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ILUMINAÇÃO NATURAL

O SOL
A energia radiada pelo sol atinge o exterior da atmosfera com um valor quase
constante, conhecido com o nome de “constante solar” Ecs = 1354 W/m2.
A distância entre o sol e a terra no decurso do ano tem pouca influência neste
valor.
A radiação solar que atinge o solo é constituída por ondas próximas da
radiação visível: ultravioleta, radiação visível e infravermelhos.
A radiação infravermelha representa 49% da energia total emitida pelo sol, o
domínio da radiação visível cerca de 46% e a radiação ultravioleta representa
5%.
Pelo menos 34% da radiação solar captada pela atmosfera é reflectida para o
espaço.
No decurso da sua travessia da atmosfera uma parte da radiação sofre uma
difusão devido ao contacto com moléculas de ar, aérossois e particulas de
poeira (ver figura).
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Os modelos de céu standard


Dada a quantidade de condições meteorológicas existentes foram
estabelecidos, para os estudos de iluminação natural, 4 tipos de céu standard.
Cada um deles é caracterizado por uma dada repartição da luminância da
abóbada celeste.
A distribuição de luminância é representada nas figuras seguintes por uma
superfície clara de espessura variável, tanto mais espessa quanto mais elevada
for a luminância.
Os 4 tipos ou modelos de céu considerados são:
-modelo de céu uniforme;
-modelo de céu encoberto (modelo da CIE);
-modelo de céu claro;
-modelo de céu claro com sol;

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No modelo de “céu uniforme” (ver figura) a sua luminância é independente dos


parâmetros geométricos e é constante, num dado momento, seja qual for o
ponto do céu considerado.
Esta situação corresponde a um céu encoberto por uma camada espessa de
núvens ou a uma atmosfera cheia de poeiras, em que o sol não é visível.

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O segundo tipo de céu é o do céu encoberto estabelecido pela CIE (Comissão


Internacional de Iluminação), para o qual a luminância num dado ponto varia
em função da sua posição sob a abóbada celeste, segundo a seguinte
expressão:

I θ = 0,33 × L z (1 + 2 × sin θ )
em que:
-L = luminância do céu no zénite;
-θ = ângulo da direcção do sol com o horizonte;
A luminância no zénite do céu standard da CIE é 3 vezes maior do que no
horizonte.
Este modelo corresponde a um céu com núvens claras, escondendo o sol.
Neste caso, a simetria à volta da direcção zenital indica que a orientação de
clarabóias verticais não tem efeito no nível de iluminância interior.
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O terceiro tipo de céu é o de céu claro, para o qual os valores de luminância


variam em função de parâmetros geométricos e da posição do sol (ver figura
seguinte). O céu claro emite uma radiação difusa que depende da variação da
posição do sol, mas que não considera a radiação solar directa.
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Este modelo simula a componente difusa da iluminação de um céu sereno.


O quarto tipo de céu é o “céu claro com sol”. Enquanto que os 3 modelos
precedentes apenas fazem intervir a componente uniforme da radiação, este
modelo tem em atenção a radiação global, quer dizer a soma das radiações
directa e difusa.
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O “céu claro com sol” oferece a possibilidade de estudar o jogo de sombras e


de luz, assim como os riscos de encandeamento directo devido à penetração
da luz solar directa nos edifícios.
A figura seguinte diz respeito a este modelo.

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Estes 4 modelos exprimem a luminância num ponto qualquer do céu em


relação à sua luminância no zénite.
Esta referência de base varia em função da latitude, da altitude, da estação do
ano e da hora.
Se as mesmas condições geográficas e temporais forem respeitadas, os valores
da luminância no zénite do “céu claro” e do “céu claro com sol” são idênticos.

A convenção actual
A grande variação da iluminação natural teve por consequência basear os seus
estudos nas condições de “céu encoberto”.
Convencionalmente, a CIE Propõe tomar como base um nível de iluminância de
5000 lux sobre uma superfície exterior horizontal, num local livre de
obstruções.

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No entanto, na Bélgica por exemplo, a iluminação de uma superfície horizontal


na situação de céu encoberto, às 12 h varia dos 5 400 lux em Dezembro aos 24
000 lux, em Junho.
A tabela indicada a seguir permite perceber que a escolha de 5 000 lux
constitui uma situação muito desfavorável.
De facto, a tabela indica a percentagem de tempo diário, para o 15º dia de
cada mês, em que a iluminação exterior, para céu encoberto de 5 000 lux é
ultrapassado, durante um período de ocupação dos locais (em %).

