80 pessoas em média, seria
necessária uma gigantesca frota de 1.875 embarcações (que obviamente não existiu) para trazer os 15 mil
portugueses;

* Nos anos de 1808 e 1809, aportaram no Rio apenas 30 embarcações trazendo a família real e seus
acompanhantes;

* Somando as listas de passageiros dessas embarcações, tem-se o total de 444 pessoas, sendo 60 delas da família
real;

Um erro de quase 14.500 pessoas ou 97,5 porcento - deve ser um recorde no IBGE. O mais grave é que embora os
números corretos tenham sido divulgados pelo prof. Nireu Cavalcanti há mais de um ano, em 2004, ainda não se
modificou nenhuma linha dos livros e nem do site do governo brasileiro.

Como a maior parte das revisões de nossa história, esta também tende a ser sepultada pela versão errada. Mudar
livros e cabeças dá muito trabalho e despesa, quase tanto quanto pesquisar e pensar. E 15.000, afinal, é muito mais
glamouroso que 444.

Vinda da família real:


é dessa época a determinação da quinta parte – o quinto – como taxação sobre o ouro
extraído.
Fazenda Real: sérios contratempos para a fiscalização da cobrança desse
imposto. Decretou-se então a quota mínima, por volta de 100 arrobas ou 1.500 quilos,
o que foi um dos principais geradores da Inconfidência Mineira.
O século XVIII chegou ao seu final conhecendo a decadência da mineração
brasileira. O ouro que ainda era encontrado, geralmente nos leitos e nas margens dos
rios, na forma de aluvião, diferentemente daquele extraído de rochas matrizes, era
pouco abundante, o que explica seu precoce esgotamento. A produção brasileira de
diamantes foi pequena.
Revolução Industrial e o algodão. Com novas tecnologias desenvolvidas na
Revolução Industrial, esse tecido tornou-se a principal matéria-prima da época.

Esse novo surto não teve uma longa vida no Nordeste, pois, já na segunda metade do séc. XIX, o Centro-Sul
tomaria a liderança, enquanto se assistia ao declínio das regiões Norte e Nordeste e à ascensão do Sul e do
Sudeste, na época do Brasil politicamente independente.
Os investimentos estrangeiros, cujo afluxo aumentou consideravelmente a partir
de meados do século XIX foram encaminhados, sobretudo, para a infra-estrutura. No
período de 1860 a 1889, foram concedidas licenças para abertura de 137 companhias
estrangeiras, 111 das quais eram inglesas
Entre essas empresas primitivas, havia também certas exceções como o estaleiro na
cidade de Niterói, inaugurado em 1850. Construído de acordo com modelos ingleses e sob a
direção de engenheiros também ingleses, nele trabalhavam mais de mil pessoas. Entre
1850 e 1861, essa empresa, do Visconde de Mauá, construiu 72 navios.
Contudo, a maior parte das empresas criadas depois da reforma de tarifas de 1844
não conseguiu sobreviver, devido à falta de mão-de-obra qualificada, à concorrência por
parte de esferas mais lucrativas de aplicação do capital e, especialmente, ao
enfraquecimento do protecionismo alfandegário a partir de 1857. Em particular, em 1858
foram fechadas muitas fábricas têxtil da capital, mesmo as que recebiam ajuda do governo.
Depois da diminuição dos impostos sobre a importação de navios a vapor, de alguns tipo de
veleiros e de máquinas a vapor, o estaleiro de Mauá viu-se forçado a se dedicar ao conserto
de navios pequenos para finalmente, ser fechado em 1861
A nova tarifa alfandegária posta em vigor em 1887 estabeleceu elevados impostos,
sobretudo para os produtos agrícolas, que podiam concorrer no mercado interno com os
produtos locais, e impostos moderados para produtos em cuja importação estava
interessado o setor filiado de lã e de algodão importado por fabricantes locais de tecidos.
Em outras palavras, o protecionismo alfandegário tinha como objetivo atender basicamente
os interessados da classe dominante tradicional.
Medidas mais enérgicas em defesa da indústria foram tomadas pelo primeiro
governo republicano, especialmente em época da gestão do Marechal Floriano Peixoto
( 1891-1894). O Ministro da Fazenda Ruy Barbosa estabeleceu impostos protecionistas
para os produtos manufaturados nacionais, tendo diminuído consideravelmente as
taxas cobradas sobre a importação de equipamentos e de matérias-primas. Nessa
mesma época, foi promulgada a lei da proteção à indústria, que estabeleceu privilégios
adicionais. Essas decisões foram anuladas depois da tomada do poder pelo governo
de Prudente de Morais ( 1894-1898), o primeiro presidente a representar, na época da
República Velha ( 1889-1930), os interesses da oligarquia do café de São Paulo. A
política do estado foi especialmente pró-oligárquica e antiindustrial na época dos
presidentes Campos Salles ( 1898-1902) e Rodrigues Alves ( 1902-1906). Em
particular, a tarifa alfandegária de 1900, que continuou em vigor até 1934, levara em
considerações, sobretudo, os interesses dos ramos da agricultura que se orientavam
para a exportação e dos grupos sociais ligados a esses ramos.

