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John Mackie e o anti-realismo

subjectivista-relativista metaético

Giuseppe Meloni
Doutor, Instituto Superior Dom Bosco

meloniscj@gmail.com

Maria Elvira Carlos Chipe


Mestre, Instituto Superior Dom Bosco

elvischipe@gmail.com

Resumo

O artigo analisa criticamente a proposta avançada pelo eticista John Mackie na


obra “Ethics: Inventing Right and Wrong” com a qual o docente de Oxford entrava
polemicamente no grande debate acerca do estatuto epistemológico e ontológico dos
valores morais. O anti-realismo subjectivista-relativista proposto por Mackie faz penetrar
na ética o método empirista-científico, querendo experimentar a efectiva consistência dos
valores morais, achando a proclamação da sua objectividade não como um axioma
indubitável, mas como uma hipótese científica que precisa de ser comprovada. O
resultado desta reflexão é de que somos constantemente remetidos a uma
responsabilidade pessoal em construirmos os padrões de referência ética, emancipando-
nos do eticamente pré-estabelecido.

Palavras chave: Ética, Valores morais, Relativismo

Abstract

The article critically analyzes the proposal put forward by the ethicist John Mackie in
the book "Ethics: Inventing Right and Wrong" with which the Oxford’s professor
polemically entered the great debate about the epistemological and ontological status of
moral values. Mackie's subjectivist-relativistic anti-realism pushes the empiric-scientific
method into ethics, wanting to prove the effective consistency of moral values, finding the
proclamation of its objectivity not as an undeniable axiom but as a scientific hypothesis
that needs to be proven. The result of this reflection is that we are constantly relegated to
a personal responsibility to build ethical standards of reference, emancipating ourselves
from the ethically pre-established.

Keywords: Ethics, Moral values, Relativism

Introdução

A 12 de Janeiro de 1981, pouco antes de publicar a sua última obra, “The Miracle of
Theism”, um dos mais conhecidos andersonianos foi vencido por um cancer. Estamos a
falar de John Mackie que em 1977 tinha publicado “Ethics: Inventing Right and Wrong”,
uma obra destinada a fomentar grandes debates nas décadas a seguir, dando novo
impulso, por assim dizer, à secular luta entre realistas e anti-realistas no âmbito da ética
fundamental, que hoje em dia é também chamada (problematicamente) de metaética.

Formado em Sidney nas aulas do professor de filosofia John Anderson, cujo


ensinamento era considerado anti-autoritário e libertário, John Mackie aperfeiçoou os
seus estudos em Oxford onde em 1967 passou a ser professor estável, depois de
experiências de docência na Nova Zelandia e em York na Angleterra.

Em ocasião da morte de Mackie, o filosofo sul-africano J. McDowell (famoso pelas


suas obras sobre a filosofia da mente e a filosofia da linguagem) afirmava:

Ethics, escrito para o leitor genérico, teve uma influência extraordinária


também entre os filósofos de profissão, em especial modo pelo que diz
respeito à secção geral de abertura. […] Este trabalho forneceu um
contributo essencial para a renovação das discussões sobre o estatuto
[…] do pensamento valutativo-avalorativo. […] Sugerindo argumentos
contra a opinião que o pensamento valorativo seja objectivo, Mackie
ofereceu a própria teoria como uma possibilidade, que dificilmente tinha
sido considerada na altura na qual ele escrevia; e provavelmente o efeito
que mais chama atenção foi aquele de motivar as pessoas não somente
a tomar a sua proposta em séria consideração, mas também defendê-la
contra as possíveis objeções (DOWELL, 1990, p. 8).

“Ethics: Inventing Right and Wrong” é uma obra na qual John Mackie analisa o
estatuto epistemológico e ontológico dos valores morais. Com a sua reflexão ele desce
até aos fundamentos da ética, aqueles que foram postos pelos primeiros grandes
filósofos eticistas (Platão e Aristóteles), obrigando a uma confrontação árdua o
pensamento dos que acham objectivos e realistas os valores morais.

Com este artigo espera-se tomar a sua proposta em séria consideração e, embora
de maneira extremamente sintética e fragmentária, apresentar um mapa de leitura da
obra de John Mackie “Ethics: Inventing Right and Wrong” que não sempre é de imediata
compreensão, não tanto pela linguagem as vezes necessariamente exposta ao
desperdício hermenêutico (dado ou não o unívoco entendimento dos termos próprios
entre os filósofos eticistas), mas pelo facto de constranger a mente, já acostumada ao
sentido ético comum, a uma mudança estrutural, a uma viragem epistemológica, a uma
conversão radical dos padrões de referência habitual.