A diferença entre a iluminação solar global recebida por uma superfície


horizontal sob céu sereno e a captada para céu médio ou encoberto é tanto
maior quanto mais perpendicular for a superfície receptora à radiação solar.
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O gráfico indicado na figura da página seguinte dá-nos a evolução média da


iluminação observada, na Bélgica, para céu encoberto e para céu sereno, para
4 meses do ano.
A iluminação de uma superfície vertical depende do factor de reflexão do solo.
A relação entre a iluminância de uma superfície vertical Ev e de uma superfície
horizontal Eh é indicada no gráfico seguinte, em função do factor de reflexão do
solo, para céu encoberto.

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Por exemplo, para um campo de jogos, com um factor de reflexão de 20%, a


relação Ev/Eh vale 0,5.
Se nos referirmos ao gráfico da iluminação horizontal, para a Bélgica atrás
indicado, vemos que para o mês de Setembro às 8:30h Eh = 10 000 lux e que
no mês de Junho às 13:00h Eh = 24 000 lux.
Podemos portanto deduzir a iluminância sobre uma superfície vertical colocada
neste campo, para céu encoberto:
-em Setembro às 8:30h, Ev = 10 000 x 0,5 = 5 000 lux;
-em Junho às 13:00h, Ev = 24 000 x 0,5 = 12 000 lux.

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DISPONIBILIDADE DA LUZ NATURAL


A utilização da iluminação natural durante as horas diurnas, além de um
importante objectivo de bem estar e conforto para os utilizadores de um
ambiente fechado, constitui ainda um factor de poupança de energia eléctrica,
pelo menor consumo conseguido.

Esta poupança deve no entanto ser valorizada tendo em atenção o efeito das
superfícies envidraçadas nos encargos com o aquecimento e refrigeração, e as
características particulares do local em causa (orientação, latitude, pé-direito,
utilização diária, etc.).

Os mais importantes factores que intervêm na determinação da iluminação


natural são:
-a iluminação natural externa;
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-dimensões e posicionamento das superfícies com janelas e


respectivas características de transmissão de luz;
-características geométricas do local e de reflexão das suas
superfícies internas;
-posicionamento e características de reflexão das obstruções
externas;

A luz natural é bastante variável em função da latitude, da estação do ano, da


hora e das condições meteorológicas.

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CÁLCULO APROXIMADO DA DISPONIBILIDADE DE LUZ NATURAL


Uma publicação da CIE indica a iluminação externa média, medida num plano
horizontal, na ausência de qualquer obstrução, não tendo em atenção a luz
solar directa, em função da latitude.

De maior interesse prático é um diagrama que indica o valor médio obtido em


função dos vários horários de trabalho diário.
Este diagrama indica, para uma determinada latitude, a percentagem de horas
compreendidas num determinado horário de trabalho durante as quais a
iluminação natural no exterior é superior a um determinado valor, em função
da latitude do local considerado.
Assim, na figura seguinte pode ler-se a percentagem de horas, para um horário
das 9:00h às 17:00 h, em que um dado nível de iluminância externa é
ultrapassado.
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Assim, para um compartimento de um edifício situado a uma latitude de 51º


N, em que se pretende um nível de iluminância interna de 500 lux, supondo
que o factor de luz do dia calculado para o local é de 6%, necessitamos de ter
no exterior uma iluminância natural de pelo menos 500 / 0,6 = 8 333 lux.
Consultando o diagrama verificamos que para essa latitude e para o horário
pretendido temos em média cerca de 75% das horas de trabalho durante o
ano para as quais é suficiente a luz natural.
Notemos que este diagrama é relativamente pessimista, dado considera um
céu encoberto.
Podemos dizer que é suficientemente preciso para as aberturas (envidraçados)
viradas a Norte.
Não é muito preciso, mas actualmente é a forma mais expedita de
rapidamente efectuar um cálculo de aproveitamento da luz natural.
Este diagrama está indicado, na sua forma original, no anexo 1.
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O FACTOR DE LUZ DO DIA


Em iluminação natural a noção de iluminância é por vezes substituída pela
noção de factor de luz do dia, FLD.
O factor de luz do dia é o quociente entre a iluminância natural interior
recebida num ponto do plano de referência (geralmente no plano de trabalho
ou ao nível do pavimento) e a iluminância exterior simultânea sobre uma
superfície horizontal num ponto sem obstruções.
Estes valores de iluminância são valores recebidos do mesmo céu, cuja
repartição de luminância se supõe ser conhecida, excluindo-se a luz directa
proveniente do sol.
O factor de luz do dia exprime-se em percentagem:

Eint erior
FLD = (%)
Eexterior
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Sob as condições de céu encoberto, os valores do FLD são independentes da


orientação das superfícies envidraçadas, da estação do ano e da hora.
Dá assim uma medida objectiva e facilmente comparável da qualidade da
iluminação interior num edifício.

