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CONTROLADORIA

UNIDADE 2

CAPÍTULO 1

BALANÇO PATRIMONIAL (BPBALANÇO PATRIMONIAL (BP) 1


BALANÇO PATRIMONIAL (BP)

A Contabilidade é um excelente instrumento que auxilia os gestores na tomada


de decisão.  Ela coleta os dados econômicos sumarizando-os em forma de
Demonstrações Financeiras que contribuem para a tomada de decisão.

Antes de adentrarmos o tema mais especificamente, compreendamos a


questão geral que o envolve.

2
CONTABILIDADE

A palavra contabilidade deriva do termo italiano contabilità, em uma referência


ao uso das contas contábeis. Estas devem ser expressas com títulos em
conformidade com os atos e fatos administrativos provocados, e figurar em um
plano de contas, de acordo com as suas características, similaridades ou
eventos econômicos produzidos. Uma conta deve representar exatamente a
operação realizada.

À prática de reunir informações nos livros e documentos dá-se o nome de


escrituração. Por esse motivo, até a metade da década de 1970 os contadores
eram conhecidos como “guarda-livros”.

O objeto principal da contabilidade é o patrimônio e sua aplicação tem como


objetivo representar, apreender e analisar suas mutações.

A aplicação da contabilidade busca prover informações sobre aspectos de


natureza econômica, financeira e física do patrimônio da entidade e suas
mutações.

Essas informações compreendem registros, demonstrações, análises,


diagnósticos e prognósticos, expressos sob a forma de relatos, pareceres,
tabelas, planilhas e outros meios.

Por econômico entende-se todas as mutações quantitativas-qualitativas do


patrimônio, aquelas que alteram “receitas” e “despesas”, ou seja, o patrimônio
líquido de uma entidade.

Por financeiros entende-se as mutações ocorridas no fluxo de caixa, ou seja,


as transações feitas no caixa da entidade.

Há diversos fatores internos e externos que influenciam essas mutações e


devem ser observados: ambiente social, econômico, político, legal, fatores
relacionados à gestão empresarial, entre outros.
Todos esses “acontecimentos” devem ser organizados e relatados em fatos
contábeis, aos quais devem ser escriturados. Dessa forma, um sistema contábil
deve ser aquele capaz de organizar os fatos contábeis a partir de três objetivos
primordiais:

»      registro;

»      controle; e

»      informação.

Para essa finalidade a contabilidade utiliza quatro técnicas:


01Fechar 

»      Escrituração: consiste em efetuar, de forma sistematizada, os registros


das ocorrências que influenciam a evolução patrimonial. A escrituração,
portanto, é realizada levando em consideração a ordem cronológica de todos
os acontecimentos. A técnica contábil da escrituração é baseada
em documentos comprobatórios, ou seja, todos os acontecimentos a serem
escriturados devem corresponder a um documento legalizado que comprove a
sua veracidade.

02Fechar 

»      Demonstrações contábeis: consiste em apresentar todos os registros


efetuados em uma forma condensada, que apresente os resultados atingidos
pela empresa em um determinado período. Os fatos registrados devem constar
em demonstrações expositivas, que, segundo a Lei n o6.404/1976, são
denominadas demonstrações financeiras.

03Fechar 

»      Auditoria: técnica que busca ratificar a exatidão dos registros já


efetuados e apresentados nas demonstrações contábeis. Consiste em um
exame pormenorizado de todos os dados escriturados pela contabilidade,
verificando se todos foram efetuados seguindo os princípios fundamentais da
contabilidade.

Essa técnica pode ser aplicada de duas formas distintas: auditoria interna e auditoria
externa.

 1

›       A auditoria interna é uma técnica realizada como forma de


verificar/certificar os processos e resultados expostos pelas diversas áreas de
uma entidade.  Muitas empresas têm, em seu quadro de funcionários, auditores
responsáveis por auditar as práticas internas dos departamentos. Cabe à essa
auditoria verificar, controlar e solicitar correções nos processos e resultados
das áreas.
)

 2

›       Por exemplo, a auditoria interna faz escolhas aleatórias de lançamentos


contábeis para verificação por amostragem. Os lançamentos escolhidos são
verificados quanto à sua veracidade, correção nas contas lançadas, existência
de documentos comprobatórios.