Mais uma vez emerge a fecundidade da reflexão ético-fundamental em âmbito


oxfordiano nas últimas décadas. Pensamos, por exemplo, nas obras de Elizabeth
Anscombe (“Intention”) e de Philippa Foot (“Natural Goodness”) que pautam para uma
fundamentação objectiva e realista dos valores morais, com posições extremamente
distantes daquelas de John Mackie, mas fautoras de um debate capaz de remover a ética
do pântano da casuística efectual para um pensamento direcionado às vertentes
originárias da ciência prática por excelência; trabalho esse necessário numa actualidade
caracterizada pela saída dos costumes humanos do seu alvo originário que lhes garantia
sustentabilidade prática (é o que acontece com a globalização).
A nível de ética fundamental, algumas posições e indicações de Mackie
assemelham-se às do Michel Foucault nos últimos dois cursos dados no College de
France em Paris (1983-1984) com o título “O governo de si e dos outros, I e II”. Somos
remetidos a uma responsabilidade pessoal em construirmos os padrões de referência
ética, emancipando-nos do eticamente pré-estabelecido. Seria mesmo interessante
confrontar estes dois pensadores com as duas colegas de Oxford (Elizabeth Anscombe e
Philippa Foot), fazer descer no agone filosófico o naturalismo contra o cepticismo ético,
assistir ao debate que seria fecundo e provavelmente bem tenso.

Lendo estes filósofos separadamente, sai-se com a impressão de que todos


tenham as suas razões, mas as conclusões são assim distantes que uma pergunta
aparece logo: a vida prática deve incarnar uma verdade inscrita na natureza do homem
(naturalismo ético) ou a verdade do homem constrói-se fazendo-se a vida prática
(antinaturalismo ético)?

Esta questão remete-nos ao mais amplo debate inaugurado por Kant1 e ainda
grávido de consequências: a pergunta ética fundamental (o que devo fazer?) pode ser
elaborada coerentemente, se a resposta já dada à pergunta teórica (o que posso saber?)
exclui um alicerce metafísico? Será possível sair do empasse sem elaborar uma filosofia
da consciência prática? Para isso, depois de ter falado do naturalismo ético, é preciso
aprender a aula do anti-naturalismo ético. Será John Mackie a nos acompanhar neste
troço da longa caminhada que ainda nos espera. Só depois é que será possível proceder.

1. O cepticismo moral

“Ethics: Inventing Right and Wrong” começa com uma tese, dura e perentória: “Não
existem valores objectivos” (MACKIE, 1977, p. 15). Segundo Makie, “embora a maior
parte das pessoas, formulando os próprios juízos morais considere implicitamente, entre
outras coisas, de fazer referência a algo de objectivamente prescritivo, estas pretensões
são todas falsas. É este facto que torna apropriada a denominação de cepticismo moral”
(MACKIE, 1977, p. 35).

Dizendo que não existem valores objectivos, logo Mackie declara a sua posição
subjectivista anti-realista na vertente ontológica do discurso ético, e o relativo cepticismo
moral na vertente lógico-epistemológica em ética.

O que Mackie recusa, como erro, é o que a posição realista declara desde sempre:
a existência de valores objectivos. Ele, com o cepticismo, faz penetrar na ética o método
empirista-científico, querendo experimentar a efectiva consistência dos valores morais,
achando a proclamação da sua objectividade não como um axioma indubitável, mas
como uma hipótese científica que precisa de ser comprovada.
1
Cf., Kant, I. (2001). Crítica da Razão Pura, B 833.
Mackie examina o sistema ético realista pelo método céptico que para ele é um
método de pesquisa moderado, semelhante ao de Abelardo, Cartesio ou Hume e, por
certas vertentes também próximo à epoquê de Husserl, longe da dúvida extrema que
conduziria a um êxito estéril ou nihilista. Portanto, não há nada de estranho para o
Mackie no ser cépticos perante o modo comum de perceber os valores morais e, ao
mesmo tempo, continuar a defender as próprias convicções éticas.

Nas primeiras páginas do seu livro, Mackie faz notar que o seu cepticismo é de
segundo nível – ou metaético – e não de primeiro nível (isto faria dele uma pessoa que
não tomaria à sério o discurso moral na sua inteireza). Portanto “é possível ser cépticos
morais de segundo nível sem ser cépticos morais de primeiro nível, ou também o
contrário” (MACKIE, 1977, p. 18).

O primeiro nível, para Mackie, é dado pela tarefa prática da ética que “discerne se
uma particular acção é justa ou errada [...]; oferece a distinção entre boas ou más
características ou disposições; ou propõe alguns princípios fundamentais dos quais
dependem os juízos no detalhe. Todos esses estatutos exprimem a primeira ordem dos
juízos éticos de diferentes graus de generalidades” (MACKIE, 1977, p. 9). Não é a esse
nível que John Mackie exerce o seu método céptico que depois o conduz a criticar a
posição do realismo ético.