O modelo primário-exportador

A importância estratégica do setor agrícola como mecanismo de crescimento


econômico no Brasil tem sido demonstrada repetidamente desde 1500 como os
primeiros empreendimentos experimentais. A exploração do pau-brasil pelos primeiros
comerciantes portugueses marcou o início de uma longa (e lucrativa) sucessão
histórica de períodos de prosperidade, a grande maioria da qual envolvia produtos
agrícolas destinados aos mercados externos. A cana-de-açúcar, o algodão, o fumo, o
cacau, a borracha e o café, todos experimentaram períodos de desenvolvimento e
fracasso frenéticos, porém, relativamente breves. As conseqüências econômicas
dessas expansões voltadas para o exterior transcenderam sua natureza regional para
afetar não somente o Brasil, mas também toda a América Latina - na verdade, toda a
ordem econômica internacional.
A economia brasileira, desde o início da colonização, funcionou
predominantemente como reflexo dos interesses externos, reagindo aos estímulos
vindos de fora. Essa orientação para o exterior levou à implantação da monocultura,
com produção e exportação centradas no produto de maior rentabilidade em certo
momento histórico. Essa dependência pode ser observada nos ciclos econômicos que
caracterizaram esse longo período.
Conforme ressalta BRUM (1996), o ciclo econômico pode ser entendido como
o período em que determinado produto, beneficiando-se da conjuntura favorável do
momento, se constitui no centro dinâmico da economia, atraindo as forças econômicas
- capitais, tecnologia e mão-de-obra - e provocando mudanças em todos os outros
principais setores da sociedade, como a criação de novas atividades, no uso de
equipamentos, na distribuição das rendas, na constituição das classes sociais ou
frações de classe, com o declínio de umas e a ascensão de outras etc. Geralmente, o
ciclo econômico se caracteriza pela supremacia de determinado produto na
exportação.
Um ciclo propriamente supõe três fases sucessivas: o início da expansão, o
auge e a decadência acentuada tendente ao desaparecimento. No caso brasileiro,
alguns dos principais produtos cíclicos tradicionais, com destaque para o açúcar e o
café, embora experimentassem declínio, continuam ainda hoje a ter relativa expressão,
tanto na produção como na exportação.
Três foram os grandes ciclos que marcaram mais profundamente a vida
brasileira: do açúcar, do ouro e do café, sucessivamente. Intermeadiários ou
concomitantes a eles, tivemos os ciclos menores do algodão, da borracha e do cacau,
além do extrativismo inicial do pau-brasil. Os subciclos do gado e do fumo tiveram
função complementar, como auxiliares dos ciclos principais.
O primeiro dos grandes ciclos econômicos for o açúcar. Tornou-se o produto de
maior valor no comércio mundial no final do século XVI. Os principais centros de
produção açucareira foram Pernambuco, Bahia e São Vicente (São Paulo). O açúcar
teve papel decisivo no financiamento do Império Português, para sustentar a Coroa e
garantir-lhe a posse da Colônia, e na definição do modelo de colonização do Brasil,
baseado na grande propriedade rural, na vinculação dependente ao exterior, na
monocultura de exportação e na escravidão.
O segundo grande ciclo econômico, do ouro e diamante, só ocorreu no século
XVIII, pois a expectativa dos portugueses de encontrar metais preciosos só se realizou
após décadas de crise econômica na Colônia e sobretudo na Metrópole, decorrente da
concorrência do açúcar das Antilhas.
O café só passou a ter alguma expressão econômica no final do século XVIII. O
ciclo propriamente dito teve mais de uma década de duração (1825-1930). Contudo,
mesmo depois de encerrada a fase de grande expansão continuou por mais de quatro
décadas a ser o principal produto de exportação do país e ainda hoje tem uma posição
destacada.
Todavia, a partir dos primeiros anos do século XX, o café passou a enfrentar
uma crise de superprodução. Esta situação provocava forte tendência de queda dos
preços no mercado mundial. Aliado a este fato, um acontecimento externo, no final da
década de 20, abalou a economia mundial e a economia brasileira, com forte impacto
negativo sobre o café: a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de
1929.
A falência da Bolsa desencadeou violenta crise econômica que atingiu
profundamente os EUA e os países da Europa e teve reflexos negativos sobre o nosso
principal produto de exportação – o café -, base da nossa economia na época, uma
vez que os Estados Unidos eram o nosso principal comprador de café e os negócios
eram fechados na Bolsa de Nova York. Com os países consumidores em crise e os
respectivos governos adotando políticas duras de contenção para a recuperação de
suas economias – inclusive o crédito externo foi suspenso – as exportações de café
despencaram e os preços aviltaram-se no mercado internacional. Assim, o café
deixava de ser um investimento atrativo
Por outro lado, a Primeira Guerra Mundial teve influência na criação de
condições favoráveis para a decolagem do processo de industrialização do país. O
bloqueio econômico no Atlântico dificultou as exportações e as importações. Houve
também a suspensão da entrada de capitais estrangeiros. As economias dos países
beligerantes foram orientadas para atender prioritariamente às necessidades do
conflito. Assim, o mercado interno brasileiro ficava livre para a iniciativa nacional -
quase sem a concorrência dos produtos importados. Com a escassez, os preços
subiram. E a demanda do mercado interno impulsionou um surto próprio de
industrialização no país. A indústria mostrava-se uma atividade econômica promissora.
Como a exportação também estava dificultada, operou-se relativa transferência de
recursos financeiros, do setor agroexportador para o setor urbano-industrial. As
dificuldades de importação levaram também um número crescente de comerciantes a
direcionarem parcela de suas disponibilidades financeiras para atividades industriais,
com vistas ao atendimento da demanda.
A crise do café comprovava definitivamente a vulnerabilidade e a inviabilidade
da monocultura exportadora como sustentáculo da economia. E, consequentemente,
pressionou no sentido da criação de novas fontes de riqueza. E a industria era tida
como o setor preferido e defendido pelos que desejavam a modernização do país,
retirando-o do atraso colonial em que ainda se encontrava.
Discutiu-se muito no Brasil se a agricultura favoreceu ou funcionou como um
entrave à industrialização. A agricultura - especialmente o café - sem dúvida teve um
papel fundamental na implantação da indústria no país: transferiu capital para indústria,
liberou mão-de-obra, proporcionou divisas, permitiu que o custo de reprodução da força
de trabalho nas cidades permanecesse relativamente baixo; apenas não criou
mercado para a indústria. Mas se a agricultura, entendida como produção agrícola, foi
um apoio, sem dúvida uma parte dos latifundiários, especialmente os cafeicultores,
foram um sério obstáculo à industrialização. O latifúndio mercantil exportador
percebeu desde o início que industrializar significava transferir renda do campo
para a cidade, e se opôs firmemente a isto.
O latifúndio exportador, cafeeiro, foi vencido nessa batalha. O latifúndio
orientado para o mercado interno, entretanto, foi vitorioso. A industrialização foi
realizada, mas a reforma agrária, que muitos imaginavam essencial para essa
industrialização, deixou de ser feita. Os setores agrícolas menos comprometidos com a
exportação e mais orientados para o mercado interno já a partir dos anos 30 aliaram-se
à indústria e trataram de suprir os alimentos necessários, além de manter as
exportações.
Durante todo o período inicial da industrialização brasileira, a agricultura foi
marginalizada de qualquer auxílio estatal. Toda a ênfase foi colocada na
industrialização. Reproduzindo o que aconteceu na maioria dos outros países que se
industrializaram tardiamente, o Estado funcionava como veículo de transferência de
renda da agricultura para a indústria. Essa política estava basicamente correta. A
agricultura, apesar de todas as suas deficiências, era capaz de andar com suas
próprias pernas. A indústria é que necessitava de suporte.
À medida que as esporádicas arrancadas da atividade exportadora começavam
a dar lugar aos avanços do complexo urbano-industrial do século XX, os esforços
agrícolas deixaram de ser o centro das atenções. o ritmo frenético das atividades de
substituição de importações nos anos 50 ofuscaram totalmente os progressos
realizados no setor agrícola. O planejamento e as políticas agrícolas foram
negligenciadas tanto pelos políticos quanto pelos acadêmicos.
Contudo, foi durante esse período de relativo descuido que o perfil da agricultura
brasileira foi permanentemente modificado. o setor agrícola, juntamente com o resto da
realidade socioeconômica, foi levado nas correntes da industrialização, destinado a ser
submetido a uma modernização significativa seguindo as conseqüências das políticas
de substituição de importações.
Assim, a partir de 1950, a agricultura brasileira entrou num processo de
modernização, baseado na mecanização e na tecnificação da lavoura e na intensa
aplicação de insumos químicos. das lavouras de trigo e de arroz irrigado no Rio Grande
do Sul, o processo estendeu-se para a soja e outras culturas, em expansão crescente
em vários estados. Esse processo, chamado "modernização conservadora da
agricultura", por ser substituto da reforma agrária, adequava-se sobretudo à média e à
grande propriedade rural. Foi alavancado com financiamentos fortemente subsidiados
pelo estado (governo federal), em todas as fases da cadeia produtiva - aquisição de
máquinas, implementos e insumos, formação da lavoura e custeio, colheita,
armazenagem e comercialização.
Era o capital industrial que substituía o capital mercantil na produção agrícola.
Grande capital em certas culturas, como a cana-de-açúcar, e na pecuária. Pequeno
capital, quase pequena produção mercantil, embora muito moderna e mecanizada, em
outras culturas, como a soja.
A internacionalização da economia brasileira, os avanços tecnológicos e a
proletarização da mão-de-obra foram somente algumas das forças geradas pela
industrialização que em breve devastariam a natureza feudal/tradicional da agricultura
brasileira. O conceito de que a habitual dependência do petróleo importado poderia
terminar com a produção de álcool de cana-de-açúcar em larga escala foi apenas um
dos resultados dessa era de renovação.
Tal modernização, porém, não deixou de apresentar problemas. Uma população
em expansão combinada com um aumento da migração do campo para a cidade
resultou numa população urbana de proporções gigantescas como a do Rio de Janeiro,
São Paulo e Brasília. Em anos recentes, a escassez de alimentos às vezes tornou-se
intensa, especialmente entre as classes de renda mais baixa, destacando um aspecto
antes não discutido da agricultura brasileira: a produção de alimentos para consumo
interno.
No início da década de 60, o papel da agricultura na economia começou a
mudar. à medida que as dinâmicas taxas de crescimento da era de substituição de
importações começavam a declinar, ficava claro que somente a industrialização não
serviria mais de mecanismo de crescimento e desenvolvimento econômico. É por volta
dessa década que se nota a lenta, mas constante “abertura” da economia brasileira.
Apesar de ter dado muita ênfase à exportação de bens manufaturados, a produção
agrícola para consumo externo também cresceu significativamente. As exportações de
produtos provenientes da agricultura (beneficiados e não-beneficiados), excluindo o
café, cresceu a uma taxa média anual de 22% entre 1965 e 1977 (em termos
nominais).
Está claro que os enormes aumentos na produção de soja estavam à frente
desse novo movimento. De 1966 a 1977 a produção de soja ampliou-se a uma taxa
anual de 37,6%. Essa expansão espetacular é parcialmente explicada pela pequena
base de onde o produto começou, embora durante todo o transcorrer dos anos 70 os
aumentos na produção eram grandes até em termos absolutos, tornando o Brasil o seu
terceiro maior produtor do mundo e o segundo maior exportador em meados dessa
década. Quando os produtores de laranja passaram à exportação em larga escala de
suco concentrado, a produção aumentou a uma taxa anual média de 12,1% durante o
mesmo período.
Alguns dos principais produtos de exportação, como café e cacau,
experimentaram baixas taxas de crescimento no final da década de 60 e início da de
70, embora isso revele pouco sobre o impacto causado por esses setores, visto que os
preços internacionais, extremamente favoráveis, principalmente durante aquele
período, mais do que compensaram os pequenos aumentos na produção.
A partir da segunda metade dos anos 60, o Estado desenvolve um amplo
sistema de crédito agrícola. A agricultura, que já havia perdido sua capacidade de
transferir renda para a indústria, passa agora a receber subsídios. No final dos anos
70, o desenvolvimento agrícola e o desenvolvimento energético (que passava também
pela agricultura, via produção de álcool) tornaram-se uma prioridade nacional.
A partir de 1977, o programa Proálcool, visando substituir a gasolina por álcool,
transformou-se em fator adicional de redução da oferta de alimentos, na medida em
que as culturas domésticas eram expulsas pela cultura subsidiada de cana-de-açúcar.
Entre 1977 e 1984, a produção por habitante de culturas domésticas caiu a uma taxa
anual de 1,9%, enquanto a produção de culturas de exportação crescia à uma taxa
anual de 2,5% e a de cana-de-açúcar, beneficiada pelos subsídios do Proálcool,
crescia à taxa de 7,8% ao ano.
O Estado brasileiro, endividado externa e internamente, não teve mais condições
de financiar com generosos subsídios a agricultura. Desta forma, esse modelo agrícola
dependente do Estado entrou em colapso. Com a progressiva retirada dos subsídios ao
crédito, iniciada em 1981, passou-se para uma situação de financiamento a juros reais.
Ao longo da década de 1980, em meio a dificuldades financeiras e planos de
estabilização econômica fracassados, os produtores rurais alimentavam a esperança
da volta aos bons tempos do passado recente, em que o Estado, sócio generoso,
favorecia a apropriação privada dos lucros e acabava sempre pagando a conta em
caso de eventuais prejuízos. Sem se darem conta de que a realidade havia mudado e o
tempo das facilidades ficara para trás - definitivamente.
República do Café com Leite

Proclamada a república em 1889, seguiu-se o governo de transição do Marechal Floriano Peixoto.


Depois vieram governos em sua maioria civis dirigidos por políticos paulistas e mineiros. Por isso, o
período que vai da Proclamação da República à Revolução de 1930 foi chamado de “república café com
leite”.

Os principais acontecimentos que marcaram este período foram: a sustentação da economia centrada
no café; a reurbanização e o saneamento do Rio de Janeiro; os surtos econômicos regionais da
borracha e do cacau; as novas imigrações de europeus, italianos e japoneses; as revoltas sertanejas de
Canudos e do Contestado; a revolta da chibata; a construção de estradas de ferro, usinas hidrelétricas e
redes telegráficas; a retomada dos contatos com as populações indígenas; o crescimento industrial: a
consolidação do modo de vida urbano; as primeiras greves operárias; as revoltas dos tenentes e a
coluna Prestes; a Semana de Arte Moderna; a quebra da bolsa de Nova Iorque e o fim do ciclo do café.

O governo do mineiro Afonso Pena se destacou entre todos dessa época por ter sido o mais
progressista, incentivando a indústria e a imigração estrangeira. A implantação da rede telegráfica deu
ao Brasil seu maior sertanista, o Marechal Rondon, fundador do Serviço de Proteção ao Índio.