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No entanto, o FLD não permite verificar se são atingidos os níveis de


iluminância recomendados para a realização de uma determinada tarefa visual.
Consideremos por exemplo uma sala de aulas com 6 m de largura, 8 m de
comprimento e 3 m de altura tendo um corredor lateral, ambos os
compartimentos com janelas laterais.
A figura seguinte ilustra a variação do FLD, para céu encoberto, em função da
profundidade dos locais.

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A iluminância num ponto varia portanto com a sua distância em relação às


janelas. Convém salientar que as curvas do FLD indicadas são válidas para
qualquer momento e para todas as orientações do edifício, visto que é
considerado céu encoberto, mas são dependentes do tamanho e posição das
janelas.
O factor de luz do dia permite comparar facilmente duas soluções de
iluminação natural. A figura seguinte apresenta uma melhoria do FLD da sala
através da colocação de uma clarabóia na parte mais interior da mesma.
A curva a cheio indica a variação do FLD sem clarabóia, enquanto que a curva a
tracejado indica a influência da clarabóia no interior do compartimento.
É necessário no entanto salientar que a concepção de um bom sistema de
iluminação natural exige que se tenha em atenção o local e a orientação do
edifício, mas também as variações da luz natural em função das estações do
ano, da hora e das condições climáticas.
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CÁLCULO DO FACTOR DE LUZ DO DIA MÉDIO


O factor de luz do dia médio pode ser avaliado de forma aproximada através da
seguinte expressão:

S j ×τ × α
FLDm =
(
St × 1 − ρ 2 )
em que:
Sj = área da superfície envidraçada;
St = área total de todas as superfícies no local, considerando a área
envidraçada;
τ = factor de transmissão luminosa do envidraçado;
α = ângulo de céu visível do envidraçado, expresso em graus; pode ser
considerado igual a 60º se um edifício em frente causar alguma obstrução;
ρ = factor de reflexão médio de todas as superfícies do local;
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A ESTRATÉGIA DA LUZ NATURAL


A estratégia da luz natural consiste no estudo da relação entre a luz natural e o
edifício segundo 5 conceitos destinados a favorecer a melhor utilização possível
da luz natural:
-captar a luz natural;
-transmitir a luz natural;
-distribuir a luz natural;
-proteger-se da luz natural;
-controlar a luz natural;
A luz natural recebida no interior de um edifício é a resultante de 3
componentes (ver figura):
-a luz directa do sol, determinada a partir do céu visível das aberturas;
-a componente luminosa devida às reflexões da luz nas superfícies
exteriores;
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-a componente devida às reflexões no interior do local;

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A captação da luz
Para um edifício com uma determinada implantação, a quantidade de luz
natural disponível é função:
-do tipo de céu;
-do momento do ano;
-da hora;
-da orientação da abertura;
-da inclinação da abertura;
-do ambiente físico do edifício: edifícios vizinhos, tipo de solo, de
vegetação, etc.
Dado que uma análise detalhada destes factores tem uma maior importância
em estudos de arquitectura, vamos analisar apenas os factores que mais nos
interessam.

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A influência da inclinação das aberturas


As janelas nas fachadas e as aberturas zenitais têm um comportamento
radicalmente diferente no que diz respeito à menor ou maior penetração solar.
As aberturas laterais vêm apenas uma parte do céu.
Para céu encoberto, as aberturas verticais têm portanto performances
luminosas nitidamente inferiores às das aberturas horizontais.
No entanto, as janelas laterais na fachada sul transmitem um máximo de raios
solares no Inverno, o que favorece a utilização dos ganhos solares, limitando a
penetração do sol na altura do Verão e o sobreaquecimento produzido.
As figuras seguintes apresentam algumas situações relativas às aberturas
laterais.

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As aberturas zenitais abrem-se para a totalidade da abóbada celeste, e


permitem uma larga penetração de luz difusa.
A distribuição luminosa obtida por uma abertura horizontal é portanto muito
mais homogénea do que a produzida por uma janela vertical.