 3

›       A auditoria interna é a “validação” do trabalho contábil realizado na


empresa afim de que no momento das demonstrações financeiras/prestação de
contas a empresa esteja pronta para relatar suas informações de forma correta,
de acordo com a legislação contábil e, ainda, as partidas lançadas “fechem a
conta”, demonstrando de forma clara e precisa os resultados alcançados pela
empresa, seu patrimônio líquido, receitas e despesas.

 4

›       Já a auditoria externa é feita por empresas especializadas  contratadas


especificamente para a finalidade de realizar o trabalho feito em algumas
empresas pela equipe de auditoria interna.

 5

       Geralmente, empresas compostas por sociedade e/ou empresas de


capital aberto têm suas contas auditadas afim de que os resultados
apresentados pela empresa sofram essa verificação ratificando a veracidade
das informações para a garantia dos sócios.

 6

›       Uma vez contratada, a empresa externa deve ter total acesso às
informações e independência para analisar e solicitar correções necessárias
diretamente ao contador e às áreas da empresa.

Algumas empresas de auditoria externa no Brasil bem conhecidas são: PwC –


PricewaterhouseCoopers e KPMG.

Há, ainda, empresas que praticam as duas formas de auditoria. Nesse caso, o
trabalho realizado pela equipe interna é auditado pela equipe externa. Fica a
cargo da auditoria interna a interface com a auditoria externa e o contador que
assina as demonstrações da empresa.
»      Análise de balanço: levando em consideração que as demonstrações
contábeis representam dados sistematizados, que apresentam de forma
sintética os resultados da empresa, nem sempre os usuários têm condições de
interpretá-los. Assim, cabe à própria contabilidade decompor, comparar e
interpretar os demonstrativos contábeis, com a finalidade de fornecer
informações mais ágeis para os usuários.

3
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

As Demonstrações Financeiras são os relatórios contábeis exigidos por lei,


portanto, obrigatórios. São exigidos para todas as sociedades por ações e,
parte deles, tem a obrigatoriedade estendida a outros tipos societários como,
por exemplo, as Sociedades por Quotas de Responsabilidade Limitada..

É extremamente necessário que, ao preparar as Demonstrações Financeiras


de uma Companhia, se tenha pleno conhecimento das normas vigentes de
contabilidade, das complexas modificações recentes, bem como dos aspectos
tributários da rotina de fechamento de balanço.

É a partir da avaliação das demonstrações financeiras que se avalia a saúde


financeira de uma empresa.

ATENÇÃO

É a partir da avaliação das demonstrações financeiras que se avalia a saúde


financeira de uma empresa.

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BALANÇO PATRIMONIAL (BP)

O principal formato de Demonstração Financeira é o Balanço Patrimonial (BP),


no qual abordaremos nesta seção. Essa demonstração explana, qualitativa e
quantitativamente, a posição financeira e patrimonial de uma empresa em um
dado momento (em regra, término do trimestre, semestre ou ano).

De acordo com o art. 176 da Lei no6.404/1976, acima citada, as demonstrações


de cada exercício serão sempre publicadas com a indicação dos valores
correspondentes com das demonstrações do exercício anterior.

Para que melhor compreendamos os lançamentos feitos em um Balanço


Patrimonial, faz-se necessário, primeiramente, explicarmos alguns significados:

 Clique sobre as abas abaixo:

» Ativo

O ativo é formado por todos os bens, direitos e demais aplicações de recursos


controlados pela empresa, capazes de gerar benefícios econômicos futuros, porém
originados em eventos já ocorridos. Vejamos alguns exemplos: terrenos,
ferramentas, máquinas, equipamentos, estoques, instalações, veículos,
edificações, marcas etc.

» Passivo

O passivo é formado por todas as obrigações (dívidas) que a empresa tem com
terceiros: contas a pagar, fornecedores, financiamentos, empréstimos etc. Essas
dívidas exigirão ativos para sua liquidação.