A revolta de Canudos descobriu Euclides da Cunha, autor de “Os Sertões”, o mais impressionante relato
sobre a vida do sertão, o sertanejo e a Guerra de Canudos. A Revolta da Armada revelou o líder negro
João Cândido, que mostrou ao país, 20 anos depois de extinta a escravidão, que ainda se usava castigo
físico nos navios da Marinha; uma atrocidade que foi extinta a custa de atrocidades maiores feitas pelo
governo aos que se insubordinaram contra ela.

A Semana de Arte Moderna colocou o brasileiro definitivamente voltado para a sua invenção e seu
futuro. Com a quebra do café, o poder político se deslocou do campo para as cidades, da agricultura
para a indústria e a modernização econômica e social teve início.

Politicamente, a república continuou as práticas centralizadoras do império, através da política dos


governadores, que controlavam de um lado o poder local através dos coronéis e de outro davam
sustentação aos presidentes. As eleições eram feitas na base do “bico de pena” ou seja , através de
listas de votação, que podiam ter as assinaturas e os votos falsificados.

O direito a votar estava condicionado à pessoa ter determinada renda, e saber ler e escrever. Isso
significava que pessoas pobres e analfabetas não podiam votar. Como era muito baixo o grau de
instrução do povo, só uma minoria do povo podia registrar-se como eleitor.

Depois das votações, cabia às juntas apuradoras fazer a contagem dos votos e emitir os diplomas de
eleição. A diplomação acabava sempre dando muita confusão, pois as listas eram na maioria das vezes
falsificadas e os resultados manipulados. O reconhecimento final dos eleitos era feito pela Comissão de
Verificação dos Poderes da Câmara, que confirmava os eleitos, conforme os interesses da presidência
da república.

A política era toda amarrada em torno dos interesses dos governantes e das classes dominantes, era
quase impossível aos governistas perderem eleição. Os coronéis eram donos dos chamados “currais
eleitorais”, que reuniam eleitores. Eles usavam seus votos em troca de favores. Da mesma forma
trocavam seu apoio ao governador por nomeações e verbas. O governador, por sua vez, transacionava
seu apoio nas duas direções, dos coronéis e do presidente, cadeia de trocas de favores políticos que
ganhou o nome de clientelismo.

A política “café com leite” era de cartas marcadas. A eleição dos representantes do povo e dos
governantes era precedida de intensas consultas e negociações que selavam as alianças. O esquema
era dominado pelos governadores de Minas e de S. Paulo e, como no império, garantiu por quase
quarenta anos a estabilidade e o imobilismo político, que favoreceu o setor agrícola e cafeeiro e boicotou
os interesses das indústrias e das cidades.

Desde a década de 20, as greves operárias, as revoltas dos tenentes e os “escândalos” programados
pela Semana de 1922 diziam com todas as letras que o país precisava mudar. A revolução de 1930
acabou com a dobradinha do “café com leite”, instituindo o voto secreto, a legislação trabalhista,
anistiando os tenentes e fazendo profissão de fé na indústria e na modernização do país. A partir de
então, a república “café com leite” passou a ser chamada de “república velha”.

Maria Lúcia Andrade Garcia http://www.cidadeshistoricas.art.br/hac/hist_07_p.htm


A mão-de-obra
Š A utilização em massa do trabalho assalariado representou a primeira fase de
desenvolvimento do capitalismo no Brasil.
Š Até a década de 1930, no sudeste, a mão-de-obra assalariada era recrutada
entre os imigrantes, embora já houvesse desde as últimas décadas do século XIX
um grande contingente potencial de trabalhadores assalariados entre os brasileiros
natos.
Š Durante 50 anos, de 1880 a 1930, chegaram ao país quatro milhões de
imigrantes; no final do século XIX, os imigrantes constituíam cerca de metade da
população adulta de São Paulo e mais de 10% da população adulta do país.
Š O primitivismo dos hábitos de trabalho dos brasileiros natos, assim como
tradições e costumes que lhes foram inculcados, criavam sérios obstáculos à
exploração capitalista da mão-de-obra nacional.
Š O estoque de escravos existente no Brasil revelou-se insuficiente em face da
contínua expansão da produção cafeeira. O tráfico interno atingiu um ponto de
esgotamento, provocando uma excessiva utilização (e conseqüentemente um
desgaste maior) dessa mão-de-obra.
Š Os trabalhadores da economia de subsistência estavam extremamente dispersos,
dificultando o recrutamento e exigindo uma significativa mobilização de recursos.
Š Os cafeicultores do oeste paulista e os primeiros industriais preferiam admitir
operários-imigrantes que já haviam “cursado uma escola de trabalho assalariado”,
habituados a mais disciplina e autonomia, embora custassem mais.
Š Após 1930, sérias restrições foram impostas às novas imigrações devido ao
agravamento do problema do excesso de oferta da mão-de-obra nacional.
Š A libertação dos escravos não os transformou em operários assalariados, mas
apenas criou possibilidades para isso.
Š Tornar-se-iam proletários apenas filhos e netos dos antigos escravos, cujos pais
e avós tiveram de passar pela severa escola da adaptação ao novo modo capitalista
de produção.

Mauá e o início da Modernização no Brasil


Em meados do século XIX, enquanto os países capitalistas desenvolvidos viviam a Segunda Revolução
Industrial, o Brasil apresentava alguns avanços sócio-econômicos, responsáveis pela transição da monarquia para
república. O processo abolicionista e o crescimento de atividades urbanas, tornavam o regime monárquico cada vez
mais obsoleto.
O café, base da economia, ao mesmo tempo em que preservava aspectos do passado colonial (latifúndio,
monocultura e escravismo), tornava a realidade mais dinâmica, estimulando a construção de ferrovias e portos, além
de criar condições favoráveis para o crescimento outros empreendimentos como bancos, atividades ligadas ao
comércio interno e uma série de iniciativas empresariais.
A aprovação da tarifa Alves Branco, que majorou as taxas alfandegárias, e da lei Eusébio de Queirós, que
em 1850 aboliu o tráfico negreiro liberando capitais para outras atividades, estimularam os negócios urbanos no
Brasil, que já contava com 62 empresas industriais, 14 bancos, 8 estradas de ferro, 3 caixas econômicas, além de
companhias de navegação a vapor, seguros, gás e transporte urbano.
Nesse cenário de desenvolvimento, destaca-se a figura de Irineu Evangelista de Souza, o Barão e Visconde
de Mauá, principal representante do incipiente empresariado brasileiro, que atuou nos mais diversos setores da
economia urbana.
Em 1846, adquire um estabelecimento industrial na Ponta de Areia (RJ), onde foram desenvolvidas várias
atividades, como fundição de ferro e bronze e construção naval. No campo dos serviços Mauá foi responsável pela
produção de navios a vapor, estradas de ferro, comunicações telegráficas e bancos. Essas iniciativas
modernizadoras encontravam seu revés na manutenção da estrutura colonial agro-exportadora e escravista e na
concorrência com empreendimentos estrangeiros, principalmente britânicos. Essa concorrência feroz, não mediu
esforços e em 1857 um incêndio nitidamente provocado destruiu a Ponta de Areia.
Suas iniciativas vanguardistas representavam uma ameaça para os setores mais conservadores do governo
e para o próprio imperador, que não lhe deu o devido apoio. Sua postura liberal em defesa da abolição da
escravatura e sua atitude contrária à Guerra do Paraguai, acabam o isolando ainda mais, resultando na falência ou
venda por preços reduzidos de suas empresas.

INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA
1500-1808: restrição portuguesa ao desenvolvimento de atividades industriais no Brasil.
Apenas uma pequena indústria para consumo interno era permitida, devido às
distâncias entre a metrópole e a colônia. Eram, principalmente, de fiação, calçados,
vasilhames.
2a. metade do século XVIII - algumas indústrias começaram a crescer, como a
do ferro e a têxtil. Isso não agradava Portugal porque já faziam concorrência ao
comércio da corte e poderiam tornar a colônia independente financeiramente e gerar
independência política. Em janeiro de 1785, D. Maria I assinou um alvará, extinguindo
todas as manufaturas têxteis da colônia, exceto a dos panos grossos para uso dos
escravos, e criando restrições à indústria do ferro.

1808-1850
1808 - chegada ao Brasil da família real. D. João VI revogou o alvará e abriu os portos ao
comércio exterior, fixando taxa de 24% para produtos importados, exceto para os
portugueses que foram taxados em 16%. Em 1810, através de um contrato comercial
com a Inglaterra, foi fixada em 15% a taxa para as mercadorias inglesas por um
período de 15 anos. O desenvolvimento industrial brasileiro foi pequeno devido a
concorrência dos produtos ingleses.
1828 - renovado o protecionismo econômico cobrando-se uma taxa de 15%
sobre os produtos estrangeiros, agora igual para todos os países.
1844 - Ministro da Fazenda, Manuel Alves Branco, criou uma lei , Lei Alves
Branco, que ampliava as taxas para 30% e 60%.