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Por outro lado para céu sereno, as aberturas zenitais captam mal os raios
solares de Inverno enquanto deixam passar o sol de Verão, o que implica um
mau comportamento térmico.
As figuras seguintes apresentam algumas situações relativas às aberturas
zenitais.

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A transmissão da luz natural


Transmitir a luz natural consiste em favorecer a sua penetração no interior de
um local.
As janelas desempenham um papel fundamental no conforto visual e no
equilíbrio térmico dos edifícios.
As aberturas nas fachadas são as mais utilizadas para transmitir a luz natural
para o interior dos edifícios.
As suas dimensões, a sua forma e o material que as constitui são portanto
elementos essenciais para a quantificação e para a qualificação da penetração
da luz num edifício.
As 8 configurações apresentadas na figura seguinte são classificadas em função
da sua capacidade de transmissão da luz natural para o interior de um
compartimento.

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A primeira configuração corresponde à melhor situação do ponto de vista da


transmissão luminosa.
A quantidade de luz natural no centro do espaço é tanto menor quanto mais
afastada estiver a fachada destas configurações.

As dimensões da abertura
As dimensões das aberturas de um edifício são um elemento determinante da
quantidade de luz natural que atinge o interior dos edifícios.
O primeiro parâmetro a estudar consiste na percentagem da superfície
envidraçada.
A iluminação da parte mais interior de um compartimento pode ir de 600 lux
para uma superfície envidraçada correspondente a 20% da área do
compartimento, 400 lux para 15% e 200 lux para 10%.

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Salientamos, por exemplo, que o facto de se interromper um tecto falso na


proximidade de uma janela favorece bastante a entrada de luz natural.

A posição da abertura
A localização das aberturas nas fachadas exerce uma grande influência na
entrada de luz natural no local.
Quanto mais elevada for a janela melhor será iluminado o fundo do local, sendo
naturalmente mais profunda a zona iluminada.
Por exemplo, sob um céu claro a 15 de Junho às 13:00 horas, um local
orientado a sul recebe na parte mais afastada da janela 350 lux para uma
janela baixa, 450 lux para uma janela a meia altura e 500 lux para uma janela
alta.
Uma janela (ver figura) colocada na parte mais alta de um compartimento tem
as seguintes vantagens:
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-uma repartição mais uniforme da luz no espaço assim como uma


melhor iluminação do fundo do local;
-uma fonte de luz acima da linha de visão reduz os riscos de
encandeamento directo;
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-uma limitação do risco de encandeamento psicológico para as


tarefas particularmente sensíveis a este problema;
No entanto uma janela deste tipo tem o inconveniente de eliminar a visão
do exterior, pelo que em geral é mais conveniente combinar este tipo de
janela com uma janela clássica, equipada de palas ou protecções solares.

O material de transmissão
A quantidade e a qualidade da luz natural transmitida para o interior de um
local depende do tipo de superfície envidraçada utilizada, da sua
rugosidade, da sua espessura, do seu estado de limpeza e do número de
camadas de vidro que a constituem.
A luz que é transmitida, absorvida e reflectida por uma superfície
envidraçada depende do tipo de superfície utilizada.

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A sua escolha influencia não só a luz transmitida mas também os ganhos


solares e as perdas de calor através da janela.
A transmissão luminosa e energética de um envidraçado pode ser
caracterizada por 3 parâmetros:
-o factor de transmissão luminosa;
-o factor solar;
-o seu coeficiente de condução térmica;
O factor de transmissão luminosa é a percentagem de radiação solar
visível transmitida através do envidraçado.
O tipo de envidraçado afecta directamente a transmissão luminosa através
da janela.
A tabela seguinte indica os coeficientes de transmissão luminosa dos
diferentes tipos de envidraçado.

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O factor solar do envidraçado é a percentagem total de energia transmitida


para o interior do local por intermédio do mesmo.
A tabela seguinte indica os factores solares dos diferentes tipos de
envidraçado, para uma espessura de vidro de 6 mm e para um espaço
intermédio entre vidros de 12 mm.
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O coeficiente de condução térmica U de um material quantifica a


transferência de calor por condução através do mesmo.
A tabela seguinte indica os coeficientes de condução térmica dos diferentes
tipos de envidraçado, para uma espessura de vidro de 6 mm e para um
espaço intermédio entre vidros de 12 mm.
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Deve ser procurado um compromisso entre a transmissão luminosa, a


protecção contra o aquecimento e o isolamento das superfícies
envidraçadas.
A figura seguinte apresenta uma síntese das características luminosas e
térmicas dos envidraçados encontrados com maior frequência.
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Salientamos que o isolamento de um envidraçado duplo pode ser também


reforçado, de forma idêntica à utilizada em muitos tipos de lâmpadas,
substituindo a camada de ar central por um gás raro (argon, kripton), cuja
condutividade térmica é bem mais fraca do que a do ar.

