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UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA – UNOESC

ÁREA DAS CIENCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS

....

PROJETO DE UMA CAMARA FRIA PARA ARMAZENAMENTO DE UVAS

JOAÇABA-SC
2020
...

PROJETO DE UMA CAMARA FRIA PARA ARMAZENAMENTO DE UVAS

Trabalho apresentado como requisito parcial


de avaliação do componente Curricular de
Sistemas térmicos II para Engenharia Mecânica,
ministrada pelo Prof. .... do Curso de Engenharia
Mecânica, Área das Ciências Exatas e
Tecnológicas, da Universidade do Oeste de
Santa Catarina.

PROFESSOR ORIENTADOR: ...

JOAÇABA-SC
2020

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Túnel de resfriamento..................................................................................................6


Figura 2 - Sistema de refrigeração continuo (câmara fria)...........................................................7
Figura 3 - Ciclo básico de refrigeração......................................................................................10
Figura 4 – Funcionamento de um refrigerador...........................................................................10
Figura 5 – Câmara fria com 4 unidades compressoras..............................................................11
Figura 6 – Ciclo padrão de refrigeração.....................................................................................17
Figura 7 – Diagrama P x H.......................................................................................................18
Figura 8 – Evaporador com kit de válvulas incluso....................................................................21
Figura 9 - Compressor escolhido...............................................................................................22
Figura 10 – Unidade Condensadora..........................................................................................22
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO...................................................................................................5

1.1 JUSTIFICATIVA..................................................................................................5
1.2 OBJETIVO GERAL.............................................................................................5

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.........................................................................6

2.1 MANEJO DO PRODUTO.....................................................................................6


2.1.1 PRÉ-RESFRIAMENTO.............................................................................................6
2.1.2 RESFRIAMENTO EM CAMARA FRIA......................................................................6
2.2 CUSTOS DE INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO................................................8
2.2.1 VIABILIDADE................................................................................................................8
2.3 FUNCIONAMENTO DE UM SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO..........................9
2.4 TIPOS DE CALOR E SEUS MEIOS DE TRANSFERÊNCIA..........................12

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES.....................................................................13

3.1 COMPONENTES DO SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO..................................20


3.1.2 EVAPORADOR.....................................................................................................20
3.1.3 COMPRESSOR.....................................................................................................21
3.1.3 UNIDADE CONDENSADORA................................................................................22
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................23

5. REFERÊNCIAS................................................................................................24

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1. INTRODUÇÃO

1.1 JUSTIFICATIVA

A viticultura brasileira apresenta características únicas em cada região


onde é produzida, como por exemplo, ciclos de produção, época de colheita e
tipo de produto. Além disso, a atividade representa uma importante fonte de
renda para pequenas propriedades e também contribui para a sustentabilidade
por meio de investimentos realizados por empresas que geram empregos e
renda (Mello, 2019).
Segundos dados disponibilizados pela Conab (Companhia Nacional de
Abastecimento), no ano de 2018 a produção de uvas no Brasil foi de 1.592.242
toneladas, sendo a região sul a mais representativa na produção do fruto, com
937.989,7 toneladas produzidas, seguido pela região nordeste, com 501.874,67
toneladas do fruto.
Nos últimos anos ocorreram avanços importantes no setor, tais como a
adoção de novas cultivares, uso de práticas e processos mais sustentáveis,
diversificação da produção e expansão em novas regiões. Neste contexto,
dentre os diversos fatores importantes na cadeia produtiva da uva destaca-se o
armazenamento em câmara fria.

1.2 OBJETIVO GERAL

Com isso observou-se a necessidade de dimensionamento correto de


um sistema de câmara fria para armazenamento e resfriamento de uvas em
geral, para garantir a conservação da qualidade do produto por um período de
tempo maior, podendo assim armazenar o produto até o período entre safras
em que o preço do produto se eleva, devido à baixa oferta, garantindo assim
um maior lucro para o produtor além de garantir a disponibilidade do produto
por todo o ano.

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 MANEJO DO PRODUTO


2.1.1 PRÉ-RESFRIAMENTO

O pré-resfriamento consiste em retirar o calor do fruto que vem do


campo. Exige equipamentos adequados, tais como túneis de ar forçado, afim
de que o fruto atinja a temperatura ideal próxima à de armazenamento.
É uma operação totalmente distinta do armazenamento refrigerado, e
serve única e exclusivamente para retirar o calor de campo, que em alguns
casos a polpa do fruto atinge temperaturas muito superiores às recomendadas
para armazenamento.