1850-1930
1850 – proibição do tráfico de escravos; duas consequências importantes para o
desenvolvimento industrial:
- capitais que eram aplicados na compra de escravos ficaram disponíveis aplicação
no setor industrial.
- cafeicultura que estava em pleno desenvolvimento necessitava de mão-de-obra,
estimulando a entrada de um número considerável de imigrantes, que trouxeram
novas técnicas de produção de manufaturados e foi a primeira mão-de-obra
assalariada no Brasil. Constituíram um mercado consumidor indispensável ao
desenvolvimento industrial, bem como força de trabalho especializada.
O setor que mais cresceu foi o têxtil, favorecido em parte pelo crescimento da
cultura do algodão em razão da Guerra de Secessão dos EUA, entre 1861 e 1865.
Na década de 1880 ocorreu o primeiro surto industrial quando a quantidade de
estabelecimentos passou de 200, em 1881, para 600, em 1889.
Esse primeiro momento de crescimento industrial inaugurou o processo de
Substituição de Importações.
Entre 1914 e 1918 - Primeira Guerra Mundial: a partir dai, constata-se que os
períodos de crise mundiais foram favoráveis ao crescimento industrial brasileiro. Isso
ocorreu também em 1929 com a Crise Econômica Mundial e, mais tarde, em 1939 com
a 2ª Guerra Mundial, até 1945.
Nesses períodos a exportação do café era prejudicada e havia dificuldade em se
importar os bens industrializados, estimulando dessa forma os investimentos e a
produção interna, basicamente indústria de bens de consumo.
Em 1907 - 1° censo industrial do Brasil: existência de pouco mais de 3.000
empresas. O 2° censo, em 1920, mostrava a existência de mais de 13.000 empresas,
caracterizando um novo grande crescimento industrial nesse período, principalmente
durante a 1ª Guerra Mundial quando surgiram quase 6.000 empresas.
Predominava a indústria de bens de consumo que já abastecia boa parte do
mercado interno. O setor alimentício cresceu bastante, principalmente exportação de
carne, ultrapassando o setor têxtil. A economia do país continuava, no entanto,
dependente do setor agroexportador, especialmente o café, que respondia por
aproximadamente 70% das exportações brasileiras.

Segundo período - O início desse período foi marcado pela crise econômica de 1929,
decorrente da grande depressão norte-americana e a quebra da Bolsa de NY.
Outro marco foi a Revolução de 1930, com Getúlio Vargas, que operou uma
mudança decisiva no plano da política interna, afastando do poder do estado oligarquias
tradicionais que representavam os interesses agrários-comerciais. Adotou uma política
industrializante, regulamentando o mercado de trabalho urbano, limitando algumas
importações e, mais tarde, dirigindo investimentos estatais para a indústria de base.
Vargas investiu forte na criação da infra-estrutura industrial: indústria de base e
energia. Destacando-se a criação de:Conselho Nacional do Petróleo (1938), Companhia
Siderúrgica Nacional (1941), Companhia Vale do Rio Doce (1943); Companhia Hidrelétrica
do São Francisco (1945).
Também contribuíram para o desenvolvimento industrial a partir de 1930, o
grande êxodo rural, devido a crise do café, com o aumento da população urbana que foi
constituir um mercado consumidor;a redução das importações em função da crise
mundial e da 2ª Guerra Mundial, que favoreceu o desenvolvimento industrial, livre de
concorrência estrangeira.
Esse desenvolvimento ocorreu principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro,
Minas Gerais e Rio Grande do Sul, definindo a grande concentração espacial da
indústria, que permanece até hoje.
Uma característica das indústrias que foram criadas desde a 1ª Guerra Mundial é
que muitas delas fazem apenas a montagem de peças produzidas e importadas do
exterior. São subsidiárias das matrizes estrangeiras.
No início da 2ª Guerra Mundial o crescimento diminuiu porque o Brasil não
conseguia importar os equipamentos e máquinas que precisava. Isso ressalta a
importância de possuir uma Indústria de Bens de Capital.
Apesar disso as nossas exportações continuaram a se manter acarretando um
acúmulo de divisas. A matéria-prima nacional substituiu a importada. Ao final da guerra
já existiam indústrias com capital e tecnologia nacionais, como a indústria de
autopeças.

Terceiro período : Ao final da 2a. Grande Guerra, oo Brasil dispunha de grandes


reservas de moeda estrangeira, divisas, fruto do superavit comercial.
O governo de Eurico Gaspar Dutra estimulou as importações esgotando as
reservas mas favorecendo o reequipamento de vários setores industriais, contribuido
para o seu crescimento. Adotou uma política de seleção de importações para evitar um
desequilíbrio na balança de pagamentos.
Enquanto nas décadas anteriores houve predominância da indústria de bens de
consumo, na década de 40 outros tipos de atividade industrial começam a se
desenvolver como no setor de minerais, metalurgia, siderurgia, ou seja setores mais
sofisticados tecnologicamente.
1950: problemas de de grande importância dificultaram o desenvolvimento
industrial: falta de energia elétrica; baixa produção de petróleo; rede de transporte e
comunicação deficientes.
Para tentar sanar os dois primeiros problemas o presidente Getúlio Vargas
inaugurou a Companhia Hidrelétrica do São Francisco, Usina Hidrelétrica de Paulo
Afonso e criou a Petrobrás.
No governo JK, 1956 a 1961, criou-se um Plano de Metas que dedicou mais de
2/3 de seus recursos para estimular o setor de energia e transporte.
Aumentou a produção de petróleo e a potência de energia elétrica instalada,
visando a assegurar a instalação de indústrias. Desenvolveu-se o setor rodoviário.
Houve um grande crescimento da indústria de bens de produção.
Década de 50: alteração da orientação da industrialização do Brasil. Contribuiu
para isso a Instrução 113 da Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC),
instituída em 1955, no governo Café Filho. Essa Instrução permitia a entrada de
máquinas e equipamentos sem cobertura cambial (sem depósito de dólares para a
aquisição no Banco do Brasil).
O crescimento da indústria de bens de produção refletiu-se principalmente nos
setores siderúrgico e metalúrgico (automóveis), químico e farmacêutico e de construção
naval.
O desenvolvimento industrial foi realizado principalmente com capital
estrangeiro, atraído por incentivos cambiais, tarifários e fiscais oferecidos pelo governo.
Nesse período teve início em maior escala a internacionalização da economia brasileira,
através das multinacionais.
A década de 60: sérios problemas políticos ocasionaram um declínio no
crescimento econômico e industrial.
Após 1964, os governos militares, retomaram e aceleraram o crescimento
econômico e industrial brasileiro. O Estado assumiu a função de órgão supervisor das
relações econômicas. O desenvolvimento industrial pós 64 foi significativo.
Ocorreu uma maior diversificação da produção industrial. O Estado assumiu
certos empreendimentos como: produção de energia elétrica, do aço, indústria
petroquímica, abertura de rodovias e outros, assegurando para a iniciativa privada as
condições de expansão ou crescimento de seus negócios.
Houve grande expansão da indústria de bens de consumo não-duráveis e
duráveis com a produção inclusive de artigos sofisticados.
Para sustentar o crescimento industrial, houve o aumento da capacidade aquisitiva da
classe média alta,através de financiamento de consumo. Foi estimulada, também, a
exportação de produtos manufaturados através de incentivos governamentais.Em 1979,
pela 1ª vez, as exportações de produtos industrializados e semi-industrializados superaram
as exportações de bens primários (produtos da agricultura, minérios, matérias-primas).
A industrialização brasileira teve seu apogeu entre fins da década de 70 e início dos
anos 80. Substituindo importações e atendendo a uma crescente demanda interna, sob o
amparo de políticas industriais fortemente protecionistas, a indústria chegou a gerar mais
de um terço do PIB em 1980 com as atividades extrativas minerais e de transformação
industrial.
A partir de 1981, a indústria iniciou um longo período de estagnação que duraria até
1992-93, conforme indica tabela. A crise internacional deflagrada pela elevação dos preços
do petróleo e dos juros no mercado internacional, bem como erros na condução da política
econômica interna em 1980, acarretou forte desequilíbrio no balanço de pagamentos e
aceleração da inflação.
A necessidade de promover o ajuste das contas externas e de controlar a inflação
passou a integrar o primeiro plano na agenda da política econômica, afastando as
preocupações com o longo prazo, particularmente com o desenvolvimento industrial, pelo
resto da década de 1980. Algumas tentativas de definir uma política industrial entre 1985 e
1988 fracassaram, e a Nova Política Industrial (de 1988) foi apenas parcialmente
implementada. Somente algumas políticas setoriais, como a Política Nacional de
Informática, e programas de investimento em indústrias exportadoras (como celulose, por
exemplo), foram implementados.
Em 1990, após dez anos de estagnação, a indústria de transformação já havia
perdido quase cinco pontos percentuais de participação no PIB. Com sérios problemas de
defasagem tecnológica, métodos gerenciais e formas organizacionais ultrapassadas e
ineficiências quase generalizadas em termos de custos, produtividade e qualidade, a
indústria teve de defrontar-se com a abertura da economia. Esta abertura mudou
radicalmente o ambiente econômico, submetendo a indústria a fortes pressões
competitivas. Ocorreu, então, um amplo processo de reestruturação industrial, envolvendo:
fusões e incorporações, abandono de segmentos (principalmente os de tecnologia mais
avançada), aumento do coeficiente de insumos importados, racionalização do processo
produtivo (terceirização, automação) com redução do emprego, programas de qualidade e
produtividade etc.
Hoje, a indústria (extrativa mineral e de transformação) responde por menos de um
quarto do PIB. Sua estrutura está fortemente concentrada nas "velhas" indústrias pesadas
(aço, produtos metalúrgicos, máquinas e equipamentos mecânicos, elétricos e de
comunicações, veículos), química/petroquímica, alimentos e bebidas, têxteis, confecções e
calçados, e celulose/papel. Em conjunto, essas indústrias respondem por mais de 80% do
produto industrial. Muito ainda há por desenvolver nas indústrias representativas das novas
tecnologias, tais como eletrônica, materiais avançados e biotecnologia, e suas aplicações
nas outras indústrias.
A indústria brasileira atual apresenta alguns aspectos virtuosos, tais como: grande
potencial de expansão no mercado interno, crescente coeficiente de exportação, forte
avanço nos níveis de produtividade, significativa melhoria da qualidade (atestada por
grande número de empresas com certificação ISO 9000 e outras) e maior capacidade de
competição (ou seja, menos dependência de proteção e fomento). Entretanto, seu
crescimento segue sujeito a restrições de ordens externa e fiscal.
A indústria ainda enfrenta vários problemas que geram externalidades negativas,
entre os quais infra-estrutura física deficiente e com custos elevados; infra-estrutura de
ciência e tecnologia debilitada e com quase nenhuma interação com o setor produtivo;
pouco esforço próprio de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) por parte das empresas
privadas; força de trabalho pouco qualificada e com precárias condições institucionais de
suporte; grupos econômicos de pequeno porte e sem sinergias produtivas, sobretudo nas
novas tecnologias etc.