» Patrimônio líquido

O patrimônio líquido compreende os recursos próprios da Entidade, e seu valor é a


diferença positiva (ou não) entre o valor do Ativo e o valor do Passivo.

A contabilidade trabalha com um conceito chamado "equação fundamental


da contabilidade". Esta equação é escrita na forma A=P+PL e significa que o
total de ativos (A) sempre é igual à soma do total de passivos (P) com o
patrimônio líquido (PL).

Ela é desdobrada da equação A=P, anterior às teorias que introduziram o


conceito de PL como a diferença entre ativos e passivos.

Por esse motivo fala-se que, na contabilidade, em partidas duplas. O que entra
de um lado, obrigatoriamente sai do outro. Ao final tem-se todos os
movimentos e o tamanho do patrimônio da empresa após essas mutações.

ATENÇÃO

Equação Fundamental da Contabilidade: A=P+PL.

Sendo: A os ativos, P os passivos e PL o patrimônio líquido.

A representação seria, por exemplo:

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ORIGENS E APLICAÇÕES
O lado direito do Balanço Patrimonial, Capital de Terceiros (Passivo) mais
Capital Próprio (Patrimônio Líquido), representa toda a fonte de recursos da
empresa, em outras palavras, representa toda a origem de capital. O lado
esquerdo do Balanço Patrimonial representa toda a aplicação de recursos
originados no Passivo e/ou Patrimônio Líquido.

Desta forma, caso a empresa financie equipamentos junto a uma instituição


financeira, terá uma origem de recursos no Passivo: financiamentos. Por sua
vez, esses recursos serão aplicados no Ativo: equipamentos.

Assim, fica bem fácil entender porque o Ativo será sempre igual ao
Passivo+Patrimônio Líquido, pois a empresa só pode aplicar aquilo que tem
origem. Se há uma origem (financiamento) de R$200.000 (Passivo), haverá
uma aplicação (equipamentos) do mesmo valor R$200.000 (Ativo).

Daí, conclui-se que o lado do Ativo será sempre igual ao lado do


Passivo+Patrimônio Líquido.

Segue, abaixo, a Equação Contábil Básica:

ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

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GRUPO DE CONTAS DO BALANÇO PATRIMONIAL

Conforme estudamos na seção anterior, o Balanço Patrimonial é formado pelo


Ativo (lado esquerdo) e pelo Passivo + Patrimônio Líquido (lado direito).

O Ativo é composto por bens, direitos e demais recursos aplicados. O Passivo


e o Patrimônio Líquido armazenam, por sua vez, todas as origens de recurso
da empresa.

O Balanço Patrimonial é uma demonstração contábil utilizada por diversos


agentes internos e externos à empresa: diretores financeiros, governo, bancos,
fornecedores, sócios etc. Salvo a informação de que esses agentes não
necessitam ser peritos em Contabilidade para analisar um balanço. Daí o
Balanço Patrimonial ser uma demonstração simples e de fácil compreensão
para todos.

Para facilitar a análise do Balanço Patrimonial, há uma preocupação invariável


dos contabilistas em estabelecer uma apropriada distribuição de contas. São
duas regras principais que norteiam a distribuição de contas, a saber:

 Clique sobre os itens abaixo:

 1

»      Prazo: em contabilidade o curto prazo diz respeito, normalmente, ao


período de até um ano. Períodos superiores a um ano são classificados como
de longo prazo.
 2

»      Grau de Liquidez: as rubricas que se transformam em dinheiro com mais


facilidade são classificadas em primeiro lugar. Por exemplo, entre três contas:
Bancos, Terrenos e Duplicatas a Receber, o mais líquido é o caixa; em seguida
duplicatas a receber e, por último (menos líquido), terrenos.

Lastreado nessas duas regras principais ─ prazo e liquidez ─ vamos compor,


os grupos de contas do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido.