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As zonas de distribuição luminosa


A distribuição de luz num edifício depende directamente da organização
dos espaços e da forma do mesmo, mas também de presença eventual de
zonas de distribuição luminosa tais como “poços de luz ou condutas
luminosas” e utilização de “átrios interiores com luz natural”.
Poços de luz
Os poços de luz ou condutas luminosas são espaços que transportam a luz
natural difusa, por reflexões nas suas paredes reflectoras, a partir do tecto
ou da fachada para locais colocados mais profundamente no edifício.
Para serem tão eficazes quanto possível são geralmente construídos com
um colector luminoso exterior.
Salientamos no entanto que os poços de luz podem ocupar um volume
bastante grande num edifício (ver figura).

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Podem também ser utilizadas “condutas de luz” que são condutas que
conduzem a luz natural, do exterior para o interior, através de reflexões
múltiplas nas suas paredes (ver figura seguinte).
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Átrios interiores com luz natural


Trata-se de um espaço, geralmente abrangendo a toda a altura de um
edifício, que aumenta fortemente as possibilidades de penetração da luz
natural no interior do mesmo.
Na figura seguinte apresenta-se uma solução deste tipo.

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A quantidade de luz natural que um átrio deste tipo entrega aos espaços
interiores depende da sua orientação e dimensões, da inclinação e factor
de reflexão das paredes internas, mas também da transmissão luminosa
da sua cobertura transparente e do tamanho das janelas interiores viradas
para o átrio.
A inclinação das paredes internas representa um parâmetro essencial. Por
exemplo, as paredes inclinadas de 10º, para o caso de um átrio quadrado,
permitem aumentar consideravelmente a iluminação ao nível do pavimento
interior do mesmo.
O tamanho dos envidraçados internos que dão para o átrio constitui
também um elemento essencial para a eficácia deste espaço de
distribuição luminosa.

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Por exemplo, para o caso de um edifício de 3 pisos, as paredes internas


que rodeiam o átrio poderiam ser constituídas por cerca de 40% de
envidraçados para o piso superior, 70% para o nível intermédio e 90%
para o nível inferior.

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O tipo de envidraçado utilizado influencia a transmissão da luz natural


para o átrio, e é importante salientar que é necessária uma manutenção
regular da superfície envidraçada para assegurar uma boa iluminação
interior.
A utilização de vidros prismáticos, que dirigem a luz para o fundo do
átrio, pode igualmente participar numa distribuição óptima da luz natural
(ver figura).

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A utilização de palas
O objectivo da utilização de palas (ver figura) consiste em dirigir a luz
natural para o tecto, protegendo assim os ocupantes da entrada directa do
sol.
As suas principais propriedades consistem em:
-fazer a luz penetrar profundamente no local;
-reduzir as cargas de arrefecimento, diminuindo os ganhos solares;
-aumentar o conforto visual;

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A utilização de palas horizontais constitui um compromisso entre uma


inclinação do sistema para o centro do local ou para o exterior do mesmo.
Inclinadas para o exterior, criam um maior sombreamento interior e
inclinadas para o interior permitem uma melhor iluminação do fundo do
compartimento.

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Podemos classificar as palas conforme a sua posição: interior, exterior ou


combinada.

A pala combinada assegura uma distribuição luminosa mais uniforme no


local e resulta também melhor no que diz respeito à protecção solar.

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A utilização de apoios de janelas reflectores


Estes apoios permitem reflectir e redirigir a luz natural para aumentar o
nível de iluminação nos espaços interiores. É necessário no entanto evitar
que os apoios de janelas reflectores (em alumínio, superfícies muito
polidas ou pintura brilhante) não se encontre no campo visual dos
ocupantes para evitar encandeamento que pode aparecer no caso dessas
superfícies estarem fortemente iluminadas.

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A utilização de estores reflectores


Os estores reflectores actuais são utilizados com a dupla finalidade:
produzir um sombreamento, impedindo a radiação solar directa e redirigir
a luz natural para o fundo do compartimento.
Existem estores reflectores cuja inclinação das lâminas pode ser variável
em função da sua posição na janela: a parte superior redirige a luz para o
tecto enquanto que a zona inferior produz um sombreamento do mesmo
tipo que os estores venezianos convencionais.
Uma das figuras a seguir representadas acentua este principio.
Esta configuração tem por finalidade deixar penetrar a luz natural no
compartimento, mesmo quando os ocupantes fecham completamente os
estores.