Fonte: www.mre.gov.br
http://www.culturabrasil.org/vinte.htm
Multinacional é diferente de Transnacional. A primeira se caracteriza por uma industria que transfere sua produção para o país, mas
mantém sua administração e padrões de produção no país da matriz. Já transnacionais transferem a parte produtiva e sua
administração para o país, adequando sua produção os valores locais.
SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES
O mercado interno ganha espaço
A demanda reprimida por bens importados se converteu em demanda por produtos
locais, agora mais baratos.
Nos anos 30, as atividades agrícolas e fabris, ligadas ao mercado interno, puderam
manter ou mesmo aumentar os seus lucros. Por outro lado, a lucratividade do setor
agrícola exportador estava em baixa.
A indústria precisa importar máquinas e equipamentos.
A desvalorização cambial dificultou a importação de bens de capital e de insumos
básicos.
Naquela fase da industrialização, a compra de máquinas e equipamentos para a
montagem de fábricas era essencial.
A crescente demanda por produtos locais foi inicialmente suprida pela produção com
máquinas e equipamentos, já instalados, que se encontravam subutilizados.

Fatores favoráveis e desfavoráveis ao desenvolvimento industrial


Houve uma conjuntura favorável ao desenvolvimento industrial: a manutenção do nível
de renda doméstica e o mercado consumidor para a indústria nascente.
Houve também um fator desfavorável: a reduzida capacidade para importar bens de
capital e insumos, necessários para montar as fábricas ou ampliar as já existentes.
A despeito desse fator negativo, entre1929 e 1933, a renda aumentou em 20%, e a
produção industrial cresceu em 50%, enquanto os Estados Unidos e a Inglaterra viviam
a Grande Depressão.
Com o sucateamento da indústria nos países em depressão, houve compras de bens
de capital usados.

Indústria de bens de consumo


Nos anos trinta, desenvolveram-se principalmente as indústrias destinadas a substituir
importações, que eram indústrias de bens de consumo: não havia produção local de
bens de capital.
Reserva de mercado para a indústria local
O câmbio desvalorizado instituiu o protecionismo cambial à indústria brasileira.
O crescimento de toda a década dos anos 30, que perdurou até 1945, foi caracterizado
pela restrição da capacidade de importar, que decorreu do mau desempenho das
exportações.
Depois de 1937, com o Estado Novo, a reserva de mercado para a indústria nacional
passou a ser praticamente promovida pelo governo. Com a intensificação da
substituição de importações, cresceu principalmente a produção de produtos
tradicionais, como alimentos, tecidos, bebidas e transportes.

Crescendo sem tecnologia


A severa restrição à importação criou dificuldades para o aumento da capacidade
produtiva da indústria, impedida de importar novas máquinas e equipamentos.
Em conseqüência, a indústria teve um crescimento horizontal, sem avanço tecnológico.
A indústria cresceu incorporando novas fábricas, sem melhoramento de técnicas.

O aumento da capacidade de importar


Durante a Segunda Guerra Mundial, as importações brasileiras diminuíram ainda mais,
enquanto as exportações aumentaram.O crescimento industrial diminuiu um pouco, até
1942. Mas, entre 1942 e 1945, a indústria voltou a crescer, agora impulsionada pela
metalurgia.
Nessa época, o Brasil acumulou um grande volume de divisas.Houve poucas
importações e as exportações tiveram um bom desempenho. Os países beligerantes
voltaram toda a sua produção para artigos de guerra e aumentaram a sua demanda
pelos produtos brasileiros.
Em 1945, o Brasil contava com uma grande capacidade para importar, por causa do
acúmulo de divisas durante a guerra.

A Indústria de Bens Duráveis


A indústria no pós-guerra
O desenvolvimento industrial entrou, a partir do pós-guerra, em uma nova fase. No
período de substituição de importações, o crescimento industrial foi liderado pela
produção de bens de consumo não duráveis. A partir de 1945, desenvolveram-se as
bases para a industrialização pesada: a produção de bens intermediários e de capital.
Entre 1945 e 1947, as importações cresceram muito em todos os setores. As indústrias
metalúrgica e mecânica foram as que mais importaram.
Em conseqüência, em 1947, a balança comercial apresentou saldo negativo. A política
cambial do governo tinha duas alternativas: desvalorizar a taxa de câmbio ou mantê-la
sobrevalorizada, restringindo as importações.

Restringindo as importações
Desvalorizar a taxa de câmbio encareceria todas a importações indistintamente,
inclusive as dos bens de capital necessários para a montagem de novas fábricas.
Além disso, a diminuição dos preços dos produtos brasileiros poderia resultar em
aumento das exportações, uma vez que os Estados Unidos, o maior parceiro comercial
do Brasil, estavam dirigindo os seus capitais para a reconstrução da Europa, destruída
pela guerra. O governo avaliou que a desvalorização cambial, além de piorar a situação
das importações, não iria necessariamente contribuir para o aumento das exportações.
A alternativa escolhida foi manter a taxa de câmbio sobrevalorizada e restringir as
importações.

Protecionismo cambial
A taxa de câmbio permaneceu fixa e valorizada de 1947 a 1953.
Para não prejudicar as exportações, o governo permitiu que elas fossem negociadas no
câmbio paralelo.
As importações foram selecionadas para facilitar a compra de bens de capital e
insumos básicos utilizados pela indústria em expansão. As importações de produtos
similares aos nacionais foram dificultadas e até mesmo impedidas.
Dessa forma a indústria brasileira cresceu sob o protecionismo cambial, livre de
concorrência externa e sem competitividade.

Os efeitos do câmbio valorizado


O grande crescimento industrial intensificou a demanda pelas importações de bens de
capital.
Entre 1951 e 1952, a indústria cresceu a todo vapor, inclusive com expansão da sua
capacidade produtiva. Nesses dois anos, o déficit do balanço de pagamentos
aumentou. Os preços das exportações diminuíram, principalmente os do cacau e o do
algodão.
Com a taxa de câmbio muito valorizada, vários produtos saíram da pauta das
exportações e houve grande saída de rendimentos dos fatores. Isso provocou o déficit
em conta corrente, não compensado com entrada de capitais no país.

O Banco do Brasil como Banco Central


Os importadores eram obrigados a depositar a moeda nacional no Banco do Brasil, que
desempenhava o papel de Banco Central. Como as exportações reduzidas faziam
entrar poucos dólares, o Banco do Brasil não tinha como pagar as compras dos
importadores, acumulando muita moeda nacional e atrasos comerciais no exterior.
Expandindo o crédito
Como havia uma grande demanda por crédito na economia, o Banco do Brasil
emprestou a moeda nacional a juros baixos.
Essa expansão do crédito provocou euforia no comércio e na indústria, entre 1951 e
1952.

Liberando a taxa de câmbio


Em 1953, as dificuldades da balança comercial foram aliviadas, apesar de o governo
continuar mantendo fixa a taxa de câmbio.
A recuperação das exportações foi obtida coma política de liberar a taxa de câmbio
para a metade dos produtos exportados.
Os leilões de importação
De outro lado, a Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC), órgão que passou
a desempenhar as funções de Banco Central, criou os leilões de importação: a taxa de
câmbio para determinado produto importado seria tanto mais baixa conforme o produto
fosse considerado mais essencial para a indústria, e tanto mais alta quanto mais
próximo fosse o produto importado dos similares nacionais.

Gastos em infra-estrutura
Nos anos de 1953 e 1954, o governo Vargas aumentou os gastos em infra-estrutura e
os financiou com a expansão da base monetária.
Em 1954 e 1955, o governo procurou facilitar a entrada do capital estrangeiro,
fornecendo financiamento interno para os investimentos em infra-estrutura, que se
tornaram urgentes após o crescimento da indústria entre 1951 e 1955.

CRISES RECENTES X PLANOS DE ESTABILIZAÇÃO

ECONOMIA COLONIAL – ciclos: exploração


Açúcar
Ouro
Agricultura sec. 18 – (financiamento)
Café até começo sec.20
Borracha
Problemas de M.O.
INDÚSTRIA: primeiros focos 1885
MO assalariada
Investimento estrangeiro (EUA e RU)
1930 – Grande Depressão e avanço da industrialização brasileira.
1950 – Vargas e indústria pesada.
Kubitschek – planejamento estatal (PAEG), substituição de importações
“50 anos em 5”.
CRISE 1962/67
MILAGRE BRASILEIRO – pós guerra até anos 70.
Crescimento induzido por financiamento externo.
Crescimento alto – baixo desenvolvimento.
ANOS 80 – crise e inflação choques externos recessão crise da dívida externa
estatização da dívida externa
ANOS 90 – inflação inercial
Medidas ortodoxas de estabilização – fracasso
1990 – COLLOR – abertura comercial
redução proteção tarifária
reestruturação competitiva da indústria
exposição da indústria ‘a competição estrangeira
modernização da estrutura existente
PRIVATIZAÇÃO
1994 – Plano Real : Equilíbrio das contas do governo – privatização
Criação de um padrão estável de valor – URV
Emissão de uma nova moeda nacional estável
Combate ‘a sonegação
1998 – retorno ao FMI.

BRASIL HOJE (2000)


Pib – 1.000,3 BI R$.
Participação da indústria – 62%
IDH – 0,750 em 1,0. Sul – 0,844
Sudeste – 0,838
Centro Oeste – 0,826
Norte – 0,706
Nordeste – 0,548.
Aumento de desemprego e precarização do emprego
Diminuição dos índices de crescimento
Estabilização da moeda
Taxas de juros altíssimas

PLANOS RECENTES DE ESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA

Plano Cruzado

28 de fevereiro de 1986 - presidente da República José Sarney -


Programa de Estabilização da Economia Brasileira - Plano Cruzado

Objetivos econômicos: controlar a inflação e reorientar a economia.

choque heteredoxo: a inflação brasileira era predominantemente inercial


Principais medidas :
ƒ A substituição do cruzeiro pelo cruzado - na proporção de mil por um;
ƒ Extinção da correção monetária
ƒ Congelamento de contratos e luguéis (1 ano) e preços (prazo indeterminado)
ƒ Reajustes dos salários (valor médio dos últimos seis meses anteriores)
ƒ Reajustes posteriores seriam automáticos (“gatilho”) - inflação > 20%.