Figura - Túnel de resfriamento


Fonte: https://wiki.sj.ifsc.edu.br/images/9/94/Apostila_parte_1.pdf

2.1.2 RESFRIAMENTO EM CAMARA FRIA

Após o pré-resfriamento, os frutos são encaminhados às câmaras frias,


e após submetidos à cadeia de frio, que não deve ser mais interrompida.
Assim, posteriormente, os frutos, ao saírem da câmara fria para o

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carregamento dos contêineres, a execução deve ser rápida, de modo a manter
a temperatura de armazenamento.

Figura - Sistema de refrigeração continuo (câmara fria)


Fonte: https://wiki.sj.ifsc.edu.br/images/9/94/Apostila_parte_1.pdf

As condições ideais para o armazenamento de uvas de é de 0 a 2°C de


temperatura, com uma umidade relativa de 90 a 95%.
O tempo esperado de armazenamento é de no mínimo 60 dias para
uvas finas. Essas, quando destinadas à exportação, são mantidas em
resfriamento até durante o translado no contêiner. Quando não respeitado ou
mantido o resfriamento dos frutos, a qualidade pode ser comprometida, pois
pode ocorrer a desidratação do engaço. Além disso, ocorrem prejuízos à
aparência do cacho, porém sem perda do sabor e de outras características de
qualidade.
Diversas medidas são cruciais no processo de resfriamento de frutos, de
modo que se tenha garantia de qualidade. Aqui podemos citar os pontos mais
importantes, segundo a Embrapa (2010):
 Evitar o armazenamento de uvas sobremaduras ou com sinais de
desidratação

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 Controlar os limites de temperatura, uma vez que elevações na
temperatura favorecem a condensação de água sobre o cacho e,
consequentemente, o desenvolvimento de microrganismos que possam
vir a degradar os frutos. Já condições de redução drástica na
temperatura podem causar o congelamento, fazendo com o que os
frutos percam a aparência translúcida e aquosa.
 Evitar a variação de UR (Umidade Relativa), de modo que fique estável,
já que a redução da UR pode vir a acometer o ressecamento da fruta.
 Controlar os níveis de SO2 (dióxido de enxofre) dentro do
compartimento de resfriamento. Pois o simples contato do mesmo com
os frutos pode causar perda de coloração, reduzindo assim o valor
comercial dos frutos.

2.2 CUSTOS DE INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO

O custo de implantação de um sistema de resfriamento em uma


propriedade é muito variado, devendo ser analisados diversos pontos, tais
como: quantidade de frutos produzidos na propriedade, localidade da
propriedade, mão de obra especializada, número de câmaras frias
demandadas, entre outros fatores.

2.2.1 VIABILIDADE

Segundo os hortifruticultores e comerciantes o principal argumento para


a não implantação de câmaras frias é o elevado custo para se implantar tal
infraestrutura na propriedade.
No entanto, quando se comparam os custos e os benefícios para o setor
como um todo, fica claro que essa técnica é imprescindível para a
modernização da hortifruticultura.
A câmara fria aqui projetada possui a vida útil de até 20 anos, então, o
alto valor para a aquisição de vários equipamentos para uma propriedade
diluído entre esta vida útil se torna baixo, valendo o valor investido.

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O que se torna mais atraente na adoção de um sistema de resfriamento
para o viticultor é o tempo de prateleira de pelos menos 60 dias, segundo a
Embrapa, que o fruto adquire quando utilizada a técnica. Quando não adotada
a técnica, esse período é reduzido para menos da metade, pois temperaturas
mais elevadas, tais como mais de 20°C, aceleram o processo de
amadurecimento do fruto, reduzindo a quantidade de água no mesmo.
Além disso, aumenta significativamente a ação de microrganismos.
Desta forma, torna-se justificável adquirir câmaras frias para a propriedade, ou
então para uma cooperativa, uma vez que quanto mais tempo o fruto mantém
sua vitalidade, maiores as chances de vendê-lo ou então reduzir as perdas.