Grupo de Contas é um conjunto de contas o qual se estabelece dentro da


empresa, respeitando-se a legislação vigente, para que se proceda ao registro
dos fatos e atos inerentes à atividade da mesma, além de balizar os critérios
para a elaboração de suas demonstrações financeiras/balanço patrimonial
(nesse caso específico que estamos estudando agora).

A legislação prevê um conjunto de normas àa respeito da publicação dessas


informações e, dentre elas está inserida informação sobre a utilização de um
Plano de Contas bem como um Manual o qual explica sobre a forma como se
deve aplicar e usar cada uma dessas contas. É importante ressaltar que não
basta, no Balanço, apenas citar a conta, porém deve-se fazer uma descrição
sobre o funcionamento de cada uma delas.

Faz-se extremamente importante ressaltar a alteração na legislação societária


que rege as empresas brasileiras. Há tempos sob a égide da Lei n o6.404/1976
(Lei das Sociedades por Ações), já se esperava uma mudança e,
principalmente uma atualização na legislação brasileira para que as regras
tornassem condizentes com as práticas internacionais de contabilidade. Em 28
de dezembro de 2007, foi publicada a Lei n o 11.638 e em maio de 2008, a CVM
(Comissão de Valores Mobiliários) dispôs sobre a aplicação da mesma.

A nova legislação trouxe alterações bruscas para as quais a maioria das


empresas não estava preparada e os benefícios da alteração da mesma, os
quais são previstos para tomar forma no longo prazo (tais como facilitação no
acesso ao capital externo e melhores práticas de governança) não foram
rapidamente percebidos por elas.

 
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GRUPO DE CONTAS DO ATIVO

Ativo Circulante – esta conta agrupa dinheiro e tudo o que será transformado
em dinheiro rapidamente. São contas que estão constantemente em giro,
movimento.
Nesse grupo são registrados todos os bens e direitos que a empresa pode
transformar em dinheiro no curto prazo, ou seja, no máximo, até o próximo
exercício social.

O ativo circulante é uma conta contábil que registra as disponibilidades de curto


prazo. Vejamos alguns exemplos: caixa, bancos, conta movimento e aplicações
financeiras, títulos negociáveis (como duplicatas a receber), estoques e outros
créditos de realização em curto prazo, como adiantamento aos fornecedores e
empregados.

Geralmente os exercícios sociais têm duração de 12 meses e, em sua grande


maioria, ocorrem de janeiro a dezembro. Essa é a ideia de curto prazo.

Há, porém, algumas exceções para as companhias em que o ciclo operacional


tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou
longo prazo terá por base o prazo desse ciclo.

Não Circulante ─- compreende todas as contas que não serão realizadas


(transformadas em dinheiro) no curto prazo (até o fim do próximo exercício
social), bem como os bens de uso e de renda, quais sejam: veículos,
máquinas, aluguéis, imóveis para venda etc.

Esse grupo de contas está dividido em subgrupos:

 Clique sobre os números abaixo:

1  

01Fechar 

»      Realizável em Longo Prazo ─ Incluem-se nessa conta bens e direitos


que se transformarão em dinheiro após o exercício seguinte, incluindo, é claro,
as que não têm prazo de vencimento.  São contas de natureza devedora,
assim como as do Ativo Circulante.

Exemplo: duplicatas a receber no longo prazo ─ um cliente comprou um


armário em 36 parcelas. Parte dessas parcelas será lançada na conta
Duplicatas a Receber no curto prazo (Ativo Circulante) e outra parte delas, em
função do prazo, deverá ser lançada na conta Duplicatas a receber em longo
prazo (Ativo Não Circulante – Realizável em longo Prazo).

2
02Fechar 

»      Investimento ─ São as participações permanentes em outras sociedades


e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no Ativo Circulante, e que
não se destinem à manutenção da atividade da empresa, com o objetivo de
gerar rendimentos para a empresa.

Exemplos: participações em coligadas e controladas, imóveis alugados a


terceiros (não de uso, mas para renda), compra de obras de arte para venda
futura, investimento em ouro etc.

3
 

03Fechar 

»      Imobilizado ─ São os bens e direitos que tenham por objeto bens


corpóreos, físicos, destinados à manutenção da atividade fundamental da
empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de
operações que transfiram à empresa os benefícios, os riscos e o controle
desses bens.