ƒ Três meses após pressão sobre os preços ( ágios e desabastecimento.


ƒ Em julho: “Cruzadinho” - frear o consumo e elevar a poupança interna em cerca
de 4% do PIB para financiar investimentos públicos.
ƒ Pressão de demanda agravada pelo esgotamento da capacidade instalada da
indústria ( problemas generalizados de abastecimento.
ƒ Superaquecimento da demanda + percepção que índices de preços não
refletiam inflação verdadeira + expectativas de desvalorização cambial + o elevado ágio
no mercado paralelo de dólares + proibição da exportação de produtos destinados a
suprir o mercado interno + queda da safra agrícola = ⇓ receita das exportações ( -13%
em relação à de 1985)

Agosto e novembro de 1986: questão político-eleitoral

Após as eleições: Cruzado II - conjunto tardio de medidas que acabou representando o


fim do Plano Cruzado (Elevação da alíquota do IPI, reajuste de tarifas públicas, visando
incrementar a arrecadação tributária)
ƒ Desastroso efeito sobre o consumo: indivíduos começaram a antecipar o
consumo para produtos com preços ainda não majorados.
ƒ Alteração do índice oficial de inflação de IPCA para IPC (1 a 5 SM).
ƒ Setor externo: minidesvalorizações diárias do cruzado
Fracasso do Plano Cruzado ( governo ficou desacreditado ( estagnação econômica,
descontrole inflacionário, desequilíbrio nas contas externas e internas, incapacidade
governamental.

Os planos sucessores do Cruzado: Plano Bresser e Plano Verão medidas de caráter


emergencial, de curta duração, ineficientes .

Plano Collor
ƒ Plano de Estabilização Econômica Brasil Novo (Plano Collor) 16 de março de
1990 ( visava destruir o processo hiperinflacionário (ciranda financeira do
mecanismo de financiamento da dívida pública.
ƒ Cruzado novo substituído pelo Cruzeiro.
ƒ Reforma fiscal (eliminar o déficit de 8% do PIB)
ƒ Suspensão de subsídios, incentivos e isenções; aumento do IPI; ampliação da
base de tributação;
ƒ Tributação das grandes fortunas;
ƒ Criação de taxas extraordinárias de IOF sobre os ativos financeiros;
ƒ Fim do anonimato fiscal.
ƒ Venda de empresas estatais (Programa Nacional de Desestatização) (redefinir
o papel do Estado na economia.
ƒ Proposta de reforma administrativa.
ƒ Recessão moderada encarada como uma conseqüência necessária.
ƒ Instrumento utilizado: redução radical da oferta de moeda(desorganizou a
produção ( recessão profunda da economia ( descontrole da inflação.
ƒ Preços congelados por 30 dias + salários reajustados IPC fevereiro maio o
governo liberou preços e salários (preços reescalados - salários continuavam aos
níveis vigentes).
ƒ Taxa de câmbio – livre- evoluiu conforme esperado: súbita escassez de moeda
doméstica ( excesso de venda de moeda estrangeira ( valorização do cruzeiro em
relação ou dólar (queda das exportações.
ƒ Medidas de liberalização do comércio exterior
ƒ Reformulação do sistema financeiro: extinguiu as aplicações de overnight
;desindexação da economia (eliminação do BTN e BTNf).
Maior crítica: apertou o setor industrial, reduziu a oferta, incentivou o consumo (
provocou inflação.

Tinha como objetivo racionalizar os gastos da administração pública e o corte de


despesas ( criado o Comitê de Controle das Estatais ( finalidade era compatibilizar
decisões setoriais relativas às empresas estatais com a política macroeconômica.

Plano Collor II: não apresentou grandes novidades quanto à conformação e


manteve-se semelhante ao primeiro. Persistiram o arbítrio e a prepotência (medidas
foram tomadas sem haver um debate entre governo, congresso e sociedade).

Plano Real

Após o descrédito com o Plano Collor e denúncias envolvendo o presidente e


sua posterior renúncia/impeachment assume o vice-presidente Itamar Franco (final de
1992).
Compromissos principais do governo: resgatar a ética na administração pública
e preparar o país para a implantação de um plano de estabilização econômica, com
possibilidade de sucesso:
ƒ contenção dos gastos e aumento da arrecadação.
ƒ implantada a Unidade Real de Valor (URV) - indexador único da economia para
promover o alinhamento de preços e contratos. Todos os preços passaram a ser
fixados em URV, com valor atualizado diariamente.
ƒ 1 de julho de 1994 implantado o Plano Real, criando uma nova moeda e âncora
cambial.
ƒ O cruzeiro real foi substituído pelo real e o câmbio congelado garantiu a moeda
estável.
ƒ O enxugamento do dinheiro em circulação dá início a uma onda de quebradeira
dos pequenos bancos.
ƒ O Plano Real foi anunciado com antecedência e ampla divulgação, o que
possibilitou maior credibilidade e chances de sucesso.

DESAFIOS:
• Sustentar e consolidar definitivamente a estabilidade econômica, como moeda forte,
substituindo progressivamente a âncora cambial e monetária (dinheiro curto, juros
altos) pelo ajuste fiscal (equilíbrio das contas públicas).
• Reduzir o déficit das contas públicas externas e conter a dívida pública interna.
• Retomar o crescimento econômico, de forma sustentada e contínua, com aumento
de produtividade, justiça social, geração de empregos, distribuição de renda e
preservação do meio ambiente.
• Ampliar e diversificar a participação do Brasil no mercado mundial. Sem
competitividade externa e forte participação no mercado mundial, dificilmente o Brasil
alcançará uma taxa de crescimento econômica elevada.

Paraná
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paranaense#Hist.C3.B3ria
Capital Curitiba
Área (km²) 199.314,850
Número de Municípios 399
População Estimada 2005 10.261.856

Estatísticas
A população do Paraná é de 9.563.458 habitantes, segundo o censo demográfico de
2000, com dados recentemente coletados pelo IBGE. O Paraná é o sexto Estado mais
populoso do Brasil e concentra 5,63% da população brasileira. Do total da população
do Estado, 4.826.038 habitantes são pessoas do sexo feminino e 4.737.420 habitantes
são pessoas do sexo masculino.
Grupos étnicos
A população do Paraná é composta basicamente de brancos, negros e indígenas. No
Brasil colonial, os colonizadores espanhóis foram os primeiros a iniciar o povoamento
no território paranaense. Os portugueses e seus descendentes são a maioria da
população do Estado. Existe também uma grande e diversificada população de
imigrantes, tais como italianos, alemães, poloneses, ucranianos, japoneses e árabes.
Há também minorias de imigrantes holandeses, coreanos, chineses e búlgaros.
História
Criado em 29 de agosto de 1853 pelo desmembramento da porção mais meridional da
então província de São Paulo, até a década de 1930 o Paraná era um estado quase
desabitado, embora alguns grupos de imigrantes ucranianos e poloneses tivessem se
estabelecido principalmente na região centro-sul. Com o crescimento das migrações
internas em função do cultivo do café e da abertura das novas fronteiras agrícolas
especialmente no noroeste, leste e sudoeste, milhares de agricultores do Rio Grande
do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Estados da Região Nordeste se deslocaram para
o Paraná. Assim surgiram novas cidades e centenas de comunidades rurais, que aos
poucos foram crescendo para, mais tarde, se transformarem em municípios. Esse
movimento migratório tornou o Paraná uma terra de todas as gentes, grande produtor
de produtos primários, que seria a base da futura agroindústria.
O Paraná tinha, no começo do século XX, pouco mais de 330.000 habitantes, que
passou de 2.000.000 na década de 1950, indicando o crescimento significativo com o
início das migrações. No entanto, nos anos seguintes as migrações se aceleram,
tornando o Paraná um Estado populoso.
Rede urbana
A população das pequenas cidades vivia sob a influência de grandes centros regionais,
além da capital Curitiba: Ponta Grossa, Toledo, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do
Iguaçu, Guarapuava, Paranaguá, Umuarama, Apucarana e Campo Mourão.
A facilidade dos transportes, a localização de estabelecimentos de ensino modernos,
hospitais e a industrialização são fatores de atração. Nas últimas décadas do século
XX foi grande o número de estudantes catarinenses e gaúchos que estudaram em
Curitiba e, depois, buscaram no Estado sua colocação profissional. Essa influência é
menor atualmente em função da industrialização das maiores aglomerações urbanas,
mas algumas cidades continuam sendo referência a outros Estados brasileiros quanto
à qualidade de vida de sua população.
Economia
A economia do Estado se baseia na agricultura (cana-de-açúcar, milho, soja, trigo,
café, mandioca), na indústria (agroindústria, indústria automobilística, papel e celulose)
e no extrativismo vegetal (madeira e erva-mate).
PIB
O Paraná possui o 5º maior PIB do Brasil.
Agricultura
Os principais produtos agrícolas de valor econômico do Paraná são o trigo, o milho e a
soja, onde o Estado é um dos maiores produtores brasileiros. A soja é a mais recente
das três culturas e se expandiu por quase todo o Estado, sendo exportada para outros
países in natura e na forma de farelo de soja e óleo degomado. O trigo é, por sua vez,
a principal cultura de inverno, sendo a produção industrializada pelos moinhos das
cooperativas localizados nas zonas de produção e pelos grandes grupos situados nos
centros urbanos do Paraná, São Paulo e Região Nordeste. O Paraná produz mais de
50% de todo o trigo produzido no Brasil. O algodão também foi um produto de grande
importância econômica, mas perdeu espaço para outras culturas, sendo ainda cultivado
por pequenos produtores. O café, que foi a principal riqueza do Paraná, perdeu espaço
para a soja e para as fazendas devido às geadas que dizimaram muitas lavouras.
Mesmo assim, é produzido em pequena quantidade por produtores que adotaram a
tecnologia do adensamento, o que facilita os tratos culturais e aumenta a produtividade
por hectare de terra. Ainda se encontra café abundante nas regiões noroeste e norte,
sendo incentivado pelas cooperativas que recebem a produção dos agricultores para
comercialização ou industrialização. O café é produzido com maior densidade na
região oeste de Apucarana e também nos municípios de Bandeirantes, Santa Amélia e
Jacarezinho.