2.3 FUNCIONAMENTO DE UM SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO

Pode-se entender a lógica de funcionamento dos sistemas de


refrigeração através do entendimento do funcionamento de um refrigerador
doméstico comum. Eles funcionam a partir da aplicação dos conceitos de calor
e trabalho, utilizando de um fluido refrigerante.
Fluido refrigerante é uma substância que circulando dentro de um
circuito fechado é capaz de retirar calor de um meio enquanto vaporiza-se a
baixa pressão. Este fluido entra no evaporador a baixa pressão na forma de
mistura de líquido mais vapor e retira energia do meio interno refrigerado
enquanto vaporiza-se e passa para o estado de vapor. O vapor entra no
compressor onde é comprimido e bombeado, tornando-se vapor
superaquecido e deslocando-se para o condensador que tem a função de
liberar a energia retirada dos alimentos e resultante do trabalho de compressão
para o meio exterior.
O fluido ao liberar sua energia passa do estado de vapor superaquecido
para líquido e finalmente entra no dispositivo de expansão onde tem sua
pressão reduzida para novamente ingressar no evaporador e repetir-se assim o
ciclo. Esse processo é ilustrado a seguir:

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Figura - Ciclo básico de refrigeração
Fonte: https://wiki.sj.ifsc.edu.br/images/9/94/Apostila_parte_1.pdf

Figura – Funcionamento de um refrigerador


Fonte: https://wiki.sj.ifsc.edu.br/images/9/94/Apostila_parte_1.pdf

Onde um refrigerador/geladeira nada mais é do que um estilo de camara


fria de pequeno porte para uso domestico, tendo funcionamento praticamente
identico a de grandes camaras de resfriamento.
O que difere os sistemas pequenos dos de grande porte é o número de
unidades compressoras, evaporadoras, de expansão e condensadoras

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envolvidas, que nas câmaras frias podem ser múltiplos, o sistema de controle
também pode alcançar elevada complexidade de acordo com a necessidade do
projeto.

Figura – Câmara fria com 4 unidades compressoras


Fonte: https://wiki.sj.ifsc.edu.br/images/9/94/Apostila_parte_1.pdf

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2.4 TIPOS DE CALOR E SEUS MEIOS DE TRANSFERÊNCIA

Para entendermos melhor o armazenamento de alimentos em câmaras


frias e seu funcionamento precisamos relembrar alguns conceitos sobre calor.
Em que abordaremos resumidamente abaixo.
Onde calor sensível é quando o calor aplicado a determinado alimento
ou matéria, somente muda a temperatura do corpo, já calor latente é quando o
calor aplicado modifica o estado físico da matéria, ou seja, ocorre mudança de
fase. Com isso podemos determinar que em câmaras de resfriamento como é o
caso deste projeto trabalharemos somente com o calor sensível, pois não
haverá mudança de fase dos alimentos
Dentre isto existe três formas de transferência de calor, na qual são:
 Condução: ocorre basicamente nos sólidos, em que consiste no choque
entre moléculas com diferentes tipos de vibração, com a transferência
de energia cinética.
 Convecção: ocorre em fluidos, devido a diferença de densidade ocorre
um movimento natural de ascensão das massas aquecidas que levam
consigo a energia térmica adquirida, possibilitando que as massas mais
frias tomem o seu lugar para serem aquecidas.
 Radiação: está diretamente relacionada a propriedade da matéria, de
emitir energia em forma de radiação (ondas eletromagnéticas). Essa
energia e proporcional a temperatura e não precisa de meio material
para se propagar.

Com estes conhecimentos teóricos podemos entender o funcionamento


básico de um sistema de refrigeração, e desenvolver o projeto segundo a
necessidade.

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3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para o presente projeto adotamos a uva como nosso produto a ser


armazenado. Após selecionado o produto a equipe utilizou da referência das
notas de aula ministradas na disciplina de Sistemas Térmico II para o
dimensionamento de um sistema de refrigeração de um recinto para o
armazenamento das uvas.
Todos os fatores que influenciam no cálculo de dimensionamento,
podem ser vistos na lista abaixo
-Produto: Uva

-Temperatura de Armazenamento (recomendado): 0°C a 3 °C - ***Estaremos


adotando a Tmédia = 1 °C

-Umidade Relativa: 90 a 95%

-Tempo de Armazenamento: 3 meses

-Resfriamento: 20 h

-Calor específico: 0,85 Kcal.kg -¹.C-¹

-Dimensões Internas: 6 m comprimento; 5 m largura; 3 m altura.

-Isolamento: Placa de Poliuretano 75 mm

-Temperatura externa: 25°C (localizado em local fechado porem ventilado, sem


incidência de raios solares diretos.