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Os envidraçados direccionais
Os envidraçados direccionais redirigem com muita eficácia os raios solares
para o fundo do compartimento.
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Podem também ser utilizados para redirigir a luz zenital para a parte
inferior de um átrio interior. Se bem que sejam habitualmente
transparentes, obscurecem a visão para o exterior. Por este facto é
conveniente utilizá-los na parte superior das janelas para não perturbar a
visão para o exterior.
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Os painéis com cortes a laser


Estes painéis constituem um sistema de redireccionamento da luz
produzida, através de cortes realizados por um laser num material acrílico.
Estes painéis asseguram uma boa visibilidade para o exterior. Colocados
verticalmente, produzem uma deflexão da luz proveniente de direcções
com ângulos de incidência elevados (> 30º) enquanto que transmitem a
luz com ângulos de incidência menores.
Colocados horizontalmente, actuam como uma protecção solar. Podem ser
utilizados em sistemas fixos ou móveis.
Para evitar certos riscos de encandeamento é necessário que sejam
localizados acima do nível do olhar.
Apresentam ainda, no entanto, custos elevados.

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Deflectores difusores nas aberturas zenitais


Para melhorar o efeito produzido por uma abertura zenital, é útil conceber
um sistema de deflectores brancos, difusores, ao nível do tecto.
Se estes deflectores forem verticais a distribuição luminosa no espaço é
melhorada.
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Os deflectores inclinados diminuem o nível de iluminação máxima mas, por


outro lado, uniformizam a iluminação.
As figuras seguintes representam estes tipos de deflectores.

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A PRÉ-DETERMINAÇÃO DA ILUMINAÇÃO NATURAL


A avaliação, tanto qualitativa como quantitativa, da luz natural deveria ser
aplicada às diferentes fases do projecto de arquitectura dos edifícios, de
forma a conseguir a solução mais adequada do ponto de vista de eficiência
energética.
A pré-determinação da iluminação natural pode efectuar-se por meio de
três processos:
-por métodos de cálculo simplificados;
-por simulações à custa de software;
-através de modelos reduzidos;
Vamos utilizar o 1º processo pelo facto de não termos possibilidade de
utilizar o software adequado (Superlite, Radiance, etc.), dado o seu custo,
e menos ainda de utilizar modelos reduzidos que implicam a produção de
maquetes a utilizar com céu real ou com céu artificial.
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De facto, existem laboratórios na Bélgica, por exemplo, que dispõem de


simuladores com um sol artificial criado a partir de um grande conjunto de
lâmpadas de halogéneo com um ângulo de fraca abertura, nos quais é
possível efectuar estudos precisos com a ajuda de maquetes (ver figura).

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Para o âmbito dos estudos efectuados nesta disciplina é perfeitamente


adequado utilizar os métodos simplificados já descritos, os quais não são
no entanto recomendados para uma concepção mais detalhada de um
ambiente luminoso de qualidade.

A LIMITAÇÃO DO ENCANDEAMENTO
O encandeamento é uma causa das condições de visão nas quais uma
pessoa sofre uma redução da aptidão de ter uma boa percepção dos
objectos, a qual pode ir no limite até uma “cegueira” temporária.
É devida a:
-uma luminosidade demasiado intensa de superfícies colocadas na
direcção da visão, ou
-a contrastes luminosos demasiado intensos entre superfícies
contíguas.
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ILUMINAÇÃO NATURAL

O encandeamento coloca as pessoas em situações de grande desconforto


visual.
Em iluminação natural, as principais causas de encandeamento são:
-a visão directa do sol ou do céu através das janelas;
-a reflexão do sol ou do céu em edifícios vizinhos;
-um contraste de luminância excessivo entre uma janela e a parede
vizinha ou o caixilho da janela;
-uma superfície interior reflectora que provoca contrastes de
luminância demasiado elevados em relação a superfícies na sua
vizinhança;
A limitação de luminância de uma fonte pode ser realizada por absorção,
refracção, reflexão ou difusão da luz.