Mackie endereça o seu esforço céptico a um segundo nível, que remete às razões
do primeiro nível, o qual seria a expressão de uma descoberta ou decisão feita antes, “o
ponto a partir do qual nós pensamos e raciocinamos acerca dos problemas morais ou a
partir do qual olhamos ao significado dos vários termos éticos” (MACKIE, 1977, p. 9).
Trata-se do nível metaético, da fundação ontológica da ética, do pressuposto a partir do
qual todo o exercício prático vem a depender.

Portanto o cepticismo moral proposto por Mackie, aparece de um lado como a não
aceitação da existência de valores morais objectivos, mas devido ao facto que os juízos
morais têm pretensa de objectividade, o cepticismo “deve prender a forma de uma teoria
do erro, admitindo que a crença em valores objectivos seja ínsita na linguagem e no
pensamento moral comum, mas achando que essa profunda convicção seja falsa”
(MACKIE, 1977, p.12).

Eis o núcleo do anti-realismo de Mackie: a negação da existência de valores


objectivos e o erro ontológico de acreditar que existam valores objectivos. Por isso,
segundo ele, é necessário usar o método céptico, o qual permite desmascarar o erro e a
falsidade que provêm dele. O cepticismo permite estabelecer uma distância de segurança
do erro dado pelo pensamento comum, para melhor ver, considerar e julgar a tradição
ética do realismo desde Platão até Kant.
Na primeira parte de “Ethics: Inventing Right and Wrong”, John Mackie quer mostrar
ao homem comum e a uma grande parte da tradição filosófico-ética ocidental que foram
vítimas de um erro e que nele persistiram. De que erro se trata? Como é dado e quais
são as suas consequências? É possível aprender dele e sair da situação que com ele se
veio a criar?

2. A pretensão de objectividade dos juízos éticos como erro metaético

John Mackie, para mostrar o erro no qual é detido o realismo ético, remonta à
experiência comum. Quando as pessoas dizem que uma coisa é boa, não entendem
somente que para com ela têm um certo sentimento de prazer, de aprovação, de gosto
mas que “em contextos morais “bom” é usado como se fosse o nome de uma
pressuposta qualidade não-natural” (MACKIE, 1977, pp. 31-32).

Segundo Mackie, na linha de pensamento que foi de Edward Westermarck in


“Ethical relativity” (1932), a origem dos valores ou ideias morais seria emocional (o
sentimento de prazer, gosto, aprovação gerado em nós por uma coisa, facto ou acção),
mas a essas emoções nós é que tendemos geralmente a reconhecer uma pretensa de
objectividade, sendo que uma autoridade fora de nós (geralmente a cultura na qual
nascemos e desenvolvemos) se fez outrora intérprete disso, traçando regras morais.

Seria interessante acompanhar a leitura de “Ethics: Inventing Right and Wrong” de


Mackie com a leitura de “Le Cru et le cuit” (1964) de Claude Lévi-Strauss para
percebermos esta projeção de emoções subjectivas num pano de fundo que
pretendemos que as torne objectivas. Não passa, porém, de uma pretensa de
objectividade, que para Mackie é a base de um mecanismo que objectiviza estados
subjectivos, um projectivismo devido ao facto que, como dizia Hume, “a mente tende a se
expandir sobre os objectos externos” (HUME, 1896, p.14).

Para Mackie, o erro do projectivismo depende da natureza social da moral, do seu


ser institucionalizada e constituir assim o princípio de autoridade prescritiva e objectiva
para os indivíduos que nascem e crescem nessa sociedade.

O pensamento moral ordinário não passa portanto de mera e pura projeção. Por
isso tal pensamento moral ordinário

concilia contemporaneamente (i) o facto que os juízos morais são


ordinariamente considerados […] como capazes de ser somente
verdadeiros ou falsos […] (ii) a opinião pela qual estes juízos são
considerados como um guia interno para a acção e não só em função
dos desejos e das inclinações de quem percebe […] (iii) a tese, em favor
da qual argumentou vigorosamente Hume, que o facto essencial da
questão […] é que os indivíduos têm vários sentimentos, ou antes que há
um sistema interpessoal de sentimentos (MACKIE, 1980, p. 72).
Querendo sintetizar, a pretensa de objectividade esclarece o carácter autoritário da
ética, mas essa pretensa é fruto de um mecanismo de objectivização projectivista do
sujeito que sente boas sensações perante uma coisa, um facto ou uma acção. Para
Mackie, isso é evidente também pelo facto que “essa pretensa de objectividade, por
quanto que seja radicada na nossa linguagem e no nosso pensamento, não se
autojustifica. Pode e deve ser posta em discussão” (MACKIE, 1977, p. 41).