-Temperatura entrada da Uva: 15 °C (considerando que no processo anterior o


mesmo passou por um pré resfriamento.

-Armazenamento: caixa plástica 8 kg (de madeira não é recomendado devido a


não ter uma boa desinfecção do mesmo).

-Considerar no ambiente 300 caixas de 8 kg

-Ocupação: 2 pessoas por 2 horas.

-Iluminação: Incandescente 10 W/m² por 2 h

-Motor: considerar dois motores de 1 CV cada (evaporador)

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Após determinado os requisitos necessários, realizamos os cálculos de
Transmissão de calor; Infiltração de calor; Calor dos produtos; Carga de
ocupação; Carga de iluminação; Carga devido aos motores e por fim a Carga
Térmica total.

A resolução das equações pode ser observada abaixo.

1 – Transmissão de Calor (Q transmissão)

Paredes

Q parede = L x A x Fdc

Q parede = 5m x 3m x 152,2 (interpolando)

Q parede = 2287,5 Kcal/24h

Q parede = C x A x Fdc

Q parede = 6m x 3m x 152,2 (interpolando)

Q parede = 2739,6 kcal/24h

Q 4 paredes = 2287,5 + 2287,5 + 2739,6 + 2739,6

Q 4 paredes = 10 054,2 kcal/24h

Q teto = L x C x Fdc

Q teto = 6 x 5 x 152,2

Q teto = 4 566 kcal/24h

Q piso = L x C x Fdc

Q piso = 6m x 5m x 152,2

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Q piso = 45 66 kcal/24h

Q transmissão = Q 4 paredes + Q piso + Q teto

Q transmissão = 10 054,2 + 4 566 + 4 566

Q transmissão = 19 186,2 kcal/24h

2 – Infiltração de Calor (Q infiltração)

Q infiltração = Volume x Ft x Qn

Q infiltração = (6*5*3) x 9,5 (interpolando) x 13,94 (interpolando)

Q infiltração = 11 918,7 kcal/24h

3 – Calor dos Produtos (Q produto)

Q produto = m x c x DT

Q produto = 2400 x 0,85 x 14

Q produto = 28 560 kcal/24h

4 – Carga de Ocupação (Q ocupação)

Q ocupação = P x Feq x h

Q ocupação = 2 x 228 (interpolado) x 2

Q ocupação = 912 kcal/24h

5 – Carga de Iluminação (Q iluminação)

Q iluminação = P x 0,86 x tempo

Q iluminação = 10 x 5 x 6 x 0,86 x 2

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Q iluminação = 516 kcal/24h

6 – Carga devido a motores (Q motor)

Q motor = P x 632,41 x N

Q motor = 2 x 632,41 x 1

Q motor = 1 264,82 kcal/24h

7 – Carga Térmica Total (Q total)

Q total = 1,10 x ( Q transmissão + Q infiltração + Q produto + Q ocupação + Q


iluminação + Q motor)

Q total = 1,10 x 62 357,72

Q total = 68 593,49 kcal/24h

Utilizamos da carga térmica total para calcular também a carga térmica


horaria. Levando em consideração o período as pausas de funcionamento do
compressor e o tempo necessário de degelo.

Q horário = Q total/20h

Q horário = 3 429,67 kcal/h

Com estas informações conseguimos calcular a potência do evaporador.

P evaporador = Q horário x ΔT padrão / Fb x ΔT trabalho

P evaporador = 3 429,67 x 6 / 0,95 x 5

P evaporador = 4 332,27 kcal/h

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Com a informação da potência do evaporador e os valores de
Tevaporação e Tcondensação conseguimos dar sequência no
dimensionamento do sistema

Para nosso projeto adotamos uma Tevaporação de 1°C e uma


Tcondensação de 25°C, definimos também que o fluido refrigerante seria o R-
22, por apresentar as seguintes vantagens:

Requer baixo deslocamento volumétrico, o que possibilita equipamentos


de tamanho reduzidos. Tem maior capacidade térmica do que o R 12, pois
requer apenas 60% do deslocamento para mesma capacidade frigorífica.
Também tem maior capacidade de absorver água do que o R 12, razão porque
um sistema com R 22 raramente sofre problema de obstrução por
congelamento da umidade.

Adotamos o ciclo padrão de refrigeração, ilustrado na imagem abaixo.

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