Não há, no caso do imobilizado, a intenção, por parte da empresa, de


transformar esses bens em dinheiro já que esses são necessários ao
desenvolvimento das atividades da empresa.

Exemplos: prédios utilizados para a atividade da companhia, ferramentas,


máquinas, veículos, mobiliário etc.

»      Intangível ─ São os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos,


que não se podem tocar, destinados à manutenção da empresa. Exemplos:
fundo de comércio, marcas e patentes, direitos autorais, softwares,
amortização acumulada (depreciação) etc.

Vale aqui ressaltar que, até 2008, dentro da conta Ativo Não Circulante havia
um 5o subgrupo chamado “Diferido”, o qual incluía despesas pré-operacionais.

Porém, com a publicação da Medida Provisória n o449/2008, (posteriormente


transformada na Lei no 11.941/2009), o subgrupo Diferido foi extinto. Os saldos
existentes após o dia 31 de dezembro de 2008 devem ser, por lei,
reclassificados para o passivo não circulante em conta representativa de
receita diferida.

O saldo em 31/12/2008 e que, por sua natureza, não puderam ser alocados em
outro grupo de contas, puderam nele permanecer até sua completa
amortização.

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GRUPO DE CONTAS DO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Passivo Circulante ─ são todas as obrigações exigíveis que serão liquidadas
no curto prazo (no máximo, até o próximo exercício social).

Exemplos: folha de pagamento dos funcionários, participações nos resultados,


férias e provisões de férias, 13o e provisões de 13o, parcelas de financiamentos
vencendo no período, créditos dos sócios a serem pagos no período, tributos.

Passivo Não Circulante ─ compreende todas as obrigações exigíveis que não


serão liquidadas no curto prazo (próximo exercício social).

Como exemplo podemos citar: parcelas de empréstimos bancários com


vencimento após o 13º mês após o final do exercício social.

Patrimônio Líquido ─ O Patrimônio Líquido (PL) é uma subconta do Passivo


Total, que compõe o Balanço Patrimonial de qualquer empresa. No PL são
computados o capital social, integralizado pelos acionistas por meio de aportes,
os lucros acumulados pela empresa e as contas de reserva que podem ser
constituídas (reserva legal, por exemplo), entre outros.

Cada empresa tem determinadas contas que deve declarar no PL, mas,
basicamente, ele representa o investimento dos proprietários na empresa e as
reservas de lucro e caixa que ela possui.

Capital Social, conforme definição do Sebrae, é o montante necessário para se


constituir e iniciar as atividades de uma nova empresa enquanto esta não gera
recursos suficientes para se sustentar. O valor do capital social deve ser
estipulado baseado em um plano de negócios elaborado pelos interessados
previamente.

Até esse ponto, falamos a respeito das contas representantes do patrimônio da


empresa (ativo e passivo) e, por isso, representados mediante o Balanço
Patrimonial.

Precisamos, porém, continuar nosso estudo para completar a avaliação anual


da empresa. Falemos, então, das Contas de Resultado.

Contas de Resultado ─ aqui são apuradas as receitas e as despesas do


período para apurar o resultado e verificar, então, se a empresa teve lucro ou
prejuízo. Esse resultado, em termos financeiros, será incorporado ao
Patrimônio por meio da conta de Prejuízos acumulados (quando for negativo),
ou mediante a conta Reserva de lucros (quando for positivo).

Essas contas precisam ser apuradas juntamente ao Balanço Patrimonial,


apesar de suas contas (Receitas e Despesas) não estarem inseridas na
estrutura inicial do plano de contas do Balanço Patrimonial, uma vez que
alteram a situação líquida deste.

Receitas ─ são entradas de elementos para o ativo da empresa, na forma de


bens ou direitos, que sempre provocam um aumento da situação líquida.

As receitas são classificadas em:


 Clique sobre os itens abaixo:

 1

      Receitas operacionais: são as despesas relacionadas às atividades fim e


complementar da empresa. Exemplos: venda de mercadorias, prestação de
serviços objeto do negócio da empresa, recebimento de receitas financeiras ou
de locação.