Assim, em discussão entra agora toda a tradição filosófica, as ideias platónicas, o


naturalismo ou intuicionismo aristotélico-tomista, o imperativo categórico kantiano.
Escreve Mackie: “Kant mesmo acha que os juízos morais são imperativos categóricos [...]
e pode-se plausivelmente sustentar [...] que a maioria dos juízos morais tenham em si um
elemento categoricamente imperativo. Kant mesmo além disso [...] sustenta que o
imperativo categórico não é só categórico, mas também objectivo” (MACKIE, 1977, pp.
29–30).

Dito isto, Mackie liga directamente a negação da existência dos valores objectivos
com a recusação da noção mesma de imperativo categórico: “A minha tese que não há
valores objectivos é, de modo específico, a negação que um qualquer elemento
categoricamente imperativo seja válido objectivamente. A tipologia de valores objectivos
que estou a negar seria ‘guia para a acção’ absolutamente, não simplesmente [...] em
relação aos desejos e às inclinações do agente moral” (MACKIE, 1977, p. 29).

Para Mackie, a noção de imperativo categórico é um exemplo iluminante de como o


pensamento filosófico esquece a ligação que existe entre os pedidos ou as exigências
subjectivas e os juízos de valor que delas dependem. A tendência é aquela de hipostasiar
num sentido realístico e epistemológico os valores indicados pelo juízo moral. Os juízos
morais seriam de facto constituídos por imperativos hipotéticos cuja formulação
dependeria da referência aos desejos ou pedidos individuais. Deles, porém, seria tirado o
elemento hipotético-condicional, resultando assim em imperativos categóricos.

Este é o erro no qual caiu a tradição filosófica que elaborou uma ética realista. Este
erro opera uma reviravolta pela qual “nós adquirimos a noção de algo como
objectivamente bom e dotado de valor em si mesmo, pela reviravolta da direção de
dependência, tornando o desejo dependente da bondade antes de tornar a bondade
dependente do desejo”. (MACKIE, 1977, p. 43). Estamos perante um processo no qual a
experiência subjectiva do gosto e aprovação é objectivada na linguagem como qualidade
que atribuímos a um objecto.

A linguagem depois estrutura a cultura na qual uma pessoa nasce e cresce, funda
aquele conjunto de certezas necessárias ao viver social, estabelece normas de
comportamento e referentes de juízo prático, ao ponto que na educação somos
conduzidos a considerar algo bom e de valor, portanto desejável, pelo ambiente no qual
entramos ao entrar na vida (e o discurso engloba também o que não é bom, não é
virtuoso, e portanto deve ser evitado).

3. Do cepticismo ao relativismo moral

Para Mackie, no campo moral, somos todos vítimas de uma persistente ilusão pela
qual os dados psicológicos do nosso pensamento e comportamento moral, constituídos
exclusivamente pelas nossas emoções de aprovação e desaprovação, receberiam
licença de existência por uma moral instituída que orienta e permite, dotada de força
imperativa e de autoridade.

O processo de objectivação nos conduz a crer na existência autônoma e externa à


nossa mente de peculiares propriedades morais (os valores). Desta crença ontológica
nasce uma específica epistemologia moral e, como seu efeito, uma precisa teoria da
motivação. Os valores morais existiriam de facto e o realismo moral desencadeia assim
toda a sua reflexão, pela qual existem factos e proposições morais verdadeiras, cuja
existência e natureza é independente das minhas convicções acerca do que é justo ou
errado.

Segundo Mackie a consciência prática é fruto de uma projeção objetivante de puros


factos subjetivos. O seu objectivo polémico é, de um lado, o realismo ingénuo ou pré-
filosófico do sentir comum, e, doutro lado, o realismo filosófico prático, que faz da
realidade dos valores uma questão gnosiológica. Para Mackie o problema está no facto
de o realismo moral asserir a existência concreta dos valores, e que esta asserção é falsa
com tudo quanto dela pode depois vir ou depender (MACKIE, 1977).

Consequência lógica disso é a irrupção do relativismo no plano metaético: o


conteúdo de verdade dos juízos morais e a justificação das teorias éticas, segundo
Mackie, é relativo. Basta olhar como os vários grupos sociais reagem aos desacordos e
diferenças culturais, desenvolvendo e consolidando diferentes estilos e modelos de vida.
Para Mackie, o desacordo ou discrepância entre as várias culturas sobre as questões
morais, a um olhar superficial, parece ser mero reflexo das diferentes modalidades de
vida que os grupos sociais desenvolvem e consolidam, referindo-se a diferentes modelos
de adesão ao conjunto de hábitos e comportamentos morais (MACKIE, 1977).

Superficialmente, parece estarmos perante diferentes reações comportamentais


dependentes da diferente maneira de perceber uma realidade única, igual para todos em
si mesma, objectiva, para a qual, dando tempo ao tempo, todas as culturas do mundo
estão encaminhadas (e esta seria a utopia do universalismo ético).