Pecuária
A criação de bovinos é uma das riquezas do Paraná, que tem um expressivo rebanho.
Tradicionalmente o Paraná é um grande produtor de suínos, especialmente nas regiões
oeste e sudoeste do Estado, onde estão localizados os grandes frigoríficos voltados
para a comercialização interna e para as exportações. A expansão acompanhou a
implantação de novas indústrias voltadas para a exportação e consumo interno. A
suinocultura e a pecuária de leite acompanharam os agricultores paranaenses,
especialmente nas regiões oeste, sudoeste e centro-sul. É no centro-sul que estão os
melhores rebanhos brasileiros de gado leiteiro, onde se encontram animais que
produzem mais de 50 litros de leite por dia. São ainda significativos, no Paraná a
produção de ovos, de casulos do bicho-da-seda, mel e cera de abelha. Mas é na
avicultura que o Estado vem se destacando nos últimos dez anos, graças à
implantação de frigoríficos pela iniciativa privada e pelas cooperativas. A avicultura é
produzida em praticamente todas as regiões acompanhando as áreas onde se produz
milho, que é a matéria-prima para a ração das aves. As aves são exportadas para mais
de uma dezena de países, embora sujeitas à gripe aviária.
Mineração
É abundante a riqueza de minérios no subsolo paranaense. Embora tradicionalmente
se valorize os minérios nobres, como ouro, cobre e outros metais, o Paraná tem
grandes reservas de minerais essenciais ao desenvolvimento da economia, como a
areia, argila, calcário, caulim, dolomita, talco, granitos e mármores. A bacia carbonífera
do Paraná, sediada na região central, é a terceira do país. A do xisto, de onde se extrai
o óleo, é a segunda do Brasil em importância. As indústrias de cimento do Paraná
dinamizaram a economia de municípios localizados na microrregião de Curitiba, como
Balsa Nova, Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul. Quanto aos minerais
metálicos, foram exploradas jazidas de chumbo em Adrianópolis, e constatadas minas
de cobre e ferro.

Extrativismo vegetal
O pinheiro paranaense, cujo nome científico é Araucaria angustifolia, foi por milhares
de anos, a principal atividade do extrativismo vegetal, embora outras espécies tenham
sido exploradas. É uma riqueza muito presente no Paraná e em outros Estados. Mas
em função do seu valor econômico e da expansão agrícola, foi considerada uma
espécie ameaçada de extinção e agora está protegido sob legislação ambiental, sendo
proibido o seu desmatamento. De acordo com os dados do Instituto de Terras e
Cartografia do Paraná, em 1984, se calculou que as reservas dessa madeira nobre
estavam reduzidas em cerca de 11,9% em relação ao que havia 50 anos antes. Com a
rigidez das leis ambientais, imagina-se que os pinheirais remanescentes deverão
sobreviver. E se as autoridades forem capazes de editar uma lei autorizando o abate
de espécies adultas em troca do plantio orientado e em maior quantidade que as que
forem trocadas, haverá uma oportunidade dos pinheirais voltarem a ocupar áreas
significativas. As leis mais recentes permitem o corte de 15 m³ de madeira por
proprietário, a cada 5 anos, para uso em construções rurais ou para a habitação.

Indústria
O crescimento mais significativo da indústria paranaense aconteceu depois da segunda
metade do século XX, graças ao significado montante de recursos destinados ao setor
secundário. Enquanto se implantava, em Curitiba, a Cidade Industrial, com indústrias
de montagem de máquinas, tecidos e frigorífico, as cidades do interior foram
beneficiadas com indústrias de transformação dos produtos primários, soja, trigo e
milho, suínos e madeira, principalmente. Foram beneficiadas notadamente as cidades
de Ponta Grossa, Cascavel, Maringá e Londrina, embora dezenas de outras pequenas
agroindústrias tenham sido instaladas nas zonas produtoras. Com isso, essas regiões
criaram muitos empregos, favorecendo a evasão das populações das cidades do
interior, promovendo a urbanização das cidades, muitas vezes com a criação de
favelas.
Curitiba e a Região Metropolitana foram amplamente beneficiadas com a
industrialização muito diversificada e voltada para a exportação de máquinas,
equipamentos e caminhões. As indústrias madeireiras tiveram um bom
desenvolvimento nesse período, quando começaram a trazer madeiras da Amazônia
para industrializar na região. Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa são as
cidades que concentram as indústrias alimentícias, pois estão localizadas nas
principais regiões produtoras do Estado. Mas o Paraná ganhou importantíssimas
indústrias de papel, como as Indústrias Klabin, do grupo Klabin, instalada na fazenda
Monte Alegre, no município de Telêmaco Borba.
Energia

Vista aérea da Usina Hidrelétrica de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo.


O Paraná tem um grande potencial hidrelétrico muito bem aproveitado, especialmente
no rio Iguaçu, onde foram construídas várias hidrelétricas, entre elas as de foz do rio
Areia, salto Osório e salto Santiago. Próximo a Curitiba está a Usina Hidrelétrica de
Capivari Cachoeira, uma das primeiras construídas pela Copel, a companhia estadual
de energia elétrica. Mais recentemente foram construídas pequenas centrais
hidrelétricas em vários rios de menor porte, como a de Chavantes e Vossoroca. No rio
Chopim, no sudoeste do Estado, foi construída a Usina Hidrelétrica Júlio Mesquita
Filho. Mas está localizada entre o Brasil e o Paraguai, no rio Paraná, a Usina
Hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo, construída em conjunto com o Paraguai, e
que fornece energia para vários Estados brasileiros. Tem capacidade para produzir
12.600 mw e só recentemente instalou as últimas turbinas. Teve suas comportas
fechadas em 12 de outubro de 1982 e a usina hidrelétrica foi inaugurada em 5 de
novembro do mesmo ano, durante a presença dos presidentes João Baptista
Figueiredo, do Brasil e Alfredo Stroessner, do Paraguai.
Mas o Paraná também é rico em energia gerada pelas usinas de açúcar e álcool, que
produzem eletricidade a partir da queima do bagaço da cana-de-açúcar. Não se pode
desprezar também a energia automotiva que vem do álcool, pois o Paraná é um grande
produtor desse combustível.
Transportes
O Paraná dispõe de uma boa rede rodoviária e ferroviária. Mas, do total de 264.496 km
de rodovias, apenas 15.108 km são pavimentados, segundo os dados de 1993.
Duas estradas atravessam o Estado de leste para oeste: a que vai de Ourinhos (SP)
até Maringá (PR) e a de Paranaguá até Foz do Iguaçu. A Ponte Internacional da
Amizade, ligando Foz do Iguaçu, no Brasil à Ciudad del Este, no Paraguai, uniu as
redes rodoviárias dos dois países. No sentido norte-sul, as rodovias ligam Apucarana
(PR) à Sorocaba (SP), Curitiba à cidade de São Paulo e Curitiba à Rio Negro, em
direção ao Rio Grande do Sul.
Os 2.243 km da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) ligam as principais regiões
produtoras do norte, do oeste e do centro-sul à capital, ao sul e ao porto de Paranaguá.
Há também a Estrada de Ferro Central do Paraná (atualmente América Latina
Logística), que reduziu em 300 km a distância entre o norte do Estado e o porto de
Paranaguá.
Os portos marítimos de Paranaguá (o primeiro de divisas e um dos mais bem
aparelhados do Brasil) e de Antonina servem não só ao Paraná como a Santa Catarina,
ao Rio Grande do Sul, a Mato Grosso do Sul e ao Paraguai. Foz do Iguaçu é um porto
fluvial por onde escoam os produtos brasileiros a serem exportados para a bacia do rio
Paraná.
Turismo
O Paraná é um dos Estados que tem um grande número de parques nacionais,
destacando-se o Parque Nacional do Iguaçu e o Parque Nacional do Superagui. Foz do
Iguaçu com cerca de 250 quedas-d’águas e 75 metros de altura, é conhecida
internacionalmente. A Garganta do Diabo é uma das atrações do maior conjunto de
cataratas do mundo.
Outro ponto de interesse turístico é o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa,
onde as rochas esculpidas pelos ventos e pelas águas parecem ruínas de uma grande
cidade.
As praias de Caiobá, Matinhos, Guaratuba, Pontal do Paraná e Praia de Leste são as
mais freqüentadas do Paraná. São procuradas por turistas não só no verão, mas
também no inverno, quando parte da população vai para o litoral fugindo do frio do
planalto.
Curitiba tem pontos turísticos interessantes que merecem ser visitados: o Relógio das
Flores, montado em um grande canteiro; o bairro de Santa Felicidade, onde se
encontram vários restaurantes com comidas típicas de diferentes países; a “Boca
Maldita”, na avenida Luís Xavier, a “menor do mundo”, pois tem apenas um quarteirão,
onde políticos se reúnem no final da tarde para conversar sobre os principais assuntos
do dia e trocar informações; as feiras de arte e artesanato aos sábados e domingos,
além de parques e bosques.
Paranaguá, a primeira cidade fundada no Estado, em 1648, guarda em suas igrejas de
estilo barroco alguma coisa da história da época. Pode-se ir de litorina da capital até
Paranaguá numa viagem bastante interessante. A Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá
corta a serra do Mar através de túneis e viadutos, atravessando precipícios a todo
instante. A beleza da paisagem, formada pela mata quase virgem e por diversas
quedas-d’água, e valorizada pelos abismos. De lancha, pela baía de Paranaguá, pode-
se alcançar a ilha do Mel, onde a história e a natureza se misturam.
Na cidade da Lapa, são Benedito é festejado (13 de maio) com a ‘’congada’’ (dança
dos negros congos, de origem africana, onde descendentes de escravos falam,
recitam, cantam e dançam).
Outras danças populares são o curitibano, com os pares fazendo roda; o quebra-mana,
uma mistura de valsa e sapateado; e o nhô-chico, dança ao som de violas,
característica do litoral.
Durante o ano inteiro, se realizam feiras e festivais, destacando-se a München Fest de
Ponta Grossa, o Festival de Música de Londrina, Festival do Folclore, a Feira do
Comércio e Indústria e a Feira de Móveis do Paraná (Movelpar).
Cultura
Bibliotecas
As mais completas bibliotecas estão em Curitiba: a Biblioteca Pública do Paraná, a
Biblioteca do Museu Paranaense, as bibliotecas da faculdade de Direito, da faculdade
de Medicina e da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná e
a da faculdade de Filosofia da Universidade Católica do Paraná. Há também bibliotecas
especializadas, como a da Emater, que possui um grande acervo relacionado com
tecnologias agrícolas, e a da Ocepar (Sindicato e Organização das Cooperativas do
Estado do Paraná), especializada em assuntos relacionados com o cooperativismo.
Museus
O Paraná tem 51 museus. Na capital, o Museu Paranaense, o mais
importante de todos os museus do Estado, guarda objetos de arte antiga e
peças indígenas; o Museu David Carneiro tem documentos históricos,
artísticos e arqueológicos; o Museu Guido Viaro, o Museu Oscar Niemeyer, e
o Museu Alfredo Andersen contém telas de pintores famosos e objetos de
arte; o Museu da Imagem e do Som guarda depoimentos de diversas
pessoas à vida artística. Em Paranaguá está o Museu de Arqueologia e Artes
Populares, da Universidade Federal do Paraná, e no município da Lapa, o
Museu das Armas. Na cidade de Londrina se encontram o Museu Histórico de
Londrina e o Museu de Arte de Londrina.