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ILUMINAÇÃO NATURAL

O limiar acima do qual a luminância de uma fonte luminosa se torna


perturbadora depende:
-da sua posição no campo visual do observador;
-da sua dimensão aparente;
-da luminância de fundo sobre a qual se destaca;
O grau de perturbação devido ao encandeamento é igualmente função do
tipo de actividade que se executa: quanto mais difícil for a tarefa visual
mais difícil será de controlar o encandeamento.
O limite superior geralmente admitido como valor da luminância absoluta
de uma superfície é de 1500 cd/m2.
Os valores das luminâncias máximas admissíveis são dados na figura
seguinte em função do ângulo de visão: quanto mais aumentar o ângulo
entre a horizontal e a direcção de visão, maior é o valor da luminância
admissível, quer se trate de encandeamento directo quer indirecto.
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ILUMINAÇÃO NATURAL

Notemos no entanto que certas aplicações necessitam de uma iluminação


muito intensa, tal como a iluminação de montras, em que se procuram
altas luminâncias e contrastes elevados.
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ILUMINAÇÃO NATURAL

Os principais estudos efectuados sobre o encandeamento com iluminação


natural mostraram que o encandeamento produzido por uma janela é
menor do que o encandeamento obtido por uma fonte de luz artificial vista
sob o mesmo ângulo sólido, em virtude das diferenças psicológicas
relativas às sensações produzidas pelos dois tipos de solicitações.
Existe também uma grande diferença entre o desconforto visual produzido
por uma pequena fonte ou por uma multiplicidade de pequenas fontes, que
é o caso da iluminação artificial, e uma fonte com o mesmo nível de
luminância média vista sob um grande ângulo sólido, o que corresponde
em geral à iluminação natural.

O caso particular de écrans de computador


No que diz respeito ao encandeamento por reflexão produzido por écrans
de computador, devemos ter em atenção o seguinte:
DEEC - Armínio Teixeira - 2007 65
ILUMINAÇÃO NATURAL

-nenhuma janela deve situar-se à frente ou atrás do écran;


-o eixo principal do olhar deve ser paralelo às janelas;
-as superfícies vizinhas do écran devem ser baças e com um factor de
reflexão de 0,2 a 0,5;
-as reflexões são mais perturbadoras com um écran com fundo escuro
do que com um écran com fundo claro;
A figura seguinte apresenta a posição adequada para um écran num
local com iluminação natural.

DEEC - Armínio Teixeira - 2007 66


ILUMINAÇÃO NATURAL

COMBINAÇÃO DA ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL COM A ILUMINAÇÃO


NATURAL
“Zonagem” da iluminação artificial em função da luz natural
A “zonagem” ou estabelecimento de zonas consiste em dividir a
iluminação artificial em vários sectores comandados separadamente.
Assim, as diferentes partes de um edifício podem ser ligadas
selectivamente em função da iluminação natural, estabelecendo zonas
com a mesma actividade ou período de ocupação, de acordo com a
escolha efectuada.
Para um local com iluminação natural através de uma abertura lateral,
a distribuição luminosa no local é pouco uniforme.
Pode-se então pensar numa subdivisão do espaço em zonas de
iluminação distintas, em função das suas posições em relação à
iluminação natural.
DEEC - Armínio Teixeira - 2007 67
ILUMINAÇÃO NATURAL

Assim, as lâmpadas da mesma zona são comandadas da mesma tal


forma que possam fornecer um fluxo luminoso diferente das localizadas
noutros sectores.
Para que este sistema seja óptimo é preferível colocar as armaduras
paralelamente à fachada.
O facto de criar zonas de iluminação artificial em função da quantidade
de luz natural, permite economias de energia, iluminando apenas as
zonas em que a iluminação natural não é suficiente.
Esta “zonagem” oferece, além disso, a possibilidade de não iluminar
certas zonas desocupadas, principalmente no início e no fim do dia.
A figura seguinte mostra 2 circuitos de iluminação artificial: o da
esquerda corresponde à zona ligada à presença de luz natural enquanto
que o da direita não tem em atenção esta contribuição de energia
gratuita.
DEEC - Armínio Teixeira - 2007 68
ILUMINAÇÃO NATURAL

A “zonagem” da instalação de iluminação dotada de comandos manuais


não é útil, a não ser que os utilizadores dos espaços colaborem. Em caso
contrário é necessário recorrer a comandos automáticos.

DEEC - Armínio Teixeira - 2007 69


ILUMINAÇÃO NATURAL

A regulação do fluxo das lâmpadas em função da luz natural

O controle do fluxo das lâmpadas em função da disponibilidade de luz


natural permite assegurar o ambiente luminoso desejado, com economias
de energia.