Mas para Mackie, a raiz das diferenças culturais no campo ético não está no facto
que há diferentes modos de perceber uma única verdade igual para todos (posição do
realismo), mas é pelo facto que existem diferentes verdades que depois temos a adesão
a diferentes interpretações da realidade e a constituição de diferentes estilos ou modelos
de vida, até encontrarmos entre os homens juízos morais discordantes e diferentes
modos de enfrentar as mesmas questões da vida (MACKIE, 1977).

Mackie propõe o exemplo da monogamia que esclarece bastante a mudança de


perspectiva que entende provocar: “As pessoas – por exemplo – aprovam a monogamia
porque participam a um tipo de vida monógamo, antes de participar a um tipo de vida
monógamo porque aprovam a monogamia” (MACKIE, 1977, p. 36). E a mesma coisa
pode ser dita das pessoas que aprovam a poligamia.

Por isso, para Mackie, o reconhecimento de vários modelos de vida, impõe a


introdução do relativismo a nível metaético. Pois, “se existissem valores objectivos,
seriam de entidade, qualidade ou relações de tipo muito estranho, completamente
diferente de qualquer outra coisa no universo. Ao mesmo tempo, se nós tivéssemos
consciência disso, isso deveria acontecer por uma faculdade especial, ou percepção
moral ou intuição, completamente diferente do nosso modo de conceber qualquer outra
coisa” (MACKIE, 1977, p. 38).

De um ponto de vista metafísico, a existência de valores objectivos é bastante


estranha para Mackie e, por consequência, é também estranho o como chegaríamos a
ter conhecimento deles como valores objectivos. Quando o realismo moral se debate com
o desafio de esclarecer como nós teríamos consciência dos valores objectivos a nós pré-
existentes, ele se transforma em intuicionismo, para dar razão da própria convicção da
existência de valores objectivos.

Quando nos perguntamos [...] como podemos ser conscientes da


autoridade prescritiva ou da verdade dessas premissas éticas distintivas,
[...] nenhum dos nossos modos ordinários de descrever a percepção
sensorial, ou a introspeção [...] ou a inferência ou a análise conceptual,
[...] nos poderá fornecer uma resposta satisfatória; um ‘especial tipo de
intuição’ é uma resposta defeituosa, mas é a resposta à qual o
objectivista é constrangido a recorrer (MACKIE, 1977, p. 39).

Epistemologicamente falando, Mackie evidencia a impossibilidade de “encontrar


uma faculdade especial que possa dar conta não só da nossa consciência prática, mas
também do tipo de relações que os valores objectivos parecem instaurar com os
acontecimentos concretos” (MACKIE, 1977, p. 41). O objectivista, com o seu realismo
moral, primeiro deve supor a necessidade de uma faculdade que perceba os valores e
qualidades morais, e ao mesmo tempo algo de mais que possa captar
contemporaneamente as características naturais, as qualidades morais e o misterioso elo
de ligação que se instaura entre os dois. Ou também é constrangido a esclarecer como
uma propriedade pertence a outra propriedade, como esta pertence ainda a outra e assim
por diante, multiplicando sem resultado satisfatório uma série de entidades para justificar
a pretensa de valores objectivos (MACKIE, 1977).
Mackie usa justamente a navalha de Ockham, pela qual “entia non sunt
multiplicanda praeter necessitatem”, apelando-se a um princípio filosófico de economia
postulatória, pelo qual não é necessário postular uma peculiar faculdade de percepção
moral para justificar a existência de valores objectivos, simplesmente porque o empasse
epistemológico no qual cai o realismo ético deve-se ao erro original da projeção. Evitando
o erro, evita-se de objectivar factos subjectivos, e não seriamos constrangidos depois a
inventar faculdades percetivas especiais de objectos (os valores morais) que de facto não
existem (MACKIE, 1977).

O facto de todos termos adoptado certos distintivos modelos de comportamento e


recusado outros a partir da nossa infância, nos prende literalmente na rede do erro do
realismo ético e a posição antirealista de Mackie, a recusa de valores objectivos, nos põe
em dificuldade.

O cepticismo moral, [...] a recusa de valores objectivos, [...] precisa de


sólidas argumentações contra o 'sentido comum'. As considerações que
sustentam o cepticismo moral são: primeiro, a relatividade o variabilidade
de alguns importantes pontos de referência acerca do modo no qual
pensamos a moral e a sua dependência dos actuais modos de viver;
segundo, a peculiaridade metafísica dos hipotéticos valores objectivos
que deveriam ser em si mesmos prescritivos e directivos para a acção;
terceiro a dificuldade de esclarecer em que modo estes valores
antecipariam ou seguiriam as propriedades naturais; quarto a
correspondente dificuldade epistemológica de dar razão do nosso
conhecimento destes valores-entidades ou propriedades e de esclarecer
a ligação com as características naturais perante as quais deveriam ser
consequenciais; quinto a possibilidade de esclarecer, nos termos dos
vários e diferentes modelos de objectivização, da qual permanecem
sinais na linguagem e nos conceitos morais, em que maneira, mesmo se
os valores morais não existissem, os agentes morais deveriam não só
supor a sua existência mas até persistir firmemente nesta opinião
(MACKIE, 1977, p. 49).