 2

»      Receitas não operacionais: são as receitas originadas pela venda de


bens do ativo investimentos, imobilizados e intangíveis.

 13

»      Despesas: consumo de bens ou serviços que, direta ou indiretamente,


ajudam a produzir uma receita, diminuindo o ativo ou aumentando o passivo.

As despesas são aplicações que contribuem para a manutenção da atividade


operacional da empresa com o objetivo de gerar receita. Por representarem
saldo devedor, revelam variações negativas no Patrimônio Líquido.

Assim como as Receitas, podem ser classificadas em operacionais e não


operacionais.

»      Despesas Operacionais: são as despesas diretamente vinculadas à


atividade fim da empresa. Exemplo: custo das mercadorias, serviços, despesas
administrativas (IPTU, aluguel, condomínio).

»      Despesas não Operacionais: são aquelas não diretamente


relacionadas à atividade fim da empresa.

De forma simplista, poderíamos representar a relação entre as Contas de


Resultado e o Balanço Patrimonial da seguinte forma:
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A ESTRUTURA DE UM BALANÇO PATRIMONIAL

Cada empresa possui suas particularidades tais como ramo de atuação,


tamanho, atividade, localidade etc. e, por isso, de forma resumida e didática,
podemos afirmar que o plano de contas deve sempre ser feito “sob medida”
para atender as necessidades específicas de cada empresa respeitando, é
claro, as normas vigentes de contabilidade e as demais legislações aplicáveis.

A correta escrituração de um balanço por meio de um plano de contas bem


estruturado é de extrema importância, pois além de parametrizar os registros
da organização dentro das normas aplicáveis, esse documento serve de
informação rica para os demais públicos de interesse da empresa que o
utilizam como forma de conhecer a atual e real situação dela.

Na definição da estrutura de seu plano de contas a empresa deve avaliá-lo


como uma árvore pois, conforme vimos acima, há níveis e subníveis a serem
relacionados..

Vejamos, então:

Figura 3. Estrutura.

APLICAÇÃO NO PLANO DE
ESTRUTURA EM ÁRVORE
CONTAS

1. Primeiro Nível 1. Ativo


             1.1    Segundo Nível              1.1    Ativo Circulante
                        1.1.1 Terceiro                         1.1.1 Disponibilidades
Nível                                                1.1.1.1
                                  1.1.1.1 Caixa
Quarto Nível                                                1.1.1.2
  Banco

IMPORTANTE
É importante compreender que as contas devem sempre seguir a ordem
estipulada:

1. ativo;
2. passivo;
3. receitas;
4. despesas.

Vejamos agora, exemplo de estrutura geral de Plano de Contas, com níveis e


subníveis:

1 ATIVO

1.1 ATIVO CIRCULANTE

1.1.1 Caixa

1.1.1.1 Caixa Geral.

1.1.2 Bancos C/Movimento

1.1.2.1 Banco Alfa.

1.1.3 Contas a Receber

1.1.3.1 Clientes.

1.1.3.2 Outras Contas a Receber.

1.1.3.9(-) Duplicatas Descontadas.

1.1.4 Estoques

1.1.4.1 Mercadorias.

1.1.4.2 Produtos Acabados.

1.1.4.3 Insumos.

1.1.4.4 Outros.

1.2 NÃO CIRCULANTE

1.2.1 Contas a Receber

1.2.1.1 Clientes.

1.2.1.2 Outras Contas..

1.2.2 INVESTIMENTOS

1.2.2.1 Participações Societárias..


1.2.3 IMOBILIZADO

1.2.3.1 Terrenos.

1.2.3.2 Construções e Benfeitorias.

1.2.3.3 Máquinas e Ferramentas.

1.2.3.4 Veículos.

1.2.3.5 Móveis.

1.2.3.98 (-) Depreciação Acumulada.

1.2.3.99 (-) Amortização Acumulada.