O sistema “on / off”

A estratégia mais primitiva de regulação do fluxo das lâmpadas em função


da luz natural disponível consiste na utilização do simples sistema “on/off”.

Não há economia de energia nos edifícios bem iluminados com luz natural
se não se pensar em apagar a luz quando ela não é necessária.

A probabilidade de se ligar a iluminação artificial quando se entra num dado


local está directamente ligada à disponibilidade de luz natural nesse
momento.
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ILUMINAÇÃO NATURAL

É no entanto frequentemente necessário utilizar um sistema de controle da


iluminação artificial em função da luz natural.

Em locais de trabalho, esta regulação deveria ser automatizada por meio


da utilização de células fotoeléctricas no interior ou no exterior do local. No
entanto, este tipo de regulação, baseada em variações mais ou menos
bruscas do nível de iluminância, encontra ainda numerosas reticencias por
parte dos ocupantes.

O sistema por comando em patamares

A iluminação fornecida pelas lâmpadas pode ser adaptada a diferentes


níveis em função de certos patamares, como por exemplo 30%, 60% e
100% do seu fluxo nominal.
DEEC - Armínio Teixeira - 2007 71
ILUMINAÇÃO NATURAL

O “dimming”

O “dimming” consiste num ajuste contínuo da iluminação artificial. Permite


gerir de forma muito precisa a iluminação artificial em função da iluminação
natural.

Oferece ainda a possibilidade de dosear a iluminação com a finalidade de


criar ambientes luminosos particulares.

Este tipo de gestão da iluminação artificial permite as maiores economias


de energia, dado que a iluminação artificial utilizada é limitada à
quantidade mínima indispensável para assegurar uma boa iluminação do
espaço.

A vantagem principal de um sistema de dimming ligado à luz natural é que


a iluminação artificial é constantemente adaptada em função da
disponibilidade de luz natural, sem que seja percebido pelos olhos.
DEEC - Armínio Teixeira - 2007 72
ILUMINAÇÃO NATURAL

A escolha de um sistema de regulação

A escolha de um sistema de gestão da iluminação revela-se


particularmente difícil porque depende de numerosos parâmetros tais como
a iluminação natural disponível, os tipos de lâmpadas utilizadas e a
disposição das armaduras, o modo de ocupação do espaço, as dimensões
do local, o número de ocupantes, etc.

Globalmente, podemos dizer que para um local bem iluminado com luz
natural, um sistema de controle do tipo “on/off” deverá já permitir realizar
substanciais economias de energia.

Para um local com fraca iluminação natural, a iluminação artificial deve


sempre assegurar um reforço e apenas uma regulação fina em contínuo
poderá levar a uma economia de energia.

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ILUMINAÇÃO NATURAL

A gestão centralizada da iluminação

Uma instalação de iluminação tradicional liga os equipamentos de


iluminação por um conjunto de cabos definidos de uma determinada forma.

A arquitectura dos novos sistemas caracteriza-se por um controle local por


grupos de armaduras, livremente definidos pelo utilizador, e por uma
gestão centralizada da iluminação que recebo sinais de diferentes sondas,
por exemplo de células fotoeléctricas ou de detectores de presença.

Este dipo de instalação permite um registo inicial de cenários luminosos na


memória da unidade de gestão, como por exemplo, a colocação em serviço
de diferentes grupos de armaduras de iluminação a diferentes horas do dia.

Estre sistema de gestão centralizada apresenta três grandes vantagens:

DEEC - Armínio Teixeira - 2007 74


ILUMINAÇÃO NATURAL

-confere uma grande flexibilidade ao sistema. No caso de modificação


dos locais, por exemplo uma deslocação das paredes, basta recompor
os grupos de armaduras, comandadas por simples programação da
unidade central de gestão, não sendo necessária qualquer modificação
dos cabos e das ligações eléctricas;

-permite registar muitas informações úteis para a gestão energética e


para a manutenção das fontes luminosas (horas de funcionamento,
hábitos dos utilizadores, consumos energéticos, etc.). Estas
informações correctamente exploradas permitem economias de energia
suplementares, assim como um melhor conforto visual;

-assegura enfim, a integração do sistema de iluminação no sistema de


gestão centralizada do edifício, em associação com a gestão do
aquecimento, da climatização, etc.
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ILUMINAÇÃO NATURAL

Este sistema de gestão centralizado da iluminação apresenta no


entanto 2 defeitos:

-o seu investimento inicial é elevado;

-requer uma separação da potência e do comando, o que


origina um grande número de ligações e portanto uma
cablagem importante;

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