4. Inventando o justo e o errado? abordagem crítica à proposta de Mackie

Segundo Mackie já não temos boas razões para acreditar que de facto existem
valores morais objectivos. Certamente experimentamos e pensamos ainda que uma
acção é objectivamente justa ou errada, que sermos felizes é melhor do que sermos
miseráveis, mas estas são simplesmente as nossas preferências subjectivas, mesmo
quando os outros aprovam, sendo que a aprovação intersubjectiva é sempre ainda a
base subjectiva. Mackie aplica um microscópico filosófico aos nossos juízos morais e nos
força a concluir que a objectividade moral é simplesmente falsa. Mesmo que fosse
sempre belo ter uma autoridade moral objectiva (até útil para regular a nossa existência
em sociedade), não há razão para acreditar na sua real existência. Praticamente não há
verdades morais objectivas e o fundamento da ética é simplesmente relativo e
dependente da “invenção do justo e do errado” que constantemente devemos negociar
com os nossos semelhantes.
Mackie, na sua obra, reconhece que a perspectiva do realismo ético à qual estamos
habituados, a um primeiro nível, pode ser mantida e até lhe reconhece uma certa
utilidade, mesmo examinando o seu erro e a falsidade relativa. Tendo em conta como
somos feitos nós homens, o realismo ético é muito útil na manutenção da eficiência dos
nossos sistemas morais ao ponto que “mesmo se os valores morais não existissem, os
agentes morais deveriam não só supor a sua existência, mas até persistir firmemente
nesta opinião” (MACKIE, 1977, p. 49).

O anti-realismo de Mackie posiciona-se a um segundo nível e mostra como e


porque nasce o realismo de primeiro nível, constrangindo a filosofia ética a entrar numa
perspectiva na qual “a moralidade não é para ser descoberta, mas algo que devemos
sempre inventar”, na qual “devemos decidir quais perspectivas éticas adoptar, quais
posições morais assumir” (MACKIE, 1977, p. 106).

O mérito da teoria de Mackie é aquele de insinuar na mente do realista a dúvida


ontológica: que, em filosofia ética, é necessário ir além do primeiro nível, da quase
mecânica aplicação de juízos de valores aos factos que acontecem no dia a dia. Porque
a moralidade depende da cultura e os códigos morais variam enormemente de uma
cultura para a outra. Umas culturas, por exemplo, promovem a monogamia, mas outras
promovem a poligamia. Em algumas culturas é praticada a eutanásia, noutras é
duramente proibida.

É inegável o facto que as nossas convicções morais são largamente produto da


cultura na qual crescemos, que nós interiorizamos os hábitos do nosso grupo de
pertença. Para Mackie, o esclarecimento melhor destas diversidades é a ausência de
verdades morais universais, e a crença da existência de valores objectivos não passa de
uma distorção perceptiva. Quando estamos envolvidos na tarefa prática de estabelecer
directrizes morais, estamos essencialmente inventando as noções de justo ou errado,
não estamos a fazer uma descoberta deles no reino do objectivo.

O que entende Mackie, falando de “invenção” do justo e do errado? O filosofo grego


Xenófanes (570–478 a.C.) sustentava que a religião mesma é uma invenção que
plasmava Deus segundo a imagem do grupo de cada um. Num dos seus mais famosos
fragmentos podemos ler que “Se os bois, cavalos e leões tivessem mãos ou se
pudessem pintar e realizar as obras que os homens fazem com as mãos, os cavalos
pintariam imagens dos deuses semelhantes aos cavalos e os bois semelhantes aos bois,
e plasmariam os corpos dos deuses semelhantes ao aspecto que cada um deles tem” e
ainda noutro fragmento, “os Etíopes dizem que seus deuses são negros e de nariz
achatado. Os Trácios dizem, ao contrário, que têm olhos azuis e cabelos ruivos”.
(XENÓFANES, fr. 15 e 16, em REALE & ANTISERI, 2003, p. 57).
Será que acontece a mesma coisa quando nós criamos a moralidade? Seria ela um
reflexo da nossa imagem, segundo os nossos desejos, à qual damos depois autoridade
no processo prático? Será que Mackie pensa que nós somos conscientemente os
inventores da moral, dos princípios ou valores morais e das relativas sanções para o
controle social?

É verdade que nós precisamos da moralidade para regulamentar as relações


interpessoais, para controlar como as pessoas se comportam e relacionam com os
outros, frequentemente em oposição às inclinações agressivas ou degenerativas. E além
disso, queremos que os nossos juízos morais gozem de autoridade para os outros
agentes como para nós: o valor objectivo é que vai dar aquela autoridade necessária.