1.2.4 INTANGÍVEL

1.2.4.1 Marcas.

1.2.4.2 Softwares.

1.2.4.99 (-) Amortização Acumulada.

2 PASSIVO

2.1 CIRCULANTE

2.1.1 Impostos e Contribuições a Recolher.

2.1.1.1 Simples a Recolher.

2.1.1.2 INSS.

2.1.1.3 FGTS.

2.1.2 Contas a Pagar

2.1.2.1 Fornecedores.

2.1.2.2 Outras Contas.

2.1.3 Empréstimos Bancários

2.1.3.1 Banco A ─ Operação X

2.2 NÃO CIRCULANTE

2.2.1 Empréstimos Bancários.

2.2.1.1 Banco A ─ Operação X.

2.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO


2.3.1 Capital Social

2.3.1.1 Capital Social Subscrito.

2.3.1.2 Capital Social a Realizar.

2.3.2 Reservas de Capital

2.3.2.1 Reservas de Capital.

2.3.2.2 Reservas de Lucros

2.3.3 Prejuízos Acumulados

2.3.3.1 Prejuízos Acumulados de Exercícios Anteriores

2.3.3.2 Prejuízos do Exercício Atual

3 CUSTOS E DESPESAS

3.1 CUSTOS DOS PRODUTOS VENDIDOS

3.1.1 Custos dos Materiais.

3.1.1.1 Custos dos Materiais Aplicados

3.1.2 Custos da Mão de Obra.

3.1.2.1 Salários

3.1.2.2 Encargos Sociais

3.2 CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS

3.2.1 Custo das Mercadorias

3.2.1.1 Custo das Mercadorias Vendidas.

3.3 CUSTO DOS SERVIÇOS PRESTADOS

3.3.1 Custo dos Serviços

3.3.1.1 Materiais Aplicados

3.3.1.2 Mão de Obra

3.3.1.3 Encargos Sociais

3.4 DESPESAS OPERACIONAIS

3.4.1 Despesas Gerais

3. 4.1.1 Mão de Obra.


3.4.1.2 Encargos Sociais

3.4.1.3 Aluguéis

3.5 PERDAS DE CAPITAL

3.5.1 Baixa de Bens do Ativo Não Circulante

3.5.1.1 Custos de Alienação de Investimentos

3.5.1.2 Custos de Alienação do Imobilizado

4 RECEITAS

4.1 RECEITA LÍQUIDA

4.1.1 Receita Bruta de Vendas

4.1.1.1 De Mercadorias

4.1.1.2 De Produtos

4.1.1.3 De Serviços Prestados

4.1.2 Deduções da Receita Bruta

4.1.2.1 Devoluções.

4.1.2.2 Serviços Cancelados

4.2 OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS

4.2.1 Vendas de Ativos Não Circulantes

4.2.1.1 Receitas de Alienação de Investimentos

4.2.1.2 Receitas de Alienação do Imobilizado

 
»      Caixa: R$ 1.800,00;

»      Fornecedores: R$ 5.000,00;

»      Capital Social: R$ 10.000,00;

»      Máquinas: R$ 3.000,00;

»      Estoques: R$ 6.500,00;

»      Financiamentos a Pagar de Longo Prazo: R$7.320,00;


»      Lucros Acumulados: R$ 3.400,00;

»      Duplicatas a receber: R$ 3.400,00;

»      Salários a pagar: R$ 6.500,00;

»      Participações em Outras Empresas: R$ 7.320,00;

»      Contas a pagar: R$ 200,00;

»      Prédios: R$ 5.000,00;

»      Impostos a pagar no Curto Prazo: R$ 1.800,00;

»      Títulos a pagar no Longo Prazo: R$ 2.000,00;

»      Títulos a receber no Longo Prazo: R$ 9.000,00. 

Figura 4. Ativo – Passivo.

ATIVO PASSIVO

Circulante
Circulante
Não Circulante
Não Circulante
Realizável a L. Prazo
Exigível a L. Prazo
Investimentos
Patrimônio Líquido
Imobilizado Intangível

Total Total

Fonte: Autor

ONIAL (BP)MONIAL (BP)

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