História do Paraná
No século 17, descobriu-se na região do Paraná uma área aurífera, anterior
ao descobrimento das Minas Gerais, que provocou o povoamento tanto no
litoral quanto no interior. Com o descobrimento das Minas Gerais, o ouro de
Paranaguá perdeu a importância. As famílias ricas, que possuíam grandes
extensões de terra, passaram a se dedicar à criação de gado, que logo
abasteceria a população das Minas Gerais. Mas apenas no século 19 as
terras do centro e do sul do Paraná foram definitivamente ocupadas pelos
fazendeiros.

No final do século 19, a erva-mate dominou a economia e criou uma nova


fonte de riqueza para os líderes que partilhavam o poder. Com o
aparecimento das estradas de ferro, ligando a região da araucária aos portos
e a São Paulo, já no final do século 19, ocorreu novo período de
crescimento.

A partir de 1850, o governo provincial empreendeu um amplo programa de


colonização, especialmente de alemães, italianos, poloneses e ucranianos,
que contribuíram decisivamente para a expansão da economia paranaense e
para a renovação de sua estrutura social.

Somente em 1853, criou-se a Província do Paraná, desmembrada da


Província de São Paulo.
• Fonte: Site do Governo Brasileiro
Educação
Em 1912 é fundada a Universidade Federal do Paraná, a primeira
universidade brasileira. Além da UFPR, o Paraná tem universidades estaduais
espalhadas pelo estado nas principais cidades de cada região. Em Ponta
Grossa a universidade estadual é a UEPG, em Londrina é a UEL, Maringá
conta com a UEM, Guarapuava conta com a UNICENTRO, Cascavel é a
cidade-base da UNIOESTE que ainda conta com campus espalhados por
vários outros municípios. Recentemente o Paraná ganhou uma nova
universidade federal após a conversão do CEFET-PR em UTFPR, a primeira
universidade tecnológica do país.

Em 2003, com a posse do Governador Roberto Requião, o Estado do


Paraná iniciou o programa "Paraná Digital", que irá instalar cerca de 2.100
pontos de acesso à Internet usando Linux, atendendo a aproximadamente
80% dos estudantes estaduais do Estado.

Municípios
.
A distribuição dos grandes municípios do Paraná é de certa forma bem
homogênea. No leste a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) engloba
diversos municípios, contando com cerca de 3 milhões de habitantes. No
norte Londrina e Maringá polarizam outra região fortemente povoada. No
oeste a cidade de Cascavel com quase 280 mil habitantes e Toledo com
pouco mais de 100 mil criam outra zona fortemente povoada, além de Foz
do Iguaçu, que juntamente com Ciudad del Este no Paraguay e Puerto
Iguazu na Argentina formam uma aglomeração de quase 700 mil habitantes.
A região central do Paraná a despeito da baixa densidade populacional ainda
sim conta com Guarapuava com cerca de 160 mil habitantes e Ponta Grossa,
um pouco mais ao leste, com cerca de 300 mil.

Em ordem os 10 principais municípios do Paraná baseado nas estimativas do


IBGE de 2005, são:
• 1º Curitiba - 1.757.904 hab.
• 2º Londrina - 488.287 hab.
• 3º Maringá - 318.952 hab.
• 4º Foz do Iguaçu - 301.409 hab.
• 5º Ponta Grossa - 300.196 hab.
• 6º Cascavel - 278.185 hab.
• 7º São José dos Pinhais - 252.470 hab.
• 8º Colombo - 224.404 hab
• 9º Guarapuava - 166.897 hab.
• 10º Paranaguá - 144.797 hab.

Principais pontos turísticos


• Cataratas do Iguaçu
• Canyon Guartelá
• Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá
• Ilha do Mel (Paraná)
• Itaipu
• Parque Ecológico Ouro Fino
• Parque Estadual de Vila Velha
• Parque Nacional do Superagui
• Porto de Paranaguá
• Saltos e Cachoeiras de Prudentópolis

Os primeiros habitantes
.
As terras que hoje pertencem ao Estado do Paraná eram habitadas, durante
a época do descobrimento do Brasil, pelos carijós, do grupo tupi e pelos
caingangues do grupo jê.
As primeiras expedições exploradoras
Durante o século XVI, a região do atual Estado do Paraná ficou abandonada
por Portugal. Aproveitando-se disto, inúmeras expedições de outros países
visitaram-na. Muitas delas vinham em busca de madeiras de lei. As mais
importantes foram as espanholas, que chegaram a criar núcleos de
povoamento no oeste paranaense.

A colonização espanhola

O povoamento da região paranaense desenvolveu-se muito lentamente e só


se efetivou no século XX. Os espanhóis foram os pioneiros na exploração e
ocupação do Paraná. Em 1553, o governador do Paraguai, Domingos
Martinez de Irala, explorou o rio Paraná. No ano seguinte, Garcia Rodriguez
de Vergara fundou a povoação de Ontiveros, próximo de Sete Quedas. Em
1557, Ruy Diaz Melgarejo fundou a povoação de Ciudad Real del Guairá,
junto à foz do rio Piquiri. Em 1576, Melgarejo criou a Villa Rica del Espiritu
Santo, na confluência dos rios Ivaí e Corumbataí. Estes foram o primeiros
núcleos estáveis de povoamento do Paraná e a região onde se localizaram
recebeu o nome de Guairá. Neles, a partir de 1610, os padres espanhóis
organizaram missões ou reduções (aldeamentos de indígenas cristianizados)
jesuíticas. Para maiores informações, veja Companhia de Jesus.

Entradas e bandeiras

Somente no início do século XVII, com a descoberta de ouro de aluvião no


território paranaense e a necessidade de índios para escravizar e que os
luso-brasileiros começaram a ocupar a região, através de bandeiras que
partiam de São Vicente.

Em 1602, a bandeira de Nicolau Barreto, que tinha a autorização do


governador para procurar ouro e prata, desceu os rios Tietê e Paraná e
atingiu o Guairá, onde aprisionou numerosos indígenas. Inutilmente, os
espanhóis do Paraguai protestaram junto a dom Francisco de Sousa, então
governador do Brasil naquela época.

Em 1611, quando os índios já estavam aldeados nas missões jesuíticas,


nova bandeira dirigiu-se ao Guairá. Seu chefe era Pedro Vaz de Barros, que
voltou outras vezes à região.

Entre os ávidos predadores (caçadores de índios) que, durante a segunda e


terceira décadas do século XVII, freqüentaram o Guairá, estão Sebastião
Preto e seu irmão Manuel Preto. Mas foi a bandeira de Antônio Raposo
Tavares, organizada em 1628, que de fato inaugurou o ciclo de caça ao
índio.

O bandeirante paulista Raposo Tavares atacou as missões jesuíticas e


aprisionou milhares de índios aldeados, levando-os para São Vicente.

Em 1631, os vicentinos destruíram Ciudad Real del Guairá e Villa Rica del
Espiritu Santo, que foram abandonadas pelos habitantes. Sem condições de
resistir aos ataques dos bandeirantes vicentinos, os jesuítas espanhóis
resolveram abandonar o Guairá, e migraram para regiões mais distantes
com os indígenas que restaram. A destruição das missões, contudo, não foi
seguida de imediato povoamento da região pelos luso-brasileiros. Em
meados do século XVII, com o desenvolvimento da mineração, o alemão
Heliodoro Eobanos, guia de vários bandeirantes, fundou a povoação de
Paranaguá. Com a chegada de muitos moradores, Paranaguá, em 1648 foi
elevada à categoria de vila. No mesmo período e também devido à
mineração surgiu outra povoação: Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos
Pinhais, atual Curitiba, elevada a vila em 1693.

Exploração do ouro
Por alguns anos, os exploradores conseguiram retirar alguma quantidade de
ouro, com muito trabalho e pouco rendimento. A partir do descobrimento do
ouro das Minas Gerais pelos paulistas, no final do século XVII, a reduzida
mineração do Paraná perdeu a importância. A população de Paranaguá
passou a viver somente da agricultura, e nos campos de Curitiba,
permaneceu a criação de gado.