De um ponto de vista crítico, o Mackie deveria responder antes ou depois à


seguinte pergunta: porque nós precisamos disso? Será que os bois e os cavalos têm
empiricamente mãos para pintar e que já uma vez aconteceu isso? Será que eles gozam
do intelecto prático, mesmo que seja, nos seus conteúdos, forjado pela minha específica
cultura tribal?

O ceptcismo empírico de Hume, a dúvida metódica de Abelardo ou de Cartésio


podem sacudir e sacudir ainda as seculares convicções morais, mas não podem negar
que o processo mental do cepticismo é da mesma natureza do processo mental que
produz as preposições de valor moral e, no fundo, a pergunta filosófica fundamental:
porque em geral existe o ser e não o nada?

Objectiva e tangível e empiricamente visível é a racionalidade prática daquela forma


de existência que chamamos de humana. Podemos concordar com Mackie que não é
preciso remeter a Deus ou a uma autoridade mundana os valores morais para que sejam
normativos e decidirmos de acolher o desafio de inventar de geração em geração as
normas morais segundo o acordo entre os presentes sobre a face da terra. Todavia, de
que acordo se trata, na base de qual sentimento de gosto ou satisfação deveria ser
ratificado?

Não temos muitas opções: ou se trata de um acordo sobre base racional, ou já não
seria moral, sendo o raciocinar costume próprio do homem que faz dele um homem e não
um cavalo acidentalmente diferente por andar só com duas pernas!

Isso implicaria a necessária reunificação daqueles dois níveis que Mackie


descreveu no início da sua obra: o da ética e o da metaética. Ele aceitaria em nome do
utilitarismo uma certa objectividade fictícia do realismo moral a nível ético, tendo bem em
claro na nossa mente que tudo isso não passa de ficção instrumental para a ordem
social. E naquele que o Mackie chama de segundo nível, que seria o da metaética, o que
é que se encontra? Pluralidade de verdades, de valores, de juízos, de gostos relativos ao
tempo ou às pessoas e suas culturas? Esta sim que seria a fotocópia do objectivo, físico,
empírico dia a dia nesta terra! Agora, dado que temos o original, para que fazer
fotocópias? Mesmo aqui vale a navalha de Ockham, e como sempre na história da
filosofia o cepticismo fica sacudido pelo seu mesmo tremor sacudinte.

Se aceitamos a existência de um plano ético e de um plano metaético, entramos


depois numa série de problemas e aporias sem paz nenhuma. Pode ser que alguém,
morrendo de analítica, esqueceu que a ética é ciência prática, olha para factos e acções,
aquelas feitas por sujeitos que gozam de racionalidade e liberdade. Não se ocupa com o
sapo que salta perto da lagoa ou com o sol que nasce do oceano índico. Mesmo estes
são factos e acções que acontecem no mundo físico, mas não constituem objecto da
ética, a qual, devido ao seu objecto e à sua índole científica, é necessariamente a
estatuto especial.

Não está correcto fazer uma metafísica da ética (pensar numa meta-ética), fazer
dos valores um plano e dos actos-sentimentos outro plano, porque é bastante óbvio que
nenhuma acção pode ser posta a partir do nada, e que toda acção é feita por alguém que
tem em vista um fim, mesmo que fosse “para matar o tempo que passa”. Da sua origem e
do seu fim depende o seu valor. Mas a origem de uma acção não está na acção mesma
(uma acção não se age por si só!) e se o fim da acção estivesse já nela, a mesma acção
não precisaria de ser posta em acto. Todavia, só quando é posta em acto é que se
chama acção e que se revela a sua origem e o seu fim e portanto o seu valor que
consiste na viabilidade do caminho que anda dessa origem até esse fim, entendendo por
“viabilidade” o facto que entre origem e fim não haja contradição.

Portanto os valores (e os seus relativos juízos de valor que se formulam a


posteriori) são revelados pela acção que, uma vez posta, revela a sua origem e o seu fim.
Portanto seria melhor posicionar-se num equilibrado realismo moderado quando se fala
da existência dos valores. O cepticismo de Mackie podes ser útil a desmascarar o erro
dado por uma tendência realística exagerada a nível de ética fundamental, mas não pode
ser sustentado como método filosófico a nível metaético, minimizando a referência ao
vivenciado no dia a dia (onde, mas agora já não se saberia o porque, os juízos de valor
poderiam continuar a ser emitidos como sempre).

Neste caso é preciso dizer um sereno mas firme “Não”: porque é dos frutos que se
reconhece a árvore; é a acção posta que revela a sua origem e o seu fim, e portanto o
seu valor. Pode-se aceitar a tendência filosófica de se ocupar com o fundamento e
justificação das nossas afirmações sobre o que é justo e o que é errado. Mas o gesto
reflexivo não pode ser jogado abstraindo-se das acções concretas efectuadas, dos factos
e eventos, e da revelação da sua origem e fim por eles aberta. Portanto, se a ética é
fundamentalmente uma ciência a posteriori, mesmo quando fala de valores objectivos,
fala a posteriori, segundo uma objectividade lógica secundária dependente de uma
objectividade fáctica primária. O resultado é uma log-ôntica ou, como se costuma dizer,
uma ontologia do agir prático, ou mais simplesmente uma ética.

Conclusão

O contributo aqui apresentado tinha como objectivo analisar criticamente a proposta


avançada pelo eticista John Mackie na obra “Ethics: Inventing Right and Wrong” em que
o pensador oxfordiano analisa o estatuto epistemológico e ontológico dos valores morais,
fundamentando a sua posição subjectivista anti-realista na vertente ontológica do
discurso ético, e o relativo cepticismo moral na vertente lógico-epistemológica em ética.
Com o seu cepticismo, Mackie faz penetrar na ética o método empirista-científico,
querendo experimentar a efectiva consistência dos valores morais, achando a
proclamação da sua objectividade não como um axioma indubitável, mas como uma
hipótese científica que precisa de ser comprovada.

Pelo método céptico (um método de pesquisa moderado), semelhante ao de


Abelardo, Cartésio ou Hume e, por certas vertentes também próximo à epoquê de
Husserl, longe da dúvida extrema que conduziria a um êxito estéril ou nihilista, Mackie
examina o sistema ético realista-objectivista e conclui que é coerente e lógico negar a
existência de valores objectivos e declarar o erro ontológico de acreditar que existam
valores objectivos.

A origem ou fundamento dos valores, frequentemente considerados objectivos,


intrínsecos á natureza humana, dimensões do ser pessoa, seria porém meramente
emocional (o sentimento de prazer, gosto, aprovação gerado em nós por uma coisa, facto
ou acção), mas a essas emoções nós é que tendemos geralmente a reconhecer uma
pretensa de objectividade, sendo que uma autoridade fora de nós (geralmente a cultura
na qual nascemos e desenvolvemos) se fez outrora intérprete disso, traçando regras
morais.

Assim sendo, o pensamento moral ordinário não passa, portanto, de mera e pura
projecão num pano objectivo e universal de algo que, porém, é gerado no campo do
historicamente e culturalmente condicionado e em definitiva no campo do subjectivo. No
campo moral, somos como os acorrentados na caverna de Platão, somos vítimas de uma
persistente ilusão pela qual os dados psicológicos do nosso pensamento e
comportamento moral, constituídos exclusivamente pelas nossas emoções de aprovação
e desaprovação, receberiam licença de existência por uma moral instituída que orienta e
permite, dotada de força imperativa e de autoridade.

Temos, portanto, uma moral convencional e instituída, mas não há verdades morais
objectivas e o fundamento da ética é simplesmente relativo e dependente da “invenção
do justo e do errado” que constantemente devemos negociar com os nossos
semelhantes. Isso conduz o autor a invocar uma responsabilidade pessoal/comunitária
em construirmos os padrões de referência ética, emancipando-nos do eticamente pré-
estabelecido.

A última parte deste estudo da obra de Mackie aqui apresentada, avaliou


criticamente a sua proposta, reconhecendo-lhe o mérito de insinuar na mente do realista
a dúvida ontológica: que, em filosofia ética, é necessário ir além do primeiro nível, da
quase mecânica aplicação de juízos de valores aos factos que acontecem no dia a dia.

Chegamos até a concordar com Mackie que não é preciso remeter a Deus ou a
uma autoridade mundana os valores morais para que sejam normativos e acolhemos o
desafio de inventar de geração em geração as normas morais segundo o acordo entre os
presentes sobre a face da terra. Todavia, criticamente, formulamos a seguinte pergunta:
de que acordo se trata, na base de qual sentimento de gosto ou satisfação deveria ser
ratificado? A pergunta é constrangedora e remete necessariamente à objectiva e tangível
e empiricamente visível racionalidade prática constitutiva daquela forma de existência
que chamamos de humana.

Do nosso ponto de vista, mesmo reconhecendo ao Mackie alguns crédito, não


temos muitas opções: ou se trata de um acordo sobre base racional, ou já não seria
moral, sendo o raciocinar costume próprio do homem que faz dele um homem e não um
cavalo acidentalmente diferente por andar só com duas pernas! A nossa conclusão é que
o cepticismo de Mackie pode ser útil a desmascarar o erro dado por uma tendência
realística exagerada a nível de ética fundamental, mas não pode ser sustentado como
método filosófico a nível metaético, minimizando a referência ao vivenciado no dia a dia
(onde, mas agora já não se saberia o porque, os juízos de valor poderiam continuar a ser
emitidos como sempre).
Referências bibliográficas

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